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DANÚBIO AZUL Aquela noite seria o grande baile no “Casarão”, famoso por sua construção imponente, datada no começo do século, enriquecida pelos jogos e floradas dos cafezais. Olhei em sua direção: todas as luzes estavam acesas, mostrando a alegria do momento, e via-se o reflexo dos cristais dos lustres e candelabros pelas paredes azuis. Chegou a hora...Melhor vestido, cabelos encaracolados, ornados com florzinhas campestres. Acompanhada por familiares, conheceria o tão falado lugar. Mesa reservada, garçons por todo lado e uma orquestra divina: tocando valsas e músicas românticas. Circulavam, entre as mesas, alguns rapazes, tentando encontrar alguém cativante para dançar. De repente, cruzamos os olhares, deslizamos pela pista. Juntos, sorrimos, colamos o rosto, entrelaçamos o corpo e unimos sentimentos, ao embalo do “Danúbio Azul”. Gentilmente, pediu-me licença por alguns instantes, teria que dar um recado urgente, coisas de família, disse ele. Aguardei-o, observando o salão, os pares dançando e a beleza do local. As horas se passaram...O salão tornava-se vazio. Até que as luzes foram se apagando. Teria de voltar para casa com os parentes. Lá fora, o céu estrelado, na face, uma lágrima escorrendo, no “Casarão”, os violinos choravam.. Encarei o rio, serpenteando no meio da avenida. Num cantinho, um barquinho amarrado à margem. Desejava correr para lá, quem sabe me levaria junto dele. Sonhos, ilusões, miragens da vida...

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo