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JORNAL ON-LINE DE HISTÓRIA DA FAVA - ANO II—4ª EDIÇÃO—FEVEREIRO/JULHO DE 2010

Comemoramos um ano na rede. O História em Debate, tem cumprido seu papel de indagação e reflexão historiográfica , num exercício bastante instigante no processo de produção do conhecimento...

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Equipe: Ale

ciana, Gilb erto e May

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EDITORIAL

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Projetos do Curso pagina 12

A proposta encampada pelos alunos de História, segue firme em seus propósitos. A veiculação das atividades acadêmicas por meio deste veículo e do canal de vídeos, conseguiu fornecer uma cara nova ao curso de História da FAVA. Pagina 2


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UM ANO DE HISTÓRIA EM DEBATE: IDÉIAS E PERSPECTIVAS Estudar História nos capacita a ter um entendimento da realidade social na qual estamos inseridos. A compreensão de conceitos histórico-culturais de um determinado momento histórico, auxilia os indivíduos a pensarem de forma crítica e reflexiva e a se posicionarem diante de determinados conflitos existentes na sociedade .

sempre com o projeto, os acadêmicos do 4º ano do curso, inspirados em Michel de Certeau, apresentam aqui seus respectivos temas de monografia a serem defendidos neste ano, com propostas bastante interessante. Isso mostra que nossos esforços não foram em vão.

Os estudos de História, vem sendo cada vez mais repensados tendo as ‘certezas abaladas’ ao longo do tempo, e como nos lembra Roger Chartier em um de seus artigos: “Abalada suas certezas mais bem-ancoradas, a história também se defrontou com vários desafios” (CHARTIER, 1994, p.5) , nesse caminho de dúvidas e incertezas é que o projeto cumpre seu papel, fundamental para consolidação de um curso que vise a prática docente e a iniciação a pesquisa.

Tais reflexões buscam apresentar a comunidade um curso de História disposto a fazer um diálogo maior com o ‘lugar social’ a qual ele se insere, divulgando que esse é um curso de Licenciatura em História que produz bons trabalhos e que merecem toda legitimidade de um curso superior.

Não devemos nos esquecer que em 2010, o Projeto comPosto isto, o projeto encampado pelos alunos de Histó- pleta um ano na rede, e devemos isso aos esforços dos doria, segue firme em seus propósitos. centes e discentes envolvidos nesse processo de criação e divulgação desses A veiculação das atividades acadêmi- “A veiculação das atividades fornetrabalhos. O curso de História da FAVA cas por meio deste veículo e do canal ceu uma nova cara ao curso “ já consolidado na cidade e na região de vídeos, conseguiu fornecer uma tem como papel fundamental o fomento nova cara ao curso de História da FAVA. Hoje é com grande satisfação que apresentamos a pesquisa e a produção de trabalhos que falem sobre o lugar que se inserem. mais uma edição do História em Debate.

Assim, esperamos contar com mais alunos neste ano, com idéias, ajuda, sugestões que são mais que pertinentes uma vez que o processo de construção do saber é mediado Nessa edição contamos com a participação de alunos pela troca de idéias e experiências, fator cada vez mais é que instigados pelo universo da pesquisa, apoiaram o proje- notado no curso. to escrevendo, pensando e repensando o papel da História e Abraços, boa leitura, e ate a próxima edição. da historiografia na vida acadêmica. Desta feita, os trabalhos Gilberto Abreu de Oliveira visam contribuir no debate iniciado a um ano. Além dos 4º Ano de História iniciantes na pesquisa, e dos professores que colaboram

É com imensa alegria que recebemos mais traçar nossas ações no presente, bem como no uma edição do jornal História em Debate, fato futuro. este que nos deixa orgulhosos pela iniciativa e a Na verdade, todos vivenciamos a história a dedicação de seus idealizadores. partir do momento em que Apesar de sua curta existência, fazemos parte deste mundo, onde este jornal já se transformou no o presente coloca questões pertiprincipal meio de comunicação dos nentes aos passado estudado. alunos do curso de História, onde a Sempre estaremos participando da família acadêmica pode mostrar as história, seja em nossas famílias, vantagens e a paixão que o curso desperta em empresa ou cidade em que vivemos. Algumas seus futuros historiadores, assim como expor pessoas se destacam em um momento histórico opiniões e projetos desenvolvidos dentro e fora quando de atitudes e ações realizadas no dia - a da faculdade. – dia.

pessoas para depois retratar de forma clara e objetiva para que todos consigam entender os princípios e os porquês destes fatos terem acontecido.

A História é de extrema importância em E é ai que entra a função do historiador. Ele nossas vidas, pois por meio dela podemos estuda os fatos, os costumes e a vida destas

Mestre em História pela UFU Diretor Acadêmico da FAVA

Esperamos que todos tirem proveito desta ferramenta e que ela se torne útil para o aprimoramento de nossos conhecimentos, não só dentro da história, mas de uma forma generalista e com um bom desenvolvimento da leitura. Rodrigo Fazio

Expediente Jornal On-line do Curso de História da FAVA Av. Presidente Dutra, 1500 — Setor Universitário Cassilândia MS Tel. 3596-5538. www.favams.com.br www.youtube.com.br/historiaemdebate http://issu.com.br/doc/historiaemdebate

DIREÇÃO INSTITUCIONAL—Diretora Presidente: Dinorá Ferreira de Oliveira Fazio / Diretor Administrativo: Luiz Augusto Fazio / Diretor Acadêmico: Rodrigo Fazio / Diretor Acadêmico Adjunto: Niwton Drey D. dos Santos Conselho Editorial— rial—Coordenação do Curso: Profª. Ms. Sandra Rodart Araújo / Proponentes do Projeto: Profª. Ms. Aleciana Vasconcelos Ortega, Gilberto Abreu de Oliveira e Mayra Cristina Amaral Machado / Revisão: Prof. Ms. Jacques Elias de Carvalho / Diagramação: Gilberto Abreu de Oliveira / Agradecimentos: A Direção, Professores e alunos que se esforçaram para a realização deste Informativo Universitário. Os artigos aqui publicados são de responsabilidade de seus respectivos autores


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POR UM DEBATE TEÓRICO METODOLÓGICO: MONOGRAFIAS DO CURSO SE HISTÓRIA DA FAVA PRIMAVERA DE 2010 A proposta de reunir nesta edição, os prospectos das monografias elaboradas pela turma do 4º ano de História, nasceu das discussões da disciplina Métodos e Técnicas de Pesquisa em História II. Os debates suscitados durante as aulas foram fundamentais para a elaboração final dos trabalhos que ora se apresentam. Desta feita, é com grande satisfação que expomos os primeiros resultados destas pesquisas. Ainda, é preciso realçar o empenho individual e coletivo da turma, que tomaram para si, a árdua tarefa da pesquisa. Em um tempo onde estas questões teóricas parecem não mais despertar paixões o que se vislumbra é um grupo afoito pelo saber histórico. As paixões puderam ser experimentadas nos mais variados temas, como aqueles que optaram pela retomada do Regional no seu diálogo com a História do Brasil, este debate pode ser visto no texto do. A memória da política do município de ItajáGO será realçada pela aluna Jonimar Aparecida Borges, ao retomar as sucessões dos Prefeitos na cidade. A questão local/regional pode ser apreendida, ainda, pelo tra-

balho da aluna Sandra Regina Mendes da Silva ao retomarem a História de Cassilândia/MS por meio da sua mídia impressa: “O Jornal”, que dialoga com as reportagens políticas do periódico nos anos que coincidem com o Golpe de Estado Brasileiro, ou seja, os primeiros anos de funcionamento do jornal de 1980 a 1985. Em consonância com estas prerrogativas, podemos destacar o trabalho de Marly Martins Silva sobre os questionamentos em torno das propostas de divisão do Estado de Mato Groso . A diversidade dos temas pode ser conferida pelo trabalho da aluna Mariele Aparecida Ferreira de Souza, que realiza um diálogo com o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do Governo Vargas, o tema é proposto principalmente a partir das imagens produzidas pelo órgão. Destarte, os trabalhos que se ligam de uma forma mais direta às questões conceituais da História Cultural se avolumaram nesta turma de 2010. Num primeiro plano, aqueles que dialogam o documento fílmico para a pro-

dução da História podem ser conferidos nos prospectos dos alunos, Marcelo Silva Paulino de Oliveira, Devânia Aparecida Alves Romualdo . Retomado mais uma vez, o tema da Ditadura Militar, é comentado pelo aluno Marcelo com o filme O ano que meus pais saíram de férias (2006) do diretor Cao Hamburger. Já a aluna Devânia, retoma o binômio História e Ficção com o documentário Ônibus 174 (2002) dirigido por José Padilha. Ainda em consonância com os ditames da História Cultural, o trabalho de Elaine Cristina de Souza apresenta contornos interessantes tomando o debate História e Literatura para discutir a temática da crise cafeeira, iniciada em 1930, a partir do livro Terra Vermelha. E é por tudo isso que continuamos firme na tarefa de despertar o gosto pela pesquisa! Acreditamos no amor pelo conhecimento, aqui, verificado na excelência dos trabalhos divulgados. É mister lembrar que esta empreitada só foi possível pelo empenho dos Professores do Curso e pela disponibilidade e garra dos alunos de abraçarem seus temas e produzirem seus trabalhos.

Como nos lembra Roger Chartier, […] o trabalho de todo historiador está dividido entre duas exigências. A primeira, clássica e essencial, consiste em propor a inteligibilidade mais adequada possível de um objeto, de um corpus, de um problema. É por essa razão que a identidade de cada historiador lhe é dada por seu trabalho em um território particular, que define sua competência própria. (CHARTIER, 2002, p. 17/18) Assim, o nosso território particular é o Curso de História da FAVA e a identidade do Curso é dada pela amplitude dos textos que serão defendidos ao final desta Primavera! Desta feita, desejamos que as palavras historiográficas aqui contidas sejam de muito proveito para os amantes da História. Boa leitura!

Ms. Sandra Rodart Araújo Coordenadora do Curso de História da FAVA

Realizou-se no dia 12 de Fevereiro, nas dependências da Faculdade Vale do Aporé, a Aula Inaugural promovida pelos cursos de História , tendo como proponente o Prof. Ms. Gilson Vedoin, que estruturou sua aula, de uma forma bastante reflexiva, trabalhando com questões sobre a Fernão Lopes e a Nova Historia Utilizando recursos discursivos que nos mostram a relação entre Fernão Lopes e os historiadores de um outro tempo, buscando sempre um debate reflexivo com os participantes da palestra, que contou com alunos do curso de História da FAVA. As palavras do professor foram mais que instigantes no sentido de pensar o papel da nova História nas pesquisas historiográficas. Confira mais fotos na galeria do site da FAVA

“Não compete ao poeta narrar exatamente o que aconteceu; mas sim o que poderia ter acontecido, o possível” Aristóteles, Arte Poética


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ALUNOS DE HISTÓRIA PARTICIPAM DE JORNADA EM JALES No ano de 2009, a Faculdade Vale do Aporé, foi representada pela professora Aleciana Vasconcelos Ortega, que apresentou dois trabalhos voltados para informática e educação, onde recebeu colocações de grande valia para seus projetos. O aluno Gilberto Abreu de Oliveira buscou problematizar a profissão de professor/ historiador, discutindo a relação entre teoria e pratica como fundamentais no processo de formação profissional dos estudantes de História, suscitando uma série de questões pela banca examinadora. Neste ano, a Faculdade volta fortalecida. proposta temática do acadêmico para a Jornada neste ano referia-se ao cinema enquanto objeto de estudo para o Historiador, intitulada: A pesquisa em História: o cinema como documento para o historiador..Já Mayra Cristina Amaral Machado, recém formada pela FAdor VA instigada pelo universo acadêmico, propôs uma análise de todo processo de construção e produção de um dos filmes mais polêmicos dos últimos anos:Estética Estética e História: processo de produção do filme Tropa de Elite,. Elite Não podemos esquecer-me do aluno Junio Carlos Borges Dias, do 3º ano de História que inspirado pela Jornada, fez reflexões bastante interessantes e já começou a pensar em seu tema de pesquisa, uma vez que o momento em que ele se encontra é de duvidas e incertezas. Confira o Vídeo no Youtube: História em Debate: na estrada

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ENCONTRO REGIONAL DA ANPUH de MS. Neste ano de 2010, o evento realizado pela ANPUH (Associação Nacional de História) de Mato Grosso do Sul, foi organizado pelo Curso de História da UFMS – Campus de Três Lagoas , e estruturado concomitantemente com o Simpósio Internacional de História, e com a XIII Semana de História da UFMS/CPTL, com o tema: “As muitas (In) dependências as Américas: dois séculos de História”. O Curso de História da FAVA de Cassilândia foi representado pelos acadêmicos: Aline Rita de Cássia, Fagner Messias, Messias Junior (3º Semestre); Daniela Gonzaga (1º Semestre); Junio Carlos Borges Dias, Vanildo Martins (3º Ano); Gilberto Abreu de Oliveira, Maria Divina de Lima, (4º Ano) contou ainda com a participação dos Graduados pela Instituição; Mayra Cristina Amaral Machado, Maxssuel e Neusa. Os Professores do curso: Sandra Rodart Araújo, Jacques Elias de Carvalho e Leonardo Brandão, também deram sua contribuição com as apresentações nos simpósios temáticos. Realizado entre os dias 13 a 16 de julho, o evento congregou pesquisadores de das Instituições do estado que oferecem curso de história. Contou com dezenove minicursos, que buscaram realizar uma reflexão específica voltada para um saber crítico e politizado. Os participantes puderam trocar idéias e experiências do Alojamento aos Simpósios temáticos, este ultimo, teve a função de apresentar o que é produzido no Estado de Mato Grosso do Sul, referente ao conhecimento Histórico. Fotos na galeria do site: www.favams.com.br Videos: www.youtube.com.br/historiaemdebate

Primeiro de Maio: Ao trabalhador...

Onde antes só havia chão. Como um pássaro sem asas

Pediste-me algo: escreve sobre o trabalho, sim!

Ele subia com as casas

“o trabalho” aquele do primeiro de maio. Se “vos desse falarei” peço permissão aos clássicos da poesia brasileira, para então perscrutar: quem são esses?

Que lhe brotavam da mão. Mas tudo desconhecia De sua grande missão:

Os chamados trabalhadores [...] um herói? Sim! Um herói desses que levanta ao romper dá alva, e sai a labutar nos frascos do trabalho árduo, uma gota: uma gota de aroma que sacie teu ser. Se me deste a honradez de pronunciar singelas palavras a esses tão nobres valentes; reservo-me chamá-los heróis. Pois assim nomeia-se aos vencidos, que vencem dia após dia. Eis que agora vos conclamo a falar, um mestre Vinicius de Moraes:

Não sabia, por exemplo Que a casa de um homem é um templo Um templo sem religião Como tampouco sabia Que a casa que ele fazia Sendo a sua liberdade era sua escravidão[...]” Trecho do Poema Operário em Construção de Vinicius de Moraes.

“Era ele que erguia casas

Vanildo Martins de Souza 3º Ano de História

DICAS DE LEITURA: MTPH: CERTEAU, M. A Escrita da História. Brasília: Ed. UNB, 2007. História da Arte : FISCHER, E. A Necessidade da Arte. São Paulo: Cia das Letras, 2005. História Contemporânea: HOBSBAWN, E.. A Era dos Extremos. São Paulo: Cia das Letras, 2004. História Regional: SILVA, M.A. (org.) República em Migalhas: História Regional e Local. São Paulo: Editora,.


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MURAL DE FOTOS

A QUEDA DO CAFÉ: UMA ANÁLISE HISTÓRICA

Michel de Certeau lembra que em História, tudo começa com o gesto de separar de reunir de transformar em documentos.Assim nossa proposta é pensar em uma leitura crítica sobre a obra Terra Vermelha, Vermelha que aborda justamente os problemas gerados pela crise da lavoura cafeeira. Primeiro indício deste deslocamento não há trabalho que não tenha que utilizar de outra maneira os recursos conhecidos. Relatar os impactos sociais causados pela crise do café e também as conseqüências negativas causadas pela economia e a reação de muitas famílias é uma das propostas deste trabalho.

Com a safra de café sem comprador provocou a ruína das famílias cafeeiras que eram acostumadas com seus gastos abusivos que não poderiam mais tê-los, e muitos fazendeiros se suicidaram-se ao se verem na miséria.

Assim, a proposta deste trabalho é refletir sobre tais pressupostos como fundamentais no encaminhamento de analises históricas sobre o assunto, a partir de fontes específicas, pensadas antes, a priori, pois como nos lembra Michel de Certeau: O estabelecimento das fontes solicita também, hoje, um gesto fundador, representado pela combinação de Com as chegadas dos imigrantes para trabalhar um lugar de um aparelho e de técnicas. na lavoura de café, muitos deles eram tratados peElaine Cristina de Souza los senhores de café como escravos, mas com muiGraduanda em História pela FAVA ta dedicação em seus trabalhos alguns deles conseguiram uma vida melhor ou até mesmo a comprar suas próprias propriedades. Também faz-se necessário um balanço referente a famosa crise do café, que faz parte da história de muitas famílias que sofreram suas conseqüências.


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ETHOS EM ANÁLISE DO DISCURSO CONCEITO DE ETHOS O ethos em Aristóteles faz parte, com o ‘’logos‘’ e o ‘’pathos’, da trilogia aristotélica dos meios de prova (Retórica I: 1356a), e é abordado de duas maneiras diferentes: por um lado designa as virtudes morais que garantem credibilidade ao orador, tais qual a prudência, a virtude e a benevolência (Retórica II: 1378a). Por outro lado, comporta uma dimensão social, na medida em que o orador convence ao se exprimir de modo apropriado a seu caráter e a seu tipo social (Eggs, 1999:32). A integração do termo ethos às ciências da linguagem encontra uma primeira representação na teoria polifônica da enunciação de Oswald Ducrot. Na pragmática, a noção de ethos é abordada como imagem. Segundo Ducrot (1987), o segredo do orador ao estabelecer seu ethos, é atribuir a si mesmo uma imagem favorá-

vel que seduza o ouvinte, e isso ele consegue com a fluência, a entonação, calorosa ou severa, a escolha das palavras e os argumentos. (Ducrot, 1987, p.188-189). ETHOS EM ANÁLISE DO DISCURSO A elaboração da noção de ethos na analise do discurso é pesquisada nos trabalhos de Dominique Maingueneau (Genèse du Discours: 1984o). O enunciador deve legitimar seu dizer: em seu discurso, ele se atribui uma posição institucional e marca sua relação a um saber. No entanto, ele não se manifesta somente como um papel e um estatuto, ele se deixa apreender também como uma voz e um corpo. Maingueneau (1984) relaciona a noção ethos à noção de tom; a noção de tom substitui com vantagens a noção de voz, à medida que remete tanto à escrita quanto à fala. “O tom se apóia sobre uma

dupla figura do enunciador, a de um caráter e de uma corporalidade’’(1984:100) . O referido autor relaciona ethos à noção de estereótipos; essa reflexão considera a representação da imagem discursiva de si; ancorada em estereótipos, a construção de uma imagem de si se dá em relação a representações coletivas cristalizadas. Maingueneau (1984) observa ainda o ethos prévio, que é a imagem que o auditório faz do locutor no momento que este toma a palavra. Segundo o autor, o locutor tenta consolidá-la, retificá -la, retrabalhá-la ou atenuá -la. A título de conclusão, apontamos as observações de Barthes sobre ethos. Barthes argumenta que as características essenciais do ethos em qualquer discurso,

seja ele oral ou escrito, são os traços de caráter que o orador deve mostrar ao auditório (pouco importa sua sinceridade) para causar boa impressão; são os ares que assume ao se apresentar. “O orador enuncia uma informação e ao mesmo tempo diz: eu sou isto, eu n ã o s o u aquilo’’(Barthes apud Maingueneau, 2004 p.98). Objetivamos analisar no projeto de pesquisa, propagandas vinculadas à mídia televisiva brasileira; como exemplo do ethos presente no corpus do trabalho, apontamos a propaganda da cerveja Skoll, sobretudo a que retrata uma cena de casamento. R1- Eu Antonio prometo ser... pera aí ...preciso saber uma coisa antes....se ela pro-

mete ficar gostosa sempre...não é que...eu por exemplo, sou fiel a skoll, skoll é gostosa, não muda nunca...a mãe por exemplo, ficou um bucho. Antonio, o noivo, rompe aqui com o ethos prévio e com o ethos institucional a que se refere Maingueneau. Assim como o estereótipo imputado ao noivo, pois a imagem prévia que se tem de um noivo é a de que ele repita o discurso em tom resignado e de obediência, uma vez que o gênero discursivo ‘’casamento’’ já está cristalizado e institucionalizado. O noivo em questão assume um tom de desinteresse, tanto pelo casamento vinculado pela instituição da Igreja, quanto pela noiva.

Maria de Lourdes Cerezer UEMS /UUC

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O ANO EM QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS: ENTRE O CINEMA E A HISTÓRIA compre-

Este O filme “O ano que meus pais saíram de férias” trata-se de busca representar uma da a historia recente do Brasil, que e no período militar, foi marcado por uma ditadura (um regime de governo que cerceia ou suprime as liberdades individuais, um excesso de autoridade) de tirania excessiva, a democracia já que não existia mais, neste período recente da historia brasileira, vigorava a censura, e ate os direitos mais simples do homem eram repreendidos, sendo este um momento muito cruel. Representando esse momento a parir de dois focos, a historia dois momentos opostos: primeiro, situação o país passava por um transformação política muito radical e sangrenta, onde a repressão aos direitos humanos, que talvez foi a pior de todas, tirava o direito de expressar seus sentimentos idealismo, ideais políticos e tantos outros, a ditadura militar imposta pelos militares através de um golpe militar. O outro momento que o país passava, era a expectativa do futebol, mais uma vez campeão mundial, esses dois lados

eram muito importante para historia do ender não somente a obra como também a realidade que representa (FERRO, 1975, p.6) começo dos anos setenta. As fontes audiovisuais e musicais O filme em questão , gravado em ganham crescentemente espaço na pes2006, tenta resgatar um pouco a historia recente brasileira, retratar problemas quisa histórica, do ponto de vista metodopolíticos e sociais da época. O diretor lógico, são vista pelos historiadores como Cao Hamburger um estreante neste tipo fontes primárias novas, desafiadoras, de trabalho, pais só tinha feito um traba- mais seu estudo e paradoxal. Por outro lho que foi destinado ao publico infantil, lado, as fontes audiovisuais (cinema telefala desta vez por perspectiva diferente e visão e registros sonoros em geral)são com um estilo totalmente diferenciado. consideradas por alguns, tradicionais e Trata-se de duas temas destinos, a repre- erroneamente testemunhos quase diretos e objetivos da historia, de alto poder ilusensão e a paixão nacional pelo futebol. trativo, sobretudo quando possuem um Como sabemos O cinema ou qual- caráter estritamente documental. quer outra fonte áudio visual é uma exceREFERENCIAS: lente veículo com capacidade de retratar um momento histórico, pois como nos FERRO, Marc. O Filme – uma contralembra Marc Ferro é: análise da sociedade? In.: NORA, Pierre Necessário aplicar esses métodos a (org). História: Novos Objetos. RJ: Francada substancia do filme (imagens, imagens cisco Alves, 1975 sonoras, imagens não sonorizadas), às relações entre os componentes dessas substancias; Marcelo S. P. de Oliveira analisar no filme principalmente a narrativa, o Graduando em História cenário, o texto, as relações do filme com o pela FAVA que não é filme: o autor, a produção, o publico, a critica, o regime. Pode-se assim esperar


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MATO GROSSO DO SUL OU ESTADO DO PANTANAL: UMA QUESTÃO HISTÓRICA Desde que Mato Grosso do Sul foi criado, existe uma discussão acerca da identidade do estado. Alguns políticos defendem a mudança do nome do estado para Estado do Pantanal, sob alegação de que a população sul mato-grossense não tem uma identidade cultural. Durante a administração de Zeca do PT, foi lançado um projeto que propunha a mudança de nome, mas acabou ficando adormecido. Meses atrás, reacenderam novamente as chamas da discussão pelo motivo de Cuiabá ter sido escolhido representante do Pantanal durante a Copa Mundial de 2014. Os defensores desta mudança acreditam que se MS se chamasse Estado do Pantanal, os dirigentes da FIFA e da CBF não escolheriam MT, porque se essa fosse a escolha, não saberiam explicar ao mundo porque a capital sul mato-grossense não fora escolhida. Um dos defensores é o empresário e publicitário Roberto Duailibe, que acredita que o nome tem grande valor, vale bilhões. Para ele, o nome “Pantanal” tem grande força e o compara com marcas como Coca-Cola, Microsoft e Chevrolet. Segundo Duailibe, trata-se de “um nome que está crescendo espontaneamente e está vindo como grande criação histórica da atual geração”. Para os que discordam, como por exemplo, o senador Delcídio do Ama-

ral e o historiador e filósofo Hildebrando Campestrini, nós fazemos parte da história, mas não somos donos dela. O nome do estado pertence à história do povo sul matogrossense e não à nossa geração. Não é um bem material do qual nos apropriamos e nos auto intitulamos donos. A mudança de nome não é unânime, as regiões do estado que não estão próximas do Pantanal são totalmente contra, pois favoreceria apenas uma parcela da população. Quando questionado sobre este fato, Duailibe foi categórico dizendo que esta questão de distância é falsa e fez comparações, “quem mora nas proximidades do Monte Everest, tem orgulho de estar próximo. Nos Andes é a mesma coisa.” Parlamentares defendem que a população deve escolher se altera ou não o nome do estado através de um plebiscito, mas a fala de Duailibe expressa bem o sentimento de quem defende a mudança, ou seja, eles pouco se importam com o pensamento da população. Porque na verdade os beneficiados seriam a classe dominante. Enfim, as problemáticas que cercam o assunto são muitas e já causaram reações diversas tanto na população quanto nos defensores e críticos. Zeca acredita que a mudança do nome serviria para definir a identidade cultural do estado e com isso desvincular de vez a

imagem de MT. De acordo com ele, MS daria um passo decisivo para promover a cultura e o turismo no estado. Apesar de Cuiabá ser a capital, a região sul do estado estava mais próxima de São Paulo e a exploração da erva mate, regularização das viagens ferroviárias, sistematização da pecuária, desenvolvimento sócio-econômico de vilas e cidades, fizeram com que Campo Grande se tornasse um pólo de desenvolvimento. Baseados nestes aspectos, a elite divisionista trabalhou muito para que Mato Grosso do Sul fosse criado e acreditavam que o futuro seria próspero. Em verdade, nos primeiros anos da criação, o estado teve um considerável crescimento, chegando a dobrar, na década de 1970, a população da capital Campo Grande. Mas, o estado vizinho correu atrás do prejuízo e oferecendo terras extensas, de baixo custo e férteis, fez com que a população passasse a migrar para Mato Grosso. Mato Grosso do Sul, que na década de 1970, chegou a dobrar a população de Campo Grande, no último ano cresceu apenas 1,05%. Mas, se desde a criação de MS, o estado nunca teve sua imagem desvinculada de MT, porque somente agora resolveram colocar a questão da mudança de nome em pauta? Os defensores da causa dizem que estão tentando resgatar a identidade cultural,

mas será mesmo que temos uma identidade a ser resgatada? É possível que a mudança de um nome defina a identidade de um local, de uma população? Os que são a favor da alteração do nome de MS, acreditam que a população, por vezes se sente diminuída quando alguém se confunde e troca o nome, argumentam, na falta de outras razões, que o estado precisa deixar de ser um pedaço do outro. Mas por outro lado, quem é contra, diz que a culpa não é nossa e não podemos nos sentir diminuídos porque alguém se confundiu, não somos pedaço de nada, somos um estado e devemos nos assumir e defender. Temos que superar este sentimento de inferioridade e ter orgulho do que e de quem somos. REFERÊNCIAS www.midiamax.com www.cassilandianews.com.br AMARILHA, Carlos Magno Mieres. Os intelectuais e o poder: história, divisionismo e identidade em Mato Grosso do Sul. Dissertação para obtenção do título de mestre. UFGD Dourados, 2006. BITTAR, Marisa. Sonho e realidade: vinte e um anos da divisão de MT. Artigo com base em dissertação para obtenção do título de mestre.UCDB – Campo Grande, 1999.

Marly Martins Silva Graduanda em História pela FAVA

Michel de Certeau é inspirador a todos que buscam organizar seus trabalhos de conclusão de Curso. Nesta edição contemplamos vários trabalhos que ajudados pelas idéias de CERTEAU, visam a organização e a elaboração de Monografias de Final de Curso, fundamental para um curso de humanas. Leia um trecho do texto A ESCRITA DA HISTÓRIA, bastante utilizado nas aulas de Métodos e Técnicas de Pesquisa em História:

Em história, tudo começa com o gesto de separar, de reunir, de transformar em "documentos" certos objetos distribuídos de outra maneira. Esta nova distribuição cultural é o primeiro trabalho. Na realidade, ela consiste em produzir tais documentos, pelo simples fato de recopiar, transcrever ou fotografar estes objetos mudando ao mesmo tempo o seu lugar e o seu estatuto. Este gesto consiste em "isolar" um corpo, como se faz em física, e em "desfigurar" as coisas para constituí-las como peças que preencham lacunas de um conjunto, proposto a priori. Consulte: CERTEAU, M. Operação Historiográfica. In. A Escrita da Historia. RJ: Forense Universitária, 2002, p. 81


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OS DESAFIOS DOS JORNALISTAS vê grandes emissoras televisivas, os apresentadores de telejornais, logo pensam que jornalista é uma profissão de luxo e de Q uem alta remuneração. Mas essa idéia é errônea, se está com o intuito de engajar na profissão com essa concepção, CUIDADO! Jornalista não tem horário fixo – mas de acordo com a lei são 7 horas – não tem feriado e agora não tem diploma! Mas tem muito poder, não é por acaso que Motta (2002) diz que “Imprensa é poder.” Esse poder que a imprensa tem foi explicitado em vários momentos do cenário político mundial, se fizermos um recorte histórico do Brasil veremos, por exemplo, na ditadura militar que o Presidente Médici disse uma célebre frase: "Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho." Vale ressaltar que o governo Médici ficou conhecido pelas propagandas patriotas e estimulou a venda de televisão para as pessoas assistirem os telejornais. Só que para o jornalista exercer esse poder, é necessário que seja um profissional antenado a tudo e a todos, afinal ele não vai poder – caso trabalhe em um jornal de pequeno porte, cobrir apenas política ou esporte, não é suficiente, por isso, é necessário ler de tudo um pouco, até mesmo os “lixos literários” para ter uma boa visão de mundo e para saber discenir o que é bom e o que é ruim. Em uma conversa ou entrevista, como preferirem falar, com a professora de jornalismo da UFG, Ana Carolina Rocha Pessoa Temer, que trabalhou na Globo Minas e uma TV educativa, nessa situação ela foi ao Campus da Universidade em que eu faço parte do corpo discente, a UNEMAT, e me disse que nessa profissão não ficamos rico, mas dá para fazer um viagem internacional a cada ano. Portanto, antes de escolher qualquer profissão é necessário ver como que é sua afinidade com a função que irá exercer.

