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Parece que estou dentro de um ônibus supermoderno, com poltronas estofadas, musiquinha “new age”, TV. Não é à toa que os passageiros estão até roncando de tão relaxados. Epa! Senão me engano este trajeto não é o que conheço. Uai! o busão está parando, decerto vai pegar algum freguês fora do ponto. O quê? Que gente esquisita, quer ver que são punks: cabelos claros, arrebitados, olhos pintados, cheios de estranhas tatuagens. É agora, desejam dar o seu recado. Será que querem dinheiro? Mas um deles, o grandão magrelo, diz: - De agora em diante, fiquem em silêncio e obedeçam nossas ordens. Só faltava essa. Será um seqüestro? De repente, o ônibus entra numa estrada, rodeada de bicos de papagaio, e, no final dela, surge a sede de uma fazenda: casa térrea, cercada por um assombreado alpendre, cheio de redes, e, na escadaria da entrada, um grupo de violeiros, tocando modinha caipiras. Que gostoso! Eis que, o baixinho do grupo, com uma voz fanhosa, pede para descermos e aguardarmos na entrada, pois logo viria o dono da fazenda para conversar conosco. Enquanto esperávamos, vários empregados surgiram com bandejas repletas de guloseimas: doce de leite, de abóbora, de cidra, milho verde, paçoca, torresminho, espetinho de churrasco. Será festa caipira? Mummy Lu ia até ficar enciumada. Fora isso, que gente educada! Incrível, sabia direitinho o nome de cada um de nós.

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo