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Jornal do ICEP Brasil

Boletim informativo do Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil



 Março/Abril - 2010

Foto: Severino Agripino

Centro de capacitação reinicia atividades Parceria com Secretaria de Ciência e Tecnologia irá qualificar mais 7oo pessoas O Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil (Icep Brasil) iniciou, em fevereiro, a segunda etapa do centro de referência em capacitação profissional para pessoas com deficiência do Distrito Federal. Pioneiro na cidade, o centro, criado com o Ministério da Ciência e Tecnologia, irá capacitar neste ano 700 alunos em aulas regulares de informática básica e avançada, telemarketing, configuração e manutenção de microcomputadores e web design, divididas em seis turmas. Ainda há vagas para as próximas turmas. Página 3

Central de Libras: dignidade e cidadania para deficientes

Leia editorial “Acessibilidade: a eterna busca da linha no horizonte”, sobre os cinco anos do Decreto 5.296. Página 2

Inaugurada em janeiro, a Central de Libras vem resgatando a cidadania da comunidade surda no Distrito Federal. A nova parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia vem auxiliando, desde janeiro, a comunicação entre deficientes auditivos e os setores público e privado. Desde a criação, 431 pessoas foram atendidas na sede do ICEP Brasil, que está enviando intérpretes de Libras aos locais solicitados. Dia 11 de março, autoridades locais e centenas de associados compareceram ao ICEP para a solenidade oficial de inauguração da Central de Libras e do Centro de Capacitação. Página 4

ICEP Brasil bate recorde de empregabilidade O ano de 2009 terminou com novo recorde no número de postos de trabalho conquistados por pessoas qualificadas pelo instituto: foram 470 novos empregos. Página 7

Câmara aprova aposentadoria especial para deficiente Projeto reduz prazo de contribuição para que deficientes possam se aposentar em até dez anos. Medida é considerada uma conquista histórica. A proposta ainda precisa ser votada pelo Senado Federal. Página 5


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MARÇO/ABRIL DE 2010

EDITORIAL

Acessibilidade: a eterna busca da linha no horizonte

Em dezembro de 2009, o Decreto 5.296, que trata da acessibilidade das pessoas com deficiência, completou cinco anos. O decreto regulamenta as leis 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas com deficiência, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade. Naturalmente, trata-se de um importante avanço na construção de uma sociedade mais justa e fraterna para o deficiente. No entanto, sabe-se que a distância entre a lei e a realidade muitas vezes transformase num abismo quase intransponível, tamanhas as distorções verificadas no lado prático da aplicação da lei: o que se percebe no dia a dia é uma repetição de situações de constrangimento pelas quais passam deficientes de todo o país, causadas pelas dificuldades de locomoção e acesso a vias públicas, ônibus, prédios públicos, shoppings. A questão da acessibilidade, portanto, é um tema recorrente no que diz respeito à qualidade de vida e ao pleno exercício da cidadania do deficiente físico. Senão, vejamos. Vários dos ônibus do DF não possuem rampa de acesso para cadeirantes. Por outro lado, os que possuem, precisam ser acionados, o que toma tempo e acaba expondo o deficiente aos olhares muitas vezes não amigáveis de outros passageiros. O fato foi exposto recentemente em capítulo da novela global Viver a Vida, onde uma personagem numa cadeira de rodas é agredida verbalmente por outros passageiros, incomodados pela demora do cobrador em acionar a rampa do ônibus.

JORNAL DO ICEP BRASIL Informativo bimestral do Instituto Cultural, Educacional e Profissionalizante de Pessoas com Deficiência do Brasil Presidente: Sueide Miranda Leite Diretora Administrativa: Roselma da Silva Cavalcante Texto, edição e projeto gráfico: Fernando Cruz - 2317/MTb Fotos: Rose Brasil e Severino Agripino Endereço: SIA Trecho 3 Lote 1240, Brasília - DF CEP 71 200-030 Telefone (61) 3031 1700 Fax (61) 3031 1703 www.icepbrasil.com.br email: icepbrasil@icepbrasil.com.br

Infelizmente, a cena da novela ainda está longe de ser “mera ficção”. Ao contrário, ela traduz o resultado concreto da falta de atitude do poder público, ou do esforço de apenas tentar remediar o problema, não de solucioná-lo. Como resultado, vemos ônibus sem rampas, ônibus com rampas que não funcionam por falta de manutenção e ônibus com rampas ineficientes. A situação não é muito diferente em prédios públicos e privados. No Distrito Federal, cerca de 68% dos prédios não oferecem as condições essenciais para acessibilidade: rampas, elevadores e até banheiros. A área de saúde também sofre com a falta de acessibilidade em todo o país. Recentemente, o Ministério Público do Maranhão, num ato inédito, acionou a prefeitura de São Luís para garantir a reforma de hospitais, postos e centros de saúde, vários desprovidos de condições de acessibilidade. “O direito de ir e vir das pessoas com deficiência nesses estabelecimentos é desrespeitado. A falta de adaptação limita o acesso e dificulta o direito à saúde”, avaliou o promotor de Justiça Ronald Pereira dos Santos, segundo o site Quarto Poder. Na verdade, um olhar mais atento ao uso da palavra acessibilidade suscita reflexões mais profundas. Há alguns anos, o analista de Controle Externo do Tribunal de Contas da União, Luiz Henrique Lima, publicou um estudo sobre acessibilidade, sob o ponto de vista jurídico. Um dos capítulos de seu trabalho tratava justo do uso do tema na jurisprudência dos Tribunais de Contas. Lima se disse surpreso com a “quase ausência completa do tema” na experiên-

cia recente e na jurisprudência dos Tribunais de Contas do Brasil. Segundo texto do analista, “o termo acessibilidade não consta do Manual Fiscobras 2006 do TCU, que é o principal documento orientador de centenas de ações de fiscalização de obras públicas realizadas anualmente”. E não é só: a palavra também não está na Cartilha ‘Obras Públicas: recomendações básicas para a contratação e fiscalização de obras públicas’, editada pelo TCU em 2002. Por fim, na pesquisa de jurisprudência em acórdãos e decisões efetuada nos portais na internet dos Tribunais de Contas dos Estados da Bahia, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, “o termo acessibilidade aparece apenas relacionado à questão de concursos públicos para admissão no serviço público”. Fatos como estes dão bem a dimensão da importância da discussão em torno da acessibilidade no Brasil. A sociedade precisa parar de ignorar o assunto e abraçar o debate. Urge ao poder público rever suas políticas públicas no que tange o deficiente e incentivar parcerias como as firmadas entre este instituto e o Ministério da Ciência e Tecnologia. A Central de Libras, para ficar em um exemplo, é a prova de que é possível promover acessibilidade e inclusão social, com a aplicação séria e transparente do recurso público. Só por meio de ações concretas de inclusão das pessoas com deficiência é que a sociedade irá conhecer o verdadeiro significado da palavra acessibilidade: cidadania. Assim, o termo deixará de ser uma eterna busca da linha no horizonte.

Banco do Brasil e ICEP viabilizam telecentros Uma parceria entre o ICEP Brasil, o Banco do Brasil e associações comunitárias irá qualificar cerca de 700 pessoas deficientes ou não em informática básica no Distrito Federal. Para tanto, 14 telecentros comunitários estão sendo preparados para operar durante todo o ano. Dez já estão em funcionamento. A iniciativa de levar a inclusão digital a diversas áreas carentes faz parte da ambiciosa meta do ICEP (que também irá qualificar jovens por meio do Centro de Referência em Capacitação Profissional para pessoas com deficiência) de encaminhar pelos menos 1400 pessoas ao mercado

de trabalho em 2010. “Sabemos que é uma meta ousada, mas iremos cumprir. Vamos continuar batendo na tecla da qualificação profissional. O mercado de trabalho precisa absorver essa mão de obra. É uma questão de justiça social”, afirma o presidente do ICEP Brasil, Sueide Miranda. O ICEP fez o mapeamento das regiões com as maiores demandas pelos cursos. Em contrapartida, o Banco do Brasil doou dez computadores por telecentro e as associações cederam o espaço físico e se comprometeram com a gestão dos telecentros.


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Centro de capacitação na terceira etapa O Centro de Referência em Capacitação Profissional para pessoas com deficiência do DF reiniciou, dia 22 de fevereiro, na sede do ICEP Brasil, a terceira etapa de atividades. A primeira turma, com 78 alunos, encerrou os estudos dia 24 de março. Fruto de parceria firmada com o Ministério da Ciência e Tecnologia, o projeto é pioneiro e vem investindo na qualificação de deficientes para o mercado de trabalho com ênfase na inclusão digital desde 2007. Neste ano, o centro irá capacitar 700 alunos em aulas regulares de informática Informática básica, telemarketing, configuração e manutenção de microcomputadores e web design, divididas em seis turmas. Ainda é possível fazer inscrições para as próximas turmas. As aulas da segunda turma tiveram início dia 25 de março e serão encerradas dia 28 de abril. No momento, 113 alunos estão distribuídos nos cursos. Desde o ano passado, o instituto vem qualificando também alunos não deficientes nos cursos, pessoas consideradas em situação de vulnerabilidade social. De acordo com a psicóloga Angela Cezar, a idéia é criar vínculos entre as partes, estimulando a convivência. “Se essas pessoas podem conviver com deficientes durante os cursos, nada mais natural que elas também possam trabalhar no mesmo ambiente em seus futuros empregos”, explica. “O foco é o mesmo, a inclusão social”. Em 2007, foram qualificadas 995 pessoas, das quais 340 garantiram vagas em postos de trabalho. No ano passado, o número de vagas foi de 470. Das 470 contratações, 56,10% são deficientes físicos (264 pessoas), 14, 91% deficientes visuais (70 pessoas) 9,72% deficientes auditivos (46 contratados), 11,13% pessoas não deficientes, (52 trabalhadores), 6,7% deficientes intelectuais, (31 pessoas) e 0,47% de cadeirantes (duas pessoas), 0,97% deficientes múltiplos (cinco pessoas). Segundo o presidente, Sueide Miranda, um dos desafios do ICEP para 2010 é aumentar as contratações de cadeirantes. “O

Foto: Severino Agripino

Parceria com Ministério da Ciência e Tecnologia irá capacitar mais 700 pessoas em 2010. Ainda há vagas para os cursos

Em atividade: 113 alunos estão fazendo os cursos de capacitação na sede da entidade

cadeirante ainda sofre certa dificuldade para entrar no mercado de trabalho por conta da falta de cadeiras de rodas com qualidade, acessibilidade e de uma maior conscientização do potencial desse trabalhador por parte dos empresários. Para mudar isso, iremos desenvolver novos modelos de cadeiras de rodas, com enfoque na qualidade, além de trabalhar de perto com os empresários e fazê-los enxergar a necessidade dessas contratações”, afirma Sueide. Recorde de contratações O mês de janeiro sugere a possibilidade de um aumento considerável no ritmo de contratações em 2010: 83 pessoas, de um total de 153 encaminhadas, foram empregadas, o maior índice para o mês desde a fundação do ICEP. “Qual o custo de um emprego? O que é preciso fazer para colocar essas pessoas no mercado de trabalho? A resposta é simples: foco na qualificação. E é por meio das parcerias que os custos de capacitação são reduzidos”, pondera Sueide.

Gestão para dirigentes O ICEP iniciou, dia 5 de abril, a segunda etapa do curso Elaboração de Projetos e Captação de Recursos. Serão ministrados em abril dois cursos, com 30 alunos por turma. O objetivo é tornar dirigentes de entidades do terceiro setor e servidores públicos aptos a criarem projetos sociais. O curso foi elaborado pela psicóloga Andrea Chaves e a técnica em contabilidade Katia Godeiro, ambas com vasta experiência na elaboração e desenvolvimento de projetos para o terceiro setor. Funcionária do ICEP Brasil, Alessandra Rocha participou da primeira edição do curso em 2009. Ela aponta a abrangência teórica e prática como o fator que diferencia este de outros cursos semelhantes no DF. “O curso de fato é um norteador para quem está no terceiro setor e pretende elaborar um projeto. É extremamente abrangente, aborda desde aspectos legislativos até prestação de contas, passando por planos de trabalho”.


