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Quinta-feira 02 Fevereiro 2012

O VILAVERDENSE

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SOCIEDADE

Falta de verbas impede avanço de projectos

ACRD de Ponte S. Vicente reivindica mais apoio

Além das grandes metas da ACRD de Ponte S. Vicente, que passam pela criação de um Centro de

Dia e de Serviço de Apoio ao Domicílio, a associação teve, de acordo com o presidente da Direcção,

Álvaro Gonçalves, outros projectos ‘em carteira’ que foram abandonados devido às dificuldades

financeiras existentes. «Gostaríamos de criar, no nosso terreno, um ginásio de rua. As pessoas começam a mostrar vontade em fazer exercício físico que, muitas vezes, passa por andar pé na beira da estrada, correndo o risco de ser atropeladas. Assim, teriam um local mais cómodo e seguro para praticar exercício», sublinhou Álvaro Gonçalves, acrescentando que a colectividade se sente algo desamparada, «desde que tomámos posse quase não tivemos auxílio, precisávamos de algum apoio por parte das instituições competentes». O presidente da Direcção vai ainda mais longe ao afirmar que existe um tratamento desigual em diferentes pontos do

município. «Por vezes, a zona Norte do concelho acaba por ser discriminada, fazem-se grandes investimentos noutras zonas e não fomos apoiados para realizar esta obra (o ginásio de rua) que era muito menos dispendiosa». O próprio destacou ter noção que as freguesias menos populosas não necessitam das mesmas infra-estruturas que as que têm maior número de habitantes, tendo, no entanto, realçado que é vital realizar pequenos investimentos para valorizar estas freguesias, de modo a torná-las mais apelativas e combater a desertificação que se começa a fazer sentir em algumas localidades. Neste momento, o executivo que lidera a ACRD

de Ponte S. Vicente, composto por 15 pessoas, tem como principais fontes de rendimento alguns convívios e o funcionamento do bar que se encontra aberto uma vez por semana. «Quando fazemos uma festa arranjamos alguns patrocinadores para cobrir as despesas da iniciativa e aproveitamos para vender rifas nessas ocasiões. Além disso, temos o bar em funcionamento à sexta-feira, altura em que há treino de futebol feminino», sublinhou, acrescentando que, por tal, a fonte de recita da associação acaba por ser «bastante pequena».

Octávio Pedrosa

ovilaverdense@gmail.com


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Nova sede deverá custar perto de 200 mil euros De acordo com António Esquível, a nova sede deverá implicar um investimento na ordem dos 200 mil euros, sendo comparticipada em cerca de 25% pela Câmara Municipal de Vila Verde, o próprio indicou ainda que acredita que em algumas fases da obra o município poderá colaborar através da cedência de mão-de-obra. O mesmo sublinha que «no orçamento da Junta para 2012 há verbas disponíveis para o arranque dos trabalhos». Por sua vez, Nuno Queirós salienta que o Rancho Folclórico de Santa Eulália de Cabanelas também tem algum montante reservado para a construção da nova sede, além de já terem entrado em contacto «com empresários para conseguir materiais e com alguns ‘amigos’ para nos ajudarem com a mão-de-obra».

Obras na Avenida da Igreja impedem o arranque dos trabalhos

Rancho e Junta de Freguesia de Cabanelas terão nova sede serão aproveitados em função das necessidades detectadas na altura». O autarca salienta ainda a importância do edifício pela optimização dos serviços prestados pela autarquia local, além disso, «com a aglomeração de serviços, aquela poderá tornar-se uma zona central da freguesia». Rancho ensaia com «condições muito precárias»

Está ainda em ‘stand-by’ a construção do edifício que funcionará como sede da Junta de Freguesia de Cabanelas e do rancho folclórico da mesma freguesia. O presidente da autarquia local, António Esquível, mostra-se confiante que a obra arrancará durante o presente ano, sublinhando que o atraso no início dos trabalhos se deve ao facto de a Câmara Municipal de Vila Verde ainda não ter concluído as obras na Avenida da Igreja,

local em que ficará situada a nova sede. «Falta apenas alcatroar uma zona e concluir pequenas obras respeitantes a um acordo estabelecido entre o município e o proprietário dos terrenos», referiu. A Junta de Freguesia de Cabanelas já tem os meios financeiros necessários para o arranque da obra e algumas acções planeadas para obtenção dos restantes fundos necessários (ver caixa à parte), pelo que aguarda

apenas a ‘luz verde’ da Câmara Municipal para iniciar a empreitada. António Esquível não esconde que a realização do empreendimento chegou a ser posta em causa devido às primeiras informações referentes à Reforma Administrativa, que davam conta de uma redução drástica no número de freguesias existentes no concelho, no entanto, face aos novos dados, o autarca acredita que «no sul do concelho as alterações serão

muito pouco significativas e não há motivo para abandonar o projecto». A antiga escola primária da freguesia, edifício que alberga actualmente a sede da Junta local, será, de acordo com António Esquível, alvo de algumas remodelações que visam a cedência de duas salas ficarem à disposição dos Escuteiros de Cabanelas, a ampliação da estrutura para albergar a creche do Centro Social e «os restantes espaços disponíveis

Por sua vez, o presidente do Rancho Folclórico de Santa Eulália de Cabanelas, Nuno Queirós, salienta a importância que a nova estrutura representa para a colectividade que preside. «Estamos a ensaiar com condições muito precárias, num antigo edifício escolar, que tem muita humidade e o soalho está quase podre. Algumas pessoas que sofrem de alergias já nem conseguem lá entrar», afirmou. Mas Nuno Queirós vai mais longe pondo mesmo em causa a permanência enquanto líder da direcção do

rancho caso as obras não arranquem durante o presente mandato, que termina em Janeiro de 2013. «Se a construção não começar até ao final do mandato, considero que foi um falhanço pessoal e irei ponderar a minha continuidade na presidência do Rancho», realçou. A Câmara Municipal assumiu, há alguns anos, o compromisso de construir uma sede para o rancho folclórico de Cabanelas, entretanto, segundo Nuno Queirós, surgiu a possibilidade de reduzir custos com a criação de uma estrutura que sirva a Junta e o rancho, «optou-se por uma união de esforços que faz com que todos saiam a ganhar, dado que é uma forma de diminuir a despesa decorrente da obra». Na nova sede o espaço para o rancho, que conta neste momento com 30 anos de existência, contempla uma sala para ensaios, uma sala de reuniões e um local de armazenamento. Octávio Pedrosa

ovilaverdense@gmail.com


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Nova Escola de Bombeiros Em Março, os Bombeiros de Vila Verde vão promover uma nova escola de formação. A associação pretende abrir duas turmas, cada uma com 40 elementos. O tempo de formação é de 340 horas, dividas por um ano, e inclui aulas teóricas, práticas e no local de trabalho. As inscrições estão abertas até ao final do mês de Fevereiro. O Comandante dos Bombeiros, José Lomba, refere que o objectivo da corporação é alargar o seu quadro de efectivos que, actualmente, é constituído por 65 elementos. Nos últimos dias, o Comando procurou cativar alguns bombeiros que se tinham afastado e conseguiu ‘recuperar’ cerca de uma dezena de bombeiros. «Pretendemos ter uma equipa de intervenção sempre presente e isso só é possível com o alargamento do quadro», refere José Lomba. Por sua vez, Luís Morais, Adjunto do Comando, refere que «este é o primeiro passo na estratégia de abertura do Corpo de Bombeiros à sociedade, queremos convidar os jovens, até aos 35 anos, para virem abraçar uma causa que é nobre». De referir ainda que a nova escola de Bombeiros já vai poder usufruir da unidade de formação, em Godinhaços.

Ribeira do Neiva recebe workshop sobre navegação segura na Internet A Escola Básica de Ribeira do Neiva acolhe, no próximo dia 10 de Fevereiro, o workshop ‘Como ajudar os nossos filhos a navegar de forma segura na Internet’, uma iniciativa que promovida pelo Centro de Competência TIC Softciências da Universidade de Coimbra. De acordo com a organização, na sessão serão abordadas «questões relacionadas com a prevenção de comportamentos de risco, uma vez que a Internet entrou nas nossas vidas e veio para ficar», procurando desta forma dotar os presentes de conhecimentos que lhes permitam prepara respectivos educandos para os perigos existentes na web. O evento decorrerá entre as 20h30 e as 22h30 e tem como público-alvo os encarregados de educação, sendo também destinada ao público em geral.

Bento Morais há doze anos como Provedor na Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde

«Vamos continuar este mandato com muito amor e paixão»

Bento Morais tomou posse, no dia 6 de Janeiro, como Provedor da Casa da Misericórdia, depois de, em Novembro, ter sido eleito para o cargo pela sexta vez consecutiva. Num discurso emocionado, Bento Morais agradeceu a todos os colaboradores por todo o empenho que têm demonstrado pela Instituição e prometeu dar continuidade ao trabalho que tem desenvolvido na Santa Casa da Misericórdia, nomeadamente ao nível da formação dos colaboradores. «A Instituição não descora a formação e o cuidado com os nossos colaboradores, sendo esta uma das nossas apostas». O provedor destacou ainda o facto de esta «ser uma insti-

tuição que passou das cinco dezenas para as cinco centenas e tem o prestígio que tem graças às pessoas que trabalham na instituição». Bento Morais ao longo do discurso proferiu ainda umas palavras acerca de uma obra «que vai marcar a região». Trata-se da ampliação e remodelação do Hospital de Vila Verde, onde irão ser investidos cinco milhões de euros. A empreitada deverá arrancar em Abril deste ano. Em tempos de crise e com a vaga de despedimentos que se verifica por todo o país, a Santa Casa da Misericórdia, criou 127 postos de trabalho. só no ano de 2011. Contudo, Bento Morais, admitiu que muito mais poderia ter sido

feito se o Estado fizesse a sua parte. «Vamos continuar este mandato com muito amor e paixão», foi assim que o provedor dirigiu as últimas palavras do discurso, salientando o facto de esta ser uma das melhores Misericórdias do país. Por sua vez, Manuel Lemos, Presidente da União das Misericórdias, na sua intervenção, referiu que o «facto de estarmos aqui deve-se ao provedor Bento Morais». «Esta casa começou do zero e hoje temos um hospital que nos orgulha a todos», afirmou Manuel Lemos que considerou que «o futuro da saúde vai ser esse, pequenos na dimensão, mas grandes na

eficácia, com profissionais competentes que cuidam dos que precisam». «É neste sentido que temos de continuar a apostar», conclui o presidente da União de Misericórdias. Na tomada de posse dos doze corpos gerentes, que teve lugar no auditório da Santa Casa da Misericórdia, foram várias as personalidades que marcaram presença entre elas, o eurodeputado, José Manuel Fernandes, o director da Segurança Social de Braga, Rui Barreira, o Comandante da GNR de Vila Verde, Vítor Esteves, o Vereador da Câmara de Vila Verde, Zamith Rosas, entre outros. Eduarda Silva

ovilaverdense@gmail.com


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Alunos do Centro Escolar deslocaram-se aos novos estúdios da Rádio Voz do Neiva

Artistas de palmo e meio cantam ‘Reis’ em directo

Os alunos do terceiro ano do Agrupamento de Escolas de Vila Verde compareceram, na Rádio Voz do Neiva, para o

tradicional «Cantar dos Reis». A iniciativa partiu da direcção do estabelecimento de ensino, que pretendeu dar aos

alunos um complemento ao trabalho realizado nas salas de aula, bem como angariar fundos para a visita de estu-

do dos finalistas à Corunha e preservar a tradição. «Os professores estão cada vez mais limitados ao programa de ensino», disse o Coordenador do Agrupamento, Joaquim Cerqueira, que falou no Cantar os Reis como «uma actividade extracurricular onde os miúdos conhecem algo novo». O responsável do Centro destacou ainda a importância de «preservar a tradição» e referiu que, em Janeiro, a escola organizou um encontro para ‘Cantar os Reis’, acção que contou com a participação de todos os alunos. Os mais novos mostraram-se, desde início, tão agitados

quanto entusiasmados. Mas, assim que os professores deram o sinal, aprontaram-se e cantaram, afinando as vozes dentro do que lhes foi possível, os tradicionais Reis. Quando questionados, todos eles mostraram satisfação pela oportunidade de «dar um passeio», e confessaram que visitar uma estação de rádio foi uma experiência nova e enriquecedora. Mas, não foi tudo fácil, como contou a professora Paula Santos, responsável pela turma A do terceiro ano. «As crianças, quando souberam que vinham à rádio, ficaram muito entusiasmadas, tivemos de lhes mostrar que havia uma certa

responsabilidade, que iam representar a escola e, em particular, o terceiro ano». A mesma professora confessou ainda que os alunos tiveram uma participação muito positiva durante todo o processo, inclusive ajudando na composição das letras das músicas. As restantes turmas dos diferentes anos, apesar de não terem comparecido na Rádio Voz do Neiva, foram levadas a diversos locais de Vila Verde, como a Santa Casa da Misericórdia, a Câmara Municipal ou a APPACDM. No total, mais de trezentos alunos estiveram envolvidos nas actividades. Daniel Cerqueira

ovilaverdense@gmail.com

André Simões

Lorena Rafaela

Mariana Torres

Beatriz Barra

Miguel Silva

«Gostei de cantar e tinha curiosidade em vir à radio, pois nunca tinha cá estado. A música foi fácil de decorar, foi divertido estar cá com os meus colegas e sair da escola».

«O ano passado cantámos os Reis na escola, mas só este ano é que viemos à rádio. Foi a primeira vez que vim, foi muito divertido. Quanto a trabalhar na rádio não sei, talvez, no futuro».

«Adorei cantar os Reis para os jornalistas e para as pessoas da rádio. Nunca tinha vindo e foi muito bom ficar a saber como funciona. Não foi muito difícil treinar a música e foi muito animado cantá-la».

«Inicialmente, senti-me nervosa mas, quando comecei a cantar, fiquei muito calma. Nunca tinha vindo à Voz do Neiva, foi uma experiência muito boa. Ainda não sei se gostava de trabalhar numa rádio no futuro, com o tempo saberei».

«Já tínhamos cantado os Reis na escola, mas cantá-los para as pessoas da rádio deixou-me um pouco nervoso. Gostei da visita, das pessoas que cá trabalham e acho importante manter a tradição».


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Vilaverdenses pelo mundo Helena Isabel Ferreira foi para a Suíça após a conclusão do curso

«Enfermeiros portugueses são reconhecidos no estrangeiro e existe oferta de emprego»

Helena Isabel Ferreira concluiu o curso de Enfermagem e foi para a Suíça exercer a sua profissão. A decisão de sair de Portugal foi ganhando consistência ao longo do curso e a situação precária em que se encontram os recém-licenciados no nosso país levou-a a dar o passo final. A adaptação a uma nova realidade foi rápida e as dificuldades foram rapidamente ultrapassadas. As saudades da família e dos amigos são muitas, mas as facilidades existentes em termos de comunicação e transporte vão ‘encurtando’ as distâncias. O regresso a Portugal é uma certeza, mas não a curto prazo. Aos jovens que se encontram no nosso país, Helena Isabel Ferreira deixa um conselho: «devem encarar a experiência como uma aventura que um dia vão contar aos netos».

Jornal ‘O Vilaverdense’: Quais as razões que a levaram a ir trabalhar para o estrangeiro? Helena Isabel Ferreira: A decisão de emigrar foi pensada, não repentina, mas só surgiu face as dificuldades sentidas em Portugal. Por outro lado, havia a certeza que os enfermeiros portugueses eram reconhecidos no estrangeiro e exista oferta de emprego. No meu último ano de licenciatura, sobretudo, esta ideia ocupou-me a mente, até porque eramos inundados, dentro da própria escola de enfermagem, com anúncios de empregos, agências de recrutamento, testemunhos dos ex-alunos, e até mesmo ‘cursos de Francês ou Inglês para enfermeiros’. No fundo, fomos sensibilizados para as vantagens de trabalhar no exterior. No próprio curso fomos alertados para a necessidade de

abrir horizontes e o trabalho no estrangeiro foi apresentado como estratégia de fuga, ou escape, para a situação precária do mercado de trabalho para os recém-licenciados da minha área em Portugal. Foi em busca da independência financeira, do conforto e da possibilidade de exercer a minha profissão que parti rumo à Suíça. Como foi a adaptação? No meu ponto de vista, tudo depende da vontade de cada um e de uma pessoa se querer adaptar. Posso dizer que a minha adaptação foi rápida. Evidentemente, as dificuldades linguísticas tornaram os primeiros meses mais complicados mas, no geral, as pessoas com quem contactei até hoje mostraram-se sempre compreensivas e disponíveis para ajudar, o que contribui enormemente para uma boa adaptação.

Em que cidade mora e como a caracteriza? Resido em Fribourg, localizada entre Lausanne e Bern. É uma pequena cidade medieval muito bem conservada no centro da Suíça que, por ser oficialmente metade francesa e metade alemã, usufrui do melhor que as duas partes têm. É acolhedora, segura e tranquila. Quais as diferenças mais relevantes entre os dois países? Para ser honesta, praticamente, tudo muda e torna-se difícil nomear as diferenças mais relevantes. No entanto, acho que as maiores mudanças são no sistema económico, político e na saúde. O que melhorou/piorou com a mudança de país? Vantagens e desvantagens existem sempre quando se tomam decisões desta natureza. Posso dizer que o pior é, realmente, o sistema de saúde suíço. Por outro lado,

