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CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 1


4 EDITORIAL O Melhor Ano da Nossa Vida 12 ACTUALIDADE 2013 Like a Boss

32 IDIOT MAG @ Paris

42 ILUSTRADOR Daniel Padure

56 INTERVENÇÃO Circus Vem à Cidade Depois do Natal 74 LA FOUINOGRAPHE Fotografía 84 O ANTI-IDIOTA Carlos Abreu Amorim

2 // www.IDIOTMAG.com

6 ROTEIRO Porto à noite

22 PHOTOREPORT Freshkitos @ Gare

38 MODA Lixo de Luxo + idiota de rua 50 TABU? A Alcova da Patrícia + review 64 SPYRART A Vida em Espiral da Catarina 82 PROVOC’ARTE Muita Merda


Direcção: Nuno Dias // João Cabral Textos: Ana Anderson Catarina Ramalho Carmo Pereira Flora Neves João Cabral Melanie Antunes Nuno Dias Nuno Di Rosso Patrícia (Pseudónimo) Rui de Noronha Ozório Sandra Mendes Tiago Moura Tish Revisão Tish Design: Nuno Dias // João Cabral IDIOT, Gabinete de Design® Capa: Daniel Padure Ilustração: Daniel Padure Fotografia: Aline Fournier Spyrart Video: Mariana Oliveira Todos os conteúdos gráficos são da responsabilidade de: IDIOT, Gabinete de Design ® www.idiocracydesign.com Info@Idiocracydesign.com Cada redactor tem a liberdade de adoptar, ou não, o novo acordo ortográfico Agradecimentos: Bernardo Alves, Wailers, João Paulo Cabral, Rafi, Wailers, Maria Eduardo Loureiro, Pedro Segurado, Tiago Pimenta

(*) NENHUMA ÁRVORE FOI SACRIFICADA NA IMPRESSÃO DESTA MAGAZINE!

www.IDIOTMAG.com MAG@IDIOCRACYDESIGN.COM CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 3


Nuno Dias

4 // www.IDIOTMAG.com


DESLIGO A TELEVISÃO AO COMEÇAREM AS NOTÍCIAS. MANIFESTAÇÕES, GUERRAS, CRISE, CORRUPÇÃO, DESEMPREGO, POBREZA... COMO É QUE ALGUÉM CONSEGUE SER TÃO IDIOTA E COMEÇAR O PRIMEIRO TEXTO DO ANO A DIZER QUE ESTE FOI O MELHOR ANO DA SUA VIDA? DEITO-ME À NOITE - JÁ DE DIA, VÁ - ASSOMBRADO POR IDEIAS. SONHO COM O FUTURO. QUAIS PESADELOS, QUAIS DESEJOS. O CÉREBRO NÃO CONSEGUE PARAR DE PENSAR. SÃO PENSAMENTOS ABSTRACTOS QUE SE TRADUZEM NUMA LUCIDEZ QUE ME LEVA A SABER (SIM, EU SEI), QUE ESTE ANO FUI FELIZ, E EM 2013 AINDA MAIS SEREI. FALOU-ME O MEU SÓCIO (“OH SÓCIO, SIGA COMER UMA FRANCESINHA”), COMPANHEIRO DE AVENTURAS DE VIDA, SOBRE UM TAL “O SEGREDO”, IDEOLOGIA DE VIDA QUE NOS DIZ QUE O PENSAMENTO POSITIVO, O SIMPLES “SIM”, É UMA ENERGIA COM TANTA FORÇA QUE, ACREDITANDO NELA, NOS FARÁ REALMENTE AS COISAS ACONTECEREM. ACEITEI O DESAFIO E EMBARCÁMOS NESTA VIAGEM IDEOLÓGICA, QUE ACABOU POR SE TORNAR O AMOR DE UMA VIDA. ASSIM SURGE A IDIOT MAG, ESCAPE À REALIDADE CONTEMPORÂNEA SOCIAL. JÁ PERCEBEM PORQUE FUI FELIZ? ENCONTRÁMOS A “ILHA PARADISÍACA”, “CONSTRUÍMOS AS PONTES” E “RODÁMOS UM FILME”. ASSIM NASCERAM TAMBÉM AS IDIOT ART, EXPOSIÇÕES AMBULANTES E EFÉMERAS, DOTADAS DE UMA EXTREMA MAS CARINHOSA IDIOTICE. PERCORREMOS A EUROPA DE ESTE A OESTE, RUMÁMOS ÀS AMÉRICAS. ATÉ ÁFRICA CONSEGUIMOS ALCANÇAR. PELO CAMINHO, CONHECEMOS A ARTE DO CAVAN, DO ANDREAS, DO FRANÇOIS, DOS IRMÃOS IGLESIAS, DOS BOAMISTURA, DO LUIO, DO RUI, DO JONATHAN, DO MIGUEL, DA INÊS, DO JOÃO, DO VHILLS, YOUTH, TAMARA, MESK, HAZUL, CÉSAR, DANIEL, LÍGIA, CATARINA, ALINE... TANTOS QUE TENHO MEDO DE ME ESQUECER DE ALGUM (COM CERTEZA ME VOU ESQUECER, SE DECIDIREM INUNDAR-ME O EMAIL DE MENSAGENS DE ÓDIO, COMPREENDO!). FALÁMOS SOBRE ZOMBIES (ADOREI), SEXO (IDEM!) FÉRIAS, FESTIVAIS, TATUAGENS, CINEMA, ROUPA (COMO É QUE ELES SE LEMBRAM DE TEMAS TÃO BONS?) E ATÉ CONHECEMOS O QUIM BARREIROS! “ESTE GAJO NÃO SE VAI CALAR? JÁ ESTOU FARTO DE O OUVIR.” NÃO. HÁ MAIS QUE NÃO ME POSSO ESQUECER. QUERO FAZER TAMBÉM REFERÊNCIA AOS GÉNIOS, AO JOY, AO CAPRIATI, AO FITZPATRICK, AO SERGINHO, JAMIE, DIG E NUNO, AOS MADAME GODARD, AOS CHEFS DA VK, AO BÁRTOLO, À GAMBINA, AOS FRESCOS E AO RUBEN. SIM. AGORA SIM, JÁ ESTOU BEM. FOI ESTE O ANO, EM RESUMO, DA IDIOT. E A TODOS QUERO AGRADECER MESMO DO FUNDO DO MEU/NOSSO CORAÇÃO. FORAM REALMENTE PARTE DO 2012 DE TODOS NÓS. DEPOIS DESTE RELEMBRAR DO QUE TANTO ME FEZ FELIZ, UM TANTO OU POUCO EMOCIONADO JÁ, APROVEITO PARA CONVIDAR TODOS A CELEBRAREM CONNOSCO O PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DA IDIOT MAG, QUE DECORRERÁ NA FACULDADE QUE NOS VIU CRESCER: ESAD MATOSINHOS, NO DIA 1 DE MARÇO, NUM EMOTIVO EVENTO CHEIO DE SURPRESAS PARA TODOS OS QUE SE SENTIREM O SUFICIENTEMENTE IDIOTAS PARA SE JUNTAREM A NÓS. PARECE QUE PARA O MÊS QUE VEM VOU TER QUE VOLTAR AOS AGRADECIMENTOS. MAS NÃO SE PREOCUPEM, QUE AINDA TENHO AQUI 17 NOMES QUE NUNCA IRIA ESQUECER. OBRIGADO POR ME FAZEREM FELIZ. OBRIGADO POR NOS FAZEREM FELIZES. CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 5


2 janeiro // 4ªfeira Wednesday Night Fever: às quartas é a dobrar, segunda bebida é oferta (igual à primeira) Horários: às 23:00 às 04:00 MoreClub

9 janeiro // 4ª feira Grandes Êxitos da Música de Cinema Horários: 21:30 Preços: 25€ a 40€ Coliseu do Porto

17 janeiro // 5ª feira Poesia de Choque Horários: 22:30 Olimpo Bar // Rua da Alegria 26, Porto

25 janeiro // 6ª feira Erol Alkan / Clash Club - 4 anos Preços: Pré venda 10€ // no dia 12€ // Gare 6 // www.IDIOTMAG.com

10 janeiro // 5ª feira Sombras // A Nossa Tristeza É uma Imensa Alegria Horários: 21:30 Preços: 16€ a 40€ TNSJ

18 janeiro // 6ª feira Os punk-rockers canadianos Billy Talent vêm a Portugal apresentar o seu último álbum, “Dead Silence. A não perder este concerto inédito Horários: 20:00 Preços: 23€// Hard Club

26 janeiro // sábado Ana Moura Horários 21:30 Preços: 20€ a 30 € Coliseu do Porto

3 janeiro // 5ªfeira Começa hoje o ciclo dos filmes proletários em janeiro Horários: às 21:30 Casa da Horta // Rua de S. Francisco, Porto

4 de janeiro // 6ªfeira Reverse // Serginho + Zé Salvador + Gonçalo Maria Horários: às 23:60 às 06:00 // Pitch

11 janeiro // 6ªfeira Nic Fanciulli Horários 23:45 Indústria Club 12 janeiro // sábado Mr Joseph Horários: às 23:00 às 04:00 V5

18 e 19 janeiro // 6ª feira e sábado a temperatura vai subir no Festival Termómetro Horários: 23:45 Armazem do Chá // Plano B

27 janeiro // domingo Maria João e Mário Laginha regressam com um novo trabalho inédito // “Iridescente” Horários 21:00 Preços: 15€, amigo 11,25€ Casa da Música // Sala Suggia

20 janeiro // domingo Viva Verdi Horários 18:00 Preços entre 23€ a 30€ Casa da Música


5 janeiro // sábado Gare909 #9 - Speedy J live + Nuno Forte (909 techno set) + Philly (Freshkitos) Horários: 23:50 Preço: 10€ e elas não pagam até às 03:00 Gare

13 janeiro // domingo Te Deum Horários: 18:00 Casa da Música

21 janeiro // 2ª feira Aproveita a segunda para ir ao cinema que é mais barato Sugestão: Reality; um filme que venceu o prémio do grande júri do Festival de Cannes 2012 // Comédia Uci Arrábida

28 janeiro // 2ªfeira É dia de rockar no Pherrugem // PH session Pherrugem Bar

6 de janeiro // Domingo O Lago dos Cisnes, um dos bailados mais bonitos e famosos de Tchaikovsky regressa a Portugal Horários: 18:00 Preço: 25€ a 49 € Coliseu do Porto

14 janeiro // 2ª feira Não vais de certeza perder esta comédia com Maria Rueff e Joaquim Monchique // Lar Doce Lar Horários: 21:30 Preços: 12€ a 22€ Teatro Sá da Bandeira

7 janeiro // 2ª feira Hoje o rock é desconcertante e demolidor, com os Enter Shikari Horários: 22:00 ás 24:00 Preços: 25€ Hard Club

29 janeiro // 3ªfeira Dona Rosa Joaquina prepare o bacalhau escachado, que hoje vou aí jantar Preços entre 20€ Adega Vila Meã // Rua dos Caldeireiros 62

16 janeiro // 4ª feira Para os apreciadores da boa música, particularmente o Jazz e as respectivas tendências as jam sessions são quartas no Hotfive. Horários: às 22:00 às 03:00 ( de 4ª a domingo) Hotfive // Largo Actor Dias ,51

15 janeiro // 3ª feira As pataniscas da Dona Teresinha são uma delícia e acompanhados pelas canecas de tinto sabem ainda melhor Preços: económicos Adega de S. Martinho // Rua D. João IV

22 janeiro // 3ª feira Para os apreciadores de gin, o Gin Club é um bar que se torna numa belíssima opção Horários: 18:00 às 02:00 Gin Club // Rua Cândido dos Reis

8 janeiro // 3ª feira Após um período de pausa, a música Reggae volta a inundar o Altar de boas vibes // Romano & Peninha Horários: 23:45 Altar // Rua de Cedofeita

24 janeiro // 5ª feira O meu Mercedes acolhe uma programação musical intensa e continua a ser um ponto de referência na noite do Porto Horários: 22:00 às 04:00 O Meu Mercedes é Maior que o Teu // Ribeira Porto

23 janeiro // 4ª feira Erasmus Open stage Armazém do Chá

30 janeiro // 4ª feira Radio Moscow (Alive Records) + Alto Preços: 12€ Hard Club

31 janeiro // 5ª feira Nujazzsoul Plano B

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HAZARD

[Playaz]

Tilinhos / Bass Brothers [Easy Records] Benvinda / Jamie Boy [Versus] IDIOT MAG APRESENTA: IDIOT ART NO GARE

MUSEU DE CULTURA URBANA / NAS LATAS: HAZUL AUTO-RETRATOS: ALUNOS ESAD MATOSINHOS

19 de janeiro 8 // www.IDIOTMAG.com


São vários os avisos e os discursos que anunciam o ano novo como sendo o ano da crise e contra factos não existem argumentos. E o que os factos sublinham é que esta não deveria ser uma época para desenvolver novos projetos, mas nós decidimos canalizar a falta de meios e apoios para um lugar criativo. A falta de apoios aliada a uma crença desmesurada num projeto leva sempre às melhores soluções. O ano da crise torna-se, então, num ano de criatividade. Assim, em 2013, a Idiot Mag passa a ser responsável pela curadoria visual do Gare Porto e dos seus espaços associados. Unindo-se ao conceito de este espaço ser por excelência o clube mais culto dentro da música eletrónica da nossa cidade, pretendemos criar o primeiro “museu de cultura urbana”, que dará relevo a uma face artística que ganha ênfase, a cada dia que passa.

Com a efemeridade que está à partida associada à arte urbana, o Gare Porto passará, a partir de dia 19 de janeiro, a ser invadido pelos melhores artistas do país - e não só - que transformarão as suas icónicas paredes em telas. Hazul e o seu gesto característico tão expressivo e único será o primeiro artista a criar sobre uma parede centenária. O velho e o novo num confronto surpreendente de imaginação e história. E continuando com uma colaboração que se tem mostrado sempre positiva, 250 alunos da Escola Superior de Artes e Design (ESAD) exibirão os seus respetivos 250 autorretratos, que tão carinhosamente irão emoldurar este espaço.

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Melanie Antunes Apesar das infinitas teorias apocalípticas sobre o dia 21 de dezembro, o mundo sobreviveu. A vida continuou normalmente, seguindo-se o Natal e a Passagem de Ano, com as habituais avalanches de comida e álcool, com o merecido tempo em família e com os presentes mais ou menos low cost. 2012 foi um ano difícil para a generalidade dos portugueses, mas o pior é que 2013 não promete ser melhor. Os trabalhadores terão a preocupação da elevada carga fisca; os recém licenciados terão de enfrentar meses de espera até encontrarem algum trabalho, muito provavelmente numa área profissional diferente da sua formação; os estudantes continuarão a estudar, pois entre a vida que levam atualmente e a de desempregado, mais vale continuar a depender dos pais, durante mais um par de anos. Entretanto aumenta-se o saber e tem-se esperança de que mais um canudo fará a diferença no currículo. Perante o clima de medo, insegurança e revolta, esperado para o ano 2013, 12 // www.IDIOTMAG.com IDIOTMAG

o pessimismo e o niilismo parecem afetar toda a população. Como idiotas acreditamos que a força intelectual, artística e sentimental de um indivíduo é capaz de superar o receio de um futuro demasiado escuro. O otimismo é uma virtude que ajuda a enfrentar os obstáculos com mais força de vontade e confiança. Ser otimista é, por vezes, sonhar demasiado alto e acreditar na força dos elementos, que jogam sempre a nosso favor. É confiar demasiado na estrela da sorte e ignorar os perigos e as desilusões da vida. Ser otimista é ser ingénuo? Por vezes sim, mas nesta sociedade com crise não só financeira, mas também de identidade, ser-se naïf é o menor de todos os males. A melhor maneira de enfrentar a obscuridade de 2013 é sorrir e seguir com a vida o melhor possível, tentando atingir os nossos objetivos. Com um grau exacerbado de otimismo e um sorriso nos lábios, a IDIOT MAG apresenta dez resoluções para o ano novo, que vão tonar os doze meses seguintes menos dolorosos.