4 Foto: Rose Brasil

MARÇO/ABRIL DE 2010

Inauguração do posto de atendimento na sede do ICEP Brasil: cerca de 500 associados estiveram presentes, assim como autoridades públicas

Central de Libras é inaugurada no ICEP Solenidade reuniu autoridades locais e associados e marcou reinício do centro de capacitação

Mais de 500 associados e representantes de entidades de deficientes do Distrito Federal compareceram, dia 11 de março, à sede do ICEP Brasil para solenidade de abertura oficial da Central de Libras e da terceira etapa do centro de referência em capacitação profissional para pessoas com deficiência. A Central de Libras é fruto de parceria firmada entre o instituto e o Ministério da Ciência e Tecnologia e vem auxiliando, desde janeiro, deficientes auditivos na comunicação com funcionários dos setores públicos e privado. Os atendentes agendam as visitas de intérpretes de Libras pela internet (chat), por fax e pelo serviço 0800 (leia matéria na página 5). Na presença de autoridades locais e do governo federal, o presidente do ICEP Brasil, Sueide Miranda, conduziu a cerimônia. Ao final do evento, um vídeo sobre a Central de Libras em linguagem dos sinais foi exibido,

com tradução simultânea. “Diante da complexa trajetória de inclusão da pessoa com deficiência e, em especial, da pessoa com deficiência auditiva, o ICEP sempre buscou melhorar o processo de inserção dessa parcela da população por meio da difusão da Língua de Sinais. Esperamos, com isso, diminuir as dificuldades de comunicação entre surdos e ouvintes e possibilitar um atendimento igualitário para todos. A Central de Libras é resultado desse esforço de anos”, ressaltou Sueide Miranda no evento. “É um resgate da cidadania”. Sueide também destacou a importância da parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério da Ciência e Tecnologia. “Foi fundamental para a realização desse sonho”. O deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) se disse honrado em poder colaborar diretamente com a criação da Cen-

tral de Libras e do centro de capacitação profissional. À época, à frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Rollemberg foi o responsável pela parceria que criou o centro de capacitação profissional, além de apresentar emendas parlamentares para apoiar projetos relacionados a pessoas com deficiência. “Para que se perceba a importância desses projetos, nas duas fases do centro de capacitação, mais de 1200 pessoas com deficiência já conseguiram trabalho. É a forma mais inteligente, sustentável, barata e digna de promover inclusão social”, afirmou o deputado. O secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social, Roosevelt Tomé, disse que os resultados dos projetos do ICEP, em especial a Central de Libras, são fruto do trabalho da entidade e de seus funcionários. “Projetos como esse são uma referência nacional e é obrigação do governo federal dar todo apoio”.

O suplente do PSB na Câmara Distrital Joe Valle também com passagem pela Secretária de Ciência e Tecnologia, afirmou que a secretaria é fruto da sensibilidade do presidente Lula e representa um “elo de ligação definitivo” entre a tecnologia e a população. Valle destacou ainda que o ICEP, nas avaliações do ministério, foi a entidade que teve a melhor performance “pela seriedade e clareza na elaboração de projetos”. Para Valle, “é obrigação do gestor fazer chegar o recurso público integralmente às comunidades destinadas”. Deputada distrital pelo PT, Érika Kokay fez duras críticas ao governo do Distrito Federal, por não ter criado uma central de libras. “Há três anos a Secretaria de Justiça disse que iria implementar a central e nada foi feito. Foi preciso a iniciativa do governo federal e o do ICEP Brasil para que o projeto saísse do papel”, disse Kokay.


