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A vida quotidiana 1. Na cidade


a) No trabalho • Nas cidades de Lisboa e do Porto viviam muitos burgueses, cuja • importância dependia do trabalho que tinham.

A nobreza continuava a ter muito prestígio e muitas pessoas aspiravam a um título nobre.


Atribuição de títulos da nobreza:


Actividades e profiss천es dos burgueses:


Mas, a maior parte da população da cidade dedicava-se a outras actividades: artes e ofícios, trabalhos nas fábricas e venda ambulante.

Profissõ es do povo: Moço de fretes:


Leiteira:


Caiador :


Peixeira:


Amolador :


Vendedeira de fruta:


Vendedora de p達o


Aguadeiro:


Lavadeira :


Pregþes (formas de os vendedores ambulantes anunciarem os seus produtos) da tradição popular:


b) A alimentação: • Os mais pobres comiam mal e pouco; • A base da alimentação era o pão. Comiam também bacalhau, sardinha e outros peixes, bem como toucinho e sopa; • Contrastando com o povo, os burgueses tinham uma alimentação mais abundante e variada. Não se comia só em casa, com a família. Nos retiros, nos restaurantes e nos cafés petiscava-se e convivia-se.


Em Lisboa, diariamente, era distribuĂ­da sopa aos pobres. NĂŁo havia reformas e muitos viviam de esmolas:


Burgueses numa patuscada fora de casa


c) A habitação: • A cidade aumentou e apareceram novos bairros em zonas até então agrícolas; • Nos bairros mais pobres não havia esgotos, água potável, nem espaço para viver e repousar. As famílias, numerosas, viviam em habitações velhas e húmidas. Os móveis eram muito poucos. Muitos dormiam no chão, amontoados em colchões de palha. A rua e a taberna eram o seu lugar de refúgio.


PĂĄtio do Carrasco em Lisboa (recuperado). Estas casas antigas eram divididas e alugadas a muitas famĂ­lias pobres


• Os mais ricos construíam em Lisboa e no Porto residências luxuosas, os palacetes. Estes tinham salas decoradas com requinte e conforto; • Nos prédios de vários andares viviam muitas famílias burguesas da classe média.


FamĂ­lia pobre e numerosa Ă  porta de casa:


Nas casas mais ricas havia um ambiente confortรกvel, com espaรงo para receber os amigos


Palacete perto de Lisboa


d) O vestuário:

• O vestuário do povo não obedecia à moda – ele estava adaptado às tarefas que cada um desempenhava; • Os burgueses preocupavam-se em vestir bem. Através de revistas vindas de Paris ou dos grandes armazéns portugueses, ficavam a conhecer o último grito da moda.


Moda feminina


Moda masculin a


e) As distracções: • Era na rua que o povo convivia. Aí se sabiam as novidades, se comentavam as vidas de cada um; • As crianças lançavam o pião; • À noite, ouvia-se o fado em certos bairros de Lisboa; • Era ao ar livre, também, que o povo se divertia, nos arraiais, nas festas e nas festas religiosas.


O fado


Os ZĂŠs-pereiras ainda hoje continuam a animar as festas populares


A caminho da feira


A Desfolhada


Milho ao sol


“Namoro na aldeia�, de Silva Porto


Ceifeiras


Bailarico no intervalo do trabalho


“Os bêbados”, pintura de José Malhoa


• Os burgueses e os nobres distraíamse em casa, recebendo visitas de amigos. No dia-a-dia reuniam-se para o chá, jogavam cartas e comentavam as notícias. Em certas ocasiões, nos palacetes, grandes festas reuniam a alta sociedade para jantares, concertos e bailes;

• Alguns clubes, cervejarias e cafés, frequentados só por homens, eram lugares de conversa, de convívio social, de crítica literária e política.


Café “Majestic”, no Porto


Convite Ă  valsa:


• Um novo espectáculo surgiu ao findar o século – o cinema;

• Outros espectáculos, de tradição mais antiga, como as touradas, o teatro e a ópera, eram muito apreciados; • Nos jardins de S. Lázaro, no Porto, e no Passeio Público, em Lisboa, passeava-se, conversava-se e ouvia-se música tocada por bandas no coreto.


Passeio público, em Lisboa, no século XIX


Animat贸grafo do Rossio - sala de cinema


Teatro de S. Carlos


• O desporto começou ater adeptos. Eram organizadas competições de ginástica, corridas de cavalos, partidas de ténis; • Os mais ricos passavam o Verão nas suas quintas, iam às termas ou a banhos nas praias próximas.


