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Foto Jefferson RudyAgência Senado

Junho a setembro de 2019 Ano 01 # 04

LUIS CARLOS HEINZE

Liderança do campo de casa nova no Congresso Nacional Uma das vozes mais ativas do setor agrícola no Parlamento o agora senador vem de cinco mandatos como deputado federal e de quatro gerações ligadas à terra

Arraiá Aéreo

Manejo

Pesquisa

Esquadrão Sindag em um dos maiores encontros aeronáuticos no País

Proteção às abelhas com parceria aeroagrícola é destaque internacional

Embrapa publica nota comprovando a segurança da aviação agrícola


MANAUS

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SUMÁRIO

REVISTA AVAG # 04

Aviação Agrícola é uma publicação trimestral do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola – IBRAVAG Coordenação, textos e edição: Castor Becker Júnior jornalista - reg. 8862-DRT/RS

ELEIÇÃO

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Textos: Jane Catarina de Oliveira jornalista - reg. 5857-DRT/RS

SOB NOVA DIREÇÃO Sindag tem nova diretoria e consolida dobradinha com Ibravag na promoção do setor

Comercial: Romualdo Francisco da Silva E-mail: relacionamentosindag2@gmail.com Fones: (54) 99196-4068 - (54) 99711-2812

Projeto gráfico e diagramação: Beto Soares (Estúdio Boom) Conselho Editorial Eduardo Cordeiro de Araújo Gabriel Colle José Cordeiro de Araújo Júlio Augusto Kämpf

ARRAIÁ AÉREO

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Esquadrão da aviação agrícola marca presença na maior festa da aviação civil do País

MANEJO

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Projeto para proteção a abelhas com parceria aeroagrícola ganha destaque internacional

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente: Júlio Augusto Kämpf Vice-presidente: Thiago Magalhães Conselheiros: Alexandre de Lima Schramm Bruno Ricardo de Vasconcelos Marcos Antônio Camargo Mário Augusto Capacchi Nelson Coutinho Peña

MERCADO

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Empresas operam com produtos biológicos em lavouras de São Paulo e Goiás

ENTREVISTA

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Senador Luís Carlos Heinze fala sobre sua trajetória, aviação agrícola, economia e política

Conselho Fiscal: Jorge Humberto Morato de Toledo Marcelo Amaral Endereço: Rua Felicíssimo de Azevedo, nº 53, sala 703 Bairro São João Porto Alegre/RS, CEP 90540-110

(51) 3237-7961

DRONES

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Mapa apresenta minuta de regulamentação para uso de aeronaves não-tripuladas em lavouras

PESQUISA

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Embrapa destaca segurança das aplicações aéreas e necessidade de racionalidade em debates

ibravag@ibravag.org.br

www.ibravag.org.br Junho a setembro de 2019 AvAg

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EDITORIAL Castor Becker Júnior/Sindag

Uma nova fase para a aviação agrícola O setor aeroagrícola brasileiro viveu na metade deste ano a consolidação de uma transição que havia se iniciado ainda no final de 2018. Ao mesmo tempo em que há meses vínhamos preparando o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil para bater mais um recorde como o maior evento aeroagrícola do Brasil, o mandato da diretoria 2017/2019 de nosso sindicato aeroagrícola chegava ao fim. De minha parte, não como o encerramento de uma era, após mais de 20 anos presente na diretoria do Sindag e comandando a entidade por três mandatos, mas como o início de uma nova fase. Desde junho, com dedicação total ao Ibravag, indo além das empresas e buscando maior amplitude na articulação dos entes ligados ao mercado aeroagrícola, de agrônomos a pilotos, passando por pesquisadores e até produtores – tanto os que têm suas próprias aeronaves quanto os que contam com os serviços de nossas 4

AvAg Junho a setembro de 2019

empresas. A mesmo tempo, institucionalmente, nos lançamos em novas propostas para divulgar, qualificar e resgatar a memória da aviação agrícola nacional. A exemplo do projeto Aviação Agrícola 360°, que já é um sucesso comprovado; do Museu da Aviação Agrícola, estamos fazendo o rascunho de um plano cuja viabilidade aos poucos vai se desenhando, e as parcerias diversas para recursos e apoios através de uma instituição sem as amarras legais de um sindicato. Tudo concomitante ainda ao momento em que começamos a colher resultados de nossa persistência na busca do conhecimento e da racionalidade nos debates sobre a atividade aeroagrícola. Caso da Nota Técnica da Embrapa atestando a segurança da ferramenta aérea nas lavouras, depois de mais de 10 anos da assinatura do convênio do Sindag com a estatal de pesquisas e após

quatro anos da maior pesquisa já feita no Brasil sobre pulverizações em lavouras. Além do alto prestígio e o respeito construído nas rodas políticas e governamentais, bem como nas principais instituições do agro no País. Então, se todo esse esforço gigantesco – e de muitos –, serviu para que chegássemos até aqui atingindo a maturidade da aviação agrícola brasileira, a partir de agora a missão é explorar sua amplitude de horizontes. Tanto nós no Ibravag quanto o presidente Thiago Magalhães e a nova diretoria do Sindag e todos os personagens ligados ao campo temos a oportunidade de levar o setor aeroagrícola brasileiro a um patamar jamais sonhado. Simplesmente porque Ibravag e Sindag são uma só instituição: Aviação Agrícola Brasileira Júlio Augusto Kämpf Presidente do Conselho de Administração do Ibravag


ELEIÇÃO

Sindag elege nova diretoria e consolida estratégias até 2021 O empresário Thiago Magalhães substitui Júlio Kämpf, que esteve em três mandatos na presidência, por mais de 20 anos integrou diretorias e foi homenageado na assembleia ocorrida na capital gaúcha Fotos: Castor Becker Júnior/Sindag

Confira como ficou a diretoria do Sindag para 2019/2021 Diretoria Executiva Presidente: Thiago Magalhães Silva – Orlândia/SP Vice-presidente: Jorge Humberto Morato de Toledo – São José do Rio Preto/SP Secretário: Bruno Ricardo de Vasconcelos – Leme/SP Tesoureiro: Francisco Dias da Silva – Camaquã/RS

Suplentes Diretoria Executiva Tiago Textor – Quirinópolis/GO Marcelo Amaral - Catanduva/SP Nelson Coutinho Peña – Pelotas/RS Marcos Antônio Camargo – Alegrete/RS

Conselho Fiscal Alexandre de Lima Schramm – Unaí/MG Alan Sejer Poulsen - Pelotas/RS Sergio Bianchini – Aracruz/ES

Suplentes Conselho Fiscal

A partir da direita: Em pé - Nelson Peña, Marcelo Amaral, Paulo Kern, Alexandre Schramm, Alan Poulsen, Mauricius Silva, Jorge Toledo, Bruno Vasconcelos, Francisco Dias e Hoana Santos. Agachados - Marcos Camargo, Thiago Magalhães, Tiago Textor e Sérgio Bianchini

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esde o dia 1º de junho, o comando do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) está com o empresário Thiago Magalhães Silva, de Orlândia, São Paulo. Advogado por formação e piloto agrícola, Magalhães assumiu a presidência da entidade no lugar do gaúcho Júlio Augusto Kämpf, que esteve durante três mandatos à frente do sindicato e atuou por mais de 20 anos em diretorias da entidade. Kämpf agora segue na liderança do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag), com as duas entidades fazendo dobradinha na defesa e promoção do setor aeroagrícola brasileiro. A nova diretoria foi eleita por unanimidade. A chapa única que vinha sendo costurada desde o início do ano entre os empresários associados. A assembleia que ratificou o grupo ocorreu no dia 30 de maio, uma quinta-feira, no Hotel Master Royal, em Porto Alegre. A nominata mescla antigos diretores e novos rostos, mantendo

Magalhães e Kämpf: troca de bastão em consenso costurado desde o início do ano entre os empresários

uma representação regionalmente abrangente e com uma boa visão da realidade aeroagrícola no País. Entre as novidades, a presença da empresária Hoana Almeida Santos, de Tocantins, a primeira mulher a compor a diretoria do Sindag, desde a criação da entidade, em 1991. A assembleia ocorre em meio a uma programação de três dias, que contou na quarta-feira com uma reunião de transição com a antiga diretoria e os novos integrantes do grupo de

Hoana Almeida Santos – Lagoa da Confusão/TO Paulo Alberto Kern – Naviraí/MS Mauricius Claudino Barbosa Silva – Redenção/PA

consenso, com apresentações das assessorias técnicas – Jurídica, de Comunicação, Parlamentar e Contábil, além da Diretoria Executiva e do setor de Eventos (responsável pelos preparativos do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil). Na sexta, foi a vez do 3º Seminário de Aviação Agrícola, com palestras sobre cenário político do setor, planejamento e gestão para os empresários associados (veja na próxima página). “Estamos assumindo uma entidade madura e altamente conceituada. É um trabalho de várias mãos, que mostra à sociedade o profissionalismo da aviação agrícola e sua importância na vida de cada um”, ressaltou o presidente Thiago Magalhães, que já integrava a diretoria anterior do Sindag. O ex-presidente Júlio Kämpf, que foi homenageado no encontro, destacou o encerramento de um ciclo de amadurecimento da entidade. “O Sindag conquistou prestígio e respeito, abrindo caminhos em várias frentes políticas e institucionais.” Junho a setembro de 2019 AvAg

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DEBATES

Seminário para otimizar a agenda e aprimorar percepções SENADOR LUÍS CARLOS HEINZE FOI UM DOS DESTAQUES DO SEMINÁRIO QUE ABORDOU CONJUNTURA BRASILEIRA E NOVIDADES EM TECNOLOGIA E GESTÃO PARA O SETOR AEROAGRÍCOLA

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Seminário de Aviação Agrícola, realizado logo após a assembleia que definiu a nova diretoria do Sindag, teve este ano a terceira edição. Uma ideia que nasceu para valorizar o encontro anual dos associados, com ações de qualificação do setor, além de otimizar o deslocamento dos empresários, oriundos de diversos cantos do País. “Nada mais justo que aproveitar esse momento, e o tempo dedicado por eles, para dar algo em troca e ainda favorecer todo o setor”, ressalta o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle. O resultado tem sido uma programação de novidades, tendências e debates com nomes de peso. O primeiro Seminário, em 2017, teve como destaque a palestra do economista-chefe da Farsul,

Antônio da Luz, que destacou a oportunidade do setor aeroagrícola em apostar nas terceirizações por parte dos produtores rurais. Em 2018, o encontro foi com o especialista irlandês radicado nos Estados Unidos Alan McCracken, que falou sobre aplicações aéreas. Ainda o head digital do Canal Rural, Giuliano Girondi, abordou o impacto das redes sociais. Desta vez, as apresentações transitaram pelo cenário político, com o senador Luís Carlos Heinze, além de tendências e novidades em mercado, tecnologias e gestão, com o economista Vitor Francisco Dalla Corte, o doutor em Agronomia Henrique Borges Neves Campos e o mestre em Ciências Empresariais e em Economia Marcone Hahan de Souza.

FORMAÇÃO DE PREÇO O assessor contábil Marcone Hahan de Souza apresentou a versão atualizada da Planilha Formação do Preço de Venda dos Serviços Aeroagrícolas, desenvolvida desde o ano passado com o auxílio de empresas aeroagrícolas. Professor universitário e assessor contábil do Sindag, Souza mostrou novidades na ferramenta, como uma aba de planejamento tributário, que permite comparar as cinco formas de tributação – Lucro Real, Presumido, Arbitrado e Simples Nacional. “A dificuldade de elaborar um preço adequado para os serviços não é privilégio da aviação agrícola”, ressaltou o assessor. O próximo passo, 6

AvAg Junho a setembro de 2019

Souza: aplicativo de gestão aperfeiçoado e prestes a ser disponibilizado a associadas

antes de disponibilizar a ferramenta a todas as associadas, é colocar o sistema em um aplicativo para celulares.

Heinze: senador falou sobre política e conversou sobre cenários e demandas do setor

POLÍTICA Com o tema A política e o desenvolvimento do Brasil, a palestra do senador Luís Carlos Heinze teve uma análise da conjuntura brasileira a partir dos primeiros cinco meses do governo Jair Bolsonaro. Intimamente ligado ao agronegócio – desde sua formação escolar até sua vida política, o senador falou sobre as discussões em torno do Mercosul, questões envolvendo lavouras como o arroz e a soja e a importância da aviação agrícola no desenvolvimento do campo brasileiro. Familiarizado há longa data com o setor aeroagrícola – foi colega de faculdade do ex-presidente do Sindag Telmo Dutra, Heinze ainda conversou com os empresários sobre perspectivas do mercado. Ele também ouviu demandas do setor junto aos órgãos governamentais, avaliou tendências e sugeriu direcionamentos para ações da entidade.


Fotos: Castor Becker Júnior/Sindag

Dalla Corte: foco em serviços agregados e estratégias integradas

Campos: tecnologia de regulagem em sintonia fina para as aplicações aéreas

ESTRATÉGIAS INTEGRADAS

QUALIDADE E RENDIMENTO

Já o economista Vitor Francisco Dalla Corte falou sobre Gestão e Planejamento Empresarial. Doutor em Agronegócio pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e mestre em Administração pela Universidade Federal de Santa Maria, Dalla Corte destacou a transformação do produto cada vez mais em um serviço agregado, com foco em estratégias integradas. Partindo de uma apresentação sobre economia mundial e produção de alimentos, ele mostrou um mercado em crescimento, porém, onde é necessário estar atento às tecnologias. “Os empresários não operam mais sozinhos”, ressaltou. “É preciso pensar em como interagir com os sistemas de fazendas cada vez mais inteligentes e daí otimizar o serviço.”

O elo entre qualidade e rendimento nas aplicações aéreas foi a tônica na palestra do doutor em Agronomia Henrique Borges Neves Campos. O consultor do Sindag e um dos fundadores da Sabri – Sabedoria Agrícola, reafirmou a importância da atenção às novas tecnologias. A sugestão serviu de gancho para apresentar as Clínicas de Aviação Agrícola, onde, com uma série de equipamentos de última geração, técnicos conseguem avaliar nos mínimos detalhes como estão as aplicações feitas por cada aeronave. A ponto de se poder fazer, quando necessário e em nível de sintonia fina, a calibração dos instrumentos embarcados para cada tipo de situação e produto.

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SHOW AÉREO

Graças ao trabalho coordenado entre três empresas associadas que representaram o sindicato aeroagrícola, o setor ganhou destaque e respeito no maior evento aeronáutico civil do Brasil

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aior evento aeronáutico do Brasil organizado por uma entidade civil, o Arraiá Aéreo de Bauru, no interior paulista, foi marcado este ano de maneira profunda pela presença da aviação agrícola e por conta de uma iniciativa inédita dos empresários do setor: o Esquadrão Sindag. O grupo, que voou sob o símbolo do sindicato aeroagrícola, agregou quatro aeronaves e pilotos, além de veículos e pessoal de apoio de três empresas – Pachu, Imagem e Tangará Aviação Agrícola. O Esquadrão realizou apresentações coordenadas, simulando missões de pulverizações aéreas e combate a incêndios para um público de mais de 120 mil pessoas no Aeroclube de Bauru. Com o tema Inspirando Gerações, o Arraiá Aéreo deste ano ocorreu nos dias 8 e 9 de junho, com shows dos maiores ases da acrobacia aérea brasileira – inclusive a Esquadrilha da Fumaça – o Esquadrão de Demonstrações da Força Aérea Brasileira, além de apresentações de paraquedistas do Exército, aeromodelos, balonismo e até aeronaves históricas, como as réplicas do 14 Bis e do Demoisele. Paralelamente à movimentação no pátio de aeronaves, na pista do 8

AvAg Março a maio de 2019


Fotos: Castor Becker Júnior/Sindag

Marcos Pontes presença da aviação agrícola no evento valoriza um setor essencial para o País

SIMULAÇÃO Esquadrão realizou voos simulando rotinhas do setor aeroagrícola nas lavouras

aeródromo e no céu, o Sindag contou ainda com um estande onde a equipe da entidade apresentou o Projeto Aviação Agrícola 360º, do Instituto Brasileiro de Aviação Agrícola (Ibravag). Assim, enquanto os quatro turboélices Air Tractor (um AT-602

EVENTO Encontro aeronáutico em Bauru é o maior do Brasil realizado por uma entidade civil

e três ATs 502) faziam simulações em voos reais, dezenas de crianças e adultos aproveitaram os óculos de realidade virtual do projeto para sentirem a sensação de como é estar dentro de uma operação aeroagrícola.

Importância reconhecida para o País Organizado pela Fundação Astronauta Marcos Pontes (Astropontes), o próprio patrono da entidade – primeiro astronauta brasileiro e atual ministro da Ciência e Tecnologia, acompanhou, como sempre, toda a programação. Marcos Pontes foi incansável em atender o público. Principalmente as crianças, com paradas para fotos e conversas rápidas, até porque seu objetivo era justamente inspirar as pessoas. O principal personagem do encontro confraternizou o tempo todo com os pilotos (todos eles seus conhecidos). Pontes ainda fez questão de destacar a importância da presença da aviação agrícola no Arraiá Aéreo, para mostrar o papel da ferramenta para o País. “É importante ressaltar que a aviação agrícola tem toda essa participação na produção de alimentos, que está presente também no combate a incêndios florestais. Com aviões preparados especialmente para isso, com seus pilotos altamente treinados e tecnologia de ponta”, comentou. Junho a setembro de 2019 AvAg

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SHOW AÉREO

Empresas se unem para voar sob o mesmo signo Além de cederem no Arraiá, bem como aeronaves, pilotos e vegarantiu o caminhão ículos, as três empresas de apoio. Segundo ele, aeroagrícolas paulisa meta, claro, é seguir tas que voaram com o marcando presença emblema do Sindag no nas próximas edições Arraiá Aéreo bancaram do Arraiá Aéreo. todos os custos com As outras duas ema ida ao evento. Tudo presas presentes no para ajudar a divulgar evento, Tangará (de o trabalho de melhoOrlândia) e Imagem ria contínua do setor Aviação Agrícola (de e aproximação com a São José do Rio Presociedade, promovidos to), têm como sócios, Amaral: empresários paulistas pelo sindicato aeroagrí- representaram todo o setor respectivamente, o cola e suas associadas. presidente e o vice do “Perante o público, não representa- Sindag, Thiago Magalhães e Jorge mos nossas empresas, mas todo o Toledo. “A presença da aviação agrísetor”, explica o empresário da Pa- cola em um evento com a amplitude chu Aviação Agrícola, de Catanduva, do Arraiá Aéreo é importante para e diretor do Sindag Marcelo Amaral mostrar o quanto o setor é seguro e (China). Um dos grandes entusias- está presente na vida de todos, em tas da participação do Esquadrão no lavouras desde o algodão nas rouevento, Amaral também pilotou nas pas que todos vestem, no etanol, apresentações e colocou dois aviões que abastece seus carros, no arroz

ATRAÇÃO: Festa em Bauru teve novamente a réplica do 14 Bis de Santos Dumont

10 AvAg Junho a setembro de 2019

DESTAQUE Apresentação da Esquadrilha da Fumaça foi o ponto alto da festa que reuniu mais de 120 mil pessoas

em seu prato e na soja que é usada em alimentos, rações de animais (pecuária) e até como matéria-prima de indústrias que vão do cosmético a tintas”, destaca Magalhães.


Experiência virtual atrai adultos e crianças Enquanto os Air Tractor do Esquadrão Sindag encantavam no pátio principal do Aeroclube de Bauru durante o Arraiá Aéreo, o Projeto Aviação Agrícola 360º, do Ibravag, era sucesso no estande do sindicato aeroagrícola, junto à área dos hangares. “Eu estava no avião e deu para ver o que o piloto via”, comentou, fascinada, Mariana Sobral de Lata, 9 anos. “Foi legal. Gostei de tudo”, completou Artur Rodrigues, 8 anos. O movimento no estande foi oportunidade também para distribuir aos visitantes folders sobre a atividade aeroagrícola e a revista Aviação Agrícola, além de engatar conversas sobre o setor com os visitantes. “Muitos adultos também fizeram o voo virtual e teve momentos em que tivemos fila”, comemorou a coordenadora de Eventos do Sindag, Marília Güenter, que atendeu o público no estande. Tanto o espaço do Sindag junto

aos hangares, quanto a presença das aeronaves que voaram pela entidade no evento fizeram parte de um rol com mais de 50 atrações na festa da aviação em Bauru. O espaço do Aeroclube da cidade reuniu shows artísticos, apresentações do Corpo de Bombeiros e das Polícias Militar e Civil do Estado entre outras

Aviação 360°: projeto de voo agrícola virtual atraiu a criançada no Arraiá Aéreo

instituições. O evento arrecadou cerca de 45 toneladas de alimentos (que dava direito às entradas), que beneficiaram cerca de 40 instituições assistenciais selecionadas pela Fundação Astropontes. Agora, é esperar o ano que vem. Para saber mais, acompanhe no site www.eventoaereo.com.br Junho a setembro de 2019 AvAg 11


Foto: Comunicação Cofco

MANEJO

COOPERAÇÃO Iniciativa foca em criar um círculo virtuoso, com resultados positivos para usinas e apicultores que incentivam as adesões e inspirem novas iniciativas

Polinizar: parceria com a aviação agrícola é destaque internacional na preservação das abelhas Projeto da Cofco Brasil desenvolvido em canaviais paulistas deve ser expandido para mais culturas a partir de unidades da multinacional de São Paulo

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P

arceira em diversas ações ambientais pelo País, a aviação agrícola está presente também em iniciativas de proteção às abelhas que passam fundamentalmente pelo diálogo entre produtores rurais e apicultores. Caso do Colmeia Viva, desenvolvido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), e o trabalho da Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.), mencionados na edição nº 2 da revista Aviação Agrícola (veja em www.issuu.com/ibravag.imprensa). Agora, outra iniciativa ganhou

destaque internacional a partir da uma experiência em canaviais de São Paulo e que deve ser expandida para outras culturas. Trata-se do Projeto Polinizar, desenvolvido pela Cofco International Brasil S.A., braço da estatal chinesa produtora de alimentos, nas unidades Potirendaba e Catanduva, ambas em São Paulo. Além de apostar na comunicação entre apicultores, usinas e aplicadores, bem como parceria com a aviação agrícola, o Polinizar se baseia também em tecnologia de ponta e treinamento de todos os envolvidos, inclusive os apicultores – que, além do ganho em


Critérios de segurança reforçados A aviação é a única ferramenta de aplicação com legislação própria, que determina, por exemplo, distâncias mínimas de 250 ou 500 metros de áreas sensíveis, como pontos de aglomeração de animais, moradias, vilas, matas nativas e cursos d’água (confira na página 32). Norma que já era seguida à risca pelos pilotos da Imagem Aviação Agrícola. “Ou seja, já éramos criteriosos com a aplicação de defensivos agrícolas”, ressalta o diretor da empresa aeroagrícola, Jorge Humberto Morato de Toledo. Porém, o empresário reforça o grande ganho do Polinizar com as informações fornecidas pelos próprios apicultores, permitindo o mapeamento das abelhas. Além disso, pilotos também contribuíram com a cartilha de boas práticas do projeto, reforçando a autonomia para interromperem as operações sempre que detectarem qualquer risco à segurança operacional ou ambiental. A equipe que trabalha com a pulverização ainda passa todos os anos por uma reciclagem dentro da própria Cofco. Tratase de um dia de integração entre os profissionais da empresa de aplicação aérea e das usinas de cana-de-açúcar do grupo chinês em São Paulo.

segurança, são beneficiados com o aumento de produtividade em suas colmeias. O sucesso é tão grande que a iniciativa foi citada pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) como destaque do setor no Business and Biodiversity Forum (Fórum de Biodiversidade e Negócios), durante a 14.ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP-14), promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Sharm El Sheikh (Egito), em novembro do ano passado. “O projeto tem trazido resultados excelentes a partir da interação com a

comunidade que circunda as lavouras, gerando uma política de boa vizinhança forte”, conta o gerente de Planejamento e Desenvolvimento Agrícola da Cofco, Luiz Gustavo Ares Kabbach. A essência está no mapeamento das colmeias e, está em estudo, a organização dos produtores de mel em associação ou cooperativa. Kabbach comemora o reconhecimento também no âmbito do Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético (Etanol Mais Verde), do Estado de São Paulo. O Polinizar recebeu Menção Honrosa no Uso de Agrotóxico dentro do Etanol Mais Verde, em 28 de junho, por

atender à diretiva de melhores práticas no uso de defensivos. A ideia com o Polinizar é criar um círculo virtuoso: com resultados positivos, o projeto começa a ser implantado nas outras duas usinas da Cofco em São Paulo – em Meridiano e Sebastianópolis do Sul. Além disso, estudos de viabilidade já estão sendo feitos para levar o Polinizar para lavouras de soja fornecedoras da Cofco no Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Para completar, a própria Unica deve se inspirar no Polinizar para um programa próprio, dirigido aos demais associados da entidade. Junho a setembro de 2019 AvAg 13


MANEJO

Investimento em tecnologia embarcada de ponta “É um projeto pioneiro, audacioso”, ressalta o diretor da Imagem Aviação Agrícola, Jorge Humberto Morato de Toledo, entusiasmado com o Polinizar. Com expertise de 19 anos de atuação no setor, a aeroagrícola participou ativamente de todo o processo de implantação do Polinizar. Mais do que isso, a empresa de São José do Rio Preto investiu US$ 168 mil na compra de sistemas embarcados de última geração para suas aeronaves. Se antes os sistemas de GPS diferencial das aeronaves – o DGPS, utilizado em toda a aviação agrícola nacional, que direciona os pilotos com precisão de centímetros em cada faixa de aplicação e registra toda a operação em arquivo inviolável – já garantiam precisão nas faixas, Toledo apostou na comutação automática, interligado com fluxômetro e válvulas. Com isso, o equipamento abre e fecha automaticamente o sistema de pulverização de acordo com o mapa georreferenciado de cada lavoura. Assim, antes de cada missão, a empresa recebe da Cofco um pendrive com o mapa da área a ser

aplicado o produto. O arquivo é baixado no DGPS da aeronave que imediatamente apresenta na tela o desenho da lavoura e as faixas de aplicação. Quando o avião entra no polígono definido, a aplicação é liberada somente sobre cada faixa e, quando sai da área, os bicos fecham automaticamente. Da mesma forma, o sistema é interrompido sempre que a aeronave sobrevoar eventuais áreas sensíveis dentro das lavouras (pontos de mata e lagos, por exemplo). E não abre fora da área mapeada. Na prática, além de diminuir a margem para erro humano, o sistema traz maior segurança para o piloto, que passa a se preocupar com o voo em si. Toledo lembra que já trabalhou com comutação automática na Bahia, nas plantações de eucalipto. No entanto, agora, a Imagem colocou equipamentos mais modernos em cinco aeronaves para atuar nas usinas de cana-de-açúcar da Cofco, atendendo as exigências do Polinizar. Em um dos aviões, o sistema permite inclusive ao escritório da usina acompanhar a aplicação em tempo real via Internet. Castor Becker Júnior/Sindag

Toledo: frota teve reforço de sistema automático de pulverização, acionado a partir do mapa no DGPS

14 AvAg Junho a setembro de 2019


RESPONSABILIDADE Aplicações aéreas contam com diversos elos em sua cadeia de segurança

Aviões e drones usam produtos biológicos próximo a áreas sensíveis O Projeto Polinizar saiu do papel em 2015, com o início do trabalho de identificação dos apicultores para o georreferenciamento das colmeias. Porém, foi preciso primeiro romper a barreira do silêncio dos criadores de abelhas no entorno das unidades Potirendaba e Catanduva. O mapeamento foi concluído no final de 2017, a Cofco aumentou ainda mais a segurança nas faixas mais próximas às caixas de abelhas, optando por aplicações com produtos biológicos nesses locais. Segundo o supervisor de Planejamento e Desenvolvimento Agrícola – Unidade Potirendaba, Matheus José Tripodi, nesse circuito, além do avião, a Cofco utiliza drones para fazer o controle de pragas. Ele destaca que o sucesso do Polinizar está ligado a uma corrente com muitos elos, onde é indispensável a troca de informações entre todos os envolvidos: produtor rural, apicultor e aplicador aéreo. Como de rotina em qualquer aplicação aérea, o coordenador de operações da empresa aeroagrícola (sempre um agrônomo, como exige a lei) confere se não há nenhuma área assinalada como restrita ao uso de defensivos químicos. Porém, no Polinizar, os produtores de abelhas parceiros são avisados 72 horas antes da aplicação de defensivos para controle de pragas, e o chefe de escritório da usina também faz um check-list prévio das condições da operação. Se mesmo assim algum detalhe passar, a equipe de campo – piloto e o técnico executor – também pode interromper a operação sempre que detectar algum problema. “Eles só aplicam nas áreas sem restrições. Caso haja restrição, têm que aplicar produto biológico, ou não fazer aplicação”, garante Tripodi. Fotos: Comunicação Cofco

Reconhecimento: Kabbach, da Cofco, com Renata Camargo, da Unica, e a coordenadora de Desenvolvimento Rural Sustentável da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Juliana Augusto Cardoso, no recebimento em junho da Menção Honrosa do Protocolo Etanol Mais Verde, no que diz respeito ao Uso Consciente de Agrotóxicos Junho a setembro de 2019 AvAg 15


MANEJO

VANTAGENS Apicultores tiveram aumento de produtividade também com treinamentos repassados pela Cofco em três encontros anuais

16 AvAg Junho a setembro de 2019

Engrenagem azeitada O Projeto Polinizar tem uma engrenagem bastante azeitada, segundo os próprios criadores de abelhas. “Melhorou muito”, explica o apicultor Maurício Rodrigues, de Urupês. Com a capacitação oferecida pelo Polinizar, ele resolveu manter o investimento na apicultora e hoje possui 500 caixas que produzem, em média, 35 quilos de mel/ano cada uma. “O projeto tem funcionado mesmo. Outras lavouras deveriam adotar o sistema”, sugere. Mas até chegar a esse patamar de confiança, a equipe do Polinizar enfrentou grande resistência dos próprios donos das colmeias. “Muitos apicultores não queriam

falar com a gente. Mas conseguimos que alguns entendessem que tínhamos um projeto para preservar as abelhas”, conta o supervisor Matheus Tripodi. O quórum das reuniões começou a crescer. Hoje, Catanduva e Potirendaba juntas somam 58 produtores de mel cadastrados, que comunicam qualquer alteração na localização das caixas, bem como abertura de novos apiários para serem mapeados. Além disso, o projeto aposta também na qualificação dos apicultores, com encontros técnicos três vezes ao ano. Com isso, aumentou a produtividade de mel, em alguns casos, de 25 para 50 quilos ao ano, por caixa.


Aproximação com a comunidade para uma agenda positiva Segundo a coordenadora Jurídica e de Sustentabilidade da União da Indústria de Cana-deAçúcar (Unica), Renata Camargo, o setor sucroenergético já se tornou referência pelas ações de sustentabilidade adotadas de forma sistemática pelas suas associadas dentro do Etanol Mais Verde. O projeto paulista nasceu em 2007, como Etanol Verde (o Mais veio ano passado, com o aumento das metas ecológicas) e conta com a participação das usinas em diversas frentes. “Recuperamos mais de 250 mil hectares de áreas de preservação permanente (APPs), temos mais de oito mil nascentes protegidas e 35 milhões de mudas de vegetação nativa plantadas”, destaca Renata, reforçando que a aproximação do setor com as comunidades que estão em seu entorno é essencial para uma agenda sustentável. O esforço da Unica agora

está centrado em levantar as iniciativas de cada usina para divulgá-las entre todas as associadas e assim incrementar a proatividade. O próprio Polinizar já faz parte do rol de iniciativas semelhantes. “Nos últimos meses, mantivemos contato com várias iniciativas implementadas pelas usinas e que são voltadas à coexistência entre diferentes cadeias produtivas”, assinala Renata. A coordenadora conta que, além do controle biológico e do manejo integrado, há projetos prevendo banco de áreas de reserva legal para a colocação de caixas de abelhas (desenvolvido pela Usina São Manoel), a criação de canais de comunicação com os apicultores (projeto do Grupo Tereos), monitoramento de aplicação em proximidade com apiário (projetos da USJ, Usina Ferrari e São Martinho), produção orgânica (Usina São Francisco), entre tantos outros. Castor Becker Júnior/Sindag

SAIBA MAIS O Projeto Polinizar conta com o apoio da Syngenta, empresa global especializada em sementes e produtos químicos voltados ao agronegócio, que em seus projetos, com foco na sustentabilidade da agricultura, tem dedicado atenção especial à coexistência pacífica entre apicultura e agricultura. l

A iniciativa da Cofco interage com outros projetos como o Colmeia Viva, desenvolvido pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindveg). Inclusive, utiliza o aplicativo de comunicação das aplicações e localização de abelhas para testar sua funcionalidade e ajudar a melhorar a ferramenta. l

A Cofco International é um braço da estatal chinesa Cofco Corporation, que trabalha no Brasil com soja, café, algodão, grãos e oleoginosas, açúcar, etanol e geração de energia a partir do bagaço da cana. l

A aviação agrícola é a forma mais eficiente de fazer o controle de pragas nas lavouras de cana-de-açúcar, devido à altura que atinge a cultura em seus últimos estágios. Sem falar no fator velocidade onde, além de cobrir muito mais área por dia, o avião consegue mais facilmente concluir as operações dentro da janela das condições climáticas (velocidade do vento, temperatura e umidade relativa do ar) para evitar a deriva. l

A Unica está preparando a divulgação das ações ambientais de cada usina – na foto, a filmagem da precisão da aplicação aérea (simulação com água)

Junho a setembro de 2019 AvAg 17


MERCADO

Aviões verdes crescem na carona dos avanços do manejo biológico em grandes áreas Empresários embarcam em projetos com orgânicos principalmente em lavouras de cana em usinas que buscam mercados diferenciados

“A

té o piloto precisa vestir macacão verde”, brinca o sócio-gerente da Centroar Agro Aéreo e conselheiro do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Mauro Moura de Oliveira, entusiasmado com as operações de aplicação de produtos biológicos realizados pela empresa em lavouras convencionais e orgânicas em Goiás. Embora não cite valores, Oliveira comprova que se trata de um nicho de mercado em crescimento. Tanto que ele já destina um dos aviões, de sua frota de 10 aeronaves, só para o

O Brasil tem 64 milhões de hectares de lavouras, 1,1 milhão deles cultivados com produtos orgânicos trabalho com produtos orgânicos. Se por um lado na agricultura em larga escala ainda é difícil prescindir de produtos químicos – por questões que envolvem desde o manejo até o custo de produção, de outro, a agricultura orgânica ainda é um laboratório importante de práticas ambientalmente amigáveis. Aos poucos, o segmento que nasceu no seio da agricultura familiar, em pequenas propriedades, desenvolve novos manejos também para áreas maiores, ampliando o leque de 18 AvAg Junho a setembro de 2019

atuação das empresas de aviação agrícola. Como se comprova em operações aeroagrícolas orgânicas já realizadas. Segundo o IBGE, o Brasil tem no total cerca de 64 milhões de hectares de lavouras e, de acordo com dados da Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica (Ifoam) divulgados pelo Ministério da Agricultura, 1,1 milhão deles são cultivados com produtos orgânicos. Em dez anos, conforme a entidade, o cultivo com orgânicos cresceu mais de 204 mil hectares. A Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), que representa 70% do mercado de insumos biológicos comercializados no Brasil, também revela que no ano passado o setor registrou uma expansão de 77% sobre 2017, fechando com um faturamento de R$ 464,5 milhões. O Departamento de Estatística da entidade indica bons ventos para o setor: pelo menos 96% dos produtores ouvidos em uma pesquisa feita pela entidade esperam maior demanda por defensivos biológicos nos próximos cinco anos. CERTIFICADOS Fazer pulverização com produtos de controle biológicos não era novidade para a Centroar Agro Aéreo. Mas a necessidade da empresa goiana reservar um “avião verde” especialmente para fertilizantes, defensivos e maturadores biológicos data de dois anos. Foi quando uma usina de cana-de-açúcar há 18 anos

atendida por ela no Vale São Patrício, norte de Goiás, resolveu ampliar a área de produção de orgânicos e buscar as certificações nacionais e internacionais para colocar um novo açúcar no mercado. A coisa é tão séria que, para não deixar dúvidas, o aparelho foi adesivado com o selo Orgânico, o único que se tem notícias no Brasil. E é vistoriado pela contratante e, muitas vezes, pelos compradores de seus produtos. A aeronave muda às vezes, já que a cada ano a Centroar faz manutenção geral em dois aviões e aproveita um deles para deixar um equipamento sempre novo no


Divulgação

Arquivo Pessoal

Oliveira: empresário recebeu propostas para atuar em outros Estados

posto de “avião verde”. Hoje, o selo Orgânico está em um Piper Pawnee 260. O empresário explica que já recebeu propostas para atender com produtos biológicos propriedades em outros Estados. Porém, mantém sua atuação restrita ao norte goiano. Com sede em Goiânia, a empresa aeroagrícola possui três bases: no Vale do São Patrício, onde atua na cana-de-açúcar; no Vale do Paranã, em lavouras de arroz, e na Região de São João d’Aliança, onde predomina o trabalho em milho e soja.

AVIÃO VERDE Aeronave da Centroar é possivelmente a única no País com selo Orgânico em sua fuselagem

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MERCADO Castor Becker Júnior/Sindag

Textor: controle de pragas com índice baixo de infestação

Aeroagrícola utiliza drone para aplicar vespas contra a broca Complementares aos serviços com aviões, os drones acabam se tornando protagonistas quando o assunto é a aplicação de Trichogramma (uma espécie de microvespa) para o controle da mariposa conhecida como brocada-cana (Diatraea saccharalis) em canaviais goianos. Há um ano, a Aerotek Aviação Agrícola, de Quirinópolis, está usando os veículos aéreos não-tripulados para lançar os ovos de vespa contra a broca, que é uma praga que afeta o crescimento da cana-de-açúcar. Conforme o sócio-gerente da Aerotek, Tiago Textor, a técnica tem se mostrado eficiente. Segundo ele, em um voo de 20 minutos o drone consegue cobrir de 15 a 20 20 AvAg Junho a setembro de 2019

hectares, chegando à marca de 250 hectares por dia um aparelho. Os ovos eclodem e as vespinhas fêmeas procuram os ovos da broca, colocando seus ovos dentro deles e interrompendo o ciclo da praga. “Desde o começo, a tendência da aplicação do Trichogramma era com drone”, conta Textor, há mais de 2 anos, quando iniciou o trabalho com biológicos usando avião agrícola. Há um ano, optou por executar a tarefa com uso de veículo remoto. Atualmente, usa

dois aparelhos da Sigap Tecnologia, empresa parceira para a qual presta consultoria, para atender toda a região Sul de Goiás. RACIONALIDADE “Além do custo operacional da aplicação ser menor com drone, não há sentido decolar um avião com pouco peso”, pondera o empresário, sobre a pouca quantidade de ovos de vespa necessária para cobrir a lavoura. Para se ter uma ideia, o drone carrega entre 30/45 gramas de


Divulgação

Trichogramma em seu tanque por voo e libera entre 1 e 2 gramas por hectare – equivalente a uma média de 120 mil a 130 mil ovos de vespa. A principal diferença nas técnicas com produtos biológicos em relação aos químicos é o maior número de aplicação. Ao longo de 14 ou 15 dias se entra três vezes na cultura. Isto é: são feitas três aplicações de ovos com intervalos de sete dias cada. “Mesmo assim, o custo é mais baixo que uma aplicação com químicos, e o resultado para as usinas tem sido

satisfatório”, conta Textor. Mas ele adverte que o nível de controle não é o mesmo de um tratamento químico. O Trichogramma é usado geralmente quando o índice de infestação está baixo. Nas lavouras que atende, geralmente o controle com biológicos ocorre paralelo ao químico, o chamado manejo integrado. “É um processo eficiente e sustentável”, diz Tiago, lembrando que a ferramenta pode ser usada independente da extensão da plantação.

ALTERNATIVA Drone substitui o avião por uma questão de racionalidade

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Castor Becker Júnior/Sindag

MERCADO

O entusiasmo de um veterano no setor Com base na paulista Ribeirão Preto e um dos pioneiros na pulverização aérea de insumos biológicos no País, o empresário aeroagrícola José Paulo Rodrigues Garcia há 20 anos atende uma das principais produtoras de açúcar orgânico do Brasil. Piloto e proprietário da RP Aero Agrícola – antiga Garcia Aviação Agrícola, ele trabalha também em lavouras convencionais. Mas se empolga quando fala da atuação com produtos biológicos. “É um trabalho fabuloso, que deveria ser um espelho para o mundo”, destaca, apostando nessa tendência que, garante, traz bons resultados financeiros para o produtor. Situado a poucos quilômetros dos canaviais orgânicos que atende, o empresário explica que a técnica de aplicação é a mesma utilizada com os produtos químicos. No

22 AvAg Junho a setembro de 2019

Garcia: canaviais tratados com fungo contra inseto

entanto, para seu cliente paulista, a aeronave passa por um processo de descontaminação integral antes da aplicação nas lavouras de orgânicos. Durante 24 horas, um produto para descontaminar o aparelho de resíduos fica dentro do hopper e é aplicado nos bicos e corpo do aparelho. Somente depois desse processo o avião é liberado para a tarefa com produtos biológicos. “Não pode haver nenhum resquício de produto químico”, reforça,

lembrando que na usina de canade-açúcar orgânica não entra nada químico. Em relação ao manejo na área onde atua, Garcia explica que o controle de uma das mais graves pragas que compromete a cana-deaçúcar – a cigarrinha (Mahanarva fimbriolata) – é feito com um fungo (Metarhizium anisopliae) e necessita de muita umidade. “Os melhores resultados são obtidos quando aplicados sob chuva leve, no período de outubro a janeiro.”


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ENTREVISTA ENTREVISTA LUÍS CARLOS HEINZE Jane de Araújo/Agência Senado

Senador

24 AvAg Junho a setembro de 2019


Uma das principais lideranças agrícolas no Congresso agora de casa nova no Parlamento Com uma trajetória de cinco mandatos seguidos na Câmara dos Deputados, o senador gaúcho LUÍS CARLOS HEINZE vem de pelo menos quatro gerações de agricultores e teve toda sua formação ligada ao campo, desde os bancos escolares até a política e conhecendo a aviação agrícola

E

ntre as poucas unanimidades no Congresso Nacional, uma delas é a de que o senador gaúcho Luís Carlos Heinze (PP), 68 anos, é uma das vozes mais atuantes do setor primário no parlamento federal. E não podia ser diferente. Nascido em Candelária, no centro do Estado, descendente de imigrantes alemães que chegaram no Brasil no século 19 – e de pelo menos quatro gerações de agricultores, Heinze teve formação agrícola desde o antigo curso ginasial (hoje o equivalente às séries finais do Ensino Fundamental), passando pela escola técnica e chegando à faculdade de Agronomia. Há 45 anos firmou-se como produtor e liderança rural na Campanha Oeste gaúcha, ainda antes de entrar para a política. Nos anos 80, participou de movimentos por melhores políticas de mercado e integrou a Comissão de Crédito da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Entre 1993 e 1996, foi prefeito de São Borja, época em que, em 1995, liderou uma comitiva de prefeitos gaúchos a Brasília para apoiar os parlamentares ruralistas.

O senhor vem de uma família com raízes no campo desde imigrantes alemães que chegaram na metade do século 19. Como foi o seu primeiro contato com a terra? Luís Carlos Heinze - A ligação com a terra é um legado herdado de meu trisavô, oriundo da Alemanha em 1853. A propósito: todas as gerações que me antecederam vieram do campo. Desde guri, senti essa mesma afeição. Na juventude, fiz o ginásio agrícola em Candelária, ingressei no colégio técnico de Alegrete e, anos mais tarde, me formei em Engenharia Agronômica em Santa Maria. Formado em Agronomia, o senhor foi trabalhar em São Borja, onde se tornou também liderança do agronegócio. O que aconteceu até essa fase e como foi essa

Em 1998, elegeu-se deputado federal pela primeira vez, cumprindo cinco mandatos, até o ano passado – o último deles como o mais votado no Estado. Como senador, também foi o mais votado em 2018, conquistando uma das duas vagas gaúchas para a casa. Assumiu este ano a vice-presidência pelo Senado da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) – que reúne 257 parlamentares das duas casas do Congresso Nacional. Heinze conhece a aviação agrícola desde os anos 70 e há mais de uma década tem dado voz ao setor em Brasília, tanto na busca por políticas que valorizem a ferramenta para a produtividade e sanidade das lavouras como pela sua precisão nas operações. Além do esforço para rebater estereótipos contra a aviação, tomou para si o papel de um dos principais interlocutores do setor aeroagrícola com órgãos federais – em demandas diversas, desde políticas para segurança operacional até incentivos para renovação da frota. Confira a entrevista:

Construí meu sustento fora da política. (...) Se estou na vida pública, é para servir ao desenvolvimento econômico e social

mudança? Luís Carlos Heinze - Depois de consolidar meu próprio escritório de planejamento e assessoria técnica, em São Borja, adquiri algumas glebas de terra e cabeças de gado em 1974. Além de técnico e líder classista junto a produtores, cooperativas e sindicatos, ali eu também me tornava um produtor rural. Eu, no entanto, construí meu sustento fora da política. E digo isso para mostrar que, se estou na vida pública, é para servir ao desenvolvimento econômico e social do nosso Estado e do País. Como foi seu ingresso e os primeiros passos na política? Quem lhe inspirou? Luís Carlos Heinze - Minha trajetória política iniciou, em 1989, pelas mãos do saudoso Juca Alvarez, então prefeito de São Junho a setembro de 2019 AvAg 25


Roque de Sá/Agência Senado

ENTREVISTA LUÍS CARLOS HEINZE Senador Borja, que me convidou para ser secretário da Agricultura. Acabei na sequência me elegendo prefeito pelo velho e bom PDS. De 93 a 96, comandei um governo que alcançou destaque regional e estadual. Diversas pesquisas feitas à época apontaram nossa gestão como uma das melhores do Estado. Em seguida, surgiu o desafio da candidatura a deputado federal, vitória política que alcancei como prefeito e da luta que eu já fazia em favor da agricultura. Foram 63.606 votos na primeira eleição em 1998. Trabalho que sigo até hoje no Senado Federal, lutando para usar a política como ferramenta que muda a vida das pessoas para melhor. Em que época o senhor teve seu primeiro contato com a aviação agrícola? O senhor foi colega do empresário Telmo Dutra (expresidente do Sindag). Isso? Luís Carlos Heinze - Sim. O Telmo foi um grande amigo que nos deixou muito cedo. Fico emocionado ao lembrar como ele era entusiasmado com a evolução da aviação e as possibilidades que ela trouxe para a agricultura. O Telmo foi meu colega na Agronomia, em Santa Maria, e mostrou muito do que sei sobre o setor. Em Bossoroca, iniciou suas atividades profissionais fundando a empresa de planejamento agropecuário – Planagro, com revenda de defensivos agrícolas. Posteriormente, adquiriu a Palmares Aviação Agrícola, empresa pioneira na região das Missões. Um grande parceiro. O senhor é produtor rural e faz uso dos serviços aeroagrícolas, tendo uma visão clara da importância do setor. Como o senhor acha que seria a agricultura do País sem essa ferramenta? Luís Carlos Heinze - A aviação 26 AvAg Junho a setembro de 2019

EXPERIÊNCIA: Uma das vozes mais ativas da agricultura no Congresso Nacional, o agora senador vem de uma trajetória de cinco mandatos seguidos na Câmara dos Deputados Arquivo Pessoal

REGISTRO: Na formatura como agrônomo, em 1973, na Universidade Federal de Santa Maria

agrícola é seguidamente atacada com argumentos baseados em estereótipos. Funciona assim: tratase da única ferramenta para o trato de lavouras com regulamentação própria (são mais de 20 normas e regulamentos para seguir), melhor tecnologia embarcada e mão de obra altamente treinada (quase todos os envolvidos nas operações são técnicos). Temos que considerar que os mesmos produtos aplicados por meios aéreos também são

aplicados por meios terrestres, com os mesmos riscos. Seguidamente, aparecem projetos querendo proibir ou restringir a aviação, ou ainda, prejudicá-la de alguma maneira, tendo como desculpa o “combate aos agroquímicos”. Sem a aviação agrícola nós não teríamos a agricultura que temos hoje, com o País podendo se tornar o maior produtor de alimentos do mundo. As pessoas não só se alimentam, mas se vestem (algodão), se locomovem (etanol) por causa da agricultura em larga escala. Além disso e ainda têm a presença de agricultura em plásticos biodegradáveis (a partir da cana), tintas, cosméticos e resinas (soja substituindo petróleo), sem falar na importância do setor para a economia. Ainda assim, o agronegócio sofre preconceito. É por falta de informação de uma população cada vez mais urbana? Como isso reflete na política e, na sua opinião, como resolver isso? Luís Carlos Heinze - O setor rural é responsável por quase um quarto do Produto Interno Bruto (PIB), pelo saldo positivo da balança comercial e pelo crescimento das reservas internacionais. Além disso, é o segmento que mais gera empregos no país. Estima-se que


para cada posto de trabalho aberto no campo, outros dois são criados nas cidades. Infelizmente, a falta de informações, principalmente as ligadas aos temas ambientais, gera intolerância de alguns segmentos da sociedade, inclusive política. Em 20 anos, triplicamos a produção de grãos e mantivemos praticamente a mesma área. Os brasileiros deveriam se orgulhar de ter uma agricultura forte, moderna e sustentável, responsável por garantir alimento de qualidade, farto e saudável para o mundo. A partir do momento que valorizarmos esse setor e aproveitarmos todo o potencial que temos, o Brasil dará um salto econômico. Tenho esperança e muita confiança no novo governo. Olhar para o agro e garantir investimentos necessários ao setor vai repercutir na economia e na geração de empregos. O projeto de autoria do senhor para inclusão do financiamento de aeronaves agrícolas no Moderfrota acabou trancado na Comissão de Finanças. Além disso, o senhor apresentou relatório favorável, na Comissão de Agricultura, ao projeto (PL 8875/17, do deputado Rogério Silva) para equalização da taxa de juros em financiamentos do BNDES para aquisição e modernização de aviões agrícolas. Mas a proposta acabou depois arquivada. Dá para dizer que faltou visão estratégica dos parlamentares (e mesmo de governos) sobre o setor aeroagrícola? Luís Carlos Heinze - Parte do setor rural se ressente da falta de linhas de crédito para o financiamento da aquisição de aeronaves agrícolas. Um recurso tecnológico estratégico, destinado ao combate de pragas e doenças, bem como à semeadura e distribuição de fertilizantes em algumas culturas, de forma econômica e eficaz. Meu projeto autorizava a equalização de taxas de juros de financiamento para aquisição e modernização da frota de aviões agrícolas.

O Telmo (Dutra) foi um grande amigo que nos deixou muito cedo. Fico emocionado ao lembrar de como ele era entusiasmado

Conseguimos aprovar a proposta na Comissão de Agricultura e, com muito trabalho e insistência, em um primeiro momento, o relator na Comissão de Finanças e Tributação à época, deputado Carlos Melles (DEM/ MG), entendeu a importância da matéria e chegou a apresentar parecer pela

aprovação. No entanto, a pressão do governo petista impediu a leitura do parecer, e o texto foi retirado de pauta. Um novo relator foi designado – o também petista Pepe Vargas. Quatro anos depois ele devolveu o projeto sem manifestação alguma. Esse ranço ideológico resultou no arquivamento do meu projeto. Hoje, com o novo governo, trabalhamos para que novas linhas de crédito possam compor os planos agrícolas e permitir a renovação da frota de aeronaves agrícolas. O senhor também relatou, com pareceres contrários à aprovação, projetos de proibição da aviação agrícola, destacando o contrassenso das propostas – onde os argumentos são sempre contra os produtos, embora a ferramenta (aviação) é que seja combatida como bandeira. Há preconceito no Congresso contra o agro? Até que ponto isso acaba tornando rasos debates importantes, como a nova lei dos defensivos, por exemplo? Luís Carlos Heinze - Novamente as questões ideológicas ligadas a falta de informação prevalecem. Arquivo Pessoal

EXECUTIVO: Como prefeito de São Borja, entre 1993 e 1996 Junho a setembro de 2019 AvAg 27


Jane de Araújo/Agência Senado

implementar medidas de desburocratização que deu velocidade nos registros de produtos genéricos de princípios ativos já autorizados no País. Desde o início de 2019, já foram autorizados mais de 200 novos produtos. Longe do que ainda precisamos, mas representa um grande passo na redução dos custos de produção.

ENTREVISTA LUÍS CARLOS HEINZE Senador O projeto que pretende barrar a utilização dessa importante tecnologia é baseado em argumentos falaciosos, sem fundamento em evidências científicas e desconsidera os prejuízos que seriam causados à agricultura nacional e as consequências que poderiam advir da medida, como escassez e aumento do preço dos alimentos. Considerar que o aumento no uso de agrotóxicos decorre de abuso na utilização desses produtos por parte do agricultor é um grande equívoco. O produtor rural é, na verdade, o maior interessado na redução do uso de defensivos químicos, até porque é ele quem suporta o custo econômico da aquisição desses produtos, que representa parte significativa dos custos da produção agrícola. Quem vai rasgar dinheiro? São argumentos que contribuem para obscurecer o debate, inclusive para a revisão da lei dos defensivos, sem agregar informações relevantes ao enfrentamento da questão. Ignoram, por exemplo, que apenas 2% dos herbicidas comercializados no Brasil estão classificados na classe de maior potencial de periculosidade ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), ou que a utilização do glifosato, por exemplo, viabiliza a adoção do plantio direto, o que melhora a retenção de água e aumenta a atividade microbiana do solo, reduz a compactação, a erosão e a perda de nutrientes do solo, entre outros benefícios. No entanto, mesmo com todas essas barreiras, tivemos importantes avanços nessa área. Nos últimos anos foram quebradas as patentes de ao menos 15 ingredientes ativos que antes eram comercializados apenas por uma empresa. Com muita insistência conseguimos 28 AvAg Junho a setembro de 2019

O produtor é o maior interessado na redução do uso de defensivos químicos (...), porque é ele quem suporta o custo da aquisição

O senhor foi uma das principais vozes do agronegócio em 20 anos de Câmara dos Deputados. E, agora como senador, continua também uma das principais (e a mais antiga) referências do setor aeroagrícola em Brasília. Na sua opinião, com relação à aviação e à agricultura em geral, quais foram as principais conquistas ou avanços nesse período. O que muda e quais as expectativas nessa nova fase no Senado? Luís Carlos Heinze - Sobre perspectivas, há duas demandas importantes para o setor, além da possibilidade de crédito especial para importação de aeronaves turboélices. Uma delas é quanto a algum dispositivo, em nível nacional, que possa desonerar o ICMS de combustíveis de aviação. Ou ao menos abranger também a aviação agrícola quando houver iniciativas desse tipo por parte dos Estados. Isso porque, seguidamente, há projetos nos Estados para beneficiar a aviação comercial, mas a agrícola sempre é esquecida ou deliberadamente deixada de lado. A outra demanda é a criação de um marco legal para a aviação agrícola. Apesar de ser regulamentada desde 1969 por legislação federal, a normatização começou com um decreto-lei e depois vieram várias normas, inclusive nos Estados, que muitas vezes geram conflitos de competência. A ideia é criar uma legislação, que seja ampla e moderna. Mais ou menos como foi a construção da nova Lei dos Aeronautas, para os pilotos, mas que deixe claro quem é obrigado a fazer o quê e quem pode exigir o quê.


Divulgação/Sindag

AGENDA: Heinze acompanhou o presidente do Sindag, Thiago Magalhães, e o diretor Francisco Dias da Silva (direita) em uma reunião no último dia 11 de junho, com o adjunto da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) do Ministério da Agricultura, Fernando Mendes (de barba). Na pauta, a apresentação da encarregada do setor aeroagrícola na SDA, Uéllen Lisoski Duarte Colatto.

Qual sua avaliação dos primeiros seis meses do governo Bolsonaro? Luís Carlos Heinze - Muita coisa ainda precisa ser feita para colocar o Brasil novamente no trilho do desenvolvimento. O presidente Bolsonaro está no caminho certo, eliminando o discurso de ódio que vivemos durante tanto tempo. Não é um grupo contra o outro, mas todos pelo Brasil. Esta tem sido a política deste governo. Nós também começamos a ter novamente processos de trabalho dentro dos ministérios. Não participamos de reuniões para marcarmos outras reuniões. Hoje, tudo tem encaminhamento, registro e desdobramento. O reflexo desta

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política veremos logo em seguida, com a alvorada de um país que contemple as mudanças que o nosso povo tanto precisa. O mandato do senhor vai até 2026. Como o senhor acha que o Brasil estará até lá? Luís Carlos Heinze - As perspectivas são extremamente positivas pelo fato de que, em 2018, mais de vinte anos depois, elegemos um governo de direita, com políticas econômicas mais liberais. Após aprovarmos as reformas da previdência e tributária, nosso País irá começar um processo de recuperação. Se mantermos um governo com esse viés, e as

políticas necessárias para crescer o desenvolvimento econômico, sem dúvida, o Brasil já irá colher bons frutos no futuro. Algo mais que o senhor gostaria de acrescentar? Luís Carlos Heinze - Um prazer conceder esta entrevista. Eu e meu gabinete estamos permanentemente à disposição de vocês e da nossa população. Tenham certeza de que no Senado vou ser uma voz a favor do setor, assim como durante meus cinco mandatos na Câmara dos Deputados. Vamos em frente pela agricultura e o desenvolvimento do nosso País. Valeu, tchê!

E-mail: mario.omaer@gmail.com

Junho a setembro de 20/11/2018 2019 AvAg 20:08:4129


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Graziele Dietrich/Sindag

ATUALIZAção

AVANÇO: Maior evento aeroagrícola do Brasil entra em um novo patamar a partir da edição em Sertãozinho

Congresso da Aviação Agrícola consolida grandeza, maturidade e consistência Focando em fomento à peSquisa, aprofundamento do debate político, qualificação de lideranças e desenvolvimento tecnológico, evento dá o rumo dos próximos anos

O

fomento à pesquisa científica e a presença maciça de instituições de ensino superior, técnico e até fundamental em sua programação estão entre os grandes diferenciais do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil em Sertãozinho, no interior paulista. A programação deste ano, entre a terça-feira de 31 de julho e a quintafeira, 1º de agosto, inova também pelo aprofundamento do debate político sobre o setor e pelo maior espaço dado para as tecnologias inovadoras em várias etapas do segmento aeroagrícola. O que se confirma, por exemplo, pela mostra especial com 10 startups voltadas para vários segmentos do mercado e pela presença de 11 países entre os expositores. 32 AvAg Junho a setembro de 2019

VOOS DE DRONES E SIMULAÇÕES DE PULVERIZAÇÕES AÉREAS E COMBATE A INCÊNDIO ESTÃO NA PROGRAMAÇÃO

“Três semanas antes do Congresso já havíamos detectado muitos estudantes inscritos, oriundos de pelo menos 50 universidades e escolas técnicas de todo o País”, assinala o diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle. A grade de palestras de 2019

tem também um Fórum sobre drones – debatendo perspectivas de mercado e a própria legislação para o trabalho agrícola, preparada pelo Ministério da Agricultura (veja na página 34) – e até uma visão da aviação agrícola na Europa, com a apresentação de um operador da Espanha. MATURIDADE O encontro que começa agora em Sertãozinho é o maior evento aeroagrícola já realizado no País. São mais de 120 expositores na mostra de tecnologias e equipamentos. Junto com a exposição estática de aeronaves, os visitantes podem conferir as demonstrações externas de voos de drones e simulações de pulverizações aéreas e combate a incêndios. Também estão previstos voos virtuais do projeto Aviação Agrícola 360° entre as várias atrações nos 9 mil metros quadrados de feira dentro do Centro de Eventos Zanini. Para o diretor do Sindag, a face atual do Congresso segue o rastro da maturidade do próprio setor aeroagrícola brasileiro. O que pode ser avaliado também pelas palestras e discussões voltadas à gestão de empresas e aprimoramento de lideranças. Sempre com foco nas relações humanas, qualidade e ética como ferramentas tanto para conquistar mercado quanto para melhorar a percepção da sociedade sobre a atividade. Sem descuidar do planejamento estratégico. “No Fórum Político, outra novidade na programação, teremos parlamentares e autoridades governamentais que debaterão a aviação agrícola em um cenário mais amplo, com o tema A política e o desenvolvimento do agronegócio brasileiro”, conta o diretor. Somese a isso o encontro de pilotos e o happy-hour com todos os participantes, no segundo dia da programação, e o meeting de imprensa pré-evento (no dia 29), destacando o foco do Sindag por uma comunicação institucional transparente e consistente. “O que mostra que o Congresso tende a crescer ainda mais nos próximos anos”, arremata Colle.


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DRONES

Ministério da Agricultura apresenta esboço de regulamento para drones Instrução Normativa valerá para aparelhos de até 25 quilos, enquanto equipamentos maiores continuarão seguindo as regras válidas para os aviões agrícolas Castor Becker Júnior/Sindag

O

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deve lançar até o final do ano uma Instrução Normativa (IN) para regulamentar o uso de aeronaves remotamente pilotadas (RPA ou drones) em pulverizações nas lavouras. A minuta da norma foi apresentada no dia 4 de julho, em Campinas, no interior paulista, em uma reunião com a participação do presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Thiago Magalhães, e representantes de diversas entidades do agro. O encontro foi promovido pelo Mapa e pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e contou com a presença de fiscais federais de diversos Estados. Magalhães estava acompanhado do consultor em aviação agrícola Marcelo Drescher, e a reunião contou com a participação também do diretor da empresa gaúcha SkyDrones/SkyAgri, associada ao Sindag, Ulf Bogdawa Segundo o documento, que está sendo analisado pelo Departamento Jurídico do Ministério, a IN vai abranger os drones na categoria até 25 quilos – Classe III, na regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). As demais categorias – Classe I, RPAs com mais de 150 quilos, e Classe II, acima de 25 e até 150 quilos – continuarão seguindo a IN 02, de 2008, que dita as regras para aviões e helicópteros agrícolas. Além disso, todos os operadores de drones de pulverização 34 AvAg Junho a setembro de 2019

SEGURANÇA: expectativa é de que o regramento entre em vigor até o final do ano

(pessoas físicas ou jurídicas) terão que ter registro no Mapa. RELATÓRIOS Mesmo com a IN específica para a Classe III, os drones menores serão abrangidos em parte pela regra dos aviões. Por exemplo, com a exigência de um engenheiro agrônomo responsável pelas operações e um técnico agrícola com curso de executor em aviação agrícola acompanhando as missões. “Os operadores de drones também terão que fazer os relatórios técnicos de cada operação em lavoura, como previstos na IN 02”, explica Magalhães, que considerou o esboço razoável. O rascunho apresentado pelo Mapa foi considerado satisfatório também por Bogdawa. “A preocupação no regramento para

os drones Classe III junto ao Mapa era que, de um lado, fossem levadas em conta características como a velocidade bem menor e altura mais baixa de voo em relação aos aviões agrícolas na hora, por exemplo, de determinar as distâncias mínimas de áreas sensíveis. Por outro lado – com foco na segurança, também defendemos a exigência do curso para operadores”, relata o empresário. Associada ao Sindag, a SkyDrones/AkyAgri foi a primeira empresa de drones no mundo vinculada a uma entidade aeroagrícola. Além disso, Bogdawa já havia participado dos trabalhos de elaboração do regulamento para drones por parte da Anac, publicado em maio de 2017 e que determinou as exigências para as três categorias de aparelhos.


Divulgação

qualificação

Projeto forma lideranças de alta performance com foco em emoções e percepções Segunda edição da Academia de Líderes da Aviação Agrícola confirma o sucesso da iniciativa do Sindag para APRIMORAMENTO DE suas associadas

D

ois dias de imersão em palestras e exercícios sobre gestão de pessoal, soluções de conflitos e tomadas de decisões. Acrescente reflexões sobre planejamento, ética e reputação. Tudo temperado com trocas de experiências e até dicas de gestão emocional. Em linhas gerais, essa é a receita da Academia de Líderes da Aviação Agrícola, oferecida pelo Sindag a seus associados com o objetivo de qualificar lideranças de alta per formance. Um sucesso confirmado em sua segunda edição, ocorrida no final de junho, em Goiás. E com a terceira já sendo programada para 2020. A programação dessa vez reuniu representantes de 18 empresas aeroagrícolas, dias 27 e 28, no Confort Hotel, na capital goiana. E novamente como instrutores, Luísa Utzig (da empresa Três Facilitação e Desenvolvimento Humano), o diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle, e o secretário-executivo da entidade, Júnior Oliveira, com o acréscimo do sensei

Luciano Giannini, da Budo Experience (Aikido). “A lógica é ampliar sua autopercepção e compreender o papel de cada um na liderança do seu negócio”, resume Luísa Utzig. “Na reta final, os participantes foram provocados a definir um plano de ação em um ano, guiado por uma visão pessoal de 5 anos.” Para o gerente comercial da Travicar Tecnologia Agrícola – que patrocinou as duas edições da Academia de Líderes, Juliano Petry, o sucesso até aqui, “certificou a Academia como qualificadora do capital humano na aviação agrícola do Brasil”.

APRENDIZADO: Edição 2019 reuniu 18 empresários e gestores em dois dias de imersão para aprimorar relações e tomada de decisões

“aprender a reconhecer os próprios talentos e, principalmente, os da equipe”. Mesmo entre quem esteve na edição de 2018, os reflexos são presentes. “Mudou para melhor o relacionamento dentro da empresa, a forma de vender o produto e de apresentá-lo aos clientes”, conta o empresário Arnaud Rubens Rodrigues (Binho) de Araújo,

da Agrossol Aeroagrícola, de Casa Branca/SP. Já o empresário Valmir Lopes, da Mineiros Aviação Agrícola, em Mineiros/ GO, se emociona ao lembrar do curso. “Uma experiência única. Eu não sabia que algo pudesse nos mostrar o quanto somos humanos, vulneráveis e ainda conseguirmos ser formadores de opinião”, destaca.

APRENDIZADO A programação surpreendeu muito, e positivamente, quem participou. “Não esperava que fosse assim tão bom”, conta Helena Silva Oliveira, da empresa Centroar Agro Aéreo, de Goiânia/ GO. Para a gestora da Inovar Aviação Agrícola, Ana Machado Stival, de Sidrolândia/MS, foi uma oportunidade para Junho a setembro de 2019 AvAg 35


Castor Becker Júnior/Sindag

PESQUISA

Nota técnica da Embrapa comprova a segurança da aviação agrícola no campo Documento é baseado na maior pesquisa já realizada no Brasil sobre pulverizações em lavouras, que durou quatro anos e envolveu centros de pesquisa, universidades, empresas de tecnologia e o Ministério da Agricultura

36 AvAg Junho a setembro de 2019

A

Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) divulgou em junho uma Nota Técnica destacando a segurança e a importância da aviação agrícola no trato de lavouras no Brasil. Resultado da maior pesquisa até hoje feita no País sobre tratamento de lavouras, o documento (confira nas páginas 42 a 46) coloca por terra diversos mitos atribuídos ao setor aeroagrícola. Além disso, ele entrou na pauta do Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, com uma apresentação no dia 31 de julho, no evento em Sertãozinho,

São Paulo. Para as entidades - o Sindag e o Ibravag, a expectativa é de que o estudo sirva para aprofundar o próprio debate a respeito da segurança operacional e ambiental na agricultura. “Trata-se de um tema importante e no qual estamos inseridos, mas até agora temos gasto muito mais energia rebatendo estereótipos do que propriamente avançando em divulgar nossas boas práticas à sociedade”, destaca o presidente do Ibravag, Júlio Kämpf. O desabafo de Kämpf é porque, pela falta de informações por


TECNOLoGIA INDISPENSÁVEL À LAVOURA Segundo a Embrapa, o País tem uma expectativa de crescimento de 20% até 2022, enquanto as áreas de lavouras devem crescer apenas 9%. “Porém, em um país tropical, o clima é favorável a pragas e diversidade de hospedeiros, o que implica em buscar estratégicas e tecnologias para dar mais precisão às aplicações para garantir produção em escala”, assinala a nota. Apesar da experiência brasileira de uso de insumos para tecnologias diversas ser uma das melhores do mundo, para a estatal de pesquisas, o País ainda sofre com a falta de consistência e com a polarização no debate sobre uma estratégia ampla para controle de pragas. “No Brasil, a perda de alimentos é estimada em 26,3 milhões de toneladas, com aproximadamente 18% desse total se perdendo ainda no campo, devido à falta de

conhecimento e aporte tecnológico para um manejo adequado, principalmente naqueles envolvidos no controle de pestes e pragas”, adverte o documento. A nota da Redagro também lista recomendações que reforçam rotinas já existentes em toda a aviação agrícola. Um exemplo é o monitoramento das operações através do GPS diferencial (DGPS) – equipamento utilizado por 100% da frota e que, além de orientar o piloto em cada faixa de aplicação, registra (em arquivo inviolável) todo o voo. Outro ponto é o relatório de cada operação, feito pelos empresários aeroagrícolas e obrigatório desde 2008 pelo Ministério da Agricultura. O que abrange desde a equipe envolvida e produto aplicado, até o mapa de DGPS da área e as condições meteorológicas.

baseia nos resultados de quatro anos de pesquisas sobre pulverizações aéreas, realizadas entre 2013 e 2017 em parceria com o Sindag. Coordenado pelo pesquisador Paulo Estevão Cruvinel, o projeto Desenvolvimento da Aplicação Aérea de Agrotóxicos como Estratégia de Controle de Pragas Agrícolas de Interesse Nacional abrangeu estudos em lavouras de soja, arroz e cana-de-açúcar no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Além do Sindag e empresas associadas (que cederam aviões, pessoal e equipamentos para estudos de campo), o trabalho envolveu sete centros de pesquisa da Embrapa, além de 10 universidades parceiras, duas empresas de consultoria e tecnologias de aplicação e o Ministério da Agricultura. Uma rede que deu à iniciativa a sigla de

Redagro. O documento final da pesquisa Redagro foi assinado por Cruvinel, pelo Professor Wellington Pereira Alencar de Carvalho, da Universidade Federal de Lavras (Ufla) e um dos coordenadores do programa de Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS), e pelo agrônomo e diretor-executivo do Sindag, Gabriel Colle. A Nota Técnica também chama a atenção para as consequências de uma discussão rasa sobre a proteção das lavouras. Os pesquisadores advertem que o País ainda não tem um plano de segurança alimentar e energética e os poderes públicos precisam se debruçar sobre o tema, “promovendo um debate sem preconceitos, alinhando a sustentabilidade ambiental à produção em escala”.

AVANÇOS para as entidades do setor, a expectativa é de que o documento ajude a divulgar segurança da ferramenta aérea

parte da sociedade em relação às rotinas e necessidades no campo, a ferramenta aérea se transformou nos últimos anos em bandeira para movimentos de combate aos agrotóxicos. O que não deixa de ser irônico, já que a aviação agrícola é justamente a ferramenta de maior tecnologia embarcada e, de longe, a com maior exigência de pessoal técnico em suas operações. Além de ser a única com regulamentação própria e a mais fiscalizada. Intitulada Contribuições para requisitos em operações aeroagrícolas, a nota da Embrapa se

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Robinson Cipriano/Embrapa

PESQUISA

ENCONTRO: Thiago Magalhães (centro), conversou com o presidente da Embrapa acompanhado de Araújo (esq) e Silva

Setor busca ampliação das pesquisas para mais culturas e tecnologias A continuidade das pesquisas em parceria entre as duas entidades para desenvolver novas tecnologias para o setor aeroagrícola foi o tema do encontro ocorrido no dia 11 de julho, em Brasília, entre os presidentes do Sindag, Thiago Magalhães, e da Embrapa, Sebastião Barbosa. A reunião foi na sede da estatal. Magalhães estava acompanhado do diretor Francisco Dias da Silva e do assessor parlamentar da entidade, José Cordeiro de Araújo. O dirigente aeroagrícola elogiou o trabalho do projeto Redagro, liderado pelo pesquisador Paulo Cruvinel, e destacou a necessidade de novas 38 AvAg Junho a setembro de 2019

soluções tecnológicas para a frota aeroagrícola brasileira, que é a segunda maior e uma das mais importantes do planeta. “Queremos apoiar projetos mais amplos, que consolidem melhor uma rede nacional de pesquisa e que tenham continuidade na programação da Embrapa”, explicou Magalhães. Ele lembrou que o setor busca tecnologias para aprimorar ainda mais o controle da deriva (risco do produto aplicado se desviar do alvo) e incluir algodão, milho e outras culturas estratégicas para o País – além do arroz, cana-de-açúcar e soja, que entraram na primeira etapa.

BARBOSA: demandas do Sindag interessam à estatal


ANÚNCIO: Kämpf fez o anúncio da parceria com a Embrapa na abertura do Congresso Mercosul de Aviação Agrícola de 2008, em Foz do Iguaçu

Fruto da persistência

As demandas da aviação agrícola abrangem também aprimoramentos em metrologia e controle de equipamentos de aplicação, além de protocolos para pulverizações com uso de drones. “Essas demandas estão todas relacionadas a aspectos de segurança, que claramente interessam e vão ao encontro das prioridades da nossa programação e atuação”, esclareceu Barbosa. O assunto ainda ficou de ter continuidade durante o Congresso da Aviação Agrícola do Brasil, em Sertãozinho, com a participação da Embrapa no evento. O passo seguinte, segundo Barbosa, será o Sindag alinhavar os projetos de pesquisa (cujos esboços estão já sendo preparados), com as chefias da Embrapa Instrumentação (em São Carlos/SP) e da Embrapa Meio Ambiente (Tanquinho Velho/SP), além da Embrapa Clima Temperado (Pelotas/ RS)

Embora tenha iniciado em 2013, a pesquisa Redagro foi fruto de uma parceria firmada em 2008, entre o Sindag e a Embrapa. A assinatura ocorreu em julho daquele ano e o convênio foi anunciado no dia 6 de agosto, durante o Congresso Mercosul de Aviação Agrícola, pelo então presidente do Sindag, Júlio Kämpf. “O objetivo sempre foi testar equipamentos, avaliar as aeronaves e as técnicas de campo e criar novas tecnologias, gerando informações não só para os operadores aeroagrícolas, mas também para mostrar nossas credenciais à sociedade, por uma questão de transparência”, explica Kämpf, que hoje preside o Ibravag. O ex-diretor e hoje consultor do Sindag, Eduardo Araújo, lembra que o esforço por uma parceria para pesquisas aeroagrícolas vinha de bem antes. “Pesquisas oficiais eram muito escassas e um parecer ou resultado positivo a partir da Embrapa agregaria mais credibilidade ao nosso trabalho”, recorda. Ainda na primeira metade dos anos

2000, o sindicato aeroagrícola tentou convencer o Ministério da Agricultura a reativar a antiga Fazenda Ipanema, o que acabou não andando. Situada em Iperó/ SP e pertencente ao Ministério, o local foi o centro de formação dos pilotos agrícolas brasileiros e técnicos do setor de 1967 até 1992, quando foi desativada. Os cursos passaram para a iniciativa privada e hoje a Fazenda Ipanema segue abandonada. “Lembro inclusive de que, ainda em 2007, vendo frustradas todas as tentativas de aproveitamento daquela estrutura, o Sindag encaminhou proposta ao Ministério e à Embrapa sugerindo a própria Embrapa como gestora de um projeto que se denominaria Centro de Referência (ou de Excelência) da Aviação Agrícola, com o Sindag sendo um dos parceiros. Mas a ideia não prosperou”, recorda Araújo. Com a Nota Técnica da pesquisa Redagro, o consultor, que acompanha o desenvolvimento do setor há quase 50 anos, sente-se otimista por mais pesquisas. “A persistência do Sindag foi recompensada”, festeja. Junho a setembro de 2019 AvAg 39


PESQUISA Castor Becker Júnior/Sindag

APROXIMAÇÃO: Dias de campo estão entre as ações para mostrar às pessoas a segurança do setor

Transparência e foco no bom senso para rebater mitos “Apesar de se tratar de uma atividade com riscos – já que lida com produtos que requerem cuidados, técnicas e pessoal habilitado para seu manuseio, de longe o maior veneno é o preconceito”, resume o diretorexecutivo do Sindag, Gabriel Colle, sobre os mitos gerados pela falta de informações da sociedade a respeito da atividade aeroagrícola. Além de também ter assinado, ele festejou muito a nota técnica da Embrapa, que deve ajudar a entidade no trabalho de esclarecimento da sociedade. Colle revela que precisa se concentrar para enumerar todas as audiências públicas e sessões de que ele e outros diretores do Sindag e empresários do setor participaram nos últimos anos para esclarecer sobre a segurança da aviação. “Sempre focamos no bom senso e buscamos aproximação com a 40 AvAg Junho a setembro de 2019

sociedade, mas em muitos casos, há por trás o viés político. Algumas vezes com projetos tentando proibir a atividade, tendo um discurso contra agrotóxicos e, ironicamente, querendo tirar de cena a ferramenta mais segura nesse contexto”, relata o diretor. Ele explica que o Sindag também trabalha forte para motivar as empresas associadas a atuarem sempre dentro da lei e aprimorando suas boas práticas. O que se reflete em dias de campo sobre aviação agrícola, inclusive com parceria da indústria química e do projeto de Certificação Aeroagrícola Sustentável (CAS), que é o primeiro selo independente de qualidade ambiental do setor e administrado por três universidades públicas – as Federais de Lavras (Ufla) e Uberlândia (Ufu) em Minas Gerais e a Universidade Estadual Paulista (Unesp). “São ações para mostrar às

autoridades e ao público em geral o que faz a aviação ser segura e até como fiscalizá-la. É um trabalho de transparência, replicado pelas próprias empresas, que recebem em seus hangares estudantes e entidades de suas comunidades”, destaca Colle. Para o doutor em Agronomia e professor da Ufla Wellington Carvalho, também um dos coordenadores do CAS, a própria utilização massiva da imagem do avião para ilustrar ações contra produtos químicos contribui para o preconceito. “Muitas vezes em debates mais politizados do que técnicos, o leigo, vendo essa imagem, passa a ter a ideia errada de que os danos são causados sempre pela aviação.” Por isso há projetos de proibição que falam dos problemas dos produtos, mas querem retirar a ferramenta. E com mitos que muitas vezes fogem à lógica mais simples.


Os mitos e fatos sobre a aviação agrícola l As aplicações com aviação agrícola sofrem deriva A deriva (quando a nuvem do produto se desloca para fora da faixa de aplicação) pode ocorrer tanto na aplicação aérea quanto na terrestre e com a mesma intensidade, quando não são observadas as condições meteorológicas e a regulagem dos equipamentos. Além de preciso, o avião leva vantagem pela sua velocidade: consegue terminar a aplicação antes de eventuais mudanças climáticas que possam favorecer a deriva. l Em torno de 30% a 99% (o percentual varia bastante, mas é sempre exagerado) dos produtos aplicados por aviões são perdidos Com os defensivos representando uma das maiores parcelas dos (altos) custos de produção, é óbvio que nenhum agricultor aceitaria simplesmente jogar fora mais de dois terços do produto comprado para proteger sua lavoura. Se fosse verdade tanto produto indo fora, a aviação agrícola já não existiria, tampouco a nota publicada pela Embrapa atestando o contrário.

l A aviação é responsável por grande parte da contaminação de alimentos Os mesmos defensivos aplicados por avião são usados também em aplicações terrestres e a contaminação se dá basicamente pelo seu mau uso (há dosagens, métodos e momentos certos para cada aplicação). Mas nos próprios relatórios do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), da Anvisa, os produtos tratados por aviões, como o arroz, trigo e banana, aparecem com índice zero de contaminação. l Há um uso indiscriminado da aviação Não há como isso ocorrer. Trata-se de uma ferramenta complexa de operar e altamente regulada. Além de extremamente visível. Além de todo o cenário mencionado acima, além disso, o próprio Sindag e suas associadas apoiam fiscalizações. l Os aviões provocam a contaminação de trabalhadores rurais “Com a tecnologia do DGPS (que guia o piloto exatamente em faixa de aplicação), há mais de 20 anos não existe a figura do bandeirinha nas aplicações aé-

reas”, explica o doutor em Toxicologista Claud Ivan Goellner, referindo-se ao funcionário que ficava em terra acenando a bandeira para o piloto achar sua faixa. “Então, quando o avião voa, não há ninguém na lavoura. Ou seja, não há ferramenta mais segura do ponto de vista toxicológico.” Professor da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai, no Rio Grande do Sul, ele destaca ainda que “todo o sistema de mistura de produtos em solo é fechado e automatizado. Além disso, o piloto fica em cabine fechada e não tem contato com vapores ou resíduos do produto”. l Os produtos aplicados por aviões têm mais chance de escorrer e atingir o lençol freático Apesar de aeronaves e aplicadores terrestres (tratores, autopropulsados ou bombas costais) utilizarem os mesmos produtos e quantidade de princípios ativos por área, os aviões utilizam de oito a 10 vezes menos água em suas misturas. Em outras palavras, em aplicações aéreas se utiliza no mínimo oito vezes menos calda.

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PESQUISA A Embrapa destaca a segurança da aviação agrícola no trato de lavouras e reforça a necessidade de um debate livre de preconceitos para uma política de segurança alimentar e energética. A nota se baseia em pesquisas realizadas entre 2013 e 2017, envolvendo, além do Sindag, seis centros de pesquisas e 10 universidades parceiras

Nota Técnica - Contribuições para requisitos em operações aeroagrícolas Autores Paulo E. Cruvinel Pesquisador da Embrapa

1. Introdução Foi no ano de 1947 que a aviação agrícola passou a ser utilizada no Brasil. Esse fato ocorreu devido ao ataque de uma praga de gafanhotos na região de Pelotas, Rio Grande do Sul. Foi no dia 19 de agosto daquele ano que foi realizado o primeiro voo agrícola no País com uma Aeronave Muniz, modelo M-9, biplano de fabricação nacional, prefixo GAP, monomotor de 190 HP, autonomia de voo de 4 horas, equipada com depósito metálico, constituído em dois compartimentos e um dosador próprio, controlado pelo piloto, com capacidade de carga de aproximadamente 100 kg. Naquela oportunidade, houve o apoio do piloto civil Clóvis Candiota e do engenheiro agrônomo Leôncio Fontelles, na aplicação de um agrotóxico a base de Hexaclorobenzeno (BHC). A partir daí foram, nos anos 50, iniciadas aplicações aéreas

42 AvAg Junho a setembro de 2019

Gabriel Colle Diretor-executivo do Sindag

Wellington Pereira Alencar de Carvalho Professor da Universidade Federal de Lavras

de BHC na cultura de café do Estado do Paraná. No ano de 1956, a empresa Sociedade Agrícola Mambú Ltda., dona de extensas áreas de bananas na região de ltanhaém, SP, começou a realizar aplicações aéreas objetivando o controle do mal de Sigatoka com uma aeronave biplana Stearman. Nos anos 60, foi criada a empresa Seara Defesa Agrícola Vegetal Ltda., que desenvolveu a tecnologia de aplicação aérea de Ultrabaixo Volume (UBV) em culturas do algodão. No ano de 1965, foi criado o Curso de Aviação Agrícola (CAVAG), conforme ilustra o Decreto nº 56.584, de 20 de julho daquele ano, e no ano de 1969 foi fundada a Embraer S.A., que é um conglomerado transnacional brasileiro fabricante de aviões comerciais, executivos, agrícolas e militares, peças aeroespaciais, serviços e suporte nas áreas afins. Segundo Araújo (2015), o início dos cursos do CAVAG ocorreu em 1967. Na década de 70, houve um

grande desenvolvimento nos trabalhos de aplicação aérea, mas, na década de 80, houve redução significativa. Tal fato ocorreu devido à carência de pesquisas e disponibilidade de tecnologias para o setor. Mas, no início da década de 90, houve um reaquecimento que trouxe crescimento nos trabalhos de aplicação aérea de agroquímicos acompanhando o grande desenvolvimento das culturas da soja e do algodão no cerrado dos Estados do Mato Grosso e de Goiás. Neste panorama de crescimento, no final da década de 90, novas tecnologias foram utilizadas pela aviação agrícola no Brasil, o que envolveu novidades em pontas de pulverização e nas barras de pulverização, assim como o uso massivo de equipamentos denominados como Global Positioning System (GPS). Entretanto, desde o primeiro voo agrícola, realizado em 1947, até meados de 1965, a aviação agrícola brasileira não possuía de forma fundamentada nenhuma


regulamentação específica. Assim sendo, naquele período, a aviação agrícola brasileira esteve sendo conduzida por um abnegado grupo de pilotos que, adaptando suas aeronaves, passaram a utilizá-las para a proteção de lavouras. Data de julho de 1965 o início da regulamentação formal do setor aeroagrícola no Brasil, o qual desde então tem recebido atualizações. Nos dias atuais, a aviação agrícola é o único meio de pulverização com regulamentação própria, sendo, portanto, um dos setores mais fiscalizados no Brasil e no segmento. A legislação para o setor apresenta dois componentes, um que está relacionado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e outro que está relacionado à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A legislação do setor aeroagrícola relacionada ao MAPA envolve: 1. Decreto-lei nº 917, de 07/10/1969 - Normatiza a atividade da aviação agrícola; 2. Decreto nº 86.765, de 22/12/1981 - Regulamenta o DL 917/1969; 3. Lei nº 7.802, de 11/7/1989 Lei dos agrotóxicos; 4. Decreto nº 4.074, de 4/01/2002 - Regulamenta a Lei 7.802/1989; 5. IN nº 02, de 03/01/2008 MAPA - Normas Técnicas de Trabalho da Aviação Agrícola; 6. IN nº 07, de 20/9/2004 Estabelece condições especiais para aplicação de fungicidas na bananeira;

7. IN conjunta MAPA-IBAMA, nº 01, de 28/12/2012 Dispõe sobre a aplicação dos ingredientes ativos lmidacloprido, Clotianidina, Tiametoxam e Fipronil; 8. IN nº 15, de 10/5/2016 MAPA - Equipamentos agrícolas com uso aprovado pelo MAPA; 9. Nota técnica SMAA/DFPV nº 01/2004, de 20/01/2004 – Esclarece competências dos órgãos federais e estaduais na fiscalização das atividades da Aviação Agrícola; 10. Orientação Técnica CGA nº 01/2011, de 06/09/2011 Procedimentos para fiscalização do uso de aviação agrícola; 11. Informação CJ nº 749/96, de 29/5/1996 - Fiscalização da aplicação de agrotóxicos pela aviação agrícola. A legislação do setor aeroagrícola que está relacionada à ANAC é composta por: 1. Portaria nº 190/GC-05, de 20/3/2001 - Instruções reguladoras para autorização de funcionamento de empresas de Táxi Aéreo e Serviço Aéreo Especializado; 2. RBAC 137, de 30 de maio de 2012 - Certificação e requisitos para operações aeroagrícolas; 3. Resolução nº 233, de 30/5/2012 - Aprova o RBAC 137, em substituição ao RBHA 137; 4. Resolução nº 342, de 09/9/2014 - Dispensa a entrega dos documentos previstos na

Portaria 218/SPL; 5. Decisão nº 169, de 19/12/2014 - Fixa interpretação a respeito da aplicabilidade de dispositivo do RBAC 137, referente à sede operacional de empresa aeroagrícola; 6. Instrução Suplementar nº 137.201 B, de 10/01/2013 Uso do etanol em aeronaves agrícolas; 7. Instrução Suplementar nº 43-012 A, de 25/03/2013 Manutenção preventiva de aeronaves por pilotos; 8. Instrução suplementar nº 137-001 A, de 18/12/2014 - Orientações relativas a equipamentos dispersores; 9. Instrução suplementar nº 137-002 8, de 15/10/2015 Orientações quanto à instalação de Equipamentos GPS, com correção Diferencial; 10. Portaria nº 67, de 30/05/1995 - MAPA/DAS Mistura de agrotóxicos ou afins em tanque. A tecnologia de aplicação de defensivos ou agrotóxicos1 pode ser definida pelo emprego de conhecimentos científicos e técnicos que proporcionam a correta colocação do produto biologicamente ativo no alvo de interesse (CUNHA & CARVALHO, 2010). Essa colocação deve envolver, preferivelmente, somente as quantidades necessárias, de forma econômica e de forma a apresentar o mínimo de deriva para evitar atingir outras áreas localizadas na vizinhança do alvo planejado. As aplicações de

1 Agrotóxico: De acordo com a legislação vigente no Brasil, agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos para uso no cultivo, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, para alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preserválas da ação de seres vivos nocivos. O Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit) é um banco de dados para consulta pública sobre pragas, ingredientes ativos, produtos formulados, relatórios e componentes de fórmulas registrados no Ministério da Agricultura, com informações dos ministérios da Saúde e do Meio Ambiente. (http://agrofit.agricultura.gov.br/agrofit_cons/principal_agrofit_cons).

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PESQUISA defensivos devem buscar dentro do conceito da sustentabilidade resultados biológicos esperados, os quais estão relacionados ao controle de pragas, doenças ou plantas daninhas presentes nas culturas agrícolas. Os principais sistemas de aplicação de defensivos agrícolas utilizados no Brasil são de uso terrestre ou aéreo, sendo respectivamente encontrados neste âmbito pulverizadores de arrasto ou autopropelidos e aeronaves específicas preparadas para a operação de pulverização.

