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“Não é geralmente incivilidade a essência maior do amor?” - Jane Austen, Orgulho e Preconceito -

Para Jackson


Sinopse

Por trás de portas fechadas, eles estão estabelecendo a lei.

Quando se trata das leis da atração...

Payton Kendall e J.D. Jameson são advogados que conhecem o significado da objeção. Uma feminista até o osso, Payton lutou arduamente para ter sucesso em uma profissão dominada por homens. Nascido rico, privilegiado e arrogante, J.D. lutou muito para ignorá-la. Face-a-face, eles são perfeitamente civis. Eles têm que ser. Por oito anos, eles têm mantido uma distância segura e tolerado um ao outro como colegas de trabalho por uma razão: tornarem-se sócios da firma.

Não existem regras...

Mas tudo é possível quando eles são convidados a unir forças em um caso importante. Embora apreensivos no começo, eles começam a apreciar a dedicação um do outro à lei - e as faíscas entre eles rapidamente se transformam em atração. Mas a conexão cada vez mais quente não dura muito tempo, quando eles descobrem que apenas um deles será nomeado sócio. Agora é uma guerra total. E a batalha entre os sexos obriga esses advogados a ficarem perturbados.


Capitulo Um

O

despertador tocou

às 5h30. Payton Kendall levou a mão sonolenta para sua mesa de cabeceira e se atrapalhou ao silenciar o bipe horrível. Ela ficou lá, aconchegando-se em seus travesseiros de plumas macias, piscando, despertando. Permitindo-se estes primeiros e únicos segundos do dia que ela podia chamar de seus. Então - se lembrando de repente - ela pulou da cama. Hoje era o dia. Payton tinha um plano para esta manhã - ela tinha posto o despertador para acordá-la uma meia hora mais cedo do que o habitual. Havia um propósito para isso: ela tinha observado a rotina diária dele e deduziu que ele chegava ao escritório todas as manhãs as 07h:00. Gostava de ser o primeiro no escritório, ela sabia. Nesta manhã, no entanto, ela estaria lá quando ele entrasse. Esperando. Em

sua

mente

ela

tinha

tudo

planejado

-

ela

agiria

casualmente. Estaria em seu escritório, e quando o ouvisse entrar, apenas andaria casualmente para pegar alguma cópia da impressora. — Bom dia. — diria ela com um sorriso. E ela não teria que dizer mais nada, ele saberia exatamente o que aquele sorriso significava. Ele estaria usando um dos seus ternos de grife, os quais Payton sabia que ele tinha mandado fazer sob medida, pois só assim para servir-lhe tão bem. — O homem sabe como usar um terno. — ela tinha ouvido uma das secretárias dizer enquanto bisbilhotava pela cafeteira na sala de descanso do quinquagésimo


terceiro andar. Payton tinha resistido ao impulso de acompanhar o comentário da secretária com um dos seus, para que ela não revelasse os seus sentimentos em relação a ele, os quais ela tinha lutado para manter tão cuidadosamente escondidos. Movendo-se com um propósito, Payton se apressou através da sua rotina matinal. Como deve ser mais fácil ser um homem, ela refletiu, e não pela primeira vez. Sem maquiagem para aplicar, sem cabelo para endireitar, sem pernas para depilar. Eles nem sequer têm que se sentar para fazer xixi, os bastardos preguiçosos. Basta tomar banho, barbear, então rapidamente sair pela porta em dez minutos. Embora, Payton suspeite que ele coloque um pouco mais de esforço nisso. Aquele cabelo perfeitamente imperfeito, despenteado na medida certa com o resultado certamente exigido para alguma coisa. E, pelo que ela havia observado pessoalmente, ele nunca usava a mesma combinação de camisa/gravata duas vezes no mesmo mês. Não que Payton não colocasse algum esforço na sua aparência também. Um consultor de júri, com quem tinha trabalhado durante um julgamento particularmente complicado de discriminação de gênero, tinha dito a ela, que os jurados - homens e mulheres - respondiam mais favoravelmente para advogadas que estavam atraentes. Enquanto Payton achou isso tristemente machista, ela aceitou como um fato, no entanto, e por isso fez uma regra geral de sempre colocar sua melhor cara, literalmente, no trabalho. Além disso, ela prefere se enforcar com seu dedo mindinho do que deixar que ele olhe para algo que não seja o seu melhor. A viagem pelo ‘L’1 para o escritório foi tranquila, com muito menos passageiros no início da manhã. A cidade parecia estar acabando de acordar enquanto Payton andava ao longo do rio Chicago, os três blocos para o seu escritório de advocacia. O sol da manhã brilhava perto do rio, lançando um suave brilho dourado. Payton sorriu para si mesma enquanto atravessava o saguão do prédio; ela estava em um estado de espírito tão bom.

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É um sistema de trânsito rápido em Chicago.


Seu entusiasmo cresceu quando o elevador subiu para o quinquagésimo terceiro andar. Meu andar. Andar dele. A porta se abriu, revelando um corredor de escritórios escuros. As secretárias não chegariam por pelo menos duas horas, o que era bom. Se tudo ocorresse como planejado, ela tinha algumas coisas a dizer para ele e agora seria capaz de falar livremente, sem medo dos dois serem ouvidos. Payton caminhou com confiança pelo corredor, balançando sua pasta ao seu lado. O escritório dele era mais perto do elevador; ela iria passar por ele no caminho para o dela. Oito anos se passaram desde que eles se mudaram para seus respectivos escritórios à frente um do outro. Ela podia imaginar perfeitamente as letras da placa de identificação fora do seu escritório. J.D. JAMESON. Nossa, como a simples menção desse nome faz seu pulso acelerar... Payton dobrava a esquina, sorrindo em antecipação ao pensar sobre o que ele diria quando... Ela parou congelada. A luz do escritório dele estava acesa. Mas - como? Isso não podia acontecer. Ela tinha se levantado nessa hora ridícula para chegar primeiro. E os seus planos, seus grandes planos? O passeio descontraído pela impressora, a forma como ela deveria sorrir com confiança e dizer: Bom dia, J.D.? Ela ouviu uma rica voz grave familiar atrás dela. — Bom dia, Payton. O pulso de Payton disparou. Ela não conseguia evitar, apenas ouvir sua voz tinha esse efeito sobre ela. Ela se virou e lá estava ele. J.D. Jameson.


Payton fez uma pausa para olhá-lo de novo. Ele parecia tão essencialmente J.D., com o paletó fora e sua clássica calça risca de giz azul marinho sob medida e sim, seu cabelo castanho claro de um estilo perfeitamente jovial. Ele estava bronzeado - provavelmente de ficar fora jogando tênis ou golfe no fim de semana - e ele deu-lhe um dos seus sorrisos com perfeitos-dentes-brancos enquanto se inclinava casualmente contra o aparador atrás dele. — Eu disse: 'Bom dia'. — repetiu ele. E assim Payton fez o que sempre fazia quando ela via J.D. Jameson. Ela fez uma careta. O idiota tinha chegado antes dela no trabalho. Mais uma vez. — Bom dia, J.D.. — ela respondeu com aquele tom sarcástico que reservava só para ele. Registrando a sua chegada, ele olhou para o relógio, em seguida, olhou para cima e para baixo no corredor com exagero deliberado. — Uau, eu perdi o carrinho do almoço? É meio-dia já? Ela realmente odiava esse cara. Eu não chego ao meio-dia, Payton quase respondeu, então mordeu a língua. Não, ela não se rebaixaria ao nível dele se defendendo. — Talvez, se você gastasse um pouco menos de tempo mantendo o controle das minhas idas e vindas, J.D., e gastasse um pouco mais de tempo trabalhando, você não iria demorar 15 horas para ganhar dez. Ela observou com satisfação como a resposta dela tirou o sorriso do seu rosto. Touché. Com uma atitude fria, calma e bem praticada, ela se virou em seus calcanhares e se dirigiu pelo corredor até seu escritório. Uma coisa tão boba, Payton pensou. Esta competição interminável que J.D. tem com ela. O homem claramente passa muito tempo focado no que ela


está fazendo. Tem sido assim desde... bem, sempre, desde quando ela consegue se lembrar. Graças a Deus ela estava acima desse absurdo mesquinho. Payton chegou a seu escritório e fechou a porta atrás dela. Ela colocou a maleta em cima da mesa e sentou-se na cadeira revestida de couro. Quantas horas ela tinha ficado nessa cadeira? Quantas noites ela tinha perdido? Quantos fins de semana ela havia sacrificado? Tudo em busca de mostrar à empresa que ela seria uma ótima associada - que ela era a associada superior em sua classe. Através do vidro em sua porta, ela podia ver do outro lado do corredor o escritório de J.D.. Ele já estava de volta à sua mesa, na frente de seu computador, trabalhando. Ah, claro, como se ele tivesse tantos assuntos importantes a tratar. Payton tirou o laptop da sua mala e ligou-o, pronta para começar o seu dia. Afinal, ela também tinha coisas muito mais importantes para se concentrar. Para começar, precisava descobrir uma forma de como no inferno ela ia se levantar às 04h30min amanhã de manhã.


Capítulo Dois

— V

ejo que

você quebrou o seu próprio recorde. Payton olhou por cima do seu computador, enquanto Irma entrava em seu escritório, acenando com as folhas de ponto que Payton tinha lhe dado mais cedo naquela manhã. — Fico deprimida apenas em registrar essas horas. — a secretária continuou em um tom exasperado. — Sério, eu preciso ser atribuída a um associado diferente. Alguém cujas folhas de ponto não sejam tão longas quanto Anna Karenina2. Payton levantou uma sobrancelha quando ela pegou a pilha de folhas de ponto com sua secretária. — Deixe-me adivinhar, outra recomendação de Oprah? Irma deu a Payton um olhar que dizia que ela estava pisando em terreno muito perigoso. — Isso soa como zombaria. — Não, nunca. — Payton assegurou-lhe, tentando não rir. — Eu tenho certeza que é um livro maravilhoso. Pelo menos quatro vezes por ano Irma fazia a peregrinação para o West Loop para sentar-se na plateia do Harpo Studios e estar na presença de Sua Santidade Winfrey. Irma pegava todas as recomendações da especialista da TV estilo de vida, literatura e outras coisas - como um evangelho. Quaisquer 2

Romance do escritor russo Liev Tolstói, considerado, em 2007, o maior romance já escrito pela revista

Time.


comentários negativos feitos por Payton ou qualquer outra pessoa eram estritamente proibidos. Irma sentou-se em frente à escrivaninha enquanto esperava Payton assinar as folhas de ponto concluídas. — Você gostaria. É sobre uma mulher que é avançada para a sua época. — Parece promissor. — disse Payton distraidamente enquanto passava os olhos na impressão das horas que sua secretária havia contabilizado. — Então, ela se apaixona pelo homem errado. — continuou Irma. — Isso é um pouco clichê, não é? Eles chamam esse cara Tolstoy de escritor? — Payton rapidamente rabiscou sua assinatura na parte inferior da última folha de ponto e entregou-as de volta para Irma. — Este “cara Tolstoy” sabe sobre relacionamentos. Talvez você pudesse aprender uma coisa ou duas com ele. Payton fingiu não ouvir o comentário. Depois de anos trabalhando com Irma, as duas desenvolveram uma relação familiar confortável, e ela aprendeu que a melhor maneira de lidar com comentários não tão sutis da sua secretária a respeito da sua vida pessoal, era simplesmente ignorá-los. — Você tem visto a prova da minha falta de tempo livre. — disse Payton, apontando para suas folhas de ponto. — Até que eu tenha acabado isso aqui, temo que Tolstoy tenha que esperar. — ela apontou. — Mas, se acontecer de Oprah saber de um livro sobre como responder a intimações para documentos corporativos, nisso eu estaria interessada. Vendo o olhar de advertência de Irma, Payton levantou as mãos inocentemente. — Eu só estou dizendo. — Eu te digo uma coisa. — disse Irma. — Eu vou segurar o livro para você. Porque depois deste mês, eu suspeito que você vai ser capaz de dar-se uma pausa. — ela piscou.


Payton se voltou para o computador dela. Apesar das tentativas repetidas de Irma em envolvê-la nesse assunto, ela não gosta de falar abertamente sobre isso. Afinal, ela não queria azarar as coisas. Então ela deixou a observação de lado, fingindo indiferença. — Algo vai acontecer este mês? Eu não estou ciente disso. Irma bufou. — Por favor. Você tem este mês destacado na sua agenda eletrônica por oito anos. — Eu não sei o que você está falando. E pare de bisbilhotar na minha agenda. Irma se levantou para sair. — Tudo bem, tudo bem, eu sei como você é discutindo sobre essas coisas. — ela se dirigiu para a porta, em seguida, fez uma pausa e virou-se. — Eu quase me esqueci. A secretária do Sr. Gould ligou. Perguntou se você está livre para encontrá-lo em seu escritório à uma e meia. Payton rapidamente verificou. — Por mim tudo bem. Diga a ela que eu vou passar pelo escritório dele, então. — ela começou a escrever o compromisso em sua agenda diária, quando ouviu sua secretária chamar por ela da porta. — Hum, Payton, só mais uma última coisa? Payton olhou distraída do seu computador. — Sim? Irma sorriu tranquilizadora. — Você vai conseguir, você sabe. Você merece. Então pare de ser tão paranoica. Apesar de tudo, Payton sorriu. — Obrigada, Irma. Uma vez que a secretária tinha ido embora, os pensamentos de Payton hesitaram por um momento. Ela olhou para o calendário em sua mesa. Quatro semanas apenas. As decisões de parceria da empresa seriam anunciadas no final do mês. Verdade seja dita, ela estava se sentindo bastante esperançosa sobre suas chances de conseguir. Ela trabalhou duro para isso,


longas horas, nunca recusou trabalho, e agora ela estava na reta final. A linha de chegada estava finalmente à vista. Payton sentiu seu batimento cardíaco começar a correr quando ela cedeu a um pequenino momento de emoção. Então, não querendo se empolgar ainda, ela se acalmou e, como sempre, ficou ocupada com o trabalho.

***

Alguns minutos antes das 01h30min, Payton recolheu suas notas e sua pasta de arquivo de julgamento sumário3 para seu encontro com Ben. Ela não tinha certeza exatamente do que ele queria com esse encontro, mas ela achou que tinha algo a ver com o julgamento que estava prestes a começar na próxima semana. Como chefe do departamento de litigioso da empresa, Ben ficava em cima de todos os casos que vão a julgamento, mesmo aqueles com os quais ele não estivesse diretamente envolvido. Como era típico, Payton sentiu-se um pouco no limite, enquanto se preparava para o encontro com o chefe dela. Ela nunca soube o que esperar com Ben. Apesar do fato de que ele nunca tinha dado qualquer indicação de que estivesse decepcionado com seu trabalho - ao contrário, ele sempre deu a ela as notas mais altas em suas revisões anuais - ela sentia que, às vezes, havia algum tipo de tendência estranha em suas interações. Ela não conseguia explicar, só sentia uma vibração estranha de vez em quando. Ele era quente e frio com ela; às

vezes

ele

estava

bem,

outras

vezes

ele

parecia

um

pouco... duro. Rígido. No início, ela tinha presumido que era apenas parte da sua personalidade, mas em outras ocasiões ela o tinha visto brincando facilmente com outros associados. Curiosamente, todos associados do sexo masculino. Ela tinha começado a suspeitar que Ben - embora nunca descaradamente não profissional - tinha mais dificuldade em se dar bem com as 3

É uma técnica alternativa para solução de litígios, como um julgamento simulado para tentar um

acordo antes do julgamento.


mulheres. Certamente não era uma conclusão improvável de ser verdade. Os escritórios de advocacia poderiam ser, por vezes, à moda antiga e, infelizmente, os advogados do sexo feminino ainda tinham um pouco de uma “sociedade machista” para enfrentar. No entanto, porque Ben era o chefe do seu grupo e, portanto, um jogador chave na decisão de torná-la uma sócia, Payton resolveu continuar tentando estabelecer um relacionamento mais agradável entre eles. Afinal de contas, ela gostava de pensar que ela era uma pessoa relativamente calma. Com uma exceção (e quem realmente contava ele, afinal?) ela se orgulhava de dar-se bem com praticamente todo mundo com quem trabalhava. Payton pegou uma caneta e um bloco de notas, enfiou-os na pasta de arquivos que ela carregava e dirigiu-se para a porta do seu escritório. A mesa de Irma estava ao lado da saída da sua sala, e ela virou-se avisar para secretária que estava saindo. Ao fazer isso, quase bateu em alguém vindo pelo corredor da outra direção. — Oh, desculpe! — Payton exclamou, saindo do caminho para evitar uma colisão. Ela olhou para cima se desculpando e... ...viu J.D. Sua expressão mudou para uma de aborrecimento. Ela suspirou. Ela tinha tido um dia tão bonito até agora. Então Payton percebeu: oops eles tinham audiência. Com um olhar na direção de Irma, ela rapidamente adotou o mais encantador sorriso falso. — Bem, Olá, J.D. como tem passado? — ela perguntou. J.D. também lançou um olhar na direção das secretárias que trabalhavam nas proximidades. Como tinha bastante prática nesse estratagema, assim como Payton, ele combinou sua expressão amável com a dela. — Meu Deus, que bom da sua parte perguntar, Payton. — ele até falou calorosamente enquanto olhava para ela. — Estou bem, obrigado. E você?


Como sempre, Payton encontrou-se irritada pela forma com quão malditamente alto J.D. era. Ela odiava estar em uma posição de, literalmente, ter que olhar para cima para falar com ele. Ela não tinha nenhuma dúvida de que J.D., por outro lado, gostava muito disso. — Tudo bem, obrigada. — disse Payton. — Estou indo para o escritório de Ben. — ela conseguiu manter seu sorriso agradável. Meryl Streep pode ter seus Óscares, mas ela poderia aprender uma coisa ou duas com Payton. Melhor Atriz Sobre Fingir Gostar do Idiota Colega de Trabalho. Os olhos de J.D. estreitaram ligeiramente com a resposta de Payton, mas ele também manteve a farsa. — Que surpresa agradável, estou indo para o escritório de Ben também. — ele disse, como se esta fosse a melhor coisa que tivesse ouvido durante toda a manhã. Em seguida, ele fez um gesto galante para Payton - depois de você. Com um aceno de cabeça, ela se virou e seguiu pelo corredor em direção ao escritório de canto de Ben. J.D. caminhou facilmente ao seu lado; Payton tinha que dar dois passos para cada um dos dele para acompanhar. Não que ela fosse deixá-lo ver isso. Depois de caminharem juntos em silêncio por alguns momentos, J.D. olhou em volta para as testemunhas. Vendo que eles estavam em segurança, fora do alcance da voz, ele cruzou os braços sobre o peito dele, com o que Payton tinha chegado a pensar como uma marca J.D. de ar de superioridade. — Então, eu vi o seu nome na Chicago Lawyer4. — ele disse. Payton sorriu, sabendo que ele certamente tinha uma ou duas coisas a dizer sobre isso. Estava feliz por ele ter visto o artigo da revista que tinha saído na edição deste mês. Ela havia ficado tentada a enviar-lhe uma cópia em um malote de correio de ontem, mas pensou que seria melhor se ele descobrisse isso sozinho.

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Revista do meio jurídico.


— Quarenta Para Observar Abaixo dos 40. — ela disse, fazendo referência ao título do artigo e orgulhosa da sua inclusão na distinção dele. — Quarenta Mulheres para Observar Abaixo dos 40. — J.D. enfatizou. — Diga-me, Payton há alguma razão para o seu sexo achar necessário ser tão separatista? Medo de um pouco de competição do sexo oposto, talvez? Payton tentou não rir quando ela jogou o cabelo para trás sobre seus ombros. Dificilmente. — Se o meu gênero hesita em competir com o seu, J.D., é só porque temos medo de nos rebaixar ao seu nível. — ela respondeu docemente. Eles chegaram à porta de entrada do escritório de Ben. J.D. encostou-se à porta casualmente e cruzou os braços sobre o peito. Depois de oito anos, Payton reconhecia bem este gesto, isso significava que ele estava prestes a começar mais uma das suas palestras condescendentes. Ela deu-lhe noventa por cento de chances de que ele iria começar com uma das suas perguntas retóricas pomposas, que ele não tinha absolutamente nenhuma intenção de deixar que ela respondesse. — Deixe-me perguntar-lhe isto... — ele começou. Bingo. — Como você acha que seria se a revista publicasse um artigo chamado “Quarenta Homens para Observar Abaixo dos 40”? — ele tomou a liberdade de responder por ela. — Você e suas amiguinhas feministas chamariam isso de discriminação. Mas então não é, por si só, discriminação? Não deveríamos, nós homens, termos o direito às nossas listas, também? J.D. segurou a porta aberta para ela e fez um gesto para que ela entrasse. Ao passar por ele, Payton notou que Ben não estava em seu escritório, no entanto, ela sentou-se na frente da sua mesa. Como J.D. estava sentado na cadeira ao lado dela, ela se virou para ele, com frieza imperturbável.


— Acho muito interessante quando um homem, um graduado da Universidade de Princeton e Harvard Law School5, sentado ao meu lado em um terno Armani, tem a coragem, de alguma forma, de afirmar que ele é vítima de discriminação. J.D. abriu a boca para rebater, mas Payton interrompeu-o com um dedo. Indicador, não o do meio. Ela era uma senhora depois de tudo. — Não obstante esse fato. — ela continuou. — Acredito que vocês, homens, realmente têm as suas chamadas “listas”. Várias nesta empresa, de fato. Elas são chamadas de Comissão Executiva, Comitê de Gestão, Comitê de Remuneração, clube de golfe da empresa, a equipe de basquete. — Você quer estar no time de basquete? — J.D. interrompe, seu olhos azuis brilhando em diversão. — É ilustrativo. — disse Payton, sentada em sua cadeira defensivamente. — O que é ilustrativo? Payton sentou-se ereta ao som da voz. Ela olhou quando Ben Gould, sócio chefe do litígio, caminhou com confiança em seu escritório e se sentou em sua mesa. Ele fixou em Payton com um olhar curioso nos seus olhos escuros e sondou. Ela se ajeitou na cadeira, tentando não sentir como se estivesse sob interrogatório. J.D. respondeu a Ben antes que Payton tivesse uma chance. — Oh, não é nada. — disse ele com um gesto de desprezo. — Payton e eu estávamos discutindo a recente decisão da Suprema Corte no Ledder v. Arkansas6, e como a opinião é ilustrativa de continuar a relutância do Tribunal de enredar-se em direitos de estado.

5

Faculdade de Direito de Harvard.

6

Decisão da Suprema Corte Americana sobre o caso em referência. Nos EUA quando há um leading case

(caso paradigma), como o citado, o Tribunal adota a decisão para processos que envolvem as mesmas questões.


Payton olhou para J.D. com o canto do olho. Idiota espertinho. Embora reconheça, que não foi muito ruim um pouco de raciocínio rápido. O idiota. Ben riu para eles quando olhou rapidamente para as mensagens que sua secretária havia deixado em sua mesa. — Vocês dois, vocês nunca param. Payton lutou contra a vontade de revirar os olhos. Ele realmente não tinha ideia. J.D. aproveitou a distração momentânea de Ben para inclinar para frente em sua cadeira. Ele estendeu a lapela do seu terno para Payton e sussurrou. — E, à propósito, não é Armani. É Zegna. — ele piscou para ela. Payton olhou, tentada a dizer-lhe exatamente onde ele poderia enfiar o terno Zegna. — Desculpe por ligar para vocês virem aqui tão repentinamente. — disse Ben. — Mas, como vocês devem estar cientes, a cadeia de farmácias da Gibson’s Drug Stores acaba de ser atingida com uma ação judicial na classe de discriminação de gênero. Payton tinha realmente ouvido falar sobre a ação judicial - a apresentação de ontem da queixa em um tribunal federal na Flórida aparecera em todos os jornais nacionais e tinha até mesmo sido discutida na MSNBC e CNN. — A queixa foi apresentada ontem, atribuída ao juiz Meyers do Distrito Sul da Flórida. — disse ela, ansiosa para que Ben soubesse que ela estava por dentro das coisas. — As reivindicações foram apresentadas ao abrigo do Título VII, 1,8 milhões de trabalhadores do sexo feminino da empresa alegam que foram discriminadas na contratação, remuneração e promoção. — J.D. acrescentou


com um olhar de soslaio na direção de Payton. Ele também tinha feito sua lição de casa. Ben sorriu para a ânsia deles. Ele se inclinou para trás, girando a caneta casualmente. — É a maior ação de discriminação já apresentada. Isso significa muito dinheiro para o escritório de advocacia que defender Gibson. Payton viu o brilho nos olhos de Ben. — E quem seria? Ben entrelaçou os dedos, batendo-os contra a parte de trás das suas mãos como um vilão em um filme de James Bond. — Engraçado você perguntar, Payton... O CEO da Gibson, Jasper Conroy, ainda não decidiu qual escritório de advocacia vai defender sua companhia. Ele, no entanto, escolheu três das maiores empresas do país para se encontrar. J.D. sorriu. — Deixe-me dar um tiro no escuro aqui: a nossa empresa é uma dessas três. Ben assentiu, orgulhoso como sempre, por que o seu grupo de advogados era constantemente classificado entre os melhores do mundo. — Bom palpite. Recebi o telefonema no início desta manhã do próprio Jasper Conroy. Ele apontou para J.D. e Payton. — E é aqui onde vocês entram: Jasper foi muito claro sobre o tipo de equipe de julgamento que ele está procurando. Ele quer uma imagem mais fresca para representar o rosto da sua empresa, e não um bando de homens inexpressivos velhos de terno, como eu. — Ben riu, plenamente consciente de que nos seus 49 anos de idade, ele era realmente muito jovem para ser o chefe de litígios em uma empresa tão prestigiada. — Pessoalmente. — ele continuou. — Eu acho que Jasper está apenas tentando evitar o pagamento de taxas dos sócios. Como bons sócios que eram, Payton e J.D. riram da piada. — De toda forma... — Ben continuou. — Eu disse a Jasper que esta empresa tem os advogados perfeitos para ele. Dois associados sêniores muito experientes e espertos. Vocês dois.


Através da sua surpresa, Payton levou um momento para processar o que Ben estava dizendo. Um grande buraco foi crescendo em seu estômago, porque esta conversa estava indo em uma direção muito ruim. Se alguém fizesse um juramento sob interrogatório - melhor ainda, se o próprio Jack Bauer a submetesse a toda a gama de táticas de interrogatório a disposição da CTU7 - Payton não poderia ter dito exatamente como sua guerra com J.D. tinha começado. Francamente, já durava tanto tempo que simplesmente parecia ser a maneira como as coisas sempre foram. Sem nunca dizer uma palavra, no entanto, ela e J.D. tinham implicitamente concordado em manter a antipatia mútua para si. Ambos querendo mais do que qualquer coisa serem bem sucedidos no trabalho, eles entendiam que escritórios de advocacia eram como jardim de infância: que não era bom ter um “precisa melhorar” em “seja legal com os outros”. Felizmente, tinha sido relativamente fácil manter sua farsa. Mesmo que eles estivessem no mesmo grupo, tinha sido anos desde que eles tinham trabalhado juntos em um caso. Havia algumas razões para isso: primeiro, como regra geral, os casos no grupo de litígio eram dotados de um parceiro, um associado sênior, e um ou dois sócios juniores. Como membros de uma mesma classe, havia pouca razão para Payton e J.D. trabalharem com o mesmo assunto. Em segundo lugar, e talvez mais importante, os dois desenvolveram especialidades em diferentes áreas do direito. J.D. era um advogado de ação coletiva. Ele lidava com grandes multi-autores, casos multi-distrito. Payton, por outro lado, é especializada em direito do trabalho, particularmente só acusações de discriminação racial e de gênero. Seus casos eram geralmente menores em termos de danos em jogo, porém com maior perfil em termos de publicidade que recebiam.

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Counter Terrorist Unit, ou simplesmente CTU, como é mais comumente conhecida em inglês, ou em

português Unidade Contraterrorismo (UCT), é uma agência federal fictícia, apresentada na série 24 Horas, designada para o combate ao terrorismo.


Até agora - se por acaso ou sorte, havia muito pouca sobreposição nas áreas de atuação do nicho que ela e J.D. tinham esculpido por eles mesmos. Aparentemente, até agora, isso é. Payton permaneceu em silêncio enquanto Ben continuava seu discurso, tentando abster-se de demonstrar a crescente apreensão que sentia. Ela sorrateiramente olhou rápido para J.D. e o viu mexer nervosamente em sua cadeira. Pelo que ela podia dizer, ele parecia tão descontente quanto ela com esta situação. — Combinadas, suas habilidades são perfeitas para este caso. — Ben estava dizendo. — Jasper pareceu muito animado para conhecê-los. — Esta é uma notícia maravilhosa, Ben. — disse Payton, tentando não engasgar com as palavras dela. — Sim... maravilhosa. — J.D. parecia que tinha acabado de engolir um inseto. — O que é que nós precisamos fazer? — Jasper e o conselheiro geral da Gibson, e alguns dos seus advogados internos, virão todos para Chicago na quinta-feira. — disse Ben. — Eu quero que vocês dois trabalhem juntos e eu quero que vocês os tragam para cá. — enfatizou, batendo com o dedo na sua mesa. — Você acham que são capazes de fazer isso? Payton e J.D. se entreolharam com cuidado, pensando a mesma coisa. Eles poderiam realmente fazer isso? Sabendo o que estava em jogo, na compreensão mútua de como o jogo era jogado, eles se voltaram para Ben. — Absolutamente. — disseram em uníssono. Ben sorriu para eles, o futuro da sua empresa. Ele recostou-se na cadeira, ficando sentimental. Sem dúvida, com o pensamento dos grandes dólares que eles trariam.


— Ah... oito anos. — ele disse carinhosamente. — Há oito anos eu tenho visto vocês se transformarem nesta empresa, para os grandes advogados que são. Estou animado por esta oportunidade de vê-los trabalhando juntos, pois vocês fazem uma grande equipe. E é a hora perfeita, também, porque em breve vocês ambos ser... Ele abruptamente parou de falar. J.D. e Payton se sentaram na beirada dos seus assentos, quase caindo das suas cadeiras enquanto se penduravam na última palavra de Ben. Aparentemente percebendo que ele tinha falado demais, Ben acenou isso com um sorriso tímido. — Bem, uma coisa de cada vez. Agora, vocês têm uma apresentação para preparar. Vendo que Ben finalizou a discussão de negócios, Payton se levantou para sair. Mas em vez de segui-la, J.D. permaneceu sentado. Payton fez uma pausa, sem jeito. — Há algo mais que precisamos conversar, Ben? — ela perguntou. Ben balançou a cabeça. — Não, isso é tudo, Payton. Tenho mais uma coisa que eu quero discutir com J.D., algo que não lhe diz respeito. — ele deu um breve aceno de cabeça em adeus. Lá estava ele, foi amigável o suficiente apenas momentos atrás, mas agora ele voltou a ser todo negócios. Com um aceno, Payton saiu do escritório de Ben. Quando ela se virou para o corredor, ouviu-o falando com J.D. — Então, Jameson. — ouviu Bem dizer jovialmente. — O boato é que você estava jogando em Butler neste fim de semana. O que você vai fazer por esses dias, afinal? Enquanto Payton caminhava de volta para seu escritório, ela tentou não deixar que isso a incomodasse, o fato de que J.D. sempre teve mais facilidade para conectar-se com seu chefe em um nível pessoal. Até o momento, as tentativas dela de estabelecer uma relação semelhante com Ben tinham sido muito mal sucedidas. Filmes? Ele não os assistia. Televisão? Certa vez ele


perguntou a ela se era em Seinfeld8 “que tinha um gordinho sempre por perto das máquinas de venda automática.” Quando Payton tinha rido, achando que ele estava brincando, ela recebeu um olhar vazio e tinha imediatamente se calado. A partir desse ponto, ela prometeu que até que pudesse poetizar sobre algum negócio em que ela era um rosto em uma jogada inteligente para a equipe que precisava muito, provavelmente era melhor manter o bate-papo não jurídico com Ben o mínimo possível. Equipe Jameson marca outro ponto, Payton pensou quando entrou em seu escritório. Ele tinha uma vantagem automática sobre ela: ela poderia até imaginá-los agora, todo amiguinhos no escritório de Ben, rindo suas fartas risadas de homem enquanto discutiam sobre a melhor garagem para ter um Porsche / Mercedes / Rolls-Royce / Outro Carro Extravagante. Não que houvesse uma competição entre eles. De modo nenhum. Que J.D. tinha, como Payton, aparentemente dedicado os últimos oito anos da sua vida à empresa (talvez a única coisa que tinham em comum), era totalmente irrelevante em sua mente para a questão de saber se ela pessoalmente merecia tornar-se sócia. Embora possa ter sido algo que ela tinha se preocupado quando começou, a sua preocupação em ser comparada a J.D. havia diminuído como o passar dos anos. — Não há cotas ou valores máximos. — Ben tinha repetidamente assegurado em suas revisões anuais. “Cada associado é julgado por seu próprio mérito.” E pelo que Payton tinha observado nas turmas antes dela, essa afirmação parecia ser verdadeira: a cada ano os associados que foram classificados no topo da sua turma se tornaram sócios, independentemente do número total de associados sendo considerados naquele ano. Então, de onde Payton estava, suas chances de conseguir eram muito boas, especialmente desde que ela e J.D. foram os dois únicos advogados que sobraram em sua turma. Segundo sua amiga Laney, que também trabalhou na empresa, mas era de uma classe abaixo deles, isso não era coincidência: a fofoca 8

Seriado americano.


entre os associados mais jovens era que Payton e J.D. tinham assustado os outros membros da turma, que não estavam tão interessados em manter o ritmo e trabalhar as mesmas horas ridículas que eles. E era por isso que não havia uma competição entre eles. Francamente, Payton não teria gostado de J.D., não importa de qual turma ele tivesse sido. Ele apenas tinha esse jeito que realmente a irritava. Payton chegou em seu escritório e se sentou em sua mesa. Ela olhou para o computador e viu que tinha recebido trinta e duas novas mensagens de e-mail durante o breve tempo que tinha ido ao escritório de Ben. Ela se absteve de suspirar alto, exasperada. Mais quatro semanas, ela se lembrou. Percorrendo os e-mails, ela se deparou com um do Comitê Executivo da empresa. Intrigada, Payton abriu-o e ficou agradavelmente surpreendida com o que leu: A fim de honrar o seu compromisso com as políticas criadas pelo Comitê do Retention of Women9, a empresa orgulha-se de anunciar que estabeleceu uma meta de aumentar o número de sócios do sexo feminino em 10 por cento no próximo ano. Payton recostou-se na cadeira, relendo o anúncio e considerando as razões por trás disso. Francamente, já era tempo da empresa tomar alguma atitude notória sobre ter o menor percentual de sócios do sexo feminino na cidade. Ela pegou o telefone para ligar para Laney, que sabia que teria uma reação semelhante à notícia. No meio da discagem, ela olhou através do corredor e viu J.D. retornar da sua reunião masculina dos poderosos detentores de pênis com Ben. Payton desligou o telefone enquanto observava J.D. entrar em seu escritório, ela tinha que ver isso.

9

Comitê que busca a equiparação de mulheres e homens no exercício da advocacia.


J.D. se sentou em sua mesa. Assim como Payton, ele imediatamente olhou para o seu e-mail. Houve um momento de demora enquanto Payton esperava em deliciosa antecipação... então... Os olhos de J.D. se arregalaram enquanto ele lia o que Payton só poderia presumir que era o e-mail do Comitê Executivo. Ele apertou o coração como se fosse ter um ataque, então pegou o telefone em sua mesa da sua base e discou para alguém com rapidez. Seu amigo Tyler, Payton supôs. Se ela fosse uma mulher apostando, ela apostaria que J.D. estava apenas um pouco menos animado com o e-mail garantindo a conservação das mulheres do que ela. Um ponto para o Time Kendall, Payton pensou. Não que fosse uma competição entre eles. De modo nenhum.


Capítulo Três

— I

sso

é

besteira! J.D. sentiu certa satisfação quando acertou a bola de squash com a sua raquete. Ele esteve de mau humor durante todo o dia, desde quando tinha visto o ridículo e-mail do Comitê Executivo. — Um aumento de dez por cento em sócias do sexo feminino. — ele se enfureceu e sua respiração ficou entrecortada pelo esforço. Ele estava definitivamente fora do seu jogo naquela noite. Tyler mal tinha suado, enquanto J.D., que era normalmente o melhor jogador dos dois (assim como ele mesmo modestamente disse), tinha percorrido toda a quadra apenas para manter-se. Tyler saudou J.D.. — Elas ainda só têm vinte e oito por cento. — ele disse, bem-humorado. — Quem é você, Gloria Steinem10? — J.D. olhou para seu amigo por até mesmo sugerir que havia qualquer defesa possível para a mudança política que a empresa tinha anunciado hoje. — É a decisão deles, Tyler. — ele continuou. — Não há teto de vidro mais - essas mulheres optam por deixar a força de trabalho delas à disposição. — Ahh... a voz da igualdade toca mais uma vez. — Tyler riu. — Ei, eu sou a favor da igualdade. — disse J.D. enquanto batia a bola com a raquete. Francamente, a falta de preocupação do amigo com o e-mail do

10

Uma jornalista americana feminista.


Comitê Executivo o deixou perplexo. Afinal, Tyler também trabalhava na empresa, e por enquanto ele ainda não era sócio, porém o seu dia logo chegaria. — E qualquer outra pessoa que supostamente defende a igualdade deveria estar contra esta política também. — continuou J.D.. — É discriminação reversa. Tyler deu de ombros. — É apenas um compromisso de aumentar dez por cento. Que diferença isso faz? J.D. não conseguia ouvir mais nada. Com uma mão, ele pegou a bola, levando o jogo a uma parada abrupta. Ele apontou sua raquete para Tyler. — Eu vou te dizer qual é o meu problema. Tyler colocou a sua própria raquete para baixo e encostou-se à parede. — Eu sinto que devo ficar confortável aqui. J.D. ignorou o sarcasmo. — A campo de jogo não está nivelado - esse é o problema. Agora, talvez você esteja mais confortável em aceitar isso, mas eu não estou. Você sabe tão bem quanto eu que nos dias de hoje, se um homem e uma mulher são igualmente qualificados para uma posição, a mulher recebe o trabalho. É esta a sociedade liberal, politicamente correta em que vivemos. Homens têm que ser duas vezes melhores no que fazem para se manterem competitivos no mercado de trabalho. As mulheres só têm que permanecer na corrida. Tyler olhou para ele com ceticismo. — Você realmente acredita nisso? — Absolutamente. — disse J.D.. — Pelo menos no meio jurídico. É um jogo de números. Porque, em termos percentuais, poucas mulheres estariam nesses grandes escritórios de advocacia - por seleção. — enfatizou rapidamente. — Quando uma mulher que é decente vira sócia, ela é uma vencedora. Mas caras como você e eu conseguimos isso tão fácil? Tyler abriu a boca. — Você está certo, nós não conseguimos. — J.D. terminou por ele. — Ninguém do Departamento de Recursos Humanos está dizendo à Comissão


Executiva que necessitam aumentar a porcentagem de homens brancos sócios. Então nós. — ele apontou. — Temos que cuidar de nós mesmos, certificando-nos de que não tenham qualquer desculpa para não nos promover. Tyler ergueu as mãos. — Tudo bem - só tenha calma. Eu sei que você está estressado esses dias... — ...estou apenas dizendo que todos devem ser julgados somente pelo mérito. Nenhum fator 'plus' para o sexo, raça, origem nacional, ou... — ...que com a decisão da sociedade chegando e tudo, eu sei que você está nervoso... — ...só que cada pessoa receba uma chance justa... — J.D. parou. Ele acabou de ouvir as últimas palavras de Tyler. — Espera, você acha que eu estou nervoso sobre virar sócio? Tyler olhou para ele. — Você está dizendo que não está nervoso? — Você está dizendo que eu tenho uma razão para ficar nervoso? J.D. olhou ao redor e baixou a voz para sussurrar. — Por que, o que você já ouviu falar? Sabe de alguma coisa? Espere, não se preocupe e me diga. Não, realmente, o que? Tyler riu. — Acalme-se, amigo. Eu não ouvi nada. O Comitê Executivo não comunica exatamente aos humildes do sexto ano as suas decisões sobre a sociedade. J.D. expirou aliviado. — Certo, com certeza. — retomou sua fachada de indiferença, e jogou a bola para Tyler. — Você saca. Os dois jogaram em silêncio por alguns momentos, o único som era o da bola quicando repetidamente, quando eles batiam com as raquetes. Finalmente, J.D. quebrou o silêncio. — Para que conste, eu não acredito que eu esteja 'estressado'. Mas se, por acaso, eu estivesse um pouco ansioso, seria natural. Afinal, já são oito anos. É o meu trabalho, sabe. É...


— ...a única coisa que você já fez sem a ajuda do seu pai e você não quer estragar tudo. — Tyler cortou. — Eu entendo isso. J.D. parou em seu caminho. A bola passou perto do Squash, bateu na parede de trás, e saltou ao redor da quadra até que finalmente rolou até parar. Ele enfrentou Tyler em silêncio sepulcral. Tyler sorriu inocentemente. — Oops, essa era uma das coisas que não devemos dizer em voz alta? J.D. ainda não disse nada. Pois o seu melhor amigo, Tyler entendia que o tema do seu pai estava claramente fora dos limites. — Mas eu pensei que nós estávamos nos unindo. — continuou Tyler. — Você sabe, de um homem branco oprimido para o outro. J.D. lhe deu uma olhada. — Muito bonitinho. Ria agora, mas vamos ver quem vai rir em dois anos, quando você vier procurar um sócio e eles lançarem o seu traseiro para a rua com nada mais do que um “obrigado pelo seu tempo.” — J.D. apontou para a quadra. — Agora, se nós terminamos com suas pequenas percepções pessoais sobre a minha psique, você se importaria de começarmos a jogar algum Squash por aqui? Tyler inclinou-se agradavelmente. — De modo nenhum. Os dois mais uma vez retomaram o jogo. Silenciosamente. Focados. J.D. estava ficando para trás do seu ritmo quando Tyler trouxe outro tema para a conversa que J.D. tinha ainda menos interesse em ser discutido. — Então, eu vi você andar pelo escritório esta tarde com Payton. — disse Tyler. — Vocês dois pareciam íntimos, como sempre. J.D. sacou a bola e por pouco não errou. Xingando baixinho, ele se levantou do chão e caminhou para fora. Ele sabia que Tyler estava provocando-o mais uma vez e não queria dar a ele a satisfação de ser bem sucedido uma segunda vez.


— Payton e eu tínhamos uma reunião no escritório do Ben. — ele respondeu ao assunto com naturalidade. E jogou a bola para Tyler. O jogo deles continuou, assim como a provocação de Tyler. — Então... Você a felicitou pelo o artigo da Chicago Lawyer? J.D. sorriu, lembrando-se da sua conversa com Payton mais cedo naquele dia. — Sim, na verdade, eu fiz isso. À minha maneira, é claro. — Você sabe, talvez você devesse continuar com o papo de ‘todas as mulheres só têm que permanecer na corrida’. — Tyler brincou. — Eu tenho certeza que ela tem alguns pensamentos. J.D. zombou dessa. — Por favor, como se eu estivesse preocupado com o que Payton tenha a dizer. O que ela vai fazer? Mostrar-me um pouco do seu cabelo rebelde? — ele jogou o cabelo longo imaginário dos seus ombros, exagerando. — Eu vou te dizer, um dia desses, eu vou agarrá-la pelo cabelo e... — ele fez um gesto como se tivesse estrangulando alguém. Sem diminuir o passo, Tyler voltou a sacar. Os dois concentraram-se no jogo, indo para trás e para frente. — A violência é sempre parte das suas fantasias sexuais? — Tyler interrompeu. J.D. movimentou-se com rapidez. — Sexuais...? E foi atingido com um tapa na cara pela bola de Squash. Ele tombou para trás e esparramou-se desajeitadamente através da quadra. Tyler passou por cima e girou sua raquete. — Isso é bom. Devemos falar disso com mais frequência. J.D. estendeu a mão, pegou a bola do chão, e atirou diretamente em Tyler.


***

J.D. foi para casa mais tarde naquela noite, ainda sofrendo com o golpe da bola de Squash em sua bochecha. Ele não sabia o que doía mais, o rosto ou o seu ego. Como um jogador muito competitivo, ele não podia acreditar que tinha deixado Tyler distraí-lo tão facilmente. Insultando-o sobre Payton, isso era... complexo. Mas o que ele poderia dizer? Como sempre, aparentemente ela trazia à tona o pior dele. Mesmo jogando Squash. No entanto, nesta ocasião em particular, verdade seja dita, ele tinha algo mais em sua mente além de Payton Kendall. Quando J.D. estacionou seu carro na garagem subterrânea do edifício Gold Coast, condomínio onde morava, ele se sentiu cansado. Realmente muito cansado. Como se as dezenove horas diárias que ele tivesse feito no último ano estivessem de repente o alcançando. Indo em direção aos elevadores da garagem, J.D. apertou o controle da sua chave uma segunda vez para checar se ele havia trancado as portas. Ele sabia que era muito protetor com o seu carro, mas vamos lá, quem não seria? Como uma vez quando ele tinha brincado com Tyler, dirigir um Bentley, na verdade, fazia com que um homem desejasse uma viagem mais longa para o trabalho. Enquanto Tyler tinha rido da piada, seu pai, com certeza não tinha, quando J.D. tinha dito a mesma coisa para ele. Na verdade, foi esse mesmo carro, o Bentley Continental GT prata, que havia precipitado A Briga, a discussão infame entre ele e seu pai há dois anos. O pai de J.D., o estimado e honroso Preston D. Jameson, mais uma vez, estava tentando dizer a J.D. como viver sua vida. — Você tem que vender o carro. — seu pai tinha dito em termos inequívocos, um dia depois do funeral do avô de J.D.. J.D. tinha apontado que o seu avô, o ilustre empresário Earl Jameson, tinha especificamente deixado o carro em seu testamento para J.D.. Este lembrete tinha apenas irritado seu pai mais ainda, que definitivamente não era


um “apaixonado por carros”. E que também era ressentido com o vínculo entre J.D. e seu avô. — Mas você não pode dirigir o carro para ir trabalhar, os sócios não querem ver um associado dirigindo um carro de cento e cinquenta e mil dólares! — seu pai havia tentado apelar para o que normalmente era a fraqueza de J.D., seu desejo em ser bem sucedido na empresa. Mas foi a primeira (e até hoje, única) vez, que J.D. tinha outras prioridades e o carro significava mais para ele do que seu pai compreendia. Ele esboçou um sorriso cansado para o pai. Os dias que cercaram o funeral do seu avô tinham sido longos e difíceis. — Na verdade, pai, é mais como um carro de ‘cento e noventa mil dólares’, com as ligas das rodas esportivas cromadas e verniz interior melhorado. E sim, eu posso dirigi-lo para trabalhar, com bastante facilidade, de fato, eu desço a Lake Shore Drive sul e a Washington Street... Seu pai não achou engraçado. — Você sabe o que as pessoas vão dizer? — seu pai esbravejou. — Não é digno de um juiz no banco de apelação federal ter um filho playboy, mimado correndo por aí em algum carro esportivo! J.D. tentou esconder a sua raiva e não respondeu ao comentário. Claro, ele estava solteiro, e ele namorava, mas “playboy” era um pouco demais. Francamente, ele dedicava muitas horas ao trabalho para ter qualquer coisa acima de uma vida social moderadamente saudável. Além disso, ele sabia que o problema verdadeiro era reputação do pai dele, e não a sua. Ele imaginou que seu pai poderia apenas adicionar isto à lista das maneiras em que ele tinha sido uma decepção como um filho: não ser o redator da Harvard Law Review11, não ser casado, e então o pior de tudo, optar por trabalhar em 11

Uma revista criada em 1887 por um grupo de estudantes da Harvard Law School, nos EUA. A

publicação é independente da instituição. Também conhecida como "The Review", é publicada mensalmente entre novembro e junho e tem cerca de duas mil páginas por volume, segundo informações do site oficial.


Ripley & Davis, a outra das duas principais empresas da cidade e concorrente direta do escritório de advocacia que seu pai havia trabalhado e sido parceiro sênior antes de ser nomeado para o tribunal. Mas o que incomodou J.D. muito mais do que decepção do seu pai ou preocupação com a reputação profissional dele (em 32 anos, ele havia crescido bastante e se acostumou a conviver com essas coisas), foi o fato de que seu pai teve a audácia de chamá-lo de mimado. Claro, sua família tinha dinheiro, muito dinheiro, mas isso não deveria diminuir que ele tinha trabalhado pra caramba para chegar onde estava. Esse foi o motivo pelo qual ele havia optado por não trabalhar para a antiga empresa do seu pai, ele não queria nenhum tratamento especial por causa do seu sobrenome. Normalmente, J.D. teria ignorado a recusa do seu pai em reconhecer suas realizações, mas, naquele dia, na esteira emocional do funeral do seu avô, ele simplesmente não conseguiu. Então, ele disse algumas coisas, sua voz cada vez mais alta, em seguida, seu pai disse outras coisas, e no meio da discussão deles, J.D. declarou que não queria um centavo da sua herança. Daquele dia em diante, ele prometeu, sobreviveria por conta própria. E a partir daquele dia, ele tinha feito isso. Ok, na verdade, não era exatamente uma tarefa financeiramente impossível. Nessa época como um associado do sexto ano na empresa, J.D. estava ganhando pelo menos US $ 300.000 por ano, incluindo o seu bônus. Mas isso ainda era muitíssimo menos do que qualquer Chicago Jameson da história recente tinha vivido. E por isso, ele estava orgulhoso. E ele também era orgulhoso do Bentley. Não por apenas ser uma ligação sentimental entre ele e seu avô, mas porque se tornou o símbolo da sua Declaração de Independência ao não seguir os passos do seu pai. E além disso... Era muito legal dirigi-lo. Na subida do elevador até o seu apartamento, que ficava no quadragésimo quarto andar, (“— Não é a cobertura?” — sua mãe perguntou assustada quando tinha feito a sua primeira visita.), J.D. refletia sobre os


comentários que Tyler tinha feito durante o jogo de squash. Não que ele alguma vez admitiria, mas ele estava mais ansioso a cada dia, esperando a empresa fazer os anúncios da sociedade. Embora certamente, J.D. pensava, enquanto caminhava pelo corredor até seu apartamento e abria a porta da frente, seu encontro com Ben naquela tarde tinha sufocado praticamente quaisquer dúvidas que tinham aparecido em sua cabeça nas últimas semanas. Ele capturou o que Ben quase deixou escapar durante o encontro, sobre J.D. e Payton logo se tornarem sócios. J.D. tinha notado que Payton não tinha perdido o lapso de Ben, ele viu o brilho nos escuros olhos azuis dela. Provavelmente o mesmo brilho quando ela leu o e-mail do Comitê Executivo, J.D. deduziu. Ele jogou sua pasta e sua mochila de ginástica no sofá da sala, que dava para o melhor ângulo do apartamento: as janelas do chão ao teto com vista para a famosa Magnificent Mile12 da Avenida Michigan, e, além disso, a vasta extensão azul do Lago Michigan. (— Pelo menos há uma vista! — sua mãe fungou relutante.) Sim, de fato, J.D. não tinha dúvida de que o e-mail do Comitê Executivo havia sido o destaque absoluto do dia de Payton. Ela era inteligente, nunca jogou diretamente a carta de gênero com os sócios da empresa, mas ela também nunca perdeu uma chance de exibir seu status feminino. Como por exemplo, o artigo “Quarenta Mulheres para Observar Abaixo dos 40”. A única razão pela qual ele tinha perguntado a ela sobre isso foi para antecipar qualquer prazer que ela tivesse em esfregar isso na cara dele. Não que houvesse uma competição entre eles.

12

Chamada também de The Mag Mile, é uma parte prestigiada da Avenida Michigan, que vai do Rio

Chicago, que deságua no Lago Michigan até Rua Oak, no lado Norte.


Payton Kendall, Esquire13, poderia ser nomeada em dez artigos de revistas, ela poderia ter toda a empresa envolvida em torno do seu pequeno feminismo liberal, mas ele não se preocupava nem um pouco. J.D. sabia que ele era um bom advogado, muito bom, e uma vez que ele fosse sócio (mesmo que ela conseguisse isso, também), e estivesse no controle completo da sua própria carga de trabalho, ele planejava ter certeza de que ele e Payton nunca trabalhassem juntos novamente. Agora, se ele pudesse passar por esse negócio com Gibson Drug Stores... J.D. tomou um banho rapidamente. Já era tarde, e ele precisava começar muito cedo amanhã pela manhã. Payton tinha quase o vencido no escritório outro dia, e ele precisava colocar uma solução rápida sobre isso. Não que houvesse uma competição entre eles. De modo nenhum.

13

A revista Esquire é uma revista estadunidense direcionada ao público masculino, editada pela Hearst

Corporation. Foi fundada em 1933 e prosperou durante a Grande Depressão, sob a direção do fundador e editor Arnold Gingrich.


Capítulo Quatro

P

ayton

reviu

o

calendário de eventos para os executivos da Gibson uma segunda vez. Dizer que ela estava descontente seria um eufemismo. Ela esteve cheia esta semana, a preparação, tanto da apresentação da Gibson quanto de um julgamento de assédio sexual que estava marcado para iniciar

na

quarta-feira

seguinte. E

J.D.

a

pegou

em

um

momento

particularmente ruim quando passou por seu escritório ontem para discutir a pauta para ganhar e jantar com Jasper Conroy e sua própria equipe de litígio. Ela esteve discutindo toda a manhã com o conselho oponente sobre acréscimos de última hora na lista de evidências. Desligou o telefone, viu J.D., em pé na porta, e sentiu que sua manhã estava apenas prestes a piorar. Mas em vez disso, em um raro momento de utilidade aparente, J.D. se ofereceu para assumir a liderança para arrumar a pauta da Gibson. E, em um momento apenas, tão raro quanto de receptividade a qualquer coisa relacionada a J.D., seu telefone começou a tocar sem parar e ela viu o número conhecido do conselho oponente no identificador de chamadas e percebeu que ela estava prestes a começar o Round 137 com ele, ela aceitou a oferta de J.D.. Grande erro. Agarrando a sua agenda na mão, Payton olhou para sua secretária com uma mistura de frustração e ansiedade. — Esta é realmente a programação? — ela perguntou.


Irma acenou afirmativamente. — A secretária de J.D. acaba de deixar. — Ok. Obrigado, Irma. Payton fingiu continuar digitando em seu computador quando Irma deixou seu escritório. Observou quando sua secretária voltou para sua mesa, esperou um momento ou mais, então casualmente se levantou e caminhou pelo corredor até o escritório de J.D.. J.D. olhou para cima de sua mesa quando ouviu a batida na porta. — Tem um segundo? — perguntou Payton agradavelmente. Nunca se sabia quem estava assistindo. — Para você, Payton. Qualquer hora. Como posso ajudar? — perguntou. Payton entrou em seu escritório e fechou a porta atrás dela. Ambos instantaneamente deixaram cair a fachada. Ela estendeu a agenda acusadoramente. — Você me disse que jantaríamos com os executivos da Gibson amanhã à noite. J.D. recuou em sua cadeira, apontando para a agenda. — E como você pode ver, nós vamos. — Mas você também vai jogar golfe com eles amanhã à tarde. Por que eu não fui convidada? — Você joga golfe? — Não, mas você não sabia disso. J.D. sorriu. — Na verdade, eu sabia. Eu ouvi você mencionar isso para Bem no verão passado. Atordoada pela afronta aberta, Payton abriu a boca para responder. Ela apertou seu punho enquanto procurava alguma resposta, algum insulto, qualquer coisa, e passou um momento, e depois outro... e... Nada.


J.D. sorriu vitoriosamente. — Vamos fazer o seguinte, por que não pensa sobre isso por um tempo? Volte quando estiver pronta, elabore uma boa resposta para mim. — então ele conduziu Payton para fora do seu escritório e fechou a porta atrás dela. Ela ficou ali no corredor. Encarando aquela estúpida placa de identificação, J.D. JAMESON, a qual, ela estava seriamente tentada a tirar da parede e jogar diretamente no rosto dele. Era verdade, ela não sabia nada sobre o golfe; ela nunca tinha sequer ido a um clube. Sua fuga era proposital. Ela tinha opiniões distintas a respeito do esporte e, mais importante, de quem jogava isso. Payton considerou suas opções. Por um lado, ela odiava a ideia de J.D. levar a melhor sobre ela. E ela realmente odiava a ideia de ser uma novata sem noção no golfe jogando na frente de Jasper e equipe da Gibson. Por outro lado, o pensamento de ser deixada de fora durante toda a tarde não era atraente. Com a decisão da parceria iminente, precisava garantir que ela fosse uma parte integrante do esforço para conseguir Gibson como um cliente. E ela simplesmente não achava que tinha estômago para fazer o papel da pequena mulher sentada no escritório, enquanto os homens conversavam no escritório no vigésimo quinto andar ou o que quer que seja. Assim, tanto quanto Payton podia ver, ela não tinha escolha. Apesar do fato de que ela já estava se preocupando sobre como ela faria uma rápida aula de golfe para-ao-menos-não-jogar-como-uma-total-burra, naquela noite, ela caminhou confiante para o escritório de J.D.. Ele olhou para cima da sua mesa quando a porta se abriu, surpreso com sua entrada repentina. — Isso foi rápido. — ele recostou-se na cadeira e acenou com a mão. — Ok, vamos ouvi-la, Kendall. Dê-me seu melhor tiro. Payton viu o grampeador perto da beirada da mesa e teve que lutar contra o desejo de aceitar a sua oferta.


— Eu vou fazer isso. — declarou ela. — Conte comigo para o jogo de amanhã. J.D. apareceu surpreso. Payton assentiu em resposta ao seu silêncio. — Bom. Está resolvido, então. — ela se virou para sair, sua mente já executando uma centena de direções diferentes. Ela precisava encontrar um conjunto de tacos; talvez Laney tivesse algum que pudesse emprestar. E, claro, havia a questão do traje, devia usar shorts? Uma camisa polo? Um chapeuzinho desenvolto, talvez? Era necessário sapatos especiais? Os detalhes em torno deste evento estavam... — Você não pode ir. As palavras de J.D. pararam Payton quando ela chegou à porta. Ela virouse

para

encará-lo. —

Você

não

pode

estar

falando

sério. Você

está tão desesperado para conseguir algum tempo a sós com os representantes da Gibson? — Não, não é isso. — disse J.D. rapidamente. Ele hesitou, e por um breve segundo, Payton podia jurar que ele parecia desconfortável. Ela colocou a mão na cintura, esperando que ele terminasse. — Então o que é exatamente, J.D.? — Vamos jogar golfe em Butler. — disse ele. Butler? Oh... é claro, Butler, Payton pensou sarcasticamente. Isso não significava nada para ela. — E? — ela perguntou. — Butler National Golf Club? — disse J.D., aparentemente acreditando que isso deveria sinalizar algo para ela. Payton balançou a cabeça. Nenhuma ideia.


J.D. se moveu sem jeito. — Minha família é membro de lá. Bem sugeriu porque é um campo do ranking nacional. Mas, por causa disso, é um clube privado. — ele enfatizou essa última parte. Payton não conseguia ver qual era o problema. — Mas se você pode levar as pessoas da Gibson como convidados, eu não vejo por que não posso ir, também. J.D. pigarreou inquieto. Ele mudou de posição na cadeira, em seguida, encontrou o olhar dela. — Eles não permitem mulheres. As palavras ficaram estranhas no ar, desenhando uma linha entre eles. — Oh. Entendo. — o tom de Payton foi rápido, conciso. — Bem, então vocês meninos se divirtam amanhã. Não querendo ver o que ela supôs que seria um olhar presunçoso no rosto de J.D., ela se virou e saiu do escritório dele.

***

— Eu vou soar como um bebê chorão total, se eu disser que não é justo? Laney acariciou a mão de Payton. — Sim. Mas vá em frente e diga de qualquer maneira. Com um gemido frustrado, Payton enterrou a cabeça em seus braços em cima da mesa de café que tinha acabado de se sentar. — Eu o odeio. — ela disse, com a voz abafada. Ela olhou para Laney. — Isso significa que ele vai ficar o dobro do tempo com os representantes da Gibson.


— Então você vai ter que ser duas vezes melhor quando você encontrá-los para o jantar. — Laney respondeu. — Esqueça J.D.. — Dane-se ele. — Payton concordou. Ela viu os olhos de Laney nervosamente percorrendo ao redor do café. — Quer dizer, é ruim o suficiente que ele jogue cartas com os sócios. — continuou Payton. Ela abaixou a voz, fazendo uma má representação do sexo masculino. — Ei, J.D., você deveria vir ao meu clube algum dia. Ouvi dizer que você fez um two-fifty14. — Eu acho que isso é boliche. — Tanto faz. — Payton assinalou para dar ênfase. — O problema é que, conseguir o negócio faz parte do negócio. É como um ritual com esses caras: — Ei, que tal essas gatinhas — a má representação da voz masculina voltou — Vamos jogar golfe, fumar alguns charutos. Aqui está o meu pênis, cadê o seu, sim, eles parecem ser aproximadamente do mesmo tamanho, ok, vamos fazer alguns negócios. Quando a mulher sentada na mesa ao lado lançou um olhar de desaprovação sobre a espuma do seu cappuccino gigante, Laney se inclinou para Payton. — Vamos usar nossas vozes internas, por favor, ao usar a palavra com P. — ela sussurrou em repreensão. Ignorando isso, Payton tomou outro gole de café com leite e baunilha. — No mundo dos negócios, o que é o equivalente ao feminino de ir jogar golfe com um cliente? Laney

parou

para

pensar. Payton

calou-se,

também,

contemplando. Depois de alguns momentos, nenhuma delas poderia chegar a qualquer coisa. Quão deprimente.

14

Strike, no boliche.


Payton suspirou, fingindo resignação. — Bem, é isso. Eu acho que eu vou ter que dormir com eles. Laney cruzou as mãos afetadamente sobre a mesa. — Eu acho que estou desconfortável com esta conversa. Payton riu. Era bom rir, ela tinha estado muito mal-humorada desde o seu encontro com J.D.; ela não conseguia acreditar que ele tinha conseguido excluí-la do jogo de golfe com os representantes da Gibson, levando-os a um clube que não permitia a entrada de mulheres. Espera, correção: o que ela realmente não podia acreditar era que ainda havia, na verdade, um clube que não deixava as mulheres entrarem. Uma vez que a existência deste clube tinha sido estabelecida, no entanto, ela não tinha nenhum problema em acreditar que J.D. era um Grand Poobah15. Chega de J.D.. Payton resolveu não deixá-lo arruinar um minuto a mais do seu dia. Além disso, ela viu uma excelente oportunidade para engajar Laney em um de seus “debates”. As duas não poderiam ser mais opostas no espectro político/social. Tendo sido criada por uma mãe solteira, ex-hippie, que era tão socialmente radical como se poderia chegar a ser ao permanecer dentro dos limites da lei (na maioria das vezes, pelo menos), Payton achava o jeito afinadoe-afetado de Laney fascinante. E estranhamente refrescante. — Eu não quis te deixar desconfortável, Laney. Eu acho que ser um conservador significa que você não acredita em liberdade de expressão. — Payton brincou. — Não venha com sua arrogância liberal, é claro que eu acredito na liberdade de expressão. — disse Laney, brincando com o medalhão de coração que usava. — Então eu deveria ser capaz de dizer o que eu quiser, certo? Mesmo a palavra “pênis”?

15

O termo era usado nos Flinstones para designar as posições de destaque dos clubes masculinos. Fred

e Barney eram membros da Ordem Real dos Búfalos, uma referência à maçonaria.


Laney suspirou. — Nós temos que fazer isso agora? — Você devia tentar dizer a palavra em algum momento. — Eu passo, obrigada. Payton deu de ombros. — Sua escolha, mas eu acredito que você vai achar que é libertador. Todo mundo poderia usar um bom “pênis” de vez em quando. Laney olhou nervosamente em torno do café. — As pessoas estão ouvindo. — Desculpe, você está certa. Boa regra de ouro: se você vai falar “pênis” em um lugar público, dever ser em voz baixa. Caso contrário, atrai muita atenção. A mulher na mesa ao lado olhou boquiaberta para elas. Laney se inclinou. — Peço desculpas por minha amiga. Ela fica desta forma às vezes. — ela abaixou a voz para um sussurro. — Síndrome de Tourette16. Tão triste. A mulher acenou com simpatia, então fingiu fazer uma chamada em seu telefone celular. Laney se voltou para Payton. — Se você terminou com a lição da Primeira Emenda17, pensei que talvez pudéssemos voltar ao assunto do J.D., porque eu tenho uma sugestão de como você pode resolver seu problema. Payton se inclinou para frente, ansiosa. — Ótimo, vamos ouvir. Estou aberta a qualquer coisa. 16

A síndrome

de

Tourette ou doença

de

Gilles

de

la

Tourette é

um

transtorno

neuropsiquiátrico hereditário que se manifesta durante a infância, caracterizado por diversos tiques físicos e pelo menos um tique vocal. 17

A Primeira Emenda (Amendment I) da Constituição dos Estados Unidos é uma parte da Declaração de

direitos do país. Impede, textualmente, ao Congresso americano de infringir seis direitos fundamentais, no caso do texto, “limitar a liberdade de expressão”.


— Ok. Minha sugestão é... — Laney fez uma pausa dramática... — Aprender a jogar golfe. — ela deixou isso afundar por um momento. — Então, você nunca vai ter esse problema de novo. Payton recostou-se na cadeira de novo, brincando com sua caneca de café. — Hum, não. — ela rebateu a sugestão com uma onda de desprezo. — Jogar golfe é apenas, eu não sei... esnobe. Laney deu-lhe um olhar penetrante. — Você sabe, quando você virar uma sócia, vai ter que se acostumar a estar perto de pessoas que cresceram com dinheiro. — Eu não tenho qualquer problema com isso. — disse Payton ofensivamente. — Oh, certo, certo. Você não acha que tem alguma coisa a ver com a razão de você ser tão dura com J.D.? — Eu sou dura com J.D. porque ele é um idiota. — É verdade, é verdade... — Laney ponderou. — Vocês dois parecem trazer à tona o pior um do outro. Um do outro? — Eu espero que você não esteja sugerindo que eu de alguma forma contribuo para o comportamento de J.D.. — disse Payton. — Porque se for assim, nós realmente precisamos fazer com que essa conversa caminhe em uma direção saudável. — É meio estranho, porque J.D. tem muitas qualidades que você normalmente gosta em um homem. Um cara que talvez não seja tão assim, você sabe... — Laney gesticulou, sumindo. — Assim como? — Payton perguntou. — Rico. Payton revirou os olhos. — Primeiro de tudo: por favor, como eu disse, eu não me importo com isso. Em segundo lugar: Quais são as outras supostas qualidades que J.D. tem?


Laney considerou sua resposta. — Ele é muito inteligente. Payton franziu a testa e resmungou baixinho. — Eu mudei de ideia, eu não quero falar sobre isso. — ela pegou o cardápio de sobremesas ao lado dela e olhou para ele atentamente. Parecendo não ouvi-la, Laney continuou com sua lista de supostos atributos de J.D.. — Ele também é um apaixonado pelo Direito, interessado em política, ainda que no lado oposto do espectro. Que, curiosamente, não parece incomodá-la em mim. Payton olhou por cima de seu menu. — Você tem charme. — Isso é verdade, eu tenho. — Está desaparecendo rapidamente. Laney continuou. — E J.D. trabalha duro, assim como você, e ele pode ser engraçado em um tipo de forma sarcástica isso... — Objeção! — Payton interrompeu. — Falta de fundamento, quando J.D. disse algo engraçado? — Isso não é um tribunal. Payton cruzou os braços sobre o peito. — Idiotice total! Que tal se eu apenas concordasse em vez disso? — Puxa, desculpe, Payton eu não queria te deixar tão desconfortável. — Laney disse com um sorriso. — Eu não vou dizer mais nada. — ela pegou o menu. — Vamos ver... agora o que parece ser bom? Aquele bolo de chocolate sem farinha que dividimos na última vez era divino. — ela olhou para Payton. — Exceto apenas uma última coisa sobre o assunto de J.D.: ele é totalmente quente. Bem na hora, lutando com o sorriso, Laney colocou o seu menu para bloquear o guardanapo que veio voando em seu rosto.


— Quente? — Payton quase gritou. — Aquele bajulador, idiota, frequentador-de-escola-preparatória, vestido-com-camisa-pink-Izod18, que teve seu diploma entregue em uma bandeja de prata? — ela cobriu a boca. — Bem, olhe para isso, talvez eu realmente tenha um ou dois problemas com dinheiro. Laney assentiu encorajadora, como se dissesse que elas estavam fazendo progresso. — Mas você está prestes a ser nomeada sócia. Eu entendo por que você foi cautelosa no passado, mas você conseguiu. Você não tem que continuar se esforçando para provar que você se encaixa com esses caras. Payton foi surpreendida por isso. — Você acha que estou sendo cautelosa? — No trabalho, você pode, por vezes... ser um pouco áspera. — disse Laney com cuidado. — Como essa coisa com J.D., por exemplo. Payton tentou decidir se ela deveria se sentir ofendida. Mas, por mais que não queira admitir isso, uma parte dela sabia que o que Laney estava dizendo não estava completamente longe da verdade. — Eu suponho que esta “coisa” com J.D. ficou um pouco fora de controle. — ela admitiu com relutância. — Você está certa, eu deveria ser uma pessoa melhor nisso. — ela sorriu. — Isso não deve ser muito difícil, em comparação com J.D.. — ela pegou o olhar de Laney — É exatamente o que a Payton Nervosa teria dito. Mas a Nova Payton não faz isso. Laney inclinou a caneca de café com aprovação. — Bom para você. À nova Payton. — À Nova Payton. Payton brindou com Laney, imaginando onde estava se metendo.

18

Marca de roupa feminina e masculina, inicialmente associada à Lacoste.


Capítulo Cinco

S

eja a bola.

J.D. focou intensamente. Seus olhos nunca deixavam o tee19. Seja a bola. Ele recuou, então swoosh! Seu balanço foi fácil. Com uma mão levantada para bloquear o brilho do sol, ele viu quando a bola pousou sobre o verde20 a 240 metros de distância, a poucos centímetros do buraco. J.D. sorriu. Deus, ele amava este esporte. Ouvindo o assobio e as palmas atrás dele, se virou para seus companheiros. — Bela jogada. — Jasper gritou em seu sotaque sulista preguiçoso. — Um homem que trabalha três mil horas por ano não deveria ter tempo para um balanço desse jeito. — os três companheiros dele, representantes do departamento jurídico da Gibson, concordaram com a cabeça. J.D. se aproximou e tomou a cerveja que Jasper estendeu a ele. — Isso significa que estamos falando de negócios? Jasper sorriu. Ele tinha o sorriso corajoso de um homem completamente à vontade com o cargo de poder que ele ocupava. Ele olhou para sua cerveja, em

19

Se referindo ao golfe, a área inicial perto do buraco.

20

A área final, onde está o buraco.


seguida, observou a bela paisagem arborizada do oitavo buraco. — Vou te dizer. Espere até o décimo quinto buraco. Então vamos conversar. Seguindo o exemplo de Jasper, J.D. absorveu o calor do céu azul em um dia de verão, enquanto admirava a vista para o rio que corria um pouco além do verde. Ele inclinou a garrafa para Jasper. — Que seja dezessete. Jasper riu. — Um homem segundo o meu coração. Mas você tem certeza que quer esperar? Eu ouvi por aí que o buraco nove deixa um homem de joelhos. — Talvez um homem menor, Jasper. Jasper riu muito com isso. — Eu gosto do seu estilo, Jameson. Sorrindo, J.D. tomou um gole de sua cerveja. Até agora, a sua tarde com a equipe da Gibson estava indo muito bem. Ele estava confortável aqui, no seu elemento - o que, sem dúvida, foi uma das razões para Ben tê-lo escolhido para esta missão. J.D. tinha crescido em torno de homens como Jasper toda a sua vida e estava familiarizado com a rotina de menino ‘bem-educado’. Ele entendia a linguagem, o jogo, o papel que deveria desempenhar. Ben queria fazer uma pequena exibição, é por isso que ele tinha pedido especificamente a J.D. para trazer a equipe da Gibson para este campo. Ele estava tentando impressioná-los, mas não queria que parecesse assim. O fato de J.D. simplesmente ter uma participação em um dos clubes mais exclusivos do país foi a maneira perfeita para realizar essa tarefa. A única mancha na tarde era a sensação incômoda de que ele tinha sempre que a visão de Payton sentada no seu escritório surgia na sua cabeça. Ele continuava tentando arrastar esses sentimentos para o lado. Por que ele deveria se sentir culpado por ela ter sido deixada de fora? Afinal de contas, ele estava apenas fazendo seu trabalho, o que Ben lhe pediu para fazer. E, se o sapato estivesse no outro pé, ele tinha certeza que Payton não teria tido nenhum problema em deixá-lo para trás. Havia outra imagem que J.D. tinha dificuldade de esquecer: o olhar que Payton tinha lhe dado quando ele disse que o clube não permitia mulheres. Por


um breve momento, ele viu algo em seus olhos que não tinha visto antes. Uma ligeira rachadura, um vacilar em sua armadura habitual de confiança. Por alguma razão, incomodou ver isso. Percebendo que um dos advogados da Gibson estava fazendo uma pergunta sobre o campo, J.D. empurrou todos os pensamentos de Payton da sua mente. Ele não podia se distrair no momento. Precisava estar ligado, para ser charmoso e profissional. E, não menos importante, ele precisava se preparar mentalmente para o nono buraco próximo - um implacável de quatro tacadas que era um dos buracos mais estreitos que ele já tinha jogado. Além disso, como ele sabia muito bem, Payton Kendall podia cuidar de si mesma.

***

Payton sentou-se no bar, esperando. Ela concordou em encontrar-se com J.D. e a equipe da Gibson no restaurante Japonês às sete e meia. Ela estava familiarizada com o restaurante, como estavam praticamente todas as outras mulheres solteiras em Chicago com vinte e cinco anos. Elegante e caro, com uma decoração moderna, ambiente iluminado, era um dos locais mais populares da cidade para um primeiro encontro. Não que ela tivesse muitos primeiros encontros ultimamente. Levava tempo para conhecer pessoas. Levava tempo para encontrá-los, para conhecêlos, para descobrir se você gostava deles e se eles gostavam de você. E tempo era algo que ela não tinha muito esses dias. Então, a menos que o mítico cara perfeito caísse do céu e pousasse em sua porta, namoro foi algo que ela precisou colocar em espera até se tornar sócia. Payton rodou sua taça de vinho enquanto se sentava no bar, pensando de volta no último primeiro encontro que ela teve com um banqueiro de investimento que conheceu em uma degustação de vinho local. Tinha sido neste mesmo restaurante, na verdade. O encontro dela tinha consumido oito dos dez


saquês Mukune21 do restaurante. Lá pelas 10h:15 ele tinha caído da sua cadeira ao levantar-se para ir ao banheiro e por volta de 10h:15 e 15 segundos, quando Payton correu para ajudá-lo, ele confessou sussurrando que estava tendo “um grande problema22” para largar a sua medicação maníaco-depressiva. Legal. — E estes são os caras que estão lá fora. — ela grunhiu mais tarde para Laney. Sua amiga não tinha tais problemas, tendo, naturalmente, se casado com seu querido namorado mauricinho da faculdade. Como resultado desse último primeiro encontro desastroso, Payton prometeu interromper, temporariamente, todos os mergulhos na piscina do namoro. Pelo menos até que sua vida profissional estivesse em ordem, e é isso. Foi meio engraçado, e talvez um pouco patético: ela tinha percebido mais cedo naquela noite, enquanto estava se vestindo, de que era a primeira vez em semanas que ela tinha usado algo que não fosse um terno fora do seu apartamento. Não querendo parecer demasiado formal ou como se ela estivesse tentando impressionar os representantes da Gibson, ela abandonou seu terninho padrão e em vez disso, estava com uma camisa de botão, saia lápis, e saltos finos. Tendo agora acabado sua bebida, Payton olhou para o relógio e viu que seus companheiros de jantar estavam 20 minutos atrasados. Verdade seja dita, ela estava um pouco preocupada com este jantar com os representantes da Gibson. Ela tinha feito muitas reuniões antes, e ela tinha certeza de que J.D. também, mas porque suas práticas raramente se sobrepunham, ela e J.D. nunca tinham feito uma em conjunto. Sozinhos. Estas reuniões exigiam certa fineza e coesão entre os advogados que fazem a apresentação - eles precisavam apresentar uma fachada unida. Unida. 21

Marca de saquê.

22

No original: a bidge of trupple, enfatizando o quanto estava bêbado, quando queria dizer um grande

problema (a big trouble).


Coesa. Estas não eram exatamente as qualidades que ela e J.D. possuíam juntos. Assim, o pequeno nervosismo de apreensão que sentia ficava pior a cada momento em que ela estava sentada sozinha no bar. Quando passaram-se mais cinco minutos, Payton enfiou a mão na bolsa, procurando seu telefone celular. Ela achou que deveria verificar seu correio de voz, só para ter certeza que J.D. não tinha deixado uma mensagem. Ela estava no meio da discagem, quando olhou para cima... ...e viu J.D. em pé na frente dela. Por um segundo, Payton ficou impressionada com o fato de que algo sobre ele parecia diferente. Ela percebeu que, assim como ela, ele tinha se vestido mais informal para a noite. Em vez do seu costumeiro terno e gravata, ele usava uma camisa de risca de giz preta de gola aberta e calça cinza escura perfeitamente ajustada. Foi estranho, por qualquer que seja motivo, o que lhe veio à cabeça naquele momento foram as palavras de Laney do outro dia sobre como J.D. era bonito. Payton tinha visto J.D. praticamente cinco dias por semana, durante os últimos oito anos, mas naquele hora, ela se viu olhando-o mais de perto. Ela tentou vê-lo como se fosse uma estranha. Alguém que nunca tinha realmente falado com ele ou qualquer coisa. Ele era alto (como mencionado anteriormente, o melhor para olhar as pessoas por baixo), tinha o cabelo castanho claro com mechas douradas (provavelmente de luzes), seu corpo era magro (sem dúvida, de todo o tênis ou qualquer outra coisa que ele jogasse no seu eu-sou-tão-legal machista country club), e ele tinha olhos azuis que, hum... ... Bem, tudo bem. Não havia realmente qualquer coisa negativa que Payton poderia dizer sobre os olhos do J.D.. Falando em um sentido puramente objetivo, ela meio que gostava deles. Eles eram um azul brilhante. Uma vergonha serem desperdiçados nele.


Tendo terminado a sua avaliação, Payton supôs que, se pressionado, dentro daquela crosta externa, de Ralph Lauren-masculino, suéter-jogadosobre-os-ombros, de um jeito, você-sentiu-meu-polo-pony23, J.D. era muito lindo. Interpretando mal o olhar dela, J.D. inclinou a cabeça e apontou para seu telefone. — Oh, me desculpe, Payton, eu não quis interrompê-la no meio do seu negócio importante. — ele disse com aquele tom de zombaria. Decidindo que era melhor voltar para os negócios como de costume, ignorando J.D., Payton voltou sua atenção para o grupo de homens que tinha chegado. Ela reconheceu imediatamente Jasper das fotos dele que tinha encontrado na internet enquanto pesquisava sua empresa e o processo. Ela estendeu a mão se apresentando. — Payton Kendall. É muito bom conhecer você, Jasper. — ela disse calorosamente. Com um aperto de mão firme, ela cumprimentou os outros membros da equipe da Gibson - Robert, Trevor, e Charles - certificando-se de olhar cada homem diretamente nos olhos. — Eu espero que você não tenha esperado muito tempo, Srta. Kendall. — disse Jasper. — Foi culpa de Charlie aqui, quantos golpes você tomou naquele último buraco? — ele virou-se para Charles, que era claramente o membro mais jovem da equipe de julgamento. — Quatorze? Quinze? — Eu não sou muito um jogador de golfe. — Charles admitiu à Payton. Ela gostou dele instantaneamente. — Eu também sou meio que uma principiante. — ela sorriu. Então ela se virou para Jasper. — E, por favor, me chame de Payton. — Como um dos meus favoritos quarterbacks. — Jasper sorriu. — Apenas com um a, em vez de um e. E um pouco menos jardas de passagem. — disse Payton. Porra, agora ela já tinha explodido uma das três míseras referências esportivas que ela conhecia nos primeiros dois minutos. 23

Polo pony, perfume masculino, Ralph Lauren.


Jasper riu. — Ligeiramente menos jardas de passagem - eu gosto disso. — ele se virou para J.D., apontando para Payton. — Onde você estava escondendo essa garota, J.D.? Felizmente, J.D. foi salvo de engasgar em quaisquer palavras educadas que esperavam que ele retribuísse, pela anfitriã, que apareceu e pediu para acompanhar o grupo para a mesa deles. Uma vez sentado, o grupo tagarelava através das preliminares do jantar de negócios padrão: Jasper e os outros já tinham vindo à Chicago antes? Onde eles estavam hospedados? Payton e J.D. eram de Chicago? Eles atingiram apenas o menor solavanco na estrada quando Trevor, conselheiro geral da Gibson, perguntou à Payton se ela morava no mesmo bairro que J.D. e ela percebeu que apesar de ter trabalhado com ele durante os últimos oito anos, ela não tinha absolutamente nenhuma ideia de onde ele morava. Na verdade, ela praticamente não sabia nada sobre a vida fora do trabalho do J.D.. Supondo que ele tinha uma, de qualquer jeito. Payton disfarçou a pergunta, contando para Trevor, em vez disso, de como Chicago era uma cidade relativamente pequena, o quão perto tudo era, etc, etc. Ela viu J.D. olhando para ela com o canto dos olhos, enquanto falava com Robert, chefe do departamento de litígio da Gibson. Presumivelmente, ele ouviu-a dizer o seu nome para Trevor e estava se certificando se não tinha sido dito em vão. Felizmente, nenhuma outra pergunta surgiu durante o jantar, que requereria algo pessoal relacionado com J.D.. Quando as entradas chegaram, Payton começou a falar sobre a empresa e os pontos fortes do seu grupo de litígios. J.D. juntou-se, destacando algumas das vitórias judiciais recentes do grupo, quando Jasper o interrompeu com um gesto impaciente com o seu copo de uísque. — Eu sei tudo sobre as realizações da sua empresa, Jameson. É por isso que Ripley & Davis é uma das três empresas que estamos considerando. Os sucessos da sua firma são o que me trouxeram aqui a esta mesa esta noite. Mas meu entendimento é que vocês dois. — ele apontou para J.D. e Payton. — Serão


os líderes desta equipe de julgamento, se a sua empresa for escolhida para cuidar do caso. Então, eu quero saber mais sobre vocês. — Claro, Jasper. Eu ficaria feliz em falar sobre meu... Jasper o cortou. — Não de você, Jameson. Tenho certeza que você e Payton, ambos prepararam pequenos discursos bonitos que podem balbuciar sobre si mesmos. Mas não é assim que eu gosto de fazer as coisas. — ele se virou para Payton, comandando. — Senhorita Kendall, por que você não me diz o que há de tão especial sobre o J.D.? Payton quase engasgou com o vinho que estava tomando. Claramente, ela precisava de um momento antes de responder. — Bem, Jasper... — ela limpou a garganta. Aham. Aham. — Uau - há tantas coisas que eu poderia dizer sobre J.D. Bem... por onde devo começar? Ela estava protelando. E, enquanto fazia isso, Payton podia ver através da mesa, onde J.D. estava sentado. Quando ela hesitou, ele olhou para baixo e mexeu desconfortavelmente com os talheres de prata. Sentindo quatro pares de olhos sobre ela enquanto o pessoal da Gibson esperava,

Payton

rapidamente

forçou-se

a

pensar:

O

que

uma

pessoa objetiva diria sobre J.D.? — Veja, Jasper, a coisa sobre J.D. é... — Payton tentou comprar um outro momento. Qual era “a coisa” sobre J.D.? Ela trabalhava com ele há oito anos, e de muitas maneiras, ela o conhecia melhor do que ninguém. E, em muitos aspectos, ela não o conhecia. Seja objetiva, disse a si mesma. J.D. era... Ele era bom. Realmente bom. Não leve a mal, ele ainda era um idiota. Mas ele era um idiota que foi conduzido. Como Payton sabia muito bem, J.D. estava em seu escritório todas as manhãs às 7h:00 da manhã, e tanto quanto ela pode não querer admitir, seu trabalho valia a pena. Nos últimos oito anos, ele havia realizado


uma quantidade enorme para um advogado da sua idade. Laney estava certa, ele era inteligente e talentoso. Ele era uma ameaça. E se ela fosse honesta consigo mesma, esse era um dos principais motivos pelo qual ela não gostava dele. Payton se virou para Jasper. — A coisa sobre o J.D. é que ele é um dos mais bem sucedidos advogados de ação coletiva nessa cidade, provavelmente até do país. Ele ganhou toda oposição à certificação de classe que ele processou nem uma vez uma classe foi atendida em um caso que ele tratou. Ele tem sido o principal advogado nos casos multimilionários das empresas da Fortune 50024 desde o seu sexto ano. Ele sabe as estratégias envolvidas na prática de ação coletiva melhor do que os advogados com o dobro da sua idade. Ele é brilhante no que faz. Payton se inclinou para frente em sua cadeira. — E aqui está a coisa, Jasper: sua empresa está sendo processada na maior ação de discriminação de classe já feita. Nenhum advogado lidou com um caso deste tipo e magnitude tanto quanto experiência, definitivamente, deve desempenhar um papel na sua decisão, não é a única coisa que importa. Você precisa de alguém com talento natural bruto. Alguém com os instintos jurídicos adequados, alguém que vai ser a sua melhor chance de atacar neste caso pelas razões de classe. Posso dizer-lhe isso em termos inequívocos - essa pessoa é J.D.. Payton recostou-se na cadeira quando ela terminou. Ela viu Jasper sorrir. Ele rodou o copo e inclinou a cabeça como se estivesse cuidadosamente absorvendo tudo o que ela tinha acabado de dizer. Então, um pouco constrangido por ter sido tão sincera em seu louvor, ela lançou um olhar sobre J.D. para ver a reação dele. Ele parecia sem palavras. Mesmo do outro lado da mesa, ela podia ver a expressão de choque no rosto de J.D.. Ela viu algo passar através dos seus olhos e sua expressão mudou quando ele segurou seu olhar. 24

Global Fortune 500 é uma classificação das 500 maiores corporações em todo o mundo, conforme

medido por sua receita. A lista é compilada e publicada anualmente pela revista Fortune.


Seu olhar fez Payton pausar. Porque ela se lembrou daquele olhar - ela tinha visto isso uma vez antes, há muito tempo. A voz de Jasper interrompeu. — Tudo bem, Payton. — disse ele. — Eu gosto do que eu ouvi até agora. Embora, eu suspeite que eu vá ouvir discursos similares de outras empresas que estamos entrevistando. — ele sorriu. — Mas na verdade, o seu foi muito bom. Payton arrastou seu olhar para longe de J.D. e sorriu para Jasper. — Por que você apenas não me conta quais as outras empresas que está considerando, e eu vou poupar o seu tempo. Posso dizer-lhe exatamente o que eles vão dizer. Melhor ainda, deixe-me adivinhar. — ela fez uma pausa, pensando nas outras duas empresas que eles provavelmente estavam pensando em entrevistar. — Baker e Lewis. — ela adivinhou. Jasper olhou para o conselho geral, necessitando de confirmação. Trevor assentiu. — E Sayer, Gray, e Jones. Trevor balançou a cabeça novamente. — Você conhece bem a sua concorrência. — Essas empresas são boas. — J.D. interrompeu. — Mas elas não são adequadas para o seu caso. — Por que? O que a sua empresa tem que eles não têm? — Jasper perguntou. — Além de taxas mais elevadas. — Robert brincou. Todos na mesa riram. Com exceção de J.D., que permaneceu sério. — Eles não têm Payton.


Jasper ficou confortável em sua cadeira. — Tudo bem, Jameson é a sua vez. Conte-me sobre a Srta. Kendall aqui. Payton prendeu a respiração, esperando que J.D. fosse tão justo quanto ela. Ele certamente pareceu muito confiante quando começou. — Payton estava sendo muito modesta há pouco, ao descrever sua necessidade de um advogado de ação coletiva experiente. Enquanto isso certamente é verdade, o que é tão importante, se não mais, é você contratar um especialista em matéria de discriminação no emprego. É de onde ela vem. — Eu tenho certeza que você viu o artigo sobre Payton no Chicago Lawyer. — J.D. continuou. — Então eu não preciso repetir tudo o que você já sabe sobre suas realizações significativas. Mas eu seria negligente se não assinalasse que, apesar do fato de que ela só tem 32 anos, Payton passou ao longo de quarenta casos de discriminação de emprego. Isso é mais do que muitos advogados passam durante toda a sua carreira. E sabe quantos desses casos ela ganhou? Cada um deles. J.D. pegou o seu copo. — Agora eu tenho certeza que Payton seria modesta sobre esses fatos; ela provavelmente diria que ela teve sorte de obter os casos que são vencedores. Mas a verdade é que ela tem um talento natural na sala de audiências. Ela tem instintos incríveis como advogada, e isso é exatamente o que sua empresa precisa, alguém que pode orientar a sua empresa através do processo de contencioso do início ao fim. — ele fez uma pausa. — Além disso, ela é uma mulher. Jasper levantou uma sobrancelha, como se não soubesse como reagir a isso. — Isso faz diferença? J.D. olhou através da mesa para Payton, que tinha estado ocupada tentando parecer como se ela o ouvisse dizer isso sobre ela todos os dias. — Payton? — ele disse, indicando que ela deveria conduzir até lá. Ela sabia exatamente para onde isso estava indo. — J.D. está certo, Jasper. Sua empresa está sendo processada por discriminação de gênero. 1.8 milhões de mulheres afirmam que sua empresa não dá a mínima em tratá-las de


forma justa. A imprensa vai ter um dia de campo. E se você ficar na frente de um júri com uma equipe de tribunal de homens, você vai perder este caso. Enquanto ela falava, Payton batia o dedo na mesa, destacando sua seriedade. — Você precisa de uma mulher para ser a cara da sua empresa. Você ganha credibilidade instantânea, se você tiver uma mulher argumentando que você não discrimina. — E confie em mim, Jasper. — J.D. intrometeu. — Eu vi Payton quando ela argumenta. Ela é uma força a ser reconhecida. Enquanto Jasper ria bem-humorado, Trevor saltou. — Eu tenho uma pergunta. — ele apontou entre J.D. e Payton, como se quisesse dizer que ele não era enganado. — Quantas vezes vocês dois já fizeram essa rotina de vocês? Isso é muito bom. J.D. balançou a cabeça. — Não há rotina aqui. Com Payton e eu, o que você vê é o que você recebe. — Sem fantasia juridiquês e sem rodeios. — Jasper concordou. — Agora eu gosto. — com um sorriso, ele ergueu o copo num brinde. — Para a melhor jogada que eu ouvi até agora. Sem brincadeira. Enquanto o grupo ria junto com Jasper, tilintando os copos num brinde, os olhos de Payton pegaram J.D. do outro lado da mesa. Com um sorriso sutil, ele ergueu o copo para ela. Ela assentiu com a cabeça de volta em reconhecimento. Naquele momento, pelo menos, eles compartilhavam o mesmo pensamento. Vitória. Se apenas a noite tivesse terminado ali.


Capítulo Seis

D

epois

do

jantar,

Jasper sugeriu que o grupo continuasse no térreo, na sala de estar do restaurante ao ar livre com vista para o Rio Chicago. — Eu não vou assinar qualquer papel ainda, mas eu acho que um charuto de comemoração poderia vir a calhar. — ele declarou. Payton disse ao grupo que iria encontrá-los lá fora e foi para o banheiro das mulheres. Ela não fumava charutos e agora não seria um bom momento para experimentar. Permaneceu por alguns minutos no banheiro, em seguida, parou no bar, pensando que poderia matar um pouco mais de tempo pedindo uma bebida. — Eu vou querer um copo de cabernet Silver Oak. — ela disse ao bartender. Ela já tinha bebido uma no jantar e algo mais forte poderia deixá-la embriagada. Enquanto esperava, se sentindo mais do que visível ali de pé, sozinha, uma mulher solitária no bar, ela acidentalmente chamou a atenção de um homem vestindo uma camisa de seda desabotoada quase até o umbigo. Oh, merda, ela imediatamente desviou o olhar, mas a fração de segundos do seu olhar, aparentemente, foi o incentivo que o Senhor Cabelo no Peito precisava. Ele fez o caminho mais curto em direção a ela. Payton não tinha escolha. Com um olhar relutante fingindo, ela balançou a cabeça. — Desculpe. — ela disse. — Lésbica. Cabelo no Peito levantou uma sobrancelha interessado, gostando do som disso.


Mais uma vez, Payton balançou a cabeça. — Não esse tipo. Desapontado,

Cabelo

no

Peito

foi

para

conquistas

mais

promissoras. Payton tomou um gole do vinho que o bartender colocou diante dela. Ouviu uma voz familiar atrás dela, achando graça. — Lésbica? Payton se virou e viu J.D. parado lá. Talvez fosse o vinho. Talvez ela estivesse se aquecendo com o brilho do discurso deles de sucesso para Gibson. Talvez tenha sido a sua promessa a Laney para ser a “Nova Payton”, ou talvez fosse uma combinação de todas essas coisas. Mas Payton realmente se viu sorrindo para J.D. — É apenas uma desculpa, a coisa lésbica. — ela disse. J.D. se juntou a ela no bar. Ele gesticulou para pedir uma bebida enquanto Payton deu de ombros simulando inocência. — A menos que você conte aquela vez na faculdade. J.D. derrubou uma pilha de copos de shot que estavam próximos. Payton riu com sua reação. — Desculpe, Laney me mataria se soubesse que eu disse isso. J.D. fez se virou. — Foi com Laney? Payton deu uma gargalhada só de pensar. — Não, não. — ela explicou: — Eu estava brincando. Eu só quis dizer que Laney está sempre me dando sermões por dizer coisas como essa. — Oh. Certo. — J.D. assentiu enquanto ele jogou algumas notas no balcão pela sua bebida. Observando-o, Payton levantou a cabeça, curiosa. — O que você está fazendo aqui? J.D. se encostou contra o bar, depois de ter se recuperado do seu susto momentâneo.


— Bem, veja Payton, você e eu estamos aqui para argumentar sobre a Gibson’s, lembra? — ele falou isso como se se dirigisse a uma criança ou pessoa demente. — Acabamos de terminar o jantar e... — Não foi isso que eu quis dizer, espertinho. — Payton deu-lhe um olhar. — Eu quis dizer por que você está aqui dentro como eu, em vez de fumar charutos lá fora com Jasper e os outros meninos? — ela colocou ênfase na última palavra zombando. — Bem, eu percebi que Jasper e os outros meninos. — ele enfatizou a palavra, também... — Poderiam ficar bem sem mim por alguns minutos. Eu não quero que você fique aqui sozinha. Vendo seu olhar de surpresa, ele encolheu os ombros com indiferença. — Mas eu posso ir. — ele apontou para o Senhor Cabelo no Peito no bar. — Talvez você gostaria de um minuto para ver se ele vai voltar e pedir o seu número? — ele e Payton viram enquanto o Cabeludo levava seu umbigo quase nu para uma outra pobre mulher desavisada. J.D. balançou a cabeça tristemente. — Uh-oh, olha isso... que pena. Vocês dois pareciam tão fofos juntos. Payton revirou os olhos. — Você sabe, J.D.... — ela estava prestes a dizer algo sarcástico, provavelmente algo que incluiria um palavrão ou dois, quando a mulher do outro lado de Payton se inclinou. — Desculpe-me, você poderia deslizar para o lado? — a mulher apontou para o espaço aberto entre Payton e J.D.. Payton olhou em volta e notou que o fluxo em volta do bar havia aumentado. Sem opção, ela se aproximou de J.D.. — Você estava prestes a dizer alguma coisa? — J.D. a lembrou. Cruzando os braços sobre o peito, preparando-se para o insulto esperado. Mas em vez de morder a isca, Payton se lembrou da sua promessa, e a coisa toda da “Nova Payton”. Maldita Laney e a sua coisa de “vamos ser legais com as pessoas”. Será que J.D. realmente deve contar como pessoa, de qualquer maneira?


Payton decidiu – que inferno – dê uma chance a isso. Dessa forma, quando J.D. fosse um idiota, ela poderia dar de ombros, pode-se dizer que ela tentou, e continuar com os negócios como de costume. Odiando-o. O problema foi realmente conseguir algo que não fosse um insulto para dizer ao J.D., Payton se sentia uma idiota, parada ali, então ela deixou escapar a primeira coisa que veio à mente. — Então, hum, o que eu ia dizer era... como foi o seu jogo de golfe? Você teve um bom jogo?

***

Bem. J.D. certamente não esperava que ela dissesse isso. Algo assim... inofensivo. Até mesmo, agradável. Ele olhou para baixo, para Payton, pego de surpresa pelo tom da sua voz. Ou melhor, o fato de que não havia um. — Foi... agradável. — J.D. fez uma pausa. — Obrigado. — então, ele a olhou, curioso sobre algo. — Você sabe, eu estou realmente surpreso por você nunca ter aprendido a jogar. — Por que? Porque todo mundo que é alguém joga golfe? — ela perguntou sarcasticamente. J.D. balançou a cabeça. — Não, porque eu acho que você, em especial, gostaria do jogo. Você parece que gosta de um desafio. Payton inclinou a cabeça, estudando-o. Ela parecia estar tentando decidir se ele quis dizer aquilo como uma crítica ou elogio. Ele não estava tão certo disso.


Um olhar de incerteza nublou seus olhos azuis escuros. — Você realmente falou sério aquelas coisas que você disse? — de repente, ela perguntou a ele. — As coisas que você disse aos representantes da Gibson no jantar? — E você? — J.D. disparou de volta. Payton balançou a cabeça quando a pergunta voltou, como se ela esperasse que ele dissesse exatamente aquilo. Foi nesse momento que alguém entrou entre ela e a mulher que estava do outro lado de Payton, encurralando-a ainda mais. Abrindo espaço, ela se aproximou mais de J.D., de modo que agora estavam a apenas alguns centímetros de distância. Por alguma razão, ocorreulhe então que, em quase oito anos, esta era provavelmente a conversa mais longa que ele e Payton tiveram sem envolver algum tipo de debate político/social/relacionado com o trabalho. E isso certamente foi o mais próximo, em termos de proximidade física, que já tinham estado. Ela era linda. J.D. sabia disso, ele sempre soube, só porque ela era uma cápsula de defesa argumentativa não significava que ele não poderia ver que ela era linda. Ele normalmente não gostava de loiras, mas ela tinha o cabelo liso loiro escuro, do tipo de Jennifer Aniston. Tinha profundos olhos azuis expressivos que mostravam todas as emoções (aparentemente raiva e/ou aborrecimento governava o dia, pelo que ele poderia dizer) e, o que J.D. tinha acabado de notar - a primeira dispersão de sardas no nariz - se ela fosse qualquer outra pessoa - ele teria descrito como “bonita”. Payton olhou para ele e abriu a boca como se quisesse dizer alguma coisa. Então ela pareceu mudar de ideia. — Sim, eu falei sério. — ela disse, quase desafiadoramente. — Você é um advogado muito bom J.D., eu estaria mentindo se eu tivesse dito a Jasper e aos outros qualquer outra coisa. Ela olhou para ele incisivamente. — Agora é a sua vez de dizer algo agradável. J.D. tentou esconder seu sorriso. — Bem, eu suponho que eu poderia dizer que este restaurante serve o melhor tônico com vodca na cidade...


— Não foi isso que eu quis dizer. J.D. olhou para ela com toda a seriedade. — Você sabe que é uma grande advogada, Payton. Você não precisa me fazer dizer isso. — aí está. Bem. Ele havia dito isso. E agora? Este era um território novo para eles. Ele se mexeu nervosamente. Então ele viu os cantos dos olhos de Payton enrugarem em diversão. — O que? — ele perguntou, ficando imediatamente na defensiva. — Há algo engraçado sobre o que eu disse? Payton balançou a cabeça, estudando-o. — Não, é que... eu notei que seu nariz está queimado de sol do golfe. — e ela fixou aqueles olhos azuis profundos nos dele. Era o jeito que ela estava olhando para ele. Realmente olhando para ele. J.D. nunca iria admitir isso para outra alma, mas ele sabia o que estava pensando naquele momento. Eram os olhos dela. Não, o sorriso dela, ela nunca sorriu para ele. Pelo menos não genuinamente, de qualquer maneira. Normalmente, J.D. era muito hábil em ler a linguagem corporal feminina. Conhecer mulher não era exatamente um problema para ele. Ele era um cara bonito, realmente sabia como se vestir, tinha um grande trabalho, e vinha de uma família muito rica. Não estava se vangloriando, apenas indicando os fatos. Se qualquer uma dessas coisas importava, era um debate para outra pessoa. Exceto pela parte em saber como se vestir, isso é. Ele tinha muito orgulho do seu traje. Era chamado de antiquado (algo que ela sempre parecia ter contra ele), mas ele achava que havia uma certa falta de civilidade em sua geração. O que tinha acontecido nos dias de hoje que os homens usavam paletós para o jantar? Quando mulheres carregavam carteiras e enchiam de pó os seus


narizes? (E não, cheirar cocaína em um vaso sanitário no banheiro das mulheres não bastava aqui.) Pelo menos Payton parecia concordar implicitamente com ele neste ponto. Mais uma vez, não cavando na coisa argumentativa, defensiva, mas a mulher sempre estava bem vestida. J.D. suspeitava que ela fazia questão disso quase como se ela estivesse tentando provar alguma coisa. Apesar de que ele não soubesse para quem ela estava tentando provar alguma coisa. Porque Payton Kendall certamente tinha um jeito nela que impressionava quase todos. Não que ele tivesse notado especialmente os cortes retos das suas saias, ou a forma das suas pernas naqueles saltos de sete centímetros que ela usava aqui e no tribunal. Ele nem havia notado o fato de que, hoje à noite, sua camisa estava desabotoada até o ponto de posso-dar-uma-espiada? De repente, sentindo o quão quente estava no restaurante, J.D. chegou até a afrouxar a gravata. Então lembrou-se que ele não estava usando uma. Talvez seria melhor parar com os tônicos com vodca. Recompondo-se, J.D. tentou fazer uma cara impassível e indiferente quando olhou para Payton. Ele não sabia que tipo de jogo ela estava jogando ao ser amigável com ele e tudo, mas ele não estava disposto a ser usado como um tolo. Payton inclinou a cabeça com o seu silêncio. — Tem alguma coisa errada? J.D. tentou pensar em algo que ele normalmente diria, algo que recuperasse o controle dele. — Está tudo bem. — ele garantiu, para que não houvesse qualquer dúvida sobre isso. — Eu só estava me perguntando se as suas colegas feministas aprovariam você usar a sua sexualidade como isca. Payton se afastou. — Perdão? Ela parecia chateada. Bom - isso ele sabia.


J.D. apontou para o decote em V posso-dar-uma-espiada da sua camisa. — Pensando em mostrar as meninas essa noite para nós? É assim que você pretende impressionar os executivos da Gibson’s? Ele lamentou as palavras no momento em que saíram de sua boca. Ele viu o flash de dor nos olhos de Payton, mas ela rapidamente desviou o olhar para encobri-lo. Quando ela se virou para ele, seu olhar estava gelado. — Estamos pedindo para a Gibson nos dar vinte milhões de dólares em taxas legais. — disse ela friamente. — Se você acha que meus peitos estão entrando nesse negócio, então eles devem ser ainda mais espetaculares do que eu pensava. Agora, se me der licença... — ela passou por ele com pressa. J.D. tentou impedi-la. — Payton, espera. Eu não quis dizer... — Bem, aí estão vocês! Estávamos começando a nos perguntar o que aconteceu com vocês dois! Payton e J.D. se viraram ao som da voz de Jasper. Payton rapidamente recuperou a compostura. — Jasper, nós estávamos indo nos juntar a vocês. — ela disse calmamente. — Você salvou um desses charutos para mim? — com a cabeça erguida, ela seguiu Jasper para se juntar aos outros homens no terraço. Ela não olhou nem uma vez para J.D. o resto da noite.

***

Durante a volta para casa, o humor de Payton estava suave. Cansada e perdida em pensamentos, ela mal percebeu que o táxi tinha parado, chegando ao seu destino, até que o motorista olhou por cima da partição e perguntou se havia algum outro lugar que ela queria ir. Depois de pagar a tarifa rapidamente, apressou-se em subir os degraus da frente da pitoresca casa germinada de dois


andares que ela tinha comprado e reformou há três anos. Era um lugar aconchegante, nada extravagante, mas a hipoteca estava em seu orçamento e o lugar estava a uma curta distância do “L”. O mais importante, era tudo dela. Para ela, casa própria era a estabilidade e o investimento, e não sobre a moda de bairros quentes pela qual paga alguém paga um prêmio. Payton entrou, jogou as chaves sobre a mesa ao lado da porta da frente, e foi para seu quarto. Seus saltos clicaram no piso restaurado de carvalho. Ela não sabia por que deixou aquilo incomodá-la tanto, o que J.D. tinha dito. Sim, foi ofensivo ele insinuar que ela estava jogando sua sexualidade para seduzir os representantes da Gibson. O comentário foi inesperado, ela nunca tinha feito nada pouco profissional para merecer tal ataque a seu caráter. Mas o que a incomodava ainda mais era o fato de que ela tinha sido pega completamente despreparada para o insulto. Normalmente ela tinha a guarda erguida em torno de J.D., mas esta noite ela pensou que eles estavam se dando bem, ou pelo menos, que eles estavam tolerando um ao outro, que tinham pendurado as luvas de boxe por esta noite, com o espírito de trabalho em conjunto. Rapaz, ela estava errada sobre isso. Havia um espelho oval de corpo inteiro que estava no canto do seu quarto, uma antiguidade que tinha herdado de sua avó. Antes de tirar suas roupas, Payton fez uma pausa diante do espelho. Ela passou conscientemente os dedos pelo decote da sua camisa nos botões para baixo. Não era tão decotado, não é? Ela parou ali e olhou desafiadoramente no espelho. Para o inferno com ele.

***


De sua parte, J.D. não estava exatamente em um clima de comemoração quando chegou em casa, também. Mais e mais, sua mente percorria o mesmo debate. Ele poderia ligar para ela, pedir desculpas. Ela iria desligar na cara dele, sem dúvida. E por que deveria se preocupar, afinal? Então ela estava chateada com ele... grande surpresa. Ela vive chateada com ele. Na verdade, ele provavelmente tinha ganho a noite, com o que ele disse. Com seu comentário, sozinho, tinha lhe dado troncos legítimos para abastecer seu fogo. Mas mesmo assim. Ele tinha cruzado a linha. Ao longo dos anos os dois tinham trocado inúmeras farpas e insultos, mas sabia que tinha ido longe demais naquela noite. Então J.D. resolveu em sua mente. Ele iria ligar para ela. Ele procurou o telefone de Payton no diretório da empresa. Essa certamente foi uma noite de estreias para eles, tudo começando com as coisas de cortesia que eles tinham dito um sobre o outro para Jasper. E agora ele ia ligar para ela? Eles nunca tinham falado ao telefone antes, fora do trabalho. Suspirando para si mesmo, não gostando desta tarefa que estava prestes a realizar, J.D. pegou o telefone. Foi então que lhe ocorreu que ele estava prestes a ligar para Payton em casa. Tentou imaginá-la em seu... apartamento? Condomínio? Casa? Ele se perguntou como deveria ser o lugar onde ela morava. Então, ele se questionou por que estava imaginando isso. Mera curiosidade, J.D. se assegurou.


Imaginou seu lugar sendo um pouco... plebeu. Essa provavelmente não era a maneira mais politicamente correta dizer. Qual tipo de expressão liberal preferem hoje em dia? Granola25? Orgânico? Na realidade, porém, Payton não era nenhuma dessas coisas. Na verdade, se ela nunca falasse, poderia achar que ela era bastante normal. Em seguida, um segundo pensamento de repente ocorreu a J.D.. Talvez ela não morasse sozinha. Ele deveria saber coisas como esta, não deveria? Ele deveria pelo menos saber o básico, ter alguma curiosidade de como era a vida dela quando não estava ocupada sendo ela. Percebendo que ele estava enrolando, tentando evitar pedir desculpas à Payton, J.D. pegou o telefone. Ele estava prestes a discar o número dela quando percebeu que tinha uma nova mensagem. Ele digitou o código para acessar seu correio de voz, em seguida, ouviu uma voz familiar quando a mensagem começou a tocar. — J.D., é seu pai. Eu pensei em verificar e ver se não existe alguma novidade sobre a parceria. Eu estou supondo que não, caso contrário, teríamos ficado sabendo por você já. — houve um forte suspiro desapontado. — Acho que se você não conseguir isso, eu posso sempre ligar para minha antiga empresa. Mas talvez você me surpreenda uma vez, filho. Embora - sem ofensa - aposto à sua mãe uma nova pele que você vai me ligar para salvá-lo até o final do mês, haha. E aquela mulher realmente não precisa de outro casaco de pele. Quando J.D. ouviu o sinal sonoro, indicando o fim da mensagem do seu pai, ele desligou o telefone. Sentou na poltrona de couro na sala de estar, olhando para fora das janelas e sua vista deslumbrante sobre a cidade durante a noite, mas sem ver.

25

Tipo Hippie.


Depois de um longo momento, ele colocou o receptor do telefone no gancho. Essa coisa com Payton era uma distração. E ele certamente não precisava de nenhuma distração no momento. Seria melhor se ele a tirasse da sua mente completamente. Ele simplesmente precisava permanecer na linha pelo resto do mês, fazendo tudo exatamente como tinha feito nos últimos oito anos. Talvez, fosse bom que Payton lhe desse o tratamento de silêncio. Ah, e se bastasse só isso, ele deveria ter sido um bastardo rude anos atrás. Talvez agora, ele finalmente tenha um pouco de paz no trabalho. Não haveria mais irritação com a jogada de cabelo, sem mais olhares encobertos de você-é-um-idiota-J.D., sem mais discussões secretas nos corredores por trás das agendas feministas e de direita. Eram coisas que J.D. certamente não iria sentir falta. De modo nenhum.


Capítulo Sete

E

u

encontrei o cara perfeito para você. Payton mal olhou para cima enquanto Laney entrava em seu escritório e se jogava em um dos assentos na frente da sua mesa. — Hmm, isso é bom. — disse Payton distraidamente. — Podemos falar sobre isso em... — ela olhou para o relógio. — Três semanas? — deixando de lado as questões da sociedade, ela tem um julgamento marcado para começar em dois dias. — Estou animada com isso, Payton. Não estrague o momento com sarcasmo. — Oh, bem, então. — Payton empurrou para o lado o monte de arquivos em sua mesa com um grande floreio. — Certamente, continue. Laney olhou para ela incisivamente. — Carreira ou não, uma mulher solteira de trinta anos não pode negligenciar sua vida pessoal para sempre. — Desculpe Laney, você está certa. Eu tinha esquecido que tinha viajado de volta no tempo para 1950. Outro olhar de Laney. — Posso continuar? — Será que o Sr. Perfeito tem um nome? — Chase.


— E o que torna o perfeito Chase tão perfeito? — Payton perguntou. Laney se inclinou para frente, ansiosa para compartilhar os detalhes. — Ele esteve na fraternidade de Nate na graduação. — ela começou, referindo-se ao marido. — Ele só se mudou para cá há algumas semanas. Ele é um advogado, também, e você vai adorar isso, ele faz trabalho voluntário no Chicago Legal Clinic26. Ele foi para Harvard Law School, foi presidente tanto da Harvard Law, da ACLU27 e na Harvard Law Advocates for Human Rights28. Payton levantou uma sobrancelha cética. — Harvard Law School? — ela já conheceu um graduado na Harward Law, e já foi demais. Laney levantou a mão. — Eu verifiquei. Ele foi para lá com bolsa de estudos e pagou com empréstimos estudantis. E ele é bonito, também. Nate e eu o convidamos para o jantar na última noite, e eu sutilmente soube que ele está querendo encontrar alguém. — Como foi que você soube disso? — Perguntei se ele estava querendo encontrar alguém. — Isso é sutil. — Payton balançou a cabeça. — Vocês, pessoas casadas estão sempre tentando arranjar os solteiros. Laney quase pulou da cadeira. — Isso foi exatamente o que ele disse! Percebe, vocês dois são perfeitos um para o outro. — ela parou deliberadamente. — Então? Devo dizer a ele para ligar a você?

26

Chicago Legal Clinic: é uma provedora de qualidade baseada na comunidade serviços jurídicos para os

carentes e desfavorecidos na área de Chicago. 27

ACLU (American Civil Liberties Union): é uma ONG norte-americana sediada na cidade de Nova Iorque

cuja missão é "defender e preservar os direitos e liberdades individuais garantidas a cada pessoa neste país pela Constituição e leis dos Estados Unidos". 28

Núcleo de prática estudantil de Harvard, dedicada a Direitos Humanos.


O momento não era exatamente o melhor, mas Payton achou o entusiasmo de sua amiga difícil de resistir. E o Perfeito Chase soava um tanto promissor. Impulsionado pela carreira. Interessado em política. Apaixonado por suas crenças. É verdade, estas eram todas as coisas que ela acha atraentes em um homem. E certamente não seria válido usar sua boa aparência contra ele. — Ok. — Payton concordou. — Diga a ele para me ligar. — Bom. Porque eu já lhe dei seu número. Payton ponderou sobre as coisas. — Harward Law, hein. — ela não podia evitar; olhou no outro lado do corredor para o escritório de J.D. Eles não tinham se falado desde a noite da apresentação para Gibson. Ao longo dos últimos dias, na medida do possível, ela tinha evitado andar pelo escritório de J.D. e vinha utilizando as escadas internas para todos os percursos com menos de cinco andares (normalmente dois para cima, três para baixo eram os limites em saltos), a fim de minimizar o risco de ficar presa no elevador com ele. Porque no que lhe dizia respeito, ela estava acabada com J.D.. Não significa que ela já tivesse começado algo com J.D, é claro. Na forma que ela via isso, ela se abriu na outra noite no restaurante. Ela tinha feito uma tentativa de ser simpática e para dizer o mínimo, ele não tinha correspondido. Ela se permitiu ser pega de surpresa, ficar momentaneamente vulnerável na frente dele, e não iria cometer esse erro novamente. E agora ela só queria esquecer a coisa toda. Tinha sido um pensamento tolo, de qualquer maneira, ela pensar que poderiam se dar bem. Pelo menos a apresentação da Gibson estava acabada, colocando um fim, apesar de talvez, temporariamente, no trabalho deles juntos. E se a empresa de fato aceitasse Gibson como um cliente, ela e J.D. provavelmente seriam sócios no momento em que começassem a trabalhar no caso e iriam encontrar alguma forma com a equipe para que se encontrassem tão pouco quanto possível.


Claro, havia essa pequena parte dela, pequenininha, mais ínfima parte dela, que estava desapontada com J.D. por não pedir desculpas. De qualquer modo, ele parecia estar evitando-a também, e Payton não conseguia entender. Ela pode ter seus defeitos, mas pelo menos ela confessava seus erros. Ele, aparentemente, não se sentia da mesma maneira. A menos que ele não achasse que tinha cometido um erro, e nesse caso ela tinha problemas ainda maiores com ele. Não que ela perdesse algum tempo pensando sobre essas coisas. Payton voltou sua atenção para Laney, que já estava pensando no futuro em onde deveria ser seu primeiro encontro com o Perfeito Chase. — Deve ter bebidas, e não café. — Laney estava dizendo. — Excesso de cafeína te deixa agitada. Payton olhou, ofendida por isso. — Agitada? Elas foram interrompidas por uma batida na porta, e Irma enfiou a cabeça para dentro do escritório. — Sua mãe está na minha linha. Devo transferi-la para você? — Porque é que a minha mãe está na sua linha? Irma pigarreou sem jeito. — Ela disse que estava pensando em mim e, hum, queria discutir algo antes que eu transferisse para você. — Sobre o que ela queria falar com você? — Payton perguntou. — Ela queria perguntar se eu já havia considerado a tentativa de sindicalizar o secretariado pessoal.


Payton revirou os olhos. Sua mãe tinha discorrido sobre a rotina de Norma Rae29 para ela um milhão de vezes. Aparentemente Irma era a sua mais recente vítima. Payton acenou para Laney, que já estava saindo, e disse à Irma para transferir sua mãe. Ela pegou o telefone, preparando-se. — Oi, mamãe. — Ei, Sis30. — veio o cumprimento familiar da sua mãe. Na mente de Lex Kendall (anteriormente Alexandra, mas o nome era muito burguês), todas as mulheres eram irmãs sob a mesma lua. — Como está a minha garota? — perguntou Lex. — Tudo bem, mamãe. Eu ouvi de Irma que você está tentando reunir as tropas contra os homens. — Veja, eu sabia que você iria ficar toda tensa se eu ligasse para ela. — Ainda assim, você fez isso. — Eu apenas pensei que ela e os outros trabalhadores na sua empresa pudessem querer saber que eles têm direitos. Nem todo mundo aí tem um salário de seis dígitos, Payton. Payton suspirou. Sua mãe era a única pessoa que ela conhecia que ficava desapontada por seu filho ser bem sucedido financeiramente. — Irma poderia entrar em um monte de problemas, se a pessoa errada ouvisse sua conversa e a

29

Norma Rae: (mesmo título no Brasil e em Portugal) é um filme estadunidense de 1979, do gênero

drama biográfico, dirigido por Martin Ritt. Conta a história de Norma Rae, uma mãe solteira de dois filhos e que vive com os pais que também são operários da fábrica e Reuben, sindicalista, que acabam amigos e ele passa a influenciá-la para que se engaje na luta sindical. Mesmo admirando Reuben, Norma Rae se casa com o operário Sonny Webster que a ama mas fica inseguro quando ela se filia à entidade de classe e começa a passar muito tempo com o sindicalista. 30

Abreviação de Sister, irmã.


compreendesse errado. Você esqueceu que eu trabalho como advogada trabalhista. — Não, eu não me esqueci. — disse sua mãe, como se tivesse recordando algum crime hediondo que sua única filha havia cometido anos atrás. E na mente de Lex Kendall, o pecado de Payton era notório, de fato. Ela havia se tornado uma yuppie31. Payton tinha sido criada para "viver e pensar livremente", um sentimento que parecia grande em teoria, mas, como ela descobriu muito nova, na verdade, significava que ela deveria "viver e pensar livremente", exatamente do jeito que sua mãe dissesse a ela. Bonecas Barbie eram sexistas. ("Olhe para a expressão vaga, Payton Barbies não se preocupam com outra coisa senão fazer compras”). Contos de fadas - na verdade, a maioria da literatura infantil - eram também machistas. ("Olha a mensagem nestes livros ilustrados, Payton - que beleza é a única qualidade importante de uma mulher"). Mesmo os filmes da Disney eram os inimigos. ("Eu sei que a mãe de Lisa a deixa assistir Cinderela, Payton. Lisa não tem, obviamente, nenhum problema em ensinar a sua filha que as mulheres devem esperar passivamente por um homem para trazer sentido às suas vidas pateticamente solitárias"). Sim, Lex Kendall tinha um motivo para protestar contra quase tudo. Não que Payton não concordasse com os princípios de sua mãe. Ela estava de acordo com alguns deles, mas não com a mesma intensidade. Por exemplo, ela era absolutamente contra as pessoas usando casacos de pele. O que 31

Yuppie: é uma derivação da sigla "YUP", expressão inglesa que significa "Young Urban Professional",

ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais, geralmente com formação universitária, entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Ocasionalmente o termo é utilizado com certa carga pejorativa, como um rótulo, um estereótipo, tanto em países de língua inglesa (nos EUA, por exemplo, onde a expressão surgiu) quanto também no Brasil ou em Portugal.


significava que ela, pessoalmente, não usaria um. Isso não significava que ela ficaria fora da Gucci, na Avenida Michigan, jogando baldes de tinta vermelha em clientes que saíam de lá. (Ah, sim, sua mãe fez isso, várias vezes, de fato, e tinha até duas vezes ido para a cadeia por seus esforços artísticos renegados, necessitando que a jovem Payton passasse várias noites com seus avós.) Aos olhos da sua mãe, Payton sabia, ela tinha se vendido. Na verdade, quando Lex descobriu que Payton havia planejado defender a Corporate America32 como parte no seu escritório de advocacia, ela se recusou a falar com a filha por duas semanas consecutivas. Ah... Payton ainda lembrava dessas duas semanas com carinho. Tinham sido as mais pacíficas 336 horas de sua vida. — Posso te ligar de volta mais tarde, esta noite, quando eu chegar em casa? — ela perguntou à sua mãe. — Estou muito ocupada esses dias. — Com a coisa da sociedade. — sua mãe disse em um tom que era, na melhor das hipóteses, desinteressado. — Sim, a coisa da sociedade. — Payton reprimiu a vontade de dizer mais alguma coisa. Era realmente difícil para as pessoas entenderem o que ela estava passando? Será que ninguém entendia a quantidade de estresse que estava sobre ela? — Você não precisa me ligar de volta. — sua mãe lhe disse. — Eu posso ouvir a tensão em sua voz. Você continua fazendo yoga? Você provavelmente precisa liberar seus chacras33.

32

33

Corporações que fazem grandes negócios. Chacras: Chacras ou xacras, também conhecidos pela grafia chakras' ' segundo a filosofia iogue,

centros energéticos dentro do corpo humano, que distribuem a energia (prana) através de canais (nadis) que nutre órgãos e sistemas.


Payton colocou a cabeça sobre a mesa. Sim, é claro, a tensão em sua voz não tinha nada a ver com o fato de que ela não tirava férias há quase quatro anos. O problema era que seus chacras não estavam liberados. Ela podia ouvir sua mãe divagar no telefone que segurava na mão. — ...falamos mais quando eu vier para a cidade no final deste mês. Neste momento, Payton saltou de volta à vida. — Você vem para Chicago? — Steven planeja visitar Sarah e Jess em LA no Dia dos Pais. — disse sua mãe, referindo-se às duas meias-irmãs de Payton. — Eu pensei em ir à Chicago para que pudéssemos passar o fim de semana juntas. Payton olhou para o calendário. Ela tinha estado tão ocupada que ela esqueceu completamente sobre o feriado próximo. E, apesar do começo difícil da conversa, de repente, ela sentiu uma onda de afeição pela mãe. Lex Kendall poderia ser uma mulher difícil, sem dúvida, mas ela jamais permitiu que Payton passasse um Dia dos Pais sozinha, nem mesmo depois que ela e seu marido Steven haviam se casado e se mudado para San Francisco vários anos atrás. Embora elas nunca tivessem discutido abertamente, Payton sabia que era a tentativa da sua mãe de compensar o fato de que Payton não tinha notícias do seu pai em anos. — Eu gostaria, mamãe. — disse Payton. Elas discutiram brevemente o que elas poderiam fazer nesse fim de semana. Mantendo os dedos cruzados, Payton esperava que pudesse ter algumas boas notícias para compartilhar até lá. Depois de alguns momentos de conversa, Payton viu outra linha chamando. Através da porta de vidro do seu escritório, ela observou enquanto Irma interceptou a chamada, balançou a cabeça, em seguida, levantou-se e sinalizou por sua atenção. Payton finalizou a chamada com sua mãe, sentindo que era algo importante. — O que é? — ela perguntou quando Irma entrou pela sua porta.


— Era a secretária de Ben, Marie. Ele quer vê-la em seu escritório. — Irma abaixou sua voz. — Marie diz que ela o ouviu no telefone no início desta manhã, com Tom Hillman da Comissão de Parceria. Ouviu-o dizer a Tom que ele queria dar a você e J.D. as notícias mais cedo. Payton sentiu um arrepio de excitação percorrê-la. Era isso. Com um leve sorriso no rosto, Payton levantou-se da mesa e agradeceu à Irma pela mensagem. Então ela saiu para ir ao escritório de Ben.


Capítulo Oito

Q

uando

Payton

chegou ao escritório de Ben, ela encontrou J.D. sozinho, sentado na frente da mesa do sócio. Ele estava de costas para a porta, sem saber que ela estava ali. Ela percebeu que sua perna chacoalhava enquanto esperava. Ela limpou a garganta e J.D. imediatamente parou de chacoalhar as pernas e observou-a sentar na cadeira ao lado dele. — Ben não está aqui ainda? — Payton perguntou friamente. J.D. balançou a cabeça. — Marie disse que ele chegaria em breve. Um silêncio constrangedor caiu entre eles. Payton olhou ao redor da sala. De repente, ela ficou muito consciente das suas mãos. Resolveu encostar seus braços nos braços da cadeira, depois parou, em seguida, dobrou as mãos no colo. Mais silêncio. E, em seguida... Ainda mais silêncio. — É esse trabalho, você sabe. Payton estava olhando para a janela. Ela virou a cabeça para J.D.. — Nós discutimos com as pessoas, é isso o que fazemos. Nós encontramos estratégias contra eles, tentando obter a vantagem sempre. Às


vezes acho que é difícil lidar com isso. — ele virou-se para Payton e olhou-a diretamente nos olhos. — Eu fui muito rude com você no restaurante. Devo-lhe um pedido de desculpas. Pega de surpresa, Payton não disse nada a princípio. Direto e sem vacilar, J.D. sustentou seu olhar. Ele realmente tinha os olhos azuis mais surpreendentes que ela já tinha visto. Payton não tinha ideia por que acabou de pensar nisso. Ela assentiu com a cabeça. — Ok. J.D. parecia ter se preparado para algo muito pior. — Ok. — ele disse. Payton pensou que teria ouvido J.D. exalar com certo alívio. Então ele sorriu genuinamente. — Então... você sabe por que estamos aqui? — Eu tenho um palpite. — disse Payton. J.D. se inclinou para frente em sua cadeira e seus olhos brilharam com entusiasmo. — Qual é a primeira coisa que você vai fazer quando se tornar sócia? Payton hesitou, ainda sentindo-se supersticiosa. Então ela pensou inferno - por que não aproveitar o momento? Ambos sabiam por que tinham sido chamados à sala de Ben. — Dormir. — ela disse. — Durante uma semana. J.D. riu. — E não ouvir correio de voz. — Ou ler qualquer e-mail. — Nem no BlackBerry.


— Nem por qualquer aparelho de telefone celular. — Nem pelo laptop. — J.D. disse com uma piscadela, sabendo que não havia nenhuma maneira dela superar isso. Payton pensou por um momento. — Na verdade, eu acho que vou pegar algumas semanas de folga. Eu gostaria de viajar. — Para onde? — J.D. perguntou. — Bora Bora. — disse firme. — Para Bora Bora? Payton deu de ombros. — Eu não sei. Apenas soa como um lugar que eu gostaria de ir. J.D. sorriu, e ocorreu à Payton que ela estava apenas falando sobre Bora Bora, quando alguém como J.D. provavelmente tinha ido passar as férias em lugares que nem em toda sua vida ela poderia conhecer. Inferno, provavelmente seus empregados deviam ir a lugares como esses passar férias. Ela deve ter soado ridícula para ele. Mas se ele achou isso, não disse nada. — Bora Bora... parece muito bom. — ele concordou, indo para trás em sua cadeira. Em seguida, ele novamente lançou outro olhar para ela. — Sabe Payton, agora que tudo isso vai acabar, eu estava esperando que pudéssemos deixar de lado nossas d... Naquele momento, Ben entrou em seu escritório. Ele se sentou em sua mesa. — Desculpe fazer vocês esperarem. — disse. — Meu almoço foi até mais tarde do que eu esperava. Ben sentou-se na cadeira com mãos apoiadas firmemente sobre sua mesa. — Então... tenho uma ótima notícia. Jasper Conroy me ligou esta manhã. Ele escolheu a nossa empresa para representar a Gibson. Ele me disse


que ficou muito impressionado com os dois. Eu sabia que ele ia querer os dois. — ele fez uma pausa. — O que me leva a uma outra notícia. Payton prendeu a respiração. Com o canto dos olhos, ela viu J.D. ir alguns centímetros à frente em seu assento. — É importante dizer que ambos estão conscientes que a empresa tomará sua decisão da sociedade no final deste mês. — disse Ben. — A política da Comissão de Parceria tem sido sempre sigilosa e é suposto que ninguém vaze informações antecipadas sobre as decisões. Mas, à luz do desempenho exemplar de vocês e desenvoltura no projeto da Gibson, o caso é que de fato, vocês desempenharam um trabalho brilhante. Construíram a carreira aqui e eu acho que vocês ganharam o direito de saber com um pouco de antecedência. Eu sei como vocês esperaram ansiosamente por isso. O coração de Payton começou a correr. Merda. Estava realmente acontecendo Ben pigarreou. — E é por isso que o que eu estou a ponto de dizer vai ser uma surpresa. Payton piscou. Surpresa? Essa não era a palavra que ela queria ouvir naquele momento. — Vocês dois estão cientes do processo de denúncia de discriminação de idade da EEOC contra Gray e Dallas. — disse Ben, referindo-se a outro dos principais escritórios de advocacia da cidade. — E como vocês sabem, uma das reivindicações da ação judicial é que a empresa valorize os parceiros mais velhos em favor dos mais jovens. Ben olhou para Payton para obter ajuda. — Você é uma advogada trabalhista. Você sabe o quanto todas as outras empresas nesta cidade acompanharam esse caso. Inclusive nós. Payton lhe respondeu com cautela. — Eu estou familiarizada com o caso, Ben. O que eu estou tentando descobrir é como ele tem alguma coisa a ver comigo e J.D..


Ben escolheu suas palavras com cuidado. — O Comitê de Parceria decidiu que precisamos nos organizar estrategicamente a fim de evitar denúncias semelhantes às da EEOC. Nós simplesmente não podemos nos dar ao luxo de ter muitos parceiros mais novos de quarenta anos. Agora, é óbvio que não vamos tirar as ações de qualquer um que já é parceiro... assim, não ocorrerão cortes no número de associados que se tornaram sócios este ano. O maxilar de J.D. cerrou. — Você ainda não respondeu à pergunta de Payton. O que isso tem a ver com a gente? Ben fez uma pausa para olhar para cada um deles. — Nós decidimos permanecer apenas com um sócio de litígio este ano. Só um de vocês irá permanecer nisso. Foi como se todo o ar tivesse sido sugado para fora da sala. Apenas um deles. Ela ou ele. Payton finalmente falou. — Isso é uma piada? Ben balançou a cabeça. — Receio que não. Vocês têm sorte de estarem ouvindo isso de mim agora. — ele apontou para si mesmo, como se esperasse gratidão. — Eu insisti nisso. Eu queria dar pelo menos um aviso ao que não vai conseguir. — Então a decisão não foi tomada ainda? — J.D. perguntou com seu tom um pouco incrédulo. Ben, o bastardo arrogante, na verdade teve a audácia de rir. Ele estendeu as mãos diante dele. — O que posso dizer? Vocês dois são bons. Vocês não têm ideia do quanto isso é difícil para nós. Difícil para vocês? Payton quase pulou da cadeira e estrangulou Ben. J.D. parecia nada menos que furioso. Ele olhou para Ben friamente. — Isso é besteira. Na semana passada você praticamente prometeu que Payton e eu estávamos ambos na sociedade.


Ben deu de ombros, com muito desdém na mente de Payton. Afinal, esta conversa era sobre a vida dela, carreira, assim como a de J.D.. — Então, só enfeitei um pouco. — Ben admitiu com um sorriso de satisfação. — Somos advogados, é o que fazemos. — Muito conveniente você nos dizer isso depois de acabar o caso da Gibson. — disse Payton. — Você nos usou, Ben. Ben levantou um dedo. — Tecnicamente eu só usei um de vocês. Porque um de vocês ainda vai ser sócio, e essa pessoa vai liderar a equipe de julgamento da Gibson, como prometido. Quanto ao outro... — ele parou incisivamente. Payton não precisava que Ben terminasse. Ela, como qualquer outro advogado lá, sabia sobre “Tudo ou nada” na política da empresa. Associados que não viravam sócios, eram rapidamente retirados dos seus casos e tinham um prazo de carência curto para “voluntariamente” demitir-se e encontrar outro emprego. — Eu sei que esta notícia provavelmente vem como um choque para vocês dois. — disse Ben. — E isso é extremamente lamentável. As circunstâncias levaram as coisas acabarem desta maneira, mas é a decisão do Comitê de Parceria. Quero enfatizar, entretanto, que a escolha entre os dois ainda não foi feita. Vai acontecer no último momento. Então, para valer a pena, eu incito cada um de vocês a darem tudo o que podem nestas próximas semanas. Payton resistiu ao impulso de rir amargamente com isso. Dar tudo o que ela tem? O que mais ela poderia dar? Um rim? Seu primogênito? Ela olhou para J.D. sentado ao lado dela. Ele a olhou e encontrou seu olhar e Payton podia dizer pelo olhar em seus olhos, que compartilhavam o mesmo pensamento. Apenas um deles continuaria. Depois de oito anos de prática, eles eram agora verdadeiramente adversários.


***

J.D. conseguiu manter uma expressão de indiferença durante toda a caminhada de volta. Quando ele chegou ao seu escritório, entrou, fechou a porta atrás dele, e imediatamente começou a andar. Ele estava tendo problemas para pensar claramente. Ele se sentou em sua mesa, ignorando a luz do seu telefone piscando, indicando o recebimento de uma nova chamada. Meros 10 minutos atrás, enquanto estava sentado no escritório de Ben e brincando com Payton, ele teria colocado suas chances de virar sócio em 99,99%. De repente, essa chance despencou para 50%. No melhor dos casos. Ele tinha sido despedaçado. Por um lado, querendo gritar com Ben, querendo dizer para ele que era um cagão e por outro lado consciente do fato de que a decisão ainda não havia sido tomada. Definitivamente ele tinha o que perder e precisaria agir para tornar-se sócio. Ele sentiu-se pressionado para continuar a jogar, para continuar sendo o bom advogado que era. Mas a verdade da questão é que ele não podia acreditar que isso estava acontecendo. Através do vidro em sua porta J.D. podia ver Payton correndo em seu escritório. Ele percebeu que assim como ele, ela também imediatamente fechou a porta transtornada. Isso não deu nenhum consolo, o fato dela ter obviamente ficado tão atordoada com a notícia de Ben quanto ele. Depois de oito anos, tinham finalmente chegado a isso. Ele contra ela. O

zumbido

do

telefone,

momentaneamente J.D. se assustou.

sua

secretária

estava

ligando

e


— Sim, Kathy. — ele respondeu em um tom cortante, vivo. Precisava de alguns momentos a sós para pensar. — Desculpe incomodá-lo, J.D.. — a voz de Kathy veio pelo viva voz. — Chuck Werner pediu para você ligar para ele o mais breve possível para discutir a agenda dos depoimentos da próxima semana. J.D. fechou os olhos, esfregando ambos com força. Sentiu uma dor de cabeça chegando e não estava com bom humor para lidar com o seu conselheiro oponente. — Obrigado, Kathy. Eu vou retornar para ele. — E outra coisa... — Kathy acrescentou rapidamente, parecendo sentir a sua vontade de desligar o telefone. — Seu pai ligou e me pediu para dar-lhe um recado. Ele disse que você entenderia. — ela falou devagar, confusa com a mensagem. — Ele disse para falar que ele ouviu que a empresa estava fazendo um anúncio hoje e queria saber se sua mãe ganhou um novo casaco de pele. J.D. fechou os olhos. A dor de cabeça de repente ficou muito pior.

***

Payton encostou-se na porta do seu escritório com os olhos fechados. Ela lentamente respirou para dentro e para fora, tentando se firmar. Ela estava em seu escritório há cinco segundos quando o seu telefone começou a tocar. Ela tentou ignorá-lo. Então sua segunda linha tocou. Payton abriu os olhos e foi até sua mesa. Olhando por cima do seu computador, viu que ela tinha vinte e cinco novas mensagens de e-mail. Houve uma batida na porta. Sem hesitar, Irma enfiou a cabeça para dentro do escritório.


— Oh, bem, eu pensei que você estivesse aqui. O Sr. McKane está aguardando na linha um e Eric Riley esperando por você na linha dois. Ele quer falar sobre o julgamento de Middleton. Payton não conseguia respirar. Ela sentia como se as paredes estivessem se fechando em torno dela. A terceira chamada entrou e o toque do seu telefone parecia ensurdecedor. Ela precisava sair. Agora. Ela passou por Irma dizendo: — Diga a todos que eu vou ligar de volta. Eu... Tenho que cuidar de algo. Um assunto urgente. Com isso, ela andou com pressa em direção aos elevadores.

***

O 55° andar alojava a biblioteca jurídica da empresa. Com tetos iguais ao de uma grande catedral, sendo iluminada por vitrais, a grandeza da biblioteca convinha com uma era diferente. Não era mais uma época em que advogados consultavam livros para suas informações. Nos dias de hoje a internet era onde ocorriam pesquisas online. Era raro encontrar uma alma viva entre os elegantes móveis de mogno da biblioteca, nas estantes de economia. Para Ripley & Davis, a bibliotecária solitária chamada Agnes, tinha sido contratada pela empresa desde a sua criação. Quase seis anos atrás, era possível se perder ao olhar para o lado das prateleiras de contabilidade. Payton tinha topado com a biblioteca de direito (que nem era incluída na nova turnê dos associados) e tinha encontrado ali a sua paz. Era um oásis de serenidade em meio ao caos e agitação de outros andares da empresa.


Na verdade, era praticamente o único lugar em todo o edifício que um associado poderia escapar sem ser chamado, incomodado, ou qualquer outra forma de perseguição dos sócios tentando falar sobre emergências às 16:00 horas em uma tarde de sexta-feira. Ela estava sempre utilizando a biblioteca para tais fins. Ela só poderia supor que a biblioteca seria um ótimo lugar para se esconder, passando despercebida. Payton invadiu a biblioteca aliviada ao ver que ela estava vazia como sempre. Ela se apressou passando pela mesa da bibliotecária em rota para o seu local favorito para pensar: As prateleiras com os arquivos no canto extremo da biblioteca. — Olá, Agnes. — ela disse educadamente. Agnes se virou ao som da voz de Payton. Oitenta anos se passaram e a visão da bibliotecária não era mais a mesma. Ela sorriu e acenou na direção errada, dirigindo-se ao ar. — Olá Srta. Kendall! — Agnes gritou. — Veio para praticar outra declaração de julgamento? — era a desculpa que Payton lhe dera anos atrás, para explicar o que ela fazia enquanto passeava sozinha entre as prateleiras da biblioteca. — Não vou demorar muito hoje. — Payton disse por cima do ombro. Ela só precisava de um ou dois minutos para se recompor. A notícia de Ben tinha vindo como um choque. Toda a sua raiva estava borbulhando até a superfície e se ela não tivesse um momento para se acalmar, ela ia explodir. Payton foi para a seção dos Arquivos, e quando virou a esquina com segurança, fora da vista de outras pessoas, ela parou. Ela encostou-se nas estantes e respirou fundo. E novamente. Acalme-se, ela disse a si mesma. Não era o fim do mundo. Ainda. Ela ainda teria uma chance de se tornar sócia.


Oh, inferno. Antes que ela pudesse deter, lágrimas de frustração brotaram de seus olhos. Ela olhou para o teto. Não, não, não, ela não faria isso. Não aqui, não agora. Foi nesse momento que Payton ouviu Agnes saudar alguém. Ela olhou através das estantes e viu - Merda - J.D., de pé na entrada da biblioteca. Payton viu quando ele se dirigiu até a mesa de Agnes, dizendo algo que ela não conseguiu ouvir. Payton olhou ao redor esperando encontrar outra saída das pilhas de prateleiras. Ela realmente não

podia

lidar

com

J.D.

logo

em

seguida. Infelizmente, não havia outra saída. Espiando através dos livros, ela viu Agnes apontando para a seção onde ela estava. J.D. balançou a cabeça em agradecimento e começou a andar em linha reta em direção a ela. Payton rapidamente afastou as lágrimas dos seus olhos, rezando para que o rímel não estivesse borrado. Ela precisava se recompor rápido. Ela viu uma escadinha próxima e subiu. Ela pegou o primeiro livro que viu na prateleira e abriu logo que J.D. dobrou a esquina. — Payton. — ele disse. Ela fingiu desinteresse, levantando os olhos do livro. — Fazendo uma pequena pesquisa, J.D.? — Claro que não. — ele falou. — E nem você. Segui você até aqui. — ele olhou em volta. — Estranho... Eu pensei que este era um andar de contabilidade. Payton desceu a escadinha, ainda esforçando-se para continuar indiferente. — Você me seguiu até aqui? Alguma razão em especial? J.D. parecia embaraçado com a pergunta. — Eu vi você correr para fora do seu escritório. Depois do nosso encontro com Ben, eu pensei que talvez você, também... — ele parou sem jeito. Grande Payton. Exatamente o que ela precisava. Da pena de J.D.. De repente, ela sentiu as lágrimas ameaçando mais uma vez.


— Eu estou bem. — disse Payton, virando de costas para ele. — Realmente estou bem. Ela sentiu a mão de J.D. em seu ombro. — Não faça isso, Payton. — ele disse em uma voz suave. Era demais ouvir J.D. falar assim. Ela precisava fazê-lo parar. Obrigou-se a parecer indiferente quando se virou. — O que você quer J.D.? Porque eu pensei que talvez você pudesse, por uma vez, simplesmente recuar. O rosto de J.D. endureceu com as palavras dela, que infelizmente saíram mais duras do que ela queria. Ele se afastou e cruzou os braços sobre o peito. — Bem, alguém parece um pouco tensa. Você não estaria preocupada com esta decisão, não é? Payton fingiu confiança. — Não. — Não? Ela ergueu o queixo teimosamente. — Não. Um olhar de preocupação cruzou o rosto de J.D.. — Você já sabe. — afirmou. — Você sabe que eles vão escolher você. — Eu sei que se a empresa decidir por mérito, eles vão me escolher. — disse Payton. J.D. reduziu a diferença entre eles em um só passo. — Você realmente acha que você é muito melhor do que eu? Payton manteve sua posição. — Sim. Os olhos dele se estreitaram. — Por favor, se a empresa escolher você, nós dois sabemos o motivo. Payton sorriu para isso. — Que motivo é esse? Meus seios? J.D. encolheu os ombros. — Você disse isso.


— Mentira. — disse Payton. — Você, Ben, e praticamente todos os outros homens nesta empresa são todos uma grande equipe. Todos foram para a mesma escola da Ivy League34. Vocês são todos membros do mesmo clube do país. E diga-me J.D., quantos amigos do seu papai CEO você prometeu que traria como clientes? Aposto que os membros da Comissão de Parceria devem estar muito animados. Só pensando no dinheiro que você vai trazer com suas conexões. Ou conexões do seu pai, eu diria. Ela estava sendo cruel e sabia disso. Mas Payton não conseguia impedir que as comportas se abrissem e todas as emoções dos últimos 20 minutos fossem derramadas. Ela viu nos olhos de J.D. um flash de raiva. — Oh, mas e sobre o que mais você pode dar a eles, Payton? — Isso deve ser bom. Esclareça-me. — Diversidade. Se eles escolherem você, o Comitê de Parceria pode garantir diversidade na contratação. Com uma batida forte, Payton jogou o livro que ela estava segurando na prateleira ao lado dela. Poeira voou por toda parte, inclusive na manga do terno de J.D.. — Diversidade? — ela repetiu incrédula. — Por que você não olha em volta desta empresa e veja que todo mundo aqui é assim como você J.D.. Branco com um pênis. Ignorando isso, J.D. apontou para a poeira em sua manga. — Acalme-se cupcake. Este terno foi feito à mão, costurado em Londres. — Oh desculpe. Eu acho que você vai ter que comprar outro na próxima vez que você visitar Sua Majestade para o chá. Ou ela não é mais uma amiga da família? — irada, Payton empurrou J.D. do seu caminho e saiu pelas estantes.

34

É um grupo de oito universidades privadas do Nordeste dos Estados Unidos da América, entre elas,

Harvard e Columbia.


J.D. seguiu atrás dela. — Você está dizendo que eu não mereço isso? — ele perguntou. — Eu trabalhei mais de 2900 horas nos últimos oito anos. Payton se virou. — Eu também! E a única diferença entre você e eu é que as estatísticas dizem que é mais provável você ficar. A empresa não se preocupa que um dia você vai decidir querer sair às cinco para dar um beij0 de boa noite nas suas crianças. J.D. se aproximou dela. Em seguida, mais perto de novo, literalmente prendendo-a contra as estantes. — Poupe-me do seu discurso feminista Payton. Está ficando um pouco cansativo. Eu tive que trabalhar pra caramba para chegar onde estou, enquanto você, teve o seu bilhete premiado garantido a partir do momento em que você entrou nesta empresa. Payton sentiu seu rosto corar de raiva. — Sério? Bem, você sabe o que eu penso, J.D.? — ela cutucou o peito dele com um de seus dedos. — Eu acho que você é um grande imbecil, dono-de-pony35, miserável-em-dar-amor, só-bebedor-de-Scotch-no-gelo,

minha-esposa-fica-melhor-com-meu-

sobrenome idiota machista! J.D. agarrou a mão dela e puxou-a. — Bem, pelo menos eu não sou um teimoso, irritante, motorista-de-Prius, com-ombreiras-no-terno, que -‘ficar-emcasa’-com-a-mãe-é-uma-ofensa à sua feminazi36. Ele a tinha pressionada contra as estantes, o corpo dele contra o dela, com a mão presa ao seu lado quando ele olhou para ela. Ela olhou de volta. Ele estava furioso. Ela também. Nenhum dos dois se moveu. E nesse momento, o mais estranho pensamento veio à cabeça de Payton. 35

Perfume Rauph Laures, Polo.

36

Militante feminista, fanática, com ideais extremistas. Costuma ser misândrica, de forma velada ou

explícita. Também conhecida como Feminazista.


Ela tinha a sensação de que J.D. ia beijá-la. E, ainda mais estranho, ela tinha a sensação de que queria. J.D. deve ter lido a expressão em seu rosto. Payton viu os olhos dele piscarem, mas não de raiva neste momento, e ela sentiu a mão dele de repente chegar na sua nuca, seus braços e puxando-a pela cintura com força, a cabeça dele inclinando-se para ela e mesmo que ela tivesse xingando-o por pensar que ela alguma vez permitiria isso, ela fechou os olhos, abriu os lábios e... — Com licença. O choque da voz bateu em Payton como um balde de água fria. Ela piscou como se estivesse saindo de um nevoeiro, e tanto ela como J.D. viraram a cabeça para ver Agnes de pé no final do corredor, acenando para eles. Payton só podia imaginar como isso parecia, os dois com olhares selvagens e pressionados um contra o outro. Ou a bibliotecária era amável, ou extremamente discreta ou, mais provavelmente, dado aos óculos fundo de garrafa situados no alto de seu nariz, extremamente cega. Ela sorriu para eles, enquanto ficava ali, congelada. — Eu só queria lembrá-los que vamos fechar em 10 minutos. — ela disse agradavelmente. —

Obrigada,

Agnes.

Payton

falou.

Sua

respiração

estava

irregular. Talvez, se eles não se mexessem, a octogenária não poderia vêlos. Como se fosse um tiranossauro rex. — Vamos ficar apenas mais um minuto. — disse J.D.. Sua voz soava rouca. Sexy. Payton não tinha ideia por que acabou de pensar nisso. Agnes balançou a cabeça. Assim que ela estava fora de vista, Payton empurrou J.D. dela, com raiva.


— Fique longe de mim, Jameson. — ela disse com a voz ainda um pouco insegura. Ela limpou a garganta e esperava que não estivesse corando. J.D. se levantou e ajeitou o terno com indiferença. — Não é um problema. Na verdade, será um prazer. — com um aceno de cabeça, ele saiu do seu caminho. Payton passou por ele, com os olhos para frente. Mas quando ela chegou ao final do corredor, se virou e olhou para trás. — Ah, e à propósito. — ela jogou os cabelos para trás fatalmente... — Essa vaga na sociedade é minha. J.D. a olhou. — Não aposte seu carro nisso. — com uma piscadela arrogante, ele passou por ela e friamente saiu da biblioteca.

***

Insanidade temporária. Essa era a sua defesa. O estresse de descobrir que ela poderia não se tornar sócia, tinha momentaneamente a feito se perder, todos os muros, caíram. Sem mencionar a o mal-estar da alta altitude. Seu corpo simplesmente não estava acostumado com os níveis mais baixos de oxigênio do 55° andar. Mas tudo tinha passado agora. Payton felizmente estava mais uma vez lúcida e focada. Ela havia chegado tão longe, não perderia agora. Ela não deixaria que estes últimos oito anos, todos fossem para nada. Em outras palavras: Isso era guerra.


Ela ligou para Laney, durante a volta para casa, de táxi. Ela contou tudo a sua melhor amiga. Tudo sobre seu encontro com Ben, isto é, sobre a decisão do Comitê de Parceria de ficar apenas um sócio de litígio. Ela não viu, entretanto, nenhum ponto em comentar sobre a discussão com J.D.. O que quer que tenha sido

aquela

explosão,

estava

acabada. Ela

tinha

uma

carreira,

uma

potencialmente em risco, precisava se concentrar. No final da conversa, Payton olhou o correio de voz e descobriu, em grata surpresa, que ela tinha uma mensagem do Perfeito Chase, pedindo para encontrá-la para uma bebida mais tarde essa semana. Payton decidiu conhecê-lo. Ela precisava da distração. No momento em que ela chegou em casa, conseguiu convencer-se de que a única coisa que ela precisava era se distrair do trabalho.

***

J.D. Foi a última pessoa a sair do escritório naquela noite. Cerca de vinte minutos atrás, ele olhou por cima do seu computador e viu Payton arrumando sua bolsa para ir. Ela não tinha olhado nenhuma vez na direção do seu escritório, enquanto ia embora. Bom, J.D. pensou. Ele preferia quando eles não estavam se falando. As coisas eram muito mais simples quando eles não estavam se falando. Ele ainda não tinha entendido por qual motivo seguiu Payton para a biblioteca em primeiro lugar. Claramente, isso tinha sido um erro. Fique longe de mim, Jameson. Como se ele já tivesse tido qualquer intenção contrária. Claro, a discussão deles na biblioteca tinha ficado um pouco fora de controle. E houve aquele momento em que... bem, aquilo não foi nada. E ainda mais importante, à luz da


reação dela, ele, definitivamente, não estaria interessado em tentar nada de novo. Ele, J.D. Jameson, poderia facilmente ter encontros mais amigáveis para desviar sua atenção do que aquela megera com raiva. Ah, e à propósito... essa vaga na sociedade é minha. Hmm... vamos pensar sobre isso. Ele era um dos melhores advogados da cidade, ela mesma havia dito. Ele deveria ficar com medo? Ele jogaria a toalha, lançaria oito anos de trabalho duro para o ralo e cederia a parceria, tudo por causa de uma mulher equipada de saia e saltos altos? Muito improvável.


Capítulo Nove

P

ayton

chegou

ao

restaurante com 10 minutos de atraso. Ela culpou principalmente Laney, que tinha micro gerenciado o encontro desde que Payton tinha falado com Perfeito Chase e marcado há dois dias. Felizmente, Laney tinha aprovado sua escolha do local, Sushisamba Rio, que era chique (“nada de feminismo, Payton, deixe-o pagar”), embora não abertamente chamativo (“mas não peça nada mais caro do que vinte e cinco dólares, você não quer parecer como uma vadia materialista”) e tinha uma sala de estar e de jantar separadas. Desta forma, Payton percebeu, ela e Chase iriam começar com bebidas e, se as coisas corressem bem, poderiam ficar para o jantar. Agora, qualquer um que já esteve em um encontro às cegas está bem familiarizado com “O Momento”. Aquele momento em que você entra no bar ou restaurante ou lanchonete e verifica a multidão e de repente o seu coração para e você diz para si mesma: oh, por favor que seja ele. E então você pensa imediatamente, espere - não pode ser ele, por que qualquer um que se parece com ele estaria em um encontro às cegas? Mas você se permite esperar de qualquer maneira, até-que-inevitavelmente-uma-mulherigualmente-linda volta da sala de descanso e senta-se à sua mesa, e você percebe - sorte sua - seu encontro está no bar com uma camisa azul brega de botão e calça cáqui de cintura alta que, obviamente, acabou de terminar seu turno no Blockbuster37.

37

Foi a maior rede de locadoras de filmes e vídeo games no mundo.


O que explica por que, quando Payton entrou primeiramente no restaurante naquela noite, ela imediatamente percebeu o cara no bar com a camisa escura e calça jeans, mas com a mesma rapidez voltou sua atenção para outros lugares, aquele parecia delicioso até demais. Não vendo outras perspectivas prováveis, Payton imaginou que o Perfeito Chase, no mínimo, que não era tão perfeito, chegaria ainda mais tarde do que ela, então ela sentou-se no bar para esperar. Ela ainda não tinha tido a chance de pedir quando sentiu alguém tocar-lhe no ombro por trás. Payton se virou e teve que reprimir seu suspiro. Doce Jesus. Era o delicioso na camisa escura e calça jeans. — Payton, certo? — o delicioso perguntou com um sorriso amigável. — Laney e Nate me ligaram e disseram o que você estava usando. Aquela menina pensa em tudo, não é? Uau. Laney - aquela sorrateira republicana - tinha superado as expectativas com esse aqui. Payton sorriu. — Você deve ser Chase. — quando ela estendeu a mão para cumprimentá-lo, aproveitou a oportunidade para dar-lhe uma olhada mais aprofundada. Ele tinha o cabelo ondulado escuro e olhos castanhos quentes. Muito Patrick Dempsey38/ estilo McDreamy39. Boa construção, não muito alto,

38

39

Um homem galã, o fofo, bom moço, inteligente, sensível, com um olhar meio perdido... o cara dos

seus sonhos, como o próprio nome já diz.


aproximadamente 1,80, mas desde que Payton media exatamente 1,60, ela poderia lidar com isso. Chase pegou a mão dela. Seu aperto era firme. — É um prazer, Payton. — ele disse, ainda com um sorriso fácil, absolutamente genuíno. Uh-oh. O radar besteira de Payton entrou em alerta máximo. Ele era muito bom. Ela olhou-o com cuidado, quando ele se sentou ao lado dela no bar. Mas enquanto eles conversavam e pediam bebidas, Payton começou a ter uma leve suspeita de que essa rotina de cara-simpático de Chase não era uma rotina de jeito nenhum. Ele parecia genuinamente simpático - ainda mais chocante para um encontro às cegas - completamente normal. — Então, Laney me disse que você é uma advogada também. — disse Chase enquanto o bartender colocava suas bebidas na frente deles, um Martini francês para ela, um Tom Collins para ele. Payton fez uma nota mental para perguntar o que tinha em sua bebida na próxima vez que eles pedissem. (Ah, sim, ela já havia decidido que haveria um segundo turno.) Payton assentiu. — Eu faço litígios trabalhistas e de emprego. — ela falou um pouco sobre a sua prática, em seguida, perguntou sobre a dele. — Eu acabei de me mudar para cá para ser o novo conselheiro geral do Chicago Legal Clinic. — disse Chase. — Talvez você já tenha ouvido falar de nós? Nós somos uma empresa privada, sem fins lucrativos, que presta serviços jurídicos a pessoas que atendem às diretrizes de pobreza federal. Payton ficou impressionada. Como ele era altruísta. Sua mãe iria adorar esse cara. — O conselho geral? Laney não tinha mencionado isso. Chase sorriu. — Parece uma posição muito mais importante do que realmente é. Em

sua

profissão,

era

raro

que

Payton

encontrasse

alguém

realmente pouco disposto a se gabar. Conforme a conversa continuou, ela ficou agradavelmente surpresa ao descobrir que Chase parecia tão modesto quanto


sobre as suas outras realizações. Quando chegaram ao tema da faculdade de direito (um assunto que dois advogados sempre vão tocar), gostou que ele se referiu à sua formação como “ir para a escola em Boston” ao invés de identificar Harvard pelo nome. E quando ela perguntou o que tinha feito antes de vir para Chicago para trabalhar para a Legal Clinic, ela quase teve que arrancar dele que ele tinha sido o principal assistente da equipe de um certo senador que tinha concorrido à presidência na última eleição. Ele não gostava de citar nomes, ele disse a ela, levemente envergonhado. Depois de um tempo, eles foram para uma mesa privada na parte de trás do bar para a sua segunda rodada de bebidas. (Um Tom Collins, Payton tinha aprendido desde então, consistia de gin, suco de limão, soda, açúcar, e hmm uma cereja marrasquino40). Quando Chase terminou de contar uma história sobre a liga de softball, que ele e o marido de Laney disputaram, Payton levantou a cabeça, curiosa. — Eu espero que você não leve a mal, mas você realmente não parece ser o típico estudante de Direito de Harvard. Chase riu bem humorado. — Isso é o que eu dizia a mim mesmo, todos os dias, mesmo quando eu enviei meu pedido de aceitação. — ele se inclinou em direção a ela, seus olhos castanhos dançando com diversão. — Laney me alertou sobre isso, Payton, e só para constar eu tenho que dizer que nem todos somos Ivy Leaguers totalmente idiotas. Alguns de nós realmente vai lá para aprender, não apenas para conseguir se gabar por ter ido para Harvard. Payton não podia deixar de sorrir. Ponto para você. — Agora, o que eu deveria dizer sobre isso? Eu odeio quando vocês meninos de Harvard estão certos. — Então eu prometo estragar tudo no nosso segundo encontro se houver um segundo encontro. — Chase acrescentou com uma piscadela. Foi a piscadela que fez Payton pensar em J.D..

40

É uma cereja preservada e adoçada, tipicamente feita com cerejas doces e de coloração clara.


