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Enem influencia mudanças curriculares O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já faz parte das vidas dos alunos e das instituições de ensino brasileiras desde o ano de 1998. Criado para avaliar o ensino médio no País, o Exame passou por diversas transformações e tem assumido diferentes papéis ao longo dos anos. Hoje, a avaliação nacional se tornou uma oportunidade de ingressar num curso superior. Em algumas instituições, o Enem até mesmo substitui os processos seletivos tradicionais. Com tantas mudanças, o Exame passou a influenciar na estrutura curricular das escolas que, atualmente, preparam o aluno, também, para se sair bem no Exame nacional. “O Enem mudou a concepção das práticas curriculares e exige que as escolas se reestruturem dos pontos de vista metodológico, dos recursos didáticos, dos métodos e das técnicas de ensino. Ele não faz apenas um convite. Ele exige, já que o Enem hoje é uma porta de acesso às faculdades”, explica a diretora do Colégio Instituto Social da Bahia (Isba), Dulcinéia Alves, que escolheu as repercussões do Enem nas práticas curriculares das escolas privadas como tema de sua dissertação de mestrado. Diante da realidade atual, as escolas e os professores têm enfrentado novos desafios. Para Dulcinéia,

entre as instituições, os maiores desafios envolvem a reestruturação da metodologia, da concepção, dos recursos didáticos e suas práticas em salas de aula. As instituições de ensino e os professores também devem trabalhar juntos para oferecer um currículo escolar que se adapte à realidade. “O professor vinha numa caminhada diferenciada, bem tecnicista, bem conteudista, e o Enem exige um tratamento mais temático, uma abordagem multidisiplinar, das áreas entrelaçadas, dialogando entre si, e isso exige que as escolas invistam na formação continuada de seus profissionais”, pontua Dulcinéia.

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SALVADOR | QUINTA-FEIRA | 23 DE AGOSTO DE 2012 PROJETO ESPECIAL DE MARKETING

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“O Enem mudou a concepção das práticas curriculares e exige que as escolas se reestruturem” Dulcinéia Alves Diretora do Isba

Além de mudar a forma como a informação é transmitida em sala de aula, o Enem também repercute nas práticas avaliativas, que precisam ser alteradas em virtude do modelo da avaliação. As atividades propostas devem ir além da sala de aula, fazendo, por exemplo, que os estudantes se envolvam e tenham mais interesse pelo cotidiano de sua comunidade, estando mais atentos ao contexto em que vivem e atuam. Desta forma, o processo de aprendizagem também sofre influência. Na opinião de Dulcinéia, as mudanças são benéficas para os alunos. A reestruturação dos currículos deve considerar o trabalho com conteúdo mais enxuto e mais funcional. O conteúdo interdisciplinar contribui para que o jovem se torne mais analítico, mais competente para resolver problemas. As mudanças também permitem que as aulas sejam mais dinâmicas e o aprendizado, mais prazeroso. As alterações na estrutura curricular permitem que os alunos formados tornem-se cidadãos muito mais implicados com as questões sociais e capazes de contribuir para a transformação da realidade. “O aluno se torna um protagonista. A aprendizagem se torna significativa, representativa, compreensiva e vivenciada”, ressalta.

Redação de primeira: prazo para inscrição se encerra no domingo O prazo para se inscrever no concurso Redação de Primeira vai até o próximo domingo, 23 de setembro. Se você ainda não escreveu sua redação, não perca mais tempo. Faça o download da folha de redação no canal Enem do iBahia, escreva seu texto e entregue nos postos AcheAqui dos shoppings Barra, Itaigara, Iguatemi, Center Lapa e Paralela. Nos postos AcheAqui, você também pode conseguir a folha de redação de forma gratuita. E, quem preferir, pode enviar a redação em formato digital para o e-mail enem@portalibahia.com.br. O resultado será divulgado no dia 11 de outubro e a melhor redação ganha um notebook e uma assinatura semestral do jornal Correio. Confira o tema ao lado e boa sorte!

Analista de Marketing Joyce Lins Tel.: (71) 3203-1143

Tema da redação A matéria “O Google viu” publicada pelo jornal Correio no dia 15 de agosto de 2012, mostra imagens de Salvador mapeadas pelo Google para complementar o seu sistema de geolocalização, o Street View do Google Maps. Entre os flagras em diversos pontos da cidade está a falta de educação de pessoas fazendo xixi em via pública. A prática, que já virou projeto de lei, é costume na capital baiana e incomoda a população. Com base no enunciado acima, discorra, em, no máximo 30 linhas, sobre o tema:

“Na sua opinião, a educação é de responsabilidade da família ou da escola?”

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Exame será adotado na 1ª fase da UFBA A Universidade Federal da Bahia (UFBA) abriu inscrições para o processo seletivo e a novidade deste ano é que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será usado na primeira fase. Pela primeira vez, as notas obtidas no Enem serão o único critério de seleção da etapa inicial do processo seletivo. As inscrições vão até o dia 9 de outubro, mas só poderão se inscrever os candidatos que vão se submeter ao Enem deste ano. A mudança é válida para as três modalidades de cursos oferecidas pela instituição. Segundo a UFBA, todos os candidatos que pretendem ingressar na instituição em 2013 precisarão, obrigatoriamente, participar do Exame. A segunda fase do vestibular continua ocorrendo da forma tradicional. Apenas os candidatos

Foto: Humberto Farias

aprovados na primeira fase dos Cursos de Progressão Linear serão submetidos à segunda fase, que deve acontecer a partir do dia 20 de janeiro de 2013. A única exceção é para os candidatos inscritos nos cursos oferecidos no campus do município de Barreiras. As inscrições para o processo seletivo da UFBA vão até o dia 9 de outubro e podem ser realizadas pela internet, através do site www. vestibular.ufba.br ou em postos de atendimento montados em Salvador, na sede do Serviço de Seleção, Orientação e Seleção (SSOA), em frente à Reitoria, no bairro do Canela. As inscrições também podem ser feitas nos campi em algumas cidades do interior do estado. Para outras informações, visite a página da UFBA na internet: www.ufba.br.

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Miscigenação definiu cultura brasileira O Brasil é resultado da mistura de costumes e cultura de diferentes povos. Indígenas, europeus, africanos e asiáticos marcaram a história do nosso país em contextos diversos e, ao passar por aqui, cada um deixou um pouco de sua própria terra. A miscigenação está nas ruas, na cor do brasileiro, nas nossas festas, na arquitetura, no artesanato, na música e até mesmo na nossa culinária. E a diversidade é uma das características mais fortes da nossa identidade cultural. Além dos índios que viviam no território brasileiro, também influenciam nossas tradições os hábitos trazidos pelos portugueses, que ocuparam a terra em 1500, e dos africanos, forçados a trabalhar como escravos na colônia. Nos anos seguintes, a cultura nacional também seria moldada pela imigração de outros povos, que apostaram numa nova vida deste lado do continente. A população de

outras partes da Europa, do Oriente Médio e a Ásia, principalmente, contribuíram com a formação da nossa identidade. A imigração de países vizinhos, como Argentina, Uruguai, Chile e Bolívia, também colaborou para a diversificação de costumes, hábitos e crenças em nosso país. Artesanato - As peças de artesanato carregam valores, crenças e culturas referentes à comunidade ou à região na qual é produzida. Por isso, apesar de muitos tirarem o sustento a partir do comércio destas peças, elas não são consideradas mercadoria. O artesanato no Brasil é rico em todas as regiões. No Sul e no Sudeste, principalmente em Santa Catarina e Minas Gerais, são destaques panelas, potes, moringas, jarras em cerâmicas e produtos feitos com folha de bananeira. Minas também se destaca pelos tapetes e colchas feitos em tear ma-

nual, peças produzidas em estanho e pedras decorativas talhadas dos mais diversos tipos de minério. No Centro-Oeste, o bordado e as atividades relacionadas a madeira, barro, tapeçaria e trabalhos com frutas e sementes são fortes. Em Goiás e no Mato Grosso, é comum encontrar peças de porcelana que representam animais e moringas de barro. Entre os nordestinos, a produção é bastante ligada ao barro e a madeira. No Ceará, a renda de bilro é famosa. Trançados de palha, cestarias feitas com trançados de carnaúba, bambu e cipó também merecem destaque. No Norte, o destaque vai para a influência indígena no artesanato, com muitas peças produzidas em cerâmica. Existem duas vertentes de inspiração para os artesãos: a marajoara e a tapajônica, que são estilos genuinamente indígenas, com técni-

Arte de vanguarda

cas e formas milenares. A população também produz jóias a partir de sementes e metais preciosos. Música - Sem dúvidas, o principal ritmo nacional é o samba. Herdado dos africanos, o estilo é o cartão-postal musical do país e embala a maior festa popular nacional: o Carnaval. Outros ritmos que chegaram ao Brasil com os africanos e se perpetuaram ao longo das gerações são o maracatu, a congada, a cavalhada e o Moçambique. O forró, ritmo que também é bastante popular entre os brasileiros, é de origem europeia. Capoeira - A capoeira começou a ser praticada pelos negros escravizados como uma técnica de defesa. Propositalmente, os movimentos foram criados para ser semelhantes a uma dança. Desta forma, eles poderiam treinar nos engenhos sem levantar suspeitas. Durante déca-

das, a capoeira foi proibida no Brasil, sendo liberada em 1930. Religião - A África é o continente com mais religiões diferentes de todo o mundo. Durante a escravidão, os negros trazidos da África eram batizados e obrigados a seguir o Catolicismo. Porém, a conversão não tinha efeito prático e as religiões de origem africana continuaram a ser praticadas secretamente em espaços afastados nas florestas e quilombos. Com a vinda ao Brasil e a separação das famílias, nações e etnias, os negros partilharam cultos e conhecimentos diferentes em relação aos segredos rituais de sua religião e cultura, dando origem às religiões afro-brasileiras. A mais tradicional delas é o Candomblé, que tem sido sinônimo de tradições religiosas afro-brasileiras em geral. Com raízes africanas, a Umbanda também se popularizou entre os brasileiros.

As vanguardas europeias são uma série de movimentos culturais que ocorreram no início do século XX e apontaram um conjunto de tendências, principalmente, no campo das artes. Os vanguardistas romperam com toda a estética precedente e estabeleceram novos conceitos para expressão da arte. As principais vanguardas foram o fauvismo, expressionismo, cubismo, futurismo, dadaísmo e surrealismo.

Fauvismo (1905-1908)

Expressionismo (1905-1933)

Cubismo (1907-1914)

Futurismo (1909-1914)

Dadaísmo (1916-1922)

Surrealismo (1924)

Corrente artística que buscava o equilíbrio, a pureza e a serenidade, sem intenções críticas. As principais características são a simplificação das formas, o primado das cores, e a redução do nível de graduação das cores usadas. Cenas urbanas e rurais, retratos, ambientes internos ou ao ar livre são temas comuns. Para os representantes do movimento, criar era seguir o instinto e as linhas e cores devem traduzir sensações primárias, como as que são sentidas por crianças e selvagens. Paul Gauguin, Paul Cézanne, Henri Matisse e Van Gogh são os expoentes do movimento.

As obras de arte dos expressionistas eram dotadas de uma reflexão individual e subjetiva, projetando o mundo interior do artista. Um dos objetivos era potencializar o impacto emocional do espectador, exagerando e distorcendo os temas. Para os artistas do movimento, “expressar” a visão interior era mais importante do que dar uma “impressão” da realidade. Seus principais expoentes são Pieter Brughel, o Velho, Mathias Grünewald e Francisco de Goya.

O Cubismo era caracterizado por tratar as formas da natureza através de figuras geométricas. Para os cubistas, a forma como eles representavam o mundo não precisava ser fiel à aparência real das coisas. O quadro “Les demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso, é considerado o marco inicial do movimento. Também são representantes do cubismo, Paul Cézzane, Diego Rivera, Tarsila do Amaral, Érico Veríssimo e Oswald de Andrade.

Os artistas futuristas eram contrários ao moralismo e ao passado. Suas obras, retratavam a velocidade e os desenvolvimentos tecnológicos do período. Seu marco inicial é a publicação do Manifesto Futurista, escrito pelo poeta italiano Filippo Marinetti. O futurismo foi uma das vanguardas que mais influenciaram a Semana de Arte Moderna no Brasil. Oswald de Andrade e Anita Malfatti foram seus principais representantes no Brasil.

O Dadaísmo é marcado por seu caráter non-sense, pela quebra do tradicional, por sua oposição ao equilíbrio, pelo ceticismo e improvisação. Apesar de, aparentemente, as obras dadaístas não parecerem ter sentido, a produção dos artistas envolvia críticas, por exemplo, ao capitalismo e ao consumismo. As obras pretendiam chocar a sociedade. Um dos principais nomes do movimento foi Marcel Duchamp.

O Surrealismo foi influenciado pela psicanálise de Sigmund Freud e pela teoria marxista. O movimento buscava expressar o insconsciente e o mundo dos sonhos, libertando as obras do racionalismo. A produção é repleta de humor e utopias. Entre os principais surrealistas estão Luis Buñuel, Salvador Dalí e René Magritte.


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Uma Semana para entrar na história Entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, o Brasil viveu uma de suas maiores manifestações artísticas: a Semana de Arte Moderna. Também conhecida como a Semana de 22, o evento, realizado no Teatro Municipal, em São Paulo, marca o início da primeira geração modernista, período caracterizado pela profunda ruptura com os padrões artísticos que imperavam até aquele momento. A Semana de Arte Moderna, que se contrapôs ao Parnasianismo, que dominava o cenário cultural da época, representou a renovação na linguagem, com produções ousadas, liberdade artística e novos conceitos de arte. Seus reflexos não puderam ser notados apenas na literatura, mas também em esculturas, pinturas e desenhos. Além de exposições dessas obras de arte, o evento também contou com palestras, declamação de poemas e apresentações musicais.

Os jovens artistas da época eram influenciados por movimentos como o Futurismo, o Cubismo e o Expressionismo. Nomes como Anita Malfatti, que trazia experiências vanguardistas de uma viagem feita à Europa, Di Cavalcanti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti Del Picchia, Villa-Lobos e Frutuoso Viana foram alguns dos destaques da Semana em todos os campos artísticos. O que esses artistas modernistas queriam era inaugurar uma arte verdadeiramente nacional. Mário de Andrade, um dos principais líderes e teóricos do movimento, resume o legado da Semana de Arte Moderna à estabilização de uma consciência criadora nacional, que buscava expressar a realidade da nação; à atualização intelectual, baseada nas ideias das vanguardas europeias e à liberdade de pesquisa e criação estética.

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Literatura nacional

A produção literária de cada época é marcada pelo cenário político e social vivido por cada comunidade. Isso acontece porque os escritores são personagens do mundo real, que observam e, também, fazem parte do cotidiano. Reunidos, os sinais da influência de cada época na literatura são chamados de Escolas Literárias. Cada um desses períodos é regido pelas características políticas, econômicas, sociais, filosóficas, religiosas, geográficas, morais etc. da fase em que se desenvolveu. A história do Brasil é marcada por intensas transformações sociais e, consequentemente, registra diferentes momentos literários. Confira os principais:

Barroco (século XVII) As obras literárias do Barroco são marcadas por histórias repletas de amor e sofrimento, vida e morte, religiosidade e erotismo. Outras características são a linguagem culta, o teocentrismo, o rebuscamento e o nacionalismo. Dois estilos se desenvolvem nos textos: o cultismo, rebuscado e marcado pela colocação do conteúdo em segundo plano, e o conceptismo, que tinha como principal característica a exposição de fundamentos da lógica. A maior produção é de poesia. A prosa pode ser observada nos sermões. No Brasil, o principal autor de sermões foi o padre português Antônio Vieira. Outro autor da época é Gregório de Matos, que ficou conhecido como Boca do Inferno por causa de seu estilo satírico. Arcadismo ou neoclassicismo (século XVIII) O século XVIII entrou para a história como o Século das Luzes por causa dos intensos questionamentos às formas atrasadas de religião, ciência e política. Outro conceito essencial para entender a época é o Iluminismo, movimento que propunha diversas reformas na sociedade e na cultura. A literatura foi influenciada pelo retorno do Classicismo, que pregava equilíbrio e clareza. São características do estilo o objetivismo, os temas pagãos e greco-latinos, o predomínio da razão, a inteligência e a arte elitista. Expressões latinas que traduzem o período são fugere urben (fugir da cidade, preferindo a vida no campo) e inutilia truncat (cortar o que é inútil). No Brasil, a principal obra do período é “Marília de Dirceu”, escrita por Tomás Antônio Gonzaga. Outros autores da época são Cláudio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. Romantismo (primeira metade do século XIX) O surgimento do Romantismo está envolvido numa das mais importantes revoluções da história: a Revolução Francesa. Entre as transformações provocadas pela revolução estão a ascensão da burguesia e a renovação das relações sociais. Essas mudanças influenciaram as sociedades em todo o mundo. Na literatura, as transformações refletiram em textos com características como a subjetividade, o retorno ao passado, valorização da arte popular, democratização da arte, a melancolia, a identificação entre o poeta e a natureza e valorização da paixão. Entre os temas predominantes estavam a religiosidade, o nacionalismo, a solidão, a morte e o gosto pelo fantástico. O Romantismo divide-se em três fases: Primeira Geração (1840 - 1850): conhecida como geração indianista, tinha como característica a tentativa de consolidar culturalmente a independência política do Brasil através da valorização do indianismo e da natureza nacional. Seu principal representante é Gonçalves Dias. Segunda Geração (1850 - 1860): também chamada de geração ultra-romântica, foi marcada pelo mal do século (tuberculose), e recorria a temas como o amor platônico e a obsessão pela morte. Álvares de Azevedo é um dos principais nomes. Terceira Geração (1860 - 1881): buscava questionar profundamente a realidade, abordando temas ligados ao condoreirismo, abolicionismo e lirismo erótico. O maior poeta desta geração é o baiano Castro Alves. Uma das principais características de sua poesia é a luta pelo abolicionismo.

Realismo (segunda metade do século XIX) Na Europa, o século XIX foi marcado pela Revolução Industrial e todas as transformações provocadas pelas novas relações sociais. Na literatura, o período é marcado pela reação aos excessos do lirismo e da imaginação, tão comuns nos autores românticos. São características da produção literária do período a objetividade, a observação impessoal, a exatidão e a veracidade na observação da realidade. O fantástico e o idealismo, explorados pelos românticos, dão lugar ao cotidiano e a uma visão prática da vida. No Brasil, o autor que melhor representa essa escola literária é Machado de Assis. É dele o marco inicial do período: o romance Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). Naturalismo (segunda metade do século XIX)

O Naturalismo é o Realismo levado ao extremo. O cientificismo atingiu um grau tão alto entre os naturalistas que produziu uma literatura determinista. Os autores demonstram preocupação com o social e com a vida, buscando retratar a realidade exterior e as experiências humanas, de um ponto de vista científico. Os naturalistas defendiam que o ambiente é responsável pela formação do caráter individual. Também são temas recorrentes o anticlericalismo e a mulher como presa da fisiologia. Seu maior representane é Aluísio Azevedo, autor de “O Cortiço” (1890).

Parnasianismo (a partir do final do século XIX)

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Contemporâneos, o Realismo e o Parnasianismo têm características comuns, como a busca dos autores por livrar suas obras dos excessos do lirismo que marcavam as obras românticas. As poesias obedeciam ao rigor formal, a perfeição. O lema dos parnasianos era “a arte pela arte”. Eles rejeitavam o mundo que achavam vulgar em busca da beleza absoluta dos versos. O soneto era a forma preferida dos autores. A poesia era aristocrática, panteísta, fria e objetiva. Os principais autores foram Raimundo Correia e Olavo Bilac.


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Pesquisa aponta que brasileiro reconhece importância da leitura, mas prefere outras atividades O brasileiro sabe da importância da leitura para progredir na vida, mas continua considerando a atividade desinteressante. Este é o principal diagnóstico da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada este ano pelo Instituto Pró-Livro. Foram entrevistadas mais de 5 mil pessoas em 315 municípios e os resultados apontam que apenas metade delas pode ser considerada leitoras. O critério é ter lido pelo menos um livro nos últimos três meses. Entre os participantes, 64% concordaram totalmente com a afirmação “ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Mas 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e 25% gostam muito. Entre os não leitores, a principal razão para não ter lido nos últimos meses é a

“falta de tempo”, apontada por 53% dos entrevistados. No topo da lista aparecem também justificativas como “não gosto de ler” (30%) ou “prefiro outras atividades” (21%). A professora Vera Aguiar, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), explicou que a falta de hábito de leitura no país é cultural. “Nossa cultura é muito oral. Se a gente pensa na religião, nas festas como o carnaval ou nos esportes como o futebol, percebe que o brasileiro prefere atividades exteriores que envolvam muitas pessoas”, aponta a pesquisadora. Para Maria Antonieta Cunha, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e diretora do programa do Livro Leitura e Literatura do Ministério da Cultura, o brasileiro associa a leitura à obrigação e não

Simbolismo (fim do século XIX e começo do século XX)

O contexto histórico do Simbolismo é marcado por um profundo desânimo e desilusão por causa dos rumos da industrialização. Na arte, esses sentimentos provocaram o desejo de fugir da realidade. Para os simbolistas, a função da arte era sugerir o real que está além da superfície aparente das coisas, sem atingi-la. As obras retomavam o Romatismo, valorizavando a interioridade, o culto ao sonho e ideias envoltas em sombra. Os poemas eram endereçados à emoção do leitor e ricos em musicalidade. Cruz e Souza é o principal autor simbolista no Brasil.

Pré-modernismo (início do século XX)

Movimento que representou a transição entre o Simbolismo e o Modernismo. A literatura produzida no pré-modernismo é eclética, tomada por várias correntes de ideias. O período é marcado pelo retorno ao Parnasianismo e ao Naturalismo, além da intensa ligação com a realidade nacional. São nomes importantes da fase Lima Barreto, Monteiro Lobato e Augusto dos Anjos.

Modernismo

(início e segunda metade do século XX) O Modernismo se inspirava nos movimentos da vanguarda europeia (veja na página 5), como o cubismo e o surrealismo. O movimento integrava diversas tendências de valorização da realidade nacional e exaltação do pensamento moderno. Entre as principais características da literatura modernista estão a negação do Romantismo e do Simbolismo, a vontade de derrubar as estéticas tradicionais, o anticristianismo, a irreverência, o irracionalismo e a ruptura com o passado. Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos são os principais expoentes da literaura modernista nacional.

ao prazer. “A questão é que nós não temos a leitura como um valor social. A pessoa não conseguiu descobrir que a leitura trabalha, mais do que tudo, com a transcendência, que é o grande item do ser humano. É aquilo que diz Fernando Pessoa: ‘a literatura é uma confissão de que a vida não basta’”, disse Maria Antonieta. Juventude - O hábito de leitura também é baixo entre os estudantes. De acordo com pesquisa feita pelo Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro com 4 mil estudantes e 1,2 mil responsáveis, 93% dos alunos do ensino médio da rede pública do estado tinham celulares em dezembro de 2011 e 78% possuíam computador, sendo que 92% tinham acesso frequente à internet. Em contrapartida, 14% dos alu-

nos declararam não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Entre os que não leram nada, 17% residiam no interior e 12% na região metropolitana. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%. A diretora adjunta da cátedra Unesco de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Eliana Yunes, ressalta a importância da leitura entre os jovens. “Quem não lê tem muita dificuldade de escrever, de ampliar o seu universo de escrita, de virar efetivamente um escritor”. Como eles têm pouca familiaridade com a língua viva, seria necessário que os adultos se preparassem melhor, buscando conhecer esta nova tecnologia para que a mediação, tanto pela

escola como pela família, pudesse ser exercida de forma a partilhar com os alunos leituras de boa qualidade”, pontua. Eliana defende ainda que, para aumentar o número de jovens leitores, é preciso fazer uma ligação entre a internet, popular entre os jovens, e a literatura. “Este jogo contemporâneo é muito rico, mas falta uma mediação que permita que esses meninos tenham acesso, mesmo via internet, a sites muito bons de poesia, de blogs, pequenas histórias, de museus, que discutem música, história. Quanto mais suportes a gente tiver para a palavra escrita e para abrigar a reflexão sobre a condição do ser humano, melhor a gente vai poder abraçar as várias modalidades, que estão vivas, da palavra”, destacou. (Com informações da ABr)


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2012 marca centenário de Jorge Amado e Nelson Rodrigues

Jorge Amado (10/08/1912 – 06/08/2001) “Capitães da Areia”, “Gabriela” e “Mar Morto” são alguns dos títulos de grande sucesso de Jorge Amado lidos no Brasil e traduzidos em todo o mundo. Sua obra está publicada em mais de cinquenta países e já foi adaptada para o rádio, cinema, televisão e teatro. Por isso, seus personagens são conhecidos e fazem parte da história do povo brasileiro. Jorge Amado nasceu em Itabuna e mudou-se com a família para Ilhéus aos dois anos. A região, famosa pela produção de cacau, seria cenário frequente das obras de Jorge, como “Terras do sem-fim”, “São Jorge dos Ilhéus”, “Gabriela, cravo e canela” e “Tocaia Grande”, nas quais relata as lutas, a crueldade, a exploração, o heroísmo e o drama associados à cultura do cacau. O candomblé e as tradições afro-brasileiras também são características marcantes de seu trabalho. Em 1931, aos dezoito anos, lançou seu

primeiro livro, “O país do Carnaval”. Sua atuação política também foi forte. Filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) em 1932. Quatro anos depois, foi preso acusado de participar da Intentona Comunista. Quando Getúlio Vargas implantou o Estado Novo, Jorge Amado foi preso novamente e exemplares de suas obras foram queimados em praça pública. Reconhecido como imortal da Academia Brasileira de Letras, o escritor recusava pompa ou grandeza à sua trajetória de vida. Na obra “Navegação de cabotagem”, ele diz “não nasci para famoso nem para ilustre, não me meço com tais medidas, nunca me senti escritor importante, grande homem: apenas escritor e homem”. Nelson Rodrigues (23/08/1912 – 21/12/1980) Nascido no Recife, Nelson Rodrigues mudou-se com a família para o Rio de Janeiro aos quatro anos. Nelson é considerado o principal dramaturgo brasileiro. Foi ele quem criou o teatro moderno nacional, com a peça Vestido de noiva, em 1943. O escritor também é reconhecido como um dos mais polêmicos do Brasil. Nelson Rodrigues tinha o talento de transformar fatos cotidianos em verdadeiras aventuras épicas, conferindo nuances ao fato que poucos poderiam imaginar. Iniciou sua carreira como jornalista aos 13 anos, no jornal A Manhã, fundado por seu

“Avô, mesmo que a gente morra, é melhor morrer de repetição na mão, brigando com o coronel, que morrer em cima da terra, debaixo de relho, sem reagir. Mesmo que seja pra morrer nós deve dividir essas terras, tomar elas para gente. Mesmo que seja um dia só que a gente tenha elas, paga a pena de morrer”.

pai. Foi na redação do impresso que começou a apurar seu olhar observador. “Nelson fez um trabalho de visualização humana único. Sua obra é o tratado mais completo sobre as classes médias brasileiras, sobre seu comportamento psicológico, sexual e linguístico”, disse o cineasta Arnaldo Jabor, em entrevista à revista Bravo!. Entre os temas tratados pelo dramaturgo, estão o futebol, homofobia e racismo, assuntos que continuam atuais ainda hoje. Outros assuntos abordados são a meditação sobre o amor e a morte, temas considerados tabus, a obsessão pela pureza e a ambivalência do mundo familiar e do mundo público.

*Oferecido pela Dom Pedro II de Tecnologia.

Dois grandes nomes da literatura nacional completariam 100 anos em 2012 se estivessem vivos: o baiano Jorge Amado, e o pernambucano de alma carioca, Nelson Rodrigues. Para comemorar, várias homenagens estão sendo feitas ao redor do país. Eventos literários, exposições e, até mesmo, programas de TV estão envolvidos nas homenagens aos escritores que deixaram um precioso legado para os brasileiros.

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico” Nelson Rodrigues

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