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O TESTAMENTO Uma cestinha de palha, imitando um baú, forrado de cetim rosa, ornado de ramalhetes, amarelecidos pelo tempo. Dentro, três álbuns de recordação, com capa de couro e, no centro, uma chapinha prateada, com as iniciais, C. Ch. Ao folhear as páginas escritas com bico-de-pena, e uma caligrafia caprichada, impecável, liam-se poesias de autores românticos, transmitindo a sensibilidade daquela alma feminina. De repente, aparece uma, que sobressai pelo título, “Testamento”, encerrando um dos álbuns. Nele, havia uma mensagem, para sempre, de amor. Toda doação é de afeto, carícias e ternura: “Deixo-te um longo beijo, bem no meio da fina boca; Num cantinho do lábio, deixo-te os meus suspiros; Não te deixo um abraço...foram tantos! E, por fim, deixo-te aquele olhar tão feiticeiro, meio luz, meio sombra, assim...assim... , ao pé do jasmineiro, Aquele olhar tão lânguido, Aquele olhar do colorido do jardim... Guarda estes versos, são meu testamento.” Tudo tão longe, mas tão perto do coração. Tudo tão antigo, mas sempre presente num relacionamento correspondido.

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Livro de Maria Beatriz Sandoval Camargo

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