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O MERCADINHO DE NICOLA Esperança. Até que enfim, encontrariam a paz, longe de guerras e de temores. O navio os transportariam a uma terra cheia de possibilidades futuras. Deixariam para trás, com tristeza, a terra natal, a adorada Itália. Seriam instalados, num pequeno vilarejo do interior de Minas, Campestre, entre vales verdejantes e campos produtivos. Sem dúvida, fariam uso de suas experiências anteriores. Como Nicola era comerciante, tentaria montar um mercadinho, ajudado por Carmela, com suas habilidades : não só de cozinha, como de costura, tricô ,crochê além de lavar e passar muito bem Assim, a princípio, fizeram uma pequena horta, compraram galinhas e porcos. Vendiam o que produziam: lingüiça, carne seca, sabão de cinza, tapetes de corda. Carmela, sempre trabalhadeira, oferecia-se para lavar e passar roupas de pessoas mais abastadas. Com os miúdos conseguidos, dirigiam-se às cidades maiores para comprarem mantimentos necessários ao povo do vilarejo. Vieram os filhos, uma ninhada de cinco, os anos passaram, e a portinha tornou-se o mercadinho mais procurado da região. Se alguém tivesse precisão de alguma coisa não existente ali, lá ia Nicola em busca, onde quer que fosse. E, aos poucos, foram melhorando o local: puseram prateleiras, um balcão com caixa, geladeira, com refrigerantes, mesas e cadeiras, para servirem pequenas refeições. Compraram a casa vizinha e ali colocavam as verduras fresquinhas de sua horta, além das frutas do pomar e ovos das galinhas. Contrataram auxiliares, pois o negócio crescera. E, com toda essa labuta, criaram os filhos, dando-lhes tudo para progredirem em suas vidas. Um deles tornou-se um grande médico da região, amado e conhecido não só pela competência, mas pela bondade. Nicola e Carmela, pessoas inesquecíveis. Seu exemplo de luta, de coragem, permanece presente nos corações daqueles que os conheceram.

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo