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118 MAROLA À direita, de cima para baixo: o pó de Isopor usado pela impressora 3D que imprime em camadas. Retoque do artista. A Kuka, ou o Picasso particular de Hermes, é capaz de esculpir uma obra como o Capitão América em dois dias. Na outra página, no sentido horário: Sea Dragon, o dragão marinho que, ao invés de fogo, exala inspiração e doçura e baila ao sabor das ondas. Monterey Bay, o polvo sobre a concha marítima representa um ser vivo enamorado por sua musa. A liberdade dos Pássaros numa linda revoada nesta obra formada por 4 peças

mas sempre com visão tecnológica. Toda peça que a impressora 3D imprime pode ser fundida em qualquer metal”, ele conta. “Hoje, a empresa não depende de mim para andar, tem vida própria”, completa, para justificar que direciona seu tempo para a arte, criando esculturas impressas em 3D que encantam. Ele trabalha com esse tipo de arte há oito meses, mas teve de correr atrás de soluções, como o desenvolvimento de uma resina epóxi à base de água, já que o epóxi normal destruía a peça. A impressão 3D abriu um mundo tão cheio de possibilidades para Hermes que ele virou um exímio estudioso da tecnologia. Depois de dominá-la para incrementar a produção de sua empresa, ele se deixou levar pela imaginação de artista. Montou o Parque Tecnológico em Alphavile, onde os dois universos se encontram. E, com orgulho, apresenta-nos a Kuka, uma impressora 3D gigante capaz de desgastar um bloco de Isopor ou granito, esculpindo o que foi programado. “É meu Picasso particular”, ele define o equipamento de 2 milhões de reais que exige manutenção de técnicos estrangeiros. Os softwares são da Alemanha, Estados Unidos e Rússia. Nessa máquina, uma peça como a do Capitão América demora dois dias para ficar pronta. Há outros equipamentos com tecnologia 3D menos assustadores que utilizam materiais como poliestireno e resina à base de água, com acabamento de pintura com tinta à base de laca, com os quais Hermes produz esculturas de grande impacto. Ele viaja por temas lúdicos, como o fundo do mar, seres místicos e míticos, o universo náutico, colhidos em suas andanças mundo afora. “O mar me atrai muito, fico fascinado. Adoro estar perto do mar, adoro barcos”, ele conta. Ao extrair o máximo das possibilidades high tech, uma obra de Hermes Santos pode levar meses para ser realizada. Depois de imaginá-la, há o período de pesquisa, depois o desenho do projeto, sua inserção no computador, concretização com impressoras 3D, acerto de detalhes e acabamento final. Cada peça que ele faz utiliza cinco softwares, mas experimenta também muitas coisas que não servem. Ele pode fazer esculturas de qualquer tamanho, porque pode imprimi-las por partes na outra impressora que funciona de forma diferente: o pó de Isopor vai construindo a escultura por camadas e para isso a base vai baixando. Mesmo depois de acompanhar a impressão de uma obra de arte tudo parece magia. E é mágico também o resultado: seres marinhos que parecem bordados. Entre os corredores de sua fábrica, em meio a máquinas e mais máquinas e embalagens das autopeças que fabrica, esbarra-se com uma ou outra escultura – para viajar por alguns momentos pelas formas e figuras saídas da cabeça desse paulistano da Mooca, que mantém um ateliê em casa, onde se dedica à lampework e onde lembra que sua arte começou com peças feitas de arame. O uso de alta tecnologia para concretização do incrível acervo de peças únicas e exclusivas de Hermes Santos agrega ainda mais valor ao seu processo criativo, que, com forte sagacidade, faz a perfeita união entre modernidade e belas formas. “Pretendo também ampliar minha linha de produtos com a impressão 3D e criar peças para as áreas do design e da decoração”, ele diz. u

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Revista Iate - 41  

43ª SEMANA DA VELA DE ILHABELA: Com as bençãos do imponente Cisne Branco / PRÊMIO REVISTA IATE: Elegância a toda prova

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