2. Quanto às aplicações aéreas no ambiente rural: A segurança alimentar e energética está associada à sustentabilidade dos sistemas de produção de alimentos, fibras e energia, assim como do meio ambiente envolvendo atenção especial aos manejos do solo e da água. A segurança alimentar, que é essencial para a vida, depende da existência de um sistema que garanta, presentemente, a produção, assim como a distribuição e o consumo de alimentos em quantidade e qualidade adequada, sem comprometer a mesma capacidade futura de produção, distribuição e consumo. O Brasil é um grande produtor mundial de alimentos. As estimativas, entretanto, são de que a produção de alimentos no país cresça cerca de 20% até 2022 (MAPA, 2013). A produtividade é o principal fator de crescimento da produção e há expectativa de que culturas como o trigo, a soja, o arroz, o feijão e o milho cresçam dentro desse percentual, enquanto a área deve expandirse em torno de 9%. Porém, em

um país tropical como o Brasil há clima favorável para pestes e pragas e para a diversidade de hospedeiros, o que implica em uma maior necessidade de se buscar estratégias, mecanismos e tecnologias que possam precisar a aplicação de defensivos fitossanitários para garantir a agricultura brasileira e sua escala de produção. No Brasil, o exemplo da adequação de terras e do uso de tecnologias e de insumos para o cultivo de diversas culturas para fins alimentares ou energéticos pode servir de exemplo para outros países. Entretanto, apesar da história de sucesso no campo da produção de alimentos, a incorporação de programas de segurança alimentar nos planos governamentais é relativamente recente e pouco abrangente. A alimentação é um direito básico do ser humano e os poderes públicos devem procurar dispor de instrumentos para incentivar os processos produtivos em escala, sem discriminações, tanto visando quantidade de alimentos disponíveis como sua qualidade. Adicionalmente, deve se ter em conta a forma plural dos diversos sistemas de manejo que são necessários para que o resultado seja alcançado. Uma política de segurança alimentar e nutricional se constitui por um conjunto de ações planejadas para garantir a toda população a oferta e o acesso aos alimentos, promovendo nutrição e saúde, o que deve ocorrer visando às boas práticas na orientação e uso das tecnologias e inovações que são transferidas à sociedade. Neste contexto se faz muito relevante uma política pública aeroagrícola que busque orientar os requisitos fundamentados nos paradigmas da metrologia e das Boas Práticas Agrícolas (BPA). Segundo a Organização das

Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, 1,3 bilhões de toneladas de comida são jogadas fora por ano em todo o mundo (FAO, IFAD & WFP, 2014). No Brasil, o desperdício de alimento é estimado em 26,3 milhões de toneladas. Aproximadamente 18% desse total se perdem ainda no campo, devido à falta de acesso ao conhecimento e aporte tecnológico disponível para as tratativas do manejo agrícola adequado, principalmente aqueles envolvidos no controle e combate das pestes e das pragas. Pestes ou pragas são organismos biológicos considerados nocivos ao interferir em atividades humanas. Competem por alimentos, disseminam doenças e comprometem colheitas, alimentos e ecossistemas, podendo inclusive migrar para os ambientes urbanos. As principais pestes e pragas são classificadas em (1) ervas daninhas: que são plantas que competem por água, sol e nutrientes com os cultives. O controle de plantas daninhas é de grande importância para garantir os índices de produção expectados das culturas agrícolas. Neste contexto, tem sido frequente o uso de defensivos químicos (SENSEMAN, 2007; CUNHA et ai., 2017), como também o uso do manejo integrado de pragas (BRECHEL T, 2004; OLIVEIRA et ai., 2006; WAQUIL et ai., 2006); (2) certos grupos de insetos: invertebrados capazes de proliferar em diversos climas; (3) organismos patogênicos: categoria que inclui fungos, vírus, bactérias e microrganismos. As perdas de produção e mesmo de insumos aplicados para o controle das pestes e pragas na agricultura são variáveis em função das flutuações de condições agroclimáticas, ecológicas, socioeconômicas, estocásticas e principalmente em

2 Estratégias robustas: estratégias que consideram os aspectos de eficiência e qualidade das pulverizações. assim como as especificidades das pragas ou pestes a serem controladas, incluindo a análise com bioindicadores que viabilizem o monitoramento da extensão dessas aplicações, com acompanhamento de especialistas e de forma transdisciplinar

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função dos mecanismos adotados para seu controle. Portanto, há de se considerar que a análise de resultados decorrentes da aplicação de defensivos químicos ou mesmo biológicos por via aérea requer conhecimento a priori do conjunto decorrente da combinação desses fatores. No caso das culturas, a maioria dos estudos científicos situa essas perdas entre 30% e 90%, com seus maiores valores ocorrendo nos países em desenvolvimento (YUDELMAN et al., 1998). Nesta área de atuação, é fundamental o entendimento desses conceitos, principalmente pelos tomadores de decisão que atuam nas áreas técnicas do setor e por aqueles que buscam orientar políticas públicas de interesse para a sociedade. A aplicação de defensivos agrícolas quando bem orientada pode resolver situações de infestações considerando a minimização de possíveis externalidades negativas, não representando um perigo a priori quando fundamentada nas boas práticas, as quais envolvem capacitação, uso de métodos e tecnologias desenvolvidas sob a ótica de estratégias robustas2, assim como consideram a seleção dos produtos químicos, como também dos biológicos, de forma tal a se optar por aqueles que possam trazer maior eficiência, melhor eficácia e menores impactos ambientais possíveis.

3. Recomendações finais: Assim, a partir das premissas acima mencionadas as seguintes propostas podem ser colocadas na linha de contribuições sobre requisitos de operações aeroagrícolas visando um Brasil competitivo, que priorize qualidade de vida para seu povo e que seja o principal colaborador mundial para a segurança alimentar e do alimento no planeta. Neste contexto para o item que trata de revisão ampla

dos requisitos de operações aeroagrícolas e da manutenção de aeronaves para esse fim, as seguintes contribuições podem ser enumeradas: 1) Inserção da operação aeroagrícola noturna: Um piloto conduzindo uma aeronave sob regras de voo visual (VFR), durante o período diurno, utiliza sua visão e os aviônicos da aeronave para ampliar sua consciência situacional ao observar o relevo e o espaço aéreo ao seu redor (SPITZER, 2001). Por outro lado, o voo no período noturno tem sido um desafio para os aeronautas, uma vez que o olho humano fisiologicamente não é adaptado para esse período. A informação visual é significativamente degradada durante as operações noturnas. A acuidade visual, a capacidade de estimar a profundidade e a capacidade de identificar objetos é bastante diminuída. Além disso, a visão em cores e a visão periférica também são degradadas ou inexistentes. Os obstáculos naturais e artificiais deixam de ser observados com nitidez, ocasionando uma elevação do risco de colisão em baixas alturas (AUSTRALIAN GOVERNMENT, 2005). Para um piloto com visão normal, em condições de pouca luz, o processo de degradação pode ser caracterizado por: queda na acuidade visual; redução da capacidade de distinguir detalhes; degradação ou perda completa da capacidade de distinguir as cores; redução na definição da imagem; ponto cego. A parte central da retina não é sensível à luz de baixa intensidade. Essa degradação da informação visual leva a uma diminuição da capacidade de um piloto de reconhecer objetos e estimar a distância e a profundidade. Isso pode resultar em ilusões visuais e possivelmente em desorientação espacial. Além disso, o risco de entrada inadvertida

em Voo por Instrumento (IMC) é aumentado, pois o piloto é menos capaz de ver as condições climáticas à frente. Logo, nesse quesito é fundamental considerar como requisito obrigatório nas operações aeroagrícolas o uso de óculos de Visão Noturna (OVN), ou Night Vision Goggles (NVG), os quais começaram a ser utilizados para esse fim. Os OVN são equipamentos intensificadores de imagem que amplificam a iluminação, seja ela visível ou infravermelha, num ambiente noturno em um fator de até 104 (BICAS, 2002; RODRIGUES, 2015). Na maioria das condições, os óculos de visão noturna proporcionam aos pilotos um aumento significativo da qualidade visual em comparação com a visão noturna sem auxílios. Eles permitem que o piloto veja o horizonte, objetos, terreno e o clima com mais facilidade. Além disso, eles ajudam o piloto a manter a orientação espacial, para evitar perigos, como a entrada inadvertida nas Condições Meteorológicas do IMC, e para navegar visualmente. Ainda que este equipamento possa aumentar a segurança da realização de um voo visual no período noturno, é importante conhecer os princípios de funcionamento e as limitações de uso para que não ocorram problemas ou riscos inesperados, este último também um requisito que deve ser considerado. Algumas limitações de utilização dos OVN são: imagem monocromática, campo de visão limitado e menor acuidade visual. Além disso, a qualidade da imagem OVN é variável e depende do ambiente operacional. Por exemplo, a qualidade da imagem pode variar de acordo com a quantidade de iluminação celestial, a intensidade da luz direta, as condições climáticas e velocidade da aeronave. 2) Monitoramento das aeronaves aeroagrícolas: recomenda-se manter como

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PESQUISA um requisito de operações aeroagrícolas e, se necessário, expandir o que ocorre hoje, com o monitoramento eletrônico, informatizado e georreferenciado de aeronaves via equipamentos denominados como Differential Global Positioning System (DGPS) ou outros equipamentos que incorporem tecnologias que proporcionem, no mínimo, a mesma qualidade de informações disponibilizadas atualmente por sistemas que já utilizem essa tecnologia. O uso desses sistemas, presente senão em todas, em quase todas as aeronaves agrícolas no País, faz-se necessário para tornarem mais eficientes os processos de controle da aplicação e da fiscalização para o cumprimento das regras estabelecidas para esse tipo de aeronaves. Também, como já previsto na norma IN-02, que o mapa da aplicação e outros dados registrados pelo sistema DGPS sigam incluídos nos relatórios operacionais das empresas, à disposição da ANAC, do MAPA e das autoridades do Ministério Público (MP) quando solicitados, sendo devidamente compreendidos exclusivamente como informações técnicas que acompanham os processos de pulverização. Aspectos metrológicos, estudos de derivas e estudos com bioindicadores poderão ser indicados para esse quesito de forma a normalizar as características dos sistemas de monitoramento. 3) Como parte dos requisitos de operações aeroagrícolas que sejam revisadas, bem como quando aplicáveis compatibilizadas, as legislações para o setor: com base no que já dispõe o MAPA e as que estão relacionadas à ANAC, conforme acima citadas. 4) Quanto à inserção de subparte que verse sobre o treinamento para operações aeroagrícolas: neste âmbito

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de abordagem, as Boas Práticas Agrícolas (BPA) são recomendações que começam a ser usadas no Brasil para ajudar o produtor rural a produzir de forma tal que a segurança alimentar e a segurança energética possam ambas ser atendidas conjugando um binômio que trate simultaneamente da produtividade e da sustentabilidade. Treinamentos e capacitação nesse sentido se fazem fundamentais e devem compor parte dos requisitos de operações aeroagrícolas. 5) Organizar, junto ao Poder Legislativo, Audiências Públicas, aproveitando os esforços da Frente Parlamentar da Agropecuária, para divulgar de forma ampla o uso aeroagrícola como estratégia para o controle de pestes e de pragas agrícolas no Brasil.

Referências ARAÚJO E. C. História da Fazenda Ipanema e de sua missão aeroagricola, v. 2.0, 2015. Disponível em: http://sindag.org.br/wp-content/ uploads/2016/11/Historico-FazendaIpanema.pdf, Acesso em 10 de maio de 2019. AUSTRALIAN GOVERNMENT. Australian Transport Safety Bureau. Night Vision Goggles in Civil Helicopter Operations. Abril, 2005. BICAS, H. E. A. Arq. Sras. Oftalmol. Acuidade visual. Medidas e notações. Ribeirão Preto, SP, 2002.

CUNHA, J. P.A.R.; BARIZON, R. R. M.; FERRACINI, V. L.; ASSALIN, R. M.; ANTUNIASSI, U. R. Agricultura! machinery management spray drift and pest control from aerial applications on soybeans. Engenharia Agricola, Vol.37, No. 3, pp. 493-501, 2017. (FAO, IFAD & WFP, 2014) The state of food insecurity in the world. Strenghening the enabling environment for food security and nutrition. Rome, 2014. MAPA (2013) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Projeções do Agronegócio: Brasil 2012/2013 a 2022/2023. Assessoria de Gestão Estratégica - Brasília: Mapa/ACS, pp. 96, 2013. OLIVEIRA, A. M.; MARACAJÁ, P. B.; DINIZ FILHO, E.T. & UNHARES, P.C.F. Controle biológico de pragas em cultivas comerciais como alternativa ao uso de agrotóxicos. Revista Verde Vol. 1, No. 2, pp.0109, Mossoró RN, 2006. RODRIGUES, R. S. óculos de visão noturna: pressupostos doutrinários para o radiopatrulhamento aéreo. Trabalho de conclusão de curso (Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública) Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da Academia de Polícia Militar de Minas Gerais e Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 2015. SENSEMAN, S. A. Herbicide Handbook. Champaign, EUA:Weed Science Society of America, pp. 458, 2007. SPITZER, C. R. The Avionics Handbook. Boca Raton, FL: CRC Press, Chapter 7, 2001.

BRECHELT, A. O Manejo Ecológico de Pragas e Doenças. Rede de Ação em Praguicidas e suas Alternativas para a América Latina: Santiago, 2004.

WAQUIL, J. M.; VIANA, P. A. & CRUZ, 1. Cultivo do milho: manejo integrado de pragas. Embrapa Milho e Sorgo: Sete Lagoas MG, 2006.

CUNHA, J. P. A.; CARVALHO, W. P. A. Tecnologia de aplicación de agroquímicos por via aérea. Capítulo 13. ln: Tecnologia de aplicación de agroquímicos CYTED (Magdalena, J. C.; Castillo, H.B.; DI, P.A.; Homer 8.1.; Villalba, J., Eds.), ISBN 978-8496023-88-8, pp. 147-157, 2010.

YUDELMAN, M.; RATTA, A.; NYGAARD, D. Pest management and food production, looking to the future. Food, agriculture and environment discussion paper 25. lnternational Food Policy Research lnstitute. Washington, DC., USA, 1998.


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Revista Aviação Agrícola - Edição 4 - junho/setembro 2019  

Publicação do Instituto Brasileiro da Aviação Agrícola (Ibravag), com notícias sobre o setor aeoragrícola, entrevistas, análises de mercado,...

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