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Divulgação

DJ MAM agita o Morro da Conceição

Historiador narra em livro fatos marcantes do Porto

Sotaque Carregado é o nome do projeto que mescla música, design, artes plásticas, teatro, moda, gastronomia e turismo. Idealizado pelo cantor e compositor DJ MAM, o projeto acontece em todo o morro, do Bar Imaculada à praça da Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição.

folha da rua larga Carlos Eugênio Líbano Soares, professor de História da Universidade Federal da Bahia, lançou obra que condensa 200 anos da história do Porto do Rio, enfocando temas como o mercado de escravos no Valongo, a chegada de Dom João VI ao Rio, o reinado de Dom Pedro II e a Proclamação da República.

cultura e cidadania - página C8

cultura e cidadania - página C1

folha da rua larga RIO DE JANEIRO | NOVEMBRO – DEZEMBRO DE 2014

comércio

Polo Região Portuária: um balanço do ano

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Nº 48 ANO VII

Artistas criam painel na Pedra do Sal que homenageia a cultura afro-brasileira Carolina Monteiro

O Polo que congrega os comerciantes do Porto do Rio chega ao fim do ano com muitas realizações: a adesão de novos associados e a concepção do importante Festival À Moda do Porto. página 3

história

Raízes da cultura afro-brasileira Um relato das origens de importantes marcos da cultura afro-brasileira na Região Portuária, como o Centro Cultural José Bonifácio e o Instituto Pretos Novos. página 4

gastronomia

A artista plástica Vanessa Rosa e grafiteiros da Zona Imaginária Cooperativa de Artes Visuais pintaram um navio negreiro energizado com a força positiva dos orixás do Candomblé cultura e cidadania I página C4

Málaga: sabores marcantes das muitas especiarias página 14 Carolina Monteiro

Divulgação

cidade

Escultora italiana promove intercâmbio artístico com morador do Morro da Conceição Após ficar fascinada com as obras de Osvaldo Gaia, artista residente no Morro da Conceição, em visita ao Rio de Janeiro, a escultora Monica Pennazzi viabilizou uma parceria internacional, com apoio da Associação Massenzio de Arte Roma. página 13

Neste mês de dezembro, a grande atração musical do Centro Cultural Light será o sambista Gusttavo Clarão. Autor de sambas-enredos para a escola de samba carioca Viradouro e compositor de sucessos como Não vou ficar na pista, o músico já tem plateia cativa. página 16


2 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

porto hoje

Cursos entrelaçados

farol Divulgação

Os cursos profissionalizantes ministrados pela Concessionária Porto Novo começam a formar uma rede de colaboradores que auxilia na capacitação para o mercado de trabalho e amplia o grau de cidadania da população local. Neste segundo semestre, os cursos de fotografia, maquiagem e o Providenciando Vidas permitiram o desenvolvimento de atividades conjuntas. Jorge da Conceição, morador da região, após participar da capacitação em fotografia, percebeu que o curso de maquiagem poderia complementar a sua formação. Disse ele: “Às ve-

Moradores beneficiados pelos cursos profissionalizantes

zes não há quem faça a maquiagem antes de um ensaio fotográfico, por exemplo. Agora tenho a garantia de que a maquiagem vai atender àquilo que espero, tornando-me um profissional

cada vez mais completo”. A integração entre as diversas frentes se fortalece a partir da troca de experiências entre professores e alunos. Para Cecília Fonseca, professora de fotografia, “Os cursos

começaram a se entrelaçar e, assim, fazer o book fotográfico das gestantes do Providenciando Vidas se tornou o projeto final da turma de fotografia”. E completa: “É uma experiência muito válida para os dois lados. Além disso, buscamos valorizar as paisagens da Região Portuária. A turma já fotografou em espaços como o Jardim do Valongo, o Armazém 6, Morro da Conceição e Pedra do Sal”.

Sistema inédito de gestão da iluminação A Concessionária Porto Novo está implantando na Região Portuária o sistema Minos, inventado na Itália, que permite a gestão das lâmpadas elétricas, câmeras de vigilância, placas eletrônicas com informações para motoristas e até sinais de trânsito. Uma das vantagens do sistema é permitir o monitoramento à distância do desempenho da iluminação pública, gerando uma economia de até 50% no consumo de energia. Através da rede elétrica já instalada na região, o sistema promove o trânsito de informações meteorológicas, que permitem avaliar o volume de chuva, a velocidade do vento, a umidade relativa do ar, os índices de raios ultravioletas e a temperatura local. Outro diferencial da tecnologia é o monitoramento específico das lâmpadas de vapor de sódio no bairro da Saúde, um dos mais antigos da cidade.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Valongo + Social No dia 8 de novembro, sábado, aconteceu na Praça Jornal do Commercio a segunda edição do projeto Valongo + Social. Das 10 às 16h, com apoio de mais de 30 instituições públicas e privadas, os moradores locais tiveram acesso à tirada de documentos, emissão da primeira ou segunda via da Carteira de Trabalho, além de poderem se cadastrar em banco de vagas para empregos e fazer inscrição para cursos profissionalizantes gratuitos. Além disso, a população também ganhou, totalmente de graça, corte de cabelo, embelezamento das unhas, chance de medir a pressão arterial e a glicose, além de vacinação para adultos e crianças. Promovido pela Cdurp, o evento teve, ainda, apresentações musicais no decorrer do dia, com shows de grupos da região: Prata Preta, Pinto Sarado, Harmonia Enlouquece, Coral do Talma e Coral Musical Pra Lá de 1000 se revezaram na praça. Para completar, foram realizadas atividades infantis e aulas de ginástica, dança e capoeira.

Problemas no Morro da Conceição Claudio Aun

Moradores do Morro da Conceição relatam que as caixas de fibras óticas, no subsolo, estão cheias de água, com a fiação submersa. Moradores da Rua Pedro Antônio dizem que o lixo e o mato do terreno, na altura do número 32, está virando um criadouro de mosquitos, e, por isso, temem a chegada do verão. No entorno do morro também foram detectados problemas: • Aposentados estão saudosos do tempo em que podiam se sentar na Praça Jornal do Commercio à sombra de árvores. Eles reclamam que hoje estão

go e à mercê dos 40 graus e da chuva. Todas as árvores foram cortadas. Delas nasciam cachos cor de rosa muito bonitos. No seu lugar, foram plantadas árvores nanicas que não servem nem para pouso dos pássaros. • As festas nas boates da Sacadura Cabral lotam de gente nos finais de semana e a urina corre solta na rua, deixando o ar fétido. Será que a repressão ao xixi só dá ibope no Carnaval?

Depois das chuvas, as caixas de fibras óticas do Morro da Conceição ficam alagadas

sem sombra, sem banco e sem mesas. Ficam a olhar a imensidão da praça vazia, sem graça e sem vida.

• Quando o verão chegar, será impossível esperar os ônibus nos pontos da Rua Sacadura Cabral sem abri-

O projeto Valongo + Social beneficia a população do Porto da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Onde encontrar o jornal

folha da rua larga Conselho editorial - Alberto Silva, Fernando

Projeto gráfico - Henrique Pontual e Adriana

Portella, Francis Miszputen, Maria Eugênia Duque

Lins

Estrada, Mozart Vitor Serra, Roberta Abreu,

Diagramação - Suzy Terra

Sacha Leite, Teresa Serra e Teresa Speridião

Revisão ortográfica - Raquel Terra

Direção executiva - Fernando Portella

Produção gráfica - Suzy Terra

Editor e jornalista responsável - Mário Margutti

Produtora Executiva - Roberta Abreu

Colaboradores - Aloysio Clemente Breves, Ana

Impressão - Maví Artes Gráficas Ltda.

Carolina Portella, Berzé, Carolina Monteiro,

Contato comercial - Márcia Souza

Fernando Portella, Roberta Abreu, Teresa

Tiragem desta edição: 10.000 exemplares

Speridião e Yara Vaz de Melo Freppel

Anúncios - comercial@folhadarualarga.com.br

da redação I redacao@folhadarualarga.com.br Curta a Folha da Rua Larga no Facebook!

A Folha da Rua Larga é de distribuição gratuita e pode ser encontrada com mais facilidade nos seguintes endereços: Redação do jornal Rua São Bento, 9 - 1º andar - Centro Rio de Janeiro RJ - CEP 20090-010 - Tel.: (21) 2233-3690 www.folhadarualarga.com.br redacao@folhadarualarga.com.br

• Biblioteca Estação Leitura – Estação Central do Metrô Rio • Colégio Pedro II – Avenida Marechal Floriano, 80 • Tetto Habitação – Avenida Marechal Floriano, 96 • Bandolim de Ouro – Avenida Marechal Floriano, 120 • Sapataria Souza – Avenida Marechal Floriano, 121 • Principado Louças - Avenida Marechal Floriano, 153 • Restaurante Velho Sonho – Avenida Marechal Floriano, 163 • Cedim (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher) – Rua Camerino, 51 • Multicoisas – Rua São Bento, 26 • Restaurante Málaga – Rua Miguel Couto, 121 • Centro Cultural Ação da Cidadania – Avenida Barão de Tefé, 75 • Bar Imaculada – Ladeira João Homem, 7 – Morro da Conceição • Subprefeitura do Centro – Rua da Constituição, 34


3 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

comércio

Polo Região Portuária amplia suas atividades em 2014 O balanço do ano revela parcerias fecundas e realização de importante festival Divulgação

O Polo Região Portuária, presidido por Maria Eugênia Duque Estrada, vem desenvolvendo importantes e criativas ações, juntamente com uma competente equipe, alinhada com os propósitos do projeto. Tendo como palavra de ordem o associativismo e como instrumento desenvolvimentista o comércio local, o Polo promove o empreendedorismo, ao mesmo tempo em que valoriza as tradições, que passam a ser fatores de agregação de valor. Parcerias de peso têm fundamental importância neste processo, como a do Sebrae, que gerencia um plano de desenvolvimento local inclusivo, que visa a estimu-

Divulgação

Lançamento do bloco carnavalesco Põe na Quentinha, em frente ao Cine Botequim

lar a abertura de mercado para novos empreendedores e, paralelamente, sensibilizando para a necessidade de realinhamento com as oportunidades naturais advindas

com a Operação Porto Maravilha. A produção local, seja artesanal ou gastronômica, é muito diversificada e o potencial cultural reconta nos-

Cristóvão Duque Estrada, chef do Caesar Park, preparando um prato indígena na oficina de culinária que comandou na Casa Porto, durante o festival

sa história desde os tempos da colonização, valorizando as raízes cariocas. O Polo conscientiza moradores e comerciantes do entorno sobre todo esse rico potencial, que também se configura como destacado atrativo turístico, com grandes perspectivas de exploração. No dia 20 de março, o Polo promoveu um Encontro do Conselho Consultivo dos Polos, que reuniu no Hotel Pompeu as lideranças consolidadas dos polos de comerciantes já instalados em 25 territórios da cidade. Na ocasião, a troca de experiências apontou novas oportunidades e novos caminhos de expansão das atividades do Polo Região Portuária. Outra realização de grande porte aconteceu no período de julho a novembro com muito sucesso: o evento gastronômico À Moda do Porto – Festa da Gastronomia e do Comércio de Rua, que ofereceu diversificada programação, como circuito gastronômico e de compras, oficinas de culinária, caravanas a botecos tradicionais da região, intervenção teatral e bloco carnavalesco. Em julho, o produtor Raphael Vidal foi convidado pela direção do Polo a organizar, ao lado de Israel Oliveira e Márcia Sousa, a pro-

dução do À Moda do Porto. Ele participou de diversas reuniões em restaurantes, selecionou degustações e fez encontros com chefs. Em julho, Raphael liderou a realização dos Laboratórios do Sabor (LabSabor), evento que mesclou apresentações de pratos representativos do Brasil Império e instigou os chefs locais a criarem pratos inovadores inspirados por essa história tão rica. Com o tema O Velho Porto e a Culinária da República, o evento contou com a adesão de muitos restaurantes locais, cujos estabelecimentos foram mapeados e identificados com charmosos galhardetes vermelhos, levando ao público os mais deliciosos sabores. No Cais do Valongo, teve lugar o Tabuleiros da Pequena África, que reuniu cozinheiros e quituteiros tradicionais da região e artesãos, que comercializaram seus produtos, para deleite de quem participou. Já os comerciantes locais venderam os kits promocionais À Moda do Porto, um atrativo a mais para o diversificado comércio local. Na Casa Porto, foi realizada a Estação Sabores, interessante oficina ministrada por renomados chefs de cozinha. Por lá também houve encontros sobre a

culinária indígena, portuguesa e africana e os eventos Os saberes sagrados e profanos, A culinária de rua e o samba carioca, com Luiz Antônio Simas, e Os aromas e sabores da Pequena África, com Délcio Theobaldo. O festival incluiu ainda a Mostra Prainha, uma exposição de artesanato, moda e cultura, promovida no Largo de São Francisco da Prainha. No que diz respeito a planos futuros, o Polo está dando os primeiros passos para a realização da I Feira Familiar de Agricultura Orgânica da Região Portuária, em sintonia com a visão da associação, que é “tornar-se, até 2016, uma instituição de referência no desenvolvimento econômico e social da Região Portuária do Rio de Janeiro, respeitando as vocações do território e preservando o seu patrimônio material e imaterial”. Coroando um ano de boas realizações, o Polo registrou também a adesão de novos comerciantes, que passaram a fazer parte da sua rede de associados – o que significa, na prática, o fortalecimento e a expansão das atividades da organização.

yara vaz de mello freppel yvmfreppel@gmail.com


4 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

história baú da rua larga

O patriarca, a Gamboa e os pretos novos A origem de três importantes marcos históricos do Porto do Rio Clarice Tenório Barreto

Lugar de águas calmas ou remanso da Baía de Guanabara, assim é a região da Gamboa na cidade do Rio de Janeiro. Sem dúvida, uma das mais importantes áreas de interesse histórico da cidade, por conta do rico patrimônio cultural que possui. Um deles é o Centro Cultural José Bonifácio, que foi a primeira escola pública da cidade, inaugurada pelo Imperador Dom Pedro II em 1877. Situado no antigo caminho da Gamboa que desembocava no mar, hoje Rua Pedro Ernesto, 80, em homenagem ao pernambucano Pedro Ernesto (1884-1942) que foi prefeito da cidade e grande incentivador do samba carioca, o palacete foi restaurado e novamente inaugurado, em 2013, para abrigar o Centro de Referência da Cultura Afro-Brasileira, por iniciativa do Programa Porto Maravilha Cultural que, em parceria público-privada, contribui para recuperar inúmeros patrimônios da Região Portuária, revitalizando assim a história carioca. Diversas entidades, como a Secretaria de Cultura do Estado, o Conse-

Centro Cultural José Bonifácio: arquitetura tipicamente republicana

lho Municipal de Defesa dos Direitos do Negro e Associação dos Moradores e Amigos do Bairro da Gamboa participam do projeto, dada a importância histórica, cultural e social do Centro de Referência. No casarão funciona uma biblioteca, uma sala de vídeo e um espaço para concertos musicais. Oferece também cursos, feira de livros, exibição de filmes e vídeos, oficinas de arte, seminários, exposições, espetáculos teatrais e musicais. Querelas à parte por

conta do nome José Bonifácio – o Patriarca da Independência, que, segundo alguns, queria apenas embranquecer a população e havia lutado contra a Lei Abolicionista – este permaneceu. A Zona Portuária do Rio está sendo redescoberta. O antigo Cais do Valongo está visível. Retirado o aterro que o encobriu em 1843 para receber a visita da princesa Thereza Cristina de Bourbon, que se casaria com Pedro II, naquela época já havia sido embelezado e

recebeu novo nome: Cais da Imperatriz. São as camadas de aterros que escondem a história de uma cidade. Mudamos o nome, como que querendo apagar a triste lembrança da escravidão. O Marquês do Lavradio iniciou este processo em 1770, quando transferiu o mercado de escravos para o Largo do Depósito, atual Praça dos Estivadores. Com a Lei Feijó (1831) que proibia o tráfico negreiro, os grandes comerciantes de carne humana como os Breves e Moraes,

que mantinham frota considerável de embarcações nas águas da Costa Verde, contando com agenciadores poderosos como Ulrich e Ruviroza, o comércio negreiro migrou para as baías de Angra dos Reis e Sepetiba. Infelizmente, agindo na clandestinidade, deram continuidade ao tráfico de escravos até 1860. Mudou o lugar, mas a história permaneceu. Basta abrir um buraco no chão da Gamboa para encontrá-la. Não dá para fugir de nosso passado. Um bom exemplo foi a transferência do Cemitério dos Pretos Novos do Largo de Santa Rita, imediações da Rua Larga de São Joaquim, para o antigo caminho da Gamboa. Em 1996, uma prospecção para obras, proporcionou a descoberta de vestígios de ossos humanos, cerâmica, vidros, metais e inúmeros artefatos do período escravista. Espanto, indignação, e solução final: recuperar e dar destino correto ao passado. Numa rápida passagem pelas crônicas e artigos da época, encontraremos o antigo caminho da Gamboa, Pedro Ernesto atual, que se chamou por

algum tempo de Rua do Cemitério, em alusão aos inúmeros escravos que chegavam estropiados e doentes da costa africana e ali eram enterrados em valas comuns. O achado de Dona Mercedes e do Sr. Petruccio, no número 36 da Rua Pedro Ernesto, em 1996, foi de extrema importância para recuperar a história dos negros que chegaram ao Brasil. A ajuda do Centro Cultural José Bonifácio foi fundamental para que os órgãos responsáveis pela cultura e pelo patrimônio enviassem historiadores e arqueólogos para estudar a descoberta e trabalhar com afinco na recuperação do material. O local foi transformado no Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, hoje um polo cultural de grande relevância. Como diziam os antigos: urras e aleguaguás aos pretos novos e velhos que renascem sob o projeto restaurador das entidades que estão recuperando a história impressa nas camadas da cidade.

aloysio clemente breves soubreves@yahoo.com.br


cultura e cidadania

Reprodução

O escritório Arquiteto Hector Vigliecca e Associados ficou em primeiro lugar no concurso promovido pela Fundação Biblioteca Nacional, Cdurp e IABRJ, que definiu o melhor projeto de reforma do Anexo da Biblioteca Nacional da Região Portuária. cultura e cidadania - página C3

Revitalização da Rua Larga | Zona Portuária | Centro do Rio

novembro – dezembro de 2014

Edição Especial

Livro narra histórias do Porto do Rio de Janeiro Especialista enfatiza acontecimentos ligados à cultura afro-brasileira Reprodução

Divulgação

Com patrocínio da Light, da Concessionária Porto Novo e incentivo da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, o projeto Porto Memórias foi idealizado pela empreendedora cultural Sônia Mattos, que ajudou a preservar a memória das fazendas históricas do Vale do Café, através da ONG Preservale. Além de espetáculos teatrais, oficinas de artes cênicas, apresentações audiovisuais e debates, o projeto também originou um livro ricamente ilustrado, dedicado à história da Pequena África, região do Porto do Rio em que ocorreram fatos marcantes da cultura afro-brasileira. A edição do livro tem o selo da Biz Cultural, empresa que realça no texto de apresentação, assinado por Sônia Mattos, que “no Porto do Rio foram forjados os símbolos maiores da carioquice: a malandragem, o samba, a capoeira, a favela” A obra foi escrita por Carlos Eugênio Líbano

Soares, professor de História da Universidade Federal da Bahia, especializado em pesquisas sobre capoeira e outras tradições da cultura negra. Enriquecido com fotos históricas e reproduções de pinturas de época, o livro explica a origem do nome Pequena África e, em seguida, faz uma síntese dos principais acontecimentos ocorridos desde a invasão da cidade do Rio pelo corsário francês Duguay-Trouin, em 1711, até a inauguração do Cais do Porto, em 1911. Assim, o livro condensa duzentos anos de história portuária, abordando temas como o surgimento do mercado de escravos no Valongo, a chegada de Dom João VI, a ascenção ao trono de Dom Pedro II e a Proclamação da República. As histórias das principais obras ligadas ao Porto também são relatadas: o Cais da Imperatriz (1870), a construção da Doca Dom Pedro II (1875), a construção do Dique da Saúde (1880) e

O livro realça o Porto como o coração negro da cidade, onde nasceu o jeito de ser brasileiro

Carlos Eugênio Líbano Soares

o início da instalação do Cais do Porto (1904). Um capítulo relevante narra a ligação entre os capoeiristas e a Guerra do Paraguai (1870). Momentos de rebeldia popular também

são registrados, como a Revolta da Vacina (1904), a greve dos operários que trabalhavam no Cais (1905) e as Revoltas da Chibata e dos Fuzileiros (1910).

Ocorrências pouco conhecidas, como o resgate do filho do Rei de Cabinda e a história dos Pretos Novos de Santa Rita também constam da obra. Ao final, é mostrado como nasceu o samba na Pedra do Sal, como aconteceu a inauguração do Cais do Porto e visualizações artísticas de como ficará a

região depois que forem realizadas todas as obras da Operação Urbana Porto Maravilha. Leitura imperdível para quem vive ou trabalha no Porto.

mário margutti mfmargutti@gmail.com


C2 Edição Especial

novembro – dezembro de 2014

cultura e cidadania boca no trombone

Cliques Rua Larga Reprodução

Delação Incubada Meu filho, quando tinha quatro anos, olhou para um quadro na casa dos avós com a pintura de uma criança e perguntou: “Quem é esse menino?” – “É o seu avô, quando tinha a sua idade”, foi a resposta. Ele olhou, olhou e indagou: “E a criança morreu”? Com certeza, a maioria dos políticos foram adolescentes e jovens especiais, preocupados com o lugar onde viviam. Muitos deles foram lideranças estudantis, mentes críticas, participantes de movimentos, passeatas e protestos por um Brasil mais humano e democrático. Nesta idade, creio eu, começaram a se interessar pela política. Podem ter iniciado como funcionários públicos, depois escolhidos como secretários, até que optaram por uma carreira política. Assisti a um amigo dizer, com dedo em riste, para um político venal: “Não sou contra a sua pessoa, sou contra a sua cultura, contra o Bicho que comanda a sua cabeça, essa Coisa Pública que domina a maioria do comportamento dos homens públicos”. A primeira pedra no caminho da realização de um bom projeto político ocorre quando se descobre que boas ideias não avançam apenas com o cargo, é preciso negociar. O Bicho impõe sua força e se alimenta do cérebro das pessoas. Quanto custa uma campanha? Muito dinheiro! Quem articula apoios e trocas tem mais chances de vencer. Quem não consegue tende a perder, tornam-se vozes sem audiência nos plenários. É muito difícil andar na lama sem se enlamear. Quando se engole um sapo, logo vem outro e outro, até que todo esse comportamento parece habitual. Acabam se convencendo que usar recursos públicos para se manter no poder é natural. Colocar algum no bolso passa a ser merecedor, porque, afinal, “ganha-se pouco”. A disputa por cargos, secretarias e ministérios tem para um grupo numeroso apenas a intenção de colocar algum no bolso, realizando alguma coisa de fachada: “o dinheiro e o poder são sinônimos intangíveis”. Existe saída? A punição rigorosa é um ato necessário, pois assusta corruptores e os corruptos. Uma reforma política, com lideranças fisiológicas, não parece resolver. Buscar uma maior consciência da população, através da educação e da cultura, de forma que ela vote por nomes “ficha limpa” é um caminho. Mas como fazer? Como atingir as cidades mais distantes, de escolas precárias, hoje formadoras de indivíduos dependentes? A internet é um processo positivo para quem tem acesso a ela. As passeatas e os protestos ajudam, pressionam. A imprensa? Esta faz o seu papel, mas precisa atingir uma massa maior de gente e realizar um trabalho mais jornalístico. Um bom político será sempre aquele que, apesar da Coisa Pública, é capaz de não deixar morrer a sua criança, seu jovem idealista.

fernando portella cottaportella@globo.com

Realizada pelo artista carioca Izolag Armeidah, a pintura que decora uma das paredes do Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro é o maior estêncil urbano do mundo. Divulgação

A Feira do Empreendedor, promovida pelo Sebrae desde 1994 em todos os estados do país, é o maior evento presencial de empreendedorismo do mundo, com mais de 150 edições e dois milhões de visitantes. A Feira do Rio, realizada no Centro de Convenções Sulamérica, de 27 a 30 de novembro, reuniu cerca de 30 mil visitantes.


cultura e cidadania C3 Edição Especial

novembro – dezembro de 2014

Anexo da Biblioteca Nacional será reformado pela Cdurp Júri de concurso organizado pelo IAB-RJ escolhe projeto de reforma vencedor Reprodução

Em cerimônia realizada no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), no dia 14 de novembro, foram premiadas as três melhores propostas de reforma do Anexo da Biblioteca Nacional na Região Portuária. O projeto encaminhado pelo escritório Arquiteto Hector Vigliecca e Associados ficou em primeiro lugar no certame, promovido pela Fundação Biblioteca Nacional, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp). Organizada pelo IAB-RJ e lançada oficialmente no dia 26 de agosto, a competição registrou 66 inscrições. O júri foi composto pelos arquitetos Luiz Antonio Lopes de Souza, Nivaldo Vieira de Andrade Júnior, Ricardo

Projeto de reforma do Anexo da Biblioteca Nacional

Villar, Gilberto Belleza e Sérgio Magalhães. Segundo eles, o trabalho vencedor valoriza a integração entre o imóvel e o passeio público que está em construção na Avenida Rodrigues Alves e ligará a Praça XV ao Armazém 8 do Cais do Porto. Em nota oficial, o júri destacou “a relação espacial que o projeto estabelece entre a Biblioteca e a nova orla da

Guanabara”. E acrescentou: “com propriedade, o projeto valoriza os vínculos entre o edifício e a praça-esplanada resultante da reurbanização do Porto, justamente na inflexão do cais, na posição em que ele se abre à cidade», conforme consta na ata do júri da competição. Os critérios gerais para avaliação incluíram adequação da proposta ao programa

apresentado no edital; inserção urbana e integração com espaços públicos circundantes; integração entre blocos preexistentes e volumes propostos; acessos e fluxos dos diferentes tipos de usuários e serviços; conforto ambiental e expressão arquitetônica. O presidente da Cdurp, Alberto Gomes Silva, observou a importância de abrir o imóvel ao público após a obra: “A Biblioteca Nacional é um patrimônio importante para a cidade. O projeto de restaurar o prédio da Avenida Rodrigues Alves e oferecer serviços à população vai ao encontro da ocupação que buscamos para a área. Ele (o prédio) será mais uma atração do corredor cultural formado pelo novo passeio público”.

A arquiteta Ana Cristina Wanzeler, atual ministra da Cultura, elogiou o concurso nacional para a escolha do melhor projeto: “O Ministério da Cultura defende seleções do tipo por permitirem maior participação de arquitetos e equipes multidisciplinares em obras públicas”. Os arquitetos vencedores Hector Ernesto Vigliecca Gani, Luciene Quel, Ronald Werner Fiedler e Neli Yumi Shimizu receberam R$ 80 mil. O trabalho de Helena Aparecida Ayoub Silva, Bruno Valdetaro Salvador, Cesar Shundi Iwamizu, Eduardo de Almeida e Eduardo Pereira Gurian, do escritório Helena Ayoub Silva & Arquitetos Associados, ficou em segundo lugar e levou R$ 35 mil. Renato

Dal Pian e Lilian Dal Pian, da Dal Pian Arquitetos Associados, conquistaram o terceiro lugar e R$ 20 mil. Renato Lessa, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, ressaltou a importância da reforma do imóvel: “A Biblioteca qualifica a sua relação com a cidade. O edifício anexo será um equipamento cultural de ponta e um presente para o Rio. Os benefícios para a sociedade são incalculáveis”. A conclusão do projeto executivo está prevista para 2015, quando a obra será licitada. A expectativa é reinaugurar o imóvel depois de três anos. da redação redacao@folhadarualarga.com.br

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C4 Edição Especial

novembro – dezembro de 2014

entrevista

Artistas fazem intervenção pictórica na Pedra do Sal Um painel que retrata um navio negreiro e os Orixás foi inserido no muro local Vanessa Rosa

Carolina Monteiro

A Pedra do Sal é um dos marcos históricos mais importantes da cultura afro-brasileira. No tempo do Brasil Colônia, o local estava muito mais próximo do porto de atracação dos navios que traziam os escravos africanos. E ali eram depositados os sacos do sal que era igualmente transportado pelos navios, o que deu origem ao nome da imensa pedra onde foi entalhada uma escadaria para facilitar a subida das pessoas. Nessa pedra, os músicos Donga, João da Baiana e Heitor dos Prazeres deram nascimento ao samba carioca – e, até hoje, a Pedra é local de noites animadas de sambas tradicionais e sambas contemporâneos. Mais recentemente, a Pedra passou a abrigar shows de jazz, que constitui uma vertente cultural afro-americana. Nas vizinhanças da Pedra, existe um quilombo urbano, reconhecido pelo governo federal, através da Fundação Palmares. Em 2007, a Pedra do Sal foi reconhecida pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico

Vanessa Rosa e Felipe Ylpe durante o processo de pintura do painel na Pedra do Sal

Nacional como patrimônio cultural imaterial. O Inepac – Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural tombou a pedra no dia 20

Visão geral do painel depois de pronto

de novembro de 1984 (Dia Nacional da Consciência Negra). Em junho de 2014, o prefeito Eduardo Paes sancionou um projeto de lei criando a Área de Especial Interesse Cultural (AEIC) do Quilombo da Pedra do Sal, considerada o berço do samba, na Zona Portuária. O projeto, de autoria do vereador Eliomar Coelho (PSOL), inclui no perímetro de proteção os largos João da Baiana e São Francisco da Prainha, o trecho da Rua Argemiro Bulcão que sobe a Pedra do Sal e a Rua São Francisco da Prainha. Também foram incluídos os imóveis do lado ímpar da São Francisco da Prainha e nove construções das ruas Argemiro Bulcão, Sacadura Cabral e Camerino, além da Travessa do Sereno. Os quilombolas desse território urbano carioca hoje estão na luta pela definitiva titulação desse espaço junto ao Estado brasileiro, sob a liderança do portuário Damião Braga, o professor Luiz Torres, e da chef de cozinha Lucinha Conceição. Artistas visuais fazem sua homenagem

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Por todos esses motivos, a Pedra vem recebendo atenção crescente da população e, em setembro deste ano, artistas visuais se reuniram para fazer uma intervenção no muro que ladeia a Pedra do Sal, como forma de honrar esse importante patrimônio da cidade. A artista plástica Vanessa Rosa foi a idealizadora do projeto. Ela possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (2003) e mestrado (2008) pela mesma instituição. Tem estudos na área de Artes, com ênfase em Arte Brasileira Contemporânea, além de atuar como ilustradora de livros. Sobre a Pedra do Sal, ela conta: “Quando comecei a pintar figuras ligadas à história do Morro da Conceição, em 2010, como parte de um projeto

de pesquisa universitária, eu tampouco sabia o que significava encontrar ali um quilombo urbano. No entanto, agora me parece de extrema importância reconhecer e marcar a presença dos quilombolas e sua memória, sua visão da região. Propus então a repintura do muro da Pedra do Sal, mas a concepção da ideia foi elaborada junto com outros artistas e com os quilombolas” Quem se uniu à Vanessa na proposta foram os artistas da Zona Imaginária Cooperativa de Artes Visuais, grupo organizado por Maurício Hora, que contou também com a participação de um artista do Morro da Conceição, Felipe Ylpe. Todos se juntaram para pintar no muro local um grande navio negreiro, que ocupa agora a maior parte da Pedra do Sal. Vanessa complementa: “No entanto, dentro do navio não se vê escravos, não se vê mais uma representação de sofrimento e dominação, mas força, cultura, vida. Trata-se de um momento de comemoração, de reconhecimento, e assim queremos prosseguir”. A força a que a artista se refere está materializada pictoricamente por imagens de Orixás dançando, que relembram outro fato histórico culturamente importante: a Pedra do Sal também é palco de oferendas ligadas às religiões afro-brasileiras desde o século XVII, num fenômeno de resistência silenciosa das pessoas que eram vítimas da escravidão. O resultado dessa obra criada por diversas mãos é uma imagem energizante, plasmada em cores, formas e ritmos visuais expressionistas, que contribui para perenizar a importância da cultura afro-brasileira na construção da sociedade nacional.

mário margutti mfmargutti@gmail.com


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C8 Edição Especial

novembro – dezembro de 2014

cultura e cidadania

Morro da Conceição com um sotaque carregado Liderado pelo DJ MAM, projeto cultural mescla música, artes visuais e resgate da história Divulgação

Cada vez mais o Morro da Conceição se torna um point de agitação artística e cultural. A novidade agora é o Sotaque Carregado, que estreou dia 8 de novembro em frente à Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição. Trata-se de uma proposta multimídia, idealizada pelo compositor e produtor musical DJ MAM, que pretende homenagear musicalmente, a cada edição do projeto, um estado brasileiro. Nessa perspectiva, ele ofereceu ao público um pacote de sons cariocas, com lundu, modinha, choro, cantigas de candomblé e umbanda, MPB, bossa nova, rap e funk carioca. Toda essa carioquice musical foi misturada a outras sonoridades brasileiras, como o carimbó, o samba-reggae, o baião, o mangue beat e a ritmos globais como o dubstep, o afrobeat, o hip hop e o reggae. No repertório, além das suas próprias músicas, DJ MAM apresentou canções de Chiquinha Gonzaga, Chico Buarque, Ernesto Nazareth, Tom Jobim, Pixinguinha, Marcelo D2, Martinho da Vila e Fernanda Abreu. Na sua festa musical, ele instalou na praça os equipamentos que batizou de Caravela Sistema de Som Sotaque Carregado e a pista de dança reverberou clássicos de grandes compositores que escolheram o Rio de Janeiro para morar, tais como Ary Barroso, Dorival Caymmi, Caetano Veloso,

Divulgação

O artista Claudio Aun com a escultura que criou especialmente para o projeto DJ MAM (ao centro) com artistas do Morro da Conceição

(150 x 70 cm), e que contou com a participação de Dora Firme, do Bordado Carioca

Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Hermeto Pascoal, João Donato e Djavan.

invés de globalizar nossa miscigenação sonora com as batidas do mundo, como fiz em meu CD, apontarei para outras artes”. E assim ele iniciou um diálogo com outros setores da Economia Criativa, como design, artes plásticas, teatro, moda, gastronomia e turismo. O projeto abrange um passeio turístico, um circuito gastronômico e as “portas abertas” dos 15 ateliês dos artistas plásticos que moram no Morro da Conceição e integram o já famoso Projeto Mauá. A música Eu cheguei na Mauá ganhou uma ilustração do artista visual Ilpe, que foi estampada na blusa da designer de moda Julia Vidal, colocada à venda para

Lançamento Na ocasião, foi lançado o EP digital Sotaque Carregado Carioca, com três faixas e pré-venda no iTunes: • Eu cheguei na Mauá – soundcloud.com/dj-mam/ eu-cheguei-na-mau. A música aborda as raízes do samba no Morro da Conceição, exaltando a Pedra do Sal. Já foi enredo da Banda da Conceição e gravada por artistas da Zona Portuária; • Oba Rio – soundcloud. com/dj-mam/brazilian-lounge-rio-oba-rio. Tema oficial da Riotur, que destaca os

cantos e encantos da cidade do Rio de Janeiro; • Iemanjá Carioca – soundcloud.com/dj-mam/ iemanj-carioca-demo-dj-mam-e. A canção é um louvor do DJ MAM à sua cidade natal. O EP ganhará uma versão de luxo com remixes de Omulu e do paulistano Deeplick. Multimídia Em depoimento para a Folha da Rua Larga, o DJ MAM afirmou: “A proposta das festas Sotaque Carregado é ir além do diálogo musical que venho propondo com os nossos diferentes sotaques nos últimos oito anos. Ao

Caderno Cultura e Cidadania Realização

Patrocínio

o público. O escultor Claudio Aun teve participação especial, criando especialmente para o evento uma escultura em tela de arame que contou com a parceria da bordadeira Dora Firme. A cenografia do projeto foi concebida por Susana Lacevitz e pelo premiado artista plástico Gaia. O VJ Jodele Larcher assumiu o comando das projeções de imagens e o DJ MAM subiu ao palco com um figurino indígena étnico-futurista assinado por Julia Vidal, a mesma que criou a camiseta comemorativa da festa. A festa começou com uma visita guiada ao Circuito da Herança Africana e, na parte gastronômica, o Imaculada Bar & Galeria, o Bar do Ge-

raldo e o Léo Bar somaram forças com as quituteiras do morro e ofereceram um cardápio saboroso aos seus visitantes, como o acarajé de Sônia Baiana, eternizado por MAM no samba Eu cheguei na Mauá, e a feijoada do Imaculada Bar & Galeria, prato típico da culinária carioca, cantado na música Oba Rio. Um percentual da venda do bar será destinado à Amamco – Associação de Moradores e Amigos do Morro da Conceição, que no momento passa por reformas.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br


13 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

cidade ICCV realiza exposição sobre história e legado africanos em São João Marcos

morro da conceição Intercâmbio de artistas no Morro da Conceição Não foi obra do acaso quando a italiana Monica Pennazzi, moradora da cidade de Ancona, veio passar as férias no Rio de Janeiro e se encantou com uma foto de um catálogo de esculturas tridimensionais. Seus olhos brilharam com os trabalhos de Osvaldo Gaia, artista contemporâneo que dispensa apresentações. Logo ela subiu o Morro da Conceição e conheceu pessoalmente Osvaldo, encantando-se com seu ateliê e suas criações. O que Monica jamais poderia imaginar é que a visita se transformaria em um intercâmbio por iniciativa própria. Foram longas conversas, trocas de ideias, de ideais e de e-mails, até que, tempos depois, Monica estava de volta ao Brasil procurando um lugar para se instalar. Não conseguiu nada no Morro da Conceição e então foi morar no Morro da Mangueira. Em pouco tempo, ela já sabia o que significava Verde e Rosa. Mais recentemente, ela saiu da Mangueira e alugou um quarto no Grajaú, numa instituição ítalo-brasileira. Com disciplina invejável, ela vai ao Morro da Conceição todos os dias: tem hora para chegar, mas nunca para sair. Mergulhada em linhas de nylon preta, ferros retorcidos, ela tece suas esculturas empregando uma linguagem visual bastante objetiva. O resultado é surpreendente. Apesar de estar aqui há pouco tempo, Monica já recebeu vários convites para mostrar seus trabalhos. Em setembro, expôs na Artigo Rio. O convite veio da agência holandesa Manywere, através de Nuno Ribeiro. Após essa participação, suas obras foram divulgadas pela revista Vogue, dando mais visibilidade ao seu talento.

Uma feijoada gratuita marcou a estreia da exposição Afromarcossenses – história e legado, no dia 29 de novembro, no Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, situado na Estrada Mangaratiba/Rio Claro (Km 20 da rodovia RJ-149). Este foi o último evento do ano no Parque, que foi concebido e é administrado pelo ICCV – Instituto Cultural Cidade Viva, com patrocínio da Light e incentivo da Lei do ICMS/RJ.

Divulgação

No dia 15 de novembro, às 14h, foi lançado no SESC Madureira o Guia Patrimonial da Pequena África. Concebido pelo jornalista e professor da PUC-Rio Carlos Nobre, a obra foi editada pela Centro Portal Cultural e enfoca a vida de diversas personalidades negras que viveram e agitaram a região conhecida como Pequena África (Gamboa, Saúde, Santo Cristo, Cidade Nova, Praça XI, Estácio, Catumbi e Lapa). O livro faz um levantamento dos monumentos que homenageiam figuras proeminentes, como Ismael Silva, Cartola, Machado de

Monica Pennazzi envolvida por uma de suas esculturas

Mônica é formada em design na Itália e é autodidata em artes plásticas. A evolução do seu trabalho ocorreu muito rápido, mas a linguagem inicial basicamente é a mesma. Agora ela apresenta um trabalho mais sólido: suas esculturas tomaram formas mais definidas, com um conteúdo imagético maduro. A artista tece linhas horizontais e verticais que não são percebidas como estáticas. As direções das linhas, que partem da base de ferro, dançam no espaço em diagonais, curvas e espirais, sugerindo objetos em constantes transformações e movimentos. Dessa forma, o conteúdo expressivo torna-se um turbilhão espiralado e fascinante. A artista conta que, em uma de suas voltas à Itália, procurou a Associação Massenzio de Arte Roma, na qual já havia recebido um prêmio de arte contemporânea, para relatar sobre o intercâmbio no Brasil. Os dirigentes se interessaram em ajudar e ela fez um projeto, que foi aprovado, abrindo caminho para que Osvaldo Gaia possa dar prosseguimento ao intercâmbio. Por conta disso, a Massenzio Arte Roma já convidou Monica para uma exposição na capital italiana, quando ela voltar. Dois jornais de Ancona (Corriere Adriatico e Il Resto del Carlino) fizeram matérias sobre a artista, abrindo um leque de possibilidades na expansão do intercâmbio. Provavelmente, no próximo ano, Monica fará uma coletiva e depois uma individual na Galeria HRocha no Rio de Janeiro. O Brasil e a Itália só têm a ganhar com as corajosas teresa speridião iniciativas dessa talentosa dupla de artistas.

teresa.speridiao@gmail.com

A inauguração foi marcada por apresentações de danças, músicas e folguedos folclóricos afro-brasileiros, além da exibição do documentário Afromarcossenses. A exposição aborda um tema pouco estudado: o papel desempenhado pelos descendentes africanos na antiga cidade de São João Marcos, que foi inundada para a construção de uma represa e hoje tem sua memó-

ria arquitetônica e histórica preservada num Centro de Memória dentro do Parque. Diversos banners contando um pouco dessa história são complementados com depoimentos inéditos de antigos moradores e historiadores.

Assis, Lima Barreto, Carlos Gomes, Zumbi e o marinheiro João Cândido. Em suas 160 páginas, o guia também mapeia as árvores de origem africana trazidas para o Rio de Janeiro, além de outros locais e territórios que têm ligações históricas com a cultura de matriz africana. A obra será distribuída gratuitamente para bibliotecas, centros culturais, entidades afro, escolas e centros de estudos

afro-brasileiros, juntamente com um DVD de um vídeo de 50 minutos, que revela diversos aspectos da cultura imaterial da Pequena África. Formado em Jornalismo pela PUC-Rio, Carlos Nobre é mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes, atuou como repórter e editor em diversos jornais cariocas, fundou os jornais Mundo Black e Questões Negras, além de ganhar seis prêmios jornalísticos (sendo dois Esso). Carlos Nobre também recebeu “Moções de Aplauso e Louvor” da Câmara de Vereadores e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, pelos seus esforços em defesa da população negra.

