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Craques que fizeram história a temporada do futebol brasileiro em 2010 começa com os c e   , q   ã    

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LEMBRAMOS DE SEIS VERDADEIROS HERĂ“IS DO FUTEBOL BRASILEIRO PARA CELEBRAR O INĂ?CIO DOS CAMPEONATOS ESTADUAIS

por humberto peron ilustraçþes denis freitas

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CAMPEONATO PAULISTA

Basílio: o Pé de Anjo PASSADOS 32 ANOS DO GOL MAIS IMPORTANTE DA SUA CARREIRA, O MEIA AINDA É IDOLATRADO PELA FIEL TORCIDA 13 de outubro de 1977. Todo corintiano temobrigaçãodesaberoqueaconteceunessa data.Comavitóriade1a0sobreaPonte Preta,oalvinegroencerrouumlongoperíodo de23anossemconquistaroCampeonato Paulista.CoubeaomeiaJoãoRobertoBasílio, ousimplesmenteBasílio,fazerogolque libertouogritode“éCampeão!”dagarganta daFiel.Lógicoqueteriadesersofrido.A sequênciaqueculminoucomogolteveuma finalizaçãonatraveeumzagueirosalvando emcimadalinha,atéqueabolacaiunopé direitodeBasílio.“Depoisdaquele bate-e-rebate,eusópenseiemchutara bolaomaisrápidopossívelparafazerogol”, comentaomeia,quenãoganhoupor acasooapelidodePédeAnjo. “Ainda eu fico arrepiado quando me lembro do lance”, diz Basílio, que da partida guarda apenas a camisa número 8 e o par de chuteiras, que foram entregues ao massagista logo após o final da partida. “Com a invasão de campo, os torcedores me arrancaram as meias, as ataduras. Fiquei só de sunga.” Uma pessoa previu que o meia – cria da Lusa que chegou ao Corinthians para

substituir Rivellino – seria o herói da conquista. Foi o técnico Osvaldo Brandão. “No dia da decisão, eu e o Zé Maria [lateral-direito] estávamos fazendo tratamento no quarto, quando o ‘seu’ Brandão entrou. Ele disse que tinha sonhado que iríamos ganhar por 1 a 0 e que o gol seria meu. Não sei como ele teve essa visão.” Aliás, o jogador atribui muito do título ao treinador, que também havia comandado o Timão na última conquista regional até então, em 1954. “Após uma derrota para o Guarani, no Pacaembu, o presidente Vicente Matheus entrou nos vestiários dizendo que iria desfazer o time todo, pois o Corinthians não tinha mais chances de ganhar o título. Brandão tirou o Matheus do vestiário e fez um discurso, dizendo que a nossa arrancada para o título começava ali. Ele estava certo; e, após vencermos o Botafogo-SP, a Portuguesa e o São Paulo, chegamos à decisão.” Graças ao gol, Basílio sempre é lembrado pelos corintianos, que lhe prestam muitas homenagens, algumas inusitadas. “Vários torcedores ainda pedem para beijar o meu pé direito.” Pode rir à vontade, mas quantos fanáticos têm a chance de homenagear o atleta que mudou a história do Corinthians?

FICHA TÉCNICA >>Participantes: 20 Barueri Botafogo Bragantino Corinthians Ituano Mirassol Mogi Mirim Monte Azul Oeste Palmeiras Paulista Ponte Preta Portuguesa Rio Branco Rio Claro Santo André Santos São Caetano São Paulo Sertãozinho >>Regulamento: Os clubes jogam todos contra todos em turno único. Os quatro mais bem colocados disputam as semifinais e, consequentemente, finais em jogos de ida e volta >>Atual campeão: Corinthians >>Como assistir:

a partir do dia 16, sábado, 17h e 19h30, SporTV, 39 e PFC

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CAMPEONATO CARIOCA

Renato: o Rei do Rio UM GOL DE BARRIGA DO POLÊMICO CRAQUE GAÚCHO DECIDIU O TÍTULO DO CAMPEONATO CARIOCA DE 1995 E DERRUBOU O FAVORITISMO DO FLAMENGO, QUE CONTAVA COM ROMÁRIO O Campeonato Carioca de 1995 prometia muito. Principalmente fora de campo. Com Romário (Flamengo), Túlio (Botafogo) e Renato Gaúcho (Fluminense) não faltariam, além de gols, frases de efeito e provocações. As primeiras farpas já vieram do baixinho, que – depois de ser eleito o melhor do mundo em 1994 – foi a grande contratação do futebol brasileiro e do time rubro-negro que completava seu centenário: “Aqui tem muito rei. Rei tem dois, três, quatro, cinco. Mas Deus, Deus só tem um. E agora eles sabem quem é”. Durante a fase de classificação, Renato Gaúcho teve poucos motivos para comemorar (e tripudiar). O Fluminense, que não ganhava um título desde 1985, fez uma campanha discreta. Entre os oito clubes que disputariam a fase final, o Tricolor fez apenas a quarta melhor campanha. Também entrava em desvantagem em relação aos

seus concorrentes de sempre. O Flamengo começaria o turno com três pontos de bônus, enquanto Vasco e Botafogo teriam um. Mas, mesmo assim, Renato não perdeu a pose. “Tá cheio de cavalo paraguaio por aí. Mas o meu árabe é que vai atropelar na reta final”, afirmou, cheio de marra. E ele estava certo. Depois de um empate com o América e uma derrota para o Vasco no início do octogonal decisivo, o Fluminense comandado por Joel Santana começou uma arrancada incrível e chegou ao último jogo precisando de uma vitória simples contra o Flamengo. No primeiro tempo, o Flu abriu dois a zero, com Renato marcando o primeiro. Na

etapa final, o Mengão chegou à igualdade. Porém, faltando três minutos para acabar, o apoiador Aílton fez grande jogada pela ponta e, depois de vários cortes, chutou. A bola desviou em Renato e foi para as redes. (Em tempo: na súmula, o árbitro assinalou Aílton como autor do tento.) Mas todos sabiam quem era o herói. Em 1995, ano em que conquistou o seu único Campeonato Carioca, Renato Gaúcho se tornou o Rei do Rio com apenas uma barriga de vantagem.

FICHA TÉCNICA >>Participantes: 16 América Americano Bangu Boavista Botafogo Duque de Caxias Flamengo Fluminense Friburguense Macaé Madureira Olaria Resende Tigres Vasco Volta Redonda >>Regulamento: Os times são divididos em duas chaves, com disputa dentro do próprio grupo (Taça Guanabara) e entre grupos (Taça Rio). Haverá decisão na hipótese de campeões diferentes nas duas taças >>Último campeão: Flamengo >>Como assistir:

a partir do

dia 16, sábado, 16h, PFC

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CAMPEONATO GAÚCHO

André Catimba: o voo cego O ATACANTE, ALÉM DE MARCAR O GOL QUE DEU O TÍTULO GAÚCHO DE 1977 PARA O GRÊMIO, VAI SEMPRE SER LEMBRADO TAMBÉM PELO ACIDENTE QUE SOFREU AO FAZER A FESTA Já vimos vários tipos de comemoração na hora do gol. Pelé eternizou o soco no ar. Jairzinho se ajoelhava e fazia o sinal da cruz em cada um dos tentos que marcou na Copa do Mundo de 1970. Outros jogadores já embalaram nenês invisíveis, subiram em alambrados e fizeram as mais esquisitas danças no momento supremo do futebol. Mas coube ao centroavante André Catimba, do Grêmio, a mais inusitada – e talvez a mais lembrada – comemoração. Aliás, não foi uma bola na rede qualquer. Valeu o título do Campeonato Gaúcho de 1977 e acabou com uma sequência de oito títulos consecutivos do rival Internacional. Ninguém melhor do que o próprio centroavante para explicar o que aconteceu ao decidir a peleja aos 42 minutos do primeiro tempo. “Quando vi a bola entrar, eu saí em grande velocidade em direção à linha de fundo e peguei um impulso para dar um mortal. Só que na hora do salto tive uma distensão na virilha. Tentei parar, mas já estava no ar. Não teve jeito e caí.” Com isso, o ídolo, que ganhou o apelido de Catimba da imprensa gaúcha por infernizar a vida dos zagueiros e sempre tentar ganhar tempo quando o seu time estava ganhando, contundiu-se gravemente. Além do problema muscular, teve uma luxação no pulso e bateu o queixo no chão. Também um dos seus testículos ficou tão inchado que, durante um mês, não pôde usar cuecas ou calças. “A dor depois da queda foi tão grande que eu precisei tomar duas injeções fortes para não sentir mais nada e, é lógico, não voltei para o segundo tempo”, completa o jogador, que teve sua contratação referendada pelo técnico Telê Santana e que, como um bom baiano, sofreu muito com o frio ao chegar no Rio Grande do Sul. André Catimba descobriu que, para ser herói no futebol, não precisa voar; basta fazer um gol na final.

FICHA TÉCNICA >>Participantes: 16 Avenida Caxias Esportivo Grêmio Internacional-SM Internacional Juventude Novo Hamburgo Pelotas Porto Alegre Santa Cruz São José São Luís Universidade Veranópolis Ypiranga >>Regulamento: Dois grupos. No primeiro turno, as equipes jogam contra os adversários da outra na chave. No returno, os confrontos são dentro do grupo. Os vencedores dos turnos disputam o título >>Último campeão: Internacional >>Como assistir:

a partir do dia 16, sábado, 19h30, PFC

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CAMPEONATO MINEIRO

Nelinho: dois corações FAMOSO PELO SEU CHUTE POTENTE, O JOGADOR DA SELEÇÃO BRASILEIRA TEM NO CURRÍCULO UMA GRANDE PROEZA: CONSEGUIU SER AMADO TANTO POR CRUZEIRENSES QUANTO POR ATLETICANOS O lateral-direito Nelinho é o protagonista de dois lances que estão marcados na memória de quem adora futebol. Na Copa de 1978, anotou um dos gols mais impressionantes da história dos mundiais, com um chute com muitas curvas, capaz de enganar o arqueiro italiano Zoff, garantindo o terceiro lugar da Seleção. Também está na história o feito alcançado em 1979. Desafiado, o craque – um dos chutes mais fortes e precisos do futebol brasileiro – conseguiu mandar uma bola por cima da marquise do Mineirão, superando um obstáculo de mais de 35 metros. Mas talvez a maior glória de sua carreira seja a de ser ídolo das torcidas do Cruzeiro e do Atlético-MG, uma das maiores rivalidades do país. “O fato de ser respeitado pelas duas torcidas é porque nunca as desrespeitei. Por exemplo, quando eu fiz um gol pelo Cruzeiro, nunca fui comemorar na torcida do Atlético, e vice-versa”, gosta de dizer Nelinho, que quando se transferiu da Raposa para o Galo pôs fim a um período de mais de duas décadas sem negociações entre os dois rivais.

Respeito é bom e todos gostam, mas a idolatria das duas massas vem pelas grandes atuações, gols (principalmente os petardos de falta) e títulos estaduais que ele ajudou a ganhar. Ao longo de sua carreira, foram oito títulos mineiros, divididos igualmente – quatro com a camisa celeste e quatro com a alvinegra. Com a Raposa deu a volta olímpica em 1973,1974,1975 e 1977. Já no Atlético ergueu a taça nos anos de 1982, 1983, 1985 e 1986. “Costumam me perguntar se sou torcedor do Cruzeiro ou do Atlético, e respondo que

torço pelos dois. Fui bem recebido pelos mineiros e tudo o que tenho devo aos dois clubes”, comenta o carioca de nascença, mas que chegou a Belo Horizonte em 1973 para nunca mais sair e que, pelo visto, absorveu muito bem o tradicional jeito mineiro de deixar todo mundo, inclusive rivais históricos, felizes.

FICHA TÉCNICA >>Participantes: 12 América América-TO Atlético Caldense Cruzeiro Democrata-GV Ipatinga Ituiutaba Tupi Uberaba Uberlândia Villa Nova >>Regulamento: Todos os clubes se enfrentam em turno único. Os oito primeiros se classificam para as quartas-de-final, e se enfrentam em jogos de ida e volta até a definição das semifinais e finais >>Último campeão: Cruzeiro >> Como assistir:

a partir do dia 24, domingo, 17h, PFC

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CAMPEONATO PARANAENSE

Sicupira: o artilheiro O ÍDOLO PRECISOU MARCAR 20 VEZES NO TORNEIO QUE ACABOU COM A SECA DE TÍTULOS ESTADUAIS DO ATLÉTICO “Artilharia é uma consequência.O quevaleéotítulo”,comentaSicupira,o maiorgoleadordahistóriadoAtlético-PR, com157gols.Amelhortraduçãoparasua fraseestánoCampeonatoParanaensede 1970.Alémdeseroartilheirodotorneio, eleganhouoseuúnicoestadualcoma camisadoFuracão.Nacampanha,que acabou com 12 anos de jejum do clube, dois dos 20 gols que ele anotou são inesquecíveis. “Faltavam três minutos e perdíamos para o União Bandeirante por 1 a 0. Nesse período, eu marquei duas vezes e viramos a partida. Com isso, tivemos a tranquilidade para vencer o Seleto na última partida e ficar com a taça”, completa o herói de todos os atleticanos.

FICHA TÉCNICA >> Participantes: 14 Atlético Cascavel Cianorte Corinthians Coritiba Engenheiro Beltrão Iraty Nacional Operário Paraná Paranavaí Rio Branco Serrano Toledo >> Regulamento: Equipes jogam entre si, apenas em turno. Os oito primeiros colocados se classificam para a segunda fase. Quem somar mais pontos na parte final fica com o título >> Último campeão: Atlético >> Como assistir:

a partir do dia 16, sábado, 18h30, PFC

CAMPEONATO CATARINENSE

Marquinhos: o maestro DITANDO O RITMO DA EQUIPE, O MEIA LEVOU O AVAÍ À CONQUISTA DO ANO PASSADO No início de 2009, a torcida doAvaí aindacomemoravaoacessoàSérieAdo Brasileirão.Mas,paraqueafestaficasse completa,eraprecisoacabarcomumjejum de12anossemvenceroEstadual.Recaiunos pésdeMarquinhosaresponsabilidadede controlaraansiedadedoLeãodaIlha.Eele conseguiu,principalmentenafinal,quando otimeentrouemcampoprecisandovencer aChapecoensedepoisdeperderpor3a1no terrenodoadversário.Foiumaatuaçãode gala,comdoisgols,napartidaqueterminou apósaprorrogaçãoem6a1.“AChapecoense estavasendoumapedranonossosapato. Masmostramosquemeraomelhortime”, lembraojogador,quenoanopassadodeixou asmarcasdeseuspéseternizadasnaCalçada daFamadoEstádiodaRessacada.

FICHA TÉCNICA >>Participantes: 10 Atlético Ibirama Avaí Brusque CFZ Imbituba Chapecoense Criciúma Figueirense Joinville Juventus Metropolitano >>Regulamento: Doisturnos.Ostimesjogamtodoscontratodoseosquatromais bemcolocadosdisputameliminatóriasatéafinal.Os vencedores de cada fase disputam o título.Seumtimeganharosdoisturnos, eledisputaafinalcomotimequetiversomadomaispontos >>Último campeão: Avaí >> Como assistir:

a partir do dia 16, sábado, 20h30, PFC

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estaduais2010  

Craques que entraram na histórias dos Estaduais

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