Page 11

13.3.2012

fotografia

www.hojemacau.com.mo

11

Centenário do fotógrafo francês que retratou o beijo mais célebre

Simplesmente

Doisneau N

ÃO existe esquina ou café de Paris que não deem a sensação de já terem sido algum dia fotografados. As imagens que o fotógrafo francês Robert Doisneau fez da cidade, no entanto, fogem de qualquer clichê visual: são momentos únicos que parecem ter sido colhidos no exacto instante em que são vistos. No centenário do artista lembramos a célebre imagem do casal que se beija diante do Hotel de Ville, retrato que se tornou o símbolo do romantismo relacionado à capital francesa e a síntese de um tempo nascido dos escombros da Segunda Guerra Mundial. Nascido em 1912 no interior da França, em Gentilly, Doisneau foi para Paris ainda criança e na juventude integrou-se a esse ambiente boémio e vanguardista que atraiu nomes como os de Amedeo Modigliani e Pablo Picasso. Apesar de ter estudado gravura, Doisneau logo optou pela fotografia, animado com o horizonte aberto do nascente fotojornalismo. Influencia-

do pelo trabalho de Henri Cartier-Bresson, Eugène Atget e André Kertész, criou um estilo pessoal ao documentar pessoas comuns de Paris e dos seus subúrbios. O diferencial do seu olhar era voltado para os momentos mais espontâneos do quotidiano e não se importar com a distinção de classes sociais. No início da carreira, Doisneau foi contratado pela fábrica de automóveis Renault para cuidar do seu material publicitário. Órfão aos sete

anos, o fotógrafo foi criado por uma tia e, quando adulto, sempre gostou de retratar crianças.

O BEIJO MAIS CARO DO MUNDO

Outra figura parisiense por excelência, o ‘clochard’ (mendigo) também foi alvo do seu olhar. São figuras que permaneceram anónimas, ao contrário dos seus retratados mais célebres como o casal Françoise Bornet e Jacques Carteaud. Os dois passavam diante do Hotel de Ville quando foram apanhados por Doisneau, que procu-

rava uma imagem de impacto para a revista americana “Life”. A pose apaixonada correu o mundo e tornou-os conhecidos. Em 2005, Françoise, então com 75 anos, levou a leilão um dos originais da ­foto, arrematado por um coleccionador suíço por 155 mil euros. “O Beijo do Hotel de Ville” (“Le baiser de l´Hotel de Ville”), de 1950, é um dos beijos mais caros do mundo. Ao longo da carreira, o trabalho de Doisneau foi publicado em mais de 20 livros. Foi tema de cerca de nove

filmes, incluindo o curta-metragem “Le Paris de Robert Doisneau” (1973) e “Bonjour Monsieur Doisneau” (1992), realizado pela actriz Sabine Azéma. Entre os prémios, destacam-se o Grand Prix National de la Photographie (1983), o prémio Kodak (1947), o prémio de Balzac em 1986 (Honoré de Balzac) e o prémio Niépce em 1956 (Nicéphore Niépce). Robert Doisneau morreu em 1994 e depois disso o seu trabalho já foi visto um pouco por todo o mundo, com passagens pelo Japão, Brasil, França, Bélgica ou EUA.

Hoje Macau 13 MAR 2012 #2570  

Edição do Hoje Macau de 13 de Março de 2012 • Ano X • N.º 2570

Hoje Macau 13 MAR 2012 #2570  

Edição do Hoje Macau de 13 de Março de 2012 • Ano X • N.º 2570