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E TUDO SE REPETE Lá está a filha. Sentada no colo do papai. Adulando-o como sempre, principalmente quando deseja alguma coisa. - Paizão do coração. Desta vez até rimou! Sabe, pensei, pensei quanto ao meu casamento, e quero ter uma cerimônia igualzinha a sua. - Oh! isto me deixa feliz. - Vamos lá! Qual a música que tocaram? - Já faz tanto tempo que nem sei se me lembro.Ah! foi de Mendelssohn, mas o nome não me vem à cabeça. - Mendão! Que nome legal! Canta aí pra ver se conheço. - Isso não dá, filha. Pois era o órgão que tocava, e fica complicado cantar. - O nosso não vai ter órgão. Um amigo do Varum tem um sintetizador eletrônico e, como o Padre Tuco deixou, vamos escolher alguma coisa do Queen. Acho que pega melhor que esse tal de Mendão. Eta nome esquisito... - Da Queen, quer dizer. - Não,queridinho, do Queen, uma banda de rock trilegal. Pai, agora, tenho que me apressar, pois o Varum está chegando com sua moto e capacete. Não sei se te falei, mas vamos acampar neste fim de semana numa praia deserta, só nós dois...Vai ser o fino! - Como?!? Você já falou com sua mãe? - Ih! pai, deixe de ser careta...Mamãe nem taí. Afinal, estamos comprometidos há tanto tempo. Dois meses, senão me engano. Isso é tempo pra burro. - Mais uma perguntinha. Qual é a razão do nome de seu noivo ser Varum. Aliás, muito estranho. - Eh!, começou a implicar. Tão divino. Não existe no mundo inteiro um nome igual ao dele. Olhe que criatividade, imaginação, pois ele imita o som de sua moto. Varum...varum...

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo

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