Page 1

A4

SALVADOR SEGUNDA-FEIRA 2/11/2009

REGIÃO METROPOLITANA

Editora-coordenadora Marlene Lopes

SALVADOR

Engenheiro de empresa do consórcio visita Estação Brotas

salvador@grupoatarde.com.br

Meus netos Esse metrô já foi promessa de campanha política. Já disseram que seria inaugurado no dia do aniversário de Salvador em 2008. Já se falou em outubro de 2009 e agora em 2010. Talvez meus netos presenciem a inauguração.

“A reconstrução da Fonte Nova deve terminar antes que o metrô”

Passos de tartaruga Aqui os projetos são a passos de tartaruga. Desde a década de 70 não temos feito grandioso em obras, fora o Bahia Azul. E quando se inicia algo vem MP, Ibama para atrapalhar. Precisamos de politicos compromissados com a sociedade. PAULO BACELAR

Falta sorte

Descrença

Está mais fácil São Paulo e Rio inaugurarem o trem bala e o Japão o metrô espacial. A Bahia não tem sorte com políticos. E eles como desculpa usam a façanha de dizer que o governo federal só envia dinheiro para a região Sul/Sudeste.ELIONE TEIXEIRA

Apesar de termos entre nós as empresas que já demonstraram mundialmente capacidade de construir grandes obras, estamos patinando há mais de 10 an os para deixar pronto um metrô de 6 km. Ele dificilmente sai do papel em 2010 LUCIANO LIMA

RUBENS

CAETÊ

HIEROS VASCONCELOS

INFRAESTRUTURA Consórcio Metrosal e prefeitura têm de explicar até dezembro desse ano o sobrepreço da obra prometida para final de 2010

Dez anos após ter sido assinado o contrato para a construção do metrô de Salvador, R$ 525,2 milhões foram gastos pela prefeitura e os trens que fariam o trajeto de 6km ligando Estação da Lapa ao Acesso Norte ainda não estão nos trilhos. O governo do Estado, parceiro no projeto, já pagou R$ 880 mil de aluguel para alojar num galpão do Parque Industrial CIA-Sul os seis trens e 24 vagões adquiridos entre novembro de 2008 e janeiro deste ano por US$ 50 milhões. O aluguel mensal, segundo a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado (Conder), é de R$ 80 mil. Segundo a Secretaria Municipal de Transporte e Infraestrutura (Setin), já foram gastos R$ 459 milhões com os primeiros seis quilômetros. Em 1999, a previsão de término para a 1ª etapa, com 12 km ligando a Estação da Lapa à Estação Pirajá, era para 2003. Em 2005, houve a diminuição do trecho para seis quilômetros. Ao todo, sete prazos de conclusão foram prometidos e um deles se esgotou anteontem, 31 de outubro. No entanto, uma nova previsão foi anunciada pela prefeitura: o trecho Estação da Lapa/Acesso Norte deverá ficar pronto em meados de 2010 e entregue no final do mesmo ano. “A conclusão das obras de engenharia civil está prevista para o final de 2009 e a instalação de equipamentos, energização do sistema, comissionamento dos trens, fase de teste e pré-operação, até o final do primeiro semestre de 2010. A operação comercial será no segundo semestre”, informa por email a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Transporte e Infraestrutura (Setin). Para atender esse prazo, a prefeitura e o Consórcio Metrosal – responsável pelas obras – terão que justificar até dezembro um sobrepreço do valor original de R$ 110 milhões, apontado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) durante fiscalização realizada em junho e julho deste ano. Precisarão explicar ainda o superfaturamento no valor de R$ 2,9 milhões em um aditivo do contrato com o Consórcio Metrosal. Fora isso, o TCU apontou também irregularidades na contratação de serviços de ventilação e exaustão na ordem de R$ 2,8 milhões. Conforme o TCU, a justificativa do sobrepreço precisa ser feita em planilhas onde os preços unitários da obra estejam descritos, para que sejam comparados com os preços do mercado. Enquanto isso não for feito, a CTS está proibida de liberar a verba destinada ao metrô para o Consórcio Metrosal e não terá o repasse federal de R$ 425 milhões para a conclusão do segundo trecho do metrô, que liga o Acesso Norte à Estação Pirajá. A deputada federal Lídice da Matta se reuniu em setembro com o relator do metrô no TCU, ministro Augusto Scherman. Segundo ela, a prefeitura informou não ter condições de realizar um levantamento detalhado por não dispor de condições técnicas. “O contrato, a princípio, parecia mais liberal e pensou-se que nãoteria esse nivel decobrança. Esse é o grande impasse”, declara a deputada. “Ou a prefeitura toma um empréstimo bancário que cubra o sobrepreço ou o TCU faz retenção”, acrescenta.

Custo do metrô de 6 km ultrapassa 450 milhões

NO COMEÇO ERAM 48 KM E 28 ESTAÇÕES 1999 É assinado contrato para a construção do metrô, com 48 km e 28 estações 2000 Em abril, as obras são iniciadas pelo Consórcio Metrosal

Fotos Marco Aurélio Martins / Ag. A TARDE

2002 Obras ficam paradas devido a não liberação de recursos do governo federal 2003 Apenas R$ 3 milhões do orçamento da União são liberados para as obras, que continuou a passos lentos 2004 Governo federal pede ao Banco Mundial o cancelamento de US$ 32 milhões dos recursos financiados 2005 Prefeito João Henrique formaliza acordo com o governo federal para a liberação dos recursos 2006 O TCU retém R$ 20 milhões da Companhia de Transporte de Salvador (CTS) porque encontrou suspeitas de superfaturamento 2008 Metrosal pede mais R$ 88,7 milhões para concluir 6 km de metrô, aumentando suspeitas de superfaturamento. TCU aumenta a retenção de R$ 20 milhões para R$ 50 milhões ARQUIVO A TARDE

Paralisações e demissões aumentaram orçamento

Trilhos postos no túnel escavado no Campo da Pólvora. Tráfego, segundo a prefeitura, somente no final de 2010

Gildo Lima / Ag. A TARDE

“Empréstimo ou retenção pelo Tribunal de Contas” Vagões estão guardados no Parque Industrial CIA-Sul. Aluguel é de R$ 80 mil mensais

LÍDICE DA MATTA Deputada federal

De acordo com dados fornecidos pelo diretor do TCU na Bahia, Marcus Vinícius Reis, A TARDE calcula um acréscimo de 79,2% em relação ao projeto original, no trecho Lapa-Pirajá (12 km). Ele afirma que “há uma clara deficiência gerencial. Muitas modificações foram feitas no contrato”. A preços de 1999, a 1ª etapa prevista, da Estação da Lapa à Estação Pirajá, com 12 km, custava R$ 530 milhões. Hoje, está orçada em R$ 950 milhões. Só no primeiro trecho, de 6 km, já foram consumidos quase 100% do previsto no contrato para a 1ª etapa. Conforme a Secretaria Municipal de Transporte e Infraestrutura (Setin), até ontem foram gastos R$ 459 milhões com os primeiros seis quilômetros, e R$ 66,2 milhões com o segundo trecho, que liga o Acesso Norte a Pirajá. “Restam ainda executar obras no valor de aproximadamente R$425,5 milhões”, diz em nota. O aumento no orçamento, conforme a Setin, ocorreu devido às paralisações das obras, que custaram demissões de funcionários e perdas de material. “Os custos foram com as sucessivas paralisações das obras: pagamento de indenizações de funcionários, recontratação de pessoal, perda de material, além de modificações do projeto feitas no início da obra”.

Custo do metrô de 6km ultrapassa os R$ 450 milhões  

Consórcio Metrosal e prefeitura têm de explicar até dezembro desse ano o sobrepreço da obra que já dura 10 anos

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you