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Divulgação

ICCV elabora Guia do Centro Histórico do Rio

Os benefícios do Veículo Leve sobre Trilhos

A publicação, produzida pelo Instituto Cultural Cidade Viva a partir de uma pesquisa no Centro do Rio, vai mostrar atrativos como edificações históricas, espaços culturais, ateliês de artes e artesanato, bares e restaurantes e o legado cultural afro-brasileiro.

folha dado ruaRio larga Começaram as obras que implantarão na Região Portuária e no Centro um dos mais modernos sistemas de transporte do mundo. O VLT vai gerar empregos, aumentar a mobilidade dos cariocas e dos turistas, além de criar uma cidade mais integrada. página 13

cultura e cidadania - página C3

folha da rua larga RIO DE JANEIRO | JANEIRO – FEVEREIRO DE 2015

comércio

Resultados do Polo Região Portuária A presidente do Polo Região Portuária, Maria Eugenia Duque Estrada, faz um balanço das conquistas de 2014 e aponta as boas perspectivas para 2015.

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Nº 49 ANO VIII

A Light quer fortalecer a produção cultural da Zona Portuária e promover o desenvolvimento humano local

Divulgação

página 3

história

O entorno da Central do Brasil O pesquisador Aloysio Breves comenta fatos marcantes da história da Central do Brasil e seu relógio, do Morro da Providência e do Mangue. página 4

gastronomia

Gerente do Instituto Light e do Centro Cultural Light, Paulo Bicalho conta em entrevista quais as diretrizes das políticas cultural e social da companhia

cultura e cidadania I páginas C4 e C5

Beterraba: comida vegetariana e natural

cidade

página 14 Yuri Maia

Divulgação

Estilista moradora do Morro da Conceição cria roupas inspiradas nas culturas afro e indígena Formada em Desenho Industrial e pós-graduada em História da África, Júlia Vidal produz figurinos para minisséries e novelas e usa pigmentos naturais para tingir suas criações, que também se caracterizam por cores vibrantes e mosaicos de estamparias. página 13

Selo do novo programa cultural que a Light está desenvolvendo, o Anima Porto, que tem por objetivo o crescimento sociocultural da Região Portuária.

cultura e cidadania I páginas C4 e C5


2 folha da rua larga

janeiro – fevereiro de 2015

porto hoje

Desafios da Porto Novo para 2015

farol

Divulgação

Em seu site oficial, a Concessionária Porto Novo declarou-se pronta para enfrentar os desafios que enfrentará neste ano que começa. Em 2015, algumas grandes obras deverão ser entregues à população, como o Museu do Amanhã e o Túnel Rio 450. Outros projetos relevantes serão implementados, como a construção da Frente Marítima, o novo passeio público da Região Portuária. A empresa iniciou o ano capacitando as suas equipes para atuar na operação e na manutenção de túneis

Visão artística do novo passeio público da Região Portuária

e elaborou o planejamento integrado das operações internas de obra e conservação. Foram implantados sistemas novos no Centro de Controle Operacional

(CCO) e aperfeiçoados outros já existentes, objetivando garantir o êxito do Carnaval e das comemorações dos 450 anos da cidade.

Serão realizados também investimentos em paisagismo e limpeza, ligados à manutenção de áreas verdes e à ampliação dos pontos subterrâneos de coleta de lixo. Com foco na comunidade, a Concessionária entrou em 2015 oferecendo novas turmas de capacitação profissional para auxiliar jovens e adultos a ingressarem no mercado de trabalho.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

A nova Feira do Porto Social da Cdurp, a feira valoriza a cultura da área. Desde 2011, a Cdurp e o Sebrae/RJ apoiam artesãos e quituteiras da região. Segundo ele, a iniciativa de realizar a feira na praça “entra para o calendário regular da cidade e ajuda a criar oportunidades de venda e divulgação dos produtos produzidos no Porto”. A nova feira acontece no Largo de São Francisco da Prainha

objetivo de levar àquela praça tradicional iniciativas culturais que retratam a identidade da Região

Portuária. Para Carlos Frederico, assessor de Desenvolvimento Econômico e

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Projeto gráfico - Henrique Pontual e Adriana

Portella, Francis Miszputen, Maria Eugênia

Lins

Duque Estrada, Mozart Vitor Serra, Roberta

Diagramação - Suzy Terra

Abreu, Sacha Leite, Teresa Serra e Teresa

Revisão ortográfica - Raquel Terra

Speridião

Produção gráfica - Suzy Terra

Direção executiva - Fernando Portella

Produtora Executiva - Roberta Abreu

Editor e jornalista responsável - Mário Margutti

Impressão - Maví Artes Gráficas Ltda.

Colaboradores - Aloysio Clemente Breves, Ana

Contato comercial - Márcia Souza

Carolina Portella, Berzé, Fernando Portella,

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares

Roberta Abreu, Teresa Speridião e Yuri Maia

Anúncios - comercial@folhadarualarga.com.br

O Instituto Pereira Passos lançou, em dezembro, o Pacto do Rio, no auditório do Museu de Arte do Rio (MAR). Mais de 50 instituições governamentais, privadas, acadêmicas e do Terceiro Setor assinaram o compromisso, que objetiva a integração urbana, social e econômica do Rio de Janeiro. A Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), gestora do Porto Maravilha, assinou o Pacto no primeiro dia. A presidente do IPP, Eduarda La Rocque, comemorou o comprometimento das organizações presentes e destacou que a assinatura mais significativa será a da sociedade carioca: “A população tem a assinatura mais importante. O pacto é dela, que dará sua contribuição por meio de indivíduos não governamentais”. O Pacto terá seis frentes de atuação: Espaços Urbanos (Integração das Favelas, Mobilidade e Habitação Social), Oportunidades (Cultura, Esporte e Empreendedorismo e Capacitação), Segurança, Estudos, Captação e Mobilização. da redação I redacao@folhadarualarga.com.br Curta a Folha da Rua Larga no Facebook!

folha da rua larga Conselho editorial -Alberto Silva, Fernando

Depois que o Instituto dos Pretos Novos (IPN) fechou suas portas por falta de recursos em dezembro passado, a Prefeitura do Rio, através do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH) e da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), socorreu a organização cultural, que abriga importante acervo arqueológico: o cemitério dos escravos que morreram antes ou pouco depois de chegar ao Rio de Janeiro. O objetivo é preservar o IPN, que fica na Rua Pedro Ernesto, 36, Gamboa. Em nota oficial, a Cdurp se comprometeu a “complementar o apoio que já presta, com disponibilização de serviço de equipe de manutenção e limpeza das dependências”. Também será elaborado um plano de captação de recursos que permita alcançar a sustentabilidade do centro cultural. A presidente do IPN, Merced Guimarães, comemorou o acordo, mas realçou que a situação é grave: “Se até fevereiro a precariedade e falta de apoio perdurarem e as promessas não forem cumpridas, acarretando um novo fechamento, desta vez será em definitivo”. Pacto pela integração do Rio

Divulgação

No dia 17 de janeiro, foi realizada a primeira edição da Feira do Porto, inaugurando uma programação que reunirá, todo terceiro sábado do mês, no Largo de São Francisco da Prainha, artesanato, culinária, cultura e música tradicionais, no horário das 10h às 18h. A feira é produzida pela Associação Gastronômica Sabores do Porto e pelo grupo Porto Artesanal, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), com o

Prefeitura e Cdurp socorrem Instituto dos Pretos Novos

Onde encontrar o jornal A Folha da Rua Larga é de distribuição gratuita e pode ser encontrada com mais facilidade nos seguintes endereços: Redação do jornal Rua São Bento, 9 - 1º andar - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20090-010 - Tel.: (21) 2233-3690 www.folhadarualarga.com.br redacao@folhadarualarga.com.br

• Banco Central – Avenida Presidente Vargas, 730 - Subsolo • Bandolim de Ouro – Avenida Marechal Floriano, 120 • Bar Imaculada – Ladeira João Homem, 7 – Morro da Conceição • Biblioteca Estação Leitura – Estação Central do Metrô Rio • CEDIM – Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – Rua Camerino, 51 • Centro Cultural Ação da Cidadania – Avenida Barão de Tefé, 75 • Colégio Pedro II – Avenida Marechal Floriano, 80 • Mini Mix (mercado / padaria) – Avenida Marechal Floriano, 87 • Principado Louças - Avenida Marechal Floriano, 153 • Restaurante Beterraba – Rua Dom Gerado, 64-E • Restaurante Málaga – Rua Miguel Couto, 121 • Restaurante Velho Sonho – Avenida Marechal Floriano, 163 • Subprefeitura do Centro – Rua da Constituição, 34


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janeiro – fevereiro de 2015

comércio 2014 foi o ano do fortalecimento institucional do Polo Região Portuária Presidente do Polo faz um balanço do ano passado e aponta perspectivas para 2015 Divulgação

FRL – Quais os principais resultados alcançados pelo Polo em 2014? Maria Eugenia Duque Estrada – Sem dúvida foi a viabilização do Festival À Moda do Porto, que representou o primeiro grande patrocínio conquistado pelo Polo. Houve uma grande compreensão da patrocinadora, a Cdurp, de que gastronomia não é simples comércio, pois ela tem uma dimensão cultural muito evidente. Foi uma grande vitória nossa conquistar os recursos da Cdurp por meio de um edital voltado para a cultura, numa região que tem presença cada vez

maior da Economia Criativa. O Festival obrigou a equipe do Polo a ter um grande dinamismo e, com isso, inauguramos possibilidades de novas parcerias, com o objetivo de fechar um calendário comum. A Supervia é uma nova grande parceira em potencial, que desenvolve diversas atividades culturais dentro da Estação Pedro II, que ainda não são muito conhecidas pela população. Estamos estudando as possibilidades de ações conjuntas. Também percebemos a chance de fazer parceria com a Caixa Econômica Federal, concorrendo aos seus editais. Outro resultado muito positivo foi

a participação de Berg Silva, um dos mais renomados fotógrafos de gastronomia do país, em nosso Festival À Moda do Porto. Tudo isso representou um grande fortalecimento institucional do nosso Polo. FRL – Que outros resultados positivos podem ser mencionados? Maria Eugenia Duque Estrada – Como consequência do sucesso do Festival À Moda do Porto, o Polo atraiu para si um bom número de novos associados. Principalmente os novos empreendimentos que estão chegando à região, como a

Maria Eugenia: “Em 2015, pretendemos trabalhar mais o campo do comércio”

loja Multicoisas, o singular Rio Cine Botequim, o restaurante natural e vegetariano Beterraba, entre outros. Os novos empreendedores já chegam com visão de futuro, são mais perceptivos à necessidade de criar uma rede de cooperação local e o Polo é um bom instrumento para isso. Outro resultado interessante foi a criação do bloco de carnaval Põe na quentinha. Sua criação envolveu personalidades como Ricardo Amaral, o renomado chef Frédéric Monier e Kátia Barbosa, do Aconchego Carioca. O bloco vai desfilar no dia 6 de fevereiro, saindo do Rio Cine Botequim para chegar ao Largo de São Francisco da Prainha. FRL – A partir do Festival À Moda do Porto, também foi efetivada uma parceria com a PUC-Rio. Que parceria foi essa? Maria Eugenia Duque Estrada – Um professor de food design (apresentação de pratos) da PUC-Rio, Enrique Renteria, fez uma palestra durante os eventos que marcaram a pré-produção do festival. Na ocasião, ele ofereceu uma bolsa de estudo integral no curso de Design e Tradição na Gas-

tronomia, oferecido por ele naquela universidade católica. Chefs associados ao Polo concorreram a essa bolsa e, no curso, os alunos tiveram a chance de enfocar a gastronomia desde diversos pontos de vista: sociológico, histórico, artístico e literário. FRL – Em que consiste esse novo projeto do Polo, a Feira de Agricultura Familiar? Maria Eugenia Duque Estrada – Trata-se de uma parceria do Polo como o INT (Instituto Nacional de Tecnologia), que é certificador de produtos orgânicos, não só agrícolas como seus derivados. A ideia é fazer uma feira desses produtos em local fechado aqui na Região Portuária. Precisaremos de um local coberto, porque os produtos são perecíveis. O ideal é que o local da feira também tenha cozinha, para que os restaurantes da região possam participar do projeto, em regime de rodízio, oferecendo cardápios de produtos orgânicos. Além da venda de produtos, queremos valorizar a slow food, servindo pratos no dia da feira. Os produtores do entorno do Grande Rio serão convidados a parti-

cipar. Este projeto também prevê parceria com o INEA (Instituto Estadual do Meio Ambiente), o Ministério da Agricultura e a Secretaria Estadual de Agricultura. FRL – Quais as perspectivas para 2015? Maria Eugenia Duque Estrada – Nosso principal objetivo é realizar a segunda edição do Festival À Moda do Porto, revista e ampliada. Também queremos trazer para o Polo a oferta de novos serviços para os nossos associados. Em 2014, por exemplo, conseguimos ofertar um curso de inglês do Pronatec para 20 garçons da Região Portuária, na esteira da realização da Copa do Mundo de Futebol no Brasil. O curso foi muito bom e deu um relevante certificado para os participantes. Nesse contexto, pretendemos trabalhar mais o campo do comércio propriamente dito, em 2015, sem esquecer das outras dimensões do nosso trabalho: cultura, lazer, turismo, economia criativa e assim por diante.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


4 folha da rua larga

janeiro – fevereiro de 2015

história baú da rua larga

Central do Brasil: o Relógio, a Providência e o Mangue Informações históricas sobre marcos importantes da Região Portuária O prédio de arquitetura art déco da Central do Brasil é um marco na paisagem do Rio de Janeiro. Cariocas possuem o hábito de se referir à imponente construção: “Vou pegar um trem na Central! Trabalho na Central! Cuidado com a Central do Brasil!” Também é costume um rápido olhar para o relógio monumental. Quantos não acertaram seus ponteiros ao ver a hora certa? E quantos não disseram que estavam atrasados ou adiantados para o compromisso ou para o trem? O gigante das horas salvou vidas e compromissos, e também testemunhou fracassos e sucessos. O imóvel de 124 metros de altura, com sete andares e torre de 28 pavimentos, foi tombado em 1996 pelo prefeito César Maia, quase 80 anos depois do projeto definitivo de 1937 que substituiu a velha estação da Estrada de Ferro Dom Pedro II. A denominação de Estrada de Ferro Central do Brasil veio com a República, em 1889, e a nova rede incorporou as linhas de trens existentes, expandindo ramais para o subúrbio e interligando as bitolas, largas e métricas, mais estreitas, que iam para o interior do estado e se juntavam à antiga RMV (Rede Mineira de Viação) – carinhosamente tratada de

Divulgação

Antiga Estação Dom Pedro II, em 1899

“Ruim, mas Vai!” pelos passageiros. A primeira estação, chamada de Estação da Corte, foi inaugurada em 1858, no quarteirão do Campo da Aclamação, hoje Campo de Santana, após a demolição da Igreja de Sant’Ana, edificada em 1735, gerando uma fantástica indenização para a Irmandade mantenedora do templo. Em 1879, a luz elétrica chegou à estação e o prédio foi ampliado para suportar o fluxo de passageiros e produtos, principalmente o café. Com o término da Guer-

ra dos Canudos em 1897, grande número de soldados vitoriosos acampou na região. Sem moradia, esperando indenizações ou algum aceno do governo, eles se juntaram às centenas de negros do pós-abolição, que habitavam inúmeros cortiços na área próxima do atual Túnel João Ricardo. A região, outrora nobre, de imóveis ricos, foi invadida pelos desassistidos, formando uma população que, em alguns casos, como o famoso cortiço Cabeça de Porco, chegou a abrigar mais de 3 mil pessoas. Parece que o

destino de combatentes e escravos era receber o pagamento infame de pedaços de tábuas para construir seus barracos. Exemplos não faltaram e não faltam, como o do Morro da Mangueira, quando soldados do 9º Regimento de Cavalaria, em 1900, foram autorizados pelos comandantes a pegar o material de demolição das casas mais abastadas e se instalar no morro. A providência ganhou nome e subiu o morro. A princípio chamado de Morro da Favela, por conta de uma planta de flores brancas

e favas, comum em Canudos e também nas encostas dos morros mais baixos do Rio. Depois ganhou o nome de Providência, face à “providência” urgente tomada pelos soldados de Canudos. O gigantesco corte vertical no granito de boa qualidade do morro, que podemos ver da Avenida Presidente Vargas atualmente, serviu de trabalho para os novos moradores da Providência, da Central e região portuária do Santo Cristo. Em 1929, cerca de 1.100 trens passavam pela via, sendo 430 de bitola larga que iam para o subúrbio, com 170 na Linha Auxiliar. Com o apoio das Oficinas do Engenho de Dentro, que atendiam as composições elétricas e as movidas a carvão e a vapor, o tráfego ferroviário cresceu muito na cidade, gerando emprego para milhares de pessoas. O famoso relógio de quatro faces foi fabricado pela IBM no Brasil e é considerado o maior do mundo com quatro faces. Originalmente mecânico com sistema de pêndulos, foi substituído mais recentemente por um sistema de quartzo. A denominação de Estação Dom Pedro II foi dada pelo presidente Arthur Bernardes, em homenagem ao imperador, mas não pegou. Ficou mesmo Central

do Brasil. Cortando a região está o canal do Mangue, incensado no poema Santeiro do Mangue, do modernista Oswald de Andrade, que descreve a mistura de proxenetas, cafetãos, prostitutas brasileiras, negras, francesas e as famosas polacas. Artistas, músicos e escritores como Segall, Di Cavalcanti e Bandeira frequentaram a chamada Vila Mimosa, depois Coréia e por fim República do Mangue em 1954. Nesse contexto social de trens, favelas e sexo da região da Central do Brasil, o samba e os folguedos populares desabrocharam. Atestando isso, já em maio de 1906, a Revista da Semana publicava a trova de violão: “Dona Maria Gibóia, vai de saia de balão, ao Morro da Providência, dançar o samba a tostão”. Hoje repetimos, ao passar pelo prédio da Central do Brasil, o mesmo refrão histórico: “Vou pegar um trem na Central!”. A via férrea possui mais de 150 anos e o prédio quase 80. Seu rico patrimônio de estações, imóveis e oficinas poderia estar mais bem preservado.

aloysio clemente breves soubreves@yahoo.com.br


cultura e cidadania

Reprodução

Mãe de Santo Celina de Xangô, que também é radialista e diretora do Centro Cultural Pequena África, está ajudando a arqueóloga Tânia Andrade Lima a identificar os objetos sagrados ligados às religiões africanas, entre os achados arqueológicos da região do Cais do Valongo, que foi o maior porto de escravos das Américas. cultura e cidadania - página C8

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

janeiro – fevereiro de 2015

Edição Especial

Guia do Sebrae/RJ divulga atrativos de favelas cariocas Publicação tem dicas e mapas de sete comunidades pacificadas do Rio Reprodução

Turistas nacionais ou estrangeiros que tiverem interesse em vivenciar a vida comunitária das favelas cariocas agora podem com uma publicação de referência: o Guia de bolso das comunidades do Rio. Editado pelo Sebrae/RJ, o guia enfoca os atrativos turísticos de sete comunidades cariocas: Chapéu Mangueira e Babilônia, Morro dos Prazeres, Santa Marta, Morro dos Cabritos e Tabajaras, Turano, Salgueiro e Morro da Formiga. O guia divulga os mapas dessas regiões, com informações sobre locais para fazer lanche e orientação sobre os principais meios de hospedagem local. Lançado no fim de dezembro de 2014, na Feira do Empreendedor, o guia vai além das informações básicas. Para o visitante que deseja conhecer a história dessas comunidades, ele divulga curiosidades como os detalhes sobre o jardim desenhado por paisagistas franceses e executado por moradores da comunidade do Morro dos Prazeres, no qual foram plantadas ervas medicinais e aromáticas. Outro exemplo: informa que, no alto do Morro Santa Marta, há uma igreja com a imagem dessa santa. O conteúdo do guia foi elaborado a partir de um mapeamento prévio, feito por especialistas em turismo, em parceria com os pequenos empreendedores locais. Devido à grande procura de programas turísticos em favelas por

O guia também divulga os principais eventos e atividades das comunidades pacificadas

visitantes estrangeiros, o guia contém uma versão em inglês. A proposta básica é apoiar os visitantes interessados em conhecer a cultura comunitária local e em experimentar a rotina diária dos moradores.

Turismo de experiência Entre os atrativos mais procurados por visitantes de favelas estão aqueles que são classificados como turismo de experiência, tais como a gastronomia, os pontos associa-

dos a fatos marcantes da história local e os mirantes com vista privilegiada para as belezas naturais e urbanas do Rio de Janeiro. O guia também indica os serviços de albergues e de moradores que trabalham como guias de turismo. Na avaliação do secretário Nacional de Políticas de Turismo, Vinicius Lummertz, o turismo de experiência, além de va-

lorizar a cultura comunitária, contribui para documentar a história dos destinos turísticos: “É um tipo de turismo que agrega valor aos produtos e serviços de uma região, ao mesmo tempo em que promove o encantamento dos turistas”, disse ele. Do ponto de vista cultural, o guia informa, por exemplo, onde fica o famoso Corredor de Grafittis do Morro dos Praze-

res, a estátua de Michael Jackson no Santa Marta, a casa de artesanato do Morro dos Cabritos, a Capela dos Operários e o projeto Fazendo Arte do Morro do Turano. O guia é colorido, com diagramação e textos leves, que aumentam o prazer de folheá-lo. Na página final da publicação, os editores informam que o projeto “foi criado visando ao desenvolvimento do empreendedorismo em comunidades pacificadas”. E acrescenta: “O Sebrae busca integrar as comunidades com seus diferentes serviços e potencialidades turísticas, gerando oportunidades aos pequenos empreendimentos locais e sempre valorizando a cultura e a tradição das comunidades. Nesse turismo de experiência, também preza-se o desenvolvimento de ações sustentáveis, com a redução de impactos negativos sobre o meio ambiente”. Nesse contexto, o que se recomenda a todos os turistas é que contratem os guias locais, pois eles conhecem os roteiros, os moradores, os comerciantes, a história da favela, enfim, todas as informações que permitirão ao visitante desfrutar ao máximo da sua experiência.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


C2 Edição Especial

janeiro – fevereiro de 2015

cultura e cidadania boca no trombone

Cliques Rua Larga Divulgação Art Rua

Je suis, você é, nous sommes Je suis Charlie Hebdo e Charlie Chaplin, os cartunistas mortos e a dor de seus parentes e amigos. Nós somos também os encapuzados que atiraram e aqueles que se sentiram ofendidos pelo desrespeito a Maomé. Eu sou o que desrespeita e o que venera, o gatilho e o peito baleado, as notícias de acidente e os acidentados – a inteligência e a ignorância. Nós somos Marco Acher, condenado à morte por tráfico de drogas na Indonésia, o traficante e o consumidor. Somos os jovens sem esperanças de futuro e aqueles que poderiam prover oportunidades. Eu sou você atado ou disperso, verdadeiro ou mentiroso. Nós somos a seca e a inundação, o calor e a falta d’água nas represas – as estrelas e o chão. Você é aquele que pede esmolas no sinal, aquele que dá ou o que levanta o vidro com medo de assalto. Eu sou o cão maltratado e o seu algoz, a prostituta e o cafetão – somos todos corruptos, corruptores e os honestos indignados. Nós somos a lágrima e o sorriso, o medo e a coragem de agir com o coração, aquele que bate na cara e aquele que deixa seu rosto na distância do tapa. Você é o que desmata, a árvore que cai, os bichos que morrem, aquele que polui e o que padece pela poluição – somos a nossa fauna e flora. Eu sou o Rio de Janeiro e o Rio de Janeiro sou eu. Sou pai e filho, neto e avô. Sou Deus, Maomé, Buda, Pai de Santo, Lúcifer e ateu. Você é a fome e o alimento, a dor e a saúde – aquilo que come e desperdiça. Nós somos os que caminham em protestos nas ruas, os mascarados, a polícia e os políticos nos quais votamos. Você é uma mistura de homem e mulher. Eu sou o sem terra e o proprietário dela; sou negro, branco, amarelo e pardo – sou todas as cores, de todas as bandeiras, costuradas num pano de chão. Somos as crianças que habitam os idosos e os jovens que envelhecem por não acreditarem na realização dos seus sonhos. Nós somos o “bem-mal”, o bem-me-quer e o mal-me-quer, a mistura de raças e credos, o doente, o médico, a escravidão e o coronel. Somos o Amarildo, seu assassino e aquele que escondeu seu corpo. Você é o poder e a grana, o cargo, a submissão e a omissão. Eu sou a pobreza e o desperdício – somos o equilíbrio e a loucura. Você é o empregado e o chefe, o estudante e o professor, o cego que atravessa a rua sem ajuda, o motorista que atravessa o sinal fechado, o bêbado e o sóbrio, aquele que malha e o sedentário. Somos todos mendigos e aqueles que acham a desgraça normal. Embora sejamos tudo e todos, podemos escolher quem de fato queremos ser. Esta atitude é o que nos torna diferentes. Eu sou apenas um poeta que devora a vida e vomita versos. fernando portella cottaportella@globo.com

Empena do artista TOZ, representante do Rio no evento Art Rua Divulgação Art Rua

Empena do francês Seth Globepainter para o evento Art Rua


cultura e cidadania C3 Edição Especial

janeiro – fevereiro de 2015

ICCV vai lançar guia cultural do Centro Histórico do Rio de Janeiro Publicação será gratuita e terá informações de 16 diferentes áreas da cidade Divulgação

O ICCV (Instituto Cultural Cidade Viva) está desenvolvendo um projeto editorial que irá documentar e divulgar os atrativos culturais do Centro Histórico do Rio de Janeiro. A proposta é fazer uma pesquisa inicial de 100 atrativos culturais, materiais e/ou imateriais, que dará origem à edição de um guia de referência, com ênfase nos seguintes aspectos: edificações históricas com suas arquiteturas de época; espaços culturais atuantes na região; ateliês de artes plásticas e de artesanato; bares históricos e restaurantes típicos, locais vinculados ao patrimônio cultural afro-brasileiro, como a Pedra do Sal (onde nasceu o samba), o Cais do Valongo (por onde aportavam os escravos) ou o Centro Cultural José Bonifácio (instituição da prefeitura voltada para a difusão da cultura de matriz africana). O guia irá registrar também os eventos culturais tradicionais, bem como as festas populares e religiosas, que serão divulgados em um calendário dentro da publicação. O futuro guia, em princípio, será intitulado Ca-

Theatro Municipal do Rio de Janeiro: arquitetura inspirada no L’Opéra de Paris Divulgação

Fachada do prédio Paris, na Praça Tiradentes, que se transformará em hotel por dois empresários franceses, com inauguração prevista para este ano

minhos da Cultura: Centro Histórico do Rio de Janeiro, e conterá dados referentes às seguintes áreas urbanas: Central do Brasil, Avenida Presidente Vargas, Saara, Praça Mauá, Candelária, Avenida Rio Branco e Rua Primeiro de Março, Castelo, Cinelândia, Lapa, Largo da Carioca, Praça Tiradentes, Campo de Santana, Praça da Cruz Vermelha, Bairro de Fátima e Aterro do Flamengo. O guia terá versão impressa, mas também será disponibilizada em versão eletrônica para a internet, sendo ambas gratuitas para o público em geral. O projeto preenche uma lacuna no campo das informações culturais sobre o Rio de Janeiro e tem como um de seus objetivos difundir, para visitantes nacionais e estrangeiros, as riquezas culturais do Centro Histórico da Cidade Maravilhosa, contribuindo, dessa forma, para o desenvolvimento da Economia Criativa da cidade. Fernando Portella, diretor-executivo do Intituto Cultural Cidade Viva e idealizador do projeto editorial, afirma que a intenção é “elaborar e

publicar um livro de notório valor humanístico, contribuindo assim para a preservação, valorização e divulgação de bens culturais materiais e imateriais do Centro da cidade do Rio de Janeiro, que, no passado, foi sede administrativa do Brasil Colônia e cenário de importantes decisões e eventos da história do nosso país”. A viabilização do projeto está baseada no uso das leis de incentivo fiscal à cultura – federal (Lei Rouanet), estadual (Lei do ICMS/RJ) e municipal (Lei do ISS/RJ). Já foram captados até a presente data R$ 70 mil da Taesa (Lei Rouanet), R$ 90 mil pelo Edital do Comitê Rio 450 anos e R$ 10 mil via Lei do ISS. O valor total do projeto é R$ 302.900,00. A expectativa do ICCV é conseguir o restante da verba por meio de patrocínio da Light e apoio do Sebrae/ RJ.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


C4 Edição Especial

janeiro – fevereiro de 2015

entrevista

“A Zona Portuária se mistura com a história da nossa própria empresa” Gerente do Instituto Light fala das políticas social e cultural da companhia Divulgação Divulgação

Nesta entrevista para a Folha da Rua Larga, o gerente do Instituto Light para o Desenvolvimento Urbano e Social – e também gerente do CCL (Centro Cultural Light) Paulo Bicalho, comenta a política cultural da companhia, mostra como a empresa vai participar das celebrações dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro e fala das perspectivas de encontrar novas parcerias para as atividades do Centro Cultural Light. FRL - Qual é a política cultural da Light para a região da Rua Larga e Zona Portuária? Que projetos importantes a empresa tem patrocinado e apoiado nesta área onde está situada sua sede? Paulo Bicalho – A Zona Portuária tem grande importância para a Light. Primeiro, porque nossa sede histórica (1912) fica na região, ao lado do Itamaraty. Segundo, porque a Zona Portuária teve papel importante na história do Rio de Janeiro, que é misturada com a história da nossa própria empresa. Revitalizar a região é como uma missão para a Light, que viu o auge e o declínio local iniciado ou acelerado com a criação da Avenida Presidente Vargas, que rasgou o Centro do Rio. Nossa política cultural pretende reativar as aptidões históricas da região, fortalecer a produção cultural local, valorizar a história e sua relação com a Light e, principalmente, promover o desenvolvimento humano. FRL – A história dos 110 anos da Light se confunde com a história de desenvolvimento do estado do Rio de Janeiro. O acervo da empresa é rico e importante para estudantes, planejadores públicos e privados. Que ações estão sendo apoiadas para a comemoração dos 450 anos da cidade? Paulo Bicalho – O Instituto Light para o Desenvolvimento Urbano e Social é a entidade responsável pela política cultural da empresa, assim como por outros projetos especiais. Entre eles está

Paulo Bicalho, gerente do Instituto Light Divulgação

o Programa de Revitalização da antiga Rua Larga, que se iniciou antes da escolha da cidade como sede das Olimpíadas de 2016. O instituto também é guardião, por meio do Centro Cultural Light, do acervo histórico da companhia, que completa em 2015 seus 110 anos de atividades no Rio. Os documentos preservados remontam ao final do século XIX, época em que a empresa ainda estava iniciando suas prospecções, antes mesmo de operar oficialmente na cidade. De lá para cá, acumulamos mais de um milhão de itens no acervo, entre fotografias, filmes, arquivos de áudio, equipamentos de precisão, mobiliário, documentos textuais, mapas, plantas e até obras de arte. Com tamanha memória sobre a cidade, é natural que a empresa esteja se preparando para contribuir com as comemorações dos 450 anos do Rio. Temos presença no Comi-

O Museu Light de Energia, uma das grandes atrações da companhia, apresenta experimentos variados, jogos eletrônicos, painéis multimídia e artefatos históricos


cultura e cidadania C5 Edição Especial

janeiro – fevereiro de 2015

Divulgação

mos criar possibilidades de conexões entre os indivíduos, trazer mobilidade à cidade, propor novas referências em substituição às antigas, assim como criar oportunidades baseadas nas vocações locais dos territórios. Isso trará o desenvolvimento humano e uma nova atmosfera, mais propícia à formalidade e ao bom relacionamento entre os clientes e a Light.

