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LAGOA RODRIGO DE FREITAS uma discussรฃo centenรกria


REALIZAÇÃO MINISTÉRIO DA CULTURA EDITORA CIDADE VIVA PATROCÍNIO CARIOCA CHRISTIANI-NIELSEN ENGENHARIA DIREÇÃO EXECUTIVA FERNANDO PORTELLA DIREÇÃO DE PROJETOS FRANCIS MISZPUTEN

ABERTURA VISTA AÉREA DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS ENTRE O CORCOVADO E A ORLA DE IPANEMA E LEBLON. FOTO VITOR MARIGO PARTE I: HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA LAGOA RODRIGO DE FREITAS. AQUARELA FRANZ KELLER-LEUZINGER | MUSEU IMPERIAL/IBRAM/MINC/Nº16/2016

PRODUÇÃO EXECUTIVA NATALE ONOFRE PRODUÇÃO EDITORIAL MICHELLE VIDAL ROBERTA ABREU

PARTE II: PROJETOS E ESTUDOS LAGOA RODRIGO DE FREITAS, RIO DE JANEIRO, RJ. ÓLEO SOBRE MADEIRA NICOLA FACCHINETTI | MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES/IBRAM/MINC/Nº10/2016 FOTO YURI MAIA

COMUNICAÇÃO CHRISTINA LIMA PESQUISA ICONOGRÁFICA MICHELLE VIDAL ROBERTA ABREU YURI MAIA

PARTE III: QUALIDADE DE ÁGUA E MONITORAMENTO LAGOA RODRIGO DE FREITAS. FOTO RICARDO ZERRENNER

COORDENAÇÃO DE CONTEÚDO PEDRO CARVALHO REVISÃO TÉCNICA MARIA REGINA MONTEIRO DE BARROS DA FONSECA COPIDESQUE NEY CARVALHO REVISÃO DE TEXTO IRENE SERRA COORDENAÇÃO GRÁFICA EG.DESIGN DIREÇÃO DE ARTE E PROJETO GRÁFICO EVELYN GRUMACH DIAGRAMAÇÃO E SUPERVISÃO EVELYN GRUMACH TATIANA BURATTA MAPAS BIA SALGUEIRO TRATAMENTO DE IMAGEM TRIOSTUDIO IMPRESSÃO GRÁFICA SANTA MARTA PATROCÍNIO

CAPA VISTA AÉREA DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS AO ENTARDECER. FOTO RICARDO ZERRENNER

REALIZAÇÃO

PARTE IV: INICIATIVAS DE SOLUÇÃO – UMA DISCUSSÃO CENTENÁRIA VISTA AÉREA DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS COM SEU FORMATO DE CORAÇÃO, COM O DESTAQUE DO MAR DA ORLA DE IPANEMA E LEBLON. FOTO VITOR MARIGO


LAGOA RODRIGO DE FREITAS uma discussรฃo centenรกria

Victor Coelho Rio de Janeiro, 2016


AGRADECIMENTOS

Dentre os livros escritos sobre os principais corpos d’ågua do Estado do Rio de Janeiro (BaĂ­a de Guanabara, Rio ParaĂ­ba do Sul e agora a Lagoa Rodrigo de Freitas), a Lagoa foi aquele corpo d’ågua que recebeu menos atenção de parte GDPLQKDYLGDSURË‹VVLRQDO 3RUHVVDUD]ÂĽRIRLROLYURTXHH[LJLXPDLRUSHVTXLVDELEOLRJUÂŁË‹FDHLFRQRJUÂŁË‹FDWDQWRGDSDUWHGD(QJa Maria Regina Fonseca, revisora tĂŠcnica do OLYURFRPRGDPLQKDSUÂľSULDSDUWH Nesse mister foram consultados inĂşmeros estudos, pesquisas, publicaçþes, artigos, notĂ­cias de jornal, sempre com aquela sensação de que ainda haveria PXLWDFRLVDSDUDYHUHUHYHU Quando comecei a escrever o presente livro, nĂŁo tinha ideia da complexidade e diversidade de fatos que envolvem a problemĂĄtica da Lagoa Rodrigo GH )UHLWDV 'H FRQVHQVR DSHQDV D FHUWH]D GD QHFHVVLGDGH GH SUHVHUYDŠ¼R H PHOKRULDGRHFRVVLVWHPDODJXQDU Muitos sĂŁo os agradecimentos que deveria fazer, sabendo de antemĂŁo TXHYRXHVTXHFHURQRPHGHPXLWRV8PJUDQGHDX[ÂŻOLRPHYHLRGDSDUWHGH Ney Carvalho, que nĂŁo sĂł pesquisou diversos livros da Lagoa, inclusive os livros dele prĂłprio sobre o Jockey Club Brasileiro, como tambĂŠm fez a prepaUDŠ¼RGRWH[WRGHWRGRROLYUR Agradeço tambĂŠm aos colegas do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) Č&#x;DQWLJD)HHPDČ&#x;)ÂŁWLPDGH)UHLWDV/RSHV6RDUHV0DXUÂŻFLR)6RDUHVH$Qselmo Frederico Neto pelos dados e relatĂłrios de qualidade da ĂĄgua da Lagoa


HULRVGDEDFLDKLGURJU£ˋFDH¢VELEOLRWHF£ULDV-RVHWH0HGHLURVH(OLDQHSHODV SHVTXLVDVHUHIHU¬QFLDVHQFRQWUDGDVQDELEOLRWHFDGR,QHD Os dados de qualidade da água da Lagoa reportados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMAC) foram muito importantes, bem como os HVFODUHFLPHQWRVGLVSRQLELOL]DGRVSHOD9HUD/¼FLD*DUFLDGH2OLYHLUD Inúmeras foram as pessoas com quem troquei informações, começando FRPPLQKDSULQFLSDOLQWHUORFXWRUDVREUHROLYURGD/DJRDD(QJa Maria Regina Fonseca, como já tinha sido com os livros da Baía de Guanabara e Rio 3DUD¯EDGR6XO2XWUDVSHVVRDVLPSRUWDQWHVIRUDPR(QJ/XL])HUQDQGRGD 6LOYD3LQWRR3URI3DXOR&HVDU5RVPDQR%LRO$GHOPDU)&RLPEUD)LOKRR (QJ)ODYLR&RXWLQKRR(QJ)UDQFLVFR(XJ¬QLR0DJDULQRV7RUUHV *RVWDULDGHDJUDGHFHUWDPE«P¢PLQKDIDP¯OLDHDRPHXLUP¥R5LFDUGR %DFNKHXVHUTXHVHPSUHPHDSRLDUDPHLQFHQWLYDUDP )LQDOPHQWH DJUDGH©R ¢ HTXLSH GD (GLWRUD &LGDGH 9LYD EHP FRPR DR FRRUGHQDGRUGHFRQWH¼GR3HGUR&DUYDOKRH¢&DULRFD(QJHQKDULD


A Carioca Christiani-Nielsen Engenharia é fruto da fusão entre a Empresa &DULRFDGH(QJHQKDULD/WGD (&(/ FULDGDHPHD&KULVWLDQL1LHOVHQ FRPSDQKLDGHRULJHPGLQDPDUTXHVDQR%UDVLOGHVGHDG«FDGDGH Ao longo da história, a empresa esteve presente em obras relevantes para DFRQVWUX©¥RGRPDJQ¯ˋFRHQWRUQRGD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDVXPDGDVS«URODV GD &LGDGH GR 5LR GH -DQHLUR (VVD é a razão primordial para termos o maior orgulho em patrocinar o excepcional documento que é este livro de 9LFWRU&RHOKR $&KULVWLDQL1LHOVHQIRLUHVSRQV£YHOSHODFRQVWUX©¥RQRVDQRV do Hipódromo da Gávea | Jockey Club Brasileiro, marco fundamental de ocupação dos bairros da Gávea e Jardim Botânico e moldura importante GD/DJRD 0DLVWDUGHHPDHQWÂ¥RUHF«PFULDGD&DULRFD(QJHQKDULDHUDGHsignada para asfaltar a Avenida Epitácio Pessoa, ainda em pista única, entre R &RUWH GR &DQWDJDOR H D 5XD )RQWH GD 6DXGDGH TXH ¢ «SRFD HUD VLPSOHV FDPLQKRFDUUR©£YHO Hoje, a Carioca Christiani-Nielsen é a mais importante empresa de enJHQKDULDSHVDGDVHGLDGDQR5LRGH-DQHLUR(VHJXLU£SUHVWLJLDQGRD&LGDGH 0DUDYLOKRVDHVXDIDQW£VWLFD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDV


À engenheira química Maria Cloris Holanda de Araujo (in memoriam), que passou grande parte da sua vida profissional dedicada à melhoria ambiental da Lagoa Rodrigo de Freitas. Aos amigos da patota que em uma época da vida fizeram da Lagoa uma espécie de segunda casa, início de tantas aventuras...


A responsabilidade de um historiador é a de revelar, não de julgar. A tarefa do historiador é, acima de tudo, encontrar a verdade histórica, as afirmações das fontes e apresentá-las objetivamente e sem paixão. GARGANTA VERMELHA, JO NESBØ, EDITORA RECORD, 2009


SUMÁRIO


PARTE I

PREFÁCIO

16

INTRODUÇÃO

18

HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA 1

PARTE II

ANTECEDENTES

2 HISTÓRICO RESUMIDO DOS ESTUDOS E PROJETOS REALIZADOS NOS SÉCULOS XIX, XX E XXI

30

3 CARACTERÍSTICAS DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS

44

PROJETOS E ESTUDOS 4 CONJUNTO DE OBRAS E ESTUDOS DE SATURNINO DE BRITO E SATURNINO DE BRITO FILHO

58

5 ATERROS E DRAGAGENS DA LAGOA

66

6 ALGUNS ESTUDOS E PESQUISAS RELEVANTES

78

7 MORTANDADES DE PEIXES

92

8 O PROJETO PNUD E OS CONSULTORES SUECOS

PARTE III

24

106

QUALIDADE DE ÁGUA E MONITORAMENTO 9 O MONITORAMENTO DE QUALIDADE DA ÁGUA DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS

118

10 O PROBLEMA DA EUTROFICAÇÃO

150

11 RENOVAÇÃO DAS ÁGUAS DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS

162

PARTE IV INICIATIVAS DE SOLUÇÃO – UMA DISCUSSÃO CENTENÁRIA 12 ALGUNS ESTUDOS EM MODELOS

184

13 OBRAS DA CEDAE NA BACIA DA LAGOA RODRIGO DE FREITAS

200

14 O PROJETO LAGOA LIMPA

208

15 ASPECTOS RELEVANTES DE UMA DISCUSSÃO CENTENÁRIA

216

REFERÊNCIAS ICONOGRÁFICAS

226

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

231


PREFĂ CIO

A longa e intensa amizade de toda a vida com o autor, Victor Coelho, e a grande admiração por ele, nos permitem pequena crítica preliminar aos elogios TXHVHVHJXLU¼RDRVHXIDQW£VWLFRWUDEDOKRVREUHD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDV 9LFWRU  W¼R FLRVR GR ULJRU FLHQW¯ˋFR H PHWRGRO¾JLFR TXH SUHVLGH VXDV pesquisas e textos, que utiliza, frequentemente, uma linguagem tÊcnica ausWHUDQHPVHPSUHDFHVV¯YHODRFRPXPGRVOHLWRUHV1¼RIRUDHVVHSRUPHQRU apenas formal e de resto absolutamente secundårio, só cabem aplausos ao FRQWHŸGR¢HVVQFLDGRHVWXGRTXHGHVHQYROYHX Seu livro congrega um enorme cabedal de conhecimento sobre todos os aspectos históricos que envolvem a Lagoa, pÊrola maior da cidade do Rio de -DQHLUR'HVGHDVSULPHLUDVRFXSDŠ¡HVSRUWXJXHVDVQRVFXOR;9,SDVVDQGR pelos canaviais da Êpoca colonial e alcançando a fase de industrialização do HQWRUQRHPˋQVGRVTXHSHUVLVWLXSRUFHUFDGHDQRV7XGRDFRPSDnhado por descrição pormenorizada do respectivo processo de expansão poSXODFLRQDOLQFOXVLYHDDFHQWXDGDIDYHOL]DŠ¼RGDVPDUJHQVHIUDQMDVGD/DJRD Seguem-se descriçþes dos inúmeros projetos, anålises e propostas, naFLRQDLVHLQWHUQDFLRQDLVYHUVDQGRVREUHRWHPDHTXHVHLQLFLDUDPHP SHUSDVVDUDPDVHJXQGDPHWDGHGRVHVHDORQJDUDPSRUWRGRRVFXOR;; Esse extenso debate entre cientistas, engenheiros e demais estudiosos Ê muito DSURSULDGDPHQWH FODVVLˋFDGR SRU9LFWRU FRPRȤXPD GLVFXVV¼R FHQWHQ£ULDȼ Inclusive hipóteses polêmicas, como o total aterramento da Lagoa, sua completa dessalinização e eventual mudança para ågua exclusivamente doce, as

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FRQVWUX©·HVGRVFDQDLVHFDLVHPVXDRUODHWDQWDVRXWUDVSURYLG¬QFLDV7RGDV FXLGDGRVDPHQWHH[DPLQDGDVHLQYHVWLJDGDV As questões ambientais, como os graves problemas de poluição; e sanitárias, como a necessidade de dragagens e obras de saneamento; os aterros ao longo dos anos, com a expressiva redução do espelho d’água; a bacia hiGURJU£ˋFDVHXVDˌXHQWHVHOLJD©·HVFODQGHVWLQDVGHHVJRWRV são minuciosamente descritos, permitindo ao leitor uma visão pouco comum dos problemas HQIUHQWDGRVQDJHVW¥RGDTXHOHFRPSOH[RVLVWHPD As dramáticas mortandades de peixes e suas causas químicas e biológicas são analisadaVDIXQGR$VVLPWDPE«PRPRQLWRUDPHQWRGDTXDOLGDGHH múltiplas sugestões para renovação das águas, bem como os modelos físicos HPDWHP£WLFRVXWLOL]DGRVHPEXVFDGDVVROX©·HVDGHTXDGDV 25LRGH-DQHLURHVXDSRSXOD©¥RˋFDPGHYHQGRDRQRW£YHOSHVTXLVDGRU 9LFWRU &RHOKR HVVD PDJQ¯ˋFD YLV¥R H SHUVSHFWLYD VREUH D /DJRD 5RGULJR GH )UHLWDVXPDGHVXDVPDLVFDUDVUHO¯TXLDV RICARDO BACKHEUSER & NEY CARVALHO JANEIRO DE 2016.

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INTRODUĂ‡ĂƒO

Os lagos e as lagoas sofrem um processo de envelhecimento natural cujo efeito derradeiro Ê seu desaparecimento, mesmo na ausência de contribuiçþes da poluição de origem humana. Esse processo Ê devido, basicamente, a um lento assoreamento ao longo do tempo e ao enriquecimento gradativo dos teores de nutrientes e matÊria orgânica no corpo hídrico, o que se denomina HXWURˋFDŠ¼R2EYLDPHQWHD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDVVRIUHSURFHVVRLGQWLFR DFUHVFLGRGDJUDQGHFRQWULEXLŠ¼RGDSRSXODŠ¼RGHVXDEDFLDKLGURJU£ˋFDWHQdo em vista tratar-se de lagoa urbana. $V ODJRDV GR (VWDGR GR 5LR GH -DQHLUR HVSHFLDOPHQWH DV TXH IRUPDP ecossistemas costeiros, encontram-se em franco processo de degradação ocasionado pelo lançamento de esgotos domÊsticos e lixo e, tambÊm, por aterros HREUDVGHHQJHQKDULDTXHPRGLˋFDUDPRUHJLPHGHFLUFXODŠ¼RGDVVXDV£JXDV $OPGLVVRDHXWURˋFDŠ¼RDFDUUHWDQDVODJRDVXPDSURGXŠ¼RH[FHVVLYD de biomassa primåria com alteraçþes nocivas na qualidade das åguas, incluindo altas taxas de depleção de oxigênio, condiçþes anaeróbicas em sua camada mais profunda, hipolímnio, produção de gases tóxicos e altas concentraçþes de amônia, nocivas aos peixes. As alteraçþes na qualidade de ågua são geralmente acompanhadas por mudanças na estrutura biológica do sistema, acarretando redução na diversiGDGHGDVHVSFLHVH[LVWHQWHVHGHVHTXLO¯EULRQDFDGHLDWU¾ˋFDLVWRDOLPHQWDU Grandes nomes de engenheiros e cientistas estudaram e analisaram exausWLYDPHQWHD/DJRDGHVGHRVFXOR;,;GHVWDFDQGRVHR%DU¼RGH7HIHM£QR

