Page 1

05


Edição - 05

05

revistahighvoltage.com.br www.facebook.com/revistahighvoltage revistahighvoltage2016@gmail.com


Capa Domínio Público

Expediente Mario Bagger - Criação / Design Stúdio Design feito lá em casa. Gabriel Azuaga Barbosa Desenvolvimento de Web Site. gabrielweb7.com.br

Colaboradores Beto Madalosso Carlos Zambrotti Thiago Muzika

Parceiros Mustang Sally Legend Motors Gasoline Speedshop Liberty Motorcycles Todo texto ou imagem publicados, ou são de domínio público ou são utilizados com permissão do autor. O conteúdo de anúncios, textos e imagens são responsabilidade de seus autores - a High Voltage não faz revisão e nem exerce censura sobre os mesmos.


Imagens

Customização Referências Ufocycle

M

Inspiração

Performance Ro Monstros

Nude

UMA REVISTA PARA QUEM NÃO TEM MEDINHO DE CHUVA.

V


Motos

ock'n Roll

Viagens

Histรณrias Reais

Liberdade,

Hot Rods


"Caras que fazem muita falta".


"Caras que fazem muita falta".


"Caras que fazem muita falta".


"Caras que fazem muita falta".


BARBER SHOPS

Arte e muita testosterona.


WWW.BARBEARIA1950.COM.BR


Rua Mauรก, 90 Alto da Glรณria, Curitiba.

Agende seu horรกrio:

41-3151-1950


SH


PANHEADS HOVELHEADS Com muita lenha pra queimar.


As Photos e o reconhecimento de

FERNANDO PONSONI Quando o trabalho literalmente se torna uma viagem e uma paixĂŁo.


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Fernando Ponsoni ÂŽ


Alguns vizinhos estão reclamando do barulho do escapamento da sua moto. O que o senhor quer que eu faça?


Histรณrias reais

VIAGEM AO

ATACAMA Por Beto Madalosso


6.100 Km entre Curitiba e San Pedro de Atacama, passando por 4 países: Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Atacama, outubro de 2016. Se me pedissem uma dica sobre o Atacama, minha dica seria esta: vá por estrada. De moto, carro ou bicicleta, vá por estrada. Eu não tenho nenhuma outra dica. Abra sua alma, encha bem o tanque, compre mapas pelo caminho e deixe o mundo guiar você. Não existem dicas neste texto ou em outros guias de viagem que superem as dicas de frentistas, garçons, recepcionistas, camareiras, ou daquele mochileiro solitário que você vai encontrar no caminho. Não pela qualidade da dica em si, mas pelo prazer de viajar na própria viagem, sem hotéis agendados, sem saber o cardápio de cada dia, sem ter ideia da distância entre postos de gasolina. Enfim, sem expectativas. Quando não temos expectativa, tudo surpreende, e perder-se não é perda de tempo, mas uma nova descoberta. Acabei de voltar do Atacama. Eu e a Julia. De moto. Foram 6.100 Km rodados (ida e volta de Curitiba a San Pedro de Atacama), por 4 países (Brasil, Paraguai, Argentina e Chile), em 15 dias de viagem. Fiquei sem sinal de celular praticamente o tempo todo, gerando profunda desconexão do cotidiano e uma imersão mais potente na viagem em si. Neste momento, de volta a minha casa, sentado em minha escrivaninha, reviro as mais de mil fotos e vídeos gravados em nossas maquinas fotográficas. Quebro a cabeça pra escolher o que e como postar. Ei, mas não esqueça: a ideia não é dar dicas do que você deve fazer. A ideia é simplesmente inspirá-lo a viajar POR ESTRADA, com seu próprio mapa, seguindo dicas aleatórias, até chegar em San Pedro de Atacama.


O Paraguai Algumas fronteiras e estradas são, digamos, enigmáticas. Para nós, brasileiros, fronteiras e estradas paraguaias levam esse rótulo. Dezenas de vezes ouvi pessoas dizerem para “não viajar pelo Paraguai porque as estradas são péssimas, os policiais são corruptos, não tem nada pra ver… não vale a pena”. Acho que foi justamente isso que me fez querer atravessar de moto o Paraguai. E que prazer! Não é de hoje que eu adoro o caos da Ciudad Del Este. Há vida no caos! Aquilo pulsa! Milhares de moambeiros, sacoleiros, mototaxis, contrabandistas, traficantes, policia armada, barracas caindo aos pedaços, lojas de luxo, carrões, magnatas, miséria, piolhos, esgoto a céu aberto, UFA! A criminalidade que paira sobre a Ciudad Del Leste me seduz. Cruzamos a Ponte da Amizade e rodamos 35 Km até que tive um estalo! “Não fizemos nossa entrada oficial no país”, falei para a Julia. Ora, voltamos até a fronteira para os trâmites na Aduana. Papelada pronta, seguimos pelos campos paraguaios. Estrada boa. Bem decente, eu diria. Logo fui engolido pelo tráfego desordenado e comecei a gostar da brincadeira. O dia de viagem fluiu bem, e a lenda de que a polícia paraguaia é corrupta não se fez verdadeira para nós. Em nenhum momento fomos parados, nem na ida nem na volta. Vá com calma e vá atento, mas não desvie o Paraguai.


Cotações de porta em porta

Não carregamos barraca, nos hospedamos apenas em hotéis. Hotéis de estrada são sempre uma surpresa. Como eu disse, nós não fazemos reservas prévias. Acordamos cedo todos os dias, tomamos café, amarramos as malas na moto e saímos. Se o dia está bom, fluido, sem chuva ou outros transtornos, a gente resolve ir mais longe; se as condições não são favoráveis, a gente roda menos. Sempre que chegamos em cada cidadezinha, fazemos cotações de porta em porta. Além de perguntar o preço, pedimos dicas de outros hotéis para o próprio recepcionista de cada hotel e, assim, rodamos a cidade em busca do melhor custo x beneficio. Às vezes, é a própria qualidade do hotel que nos faz ficar ou partir. Numa das noites, paramos num hotelzinho, o único que encontramos na cidade de Monte Quemado, bem no meio dos infernais Pampas


Argentinos. É tão quente viajar por ali que uma das cidades da região se chama Pampa Del Infierno. A temperatura até o sol se por varia entre 38 e 40 graus, o que faz o suor escorrer e impregnar as roupas com poeira, monóxido de carbono e mal cheiro. Nada de mais. Quem viaja de moto até gosta disso, afinal, um pouco de mal cheiro também é sinal de que você está livre dos compromissos do dia a dia. Lavar peças de roupa no chuveiro do hotel e deixá-las secando amarradas sobre a moto no dia seguinte ajuda a amenizar.

A Cordilheira dos Andes

Acordei animado em Salta, era dia de cruzar a Cordilheira dos Andes. Meu desejo por mais aventura me fez escolher a estrada de chão – rípio – ao invés de asfalto. Viajar pelo rípio exige mais técnica e mui-


to mais tempo, já que a velocidade média cai para menos da metade. Mas vale a pena. A estrada entre Salta e San Antonio de Los Cobres é vazia, praticamente intransitável, e a integração com a natureza – ou a falta dela – nos carrega pra outro mundo. Areia, pedras vermelhas imensas espalhadas como meteoros por todos os lados, rebanhos de lhamas e bodes, riachos, vilarejos improvisados, casas de barro e sem luz elétrica, e, claro, as onipresentes igrejinhas em qualquer sinal de civilização. Encantados, parávamos de tempos em tempos pra filmar e fotografar, como se o dia não tivesse hora pra terminar.

Não existem dicas neste texto ou em outros guias de viagem que superem as dicas de frentistas, garçons, recepcionistas, camareiras, ou daquele mochileiro solitário que você vai encontrar no caminho. Não pela qualidade da dica em si, mas pelo prazer de viajar na própria viagem, sem hotéis agendados, sem saber o cardápio de cada dia, sem ter ideia da distância entre postos de gasolina. Enfim, sem expectativas. Quando não temos expectativa, tudo surpreende, e perder-se não é perda de tempo, mas uma nova descoberta.


Argentina Já passava das três da tarde quando chegamos em San Antonio de Los Cobres. Quando me dei conta, percebi que nosso timing nos colocava em situação de perigo. Decidi, então, seguir para Susques. A ideia era sair do rípio e viajar por asfalto, já que levaríamos muito mais tempo pra cruzar a cordilheira por aquela estrada truncada, composta por areia e pedras.

Chegamos em Susques às cinco da tarde. Abastecemos a moto e enchemos nosso galão de gasolina reserva. Postos de gasolina, diferente do Brasil, são raros na Argentina. “Julia, o ideal é a gente ficar por aqui, não podemos cruzar a cordilheira à noite. Lá em cima faz


10 graus negativos, e a gente pode morrer congelado”, falei. Susques é uma cidade minúscula, sem qualquer estrutura, a não ser por um posto de gasolina e… um hotelzinho. Hotelzinho abençoado, que rejeitamos. “Vamos atravessar, não quero parar aqui neste fim de mundo. A gente consegue”, ela sugeriu. E foi justamente a rejeição do hotel na cidade de Susques que nos fez tomar uma decisão inconsequente e imprudente, e, sem exagerar, passar perto da morte.

Paso de Jama

Seguimos. Chegamos à Aduana do Paso de Jama meia hora antes do fechamento (ela fecha todos os dias, às 8 da noite). Documentos carimbados, burocracia finalizada. Partimos. O Paso de Jama fica a 4,2 mil metros de altitude. Frio, vento, medo. Dali a estrada serpenteia até se perder no meio da cadeia de montanhas. Sobe a 4.900 metros e, pra chegar a San Pedro de Atacama, ainda faltavam 160 Km. Do sol, sobrou apenas o alaranjado que refletia em algumas nuvens que manchavam o profundo céu azul. Estrada vazia. Penumbra. Medo.


Lá fomos nós, embrulhados em jaquetas e capas pra quebrar o vento. Veio a escuridão. O vento congelante assobiava pelas frestas dos nossos capacetes. Uivos da morte que assombram as noites do Deserto do Atacama. A Julia tremia. Tremia de frio. Meu GPS indicava a altitude e a distância pra chegar. 4.500 metros, 4.600 metros, 4.700 metros…140 km, 130 km, 120 km… Eu não parava de subir.

"Senti a ponta dos meus dedos congelar" Senti a ponta dos meus dedos congelar. Parei de sentir os dedos. Preocupado com a situação da Julia, de tempos em tempos, eu diminuía a velocidade e gritava: “Julia, tá bem? Tá bem?”, eu insistia, esperando que ela respondesse alguma coisa. Até que, numa das vezes, ela parou de responder. Sua tremedeira mudou de ritmo, ficando mais intensa e espaçada. “Ela está tendo convulsões”, pensei comigo. Parei a moto. Tentei olhar para o seu rosto naquela escuridão. Ela estava chorando e não conseguia responder. Fez um leve sinal com a mão esquerda, ordenando que eu seguisse em frente. Entrei em desespero. Aqueci meus dedos no motor da moto até senti-los novamente. Abri a viseira do meu capacete, afim de enxergar melhor, e acelerei pra chegar o mais rápido possível em San Pedro de Atacama. Rezei pra não ter problemas mecânicos. Se parássemos ali, não ia sobrar ninguém pra contar história. Depois de uma hora e meia de angustia, avistei, lá em baixo, as luzes de San Pedro. “Julia! Julia! Julia!!!! Tá lááááá!!! Estamos chegando! Falta Pouco!!!”, gritei com todas as minhas energias. Ela não respondia. Sessenta quilômetros separam os picos da cordilheira da cidade de San Pedro. A altitude despencou e a temperatura ficou mais amena. Logo que vi os primeiros hotéis, saltei da moto enquanto ela con-


tinuava com olhar apático, quase sem reação. “Senhor, tem quarto livre para hoje?”, perguntei na primeira hospedaria que entrei. A resposta foi positiva. Quando voltei, a Julia estava sentada na calçada, encolhida, como se tentasse se proteger de alguma coisa. Eu disse: “Vamos, achei um hotel, você precisa tomar banho”. “Eu não quero sair daqui, quero dormir aqui, não me incomode”, ela falou, visivelmente fora de si. Arrastei-a para dentro do hotel e, depois de um chá quente e alguns minutos de aquecedor ligado, ela se recuperou. Foi um susto. Que susto! Hotéis melhores viriam, mas foi esse que salvou a nossa viagem de uma possível tragédia.


San Pedro de Atacama

Na manhã seguinte, a vida renasceu em San Pedro. Tomamos nosso café e saímos pelas ruelas, batendo pernas em meio a turistas europeus, americanos, japoneses, chilenos e brasileiros, que se amontoam nas agências de viagem da Rua Caracoles, a rua principal. Entramos num restaurante chamado Delicias de Carmen, onde abri meu mapa e mostrei pra uma garçonete. “Sugira pra gente os lugares mais legais pra visitar aqui em San Pedro”, eu pedi. E ela, com uma caneta, rabiscava em círculos e linhas e explicava o porquê de cada sugestão. E foi com aquele mapa, todo riscado, que visitamos, guiados por nós mesmos e sem agências de viagem, alguns dos melhores destinos de San Pedro de Atacama.


Mas nada, NADA!, é tão surpreendente quanto a estrada. A estrada que liga San Pedro a Susques, aquela que cruzamos a noite na ida, foi, sem duvida, a responsável pelos melhores e piores momentos de nossa viagem. No caminho de volta, fomos mais prudentes. Saímos cedo de San Pedro afim de chegar ainda durante o dia a Purmamarca, o vilarejo das montanhas de sete cores. Nos 500 Km que separam as duas cidades, testemunhamos os espetáculos da natureza mais marcantes de nossas vidas.


Assunção. Uma cidade para morar. Agora, de todas as cidades que passamos, se eu tivesse que adotar uma cidade pra morar, minha cidade seria Assunção. Por tudo! Por sua riqueza e sua pobreza; por seu conservadorismo e modernismo; pelos hermanos que nos abraçam com olhares de verdadeiros hermanos. Uma cidade que tem esgoto a céu aberto e é cosmopolita ao mesmo tempo. Descolada, alternativa. Escolhemos Assunção, nossa penúltima parada antes de chegar em casa, pra passar 3 dias inteiros e fazer o que nos fez tanta falta: lavar as roupas e desligar a moto. Do hotel bom e bem localizado, saímos caminhar. Shoppings, centro histórico, bares, feiras e restaurantes. Assunção falou nossa língua, nos convidou a ficar, nos convidou a voltar. Assunção foi a cidade que tomou conta de nossos imensos corações latino americanos.


E por isso eu viajo. E por isso eu viajo. Viajo porque gosto da chuva que cai, da brisa que seca, do sol que incendeia e queima a minha pele. Pele que sua suor amargo, que escorre no rosto e encharca minhas roupas. Gosto do cheiro. Cheiro que fica. Das cocheiras mijadas, das matas queimadas, das chaminés cansadas. Gosto do gosto. Gosto de fuligem. Fuligem de caminhão que ofusca as crianças humildes na beira da estrada, que acenam, que sonham, que querem ir junto. Aceno de novo. Não posso parar. Sou um passageiro neste lugar. Então acelero. Acelero pelo caos que pulsa. Nas periferias, nas fronteiras, no som da língua estrangeira. Não tenho passado. Passo. Passo batido. A estrada se abre. Me convida. Me abraça. Aumento o som, a guitarra explode. Minha garganta grita. Grita de novo. Grita mais alto. Minha alma evapora, vira poeira. Carrega meus medos que ficam para trás. O sol se põe. Sinto vazio. Profundo e sombrio. É a noite que cai. É a lua que nasce e reflete o azul do verde dos campos. Lá longe um novo destino. Luzes florescem. Abro a viseira. A liberdade entra. Me abraça, me engole, me ilumina. Sou um ponto de luz que risca, que passa e que some de novo. Não quero que acabe. Acelero. Pleno. Feliz. Acelero.


Histórias reais

NA ESTRADA COM

THIAGO MUZIKA "O Cara é sinistro"


Para quem ainda não ouviu falar deste Paranaense. Thiago Muzika é de Imbituva, e passou 8 anos planejando a sua viagem. Ele vendeu sua Harley para poder juntar dinheiro e sair em busca do seu sonho. Comprou uma Titan 125cc, a primeira moto que teve em sua vida. Mesmo documento e placa. Recuperou, customizou e a deixou pronta para rodar. O Roteiro saia do Brasil até o Ushuaia e depois “subiria” até o Alaska. Sem GPS, sem cartão de crédito, apenas com uma grana no bolso, um mapa, muita determinação e disposicão. Estas e outras histórias, você verá aqui na High Voltage. Nesta edição, Thiago Muzika, contará um pouco do que viu e sentiu, em sua viagem solo que fez pelos EUA, com uma Road King alugada. (texto do autor digitado no celular durante sua viagem).

Easy Rider total nos States.

Vivendo no mais absoluto estilo Easy Rider “sem Destino” mesmo com chuva a aventura começa em San Francisco na California no dia 29-03...


Bem se a chuva não passa aprenda a dançar na chuva, no 1º dia a aventura começa na Eagle Rider, uma rede de aluguéis de motorcicletas nos U.S.A desde 1992, e a aventura não podia começar sem uma autêntica lenda Americana, uma Harley-Davidson Roadking 1700cc, mesmo abaixo de água rodei de San Francisco pela Highway 1, estrada que costeia o oceano pacífico na Califórnia, passando pelo Big Sur até a cidade de Gambria, aonde peguei a rota 64 em direção ao Sequoias National Park. Até chegar nas “Giant Sequoias” passei pela encruzilhado onde James Dean morreu, aonde tem um memorial ao artista de Hollywood 6 milhas a frente de Shadon na Califórnia. Enfim no Sequoias National Park onde vivi uma experiência de clima pelo qual nunca tinha vivido antes, passei pelas 4 estações do ano em menos de 1 hora no portão do park estava 35 graus...400 mts de altitude...pela estrada que levava até as gigantes sequoias passei pela primavera, árvores e flores coloridas decoravam o cenário, logo adiante passei pelo outono onde cheguei no inverno abaixo de neve a menos 11 graus até as gigantes sequoias os seres mais antigos do planeta, tendo mais de 4.600 anos de vida e chegando a medir 230 metros de altura.


Tudo isso aconteceu em menos de 1 hora. É hora de pegar a estrada novamente desta vez em direção ao Death Valley National Park...há 84 metros abaixo do nível do mar sendo o lugar mais baixo do U.S.A e também o lugar mais quente do planeta, o trecho foi assustador pois não se via uma vida qualquer, um pássaro, uma árvore, água, som ou algo parecido, a única coisa que pairava pelo ar era o silêncio da solidão, 200 km sem posto de combustível...no vale da morte...a viagem continua agora em direção a Bonneville Salt Flat Speedway onde fica o maior deserto de sal do mundo onde acontece anualmente as corridas de quebras de recordes de velocidades...se alguém quiser sabem mais sobre a história do lugar assista o filme “desafiando os limites”, fatos reais. História parecida com a minha até chegar a Boneville, o lugar é sagrados pois os homens mais velozes do planeta estiveram ali, acelerei a Harley-Davidson até 170 km/h, ai o parabrisa começou a causar uma turbulência fazendo com que a Harley começasse a dancar no sal, nao quebrei nenhum recorde mas a motivação e a vontade de chegar até ali era maior que tudo...ao menos tive a sensação que Burt Munro tevo ao acelerar sua Indian Scout 1920 a mais de 320 km /h Sonho realizado e hora de partir mais uma vez abaixo de neve em direção ao Arches Canyon National Park.


Saindo de Bonneville em direção ao Arches Canyon National Park foi um dos trechos que mais me judiou...peguei 10 km na chuva de pedras muita neve...meu corpo queria ir cada vez mais longe mas a loucura conversa com a Aventura dentro de mim dizendo que a Estrada estava muito perigosa...muita neve na pista, o para -brisa da Harley e o meu capacete estavam todos cobertos de gel, foi aonde resolví passar a noite em Salt Lake City. No dia seguinte, a caminho de Arches Canyon cenario onde o Coyote perseguia o papa-léguas nos desenhos animados, sempre foi um sonho meu rodar esta estrada, o park é maravilhoso tendo mais de 2500 arcos esculpidos pela natureza. Desta vez em direção ao grandioso Monument Valley, lugar onde foi gravado o filme motoqueiro fantasm (cena do filme que o motoqueiro e o cavaleiro fantasma correm no deserto a noite), o lugar era misterioso parecia estar escondendo algo de mim, almoçei em um dos morros do vale sozinh. Lugar aonde passei a tarde e só se ouvia o silencio do lugar, encontrei apenas 2 carros andando no vale e um cavalo silvestre todo branco talvez aquele cavalo seria o espírito da liberdade, foi aonde acelerei a Harley na Estrada de terra ate 140km/h, o motoquerio e o cavaleiro fantasma.


É hora de ir agora em direção ao Arizona Bikeweek 2014, na cidade de Phoenix... pelo caminho passei em Antelope Canyon, fendas esculpidas pela natureza nos arenitos...milhas e milhas rodadas ate o Bikewek 2014, estava sensacional onde grandes lendas vivas do rock n` roll entre elas Joan Jett, Lynerd Skynerd e ZZ Top tocaram pra mais de 80 mil pessoas no evento, para resumir os shows SONZEIRA TOTAL... Fiz algumas amizades no evento conhecí alguns Americanos, um casal de brasileiros que morava lá a mais de 20 anos e 2 Canadenses cujo os quais me ofereceram seu trailer pra dormir onde aceitei humildemente, afinal nao importa em que parte do planeta voce esteja, o bando é o mesmo, o som é o mesmo Haley-Davidson forever “pra sempre Harley-Davidson. Após ficar 2 dias no evento mais uma vez é hora de pegar a Estrada desta vez em sentido a Route 66...foi aonde voltei então em direção ao norte pra chegar na então famosa Route 66. Na route 66 existem muitas coisas pra conhecer, passei pelo Meteor Crater onde caiu um meteoro sendo o maior buraco do mundo, passei por varias cidades fantasmas, e vilarejos e sobre algumas parte aonde foi gravado o filme Easy Rider “sem destino” de 1969 sobre a 66, tudo parece estar parado no tempo, o chao é duro e aspero.


Com certeza a maior Aventura que um ser humano pode viver em sua vida...após rodar 2 dias e meio na Route 66 desta vez em direção à cidade do pecado, a fabulosa Las Vegas. Minha alegria estava a mil, por mais uma vez estar chegando em Las Vega, mas a tristeza vinha junto por a viagem estar chegando ao fim...sem relógio, sem telefone, sem bússola, sem rumo ou direção, somente Eu, Deus e a Harley desligado do mundo por 11 dias e 10 noites...rodei exatos 5.518km, passei por 5 estados, mais de 200 cidades, 2 fusos horarios, quase 900 km na neve, mais de 600 km na chuva, 6km na chuva de pedras, 50 km na estrada de terra, alguns km no deserto de sal, 2.350 km sem capacete e o restante no calor intenso do deserto... Aventura, coragem, loucura e liberdade que desejo a todas as pessoas do mundo. MAS SEM DEUS NEM TENTE...


Na próximas edições, contaremos mais sobre as viagens do Thiago Muzika. O Único Brasileiro a rodar na mesma viagem mais de 40 mil km com uma Moto 125cc.


Um dia dei uma passada no Boca de Porco, e lá estava ela. ERVILHA. Nome dado pelo Marcelo Sasso Villatore ( marcelinho) proprietário, para esta Vespa mais que irada. Meio estilona Rat, mas de muita presença. Marcelinho disse que agora ela é meio que “a ervilha marrom no meio das verdes”. Perguntei se já via-


ERVILHA UMA VESPA CURITIBANA

jou com ela, e ele me disse que a última foi para São Paulo. “A Ervilha é parceiraça. Nunca o deixou na estrada”. Uma vespa de muita personalidade. Parabéns Marcelinho. O Importante é ser feliz. E antes que perguntem, ele não vende, não troca e nem faz rolo. Herança de família. Valeu Marcelinho.


LUCA DE SANTIS Street Kustom Painting

LUCA DE SANTIS É ITALIANO DE CIVITTA CATELLANA. Trabalha com aerografia e seus trabalhos são voltados para a Cultura Custom. Começou a se interessar pela Custom art em 2010, depois de assistir a muitos programas americanos, sempre acompanhando as referências do estilo. Ingressou no seu primeiro curso técnico de aerografia. Inicialmente não teve bons resultados, mas não se deixou desanimar e com muita dedicação, através de vídeos, conselhos de outros artistas, customizadores, e muita pesquisa, sentiu que poderia ser capaz de criar algo muito bom.


Luca de Santis


Um dia após uma visita ao Estúdio de Gianfranco Filipinos Brescia, especializado em pinturas personalizadas da Cultura Custom, ficou fascinado com suas obras aonde descobriu como usar aquelas técnicas americanas que ele tanto gostava. Luca teve certeza do que realmente queria fazer. Ele dedica a cada trabalho, muito esforço, alma, coração e paixão. E ver aquele sorriso no rosto de um cliente satisfeito pelo trabalho realizado é um dos melhores presentes. E entende que a humildade em compartilhar técnicas e conselhos com outros artistas é uma forma de fraternidade, evolução e respeito mútuo. O Capacete da foto foi uma homenagem que Luca prestou ao grande customizador Indian Larry, utilizando técnica em 3D, flocos candy e aplicação em folhas de ouro. Luca já realizou alguns trabalhos no Brasil, país que ele carrega em seu coração. Atualmente Luca está no Brasil e agradece ao amigo Eliot pela oportunidade de realizar alguns trabalhos aqui. Retorna para a Itália no começo de Dezembro. Ele pretende voltar em breve e montar seu próprio estúdio no Brasil, voltado especificamente para a pintura da Cultura Custom, como motos, capacetes, e carros. Guarde esse nome: Luca de Santis. Seja bem vindo. Conheça um pouco mais sobre o seu trabalho no facebook, como Luca de Santis. e-mail: zoso.luca@gmail.com


Luca de Santis


WHAT THE FUCK?


The End

Revista High Voltage 05 edition ok  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you