a independência financeira que me é proporcionada é uma grande vantagem. Referiu que o sistema de saúde suíço é pior que o português. Em que aspectos é que se verifica essa diferença? No meu ponto de vista o sistema é desvantajoso para as famílias com certas dificuldades, pois baseia-se no pagamento de seguros. Não me estou a referir à saúde propriamente dita, uma vez que existem muitos e excelentes recursos, tanto ao nível das infra-estruturas como em termos profissionais. Mas, na Suíça, o sistema de seguros torna-se dispendioso num orçamento familiar e beneficia mais quem mais dinheiro tem. Como é um dia na vida de uma enfermeira na Suíça? Com franqueza o meu quotidiano, mesmo na Suíça, está intimamente relacionado com os meus hábitos e costumes portugueses. Assim, e uma vez integrada e adaptada à cidade e às pessoas, o dia-a-dia não difere assim tanto. Que tipo de desafios enfrenta no seu dia-a-dia? Neste campo posso ressalvar uma particularidade do papel dos enfermeiros na Suíça, que se torna um desafio que, em Portugal, só alguns o alcançam ou experimentam. A gestão, organização e responsabilidade do serviço, da equipa e dos cuidados é assegurada pelo enfermeiro no dia-a-

-dia, independentemente do enfermeiro chefe, uma vez que, com frequência, encontramo-nos ‘sozinhos’ numa equipa de auxiliares. Aqui, o enfermeiro tem uma maior liberdade na tomada de decisões. Desde que deixou Portugal, de que sentiu mais falta? Da comida, sem dúvida alguma... mas também, como é óbvio, do suporte familiar e dos amigos. Costuma contactar com a família em Portugal? Como? Claro e com grande frequência. As novas tecnologias (internet e telemóvel) e a rapidez dos meios de transporte simplificaram e encurtaram as distâncias. Sem gastar muito, é possível matar saudades e passar um fim-de-semana na companhia da família e dos amigos, mesmo não estando de férias. Planeia voltar a Portugal num futuro próximo? Sim, sem dúvida. ‘O bom filho a casa retorna’! O que diria aos jovens que pensam em sair do país? Quem quiser trabalhar no estrangeiro deve ter força de vontade e uma grande capacidade para se adaptar a uma nova realidade. Por outro lado, devem encarar a experiência como uma aventura que um dia vão contar aos netos. Manuel Alfredo Oliveira ovilaverdense@gmail.com


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SOCIEDADE

Encontro de Reis animou população de Parada de Gatim, Cabanelas e Escariz S. Martinho

Eduarda Silva

ovilaverdense@gmail.com

Promover o convívio e preservar a tradição O Centro Paroquial de Parada de Gatim foi palco, no passado dia 14 de Janeiro, de um Encontro de Reis que juntou grupos corais e ranchos folclóricos das fre-

Adelino Gomes

guesias de Parada de Gatim, Escariz S. Martinho e Cabanelas. O evento é fruto da acção do Padre Paulo Sérgio, Pároco das três freguesias, e

Grupo Coral P. de Gatim

vai na segunda edição. O sacerdote considera que, em relação ao ano passado, houve uma maior adesão, tanto em termos de assistência, como no que

Hugo Torres

Ensaiador do G. Coral de «O grupo Cabanelas - N. S.ª da Conceição

é composto por dezoito elementos e já andamos nisto há mais de trinta anos. Gostamos de cantar os Reis e somos um grupo bastante activo que procura manter vivos estes usos e costumes que fazem parte de uma tradição já muito antiga. Esta iniciativa é boa para a freguesia e, por isso, é que nós estamos sempre prontos para fazer melhor e mostrar à juventude como eram os tempos antigos. O grupo cantou a música ‘Os Anjos’ e os Reis da nossa terra, que é já uma música muito antiga, que nasceu na freguesia».

«Desde que estou no grupo, há três ou quatro anos, que costumamos cantar nos Reis. O Padre Paulo Sérgio teve a ideia de fazer um encontro de Reis e nós aderimos de imediato. O grupo cantou as músicas dos ‘Reis Magos do Além’ e ‘Somos de Cabanelas’. Acho que esta iniciativa é importante porque, ao invés de as pessoas estarem em casa à lareira, aqui sempre convivem e vêem os diversos grupos».

Nuno Queirós

Luís Primo

Presidente do Rancho Folclórico de Cabanelas

« E s t e já é o segundo ano que participamos. A ideia de juntar as três freguesias foi muito boa e temos todo o gosto em estar aqui. Quando é para estas iniciativas, as pessoas estão sempre disponíveis o que é muito positivo. O Grupo Coral de Escariz S. Martinho organiza um encontro anual e estas iniciativas são sempre importantes porque promovem a união e o convívio das pessoas».

«Já no ano passado o Rancho Folclórico de Cabanelas participou nesta iniciativa promovido pelo Padre Paulo Sérgio. O Encontro de Reis tem vários valores, primeiro une as três paróquias e proporciona momentos de grande convívio. Depois, faz com que esta tradição não acabe e fique ainda mais forte, de ano para ano. O rancho já costuma cantar os reis na freguesia, normalmente para angariação de fundos».

G. Coral Escariz S. Martinho

toca ao número de grupos participantes. «O Encontro de Reis foi bastante gratificante e esta é uma iniciativa que, certamente, terá continuidade nos próximos

Letícia Gomes

Grupo Infanto Juvenil Nova Chama de Cabanelas

«Já participamos no ano passado, em Cabanelas, nesta iniciativa dos Reis. Nesta edição, em Parada de Gatim esteve tudo muito animado e o balanço é positivo. Normalmente, as pessoas gostam das nossas actuações por sermos um grupo diferente, com crianças e jovens. O Grupo Infanto Juvenil Nova Chama conta, actualmente, com cerca de trinta elementos. No futuro, será difícil crescer muito, pois as coisas em termos organizativos seriam bastante complicadas».