Corrida de bicicleta


Praia de banhos


A modernização das cidades 1. As novas construções O número cada vez maior de pessoas que chegava a Lisboa e ao Porto fez alargar o espaço destas cidades . Tal como nas grandes capitais europeias: • abriram-se ruas e avenidas; • fizeram-se praças e jardins públicos; • construíram-se escolas, tribunais, hospitais, prisões, mercados, etc.


O crescimento das populaçþes nas cidades de Lisboa e do Porto:


Largo de Cam천es, em Lisboa


Cadeia penitenciรกria, em Lisboa


Mercado da Praรงa da Figueira, em Lisboa


Elevador de Santa Justa, em Lisboa


Palรกcio de Cristal, no Porto


Praรงa do Campo Pequeno, em Lisboa


2. Os novos serviços • Surgiram também vários serviços de utilidade pública; • Aumentou o número de ruas iluminadas, primeiro a gás e, no virar do século, a electricidade; • A higiene e a saúde pública foram melhoradas: a) b) c) d)

Com a limpeza das ruas; Com a recolha de lixos; Com o aumento das redes de esgotos; Com o aumento das redes de água canalizada.


Acendedor de candeeiros a gรกs


A noite tornou-se dia


Carro de bombeiros


A companhia Carris


Transporte colectivo – o “americano”


3. Arte e cultura Arquitectura: • Na segunda metade do século XIX, os arquitectos procuraram inspiração para os seus projectos nos edifícios de diferentes épocas da história – nos gregos e nos romanos, nos árabes, nos tempos dos Descobrimentos, etc. • Encontramos também edifícios e decorações de influência estrangeira. As palavras que os designam são prova disso (gare, chalé, hotel, restaurante, clube…) • O ferro, o vidro e o azulejo, materiais produzidos pela indústria desta época, foram muito utilizados.


Palacete no PrĂ­ncipe Real, em Lisboa, com elementos de arquitectura ĂĄrabe


Estação de Comboios do Rossio, em Lisboa, com decoração do tipo Manuelino


Teatro D. Maria II, em Lisboa, inspirados nas arquitecturas romana e grega


CĂşpula de ferro e vidro do PalĂĄci o da Bolsa, no Porto


Pormenor da fachado de edifĂ­cio revestido a azulejo na Rua Silva Carvalho, em Lisboa


Pintura: • Os retratos encomendados pelas famílias ricas, sustentava muitos pintores. Outros ficavam célebres pelas paisagens e cenas populares que pintavam. Entre os pintores mais importantes desta época destacam-se José Malhoa, Henrique Pousão, Columbano Bordalo Pinheiro e Silva Porto.


Retrato da Viscondess a de Meneses


“Casas brancas”, pintura de Henrique Pousão


Cerâmica:

• O azulejo com novos motivos decorava muitos edifícios. Neste material (o barro) surgiram obras de arte criadas, principalmente, por Rafael Bordalo Pinheiro.


“A ama e o polícia”, de Rafael Bordalo Pinheiro


Literatura: • Rafael Bordalo Pinheiro foi ainda o autor de caricaturas que apontavam erros dos governantes e da sociedade do seu tempo. As suas caricaturas apareceram nos jornais e nas revistas desta época, a par de fotografias, invenção do século XIX. • Ã imprensa teve nesta altura uma enorme expansão e contou com a colaboração de inúmeros escritores. O romance, surgido neste século, conquistou um público numeroso. Aí foi retratada a sociedade do campo e da sociedade de então.

• São autores desta época: Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, António Nobre, Antero de Quental, atc.


A divulgação dos jornais


“Lendo o Jornal”, pintura de José Malhoa


Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro: O povo (ZĂŠ Povinho) com uma albarda de burro ĂŠ levado a votar pelos mais poderosos


4. Também surgiram novos valores, na aplicação da justiça • A aplicação da justiça, orientada pelos valores liberais, tornou-se progressivamente mais humana. O principal exemplo dessa humanidade, de que Portugal é pioneiro, foi a abolição da pena de morte e das penas corporais. • As prisões passaram a ter o objectivo de corrigir e recuperar os criminosos. Por outro lado, como o poder judicial passou a caber aos tribunais, só estes podiam castigar quem não cumpria as leis.


Portugal pioneiro na aplicação da justiça


Concluindo‌


vida quotidiana