Referencia: MOTTA, Luiz G. Imprensa e poder. Brasília: Editora UnB, 2002 Deivison Michel de Almeida Graduando em Comunicação Social – Jornalismo pela UNEMAT-MT

Você Sabia que... Já foi aprovado no Senado Federal o Projeto de Lei que visa a regulamentação da profissão de historiador? Acompanhe os processos via internet, no site do senado ou no site da Anpuh Nacional. HISTÓRIA LOCAL E ORAL: PROPOSTAS DE PESQUISAS

gênero.

Em entrevistas as pessoas determinam um estilo de No que se refere as opiniões que estão estabelecidas, vida pautadas entre seus depoimentos ativos quanto a a ponderar quanto a importância de resgatar a consconstrução histórica sendo grandiosa, onde há inúmecientização da sociedade, toma como objeto de análiras possibilidades de acumulo de dados e a quantidase a história local e oral como viés de análises de uma des de informações que são obtidas perdeterminada região. meando essas seqüência de estudo em que o fato de recorrer a essas fontes históÉ evidente que poderíamos dizer ricas, analisa a seleção das testemunhas que para um trabalho técnico que nasce através de um história oral, em função da análise. onde enfoque fatos ao desenrolar De fato, com a função da análise de todos dos tempos na verdade, a história é os objetos reunidos com enfoque na obminuciosa. Daí a questão referente servação da idéia do passado e presente ao pensamento de Certeau (2002) de uma família em questão, que ligam-se onde, “em história, tudo começa a história de Itajá-GO, que no decorrer do com o gesto de separar, de reunir, tempo a definidas responsabilidades mude transformar em documentos”. nicipais para com as atividades publicas. A pesquisa: A vida do pioneiro, A partir disso, é interessante ressaltar que, instalação e fundação da cidade de Itajá – GO, GO foi pené importante resgatar a história, pois leva aos conhecisada como resgate do passado para compreender mentos de um público interessado no fato dos acontemelhor o presente, a partir de depoimentos e relatos cimentos que colocam novas perspectivas para a interde pessoas que vivenciaram os acontecimentos no pretação das transformações vividas decorrer dos tempos, assim como nos lembra Janaína pela população Itajaensse e a sociedaAmado no livro Usos e Abusos da História Oral, de brasileira. “refletir sobre uma tipologia das testemunhas desloca o centro da discussão sobre as fontes orais” como funJonimar Aparecida Borges damentais no encaminhamento de pesquisa deste Graduanda em História pela FAVA “O Educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente reforçar a capacidade critica do educando” Paulo Freire—Pedagogia da Autonomia


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Realidade e Ficção no Documentário 174: um Diálogo com as Fontes Em História tudo começa com o destinam a um reemprego coegesto de separar, de reunir e trans- rente [...]” formar em documentos, certos objeA partir da escolha dos docutos distribuídos de outra maneira” mentos, selecionamos o que Michel de Certeau mais nos ajudariam e combinaQuando se escolhe um tema, riam no desenvolvimento do deve ser algo que se gosta mui- trabalho de forma coerente. to, pois devemos reunir tudo Neste caso, o tema trabalhado é que fala sobre o assunto, mes- o documentário “Ônibus 174”, mo que esteja em lugares e a escolha por este tema parte ordens diferentes, pois tudo do gosto por cinema e conseque fala sobre o assunto nos qüentemente fatos relacionados interessa, este é o primeiro a sociedade e a violência urbatrabalho. O historiador tem um na. O seqüestro do Ônibus 174, trabalho técnico, onde se pega foi um triste episódio da histótodos os documentos oficiais, e ria de violência do país, ocorrios selecionam de acordo com o do no Rio de Janeiro em 12 de olhar, necessidade e ordem do junho de 2000; o Brasil inteiro assunto. Ao fazer esta seleção parou diante da televisão para de documentos estamos ampa- acompanhar um homem que se rados a desenvolver o assunto, chamava Sandro Nascimento, usando sempre a teoria, pois que havia sido sobrevivente da ela nos serve de auxílio no que antiga chacina da Candelária, se fala, vendo sempre qual que após uma tentativa de ashistoriador podemos usar como salto que acabou não acontesuporte no trabalho, onde “[...] cendo, mantém os passageiros O trabalho é criado por ações de um ônibus reféns durante combinadas, que os recortam uma tarde. Esse fato acabou no universo do uso, que vão com o seqüestrador e uma das procurá-lo também fora das reféns mortos, onde se mostrou fronteiras do uso, e que os um grande despreparo policial.

O fato foi retratado no documentário do diretor José Padilha, em 2002. Em 2008, foi retratado em forma de ficção em um filme do diretor Bruno Barreto. Os documentos selecionados, que irão ajudar, é o próprio documentário em DVD, sendo o documento central do trabalho, alem de artigos, criticas, entrevistas com pessoas envolvidas no fato real, documentos encontrados na internet. Livros e seguindo também a visão dos historiadores sobre cinema.

documentário, o porque, como foi feito, usando a idéia de Realidade/Ficção: um fato real trazido para a ficção, analisando onde é real, onde é ficção. Usando como referencia textos que falam sobre a construção de documentários, históriacinema, e história-ficção. Num segundo momento, faremos uma análise dos personagens, sua origem, quem são os autores, fazendo relação desses personagens com a violência urbana, onde usaremos livros que tratam a violência urbana, entrevistas com familiares, bandidos, pessoas que viram o fato ocorrer, e vitimas que estavam no ônibus.

O texto de Certeau, nos coloca a pensar na divisão de capítulos dentro do tema, a fazer uma narrativa a partir dessa divisão: “é o vestígio dos atos que mo- No ultimo capitulo, faremos difica uma ordem recebida e uma seleção de críticas sobre o documentário, feitas por histouma visão social” riadores e pessoas que falam A partir dos vestígios deixados pelos fatos, cria-se a divisão de sobre o assunto. capítulos de acordo com a Devânia Aparecida Alves R. visão social, e para uma melhor Assis compreensão das questões Graduanda em propostas: História pela No primeiro momento tratareFAVA mos a idéia da construção do

PROJETOS DO CURSO 2010 No ano de 2010 o curso de História da FAVA, esta implantando novos projetos para os alunos, estes que serão realizados no decorrer do ano sob a supervisão da recém formada pela FAVA, profª. Mayra Cristina do Amaral Machado. No 1º Bimestre os alunos do 1º ano do curso foram responsáveis por problematizar e compreender o processo de Inconfidencia Mineira a partir de questões referentes a uma figura histórica deste processo: Tiradentes; No inicio do 2º Bimestre o 3º ano do curso buscou refletir sobre o dia 1º de maio dia do trabalhador e sua construção histórica. Confira as fotos no site da Instituição.