VIAJAR PARA UM SÍTIO DESCONHECIDO De certeza que entre as dezenas de destinos das operadoras low cost, há ainda alguma cidade ou região por explorar. Atualmente as viagens dentro do velho continente (e nas suas proximidades como o norte de África, por exemplo) têm preços muito acessíveis, que podem baixar ainda mais, quando as viagens são compradas com muita antecedência ou durante uma promoção. Se dinheiro não é problema o melhor é mesmo escolher um destino longínquo, que proporcione novas aventuras e experiências. Fazer um safari no Quénia, explorar os templos de Angkor Wat (Camboja), viajar no Transi-

beriano, desde Moscovo até Pequim... Estes são apenas alguns exemplos de viagens de sonho, onde se conhecem novas culturas e se experimentam novas sensações. Em Portugal, existem algumas agências de viagem dedicadas a este tipo de aventuras, como é o caso da Nomad, onde os seus guias proporcionam viagens únicas, mesmo em destinos mais próximos como, por exemplo, Marrocos. Os sortudos, com amigos espalhados pelo planeta, podem aproveitar para fazer-lhes uma visita, aproveitando o alojamento gratuito.

Fotografia © AReis / Marrocos http://fotoareis.blogs.sapo.pt CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 13


FAZER UMA TATUAGEM

Estão cada vez mais na moda e são cada vez mais baratas. Fazer uma tatuagem já não é algo reservado a um certo nicho, nem com a conotação negativa de outrora. É uma forma de expressão, que fica patente no corpo ad eternum, a não ser que se remova por lazer ou se mascare com outro desenho. É o gravar de uma ideia ou de um sentimento, é o mostrar a importância de determinado assunto para nós. Sem complicações, uma tatuagem pode ser apenas uma forma de ornamentar o corpo, de tornar a pele mais bonita e interessante. O preço de uma tatuagem depende do tamanho, das cores e das horas de trabalho gastas. Para evitar arrependimentos, é importante ter a certeza de que o desenho é o ideal, assim como a parte do corpo a ser tatuada. Para quem já tem tatuagens é sempre uma boa altura para fazer uma nova. Para os novatos, 2013 é o ano de ganhar coragem, mas os idiotas advertem as tatuagens são extremamente viciante, depois da primeira não se consegue parar!

fotografia © Vania Sousa 14 // www.IDIOTMAG.com


SER VOLUNTÁRIO NUMA ORGANIZAÇÃO NÃO GOVERNAMENTAL Contribuir para o bem da Humanidade é sempre uma boa maneira de nos sentirmos bem com nós próprios. Ajudar os outros sem esperar receber nada em troca é ótimo, nem que seja apenas pelo karma. O voluntariado é uma maneira fácil e rápida de chegar até aos mais desfavorecidos, dando-lhes apoio, carinho ou simplesmente atenção. O importante é encontrar uma causa que vá de acordo com os nossos interesses, algo que nos toque o coração. Por outro lado, deve ser uma causa para a qual possamos contribuir efetivamente, tendo em conta os nossos conhecimentos e a nossa experiência de vida. As causas são várias: pessoas doentes ou a viver com

condições de vida mínimas; animais em perigo ou abandonados; crianças abandonadas, etc. Existe um grande número de organizações não governamentais que operam localmente, basta escolher. Para os mais destemidos é possível fazer voluntariado fora do país, em zonas empobrecidas ou afetadas por catástrofes naturais, como o Haiti, por exemplo. Ser voluntário é um gesto que vai desde servir uma sopa a um mendigo até construir uma casa para alguém necessitado, como o faz a organização Habitat for Humanity. Num 2013 em que a crise vai atirar a matar, ser voluntário é a opção mais acertada para preencher os tempos livres.

fotografia © Habitat for Humanity CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 15


IR A UM FESTIVAL DE VERÃO O ano mal começou e já se ouvem nomes como Depeche Mode, Green Day, Blur e Queens of the Stone Age, confirmados para alguns dos festivais de verão mais badalados. Logo, este ano é imperativo ir a um festival de verão. Se o dinheiro é curto há que colocar mãos à obra e ser voluntário no festival em causa, seja na bilheteira ou como promotor de qualquer marca. Não faltam oportunidades que permitem ir a um festival de verão, sem ter de pagar a estrondosa soma do

Neo Pop // Viana do Castelo fotografia © Tiago Saraiva 16 // www.IDIOTMAG.com

bilhete. É certo que se perdem algumas horas de diversão, mas o espírito festivaleiro é sempre aproveitado, assim como uma parte significativa dos concertos. Muito mais à boss é ir a um festival como imprensa ou como convidado. Para o primeiro é preciso colaborar com algum órgão de comunicação social, que reconheça as nossas competências jornalísticas ou audiovisuais. Já para o segundo são necessários connects, algo que nem todos têm a sorte de arranjar.


APRENDER ALGO QUE SEMPRE QUISEMOS

Não são raras as vezes em que começamos uma frase pela premissa “gostava de” e a acabamos com “mas nunca tive tempo”. Pelo meio ouvir-se-ão os mais variados projetos que ficaram pendentes por falta de tempo ou de dinheiro. Qualquer pessoa tem, com certeza, na sua lista de sonhos por concretizar, um instrumento que nunca chegou a tocar, um desporto nunca praticado ou uma competência que ficou por melhorar. Este é o tempo ideal para ter aulas de guitarra, culinária, surf, seja o que for que sempre quisemos aprender, mas nunca o fizemos.

SER MAIS PROMÍSCUO

Os tempos de menino bem comportado já lá vão e em pleno século XXI já ninguém tem paciência para gente puritana e complexada com simples representações fálicas. Não é preciso andar literalmente a esfregar o sexo na cara do mundo, mas também não é saudável viver como um mórmon. A ousadia é uma característica que ainda faz falta a muita gente e a promiscuidade poderia ser a salvação de muitas mentes frustradas. Em 2013 os artigos das sex shops devem fazer parte da lista de compras mensal ou semanal de qualquer pessoa. Os mais destemidos devem procurar novas aventuras sexuais, ou apenas sensuais, como aprender a pole dance, por exemplo. CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 17


ITECH

Estar permanentemente conectado às redes sociais tornou-se algo normal para muita gente, graças aos smartphones e aos tablets. Nos dispositivos é obrigatório pelo menos uma das redes sociais mais conhecidas: Facebook, Instagram ou Twitter. Gostar de tecnologia já não é algo reservado aos gueeks. Atualmente já não conseguimos viver sem acesso à Internet e quem experimenta um smartphone rapidamente esquece o saudoso Nokia 3330. Login, post, tweet, like, share, são palavras do nosso dia-a-dia, mesmo que não o quei-

SUIT UP!

Já o Barney Stinson aconselhava os seus amigos homens a vestirem-se apropriadamente. Os Idiotas não vão tão longe como a personagem da série How I Met Your Mother, ao ponto de sugerir que se use fato e gravata todos os dias. No entanto, em 2013 aconselhamos uma (ou quiçá mais) saída na qual os intervenientes devam ir vestidos a rigor. Para combinar com a roupa e com o espírito à boss, nada melhor do que um jantar requintado ou uma prova de vinhos, seguida por uma ida ao casino.

Serie How I Meet Your Mother 18 // www.IDIOTMAG.com

ramos admitir, portanto, uma ligação contínua ao Facebook não é algo que nos deve atemorizar. Trata-se apenas de aceitar aquilo em que nos transformamos: um animal social. Para quem já tem um smartphone ou um tablet, uma maneira de inovar em 2013 poderá ser a criação de um blog, sobre algum tema de interesse pessoal, ou de um canal de YouTube, onde se aproveitam as qualidades das câmaras de alguns smarthphones, como é o caso dos modelos de iPhone mais recentes.


Filme “Project X”

PLAN A PARTY

Alguém se lembra no rapaz de Melbourne cuja festa de aniversário foi invadida por dezenas de pessoas convidadas através do Facebook, mesmo sem conhecerem o aniversariante? Ser um autor de uma festa mítica dessas é algo que traz algum reconhecimento na praça pública. Há sempre uma ou outra festa que nos marcam e das quais falamos, em todos os jantares de amigos. Para planear um evento desse género é preciso um espaço, música, eventualmente um tema, e sobretudo muito álcool. Com tempo e alguma pesquisa tudo se consegue e não faltarão boas desculpas para organizar um festão.

As expectativas em relação a 2013 podem ser baixas, mas isso não deve ser motivo para cruzar os braços e ficar resignado perante todos os aspectos negativos que se esperam para o novo ano. Pelo contrário, devemos enfrentar o pessimismo e correr riscos. Ainda é possível viver este ano like a boss. Para tal, é necessário uma dose de imaginação e outra de coragem. Se a vida não corre pelo melhor, é tempo de escolher um novo rumo. Se as oportunidades são escassas ou pouco frutíferas, é preciso arriscar e ir mais longe. 2013 vai ser o que fizermos dele e se tivermos estofo pode vir a ser um ano LEGEN (wait for it) DARY! CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 19


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DESIGN GRÁFICO // ILUSTRAÇÃO FOTOGRAFIA // VÍDEO // LITERATURA PRÉMIO O GRANDE IDIOTA 2012

TABLET ‘‘7 PRÉMIO PARA OS DOIS VENCEDORES DE CADA CATEGORIA:

PUBLICAÇÃO DS TRABALHOS NA IDIOT MAG PARTICIPAÇÃO NA PRÓXIMA EXPOSIÇÃO IDIOT ART

entrega dos trabalhos até 15 de janeiro

regulamento em: www.idiotmag.com CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 21


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VIAJAR À IDIOTA É VIAJAR COM ORÇAMENTO REDUZIDO. É TIRAR O MÁXIMO DE PROVEITO SENDO UM IDIOTA BEM POUPADINHO. ESTA IDIOTA TINHA UM DESEJO DE ANIVERSÁRIO, PASSAR OS SEU TRINTA ANOS EM PARIS, ENCHENDO A BARRIGA DE COSMOPOLITISMO E MUITA MUITA ARTE (CONVÉM DIZER QUE ESTA IDIOTA TAMBÉM É UMA CROMA DOS MUSEUS)! E COM MUITO POUCO DINHEIRO E EM TEMPO REDUZIDO PASSARAM-SE 4 NOITES E 3 DIAS MARAVILHOSOS EM PARIS! Carmo Pereira 32 // www.IDIOTMAG.com

Vista do Pompidou fotografias © Carmo Pereira


A viagem à idiota foi oferecida por um grupo de amigos, e assim, com o empurrão do Bernardo, da Catarina, do João, do Lucas e do Ludovic, da Maria, da Marisa, da Nandinha e da Vi, do Pedro e da Zu, dia 1 de Dezembro às 4h30 da manhã, apenas com mala de porão, corri para o autocarro que me iria levar ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro. Quanto ao voo apenas umas dicas: líquidos com mais de 100ml, nunca, mesmo vedados, já lâminas de barbear e canivetes, sem problema. Na mala, para quem quer correr cidades andar sempre quentinho, roupa confortável e arranjadinha, um termos para por sempre cházinho, uma ou duas peças para uma saída mais arejadinha e claro, espaço na mala para ocasionais prendinhas. Porto-Paris em Low Cost é Porto-Beauvais e

Beauvais-Paris. Chegada a Beauvais há que apanhar um autocarro de uma hora e picos que nos leva a Paris, Port Maillot, onde temos uma panóplia de autocarros e linhas de metro ao nosso dispor. O autocarro do Aeroporto sai de hora a hora e é bem confortávelzinho, o preço por viagem é de 15€. Andar em Paris é andar de Metro e além da ideia romântica das entradas de ferro forjado, das estações lindas de morrer, temos metros novos, metros velhinhos e uma misturada de gente incrível. E claro os músicos do Metro, nada de espantar se nos cruzarmos numa estação com uma orquestra metropolitana, músicos do mundo ou até um pouco de folk... esqueçam os phones em casa, porque a música acompanha-vos a cada estação. CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 33


Alojamento em Paris, já é bem mais complicado, aqui a Idiota ficou em casa de uma grande amiga, onde a esperava um painel de parabéns recortados em erótica japonesa e uma tarde de comida bem brasileira, moqueca de peixe. Com direito a uma saída pelas lojas da rua para ir comprar bons vinhos e peixes fresquinhos voltou-se a casa, não sem antes dar um passeio pelo bairro bem característico de Belleville (lembram-se das triplets? pois por aí fiquei instalada). De estômago bem forrado e animação garantida no bucho, passagens por uns quantos bares, nada de fenomenal a apontar e logo, logo, já ia a noite bem alta, festa num apartamento (do it the parisien way!), muita música, uma bandinha, um amplificador e computador, Lcd Soundsystem a bombar, muita gente a dançar e a surpresa ao ver o delírio com que um monte de sul americanos, africanos, parisienses e franceses, dançavam Buraka Som Sistema. No dia seguinte, primeiro domingo do mês (dia em que é de graça a entrada em todos (!!!!!!) os museus!!!!), uma volta pelas ruas de Paris e o deliciosamente inevitável LOUVRE. É, efectivamente, muito museu para ver! Por isso ou dedicam 3 dias inteirinhos, ou escolhem o que mais vos aprouver! Eu, numa tarde, vi a arte oriental, peças lindíssimas da antiga Mesopotâmia, esculturas do período clássico e claro numa corridinha algumas pinturas italianas e o circo instalado à volta da Gioconda, com caminhos para lá bem assinalados por grande parte do museu. Saída do Louvre, uma volta ao anoitecer pelo romântico, raios, não é que é verdade, em Paris TUDO É ROMÂNTICO!, pelo cinematográfico Jardin des Tuileries e um crepe de chocolate antes de uma volta na Grand Roue de Paris. Tão imperdível como ir ver a Torre Eiffel, e tão kitsch quanto, é uma enorme roda de

feira com cabines iluminadas que nos providenciam uma vista sobre Paris incrível, com os Campos Elísios iluminados, as ruas movimentadas ao som de um disco cheesy manhoso e explicações em voz automatizada sobre a sua construção. Em todo caso, é bonito! Nessa mesma noite ainda houve direito a um jantar tipicamente francês num bistrô de bairrinho e uma jam numa das squats mais movimentadas de Paris, La Miroiterie. Com músicos de todo o mundo, improvisação e um ambiente mais árabe, africano e sul-americano que francês, dançava-se no meio de paredes grafitadas e pessoal muito boa onda! E acorda-se no último dia em Paris! Exposição de Hopper no Grand Palais, consultem sempre as exposições temporárias para apanharem pérolas como estas, com direito a uma hora e meia de fila depois de chegar lá meia hora antes de abrir, com sorte, porque o tempo de espera previsto era de 4 horas... Um passeio pela zona e comidinha comprada nas barracas de rua ( a única opção possível para não se gastar muito dinheiro e emborcar hidratos de carbono suficientes para jovens intrépidos viajantes...). A obrigatória ida ao Centro Pompidou, lindo por dentro e por fora, e com muito que olhar por fora e por dentro, a tarde corrida a ver exposições e ao final da tarde a volta pela área circundante, com umas quantas lojinhas vintage com preços bem acessíveis e roupas bem pintas! Depois, toca a atravessar o Sena, passando por uma ponte onde os casais apaixonados deixam cadeados e promessas de grandes amores e uma passagem pela impressionante Notre Dame, de pescoço bem esticado cá fora para ver as fuças das gárgolas e a andar baixinho dentro, impressionada pelo tamanho da nave e pelas abóbadas ao mesmo tempo simples e intricadas.

Vista do Pompidou 34 // www.IDIOTMAG.com


A anoitecer: Quartier Latin, umas visitas a lojas e livrarias engraçadas, para anglófonos em Paris, a Shakespeare and Company, livraria anglo-americana aberta desde inícios do século XX é um consolo e um saltinho rápido ao Pigalle antes que a noite acabe! Aí, uma rua inteira de sex-shops para todos os gostos e feitios, direito a um salto rápido ao Moulin Rouge, só pela fachada que não se paga, e pequenos cafés com esplanadinhas nocturnas perfeitas para se mostrar com atenção as compras feitas nas lojas para maiores de 18! Antes da volta a Portugal, sem mala de cartão, mas de barriga cheia e recheada, ainda há tempo para um jantar na zona da Bastilha, despedida de todos os amigos feitos na curta viagem e arrumar as malas cheias da bem portuguesa saudade! Metro até Port Maillot, autocarro até Beauvais... Paris je t’aime... não é assim que se diz?!

Carmo no Moulin Rouge

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Ficamos extasiadas com a ideia que de uma maneira, ou de outra, somos nós todos que vamos pagar o défice. Não é um défice qualquer! Não é uma falha na maquilhagem, nem na classe nem no luxo. São apenas umas contas maradas entre o que se ganha e o que se gasta, é esse o bandido, o défice. E se pensam que é só do governo e da troika, só tendência de moda, tudo é permitido desenganem-se é particularmente chato nos desde que se consiga criar uma personanossos porta moedas. Mas para além da sen- lidade, um estilo. sualidade e beleza, adquirimos muita inteli- No entanto o primeiro passo é fazer uma pesgência e se sabemos gerir 200 pares de sa- quisa de modo a comprar um target o mais patos com tanta mestria é claro que, também distante possível, assim o nosso investimensabemos ter estilo e classe com meia dúzia de to será mais duradouro, quase de longo prazo. moedas nos bolsos. E passamos a ficar absor- A ideia é procurar a segunda mão como soluvidas nos nossos investimentos e projectos. ção, onde a possibilidade de encontrar peças Abrimos mão da carteira XXS da Louis Vitton? da colecção passada ou vintage é igual, a paNão, nunca se dispensa uma louis vitton! nóplia de opções, é diga-se de passagem quase Colocamos no mercado meia dúzia de peças infinita, e podes fazê-la de inúmeras formas. que já não nos arrebatam o coração e com o Na internet em sites como OLX ou “custo justo”, que arrecadamos vamos fazer uma pesquisa. ou até mesmo redes sociais como o facebook. Hoje já não se segue um padrão nem uma E se ainda gostas de ver e experimentar tens sempre a possibilidade de ir a feiras como o fleamarket, (onde podes vender, comprar ou até trocar), ou visitar lojas como a rosa choque e triciculo situadas na baixa do porto. Ficam aqui algumas fotografias de como adequar peças em segunda mão. “Stressed, depressed but well dressed”, nunca te esqueças. Sandra Mendes

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É certo que já vai um pouco atrasado, mas não vou poder deixar de falar do Tiago Aleixo, de Lisboa. Conheci-o no Portugal Fashion e com toda a simpatia aceitou posar para a Idiot. Tem 18 anos, estuda na Pulp Fashion - para quem não sabe é uma empresa especializada em Styling e Consultoria - disse-me que está a tirar o curso de Styling mas, desiludido, afirmou que o curso não era reconhecido pelo estado, algo que tem que mudar! Mesmo assim, com uma atitude de vencedor disse não querer saber, e isso vê-se na página que criou: OnLIVErec. Ana Anderson CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 39


JANEIRO

05 Speedy J / Nuno Forte / Philly 11 Dillinja / Benny Page / Insideinfo 12 Chris Liebing 18 Matador / Freshkitos / Jaako 19 Hazard / Tilinhos / Benvinda / JamieBoy 25 Erol Alkan / 4 anos de positiva 26 Planetary Assault Systems AKA Luke Slater / Expander / 11 anos de soniculture Rua da Madeira, 182, Porto / www.gareporto.com

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Na década de 60, a arte de Andy Warhol foi um golpe cru contra o consumismo americano, representando nas suas obras diferentes elementos da cultura mundana americana como um comentário ao poder de compra desenfreado do povo da altura. Um jovem romeno agora residente no Porto, Padure, é o artista convidado da Idiot para ilustrar os diferentes conteúdos e dar vida à capa de janeiro de 2013 da nossa revista. As suas imagens, marcadas por elementos do cartoon, da publicidade e cores vibrantes, recordam o mesmo espírito (colorido) crítico do movimento pop art liderado por Warhol. O seu universo é fortemente influenciado pela estética do graffiti, constituído por berrantes e vibrantes cores e um traço forte que parecem separar o seu trabalho do mundo real do espetador. Mas engana-se quem desejar resumir o seu trabalho como uma simples e unilateral construção visual.

Londres, com Stik CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 45


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O trabalho de Padure, apesar de mergulhado no mundo dos cartoons, não se distancia demasiado do comentário social e cultural e isso marca uma das suas características mais interessantes. Uma grande parte das suas obras sublinha o efeito da cultura consumista e dos media nas nossas mentes e a destruição das mesmas. O mundo fantástico que Padure cria nos seus murais e pinturas é inteligente no modo como atrai o olho do espetador e o deixa a questionar o que é representado. Podemos afirmar que a obra de Padure funciona a um nível estético e a um nível intelectual. Padure já viu o seu trabalho exposto em diferentes instalações, projetos e exibições nacionais e internacionais e, seja em Barcelona ou em Londres, as suas obras são sempre recebidas calorosamente, o que é uma prova do apelo universal do seu trabalho. Tiago Moura

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*aviso antes de ler, a pedido do editor, nesta crónica pululam obscenidades e relatos para maiores de 18… tabuísmos… “tríade, tríada [tríadi] [tríada]. s. f. e f. (Do lat. trias, –adis < gr., ‘três’). 1. Conjunto de três pessoas, de três divindades ou de três coisas ≈ TRINDADE. 2. Mús. Conjunto harmonioso constítuido por três sons. ≈ ACORDE 3. Literat. Grupo constítuido pela estrofe, a antíestrofe e o edopo, nas odes pindáricas. 4. Quím. Conjunto formado por três elementos químicos com propriedades idênticas. A tríade do ferro, cobalte e níquel.” (…) triagem [triá3ãj]. s. f. (Do fr. triage). 1. Acção de extrair ou separar elementos do meio de um todo; acção de seleccionar ou escolher previamente. Fazer a triagem dos doentes do Serviço de Urgência. Fazer a triagem da correspondência nas estações centrais dos correios. 2. Acção de separar ou escolher os melhores elementos ou exemplares do meio de um grande número, em especial quando se trata de sementes, minérios… Fazer a triagem do grão. mesa+ de triagem. 3. Local onde se faz qualquer uma das separações ou escolhas. estação+ de triagem. (…) “tribadismo [tribadí3mu]. s. m. (Do lat. tribas, –adis < gr, ‘mulher lésbica’ + suf. -ismo). O mesmo que lesbianismo.” in Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, Academia das Ciências de Lisboa, Verbo, 2001

Na época das festas, regadas a boa comida e aditivos vertidos generosamente, multiplicavam-se os encontros de amigos, os reencontros e as histórias antigas reavivavam-se por boca na mesa dos jantares íntimos ou reacendiam-se perante fogueiras, em movimentos catárticos se para recuperar saudades antigas. E no meio de tanto vinho tinto, branco refinado e champanhe a borbulhar, conhecem-se primos, namoradas novas, novos membros das famílias, até das afectivas, e consanguinidades pouco perigosas. Dezembro é também a altura dos balanças, de correr as listas das resoluções e pesar os desejos cumpridos. E acima de tudo é um mês abençoado pela perfeição da santíssima trindade. Para Patrícia 2012 tinha sido um ano de corpo, de realizar os anseios por ele pedidos, de experimentar, o que já se previa em anos anteriores, um ano de triagem, de separar o trigo do joio, perceber tudo o queria e gostava a provar o melhor pão que havia, o pão que o diabo amassava. Foi um ano (mentira, dois, três, num crescendo que ainda não encontrou o staccato) de amassos, dominou, foi dominada, comeu de quatro e de quatro deixou-se comer, percorreu apartamentos escuros à luz fechada,

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debochou em ruas largas de sol alto, conquistou amores, viveu romances castos de contos de fadas, e amou, amou muito. Nem sempre sendo a pares. Em números ímpares, numa confusão de mãos e bocas que não se sabia de quem era quem, iluminados pela janela larga em suspiros, beijos, carícias que apenas diziam amor. Na praça, uma entre dois, apanhado o estrangeiro de brincadeira entre dois amigos, desorientado, satisfeito, sem saber como dar resposta a tanto perigo, encosto pedido. E a prenda de Natal, três triângulos perfeitos, três vês em conjunção. A visita que V. fez a Patrícia com a nova flor de seus olhos. Pele lisa, branca, cabelo curtinho tremendo de cheiroso, um pescoço delícia, desembrulhada por Patrícia sob o olhar atento de Violeta, desabrochada, deixando-se oferecer como o mais pedido presente feito por Patrícia ao Pai Natal. Primeiro o jantar, todas as histórias contadas, as introduções feitas, a história de V. com P., a história de V. com L., e a história que poderia ser, de L. com P., de P. com L.. Tríade perfeita, construída na abertura divina de todos os vértices de cada triângulo. Depois o quarto, A camisola de lã a descobrir os ombros nus gelados, os beijos a cobrirem cada centímetro de frio de calor, o desapertar das muitas alças, com dentes, com dedos. Patrícia e L. primeiro, V. a chegar quando o seu espaço já estava criado. Todas as três, nuas, tremendo, em harmónico gemido, a construir um poema de pernas entrelaçadas, três sexos misturados, tão iguais, tão diferentes, sem saber de quem eram os dedos, mas a distinguir em perfeito balanço cada sabor, cada cor e textura, tão diferente. A língua de Patrícia a saborear V. na coxa de L., as duas mãos entrelaçadas em outras duas diferentes, uma boca entre as suas pernas, uma boca a conter a sua boca. Todas as três num tribadismo de santa trindade, com os diferentes tons de pele a produzirem uma escala de mar vivo gradiente tirante de prazer. E uma mistura de jubas, gemidos, forças pulsantes enquanto trocavam L. entre as pernas de uma e outra. L. o seu messias ali de amor, a união de todas as suas linhas rectas em rematado complemento. Porque era Dezembro e porque era Natal, a santa trindade perfeita, antiga e primeira. Três mulheres, três púbis, tantos seios, arfar e ardor, um ranger de três sons, três idênticos elementos. Da vossa, ainda a escolher as resoluções para 2013,


Salvador Dali e suas modelos

No início era o verbo, assim diz um dos livros sagrados. E já que estamos a começar o ano e ultrapassamos o programado fim do mundo, vamos puxar pela oralidade. Mas mais que pela boa prosa, a importância de boas línguas, e a raridade delas, o afamado e raro mito dos meninos de língua de ouro, impõe-se que se apresente uma maravilha assim. Pois bem, aqui está o Sqweel, não uma, não duas, mas 10 linguas giratórias, prontas a consolar as mentes mais inquietas e a ajudar as bocas mais inexperientes. Acabaram-se as saudades de uns beijinhos intímos em fases prolongadas de celibato, as inseguranças de rapazes menos treinados e dados à arte do discurso

aplicado, e o cansaço de lingua quando a audiência (a rapariga a quem se dedica tal tempo) torna o êxtase mais demorado. Portátil, lavável e com diferentes velocidades, usa três pilhas AAA e promete horas endemoninhadas. Encontram-se estes e outros úteis acessórios em reuniões de enxoval para o ócio adulto, através de Carmo Gê Pereira. “SQWEEL 2” – 59,95€ Carmo Gê Pereira contacto@carmogepereira.com www.facebook.com/carmogepereira www.carmogepereira.com

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Desde Junho de 2009 a cidade do porto conta com um serviço inovador de entregas de conveniência no período nocturno. O Fora d’Horas leva até si os produtos que mais falta lhe fazem e a necessidade obriga! Para sua comodidade temos uma parceria com o restaurante Fonteluz e fazemos chegar até si os melhores pratos de carne, peixe e grill. Visite o site para conhecer todos os produtos disponíveis para si e experimente o nosso serviço de encomendas on-line rápido, prático e totalmente gratuito!

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A Circus, um projeto inspirado num trabalho final de licenciatura, nasceu pelas mãos de Ana Muska e André Santos, ambos estudantes, com a intenção de promover o talento artístico português. «Após a realização de um primeiro evento achámos que valia a pena dar continuidade a esta empreitada e começámos a encarar a Circus enquanto plataforma de divulgação da cultura nacional como empreendimento sério e com planos a médio e longo prazo», explicam. Tal qual um verdadeiro circo, cuja essência os inspira, Ana e André pretendem levar esta mensagem a outras cidades, embora estejam focados na cidade do Porto, por agora. Catarina Ramalho 56 //// www.IDIOTMAG.com IDIOTMAG 56


«A itinerância do circo», dizem, «também foi um elemento inspirador. Apesar de estarmos mais focados no Porto por esta ser a nossa área de residência e, como tal, de fácil acesso, planeamos espalhar este Circus a outras cidades (…) como Guimarães, Braga, Coimbra e Lisboa». O primeiro evento, Circus - Unleash the Animal Within, com a temática do mundo animal, teve lugar no dia 1 de junho de 2012 no espaço cultural Maus Hábitos, no Porto, e juntou doze ilustradores e quatro artistas urbanos numa festa inaugural na qual houve música, projeção de vídeo e performances artísticas.

Edgar Sprecher

Dois meses depois, em agosto, e com o apoio da marca Posca®, deu-se a Circus Posca Night na qual cobriram toda a mobília da cafetaria do PlanoB e convidaram as pessoas a desenhar o que quisessem. É, sem dúvida, um projeto ambicioso tendo em conta a conjuntura atual, mas os dois criadores do projeto não se deixam assustar, «quem corre por gosto, não cansa, não é o que dizem? O facto de ser nos dias de hoje só nos dá mais ânimo para tentarmos, com mais força, marcar a cultura portuguesa e a forma como o cidadão comum a vê». CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 57


Neste mês de janeiro encontra-se patente no Plano B a nova exposição Unleash The Hero Within cuja temática é sobre heróis, reais ou fictícios, e é seguindo a mensagem d’Os Lusíadas, a da exultação da nobreza de ser português, que convidaram quarenta novos artistas da comunidade artística nacional e cada um interpretou uma estrofe camoniana de acordo com a sua área. Até dia 22 de novembro foram expostos dois quadros por dia, tendo cada acontecimento sido publicitado online com uma descrição do local e uma pequena entrevista ao artista. Cada projeto apresenta uma técnica e métodos diferentes desde a ilustração digital; design; fotografia; ilustração e arte urbana ( como Dub e Mesk). Em conjugação com esta nova vaga de artistas jovens e talentosos, há também artistas Festa no Plano B

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conhecidos a participar nesta iniciativa, como o mediático ±MAISMENOS±. Cada interpretação literal da estrofe atribuída tem como material de suporte uma folha de papel kraft 50x70cm de 120gr e que é emoldurada posteriormente. A inauguração foi a 23 de novembro, data em que foi lançado um mapa (online e impresso) com todas as informações. A partir de 21 de dezembro a exposição ficou patente no espaço do PlanoB, data na qual se juntaram mais sete artistas, permanecendo no espaço até 18 de janeiro. Cada vez são mais os artistas a querer participar no projeto, assim como o público que adere e se interessa. «Quando temos artistas que admiramos tanto a aceitar os nossos convites, só pode ser sinal que de estamos a fazer algo correto, não é? (…) Senti-


mos que, de certa forma, estamos a levar a cultura portuguesa aos portugueses e isso enche-nos de orgulho e, ao mesmo tempo, de responsabilidade de querer fazer mais e melhor». Cada uma das quarenta obras esteve em exposição em quarenta espaços relevantes para a vida e cultura da Invicta que foram escolhidos por serem locais que, normalmente, não recebem exposições, por serem locais de formação (como é o caso da ESAD); por serem locais importantes na cultura portuense como o Mercado do Bolhão ou do desenvolvimento do movimento dos portuenses como é o caso do Armazém do Chá, Gare ou o Artes em Partes. A exposição esteve, ainda, em locais onde nunca se viu algo do género como o Bufete Fase, a loja de roupa Taken, a casa de tatuagens Monster’s Family e

a Inky, loja de artigos de arte urbana. A Circus existe sem qualquer tipo de financiamento ou apoio institucional, não acreditam numa cultura portuguesa subsídio-dependente, mas a verdade é que há projetos que devem ser apoiados. A Circus é um desses projetos e, apesar de na cultura portuguesa haver uma «linha ténue entre CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 59


cultura e entretenimento» como dizem, tanto Ana como André tentarão, sempre que possível, candidatar-se a apoios e a fundos. Contam, por agora, com apoio de algumas pessoas como os Professores Leonardo Mira, Américo Soares e a Escola Artística Soares dos Reis e dizem não estar frustrados até a falta de apoios ser um impedimento para se dedicarem ao projeto. Para este ano de 2013, a Circus, pretende levar a Unleash the Hero Within a outras cidades do país tentando vender o maior número de obras havendo, também, algumas ideias que estão ainda em fase de aprovação as quais, certamente, enaltecerão ainda mais o carácter artístico da cultura portuguesa. Catarina Ramalho

“Corporate Fascist” por Jonathan Barnbrook

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“Gulf War, Prey” por Jonathan Barnbrook

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“Cristal Nature”

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“Doubleye”

SE OLHARMOS RAPIDAMENTE PARA O TRABALHO DE CATARINA ALVES PERCEBEMOS A DIMENSÃO PLURAL DA SUA IDENTIDADE ARTÍSTICA. FAZ FOTOGRAFIA, DESIGN E ILUSTRAÇÃO, VALÊNCIAS QUE FUNDIU NO PROJECTO PESSOAL SPYRART: “ARTE EM ESPIRAL, CÍCLICA, EM QUE TUDO MUDA CONSTANTEMENTE”. A IDIOTMAG FOI CONHECER ESTE “SEU ESTILO DE VIDA” E ENCONTROU ILUSÃO, DISTORÇÃO E FANTASIA. Tish 66 // www.IDIOTMAG.com


direita: “Massmedia” em baixo: “BGS”

A liberdade de experimentação faz de Catarina Alves uma artista visual adepta da contemporaneidade. Não se considera fotógrafa nem designer, nem ilustradora. Ela é tudo isto numa só. Todas são a artista Ina Spyra, em constante evolução. “Para mim, os meios são apenas o suporte de expressão, sejam eles quais forem”. Nas suas fotografias, Catarina Alves assume poucas convenções e tenta atribuir movimento à imagem estática. Gosta de jogar com o arrastamento de luzes, longas exposições, efeito de olho de peixe, “de maneira a atribuir à reportagem vida e um cunho pessoal”, como conta à IdiotMag. Talvez por isso tenha optado por fotografar festas, concertos, festivais, para fugir ao descontentamento que sentia pela reportagem convencional.

SPYRARTBAGS / são feitos apenas cinco exemplares de cada desenho / a data de saída dos sacos é sempre surpresa! CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 67


O mestrado em Artes Visuais e Intermédia, acumulado à licenciatura em Jornalismo deu-lhe as asas que lhe faltavam para alargar a sua obra artística indo ao encontro de outros interesses antigos, o design e a ilustração. “Desde cedo demonstrei grande interesse pelo desenho. Os meus cadernos de escola não são nada mais nada menos que pequenos cadernos de esboços, de toscos improvisos feitos ao acaso”, conta.

“Desactivados” 68 // www.IDIOTMAG.com

No design, actualmente vai executando trabalhos gráficos mas espera investir futuramente no web design. É coordenadora e responsável de design numa agência imobiliária e no seu projecto freelance faz flyers de eventos, logos e identidade de marca, “o que for necessário para promoção, marketing e merchandising”. A artista visual usa uma Canon 450 D e os software Photoshop, Illustrator e Cinema 4 D.


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INFLUÊNCIAS “METAFÍSICAS” Ina Spyra afasta rótulos estilísticos mas adopta o surrealismo e o expressionismo como mote do seu trabalho. (Já espreitaram as fotos que publicámos na edição de Dezembro?) A artista de 25 anos admira vários artistas que influenciam o seu trabalho numa “vertente mágica e metafísica”: o talentoso multifacetado Matthew Barney, a performer Marina Abramovic, os fotógrafos Tim Walker, Joel-Peter Witkin e Chema Madoz (o espanhol que Catarina adora pela descontextualização do objecto banal) e a fusão da arte/ciência da qual são adeptos Orlan, Stelarc e Eduardo Kac. Este último, artista nascido no Brasil, merece destaque para Catarina. A obra viva

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Edunia – uma petúnia transgénica que carrega um gene do próprio artista/ criador – é especial para si: “O conceito é lindo e diz-me imenso”. Para conhecerem melhor as vertentes do seu trabalho e as suas criações, espreitem o endereço https://www. facebook.com/SPYRAT ou sigam o seu blog http://spyrart.tumblr.com/. Catarina tem ainda outro projecto na manga - Las Kats - uma parceria profissional com uma amiga de nome igual e promete surpresas num futuro próximo. “Penso que a arte é o melhor mecanismo de expressão – para mim é uma metamorfose cíclica do meu próprio pensamento. E como o meu pensamento anda sempre a mil, mais novidades virão!”. Levantámos o véu mas mais não dizemos.


direita: “Artwork” em baixo: “Digital painting” CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 71


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Rui de Noronha Oz贸rio

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Eu gosto de Teatro e só tenho pena de não poder ir ao Teatro tantas vezes quantas o ímpeto sugerisse. As razões são muitas, mas normalmente, reduzem-se a desculpas porque não se tem tempo ou porque não se tem dinheiro. E por aqui ficamos. E, de facto não vamos ao teatro. Saímos de casa e vamos procurar teatros e o cataclismo afecta-nos em modo dramático com um Sá da Bandeira em ruínas ou um São João aos bocados. E todos pensamos: vamos ajudar o teatro, coitadinhos! Com essa caridade em pontas de mecenato que só serve para fazer notícia durante um dia e meio!… mas, logo de seguida, repensamos melhor… “Ah e tal não estamos em época de poder ajudar é a crise, a crise claramente! Exijamos do Estado!” E assim se vão resolvendo todos os problemas do Teatro nesta atitude estóica e heróica de louvar! O teatro é como uma companhia de Palhaços. Estão divididos entre Ricos e Pobres. Entendam-se os ricos todos aqueles que são subsidiados todos os anos, um círculo, uma oligarquia restrita. Aqui no Porto havia um exemplo: O Ricardo Pais, o Nuno Cardoso e sucessivamente o Ricardo Pais de Nuno Cardoso! Sinceramente, incomoda-me ver espectáculos, supostamente bons, traduzidos numa patetice contemporânea que nem os encenadores entendem, mas diz que vende! Incomoda-me ver salas de teatro vazias porque quem faz teatro não o faz chegar às ruas, limitando e enterrando a possibilidade de se formarem bons públicos de teatro, gente informada, interessada, como todos achamos que as pessoas deveriam ser, mesmo com todas as diferenças de vontade que de nós fazem parte, mesmo com todas as variedades do gosto e da estética. Depois de ver salas em estado de putrefacção avançada, dirigimo-nos às caves do teatro! Imaginem quem lá está… com certeza que esses mesmos: os parentes pobrezinhos que são, de resto, todas as outras companhias! Companhias que fazem bons espectáculos, que têm vontade, que sonham tão alto quanto a sua criatividade e, já em acto pré suicida,

descobrem aquilo que nunca contaram, mas que o comum mortal já tinha descoberto há muito tempo atrás: A Criatividade são muitas notas de euros! Uns e outros como podem, mas sempre com queixas, uns com mais e outros com menos, mas como somos todos artistas portugueses, o que melhor sabemos é fazer teatro bem dramático e desprovido de sensatez, ficamos sempre parados à espera que alguém se mexa, alguém faça alguma coisa, sempre na esperança de mais qualquer coisinha bem pedinchada… Conheço tantos responsáveis e irresponsáveis teatrais que, se não sabem pagar aos actores, ao menos que esse roubo seja aplicado na peça em vez de os engordarem ao ponto da morcela… isto tudo numa representação figurativa de criadores de teatro a roçar o modo enchido de Vinhais! E nós, Idiotas de toda uma Nação (apesar de esquartejada aos pedacinhos)? Andamos aqui a brincar ou o quê? Decidiram todos engordar os rabos no sofá? Só saem à rua para as Manifestações de ocasião? Só para as greves que engarrafam o país de dois em dois meses? E que tal irem ao teatro? E que tal deixarem a porcaria da televisão que nos formata silenciosamente… a prova disso é aquela porcaria da Secret Story apresentada por aquela “senhora” que fomenta a indecência e toda a merda que se consegue apresentar em Televisão! Todos os Domingos, religiosamente, se sentam a embrutecer enquanto existem actores que representam as vossas vidas, as etapas que vivem e as expõem para todos nos palcos grandes e pequenos deste país, gente que, repito, trabalha porque ama e ama sem dinheiro e sem ordenado e sem nada… mas ama! E todos nós deveríamos amar e amar mais ainda o teatro. Criem, inventem, remedeiem-se, mas amem e façam amar teatro! Estou pelos Actores, que têm sido os únicos agentes de teatro que trabalham com a seriedade que os palcos merecem! A TODOS OS ACTORES DE TODOS OS TEATROS DO MUNDO… MUITA MERDA! CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 83


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Este senhor personifica em absoluto o que é ser anti-idiota. Tem opiniões diferentes acerca de assuntos seme- Nobre para ser cabeça de lista por lhantes, muda de ideias como quem Lisboa, considerando que, ao convimuda de camisa, o que, no seu caso, dar pessoas de mérito reconhecido a deve acontecer algumas vezes por abraçar a vida pública, se reformava a dia, graças ao seu volume e a um pro- política por dentro. Fez, assim, de forblema de sudação, sendo que é um se- ma pouco subtil, um paralelismo com a guidista de primeira água sem ideias sua própria situação, visto que ele própróprias, composto por duas partes de prio encabeçou a lista do PSD em Vialambe cu e três de hipócrita, mistura- na do Castelo e achava-se, também, das com umas gotinhas de demagogia uma ilustre figura meritória da nossa para refrescar. Ora vejamos: sociedade. É um homem que defende Disse que Cavaco fica bem na foto- com unhas e dentes duas personagrafia quando está calado - não sei gens cheias de conquistas académicas se por achar que ver o que alguém e profissionais no seu vasto currículo. mastiga energicamente é nojento, ou Pedro Passos coelho, em primeiro luse por pensar que o presidente está gar, e o Ministro Relvas em segundo. xexé - mas pensa que Passos Coelho, É, aliás, um fã tão dedicado das relvique também só diz merda, é geral- ces, que até se põe em bicos de pés mente mal compreendido.  para lhe poder dar um abraço à urso, Afirma que a nacionalização dos es- que fique filmado na televisão. É que taleiros de Viana foi um desastre, lá em casa a família está a gravar.  mas aparentemente não tem opinião Termino lembrando que este grande sobre o que um grupo de betinhos trabalhador se confessou recentericos que comprou a Lisnave (Mello), mente muito cansado e com falta de andou por lá a fazer. Certamente a jo- concentração, após cinco longas horas gar à batalha naval, porque hoje em a ouvir a Ministra Assunção Cristas, dia aquela que foi uma das maiores também ela nascida para a política empregadoras da margem sul do tejo nos programas televisivos. Segundo não passa de uma anedota. Fátima Campos Ferreira, o Mourinho Caracteriza o processo Freeport como dos debates da televisão nacional, foi algo envolto em névoa, mas quan- ela própria que a “fez”, no programa do confrontado com a opacidade da Prós e Contras sobre a despenalizaprivatização do BPN, responde que ção do aborto em Portugal. Imaginem os deputados que constituíam a co- o que este senhor escreveria no Famissão de inquérito parlamentar de- cebook se passasse seis ou sete homonstraram ignorância na matéria. ras a varrer ruas debaixo de chuva, ou Acha que Miguel Relvas está a ser alvo estivesse a atender senhoras histérida mais forte campanha difamatória de cas umas oito horas em qualquer loja que há memória na história dos media de roupa durante os primeiros dias de portugueses, mas liderou, a seu tem- saldos. Também, de um sujeito que po, as hostes, através do “seu” Correio troca os óculos de massa, à intelectuda (A)Manhã, que descobriu algumas al, que usava quando era comentador verdades e inventou outras tantas televisivo e blogger, por uns com aros mentiras acerca de José Sócrates. metálicos de cor dourada, que usa acO Sr. Professor de Direito da Univer- tualmente, e que com certeza na sua sidade do Minho, em tempos, elogiou opinião são muito mais condizentes de forma efusiva o convite endossado com a posição de respeitável deputapor Pedro Passos Coelho a Fernando do que ocupa no hemiciclo, outra coisa não seria de esperar.... Nuno Di Rosso CULTURA E TENDÊNCIAS URBANAS // 85


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Idiot Mag JAN.13