Guia cultural da Pequena África

Incentivo para cineastas afro-brasileiros Até dia 30 de janeiro de 2015, estarão abertas no Ministério da Cultura as inscrições para o edital Curta-Afirmativo 2014: o protagonismo de cineastas afro-brasileiros na produção audiovisual. De acordo com a ministra interina da Cultura, Ana Cristina Wanzeler, o edital surgiu com a preocupação de equilibrar a distribuição de recursos para a cultura em todo o país: “Buscamos dar voz e protagonismo a produtores negros e à cultura negra, tão

essenciais à nossa raiz brasileira, tão fundamentais na formação de nossa identidade como país, mas que historicamente ficaram excluídos das políticas públicas”, declara. Com um aporte de R$ 3 milhões, o edital apoiará a produção de obras cinema-

tográficas nacionais inéditas, dirigidas ou produzidas por negros. A iniciativa premiará 34 obras, sendo 21 curta-metragens com temática livre e 13 média-metragens que abordem a cultura de matriz africana. O apoio financeiro irá variar entre R$ 100 mil a R$ 125 mil, respectivamente. Os interessados poderão se cadastrar pela internet, acessando o sitema Salic Web do Ministério da Cultura, no link http://sistemas.cultura. gov.br/propostaweb/.

da redação redacao@folhadarularga.com.br


14 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

gastronomia receitas carol

Uma festa de Babette carioca A pedida gastronômica deste fim de ano: almoço no Málaga Carolina Monteiro

Uma década é suficiente para dizer se um restaurante é ou não tradicional? Pois é. O Málaga está quase completando duas décadas e, há muito tempo, já está incluído na lista dos dez melhores do Centro da cidade. O Sr. Augusto Vieira, figura popular e conhecida na região, já conquistou uma clientela fiel que se tornou amiga da casa. Situado na Rua Miguel Couto ao lado da Igreja Santa Rita, o Málaga traz em seu cardápio uma grande variedade de pratos, com destaque para a culinária portuguesa e as delícias feitas com frutos do mar. O restaurante abre para almoço às 11h e, por volta do meio-dia, os clientes vão chegando e, aos poucos, os 110 lugares, que ocupam dois andares, ficam lotados. As mesas vestidas de branco, com taças impecavelmente limpas e grandes, dão um toque de classe ao ambiente e convidam os clientes a degustarem um dos mais de 100 rótulos de vinhos disponíveis na adega bem ao lado da porta de entrada. Há vinhos portugueses, chilenos, espanhóis e nacionais, entre outros. Almoçar no Málaga não significa gastar uma fortuna. Pelo contrário: ali pode-se comer bem a preços razoáveis, com uma cozinha certeira, apresentação caprichada, atmosfera alegre, refrigeração ao ponto e, o melhor, é um dos poucos restaurantes do Centro do Rio que estende o horário até as 21h, com atendimento diferenciado pelo experiente proprietário. Um dos segredos da

Badejo com legumes Carolina Monteiro

Picadinho ao Málaga Carolina Monteiro

Borrego: carne de cordeiro entre sete e 15 meses de idade

vitalidade do Málaga é que o Sr. Augusto não se acomodou nem parou no tempo: ele viaja para a Europa todos os anos em busca de novidades e tendências do mercado gastronômico. Este ano, ele participou da Feira Internacional de Restaurantes de Chicago, Estados Unidos, por meio da Abrasel (Associação

Brasileira de Restaurantes). Participaram chefs de cozinha de mais de 100 países, todos se integrando em renovações tecnológicas e também na área de alimentação. Por essas e outras razões, o cliente sente que o Málaga é um restaurante especial. No cardápio, há várias opções de entradas: por exemplo, o Arenque

Marinado, muito comum nos países nórdicos. É um peixe de sabor forte, porém delicioso quando marinado com temperos especiais. Há também entradinhas de bacalhau gratinado de nata, ou, quem preferir, pode experimentar o presunto ibérico, que é um verdadeiro luxo na apresentação. Para o Sr. Augusto, o cliente não precisa se preocupar com o cardápio, basta dizer o que deseja comer que ele prepara com as mais diversas combinações possíveis. É comum os clientes ficarem indecisos com tanta criatividade na preparação dos pratos: bacalhau, peixes, lulas, camarões, risotos, pato, carnes, massas e até o famoso Leitão à Bairrada, prato açoriano de demorado preparo, que, justamente por isso, deve ser encomendado com antecedência. As sobremesas mais pedidas são as portuguesas: pastel de Belém e pastel de Santa Clara, além da manga flambada acompanhada de sorvete. Agora que o fim do ano chegou, se você quiser comemorar lá com os amigos e familiares a sua festa particular de Babette, é só ligar e combinar com o Sr. Augusto. Garanto que você nunca mais vai se esquecer da sua experiência no Málaga. O restaurante fica na Rua Miguel Couto, 121, Centro. O site é www.malaga. com.br. Funciona de segunda a sexta, das 11h às 21h. Telefones: (21) 22530862 / (21) 2233-3515.

teresa speridião teresa.speridiao@gmail.com

Estamos chegando na época das festas. Mesa farta e novas perspectivas para o ano que se inicia. Merecemos um brinde! Por isso, a receita de hoje vem temperada com esperança e com um sabor especial de recomeço. Deliciosamente refrescante,

a sangria é ideal para os dias mais quentes, como os de dezembro. Fica linda na mesa e rende bastante, o que nos ajuda a receber melhor os convidados. Desejo a todos os nossos leitores um feliz Natal e um delicioso 2015!

Sangria ACP

Ingredientes • 2 xícaras de vinho rosé • 2/3 de xícara de refrigerante de limão • 1 maçã Fuji com casca • 2 laranjas em gomos • Suco de meio limão • 2 colheres de sopa de açúcar Modo de preparo Corte as maçãs em quatro partes e depois em fatias finas. Coloque o vinho resfriado numa jarra e junte o refrigerante e o açúcar. Mexa bem. Acrescente as frutas e misture levemente. Deixe descansar por 30 minutos antes de servir.

Acrescente gelo e sirva em taças de vinho branco.

ana carolina portella carolnoisette@hotmail.com Confira outras receitas da Carol no blog nacozinhacomcarol.blogspot.com


15 folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

cultura

Semana do Design contou com Distrito Cultural no Porto Evento mobilizou mais de 50 artistas e designers na antiga Fábrica Bhering Divulgação

De 5 a 9 de novembro, o design tomou conta da cidade, por conta da realização da segunda edição da Semana Design Rio. Neste ano, a programação foi diferenciada, com atividades em diversos pontos da cidade, inclusive na Região Portuária. A Concessionária Porto Novo foi uma das apoiadoras da iniciativa, com foco no Distrito Cultural Bhering, com atividades realizadas por agentes criativos, das 14h às 21h, com entrada franca. Entre os destaques, exposições e instalações de artistas plásticos, uma livraria, ateliês gastronômicos e grupos musicais. Esse distrito foi instalado

no prédio da antiga fábrica de roupas da Bhering, que foi ocupado por 50 artistas plásticos e conseguiram o apoio do prefeito Eduardo Paes, através de decretos municipais, que garantiram sua permanência no imóvel. Com os decretos, um de tombamento e outro de desapropriação, o prédio passou a ser considerado patrimônio histórico e cultural, além de pertencer à prefeitura. Os empresários que arremataram o espaço em leilão serão indenizados. Para Washington Fajardo, secretário municipal do Patrimônio Público, “os artistas permanecem no prédio, pois esse era o objetivo da

prefeitura desde o início, com a recuperação do porto”. E acrescentou: “todo o trabalho é para ter mais gente naquela região, ainda mais quando se trata de força criativa, como é o caso dos artistas; seria um contrassenso tirar os artistas dali”. Além das atividades que acontecem no Jockey Clube, na Gávea, principal sede do evento, os demais distritos culturais ofertaram uma programação paralela adicional, com exposições, workshops, bate-papos, palestras e inúmeras atrações culturais e gastronômicas. Na opinião de José Renato Ponte, presidente da Concessionária Porto Novo,

O antigo prédio da Fábrica Bhering agora é um espaço de economia criativa

as “atividades como esta movimentam a economia criativa da Região Portuária e a Porto Novo acredita que o apoio a esse projetos são fundamentais para a valorização de iniciativas locais que acompanham a revitalização da região”.

