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Gramado - Serra Gaúcha Julho - Agosto/2017 - ANO I - Nº 03

Gramado - Serra Gaúcha Julho - Agosto/2017 ANO I - Nº 03 Distribuição Gratuíta

ENTREVISTA EXCLUSIVA

NESTA EDIÇÃO

VOLTENCIR FLECK

DIVULGAÇÃO

Hospital São Miguel sob o olhar do MP

Especialista em cirurgia da mão atende Gramado e a região

Titular da 2ª Promotoria de Gramado, Dr. Max Guazelli (foto) comenta sobre a Intervenção Administrativa, cujo prazo encerra no dia 25 de agosto. Além disso, ele entende que a Gramadotur tem que considerar o repasse de valores mensais ao nosso Hospital.

O Dr. Jefferson Luis Braga (foto acima) detentor do mais alto título acadêmico do Brasil, premiado na França pela contribuição científica que fez à Cirurgia da Mão, reconhece que o HASM possui todas as condições técnicas para realizar as suas cirurgias, das mais simples as mais complexas. Páginas 12 e 13

Páginas 08 a 11

VOLTENCIR FLECK

TRANSPARÊNCIA

Dois detectores fetais e um otoscópio foram entregues no decorrer do mês de junho para a instituição hospitalar dos gramadenses. Página 04

VOLTENCIR FLECK

Órbis da Várzea Grande doa equipamentos para o HASM

Direção do HASM presta contas do primeiro semestre de 2017 Números exatos de valores recebidos são apresentados, traçando um comparativo com o mesmo período do ano passado. Páginas

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REDES SOCIAIS

Facebook do HASM mantém mais de 20 mil envolvimentos mensais O valor social desta integração é inestimável, a forma com que as questões do Hospital são tratadas publicamente podem ser consideradas um case de transparência na gestão pública Por Voltencir Fleck*

A

Organização das Nações Unidas (ONU) estima que a população mundial cresça a um ritmo de 1,2 %, isto significa que aproximadamente 211 mil pessoas nascem por dia no mundo. Segundo a Gartner Consulting, uma consultoria respeitadíssima em tecnologia da informação, no primeiro trimestre de 2016 foram comercializados, diariamente, ao redor do mun-

do 3,8 milhões de smartphones. Uma reflexão muito superficial a respeito deste dado poderia encerrar o assunto sobre a importância das redes sociais e de se estar presente nelas. O maior site do mundo é o Facebook, a quase totalidade daqueles 3,8 milhões de smartphones vendidos diariamente é, quase que imediatamente, conectado a esta rede social. Não existe canto deste planeta que não seja alcançado pelo poder quase que ilimitado desta tecnologia. Pois bem, e o que isto tem a ver com um hospital público? Absolutamente tudo, principalmente, quando se apresenta o componente “público”. A rotina, as dificuldades, as conquistas de uma instituição de saúde pública são informações relevantes a todos os habitantes de uma cidade. O alcance que o Facebook dá para as publicações de uma fanpage de um hospital público é o sonho de todo proprietário de qualquer empreendimento que, por sua vez, é obrigado investir em anúncios para

levar a sua mensagem ao público consumidor de seus produtos ou serviços, segmentado, escolhido a dedo pelas poderosas ferramentas de divulgação de empresas do Facebook. Porém, no caso do hospital público, o público alvo é todo mundo e este alcance não custa nada. O Hospital Arcanjo São Miguel, recentemente, começou a usar esta ferramenta para interagir com a comunidade de Gramado e região. De forma absolutamente orgânica, a fanpage do hospital tem trocado informações em tempo real com a sua audiência. Nos últimos seis meses, o número de seguidores dobrou, o alcance mensal das publicações já chegou, em alguns períodos, a 25 mil pessoas e, devido aos check-ins e publicações de visitantes os envolvimentos com as publicações são sempre acima de 20 mil mensais. O valor social desta integração é inestimável, a forma com que as questões do hospital são tratadas publicamente podem ser consideradas um case de trans-

parência na gestão pública. Além de levar as informações da intervenção, aquisições de equipamentos, doações recebidas da comunidade, campanhas de arrecadação de recursos, dicas de saúde, etc. A fanpage do hospital também recebe um retorno da população, e consegue, por esta via ter um diálogo com as pessoas. As pessoas avaliam, reclamam e, felizmente, elogiam muito o atendimento recebido quanto precisam dos serviços do São Miguel. O Facebook do hospital também funciona como ferramenta de endomarketing, divulgando cursos e eventos destina-

dos aos funcionários. Na era da sociedade da informação é inconcebível que empresas e instituições, principalmente as públicas, não tenham sua presença marcada nas redes sociais. No caso do São Miguel, que definiu a hospitalidade como sua missão, ser avaliado por isso, ter o retorno imediato da comunidade, dialogar em tempo real com as pessoas, é a forma eficaz de saber se a missão está sendo cumprida. *Radialista e Jornalista | Assessor de Comunicação do Hospital Arcanjo São Miguel

O Jornal do Hospital Arcanjo São Miguel é uma produção e publicação da Dinâmica – Assessoria e Consultoria REPRESENTADO PELA: Empreendedora - CNPJ: 01.089.562/0001-16 | Julho - Agosto/2017 | Presidente da Comissão Interventora do Hospital Arcanjo São Miguel: Jeferson Willian Moschen | Superintendente Administrativo do HASM: Ivan Luiz Michelon | Diretor de Controladoria do HASM: Ricardo Pigatto | COMISSÃO INTERVENTORA: Altemir João Teixeira – representante da Secretaria Municipal de Saúde. Gilmar Flores Nardini – representante do Conselho Municipal de Saúde. Ana Cláudia Wagner – representante dos funcionários do Hospital Arcanjo São Miguel. Lineu Ricardo Kern – representante das entidades empresariais de Gramado. Felipe Ribas Dourado – Procurador Adjunto – Processos Administrativos da Prefeitura Municipal de Gramado. | Editor: Voltencir Fleck – DRT/RS nº 10010 - fleck.gramado@gmail.com | Projeto gráfico, arte e design: José Francisco Alves - 51 99941.5777 | Os textos e artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores. | Tiragem: 3 mil exemplares. | Impressão: Gráfica UMA - Caxias do Sul - Grupo RBS


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Direção do Hospital buscou apoio do Governo do Estado

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presidente da Comissão Interventora do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), também secretário municipal adjunto de Saúde, Jeferson Moschen, encaminhou solicitações extremamente importantes ao secretário de Estado da Saúde, Dr. João Gabbardo dos Reis, na terça-feira, 11 de julho, entre as quais a solicitação do repasse de recursos referentes a três processos de Consultas Populares dos anos de 2009/2010, 2010/2011, 2012/2013, e a complementação das diárias da UTI, tendo em vista que o HASM possui sete leitos habilitados pelo Sistema Único de Saúde. Além disso, observando que a instituição hospitalar gramadense é referência na Rede

Cegonha, bem como nos serviços de Traumatologia e Ortopedia em média complexidade para os municípios de Linha Nova, Picada Café e Nova Petrópolis, foi solicitado o repasse de mais R$150 mil mensais ao governo estadual. “Buscamos sensibilizar o Governo do Estado para que os processos da Consulta Popular, referidos a reformas do Hospital, saiam do papel. São aproximadamente R$ 800 mil que aguardam a liberação. Estamos focados na busca da resolução disso. Outro assunto tratado foram as diárias da UTI. Também solicitamos um aporte financeiro para cobrir um déficit do Hospital que ainda está em torno de R$ 150 a R$170 mil mensais. O que nos foi prometido é a pos-

VOLTENCIR FLECK

FINANÇAS

O repasse de recursos referentes a três processos de Consultas Populares e a complementação das diárias da UTI foram assuntos pautados durante a reunião com o secretário de Estado da Saúde, Dr. João Gabbardo dos Reis

sibilidade de reavaliar um novo contrato se o HASM credenciar o serviço de Alta Complexidade em cardiologia e neuro-cirurgia”, comenta Jeferson Moschen. A audiência com o secretário Gabbardo foi realizada a partir da solicitação do deputado estadual, titular da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembléia Legislativa, Maurício Dziedricki (PTB), e contou com a presença do secretário adjunto da secreta-

ria de Estado da Saúde, Francisco Zancan Paz, do diretor de controladoria do HASM, Ricardo Pigatto, dos vereadores gramadenses Luia Barbacovi (PP) e Volnei Desiam, popularmente conhecido como Volnei da Saúde (PP). “Recebemos aqui um conjunto de informações sobre o funcionamento do Hospital, as necessidades que o Hospital Arcanjo São Miguel tem, que a região tem. Na medida do possível a Secretaria de

Saúde vai tentar colaborar, contribuir, para atender as solicitações que foram feitas”, comentou o Dr. João Gabbardo que recebeu e elogiou o trabalho desenvolvido pelo Jornal do Hospital Arcanjo São Miguel, mostrando a transparência das ações desenvolvida na instituição hospitalar dos gramadenses. “É louvável. Um exemplo que poderia ser seguido pelos grandes hospitais do Estado”, destacou o secretário João Gabbardo.


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DOAÇÃO

CIRURGIA PLÁSTICA

Resumo de algumas cicatrizes indesejáveis * Cicatriz linear não estética. * Cicatriz com os bordos em níveis diferentes. * Cicatriz alargada. * Cicatriz deprimida. * Cicatriz retrátil. * Cicatriz em alçapão. * Cicatriz puntiforme e deprimida. * Cicatriz pigmentada. * Cicatriz dolorosa. * Cicatriz circular constritiva * Cicatriz ulcerada. * Hipertrófica e queloideana.

Como vemos existe um número apreciável de alterações cicatriciais e o tratamento é bem diferente para cada uma delas, variando desde tratamentos conservadores até novas cirurgias mais ou menos complexas passando até por radioterapia. O uso de cremes ou pomadas com corticosteróides também pode ser importante no tratamento bem como alguns cuidados como evitar o sol após as cirurgias e o uso de filtro de proteção solar. Nas crianças devido à dinâmica do crescimento, o processo de maturação cicatricial é mais demorado do que no adulto. Nas cicatrizes primárias de adultos é razoável esperar seis meses para revisar as cicatrizes inestéticas. *Cirurgião Plástico do Hospital Arcanjo São Miguel Telefones: 54. 3295.1155 e 54. 9. 9621.8237

O Hospital Arcanjo São Miguel (HASM) recebeu o casal presidente do Órbis Clube Várzea Grande, de Gramado, Lauro Lovatto e Silvana Geis, que em nome do Clube de Serviço fez a doação de dois detectores fetais (DF 7001- MEDPEJ) e um Otoscópio 2.5V Led (Mark II – MD), um investimento de R$1.574,00, resultado do valor arrecadado no decorrer do mês de maio deste ano, no período que a prefeitura realizou a troca de economato do bar da Vila Olímpica. Os equipamentos foram entregues ao superintendente administrativo do HASM, Ivan Luiz

Michelon (foto), na tarde da quarta-feira, 28/06, no HASM. O Clube de Serviço conta com a ação solidária de 13 casais.

Detector fetal

É utilizado para captar os batimentos cardíaco fetal por meio do sistema DOPPLER. Permite detectar o coração do feto entre a 10ª e a 12ª semana de gestação, possibilitando a avaliação do ritmo cardíaco fetal durante a gravidez e parto. Realiza o diagnóstico de morte fetal por volta da 24ª semana e permite a localização da placenta e o cordão umbilical.

Otoscópio

É fundamental para exames do canal auditivo externo e da membrana timpânica. É um equipamento clássico com iluminação direta de alta qualidade. Possui um reostato no cabo para ajustar a intensidade da luz e uma lente de vidro removível na cabeça que permite uma ampliação da imagem em 4 vezes. Ainda, permite realizar o teste pneumático para avaliar a mobilidade da membrana timpânica. Um instrumento leve fabricado com cabo em metal com revestimento cromado resistente à corrosão e impactos, combinado com partes plásticas.

ATENDIMENTOS HASM atendeu 29.339 pessoas em 2017 Primeiro semestre

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) o Hospital é um organizador de caráter médico-social, que deve garantir assistência médica, tanto curativa como preventiva, para a população. O Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), atendeu 29.339 pessoas no primeiro semestre de 2017, resultan-

do em uma média de 4.889 pacientes por mês. Somente no decorrer do mês de junho, o HASM foram 5.006 atendimentos, distribuídos em 3.566 (71,4%) de Gramado, 343 (6,8%) de Canela, 90 (1,8%) de Nova Petrópolis, 68 (1,3%) de Porto Alegre e 52 (1%) de São Francisco de Paula.

Atendimentos Junho............... 5.006 Maio................. 5.284 Abril................ 4.808 Março.............. 5.100 Fevereiro.......... 4.238 Janeiro............. 4.903 Total.............. 29.339

RECURSOS Prefeitura repassa mais R$100 mil ao Hospital VOLTENCIR FLECK

icatriz é o resultado INEVITÁVEL da neoformação tecidual para reparar uma lesão cutânea com a finalidade de manter unidas as partes remanescentes. Sempre é almejada uma cicatriz delgada e quase imperceptível, mas nem sempre é o que acontece, e na população em geral, existe o pensamento de que a Cirurgia Plástica poderá fazer incisões e suturas que não deixarão cicatrizes e até mesmo fazer desaparecer cicatrizes já existentes. Podemos muitas vezes melhorar as cicatrizes já existentes, mas jamais fazê-las desaparecer. Por outro lado a Cirurgia Plástica tenta fazer com que as cicatrizes fiquem em locais pouco visíveis e, fazer incisões programadas e suturas adequadas à melhor cicatrização. Este processo de cicatrização pode ser dividido em três fases bem distintas e pode levar até dois anos para finalizar o processo. De acordo com os cuidados que norteiam a cicatrização das feridas existem aqueles que dependem do cirurgião e os que dependem do paciente. Partindo do princípio de que o cirurgião usou os cuidados adequados tais como assepsia, manejo atraumático dos tecidos, suturas com agulhas e fios adequados, curativos e orientação da cicatriz e o paciente também seguiu os cuidados desejados existem os fatores que são inerentes ao organismo que são os fatores genéticos que, por enquanto, não temos acesso à sua modificação. E estes fatores são muito importantes na qualidade da cicatriz. Como foi dito acima a cicatriz nem sempre é linear e delgada podendo adquirir várias alterações como veremos a seguir.

FOTOS: VOLTENCIR FLECK

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Dr. Rui Tavares Soares*

Cicatrizes e cicatrização

HASM recebe equipamentos do Órbis Clube Várzea Grande

A Prefeitura de Gramado vai repassar mais R$100 mil por mês para o Hospital Arcanjo São Miguel para o auxílio no custeio dos leitos de UTI pelo SUS. O termo aditivo foi assinado pelo prefeito Dr. João Alfredo de Castilhos Bertolucci (foto à direita), na presença do secretário de Saúde, Altemir João Teixeira (E), e do secretário adjunto de Saúde e interventor do HASM, Jeferson Moschen, no dia 20 de junho. A primeira prestação foi objetivada para o mesmo mês.


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FOTOS: VOLTENCIR FLECK

MÍDIA

Jeferson Moschen (D) apresentou aos jornalistas Fábio Schmatz, Gerson Sorgetz e Letícia Rossa, os trabalhos desenvolvidos no HASM

Laura Silveira e Valdir França (D) marcaram presença no encontro objetivado pelo HASM

Hospital São Miguel abre as portas para a imprensa

da Rádio Gramado FM 87,5, e Laura Silveira, do Jornal Gramado News. "Importante ressaltar que o convite foi, e será feito na continuidade das ações, para todos os jornalistas e comunicadores", finaliza o assessor de imprensa do HASM.

Café com jornalistas e comunicadores de Gramado e da região mostra transparência dos trabalhos desenvolvidos na instituição hospitalar gramadense

realização do café são de empresas da iniciativa privada, portanto, não geram despesas para o HASM. “São empreendedores que entendem a necessidade de fortalecermos a imagem da instituição hospitalar que, gradativamente, torna-se referência regional e estadual. Atitudes a exemplo desta fortalecem todos(as) aqui, permitindo-nos integrar cada vez mais as pessoas e termos orgulho de dizer que “Somos Todos São Miguel”, explica Fleck.

Novos encontros

Quem participou?

“Acho fundamental o Hospital estar de portas abertas para a gente, não só para o nosso jornal mas para todos os outros veículos aqui da região, até para a comunidade poder ler o que a gente vai escrever, postar no nosso site e, realmente, entender que o hospi-

O

Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), através da Assessoria de Comunicação, promoveu na terça-feira, 27/06, o primeiro café da manhã com a imprensa local e regional. O objetivo da ação realizada semanalmente é permitir que os profissionais conheçam ainda mais o que acontece no dia a dia da instituição hospitalar gramadense.

“O trabalho com a imprensa permitirá ir além de uma entrevista que normalmente é desenvolvida de forma coletiva. A ideia de pauta livre sobre o HASM é andar por alguns setores permitidos, onde serão relatados os trabalhos dos colaboradores e outros profissionais que desempenham funções na Casa de saúde dos gramadenses. Estreitar o relacionamento das pessoas com a imprensa, fortalecendo ainda mais a transparência de tudo o que acontece aqui, essa é a proposta. Uma grande oportunidade para todos, tanto Hospital quanto veículos de comunicação”, explica o assessor de Comunicação do Hospital Arcanjo São Miguel, radialista e jornalista Voltencir Fleck.

