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Linha de Fuga - Roteiro - Mov 9 -The Wrong

“Linha de Fuga”

(Comédia Erótica) Roteiro de longa-metragem de Alexandre Stockler PLANOS-SEQUÊNCIA 1 e 2 – NOITE – APTO DO HOMEM E APTO DA MULHER OBS: HOMEM e MULHER conversam através do LapTop como se fosse ao telefone (com Head Set sem fio). Os atores/personagens não têm outro contato entre si além do realizado pelo computador. OBS 2: Quando estiver indicado MULHER, significa que se está vendo o ambiente dela e quando estiver indicado HOMEM, o ambiente dele. OBS 3: Quando a imagem estiver mostrando o apartamento de um, o som da voz do outro ficará um pouco mais abafado, como ocorre quando se fala ao telefone ou pela Internet. OBS 4: O tom da conversa deve ser um misto entre sedução, diversão, “perversão” e deboche que, apenas por estarem seguros de seu anonimato, estas pessoas se permitem viver. (OBS 5: Os diálogos deste texto foram escritos de maneira a reproduzir a entonação muito coloquial e relaxada como as pessoas falam no mundo virtual, portanto, os supostos “erros” de tempo e de estilo dos textos das personagens devem ser respeitados). A encenação deve ter o ritmo de uma masturbação onde a pessoa se bolina bastante, tem seus picos e suas baixas de tesão, no final goza e logo perde a graça. Linha de Fuga - Roteiro - Mov 9 -The Wrong HOMEM (brincalhão) Que bom que não sô só eu que faço comentários desagradáveis… Mas só pra não perdê o gancho, tem uma história boa de avião qu’eu também quero contá. MULHER (empolgada) É sobre terrorismo? Porque transá em avião hoje tá muito mais complicado… SEQ 1 – MULHER serve-se um pouco mais de vinho e observa o movimento de carros na Av. Sumaré. SEQ 2 – HOMEM afasta-se um pouco da janela e caminha pela sala enquanto conta sua história, sempre movimentando muito suas mãos e “revivendo” o que conta em alguns momentos.


HOMEM Não, não é sobre terrorismo. A história rolô até antes do onze de setembro, quando eu tava voltando dum trabalho no Canadá e decidi passá o fim-de-semana em Nova York, pra conhecê a cidade. No vôo eu conheci uma japonezinha linda, que tava chegando do Japão e não falava mais que dez palavras de inglês. Como eu também não falo lá muito bem, nossa comunicação verbal era sofrível. MULHER Pena, palavras podem sê tão eróticas. HOMEM É, mas neste caso, não foram tão necessárias assim. Nós trocamos muitos olhares, sem nenhuma palavra, até que ela pediu licença e foi ao banheiro com um livrinho na mão. Não demorô nem um minuto ela voltô, olhô pra mim e disse, com sotaque super carregado: “You are very handsome.” MULHER Ah, bonitinha… Foi pro banheiro só pra decorá esta frase? HOMEM Eu também disse que ela era linda, mas aí fiquei nervoso, meu inglês travô de vez e eu só conseguia falá português. Ela sacô o que tava rolando e aí começô a falá japonês comigo. A sensibilidade e compreensão dela me fizeram ficá de pau duro na hora. MULHER (leve) Ação e reação… HOMEM Ela percebeu, abaixô a cabeça e me olhô tímida de rabo-de-olho. Então


tomei coragem, me aproximei mais e dei um beijo no seu rosto. Ela se afastô, eu fiquei sem graça e não insisti. Pouco depois ela pegô a minha mão e não soltô até o fim da viagem. MULHER Que meigo. Mas não rolô mais nada? HOMEM Quando chegamo’ em Nova York, nenhum de nós sabia ao certo o que fazê e por isto, decidimo’ dividí um táxi até Manhattan. No táxi a gente não agüentô mais e se agarrô pesado, com mãos sobrando pra tudo quanto era lado. MULHER O taxista é que deve tê adorado. HOMEM Adorô mesmo. Depois que eu deixei ela num hotel só pra japoneses, aonde não pude nem entrá, fui pra casa d’uma prima minha que morava no Upper East Side. Ao chegá no prédio dela fui dá uma gorjeta e o cara recusô dizendo que já ia economizá o pay-per-view daquela noite só por lembrá da japinha… MULHER Pena só cês não terem dormido junto… HOMEM Nada grave, porque na tarde seguinte fomo’ caminhá no Central Park e como não conseguíamo’ conversá, começamo’ a se agarrá com tanto tesão que quase távamo’ transando na frente dum monte de velhinhos que caminhava pelo parque. SEQ 1 – MULHER toma mais um pouco de vinho e observa ciclista fazendo manobras em sua bicicleta na Av. Sumaré.


MULHER Gostoso… HOMEM (empolgando-se) Mas ela ficô tímida e travô. Decidi então levá-la pro apartamento da minha prima que tava trabalhando àquela hora. Assim que chegamo’, já fomo’ tirando a roupa. Ela tinha o corpo tão lisinho que quase gozei só de encostá naquela pele sem pêlos, “nuinha” como ela só, mas consegui me contê. MULHER (curiosa, excitando-se) E como era a menininha dela? HOMEM (deliciando-se) Ah! Totalmente sem pêlos, delicada, com lábios perfeitos e bem dimensionados… E que cheiro fantástico! Eu dei uns beijinhos, mas não aguentei ficá só nisso e daí enfiei logo a minha pica. MULHER Sem camisinha? SEQ 1 – MULHER observa mais um pouco o ciclista andando com sua bicicleta na Av. Sumaré e depois senta-se na poltrona da sala. HOMEM (contente/excitado) Sem camisinha, nem nada. Ela gemeu de prazer, porque devia tá acostumada a só encará pau de japonês, né? Como ela não se mexia muito, eu tinha que fazê quase todo o trabalho sozinho, mas tudo bem, ela valia bem o pênis. Depois de muito nheco-nheco ela tava montada em mim, nós nos viramo’ e ela ficô de quatro. Mas aí ela disse “Back, back!” e eu me atrapalhei um pouco porqu’eu não sabia se ela queria voltá pra posição anterior ou se queria que eu metesse nela por trás, e como ela já tava de quatro mesmo… eu


“tum”! Neste exato instante ela voou e grudô na parede, como uma lagartixa. Só então percebi que tinha entendido mal o que a japinha tava tentando me dizê. MULHER (irônica) Será mesmo? Tem certeza? HOMEM O pior é que ela ficô tão assustada que eu acabei broxando de tanto tentá explicá pra ela o que tinha acontecido, enquanto ela me olhava com aquele olhão arregalado. (divertindo-se) E não tem coisa mais estranha do que vê uma japa com o olho arregalado! MULHER Era nisto que cê pensava na hora? HOMEM (um pouco aflito) É que eu fiquei sem sabê como agí e aí quase entrei em pânico quando lembrei que minha prima podia chegá do trampo e me pegá naquela situação. Decidi tirá a japa logo dali. Me vesti e ela sacô que daquele mato não sairia mais coelho. Aí recolheu sua roupa, foi até o banheiro, se trocô e antes mesmo d’eu terminá de lavá meu pau na pia da cozinha, abriu a porta do apartamento e sumiu no mundo. MULHER Também… HOMEM Eu não sabia mais o que fazê e depois que ela saiu resolvi arrumá o sofá pra minha prima não desconfiá de nada, mas aí senti o cheiro da japinha e comecei a lembrá daquele corpinho sem pêlo e eu fiquei com tanto tesão que foi só dá um trato rápido no menino que ele pareceu um chafariz, cuspindo pra todo lado…


MULHER Só você mesmo… HOMEM Mas e se fosse você? O quê cê faria numa situação exatamente igual a esta? MULHER Eu nunca taria numa situação assim. Já disse várias vezes que minha perereca não gosta de tomá leite de canudinho… HOMEM Como é que é? MULHER Minha perereca não bebe direto na bica. HOMEM Na bica ou na pica? MULHER Cê tem sempre que tê tanta classe? HOMEM Foi mal. Não resisti ao trocadalho. MULHER (enfadada) Cê não é muito bom nisto, né?

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