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De repente, à minha frente, apareceu uma jovem belíssima. Trajava um vestido de malha, curto, cabelo descolorido, pele muito alva, sapatos altos de bico fino e, no ombro, uma tatuagem com o desenho de uma borboleta. Sem dúvida parecia uma princesa, não, a bela adormecida, mas, uma, que havia perdido a inocência pelas baladas da vida. Quem seria e a quem aguardava? Talvez, um charmoso príncipe europeu. Maliciosamente, comecei a imaginar: o que escondia aquele jeito sensual, desdenhoso de dona do mundo? Certamente, não usava roupas íntimas, pois o minúsculo vestido estava colado ao corpo. Só faltava mostrar a alma, porque o resto estava exposto para quem quisesse. Seria casada? Ou teria, como é de costume, no momento atual, um companheiro, cujo amor é eterno, enquanto dure...Sua profissão, sem dúvida, seria a de ser um colírio para seu par. Não carregava bolsa. Também, para quê? Bancos 24 h sempre estariam à sua disposição. Subitamente, deslocou-se, correndo em direção de alguém. Misericórdia! Que horror, é o fim do mundo! Dobrando uma das torneadas pernas, deu um beijo cinematográfico em um rapaz que, benza Deus, além de baixinho, careca, parecia um sapo. É isso aí, a “Princesa e o Sapo”. Voltei à realidade. No meio da multidão, algazarra, surge minha queridinha. Assustada, cansada, mas maravilhada com tudo, que vira e vivera. Nada mais será o mesmo para ela. ...

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo