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FLORESTA AGÊNCIA AR RELATÓRIO DO PLANTIO 1. Caracterização da área: A área que está sendo recuperada com o apoio da Agencia Ar Operadora de Viagens e Turismo, de Bonito/MS, encontra-se no Sítio Santa Rita. A propriedade localiza-se na parte baixa do rio Mimoso, possuindo 40 hectares. A atividade econômica principal é a pecuária leiteira e, em menor escala, criação de ovinos e apicultura. Possui pastagem cultivada e tem 03 (três) açudes no pasto abastecidos com água da chuva. A faixa de rio pertencente à propriedade chega aos 600 metros, dos quais, aproximadamente 140 metros precisam de recuperação de mata ciliar, pois a área foi desmatada para implantação de pastagem. Estes 140 metros se dividem em duas áreas de pasto cobertas por pastagem do gênero braquiária. Uma delas é a área destinada a recuperação, com 90 metros de comprimento e já encontra-se cercada. Esta área possui uma braquiária vedada e esta localizada na entrada da propriedade, sendo visualizada pela estrada que dá acesso a outras propriedades rurais.

Área destinada à recuperação

Roçada da braquiária para o plantio das mudas.

2. Plantios: O plantio de mudas de espécies nativas foi realizado no dia 20 de janeiro de 2009. Para o plantio, foi realizado a roçada da braquiária com intuito de favorecer o crescimento inicial das mudas. Além disso, as covas foram abertas


com em média de 20 cm de profundidade e um metro de coroamento, o qual tem como objetivo de diminuir a competição com a gramínea invasora. O solo exposto pelo coroamento foi recoberto com a própria palha da braquiária, que além de ser essencial para manter uma maior umidade do solo, protege as mudas contra o ataque de agentes como formigas e cupins. Foram plantadas 50 mudas em tubetes distribuídas em 10 espécies nativas, as quais foram escolhidas por apresentar grande potencial para a atração de pássaros e animais silvestres que possam fazer a dispersão de suas sementes e acelerar o processo de recuperação. Em uma única etapa foram plantadas espécies de diferentes estágios sucessionais (pioneiras, secundárias e clímax), procurando respeitar suas exigências de luz e unidade. Foram plantados 05 exemplares de cada espécie, sendo que a descrição de cada uma delas segue abaixo: • Chico magro/Mutambo (Guazuma ulmifolia): Planta semidecídua, heliófita, pioneira, característica das formações secundárias da floresta latifoliada da bacia do Paraná. Sua dispersão é ampla, porém irregular e descontínua, ocorrendo também em outras formações vegetais até altitudes de 800m. Produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis. • Angico vermelho (Anadenanthera macrocarpa): Planta decídua, pioneira, heliófita e seletiva xerófita, característica das capoeiras e florestas secundárias situadas em terrenos arenosos e cascalhentos. Comum também no interior da mata primária densa, tanto sem solos argilosos e férteis como em afloramentos basálticos. É bastante freqüente nos cerrados e matas de galeria em todo o Brasil Central. Ocorre preferencialmente em terrenos altos e bem drenados, chegando a formar agrupamentos quase homogêneos. Produz anualmente grande quantidade de sementes viáveis. • Ingá (Ingá sp): Planta semidecídua, heliófita, seletiva hidrófila, pioneira, característica de floresta pluvial tropical. Ocorre principalmente sobre solos de baixadas que durante o período chuvoso alagam-se com facilidade,


várzeas e matas ciliares. Produz anualmente uma boa quantidade de sementes viáveis, em vagens que constituem os frutos. • Aroeira (Myracrodruon urundeuva): Planta decídua, heliófita, seletiva xerófila,

característica

de

terrenos

secos

e

rochosos;

ocorre

em

agrupamentos densos, tanto em formações abertas e muito secas (caatinga) até em formações muito úmidas e fechadas (floresta pluvial com 2.000 mm de precipitação anual). • Canafístula (Peltophorum dubium): Planta decídua, heliófita, pioneira, características de floresta semidecídua da bacia do Paraná. Ocorre preferencialmente em solos úmidos e profundos de beiras de rios, tanto na floresta primaria densa como em formações secundarias. Apresenta dispersão ampla e abundante. • Embaúba

(Cecropia

pachystachya):

Planta

perinófila,

heliófita,

características da floresta pluvial com altitudes superiores a 500 m. Sua dispersão é ampla, ocorrendo tanto na floresta primária quanto nas formações secundárias (capoeiras e capeirões). Produz anualmente grande quantidade de sementes, que ao ser ingerido por pássaros, tem seu poder germinativo graças a ação de seus sulcos digestivos. • Cedro (Cedrela fisilis): Árvore na mata primária, características de várzeas úmidas e inundáveis. Apresenta boa regeneração natural nas capoeiras. Necessita de muita luz (heliófita). Os frutos amadurecem em junho-julho e fevereiro-março. • Tucaneira (Citharexylum myrianthum): Planta decídua, heliófita, seletiva hidrófila, características de florestas de galeria e pluvial atlântica. Ocorre em terrenos úmidos onde apresenta boa regeneração natural em vários estágios da sucessão secundaria. Produz anualmente grande quantidade de frutos que amadurecem de janeiro a março. • Carobinha (Jacaranda cuspidifolia): Árvore pioneira, seletiva xerófita. Característica de encostas rochosas da floresta latifoliada e transição para o cerrado. Necessita de muita luz (heliófita). Os frutos amadurecem de agosto a setembro.


• Jatobá – mirim (Guibourtia hymenifolia): Planta semidecídua, heliófita, seletiva, clímax. Característica exclusiva das matas secas e calcárias do Pantanal Matogrossense. Ocorre preferencialmente em terrenos secos de aclives suaves sobre solos calcários de boa fertilidade. Produz anualmente moderada quantidade de semente. 

Referencia Bibliográfica: LORENZI, Harri. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Vol. 1 e 2. ed. Nova Odessa:SP, 2002.

Abertura das covas para o plantio das mudas.

Plantio das mudas.

3. Monitoramento do crescimento das mudas: A atividade de monitoramento visa acompanhar o crescimento das árvores por um período de dois anos, bem como a regeneração das áreas degradadas. Os exemplares das espécies que foram selecionados para o monitoramento são identificados com estacas numeradas para facilitar seu acompanhamento. Alem disso será possível observar quais são espécies mais indicadas para a recuperação de diversos tipos de situação. O monitoramento das mudas ocorre após três meses de plantio, tempo necessário para o estabelecimento da muda no solo. Também são observados as diferentes condições de luminosidade que cada árvore se encontra, considerando que este é um fator limitante para o desenvolvimento das espécies nativas utilizadas nos plantios. O monitoramento consiste na medição de sua altura e espessura do caule na altura do solo, metodologia aplicada em intervalos de três meses durante um período de dois anos.


2009_Jan_Sitio Santa Rita