tê Rio 450, com profissionais da Light envolvidos diretamente. Já há alguma programação definida, de onde destaco o Programa Anima Porto, selo que será aplicado às nossas ações culturais na Região Portuária. Já nasce com esse selo o Festival do Porto, que inaugura importantes parcerias com a Cdurp, a Concessionária Porto Novo, o Sebrae/ RJ e a Secretaria Estadual de Cultura. Mais ações virão durante o ano. FRL - Com a implantação das UPPs, o problema dos gatos, do furto de energia, tem diminuído? Qual a parceria da empresa para a conquista da cidadania nas comunidades pacificadas? Qual a política de patrocínio social da empresa? Paulo Bicalho – Com a implantação das UPPs, a empresa pode ter acesso novamente aos territórios, agora livres do poder paralelo. As pessoas que moram nas favelas cariocas têm demonstrado interesse na formalização da sua situação. O problema são as décadas de uma cultura de informalidade que influencia negativamente o comportamento delas. Quando entendemos esta dinâmica, soubemos que era preciso criar ou pelo menos estimular o surgimento de uma nova cultura. Precisa-

O projeto Quanta Energia! levou para moradores de 20 comunidades pacificadas informações sobre uso racional da energia elétrica. Em cena, os cientistas malucos do grupo Mad Science, que começaram sua turnê no Centro Cultural Light

Augusto Malta

A Light possui impressionante acervo de fotos de Augusto Malta, um dos pioneiros da fotografia no Brasil, que foi funcionário da empresa

FRL – Quais as perspectivas de atividades no Centro Cultural Light? Paulo Bicalho – Em épocas de dificuldade de investimentos, nós vamos recorrer à criatividade e às parcerias estratégicas. Nossos objetivos com o Instituto Light e o Centro Cultural são comuns aos de outras empresas e certamente poderemos formar alianças que permitam a manutenção de ações necessárias ao desenvolvimento pela cultura, pelo esporte e com respeito ao meio ambiente, como estivemos fazendo há anos.

mário margutti mfmargutti@gmail.com

Anima Porto: novo programa cultural da Light

Selo do novo programa da Light

A Light está desenvolvendo o Anima Porto, que tem por objetivo o desenvolvimento sociocultural da Região Portuária. O programa é um “guarda-chuva” que abarcará uma série de projetos patrocinados pela Light e seus parceiros na região. Abrangerá a programação do Centro Cultural Light, o Animando a Rua Larga (que é realizado pelo Instituto Cultural Cidade Viva), o Festival do Porto (concertos de jazz e blues itinerantes pela Zona Portuária), assim como o patrocínio da Folha da Rua Larga. O programa chancelará com um selo os projetos alinhados aos seus objetivos. Dessa forma, as ações dos parceiros ganham um sentido de unidade e suas ações socioculturais se tornam mais visíveis na região.


A ARTE DA

REGIÃO PORTUÁRIA

EM UM LUGAR SÓ Todo terceiro sábado do mês, Artesanato, Cultura, Música e Culinária tradicionais da Região Portuária no Largo de São Francisco da Prainha, das 15h às 21h.

Saiba mais: Facebook.com/FeiradoPortoArteCultura PortoMaravilha.com.br PRODUÇÃO:

PARCERIA:

Não perca a chance de conhecer as raízes culturais cariocas e observar o futuro que o Porto Maravilha está construindo.

#PortoMaravilhaCultural


C8 Edição Especial

janeiro – fevereiro de 2015

cultura e cidadania

Obras do Porto Maravilha valorizam legado místico africano Mãe de Santo ajuda a identificar objetos sagrados no sítio arqueológico do Valongo As obras do Porto Maravilha revelaram um importante sítio arqueológico no Cais do Valongo, que foi o maior porto de recepção de escravos africanos das Américas no século XIX. O local foi soterrado no tempo da Monarquia, com o propósito de esconder os horrores do comércio de escravos realizado no Brasil Colônia. As obras de revitalização da Região Portuária trouxeram à luz um impressionante conjunto de peças de época, que foram confiadas à arqueóloga Tânia Andrade Lima, do Museu Nacional da UFRJ. Ela está classificando e catalogando os achados arqueológicos, que, posteriormente, irão constituir o acervo do Memorial da Diáspora Africana na Zona Portuária. O objetivo não é reviver os tempos trágicos da escravidão, mas sim celebrar a riqueza cultural e a diversidade das religiões de matriz africana. Em seu trabalho, Tânia está contando com uma valiosa auxiliar: a Mãe de Santo Celina de Xangô, que ajuda a reconhecer objetos sagrados do misticismo africano, entre peças que parecem simples pedras. “A pesquisadora encontrou nas escavações uma

Mãe Celina participa de ritual no Valongo

imagem de Bara, que é o orixá Exú. Como a pesquisadora é católica, ficou até com medo de tocar na peça, achando que era uma coisa diabólica. Então eu expliquei a ela que ele é um orixá mensageiro, ligado ao poder e à virilidade, e que, por isso, ele foi demonizado.

Imagina, ele era o gostoso da história!”, conta a Mãe de Santo. Entre as peças encontradas nos canteiros de obras, Mãe Celina já reconheceu uma série de otás, que são pedras que representam os orixás. E também identificou contas sagradas, que ela cha-

ma de monjolós e seguis. Mãe Celina afirma que se emociona com esse trabalho de reconhecimento, porque as peças revelam que, em meio ao profundo sofrimento vivido pelos negros na escravidão, eles conseguiam manter a esperança através da fé em forças superiores.

Caderno Cultura e Cidadania Realização

Divulgação

Divulgação

Patrocínio

Radialista criada em São Gonçalo e diretora do Centro Cultural Pequena África, que fica no Largo de São Francisco da Prainha, Mãe Celina se mudou para a Rua Sacadura Cabral, na Zona Portuária. Agora não quer mais se afastar do campo sagrado dos achados arqueológicos. E conclui: “Se sou Celina de Xangô (Ydaobá), preciso agradecer aos meus ancestrais. Nunca mais fecharei meus olhos para isso. Minha raiz está toda enterrada aqui”. A arqueóloga Tânia Andrade Lima também conta com o auxílio de Mãe Meninazinha de Oxum e do professor e babalaô Fernando Portugal, na tarefa de identificação das peças encontradas no sítio arqueológico. Outra relevante con-

tribuição de Mãe Celina para a preservação da memória da Pequena África foi a lavagem das escadarias do Valongo, juntamente com o grupo Afoxé Filhos de Gandhi. O ritual é feito uma vez por ano, e Mãe Celina participa de pés descalços, dançando, entoando cânticos e jogando flores por onde passa. O Cais do Valongo e da Imperatriz está entre os pontos em análise pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pode ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