“A História Humana nao se desenrola apenas nos campos de batalha e nos gabinetes presidenciais” Ferreira Gullar


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IMAGENS, LEGITIMAÇÃO E PROPAGANDA NA ERA VARGAS Para escrever um documento são necessárias várias fontes de pesquisas, que são muito importantes para a sua própria legitimidade da historia. Para produzir uma historia consiste numa coleção de documentos, como por exemplo: fotos, jornais, textos, mas também depende muito do momento em qual se passa pelo processo de transformação, onde a partir daí surge fatos para construção de uma história. Por meio de um simples de um material, pode-se escrever dado que resultam em produto utilizado para escrever historia que surge também varias interpretações a partir que tal documento é explorado. Que na verdade são coleções de resultados passados e conclusões após o documento a ser estudado. Os resul-

tados de pesquisas passadas são utilitizados para fazer uma nova pesquisa para interpretar ainda no presente, é como se fosse uma sombra entre e passado que são conseqüências do que vivemos hoje. Podemos ainda tirar conclusões de documentos para ser utilizado no presente aumentar e tirar novas conclusões de fatos vividos naquele momento que se passou.

serem explorados, tornando indispensável para a produção que implica para o desenvolvimento a produção de tais documentos para a historia.

Para o historiador que busca entender é escrever todas essas atividades do ser humano que compreende como uma operação historiográfica, que constrói todo fato sendo ele construído e narrado pelo produto São resultados de fon- de um trabalho árduo. tes de um produto O historiador estuda o para o reprodutor, caminho e as varias através de um fato é interpretações, e variestudado como centro as linguagens que o pesquisa para novas momento esboça para idéias e fatos narrados pesquisas técnicas, que são responsáveis que são fontes de pela fabrica de historia campos que resultam tornando se um domíde estuda fatos e chenio para o historiador gando a interpretaque leva a compreenções de acordo com der a produção de aquele que vivenciauma escrita concluída mos que somos respelos historiadores, ponsáveis pela a histoutilizada como fonte ria com próprias mãos de pesquisas e estudatornado se causas e dos e arquivos para efeito, que a historia

esta ligada a socieda- foram feitas reuni si varias interpretações, de no geral. utilizada para criar São várias interpretaescrita para a historia. ções, conclusões, criticas numa combinação Com isso, surgem idéida historia e de uma as para novas escrita, depoimento para escrita. construir fatos através Sendo assim, a proposde fatos e interpretata monográfica sobre ções a uma nova imao DIP, tem vários agem de um grupo que pontamentos de como produz a historia e o o Getulio Vargas criou historiador. uma ideologia de uma imagem de ilusão. São Que são resultados de vários documentos uma obra, ou acontenarrando esse fato, cimento vivido naqueque ele usa a imagem le momento do dia a para criar uma ima- dia, o historiador é gem bonita para a responsável pela a sociedade. Ao chegar historia que a sociedaa essa conclusão, vá- de conhece de obras rios documentos fo- publicadas pesquisaram utilizados para dos por vários historiaessa fonte de pesqui- dores tornando um sa. Nele surgiram vá- arquivo de estudos rias interpretações pelo autor a obra estuatravés de escrita co- dada e pesquisada. mo nos livros: Os DoMariele Ap. nos do Poder, CoroneF. de Souza lismo, Voto e Enxada, Graduanda em História Sociedade Brasileira, pela FAVA Getulio a Castelo, O Populismo Brasileiro e vários outros. Através desses textos, documentos, publicações,

UM ANO DE HISTÓRIA EM DEBATE É com grande alegria que comemoramos um ano na rede. O história em debate, tem cumprido seu papel de indagação e reflexão historiografica , num exercício bastante instigante no processo de ensino aprendizagem. Nesta edição lançamos um novo visual com a cor símbolo do curso.

inicio aprovou e apoio o projeto, em nome da equipe do projeto agradecemos a todos os professores, alunos, que de forma direta ou indireta auxiliaram nesse um ano, e esperamos que essa comemoração continue suscitando os debates mais que necessários.

Aproveitamos para salientar o papel da insituição neste momento, que desde o

Gilberto Abreu de Oliveira—Graduando em História pela FAVA / Proponente do projeto.

“O único homem que se educa é aquele que aprendeu como aprender” Carl R. Rogers


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VIOLÊNCIA E REPRESENTAÇÕES CINEMATOGRÁFICAS O período de redemocratização brasileiro, sobretudo a década de 1990, foi marcado por um progressivo aumento da violência e dos índices de criminalidade. Um estudo, divulgado em 2008, pela Rede de Informação Tecnológica LatinoAmericana (Ritla), apresenta um Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros afirmando que entre 1996 e 2006 mais de 500 mil pessoas foram assassinadas no Brasil. O resultado obtido pelo estudo é impressionante, já que, a quantidade de assassinatos ocorridos no Brasil neste ano supera os índices percebidos em zonas de guerras. Outra comprovação apontada pelo estudo foi que, apesar de ser um problema generalizado

que atinge praticamente todo o país, há uma concentração da criminalidade nos grandes centros urbanos. O Ministério das Cidades revela que o processo de urbanização brasileiro, foi marcado pela escassa articulação entre programas habitacionais e a política de desenvolvimento urbano, que esteve sempre voltada para os interesses dos médios e grandes empreendedores, acentuando um processo de exclusão social, deixando à margem a população de baixa renda, desencadeando, na década de 1990, um adensamento de favelas e bairros periféricos. A negligência do Estado e a ineficiência de políticas de segurança pública fizeram com que a violência e a criminalidade proliferassem nessas regi-

ões, transformando-as em pólos de tráfico de drogas dominados por traficantes fortemente armados. À medida que a criminalidade crescia, aumentava também, a visualidade e a exposição dessas regiões perante a mídia. Assim, é imprescindível destacar que a difusão, a partir da década de 1990, de telejornais sensacionalistas, que transformaram o quadro de caos urbano em que vive a sociedade brasileira, em espetáculo diário para entretenimento das “massas”, contribuiu para instaurar o medo e a insegurança social, e fixar no imaginário coletivo o estereótipo da favela como centro de barbárie, criminalidade e violência. Em pesquisa do Instituto Vox Populi encomendada pela Revista Veja, em

2007, demonstra que 59% dos cidadãos brasileiros, consideram a violência como sendo o maior problema nacional; números alarmantes, já que em 1997, em pesquisa semelhante, apenas 31% dos cidadãos, apontavam a criminalidade como sendo a maior preocupação. Frente a esse clima de instabilidade e insegurança, a cinematografia brasileira, sempre marginalizada frente à supremacia do cinema norteamericano, encontrou na violência um norte temático para suas produções. O efeito catártico percebido no espectador pela identificação nas representações cinematográficas de uma realidade vivenciada empiricamente, de forma direta, ou através de denúncias

jornalísticas, transformou a violência na mola propulsora para alavancar o cinema nacional, fazendo com que as favelas se tornasse a veia mais exposta da sociedade brasileira. Assim podemos perceber que, como aconteceu no período ditatorial, a arte mais uma vez se apresenta como um instrumento de conscientização social, em que a prática cinematográfica surge como meio para discussão de graves problemas sociais colocando em pauta nossa perplexidade diante da violência e dos conflitos sociais. Fonte: Ministério das Cidades Raphael Alves dos Santos 2º Semestre de História da FAVA

O Evento contará com conferências, Grupos de Discussões, Mini-Cursos, Mesas-Redondas, Comunicações; Painéis; Exposição dos Vídeos “História em Debate”, estabelecendo assim um diálogo entre as Instituições envolvidas. As informações referentes à programação estarão todas no site: www.favams.com.br, tais como: inscrições, alojamento, e-mails, telefones para contato e locais do evento. Lembramos ainda que contamos com a colaboração dos universitários das demais Instituições que oferecem o Curso de História no Estado. O apoio dos docentes e alunos do curso da FAVA, demonstra que a “união faz a força”, e lembra a importância e relevância deste momento na vida acadêmica dos estudantes. Assim, convidamos todos os Estudantes de História do Estado de Mato Grosso do Sul, para conhecerem nossa Instituição e prestigiar este, que será um marco tanto para os alunos da FAVA, como para o Movimento Estudantil do Estado. Aguardamos a presença de todos.

INSCRIÇÕES DE TRABALHOS: Enviar os Resumos e Trabalhos completos até dia 20 de outubro via email: Trabalhos.semhis@hotmail.com ALOJAMENTOS: Solicitação via email: alojamento.semhis@hotmail.com INFORMAÇÕES GERAIS: semhis@hotmail.com www.favams.com.br/semana


30 Anos do Cassilândia Jornal Numa rápida e sucinta análise do que CERTEAU coloca em seu texto, podemos perceber ainda mais a importância que o historiador tem para a sociedade. Reunir, documentos, objetos históricos e todo tipo de material que contribui para manter viva a história, faz com que aprendemos ainda mais a valorizar o nosso presente contemplando o passado através dos registros históricos. (Destaca-se as origens dos arquivos modernos entre os eruditos de lugares e as bibliotecas de práticas de cópias, de impressão, de comunicação, de classificação e etc.). O objeto da monografia que será enfocada sobre os 30 anos do Cassilândia Jornal, privilegiando o período da ditadura militar, mostra que várias técnicas da teoria de CERTEAU serão utilizadas para a elaboração do trabalho. A catalogação das infor-

mações já encadernadas nos dá uma visão de trabalho pela ótica de CERTEAU de coleção, pois serão analisados documentos minuciosamente organizado em ordem em seu respectivo período, estando os jornais organizados de maneira tal qual uma coleção em edições desde a década de 80 até o ano de 2008, e essa fonte de pesquisa trará pra nós a classificação de apenas um período que será o do regime militar que trará como contribuição principal a analise desde período onde a imprensa não era livre e quase tudo era proibido, e neste contexto segundo Pierre Chaunu a coleção instaura um lugar de recomeço, construindo uma “máquina gigantesca” a qual tornará possível uma outra história. E a escrita dessa nova história a qual se refere Chaunu é pela reflexão intelectual do leitor, pois analisando o passa-

do é que valorizamos o nosso presente e construímos nosso futuro. Um exemplo clássico disso é quem viveu e sofreu com as mazelas do período militar aprendeu a valorizar a democracia e a liberdade, e mesmo quem não viveu, mas leu e conheceu a respeito também terá o mesmo sentimento de valorização, e essa contribuição o historiador dá a sociedade de maneira efetiva. Neste contesto estudiosos da matéria assim tem se posicionado: Não se trata apenas de fazer falar estes “imensos setores adormecidos da documentação” e dar voz a um silêncio, ou efetividade a um possível. Significa transformar alguma coisa, que tinha sua posição e seu papel em alguma outra coisa que funciona diretamente. Um trabalho é “ científico” quando opera uma redistribuição do

espaço e consiste, primordialmente, em se dar um lugar, pelo “estabelecimento das fontes” – quer dizer, por uma ação instauradora e por técnicas transformadoras. J. Le Golf e P. Nora, Faire de l’historie, Gallimard, 1974.

Como bem demonstra o texto, a transformação do arquivismo foi o ponto de partida e a condição de uma história nova, e por essa ótica percebe-se que a história sempre foi tratada com carinho por todos, a cultura de preservar a história, manter os registros da época facilitam aos historiadores a realizarem o seu trabalho e com ele exercitar o senso critico de quem o manuseia. A analise cientifica proporciona segundo o próprio texto, o poder de reconstituir o objeto pesquisado á partir dos “simulacros” ou “cenários” com isso o pesquisador ao ingressar nessa fantástica “máquina do tempo”, ele consegue manter viva a história.

Em síntese o texto objeto deste trabalho procura demonstrar as técnicas de pesquisas que devem ser utilizadas preservando as fontes e os documentos analisados em seu tempo, a construção dos objetos de pesquisa, onde o trabalho será enfocado e o que pretende o historiador demonstrar com essa pesquisa. As técnicas antigas de pesquisas são pouco utilizadas com o advento de novas tecnologias, Sandra R. M. da S. segundo CERTEAU, a Queiroz utilização das técnicas Graduanda atuais de informação em leva o historiador a História separar aquilo que, em pela FAVA seu trabalho, até hoje esteve ligado.


História em Debate 4 ª Edição  

Esta Edição contempla os trabalhos do quarto ano do curso de história da FAVA, alem dos alunos e professores convidados, contruibuindo e ins...

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