Apoio de empresas

Os produtos que permitem a

Participaram dos eventos realizados no decorrer do mês de junho e julho os jornalistas Fábio Schmatz e Gerson Sorgetz, do Jornal Integração, Letícia Rossa, do Jornal de Gramado, Marco Celso Viola,Ricardo Veras e Valdir França,

Todas as terças-feiras, das 9h às 10h, a imprensa é recebida no HASM. A assessoria de comunicação do HASM encaminha alguns dias antes do encontro o convite através de e-mail, comunicando um dos assuntos a ser apresentado durante o encontro que permite, também, pauta livre aos profissionais da comunicação. Opinião de quem participa e faz a notícia:

tal está de portas abertas não só para nós mas para toda a comunidade e estar aqui a serviço dessa comunidade” Letícia Rossa - Jornalista Jornal de Gramado “É super importante essa ação do Hospital Arcanjo São Miguel, onde procura reunir os veículos de comunicação do município a fim de esclarecer alguns assuntos de pertinência da comunidade, afinal de contas a imprensa local são os ouvidos e a voz da comunidade de Gramado”. Fábio Schmatz – Jornalista - Jornal Integração Gramado - Canela “Sempre é muito positivo a gente estar informado e também participar destes encontros, porque o São Miguel somos todos nós. Eu atuo aqui como visitadora, como coordenadora das visitadoras e vejo a grande importância de estar por dentro, de participar e ajudar o São Miguel a crescer”. Irmã Therezinha Balestrin Coordenadora da equipe de visitação ecumênica do HASM


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GENTE QUE FAZ

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le trabalha há 3 anos como auxiliar de higienização do Hospital Arcanjo São Miguel onde tem muitos(as) amigos(as) e, ao longo dos anos, para ajudar nas despesas da família, já foi camareiro, auxiliar de cozinha, catador e carregador de caminhões de batatas. Quem anda pelo Hospital Arcanjo São Miguel (HASM) dificilmente passa despercebido por esta grande figura humana que apresenta-se sempre com bom humor, normalmente, chamando a atenção das pessoas pela maneira irreverente que vive o dia a dia, com honestidade, expressões próprias e muita simplicidade. Este é Flori dos Santos, que há 3 anos trabalha como auxiliar de higienização do HASM, um dos 12 filhos ( 8 homens e 4 mulheres) do casal Francisco Florentino dos Santos (in memorian), popularmente conhecido como Chico Preto, e de Terezinha de Fátima dos Santos. Nascido em Esteio – na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 19 de setembro de 1987, Flori chegou na Serra Gaúcha por São Francisco de Paula onde, em 2005, trabalhou em lavouras como como catador e carregador de caminhões de batatas. “Nunca tive preguiça. Trabalhar sempre foi preciso, para ajudar nas despesas da casa”, comenta Flori dos Santos que morou em Canela e em Gramado já foi camareiro – no Hotel Pousada Sossego do Major, auxiliar de cozinha – no Galeto D’Itália, fez extras no Torre Café Colonial, chegando ao Hospital São Miguel acompanhado pela mãe, dona Terezinha, em busca de uma vaga de trabalho, sendo recebido pela colaboradora Greice Salvagni que, na época, desempenhava ações no setor de Recursos Humanos do HASM.

“Foi uma grande surpresa e felicidade. Ela me disse que tinha uma vaga para fazer limpeza e serviços gerais na parte interna e externa do hospital. Aceitei o desafio, vim conhecer o serviço, fiz uma ficha de admissão, fui aceito e estou aqui até hoje onde tenho muitos(as) amigos(as) que considero parte da minha família. O Hospital São Miguel é um lugar especial para mim”, relata o integrante da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA desde 2015. “É um espaço onde recebemos orientações de segurança, saúde e prevenção de acidentes dos trabalhadores, que nos ensina sobre a diminuição e a extinção de vários riscos possíveis e que podemos evitar. Eu aprendo muito aqui. Conquistei este espaço, acredito que pela dedicação no meu trabalho diário”, diz. Quem conhece e, principalmente, acompanha Flori dos Santos nas suas atividades, observando o seu jeito extrovertido e alegre, não imagina que um grande sentimento o envolve com a falta do pai, falecido em 2015 vitima de câncer. Com os olhos marejados, ele não contém a emoção ao comentar a saudade do ‘seu Francisco Florentino’. “Sinto muita falta do meu pai, eu gostava muito dele. Foi um sofrimento muito grande meu e dos meus familiares quando ele faleceu. Gostaria que ele estivesse aqui com a gente agora, vendo que aquilo que ele ensinou valeu a pena. Eu e o meu irmão Vilmar trabalhando, nos ajudando, e fazendo por merecer. Não tive muito tempo para aproveitar de verdade bons momentos ao lado do meu pai. Ele nos deixou cedo demais. Essa é a minha tristeza, tenho muita saudade”, explica Flori, que demonstra grande consideração

VOLTENCIR FLECK

“Sou Flori dos Santos, sou seu amigo” Flori dos Santos gosta de interagir com ‘todo mundo’, desenvolvendo o seu trabalho com honestidade, expressões próprias e muita simplicidade

pelo irmão Vilmar dos Santos, também colaborador do HASM, com quem mora no Loteamento Celita – Bairro Várzea Grande. “O Vilmar? É um irmão de verdade. Me apoia sempre, em todos os momentos. Eu amo esse cara e peço a Deus que a gente continue sempre assim, dando força um para o outro”, ressalta.

Flori criou o programa Realidade

Flori se define como alguém que gosta de interagir com ‘todo mundo’, informar e, acima de tudo, estar bem informado. Tanto que criou um espaço para divulgar as coisas boas que acontecem em Gramado. No seu facebook pessoal, vídeos são apresentados por ele próprio entrevistando pessoas das mais diversas classes sociais. “É o programa Realidade, para mostrar a nossa cidade e a nossa gente, porque

é importante que as pessoas se conheçam cada vez mais, sejam amigas de verdade”, ressalta, dizendo que a inspiração surgiu a partir da criação da Web TV do Hospital Arcanjo São Miguel. “Eu observei o assessor de imprensa do hospital, Voltencir Fleck, fazer o trabalho e pensei que podia fazer algo parecido. Ele e outros colegas daqui me dão força para desenvolver isso, do meu jeito, porque sabem que gosto de informar as pessoas, promover eventos. O importante é comunicar”, destaca Flori. O gremista Flori dos Santos diz que nos dias de folga procura curtir a vida ao máximo, conhecendo lugares na própria cidade de Gramado e, sempre que possível, viajando. “A gente não sabe o que vai acontecer no dia de amanhã. Aprendi que é importante viver bem, sempre com alegria, ao lado das pessoas que a gente gosta”, finaliza.

FESTAS JUNINAS FOTOS: VOLTENCIR FLECK

Noivado de verdade na festa do hospital

Maurício e Camila

"Arraiá São Miguel" mobilizou os colaboradores do HASM numa verdadeira integração entre amigos

O espaço conhecido como ‘apoio’, onde são realizadas reuniões dos (as) colaboradores (as) do Hospital Arcanjo São Miguel, transformou-se num autêntico arraial junino na noite da quinta-feira, 22 de junho. Uma integração de todos (as) que fazem o dia a dia da instituição hospitalar dos gramadenses, que contou com algumas brincadeiras típicas e práticas às quais os convidados tiveram acesso: pescaria, escolha dos caipiras mais originais, casamento caipira, entre outros. Mas a Festa Junina do HASM deste ano apresentou um momento inusitado, quando saíram de cena os noivos do casamento caipira para dar lugar aos noivos ‘de verdade’ Maurício Rezende Ceccon e Camila Menezes de Oliveira, ele auxiliar

administrativo e ela técnica de enfermagem do Bloco Cirúrgico, que se conheceram aqui há aproximadamente dois anos e neste momento oficializaram o noivado. “Essa integração entre amigos vai ficar marcada por muito tempo na lembrança de cada um aqui hoje presente, que é o noivado do Maurício e da Camila, colaboradores importantes do nosso Hospital Arcanjo São Miguel para quem eu desejo muita felicidade. Esse momento de união reforça o nosso comprometimento diário e o orgulho de, cada vez mais, dizermos que Somos Todos São Miguel. As pessoas aqui estão todas de parabéns” ressaltou o presidente da Comissão Interventora do HASM e secretário municipal adjunto de Saúde, Jeferson Moschen.