Além da Bhering, há outros três distritos criativos: Porto Maravilha, Lavradio-Tiradentes e Ipanema. Estas quatro áreas tradicionais da cidade abrirão as portas de seus escritórios e ateliês, juntando-se ao evento principal e oferecendo ati-

vidades que vão desde passeios guiados de bicicleta a atrações gastronômicas e, claro, roteiros focados em design.

da redação redacao@folhadarularga.com.br

Programação dos distritos culturais Distrito Bhering – A Rua Orestes 28, no Santo Cristo, foi um dos destaques da Semana Design Rio. No local, mais de 50 artistas e designers abriram as portas de seus ateliês e/ou escritórios para o público. Durante o evento, funcionou no local um café e uma queijaria artesanal. Distrito Lavradio-Tiradentes – Além das exposi-

ções, antiquários e lojas com mobiliário moderno puderam ser visitados. O circuito também envolveu restaurantes com pratos criados especialmente para o evento. Distrito Porto Maravilha – Atividades lúdicas e ao ar livre aconteceram na área, que passa por um processo de revitalização. Um circuito gastronômico e de compras foram as grandes atrações desse

distrito, que ofertou, ainda, palestras sobre empreendedorismo e sobre o futuro do Porto, ambas no Coletivo Goma, na Rua Senador Pompeu 82. Distrito Ipanema – Lojas de mobiliário e decoração de interiores lançaram novos produtos, houve apresentação de coleções e o design foi celebrado em vitrines temáticas.

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lazer folha da rua larga

novembro – dezembro de 2014

Gusttavo Clarão e o brilho do samba

dicas da cidade GALOCANTÔ NO TRAPICHE Nos dias 20 e 27 de dezembro, às 22h30, o grupo Galocantô será a grande atração da roda de samba do Trapiche Gamboa. Trata-se de um sexteto musical que prima pela afinação vocal e pelo ritmo contagiante. Com uma trajetória de mais de dez anos de atuação, o grupo é formado por Marcelo Correia (voz e violão de 7 cordas), Pablo Amaral (voz e cavaquinho), Léo Costinha (voz e percussão), Lula Matos (voz e percussão), Edson Côrtes (voz e percussão) e Jorge André (percussão). No repertório, clássicos de sambistas consagrados, como Nei Lopes, Wilson Moreira, Toninho Gerais e Trio Calafrio. O grupo também vai cantar músicas autorais, registradas nos dois álbuns já gravados pelo sexteto e que são bem conhecidas dos fãs fiéis que o acompanham pelas noites cariocas. O Trapiche Gamboa fica na Rua Sacadura Cabral, 155, Gamboa. Tel.: 2516-0868. O couvert artístico é de R$ 20. Só para maiores de 18 anos. A casa abre às 20h30.

Autor de sucessos e de sambasenredos será a nova atração do CCL Divulgação

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Gustavo Clarão

O sexteto de samba Galocantô

Projeto do ICCV vai ganhar aplicativo para Android O projeto Animando a Rua Larga, realizado pela Folha da Rua Larga e pelo ICCV – Instituto Cultural Cidade Viva, com patrocínio da Light através da Lei do ICMS/RJ, envolve passeios guiados por locais históricos da Região Portuária, precedidos por uma oficina de informações no Centro Cultural Light. Os passeios são ofertados em dois roteiros diferentes: pontos marcantes da Avenida Marechal Floriano e pontos históricos da Região Portuária. Cada passeio tem três horas de duração e é comum uma lista de espera de duas mil pessoas que desejam participar. Em parceria com a Cdurp e o Polo Região Portuária, o projeto também envolve a realização de seminários para discussão de temas relacionados com o desenvolvimento social, cultural e econômico do Porto do Rio. A grande novidade do projeto para 2015 será a criação de um aplicativo para a plataforma Android batizado de AniMap, que o público poderá baixar gratuitamente em seus aparelhos celulares, para receber informações georreferenciadas sobre os detalhes históricos e culturais de cada roteiro oferecido. O aplicativo está sendo desenvolvido pela empresa Mobcontent Transmedia e deverá estar pronto em fevereiro do ano que vem. da redação redacao@folhadarualarga.com.br

No próximo dia 10 de janeiro, das 18h30 às 22h30, a atração musical do Centro Cultural Light será o sambista Gusttavo Clarão, que, além de cantor, é cavaquinista e compositor de samba-enredo. Clarão é autor de 14 canções para o Carnaval, sendo oito delas somente para a Viradouro, escola da qual é o atual presidente. Na década de 90, ele ficou bastante conhecido no eixo Rio-Niterói por causa do grupo de pagode Clarão da Lua, no qual atuava como cantor e cavaquinista, juntamente com os músicos Bimba (pandeiro e voz), Renatinho Lima (tantã), Branca (percussão) e Saulo Felgueiras (banjo). Nessa época, Clarão compôs sucessos como Não vou ficar na pista, All Star e Parceiro é parceiro. O grupo conseguiu gravar três CDs, tocar suas músicas nas rádios e encher as casas em que se apresentou. Foi desse grupo, inclusive, que surgiu seu nome artístico de Clarão. Filho e neto de músicos populares, Gusttavo

Clarão aprendeu a tocar violão e cavaquinho com apenas oito anos de idade, por força das serestas que aconteciam em sua casa. Sua estreia como autor de samba-enredo aconteceu na Estácio, no ano de 1989. Em 1997, foi convidado por Dominguinhos do Estácio para tocar cavaquinho na Unidos do Viradouro e, no ano seguinte, compôs o samba que seria o tema do desfile da escola no Carnaval. O passo seguinte foi fazer uma parceria vitoriosa com Gilberto Gomes: juntos venceram o concurso de samba-enredo entre 1998 e 2003, e em 2005. Com intervalo de um ano, a dupla venceu novamente em 2007, com o enredo A Viradouro vira o jogo. Em 2008, ele foi homenageado pela escola Unidos da Região Oceânica com o enredo Gusttavo, um clarão no samba de Niterói, e seu sobrinho Claudinho Mattos foi um dos compositores do samba campeão. Em 2009, venceu a disputa de samba-enredo da Mangueira e ganhou tam-

bém o prêmio Estandarte de Ouro na categoria samba-enredo. No ano seguinte, após o rebaixamento e a posterior renúncia do então presidente Marco Lira, Gusttavo Clarão concorreu à presidência da Viradouro para um mandato-tampão de apenas um ano e derrotou a chapa opositora por 644 a 175 votos. A escola atravessava um de seus momentos mais difíceis. Entretanto, Clarão deu conta do recado e, em 2011, novas eleições aconteceram para um novo mandato de três anos, sendo o músico eleito por aclamação, numa votação sem chapas de oposição. O Centro Cultural Light fica na Avenida Marechal Floriano, 168, Centro, próximo à estação do metrô Presidente Vargas. Entrada gratuita. Mais informações: (21) 2211-4515 | ccl@light.com.br.

da redação redacao@folhadarualarga.com.br

Folha da Rua Larga Ed.48  

Folha da Rua Larga 48ª Edição Boa Leitura!

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