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N.º 40 Março 2012

JOSÉ MANUEL

SILVA

“O MINISTRO DA SAÚDE É OBRIGADO A GERIR UM ORÇAMENTO INGERÍVEL” ANO JUDICIAL

DIAGNÓSTICO DO SETOR

GUIMARÃES

CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA

MACAU

ENCRUZILHADA DO DESENVOLVIMENTO

JOSÉ LUIZ MOREIRA TURISTRELA HOTELS & RESORTS

CORTIÇA

INDÚSTRIA DE PESO

LES AIRELLES 56 0107 30 8155 9

00040

FRONTLINE

MARÇO 2012 | ANO IV | N.º 40 | MENSAL | €5

UM MANTO BRANCO

MERCEDES

APOSTA NA DIVERSIDADE DE ESTILOS


CRUZEIROS ROYAL CARIBBEAN 2012

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2012

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SUMÁRIO

8/ NEWS 12/ G RANDE ENTREVISTA

12

José Manuel Silva

22/

28/

O  PINIÃO José Caria Isabel Meirelles Carlos Zorrinho Luís Mira Amaral Adalberto Campos Fernandes

E M FOCO Ano judicial

34/ E M DESTAQUE

28

Guimarães

40/

D  OSSIER Macau

46/ M AGAZINE

Indústria da cortiça

50/

H  OTELARIA

56/

E SPECIAL

José Luiz Moreira Capi One

58/ BOLSA  IMOBILIÁRIA By Sotheby’s Realty

34

4/FRONTLINE FICHA TÉCNICA Diretor: Nuno Carneiro | Diretores Adjuntos: João Cordeiro dos Santos e Casimiro Gonçalves | Editora:Ana Laia | Chefe de Reda­ção: Patrícia Vicente | Colaboradores: Fernanda Ló, Filomena G. Nascimento, Isabel Meirelles, José Caria, M. Sardinha, Maria João Matos, Rui Calafate, Rui Madeira | Revisão: Helena Matos | Fotografia: António Mil-Homens, José Frade, Eduardo Grilo, João Cupertino, Luis Filipe Catarino/Presidência da República, Nuno Madeira, Ricardo Oliveira, Carmo Montanha, Vitor Pires | Diretor Comercial: Miguel Dias Consultor de Publicidade: Carlos Tavares | Sede: Airport Business Center Avenida das Comunidades Portuguesas Aerogare, 5º piso–Aeroporto de Lisboa 1700 – 007 Lisboa - Portugal | Tel. 210 998 039 | E-mail: geral@hvp-design.pt | Registada no ICS com o n.º 125341 | Depósito Legal n.º 273608/08 | Impresso num país da U.E. | www.revistafrontline.com | Facebook: RevistaFRONTLINE


62/ C HECK-IN

50

Les Airelles

68/ M OTORES Mercedes

74/ ON THE ROAD 78/ P ROPOSTA Homelidays

82/ 62

SOCIAL International Club of Portugal Copacabana Palace Inauguração sede CPLP Gala Portugal Aplaude Princesa da Tailândia

90/ R ELÓGIOS Perrelet

91/ JOIAS Gilles

92/ LIVROS 94/ EXPOSIÇÃO NACIONAL 95/ EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL 96/ MÚSICA 98/ AGENDA 68

FRONTLINE/5


EDITORIAL

UMA MUDANÇA

DE ATITUDE José Manuel Silva é bastonário da Ordem dos Médicos há um ano e revela, em entrevista à FRONTLINE, que o cargo que exerce excedeu as suas previsões, muito “por causa dos problemas que o país atravessa”. A verdade é que, na sua opinião, as pessoas depositam no bastonário da Ordem dos Médicos “uma grande esperança de que possa contribuir para a resolução dos problemas”, contudo a realidade é um pouco diferente e José Manuel Silva revela que o seu maior dilema é “não poder resolver todos os problemas”. Consciente de que o cargo que desempenha é bastante complexo, é perentório ao afirmar que é necessário que exista dinheiro para a saúde, mesmo que falte para tudo o resto. Enfrentando uma nova situação, “um clima de medo entre os médicos”, dado o excesso de profissionais com que atualmente nos deparamos no nosso país, o bastonário acredita que tal poderá ser prejudicial aos doentes, uma vez que um médico com medo de perder o emprego “pode trazer constrangimentos extremamente complicados ao Sistema Nacional de Saúde e ao tratamento dos doentes”. Analisando a nossa situação, o bastonário acredita que “estamos em risco de ficar sem país”, uma vez que “a troco dos subsídios da União Europeia liquidámos a nossa agricultura e as nossas pescas”. Para José Manuel Silva, é impossível ter produtividade se estamos a ser privados “de forma consciente e deliberada daquilo que são os recursos primários e secundários de qualquer economia”. Momentos marcantes No arranque de mais um ano judicial sucederam-se os discursos duros dos vários protagonistas. Culpas

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lançadas dos dois lados da barricada, críticas duras e um diagnóstico verdadeiramente negro. Um cenário não muito diferente de outros anos. Guimarães é este ano a Capital Europeia da Cultura. A cidade-berço vai receber durante 2012 artistas e visitantes de toda a Europa. Com um orçamento reduzido, a grande aposta foi feita na diversidade de projetos inovadores e na rentabilização do centro histórico. Macau investe em novos aterros, num gigantesco campus universitário na ilha da Montanha e numa ligação cada vez mais estreita com a China, Hong Kong e Zhuhai. Unidades especiais José Luiz Moreira é o responsável pela Turistrela Hotels & Resorts, a empresa que gere, em exclusivo, as unidades hoteleiras existentes na serra da Estrela. Com um vasto currículo na área da hotelaria, este profissional passou já por São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Cancún, Buenos Aires e Panamá, mercados onde exerceu funções ligado à Caesar Park Hotels & Resorts. De referir ainda o cargo que desempenhou como regional manager do Crown Plaza em Atlanta, nos EUA, e no Brasil. Para umas férias diferentes Escondido na magnífica paisagem dos Alpes franceses, entre flocos de neve e pistas de esqui, o Les Airelles derrete verdadeiramente emoções. Esta unidade de charme é ideal para umas férias de neve, onde todos os membros da família têm um lugar especial. Até abril,


NEWS The Yeatman para uma Páscoa em família

O The Yeatman, um hotel vínico de luxo, preparou um programa especial de Páscoa para toda a família, que convida a desfrutar dos primeiros dias de primavera, no cenário idílico proporcionado pela localização privilegiada sobre o rio Douro. O programa inclui alojamento de duas noites em quarto superior, com vistas panorâmicas para a cidade do Porto, pequeno-almoço para toda a família e visita gratuita à garrafeira do The Yeatman. As crianças são convidadas do hotel para alojamento em cama extra (uma cama extra por Quarto Superior e duas camas extra por Suite), com pequeno-almoço incluído. E porque no fim de semana se deve descontrair e relaxar, haverá acesso gratuito à piscina exterior e interior panorâmica, ao ginásio e à área de bem-estar e 20% de desconto em tratamentos no spa Vinothérapie® Caudalie. No Domingo de Páscoa, será servido um almoço especial, preparado pelo chef Ricardo Costa, detentor de uma estrela Michelin, que será acompanhado por uma seleção especial de vinhos sugerida pela diretora de Vinhos Beatriz Machado. O almoço é opcional e aberto a qualquer pessoa que pretenda desfrutar de uma experiência gastronómica e vínica exclusiva, pelo preço de 65 euros por pessoa (bebidas incluídas). O programa inclui um mínimo de duas noites e tem um valor de 200 euros por quarto, por noite, com alojamento e pequeno-almoço grátis até duas crianças.

Pousadas de Portugal com ofertas de Páscoa irresistíveis

Deixe-se encantar pelo coelhinho da Páscoa e fique numa das Pousadas de Portugal.As ofertas são irresistíveis e ideais para quem quer festejar a data em família e fora de casa. Quem passar duas noites em quarto duplo entre os dias 5 e 8 de Abril, vai poder usufruir de um crédito de 25 euros numa belíssima refeição no restaurante da respetiva pousada. E, para que não deixe os seus filhos em casa, é oferecido o almoço ou jantar das crianças, até um máximo de dois menus infantis, quando acompanhando a refeição dos pais no restaurante. Porque o período é de festa e férias escolares, as Pousadas de Portugal oferecem ainda a estada a uma criança até aos 12 anos, dependendo da tipologia do quarto e desde que seja partilhado com dois adultos. Caso prefira uma suíte, a oferta estende-se a um segundo filho, também com menos de 12 anos. Aproveite esta oferta e venha descobrir o melhor de Portugal. Desde castelos, mosteiros ou palácios, as pousadas são sempre locais únicos. Paisagens de tirar o fôlego, aliadas a uma gastronomia de excelência para experimentar por todo o país.

Dom Pedro Laguna recebeu Dilma Rousseff

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, almoçou recentemente com o governador do estado do Ceará, Cid Gomes, no restaurante White no Hotel Dom Pedro Laguna no Ceará. Dilma Rousseff foi recebida com um bouquet de rosas amarelas e brancas pelo gerente geral do Dom Pedro Laguna, num momento marcante em que o hotel faz um ano após a sua abertura. O Dom Pedro Laguna Beach Villas & Golf Resort foi o primeiro hotel a ser inaugurado no resort ecológico de luxo “Aquiraz Riviera”, ficando situado a 35 km de Fortaleza. Este é o maior empreendimento turístico do Brasil de padrão internacional, numa área total de 300 hectares, com 58 hectares de área de proteção ambiental e 1800 metros de frente mar.

Audi soma vitórias

A Audi fez o pleno nas três categorias a que concorreu na edição 2012 das “Classes do Carro do Ano”. As vitórias foram repartidas pelos Audi A6 3.0 TDI 204 cv multitronic (Executivo do Ano), Audi A6 Avant 3.0 TDI 204 cv multitronic (Carrinha do Ano) e Audi Q3 2.0 TDI 140 cv (Crossover do Ano). Um resultado que veio aumentar o vasto portefólio de prémios nacionais e internacionais conquistados por estas três gamas da marca. Entre os candidatos a concurso às diversas “Classes do Carro do Ano”, um dos mais prestigiados prémios atribuídos a um produto automóvel em Portugal, com a chancela organizativa das revistas Autosport e Volante, a Audi superiorizou-se, assim, em três categorias distintas. Qualidades dinâmicas, segurança, ecologia, consumos, conforto, preço e equipamento foram alguns dos itens analisados, em cada automóvel, por um júri constituído por 18 jornalistas de alguns dos mais importantes órgãos de comunicação social.

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NEWS

BREVES Termas de Monte Real já reabriram

Mercedes-Benz com propostas para pais especiais

Porque todos os pais merecem um presente verdadeiramente especial, para este dia do Pai a Mercedes-Benz sugere o relógio Business Silver com um moderno mostrador em preto e tecnologia de ponta, cujo preço é de 300 euros. No mês dedicado a todos os pais, estará em vigor na rede de oficinas autorizadas Mercedes-Benz uma campanha que lhes é exclusivamente dedicada e onde podemos encontrar artigos tão diversos como o porta-chaves Brussels Silver (8,81 euros), botões de punho (50,93 euros) ou uma mala de fim de semana (165,82 euros).

As Termas de Monte Real iniciaram mais uma época termal no passado dia 27 de fevereiro, com a abertura dos balneários termais a cumprir o tradicional horário de funcionamento diário de segunda a sábado, das 08h00 às 12h00 e das 16h00 às 18h00, sem qualquer restrição no horário de realização dos tratamentos termais. De acordo com o diretor Luís Mexia Alves, “a época nas Termas de Monte Real de 2012 fica uma vez mais marcada pela manutenção de preços dos tratamentos termais que se mantêm inalterados desde 2010, bem como pelo lançamento de uma terceira época baixa de preços que correspondem a uma diferença de aproximadamente 25% face aos momentos de maior movimento registados no verão”. Nesta nova época termal, são ainda apresentados pela primeira vez três Programas Termais Terapêuticos de sete e dez sessões nas vertentes do aparelho digestivo, respiratório e músculo-esquelético, destinados respetivamente a afeções como colite, obstipação, rinite alérgica, sinusite, asma brônquica, tendinites, artrite reumatoide, fibromialgia, entre outras. Recordamos que as Termas de Monte Real foram totalmente reconstruídas em 2009 e dotadas de novas estruturas, equipamentos e serviços, num novo espaço de 5 mil metros quadrados inteiramente dedicados ao termalismo clínico e ao bem-estar termal.

Café Bar BA

com projeção internacional

Restaurante Flores premiado

O restaurante Flores foi recentemente premiado com um galardão no âmbito do concurso “Lisboa à Prova 2011”. Situado no piso térreo do Bairro Alto Hotel, no coração da capital, o restaurante Flores atingiu mais uma fantástica classificação, recebendo dois Garfos como prémio. Com uma cozinha marcadamente portuguesa, a cargo do chef Vasco Lello desde maio de 2011, não deixa de acolher as influências do mundo, sendo promovidos e destacados os produtos e iguarias nacionais e tradicionais. Ideal para almoçar ou jantar, o espaço oferece uma vasta possibilidade de experimentar outros sabores e sensações com os maravilhosos menus disponíveis.

Daniel Soares, barman do Café Bar BA, no Bairro Alto Hotel, participou no evento “The Leading Bartenders of the World”, no âmbito da comemoração do 60.º aniversário do Jimmy’s Bar, um dos melhores e mais conceituados bares da Alemanha. Nessa noite comemorativa, Daniel Soares, juntamente com quatro conceituados barmans de bares internacionais, preparou e apresentou pessoalmente os seus três melhores cocktails de assinatura. Os cinco participantes desta fantástica noite foram: Andrès Amador, do Hotel Hessischer Hof, em Frankfurt; Daniel Soares, do Bairro Alto Hotel, em Lisboa; David Sinclair, do Hotel Gleneagles, em Auchterarder; Franz Höckner, do Hotel Adlon Kempinksi, em Berlim, e, por último, Jan Schäfer, do Hotel Bayerischer Hof, em München.

Hotéis Blue&Green

apresentam programas para a Páscoa

Os hotéis Blue&Green prepararam uma experiência única para as miniférias da Páscoa. A pensar nos mais novos, o Koala Club preparou mais uma grande missão: a “Caça aos Ovos”. O programa inclui três noites de alojamento; pequeno-almoço buffet; brunch do Domingo de Páscoa (bebidas não incluídas); missão “Caça aos ovos” para crianças dos 3 aos 12 anos e 20% de desconto no tratamento de spa Especial Páscoa. Em termos de preços, eles oscilam entre os 221 euros (Troia Design Hotel, em quarto duplo, preço por pessoa); os 258 euros (The Lake Spa Resort) e os 368 euros (Vilalara Thalassa Resort). FRONTLINE/9


NEWS The Cliff Bay recebe 10 Chefs Michelin

Depois do sucesso alcançado com a iniciativa “Rota das Estrelas”, em 2011 e em 2010, o evento soma e segue em 2012.Várias entidades juntam-se para dar continuidade a este projeto gastronómico português que está cada vez mais internacional. A estreia do roteiro gastronómico faz-se uma vez mais no Funchal, no restaurante Il Gallo d´Oro, do hotel The Cliff Bay (Porto Bay Hotels & Resorts), e o primeiro evento da Rota das Estrelas 2012 acontece já nos próximos dias 16, 17, 20 e 21 de março. O chef Benoît Sinthon é anfitrião de 10 chefs convidados, que chegam não só de Portugal como de vários pontos da Europa: Finlândia, Reino Unido, Espanha, Hungria e Áustria. Do estrangeiro chegam Hans Välimäki, o mais prestigiado chef do momento na Finlândia, com duas estrelas Michelin; Diego Guerrero, uma das revelações da alta gastronomia em Espanha, que este ano recebeu a segunda estrela Michelin; Nigel Haworth, celebridade da gastronomia no Reino Unido, com uma estrela Michelin; Miguel Vieira, chef português a trabalhar em Budapeste, na Hungria, com uma estrela Michelin; e Christian Petz, da Áustria, com um percurso de luxo no seu país.

Lisboa distinguida

Lisboa consta pela primeira vez do leque das “Cidades Europeias do Futuro”, no ranking elaborado pelo Financial Times, “European Cities & Regions of the Future 2012/13”. Referenciada em duas categorias distintas, Lisboa ficou posicionada no 3.º lugar do ranking geral de Cidades do Sudoeste da Europa, atrás de Barcelona e Madrid, respetivamente, e no 2.º lugar da Estratégia de Investimento Direto Estrangeiro das Cidades do Sudoeste Europeu, atrás de Barcelona. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, em reação a esta distinção para Lisboa, referiu que a presença nos rankings se deve em grande parte ao facto de Lisboa ter um especial compromisso com a criação e atração de talentos, empresas e investimentos. Refere ainda que, ao aumentar a capacidade competitiva da sua economia, o executivo municipal quer posicionar Lisboa como uma cidade global e única, onde a inovação, a criatividade e o espírito empreendedor fazem a diferença.

Roberta Medina agraciada com Prémio Personalidade Turística do Ano A Associação de Jornalistas Portugueses de Turismo (AJOPT) atribuiu a Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio, o Prémio Personalidade Turística do Ano. O presidente da AJOPT, Salvador Alves Dias, realçou que o Rock in Rio é um dos grandes eventos musicais que se realizam em Lisboa, promovendo o turismo nacional e reforçando os laços entre Portugal e o Brasil, referindo que “Roberta Medina, responsável pelo evento no nosso país, tem vindo a revelar-se uma embaixadora de Portugal, pois utiliza o seu enorme peso mediático no Brasil num permanente elogio às qualidades turísticas de Portugal”. O contributo de Roberta Medina na aproximação da Câmara Municipal de Lisboa e do Turismo de Portugal com a TV Globo Brasil, com vista à promoção da cidade de Lisboa e de Portugal nas novelas desta emissora, que se constituem como um dos principais canais de comunicação e influenciadores de comportamentos de massas no Brasil, assim como o seu apoio na vinda da exposição de Vik Moniz para o CCB, que teve mais de 100 mil visitantes, foram fatores decisivos para a sua escolha.

Álvaro Santos Pereira e Cecília Meireles na BTL

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, e a secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles, estiveram presentes no espaço da Embratur na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) durante a abertura oficial do evento que se realizou na FIL, em Lisboa, e que teve o Brasil como país convidado. Este momento foi também partilhado pelo embaixador do Brasil, Mário Vilalva, e pela diretora da BTL, Fátima Vila Maior. A presença do Brasil na BTL aposta na proximidade dos dois grandes eventos mundiais que o país está a preparar – o Mundial de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 –, que envolvem enormes preparativos e grande exposição perante todo o mundo. 10/FRONTLINE


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

“HÁ UM CLIMA DE MEDO ENTRE OS MÉDICOS” por Ana Laia

José Manuel Silva assumiu o cargo de bastonário da Ordem dos Médicos há um ano e diz que a complexidade excedeu as suas expetativas, dada a situação difícil que o país atravessa. O “clima de medo” que diz haver entre os médicos preocupa-o e garante que é preciso haver dinheiro para a saúde, mesmo que falte para tudo o resto. Crítico de situações como as do BPN ou da “agiotagem” que diz estar a ser feita pelo BCE, o bastonário pede mão firme para acabar com o que chama de “criminoso”. O ministro da Saúde, Paulo Macedo, conta com o apoio de José Manuel Silva, que até diz que ele seria melhor primeiro-ministro que Passos Coelho, deixando indiretamente uma crítica aos políticos profissionais que têm no curriculum cursos feitos tardiamente. O orçamento da Saúde é “ingerível”, mas é possível fazer melhorias e aumentar a eficiência. Aos alunos de Medicina, lembra que a emigração pode ser a única solução num futuro próximo, uma vez que o país não precisa, no imediato, de mais especialistas, precisa é de melhor organização. 12/FRONTLINE


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

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GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

O que é para si ser bastonário da Ordem dos Médicos? É um cargo que tem correspondido às suas expetativas? É um cargo que me permite ter a honra imensa de representar uma classe de grande prestígio, dignidade e de grande complexidade. É um cargo cuja dificuldade excedeu as minhas previsões por causa dos problemas que o país atravessa. Não tanto por problemas dentro da classe médica, ou até dentro do SNS, mas pelas consequências que a crise do país tem tido a nível da saúde. Neste momento temos problemas em todo o lado e as pessoas depositam no bastonário da Ordem dos Médicos uma grande esperança de que possa contribuir para a resolução dos problemas, mas infelizmente este não tem os meios para o fazer de forma autónoma. Isso torna o cargo extremamente difícil. Não me preocupa a exigência, nem o trabalho intenso, nem a complexidade, o maior problema é a frustração de não podermos resolver todos os problemas que nos colocam. As notícias de que algumas farmacêuticas estão a deixar de abastecer os hospitais do SNS são preocupantes... Estamos em risco de ficar sem medicamentos? Estamos em risco de ficar sem país e portanto em risco de ficar sem tudo. A troco dos subsídios da União Europeia liquidámos a nossa agri-

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cultura e as nossas pescas. Com a globalização e concorrência desleal que existe, em que é impossível concorrer contra a escravatura com que se trabalha na China ou mesmo na Índia, a nossa indústria ficou extraordinariamente reduzida, excetuando alguns nichos de particular qualidade que conseguiram resistir. Com as dificuldades económicas que sucessivos governos, sobretudo os dois últimos, nos colocaram, estamos a vender as grandes empresas públicas que eram lucrativas para o Estado. Não temos agricultura, não temos pescas, não temos indústria, não temos empresas públicas, depois não nos podemos admirar que nos continuem a acusar de falta de produtividade. É impossível ter produtividade se afinal estamos a ser, de forma consciente e deliberada, esbulhados daquilo que são os recursos primários e secundários de qualquer economia.Toda a gente sabia que numa situação de moeda única os países periféricos têm mais dificuldade em ter uma estrutura económica concorrencial. Tudo aquilo que nos está a acontecer era previsível e eu diria até que estava deliberadamente previsto. Os países da periferia estão a sofrer as consequências da moeda única, como já se podia antecipar face àquilo que se conhece que são os efeitos de uma moeda única generalizada a múltiplos países com características diferentes: as economias mais frágeis são mais prejudicadas e causticadas, como aconteceu. Se calhar tudo


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

Já receberam queixas de médicos impedidos de fazer o seu trabalho porque os hospitais do SNS estão sem dinheiro?

“COMO TEMOS DITO, ESTAMOS NUMA

SITUAÇÃO EM QUE COMEÇA A HAVER UM EXCESSO DE MÉDICOS”

estava previsto e estamos a assistir a uma estratégia da Europa Central de dominar a Europa da periferia, o que pode trazer dificuldades de coesão europeia e problemas que poderão regressar e que nós pensamos que estavam afastados do horizonte histórico da Europa. Perante esta situação, a saúde sofre todas as consequências que sofrem todos os restantes setores.

incomportáveis para a nossa situação económica e com um lucro imenso para a banca dos países do Centro da Europa. Perante isto, é difícil resolver o problema.

O que é que vai acontecer se o Estado deixar realmente de ter condições para pagar? Há várias soluções. O que o Governo português, como outros governos, não pode tolerar é que isso seja justificado com legislação ou com o Tratado Europeu, porque já houve várias modificações do tratado, portanto, se há limitações, modifiquem os tratados. Não podemos tolerar que o BCE empreste dinheiro, centenas de milhões de euros, à banca com juros de 1%, para depois a banca emprestar aos países com juros de 4%, 5% e 6%.Aquilo a que estamos a assistir é agiotagem. Se o BCE emprestasse diretamente a 1% a Portugal, nós tínhamos automaticamente o nosso problema resolvido e podíamos fazer face a todas as nossas responsabilidades financeiras e estimular a nossa economia. O que está a ser imposto a Portugal, com colaboração do Governo português e dos anteriores, é um mecanismo de empobrecimento ativo do país, com juros

Já receberam queixas de médicos impedidos de fazer o seu trabalho porque os hospitais do SNS estão sem dinheiro? Estamos a assistir a uma situação nova que é um clima de medo entre os médicos. Como temos dito, estamos numa situação em que começa a haver um excesso de médicos, e, portanto, eles começam a sentir que o seu emprego e a sua sobrevivência podem estar em risco e isso coloca questões éticas muito complexas, nomeadamente na forma como tratamos os doentes. Um médico com medo, pelo poder que tem na ponta da sua caneta, que pode usar bem ou mal, pode trazer constrangimentos extremamente complicados ao Sistema Nacional de Saúde e ao tratamento dos doentes. Com médicos a menos, é óbvio que se colocam dificuldades de acesso dos doentes aos cuidados de saúde. Há muitos anos oiço chamar a atenção para o problema que iríamos viver agora de falta de médicos

Os médicos sentem no terreno o seu trabalho dificultado por este tipo de situações? Claro que sim, como sentem os doentes.

e necessidade de aumentar numerus clausus. Mas a decisão de redução drástica de numerus clausus foi de sucessivos governos e para valores insustentáveis em termos de planeamentos futuros dos recursos em saúde. Chegámos a uma situação em que havia teoricamente falta de médicos, mas essencialmente por problemas de organização, porque a média de médicos em Portugal sempre esteve na média ou acima da média dos países da OCDE. Em termos de número de médicos, não tínhamos falta, mas havia graves problemas de organização e produtividade do SNS que também não eram da responsabilidade dos médicos. Porque quando se diz que os blocos cirúrgicos não funcionam 12 horas por dia, não é por falta de médicos, eles não podem sozinhos pôr um bloco cirúrgico a funcionar, sendo necessários todos os outros profissionais que contribuem para a equipa de saúde. A ANEM - Associação Nacional de Estudantes de Medicina está a pedir que diminuam as vagas das entradas em Medicina, porque dizem que há saturação do ensino em Portugal e que os alunos, depois de entrarem, se acomodam, porque ninguém chumba. Partilha desta opinião? Há muito poucos chumbos, porque os alunos que entraram eram de grande capacidade in-

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GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

O que pensa da reforma hospitalar que está a ser feita?

“VAI CONCENTRAR SERVIÇOS, PERMITINDO EM MUITAS SITUAÇÕES MELHORAR A QUALIDADE, E ISSO É DESEJÁVEL QUE ACONTEÇA”

telectual. O problema é que as faculdades de Medicina, em Portugal, têm alunos a mais, há escolas médicas a mais, o que seria aceitável se fosse necessário. Mas se fizermos um planeamento estratégico, como aliás a troika impõe, devíamos começar a reduzir o número de escolas e o número de alunos por escola. Médicos a mais são prejudiciais para o doente, porque não só aumentam os custos em saúde, como mercantilizam a saúde e os doentes. Não queiram ser doentes num país com médicos a mais, porque correm o risco de serem mercantilizados e iatrogenizados. Temos médicos a mais? Neste momento temos médicos a mais em Portugal. Estamos acima da média da OCDE, e com a concentração a que estamos a assistir do SNS, o número de vagas em saúde está a diminuir e o mercado privado está, no essencial, saturado. Um dos sinais que permite objetivar isso de forma muito económica é o facto de as seguradoras imporem reduções do preço de pagamento em especialistas no setor privado de forma unilateral. Reduzem o valor que pagam aos médicos por consulta de especialidade e sem receio de que os médicos digam que por esse preço não trabalham, porque por cada um que diga que não faz, há dois disponíveis para dizer que sim.

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Como se pode alterar isso? Neste momento há número de horas médicas disponíveis no mercado a mais. Como se pode alterar? Planeando. Quando dizemos que deve haver um controlo do numerus clausus, as pessoas pensam que é corporativismo. Se olharem para os meus cabelos brancos, veem que não estou preocupado com os jovens que vão entrar em Medicina agora, que não me vêm fazer concorrência nenhuma, nem aos corpos sociais da Ordem, que são pessoas acima da meia-idade. Portanto, o nosso problema é para com os doentes, porque é tão prejudicial ter médicos a mais como a menos. Deve haver um equilíbrio. O que pensa da reforma hospitalar que está a ser feita? Vai concentrar serviços, permitindo em muitas situações melhorar a qualidade, e isso é desejável que aconteça, desde que não comprometa a acessibilidade dos doentes. Somos a favor da reforma, porque há nalgumas regiões um excesso de capacidade instalada que resultou de meros interesses políticos. Porque para um autarca ganhar umas eleições, o que fez foi construir mais um hospital, centro de saúde ou extensão, mesmo onde não era necessário. Há espaço para, com qualidade, e até melhorias da qualidade, haver uma concentração dos recursos do SNS, e aí somos favoráveis. Acho que não há mais país no mundo que tenha,


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

como Portugal tem na região do Médio Tejo, cinco grandes hospitais (Leiria, Santarém, Torres Novas, Tomar, Abrantes). Em Lisboa, havia claramente um excesso de capacidade instalada. No Grande Porto e em Coimbra também. Há possibilidade para concentrar recursos, ao mesmo tempo que se prossegue e completa a reforma dos cuidados primários que é essencial. A concentração pode permitir poupanças com melhoria da qualidade, e temos dito ao ministro da Saúde que todas as decisões técnicas terão o nosso apoio, independentemente dos interesses com que possam colidir. Claro que as decisões políticas, contestá-las-emos. Quando há opções que acabam por pôr em causa a disponibilidade de medicamentos para os doentes, temos que contestar, porque há aqui opções políticas que foram feitas para desviar o dinheiro para outro sítio e temos o que, em economia, se chama custos de oportunidade. É evidente que se o Estado prefere enterrar 600 milhões de euros no BPN para o vender por 40 milhões, todos nós percebemos que está tudo errado, e quando a AR recusa a constituição de uma comissão de inquérito ao BPN, todos percebemos que há gato escondido com rabo de fora e há ali corrupção e crime, provavelmente em dimensão inaceitável. Depois não nos podem vir dizer que não há dinheiro para a saúde, porque há dinheiro para outras coisas. Há dinheiro para favorecer negócios tão obscuros que a Assembleia da

República recusa uma comissão de inquérito. Nós, médicos, e doentes não podemos aceitar essas circunstâncias. Façam o que quiserem do resto, mas dinheiro para a saúde e para tratar as pessoas tem que haver. Dinheiro para os dois princípios da medicina, que é tratar doentes com qualidade e humanidade, não pode faltar. Se não há dinheiro, se dizem e querem que haja transparência, a Assembleia da República que aprove uma comissão de inquérito ao caso do BPN. Temos no SNS uma dívida de 3 mil milhões de euros, quando as empresas públicas têm uma dívida que parece ser de 15 mil milhões de euros, e nunca aconteceu nada. Não nos venham dizer que não há dinheiro para a saúde. Houve um investimento imenso na formação dos jovens em Medicina, e depois dizem para emigrar? É um contrassenso para o qual temos chamado a atenção. Nós falamos com o reitor de uma universidade, que não vou dizer qual é, que basicamente se comprazia por agora ir haver desemprego entre os médicos e haver uma pool de recrutamento entre o desemprego médico para o SNS. Eu disse que não entendia esse sentimento de alguma forma mesquinho, embora possa compreender que as pessoas possam achar que se há em todas as profissões, também deve haver nos médicos. Esse princípio, eu até aceito. Não queremos

que os médicos sejam privilegiados, mas que os doentes sejam protegidos e sejam tratados com qualidade, humanidade e rigor. Um médico é um profissional de saúde que fica muito caro na sua formação e com uma formação muito específica e muito direcionada. Um engenheiro tem um leque de empregabilidade muito superior à de um médico. Um médico foi preparado durante seis anos e fez a especialidade ainda durante mais para tratar doentes, não sabe fazer mais nada. Qual é a vantagem para o país de ter um médico a conduzir um táxi? Nenhuma.A não ser as pessoas ficarem contentes por terem um taxista com formação em Medicina. Tendo uma formação muito específica, depois vamos exportá-lo para outras economias beneficiarem dessa formação? Isso é empobrecer ainda mais o país. Precisamos de orientar a formação dos nossos recursos para as novas tecnologias e para as necessidades do país. O país precisa mais de especialistas ou de médicos especialistas em medicina geral e familiar? Neste momento temos falta de especialistas em medicina geral e familiar e por isso as vagas aumentaram. O ano passado houve mais 400 vagas. E no fim desta década teremos especialistas suficientes em medicina geral e familiar para as necessidades da nossa população. Neste momento há que privilegiar a formação

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GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva em medicina geral e familiar para permitir dar uma cobertura de qualidade nos cuidados de saúde primários a todos os cidadãos. E é possível, com algumas medidas, dar rapidamente um médico a todos os portugueses, sendo que no imediato não é possível ser um especialista em medicina geral e familiar, mas esse deve ser o desiderato e durante esta década isso ficará assegurado para todos os portugueses. O que pensa das alterações à lei da Procriação Medicamente Assistida (PMA)? Não tenho acompanhado essa matéria com grande pormenor. O presidente da secção regional sul é especialista em procriação medicamente assistida e portanto essa matéria está essencialmente com ele. Mas disse que os casais homossexuais ou monoparentais não devem ter acesso a este tipo de tratamento. Porquê? Temos que ver também a questão pela ótica da criança. Uma criança tem direitos consignados nos Direitos da Criança e portanto tem direito a ser gerada num contexto que lhe permita ter um desenvolvimento dentro daquilo que é o conceito geral de uma família. Se há pessoas que, por algum determinismo genético ou por opção, fazem outras opções de vida, elas são respeitáveis e aceitáveis e a convivência na sociedade deve ser sã, mas não podemos querer ter filhos apenas por uma questão de egoísmo, como ter um animal de estimação. Temos obviamente de dar a todas as crianças que vão nascer um ambiente familiar dentro daquilo que são as regras gerais e conceito geral de uma família. Se há outro tipo de opções, são respeitáveis, mas como todas, têm também o reverso da medalha. Em defesa dos direitos das crianças, deve haver limites éticos à PMA e à paternalidade ou maternalidade das crianças que vêm ao mundo, e essas decisões devem ser vistas pelos olhos dos direitos da criança. Nós, adultos, não podemos achar que temos direito a tudo. Não temos direito a tudo. Também disse que as barrigas de aluguer devem ser um último recurso. Mas devem ser permitidas? Há questões éticas que se colocam e essas situações devem ser muito bem analisadas,

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porque o determinismo genético de uma criança não se faz só com os genes dos pais, mas também com a epigenética do útero materno. Há aí uma série de condicionantes que devem ser tidas em conta. Poderá ser considerada a possibilidade de barrigas de aluguer dentro de contextos muito bem definidos e claramente regulamentados. Uma lei sem qualquer tipo de ambiguidade para situações muito concretas e com regras muito transparentes. Não podemos transformar as barrigas de aluguer numa banalidade que possa pôr em causa o equilíbrio psicológico da futura criança. E todos sabemos o impacto tremendo numa criança e, às vezes, até num adulto, a forma como veio a este mundo e a forma como foi educado. Já sentiu que os doentes estão a deixar de ir aos centros de saúde e hospitais por aumento das taxas? Já. A informação que tenho de muitos colegas é que há cada vez mais doentes a faltar a consultas e a tratamentos por impossibilidade de fazerem face aos custos que lhes são impostos neste momento. Há uns dias, numa apresentação do ministro da Saúde, ouvi uma intervenção sua em que dizia “PM a PM”, ou seja, Paulo Macedo a primeiro-ministro. Acha que daria melhor primeiro-ministro que ministro da Saúde? Acho que Paulo Macedo é um excelente ministro da Saúde dentro dos condicionalismos do país. É obrigado a gerir um orçamento ingerível e portanto é colocado perante dificuldades intransponíveis. Por isso preconizamos que são necessárias alterações ao memorando e à forma de governação do país. Não tenho dúvidas de que, pelo seu curriculum, seria um primeiro-ministro de extraordinária qualidade. Tenho muitas reservas relativas a políticos profissionais que adquirem títulos académicos já numa fase tardia da vida. Muitas vezes estão desfasados das dificuldades reais da vida e de pessoas. Não tenho quaisquer hesitações em dizer que, provavelmente, sendo isto obviamente uma especulação, o PM ministro da Saúde seria melhor PM do que o atual PM.

Tem uma boa relação com este Governo. Também partilha da opinião de Paulo Macedo de que existe muito desperdício nos hospitais e que são precisas ações para redução dos custos? Concordo, mas ao mesmo tempo essa afirmação irrita-me um pouco. Para já, porque essas avaliações partem de análises matemáticas e de um benchmarking duvidoso, cujos resultados devem ser sempre questionados. Depois, porque oiço toda a gente falar em desperdício, mas não vejo ninguém a corrigir os desperdícios cirurgicamente, a não ser com medidas genéricas impositivas, que são cegas e tomadas de forma igual para todos os hospitais, independentemente de serem bem geridos ou não, independentemente de terem mais desperdício ou não. Se há desperdício, indique-se os responsáveis e corrijam-no cirurgicamente.Terão todo o nosso aplauso. É fácil falar de desperdício às vezes para justificar o injustificável. Até porque não vejo que esse desperdício seja consequente, porque não vi, até hoje, um governo substituir o conselho de administração de um hospital por ser mal gerido. Ninguém assume que há hospitais mal geridos e ninguém assume as respetivas consequências de substituir um conselho de administração que seja um mau gestor dessa instituição. Acho que há algum desperdício e que todos, em conjunto, podemos trabalhar para gerir melhor e com mais rigor o SNS. Mas gostava de ver quem tem o poder, quem está no Governo, quem é ministro da Saúde, dizer onde está o desperdício e ser consequente nessas afirmações. Corrigindo o desperdício e substituindo os conselhos de administração que não conseguem combater o desperdício das respetivas instituições. Os médicos e enfermeiros acabaram por ser uma exceção nas horas extra que vinham estipuladas no OE 2012. Foi uma vitória da classe ou uma contrapartida do Governo para não irem para a frente com a greve? É evidente que foi uma cedência do Governo para não se avançar com uma greve ou com uma situação diferente, que é, pura e simplesmente, os médicos recusarem-se a fazer mais horas do que aquilo a que são obrigados por lei. Isto é um sinal de alguma perplexidade do nosso SNS, porque ouvimos o ministro dizer que havia mil médicos a mais nos hospitais, que


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

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GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva é possível reduzir o desperdício dos hospitais e, ao mesmo tempo, não vemos reduzir de forma significativa as horas extraordinárias.A boa gestão permite reduzir as horas extraordinárias, agora, quando existem, elas têm que ser pagas. Houve uma redução do preço pago por hora extraordinária, com aceitação dos profissionais que sabem que todos nós temos que contribuir de forma equitativamente proporcional para os sacrifícios que são necessários à recuperação financeira do país. Claro que temos a perceção de que esses sacrifícios não estão a ser todos iguais, poderíamos voltar ao caso do BPN ou outros.Todas as instituições da saúde, ainda que bem geridas, necessitarão de horas extraordinárias, porque isso faz parte das necessidades de funcionamento de alguns serviços. Há muitos anos disse que devíamos acabar com as horas extraordinárias em saúde. São um contrassenso. Nasceram de uma necessidade de ter os profissionais mais tempo e ao mesmo tempo de compor um vencimento base que é muito baixo. Porque todos os ministros da Saúde reconhecem que os vencimentos médicos são muito baixos, mas nunca fizeram nada para resolver o problema. Sempre lhes preferiram pagar horas extraordinárias para estarem mais tempo nas instituições. Se aumentássemos de forma aceitável os vencimentos base dos médicos, por exemplo ao nível dos juízes, era perfeitamente normal que, se os médicos tivessem que trabalhar mais tempo, fossem pagos pelo seu preço/hora e não como hora extraordinária. Essa palavra “extraordinária” estigmatiza negativamente os médicos e faz toda a gente pensar que os médicos ganham fortunas.Temos outliers absolutamente chocantes, como aquele médico do SNS que ganhou mais de 700 mil euros num ano com as horas extraordinárias e isso é criminoso. Há soluções para impedir e evitar que essas situações se repitam. Mas deixe-me dar-lhe um exemplo, de um colega especialista em medicina geral e familiar, teoricamente carenciada e de que o país tanto necessita, que está numa extensão com 2700 utentes. Um lugar que já foi ocupado por dois médicos em exclusividade. E aquilo que lhe foi proposto foi um contrato de 11 meses, de avença, recibo verde, sem qualquer tipo de regalia – se fizer férias não é pago, se estiver doente não é pago – e está a receber um vencimento bruto de 1800 euros para assegurar a resposta a 2700 doentes. E fá-lo tão bem ou tão mal que os cidadãos não querem lá mais ninguém, só o querem a ele.

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E ele responde por uma lista de utentes muito superior à média e tem este tipo de contrato, inferior ao que é oferecido aos colombianos e cubanos que vêm para Portugal sem a respetiva especialidade. Temos aqui uma série de distorções inaceitáveis, mas são da responsabilidade de sucessivos governos. Começaram nomeadamente com a empresarialização dos hospitais e com Correia de Campos. Com a troika, as prescrições médicas passaram a estar mais controladas, agora têm que fazer relatórios mensais… Nós não fazemos relatórios mensais. Todas as medidas que têm sido tomadas nessa área têm tido o apoio ativo da Ordem. Apoiamos a prescrição eletrónica, estamos a apoiar e a colaborar ativamente na realização de normas de orientação clínica, apoiamos o envio da informação de retorno aos médicos. Isso é feito pelo Governo, através do centro de conferência de faturas, que envia para cada médico o seu perfil de prescrição comparando com os colegas da mesma especialidade. Para as pessoas terem a noção daquilo que prescrevem. E nós achamos isso excelente. Não vê isso como um controlo ao médico mas como forma de melhorar? Claro. Não temos qualquer medo que controlem. A profissão médica é talvez a profissão mais escrutinada e controlada do mundo. Qualquer coisa que acontece abre os telejornais. Estamos habituados e desejamos esse controlo, porque não temos dúvidas de que 99% dos nossos profissionais são de enorme qualidade e de grande ética e queremos que toda a gente tenha a certeza disso. Apoiaremos sempre todas as medidas que auditem a atividade médica e vemos isso de forma positiva. Qual é a sua mensagem ao jovem que acaba o curso de Medicina? Como em qualquer profissão, haverá sempre lugar para os melhores. Neste momento, infelizmente, as pessoas têm que equacionar seriamente a possibilidade de emigrarem para outro país. Possivelmente não iremos ter vagas de especialidade suficientes para todos os jovens que acabaram a licenciatura, por várias razões: porque o Governo quer reduzir os custos com a formação médica e portanto começamos a

perceber que está interessado em reduzir o número de vagas. Até porque já tem a perceção de que não precisa de tantos especialistas. Agora, o que a nós choca é que, tendo essa perceção, não promova uma redução do numerus clausus e não encerre por exemplo o último curso que foi formado, que foi Aveiro, distribuindo os jovens pelas outras faculdades de Medicina. Não podemos dizer que não há dinheiro para tratar doentes, mas podemos andar a desperdiçar dinheiro na formação de médicos, para eles emigrarem e outros países beneficiarem dessa formação. Isso só nos empobrece ainda mais.O Estado não quererá formar tantos especialistas, para cortar gastos com a formação, e a concentração do SNS, com redução do número de serviços, diminui o número de vagas de formação disponíveis. A decapitação do SNS com as reformas precoces, em que os mais velhos estão a sair quase todos precocemente, reduz também a disponibilidade de formadores de qualidade. Por estas razões vamos ter quase inevitavelmente este ano uma redução do número de vagas para a especialidade, o que significa que não haverá vagas para todos os licenciados em Medicina. É necessário planear os recursos em saúde e reduzir o numerus clausus em saúde, porque não faz sentido formar médicos para emigração. Esperamos que haja esse bom senso, para que os nossos jovens que se licenciarem em Medicina possam continuar em Portugal. Eles têm sempre mercado no estrangeiro, porque a formação em Portugal é reconhecidamente de grande qualidade e eu diria até acima da média europeia. Mas exportar cérebros, técnicos altamente especializados e caros é empobrecer ainda mais o país. Qual é o reflexo que isto vai ter? É que as médias de entrada para Medicina vão diminuir. As médias estão artificialmente elevadas porque até aqui a medicina era vista pelas famílias como uma via profissional de sucesso e de empregos garantidos. Há jovens que acabaram por ir para Medicina apenas porque tinham média para entrar e com a pressão das famílias a dizer que era um desperdício não ir. A partir de agora começaremos a ver ir para Medicina exclusivamente os que sentem verdadeiramente vocação. Passando a ser um curso que não garante empregabilidade, os jovens vão também ponderar outras opções e a procura de vagas nas faculdades de Medicina diminuirá, pelo que as médias vão diminuir.


GRANDE ENTREVISTA José Manuel Silva

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OPINIÃO José Caria

RASGAR A CORTINA R

ecentemente almocei com o ministro da Saúde! Na realidade, o facto em si não tem nada de extraordinário, a não ser que almocei eu e mais uma centena de pessoas numa, ou melhor, em mais uma, iniciativa do International Club of Portugal (ICPT). Porquê falar nisto? Por uma razão óbvia e simples: não por se tratar do ministro da Saúde, mas sim por se tratar de um político a falar com gente real. A falar, a explicar, a ser inquirido e a inquirir sem o véu, sem a cortina da comunicação social, sem enfermar da mediatização da política a que hoje não conseguimos fugir. É óbvio que os que estiveram presentes talvez não retratem o cidadão comum, mas também é óbvio que muitos destes por certo representam o perfil de pertença das tão necessárias elites que este país tem visto desaparecer a serem erodidas muitas vezes por empenho e determinação do Poder Político. Ainda o mês passado aqui escrevi que Portugal precisa de elites, precisa de uma sociedade que se reveja nas suas elites, precisa de um poder político que entenda as elites como um fator de coesão para o seu exercício político. Não precisa é de uma massa intelectualmente aculturada, pronta a respostas meramente emotivas, sem tentar des.. cortinar a sua natureza ou as consequências da sua adesão. São iniciativas como a do ICPT que dão lastro para começarmos a mudar o estado das coisas, para “ressuscitar” um tão necessário espaço público bem compreendido pelas doutrinas sociológicas dos anos 70, como forma de combater a aculturação provocada pela excessiva mediatização do discurso político, mas que, em última análise, se estende viralmente a todos os domínios da sociedade.

É FUNDAMENTAL RASGAR ESTA CORTINA E QUE OS POLÍTICOS PERCEBAM QUE TÊM DE VOLTAR A FALAR PARA AS PESSOAS

jcaria@netvisao.pt

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Os políticos deixaram de falar com as pessoas e passaram a falar com a comunicação social. Ninguém diz que há fuga a este caminho ou que esta realidade seja inultrapassável. Ela tem é de ser compreendida, assimilada, sob pena de se passarem as pessoas para um plano secundário e permitir à própria comunicação social ganhar um estatuto que não tem nem nunca poderá ter. Hoje já estamos a meio caminho entre a mediatização e a espetacularização, correndo o risco – mesmo que não seja essa a intenção – de transformar todo o discurso político numa imensa amálgama de propaganda, com todas as consequências nefastas que daí podem advir. A este propósito relembro só o que, há mais de 70 anos, escreveu Adolf Hitler, no capítulo dedicado à propaganda, no Mein Kampf: “A capacidade de compreensão das grandes massas humanas é limitada e o seu entendimento muito restrito; em compensação, a sua falta de memória é maiúscula (…) Toda a propaganda deve ser popular e adotar um nível intelectual dentro dos limites das faculdades de assimilação do mais limitado daqueles a que é dirigida.” Estamos a falar de propaganda ou do discurso estereotipado a que todos os dias assistimos nos media, principalmente na televisão? Como rasgar esta cortina? Este papel cabe não só aos políticos mas também às elites, essas mesmas capazes de catalisar o amorfismo do discurso político vigente, propagandeado pela forma, mas que em simultâneo lhe vaza o conteúdo. É fundamental rasgar esta cortina e que os políticos percebam que têm de voltar a falar para as pessoas. E que só o podem fazer se procurarem apoio nas elites que têm teimado em aniquilar. Caso contrário, olhem para a Grécia…


OPINIÃO Isabel Meirelles

REGRESSO ÀS ORIGENS DO GOVERNO DA COISA PÚBLICA

N

uma altura em que a União Europeia parece desorientada, até porque os líderes europeus estão regularmente a ser sufragados pelos respetivos eleitorados que ditarão a sua continuação ou retirada do projeto nacional e também europeu, cabe perguntar qual é a filosofia de governação que lhe está subjacente, o modelo teórico que lhe está ínsito na tomada de decisões. E esta questão vale, com mais ou menos acuidade, para os 27 Estados-membros, incluindo Portugal. Neste sentido, é bom voltar à antiguidade clássica e sobretudo a pensadores como Aristóteles e, posteriormente, Cícero, que elaboraram os fundamentos da governação da hodierna sociedade ocidental e sobre cujas ideias urge refletir. Assim, Aristóteles defendia, já no século IV a.C., que a melhor forma de governo é uma república, considerada como o governo da maioria, exercido no respeito da legalidade e do primado do direito, de forma sã e no interesse de todos. Na sua obra A Política, Aristóteles chama a atenção para o perigo das revoluções em que a principal causa é o desejo de igualdade. Ora, para evitar este perigo, defende o pensador que “nas democracias (governo dos pobres) os ricos devem ser poupados e nas oligarquias (governo dos ricos), deve-se tomar o maior cuidado com os pobres”. Isto porque estes precisam de maior apoio do Estado, enquanto os ricos apenas precisam de não ser perseguidos. Aristóteles defendia, assim, como modelo ideal de governação uma república de classes médias que, sem perseguir ou destruir a classe dos ricos, tomasse todas as providências que pudesse a favor dos mais pobres. Cabe então perguntar se, designadamente no caso português, os ricos estão a ser poupados, os pobres a ser protegidos e sobretudo se, no meio dos extremos, a classe média não está a ser esmagada, sendo atirada para franjas

que, em geral, estarão sempre mais perto da classe dos mais desfavorecidos. Cícero, embora tenha sido muito influenciado por Aristóteles, foi ainda mais além do que o seu antecessor nos desenvolvimentos de uma ciência política ideal no governo da república. Tendo vivido no século VI a.C., defende na sua principal obra, De República, que todos os cidadãos têm o dever de participação política e traz desenvolvimentos ao pensamento de Aristóteles, ao defender a distribuição do poder governativo pelos diferentes estratos sociais, bem como a liderança por um homem, hoje em dia também por uma mulher, que mande e que comande a direção e execução da política traçada. E este líder teria que ser escolhido de entre os melhores, como é escolhido o timoneiro de um barco que se está a afundar, e deveria ser respeitador das leis e do direito natural, entendido de origem divina, e, por isso, aceite universalmente. Considera, assim, que a democracia, enquanto entendida como o governo dos mais pobres, “é o pior dos regimes porque a multidão quando entregue a si própria, com os seus apetites, a sua cegueira, os seus abusos de poder, é o pior dos tiranos”. Com este quadro mental simples, quiçá simplista mas profundamente claro, parece-me fácil dar um rumo lógico e coerente às políticas que estão a ser seguidas em Portugal, na Grécia e nos restantes países da União Europeia. Políticas de equilíbrio que não ponham em causa, pelo menos em excesso, nenhum dos estratos sociais, distribuindo sacrifícios equitativamente, de molde a que os equilíbrios se mantenham. Já agora, sugiro que se recomende aos responsáveis da troika e lideres políticos europeus a leitura do essencial do pensamento político de Aristóteles e de Cícero, como repositório de valores da Antiguidade que perduraram até aos nossos dias e que se mantêm com imensa atualidade.

CABE ENTÃO PERGUNTAR SE, DESIGNADAMENTE NO CASO PORTUGUÊS, OS RICOS ESTÃO A SER POUPADOS, OS POBRES A SER PROTEGIDOS Advogada e especialista em assuntos europeus

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OPINIÃO Carlos Zorrinho

“COPYRIGHT” A

propósito da não concessão de tolerância de ponto aos funcionários públicos na terça-feira de Carnaval, e das razões enunciadas para isso, muito há a refletir e a ponderar. É o que faço seguidamente neste texto, escrito antes do dia referido e que será editado já depois de podermos avaliar a realidade dos factos. O Governo fundamentou a decisão de não conceder tolerância de ponto aos funcionários públicos no Carnaval em duas razões fundamentais: em primeiro lugar, na importância de aumentar a produtividade da economia portuguesa e, em segundo lugar, na imagem de empenho “forçado” que foi decidido encenar em pleno período de visita da troika para avaliação do Programa de Assistência Económica e Financeira a Portugal. Aumentar a produtividade é necessário. No entanto, na maioria dos setores, dentro e fora da Administração Pública, o aumento da produtividade depende mais dos métodos, dos processos e dos produtos e serviços prestados, do que da quantidade de horas dedicada ao trabalho. A qualidade vale mais do que a quantidade. A desmotivação ou a desqualificação são os pecados capitais da nossa competitividade e da nossa produtividade. Trabalhamos em média mais horas que os nossos parceiros europeus. A questão não está em trabalhar mais, mas em trabalhar melhor. A questão da imagem dada aos elementos da troika parece uma questão de somenos, mas não é. Pres-

A DESMOTIVAÇÃO OU A DESQUALIFICAÇÃO SÃO OS PECADOS CAPITAIS DA NOSSA COMPETITIVIDADE E DA NOSSA PRODUTIVIDADE

Professor universitário e deputado do PS

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supõe que o caminho para Portugal é copiar a Alemanha ou os outros países nórdicos, com valências, tradições e identidades muito diferentes de Portugal e dos outros países do Sul da Europa. A Alemanha e os países nórdicos têm o seu próprio copyright. Portugal também. Queremos pagar os direitos e o preço de usar uma marca alheia, ou queremos valorizar a nossa marca? Queremos ser uma fotocópia contrariada e de má qualidade dum modelo alheio e inadequado, ou queremos ser um original com orgulho, capaz de se afirmar globalmente pela sua especificidade e pelo aproveitamento das vantagens de localização, relacionamento e conhecimento adquirido? Ser um bom original exige muito empenho e muito trabalho. Optar pela diferença é o oposto da desistência e da subserviência. Mas esse é um trabalho que motiva e diferencia. Um trabalho que se inspira na cultura, na inovação e até no lazer. Um trabalho com sentido e com estratégia, que os feriados não atrapalham porque os objetivos não se medem em horas de trabalho mas em valor acrescentado, exportações e redução de importações. Eu sei que nem sempre é assim. Que um país tem que trabalhar nalguns setores com o copyright alheio. Mas se essa for a matriz da sua economia, então torna-se um país descartável e irrelevante. Um país de máscara, em nome da “máscara” que lhe querem tirar à força.


OPINIÃO Luís Mira Amaral

AS RENDAS EXCESSIVAS NO SETOR ELÉTRICO Fala-se muito, hoje em dia, em sustentabilidade, mas alguns esquecem-se que esse conceito não é apenas ambiental. A sustentabilidade tem uma tripla dimensão – ambiental, económica e social. Portugal já é campeão mundial no rácio energias renováveis/consumo de eletricidade. Estamos, em termos do binómio energia/ambiente, numa excelente situação, contando com a energia hidroelétrica, as biomassas e a eólica. Nesta, a nossa rede de eletricidade acomodava, sem sobrecustos derivados do facto do vento ser intermitente e incontrolável, cerca de 2000Mw de potência instalada, e nós já vamos com 4000Mw, tendo o Governo anterior querido ir aos 8000Mw! Tal excesso leva à necessidade de investimentos adicionais em duas muletas, bombagem hidroelétrica de noite (quando há vento e não há consumo) e centrais térmicas de dia (quando há consumo e não há vento) como está a acontecer agora. As centrais térmicas passam a trabalhar de forma ineficiente, só para apoio às eólicas, mas os consumidores têm de pagar, nas Garantias de Potência e nos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual, os custos fixos de tais centrais. As muletas são caras e têm de ser pagas. Temos já abundante capacidade ociosa, quer nas eólicas quer nas térmicas. O nosso problema não é, pois, num contexto de recessão económica e de decréscimo de consumo de energia, investir mais em eólicas, à custa de preços políticos, mas termos o sistema sustentável do ponto de vista económico e social, pondo a energia ao serviço da economia e não, como no Governo anterior, pondo a economia ao serviço da energia, o que não era sustentável. Neste contexto, a troika, na medida 5.15 introduzida na 2.ª revisão do Programa em dezembro de 2011, exigiu “measures to set the national electricity system on a

sustainable path leading to the elimination of the tariff debt (défice tarifário) by 2020 and ensuring that it will stabilize by 2013”. Há então que calcular as rendas excessivas dos eletroprodutores obtidas através da diferença entre as rendibilidades excessivas que têm e o que obteriam num investimento sem risco garantido pelo Estado e pelos consumidores, que é aquilo que se passa! De acordo com os nossos cálculos, essas rendas excessivas deverão somar 300 milhões de euros só em 2011 e cerca de 1500 mil milhões de euros no período 2011-2020, se nada se fizesse para corrigir a situação! Estes valores mostram as escandalosas rendas da situação que a eólica, a cogeração e a EDP estão a sacar dos consumidores. Na Produção em Regime Especial (PRE), eólicas e cogeração repartem praticamente 5050 essas rendas excessivas, enquanto que a Produção em Regime Ordinário (PRO), que são basicamente os CMEC’s, já atinge montantes também avultadíssimos. Mas de notar que uma parte é derivada do pagamento de custos fixos de centrais térmicas pouco utilizadas, por só servirem de apoio às eólicas! Se recuássemos a 2007, teríamos então, segundo os meus cálculos: PRO-CMEC

PRE

TOTAL

2500

1500

4000

Valor total das rendas excessivas desde 2007 até 2020 (Milhões de euros)

O Governo português tem agora, como aliás já fez o recém nomeado Governo espanhol, que rever todas estas excessivas rendas da situação, tornando o sistema sustentável.

ESTES VALORES MOSTRAM AS ESCANDALOSAS RENDAS DA SITUAÇÃO QUE A EÓLICA, A COGERAÇÃO E A EDP ESTÃO A SACAR DOS CONSUMIDORES Engenheiro e Economista

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OPINIÃO Adalberto Campos Fernandes

SAÚDE E CIDADANIA

UMA QUESTÃO DE CONFIANÇA

O

s cidadãos habituaram-se, ao longo do tempo, a reconhecer no sistema de saúde um papel de proteção não apenas na doença, mas também na salvaguarda da sua qualidade de vida. Podemos dizer que se trata de uma relação de confiança baseada num contrato de natureza moral. De modo geral, existe a convicção profunda de que o Estado deve garantir, da forma mais ampla possível, esse direito de proteção. Esta perceção contribuiu, ao longo do tempo, para reforçar um elevado grau de dependência, em matéria de saúde, entre os cidadãos e o Estado. Mesmo em situação de grave crise económica e financeira, resiste a ideia de que ao Estado cumpre a missão de garantir um bem público de elevado valor social. Tal não impede que a generalidade das pessoas aceite a necessidade de reforma ou de regeneração. Mas apenas no sentido de adaptar o sistema de saúde à evolução social e demográfica, sem prejudicar os padrões de resposta às necessidades de saúde das populações. É por isso que os processos de mudança no setor da saúde são habitualmente muito difíceis de executar. A complexidade destes processos não resiste, na maior parte dos casos, à vulnerabilidade política e social que comportam.

A REFORMA DO SISTEMA DE SAÚDE IMPÕE UMA PROFUNDA MUDANÇA NO PARADIGMA DE ORGANIZAÇÃO

Docente da ENSP UNL

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Na verdade, para a grande maioria dos cidadãos a abertura a novos modelos de financiamento, organização e prestação de cuidados de saúde não pode, em nenhuma circunstância, comprometer a responsabilidade pública de garantir o acesso a cuidados de saúde de qualidade. A reforma do sistema de saúde impõe, por essa razão, uma profunda mudança no paradigma de organização, no sentido de ajustar progressivamente o sistema às necessidades das populações sem prejudicar ou comprometer a sua sustentabilidade e, consequentemente, o seu desenvolvimento. Um dos exemplos dessa mudança passa pela necessidade de concentração de serviços diferenciados para garantir reforço de competências e incremento de qualidade, ao mesmo tempo que se desenvolvem as redes de cuidados de saúde primários e de cuidados continuados integrados. Estas medidas são necessárias e urgentes porque contribuem, decisivamente, para a defesa do serviço nacional de saúde. A sua concretização é a melhor forma de reforçar a relação de confiança dos cidadãos com o sistema de saúde. Dessa forma será possível conciliar proximidade no acesso com melhoria da qualidade, tornando, desse modo, mais racional e mais segura a utilização dos cuidados de saúde.


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EM FOCO Ano judicial

ANO JUDICIAL

COMEÇA COMO TERMINA

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EM FOCO Ano judicial

por M. Sardinha

A cerimónia de abertura do ano judicial começou com discursos duros dos vários protagonistas, culpas lançadas entre os lados da barricada, críticas inflamadas e um diagnóstico negro do setor. Igual, portanto, à dos outros anos. FRONTLINE/29


EM FOCO Ano judicial

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odos os anos a história repete-se: abertura do ano judicial recheada de duras críticas ao setor e ao poder político. As acusações são mútuas e, todos os anos, o resultado é o mesmo: muito diagnóstico, pouca ação. Uma e outra vez, os problemas da justiça são classificados, enumerados, destacados. De todas as vezes, nada de novo é feito durante o ano e nada muda verdadeiramente. Por isso, no ano seguinte, voltam a repetir-se as mesmas acusações e as mesmas críticas, quase sempre por parte dos mesmos protagonistas. Este ano não foi diferente. Cavaco Silva, Noronha do Nascimento, Pinto Monteiro e Marinho Pinto dispararam em todas as direções, resta saber se desta vez atingiram de facto algum alvo. Já toda a gente sabe que o setor da justiça é um dos que mais problemas cria ao país. A ineficiência da máquina judicial, a sua burocratização e demora a que normalmente estão

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condenadas todas as decisões afasta investidores, amedronta as empresas e deixa os cidadãos à beira de um ataque de nervos. Mas nestes discursos, como noutros anos, os protagonistas voltaram a preferir atacar-se entre si, atirando para o outro as culpas do que corre mal. O primeiro a subir ao púlpito foi o bastonário da Ordem dos Advogados. Como sempre, atirou para cima dos juízes, acusando-os de “vedetismo”, e para cima das elites, que diz terem falhado na condução do país. Do lado dos magistrados, o procurador-geral Pinto Monteiro preferiu apontar o dedo aos políticos, falando em “contaminação política de processos judiciais” e dizendo que “o corporativismo fora de época não pode servir aqueles que a prestam (a justiça) mas a quem a prestam”. Já o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, preferiu dizer que têm que haver limites aos


EM FOCO Ano judicial

cortes que estão a ser impostos em matéria de direitos adquiridos na sociedade portuguesa. Cavaco Silva apelou, novamente, a mais ação e que haja consenso entre os operadores judiciais, enquanto Paula Teixeira da Cruz preferiu falar do mapa judiciário e elencar as reformas que já foram feitas no seu mandato. Novidades, novidades… só completando com o conhecido slogan de um supermercado. Porque pelos lados da cerimónia de abertura do ano judicial continuou tudo a soar a velho. Cavaco apelou a “mútua compreensão e cooperação” Igual a si próprio, o Presidente da República adotou um papel de apaziguador, ao mesmo tempo que renovou os alertas de que “ninguém está isento de dar o seu contributo para ultrapassar a situação difícil em que o país se encontra”. Cavaco defendeu que

as reformas na justiça devem ser consideradas “um compromisso de regime”, notando que as medidas inscritas no acordo da troika representam “um estímulo” para operar mudanças que exigem a participação de todos. Para que sejam bem sucedidas, o Presidente acredita que é preciso fazer uma reflexão urgente e serena sobre o funcionamento da justiça em Portugal e uma “atitude de mútua compreensão e cooperação”. Até porque, lembrou, “ninguém sai imune da crise de credibilidade” que tem afetado o setor e a “cultura judicial deve pautar-se pela contenção verbal, pela discrição de atitudes e pelo rigor profissional que, em geral, é timbre dos servidores da causa da Justiça”. Quem também esteve ao seu melhor estilo foi Marinho Pinto. O bastonário da Ordem dos Advogados não poupou nas críticas. Dos juízes aos políticos, passando pelos funcionários do Banco de Portugal que

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EM FOCO Ano judicial

pretendiam ficar isentos de algumas medidas de austeridade, ninguém escapou à língua afiada do advogado. Marinho Pinto denunciou “as gigantescas remunerações que gestores transformados em políticos e políticos transformados em gestores se atribuem uns aos outros, em lugares e cargos para que se nomeiam uns aos outros, que constituem nas circunstâncias atuais uma inominável agressão moral a quem, muitas vezes, é obrigado a cortar na satisfação de necessidades essenciais”. Também as nomeações de amigos e familiares para cargos públicos esteve no centro do discurso do bastonário, que diz estarem a criar “um gigantesco polvo clientelar”, cujos tentáculos se estendem já a empresas privadas, onde o Governo detém influência política. A animosidade com a ministra da Justiça é conhecida e Marinho Pinto foi duro ao criticar a “política errática marcada pelo populismo e por uma chocante incapacidade de responder adequadamente aos principais problemas”. O Governo foi acusado de estar “declaradamente empenhado em criar condições para que em torno da Justiça floresça o mesmo género de negócios privados que outros governos criaram em torno da saúde, com destaque para essa justiça semi-clandestina que são os tribunais arbitrais em que as partes escolhem e pagam aos pseudo-juízes”. “Com este Governo os juízes deixarão de ser apenas julga-

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dores e serão também procuradores e polícias, pois passarão a poder aplicar, durante o inquérito, medidas de coação e de garantia patrimonial mais graves do que as requeridas pelo próprio MP, incluindo a prisão preventiva”, criticou. Pinto Monteiro em jeito de balanço A pouco tempo de abandonar o cargo, por ter atingido o limite de idade, o procurador-geral da República, Pinto Monteiro, aproveitou o último discurso para fazer um balanço dos oito anos e meio em que esteve no lugar. Criticou o “excesso de leis” e as reformas dos códigos que não contribuíram para uma justiça mais célere e transparente, como se pretendia. Mas foi a ligação entre política e justiça que mereceu as maiores críticas do procurador-geral, uma vez que há em Portugal uma tendência para resolver problemas políticos através de processos judiciais. “É preciso dar à política o que é da política e aos tribunais o que é dos tribunais. Não se pode, por exemplo, atribuir à ineficácia da justiça na punição dos crimes económicos os problemas da economia do país”, salientou. No final, o ano judicial começou como terminou: culpas atiradas de um lado para o outro, apelos ao bom senso e farpas deixadas para análise.


EM DESTAQUE Guimarães

GUIMARÃES 2012 BERÇO DA CULTURA

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EM DESTAQUE Guimarães

por M. Sardinha

Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012 arrancou em janeiro e trará à cidade-berço artistas e visitantes de toda a Europa. Com um orçamento reduzido, a aposta é feita na diversidade de projetos inovadores e na rentabilização do centro histórico renovado.    FRONTLINE/35


EM DESTAQUE Guimarães

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epois de Lisboa, em 1994, e do Porto, em 2001, este é o ano de Guimarães. O berço de Portugal é, em 2012, a Capital Europeia da Cultura, mas com muito menos dinheiro no orçamento do que qualquer outro dos projetos anteriores. Os tempos de crise não deixam margem para grandes investimentos, mas a cidade minhota promete um cartaz cultural inovador que prenda os visitantes e a faça fazer boa figura no cenário internacional. Como disse Pedro Passos Coelho na cerimónia de abertura, “a cultura nunca é um bem menor” e Guimarães deve aproveitar a oportunidade para se afirmar “como um cluster cultural de referência”. Com um centro histórico totalmente renovado pelo famoso arquiteto Fernando Távora, a cidade minhota não deixa os créditos de berço da Nação por mãos

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alheias e ergue-se linda e maravilhosa, com o rosto limpo e o corpo a cheirar a História. Ruas estreitas, tascas tradicionais com petiscos deliciosos, praças sem trânsito, esplanadas soalheiras e sossegadas e, claro, uma oferta cultural que, por estes dias, fará inveja a grandes palcos como Paris ou Londres. Uma cidade de capas negras, com a Universidade do Minho a encher de jovens este ponto de paragem tão antigo como o país. Música, cinema, artes performativas e uma oferta hoteleira que prevê viver nos próximos meses um pico de crescimento que ajude a contrariar a tendência triste que se vive por todo o país. Para fazer face às necessidades de alojamento, a Fundação Cidade de Guimarães e a Câmara Municipal criaram a bolsa de alojamento “Viver Guimarães 2012”, tanto para visitantes como artistas.


EM DESTAQUE Guimarães

A par com Maribor Em conferência de imprensa, o vereador da Câmara Municipal de Guimarães com o pelouro do Turismo, Amadeu Portilha, explicou que esta iniciativa pretende colmatar a “incapacidade da oferta hoteleira existente de dar resposta ao aumento da procura que se espera para 2012”. Atualmente, a oferta hoteleira de Guimarães comporta cerca de 1300 camas, estando, adiantou o vereador, “a ser construídas quatro unidades hoteleiras para que a oferta aumente para as 1500 camas”. A Capital Europeia da Cultura é uma iniciativa da União Europeia que tem por objetivo valorizar a diversidade das culturas europeias e dar um conhecimento mútuo que permita a aproximação dos cidadãos europeus. Este ano, além de Guimarães, também Maribor, na Eslovénia, é Capital Europeia da

Cultura. Quase o mesmo que dizer que todos os caminhos culturais da tradição europeia irão dar a uma das duas cidades. Em Portugal, a conceção, realização e promoção do projeto está a cargo da Fundação Cidade de Guimarães, criada em 9 de julho de 2009 e que, findo o evento, deverá assumir a gestão do património cultural do município. Gerir o parco orçamento atribuído este ano – 25 milhões de euros estimados, em contraponto, por exemplo, com os 226 milhões de euros que foram colocados à disposição da capital Porto 2001 – terá sido o maior desafio da fundação que, também é certo, está a trabalhar com uma cidade em menor escala do que Lisboa ou a Invicta. Mas se nestas duas a aposta foi na restauração e construção de novos edifícios culturais, de que é exemplo a Casa da Música,

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EM DESTAQUE Guimarães

em Guimarães o desafio passou pela elaboração de uma “engenharia de projeto que tem que ver com a ligação ao tecido cultural da região, à rede institucional e criativa”, como explicou João Serra, presidente da Fundação Cidade de Guimarães, ao Expresso. A 21 de janeiro de 2012, o berço de Portugal tornou-se Capital Europeia da Cultura 2012 e milhares de pessoas encheram as ruas e praças históricas para assistir aos espetáculos musicais que grassaram um pouco por toda a cidade. O Largo do Toural foi o epicentro da inauguração, com uma demonstração multimédia que conjugou música, projeção de vídeo e iluminação nas fachadas dos edifícios circundantes, um espetáculo da companhia catalã “La Fura dels Baus”, intitulado, como não podia deixar de ser, “Berço de uma Nação”. O largo transformou-se num gigantesco teatro de marionetas, com um homem e um cavalo gigantes, suportados por gruas, a circularem por entre a multidão.   “Mi Casa Es Tu Casa” Uma das iniciativas mais inovadoras desta Cidade Europeia da Cultura é o projeto “Mi Casa Es Tu Casa”,

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em que algumas casas da cidade vão ser transformadas em palcos para cerca de 20 artistas, como Virgem Suta, Nuno Prata, We Trust, entre outros. Uma ideia com a assinatura de Fernando Alvim. Ao longo dos próximos meses em que será Capital Europeia da Cultura 2012, Guimarães terá um programa assente nos valores “Cidade”, “Cidadania e Participação” e “Dimensão Europeia”, construído com três objetivos: desenvolver o capital humano, capacitando a comunidade local com novos recursos e competências humanas e profissionais; criar uma economia criativa na cidade, que a torne internacionalmente competitiva; e “gerar uma nova Geografia dos Sentidos”, como se lê no portal do projeto, que passa por “transformar um espaço de preservação passiva da memória num espaço de permanente oferta de novas e surpreendentes experiências culturais e criativas”. Em março tem várias opções de espetáculos de música, dança, cinema e teatro. Decorre ainda o espetáculo de marionetas “Ilha Desconhecida”, no Centro Cultural Vila Flor. Aproveite e respire cultura numa cidade histórica magnífica!


TÍTULO SIMULADO

MACAU NA ENCRUZILHADA DO DESENVOLVIMENTO por Ana Laia

Macau aposta em novos aterros, num gigantesco campus universitário na ilha da Montanha e numa ligação cada vez mais estreita com a China, Hong Kong e Zhuhai. 40/FRONTLINE


DOSSIER Macau

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ovos aterros para ganhar espaço para uma população e economia em crescimento. Investimento na educação para ganhar know-how e se posicionar como um player internacional. A aposta num ensino superior de qualidade, com a construção de um gigantesco campus universitário. Macau está hoje em profundo crescimento, com muitos projetos na manga e um futuro promissor à frente. Fugir às amarras do jogo e diversificar a sua economia é o grande desafio para os próximos anos, num território que pertenceu a Portugal até 1999. Espera-se que a educação seja um ponto de partida para que Macau venha a florescer enquanto destino turístico no futuro e se torne um local de habitação agradável para a maioria da sua população. A falta de espaço numa região constituída por uma península e duas ilhas (Taipa e Coloane), com pouco mais de 28,6 km2 de superfície total, é um dos principais problemas da RAEM (Região Administrativa Especial de Macau). Com cerca de 538 mil habitantes, a maioria dos quais de etnia chinesa, Macau tem feito muitos aterros na foz do rio das Pérolas para conseguir mais espaço de construção. A RAEM situa-se na costa meridional da República Popular da China, a oeste da foz do rio das Pérolas e a 60 km de Hong Kong. Faz também fronteira, a norte e a oeste, com a Zona Económica Especial de Zhuhai.

Um triângulo que lhe abre os horizontes e lhe permite sonhar com uma cooperação profunda com estas regiões. Em 2008, a RAEM formulou junto do governo chinês mais um pedido de autorização para a construção de novas zonas urbanas através de aterro, o qual foi concedido em 2009. A área tem aproximadamente 350 hectares e será um misto de habitação, atividades económicas, zonas verdes e lazer. Para já, o governo tem duas versões para o projeto de desenvolvimento destes aterros, havendo três diferenças principais entre uma e outra versão: a densidade populacional e o número de casas (a primeira está pensada para absorver 30 mil pessoas por km2 e dar terreno a 33 mil frações); e a distribuição de infraestruturas de serviço ao público (uma prevê a manutenção do terminal marítimo do Porto Exterior, a outra sugere que este seja transferido para outro lugar). O tipo de habitação a construir também tem suscitado algumas divisões, com deputados a defenderem que não deve existir habitação de luxo, sob pena de os ricos tomarem conta da área e a parte social ficar, mais uma vez, relegada para segundo plano. A CEM (Empresa Elétrica de Macau, participada pela EDP) irá abastecer a ilha da Montanha. Este abastecimento de energia tem várias fases e, segundo

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DOSSIER Macau

Franklin Willemyns (presidente da Comissão Executiva da distribuidora), já foram investidos 80 milhões de patacas. Sem tecer muitos comentários à aquisição da EDP pela China Three Gorges e às suas repercussões para a CEM, admite continuar com tarifário reduzido. Plano Diretor das Novas Zonas Urbanas No anteprojeto do Plano Diretor das Novas Zonas Urbanas, que esteve em consulta pública desde novembro, o governo central salienta que “construir novas zonas urbanas de Macau é uma ação importante que dinamiza as vantagens do princípio de um ‘um país, dois sistemas’, para aliviar a grave escassez de recursos de solo da RAEM e melhorar a qualidade de vida da população, ajudando a RAEM a fazer face à crise financeira e manter um desenvolvimento económico estável e relativamente rápido, promovendo a harmonia e estabilidade social”. Os terrenos estão, por isso, reservados para atividades propícias à diversidade económica, ficando de fora desde logo a do jogo. O novo aterro consiste em cinco zonas 42/FRONTLINE

que se localizam a leste e a sul da península de Macau, assim como a norte da Taipa. A zona A, localizada a leste da península de Macau, o maior aterro, tem 138 hectares onde ficarão o Terminal Marítimo do Porto Exterior e o Reservatório da Zona da Areia Preta; a leste, terá a ilha artificial da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, separada de Zhuhai por um canal. Haverá aqui instalações de apoio à vida quotidiana, indústrias diversificadas e um portal urbano. O número de frações previstas no anteprojeto é de 20 mil. Na zona B, localizada a sul da península, com 47 hectares, ficará o corredor verde costeiro, com instalações turísticas e culturais. Nas zonas C, D e E, localizadas a norte da ilha da Taipa, ficarão um bairro piloto de baixo teor de carbono, um corredor verde costeiro e um centro modal de transportes. A construção da ponte que liga Hong Kong a Macau e Zhuhai começou em dezembro e deve estar pronta em 2016.A ilha artificial de 150 hectares vai ser construída nas águas nordeste do aeroporto internacional de Hong Kong e espera-se que facilite a cooperação entre as três zonas.


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Campus universitário na ilha da Montanha A falta de espaço em Macau levou a RAEM a transferir o seu campus universitário para a ilha da Montanha, depois de cedido o espaço pela China. Nada mais do que um simples quilómetro quadrado no território da China Continental, com capacidade para 15 mil alunos, onde vale a lei macaense, o que torna tudo mais simples em termos de liberdade de comunicação. O campus está separado de Macau por uma faixa de água. Pelo terreno, o executivo de Macau pagará um prémio pela concessão do mesmo, até 2049, de cerca de 1,2 mil milhões de patacas (cerca de 105 milhões de euros). Dinheiro que se junta agora ao orçamento de uma obra que está a ficar muito mais cara do que o inicialmente previsto. Segundo uma nota do Gabinete para o Desenvolvimento de Infraestruturas (GDI), o orçamento de todo o projeto das instalações de infraestruturas de apoio – incluindo o túnel que vai ligar o campus a Macau – subiu de 500 milhões para 2 mil milhões de patacas (185,5 milhões de euros). Já o custo da construção das estruturas principais do novo campus universitário

passou de 6 mil milhões para 7800 milhões de patacas (723 milhões de euros). Espera-se que as obras estejam concluídas até final de 2012. Na ilha de Hengqin, ou da Montanha, a China está, por sua vez, a construir um destino turístico internacional e um centro de tecnologia. Resorts, moradias de luxo, campos de golfe, centros de software, para uma população que se espera ser de 200 mil pessoas em 2020. No plano existem duas componentes principais de transporte de massas – a extensão do metropolitano ligeiro que liga Cantão, capital da província de Guangdong, a Zhuhai, cidade fronteiriça a Macau, e que irá percorrer toda a ilha até à zona do aeroporto de Zhuhai; e a extensão da via rápida entre Cantão e Zhuhai. Aposta no turismo Para crescer, os especialistas aconselham Macau a investir em ligações logísticas com Nansha e a apostar no turismo na ilha da Montanha. O porto marítimo em Nansha pode ser uma porta de entrada para iates e cruzeiros de luxo que coloquem Macau no mapa do

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turismo internacional. Também o metro interurbano Cantão/Zhuhai, que alcança velocidades da ordem dos 250 km/h, e que começou a funcionar no início do ano, pode desempenhar aqui um papel importante. O troço do comboio inclui 13 estações – Beijao, Shunde, Ronggui, Xiaolan, Dongsheng, Norte de Zhongshan, Zhongshan, Nanlang, Guzhen, Jiangmen, Xingui, Sul de Cantão e Norte de Zhuhai – e faz parte do projeto de integração regional, que prevê que as deslocações no delta do rio das Pérolas sejam feitas em pouco mais de uma hora. Macau tem um enorme potencial turístico, graças sobretudo à sua vivência de “encruzilhada de culturas”, onde se junta a cultura chinesa e a ocidental, deixada sobretudo pelos portugueses. O facto de o seu centro histórico pertencer à Lista do Património Cultural Mundial da UNESCO, desde 2005, é igualmente importante. A indústria turística de Macau atingiu, em 2010, os 24 milhões e 965 mil visitantes, um aumento de 142,9% relativamente a 2001. A aposta na educação é igualmente importante. Além do gigantesco campus universitário na ilha da Montanha, Macau está a promover outras iniciativas. Re44/FRONTLINE

centemente, os Serviços de Educação de Macau decidiram financiar, por exemplo, os manuais escolares de mais de 70 mil alunos, através de uma verba de 10 milhões de euros, disponibilizada para subsídios escolares (cerca de 130 euros por aluno). A Oriente não se pára e continua a investir-se em novos negócios e em novas oportunidades. O empreendedorismo na região continua a estimular a criação de empregos e a desenvolver o país com investimentos e distribuição de receita. Macau soma e lucra, não só pela sua localização, como com o comércio livre e um sistema simples de impostos que permite que a indústria do jogo continue a aumentar a prosperidade da economia local. Foi fortalecida a plataforma de parcerias comerciais, melhorado o sistema de transportes e continua a aumentar o número de quartos de hotel (excelente para a indústria do turismo, como também para a realização de convenções). Surgiu o Centro de Convenções e Entretenimento; as ligações internacionais também são abundantes. A tudo isto adiciona-se agora o campus universitário, que vai dar à RAEM as melhores condições de sucesso.


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MAGAZINE Indústria da cortiça

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MAGAZINE Indústria da cortiça

UMA CASCA QUE CHEIRA A

INOVAÇÃO por M. Sardinha

A cortiça está a ganhar uma nova dimensão de negócio em Portugal, líder mundial nesta indústria. As empresas apostam na inovação e na exclusividade para terem sucesso num mercado que cheira a tradição.

Cortiça ou casca do sobreiro, uma árvore nobre disposta em mais de 720 mil hectares de montado de sobro em Portugal. Um produto que ganhou uma nova dimensão e agarrou novas áreas de negócio. Um material que permite inovação exclusiva e design ultramoderno. Uma indústria corticeira de grande importância económica num país sedento de novas ideias para gerar crescimento. Cem por cento natural, reciclável e biodegradável, a cortiça é um produto ótimo para os novos tempos, em que a sustentabilidade está tão presente na economia.Além disso, as suas qualidades únicas de tecido leve, impermeável, elástico e excelente isolante térmico ou acústico dão-lhe armas para vencer em mercados competitivos. Alma Gémea Pelas suas características, a cortiça tem sido alvo de novas áreas de negócio associadas sempre à exclusividade. É o caso do novo projeto Alma Gémea, resultado de uma parceria entre a Amorim Cork Composites e a Matceramica, duas empresas de re-

ferência em Portugal. A primeira transforma cortiça, a segunda produz cerâmica utilitária. E em que é que as duas se juntam? Para começar, no facto de trabalharem com dois materiais de forte tradição em Portugal e, depois, trabalham ambas no setor casa. Aliando as duas experiências, surgiu uma coleção de produtos que associam a cor da faiança à textura da cortiça, dirigidos a quatro áreas de ação: mesa, pequeno-almoço, cozinha e decorativo. Para a mesa, o designer Gonçalo Martins pensou numa linha que respondesse a uma crescente percentagem da população que consome “TV Food”. Surgiu então a Cor-K, uma linha de “colo”, para “apreciarmos a nossa refeição enquanto vemos o nosso programa favorito”, explica. Para decoração foi pensada a coleção de Vera Gomes, Love Affair, composta por elegantes jarras, um aprimorado centro de mesa e um requintado candleholder. Toda a louça cerâmica é revestida a cortiça, num “casamento” entre os dois materiais. Ao pequeno-

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-almoço, podemos escolher o serviço de chá The Whistler ou O Assobiador, que foi buscar o nome ao maior e um dos mais antigos sobreiros do mundo que se encontra no Alentejo. A linha é da autoria de Raquel Castro e vai beber inspiração à olaria alentejana, com a cortiça a envolver a madeira. Por último, Francisco Vieira Martins pensou na coleção Check-in-out. Contentores que permitem a mudança dos ingredientes, tal como é sempre necessário quando se prepara uma refeição. Um dos mais importantes clientes destas linhas é o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque – MoMA, que está neste momento a comercializar alguns destes produtos, com bastante êxito. Numa ação inserida na iniciativa comercial Destination Portugal promovida pelo MoMA, foram selecionados cerca de 100 produtos de design português, para serem comercializados nas lojas moma store (Nova Iorque e Tóquio) além da sua loja online. Cadeiras para eco-hotéis Outra parceria inovadora que envolve uma empresa do grupo Corticeira Amorim, a Dyn Cork, é a linha de mobiliário lançada com a Fenabel, fabricante de cadeiras para hotelaria e restauração. Trata-se de

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uma linha ecológica de cadeiras, as eco chairs, que utiliza como materiais a madeira e a cortiça. A Dyn Cork foi a responsável por desenvolver um tecido inovador oriundo da cortiça: flexível, durável, resistente ao atrito e lavável. Trata-se de uma coleção dirigida, em especial, aos “eco hotéis”. Uma das empresas de maior sucesso no ramo da cortiça é, hoje em dia, a Pelcor, dirigida por Sandra Correia, vencedora do Troféu de Melhor Empresária da Europa 2011, atribuído pelo Parlamento Europeu e Conselho Europeu das Mulheres Empresárias. Esta empresa algarvia nasceu da antiga fábrica de rolhas de cortiça do pai da empresária e transformou-se num caso de sucesso no mundo da moda e do design. A marca continua a apostar no mercado das rolhas para os mais finos champanhes, licores e vinhos do mundo, mas tem produtos tão diferenciadores como chapéus de chuva, malas, relógios de pulso, aventais, carteiras, entre outros. A Pelcor até já criou uma linha exclusiva composta por mala, malote, carteira e porta-óculos para a cantora Madona, quando a artista esteve em Portugal em 2008. Inovação é mesmo a palavra de ordem nestes novos negócios da cortiça. Prova disso é a maqueta em cortiça criada pelo Museu Nacional Machado de Castro

que vai facilitar a visita dos deficientes visuais ao Criptopórtico Romano de Coimbra. Setor perdeu 28% das empresas Mas nem tudo são boas notícias. Entre 2000 e 2009, o setor da cortiça perdeu 28% das suas empresas, de acordo com os dados mais recentes da Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), que explica os números com a “perda efetiva de quota de mercado para produtos concorrentes na área dos vedantes para vinhos e o efeito da recessão económica iniciada em 2008”. Ainda assim, Portugal continua líder no mercado mundial da cortiça, com 61,3% da quota e sete em cada dez rolhas vendidas são fabricadas cá. A balança comercial foi de 662 milhões de euros em 2010, sendo os franceses, os norte-americanos e os espanhóis os principais clientes. A exportação é composta, sobretudo, pelas rolhas (70%) e materiais de construção (23,4%). Relativamente à área de investigação e desenvolvimento, a APCOR refere que a indústria corticeira atraiu investimentos de 482 milhões de euros nos últimos 10 anos, sendo que conta já com 44 processos de concessão de patentes de invenção nacional e 13 associados a patentes de invenção europeia.

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HOTELARIA José Luiz Moreira

“POSICIONARMO-NOS COMO UM PRODUTO ÚNICO NO MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL” 50/FRONTLINE


HOTELARIA José Luiz Moreira

por Nuno Carneiro

Em plena serra da Estrela, bem no interior do parque natural, descobrem-se verdadeiros refúgios de montanha, propriedade da Turistrela Hotels & Resorts. Hotéis, chalés, esqui, natureza e saúde proporcionam estadas únicas e memoráveis. José Luiz Moreira é o grande responsável pelo sucesso alcançado. Com uma carreira longa na área da hotelaria, no seu currículo está bem presente a sua vasta experiência internacional, tendo passado por São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Cancún, Buenos Aires e Panamá, mercados onde exerceu funções ligado à Caesar Park Hotels & Resorts. De referir ainda o cargo que desempenhou como regional manager do Crown Plaza, em Atlanta, nos EUA, e no Brasil. Para José Luiz Moreira, “é uma experiência fantástica trabalhar com pessoas, desenvolver novas metodologias e estratégias, alcançar e superar objetivos”. Para si, realizar sonhos é uma “prioridade absoluta” em hotelaria e no turismo.

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HOTELARIA José Luiz Moreira

O que é a Turistrela? Quais são as suas principais valências? A Turistrela detém a exclusividade da exploração turística acima dos 800 metros na serra da Estrela, facto que, aliado à diversidade única da oferta – natureza, neve, gastronomia, localização geográfica –, permite, entre outros aspectos, posicionarmo-nos como um produto único no mercado nacional e internacional. Qual é a principal aposta da Turistrela? As unidades hoteleiras, o spa ou os desportos de inverno com a Estância Vodafone? A nossa principal aposta é feita na qualidade, seja dos produtos, seja do serviço. Complementaridade com qualidade é o nosso caminho nas diferentes estações do ano. Quais são as principais unidades hoteleiras? O Hotel Serra da Estrela é único pela sua localização e características, assumindo-se como um verdadeiro hotel de montanha. A base da sua decoração assenta

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na utilização de produtos locais nobres, como a madeira e o xisto. Outra das opções são os Chalés de Montanha, que, como os definem os nossos hóspedes, são a sua residência de montanha, uma vez que possuem infraestruturas de autonomia para uma estada única. O Hotel dos Carqueijais, que goza de uma localização privilegiada sobre o vale, conta com uma vista espetacular e uma decoração mais contemporânea. Acrescento que somos os únicos hotéis em plena serra e dentro do Parque Natural da Serra da Estrela. Qual é a taxa média de ocupação ao ano? Entre 70 e 80%, variando sempre conforme a temporada de neve. Qual a unidade que mais aprecia? Porquê? O Hotel Serra da Estrela, tanto pela sua localização – nas Penhas da Saúde –, permitindo desfrutar do melhor ar que se respira em Portugal, como pela sua decoração única, de hotel de montanha, algo único em Portugal.


HOTELARIA José Luiz Moreira

Tendo a serra da Estrela feito uma grande aposta em termos de turismo, está a existir o retorno esperado? Têm alcançado os apoios necessários? O retorno nunca é o ideal, pois queremos sempre mais, e isso motiva-nos a superar metas. Contudo, temos também diferentes apoios através de diversas entidades, exatamente pela nossa localização, em pleno parque natural, no ponto mais alto de Portugal. É graças a estes diferentes apoios, esforços de muitos e visão de alguns, que estamos onde nos encontramos. O que é que a serra da Estrela tem para oferecer aos visitantes? Além da neve, temos a altitude e o ar puro como cartão de visita. Não é por acaso que os atletas de alta competição desenvolvem o seu rendimento estagiando connosco, tal como fez a nossa seleção de futebol antes do último campeonato do mundo. Temos ainda para oferecer várias vertentes de experiências de montanha e natureza nas diferentes estações do ano, algo único

em Portugal. De referir ainda as instalações de que dispomos para reuniões e eventos, seja nos nossos salões, seja ao ar livre. Acrescento a maravilhosa gastronomia, bem como a história, de que são prova os nossos castelos e aldeias históricas e o património judaico em Belmonte, presente nos museus e na sinagoga. O que falta ainda fazer para dar a conhecer melhor o destino Serra da Estrela? Falta, sobretudo, integrar definitivamente a oferta turística nacional. Num país com a nossa dimensão, com praias, cidades com história e roteiros fantásticos, é necessário divulgar mais as experiências de natureza com desportos de inverno na neve. Isto só se faz com estratégias e ações conjuntas, uma vez que juntos podemos fazer mais. Há que mudar algumas mentalidades e atitudes, e talvez o momento que estamos a viver, com todas as al-terações a que a conjuntura obriga, possa ser a oportunidade a nível nacional. É necessário menos teoria e mais ação, trabalhar e produzir mais, com melhor estratégia e mais objetividade.

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HOTELARIA José Luiz Moreira O que fazem para contrariar a sazonalidade deste destino e o facto de muitos portugueses preferirem fazer as suas férias de neve noutros destinos? Diversificamos a oferta para além da neve, aumentando as pistas e permitindo o seu uso para além do inverno. Desenvolvemos muito também o turismo de natureza e o ar puro em altitude, único para a saúde. Temos desenvolvido novos mercados, como é o caso do Brasil, que está em pleno crescimento.

PRIMEIRA PESSOA Estão já a sentir os efeitos grande crise económica que atualmente enfrentamos? Não partilho desta visão de crise e costumo dizer que não existe crise alguma. O que temos é uma completa mudança a todos os níveis, seja social, política ou económica. Devemos é, mais do que nunca, trabalhar mais e menos teoria, trabalhar em conjunto, (associativismo) parcerias e encontrar novas soluções e alternativas. Como sempre repito, devemos fazer parte da solução e não do problema. Juntos podemos fazer mais e melhor, vamos fazê-lo.

JOSÉ LUIZ MOREIRA Viagem inesquecível?

Quénia Hotel de sonho?

Hotel Copacabana Palace Restaurante preferido?

Mezzaluna Carro de sonho

Quais são os principais desafios de um diretor-geral de operações? E dificuldades? Num mundo em mudança, é uma experiência fantástica trabalhar com pessoas, desenvolver novas metodologias e estratégias, e alcançar objectivos. A hotelaria, mais do que nunca, vende sonhos aos nossos clientes, e realizar esses sonhos deve ser a nossa prioridade absoluta.

Bentley Um livro que tenha lido mais do que uma vez

O Mundo É Plano, de Thomas L. Friedman Teatro ou cinema?

Teatro A Turistrela conta com uma equipa de quantos elementos? Pelo que já disse, temos uma marcante sazonalidade que também abrange a área de recursos humanos. Vamos normalmente de 100 associados a, muitas vezes, o triplo. O que podemos esperar no futuro? Digo, geralmente, que nós fazemos o nosso próprio futuro. Como dizia Kennedy: “Mudança é a lei da vida. Aqueles que só olham para o passado ou presente, é certo que perderão o futuro.”

Champanhe ou caipirinha

Champanhe Uma máxima

Ser feliz Férias na praia ou na cidade?

Praia Cidade da sua infância

Coimbra Sente saudades de...

De um tempo que há-de vir. Viveu tudo o que queria?

Não... há muito para viver Figura pública que admira

Winston Churchill

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ESPECIAL Férias na neve

VODKA OU CACHAÇA? por Patrícia Vicente

Trazendo um pouco do calor brasileiro para o mercado europeu e africano, a Polistrade apresenta a Caipi One, a caipiroska autêntica e pronta para beber. Esta é uma bebida com um sabor inigualável que certamente fará as delícias dos apreciadores. Para os que preferem um sabor um pouco diferente, nada melhor do que juntar um pouco de vodka. 56/FRONTLINE


ESPECIAL Férias Caipi na neve One

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ndependentemente da altura do ano em que nos encontremos, a caipirinha é, sem dúvida, uma das bebidas mais apreciadas em Portugal. Seja numa saída à noite com os amigos, numa festa ou simplesmente numa refeição, são muitos os que não dispensam a companhia de uma bebida bem conhecida no Brasil. Porém, são também muitos os que gostam de inovar, e para esses nada melhor do que, em vez de cachaça, juntar um pouco de vodka. Esta é uma mistura explosiva e deliciosa, perfeita para saborear em qualquer ocasião. Criada com o intuito de inovar e criar produtos para um novo tipo de consumidor, a Natural Drinks lançou no Brasil a Caipi One, que se encontra disponível em vários sabores, com cachaça ou vodka, e que chega também agora a Portugal.

Uma explosão de cor e sabor Apresentando uma mistura especial de fruta e uma cor sedutora e provocante, a Caipi One de frutos silvestres é elaborada a partir de uma escolha cuidada de amoras, mirtilos e framboesas, combinados com porções equilibradas de vodka, o que lhe confere um sabor adocicado e verdadeiramente irresistível. Recuperando o sabor genuíno da afamada bebida brasileira, a Caipi One de lima é feita a partir de sumo e fatias de lima, açúcar e vodka.

Deliciosamente refrescante e com uma cor fantástica, a Caipi One de morango é feita com pedaços de morangos selecionados, cultivados com plantas importadas do Chile e da Argentina. Apresentando a quantidade adequada de açúcar e de vodka importada da Polónia, cria o equilíbrio perfeito entre o desejo e o prazer. De um amarelo luminoso e com pequenas grainhas negras, cheias de sabor e alegria, a Caipi One de maracujá revela-se sedutora e saborosa e pode ser saboreada com cachaça ou vodka. A nova caipiroska de coco é feita com pedaços de coco natural, sumptuosamente conjugados com porções exatas de açúcar e vodka. Esta é uma combinação diferente a que, certamente, ninguém resistirá. Igualmente diferente é a Caipi One de lichias, elaborada com fruta natural a que se juntam açúcar e vodka. O resultado é uma combinação única. Numa mistura explosiva de lima e morango, esta nova Caipi traz um pouco do Brasil para o copo dos portugueses. Num cocktail amarelo vibrante, que contém polpa de fruta de lima e maracujá e a dose certa de vodka e açúcar, descobre-se a companhia perfeita para grandes momentos. A aposta A Caipi One é comercializada pela Polistrade, uma empresa portuguesa criada com o objetivo de levar à mesa dos brasileiros produtos originários da rica e conceituada gastronomia portuguesa. O sucesso das exportações foi tal que surgiu a oportunidade de descobrir novos produtos e igualmente novos mercados. Assim, a Polistrade descobriu o sabor inigualável da Caipi One e a oportunidade de parceria com a empresa brasileira, para distribuir, em exclusivo, este produto no mercado europeu e africano.

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BOLSA IMOBILIÁRIA by Sotheby’s Realty

SUPERB PENTHOUSE CASCAIS Preço: € 3.000.000 Referência: 4000025906 Tel. 919 228 919 Esta penthouse, com uma vista única de mar, situa-se num condomínio privado junto aos jardins do Casino Estoril. As suas áreas, amplas e nobres, oferecem muita luminosidade e excelentes acabamentos, bem como linhas contemporâneas.

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BOLSA IMOBILIÁRIA by Sotheby’s Realty

LUXURY & SPACE VILA SOL, ALGARVE Preço: € 1.250.000 Referência: 4000022331 Tel. 919 228 919 Situada dentro de um empreendimento de luxo, o Vila Sol Golf & Spa Resort, esta imponente moradia, recentemente acabada, conta com quatro espaçosos quartos, igual número de casas de banho e cave, que tanto se pode destinar a uma sala de cinema ou, em alternativa, a mais um quarto. Existe ainda um hall de entrada, uma cozinha totalmente equipada com a marca Küppersbusch, duas suítes, uma ampla área de estar e jantar com lareira e acesso direto ao jardim e piscina. No primeiro andar, as duas suítes dispõem de terraço. No exterior, descobre-se um jardim, piscina, zona de chuveiro e barbecue. Os proprietários desta moradia podem também usufruir do campo de golfe do empreendimento, com 27 buracos e soberbamente mantido, que tem a sua própria academia, club house, restaurante, loja de golfe e court de ténis profissional. O Vila Sol Golf & Spa Resort oferece ainda um hotel de cinco estrelas, galeria de arte, spa, clube infantil e área comercial com cafés, lojas e restaurantes, pelo que às vantagens dos proprietários acresce o acesso ilimitado a todas as zonas comerciais e instalações de lazer.

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BOLSA IMOBILIÁRIA by Sotheby’s Realty

BUENOS AIRES LAPA Preço sob consulta Referência: 4000025513 Tel. 919 228 919 Fantástico prédio de traça antiga, na rua principal da prestigiada zona da Lapa, em pleno centro de Lisboa. Com estilo nobre e uma vista única de 360º sobre a cidade de Lisboa, é um prédio para investimento, já com projeto aprovado para apartamentos de tipologias T2 a T4 dúplex.

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LES AIRELLES Le Jardin Alpin, Courchevel Fr 73120, Courchevel Franรงa Tel. 0033 0 479 00 38 38 Fax 0033 0 497 00 38 39 Website www.airelles.fr E-mail info@airelles.fr

UM IMENSO

MANTO BRANCO

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Inserindo-se na magnífica paisagem dos Alpes franceses, entre flocos de neve e pistas de esqui, o hotel de charme Les Airelles derrete verdadeiramente emoções. Atreva-se a descobri-lo.

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inverno apela à neve e isso invariavelmente remete-nos ao coração da Europa, à cordilheira que se estende por vários países, entre os quais a França. É num lugar branco e mágico que se descobre Courchevel, uma instância marcada pelas suas altitudes em metros. Quanto mais alto se chega, mais se conquista em termos de exclusividade, e Courchevel 1850 torna-se no destino predileto dos que gostam de chalés e hotéis de luxo. Aqui prevalece o misticismo e a tranquilidade de uma paisagem conquistada por uma natureza intacta, que, ao cair dos primeiros nevões, chama pelos amantes de desportos invernais, dos quais o esqui é sem dúvida o mais suave. Les Trois Vallées reina como palco para os praticantes do esqui, já que oferece cerca de 200 teleféricos e mais de 600 km de pistas no seu total. O hotel de charme Les Airelles encerra a autenticidade, estilo e hospitalidade inerentes aos chalés do passado com as tradicionais madeiras, mas responde, perante a atualidade, com as mais recentes tecnologias.

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Embrulhada no mais puro dos brancos, a paisagem que prevalece nos Alpes franceses é de uma tranquilidade quase mágica. Tudo mantém o carácter encantado, afastado da grande azáfama urbana, convidando as pessoas a aproximarem-se da natureza de uma forma harmoniosa. Estada no topo da montanha Para se manter como o hotel de charme mais tradicional e badalado de Courchevel, o Les Airelles soube reinventar-se de maneira a guardar este privilégio. Para além das suítes e dos quartos acolhedores e reconfortantes, conta também com a ampliação do espaço total com a aquisição da casa privada de esqui, o chalé Ormello. Num local em que as pistas de Bellecôte estão a poucos passos, este renovado chalé oferece cinco pisos de luxo inquestionável, conforto ímpar e uma infinidade de acomodações modernas, como piscina, jacuzzi e até sala de cinema. É este o cenário que está preparado para receber as famílias


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ou grupos de amigos que anseiam por uns dias de esqui intenso e, em simultâneo, um descanso sem igual. A decoração, em cada um dos pisos, não deixa de parte o seu lado mais tradicional assente nas madeiras, enfatizando o conforto que é requerido nos resorts de neve. O andar térreo possui uma sala espaçosa, cozinha e três suites, e no primeiro andar, com um toque mais agradável, as duas suítes têm lareira para os serões mais frios. O piso superior é talhado pela área lounge com lareira, sala de jantar, uma segunda cozinha e ainda uma vista pitoresca para as montanhas da região de Sabóia. O ambiente mantém-se sempre rústico, marcado por elementos elegantes da nova moradia e complementado com uma iluminação suave e tecidos ricos. O chalé Ormello integra-se na perfeição naquele que é o conceito Les Airelles: um serviço acolhedor com a imposição do luxo em todos os aspetos da estada.Assim, todos os quartos e suítes têm uma decoração própria com pormenores exclusivos, como nos quartos de banho, onde os azulejos são pintados à mão e os lavatórios foram especialmente desenhados para o hotel. As suítes, mergulhadas em temas,

possuem fontes de água, teto de madeira antiga esculpida, obras de arte em ferro forjado, permitindo que o Les Airelles tenha este eterno testemunho de qualidade, sendo sempre agradável para os hóspedes. Condições perfeitas para esquiar A neve é de uma presença tão natural como os dias de sol no verão português. Este manto espesso e de uma brancura incomensurável acompanha todas as vistas no topo da montanha. Em Courchevel não é certamente diferente, e mesmo que o tempo decida sabotar alguns metros de neve, esta é garantida durante todo o ano graças aos canhões de neve artificial que preenchem as lacunas, pelo menos nos meses mais altos de dezembro a abril. Acrescenta-se, neste lugar mágico, o facto de existirem trilhos bem desenhados pela floresta, ficando a sensação de que é preciso mais do que uma mera semana para conhecer integralmente esta área. Actividades como snowboard, esqui, parapente, escalada ou até mesmo heli-esqui, em que o praticante é transportado para locais inacessíveis por terra, para se aventurar numa

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descida abismal, são propícias na montanha de pistas quase sem fim. O hotel Les Airelles permite, de forma segura, que todos os hóspedes tenham o prazer de invadir a neve e de se aventurar em descidas nas mais diversas pistas, disponibilizando um atendimento preciso. Nessas funções, guarda-lhes o equipamento de esqui e proporciona-lhes o acesso direto às pistas. Um lugar mágico O espaço de restauração Pierre Gagnaire, acentuado pela cozinha única de Pierre e decoração igualmente apelativa, é dedicado à imperatriz Sissi. A este acrescenta-se o indispensável restaurante do hotel, Le Table du Jardin Alpin, onde o chef se concentra na criação dos pratos de cozinha burguesa tradicional, carimbados com um selo de autenticidade. O Terrasse des Airelles corresponde a desfrutar de pequenos-almoços agradáveis, cujo menu se divide por um buffet rico e diversificado, onde reinam os pequenos deleites das sobremesas. Mas se é por especialidades regionais que procura, Le Coin Savoyard coloca-lhe à mesa os queijos mais tradicionais e carnes cozidas em fogo de madeira. O hotel Les Airelles, contudo, divide as suas atenções para com outros prazeres. Há um lugar que merece um olhar mais atento, especialmente depois de um dia intenso em

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cima dos esquis a desbravar pistas repletas de neve, falamos do Spa Valmont. Banheiras de hidromassagem, duche de jato aromático, sauna e hammam são apenas alguns dos mimos de que se pode usufruir neste spa, para além da gama de tratamentos com assinatura Valmont. Uma sala de fitness também faz parte deste santuário, que integra o sistema pessoal de Kinesis e, ainda, o igualmente inovador Snow Cave. Aqui, atreva-se a saltear entre as duas saunas com arrefecimento, criando uma nova abordagem ao conceito de purificação do corpo. Osteopatas e fisioterapeutas são essenciais numa estância de esqui, dada a facilidade com que se escorrega na neve, sendo por isso possível contar com o seu serviço. E se pensa que já atingiu todo o atendimento imaginado, engana-se. Tanto para as senhoras como para os senhores, cuidar do cabelo não é algo irreal, pois está à disposição um cabeleireiro e barbeiro. Quanto às crianças, o reino da brincadeira está à sua espera no espaço The Children’s Kingdom, para que a diversão não termine ao abandonar a neve lá fora. Courchevel, um destino associado ao prazer de férias na neve, tem o seu pico mais alto aos 1850 metros. Sinónimo de prestígio, nas suas encostas sobressaem as moradias mais privadas e os hotéis de luxo. Quando cai a noite, acendem-se as luzes e a cidade ganha uma nova vida nos seus bares e restaurantes sempre bem frequentados.


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“As minhas metas são ambiciosas. O Holmes Place ajuda-me a alcançá-las.” SIMÃO MORGADO, nadador

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QUE CARRO QUEREM AS MULHERES? Pergunta difícil, mas não impossível, sobretudo quando a Mercedes-Benz tem no mercado opções para todos os estilos e gostos. Qual prefere? Um familiar de luxo como o Classe E Station? Um desportivo como o CLS? Ou um novíssimo SUV como o Classe M? FRONTLINE/69


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que é que as mulheres querem? Aí está uma pergunta para a qual milhares de homens por esse mundo fora procuram a resposta. Agradar ao sexo feminino nem sempre é fácil, já o sabemos. As mulheres são exigentes, ligam a pormenores que o sexo masculino nem sonha que existem, gostam de estilo, conforto, personalidade. Perceber de que forma se lhes pode agradar quando toca a carros é ainda mais difícil. Isto se não estivermos a falar da Mercedes-Benz, porque nesta marca de automóveis as opções para o sexo feminino são muitas e difícil, difícil, será escolher. Mas qual será o carro que as mulheres mais procuram? Depende da mulher, claro está. Se for uma mãe de família, vai preferir muito provavelmente a nova carrinha Classe E Station, que combina a elegância do design e materiais de elevada qualidade com sofisticadas tecnologias e um espaço alargado de carga para alojar todos os brinquedos das crianças e para acomodar vários filhos. Já uma mulher independente, solteira e bem sucedida na vida, preferirá um desportivo, cheio de arrogância e estilo, como é o caso do novo CLS. Ou então uma

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vertente combinada destas duas mulheres, que, ainda por cima, goste de carros robustos e altos como um SUV, optará possivelmente pelo novo Classe M. Para ajudá-la a escolher, nada como dar a conhecer cada um destes modelos. Station para toda a família A nova Classe E Station tem design de última geração e é uma das maiores carrinhas do seu segmento (comprimento/largura/altura: 4895/1854/1512mm). O design exterior é definido por linhas acentuadas e perfil atlético de uma secção dianteira em cunha que prossegue até à traseira imponente, a qual engloba um amplo compartimento de carga com 1950 litros de volume (com os bancos rebatidos).Tem também um sistema de gestão do compartimento de carga Easy-Pack, com superfície de carga reclinada e uma tampa da mala que se aciona eletromecanicamente (abre-se com o premir de um botão na porta do condutor, na tampa da mala ou através da chave de ignição e fecha-se através de um interruptor instalado na própria tampa). É ainda possível rebater os encostos dos bancos traseiros


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a partir do compartimento de carga, deixando de ser necessário ajustar previamente os apoios de cabeça e os assentos. Em combinação com o segundo nível da superfície de carga, está igualmente disponível o kit de fixação Easy-Pack, que através de uma barra telescópica e de calhas permite configurar vários compartimentos de carga. Opcionalmente, poderá ganhar uma terceira fila de bancos e transportar até sete pessoas. Um dos extras opcionais da Station são os bancos dianteiros multicontorno ativos, que proporcionam um otimizado apoio ao condutor e acompanhante. Câmaras de ar reguláveis individualmente podem adaptar-se à estatura de cada um dos ocupantes e os contornos laterais ajustam-se automaticamente e de forma dinâmica a cada situação de condução. Para exagerar no conforto, os engenheiros da Mercedes-Benz equiparam-no ainda com uma dinâmica função de massagem de sete zonas, apoios de cabeça Neck-Pro dianteiros e ajuste pneumático da profundidade dos assentos, do contorno lateral e do apoio lombar. Entre os destaques desta carrinha elegante da Mercedes, temos também o sistema Attention Assist, cujos sensores

extremamente sensíveis controlam, constantemente, mais de 70 parâmetros diferentes, ideal para mamãs cansadas com os filhos a fazer barulho no banco de trás. A Station traz ainda faróis que se adaptam às condições de tráfego, sistema de travagem de emergência automática, sistema de controlo da distância e nove airbags. Depois, temos também o interior da nova Station do Classe E, onde as madeiras nobres e o equipamento Elegance e Avantgarde lhe dão um toque exclusivo e permitem diversas combinações com equipamentos opcionais. Um desportivo para as independentes Do familiar passamos para o desportivo. O CLS é sinónimo de dinâmica e elegância, com afinação desportiva do chassi e direção direta. O CLS 350 CDI tem um motor diesel mais potente, mais económico e mais limpo, graças à mais recente tecnologia da Mercedes-Benz que lhe dá potência, mas ao mesmo tempo é silencioso e impressiona pelo otimizado valor de emissão e consumo. Esta versão tem uma caixa automática de sete velocidades 7G-TRONIC, que permite engrenagens mais suaves e sal-

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tar mudanças ao reduzir velocidade, conseguindo assim um nível de consumo de combustível e emissões de gases mais baixo. No interior, os bancos desportivos são multicontorno (opcionais), ajustáveis eletricamente e com apoio lateral, climatização automática Thermotronic de quatro zonas, estofos em pele, rádio áudio 20 CD com teclas para telefone, oito altifalantes, volante multifunções e sistema de manutenção Assyst Plus com computador de manutenção. Graças aos componentes eletrónicos, o sistema de travagem eletro-hidráulico reage com precisão e rapidez. SUV? Porque não? E quem disse que os jipes não podem ser femininos? Basta olhar para o novo SUV da Mercedes-Benz para perceber que essa ideia é totalmente falsa. O Classe M é bonito por fora e por dentro, além de ser extremamente económico para um carro do género. Com um inovador motor a diesel BlueTEC, utiliza menos combustível e produz emissões bastante baixas, ainda que tenha um binário elevado e suavidade de funcionamento.

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Seis anos depois do lançamento do primeiro modelo, o novo M é mais tecnológico do que nunca, mais espaçoso, confortável e funcional. Com madeiras e revestimentos nobres no interior, associados a um painel de instrumentos dominado pelo equilíbrio de proporções e organização funcional da consola central, este SUV tem uma fileira de pequenas luzes âmbar ao longo do tablier, conjugadas com a iluminação dos puxadores das portas, que lhe conferem um charme único. Ao dispor de cinco lugares individuais, é também uma excelente opção para a família, sem descurar os elementos desportivos, como diversos detalhes cromados ao longo da carroçaria ou rodas que vão até às 21 polegadas. Nos destaques tecnológicos, temos o assistente de visão noturna com deteção de peões, ideal para as mais distraídas, ou o sistema de ajuda à visibilidade no ângulo morto e, claro, algo que dá sempre jeito a qualquer senhora: o Park Assist, um auxílio ao estacionamento. A Mercedes-Benz reforçou a sua quota de mercado em Portugal, tendo atingido um valor recorde de 4,6% em 2011. A família do Classe E foi a mais procurada, tendo-se vendido 562 unidades Station.


ON THE ROAD SuzukiActiveHybrid Swift Mercedes Classe C Coupé BMW 5

ESPECIALMENTE EFICIENTE A BMW continua a desenvolver sistemas de acionamento híbridos inteligentes e alarga a gama de modelos com mais uma viatura de série, na qual a ação conjunta de um motor de combustão com um motor elétrico contribui não só para mais eficiência, como também para um prazer extra no que à condução diz respeito. O BMW ActiveHybrid 5 combina, pela primeira vez, um motor de seis cilindros em linha BMW TwinPower Turbo com um motor elétrico e uma caixa automática de oito velocidades. Para além disto, a mais recente geração da tecnologia ActiveHybrid da BMW abrange, ainda, um sistema de gestão de energia inteligente controlado com precisão e, por isso, especialmente eficiente. Este ajuda o BMW ActiveHybrid 5 a obter uma excelente relação entre performance e consumo de combustível, o que o transforma num automóvel demarcadamente favorável no segmento premium da classe média superior. O sistema de acionamento cria um débito do sistema de 250 kW/340 cv. Este viabiliza uma condução puramente elétrica até

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60 km/h durante 3 a 4 km, permitindo uma aceleração em 5,9 segundos dos zero aos 100 km/h, reduzindo o consumo de combustível para valores médios entre 6,4 e 7,0 litros a cada 100 km, bem como as emissões de CO2 para 149 a 163 g/km (valor de acordo com ciclo de teste EU, em função do formato de pneus selecionado). O seu potente motor de seis cilindros em linha, de 225 kW/306 cv, com tecnologia BMW TwinPower Turbo, corresponde ao motor do BMW 535i, conhecido pelo prazer de condução, força de tração e eficiência. O motor eléctrico debita 40 kW/55 cv e é alimentado com energia por uma bateria de iões de lítio de alto rendimento integrada na bagageira. A força de ambos os motores é transmitida às rodas traseiras através da caixa automática de oito velocidades. Para além da sua característica inteiramente híbrida, que possibilita uma condução puramente elétrica e, por isso, localmente livre de emissões no trânsito urbano, o BMW ActiveHybrid 5 apresenta não só performances muito desportivas, como uma economia de consumo na ordem dos 16% comparativamente ao 535i.


ON THE ROAD Audi BMW A6 Allroad Série 3 Quattro

MODELO TALENTOSO As duas primeiras gerações do Audi A6 Allroad Quattro, lançadas em 2000 e 2006, respetivamente, foram autênticas vencedoras em todos os sentidos, sendo que a marca espera agora um sucesso similar com a terceira geração. Considerado universalmente como um modelo talentoso, o novo A6 Allroad Quattro amplia a gama de utilização para o A6 Avant, porque quando o asfalto acaba, esta versão está pronta para enfrentar uma condução fora de estrada. Destaque para um desempenho melhorado e um consumo de combustível reduzido até 20%, em comparação com o modelo anterior. O novo Audi A6 Allroad Quattro possui um comprimento de 4,94 metros, uma largura de 1,90 metros e uma altura de 1,47 metros, valores maiores, em alguns milímetros, do que a versão Avant. Foi utilizado o mesmo processo de construção ultraleve e híbrida da limusina, com os componentes em alumínio a representarem cerca de 20% da carroçaria. Em termos de peso total, este foi reduzido em cerca de 70 quilos, em comparação com o modelo anterior. O interior do Audi A6 Allroad Quattro oferece uma generosa abundância de espaço, graças à longa distância entre eixos de 2,91 metros. O modelo apresenta, assim, um design elegante, ergonomia exemplar e acabamentos de qualidade superior. Uma função que descreve todas as funções do veículo foi adicionada ao sistema MMI, cujas teclas de comando são brilhan-

tes e em alumínio. O sistema MMI está incluído no equipamento de série, assim como o computador de bordo com programa de eficiência. Um pacote abrangente de sistemas de retenção ajuda a atenuar as consequências de um acidente. Em termos de aspetos visuais, destaque para o revestimento e para o painel de instrumentos, sendo abundante a tonalidade preta em todo o interior. Outros detalhes de requinte no habitáculo são, por exemplo a cor “Santos Brown” e as inserções de alumínio opcionais. As guarnições das embaladeiras das portas são também de alumínio com o logótipo “allroad”. O compartimento de bagagem do novo A6 Allroad Quattro tem uma capacidade de 565 litros.

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ON THE ROAD Mini Countryman Laguna Coupé

UM DESPORTIVO ECONÓMICO Três anos após a sua comercialização, o Laguna Coupé adquire agora um estilo ainda mais desportivo, graças à integração dos faróis diurnos de LED – de série em todas as versões – e da nova gama de jantes em liga leve de 17’’, de série logo a partir do primeiro nível de equipamento. No novo Laguna Coupé, a versão GT 4Control passa a disponibilizar a oferta do teto panorâmico negro (em qualquer cor da carroçaria), que até agora estava reservada à série limitada Monaco GP. O estilo mais desportivo deste Laguna Coupé alia-se perfeitamente à existência, em todas as versões, do sistema 4Control de quatro rodas direcionais. O sistema, unanimemente elogiado pela imprensa pela sua eficácia, confere-lhe um comportamento dinâmico de exceção e, em simultâneo, um elevado prazer de condução e uma segurança sem paralelo. Por baixo do capô, o novo Laguna Coupé recebe três variantes do reconhecido motor 2.0 dCi da Renault. O bloco M9R estará disponível com as potências de 150, 175 e 180 cv, todas equipadas com filtros de partículas. O motor dCi 175 estará

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disponível unicamente associado à caixa de velocidades automática de seis relações. O novo motor Energy dCi 150 beneficia dos 35 anos de presença da marca na Fórmula 1, que possibilitaram o desenvolvimento de novas tecnologias agora aplicadas nos motores de série. Equipado com os sistemas Stop & Start e Energy Smart Management (ESM), o motor Energy dCi 150 apenas emite 118 g CO 2. Ou seja, é visível uma redução de 13% face à versão anterior. As versões de 175 e 180 cv apresentam também uma redução de, respetivamente, 9 e 6 gramas de CO 2, graças à generalização do ESM no motor M9R. Com um consumo de 4,5 litros/100 km, menos 0,6 litros/100 km que a geração anterior, e um elevado binário de 340 Nm, o novo Laguna Coupé, equipado com o motor Energy dCi 150, prova que um desportivo pode ser, ao mesmo tempo, económico e respeitador do ambiente. Tal como acontece com toda a gama, este modelo beneficia da garantia contratual de cinco anos ou 150.000 km.


PROPOSTA Homelidays

PRAIA DA GALÉ ALGARVE Referência: 353211 Preço: de 1000 € a 4000 € por semana Website: www.homelidays.com Terminada em março de 2011, esta casa com 360 metros quadrados de superfície habitável dispõe de quatro suítes, uma cozinha americana, quatro casas de banho, sala de estar e de jantar e varanda. No exterior descobre-se uma piscina privada com 5 metros de largura e 10 de comprimento, que está inserida num jardim com 200 metros quadrados. Existe ainda uma garagem e um barbecue em tijolo, para grelhados.

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PROPOSTA Homelidays

PRAIA DA LUZ ALGARVE Referência: 353211 Preço: de 1000 € a 4000 € por semana Website: www.homelidays.com

As duas salas de estar existentes convidam a uma estada repleta de conforto e requinte. Sente-se nos deliciosos sofás ou descanse numa chaise-longue enquanto contempla a piscina, o jardim e o oceano. Prove as iguarias do mar na sala de jantar interior, iluminada com a luz natural que entra pela parede de vidro que se estende ao longo de todo o espaço, ou aproveite o bom tempo e demore-se em longas refeições no alpendre. Na sala de jogos, ponha em prática os seus conhecimentos de snooker, a sua perícia em matraquilhos ou a habilidade no pingue-pongue. Relaxe na zona de estar ou desafie os amigos na mesa de jogo. Nas casas de banho privativas há três banheiras de hidromassagem e duches revigorantes. Quatro quartos têm acesso ao terraço com vista sobre o mar e dois dão para um pátio interior com jardim. A cozinha está totalmente equipada e a garagem tem espaço para quatro carros.Tem vista sobre o mar e a falésia da praia da Luz, que fica a escassos dez minutos a pé.A simpática Vila da Luz (também a apenas dez minutos) serve iguarias do mar nos vários restaurantes com janelas para o oceano. Na praia há inúmeros desportos náuticos à disposição.

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PROPOSTA Homelidays

SAGRES ALGARVE Referência: 335300 Preço: de 500 € a 1680 € por semana Website: www.homelidays.com Com quatro assoalhadas e 150 metros quadrados de superfície habitável, esta casa, construída em 2010, tem capacidade para acolher até seis pessoas. À cozinha americana totalmente equipada, juntam-se as salas de estar e de jantar, as três casas de banho e os três quartos. No jardim, com 600 metros quadrados, encontra-se uma piscina privada, não aquecida, com 3 metros de largura e 7 de comprimento, bem como espreguiçadeiras para desfrutar de alguns momentos de pura evasão.

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CONSIDERAÇÕES NECESSÁRIAS O International Club of Portugal promoveu no passado dia 19 de janeiro, no Fontana Park Hotel de Lisboa, um almoço-debate com António Saraiva, o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP). Na palestra, subordinada ao tema “O Imperativo do Crescimento”, António Saraiva defendeu, perante uma audiência composta por líderes empresariais, embaixadores, jornalistas e personalidades dos mais variados quadrantes sociais e políticos, que o Governo não compensou as empresas com “medidas equivalentes” à redução da taxa social única (TSU), nem à retirada da meia hora adicional, con-

siderando que a proposta levada à concertação social não tinha eficácia real. O líder patronal pediu ainda “sensibilidade” para tornar Portugal mais atrativo ao investimento, como forma de esbater os aspetos que nos diferenciam negativamente. O evento terminou com um debate, aberto a todos os convidados, num ambiente multicultural e multinacional, que desde sempre tem sido marco forte nos encontros deste clube – espaço privilegiado de interação e networking para a troca de ideias informal, complementando a programação formal do evento.

| 1. António Saraiva | 2. António Saraiva e Manuel Ramalho | 3. Choi Man Hin e António Carmona Rodrigues | 4. Choi Man Hin, António Ruivo, Manuel Ramalho e António Carmona Rodrigues | 5. Abdool Vakil e António Saraiva | 7. Representantes das embaixadas da Tunísia, Luxemburgo e Áustria | 8. Ana Juma, Manuel Ramalho e Nuno Ramalho | 9. Susana Brito e Manuel Pombo Cruchinho | 11. Representantes da Embaixada do Panamá em Portugal | 12. Embaixador da Alemanha e José Ribeiro e Castro | 13. Carlos Medeiros, António Gonçalves e José Borges | 15. Maria da Conceição Correira, Gonçalo Coelho, Marta Correia e Susana Brito | 16. Mahomed Iqbal, Luiz Godinho Lopes e Manuel Ramalho | 17. Ana Bela César e Choi Man Hin | 18. Representantes das embaixadas da Nigéria e de Angola e Diogo Araújo | 19. António Saraiva, Ana Laia e Nuno Carneiro | 20. António Saraiva e Mário Patinha Antão

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SOCIAL Copacabana Palace

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FESTA, ALEGRIA E MUITO SAMBA Recordando as rainhas do Carnaval carioca, o Baile do Copacabana Palace foi mais uma vez um dos locais de eleição na noite de Carnaval. Numa festa marcada pela elegância e pelo glamour, a atriz Sheron Menezes foi coroada rainha da noite. Entre os convidados, destaque para nomes como Narcisa Tamborindeguy, Christian Louboutin, Christiane Torloni, Rodrigo Santoro, Gloria Maria e Donata Meirelles, entre muitos outros. Rosamaria Murtinho, também presente, usou a faixa de “rainha das atrizes” que recebeu em 1978.

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| 1. Sheron Menezes e Andréa Natal | 2. Andréa Natal, Nara e Philip Carruthers | 3. Jorge Salomão, Claudia Fialho e Alicinha Silveira | 4. Linda e Armando Conde | 5. Afonso e Betty Pinto Guimarães | 6. Mauro Mendonça e Rosamaria Murtinho | 7. Luiza Brunet, Márcia Veríssimo e Lígia Azevedo | 8. Mário e Giovanna Priolli | 9. Brunete Fraccaroli, Narcisa Tamborindeguy, Guilherme Fiuza e Nina Stevens | 10. Nizan Guanaes e Brunete Fraccaroli | 11. Marcelo Hicho e Sheron Menezes | 12. Alexandre Ibitinga e Márcia Veríssimo | 13. Narcisa Tamborindeguy e Amauri Jr. | 14. Ricardo Bruno e Tânia Caldas | 15. Christian Louboutin e Martinha Castilho | 16. Ricardo e Gisella Amaral | 17. Bruno Chateubriand, Donata Meirelles e Bruno Astuto


SOCIAL Copacabana Palace

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SOCIAL

Inauguração da sede da CPLP

NOVA SEDE A nova sede da CPLP – Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, em Lisboa, foi inaugurada recentemente pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, e pelo Vice-Presidente da República de Angola, Fernando da Piedade Dias dos Santos, que descerraram a placa de inauguração juntos. O ato teve lugar na presença de altas personalidades dos Estados-membros da organização. Realizou-se ainda um colóquio com o tema “CPLP – Uma Oportunidade Histórica”, no qual participaram antigos presidentes dos Estados-membros, como Jorge Sampaio, Joaquim Chissano, Pedro Pires e Mário Soares. 86/FRONTLINE


SOCIAL Gala Portugal Aplaude

CULTURA EM DESTAQUE

O Teatro Nacional D. Maria II recebeu, recentemente, a gala Portugal Aplaude, um espetáculo dedicado às artes, que distinguiu e reconheceu as personalidades ou iniciativas que mais marcaram o panorama cultural português em 2011. A sala Garrett abriu, assim, as suas portas para prestar tributo à cultura portuguesa em diversas áreas, nomeadamente música, cinema, dança, literatura, teatro e arquitetura. A gala contou com a presença de ilustres convidados que merecem o reconhecimento do público, como é o caso de Luísa Sobral, Gonçalo M. Tavares, António Chainho, o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, Olga Roriz, Sara Tavares, Aurea, Herman José, Francisco Menezes, Aldo Lima, Laurent Filipe, Mariza e Carmo, entre outros. Portugal Aplaude foi apresentada por Sílvia Alberto. FRONTLINE/87


SOCIAL Princesa da Tailândia

VISITA REAL A princesa herdeira do trono da Tailândia, Maha Chakri Sirindhorn, esteve recentemente em Portugal para inaugurar o pavilhão Thai, implantado em Belém, no âmbito das comemorações dos 500 anos de relações diplomáticas entre o seu país e Portugal. O pavilhão tailandês foi construído em Banguecoque e transportado de barco até ao Jardim Vasco da Gama, em Belém, numa viagem de poucos dias, talvez seguindo o mesmo percurso que os marinheiros portugueses fizeram há cinco séculos, quando pela primeira vez chegaram àquele país asiático. Dourado e com quatro aberturas, o pavilhão remete-nos para a cidade dos anjos, Banguecoque, e para o Mosteiro dos Jerónimos, obra que inspirou o arquiteto Athit Limmu e que acabou por representar o “símbolo da amizade” entre os dois países. O telhado foi coberto com placas que se assemelham à pele de um dragão ou às escamas de um peixe, enquanto os pináculos são anjos estilizados. Na parte de baixo, existe um quase varandim inspirado nas ogivas dos Jerónimos, em tons verdes. Porém, é o dourado a cor dominante, conseguida com mil finas folhas de ouro. A cerimónia de inauguração contou com a presença da primeira-dama portuguesa, Maria Cavaco Silva, e do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa. A princesa Maha Chakri Sirindhorn foi também recebida no Palácio de Belém pelo Presidente da República, Cavaco Silva. 88/FRONTLINE


RELÓGIOS Perrelet

PARA ELE E

PARA ELA

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Para quem procura algo diferente e original, a Perrelet, marca suíça de relógios de luxo, sugere dois modelos distintos. Para ele, o Turbine Erotic. Para ela, o Turbine XS.

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modelo Turbine Erotic, inspirado no estilo das criações Manga (histórias em quadrinhos no estilo japonês), explora todas as possibilidades lúdicas oferecidas pelo seu duplo rotor. Especialmente desenhado para esta edição limitada, o mostrador do Turbine Erotic é preenchido com ilustrações inspiradas em Hentai, o conhecido género de histórias para adultos da Manga. Por baixo das 12 lâminas, característica da coleção Turbine, podem ser vistas partes das personagens, quando as lâminas não estão a girar a grande velocidade. Criada em tons de preto e branco com um toque de vermelho, esta edição especial apresenta oito modelos com apenas 88 exemplares de cada referência, apresentando caixa de 44 mm em titânio ou aço com tratamento DLC para cada variante da esfera. O novo relógio Turbine XS está alojado numa caixa de 41 mm e é tão sedutor em aço inoxidável como em aço com tratamento DLC. As suas linhas curvas alternam com superfícies polidas e acetinadas, proporcionando um toque mais sensual. O mostrador inferior em pérola branco e preto permite apreciar uns magníficos raios de luz. Com o primeiro movimento da turbina, poderá ser apreciada a magnitude do seu impressionante e deslumbrante efeito. Devido à sensação produzida pela velocidade de rotação, o movimento da turbina tende a deixar de ser o centro da atenção, passando este para os 12 raios em pedras brilhantes que emitem milhares de brilhos. Enriquecido com uma misteriosa pulseira de cetim preto, ou pura e delicada em cetim branco, o Turbine XS encoraja o seu utilizador a viver a vida do jeito que quer, de um modo elegante e moderno, totalmente relaxado.

1 | Turbine Erotic 2 | Turbine XS 3 | Turbine XS Preços sob consulta.

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JOIAS Gilles

INSPIRADA NA NATUREZA Tendo ido buscar inspiração à natureza, a nova coleção Romance, da Gilles Fine Jewellery, apresenta peças femininas, trabalhadas numa diversidade de materiais.

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undada em 1992, a Gilles Fine Jewellery é uma marca joalheira portuguesa, jovem e dinâmica, mas com um know-how de longa data, uma herança que ficou das anteriores gerações da família Gilles. A primeira coleção da marca, The Love Collections, foi apresentada em 2007, seguindo-se, em 2008, Força e Carácter, uma linha inspirada na estrutura de uma árvore e nos conceitos, associados, de força e carácter. As criações singulares da Gilles têm sido reconhecidas com diversos prémios por parte das revistas da especialidade e líderes tanto em Portugal como em Espanha ou Itália. A última coleção, Romance, foi buscar inspiração à natureza, aos motivos florais, e conta com a dose certa de romantismo. As peças que a compõem são extremamente femininas e foram concebidas em diversos materiais, que enaltecem o glamour do ouro branco e dos diamantes. Ametistas, rubis e pérolas foram também utilizados nesta magnífica linha de joias. Recentemente, a marca deu mais um passo na direção do futuro, ao inaugurar mais uma loja, desta vez na Avenida da Liberdade, um local de excelência pelas marcas de luxo que acolhe. A abertura deste novo espaço insere-se no âmbito da expansão da Gilles, que a partir de agora passa a contar com quatro lojas e um atelier em Lisboa. A loja da Avenida da Liberdade disponibiliza, para além das coleções Gilles Fine Jewellery, relógios e joias de outras marcas de prestígio, como Franck Muller, Zenith, Porsche Design, Gucci – Timepieces and Jewellery, Hermès, Chronoswiss, Roberto Coin, Monseo, Stefan, Hafner, Gatto, Tag Heuer,Versace, Michael Kors, Pequignet, entre muitas outras.

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LIVROS

“Um dia tudo será excelente, hoje tudo corre pelo melhor,

A QUEDA DE WALL STREET Michael Lewis Lua de Papel

O CERCO DE KRISHNAPUR J.G. Farrell Porto Editora

CURA Robin Cook Europa-América

Com apenas 24 anos, Michael Lewis foi contratado pelo banco Salomon Brothers. Recebia centenas de milhares de dólares por ano mas não percebia nada de ações.Três anos depois bateu com a porta e escreveu o Liar’s Poker a relatar a sua experiência. E ficou à espera: tinha a certeza absoluta de que Wall Street, mais cedo ou mais tarde, iria cair com estrondo. Esperou mais de 20 anos. Em 2007, Michael Lewis descobriu uma série de investidores que estavam a apostar tudo justamente na queda do sistema.Todos eles colocaram uma questão: e se o preço das casas cair? O que acontecerá ao mercado do subprime? Provavelmente o maior best-seller de sempre sobre a atual crise, A Queda de Wall Street narra-nos a história dos visionários que previram a mudança de paradigma, e que ganharam milhões de dólares com isso.

Corre o ano de 1857. Na cidade imaginária de Krishnapur, a comunidade britânica resiste com bravura ao ataque lançado por um exército de indianos. No final do cerco, a cólera, a fome e os agressores mataram a maioria dos ingleses, e os que restam são forçados a alimentar-se de cães, de cavalos e, por fim, de baratas. Mas nunca perdem a habitual fleuma britânica: no meio do caos, o chá continua a ser às cinco e a luta pela sobrevivência prossegue, agora lançando mão dos luxuosos candelabros e violinos, as armas que restam para enfrentar a barbárie. Os episódios desconcertantes sucedem-se, num permanente desafio à mais fértil das imaginações... Esta é uma obra aclamada pela crítica internacional, vencedora do Man Booker Prize de 1973 e nomeada para Best of the Booker.

Agora que o neuroblastoma potencialmente fatal que tomou conta do seu filho parece estar em plena remissão, a médica legista de Nova Iorque Laurie Montgomery volta ao trabalho no Gabinete de Medicina Legal, onde trabalha há mais de duas décadas. Preocupada com a incerteza de ainda ter estofo para o seu trabalho ou não, depois da longa ausência, Laurie depara-se com um primeiro caso que é nada mais do que um puzzle altamente perigoso e da maior importância, que envolve o crime organizado e duas empresas recém-criadas de biotecnologia, num jogo de audazes. Apesar dos conselhos e avisos dos seus colegas e do seu marido, o também colega Jack Stapleton, Laurie está determinada a resolver o mistério que este caso representa.

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LIVROS

eis a nossa esperança; eis a nossa ilusão.” Voltaire (1694-1778, filósofo, escritor, poeta, dramaturgo, historiador francês)

UMA QUESTÃO DE ORGULHO Linda Carlino Editorial Presença

DINHEIRO DE SANGUE David Ignatius Bertrand Editora

O SENTIDO NA VIDA Susan Wolf Bizâncio

Carlos V tem sido considerado o maior imperador do Sacro Império Romano desde Carlos Magno, mas terá sido mesmo? Neste romance, a autora deixa-nos com uma visão bastante cética daquele que foi um dos homens mais poderosos da Europa no século XVI. Uma história de poder, paixão e arrependimento, onde encontra um elenco de personagens inesquecíveis que vai fazer o leitor rir ou chorar: amigos e família em cómicas confrontações lembrando Carlos; criados oferecendo as suas honestas opiniões; um narrador, no seu inimitável estilo “objetivo”, oferecendo-nos com frequência revelações bastante acusatórias, numa perspetiva mais completa e por vezes surpreendente dos acontecimentos recordados por Carlos…

Alguém no Paquistão anda a matar os membros de uma unidade de inteligência da CIA que tenta comprar a paz aos inimigos da América. Cabe a Sophie Marx, uma jovem agente, descobrir os culpados e as suas razões. O seu ponto de partida é Londres, mas a investigação não tarda a alargar-se a vários outros pontos do globo. Sophie parece ter um forte apoio de várias frentes, mas, à medida que se aproxima do cerne da questão, começa a perceber que nesta galeria de espelhos nada é aquilo que parece ser. Encontra-se perante um teatro de violência e vingança, do qual não poderia sequer ter imaginado o último ato. Um romance inquietante e envolvente, em que o preço das políticas adotadas é pago com sangue e a paz só é possível através da traição.

A maioria das pessoas, incluindo os filósofos, costuma classificar as motivações humanas em duas categorias: as egoístas ou altruístas, as interesseiras ou morais. Para Susan Wolf, porém, muitas das nossas motivações não se enquadram nestas categorias. Muitas vezes agimos por razões que não têm que ver com o nosso bem, com a noção de dever ou com o bem comum. Pelo contrário, agimos por amor para com objetos ou coisas que entendemos serem dignos do nosso amor e são estas ações que dão sentido à nossa vida. Susan Wolf defende que, a par da felicidade e da moralidade, este tipo de sentido constitui uma dimensão que caracteriza uma boa vida. Num estilo vivo e cativante, repleto de exemplos provocadores, O Sentido na Vida é uma reflexão profunda e original acerca de um tema que constitui uma preocupação constante da humanidade.

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EXPOSIÇÃO NACIONAL Fernando Pessoa: Plural como o Universo

VIAGEM

SENSORIAL FUNDAÇÃO GULBENKIAN ATÉ 30 ABRIL

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sta exposição, dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, a mostra apresenta um espaço repleto de poemas, textos, documentos, fotografias e pintura, onde se incluem raridades como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo autor. Nascida de uma colaboração entre a Fundação Roberto Marinho (Brasil) e o Museu da Língua Portuguesa de São Paulo, com o apoio da Fundação Gulbenkian, esta exposição já havia sido inaugurada em São Paulo, em 2010, e apresentada no Rio de Janeiro, em 2011. Em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, esta iniciativa assinala o Ano do Brasil em Portugal. Fernando Pessoa: Plural como o Universo compreende várias áreas. Uma delas é reservada à apresentação, em compartimentos delimitados, do ortónimo e dos quatro mais importantes heterónimos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Noutra parte, encontra-se uma recolha de textos, cuja tónica é mostrar como puderam conviver, no espírito de Pessoa, os heterónimos, os escritos autointerpretativos e todos os outros projetos que o poeta ia desenvolvendo, num processo dinâmico e simultaneamente solitário. A exposição inclui ainda documentos inéditos, pinturas e alguns objetos nunca antes expostos em Portugal. Os visitantes têm à sua disposição exemplares de toda a obra de Fernando Pessoa, quer em português quer traduzidos para outras línguas. Tudo para que esta mostra possa ser, também, uma oportunidade para a leitura ou releitura, num espaço pouco usual, dos múltiplos e diferenciados escritos do poeta.


EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL John Chamberlain: Choices

GUGGENHEIM Nova Iorque ATÉ 13 MAIO

PERCURSO CRIATIVO D

e 24 de fevereiro a 13 de maio de 2012, o Museu Guggenheim de Nova Iorque apresenta a exposição John Chamberlain: Choices, uma análise global do trabalho deste artista. Esta é a primeira retrospetiva apresentada nos Estados Unidos da América, desde 1986. Composta por cerca de uma centena de obras de John Chamberlain, a mostra examina o desenvolvimento do artista ao longo de uma carreira de 60 anos, explorando as mudanças de escala, materiais e técnicas. Os visitantes podem observar algumas das mais antigas obras de Chamberlain, como esculturas de ferro e trabalhos em espuma, acrílico e papel, que nunca tinham sido dadas a conhecer nos EUA. O título da exposição no Guggenheim presta homenagem ao processo criativo do artista, que privilegiava a seleção ativa, ou a escolha, e que se tornou fundamental para a sua prática. Nascido em Rochester, Indiana, em 1927, Chamberlain estudou pintura no Art Institute de Chicago (1951-52), e no avant-garde Black Mountain College (1955-56), perto de Asheville, Carolina do Norte. O seu trabalho começou a ser valorizado no final dos anos 1950, quando apresentou esculturas vibrantes concebidas a partir de peças de automóveis fora de uso. O seu expressionismo abstrato surpreendeu os críticos e capturou a imaginação de outros artistas. Chamberlain, por outro lado, também violou a proibição formalista, ridicularizando o uso da cor nas esculturas.

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MÚSICA

“A MÚSICA É CELESTE, DE NATUREZA DIVINA E DE TAL BELEZA QUE ENCANTA A ALMA E A ELEVA ACIMA DA SUA CONDIÇÃO”

SANTANA The Woodstock Experience Este conjunto de dois CD inclui os primeiros trabalhos de sempre de Santana: o disco de estúdio de 1969 e a atuação da banda em Woodstock, a 16 de agosto do mesmo ano, com temas nunca antes editados. A edição inclui ainda um poster exclusivo no interior.

BRUCE SPRINGSTEEN Wrecking Ball O lançamento do novo álbum de Bruce Springsteen, Wrecking Ball, está agendado para 5 de março em Portugal. Este é o 17.º álbum de estúdio e conta com 11 novas gravações de Springsteen, tendo sido produzido pelo próprio e por Ron Aniello, com a produção executiva de Jon Landau. Será também disponibilizada uma edição especial de Wrecking Ball, que inclui duas faixas bónus e artwork e fotografia exclusivos.

Aristóteles

EROS RAMAZZOTTI Best Love Songs Um ano depois do final da Ali e Radici World Tour e do nascimento da segunda filha, Raffaela Maria, Eros Ramazzotti lança Eros Best Love Songs, uma nova coleção que celebra o amor. Contém 32 dos temas de amor mais conhecidos do cantor italiano, incluindo êxitos como “Una storia importante”, “Stella Gemella”, “Più bella cosa” e o novo single “Inevitabile”, que conta com a participação da cantora italiana Giorgia, entre muitos outros sucessos. Este álbum duplo é a derradeira compilação das baladas e canções de amor de Eros Ramazzotti.

DAVID FONSECA Seasons O novo trabalho de originais de David Fonseca será lançado no dia 21 de março. Com um conceito inovador, Seasons relata um ano na vida do cantor através das suas canções, associando o calendário às novas composições e levando-nos até março de 2013. A forma como o público terá acesso aos conteúdos será diversificada, tendo como pontos altos a edição, a 21 de março, do primeiro volume de Seasons com o subtítulo “Rising”, e, a 21 de setembro, do segundo, intitulado “Falling”. Este ano de atividade será ainda marcado pela edição de algumas canções disponibilizadas apenas em formato digital e por um conjunto de ações e apresentações inéditas no mercado discográfico.

INCUBUS If Not Now,When? De ponto alto do rock na viragem de milénio a referência da música contemporânea, os Incubus contam com mais de 20 anos de carreira, intervalados com muitos concertos e sete álbuns de originais. Estão de volta a Portugal, para satisfazer a vontade dos milhares de fãs que fazem deles uma das bandas mais queridas do público nacional. No dia 5 de julho, a banda californiana apresentará ao vivo o último registo de originais If Not Now, When?, no Palco Super Bock do 18.º Super Bock Super Rock!

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AGENDA 12 e 13 de abril Centro Cultural de Belém NIJINSKY SIAM

29 de abril Casa da Música SÉTIMA LEGIÃO

Pichet Klunchun é mestre de dança clássica Thai e defende este estilo tradicional tailandês enquanto prática artística contemporânea. Em Nijinsky Siam, pretende evocar Vaslav Nijinsky, lendário bailarino e coreógrafo russo. Foi na Ópera de Paris que Nijinsky apresentou Danse Siamoise, em 1910. Cem anos depois, Pichet Klunchun encontrou fotografias desta produção, e as poses e os figurinos que viu trouxeram-lhe vivamente à memória a dança tradicional Thai. No seu Nijinsky Siam, procurou explorar o modo como o bailarino russo interpretou o gesto e o movimento orientais.

14 de abril Centro Cultural de Belém LUÍSA SOBRAL Na sequência do sucesso do disco The Cherry on My Cake, que já atingiu disco de ouro, e de um ano com muitos concertos, Luísa Sobral apresenta-se em nome próprio em abril, na Casa da Música, no Porto, e no Grande Auditório do CCB, em Lisboa. Recorde-se que Luísa Sobral passou, durante o ano passado, por diversos palcos portugueses, como o Festival Sudoeste, Vodafone Mexefest, Cascais CooljazzFest (1.ª parte de Jamie Cullum), Festival MED e inúmeros auditórios. Participou ainda no concerto de comemoração dos 30 anos dos GNR e foi muito bem recebida em Espanha, com concertos em Barcelona, Cartagena e Madrid, onde o seu trabalho está também editado. Já alcançou o 7.º lugar do top iTunes.

28 de abril Hard Club - Porto SANTOS & PECADORES Em novembro de 2012 os Santos & Pecadores completam 20 anos de carreira. 20 Anos – Acústico é um concerto em ambiente íntimo, tendo os Santos & Pecadores recolhido com total rigor técnico as canções que completam a sua história. São canções que Olavo canta olhos nos olhos e que os Santos tocam com a entrega que lhes garantiu um lugar especial nos corações do público. Esta é, provavelmente, a mais intensa forma de ouvir a música dos Santos & Pecadores: quando está a ser debitada a partir de um palco, quando a energia voa entre a banda e o seu público e o sentimento de comunhão é genuíno. Os Santos & Pecadores prometem não dar descanso aos fãs, a recordar os seus melhores momentos e, ainda, assinar algumas surpresas que reforçam a ideia de que estes são uns Santos & Pecadores como nunca antes os ouviram.

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Os Sétima Legião atuam na Casa da Música no dia 29 de abril, num concerto que se integra nas comemorações do 30.º aniversário da fundação da banda. Temas como “7 Mares”,“Por Quem Não Esqueci” ou “Glória”, e outros que se tornaram hinos, vão ser recriados neste concerto. Pedro Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Leão (baixo e teclas) e Nuno Cruz (bateria) formaram os Sétima Legião em 1982, numa altura em que o rock português vivia um momento de expansão. Em 1983, através da editora Fundação Atlântica, editam o single “Glória”, com letra de Miguel Esteves Cardoso, antecipando o primeiro álbum, A Um Deus Desconhecido, lançado no ano seguinte. Em 1999 lançaram Sexto Sentido, o seu último álbum de originais.

27 a 29 de abril Centro Cultural de Belém DIAS DA MÚSICA O canto é a expressão da voz humana utilizada como um instrumento musical. Na tradição ocidental, o canto começou por ser a expressão coletiva de um estado de espírito essencialmente ligado ao culto divino. Mas rapidamente se tornou uma outra forma de exprimir sentimentos, por vezes inacessíveis à palavra. Na edição de 2012 dos Dias da Música, em Belém, são essas diversas formas de utilizar musicalmente a voz que se abordam, numa perspetiva histórica. Do canto gregoriano à música sacra contemporânea, do madrigal renascentista e barroco às grandes massas corais sinfónicas do Romantismo, um percurso musical que coloca a voz humana no centro da tradição erudita ocidental.

28 e 29 de abril Pavilhão Atlântico IL DIVO & ORCHESTRA IN CONCERT Com as suas vozes e arranjos, o grupo clássico mais bem sucedido da atualidade prepara-se para mais uma tournée mundial que o levará aos cinco continentes. Esta é a tournée que sucede a An Evening With Il Divo – um espetáculo que esgotou em mais de 130 cidades, incluindo Lisboa, e que lhes valeu um galardão da Billboard para uma das tournées mais lucrativas do ano. Neste novo espetáculo, os Il Divo apresentam-se ao vivo com orquestras famosas de cada cidade. Esta tournée promete momentos inesquecíveis tanto a nível musical como visual. Os fãs vão poder ouvir os seus grandes sucessos, mas também as músicas do novo álbum Wicked Game, que será lançado na Europa a 28 de novembro.


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Consumo combinado (1/100 km): 7,2 a 9,2. Emissões CO2 (g/km): 169 a 214.


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