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NOSSA GENTE

FOTOS: VOLTENCIR FLECK

Missão de salvar vidas que vem da terra sagrada dos Incas

Dra. Carmen Calmett Mallqui e o Dr. Grover Mendez Poma atendem aos finais de semana no setor de Urgência do nosso hospital, agregando valor aos demais profissionais do HASM

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rabalhar fora do país de origem parece ser um sonho distante e exigente demais para muita gente. Além disso, resistir ao sentimento chamado saudade, que remete a lembranças constantes e uma enorme vontade de estar ao lado dos familiares é um dos maiores desafios do dia a dia. No entanto, as ofertas de oportunidades profissionais objetivadas no Brasil indica que as pessoas estrangeiras são muito bem-vindas e, de uma forma especial, em vários casos a hospitalidade sobrepõe sentimentos e aproxima os povos e suas culturas, numa verdadeira integração que permite

serem estabelecidos laços e resultados profissionais traduzidos em construção de equipe. No Hospital Arcanjo São Miguel (HASM) colaboradores(as) e pacientes convivem com médicos estrangeiros que escolheram Gramado para viver e dedicar os seus conhecimentos na nobre missão de salvar vidas. É o caso da Dra. Carmen Rocio Calmett Mallqui, solteira, 30 anos, que atua no Brasil desde 2016 e atende no HASM geralmente aos finais de semana. Ela nasceu em Lima (distante 4.361 Km de Gramado) e formou-se em 2013 pela Universidade de San Martin de Porres – na ca-

pital peruana, começando a exercer as atividades em 2014. Pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre especializou-se em Medicina de Família e Comunidade no ano de 2016. “Eu conheci o Brasil em 2013 quando, após me formar, fui convidada pelos meus tios para ficar uma temporada e conhecer a cidade onde eles moram, Porto Alegre. Minha primeira impressão foi de uma cidade ordenada, bem estruturada, com lugares maravilhosos. Na época também conheci Santa Cruz do Sul e fiquei encantada com a comunidade, cultura e os costumes, entre os quais a Oktoberfest que tive a oportunidade de prestigiar e curti muito. Em 2015 voltei para revalidar meu título médico e fui convidada por uma amiga para conhecer o município de Igrejinha, achei muito aconchegante, com gente maravilhosa, e isso me fez decidir morar ali.

Além da Emergência no Hospital Acranjo São Miguel, trabalho como médica de família e comunidade no município de Morro Reuter, médica clínica geral na internação e emergência da Fundação Hospitalar de Rolante e na Unidade de Pronto Atendimento e no Pronto Atendimento de Sapiranga. Em Gramado, entendo que a estruturação da saúde esta sendo bem organizada pela forma como cada nível de atenção é dirigida de acordo com suas necessidades, tanto na atenção primaria quanto na especializada”, comenta a Dra. Carmen Mallqui. Outro nome da medicina peruana que atende aos sábados no HASM é o Dr. Grover Anthony Mendez Poma, solteiro, 27 anos. Nascido em Huancayo (distante 4.530 Km de Gramado), formou-se na Bolívia em 2015, passando por um estágio de um ano no seu país de origem e,

em 2016, revalidou do diploma de médico na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). “Vim para o Rio Grande do Sul porque recebi o convite de um colega. Logo me apaixonei pelo lugar, pelo clima, me senti em casa porque minha cidade natal é muito fria também. Minhas ações iniciaram pelos hospitais do litoral, instituições que pertencem ao Complexo Hospitalar Mãe de Deus, em Torres, e no SAMU de Tramandaí, onde hoje resido. Atualmente, além do Hospital Arcanjo São Miguel de Gramado, exerço as atividades nas UPAS do litoral, no HPS de Canoas, e como médico da Santa Casa no Hospital de Santo Antônio da Patrulha. Escolhi morar no Brasil para fazer residência em neonatologia no Hospital Santo Antônio, da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre”, explica o Dr. Grover.


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EXCLUSIVO

MP destaca o Hospital São Miguel “...o ideal é que uma empresa séria, caso a SEFAS queira vender, adquira o Hospital e o município tem que exigir, sim, a continuidade da prestação dos serviços para o levantamento da intervenção."

Reunião da Comissão Interventora com o promotor Max Guazelli e os representantes da administração municipal ocorreu no HASM

FOTOS: VOLTENCIR FLECK

Dr. Max Guazelli

“...o município vai renovar a intervenção, essa é a minha convicção." “...Temos, desde 2016, uma opinião, uma convicção , que o Jeferson seria o melhor nome para a intervenção no Hospital..."

A

Comissão Interventora do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM) recebeu na tarde da terça-feira, 01 de agosto, o titular da 2ª Promotoria de Gramado, Dr. Max Guazelli (foto acima), além dos secretários municipais de Saúde, Altemir João Teixeira, da Administração, Júlio Dorneles, e o procurador adjunto do município, Dr. Felipe Ribas Dourado. Na oportunidade, os diretores da empresa Direção Gestão Empresarial objetivaram uma nova prestação de contas relativas ao Hospital. Além disso, diversos assuntos foram apresentados e analisados, entre os quais a intervenção administrativa do HASM – que tem o dia 25 de agosto como prazo de encerramento podendo, no entanto, ser renovada. Um diálogo com os diretores da Gramadotur, para solicitar a possibilidade de um repasse de valores para a instituição hospitalar dos gramadenses foi debatido entre os participantes da reunião.

Na quarta-feira, 02 de agosto, o editor do Jornal do HASM, radialista e jornalista Voltencir Fleck, foi recebido pelo Dr. Max Guazelli que concedeu entrevista exclusiva sobre situações importantes que envolvem o HASM. Jornal HASM - Como o Sr. observa a situação do Hospital Arcanjo São Miguel diante do que foi objetivado, em se tratando de informações, na reunião da Comissão Interventora na tarde da terça-feira, 01 de agosto? Dr. Max Guazelli – Foram apresentados alguns números, principalmente dos últimos meses, dos gastos e dos trabalhos feitos objetivando tornar a instituição menos deficitária. Com relação a essa questão de números, o Ministério Público (MP) não faz uma análise contábil financeira – nunca fez, do Hospital, seja quando ele estava na mão da primeira Congregação, depois da própria Associação Franciscana de Assistência à Saúde - SEFAS e posteriormente com relação a intervenção administrativa do Hospital. Instauramos um inquérito ainda no tempo da primeira Congregação e esse inquérito ainda continua tramitando, a respeito das necessidades e das insuficiências em determinadas áreas ou serviços no Hospital. Jornal HASM - Diante do exposto, a intervenção em 2016 era, realmente, necessária? Dr. Max Guazelli – Sim, a intervenção era necessária. Recapitulando essa questão do inquérito civil, partiu de alguns dados concretos de fatos relativos principalmente a questão de emergência, de falta de um número de profissionais adequados na emergência, isso lá, acredito que tenha sido em 2013. A partir dali nós pedimos duas auditorias, do CREMERS e da Vigilância Sanitária Estadual, que apontaram as necessidades que deveriam ser preenchidas de uma série de irregularidades, sejam irregularidades formais ou materiais do Hospital. Começamos a tratar com a primeira congrega-

MP entende que a Gramadotur pode observar o repasse de recursos ao HASM

ção e as irmãs conseguiram, naquele período, antes da venda do Hospital para esta Congregação que assumiu, resolver a maioria esmagadora das pendências. Posteriormente, nós continuamos, ainda no mesmo inquérito, em tratativas com a congregação de Santa Maria, a SEFAS, que assumiu, e eram assuntos prioritariamente relacionados a emergência, transportes de pacientes para outras cidades, situações bem pontuais. E a questão sempre esbarrava, e sempre esbarrou, na insuficiência financeira. Na verdade, se via a necessidade

de alguns plantões, por exemplo, e aí se chegava a conversar sobre “não, mas o custo disso é tanto”, “olha, esse plantão custa tanto, como é que o Hospital vai bancar esse plantão”. Isso vinha sendo conversado e a gente vinha compreendendo essa dificuldade financeira. Acontece que alguns meses antes da intervenção houve uma deterioração da situação financeira do Hospital e a administração do mesmo entendiam por fechar, encerrar alguns tipos de atendimento que viriam em prejuízo a comunidade de Gramado.

Jornal HASM - Pouco mais de um ano depois da intervenção, o Hospital Arcanjo São Miguel, mesmo com dificuldades financeiras, é observado como referência regional, atendendo também o turismo que passa por aqui. Dr. Max Guazelli – Há uma dificuldade dos hospitais das cidades de pequeno porte, principalmente, em geral. Como Gramado é uma cidade que tem uma receita melhor e tem um Hospital bem estruturado, nós contamos com excelentes profissionais médicos, tanto em Gramado quanto na re-


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gião, que atendem no Hospital, então acaba atraindo. Mas a nossa preocupação com a necessidade da intervenção era premente. Inclusive diante da possibilidade do fechamento concreto da UTI, que traria imenso prejuízo para todos nós que necessitamos do Hospital, afinal todos nós passamos pelo Hospital. É importante as pessoas terem consciência disso, inclusive os empresários – seus filhos e netos, todos nós passamos pelo Hospital. Então temos que, realmente, abraçar o Hospital que é uma causa da comunidade, ele presta um serviço essencialmente público, embora ele seja da iniciativa privada hoje sob a intervenção pública, mas ele presta um serviço essencialmente público e com grande repasse de recursos públicos. Jornal HASM - Conhecendo a realidade hoje do Hospital de Gramado, o Sr. vê a possibilidade da prefeitura continuar administrando essa intervenção na medida que, de janeiro até este momento, pelos números apresentados, não atendeu as reais necessidades em se tratando de repasses de recursos solicitados/necessários, conforme apresentado na página 15 deste informativo? Dr. Max Guazelli – Recapitulando, a intervenção era necessária e se provou necessária. Inclusive, poucos dias após o início da intervenção administrativa a promotoria fez um relatório, uma inspeção com relatório, da situação do estado das salas, dos equipamentos do Hospital. E agora, passado um ano da intervenção, foi feito novamente esse pente fino e a situação melhorou inclusive na questão de serviços. Claro, não é o ideal, porque em saúde a gente sabe das dificuldades. Mas houve uma melhora sensível e também, principalmente, o afastamento daquela situação de fechamento de serviços da UTI, por exemplo, falta de maior atendimento dos plantões, etc..., que nós tínhamos o risco que viesse a ocorrer se não houvesse a intervenção em razão da questão financeira que a Congregação alegava de deteriorização da situação financeira do Hospital. Naquela época da intervenção nós conversamos com a administração e chegamos a manifestar a nossa preocupação de que se não houvesse a intervenção administrativa poderia, sim, haver uma intervenção judicial no Hospital. Essa situação de intervenção é provisória, no meu entender. Jornal HASM - Pode-se fazer mais uma intervenção e depois não existe a possibilidade de seguir, é o que algumas pessoas comentam. É isso mesmo Dr.? Dr. Max Guazelli – Não, na ver-

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dade não. Tem hospitais aí que tem anos de intervenção, dependendo dos motivos, claro, se os motivos continuam existindo. Na minha opinião a intervenção tem que ser realmente provisória, num prazo ideal, no meu entender, seria 2 anos. Isso sim, baseado no que tem as decisões de intervenção feitas em outras cidades, em outros estados. Um pouco antes da intervenção administrativa aqui, pesquisei essas intervenções e observei que elas duravam, no mínimo, 2 anos. Até porque como quem intervém é o poder público que é quem lida com questões orçamentárias, então ele demora porque tem que orçar eventuais aquisições de equipamentos, serviços, etc..., colocar no orçamento, na rubrica, então vai ficar para o ano seguinte, para depois fazer o repasse. Então são essas situações, muitas intervenções de estados, não de municípios, mas dos estados, para manter grandes complexos hospitalares no país afora. Então, a gente vê as intervenções de 2 anos ou mais. O ideal, no meu entender, seria uma intervenção aqui, se possível, de 2 anos no máximo. Aí, abrem-se dois caminhos: nós conseguimos, a intervenção administrativa conseguiu manter o serviço de UTI funcionando, os serviços, os plantões, etc..., fazendo, prestando um serviço não só para a população de Gramado, mas para os turistas e outras populações da região. Mas abrem-se dois caminhos. Primeiro: se houver a aquisição do Hospital por uma entidade ou uma empresa privada que consiga assumir o Hospital, manifestando que vai manter esses serviços que estão sendo hoje prestados, com a garantia ao município de que esses serviços serão prestados. Claro, a Congregação que é proprietária do Hospital se predispondo a vender.

Dr. Max Guazelli ressalta que "como o próprio município decretou a intervenção e faz os repasses, é importante também que a intervenção faça uma prestação de contas e o município analise com isenção"

Jornal HASM - Nós estamos falando de futuro. Compra pelo município, um grupo de médicos ou ligado ao setor de saúde administrar ou a retomada da SEFAS. O que o Sr. entende, neste momento, ser o melhor? Dr. Max Guazelli – Eu acredito que nós temos que trabalhar com os dois pés no chão, ou seja, pensando sempre na possibilidade e/ou hipótese mais pessimista da necessidade do município adquirir o Hospital. Nas conversas que eu tive com a administração, anterior ou atual, manifestei a opinião de que trabalhem com a hipótese mais pessimista, ou seja, que o município vá ter que adquirir o Hospital da Congregação para manter os serviços, porque há necessidade da manutenção dos serviços de saúde. Pode, claro, aparecer uma situação melhor, de alguém, ou uma entidade, chegar e dizer “nós bancamos, nós mantemos, somos uma entidade séria”. Jornal HASM - O Sr. comenta sempre que o Hospital tem que ser um atrativo sim, mas para médicos ou empresas sérias. Essa observação, certamente, deixa a nossa comunidade muito satisfeita, porque entenderá ainda mais essa preocupação do MP, que nunca deixou de existir, com relação ao nosso Hospital Arcanjo São Miguel. Dr. Max Guazelli – Com relação a própria SEFAS, ela estava com muita dificuldade de administração do Hospital, em razão a deterioração financeira que eles alegavam, que eles diziam que tinham. Então, a Congregação tinha essa dificuldade. Com as necessidades hospitalares que a gente sabe, e a demanda que tem isso, eu não consigo ver hoje a SEFAS reassumir o Hospital em razão até da própria situação financeira. Eu acho essa hi-

pótese mais remota. Me parecem as hipóteses mais prováveis da aquisição do Hospital por quem tenha condições de bancar isso, mantendo os serviços, adquirindo, claro, da SEFAS caso queira vender o Hospital, ou a aquisição pelo próprio município que é a posição mais pessimista no sentido do erário público, pensando na questão do erário. Ou seja, o governo municipal não fabrica dinheiro. O dinheiro vai ser dos nossos impostos, para manter um serviço que é para nós na verdade. Mas o ideal é que uma empresa séria, caso a SEFAS queira vender, adquira o Hospital e o município tem que exigir, sim, a continuidade da prestação dos serviços para o levantamento da intervenção. Jornal HASM - Se depender do MP a situação observada antes da intervenção no Hospital Arcanjo São Miguel não deverá mais ocorrer? Dr. Max Guazelli – Não. Havia o risco de perda e isso a gente não vai aceitar. A comunidade pode ficar tranquila que isso não vai mais ocorrer. Jornal HASM - Ocorreu uma opinião e/ou indicação sua para manter o presidente da Comissão Interventora, Jeferson Moschen. Hoje, como o Sr. analisa o trabalho, não apenas do Jeferson, mas dos demais diretores e também dos colaboradores? Dr. Max Guazelli – Com relação ao Jeferson. Temos, desde 2016, uma opinião, uma convicção, que o Jeferson seria o melhor nome para a intervenção no Hospital em razão dele ter, realmente, se aprofundado na questão da saúde, vinha como secretário de saúde e a quantidade de situações que apareceram na saúde e nas tratativas com o então secretário Je-

“...hoje, muitas vezes, se resolvem situações médicas de turistas de forma artesanal aqui em Gramado.” “É importante as pessoas terem consciência disso, inclusive os empresários – seus filhos e netos, todos nós passamos pelo Hospital.” ferson Moschen foi muito grande, não só com relação ao Hospital mas com relação a uma série de programas mantidos ou gerenciados pela Secretaria Municipal de Saúde. Então, ao longo de 2 anos tivemos a oportunidade de inúmeras vezes falar com o Jeferson a respeito dos programas da saúde. Tanto que, ao final, conseguimos fazer um acordo com relação a todas as questões de terceirização da saúde. E a gente vê que ele tinha conhecimento da área da saúde e dessa questão dos repasses ao Hospital, das necessidades do Hospital, além de já ter uma boa relação com as irmãs e também uma ótima relação com os profissionais médicos. Era uma pessoa que conseguia reunir essas qualificações em conhecimentos e uma boa relação com a administração, com os médicos profissionais do Hospital, com os enfermeiros, com os técnicos. Jeferson Moschen era o nome que tinha, talvez, a maior capacidade de fazer essa intervenção dar certo. Jornal HASM - Valeu a pena essa indicação, está valendo ainda? Dr. Max Guazelli – Posso dizer, assim, com relação a questão dos relatórios, referentes a estrutura. E aí já falando de todos os demais, não apenas do Jeferson. Mas, estruturalmente o Hospital está muito melhor hoje do que estava quando da intervenção, passado este tempo, inclusive porque foi feito uma análise sala por sala, equipamento por equipamento. Me preocupa hoje é aquilo que foi comentado na reunião, que a gente já sabia do sucateamento de equipamentos do Hospital, a vida útil desses equipamentos, preocupa a questão do valor dos equipamentos médicos - que realmente é muito grande, esses equipamentos de UTI . Então, nós temos essas preocupações e isso, evidentemente, que a Comissão Interventora, com maior boa vontade a gente sabe que não vai ter condições de adquirir esses equipamentos. Então, no


10 caso de um levantamento da intervenção ou de uma não renovação da intervenção terá, sim, que ser muito bem questionado quem for assumir o Hospital da questão da manutenção e da troca desses equipamentos, da melhoria desses equipamentos. Da nossa parte, para dar garantia à comunidade, havendo a sensação do risco para a população e o levantamento ou a não renovação da intervenção, o MP vai continuar acompanhando e inclusive vai solicitar aos órgãos que dão apoio para fazer, de novo, uma análise setor por setor, sala por sala, também da parte do número de profissionais, necessidade de plantões, para nós, no caso de voltar para iniciativa privada a gestão do Hospital, que nós possamos conversar e, a partir disso, pontuar e clausular num acordo a manutenção dos serviços para a população de Gramado e para os turistas. Jornal HASM - Mesmo havendo a intervenção, aparecendo um grupo para assumir o Hospital, há necessidade do cumprimento dos 6 meses? Dr. Max Guazelli – No meu entendimento não precisa haver o cumprimento dos 6 meses. Evidente que se coloca um prazo de 6 meses por uma questão técnica de planejamento, de administração. Mas o que leva a intervenção é a necessidade dos riscos à população. Não havendo mais a existência dos riscos a intervenção pode, sim, ser levantada. Jornal HASM - Nessa edição do Jornal do Hospital Arcanjo São Miguel estamos retratando o que realmente ocorreu diante dos repasses, num comparativo do que ocorreu no primeiro semestre de 2016 e 2017, sem querer privilegiar nenhuma administração. O importante é que a gente não invente números, por que ali adiante pode-se pagar esse preço. A imprensa cobra hoje da intervenção do HASM onde foram investidos os recursos divulgados de R$8,9 milhões com a direção do Hospital dizendo que está trabalhando de forma negativa, pedindo mais recursos. Transparência é um assunto importante, principalmente nos poderes públicos, e é isso que a administração do Hospital Arcanjo São Miguel faz neste informativo. Dr. Max Guazelli – Na verdade, como o próprio município decretou a intervenção e faz os repasses é importante também que a intervenção faça uma prestação de contas e o município analise isso com isenção.

FOTOS: VOLTENCIR FLECK

EXCLUSIVO (Continuação)

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“Nós solicitamos apenas à administração que visse com bons olhos a questão dos aportes financeiros ao Hospital, para que esses serviços não fossem prejudicados”, afirma o Dr. Max Guazelli

“...eu não consigo ver hoje a SEFAS reassumir o Hospital em razão até da própria situação financeira.” “Na minha opinião a intervenção tem que ser realmente provisória, num prazo ideal, no meu entender, seria 2 anos.” grande número de turistas. E aqui é uma situação que eu comentei na reunião da Comissão Interventora, na terça-feira, 01 de agosto, que Gramado é diferente em razão de todo esse turismo, pois não temos somente a população permanente aqui da cidade para atender, mas todos esses atrativos de turistas que vem apreciar os eventos, as belezas da cidade, o atendimento, e nós temos que garantir para essas pessoas o acesso à saúde, inclusive para que a cidade não perca eventos.

“Estruturalmente o Hospital está muito melhor hoje do que estava quando da intervenção”, comenta o Dr. Max Guazelli

Jornal HASM – Ninguém até o momento disse que não ocorrerá a renovação da intervenção pelo município. Conhecendo o prefeito Dr. João Alfredo de Castilhos Bertolucci e a preocupação dele com a saúde da comunidade, queremos acreditar que deva ocorrer. Mas caso a prefeitura diga não a intervenção, o MP poderá assumir o Hospital em um primeiro momento? Dr. Max Guazelli – Se não houver uma alteração do quadro, ou seja, uma aquisição do Hospital por alguém que se predispõe a manter os serviços, o município vai renovar a intervenção, essa é a minha convicção. Caso isso não aconteça por algum motivo, existindo a situação de risco à população, independentemente de qualquer cidade, o MP, no meu entender, tem a obrigação de

tomar as medidas cabíveis, no caso até a intervenção judicial. Jornal HASM - Importante que seja revista a informação. Não se pode dizer que houve um repasse de R$8,9 milhões quando isso não aconteceu. Porque quem vai ter que dar explicações não é somente a Comissão Interventora, mas isso vai retornar para a cadeira do prefeito. Dr. Max Guazelli – Me parece, na questão dos números, a minha percepção é que o município de Gramado e aqui falando também da autarquia Gramadotur, eu acredito que o repasse de valores tem que ser suficiente para um bom serviço. Me parece, assim, uma impressão apenas, que em razão da receita de Gramado o repasse, sim, pode ser maior. No caso especificamente da Gramadotur, me parece que seria uma garantia para a comunidade, para os turis-

tas e para o Hospital – seja ele sob intervenção ou retorne a iniciativa privada e, principalmente, uma garantia para a Gramadotur que haja o repasse de valores referentes a taxas recolhidas junto ao turismo para o Hospital. Digo isso porque? Gramado, a gente especula que tem em torno de 35 mil habitantes. Se fala que, embora não tenho números exatos, mas que cerca de 5 milhões ou mais de turistas por ano visitam a cidade e temos uma população permanente flutuante, mas permanente, seja pelos leitos dos hotéis ou pela população que resida em outras cidades mas que tem apartamentos e casas aqui, certamente Gramado tem uma população de 50 mil pessoas diariamente. Para essas pessoas de fora e também para as pessoas locais os serviços tem que ser prestados. Gramado, em razão do turismo, atrai grandes eventos, atrai esse

Jornal HASM - Sobre os 5 ou 6 milhões de turistas noticiados, que passam todos os anos pela cidade. Na verdade, não vemos nenhum movimento oficial, de fato, a não ser conversas de “existir a possibilidade”. Mas ninguém tira do papel isso para que seja objetivado do valor da taxa de turismo, quem sabe, centavos. Mas pergunto porque somente a rede hoteleira? Porque não agregar valor aos restaurantes, bares e similares, acrescentando alguns centavos na taxa de serviço paga ao garçom, afinal, os hotéis nem sempre estão ocupados a pleno. Mas a cidade sempre tem pessoas. Dr. Max Guazelli – É uma hipótese a ser conversada com a comunidade, com os vereadores e, principalmente, com a Gramadotur que é uma autarquia e tem essa possibilidade de instituição de taxas, por ser autarquia. Eu acredito que o ideal seria conversar, a comunidade poder conversar com os conselheiros e com a administração da Gramadotur. Inclusive porque hoje, muitas vezes, se resolvem situações médicas de turistas de forma artesanal aqui em Gramado. O cidadão é turista aqui, se acidenta, aí se busca da seguinte forma: “aqui estamos fazendo um evento em Gramado” e aí se procura alguém, “fulano é de Gramado, pergunta se ele conhece algum médico”, aí se liga para um médico, para outro médico, descobre a possibilidade do caso, uma especialidade tal, mas chega a haver uma corrente de pessoas para resolver


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um problema de forma artesanal. Enquanto nós deveríamos ter uma solução pronta, profissional, para aquele turista que se acidentou, teve uma parada cardíaca, uma fratura, alguma especialidade que deveria estar ao alcance não só dos turistas, mas de todos. Digo isso porque muitas vezes em eventos gigantes, onde vem uma quantidade muito grande de turistas, muitas vezes da terceira idade, aumentando as chances de ocorrências de algum acidente e as questões são resolvidas assim. As vezes chegam a encaminhar mensagem para o meu celular, perguntando se eu conheço algum médico de tal especialidade. Jornal HASM - Essa é a Europa brasileira? Há que se ter consciência. Na Europa não é assim Dr.? Dr. Max Guazelli – Não, não é assim. A infraestrutura, infelizmente, não é. A gente se engana com a beleza da cidade, mas nós temos que ter noção que a infraestrutura é de Brasil. Jornal HASM - Felizmente, não é o caso, temos uma UTI e outros tantos bons serviços. Mas se, em algum momento, ocorrer de não termos um Hospital a al-

tura dos nossos eventos, ou os promotores de eventos entenderem que possa existir alguma dificuldade na instituição hospitalar vamos, certamente, perder e muito nas mais diversas frentes de ações. Dr. Max Guazelli – Parece-me assim, Gramado tem serviços de excelência em hotelaria, gastronomia, receptivo e vários outros. Nós estamos hoje precisando dar um passo diferente. E isso seria no serviço hospitalar, que temos que dar um grande salto, além dos serviços da educação, principalmente nos serviços de educação elementar, a educação básica. Jornal HASM - O Hospital necessita de um aporte de aproximadamente R$180 mil da prefeitura para o Pronto Socorro, o Sr. é sabedor disso. Entendo que exista a preocupação do prefeito Dr. João Alfredo Bertolucci, embora que parece faltar um entendimento dos secretários municipais da Administração, Fazenda e Saúde - apesar que este último parece admitir serem os valores reais os apresentados nesta edição e não os divulgados pela imprensa do município, com a Comissão Interventora do Hospital Arcan-

jo São Miguel. É possível o MP conversar, se é que já não o fez, com a administração municipal no sentido de sensibilizá-los a repassar este valor? Dr. Max Guazelli – Nós solicitamos apenas à administração que visse com bons olhos a questão dos aportes financeiros ao Hospital, para que os serviços não fossem prejudicados. Infelizmente, nós não temos hoje condições de dar um parecer conclusivo a respeito dos números financeiros do Hospital, inclusive para podermos dizer com clareza que a instituição hospitalar tem condições, através da administração, de enxugar mais os gastos. Não saberia dizer isso hoje, infelizmente. A minha impressão é que o município, seja prefeitura ou Gramadotur - essa principalmente, tem que considerar, devem, merecem considerar a questão do repasse de valores mensais, seja pela instituição de taxa ou por aquela taxa já instituída, ao Hospital. Jornal HASM - Agradecemos a atenção e a oportunidade que o Sr. nos permite, para retratarmos ações diversas que envolvem o nosso Hospital Arcanjo São Miguel.

Dr. Max Guazelli – Eu agradeço, para mim é um prazer conversar com o editor do Jornal do Hospital Arcanjo São Miguel e, por consequência, com os leitores. O MP está aqui para garantir, sim, que a população não tenha o risco de perder serviços essenciais como é o acesso à saúde, o tratamento adequado. Sabemos que a saúde demanda uma quantidade de recursos muito grandes e que o município, as entidades, a comunidade tem que estar atenta. E o município tem que estar consciente, sim, que ele vai ter que continuar realizando repasses dos valores que sejam suficientes para atender. É uma pena nós não termos na Promotoria de Justiça um setor técnico financeiro para nós podermos fazer essa análise contábil financeira, não só da questão do Hospital mas em várias outras situações. Isso se mostra necessário e nós não temos. Só temos um departamento contábil financeiro em Porto Alegre que geralmente é usado para grandes operações no Estado. Não conseguimos fazer isso de forma corriqueira, então a gente sempre depende dos municípios ou Tribunal de Contas – dessas questões financeiras são esses órgãos. Mas em questões

“...aqui falando também da autarquia Gramadotur, eu acredito que o repasse de valores tem que ser suficiente para um bom serviço.” “A minha impressão é que o município, seja prefeitura ou Gramadotur - essa principalmente, tem que considerar a questão do repasse de valores mensais, seja pela instituição de taxa ou por aquela taxa já instituída, ao Hospital”. de análises de serviços médicos e hospitalares recorremos ao CREMERS, da Vigilância Sanitária Estadual e outras entidades. Mas, o próprio MP, infelizmente, não dispõe, dentro da promotoria, desses serviços de auditoria.


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Gramado ganha um grande

especialista das mãos

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ENTREVISTA

A perspectiva de proporcionar uma qualidade de assistência médica em patologias relacionadas a Mão traz para a cidade o Dr. Jefferson Luis Braga da Silva (foto ao lado) que tem, entre outras distinções, o mais alto título acadêmico do Brasil, outorgado pela Universidade Federal de São Paulo

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rande parte das pessoas e muitos médicos desconhecem a especialidade voltada para a Cirurgia da Mão. Pacientes com algum tipo de problema ou mesmo doenças relacionadas as Mãos e punhos, normalmente, buscam orientações e consultas com esse profissional qualificado à partir da indicação de outros médicos. Gramado e a região agora podem contar com um especialista habilitado a reparar e reconstruir lesões ósseas, tendinosas, ligamentares, nervosas, musculares e de cobertura cutânea, nas mãos, punhos e cotovelos. O Dr. Jefferson Luis Braga da Silva graduou-se Médico em 1988 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS. Fez a sua especialização em Cirurgia da Mão e Microcirurgia na França até 1993. O título de Mestre em Medicina obteve em 1995, na área de

concentração de Neurociências na PUCRS. O título de Doutor em 1999 e a sua maior graduação acadêmica foi o de Livre-Docência em Cirurgia da Mão em 2005 ambos obtidos na Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP. Atualmente é TI - Professor Titular da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Publicou 146 artigos em periódicos especializados. Possui 491 apresentações em Congressos no Brasil e no Exterior. Possui 47 capítulos de livros. É autor de dois livros: Cirurgia da Mão - Trauma - e Técnicas Microcirúrgicas. É autor de dois aplicativos, APPs: Microsurgery Intuitive e Hand Surgery Tips. Possui 4 produtos tecnológicos com registro de patente no INPI. Desde o ano de 2005 foi orientador de 24 dissertações de

mestrado e 18 teses de doutorado. Recebeu 19 prêmios e/ou homenagens, o mais significativo foi em 2010, em Paris, quando recebeu um prêmio inédito concedido a um estrangeiro pela contribuição científica que fez à Sociedade Francesa de Cirurgia da Mão, GEM. Foi Presidente da Sociedade Brasileira de Microcirurgia Reconstrutiva (2005) e Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão (2007). É membro do corpo editorial de dez revistas internacionais. É consultor ADHOC do CNPq, LILACS, BIREME e SCIELO. Em seu currículo Lattes os termos mais frequentes na contextualização da produção científica são: Cirurgia da Mão, Microcirurgia Reconstrutiva, Retalho, Nervo periférico, Regeneração nervosa, Cirurgia Plástica Reparadora, Trauma, Cirurgia Experimental e Reimplante. Em 07 de dezembro de 2012 foi nomeado Diretor e em 09 de dezembro de 2016 foi nomeado Decano da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS. É bolsista em Produtividade em Pesquisa CNPq, PQ-2. JHASM - Porque consultar um Cirurgião de Mão? Dr. Jefferson - O Cirurgião de Mão é o médico especialista que trata TODAS as patologias traumáticas ou não da Mão. JHASM - Quem é o especialista em Cirurgia da Mão ? Dr. Jefferson - O especialista em Cirurgia da Mão está habilitado a reparar e reconstruir lesões ósseas, tendinosas, ligamentares, nervosas, musculares e de cobertura cutânea.

Também se aprimora no tratamento das doenças degenerativas artroses. Sua formação e treinamento em microcirurgia o tornam apto a reparar as lesões de nervos periféricos. É através da microcirurgia que o Cirurgião de Mão realiza os reimplantes de segmentos amputados. Exemplo de desenvolvimento do aplicativo Hand Surgery Tips (imagem à esquerda) JHASM - Quais as dúvidas mais frequentes das pessoas quando procuram o atendimento para a Cirurgia da Mão? Dr. Jefferson - O especialista em patologias da Mão cuida daqueles problemas não cirúrgicos e daqueles que necessitam intervenção cirúrgica. As patologias da Mão como especialidade médica atuam em diversas áreas: todas as patologias decorrentes do TRAUMA, todas as patologias da MALFORMAÇÃO CONGÊNITA, as patologias deformantes da ARTRITE REUMATÓIDE e as patologias dos NERVOS PERIFÉRICOS. JHASM - Quais as doenças e/ ou lesões tratadas por um Cirurgião de Mão? Dr. Jefferson - Traumáticas: todas as patologias decorrentes de trauma: lesão de nervos (desde o plexo braquial até as lesões mais distais nos dedos), lesões dos tendões, da pele, traumas da unha, esmagamentos, avulsões e até as amputações (trauma mais grave da mão). As lesões ocasionadas no ambiente de trabalho e domésticos são as mais frequentes. Síndromes Compressivas (nervos periféricos): todas as patologias que resultam de uma compressão dos nervos do membro superior. O maior exemplo é a Síndrome do túnel do carpo. Malformação Congênita: todas as malformações congênitas do membro superior. A mais prevalente é a sindactilia (a união de dois dedos). Artrite Reumatóide: as patolo-

gias deformantes e não funcionais das mãos. A artrite reumatóide é uma patologia tratada pelo médico reumatologista e quando as deformidades acontecem o cirurgião de mão pode minimizar os danos funcionais. A deformidade mais comum é o edema, dor e deformidade articular dos dedos da mão. JHASM - O quê é a microcirurgia reconstrutiva? Dr. Jefferson - A microcirurgia reconstrutiva é a especialidade cirúrgica que utiliza técnicas de microanastomoses vasculares em procedimentos de reconstrução. A microanastomose vascular é a ligação de dois vasos sanguíneos de calibres diminutos de dois ou até um milímetro. Isto acontece, por exemplo, nos reimplantes de segmentos amputados traumaticamente como dedos, mãos, antebraços ou até braços inteiros. A microcirurgia também envolve a reparação de lesões do sistema nervoso periférico, os nervos. Estas lesões podem causar paralisias e déficit de sensibilidade nos membros. Exemplo de desenvolvimento do aplicativo Microsurgery Intuitive (imagem à esquerda). JHASM - O quê é a lesão do Plexo Braquial? Dr. Jefferson - O Plexo Braquial é composto pelos nervos que saem da medula na região cervical e seguem para os braços. Assim, controlam os seus movimentos e a sua sensibilidade. Ele se origina na região da coluna cervical, a partir das vértebras C5 a T1, e sofre diversas conexões entre si. O Plexo Braquial pode sofrer lesões traumáticas em acidentes, por exemplo, quando o pescoço ou o braço sejam violentamente estirados. As lesões do plexo em adultos são geralmente causadas por acidentes graves com alta energia envolvida, por exemplo, em acidentes com moto. Elas podem variar muito em sua apresentação, desde lesões temporárias por estiramento dos nervos, que se recuperam espontaneamente,


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A maior graduação acadêmica do Dr. Jefferson (3º à esquerda) foi de Livre-Docência, em 2005, na Universidade Federal de São Paulo. É o mais alto título acadêmico do Brasil. No detalhe: prêmio objetivado ao Dr. Jefferson na França pela contribuição científica que fiz à Cirurgia da Mão

até lesões completas com a ruptura total dos nervos. JHASM - Queixas de dores articulares relacionadas ao trabalho, seja por esforço de repetição (LER) ou distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT). Como o Sr. observa isso e quais os fatores mais relacionados ao surgimento destes sintomas? Dr. Jefferson - Essas patologias são

multifatoriais, não há um agente específico. Sabemos que o ambiente e local de trabalho (ergonomia) são importantes, a atividade repetitiva que usa sistematicamente um grupo muscular levando à fadiga pode contribuir a patologia por esforço repetitivo. Nesses casos o melhor “remédio” é a prevenção, com jornadas intercaladas com outra atividade que solicite outros grupos musculares, alongamento, atividade física regular e ergonomia.

JHASM - O que traz o Sr. para desenvolver atividades e atendimento em Gramado, na Serra Gaúcha? Dr. Jefferson - A minha expectativa em vir trabalhar em Gramado está relacionada a possibilidade de ter uma melhor qualidade de vida. A perspectiva de desenvolver um trabalho voltado aos pacientes e proporcionar uma qualidade de assistência médica de um especialista em patologias relacionada a Mão.

JHASM - O Sr. faz as cirurgias no Hospital Arcanjo São Miguel? Dr. Jefferson - Estou iniciando as minhas cirurgias no Hospital Arcanjo São Miguel.

nicas para eu possa realizar todas as minhas cirurgias das mais simples até as mais complexas em Gramado.

JHASM - Como o Sr. observa o nosso Hospital Arcanjo São Miguel, num sentido amplo, principalmente em se tratando de equipamentos e instalações? Dr. Jefferson - O Hospital possui todas as condições téc-

O Dr. Jefferson atende na Ortotrauma Gramado, no Centro Clínico São Miguel, Rua Madre Verônica, 311, Sala 307 Contatos 54. 3295. 1457 ou 54. 9. 8422. 0057


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TRANSPARÊNCIA

Hospital São Miguel presta contas, relatando a importância da Gestão Financeira

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gestão de recursos financeiros em seu sentido mais amplo constitui, cada vez mais, um elemento crítico e imprescindível ao gerenciamento dos serviços de saúde, tanto públicos quanto privados. Ela desem-

penha um papel importante no processo de tomada de decisões em saúde e um impacto crítico na qualidade e continuidade dos serviços, contribuindo, significativamente, para a viabilidade econômico-financeira de serviços e programas de saúde. Decisões sobre a contratação de pessoal ou a implantação de novos serviços têm implicações diretas e indiretas sobre a estabilidade financeira de uma unidade prestadora de serviços de saúde. Diante de tais fatos a direção do Hospital Arcanjo São Miguel, através do presidente da Comissão Interventora, Jeferson Moschen, apresenta as informações financeiras deste hospital para total transparência desta atual administração da instituição hospitalar dos gramadenses.


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Repasses de recursos ao HASM em 2017 Números exatos de valores objetivados pela União, Estado e pelo Município no primeiro semestre deste ano, traçando um comparativo com o que ocorreu em 2016. O que aconteceu realmente?

Repasses da União

Em 2016, recebemos da União: R$1 milhão, 033 mil e 950 reais. Em 2017, recebemos da União: R$1 milhão, 743 mil, 784 reais e 19 centavos. Por que mais recursos aportados pela União em 2017 em relação a 2016? O incremento referente a esta diferença de 2017 para 2016 são: habilitação de 7 leitos de UTI, liberada em Portaria do dia 30 de dezembro de 2016, autorizando os repasses no montante de aproximadamente R$82 mil para custeio destes leitos e o remanejo do custeio para o atendimento da Média Complexidade em traumatologia dos municípios de Linha Nova, Picada Café e Nova Petópolis, no montante de aproximadamente R$28 mil, totalizando R$110 mil mensais e, consequentemente, em 6 meses, recebendo cerca de R$660 mil.

Repasses do Estado

Em 2016, recebemos do Estado: R$ 398 mil. Em 2017, recebemos do Estado: R$ R$ 895 e 500 reais. Porque mais recursos aportados pelo Estado em 2017 em relação a 2016? O Estado em 2016, durante o primeiro semestre, não repassou as competências dos meses de abril e maio do mesmo ano. O Estado em 2017 repassou os valores referentes aos meses de outubro, novembro e dezembro de 2016.

Repasses do Município

Em 2016, recebemos do Município: R$ 2 milhões, 535 mil, 973 reais e 21 centavos. Em 2017, recebemos do Município: R$ 3 milhões, 888 mil, 772 reais e 61 centavos, perfazendo um total de 34,79%. Aqui, no entanto, é preciso creditar dois empréstimos no total de R$1 milhão e 500 mil, repassados em duas vezes, ou seja: o primeiro de R$1 milhão e 200 mil e outro de R$300 mil, que estão sendo devolvidos ao município, sendo assim não podem ser observados como repasse, mas como empréstimo, devolvidos aos cofres públicos da seguinte forma: Primeiro empréstimo: R$ 1

milhão e 200 mil (fevereiro), sendo pago em 11 vezes de R$ 109 mil, 90 reais com 91 centavos. Pago até o momento: 5 parcelas, totalizando R$ 545 mil, 454 reais com 51 centavos. Segundo empréstimo: R$ 100 mil reais (maio). Terceiro empréstimo: R$200 mil (junho). O segundo e o terceiro empréstimo estão sendo pagos em 6 vezes de R$ 50 mil. Pago até o momento: 1 parcela, ou seja, R$50 mil. Sobre o pagamento dos empréstimos: do total de R$ 1 milhão e 500 mil, o Hospital já devolveu para os cofres públicos municipais neste primeiro semestre R$ 595 mil, 554 reais e 51 centavos, restando uma diferença a pagar de R$ 904 mil, 445 reais e 49 centavos. Entenda sobre os repasses do município: neste montante de R$3 milhões, 888 mil, 772 reais com 61 centavos temos incluídos R$240 mil, 430 reais e 44 centavos, referentes a regionalização dos atendimentos de Média Complexidade em traumatologia dos municípios de Linha Nova, Picada Café e Nova Petrópolis. Sendo assim, de recursos próprios do município no primeiro semestre de 2017 recebemos: R$ 3 milhões, 52 mil, 787 reais com 69 centavos. Isso representa 16,93% a mais de repasse em 2017 comparando-se com o que foi objetivado no primeiro semestre do ano de 2016. Essa diferença, no entanto, deve ser atribuída porque tivemos uma contratualização firmada no decorrer do ano de 2016, ou seja, este percentual de 16,93% somente foi repassado devido aos contratos firmados pela gestão passada do município. Não fossem esses contratos firmados ainda em 2016, o percentual de repasse da administração municipal no decorrer do primeiro semestre de 2017 seria de 1,88%. O que representa o percentual de 1,88% repassado pelo município em 2017? Aumento de R$ 20 mil na nova contratualização, ocorrida em março, referente ao IGPM acumulado e mais R$100 mil, em junho de 2017, referente ao custeio dos 7 leitos da UTI.


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Gramado - Serra Gaúcha Julho - Agosto/2017 - ANO I - Nº 03

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