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Foto: Severino Agripino

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Aposentadoria especial aprovada

Central de Libras: auxílio vai desde mulheres grávidas até vítima de agressão no trabalho

Atendimentos triplicam em apenas um mês A Central de Libras superou todas as expec- tradução. Ela cita o exemplo de uma dentista tativas desde que entrou em funcionamento na do consultório Odonto Dent, localizado em sede do instituto em janeiro. A central, que ofe- Taguatinga Sul. “Ela ficou emocionada e nos rece ao deficiente auditivo suporte, por meio de parabenizou por criar um projeto tão maraviintérpretes, para a comunicação com ouvintes lhoso”, relata França. Entre os deficientes que procuraram a cendos setores público e privado, triplicou o númetral, duas moças grávidas ro de atendimentos no mês de com exames de pré-natal março: 253. Em fevereiro, fomarcados, além de uma defiram registrados 71 atendiciente que foi agredida no mentos. Os atendimentos, trabalho pelo chefe e precisou que no mês de janeiro se dade auxílio na Delegacia do vam na maior parte em hospiTrabalho. “Atendimentos tais e postos de saúde, agora como esse, logo no início, também cresceram nos óré o número de mostram a importância da gãos públicos e empresas do Central de Libras. Ela não terceiro setor. atendimentos feitos ser vista como um pro“O projeto é um sucesso. A pela Central de Libras do pode jeto passageiro, mas sim demanda vem crescendo tanICEP Brasil como um suporte permanento que tememos não dar conte para o deficiente exercer ta”, diz Luciene França, suseus direitos de cidadão”, pervisora de operação da Cenaponta Suede. “Além disso, a tral de Libras. Só na primeira semana de abril, o número de atendimentos central enfatiza a importância do trabalho do (79) superou o total do mês de janeiro, de 17. intérprete de Libras, profissional pouco valoriAté o fechamento desta edição o número total zado hoje nas empresas”. Nesse aspecto, o instituto trabalha para de atendimentos somava 431. “Estamos super felizes com o trabalho. Tem sido um aprendiza- minimizar o problema. Além da central, o do constante a convivência com o surdo, há ICEP oferece cursos para formar intérpretes sempre uma novidade que nos faz aprimorar em Linguagem dos Sinais e atender a denosso atendimento de acordo com a realidade manda de empresas que não possuem estes profissionais. O curso básico tem duração deles”, destaca França. A supervisora também se disse surpresa mínima de 120 horas e forma 25 intérpretes com os elogios dos profissionais que atende- por turma. “Muita gente tem ligado para saram os surdos e os intérpretes no momento da ber a respeito do curso” diz Luciene França.

431

Uma das maiores batalhas travadas pelo ICEP Brasil nos últimos anos foi vencida dia 14 de marco, com benefícios para mais de 100 mil deficientes em todo o país. A Câmara dos Deputados aprovou o projeto que trata da aposentadoria especial para pessoas com deficiência. Pelo texto, o prazo de contribuição para que deficientes possam se aposentar pode ser reduzido em até dez anos, dependendo do grau de deficiência. O prazo de contribuição por idade também será reduzido. A proposta agora será encaminhada ao Senado para análise. “Essa é uma conquista histórica. Nós, do ICEP, e todas as entidades de pessoas com deficiência, lutamos muito por ela. Essa é uma vitória do povo brasileiro”, comemorou o presidente do ICEP, Sueide Miranda. Na semana passada, o deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), um dos mais atuantes na defesa dos direitos dos deficientes no DF, afirmou ao Jornal do ICEP que o requerimento de urgência para votação do texto, de sua autoria, já havia sido aprovado e que poderia entrar na pauta a “qualquer momento”. Rollemberg destacou a atuação de entidades de deficientes, em especial a do ICEP Brasil, como responsável pela aprovação do texto. “A mobilização foi fundamental para acelerar o andamento do processo”, elogiou Rodrigo. Em março, ele intermediou o encontro de uma comitiva de mais de 100 representantes de entidades de deficientes de todo o Brasil com o presidente da Câmara, Michel Temer, para discutir o assunto. Entre as muitas entidades que lutaram pela aprovação do projeto, além do ICEP Brasil, destacam-se Inovi, ABDV, AADV, ASSURB, Grupo de apoio ao Deficiente Físico de Araçatuba e Mochipede. Pelo texto, quem tem deficiência considerada leve terá uma redução de cinco anos neste prazo, quem apresenta deficiência moderada contribuirá oito anos a menos e quem tem deficiência grave terá prazo dez anos menor para a aposentadoria com base no tempo de contribuição. No caso da aposentadoria por idade, cai de 65 para 60 entre os homens e de 60 para 55 entre as mulheres a idade para a aposentadoria desde que seja cumprido um tempo mínimo de 15 anos de contribuição. Será necessário também comprovar que a deficiência existe há 15 anos para se conseguir a aposentadoria especial por idade.


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6 ENTREVISTA: JOE VALLE

“É preciso levar a tecnologia para a casa do cidadão” Foto: Rose Brasil

E a Secretaria de Inclusão Social faz exatamente isso, vai buscar a inovação industrial. Tem uma frase que eu gosto muito, “o conhecimento traz felicidade”. O conhecimento e a tecnologia trazem felicidade para o cidadão. Então esse é o grande salto do governo Lula, ter uma secretaria que cuida especificamente disso, que é completamente transversal e atua em todo o território nacional, melhorando a qualidade de vida das pessoas.

À frente da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social do Ministério de Ciência e Tecnologia, Joe Valle assinou importantes projetos em parceria com o ICEP Brasil em benefício das pessoas com deficiência. De volta à Câmara Legislativa como suplente pelo PSB, Valle aguarda o desfecho do processo político no Distrito Federal, mas continua na trincheira da defesa dos direitos dos deficientes e excluídos sociais. Em entrevista exclusiva ao Jornal do ICEP, ele falou sobre o debate em torno da autonomia política do DF, fez um balanço de seu trabalho na secretaria e reiterou a importância de atividades como as do ICEP Brasil: “O trabalho do ICEP é fantástico, demonstra seriedade e transparência na aplicação do recurso público”. À seguir, os principais trechos da entrevista: Que balanço o senhor faz da sua gestão na Secretaria de Ciência e Tecnologia? A Secretaria de Ciência e Tecnologia foi iniciada no governo do presidente Lula e tem como grande diferencial levar a tecnologia para a casa das pessoas. Isso faz diferença, porque ela aproxima o cidadão comum do ministério e da ciência e tecnologia como um todo, além de gerar qualidade de vida e inclusão. Nesses três anos sob o nosso comando, a secretaria teve um crescimento muito forte no emprego do seu orçamento. Nós executamos mais de 90% do orçamento em todos os anos em áreas como tecnologias sociais e inclusão digital. Mas, mais do que isso, nós implantamos um sistema de gestão que permite transparência e controle social. Em um momento difícil como esse em Brasília, é importante que a população saiba o que está acontecendo em relação aos recursos aplicados. Esse sistema de gestão estratégica na secretaria é a base para que qualquer gestor possa ter a tranquilidade para aplicar os recursos no Brasil de forma transparente, com indicadores claros de como, quando e onde esses recursos foram aplicados. Isso dá mais segurança para o gestor e para a população. Qual a importância das parcerias como as firmadas com o ICEP Brasil? O ICEP faz um trabalho fantástico, demonstra seriedade e transparência na aplicação do recurso. E o mais importante é o resultado: veja a Central de Libras, que hoje é um modelo de sucesso de inclusão dos surdos não só para Brasília, mas para todo o país. Vejo a vontade de trabalhar. Você vê o recurso público sendo aplicado com bastante resultado para a sociedade.

Onde falta avançar para que o deficiente não fique à margem do processo de inclusão social no país? Falta uma consolidação da política pública nessa área. E mais do que isso: falta uma convergência das políticas públicas. Porque você vê muitas instituições, ministérios trabalhando com isso, mas com dificuldades de aplicar a lei na prática. Falta convergir os discursos e ações do governo federal com os governos estaduais e municípios na gestão das políticas públicas para as pessoas com deficiência. A política brasileira nesse sentido é muito avançada. Como a tecnologia pode alavancar o processo de inclusão social no Brasil? Nesse sentido, o governo Lula seria um divisor de águas? Como já falei, quando se fala em ciência e tecnologia para inclusão social, de fato o governo Lula é um divisor de águas. O Brasil tem condições, hoje, e sem medo errar, de levar isso para o mundo. Estivemos recentemente na Europa, onde estão vendo exatamente isso. Porque não adianta você ter produção científica se ela não se aplicar diretamente à sociedade. Tecnologia e ciência são duas coisas fundamentais para o desenvolvimento do país, mas é preciso que estejam na casa do cidadão brasileiro.

Denúncias de corrupção dizimaram o governo Arruda e comprometeram boa parte da administração. Hoje se discute abertamente a autonomia política do Distrito Federal. O senhor considera necessária uma intervenção federal? Nós temos uma posição partidária favorável à intervenção. Muitas pessoas falam “intervenção, não”, mas se você tiver um bom gestor numa intervenção, você tem como “zerar” o jogo, dar uma arrumada, dar uma parada, colocar um freio de arrumação para que a gente volte a ter referência, a referência da boa política. Porque, infelizmente - e falo isso com tristeza - havia um governo que fazia uma propaganda de prosperidade, de austeridade e regularização, de um governo do bem... E de repente você descobre que era tudo fachada. Isso entristece porque nós, que estamos no meio político, querendo fazer um bom trabalho, ficamos desanimados. Como você vai dedicar a vida para ajudar as pessoas, dentro da carreira política, quando percebe que está contaminada por políticos - e não quero generalizar - que só pensam no seu umbigo? E tudo isso na sua cidade, que tem recursos do fundo constitucional. Então é claro que você coloca isso em xeque, o cidadão vê o fundo que irriga o Distrito Federal sendo roubado, é claro que a reação natural é que se questione a forma de autonomia. E levese em consideração que há exemplos no mundo onde a cidade administrativa não tem autonomia. Mas essa conquista da democracia não pode ser colocada em xeque por conta de maus políticos, de pessoas que fizeram mau uso da máquina pública. O senhor é a favor de uma revisão do modelo atual? Sim, se somos a favor da intervenção, queremos zerar o jogo para começar de novo. Mas isso não significa tirar a autonomia do Distrito Federal, de forma alguma. Acredito na democracia, é o melhor sistema vigente para que se alcance justiça social.


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Recorde de empregabilidade em 2009 Foto: Severino Agripino

O ICEP Brasil quebrou em 2009 outro recorde no número de postos de trabalho conquistados por pessoas qualificadas pelo instituto: foram 470 novos empregos. Por meio de parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia, que possibilitou a criação do Centro de Referência em Capacitação Profissional para pessoas com deficiência, na sede do ICEP, 941 pessoas com e sem deficiência foram capacitadas na sede da entidade. No ano anterior, 441 pessoas deficientes haviam sido empregadas, de um total de 812 encaminhados. Os índices de empregabilidade indicam uma curva ascendente desde 2006. “Isso é resultado do nosso investimento em infraestrutura e da eficiência das parcerias firmadas, a exemplo da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social. A partir de 2008, todas as pessoas encaminhadas ao mercado de trabalho foram qualificadas na sede do instituto. Isso não acontecia antes”, informa Sueide Miranda, presidente do ICEP. A novidade no ano de 2009 foi o início da qualificação também de pessoas não deficientes, em situação de vulnerabilidade social, muitas delas familiares de deficientes. Das 470 contratações, 56% são deficientes físicos (263 pessoas), 14, 91% deficientes visuais (70 pessoas) 9,72% deficientes auditivos (45 contratados), 11,13% pessoas não deficientes, (52 trabalhadores), 6,7% deficientes intelectuais (31 pessoas) e 1% cadeirantes (4 pessoas). Segundo Sueide, um dos desafios do ICEP para 2010 é aumentar as contratações de cadeirantes. “O cadeirante ainda sofre certa dificuldade para entrar no

Desafio a ser superado: instituto considera baixo o número de cadeirantes contratados no Distrito Federal

mercado por sidade dessas conta da falta contratações”, cadeiras de roafirma Sueide. das com qualiNo dia 22 de dade, acessibilifevereiro o cendade e de uma tro de referênmaior consciencia inicia as atipessoas deficientes tização do povidades de foram inseridas no tencial desse 2010. A expecmercado de trabalho trabalhador por tativa é chegar no ano passado parte dos ema pelo menos presários. Para 500 inserções mudar isso, no mercado de iremos desenvolver novos mode- trabalho. 700 pessoas serão qualos de cadeiras de rodas, com lificadas pelo centro. “Com a exenfoque na qualidade, além tra- pectativa de crescimento de 5% balhar de perto com os empresá- do PIB brasileiro em 2010, eu rios e fazê-los enxergar a neces- não me surpreenderia se atingís-

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semos uma marca muito superior a essa. Por isso, só temos a comemorar, afinal o trabalho é o melhor processo de inclusão social”, avalia. Ele cita outro reforço para a quebra de mais um recorde neste ano: as atividades dos telecentros espalhados pelo DF, uma parceria com o Banco do Brasil que possibilitou ao ICEP abertura no Distrito Federal de 10 telecentros que servirão de postos de atendimento em qualificação profissional de pessoas com deficiência e em situação de vulnerabilidade social.


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O time de basquete do ICEP Brasil prepara-se para voos mais altos em 2010. Depois de vencer o Campeonato Brasileiro de Basquetebol em Cadeira de Rodas - Terceira Divisão, a equipe está de volta à rotina de treinos, de olho no campeonato brasileiro da segunda divisão. Se o time seguir a mesma trajetória do ano passado, quando venceu o campeonato regional do Centro-Oeste e as Olimpíadas da Cidade, o sonho de disputar e conquistar a primeira divisão em 2011 pode se tornar realidade. Detalhe: o time do ICEP seguiu invicto em todos os jogos dos quais participou. “Estamos trabalhando para ser os melhores. Se tudo correr bem, poderemos encerrar 2010 com a certeza de disputar a primeira divisão no ano que vem. O trabalho será árduo, mas não impossível”, afirma o treinador Marcelo Mendes, um dos responsáveis pela brilhante atuação do time no ano passado. A fórmula dele consiste no trabalho de grupo, no comprometimento dos atletas com a equipe. A trajetória do time do ICEP é tão impressionante que a Volkswagen Caminhões e Ônibus, patrocinadora da equipe no ano passado, não titubeou em renovar o contrato de patrocínio este ano. Com o suporte para treinos e viagens, o técnico não tem dúvida de que o time terá condições para ser uma equipe competitiva e ganhar o campeonato brasileiro. No ano passado, o time do ICEP Brasil surpreendeu ao sair do anonimato esportivo para brilhar nas quadras do Distrito Federal e em Fortaleza, onde ganhou o título da terceira divisão contra um time também do DF, Comissão Jovem Gente

Foto: Divulgação

Time do ICEP sonha com lugar na elite do basquetebol brasileiro

Treino árduo: equipe briga agora por título da segunda divisão do campeonato brasileiro

Como a Gente, de Planaltina. O jogador do ICEP Carlos Alberto Chaves dos Santos chegou ao primeiro lugar do ranking de cestinha nacional. Sua performance chegou inclusive a levar outros times a sondarem o jogador em busca de seu passe. O ICEP foi a primeira entidade fora do estado de São Paulo a receber patrocínio da Volkswagen. Tanto o técnico Marcelo Mendes como o presidente do ICEP, Sueide Miranda, fizeram questão de res-

saltar a importância do apoio da empresa para que o time possa treinar. “O patrocínio da Volkswagen é fundamental. Tudo o que esses rapazes precisam é de incentivo para desabrochar seus talentos e capacidades. Com as oportunidades certas, tenho certeza de que esse time do ICEP irá longe”, elogia o presidente Sueide Miranda. Ciente de seu potencial, o time já iniciou os treinos para os primeiros amistosos no Distrito Federal.


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