13 folha da rua larga

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cidade morro da conceição O africano que existe em nós brasileiros Júlia Vidal mora no Morro da Conceição, é formada pela UFRJ em Desenho Industrial, pós-graduada em História da África no Brasil e também estuda a etnia indígena. Com grande desenvoltura, seu falar vai mostrando aos poucos que é uma pessoa sensível e culta. Quando lhe perguntei por que optou pelo mundo da moda, ela disse que tudo que construiu até agora já estava dentro dela, e só faltava um pequeno “clique” para que as coisas acontecessem. O primeiro clique aconteceu por ocasião de uma megaexposição no CCBB, chamada África Arte. Seu fascínio foi tamanho que ela não conseguia mais sair de lá. Tanto foi, tanto viu e tanto fotografou, que terminou sendo convidada para ser a fotógrafa das perfomances da exposição. Mas o fato que mudou a sua vida definitivamente foi quando, por coincidência ou obra do destino, recebeu um convite do fotógrafo e jornalista Ricardo Beliel para fazer uma exposição no Largo da Prainha. A exposição organizada por Beliel era de fotos com temática africana e chamava-se Rio Luanda. Júlia não pensou duas vezes. Pediu demissão do trabalho. Com a África na cabeça e a ajuda da mãe (artista plástica), ela cortou, criou, pintou, montou, desenhou e costurou dia e noite, produzindo material suficiente para encher uma barraca de cinco metros quadrados. De lá para cá, não parou mais. Sua produção criou asas. Foi parar em lojas especializadas como Mutações e ganhou as passarelas do mundo: Rio de Janeiro, Bogotá e Londres. No Brasil, já trabalhou com figurinos em TVs e palcos. Vestiu personagens de programas como: Superbonita e A grande família, além da novela Gabriela, entre outros. Ela tem em seu histórico o figurino de personagens encarnadas por atrizes como Thaís Araújo e Carol Castro. Sua empresa oferece serviços de concepção de figurinos, customização de peças, produção de moda e vestuário, design gráfico e estampas inspiradas na simbologia afro-indígena brasileira. As peças de roupa que cria são cuidadosamente estudadas. Tudo tem um fundamento histórico e cultural. Os tecidos são de fibras naturais, o tingimento é feito do que vem da natureza. Assim ela usa: açafrão, genipapo, urucum e outros recursos para dar pigmentação às peças que confecciona. Além do reaproveitamento de tecidos, ela borda também com linhas não-sintéticas. Palha da costa, búzios e pérolas são alguns exemplos de materiais sustentáveis usados por ela. As roupas que produz são carregadas da atmosfera africana e indígena e exibem cores vivas e desenhos de muita beleza. Recentemente, Júlia foi escolhida para fazer parte da campanha internacional da Shell intitulada Make the future, que aborda ideias que podem mudar o mundo. Nessa campanha, o trabalho dela é reconhecido como celebração do patrimônio cultural através de um design sustentável. Em breve, Júlia lançará um livro de sua autoria, cujo título é: O africano que existe em nós brasileiros. Com os olhos fixos na cultura afro-indígena e os pés na criatividade brasileira, Júlia vai construindo passo a passo o seu sonho profissional. A artista oferece mensalmente um tour étnico pela região do Morro da Conceição, além de organizar palestras sobre histórias afro-indígenas em seu ateliê, que fica na Rua Jogo da Bola, 49, sobrado 2. Telefones: (21) 98126-0404 / 99639-0929 / 2266-2096. Site: www.juliavidal.com.br. teresa speridião teresa.speridiao@gmail.com

Benefícios do VLT para o Porto do Rio de Janeiro Novo sistema de transporte vai gerar emprego, criar mobilidade e mais integração Divulgação

O cálculo é da empresa concessionária VLT Carioca: as obras do Veículo Leve Sobre Trilhos vão gerar 1.280 empregos diretos e indiretos na construção. De acordo com a concessionária, que foi contratada pela Prefeitura do Rio para implantar e operar o sistema, as obras serão responsáveis pela abertura de 320 vagas diretas e 960 indiretas. O sistema prevê quatro estações com 38 paradas, distribuídas em 28 km de extensão. A entrega está prevista para o primeiro semestre de 2016. Mas, neste ano que se inicia, deverá estar concluído o primeiro trecho do projeto, unindo as quatro estações previstas: Praia Formosa, Santo Cristo, Praça Mauá e Cinelândia. As contratações iniciais de mão de obra já começaram e a empresa forma um banco de oportunidades para futuras contratações. Quem estiver interessado, pode enviar seu currículo para recrutamento@vltrio.com.br, inclusive para vagas a partir de 2016, quando o VLT já deverá estar funcionando. Desde julho de 2011, diversos pontos da Região Portuária começaram a receber estrutura para a implantação do VLT, como a Via Binário do Porto, a Rua General Luiz Mendes de Morais e o Túnel Ferroviário do Morro da Providência, em intervenções executadas pela Concessionária Porto Novo. Em janeiro do ano passado, sob gerência da Concessionária do VLT Carioca, as obras avançaram pelos bairros Gamboa, Saúde, Santo Cristo e Centro. Outubro de 2014 marcou o começo das obras vinculadas ao VLT na Avenida Rio Branco, via estratégica para levar passageiros do Centro

ao Aeroporto Santos Dumont. Essa etapa provocou mudanças importantes no trânsito e nos transportes do Centro. No fim da avenida, a Cinelândia receberá, em janeiro de 2015, exposição do protótipo do VLT, que hoje está aberto à visitação dos cariocas nos Galpões da Gamboa. Pedestres poderão conferir como será o transporte do futuro no Rio. O protótipo permanecerá na área por tempo indeterminado. Os cinco trens fabricados na França chegarão ao Rio em meados de 2015. Os 27 restantes serão montados no Brasil

da redação redacao@folhadarularga.com.br

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gastronomia

Restaurante Beterraba: onde sabor e saúde andam juntos

receitas carol

O estilo gastronômico de sucesso gerou uma filial em Copacabana Yuri Maia

O restaurante Beterraba é um achado para aqueles que procuram no Centro um lugar para comer bem e de modo saudável. A casa oferece comida natural e também vegetariana. Além do zelo absoluto no quesito limpeza, o Beterraba leva ainda muito a sério a palavra natural, a começar pelo sal que é usado apenas o suficiente para dar sabor. Os caldos industrializados não são usados e os de legumes são retirados do próprio cozimento. As azeitonas estão fora do cardápio por conter muito sódio. A proposta de quem comanda as panelas é de zero fritura: tudo é grelhado, assado ou cozido e, o melhor de tudo, o óleo é só o suficiente para o cozimento. O que mais surpreende é que, apesar de tantas restrições, os pratos são extremamente saborosos. O segredo fica por conta dos temperos perfumados: alho, cebola, manjericão, orégano, hortelã, salsa, entre outros. Há uma seção vegetariana com três tipos de arroz, massa ao pesto (essa é imperdível) e hambúrguer de soja (nunca sai do cardápio por ser um grande sucesso entre os clientes). Para os adeptos da comida natural, há peixes todos os dias com receitas diferentes. Os pratos não são repetidos durante a semana. Alguns já se tornaram famosos, como o empadão de camarão e o quibe de banana verde. É importante lembrar que tudo isso está sob orientação de uma nutricionista rigorosa

O novo ambiente do Restaurante Beterraba oferece mais conforto aos clientes Yuri Maia

Yuri Maia

A nutricionista da casa se empenha na oferta de pratos saborosos e saudáveis Yuri Maia

O cardápio é diversificado entre comida natural e vegetariana

e empenhada em servir pratos saborosos e saudáveis. Uma boa opção para quem não quiser almoçar é tomar uma tigela de sopa com um sabor diferente para cada dia da semana, acompanhada de pão feito na casa.

As sobremesas seguem a filosofia da casa: frutas tropicais variadas, pudim e a famosa torta integral de banana. Desde maio de 2014, o Beterraba está funcionando dois números acima da casa anterior. A proprietária

Luciana Ganem decorou o restaurante com muito bom gosto e fez, inclusive, uma bela descoberta: ao retirar um reboco, havia um nicho com azulejos portugueses lindíssimos que estavam escondidos há anos. A mudança de endereço trouxe algumas vantagens: a cozinha ficou mais ampla e os clientes ganharam mais conforto com a atual disposição das mesas. O salão possui 110 lugares, comumente lotados na hora do almoço. A maioria dos clientes é de funcionários de empresas da região, que, quando cadastrados, ganham descontos. O sucesso do restaurante natural é tão grande que já foi aberta uma filial em Copacabana, que funciona de domingo a domingo e só para almoço. Não importa qual seja o Beterraba: do Centro ou de Copacabana, ele é sempre uma garantia de almoço saudável, com prazer gastronômico. Centro: Rua Dom Gerardo, 64-E. Telefone: (21) 2263-5932. Aberto de segunda a sexta, somente para almoço. Em Copacabana: Rua Souza Lima, 37-A. Aberto de domingo a domingo, somente para almoço. Telefone: (21) 2267-2605. Site: www. restaurantebeterraba. com.br. E-mail para contato: contato@restaurantebeterraba.com.br.

teresa speridião teresa.speridiao@gmail.com

Os termômetros estão a cada dia mais altos. Os tamborins já estão a postos e a festa mais famosa do Brasil vai começar. O Carnaval tem aquecido ainda mais as ruas cariocas. Não podemos nos esquecer de nos hidratar e comer bem para ter energia e foliar com saúde e alegria. Nem pensar em gastar tempo na cozinha: uma deliciosa solução são os sanduíches. Simples, práticos e refrescantes,

eles têm dois segredos: um bom pão e um recheio criativo. Aqui vai uma sugestão, mas fiquem à vontade para criar recheios com os ingredientes que tiverem em casa. Uma dica: escolha um pão, coloque manteiga ou azeite, uma folha, uma proteína, alguns legumes, que podem ser crus ou cozidos, e um molho para dar personalidade. Bom apetite e divirta-se!

Sanduíche de rosbife fatiado ACP

Ingredientes: • 180g de rosbife fatiado • 2 pães árabes integrais • 2 folhas de alface americana • ½ de xícara de folhas de espinafre • ¼ de xícara de tomatinho cereja partido na metade • ¼ de xícara de abobrinha crua fatiada Para o molho: • 2 colheres de sopa de

maionese • 1 dente de alho amassado • 1 copo de iogurte natural firme • ½ colher de chá de vinagre de vinho branco • ½ colher de sopa de cebolinha picada • ½ colher de sopa de salsa picada • 1 colher de chá de orégano seco • sal a gosto

Modo de preparo Aqueça levemente o pão o alho e as ervas. Tempere árabe no forno. Regue com com sal. Sirva acompaum fio de azeite. Coloque nhando o sanduíche. as folhas no pão. Disponha por cima as fatias de carne e arrume os legumes. Regue ana carolina portella com um pouco de molho. carolnoisette@hotmail.com Para fazer o molho, bata Confira outras vigorosamente o iogurte receitas da Carol no blog com a maionese, o vinagre, nacozinhacomcarol.blogspot.com


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lazer folha da rua larga

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Light cria plataforma na internet para divulgar atrativos do estado Ferramenta conta com ajuda de blogueiros e postagens tradicionais A Light criou na internet uma plataforma que ajudará as pessoas a planejar uma viagem pelo interior do estado ou a encontrar um programa cultural divertido e gratuito. O Rio merece, pois é um estado que possui 92 municípios com muitas belezas naturais e diversas opções de diversão, arte e cultura. Para deixar os internautas atualizados sobre tudo o que acontece no território fluminense, o Rio Light pode ser acessado através do endereço www.riolight.com.br. Por meio de uma estrutura chamada mashup, o Rio Light agrupa publicações de diversos blogs em um único site, permitindo aos internautas acharem conteúdos interessantes sobre estilo de vida, moda, gastronomia, esportes, turismo, arte, cultura e lazer, informando sobre o que acontece de bom no estado

do Rio de Janeiro. O Rio Light já conta com a colaboração de 17 blogueiros que se dedicam a temas do nosso estado. Além dos posts dos tradicionais Diário do Rio de Janeiro, Blog Carioca e Diários Gastronômicos, a plataforma também incorporou o Blog do Ney Motta, ator e produtor que traz as principais notícias sobre o mundo das artes, e também O Passeador Tijucano, editado por Pedro Paulo Bastos, que divulga notícias e histórias do tradicional bairro carioca. Além destes, o Rio Light traz as agendas de eventos da zona norte e da zona sul da Cidade Maravilhosa, através do Blog Zona Norte e Etc. e do Carioca DNA. Em síntese, quem acessa o site encontra exposições, passeios culturais, feiras, informações gastronômicas, dicas de

Divulgação

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Diversificado, o Rio Light informa temas como a moda verão carioca, conforme as tendências ditadas pelos camelôs da Uruguaiana (foto)

moda e muito mais. A proposta é criar um espaço de divulgação para quem ama e fala sobre o Rio, possibilitando o compartilhamento de conteúdos e a busca de notícias com energia. Para os que escrevem, é mais um local para divulgar toda a paixão pelo nosso estado. Para a empresa de energia, o Rio Light é uma iniciativa que reafirma o amor da companhia pelo Rio. Quem é blogueiro(a) e gosta de postar textos ou imagens vinculadas aos atrativos do estado do Rio de Janeiro, pode se cadastrar e fazer parte desse time de craques da informação via internet (o link para cadastro é www.riolight.com.br/contato).

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Folha da Rua Larga Ed.49  

Folha da Rua Larga 49ª Edição

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