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Nasci para ser Narrador de rádio. QuaNdo eu era garoto, gostava mais dos locutores e das rádios do Que de futebol”

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JOsÉ silv Ér iO

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o tenor do futebol

Com suas narrações precisas, sempre em cima do lance, o locutor faz o torcedor que ouve o jogo pelo rádio saber o que realmente acontece nos gramados

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por Humberto peron foto renato parada

le É vibraNte e traNsmite emoção durante os 90 minutos de uma partida. Mas quando José silvério está longe dos microfones é uma pessoa totalmente diferente, um homem tranquilo, que fala pausadamente e gosta de cantores como roy Orbinson e Johnny Cash. “Quando eu pego o microfone, me transformo. até alguns espíritas fizeram alguns estudos comigo durante uma transmissão”, diz o pai do gol o mineiro de itumirim, i dia 29, segunda, criado em lavras, e que 22h, canal com apenas 17 parou de BRasil, 66 narrar partidas de botão para fazer a locução de partidas reais. No mês da estreia do curta-metragem O Pai do Gol, silvério deu entrevista para a MONet contando detalhes de sua carreira que está completando 50 anos. o gol é o momento máximo do futebol. como você se sente sendo chamado de “o pai do gol”?

É uma homenagem muito legal que o Milton Neves me fez e intimamente eu fico muito feliz. Mas isso tem uma história engraçada. No começo da minha carreira, por narrar muito rápido, eu chegava meio mal no momento do gol, precisando um pouco mais de fôlego. a narração saía meio para dentro. e isso me incomodava. aí pensei e criei o grito de “bateu é Gol!”, com uma pequena pausa, e depois gritava o gol com tudo. Quando estava na rádio Jovem Pan,

o tutinha [Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, diretor da emissora] pegou o meu primeiro gol e colocou eco. acabou com o vazio da parada. assim eu entrava inteiro para gritar o gol, o que virou uma marca das minhas transmissões.

você é uma referência. Quais os fundamentos para ser um bom narrador?

Para ser locutor esportivo de rádio, você precisa ser quase um superhomem. e isso não é pretensão. É uma soma de muitas coisas. se o narrador for para um jogo cansado fisicamente ou não se preparar e não souber bastante da partida em que vai trabalhar, não dá conta de fazer uma transmissão. também se sua voz não estiver boa ou não enxergar direito um lance, ele vai ficar nervoso e se atrapalhar na locução. É necessário ter experiência para conseguir contornar se algo der errado.

você está completando 50 anos de carreira. como foi o seu início no rádio?

ele foi cercado de muitas coincidências. eu era menino, tinha apenas 17 anos, e haveria um amistoso entre o Olímpica e o bragrantino. a rádio Cultura de lavras tinha três ou quatro narradores, mas nenhum deles estava na cidade para narrar. tinha um amigo que trabalhava na emissora e comentou para um diretor que conhecia um moleque que narrava muito bem partidas de botão. eles foram lá em casa, gravei o treino do time e eles acharam ótimo. Depois de fazer a locução de vários jogos, um dia estava em lavras alguém que trabalhava na rádio itatiaia, que acabou gostando da minha narração,

e me perguntou se eu poderia fazer teste em belo Horizonte. viajei para a capital, fui aprovado e aí comecei realmente minha carreira profissional [Silvério teve uma passagem no Rio de Janeiro antes de chegar à Rádio Jovem Pan, em meados da década de 70].

o aumento no número de jogos exibidos pela tv fez você mudar algo em suas transmissões?

eu mudei muito e adaptei bem minha transmissão para concorrer com a televisão. Hoje, me preocupo um pouco mais em acompanhar a bola de forma mais lenta do que fazia antigamente. Não estou mais naquela coisa de criar jogadas e fazer um carnaval. você não pode exagerar muito, tem que dar a emoção na hora certa. Deixo toda a festa para a hora do gol. também é preciso falar que o futebol mudou muito e acompanhar o jogo está mais difícil. Diminuiu o número de tabelas, dribles e passes precisos, o jogo está rápido demais, com muitos chutões e chuveirinhos. falando em tv, você já pensou em trocar o rádio para trabalhar nela?

Não tenho tentação nenhuma de passar para a tv. eu trabalhei na extinta Manchete e narrei os Jogos do brasil na Copa de 1970 num especial para a esPN. Nasci para ser narrador de rádio. Quando eu era garoto, gostava mais dos locutores e das rádios do que de futebol.

Qual foi o gol mais marcante que você já narrou?

É difícil escolher. Mas tem alguns que ficaram marcados. O gol do basílio, que deu o título de Campeão Paulista, de 1977, ao Corinthians. teve o gol do evair (Palmeiras) na final do Paulista, em 1993, que ficou marcado com a frase “eu vou soltar a minha voz”. Não dá para esquecer o gol do alex [então no Palmeiras, num jogo contra o São Paulo em 2002]. aquela foi a maior loucura que fiz, eu me arrisquei bastante [ele gritou o tradicional “e que golaço!” ainda com o meia dando um chapéu na área e antes de finalizar]. ainda há os dois gols do ronaldo na conquista da Copa de 2002. O mais recente é o gol do Guerrero, quando o Corinthians venceu o Mundial de 2012 – a diretoria do time escolheu a minha narração como aoficial do gol do título. abril+Monet+31

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Jose Silverio  

Papo com o narrador Jose Silverio no momento do lançamento do Filme "O Pai do Gol" e 50 anos de carreira

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