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V«FXOR;;RVHQJHQKHLURV6DWXUQLQRGH%ULWRH6DWXUQLQRGH%ULWR)LOKRRKLGURbiologista Lejeune de Oliveira, a engenheira Maria Cloris Holanda de Araújo, além de consultores internacionais, como Russel Ludwig, Robert Selleck e consultores VXHFRVGD8QLYHUVLGDGHGH/XQG$/DJRD5RGULJRGH)UHLWDVWDPE«PIRLREMHWRGH estudos através de modelos reduzidos e matemáticos elaborados por instituições, como o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de EngenhaULD8QLYHUVLGDGH )HGHUDO GR 5LR GH -DQHLUR &RSSH8)5-  /DERUDWµULR 1DFLRQDO GH(QJHQKDULD&LYLOGH3RUWXJDO /1(& HY£ULDVRXWUDV1DG«FDGDGHIRUDP realizados pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) monitoramentos mais inWHQVLYRVHFRQW¯QXRVQRHVSHOKRGȢ£JXDHQDEDFLDKLGURJU£ˋFDSDVVDQGRHQWÂ¥RD JHVWÂ¥RGD/DJRDDSDUWLUGHSDUDD3UHIHLWXUDGR5LRGH-DQHLURDWUDY«VGD 6HFUHWDULD0XQLFLSDOGH0HLR$PELHQWH 60$& HGD)XQGD©¥R5LRƒJXDV Além de relacionar os principais estudos e projetos realizados ao longo GHWU¬VV«FXORVÈ&#x;;,;;;H;;,È&#x;SRUJUDQGHVYXOWRVGDHQJHQKDULDEUDVLOHLUD este livro descreve as análises e obras executadas pelos engenheiros Saturnino de Brito e Saturnino de Brito Filho, desde a construção do quase centenáULR&DQDOGR-DUGLPGH$ODKHP)D]XPKLVWµULFRGRVDWHUURVUHDOL]DGRV QD /DJRD TXDQGR HVWD HUD FRQVLGHUDGD XP DPELHQWH QRFLYR H SUHMXGLFLDO ¢ VD¼GHGDSRSXOD©¥RFRPVXDVPDUJHQVSDQWDQRVDVHLQVDOXEUHV%XVFDGHWDlhar as tramitações e obras do maior deles para a construção do Hipódromo GD*£YHDQDDGPLQLVWUD©¥RGR3UHIHLWR&DUORV6DPSDLR(VVHDWHUURHRVGHPDLVUHGX]LUDPRHVSHOKRGȢ£JXDGD/DJRDSHODPHWDGH

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O trabalho também fala das dragagens e outras obras, mostrando uma grande quantidade de clubes, igrejas e hospitais construídos em áreas aterraGDVGD/DJRDHTXHDW«KRMHSUHVWDPVHUYL©RV¢SRSXOD©¥RFDULRFD 'HXVH UHOHY¤QFLD ¢V IUHTXHQWHV PRUWDQGDGHV GH SHL[HV TXH DFRQWHFHUDPQD/DJRDHVXDVSULQFLSDLVFDXVDVEHPFRPR¢VHVWDW¯VWLFDVGHRFRUU¬QFLD GDVJUDQGHVHSHTXHQDVPRUWDQGDGHVDO«PGDVVXFHGLGDVQRV«FXOR;;,)RL GDGD HVSHFLDO ¬QIDVH ¢ DYXOWDGD PRUWDQGDGH GH SHL[HV HP PDU©R GH  pouco depois de terem sido encerradas as ações propostas pelo Projeto Lagoa /LPSDGD(%; Essa ocorrência causou estranheza porque, desde as ações do Projeto Lagoa Limpa, as águas vinham apresentando maior transparência e um aspecto visual estético bem mais DWUDHQWH&RPRVHPSUHQ¥RKRXYHFRQFRUG¤QFLDHQWUH RVY£ULRVHVSHFLDOLVWDVTXHRSLQDUDPVREUHRDVVXQWRHDGLVFXVV¥RFRQWLQXD Os consultores suecos detiveram-se nos estudos e análises de qualiGDGH GH £JXD UHODFLRQDQGRD FRP R FLFOR GR ˋWRSO¤QFWRQ FRQFOXLQGR TXH RPDLRUSUREOHPDVHULDPDQWHUDGHVHVWUDWLˋFD©¥RDWUDY«VGHXPˌX[RGH £JXDVDOJDGDSDUDD/DJRD 7DPE«PV¥RDERUGDGRVRVDQWHFHGHQWHVGRPRQLWRUDPHQWRGD/DJRD QRSHU¯RGRGHD&RPRWDOSURFHGLPHQWRSDVVRXDR¤PELWRGD SMAC da Prefeitura, procurou-se analisar o novo sistema de monitoramento contínuo e pontual, indicadores de alerta e procedimentos de operação de elevatórias e comportas, além de vistorias para detecção de lançaPHQWRGHHVJRWRV 20