Emanuel Barbosa

Grupo Infanto Juvenil de Parada de Gatim «O Grupo Infanto Juvenil é bastante recente, fez um ano em Outubro do ano passado, pelo que estamos a participar pela primeira vez. Fomos convidados pela organização e achamos uma actividade interessante até porque também temos andado a cantar os Reis pela freguesia. Penso que a nossa participação superou as expectativas e faço um balanço muito positivo da actuação».

anos», realçou o Padre Paulo Sérgio. Os grupos que actuaram tiveram presentes a convite do Pároco e do Conselho Económico de Parada de

António de Sousa

Fundador do Grupo Coral de Cabanelas «O nosso grupo sempre participou em Reis e, em alguns Domingos, chegamos a cantar em três locais distintos. Este segundo ano em que participamos nesta iniciativa organizada em conjunto pelas três paróquias. Penso que a tradição dos Reis não está a acabar, mas a sua importância é cada vez menor. Os jovens não se interessam tanto por este tipo de iniciativas e quem participa são sempre as pessoas com mais idade. Estas tradições devem continuar, temos que preservar a nossa cultura e para isso é necessário cativar os mais novos. É isso que eu tento fazer na minha freguesia».

Gatim que, desta forma, procuram promover o convívio entre os habitantes das três paróquias e preservar a tradição de cantar os Reis.

Tarcísio Costa

Rancho Folclórico Parada de Gatim

«O grupo é composto por dezoito elementos e já andamos nisto há mais de trinta anos. Gostamos de cantar os Reis e somos um grupo bastante activo que procura manter vivos estes usos e costumes que fazem parte de uma tradição já muito antiga. Esta iniciativa é boa para a freguesia e, por isso, é que nós estamos sempre prontos para fazer melhor e mostrar à juventude como eram os tempos antigos. O grupo cantou a música ‘Os Anjos’ e os Reis da nossa terra, que é já uma música muito antiga, que nasceu na freguesia».

Manuel Gomes da Costa

Francisco Lopes

«Faço parte da família que se juntou para integrar esta iniciativa que se realiza em Parada de Gatim. É o primeiro ano em que estou a participar e a festa está muito bonita, só faltaram as castanhas e o vinho. A iniciativa procura reavivar as tradições antigas e penso que as pessoas aderiram bastante».

«Somo um grupo de amigos que se junta já há muitos e estamos disponíveis para fazer parte desta iniciativa. Estas tradições não se deviam perder, uma vez que esta é uma forma de mostrar como se fazia há uns anos. A adesão foi boa e estiveram aqui habitantes das três freguesias».

G. Família Lucas Machado

Amigos da Paródia de Parada de Gatim


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FREGUESIAS OPINIÃO

Vila de Prado comemora evento secular

Guimarães esteve em grande Luís Sousa Médico

Falar de Guimarães é também falar de Portugal e como sabemos, neste momento, as atenções, a nível internacional, estão todas viradas para esta cidade nortenha pela grande relevância do evento que, até ao final do ano, vai decorrer, mostrando ao mundo o melhor que temos e o melhor que somos, tornando, sobretudo o nosso Minho mais conhecido nas suas grandes potencialidades tão variadas. É por esse motivo, que escrevo para este jornal, fazendo ver a todos os leitores a grande mais valia que representa, para todos nós, este acontecimento. Nove séculos volvidos desde a fundação de Portugal, Guimarães, berço da nacionalidade, torna-se no centro da cultura dentro do espaço europeu ao ser, juntamente com Maribor (Eslovénia), uma das cidades anfitriãs para acolher a Capital Europeia da Cultura. Esta iniciativa com projeção internacional, atualmente conhecida como Capital Europeia da Cultura, tem a particularidade de permitir, entre outras coisas, que cidades como Guimarães, se afirmem no espaço europeu, mostrando todas as suas facetas no campo cultural, histórico e social. Dito de outra maneira, Guimarães tem uma oportunidade de ouro de dar a conhecer ao mundo a sua longa história, o seu vasto património, as suas belas tradições, a sua gastronomia, a sua cultura e, claro está, as suas gentes. Depois de Lisboa em 1994, do Porto em 2001 e de muitas outras cosmopolitas cidades europeias, como Amesterdão, Berlim, Paris e Madrid, para citar alguns exemplos, surge a nossa cidade de Guimarães, berço da pátria, como o grande centro cultural europeu para o ano de 2012, facto que vem também provar que as cidades ditas pequenas também podem ser grandes e capazes de organizar eventos de envergadura europeia. Juntamente com cerca de quatro milhares de pessoas, tive o privilégio de estar presente no arranque de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. Fomos todos presenteados com um espetáculo magnífico da Orquestra Estúdio, dirigida pelo Maestro Rui Massena, à qual se seguiram outros belos momentos musicais envoltos num jogo cénico e artístico de elevadíssimo nível. Como não poderia deixar de ser, também marcaram presença na festa de inauguração, os tradicionais Nicolinos que, como sabemos, estão fortemente associados à cultura e ao ADN do concelho de Guimarães. O “arrepio na espinha” que sentem muitos vimaranenses ao ouvirem os bombos Nicolinos, atesta bem o bairrismo sadio que norteia o orgulho em ser-se vimaranense. De facto, a cidade esteve em grande nível, não só pelo conteúdo do espetáculo inaugural, mas também por permitir a todos os estratos sociais o acesso a este evento. Todos sabemos bem o quanto fica dispendioso o acesso a eventos culturais em Portugal. Cá, é caro ir ao futebol, é caro ir ao cinema, é caro ir ao teatro… no fundo, é caro ter acesso a uma boa diversidade de atividades culturais. Felizmente, em Guimarães deu-se o exemplo, tendo sido possível a todas as carteiras marcar presença na cerimónia de abertura de Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura. O que se passou no Multiusos de Guimarães deu o mote para o que se iria passar, horas mais tarde no Largo do Toural, esse grande e renovado espaço que se tornou demasiado pequeno para a grande afluência de pessoas que rumaram à cidade. Vi pela televisão, em ecrã gigante, na Praça de Santiago, em Guimarães, o espetáculo protagonizado pelos La Fura del Baus. Foram magníficos! Alguém, nesse meio de comunicação, comentava o espetáculo, referindo-se à junção entre o medieval e antigo com o moderno e contemporâneo, e de facto, nada melhor do que Guimarães, onde o moderno complementa harmoniosamente o que de mais antigo existe na cidade para representar essa dicotomia: passado versus presente. Guimarães foi grande na abertura oficial deste evento europeu. Seguramente será grande, ao longo do ano, nos espetáculos que vai promover e no acolhimento que irá demonstrar para com aqueles que visitam a cidade. É inegável o orgulho sentido pelos vimaranenses na organização deste evento. “Eu faço parte” é o slogan e, na verdade, todos podemos fazer parte. Guimarães está de portas abertas!

