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UMA TARDE INESQUECÍVEL Entrei, no táxi, acompanhada por minhas quatro amigas encantadoras, levando, juntamente, com ele, meus pensamentos agitados com as preocupações rotineiras. Marginal, buzinas, transportes apinhados de gente...Nas calçadas, um povo apressado, com feições severas, como suas vidas. De repente, surgiu o edifício da Pinacoteca, onde, outrora, abrigava o Liceu de “Artes e Ofício”. Galgando seus degraus de entrada, penetramos num mundo surpreendente: construção neoclássica, tijolos à vista, teto alto, com vidros, refletindo luz natural. Por um momento, o cotidiano esvaiu-se. A beleza do local apagara preocupações, tristezas, afazeres diários. À nossa frente surgia algo muito diferente, povoado pelas mãos de artistas, que, através de seus dons, manifestavam o que havia de divino no ser humano. Desfilavam, diante de nosso curioso olhar, os talentos de escultores, como Brecheret, com “A Carregadora de Perfume”, Rodin e muitos outros. Os quadros, com suas harmoniosas cores, tingiam as paredes. Diante de nossa admiração, pintores se personalizavam, com suas obras famosas: Antônio Rocco, com “Os Emigrantes”; Portinari e seu “Mestiço”; Almeida Júnior, além de seu “O Violeiro”, a comovente representação de “A Saudade”; Pedro Alexandrino e sua natureza morta, “Bananas e metal”; o emocionante “Fim de Romance” de Antônio Parreiras; Poncetti, tecendo “Musa da Paz”; Miguelzinho Dutra em “Vista da Cidade de Itu”; Oscar Pereira da Silva e a belíssima “Escrava romana”; Anita Malfatti, em “Tropical”; Di Cavalcanti e “A Mocinha com gato à janela” e tantos outros imortalizados na arte.

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo

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