%XVFRXVHWDPE«PDYDOLDURQ¯YHOGHHXWURˋFD©¥RGD/DJRDDVVLPFRPR DVSURSRVWDVGHUHQRYD©¥RGHVXDV£JXDVGHVGHR%DU¥RGH7HI«HPDW«D FRQFHLWXD©¥RSHOD&RSSH8)5-SDUDFRQVWUX©¥RGHGXWRVDIRJDGRV Considerando as discussões intermináveis, que deram inclusive origem ao nome do presente livro, optou-se por não opinar sobre possíveis soluções SDUDUHVROYHUDSUREOHP£WLFDGD/DJRD3UHIHULXVHID]HUXPKLVWµULFRGDVGLferentes ações tomadas ao longo do tempo, com ênfase no período em que o DXWRUWUDEDOKRXQRµUJ¥RDPELHQWDOGR(VWDGRGR5LRGH-DQHLUR &RQˋUPDVHFDGDYH]PDLVTXHD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDVUHSUHVHQWDXP marco na beleza paisagística da Cidade do Rio de Janeiro, embora apresente XPD H[WHQVD V«ULH GH GLˋFXOGDGHV SRU VHU XPD ODJRD XUEDQD $VVLP GXUDQWH muito tempo, a Lagoa constituiu-se mais em problema do que em atrativo amELHQWDOUHJLVWUDQGRLQ¼PHUDVPRUWDQGDGHVGHSHL[HVDRORQJRGRVDQRV 8OWLPDPHQWH SRU«P D TXDOLGDGH GD £JXD PHOKRURX H R WXULVPR YHP FUHVFHQGRSURJUHVVLYDPHQWH$VPRUWDQGDGHVGHSHL[HVY¬PVHWRUQDQGRPHnos frequentes, permitindo que a Lagoa seja palco de uma série de atividades HVSRUWLYDVGHOD]HUHGHWXULVPR Atualmente vem funcionando o Subcomitê do Sistema Lagunar da Lagoa Rodrigo de Freitas, que se reúne mensalmente na Ilha do Piraquê e que faz SDUWHGR&RPLW¬GD%D¯DGH*XDQDEDUD$SDXWDGHVVDVUHXQL·HVDERUGDQ¥R só os aspectos ainda pendentes da Lagoa, como a problemática da renovação GDV£JXDVHWDPE«PRVDVVXQWRVOLJDGRV¢VFRPSHWL©·HVGHUHPRHFDQRDJHP GDV2OLPS¯DGDVGHQD/DJRD 21


PARTE I

22


HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA

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HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA


1

ANTECEDENTES

A região hoje conhecida como Lagoa converteu-se numa área de expansão do centro urbano da Cidade do Rio de Janeiro e tal processo de transformação foi ORQJRHFRQËŒLWXRVRID]HQGRFRPTXHDW«DG«FDGDGHIRVVHFRQVLGHUDGD DLQGDXPD£UHDUXUDO A restinga atualmente ocupada pelos bairros de Ipanema e Leblon já HUD KDELWDGD GHVGH RV SULPµUGLRV ([LVWHP LQG¯FLRV GH TXH RV SULPHLURV DJUXSDPHQWRV LQG¯JHQDV RFXSDUDP DTXHOD UHJLÂ¥R SRU YROWD GR V«FXOR 9, Esses agrupamentos sobreviveram aos primeiros anos da cidade, mas foUDPHOLPLQDGRVHPSHOR*RYHUQDGRU$QW¶QLRGH6DOHPDTXHHPVHX PDQGDWR GH WU¬V DQRV   RUGHQRX TXH IRVVHP FRORFDGDV URXSDV GHGRHQWHVQDVPDWDVGDUHJLÂ¥RPDWDQGRRV¯QGLRVSRUFRQW£JLR1RORFDO onde se situa o Jardim Botânico, Salema mandou construir um engenho de FDQDGHD©¼FDUGHQRPLQDGRȤ'È¢(O5HLÈ¥ A partir do plantio da cana-de-açúcar e de sua importância nos negócios da cidade, as margens da Lagoa foram sendo ocupadas utilizando-se a mão de REUDGRVHVFUDYRVQHJURVHGRVFRORQRV 1RË‹PGRV«FXOR;9,Diogo de Amorim Soares, vindo da Bahia, tornouVHGRQRGRHQJHQKRWURFDQGRVHXQRPHSDUDȤ(QJHQKRGH1RVVD6HQKRUDGD &RQFHL©¥RGD/DJRDÈ¥(P6RDUHVUHYHQGHXDVWHUUDVDVHXJHQUR6HEDVWLÂ¥R)DJXQGHV9DUHODDPSOLDQGRDVLQVWDOD©·HVGDXQLGDGH Essa ocupação portuguesa tornou-se mais consistente com as intervenções GRHQWÂ¥R*RYHUQDGRU0DUWLPGH6£QDUHJLÂ¥RQRLQ¯FLRGRV«FXOR;9,,TXH

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DPSOLRX R SULPHLUR HQJHQKR H FULRX RXWURV HP WHUUDV SUµ[LPDV 1R V«FXOR ;9,,WRGDDERUGDGDODJRDGRVRS«GR0DFL©RGD7LMXFDGHVGHR+XPDLW£DR /HEORQH*£YHDHVWDYDUHSOHWDGHFDQDYLDLV (P  D KHUGHLUD GH 6HEDVWLÂ¥R9DUHOD VXD ELVQHWD 'RQD 3HWURQLOKD Fagundes, solteirona de trinta e um anos numa época em que as mulheres VHFDVDYDPFRPGR]HFDVRXVHFRPXPMRYHPRË‹FLDOGHFDYDODULD5RGULJR GH )UHLWDV GH &DUYDOKR HQWÂ¥R FRP GH]HVVHLV DQRV FDUDFWHUL]DQGR RȤJROSH GRED¼ȥPDLVEHPVXFHGLGRGDFLGDGH5RGULJRGH)UHLWDVDJUHJRX¢FK£FDUD LQLFLDORXWURVHQJHQKRVHVXDVWHUUDVLDPGD3LD©DYD +XPDLW£ DW«¢*£YHDH GH&RSDFDEDQDDW«RË‹QDOGR/HEORQ$HQRUPHID]HQGDTXHREYLDPHQWHHQJOREDYDD/DJRDDFDERXSRUKHUGDUVHXQRPH3RVWHULRUPHQWHIRLDUUHQGDGDD WHUFHLURVHQWUDQGRHPGHFDG¬QFLDDW«SULQF¯SLRVGRV«FXOR;,; 1RË‹QDOGRV«FXOR;9,,,FRPRVSURFHVVRVGHFULVHTXHDIHWDUDPDHFRQRPLDGRD©¼FDURVHQJHQKRVLQLFLDUDPVXDGHFDG¬QFLD No início do s«FXOR;,;'-RÂ¥R9,WUDQVIHULu-se para o Brasil, chegando DR5LRGH-DQHLURHP8PDGHVXDVSULPHLUDVSURYLG¬QFLDVIRLRUGHQDUD construção de uma fábrica de pólvora para que seu exército e marinha pudesVHPSURWHJHUDFLGDGHGHSRVV¯YHLVLQYDV·HVIUDQFHVDV2ORFDOHVFROKLGRSDUDD FRQVWUX©¥RGDXQLGDGHIRLQRVDUUHGRUHVGD/DJRD5RGULJRGH)UHLWDV'-RÂ¥R9, LQGHQL]RXRVKHUGHLURVHQHVVHPHVPRDQRDI£EULFDIRLFRQVWUX¯GD(PD indústria foi destruída em uma explosão e transferida para a Raiz da Serra no FDPLQKRTXHPDLVWDUGH'3HGUR,,IDULDSDUDFKHJDUD3HWUµSROLVSDVVDQGRD FKDPDUVH)£EULFDGD(VWUHOD Além da construção da Fábrica de Pólvora na região da Lagoa, houve a FULD©¥RGR-DUGLP%RW¤QLFRTXHLQLFLDOPHQWHVHGHVWLQDYD¢DFOLPDWD©¥RGH PXGDVGHSODQWDVH[µWLFDVPDVTXHORJRVHWUDQVIRUPRXDLQGDHPHP -DUGLPGD$FOLPD©¥RHSRXFRGHSRLVHP5HDO+RUWR A presença do Jardim Botânico fez com que o poder imperial se preocupasse em criar caminhos que facilitassem a mobilidade, gerando o avanço dos transportes para a região e com eles a necessidade de abertura de ruas, supeUDQGRRVHQWUDYHVTXHVRIUHUD'-RÂ¥R9,TXDQGRVHGHVORFDYDSDUDR-DUGLP %RW¤QLFR1DTXHOD«SRFDRPRQDUFDVHJXLDSRUXPDHVWUDGDLPSURYLVDGDFRnhecida como São Clemente, e ia até a Fonte da Saudade, de onde, em canoa, DOFDQ©DYDR-DUGLP%RW¤QLFR

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HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA


$5XD-DUGLP%RW¤QLFRVHULDRSULPHLURFDPLQKRSDUDVHFKHJDU¢área GD*£YHD8PDGDVFK£FDUDVPDLVLPSRUWDQWHVHUDDGR&RPHQGDGRU$QWRQLR 0DUWLQV/DJHDTXDOVHWUDQVIRUPDULDSRVWHULRUPHQWHQRDWXDO3DUTXH/DJH 9£ULRV YLDMDQWHV UHIHUHPVH ¢ /DJRD 5RGULJR GH )UHLWDV -RKQ /XFFRFN FKHJRXDR%UDVLOHPSRXFRVPHVHVGHSRLVGH'-RÂ¥R9,DEULURVSRUWRV GRSD¯V6XDVREVHUYD©·HVHYLDJHQVGHUDPRULJHPDXPOLYURLQWLWXODGRHP SRUWXJX¬VȤ1RWDV VREUH R 5LR GH -DQHLUR H SDUWHV PHULGLRQDLV GR %UDVLOÈ¥ $ respeito da Lagoa Rodrigo de Freitas, o viajante e comerciante inglês escreveu TXHȤVXDVPDUJHQVFRQVWLWXHPXPFHQ£ULRGRPDLVGHOLFDGRJRVWRFRPYLVWD SDUDRRFHDQRHY£ULDVLOKDV(VVHOHQ©ROGȢ£JXDPHGHFHUFDGHGXDVPLOKDV em todas as direções; é fundo, de água geralmente doce e notavelmente cristalina; seu leito é nalguns pontos, pedregoso e abunda em mariscos e outras FRQFKDV SHTXHQDV ‹ VXMHLWR SRU YH]HV D IRUWHV UDMDGDV GH YHQWR H TXDQGR eventualmente o mar transpõe sua barreira, muitos dos peixes de água doce SHUHFHPÈ¥QXPSUHQ¼QFLRGDVQRWµULDVPRUWDQGDGHVGRV«FXOR;;2IDPRVR QDWXUDOLVWD &KDUOHV 'DUZLQ TXH HVWHYH QD /DJRD HP  H  DË‹UPDYD TXHHODHUDXPDODJXQDFRP£JXDDSHQDVPHQRVVDOJDGDTXHDGRPDU O Departamento do Patrimônio Histórico e Artístico da Guanabara possui volumoso documentário sobre a Lagoa Rodrigo de Freitas, começando SHODFDUWDGHGHDIRUDPHQWRGDVWHUUDVGDUHJLÂ¥RGD/DJRDD6HEDVWLÂ¥R)DJXQGHV9DUHOD0RVWUDPRVGRFXPHQWRVTXHRSUREOHPDGDDEHUWXUD da barra da Lagoa causou aborrecimentos durante todo o s«FXOR;,;O sanJUDGRXURHUDFRQVLGHUDGRLQGLVSHQV£YHOSDUDDGHVRYDGRVSHL[HVRFH¤QLFRV 3URYDGLVVRIRLXPHGLWDOGHGD&¤PDUD0XQLFLSDORTXDOSURLELD pescar na Lagoa com redes, três malhas e tarrafas durante o período em que D /DJRD HVWLYHVVH DEHUWD (P  Y£ULRV SURWHVWRV IRUDP HQFDPLQKDGRV ¢ Câmara porque as águas estavam estagnadas havia dois meses, causando preMX¯]RVLQFDOFXO£YHLVDRVPRUDGRUHV (PMDQHLURGHD&RPSDQKLD)HUUR&DUULOGR-DUGLP%RW¤QLFRHPSUHsa que recebeu a primeira concessão para serviço de bondes puxados a burros, HVWHQGHXVXDVOLQKDVDW«RDWXDOEDLUURGR-DUGLP%RW¤QLFRHHPLQDXJXUDYDRUDPDO*£YHD$)UHJXHVLDGD*£YHDHQJOREDYDRVDWXDLVEDLUURVGD/DJRD Jardim Botânico, Gávea, Ipanema, Leblon, Vidigal, São Conrado e parte da Barra GD7LMXFDDWLQJLQGRHPXPDSRSXOD©¥RGHKDELWDQWHV

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-ÂŁQRË‹QDOGRVÂŤFXOR;,;D)UHJXHVLDGD*ÂŁYHDSDVVRXDVHURFXSDGDSRU IÂŁEULFDVWÂŹ[WHLVDXPHQWDQGRUDSLGDPHQWHVXDSRSXODŠ¼R1DSULPHLUDGÂŤFDGD GR VÂŤFXOR ;; R 3UHIHLWR 3HUHLUD 3DVVRV LQFOXLX R VDQHDPHQWR GD /DJRD 5RGULJRGH)UHLWDVQRSURJUDPDGHUHIRUPDXUEDQD1DDGPLQLVWUDŠ¼R&DUORV Sampaio, a regiĂŁo começou a ser efetivamente urbanizada, passando a inteJUDUXPDȤ£UHDQREUHČĽGDFLGDGH(PDSHVDUGRVDWHUURVD/DJRDDLQGD FKHJDYD¢VUXDV+XPDLWÂŁH0DUTXÂŹVGH6ÂĽR9LFHQWH O BarĂŁo de Ipanema, interessado na localidade que hoje dĂĄ nome ao bairro GH,SDQHPDEXVFRXUHDOL]DUHPXPDVÂŤULHGHWHQWDWLYDVGHPRGHUQL]DŠ¼R GRJUDQGHDUHDO8PDGHVVDVKLSÂľWHVHVHUDDEULUXPFDQDOHQWUHD/DJRDHRPDU FRPXPWXERGHPGHGL¤PHWUR(PERUDQÂĽRWLYHVVHVXFHVVRDFDERXSRUFULDU DSULPHLUDUXDGDUHJLÂĽRTXHOLJDYDD3UDLDGR3LQWR¢EDUUDGD/DJRD A Vila de Ipanema se tornou a coqueluche para os estrangeiros, princiSDOPHQWHGHUDÂŻ]HVEULW¤QLFDVTXHIRUDPUHVSRQVÂŁYHLVSHODIXQGDŠ¼RGR7KH 5LRGH-DQHLUR&RXQWU\&OXEHPHUHXQLDDË‹QDËŒRUGDVRFLHGDGHFDULRFDHQWUHSROÂŻWLFRVHHPSUHVÂŁULRV (PDRUODGD/DJRDIRLFLUFXQGDGDSRUXPDEHODDYHQLGDFKDPDGD GH (SLWÂŁFLR 3HVVRD HP KRPHQDJHP DR HQWÂĽR 3UHVLGHQWH GD 5HSÂźEOLFD (P IRLLQDXJXUDGRR+LSÂľGURPRGR-RFNH\&OXE%UDVLOHLURHQWUHD*ÂŁYHDH R-DUGLP%RW¤QLFR (P  R 3UHIHLWR &DUORV 6DPSDLR FRPHŠRX R VDQHDPHQWR GD /DJRD com a colaboração do engenheiro Saturnino de Brito, uma das maiores autoridades internacionais em saneamento, aproveitando a antiga praia de Enseada (Avenida Ipanema) na frente da Lagoa, marcando o inĂ­cio efetivo da XUEDQL]DŠ¼R$OÂŤPGLVVRIRUDPLQLFLDGDVDVREUDVGHFRQVWUXŠ¼RGRFDQDOGH ligação da Lagoa com o mar, para eliminar os problemas de insalubridade e PRUWDQGDGHGHSHL[HV$WHUUDUHWLUDGDSDUDDFRQVWUXŠ¼RGRFDQDOGHXRULJHP ¢,OKDGRV&DLŠDUDVTXHVHULDREMHWRGHRFXSDŠ¼RIDYHOL]DGDHSRVWHULRUPHQWHRQGHVHIXQGDULDXPFOXEHGHOD]HU 3DUDID]HUIDFH¢VREUDVGHVDQHDPHQWRSURSRVWDVSRU6DWXUQLQRGH%ULto, incluindo a construção do canal de ligação com o mar e a construção da $YHQLGD(SLWÂŁFLR3HVVRDFRPODUJXUDGHPHH[WHQVÂĽRGHPDFRPSDQKDQGRDRUODPDUJHDGDSRUXPFDLVD3UHIHLWXUDREWHYHXPHPSUÂŤVWLPR $RSHUDŠ¼RGHPLOFRQWRVGHUÂŤLVIRLFRQVHJXLGDFRPR%DQFRÂ?WDOR%HOJD

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HISTĂ“RIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA


HDXWRUL]DGDSHOR'HFUHWRGHGHPDU©RGH2UHIHULGRGLSORPD previa, também, que os cofres públicos pudessem receber o dinheiro gerado com a venda dos terrenos ganhos ao espelho d’água pelos aterros realizaGRV7DLV£UHDVQXPWRWDOGHPLOP, poderiam render aproximadamente PLOFRQWRVGHU«LVGHSRLVGHXUEDQL]DGDV As obras foram iniciadas utilizando plantas e sondagens realizadas na DGPLQLVWUD©¥R DQWHULRU GR 3UHIHLWR %HQWR 5LEHLUR 2 OL[R TXH DQWHV HUD MRJDGR QD (QVHDGD GH %RWDIRJR HP IUHQWH ¢ $YHQLGD 5XL %DUERVD IRL XVDGR FRPRSDUWHGRDWHUURGD/DJRDUHFREHUWRFRPWHUUDHDUHLD$SHGUDXVDGDHUD extraída do Morro do Cantagalo; e a draga que aprofundou o canal de comuQLFD©¥RFRPRRFHDQRWUD]LGDGD%D¯DGH*XDQDEDUDFRPPXLWDGLË‹FXOGDGH GHVGHD3RQWDGR&DODERX©R 1RLQ¯FLRGRVDQRVDVI£EULFDVW¬[WHLVIRUDPIHFKDGDVHQFHUUDQGRSRU completo a fase industrial do bairro e, naG«FDGDGH, as favelas existentes foram retiradas e os residentes realocados em conjuntos habitacionais, como 9LOD.HQQHG\H&LGDGHGH'HXV$VWU¬VPDLRUHVIDYHODVGDUHJLÂ¥RÈ&#x;3UDLDGR 3LQWR&DWDFXPEDH,OKDGDV'UDJDVÈ&#x;FRPTXDVHPLOKDELWDQWHVQRË‹QDOGD G«FDGDGHIRUDPUHPRYLGDVHQWUHRVDQRVGHH(QWUHWDQWR RXWUDVSHUPDQHFHUDPFRPR&DQWDJDORH3DUTXHGD&LGDGH As áreas onde houve remoção foram disponibilizadas para urbanização, proporcionando um boomLPRELOL£ULRQDG«FDGDGHIDFLOLWDGRSHORUHF«PFRQVWUX¯GR7¼QHO5HERX©DVTXHOLJDD=RQD1RUWH¢=RQD6XO$VFRQVWUXWRUDV aterraram grandes faixas de terra para a construção de edifícios residenciais, sem prévia autorização da Prefeitura, o que ajudou a mudar drasticamente o FHQ£ULRGREDLUUR 2SURFHVVRGHDGHQVDPHQWRSRSXODFLRQDOPRGLË‹FRXH[SUHVVLYDPHQWHDV FDUDFWHU¯VWLFDVQDWXUDLVGD/DJRD2VVXFHVVLYRVDWHUURV¢VVXDVPDUJHQVGLPLQX¯UDPDJUHVVLYDPHQWHRHVSHOKRGȢ£JXD$UHGHGHGUHQDJHPWDPE«PIRL PXLWRPRGLË‹FDGDDVVLPFRPRDFDQDOL]D©¥RHDUHWLË‹FD©¥RGRVULRVDOWHUDQGR DFRQWULEXL©¥RGHVWHVSDUDRFRUSRODJXQDU 7RGRVHVVHVIDWRUHVOHYDUDPDFRQVWDQWHVHIUHTXHQWHVPRUWDQGDGHVGH peixes, que impactaram profundamente não só a comunidade adjacente, mas WDPE«PDVDXWRULGDGHVJRYHUQDPHQWDLV

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FIGURA 1 LAGOA RODRIGO DE FREITAS FOTO: RICARDO ZERRENNER

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HISTÓRIA E PARTICULARIDADES DA LAGOA

Lagoa Rodrigo de Freitas: uma discussão centenária  

Quando o assunto é a Lagoa Rodrigo de Freitas a falta de consenso é geral. Há sempre uma controvérsia sobre a solução mais viável para a mel...

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