Tradição e inovação na Feira dos Vinte

A Vila de Prado voltou a celebrar, mais uma vez, no passado dia 20 de Janeiro, a tradicional e secular Feira dos Vintes. Conhecida também por Feira das Trocas ou Feira dos Burros, o evento é motivo de atracção de milhares de visitantes, nomeadamente do país vizinho, e para muitos produtores de gado da região esta é uma oportunidade para «fazer-se bons negócios». A presença de gado bovino e cavalar é a imagem de marca da feira que, segundo a tradição, em tempos marcava os ritmos agrícolas e os preços dos animais ao longo do ano por ser a primeira do calendário. Além das habituais iniciativas, como a chega de bois, que a população e a Junta de Freguesia pretendem preservar, este ano, o centro da Vila de Prado contou com um cartaz muito animado, nomeadamente várias actuações musicais. «Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores, em que a feira se limitava às tradicionais papas de sarrabulho, exposição de gado e prova de vinhos da última colheita, quisemos adicionar o factor animação a este tradicional

evento», referiu o presidente da Junta da Vila de Prado, Paulo Gomes. A reorganização do espaço pertencente à exposição do gado e a fiscalização, elaborada pela GNR, através do Destacamento Territorial (DTER) de Braga, com a colaboração de técnicos da Direcção- Geral Veterinária, foram outras das novidades da Feira dos Vinte. Segundo Paulo Gomes, a nova organização do gado «permitiu que fosse feita uma divisão por espécies, possibilitou a circulação de pessoas com segurança em corredores próprios e contribuiu para que os produtores pudessem fazer melhores negócios, pois o gado estava mais liberto e exposto». Apesar da forte acção de controlo que se fez sentir, em grande escala, à entrada do recinto, o balanço da presença do gado na feira foi, segundo o autarca local, positivo. «No que toca à exposição do gado, a Feira dos Vinte teve registou um crescimento de 130% em relação ao ano anterior. Esta é uma prova evidente de que não é por vir a fiscalização que há menos gado nas feiras», diz Paulo Gomes.

Para o ano, a intensão é conservar e, ao mesmo tempo, reviver algumas tradições, nomeadamente a realização da chega de bois. «Queremos, para o próximo ano, manter o que até então foi feito. Teremos de pensar no espaço para a realização das actividades, como a chega de bois, visto que para já estamos a usufruir de um espaço que é privado», refere o autarca. Paulo Gomes acrescentou ainda que, para o próximo ano, a corrida dos cavalos, uma das tradições da Feira dos Vinte, será de novo repensada e estudada de forma a fazer parte do programa da tradicional feira. O presidente da Junta de Freguesia da Vila de Prado não deixou de agradecer a toda a equipa que trabalhou em prol desta iniciativa, aos proprietários que cederam o espaço em que se realizou a tradicional chega de bois, à Direcção - Geral de Veterinários pela colaboração e ao ministério da Agricultura, em particular ao Secretário-geral, Daniel Campelo. Celebração da festa de S. Sebastião

No dia 20 de Janeiro, a Vila de Prado celebrou também as festas em honra de S. Sebastião, santo protector da fome, da peste e da guerra. Durante o dia, várias pessoas acorreram à capela instalada no alto do campo da feira, para pedir a ajuda do santo. «Os devotos neste dia cumprem as suas promessas ao S. Sebastião. Normalmente, recebemos muita gente que vêm pedir ajuda contribuindo com uma esmola para a Irmandade S. Pedro e Almas», diz o padre da paróquia, João Correia. O dinheiro é posteriormente utilizado pela Irmandade para a manutenção de todo o espaço que segundo João Correia, os custos ainda são significativos e ao longo do ano não há muitas receitas além desta. O pároco local acrescentou ainda que «a Feira dos Vinte é uma oportunidade para se perceber que a região tem excelentes produtos nacionais e que em vez de se procurar produtos de vindos do exterior deve-se procurar o que é nosso.

Daniela Sepúlveda

ovilaverdense@gmail.com


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FREGUESIAS OPINIÃO

Animação dá ‘novo’ alento à Feira dos Vinte A Rádio Voz do Neiva/Publineiva e o jornal ‘O Vilaverdense’, grupo Ideiacinco-multimédia, tiveram uma participação activa na edição de 2012 da secular Feira dos Vinte da Vila de Prado. A noite das rusgas, concertinas e cantares ao desafio, bem como o festival folclórico, a juntar à realização – em directo – dos programas ‘Autocarro das Seis’, ‘Palco de Estrelas’ e ‘Discos Pedidos’, contribuíram decisivamente para o crescimento exponencial do certame, ao ponto de ser já rotulado como «o melhor de sempre». Em dois dias, a Rádio Voz do Neiva/Publineiva e o jornal ‘O Vilaverdense’, impulsionados pelas dinâmicas do grupo a que pertencem (ideiacinco-multimédia), promoveram as festas através dos seus próprios meios de comunicação, lançaram o programa de animação e conduziram largos milhares de pessoas à vila. Um sucesso sem paralelo nas festas de Janeiro da Vila de Prado, organizadas pela junta de freguesia local. Está, assim, lançada a semente, para um salto qualitativo e quantitativo desejado pelos responsáveis e gentes locais, sempre com base na tradição.

Luís Barroso

Maria Barroso

Domingos Silva

«Sou de Barcelos e todos os anos venho visitar a Feira dos Vinte. É uma iniciativa muito bonita, permite-nos reviver hábitos antigos que, para muitos, já estão esquecidos. Venho principalmente para ver os cavalos e para fazer algum negócio. Tenho uma quinta e faço criação de gado cavalar. Como esta é a primeira feira de gado do ano, tento não faltar para perceber os ritmos agrícolas e o preço dos animais».

«Tiro sempre este dia de férias para poder vir a esta feira. Este ano, além de estar mais gente presente na iniciativa, penso que o gado está organizado de outra forma, o que permite uma maior visibilidade e mais segurança. Faço criação de gado e penso que este dia é importante para quem trabalha nesta área».

«Este ano a Feira dos Vinte esteve mais organizada. Há uma divisão por espécies e isso dá-nos a possibilidade de podermos ter uma melhor visibilidade do gado que está à venda. Costuma vir muita gente à feira negociar e, por vezes, a confusão era tanta que ia-me embora porque não conseguia ver bem o gado. Em termos de comparação com o ano passado, penso que há mais gente».

António Pereira

Henrique Rio

Maria Rodrigues

«Este ano a feira está maior e com melhores condições. Apesar de a fiscalização ser mais forte, notei que está mais gente e há mais cabeças de gado a serem vendidas. Penso que os concertos e a animação trouxeram mais gente à Vila de Prado e a iniciativa é importante porque é das poucas festas que Prado promove ao longo do ano. Comprei algum gado e acredito que fiz bons negócios».

«É a primeira vez que cá venho. Faço criação de gado cavalar. Sei que é uma feira secular e disseram-me que aqui fazem-se bons negócios. Como vim com um colega não vou ficar para ver os concertos mas, depois de conhecer a feira, fiquei com vontade de voltar para o ano que vem».

«Costumo vir todos os anos à tradicional Feira dos Vintes. Este ano noto que há mais vontade de reviver as tradições como a chega de bois. Não há só a exposição de gado e as papas de sarrabulho. Falta a corrida de cavalos mas, para já, penso que Vila de Prado está no bom caminho. Este tipo de actividades atrai muita gente à vila e impulsiona a economia local, sendo por isso uma oportunidade».

Reforma Administrativa: mais 50% de investimento em cada freguesia Paulo Gomes

Todos os dias surgem ideias e opiniões sobre documento verde da reforma da administração local. Há câmaras que vão dando conhecimento dos trabalhos que estão a fazer para promover a discussão alargada a vários agentes locais, nomeadamente através da criação de comissões próprias saídas das Assembleias Municipais. É o normal curso do processo a seguir o seu ritmo. Ora o que não se entende é que em Vila Verde a passividade seja a principal característica desta discussão. Considero que em Vila Verde a responsabilidade politica nos destinos do concelho continua com a sua postura hibrida, preferindo nada dizer. Continua a não se perceber se existe ou não solidariedade com a Direcção Nacional do PSD sobre esta matéria. Mais estranho se torna quando, quer o CDS-PP quer o PS quer os partidos mais à esquerda, estão a liderar o processo a nível local. Incompreensível, como já referi anteriormente, que o partido mais votado e emblemático do concelho não tenha uma atitude pró-activa, dinâmica e de liderança neste processo. Como venho publicamente afirmando, esta reforma administrativa é crucial para o desenvolvimento do poder local. Sou favorável à criação das Unidades Territoriais tal como preconizadas no documento verde e contra a extinção de qualquer freguesia. Por vezes e como diz o povo, é preciso dar um passo atrás para se dar dois à frente. Uma das ideias erradas que se está a passar para a opinião pública sobre esta reforma é que não provoca qualquer tipo de poupança. O que é totalmente falso. Vamos aos factos, tomando como referência, por exemplo, oito das mais pequenas freguesias do concelho do Vila Verde. Grosso modo, estas oito freguesias recebem, cada uma por ano, 25 mil euros do Fundo de Financiamento das Freguesias o que dá 200 mil euros. Gastam 120 mil em gestão e só investem 80 mil. Ora com esse mesmo dinheiro é possível, na nova reforma administrativa, uma melhor gestão, maior qualidade no serviço prestado às populações e mais investimento. Como? Com a criação da Unidade Territorial passa-se a ter um executivo e até é possível ter um funcionário a tempo inteiro (quantas freguesias conseguem ter um funcionário permanente e ter um atendimento efectivo nas sedes de junta?). Custos: 40 mil euros/ano o que dá uma poupança de 65% do valor actual. Dos 80 mil restantes é possível disponibilizar 40 mil para a rubrica investimento. São mais 50% para investir em obras nas freguesias; o que sobra, 40 mil euros é a poupança que o país obteria com a criação das Unidades Territoriais. Só em oito freguesias das mais pequenas e por ano. Quanto não se pouparia no país todo? Com 120 mil euros/ano ou 480 mil/mandato para investir nas oito freguesias, a nova Unidade Territorial conseguiria realizar, por mandato, uma obra emblemática em cada uma das freguesias e isto só com dinheiro próprio sem precisar da ajuda do poder central (em 33 anos de poder local quantas freguesias têm uma obra emblemática?); tinha um funcionário a tempo inteiro que poderia prestar um melhor serviço às populações através de um atendimento efectivo nas sedes de junta e inclusive conseguiria comprar uma viatura para chegar às populações mais longínquas realizando rastreios, ajudando no preenchimento de documentos, servindo como biblioteca itinerante. Resumindo: com a reforma administrativa do poder local a poupança é evidente e os ganhos para as freguesias são uma realidade. Mais 50% de investimento; menos 65% de gastos em gestão; 20% de poupança para o Estado. Um funcionário a tempo inteiro; uma obra emblemática, todos os mandatos, em cada freguesia; um serviço de proximidade mais eficaz e eficiente. É por isso, e perante os factos, que não se percebe o silêncio e a indiferença que alguns vêm mantendo sobre esta matéria…


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Quinta-feira 02 Fevereiro 2012

O VILAVERDENSE

FREGUESIAS SOCIEDADE OPINIÃO

Classe média à beira do abismo

Festival juntou três grupos na Feira dos Vinte

Folclore anima noite ‘gelada’ na Vila de Prado

Alfredo Pedrosa

O termo classe média (ou classes médias), embora eivado de alguma indefinição, emergiu, no século XIX, nos países anglo-saxónicos, grosso modo, em referência aos grupos sociais que, na hierarquia social, se situavam algures entre a aristocracia e as camadas populares. Alguns historiadores há, de tendência mais liberal, que aludem à classe média por identificação com a classe burguesa, evidenciando a sua independência económica e o seu espírito empreendedor. Estes predicados eram apanágio principalmente de uma classe média alta e da grande burguesia e estiveram também na base de mudanças que puseram em causa a supremacia da classe nobre e lançaram os fundamentos de uma nova classe dirigente, assim como a afirmação do princípio da meritocracia em detrimento dos privilégios de nascimento. Nas primeiras décadas do século XX, o espaço social que medeia entre os capitalistas e o operariado é ocupado pelas chamadas classes médias, as quais contestam agora o poder político e socioeconómico da grande burguesia. Estas novas classes ganham espaço mercê do ascendente cultural e de um nível de instrução acima da média. Apesar da heterogeneidade profissional e ao nível dos rendimentos, apresentam como denominador comum a firme vontade de não serem confundidos com as classes populares e de alcançarem um estilo de vida mais confortável, assim como o objetivo de atingirem um estatuto, património e rendimentos que lhes garantam uma vida estável e uma velhice digna, nomeadamente através de um emprego na função pública ou do exercício de profissões liberais. Primeiro confundidos com os famosos “colarinhos brancos”, gradualmente, fruto da aposta numa formação superior, foram acedendo a profissões de maior prestígio social - médico, engenheiro, arquiteto, professor – que, não raro, os catapultaram para o topo da escala social e para carreiras políticas invejáveis. Esta progressão social concorreu para que ganhasse raízes a crença nos poderes conferidos por uma formação escolar superior e contribuiu para que o investimento na escolarização dos filhos tivesse passado a constituir um dos grandes pilares da vida familiar. Em Portugal, na última década do século XX e no início do século XXI, o desenvolvimento económico e a meteórica melhoria da qualidade de vida dos estratos médios da sociedade, num contexto de euforia consumista e de aspiração a cada vez mais elevados padrões e estilos de vida, por imitação das classes médias urbanas dos países fortemente industrializados do mundo ocidental e particularmente do norte da Europa, potenciaram a criação de uma espécie de bolha social. Assim sucedeu até que esta espiral de crescimento económico pouco sustentado, alicerçado muito mais numa lógica de consumo e de endividamento do que numa estratégia de fortalecimento do tecido produtivo e da capacidade de gerar riqueza e postos de trabalho com futuro, começou a revelar as suas efetivas vulnerabilidades. De repente, os apelos ao consumo, as promessas de bem-estar permanente e de conforto para todos dissiparam-se e, paradoxalmente, surgiu a palavra austeridade como a panaceia para todos os males que até aqui vestiram uma capa de virtudes. Daí aos cortes salariais, aumentos de impostos, despedimentos e amputações dos direitos sociais foi um ápice. Entre as maiores “vítimas” pontua, sem sombra para dúvidas, a classe média. A carestia da vida a todos afeta, mas depaupera principalmente a classe média e lança-a no abismo, arrastando uma frágil economia em que o consumo continua a ditar as suas regras. Entretanto, continuam a faltar medidas impulsionadoras do crescimento económico e do emprego.

O programa da Feira dos Vinte da Vila de Prado encerrou no passado dia 24 de Janeiro com a realização de um Festival Folclórico que contou com a presença do Rancho Folclórico da Casa do Povo de Prado, do Rancho Folclórico de Marrancos e do

Rancho Folclórico Infantil de S. Tiago de Atiães. Apesar do frio que se fez sentir, várias dezenas de pessoas compareceram no local para presenciar o espectáculo. O secretário da Junta de Freguesia da Vila de Prado, Manuel Rodrigues, fez um

balanço positivo da edição de 2012 da Feira dos Vinte, sublinhando que a implementação de actuações musicais foi uma «aposta ganha», acrescentando que «esta dinâmica é para manter e, se possível, melhorar nos próximos anos». O jornal ‘O Vi-

laverdense’ esteve também à conversa com os responsáveis pelos grupos folclóricos presentes na iniciativa que, no geral, mostraram bastante agrado pela realização do Festival e confiança que o folclore está de ‘boa saúde’. Octávio Pedrosa

ovilaverdense@gmail.com

Abílio Ferreira

José Manuel Gida

Filipe Machado

«Penso que foi muito boa ideia realizar esta iniciativa, que mostra que ainda há gente que gosta de folclore no concelho de Vila Verde. Apesar de alguns jovens preferirem músicas mais ‘mexidas’, ainda há muita gente nova que gosta de folclore. O número de grupos folclóricos tem aumentado nos últimos anos, o que é um bom sinal pois ajuda a manter as tradições.»

«Acho que é uma óptima iniciativa, que ajuda a desenvolver a festa e não tenho qualquer dúvida que o futuro do folclore está assegurado. No nosso caso, o grupo está motivado e contamos com jovens que têm muita paixão por esta actividade. Temos aqui jovens com idade compreendidas entre os 4 e os 14 anos de idade, todos muito empenhados, e os mais velhos estão no folclore por eles, pela tradição e também para divulgar o nome da freguesia.»

Este é um encontro inovador na festa de S. Sebastião e espero que no próximo ano o possamos contar ainda com a presença de mais ranchos. Penso que o evento traz maior movimento à vila e ajuda a não esquecer as raízes. Estes encontros são muito importantes para dinamizar o folclore. O facto de estar aqui muita juventude é óptimo, apesar do frio, é muito bom poder ver esta massa humana.»

Rancho Folclórico de Marrancos

Rancho Folclórico Infantil de S. Tiago de Atiães

Rancho Folclórico da Casa do Povo de Prado


Jornal Vilaverdense Janeiro 2012(11-20)