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UMA LAMBIDA...ALEGRIA Sentou-se relaxadamente em sua poltrona favorita. Após um jantar frugal, queria descansar, esquecer dos aborrecimentos da Faculdade, do Departamento de Penal, dos orientandos e, principalmente, dos problemas familiares e financeiros. Fechou os olhos, como se dissesse a todos, ”não me incomodem!”. Ligou o radinho. Notícias do time favorito, aliás, sempre perdendo. Jovem-Pan, Mussum, pelo menos, daria boas risadas: “- Alô! É da Águia de Ouro?” - Que “Águia”, que nada, moço. É “Agúia”, “Agúia de Ouro”! O senhor sabe o que é “agúia”? Uma coisa pontuda de um lado com um furinho do outro, onde entra a linha.” E, bocejando, continuou, juntamente com o cômico: “- Não queria melindrá-lo...Mel-in quê?...” Desligou o rádio. Sempre as mesmas piadas, isto já não dava mais. Abriu, então, a TV. Jornal, com os últimos acontecimentos: “Casal será indiciado, não há dúvidas, na reconstituição do crime, ficou quase provado que são eles os culpados. Pai incestuoso, aprisiona a filha, por vinte e cinco anos, no subsolo de sua casa. Guerra sem fim no Iraque, inúmeros mortos. Frio e chuvas torrenciais causam danos no país...” Desanimado e exausto, resolveu tomar uma ducha quente e enfiar-se debaixo dos cobertores. Fechou a porta do quarto e enfiar-se debaixo dos cobertores. Fechou a porta do quarto e só faltou colocar a tabuleta- “Não perturbem, o patrão está dormindo.” Imaginava lugares verdejantes, praias serenas, paisagens tranqüilas , quando percebeu que alguém arranhava sua porta. Quem seria? Todos haviam saído. Ladrão? Só faltava essa!

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo

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