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O lobo mal-acostumado e os três cofrinhos Era uma vez um lobo – desses que guardam moedas em cofrinhos. Ele vivia em um lugar tão longe daqui que nem daria para ir andando e a história que se passou com ele aconteceu há muito tempo atrás, em um dia muito antes de ontem. Vou contar como foi. O lobo guardava todas as suas moedas em cofrinhos, de diferentes tamanhos. Servia-se das moedas de um cofrinho menor para comprar as coisas que precisava ter.

-*-

Usava as moedas de um cofrinho médio para comprar algumas coisas que queria, mesmo que não precisasse delas. -*Gastava as moedinhas do cofrinho maior comprando um montão de coisas que ele podia comprar, mesmo que não quisesse tanto nem precisasse de jeito nenhum, mas comprava mesmo assim. -*Colocou o cofrinho menor no banco de trás do carro e saiu para ir à loja da raposa, do outro lado da floresta. No meio da viagem, o lobo precisou frear para não atropelar a tartaruga que apareceu de repente atravessando a estrada e viu o cofrinho menor passar “voando” por cima de seu ombro e atravessar o para-brisas, espalhando todas as moedinhas lá longe na estrada. -*- Essa não! Como isso foi acontecer? E agora, sem minhas moedinhas, como é que eu vou fazer? – lamentou o lobo. A coruja que estava empoleirada num galho próximo, vendo tudo, respondeu:

- Ora, o freio parou o carro e o cinto de segurança parou você, mas o cofrinho sem cinto estava, então nada o pode deter! Sem nada que segurasse o cofrinho não parou. Para frente sempre seu movimento continuou! -*- Quer dizer que quem anda no banco de trás também precisa de cinto de segurança? Ele não sabia e eu não lhe disse, então fiz uma lambança... – pensou o lobo.

- Perder suas moedinhas é o preço pelo mau costume. Com o cinto de segurança você fica no carro amarrado. Agora vê se aprende, lobo malacostumado. As coisas são assim mesmo. Estando em movimento não querem parar. E se o cofrinho não sabia, cabia a você ensinar. – explicou a coruja.

-*O lobo voltou para casa desanimado. Contou aos outros cofrinhos o que tinha acontecido e pôs o cofrinho médio no banco de trás do carro. - As coisas que eu preciso não posso mais comprar. Mas tem coisas que eu quero, mesmo sem precisar. Vou levar você comigo e todas as suas moedinhas gastar. E partiu novamente para atravessar a floresta. No meio da viagem seu celular tocou. Ele atendeu: - Alô? Bom dia, elefante. Não, não. Estou dirigindo, mas posso falar um instante! -*Distraído com a conversa, nem percebeu as obras na estrada e teve de frear bruscamente. Não caiu no buraco, mas viu seu cofrinho passar “voando” sobre seu ombro, espalhando suas moedinhas na estrada. Mais uma vez, o lobo ficava sem suas moedas. -*- Essa não! Não é possível! Mas que cofrinho lesado! Eu tinha falado e ele sabia. Como pode não ter lembrado?! Esqueceu de colocar o cinto e o prejuízo

foi meu. Não tenho como recuperar tudo que se perdeu. – choramingou o lobo. Do galho da árvore bem em frente ao ocorrido, a coruja: - Se o cinto ele esqueceu de colocar era obrigação sua fazê-lo lembrar. Assim pode ser que você perca esse mau costume de dirigir falando ao celular. Lobo mal-acostumado, juízo você não tem. Por isso acabou perdendo essas moedinhas também! -*-

O lobo voltou para casa mais uma vez. Agora estava mais zangado do que triste. Contou o ocorrido para o cofrinho maior. - E agora é o seguinte: o que quero e o que preciso não posso mais comprar, mas todas as outras coisas,

essas suas moedas vão me dar. Tudo o que juntei não pode ser em vão, agora ande bem depressa, quero gastar de montão! Entraram no carro. O cofrinho maior no banco de trás colocou imediatamente o cinto de segurança. - Eu já sei o que pode acontecer, portanto, colocar o cinto é coisa que não vou esquecer! – pensou o cofrinho maior. O lobo, muito zangado, gritou: - Por que você está colocando este cinto?! Por acaso está com medo? O que aconteceu não foi culpa minha. Dirigir não tem segredo. - Acidentes podem acontecer até quando você está preparado. Imagina o que vai ser, andar com um motorista assim mal-acostumado?! Se acontecer uma colisão, não quero ir parar no chão. Não quero nenhum lamento. Prefiro deixar o cinto parar meu movimento. O lobo, sentindo-se ofendido pela desconfiança de seu passageiro, tirou seu próprio cinto de segurança e fez uma ligação com o celular enquanto dirigia rápido! - Está duvidando das minhas habilidades, pois agora vou lhe mostrar!

O que aconteceu não foi culpa minha. A tartaruga apareceu de repente e aquele buraco nem deveria estar lá. – pensava, zangado, enquanto falava ao celular. No meio da viagem, tentou fazer uma ultrapassagem e não viu outro carro que vinha em sentido contrário. Perdeu o controle do carro, saiu da estrada e bateu de frente com a árvore em que ficava a coruja. -*Dessa vez, não foi o freio que parou o carro, foi a árvore. A árvore parou o carro e o cinto parou o cofrinho maior. Dessa vez o lobo estava sem cinto e foi ele quem “voou” pelo para-brisas e caiu em um enorme arbusto espinhoso. -*A coruja falou para o cofrinho maior: - Bem feito pra ele aprender! Dirigir rápido demais, fazer ultrapassagens sem segurança, falar ao celular enquanto dirige e não usar cinto de segurança não são coisas boas de se fazer. Agora, além de mal-acostumado, ele vai ficar todo machucado.

O cofrinho maior chorava baixinho, sofrendo pela perda dos irmãos ao longo do caminho. -*A coruja fez um sinal e de trás da árvore apareceram os dois cofrinhos cheios de remendos, mas vivos! - Guardar moedinhas eles não vão mais poder. Igual ao que eram antes eles nunca mais irmão ser. Fiz o melhor que pude, juntando cada pedaço. Mesmo não estando inteiros, mas aguentando um grande abraço.

Assim, eles puderam voltar para casa juntos. -*Já o lobo ficou com o bumbum todo espetado! A cada espinho que tirava, ele gritava de dor: - Ai, o meu bumbum! Agora eu já sei. – e tirou um. - Ai, ai, vai ficar roxo depois! Não vou mais esquecer. – e tirou dois. - Ai, ai, ai, dói toda vez! O que é certo vou fazer. – e tirou três. Tinha mais espinhos do que ele podia, doeu mais do que ele queria e sofreu mais do que precisava.

FIM


O lobo mal-acostumado e os três cofrinhos