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PROJETO HISTÓRIA E CULTURA DA ÁGUA

MAPEANDO A HISTÓRIA DE FRUTAL

2013


Fundação UNESCO - HidroEX Programa “Diagnóstico de Microbacia para a Sustentabilidade” Projeto HISTÓRIA E CULTURA DA ÁGUA EM FRUTAL Diretora de Pesquisa Dra. Tânia Aparecida Silva Brito

Responsáveis Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira Me. Lucia Elena Pereira Franco Brito

Bolsistas Ananda Maria Garcia Veduvoto – Apoio Técnico Claudia Lopes Bernardes – Apoio Técnico Cynthia Priscila Zelioli – Apoio Técnico Renan Silva Silveira – Iniciação Científica


Agradecimentos Agradeço ao Centro UNESCO-HidroEX e à Diretora de Pesquisa, Dra. Tânia Aparecida Silva Brito, pela contratação, confiança e suporte para a realização da pesquisa. À Orientadora, Me. Lucia Elena Pereira Franco Brito, pela orientação, amizade e paciência. À Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), pela bolsa concedida, sem a qual não seria possível minha participação no projeto. Agradeço aos professores Leandro Pinheiro e Antônio Souza, pelo empenho em sanar as dúvidas, quando da elaboração dos mapas. À companheira Ananda Veduvoto, pelo suporte e correção dos mapas. Aos bolsistas, Claudia Bernardes, Cynthia Zelioli e Renan Silveira, pelo companheirismo.


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INTRODUÇÃO

Em 2013, Frutal completou 126 anos de história. Esta data é comemorada em virtude de, no dia 4 de outubro de 1887, a VILA DE FRUTAL passar à categoria de CIDADE, fato que marca o início de sua emancipação política e administrativa. Quão rica é a história de nossa cidade, quantas pessoas se empenharam para construí-la: políticos, trabalhadores, cidadãos comuns. Questiono-me, então, quantos são os munícipes de Frutal que conhecem a história de nossa cidade? Não apenas a história das datas de fundação, mas a história contada e construída por muitos anônimos ou até mesmo por personagens que ficaram imortalizados em nomes de ruas e que não são (re)conhecidos pelas pessoas que, diariamente, transitam por ali. Esta reflexão apenas se tornou possível para mim graças às experiências vivenciadas no projeto História e Cultura da Água em Frutal, do Centro UNESCO-HidroEX – experiências estas que me dão a impressão de hoje ser íntima da história de Frutal, por conhecer mais da cidade onde vivo. Pudemos não somente compartilhar este sentimento de pertencimento com os pesquisadores do projeto, mas abrir caminhos para contar o que descobrimos sobre a história deste lugar, considerando, para além do conhecimento sobre as datas “oficiais”, a história de diversos frutalenses que, somando seus saberes com a nossa pesquisa, têm possibilitado o (re)contar e (re)conhecer Frutal e suas características ímpares. Durante as pesquisas sobre a história de Frutal, minha curiosidade, fiel aliada, ajudou-me a identificar alterações na evolução territorial do município, na verdade uma “involução”, haja vista que Frutal teve suas fronteiras reduzidas ao longo do tempo. Sentimos necessidade, então, de representar visualmente estas alterações. A mim coube a tarefa de elaborar e confeccionar os mapas que dessem conta das transformações no território frutalense. Tais mapas foram construídos a partir de documentos oficiais do município, decretos de lei de anexação ou emancipação e de relatos de memorialistas da cidade. Ao longo do processo de construção dos mapas, fiz um achado encantador: encontrei na internet um mapa antigo do município de Frutal, elaborado, na década de 1920, pela Secretaria da Agricultura de Minas Gerais: “Album Chorographico Municipal do Estado de


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Minas Geraes”, Belo Horizonte, Imprensa Oficial da Comissão Mineira do Centenário – 1927, fidelizando e confirmando as informações demonstradas nas imagens por mim elaboradas. Surpreendi-me com as proporções territoriais de Frutal: o município, que ocupa hoje 2.426,96 Km², no ano de 1938, aproximadamente, abrangia 14.557,96 Km². Toda a área que já pertenceu ao município de Frutal deu origem aos municípios hoje emancipados: Carneirinho, União de Minas, Limeira do Oeste, Iturama, São Francisco de Sales, Itapagipe, Comendador Gomes, Fronteira e Planura. Em dezembro de 1962, aconteceu o último desmembramento dos municípios acima citados, que foi o de Planura. Nesse sentido, destaco aqui a importância de se visualizar, por meio dos mapas e imagens, informações que são preciosas à história de Frutal.

Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira


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Divisão territorial do Brasil até o século XVIII

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

Conforme a Alvará concedido por D. João VI, em 4 de abril de 1816: “Eu, El Rei, faço saber aos que este meu alvará virem, que tendo creado a nova Comarca de Piracatú, assignando-lhe os limites, que me parecem proprios, na fórma do Alvará de 17 de maio do anno passado de 1815, e representandome os povos da Campanha do Araxá, que comprehende os dous Julgados e Freguezias de S. Domingos e Desemboque, os grandes incommodos que supportam em viverem sujeitos à Capitania e Comarca de Goyaz, cuja Capital lhes fica em distancia de mais de 150 leguas, sendo lhes penosos os recursos, de que frequentemente necessitam; ao mesmo passo que estando elles sujeitos á Capitania de Minas Geraes e á Ouvidoria de Piracatú que lhes fica proxima, podem ser mais facilmente ouvidos e soccorridos nas suas dependencias, sem serem obrigados a desamparar as suas casas e culturas de suas terras, ficando tambem mais desembaraçados e promptos pra se empregarem no meu real serviço: e querendo eu evitar-lhes tão penosos incovenientes,e promover as comodidades daquelles povos, que, pela sua industria e digna aplicação á lavoura, se fazem dignos da minha real comtemplação.Hei por bem separar e desannexar da Capitania e Comarca de Goyaz os ditos dous Julgados e Freguezias de S. Domingos do Araxá e Desemboque, com todo o territorio que lhes pertence; em mando que deste alvará em diante fiquem pertencendo á Capitania de Minas Geraes e á Comarca de Piracatú, fazendo parte dos limites desta. Dado no Rio de Janeiro a 4 de abril de 1816". Disponível em: culturanativa.do.comunidades.net. Acesso em: 05 mar. 2013


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Origem dos Fundadores Oficiais de Frutal

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

“Corria o ano de 1835 quando Antônio de Paula e Silva decidiu mudar-se de Franca-SP”. Cf. FREITAS, José Ferreira de. O Sertanista das Barrancas do Rio Grande. Cuiabá, 2004. p. 53.


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. Município de Frutal - 1938

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, são criados os distritos de Esplanada e Lajeado, o primeiro criado com território desmembrado do distrito de Campo Formoso, do município de Uberaba, e anexado ao município de Frutal. Ainda por este mesmo decreto-lei, o distrito de São Francisco de Sales foi transferido do município de Frutal para o novo município de Campina Verde. Para vigorar no período de 1939 a 1943, o município é constituído por 4 distritos: Frutal (Sede), Comendador Gomes, Esplanada e Lajeado. Cf. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 15 mar. 2012.


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Município de Frutal - 1948

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

Pela Lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, desmembram do município de Frutal os distritos de Comendador Gomes e Itapagipe, elevados à categoria de município. Cf. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 15 mar. 2012.


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Município de Frutal - 1962

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

Pela Lei estadual nº 2764, de 30 de dezembro de 1962, desmembra do município de Frutal o distrito de Planura, sendo elevado à categoria de município. Cf. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br. Acesso em: 15 mar. 2012.


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Organização Socioespacial de Frutal no séc. XIX

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

A população proveniente de Franca–SP se estabeleceu onde hoje é a região CENTRAL de Frutal, local em que foi construída a primeira capela e a praça. Esses moradores ocupavam as únicas ruas da cidade. A população “bugre” era formada por indígenas originários do estado de Mato Grosso e seus familiares habitavam a região da CAPOEIRA DOS BUGRES. No bairro Princesa Izabel, à época conhecido como BREJINHO, em virtude de estar próximo ao córrego de mesmo nome, havia concentração de população negra. Os três grupos de povoadores de Frutal – bugres, negros e brancos – diversos do ponto de vista étnico-cultural, fixaram-se em diferentes áreas. Os cursos d’água desempenharam, pois, a função de demarcar os territórios, originando a configuração socioespacial do lugar.


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Município de Frutal - 2012

Organização: Debora Gabriele dos Santos Pinto Pereira, 2012 Orientação: Lucia Elena Pereira Franco Brito Projeto História e Cultura da Água em Frutal

Mapeando a História de Frutal  

História e Cultura da Água em Frutal