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maio – junho de 2013

história baú da rua larga Tropelias da polícia na refrigerante sombra da Rua Larga A história de um povo está retratada nos jornais! Um primo de saudosa memória, que gostava da leitura dos pasquins com validade vencida, acompanhava as notícias como se fossem capítulos de um livro. As guerras, as revoluções, o cotidiano popular e a política, para ele, tinham um sabor de romance. Em 24 de maio de 1874, à noite, conversavam dois cidadãos “qualificados” na Rua Larga, quando foram intimados por um “urbano” que os mandou circular. A notícia saiu no jornal O Brasil. O editor relata que, diante da negativa dos rapazes e de dois negociantes que chegaram para juntos protestarem contra a “tropelia do urbano”, foram encaminhados à polícia. O excesso policial foi resolvido pelo delegado Figueira de Mello, que se desculpou com os honrados negociantes. Pergunta então o editor: “Em que épocha estamos? Sob que regimen vivemos?” O funcionalismo público, sempre muito criticado, servia de contraponto para uma notícia do Correio Mercantil. Existiam três lugares perigosos e propícios para emboscada no Rio de Janeiro: a praia de Santa Luzia, a Rua Nova do Conde e a Rua da Relação. Quanto à municipalidade... esta também tem seus esconderijos e são muitos, escuros, ótimos para o descanso dos fiscais e guardas, enquanto as posturas e normas são muito claras. No semanário A vida fluminense eram citados os “tempos difíceis”. Talvez parecidos com os que vivemos. Um anônimo denunciava ao comendador Dias da Cruz – nome de uma das ruas do Méier atual – que o estado das ruas dos Andradas e São Pedro eram um escândalo, onde segundo ele haviam “caldeirões capazes de engolir uma machambomba inteira”. Não estavam em melhor sorte o calçamento da Rua Larga de São Joaquim, próximo da igreja de mesmo nome. Deplorável, dizia o cidadão, e causador de solavancos monstruosos aos que ali transitam, quer em cômodas caleches, quer nas desconjuntadas diligências. As árvores que foram plantadas ao longo da rua foram abandonadas, morrendo em pouco tempo. Reclama o cidadão: “Se houvessem cuidado, teríamos grandes copas e refrigerante sombra para o povo transeunte que vai diariamente à estação D. Pedro II, ou às diversas repartições da Secretaria da Guerra”. Salientava o missivista que “sombra, sombra e mais sombra, e água em profusão” é o que precisa a cidade para ter boas condições sanitárias. E mais adiante solicitava que não se ouçam os médicos, pois a eles só interessam grande número de enfermos e pelo menos uma epidemia por ano. A novidade fantástica do ano ficava por conta das “pedras que andam”, da Austrália, divulgadas pelo jornal Naturaliste Canadien. Pequenos calhaus, seixos, encontrados em charcos que, se colocados em cima de uma superfície lisa, entram logo em movimento e juntam-se como ovos num ninho. Enquanto isso, o Jornal da Tarde de 18 de julho de 1870 noticiava que, no palacete do Sr. Barão de Itamaraty, situado na Rua Larga de São Joaquim, era oferecido um baile de gala a Sua Alteza o Sr. Conde d’Eu, pela oficialidade da Guarda Nacional da Corte. O povo comparecia ao Circo Olympico, companhia do Sr. Bartholomeu, acrobata calorosamente aplaudido por todos. O jornal A Reforma de 5 de janeiro de 1871 publicava o apelo de alguns moradores para a algazarra insuportável num andar térreo de uma casa. O pagode começava às 10 e 11 horas da noite, a pretexto de ensaiar danças e cantigas, e varava a madrugada. “É tempo de fazer cessar certos hábitos e costumes que muito depõem contra a nossa civilização e que são péssimas consequências para a moralidade pública”, suplicavam os moradores. Tropelias policiais, ruas mal cuidadas, sanitarismo deficiente, festas em palácios e circo para o povo. Coisas antigas? Talvez não... aloysio clemente breves beiler soubreves@yahoo.com.br

Extinto colégio tradicional da Praça Mauá Enquanto o Colégio Municipal Vicente Licínio Cardoso comemora a inauguração de um Ginásio Experimental de Artes, o colégio estadual que tem o mesmo nome entrou em processo de extinção no dia 20 de maio de 2013, por recomendação da Secretaria de Estado de Educação. Antes da extinção, o colégio estadual havia sido transferido da unidade municipal com a qual compartilhava salas e instalações, para um prédio da Avenida Venezuela, deteriorado, com carteiras de criança inadequadas para uso de jovens, numa região perigosa, de viciados em crack. O tradicional colégio será absorvido por outro, o Colégio Estadual Julia Kubitschek, que fica na Rua General Caldwell, 132. Em carta

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Fotomontagem Marfemp

aberta à população, divulgada na internet, o último diretor do Colégio Estadual Vicente Licínio Cardoso, Luiz Carlos Torres, lamenta a perda das raízes culturais do centro de ensino que ele dirigia: “Depois de finalizada a absorção, a direção do CE JK deverá se pronunciar sobre a nova linha

administrativa e pedagógica da unidade, agora não mais CE Vicente Licínio Cardoso e não mais escola de identidade portuária, das tradições da favela e das heranças africanas da região”. Em sua carta, o diretor não esconde a certeza de que ele e seus alunos foram vítimas

de um processo exclusivo: “Nossa saída da Região Portuária (em janeiro de 2013), como demanda indireta do projeto Porto Maravilha, só nos deixa mais entristecidos pela clareza de exclusão que fomos vítimas mais uma vez. Não somos apenas uma escola da Região Portuária. Vivíamos cotidianamente na árdua tarefa de interagir escola e comunidade com a perspectiva de uma escola local que éramos e resgatávamos em falas e ações pedagógicas (no possível) sobre essa singularidade. Nos últimos três anos à frente da direção da unidade, esse era nosso esforço”.

da redação redação@folhadarualarga.com.br

Folha da Rua Larga Ed.39  

Jornal de circulação gratuita no Centro do Rio e Zona Portuária.