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2 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

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ÍNDICE 4 OPINIÃO Paulo Pereira > Os mercados Emissores 6 ENQUADRAMENTO DO TURISMO MUNDIAL > Mais de mil milhões de turistas no mundo 7 EVOLUÇÃO DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS DO TURISMO NA MADEIRA > Turismo madeirense está a quebrar 2,4%, em 2019 > Período homólogo também com perdas > Alojamento local disparou para o dobro 12 EVOLUÇÃO DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS DO TURISMO AÇORIANO > Açores ultrapassam Madeira no mercado português 13 ENTREVISTA Roland Bachmeier - Presidente da Mesa de Hotelaria da ACIF 16 PRINCIPAIS MERCADOS TRADICIONAIS > Alemanha e Reino Unido são mercados líderes 17 PRINCIPAIS MERCADOS EMERGENTES > Portugal e Países Baixos a crescer em 2019 > Canadá e Letónia 19 PRINCIPAIS MERCADOS CONCORRENTES > Canárias e Cabo Verde 22 Eduardo Jesus > No Turismo o nosso compromisso 24 Rodrigo Rato > Turismo de Eventos 26 Paulo Vieira de Sousa > Turismo de Saúde FICHA TÉCNICA Empresa Jornalística da Madeira, Unipessoal, Lda - NIPC: 511 007 205 - Capital Social: 50.000,00€ - Matriculada na Conservatória do Registo Comercial com o número 02146 - Título de Registo ERC 126734 Sede/Redação/Serviços Administrativos, Financeiros/Comercial/Marketing & Eventos: Rua 31 de Janeiro, nº 73-74 9050-013 Funchal Gerência: José Luis de Sousa e António José Rodrigues Abreu Diretor: Agostinho Silva Subdiretores: Miguel Silva e Edmar Fernandes Design Gráfico: JM - Fotografias: Arquivo JM e Shutterstock - Impressão: Agráfica Contactos - Sede/Redação/Comercial/Marketing & Eventos 291 210 400 / secjm@jm-madeira.pt

28 Eduardo Garcia e Costa > Turismo Residencial 30 Rosa Areias > Fiscalidade do Destino 31 PROGRAMA - XIII Conferência Anual do Turismo

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MENSAGEM DA DIREÇÃO

Os mercados emissores Estamos prestes a iniciar a XIII Edição da Conferência anual do Turismo (CAT), organizada pela Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas e que foi ganhando ao longo do tempo o estatuto de importante local de reflexão sobre os mais variados aspetos de um importante sector da economia da RAM, o Turismo.

Paulo Pereira Presidente da Delegação Regional da Madeira da Ordem dos Economistas

Escolheu-se como tema os “Mercados Emissores” como centro de análise e inspiração para este fórum, pois entendeu-se que nunca é demais uma profissão, um negócio, uma indústria, um sector e uma economia focarem naquele que, em mercado aberto e de livre escolhas, é Rei e para quem se deve estar sempre orientado, o Cliente. Sem Clientes, parece óbvio que toda a panóplia e diversidade de infraestruturas de oferta privada (transportes, hotéis, ALs, habitação, clínicas, restauração, jardins, animação turística, entre tantos outros) e pública (aeroportos, portos, estradas, marinas, etc.) para eles orientada fica perante o terrível vazio da desocupação, do excesso de oferta, dos seus custos fixos sempre e teimosamente presentes, do fracasso dos projetos, da inevitável criação de pobreza em vez da legitimamente almejada riqueza. Depois de anos de crescimento económico mundial e da natural

euforia que sempre lhe está associada, ouvem-se já em terra o cuinchar das gaivotas, antecipando, segundo o povo, tempestades, pois sabe-se que as grandes economias mundiais enfrentam enormes desafios em termos económicos: há uma guerra comercial ChinaEUA, um Brexit a se arrastar, uma Alemanha em recessão, novas perturbações sociais na América Latina, reforços mais ou menos explícitos de medidas de QE pelos Bancos Centrais, reforçados por apelos desesperados a que governantes incorram a novas políticas de expansão fiscais (o popularmente chamado esbanjamento), mas desta vez em cima de dívidas públicas e privadas (ainda mais) gigantes. É destas economias que vêm os turistas que já conquistamos e os que queremos conquistar. Problemas lá, são grandes problemas aqui… A economia regional tem surfado no bom momento vivido e o sector do Turismo ainda mais, por méritos próprios inegáveis e por (também

não inegável) sorte conjuntural. Não sabemos quando a tal tempestade chegará ao certo e qual a sua intensidade, mas sabemos que aí vem e que “se o seguro morreu de velho, o prevenido ainda está vivo”, pelo que há que discutir e decidir o quanto antes para quem o destino a Madeira deve, pode e quer ser orientado, e agir em conformidade. Rapidamente! No sentido de ajudar nessa importante reflexão suporte de (ainda mais importantes e urgentes) tomadas de decisão e ação de privados e Estado, esta XIII CAT juntou um leque de oradores líderes de diferentes áreas de atuação, de modo que se analise quem são os nossos mercados tradicionais emissores de turistas e que

potencial/riscos ainda têm de manutenção/crescimento, que outros mercados podemos almejar realmente a conquistar e a que custos, que sucessos tem havido nessa captação noutros destinos concorrentes, com que ações e ferramentas disponíveis ao próprio destino. Queremos perceber ainda de viva voz e por especialistas, que colocam a “pele no jogo”, se a Madeira pode aspirar realmente a ser um destino de eventos internacionais, de saúde ou residencial para estrangeiros, o que lhe falta para tal e com que custos/benefícios para esta sociedade e seus habitantes ou se temos em definitivo de aceitar que apesar de importantes, são apenas pequenos complementos

enriquecedores de uma oferta global de um destino que deve ter isso sim, uma imagem mundial bem definida e que depois sirva de guarda-chuva a todas essas (e a outras) atividades económicas. Termino agradecendo muito sinceramente e uma vez mais a todos os que tornaram esta XIII CAT possível, alimentando a fundamental motivação para a continuidade deste Projeto em futuras edições, sempre com o intuito de provocar discussão, geração de ideias e propostas de caminho e de ação a tomar, de forma a melhorarmos o nosso mundo e o padrão de vidas das pessoas, o objetivo da Economia, da sua Ordem e seus Membros.


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ENQUADRAMENTO DO TURISMO MUNDIAL

EVOLUÇÃO DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS DO TURISMO NA MADEIRA

Mais de mil milhões de turistas no mundo 1/7 da população mundial já viaja em férias. Europa é líder no número de turistas, mas as economias emergentes terão um papel fundamental até 2030. Os números não mentem. Em 2012 foram ultrapassados, pela primeira vez, a nível global, os mil milhões de turistas num único ano, situação que se repetiu até 2015. As previsões dos setores turísticos é que este número continue a aumentar até 2030 com impacto generalizado em vários setores de atividade. O grande motor deste crescimento situar-se-á nas economias emergentes graças ao aumento do poder de compra e da capacidade de consumo. O continente asiático será o que mais vai crescer. A Europa, manterá a liderança mundial, mas com taxas de crescimento reduzidas. As previsões da Organização Mundial de Turismo (OMT) apontam para que o crescimento médio nas economias emergentes (4,4%) represente o dobro do que se registará nas economias avançadas (2,2%) até 2030, demonstrando o seu imenso potencial. Os dados publicados pela OMT revelam que o meio aéreo (54%) é o mais utilizado para as viagens turísticas, mas também demonstram a importância do transporte

terrestre, nomeadamente as vias rodoviárias (39%). Não obstante, a OMT frisa que a tendência registada evidencia o contínuo crescimento da via aérea, que prosseguirá o aumento da sua dominância. No que respeita aos propósitos das viagens, o lazer e gozo de férias são os principais motivos, com 53% das

referências, o que representa, sensivelmente, 632 milhões de viajantes. Os negócios e motivos profissionais resultam em 14% das viagens e as visitas a familiares e amigos, motivos religiosos e saúde representam um peso agregado de 27%. Restam, ainda, 6% de viagens cujo motivo não é especificado.

Números: DESEMPENHO TURÍSTICO NACIONAL (jan - ago 2019)

HÓSPEDES

DORMIDAS

RECEITAS

+ 7,2%

+ 4%

+ 7,7%

18.268,9 Milhões

48.276,4 Milhões

12.618,2 Milhões de Euros

TURISMO NO PIB 2017

13,7%

7

TURISMO NAS EXPORT. GLOBAIS jan-ago 2019

20,4%

TURISMO NAS EXPORT. SERVIÇOS

TURISMO NO EMPREGO TOTAL

jan-ago 2019

2016

54,8%

9,4%

PORTUGAL COM EVOLUÇÃO TURÍSTICA O turismo tem sido definido e encarado como um setor estratégico para Portugal, dada também a importância estrutural na economia. A Estratégia de Turismo 2027 potencia a articulação e as sinergias de ativos diferenciadores – “Clima e luz”, “Natureza e Biodiversidade”, “Água”, “História e Cultura” e “Mar” –, ativos qualificadores – “Gastronomia e Vinhos” e “Eventos artístico-culturais, desportivos e de negócios” –, ativos emergentes – “Bemestar” e “Living – Viver em Portugal” – , e ativos transversais – “As pessoas”. Efetivamente, a importância do setor do turismo para a economia nacional é cada vez mais evidente, já que em 2017 se continue a verificar a melhoria de diversos indicadores, como o número de hóspedes, de dormidas e receitas geradas. Ainda considerado um dos destinos mais seguros do mundo e com grande propensão para a adoção de novas tecnologias, o País tem capitalizado as oportunidades da economia de partilha e dos conflitos em vários países concorrentes. Uma dinâmica interessante é a qualificação da oferta hoteleira. Em 2007, apenas 31,2% dos estabelecimentos eram hotéis (634), enquanto em 2016 essa proporção já era de 60,8% (1.238 hotéis). Esta alteração demonstra uma efetiva melhoria da oferta. (Dados: Turismo de Portugal e OMT)

Turismo madeirense

está a quebrar 2,4%, em 2019 Estatísticas de dormidas do turismo da Região está em contraciclo em relação a todas as restantes regiões do país. Madeira é a única a perder no número de dormidas em 2018 e 2019.

É uma situação que carece de uma profunda análise. Analisando os dados das dormidas do país (incluindo os arquipélagos) dos últimos cinco anos, a Madeira é a única região que está em perda. E pelo segundo ano consecutivo. A redução na variação das dormidas é de 0,3% em 2018 e de 2,4% até agosto em 2019. Esta análise é baseada nos dados cedidos pela Direção Regional de Estatística que já engloba, nestes dados estatísticos, o peso do turismo do Alojamento Local abaixo de 10 camas, um dado importantíssimo e que ainda não é tido em conta pelo Instituto de Turismo de Portugal e que aumenta a veracidade sobre as dormidas, algo que o Diretor Regional de Estatística, Paulo Vieira esclarece. “No caso da RAM, a DREM inquire também o alojamento local abaixo das 10 camas, enquanto no Continente apenas se abarca o alojamento local acima das 10 camas. Por essa razão, os números do Turismo de Portugal, para efeitos de comparação só incluem o AL>=10 camas, excluindo o AL<10 sobre o qual só há informação para a RAM e a RA Açores”, refere. Desta forma, acrescenta o diretor regional, os “dados da DREM são, pois, mais abrangentes, tendo a DREM já começado a inquirir o AL<10 há uns 8 anos”.

EVOLUÇÃO DAS DORMIDAS NOS ÚLTIMOS 5 ANOS

MADEIRA

TOTAL DORMIDAS

M. NACIONAL

M. ESTRANGEIRO

VAR

REVPAR

2018

8,360 Milhões

938 Mil

7,422 Milhões

-0,3%

47,47€

2017

8,382 Milhões

927 Mil

7,455 Milhões

5,5%

48,13€

2016

7,943 Milhões

893 Mil

7,050 Milhões

12,7%

45,09€

2015

7,047 Milhões

742 Mil

6,305 Milhões

7,7%

39,28€

2014

6,541 Milhões

711 Mil

5,829 Milhões

4,5%

35,23€                

(Dados da DREM)


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Os dados da DREM permitem ter melhores números no turismo em comparação com o todo nacional já que aí e de acordo com a página TravelBI, patrocinada pelo turismo de Portugal, o turismo na Madeira tinha desacelerado -2,3% em 2018 e 3,4% em 2019. Mesmo assim e independentemente da fonte, pelo segundo ano consecutivo, há uma variação negativa do número de dormidas na Madeira. Destacam-se os aumentos no Norte do país(+7,3%) e no Alentejo (+7,0%). Como habitualmente, os principais destinos foram o Algarve (33,3% das dormidas totais), AM Lisboa (25,1%), Norte (13,3%) e Madeira (12,4%). O crescimento foi de 7,0% (+5,4% em 2017) e atingiram 16,0 milhões, 28,4% do total das dormidas neste segmento. As dormidas de não residentes na hotelaria apresentaram um ligeiro decréscimo (-0,5%, após +9,6% em 2017) e atingiram 40,5 milhões.

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DADOS DO TURISMO DE PORTUGAL (SEM O ALOJAMENTO LOCAL <10 CAMAS) Total de dormidas

DADOS DO TURISMO DE PORTUGAL (SEM O ALOJAMENTO LOCAL <10 CAMAS) MADEIRA

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Mercado Nacional

Mercado Estrangeiro

VAR.     

2019

637 Mil

4,512 Milhões

-3,4%

2018

874 Mil

6,883 Milhões

-2,3%

50

2017

878 Mil

7,061 Milhões

3,2%

40

2016

867 Mil

6,828 Milhões

11,3%

2015

731 Mil

6,180 Milhões

6,9%

Mercado Estrangeiro

VAR.

60

30

Portugal

20

Madeira

10 0 Milhões

9

Açores 2015

2016

2017

2018

2019

AÇORES Mercado Nacional

2019

698 Mil

931 Mil

6,9%                    

2018

895 Mil

1,230 Milhões

14,1%                  

2017

773 Mil

1,088 Milhões

15,1%                  

2016

656 Mil

961 Mil

21,2%   

2015

550 Mil

783 Mil

19,1%   

Mercado Estrangeiro

VAR

PORTUGAL

Mercado Nacional

2019

15 Milhões

34 Milhões

4%

2018

20 Milhões

47 Milhões

3,2%

2017

19 Milhões

46 Milhões

10,3%

2016

17 Milhões

42 Milhões

11,2%

2015

16 Milhões

37 Milhões

8,8%


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Período homólogo também com perdas Como acima já se escreveu, o turismo da Madeira está a perder pelo segundo ano consecutivo, ainda que os dados de 2019 sejam apenas homólogos aos do ano anterior. E a verdade é que o cenário pode até vir a ser favorável para a Madeira. De acordo com os dados cedidos pela DREM, em agosto de 2019, a Madeira registou 5,615 milhões de dormidas, menos 140 mil dormidas que no mesmo período em 2018.

Ora, se em agosto de 2018 a Madeira tinha uma variação negativa de 4,1% a verdade é que a quadra do Natal e de Ano Novo podem trazer uma melhoria nesta variação.

Quanto à receita por quarto disponível, RevPAR, diminuiu mais de 3 euros, algo que a entrevista de Roland Bachmeier ajuda a perceber.

DADOS DA DREM JANEIRO A AGOSTO

Madeira

Total Dormidas

M. Nacional

M. Estrangeiro

VAR

RevPAR

2019

5,615 Milhões

719 Mil

4,896 Milhões

-2,4%

46,42€

5,755 Milhões

649 Mil

5,105 Milhões

-4,1%

49,67€

2018

Alojamento local disparou para o dobro Os dados da Direção Regional de Estatística da Madeira permitem também perceber que o número de dormidas no que diz respeito ao alojamento local (AL) mais que duplicou no período entre 2014 e 2018. Um salto de 577 mil dormidas para 1,178 mil em 2018. Dados que representam que o Alojamento Local começa a ter um peso cada vez mais significativo no turismo madeirense, ainda que a referência RevPAR tenha descido quase dois euros. Para Roland Bachmeier, Presidente da Mesa do Sector do Turismo da ACIF, o AL apesar de benéfico para a economia da Madeira, precisa de ser

melhor controlado. “Na Europa, o AL já está a ser limitado. Nós precisamos do AL. Acho que tem clientes. Lisboa, já faz uma questão muito inteligente: só há licenças para um ano. Assim podem cortar a licença. Se o dono não usa mais de seis meses não pode alugar. O problema do AL é que as pessoas que vivem nessas cidades depois não conseguem ter casa competitivas para arrendamento. As Câmaras têm de se mexer e controlar o AL”, defende, traçando já estratégias. Um dos problemas do AL é o número excessivo de camas existentes na Região. “A hotelaria está com 15 mil

camas em AL e eu acredito que outros 15 mil não registados. Ora, isto não dá. Oficialmente existem oito mil camas. Mas há diferenças entre as chegadas

de turistas e as chegadas de turistas aos hotéis. Onde estão e para onde foram 19 mil turistas se não estão nos hotéis?”, termina.

ALOJAMENTO LOCAL

Ano

Dormidas

RevPAR                             

2018

1,178 Mil

21,95€                 

2017

1,045 Mil

23,68€

2016

848 Mil

24,23€                

2015

656 Mil

21,88€

2014

577 Mil

21,21€

Fonte: DREM

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EVOLUÇÃO DOS ÚLTIMOS CINCO ANOS DO TURISMO AÇORIANO

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ENTREVISTA

“Temos de ser o topo dos topos” Açores ultrapassam Madeira

Roland Bachmeier Presidente da Mesa de Hotelaria da ACIF

no mercado português Nos Açores, o número de dormidas é feito de uma variação positiva, nos 6,9% (1,6 milhões contra 1,5 no período homólogo), mas onde as dormidas estão ainda longe do conseguido em 2018, em que foi registado um recorde de 2,1 milhões de dormidas. Nesta comparação dos arquipélagos, importa referir que o peso do mercado luso é muito mais significativo para os Açores do que para a Madeira. Esse mercado tem vindo a crescer para os Açores que, em 2018, (com 895 mil dormidas) se aproximam da Madeira (938 mil dormidas). Em 2019 e até ao momento, os Açores (698 mil dormidas) ultrapassaram mesmo a Madeira (637 mil) em dormidas nacionais com mais 61 mil dormidas para os açorianos. “Nos Açores, vive-se um novo paradigma, com crescimentos

muito acentuados e que estão a causar uma reestruturação da economia. As perspetivas de evolução do setor turístico revelam alterações substanciais

na relação da oferta com a procura, com uma capacidade de mutação cada vez mais rápida, ditada por tendências de consumo de novos segmentos

de mercado e progressos tecnológicos que acentuam a importância da economia de partilha e da web”, lê-se no documento estratégico para o turismo açoriano.

DADOS DAS DORMIDAS DOS AÇORES (2015-2019)

Açores

Total Dormidas

Mer. Nacional

Mer. Estrangeiro

VAR.

2019

1,6 Milhões

698 Mil

931 Mil

6,9%  

2018

2,1 Milhões

895 Mil

1,230 Milhões

14,1%   

2017

1,9 Milhões

773 Mil

1,088 Milhões

15,1%   

2016

1,6 Milhões

656 Mil

961 Mil

21,2%   

2015

1,3 Milhões

550 Mil

783 Mil

19,1%   

Apaixonado pela indústria do Turismo e pela Madeira, Roland Bachmeier, responsável pela Mesa da Hotelaria da ACIF, acredita que a quebra nas dormidas irá continuar até meados do próximo ano, e depois dispara. Um dos segredos para o nosso turismo é aumentar o número de noites médias do turista na Madeira e serviços de excelência direcionados para o cliente.

O hoteleiro defende que o fim da Condor é gravíssimo para a Região. O futuro é o turismo sustentável. Slogan “Visit Madeira”, página web, forma como a comunicação e marketing do nosso turismo é feito têm de ser alterados. Devemos contar mais histórias e experiências.

Pelo segundo ano consecutivo, a Madeira é a única região do país que está com uma variação negativa do número de dormidas. Uma variação de -0,3% em 2018 e de -2,4% até agosto em 2019. Na sua opinião, ao que se deve esta redução nas dormidas? “Em primeiro lugar, os nossos passageiros estão sempre a aumentar, só na hotelaria é que estão a diminuir. A hotelaria está a perder lugares, mas aumenta no Alojamento Local (AL). Neste momento temos 18 a 19 mil camas – onde provavelmente nem metade

está registado -, mas, para já, não é preocupante. O AL tem as suas necessidades, mas assim é demais. Num ano o AL cresceu 34% e continua a crescer. É um crescimento brutal. Há outras situações. No caminho tradicional, o nosso maior mercado, a Inglaterra, atravessa o Brexit. Tivemos uma quebra brutal. A situação não vai acabar ainda. A libra já não vale o que valia tornando a Europa mais cara e a falência da companhia Thomas Cook piorou o cenário.

Na Alemanha, mercado que agora está maior que o Reino Unido, os voos de negócio crescem, mas eles têm feito mais férias de carro. 73% do mercado alemão não viajou às horas que queria. Encontram problemas de trânsito, de tempo, e o comboio para os aeroportos estão lotados. As pessoas estão a ficar em terra e a andar de carro. O tempo na Alemanha este ano foi ótimo e quando está bom os alemães não viajam para fora. O ‘last minut’ morreu. Toda a gente baixou os preços. Há um grande impacto da falência da Thormas Cook e dos problemas da Condor.


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Quando as pessoas vêm para cá querem experiências. Na hotelaria o que vale são as pessoas e aquela equipa motivada. O cuidado com o cliente. Os turistas pagam por isso. Esse é o futuro.

Esta onda de sustentabilidade também não ajuda na forma como se olha para o turismo? “Vem a onda da sustentabilidade e diz-se que está tudo sujo. As pessoas estão a ver toda a gente culpar o turismo, mas o principal produtor de desperdícios é a indústria e não o turismo. O turismo é necessário para a estabilidade mundial de paz, porque viajar ajuda a conhecer as outras culturas e aumenta a compreensão entre povos. Temos países falidos e as nações de riqueza têm de a distribuir por outros países. Isso também é sustentabilidade. É manter a produção nacional, a experiência, o folclore, não é só lixo. Vamos a contas. A sujidade no ar produzido pela aviação é de 2%. 44% são passageiros e 56% é mercadoria. No fundo, nem 1% da sujidade vem das viagens. Não é nada. É a minha opinião.

O que é preciso fazer para inverter esta perda? “Toda a Europa vai sofrer neste final do ano. Não vai ser só a Madeira. Para nós, Madeira, o que podemos fazer? No tempo digital temos de ver nós e o mundo. Provavelmente temos de perder 5 a 10% na Europa e ganhar no Mundo. Temos de nos virar para a digitalização e fazer marketing e publicidade digital para estarmos abertos ao mundo. Como vamos ganhar o mundo? É com nicho de mercado, e qualidade do destino. Temos de os encontrar. Temos de ser os melhores do mundo. Temos de definir onde, trabalhar na infraestrutura, aquilo que precisamos e levar histórias para fora. Quem é o cliente que vem para a Madeira? Vista de fora para dentro. Os nossos clientes são pessoas que querem experiências. O nosso verde está bom, o clima, a segurança.

Temos de tornar a Madeira única na sustentabilidade e nas experiências. O que é necessário é o trabalho de base. Temos de trabalhar em equipa. Os hotéis, as empresas privadas de turismo, os restaurantes, todos a trabalhar juntos na sustentabilidade e com rentabilidade. O Governo tem de trabalhar connosco, desde os municípios, ao meio ambiente e ao turismo. Neste momento faltam histórias de sustentabilidade. A minha mensagem é preparar para sermos o melhor destino sustentável de Portugal. O top do top. 70% dos nossos clientes procuram montanhas e passeios a pé, porque não vamos tornar a Madeira o melhor destino em passeios a pé do mundo?! No ano passado, foram vendidos 264 milhões de passeios a pé. Com 3% disto está resolvido o nosso problema.   Esta redução no número de dormidas não é preocupante? É preocupante porque temos vários fatores. Temos muito mais AL e mais hotéis. Os voos que vêm no momento não estão cheios. A Thomas Cook caiu fora, temos de encontrar uma solução (a APM preparou 750 mil euros para sustentar os países que nos afetam diretamente).

Se a Condor acaba, acaba com o nosso destino. A Condor tem muitos voos. Eu acho que eles se vão salvar. Mas temos de ajudar. Estamos a baixar os preços para o ‘last minut’. No momento o mercado alemão não reage. São 600 mil viagens que a Thomas Cook vendeu e que está perdido. Na Alemanha, o seguro de 110 milhões não paga tudo. De momento a previsão é de quebra, mas por exemplo, li que 76% dos Alemães já não passam férias na Turquia, porque eles estão em guerra. Sempre que houve guerras o nosso turismo aumentou. Eu sei que dizer isto é mau, mas há aqui a possibilidade de aumentarmos as reservas.   As Canárias são a região mais visitada da União Europeia com 104 milhões de dormidas em 2017. Podemos continuar a considerar que são um mercado concorrente à Madeira? Eu acho que em Canárias há uma situação que é ótima para nós. Todas as ilhas estão a cair nos números, mas Lanzarote não. Eles têm um produto único, o das lavas. Foi a única ilha a manter e a aumentar o turismo. Temos de aprender como fizeram isso. Canárias já não é concorrência nossa. Nós temos muito mais verde, somos muito mais sustentados, podemos crescer melhor.  

Tendo por comparação os meses de janeiro a agosto de 2018 e 2019, o mercado nacional e o da Holanda foram os únicos a crescer. Estava à espera desta evolução? “Eu acho que o mercado nacional para nós é bom. Vale a pena apostar nele também. Temos de resolver a questão da TAP. O continental só pode vir para a Madeira quando os preços estão acessíveis. Com os preços de agosto é complicado. Os operadores conseguiram charters através da TAP e vêm cá.

‘Experience Madeira’, ou ‘Live em Madeira’, para passar a mensagem para as pessoas ficarem mais tempo. Os Açores estão a aproximar-se da Madeira relativamente ao número de dormidas do mercado nacional. Será grave sermos ultrapassados neste critério?

Temos de trabalhar mais no período médio de noites que o turista fica na Madeira. Nos meus hotéis tenho 8,4. Antigamente tinha 11 dias de média. Precisamos de produtos para que as pessoas fiquem cá.

Nunca. Açores não são nossos concorrentes. São dois produtos completamente diferentes. No futuro vamos ter a mesma marca, mas o verde deles é diferente do nosso. Eles ainda têm a defesa do ‘back to origin’ mantiveram aquilo fechado. Fazem também boas experiências. No futuro poderão ser concorrência. Nós somos mais diversificados nas experiências e na hotelaria. Por isso não podemos definir as coisas num ano ou dois.

O que tem de mudar urgentemente?

Quais são as principais estratégias que devem ser tomadas para o turismo madeirense?

Só que no continente a promoção tem de ser diferente, ainda que o continental muitas vezes não conheça o que existe cá. Procuram mais experiências. E conhecer o país. Vão aos Açores, Madeira, e o continente.

O slogan ‘Visit Madeira’ está errado! Estamos nos cinco dias de estadia média. Não é nada. É uma das chaves onde temos de trabalhar. Porque é que as pessoas não querem ficar mais na Madeira? Temos de trabalhar mais. Temos de fazer uma nova página web site, o site está antiquado. Já concordaram em fazer um novo. O slogan deveria ser

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O logotipo não se pode mudar para não perder a identidade. Temos de preparar a ilha para o turismo sustentável. Para a qualidade do turismo, da animação, da oferta, da restauração. E agora fazer histórias. Existem várias start-ups que têm de estar ligadas aos hotéis.

Os hotéis têm de comprar os produtos de cá para dar trabalho para todos. Temos de nos posicionar. Mudar o site. Aumentar os dias

de permanências e investir mais dinheiro na promoção. Aumentamos para dez milhões. Precisamos sempre de dez a 12 milhões.

Na sua opinião o novo secretário regional do Turismo, Eduardo Jesus, foi uma boa aposta por parte do Governo Regional? Eu acho que foi uma boa escolha. Acho que é bom. Ele já esteve no Turismo. O Eduardo Jesus vai entender muito mais facilmente as questões do turismo do que muitas pessoas. O aumento de 4 milhões para oito milhões foi ele que viu. Ele já sabe o que é preciso. Ele antes tinha economia e turismo. É demais. Agora é Turismo e Aviação. É bem pensado. Só falta uma junção, que é o Meio Ambiente. Mas aqui é trabalharmos juntos. Estamos no bom caminho.


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PRINCIPAIS MERCADOS TRADICIONAIS

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PRINCIPAIS MERCADOS EMERGENTES

Portugal e Países Baixos a crescer em 2019 Na comparação dos cinco principais mercados turísticos para a Madeira, entre janeiro e agosto de 2018 e 2019, olhando aos dados da DREM, apenas dois mercados se encontram a crescer: o português e o holandês. Enquanto o mercado dos Países Baixos cresce apenas na casa das 4 mil dormidas, a nível nacional o número é bastante mais significativo.

Alemanha e Reino Unido são mercados líderes Dois dos três países mais numerosos da União Europeia (Alemanha com 82 e Reino Unido com 61 milhões de pessoas) são também os países com maior número de dormidas na Região. No período comparativo entre 2014-2018, eram também estes dois países que superavam todos os outros mercados com mais do dobro do número de dormidas na Região que todos os outros países juntos que visitam a Madeira. A importância da Alemanha e do Reino Unido para o turismo insular é nuclear. Enquanto entre 2014 a 2018 o mercado alemão foi crescendo de forma contínua, o mercado inglês teve uma quebra de 70 mil dormidas em 2018.

Analisando os últimos três anos, muito positivos ao nível de dormidas, os mercados alemão e inglês estiveram

muito perto de alcançar os 2 milhões cada na Região. O mercado francês está posicionado no terceiro lugar,

mas com menos de metade das dormidas dos dois primeiros. Holanda e Polónia vão alternando no 4.º e 5.º lugar.

PRINCIPAIS MERCADOS EMISSORES DO TURISMO DA MADEIRA

Ano

Alemanha

R. Unido

Portugal

França

2018

2,093 Milhões

1,970 Milhões

938 Mil

791 Mil

297 Mil               

201

2,084 Milhões 2,040 Milhões

927 Mil

745 Mil

340 Mil               

2016

1,974 Milhões 2,033 Milhões

893 Mil

707 Mil

325 Mil               

2015

1,723 Milhões

1,739 Milhões

742 Mil

718 Mil

237 Mil               

1,587 Milhões

1,482 Milhões

711 Mil

712 Mil

230 Mil                                 

2014

Dados DREM

Países Baixos    

São mais 70 mil dormidas dos territórios portugueses. Números que, mesmo assim,

não conseguem minimizar uma perda na 176 mil num período homólogo.

COMPARAÇÃO JANEIRO A AGOSTO

Ano

Alemanha

Reino Unido

Portugal

França

Países Baixos

2019

1,289

1,221 Milhões

719 Mil

575 Mil

222 Mil                                    

2018

1,403

1,317 Milhões

649 Mil

615 Mil

218 Mil      


18 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

8 DE NOVEMBRO DE 2019

PRINCIPAIS MERCADOS EMERGENTES

19

PRINCIPAIS MERCADOS CONCORRENTES

Canárias e Cabo Verde

Canárias ultrapassam as 100 milhões de dormidas

Canadá e Letónia foram os que mais cresceram percentualmente Olhando à taxa de variação dos últimos anos, foi o mercado do Canadá aquele que mais cresceu até 2018 nas dormidas na Região. Isto, claro, deixando de fora os principais mercados ao nível de dormidas na Região. Assim, desde 2014, o Canadá cresceu 31,4%, sendo seguido de perto pela Letónia, que está nos 29,4%. A verdade é que, estes continuam a ser mercados que ainda não têm grande peso no somatório da totalidade de dormidas na Região. Olhando aos números absolutos e não às percentagens destes mercados emergentes, a Polónia e a Suíça são de longe os mercados que mais fornecem dormidas para a região, mas a taxa de crescimento de ambas esteve abaixo do que fez o Canadá, Letónia, Bulgária, EUA e Eslováquia. Curiosamente, a Letónia, a Polónia, a Suíça e a Irlanda não acresceram em número de dormidas em 2018.

PRINCIPAIS MERCADOS EMERGENTES

Ano

Canadá

Letónia

Bulgária

EUA

Eslováquia

2018

37 137 Mil

9 796 Mil

6 395 Mil

59 956 Mil

10 914 Mil

2017

32 627 Mil

10 387 Mil

3 988 Mil

52 821 Mil

9 668 Mil

2016

22 489 Mil

6 768 Mil

3 409 Mil

43 827 Mil

8 716 Mil

2015

16 204 Mil

8 052 Mil

2 749 Mil

30 380 Mil

6 330 Mil

2014

12 440 Mil

349 Mil

2 610 Mil

25 731 Mil

4 775 Mil

31,4%

29,4%

25,1%

23,6%

23,0%

Var. 5 Anos Dados DREM

OUTROS MERCADOS EMERGENTES

Ano

R. Checa

Polónia

Suíça

Brasil

Irlanda

2018

88 125 Mil

275 753 Mil

154 996 Mil

36 778 Mil

25 733 Mil

2017

87 450 Mil

292 109 Mil

159 954 Mil

35 930 Mil

38 588 Mil

2016

69 106 Mil

237 890 Mil

139 066 Mil

25 392 Mil

39 870 Mil

2015

53 995 Mil

193 900 Mil

133 415 Mil

25 642 Mil

31 290 Mil

2014

45 998 Mil

179 684 Mil

122 163 Mil

8 950 Mil

15 618 Mil

Var. 5 Anos

17,6%

17,6%

11,3%

6,2%

13,3%

Dados DREM

De todas as regiões da Europa, Canárias reparte com a Catalunha as estatísticas da liderança do número de dormidas. Em 2018, mesmo com 111 milhões de dormidas, Canárias foi ultrapassada pela Cataluna, mas em 2017, os 104,4 milhões de dormidas registadas pelo arquipélago Espanhol, colocaram-nos na liderança do turismo europeu. Números tão significativos que deixam especialistas como Roland Bachmeier a dizer que o nosso turismo já não é comparável com o do arquipélago espanhol.  

Em 2017, esta liderança de Canárias era conseguida com uma vantagem de 21,4 milhões de dormidas para a segunda região europeia com maior número de dormidas, a Catalunha, que apresentou 84 milhões de dormidas. Com efeito, Espanha domina largamente este critério das Regiões ao colocar cinco regiões em 10.   Os emissores destaque para a Espanha são Reino Unido (17,9 milhões), Alemanha (11,4 milhões) e França (10,6 milhões) em milhões de dormidas. 

Importa aqui também não esquecer que o arquipélago das Canárias tem muito mais população do que, por exemplo, a Madeira, com Gran Canária (845 mil habitantes) e Tenerife (891 mil habitantes) a estarem perto dos 900 mil habitantes. Apesar das tentativas junto do serviço de estatísticas de Canárias, do INE, do Turismo de Portugal, não foram conseguidos mais dados.

DORMIDAS NO ARQUIPÉLAGO DAS CANÁRIAS

Ano

Dormidas

2018

111 milhões

2017

104,4 milhões

2016

109 milhões

2015

94 milhões

2014

99 milhões


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20 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

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PRINCIPAIS MERCADOS CONCORRENTES A nível da oferta destaca-se a presença de marcas internacionais de referência no sector: RIU, TUI, Hilton, Sol Melia, Thomsonfly, entre outros. A proximidade dos principais mercados emissores de Turismo na Europa, a existências de 4 aeroportos internacionais (nas ilhas de Boavista, S. Vicente Sal e Praia), o clima ameno, aliado à diversidade paisagística e cultural proporcionada pela insularidade são pontos fortes deste sector.

Turismo fulcral para a economia de Cabo Verde Com um peso de cerca de 21% no PIB de Cabo Verde, o turismo é o principal sector para o governo daquele arquipélago. Com um crescimento gradual e continuado, Cabo Verde está

muito próximo de atingir as cinco milhões de dormidas, também com os números de hóspedes com um aumento gradual, mas em que o milhão de turistas ainda está a mais

de duzentos mil hóspedes. Este é um número definido pelo governo de Cabo Verde que o dá conta no documento estratégico do turismo para aquele arquipélago.

CABO VERDE

Ano

2014

2015

2016

2017

2018

Hóspedes

539 621 Mil

569 387 Mil

644 429 Mil

716 775 Mil

765 696 Mil

Dormidas

3 414 832 Milhões

3 710 000 Milhões

4 092 551 Milhões

4 597 477 Milhões

4 935 891 Milhões

Dados do Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde

PRINCIPAIS MERCADOS DE CABO VERDE (DORMIDAS) Cabo Verde Reino Unido

Itália

Portugal

Alemanha

França

Bélgica/Holanda

2017

1,440 Milhões

277 Mil

356 Mil

526 Mil

353 Mil

529 Mil

2016

1,225 Milhões

259 Mil

318 Mil

29 Mil

325 Mil

478 Mil

2015

1,148 Milhões

189 Mil

322 Mil

575 Mil

279 Mil

458 Mil

2014

839 Mil

199 Mil

316 Mil

511 Mil

285 Mil

385 Mil

2013

836 Mil

218 Mil

323 Mil

528 Mil

317 Mil

326 Mil

A ilha do Sal foi a mais procurada pelos turistas, representando cerca de 49,5% das entradas nos estabelecimentos hoteleiros. Seguem-se a ilha da Boa Vista com 26,9% e Santiago 11,2%. Em termos de mercado emissor Portugal está em quarto lugar, depois do Reino Unido, Alemanha e Holanda. O principal mercado emissor de turistas continua a ser o Reino Unido, com 22,7% do total das entradas. “Os turistas do Reino Unido foram os que permaneceram mais tempo em Cabo Verde, com uma estadia média de 8,3 noites”, lê-se no INE de Cabo Verde. 


22 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

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OPINIÃO numa evolução cíclica própria de qualquer atividade económica.   O excelente relacionamento estabelecido entre a ANA (Concessionária dos Aeroportos), a Associação de Promoção e o próprio Governo Regional, tem resultado de forma evidente, verificando-se uma tendência crescente dos movimentos e dos passageiros, circunstância que continua a caraterizar o momento presente.

No Turismo o nosso compromisso

Apesar do notável desempenho, a realidade coloca-nos um conjunto de circunstâncias que reclama toda a nossa atenção, pois o potencial de crescimento resulta afetado e condicionado. A construção do Aeroporto Internacional da Madeira Cristiano Ronaldo, envolveu o financiamento do Banco Europeu de Investimento (BEI), cujas condições colocadas, visando a proteção do destino, resultam, hoje, em parte, em condicionantes à nossa competitividade, como destino turístico integrado na realidade global. 

Eduardo Jesus Secretário Regional de Turismo e Cultura

A condição mundial do setor turístico faz dele o mais globalizado de todos e, consequentemente, o mais vulnerável aos acontecimentos planetários.

Refletir sobre esta temática, neste que é o fórum regional do turismo, com longa tradição e forte contribuição, é uma honra, uma alegria e simultaneamente uma grande responsabilidade.

Por razões naturais, políticas, económicas, religiosas, militares ou sociais, o turismo evolui admitindo constrangimentos, aproveitando oportunidades e surpreendendo, sempre, com muita inovação.

Enfrentar a realidade é o primeiro passo para qualquer pensamento que se queira útil à boa decisão. Este tem sido o mote das Conferências Anuais do Turismo que sempre procuraram contribuir para a

formação de uma consciência alargada e bem formada para melhor agir. Com um setor maduro, afirmado e consolidado na oferta e no nível da prestação, o Turismo na Região Autónoma da Madeira apresenta-se como em todo o mundo. Sempre muito dinâmico, alicerçado na promoção, na dependência dos acessos, focado na satisfação dos clientes e enquadrado

A par desta circunstância contratual, a atualização tecnológica, visando a minimizarão dos impactos dos fenómenos naturais, constitui um outro desafio a vencer para que a operacionalidade da infraestrutura seja otimizada, com benefícios evidentes para os residentes e visitantes. A própria condição insular, que resulta como caraterística de atratividade junto da procura, impõe um sobre esforço

na captação de operações que reforcem a nossa acessibilidade, conduzindo a um esforço de investimento acrescido e concertado entre todos os parceiros.

abertura, a diversidade e a dimensão da escolha - entendase da oferta - não é capaz de afirmar estabilidade face à dinâmica da procura, cada vez mais irreverente e imprevisível.

Nenhuma destas circunstâncias deve ser assumida como razão para refúgio no conformismo, antes pelo contrário, como estímulos à dedicação, ao empenho e à determinação para ultrapassar as limitações, afirmar o nosso produto e captar mais e melhores mercados, afirmando o contributo do setor ao nível do emprego, do investimento e da criação de riqueza.

As prioridades resultantes das opções pela Sustentabilidade Ambiental e da inovação para a dimensão “Smart” impõem um nível de responsabilidade acrescido, reclamando um equilíbrio nunca antes verificado, onde cada ação tem impacto material e sempre relevante para o setor no seu todo.

A par destas que são áreas cuja nossa intervenção resulta direta, há que lidar com as consequências que advêm de um mercado aberto, globalizado e muito imprevisível. A emergência de concorrência feroz de destinos concorrentes / alternativos, a par das mega-tendências mundiais, onde a Ásia afirma o centro das atenções, a atividade empresarial reserva sempre surpresas, ora por decisões tecnológicas, outras vezes pelas estratégias assumidas, ou mesmo pela ambição de domínio no negócio, do seu conceito, ou de espaço geográfico. Complementarmente, os hábitos dos consumidores motivam atenção especial. Nada se mantém estável. As preferências ditam transferências de consumo, surpreendem a oferta e desafiam os investidores. A

Tendo consciência da importância da antecipação para uma melhor preparação do futuro, recorrendo-se ao planeamento e à definição de estratégias, a rapidez com que tudo acontece, conduz-nos a uma atitude de permanente alerta, procurando tirar proveito dos ciclos positivos, minimizando o impacto dos negativos e encontrando soluções para a satisfação de todos os intervenientes públicos e privados. Com a certeza de que não é possível crescer sempre, encaram-se as tendências atuais como motivos para uma dedicação específica, envolvente e acrescida, visando a adequação dos interesses e a promoção do bem-estar da população em geral. O desafio não é exclusivo para um ou para outro, é, sim, com toda a certeza, motivo para a afirmação de um forte compromisso de todos.


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OPINIÃO TURISMO DE EVENTOS

Turismo Náutico e Eventos O que nos une e o que nos afasta O modo como olhamos para os eventos náuticos é, na maior parte das vezes, uma visão a curto prazo. Acontece que, cada vez mais, a consistência de eventos de maior ou menor dimensão num determinado destino/região, permite alavancar a mesma a longo prazo.

Rodrigo Rato Diretor Comunicação Volvo Ocean Race

Podemos dar alguns exemplos em áreas nas quais a perceção é imediata ou, com projeção mediática internacional, nomeadamente a região da Madeira. Recordamos o impacto que tiveram as já extintas Extreme Sailing Series, com um retorno mediático bastante superior ao Rally Vinho Madeira, e

que, na última edição da Volvo Ocean Race a frota rondasse o Porto Santo e também uma boia virtual intitulada “Porto Santo Norte. Tudo isto se deveu à transição de alguns gestores das Extreme Sailing Series para a Volvo Ocean Race. Quando olharam para o atlântico norte, não optaram pelas ilhas Canárias mas sim pelo Porto Santo. Houve várias notícias em meios de comunicação de todo o mundo a por o arquipélago da Madeira no radar da náutica internacional, e que só não tiveram maior impacto pôr não ter sido possível a contratação de um helicóptero para captar mais

e melhores imagens, isto já com uma equipa de televisão e jornalistas com viagens reservadas para o efeito. Este ano, Portugal deixou cair a The Ocean Race (ex Volvo Ocean Race) e, quando Cabo Verde apareceu como local de paragem da prova, logo um coro de experts veio dizer “como se via, já não era para nós mas sim para mercados emergentes”. Mas logo apareceu também a Dinamarca (tendo pago um milhão de euros na edição anterior por uma passagem/ boia em Arhuus), a Holanda

(Haia acolheu o final da última edição) e, para grande surpresa de alguns, um país com graves problemas de turismo - Itália - …… quando não há conhecimento. Devido ao trabalho consistente e meritório de algumas regiões e/ou cidades, Portugal tem acolhido na última década, alguns dos melhores eventos náuticos a nível mundial mas este fator deve-se ao esforço de muitos autarcas e empresários que tomaram consciência do impacto económico e mediático que os eventos náuticos têm ao longo dos anos.

Uma das principais características dos eventos náuticos é que são geridos e cobertos por um pequeno número de pessoas, o que leva a que haja uma enorme partilha de informação entre decisores, jornalistas, velejadores e empresas ligadas a esta área. Podemos mesmo afirmar que a Madeira está no radar de pessoas ligadas a este tema e, estamos certos que haverá oportunidades para outros eventos que terão um grande e positivo impacto na economia e promoção da Madeira.


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OPINIÃO TURISMO DE SAÚDE

THE COST OF MEDICAL PROCEDURES IN SELECTED COUNTRIES (IN US DOLLARS)

Hospital Privado da Madeira

TURISMO DE SAUDE EM PORTUGAL - REALIDADE OU FICÇÃO Sendo o Turismo uma atividade económica por excelência no território nacional, com crescimento constante e consistente em quase todas as suas vertentes, seria de esperar que o Turismo Médico espelhasse este sucesso. Infelizmente, embora existam alguns paradigmas de sucesso, esta área de negócio não teve o crescimento e projeção que se esperava. Foram vários os grupos económicos ligados ao turismo e a saúde que apostaram na implementação, mais ou menos estimulada pelos organismos estatais, de programas de turismo médico.

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Realizaram-se estudos, financiou-se a criação de websites, de conteúdos atrativos e pacotes com preços fechados eventualmente competitivos com os países emissores de potenciais clientes de turismo de saúde. Mas a realidade é que Portugal, continua a passar ao lado dos grandes destinos de Turismo Médico.

MAS O QUE É O TURISMO MEDICO? Entende-se como turismo médico a deslocação de um doente entre regiões, com o primordial objetivo de obter determinado tratamento medico: seja uma cirurgia, um programa de reabilitação

específico ou tratamento de determinada doença. Exclui-se deste contexto o tratamento de doença súbita que ocorra a um turista durante uma viagem, ou a assistência a turista residencial.

QUEM PROCURA ESTE SERVIÇO? Os grandes países emissores de turistas médicos são aqueles onde os cuidado de saúde tem custos muitos elevados ou com tempos de espera prolongados na assistência, ou ainda aqueles onde a qualidade da assistência medica não tem a diferenciação humana ou tecnológica pretendida pelos doentes.

QUAIS OS FATORES PRINCIPAIS QUE LEVAM UM UTENTE A DECIDIR O DESTINO? Optar por procurar tratamento médico fora do conforto e apoio familiar não é uma decisão que se tome de ânimo leve. Os fatores que influenciam a decisão são o custo, a acessibilidade e disponibilidade, a qualidade e diferenciação, e a referenciação e marketing pessoal, institucional e do próprio país.

Malaysia

USA

India

Thailand

Singapore

Korea

Heart Bypass

$12,000

$130,000

$9,300

$11,000

$16,500

$34,150

Heart Valve Replacement

$15,000

$160,000

$9,000

$10,000

$12,500

$29,500

Angioplasty

$8,000

$57,000

$7,500

$13,000

$11,200

$19,600

Hip Replacement

$10,000

$43,000

$7,100

$12,000

$9,200

$11,400

Hysterectomy

$4,000

$20,000

$6,000

$4,500

$6,000

$12,700

Paulo Vieira de Sousa

Knee Replacement

$8,000

$40,000

$8,500

$10,000

$11,100

$24,100

Director Clinico Grupo HPA Saúde

Ora o custo dos procedimentos médicos são em Portugal inferiores a países como EUA ou UK, mas ainda consideravelmente superiores a países como a India, Singapura ou Tailândia, onde os custos com consumíveis são menores, os custos com staff inferior e o apoio governamental, traduzido muitas vezes em oferta de viagem ou estadia, muito superiores ao apoio existente Portugal.

Temos pois que apostar em diferenciação, com custo controlado, dando garantias de qualidade baseadas em standarts internacionais e validadas por instituições de renome. Apostar em algumas áreas que possamos evidenciar sucesso internacional e ser referencia, liderar pela investigação e tecnologia, pelo humanismo e segurança.

Infelizmente o estado das instituições públicas em Portugal não tem permitido atingir estes standarts, sendo fundamentalmente os Grupos de Saúde Privados a lutar pela captação destes “turistas”. Há um longo caminho a percorrer, sendo necessários apoios e estratégia nacional para concorrer neste mercado internacional tao competitivo. O fator climatérico e boa capacidade hoteleira não se

tem revelado suficientemente persuasivos para a captação de turistas médicos. No entretanto, o 1º passo é transmitir aos atuais turistas que procuram o nosso país as condições e a segurança para uma assistência medica de elevada qualidade e humanismo. Eles são os nossos primeiros embaixadores e promotores da qualidade dos serviços médicos em Portugal.


28 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

8 DE NOVEMBRO DE 2019

OPINIÃO TURISMO DE EVENTOS

Este fenómeno veio alterar ainda mais a dinâmica tradicional do mercado hoteleiro, que se estava a adaptar à migração dos acordos com operadores turísticos e agências de viagens para fenómenos como o Booking e seus semelhantes. Adicionalmente, veio impactar o mercado imobiliário atraindo novos investidores para o mercado, devido ao aumento de rentabilidade dos investimentos imobiliários via Airbnb.

Garcia e Costa | CEO KW PORTUGAL

O impacto do Turismo Residencial É do conhecimento empírico de todos nós que o fenómeno da globalização tem vindo a ganhar dimensão ao longo das últimas décadas tornando as economias dos diferentes países cada vez menos locais. A globalização tem tido inúmeras consequências económicas e sociais por impactar fortemente a mobilidade das pessoas. A referida mobilidade tem ocorrido não só nos fenómenos de emigração e imigração, mas também no número e frequência de deslocações de negócio e turísticas. Associado a este aumento significativo da mobilidade das pessoas apareceram novos players que aproveitaram simultaneamente a globalização, o acesso digital que é proporcionado às

pessoas e, o desenvolvimento tecnológico para fazerem emergir novos modelos de negócio assentes nestas novas realidades. O aumento do turismo a nível mundial é uma realidade que veio para ficar nas próximas décadas e, Portugal com as suas características naturais e o investimento na exploração turística será sempre um destino de eleição. Este aumento de turismo em Portugal tem tido diferentes impactos nomeadamente no aumento, diversificação e sofisticação da oferta hoteleira para abarcar diferentes segmentos turísticos e também na aquisição de imóveis residenciais por estrangeiros, que optam por transferir a

sua residência para Portugal, essencialmente no segmento dos aposentados. A emergência de modelos de negócio globais assentes em tecnologia e associados ao aumento de deslocações turísticas também veio para ficar. O fenómeno Airbnb veio permitir a um particular que o seu apartamento esteja em competição directa, com um quarto de hotel de uma cadeia de renome, pela estadia de curta duração de um turista. Este fenómeno é global e é verdadeiro para qualquer cidade ou destino turístico com imobiliário residencial.

A valorização de imóveis nas zonas históricas de Lisboa, Porto e também da Madeira (zonas privilegiadas de procura turística) foi um dos impactos

claramente positivos, reabilitando com investimento privado as zonas históricas degradas, adicionada da revitalização da vida diária dessas partes das cidades que se encontrava essencialmente moribunda reabilitando comércio e restauração nessas mesmas zonas. A limitação no acesso ao arrendamento tradicional em cidades como Lisboa e Porto (afectando fortemente estudantes universitários) e aumento de preços no imobiliário são outras das consequências criadas pelo fenómeno Airbnb.

Em conclusão, o turismo residencial é um fenómeno irreversível que tem fenómenos globais estruturais fortíssimos por detrás. Fará parte do papel dos players do mercado hoteleiro e imobiliário decidirem se olham para este fenómeno como uma oportunidade ou uma ameaça.

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30 | XIII CONFERÊNCIA ANUAL DE TURISMO

8 DE NOVEMBRO DE 2019

PROGRAMA

XIII Conferência Anual do Turismo

OPINIÃO FISCALIDADE DO DESTINO

Os Impostos não vão de férias?

08h15 - 09h00

RECEÇÃO DOS PARTICIPANTES

09h15 - 10h20

SESSÃO DE ABERTURA

09:15 Paulo Pereira - Presidente da DR da Madeira da Ordem dos Economistas 09:30 Entidade Oficial 10:00 Keynote Speaker: Francisco Pita - CMO Ana Vinci Airports Portugal (Análise e Evolução potencial dos Principais Mercados Emissores) 10h20 - 11h30

I PAINEL - NOVOS MERCADOS

Rosa Areias

10:20 Luís Nunes - CEO InovTravel / Portugal Getways (Operador EUA/Canadá)

Partner PWC

10:40 Ricardo Madruga da Costa - Diretor Comercial da SATA

Porque será que não podemos ter férias dos impostos? Perdoem-me a questão, mas acredito que a maioria dos leitores esteja ligada ao setor do Turismo e dar-me-ia algum jeito, a mim e a mais de 10 milhões de portugueses, perceber o porquê. Curiosa como sou fui investigar sobre o que se diz por aí dos impostos. Para início de leitura analisei o 22º CEO Survey da PwC, lançado em janeiro de 2019, na conferência anual do Fórum Económico Mundial, em Davos. Este survey contou com a colaboração de 1 378 CEO de mais de 90 países, dos quais 70 CEO eram portugueses. Para estes últimos o populismo, o aumento da carga fiscal e o excesso de regulação encabeçam as principais preocupações, sendo que o excesso de regulação e o aumento da carga fiscal

Moderador: Francisco Sá Nogueira - Empresário, Consultor, Visiting Professor Porto Business School passam a figurar este ano, pela primeira vez, no top 3. Acresce que os CEO estão também preocupados com a complexidade da legislação fiscal, percecionada como um relevante custo de contexto que impacta negativamente na competitividade. Tirei a minha primeira dúvida: os CEO em geral falam dos impostos e é algo que “lhes tira o sono”. Continuando a minha pesquisa, tive a oportunidade de encontrar um estudo da OCDE relativo a 2018 e divulgado no início deste ano, que evidencia que Portugal, numa amostra de 88 países, registava já a segunda mais elevada taxa combinada de imposto sobre o rendimento das sociedades (30%), no conjunto das economias pertencentes à OCDE, ficando apenas atrás da França (34,4%). Comecei a perceber a base das insónias dos CEO…

Mas, não satisfeita, continuei a pesquisa e descobri que para além das questões ao nível dos impostos sobre o rendimento, o setor do Turismo em particular tem perdido competitividade fiscal ao nível dos impostos indiretos, especialmente no que ao IVA diz respeito. A impossibilidade de dedução integral do IVA suportado com despesas resultantes da organização e participação em congressos, feiras, exposições, seminários e conferências afeta de forma clara a competitividade do nosso país na candidatura à organização de congressos internacionais face a outros países em que o direito à dedução não é tão limitado ou até não conhece quaisquer limitações. Os impostos andam mesmo por aí.

Mas ainda inconformada continuei a minha pesquisa e percebi que já há mesmo uma tentativa de os camuflar em taxas, sendo que a mais ameaçadora no momento parece ser a taxa municipal turística, que tem conseguido ganhar preponderância e cada vez maior relevância ao nível de arrecadação de receita. Sinceramente, nesta fase abandonei as minhas pesquisas. Se o meu objetivo era pedir ajuda aos profissionais do setor do turismo para incentivarem os impostos a irem de férias, ainda os levo a pensar que o melhor será eles mesmos irem de férias pois não valerá mais a pena investir neste contexto. Mas não desistam, pois há mais de 10 milhões de portugueses que, como eu, estão cansados e precisam de vocês. Vou tirar uns dias…

11h30

COFFEE-BREAK

12h00 - 13h30

II PAINEL - AÇÕES DE PROMOÇÃO

12:00 Maria Mendez Castro - Promotour Turismo de Canárias 12:20 Rosa Areias - Partner PWC (Competitividade Fiscal de um Destino) Moderador: Francisco Sá Nogueira - Empresário, Consultor, Visiting Professor Porto Business School 13h30

INTERVALO PARA ALMOÇO

15h00 - 16h30

III PAINEL - POSICIONAMENTO DO DESTINO MADEIRA

15:00 Rodrigo Rato - Diretor Comunicação Volvo Ocean Race (Turismo Eventos) 15:15 Paulo Sousa - Diretor Clínico HPA Saúde (Turismo Saúde) 15:30 Eduardo Garcia e Costa - CEO KW Portugal (Turismo Residencial) Moderador: José Bizarro - Diretor da PWC 16h30

SESSÃO DE ENCERRAMENTO

16:30 Rui Leão Martinho - Bastonário Ordem Economistas 16:50 Entidade Oficial 17h15 - 18h30

NETWORKING BY CORAL

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32 | XIII CONFERÃ&#x160;NCIA ANUAL DE TURISMO

Profile for Grupo HPA Saúde

Leia a entrevista acerca da nossa experiência de mais de 20 anos.  

Decorreu hoje no Funchal a XIII Conferência Anual do Turismo, organizada pela Ordem dos Economistas e dedicada aos Mercadores Emissores. O G...

Leia a entrevista acerca da nossa experiência de mais de 20 anos.  

Decorreu hoje no Funchal a XIII Conferência Anual do Turismo, organizada pela Ordem dos Economistas e dedicada aos Mercadores Emissores. O G...

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