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8 DE MARÇO DE 2012

O IEBA assinala este ano o Dia Internacional da Mulher com uma selecção de notícias da imprensa nacional, que evidencia porque continua a ser necessário chamar a atenção para a situação das mulheres em Portugal e no mundo. Aproveitamos também para contar a história deste dia. Damos ainda

Dia Internacional da Mulher

destaque ao Dia Europeu da Igualdade Salarial, que decorreu a 2 de Março.

Porquê o 8 de Março? A história deste dia* No início do século XX, nos países mais desenvolvidos e que no último século tinham passado pela Revolução Industrial, as fábricas estavam repletas de homens, mulheres e crianças. O movimento operário reagia à exploração desenfreada organizando protestos, muitos com cunho socialista, reivindicando pelo fim do emprego infantil e por remunerações adequadas. Todavia, a igualdade entre homens e mulheres não era reclamada: por mais que as trabalhadoras argumentassem, os seus salários eram vistos como complementares ao do marido ou pai e um pedido de salários iguais parecia afectar as “exigências gerais”. Foi nesse contexto de eclosão popular, sindical e feminista que surgiu o Dia Internacional da Mulher.

da em 28 de Fevereiro e, em Nova York, reuniram-se cerca de 3 mil pessoas em pleno centro da cidade, na ilha de Manhattan.

do, essa versão não é considerada verdadeira. Para os estudiosos, foi apenas mais um acontecimento que fortaleceu a organização feminina.

Esta celebração foi mais um dos elementos do caldo político que culminou na greve geral dos trabalhadores e trabalhadoras do sector têxtil, na maioria mulheres jovens, em Novembro de 1909. A paralisação durou 13 semanas e provocou o encerramento de mais de 500 fábricas. As condições de trabalho, no entanto, não melhoraram muito. Os proprietários destas indústrias continuaram a forçar o cumprimento de jornadas massacrantes e, para evitar que seus empregados e empregadas saíssem mais cedo, alguns trancavam as portas e cobriam os relógios de parede.

De facto, o Dia Internacional da Mulher já havia sido proposto em 1910, um ano antes do incêndio, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, na Dinamarca. Clara Zetkin, militante e intelectual alemã, apresentou uma resolução para que se criasse uma “jornada especial, uma comemoração anual de mulheres”. A inspiração das trabalhadoras do outro lado do Atlântico é explícita: para Clara, elas deveriam “seguir o exemplo das companheiras americanas”.

Os Estados Unidos da América foram, sem dúvida, um dos palcos da luta das mulheres. Desde meados do século XIX, os operários e operárias organizavam greves para pressionar os proprietários das indústrias, principalmente as têxteis. O primeiro Dia da Mulher foi registado nos EUA a 3 de Maio de 1908. Segundo o jornal The Socialist Woman, “1500 mulheres aderiram às reivindicações por igualdade económica e política no dia consagrado à causa das trabalhadoras”. No ano seguinte, a data foi oficializada pelo Partido Socialista e comemora-

Em 1911, ocorreu um episódio marcante, que ficou conhecido no imaginário feminista como a consagração do Dia da Mulher: a 25 de Março, um incêndio deflagrou na Triangle Shirtwaist Company, em Nova York. Localizada nos três últimos andares de um prédio, a fábrica tinha chão e divisórias de madeira e muitos retalhos espalhados, formando um ambiente propício para que as chamas se espalhassem. A maioria dos cerca de 600 trabalhadores e trabalhadoras conseguiu escapar; porém, 146 morreram, entre eles, 125 mulheres. Estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham participado no funeral coletivo. Até hoje, muitas organizações e movimentos afirmam que esta tragédia aconteceu em 1857 e, por isso, reivindicam o mês de Março como a data para comemorar a luta pelos direitos das mulheres. Como não há provas nem registos de que um evento similar tenha ocorri-

Sem data definida, mobilizações anuais pelos direitos das mulheres prosseguiram em meses distintos, em diversos países. Em 8 de Março de 1917, uma acção política das operárias russas contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que desencadearam a revolução de Fevereiro.

(continua na última página)


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Internacional da Mulher


Dia Europeu da Igualdade Salarial


Dia Europeu da Igualdade Salarial http://ec.europa.eu/justice/gender-equality/gender-pay-gap/index_en.htm

http://www.youtube.com/watch?v=0TEGrI5bDLA


Disparidades salariais. O que é? Como se reflete em Portugal?

As disparidades salariais entre homens e mulheres correspondem à diferença entre a remuneração dos homens e a das mulheres, com base na diferença média do pagamento bruto à hora de todos os/as funcionários/as. Em média, as mulheres na UE ganham cerca de 17 % menos por hora do que os homens. Em Portugal, a remuneração média mensal de base recebida pelas mulheres em 2009 foi de 773,5€, e a dos homens 940,5€ (a). O que significa que a remuneração média das mulheres foi 82,2% da dos homens, ou, tomando como referência a remuneração feminina, verifica-se que os homens receberam 121,6% do que receberam as mulheres. Se em vez das remunerações considerarmos os ganhos (b), a diferença é ainda mais sensível: os ganhos das mulheres representam, em média, 79,0% dos dos homens, ou, dito de outra forma, os dos homens representam 126,6% dos das mulheres. As disparidades salariais entre homens e mulheres existem, apesar de as mulheres registarem melhores resultados na escola e universidade do que os homens. Em média, 81 % das mulheres jovens têm habilitações literárias, pelo menos, ao nível do 12.º ano de escolaridade na UE, comparativamente a 75 % dos homens. Em Portugal, 51,5% (c) das mulheres detêm o ensino secundário, comparativamente a 48,5% dos homens. Já no que toca ao ensino superior aproximamo-nos bastante da média da UE (60%), com 58,7% de mulheres licenciadas. O impacto das disparidades salariais entre homens e mulheres significa que as mulheres têm menos rendimentos ao longo da vida, o que resulta em reformas mais baixas e risco de pobreza na terceira idade. A taxa geral de emprego de mulheres na Europa é de 63 %, contra 76 % no caso de homens na faixa etária dos 20-64. A taxa de emprego feminina em Portugal é de 48% contra a masculina com 59,5%. As mulheres constituem a maioria dos trabalhadores a tempo parcial da UE, com 31,5 % das mulheres a trabalhar neste regime, contra apenas 8,3 % dos homens na mesma situação. Em Portugal, considerando um valor de 4837 milhares de indivíduos empregados em 2011, temos um valor de 5,6% de homens a trabalhar a tempo parcial e 7,6% de mulheres (d). Fonte: http://www.cig.gov.pt/

Fonte: Jornal de Notícias, 05-03-2012


Fonte: Jornal de Notícias, 03-03-12

Fonte: Dinheiro Vivo, 05-03-2012

Fonte: Jornal de Notícias, 05-03-2012

Fonte: Jornal de Notícias - 05-03-2012

Fonte: Público, 06-03-2012


Porquê o 8 de Março? A história deste dia* (continuação da 1ª página) A situação económica e política da Rússia era então insustentável. Mais de 90 mil pessoas marcharam, exigindo pão e paz. Os protestos e as greves subsequentes culminaram na queda da monarquia. Alexandra Kollontai, uma das principais dirigentes feministas da revolução de Outubro, afirmou que “o dia das operárias em 8 de Março de 1917 foi uma data memorável na história”. Em 1921, de acordo com os arquivos da Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, o dia 8 de Março foi estabelecido como data oficial para o Dia Internacional da Mulher. Num desses documentos estava registado que “uma camarada búlgara propôs o Dia Internacional da Mulher, lembrando a iniciativa das mulheres russas”. Com as duas guerras mundiais que se seguiram, o Dia da Mulher ficou em segundo plano. Foi apenas na década de 60 que o movimento feminista retomou com força as suas reivindicações e comemorações.

Em 1968 um episódio marcou o movimento feminista, no Estados Unidos da América. Com o objetivo de acabar com a exploração comercial realizada contra as mulheres e no contexto da realização do concurso de Miss America, em 7 de Setembro de 1968, em Atlantic City, 400 activistas do WLM - Women’s Liberation Movement organizaram um protesto que ficou conhecido por "bra-burning” ou "queima dos sutiãs". As activistas aproveitaram a realização do concurso de beleza (que era tido como uma visão arbitrária e opressiva em relação às mulheres) e colocaram no chão do espaço, sutiãs, sapatos de salto alto, sprays de laca, maquilhagens, revistas, espartilhos, cintas e outros objetos que simbolizavam a beleza feminina. Embora a ‘queima’ propriamente dita nunca tenha ocorrido, a atitude das manifestantes foi muito mobilizadora.

Como resultado de todos estes protestos e movimentos sociais, em 1975 comemorou-se o Ano Internacional da Mulher e, em 1977, a ONU - Organização das Nações Unidas reconheceu o dia 8 de Março como Dia Internacional da Mulher. Fruto de décadas de batalhas e séculos de opressão, a data, que lembra a necessária igualdade entre homens e mulheres, foi mundialmente assegurada. Cada vez mais, o Dia Internacional da Mulher é um momento para reflectir sobre os progressos realizados, para chamar a atenção para a discriminação ainda existente, para celebrar actos de coragem e determinação de mulheres comuns, que desempenharam um papel extraordinário na história dos seus países e comunidades. comunidades

* Texto adaptado de: - Mano, Maíra Kubík, Conquistas na luta e no luto, disponível on line em: http://www2.uol.com.br/historiaviva/ reportagens/conquistas_na_luta_e_no_luto_2.html - http://www.un.org/womenwatch/feature/iwd/history.html

Este documento foi concebido e editado pelo IEBA Centro de Iniciativas Empresariais, no âmbito do projecto SER OU NÃO SER IGUAL III, em 8 de Março de 2012. Parque Industrial Manuel Lourenço Ferreira, Lote 12 - Apartado 38 3450-232 MORTÁGUA Telf.: 231 927 470 I Fax: 231 927 472 I www.ieba.org.pt I ieba@ieba.org.pt

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Boletim Dia Internacional da Mulher 2012  

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