Mais especificamente, nela e J.D. na biblioteca. A maneira arrogante que ele disse a ela para não ter esperanças de se tornar sócia. Quão zangado ele tinha ficado quando eles discutiram. O jeito que ele furiosamente a apoiou contra as estantes. E a maneira como ele olhou para ela logo antes dela ter ficado mal com a doença da alta altitude. Payton

empurrou

a

memória

da

sua

mente. Ela

estava

em

um encontro. Já era ruim o suficiente ela ter que lidar com J.D. no trabalho não havia nenhuma maneira de ela deixá-lo invadir seu tempo pessoal, também. Então Payton apoiou o queixo na mão e olhou para o belo homem sentado do outro lado da mesa dela, com um sorriso muito atraente. — Se houver um segundo encontro? — ela perguntou timidamente. Sobre a luz da vela que cintilava no centro da sua mesa, Chase voltou a sorrir. — Quando houver um segundo encontro.

***

— Então, basicamente, você agiu como uma prostituta total. — Laney! — Um homem não vai comprar a vaca, Payton, se ele puder beber o leite de graça. — Nós nem nos beijamos! — Payton protestou, sem se preocupar em esconder o riso. As coisas que saíam da boca da sua amiga, às vezes. Elas estavam conversando no trabalho, no escritório de Payton. Ela havia chegado em casa muito tarde para ligar para Laney na noite anterior, depois de três rodadas de bebidas com Perfeito Chase. Os dois haviam conversado tanto que não tinham notado quando a cozinha do restaurante fechou. Por isso,


Payton não comeu com suas três rodadas. Por isso, a leve dor de cabeça e sensação de náusea que ela tinha lutado desde que acordou. Ela foi rapidamente lembrada do por que ela não gosta de sair durante a semana, especialmente quando ela tinha que estar no escritório às 7h30 da manhã. — Espere, você não o beijou? — o tom de Laney mudou de repente e ela olhou desconfiada para Payton. — O que há de errado? Você não gosta dele? Payton vasculhou a pilha de instruções do júri em sua mesa. — Oh, olha quem quer fofocar agora. — Diga-me, Payton. — Laney exigiu. — Nate diz que Chase é um cara muito legal. Eu já tive visões de nós sete em churrascos aos domingos. — Nós sete? — Têm as crianças, é claro. Payton assentiu. — Eu entendo. E... sete? — Nate e eu teremos gêmeos, um menino e uma menina. — Claro que sim. Laney se mexia na cadeira, impaciente. — Então, vamos lá, você gostou dele? — Claro que eu gostei dele. — disse Payton. — Quer dizer, o que há para não gostar? Ele é bonito e agradável e bem sucedido... — Mas? — Bem, ele pediu uma bebida com uma cereja. Laney suspirou. — Eu entendo. Ok, que seja. Tentei. — O que significa isso? — perguntou Payton, na defensiva. — Claramente, você está tentando encontrar algo de errado nele. — disse Laney. — Sua escolha de bebida? Vamos lá, isso é ridículo.


Payton tinha problemas com isso. — Espere um segundo, por que eu iria tentar encontrar algo de errado com Chase? — Boa pergunta. Você me diz. — Não há nada para contar. Como já estabelecido no comentário ‘prostituta’, eu e ele vamos a um segundo encontro. — Eu estava apenas esperando que você realmente quisesse dar uma chance a esse cara. — Laney falou. — Eu te disse, eu gosto dele! — Bom. — Nós temos muito em comum, nós conversamos por horas. — Fico feliz em ouvir isso — Laney não disse mais nada; ela apenas olhou para Payton com o leve rastro de um sorriso. — Você está toda em cima de mim com isso. — disse Payton, um pouco irritada. — Eu sei. Estou realmente entediada com o trabalho nos últimos tempos. — Eu ficaria feliz em atribuir-lhe alguns dos meus casos, se você precisar de coisas para mantê-la ocupada. — Payton resmungou. — Como se qualquer advogado pudesse lidar com seus casos tão habilmente quanto você. — Laney recusou suavemente. Payton fungou com isso, parcialmente amolecida. Quanta verdade. — Vamos torcer para que o Comitê de Parceria concorde com você sobre isso. — disse ela. — Qualquer novidade sobre isso? — perguntou Laney. Payton balançou a cabeça. — Não. Só que Ben disse que J.D. e eu deveríamos dar tudo o que temos nessas próximas semanas. — ela apontou para


a pilha de arquivos em sua mesa. — Para começar, é melhor eu ganhar este julgamento. — ela suspirou, descansando o queixo nas mãos. — Eu não posso perder isso, Laney. — Você não vai. — disse Laney com naturalidade. — Você nunca perdeu nada. Payton olhou pela janela, para o escritório de J.D. do outro lado do corredor. Ela podia vê-lo trabalhando com afinco, como sempre. — Eu sei. E nem ele.

***

Pelos próximos dois dias, Payton teve pouco tempo para se preocupar com J.D., tão absorta nos últimos preparativos para o seu julgamento. Ela e Brandon, o colaborador júnior que trabalhava com ela no caso, ficavam em seu escritório desde o amanhecer até o anoitecer passando através do julgamento, para a seleção do júri, para alegações finais. O julgamento estava programado para durar apenas duas semanas, o que significava que seria, essencialmente, a última missão sobre a qual ela poderia ser julgada pelo Comitê de Parceria antes que eles tomassem a decisão. Uma vitória seria uma tremenda pena em seu boné; uma perda seria desastrosa. Payton sabia que J.D. também, tinha muito em seu prato. No seu almoço mensal com o grupo de litígio, ela ouviu-o falar para Max, um sócio sênior que “simplesmente aconteceu” de estar na Comissão de Parceria, que estava fazendo malabarismos com duas oposições de ações coletivas de certificação, das quais estava confiante que finalizaria com sucesso até o final do mês. Estando perto, Payton estava certa que o comentário de J.D. era para ela. Então ela virou-se para Helen, outra sócia sênior, que também “apenas acontecia” de estar na Comissão de Parceria, e disse que tinha ouvido falar que a


filha de Helen estava se candidatando para a faculdade de direito da Universidade de Illinois, a Universidade de Payton. — É uma escola maravilhosa, e um bom negócio para que o estado assuma as mensalidades. — disse Payton. Helen balançou a cabeça, concordando com isso. — Eu só estou mantendo meus dedos cruzados para ela entrar. Ela não foi tão bem no teste de admissão como esperava. — Eu ficaria feliz em escrever uma recomendação para a sua filha. — Payton ofereceu. Do nada, Laney estava de repente ao lado de Payton. — Você definitivamente deveria aceitar isso, Helen - eles adoram Payton naquela escola. Ela é muito modesta para lhe dizer isso, mas você sabia que Payton graduou-se como a primeira da classe e estabeleceu um novo recorde para os resultados mais perfeitos obtidos em exames finais por qualquer outro estudante? Payton poderia ter beijado Laney ali. —

Uau.

disse

Helen. Ela

se

virou

para

Payton. —

Estou impressionada. Talvez pudéssemos almoçar em algum momento desta semana, Payton? Poderíamos falar sobre essa recomendação para a minha filha. E, quem sabe? Talvez algum dia eu serei capaz de retribuir o favor... — ela piscou. Alguns momentos mais tarde, depois de Helen ir embora, J.D. passou por Payton e Laney. Ele bateu palmas sarcasticamente. — Boa jogada, senhoras. — J.D. olhou para Payton. — Mas eu não reservaria esse voo para Bora Bora, no entanto, Kendall. Vai custar muito mais do que o voto de uma fêmea no Comitê de Parceria para ganhar isso. — ele sorriu. — Eu já tinha admitido aquele voto para você, de qualquer maneira.


Com isso, ele virou-se e caminhou confiante para fora da sala de conferência. Payton e Laney assistindo-o sair. Laney balançou a cabeça. — Inacreditável. Payton assinalou. — Viu - eu te falei. — Esse homem tem uma bunda tão grande. — Laney! — O que? Sou conservadora, Payton, não cega.

***

Lá pelas cinco, início da noite antes do seu julgamento começar, Payton atingiu seu ponto de saturação. Ela havia preparado todos os seus direcionamentos e interrogatórios, tinha praticado seu discurso de abertura, revisto e anotado na deposição de transcrição de cada testemunha, e tinha cuidadosamente preparado as testemunhas do seu cliente para os seus testemunhos. Agora não havia mais nada para ela fazer a não ser aceitar o fato de que não havia mais nada para ela fazer. Não é uma tarefa fácil, considerando o que ela sentia que estava apostando no resultado deste julgamento. Ela precisava de uma distração. Deixada à sua própria sorte, ou ela a deixaria louca, se preocupando com minúcias insignificantes, ou começaria a ligar para Brandon com perguntas, deixando-o louco. Laney estava ocupada, Payton sabia. Hoje à noite, sem o conhecimento de Nate, sua amiga tinha preparado uma apresentação do PowerPoint para o seu marido, completo com gráficos de rendimento, análises de custo de vida, e uma projeção de fertilidade, logicamente detalhando todas as razões por que eles precisavam começar a tentar ter um bebê agora. E quanto aos seus outros amigos, Payton sabia melhor do que chamá-los, nada era mais irritante para um não advogado do que ficar preso com um na noite antes de um


julgamento. Cada frase tende a começar com: — Então, se você fosse um jurado neste caso, o que você pensaria se...? Havia, no entanto, alguém que seria a companhia perfeita para a noite. Ela pegou o telefone em sua mesa. — Oi. — ela disse quando ele atendeu. — Eu sei que está em cima da hora, mas eu pensei em ver se você está livre para jantar hoje à noite.

***

Uma hora mais tarde, Payton esperava no saguão do restaurante DeLaCosta. Ela conseguiu reservar uma mesa ao longo da janela, com vista para o canal. Ela sorriu quando Perfeito Chase entrou, parecendo muito arrojado em seu agasalho leve de verão e calças marrom escuro. Ele devolveu o sorriso quando ele tomou o assento à sua frente. — Desculpe, meu táxi ficou preso no trânsito. A garçonete se aproximou para anotar seu pedido. — Um Tom Collins. — Chase disse a ela. — Mas, por favor, certifique-se que não haja absolutamente nenhuma cereja nele. Payton quase morreu de vergonha ali. Oh meu Deus, ela ia matar Laney. Chase riu do olhar tímido no rosto de Payton. — Está tudo bem, Payton. Eu não fico ofendido facilmente. — ele estendeu a mão sobre a mesa e tomou a dela, acariciando levemente seu polegar nos seus dedos. — Estou feliz por você ter ligado. Payton relaxou. Era praticamente impossível não gostar de Chase. Ele era tão fácil de lidar, estar com ele era tão... confortável.


— Estou feliz que você pôde vir. — ela disse a ele. Depois de tudo, confortável era bom. Não era? A garçonete trouxe para Chase sua bebida - sem a cereja - e perguntou aos dois se eles gostariam de pedir aperitivos. Payton pediu um momento. Ela leu rapidamente o menu, de forma rápida à procura de coisas sem carne. Ela nunca se ansiava por isso em seu primeiro jantar com um cara; ela odiava parecer exigente. Ela viu Chase à espreita dela, aparentemente um pouco constrangido consigo mesmo. — Tendo em conta o fiasco da cereja, eu quase odeio dizer isso, mas eu devo avisá-la que eu sou vegetariano. Payton pousou seu cardápio sobre a mesa em descrença. — Eu também! — ela riu. Coincidência engraçada. — Há quanto tempo? — perguntou Chase. — Desde o nascimento. Obra de minha mãe. — Peixe? — Não. Nada com uma cara. — como minha mãe costumava dizer. — Nada com uma cara. — Chase repetiu. — Eu gosto disso. Depois que eles decidiram tentar aperitivos sem carne, Chase sinalizou para a garçonete e fizeram seu pedido. Enquanto Payton o olhava, não podia deixar de pensar: se ela tivesse o criado à La Weird Science41 no build-adate.com42, o tivesse embalado, embrulhado com um laço vermelho e enviado à

41

Filme de 1985, título traduzido no Brasil como Mulher Nota 1000, em que o protagonista constrói a

mulher dos seus sonhos. 42

Site norte-americano que organiza encontros conforme as suas preferências.


sua porta da frente, ela não poderia ter encontrado um cara aparentemente mais perfeito para ela do que Chase Bellamy. Então, por que havia algo a incomodando? Ela só estava de mau humor, se assegurou. Estava se sentindo ansiosa e sob pressão com a iminente decisão da sociedade. Nada mais. Ela ouviu Chase lhe fazer uma pergunta; ele queria saber sobre o seu julgamento. Ele disse que adoraria passar pelo tribunal um dia para vê-la. Payton deixou de lado suas dúvidas. Afinal, seria de fato uma mulher boba não gostar de um homem simplesmente porque ele gostava dela.


Capítulo Dez

T

udo

começou

inocentemente o bastante. Payton estava no segundo dia do seu julgamento, e as coisas estavam progredindo bem. Sua cliente, uma operadora de telefonia móvel do Fortune 500, foi processada por assédio sexual decorrente de um incidente que ocorreu em um dos seus escritórios de vendas. De acordo com a autora, uma representante de vendas do sexo feminino, havia aceitado uma carona do seu gerente do sexo masculino, após o cruzeiro anual da empresa e depois de estacionar em sua garagem, o gerente tinha - por assim dizer - feito uma proposta sexual a ela. Ou - pode-se talvez também dizer - ele abriu a braguilha e perguntou se ela queria “fazer um teste-drive na sua vara do amor”. Que o incidente tivesse ocorrido ou não, não estava em discussão, pois a autora tinha sido inteligente o bastante para tirar uma foto da referida vara do amor com seu celular, que agora era conhecida como “Anexo A” do julgamento. — Demita o cara. — Payton havia aconselhado sua cliente, em termos inequívocos, quando o incidente veio à tona há pouco mais de um ano atrás. — E diga a ele para entrar na linha. Isso é tão embaraçoso. Demitir o gerente, no entanto, não tinha sido suficiente para satisfazer a autora, que tinha esbofeteado a empresa com um processo de dois milhões de dólares. Porque ninguém contestou que o incidente tivesse ocorrido, o trabalho de Payton no julgamento era de estabelecer que a empresa tinha com eficiência


e de forma adequada, respondido ao incidente, absolvendo-a, assim, de qualquer responsabilidade nos termos da lei. O primeiro passo da sua estratégia de defesa começou no primeiro dia de julgamento, com a escolha do júri. À luz da exposição do "Anexo A” (que os advogados do requerente tinham ampliado a proporções absurdamente gigantescas e, sem dúvida, planejado exibir durante todo o curso do julgamento), Payton tinha evitado a seleção de qualquer jurado que ela achava que tinha o que se poderia chamar de “sensibilidade delicada”. Alguém que talvez tendia para o que se poderia descrever como um “ponto de vista conservador moralista”; aquele que poderia ficar indignado com a conduta do ex-empregado da ré e querer aliviar essa indignação na forma de dólares jogados na direção da autora. Em outras palavras, nenhuma Laney. Ninguém

que

desse

uma

olhada

em

uma

foto

colorida

de

aproximadamente dois metros de um pênis meio duro pulando para fora de uma calça Dockers43 (Olá!) e prontamente perguntasse quantos zeros tem em um zilhão. A partir daí, a segunda etapa da estratégia de defesa de Payton era definir o tom certo para o julgamento em seu discurso de abertura: simpático, mas firme. Compreensivo e de pleno acordo que varas do amor devem ser mantidas firmemente escondidas atrás de zíperes fechados, mas racional e lógico para orientar o júri a entender que sua cliente, a empregadora, não era financeiramente responsável pela quantia de dois milhões de dólares pelas ações de um ex-empregado patife. Payton esperava que tivesse realizado essa tarefa esta manhã. J.D. estava certo quando ele disse a Jasper que ela tinha bastante experiência em processos, e com isso ela gostava de pensar que era bastante hábil em ler a linguagem corporal dos jurados. Ela começou seu discurso de abertura, gesticulando para o “Anexo A”, uma foto de dois metros de um pênis meio duro, que o advogado do autor havia exibido na frente e no centro, durante seu discurso de abertura. 43

Marca de roupa masculina.


— Uau. — Payton disse, olhando para a foto quando ela se virou para o júri para começar. — Se o café do tribunal não foi suficiente para acordá-los, visto que são nove horas, tenho certeza que isto irá. O júri riu. Agora, qualquer dia em que uma pessoa fornece uma declaração de abertura, em pé, na frente de um outdoor de dois metros de uma genitália masculina semiereta, é claramente um dia incomum. Mas isso era apenas a ponta do iceberg de eventos que saíram do controle ao longo das próximas 48 horas. Payton voltou para o escritório durante a sua pausa para o almoço; ela e Brandon planejavam usar o tempo para rever os interrogatórios das testemunhas da acusação que começariam naquela tarde. Quando ela chegou ao escritório, no entanto, encontrou Irma em um estado frenético, vasculhando os arquivos sobre a mesa de Payton. — Graças a Deus você está aqui. — disse Irma assim que viu Payton caminhar através da porta. — Marie ligou. Ela está procurando em todos os lugares pelos recibos do seu jantar no Japonês com os representantes da Gibson. Ela precisa apresentá-los antes do fim do ciclo de faturamento. A Contabilidade não irá processar qualquer um dos gastos com a apresentação de vocês até que eles tenham todos os recibos em mãos. Payton fez uma careta. — J.D. pagou pelo jantar, não eu. Ele deve ter o recibo. Irma olhou para ela sem poder fazer nada. — Eu sei, e eu disse isso à sua secretária, mas ela não conseguiu encontrá-lo em seu escritório. — Então diga a ela para simplesmente perguntar a J.D. onde está. — Ele está na sala de conferências no andar de cima, preparando-se para uma audiência que ele tem esta tarde. Ele disse a Kathy que procuraria pelos recibos depois. — Irma suspirou desculpando-se. — Eu sinto muito, Payton, eu


sei que você também está ocupada. Eu não quero incomodá-la com isso. É que Ben está nas costas de Marie sobre isso, o que significa que ela está nas minhas. Payton olhou para o relógio. Ela queria que Irma digitasse as notas do julgamento que Brandon tinha tomado naquela manhã antes que ela voltasse ao tribunal em uma hora e meia. Quanto mais rápido ela pudesse resolver esse negócio sobre o recibo, melhor. Ela entregou as notas para Irma. — Aqui, tome isso e comece a digitálas. Vou olhar no escritório de J.D. e ver se consigo encontrar o recibo. Irma balançou a cabeça e saiu correndo. Payton atravessou o corredor e entrou no escritório de J.D.. A cara de J.D., ela pensou, ignorar algo tão básico como a apresentação de um recibo. Em todo caso, era uma indicação da pressão que ele tinha estado, uma vez que Ben tinha deixado cair sua bomba que apenas um deles seria sócio. Bom. Ela estava contente de ver que ela não era a única que estava no limite estes dias. Payton olhou primeiro em cima do aparador que corria ao longo da parede do escritório de J.D., procurando o recibo ou qualquer tipo de arquivo relacionado ao assunto da Gibson. Não encontrando nada lá, ela foi para a mesa dele. No início, ela não viu nada. Então, quase tendo esquecido dele, ela viu um pequeno pedaço de papel que espreitava para fora do calendário ficava na mesa de J.D.. Querendo saber se isso poderia ser o recibo, Payton chegou apressadamente ao longo para levantar o calendário e... Merda! - De alguma maneira conseguiu derrubar um copo de Starbucks empoleirado perto da borda da mesa de J.D.. Café derramou pela tampa. Payton imediatamente reagiu, pegou o copo, mas não rápido o suficiente, café derramou sobre a borda da mesa de J.D. e na cadeira dele... E à direita, no paletó, que ele provavelmente tinha colocado muito arrumado sobre o braço da cadeira para evitar rugas.


Payton xingou baixinho enquanto se mexia; ela procurou ao redor por um guardanapo, Kleenex, qualquer coisa para limpar o café, que foi rapidamente se fixando no terno de J.D.. Não vendo nada, pegou o casaco, talvez ela pudesse limpá-lo com água fria ou algo assim, ela passou a observar a etiqueta, que tinha sido feito sob medida em Londres. Ela sorriu, é claro que tinha sido. Lembrouse de novo da discussão deles na biblioteca e a maneira presunçosa que J.D. tinha dito... — Que diabos você está fazendo? Payton congelou ao ouvir o som da voz dele. Ela soube imediatamente como deveria parecer, ela segurando um copo de café na mão, seu terno manchado na outra. E um sorriso no rosto. Payton olhou e viu J.D. parado na porta com uma expressão muito brava. Ele segurava sua pasta, como se estivesse preparado para sair para o tribunal, e é claro que ele estava impecavelmente vestido com uma camisa sob medida e calças que se encaixavam perfeitamente. Ela não tinha ideia de por que acabou de perceber isso. Seguindo em frente. Ela se virou para J.D. para explicar. — Eu estava procurando pelo recibo do jantar da Gibson's. J.D. a ignorou. Ele apontou. — Será que é café no meu casaco? — Siiii...m. Ele cruzou os braços sobre o peito. — Oh, eu vejo. Talvez você pensou que eu escondi o recibo da Gibson em um copo de Starbucks? Payton foi para uma piada. — Não é a minha maneira de arquivar as coisas, mas... — ela parou. Ele não estava se divertindo.


J.D. levou-a com uma inclinação de zombaria na cabeça dele. — Isso é terrivelmente passivo-agressivo para você, não é? Payton olhou para ele. É claro que ele pensou que ela tinha feito isso de propósito. Agora, ela cruzou os braços sobre o peito. — Você tem que estar brincando. — ela estava prestes a pedir desculpas, mas agora, também... dane-se ele. Ela não estava mais com vontade. — Então, o que é isso, sua fraca tentativa de sabotagem? — perguntou J.D. com desdém. — Deixe-me adivinhar, você ouviu que eu estaria no tribunal para uma audiência esta tarde então você pensou que iria me fazer parecer um idiota. — Você não precisa de nenhuma ajuda minha com isso. Os olhos de J.D. se estreitaram com raiva. — E eu dificilmente preciso recorrer à sabotagem para ser a aquela com quem a empresa fará sociedade. — acrescentou Payton. — Na verdade, eu acho que você deve estar muito preocupada, se você está disposta a se rebaixar a este nível. — J.D. ergueu um dedo, vitorioso. — Mas, felizmente, eu mantenho um terno de reposição em meu escritório. J.D. fechou a porta, apontando para um saco de roupa que estava pendurado na parte de trás dela. Ele abriu o zíper e tirou orgulhosamente um segundo terno, que era tão caro quanto parecia. Colocou o terno sobre uma das cadeiras em frente à sua mesa e olhou para Payton presunçosamente. Tã-dã. Ela revirou os olhos para ele. — Você sabe, eu ia explicar, mas agora nem vale a pena. — ela passou por J.D. para deixar seu escritório, esquecendo momentaneamente que ela ainda segurava, tanto o paletó, quanto o copo de café. — Fugindo das responsabilidades. Payton parou em suas palavras.


Fugindo das responsabilidades? Fugindo das responsabilidades? Payton Kendall não fugia das responsabilidades. Ela virou-se para encará-lo. Com um sorriso arrogante, J.D. se sentou em sua mesa. Ele se inclinou para trás, cruzando as mãos atrás da cabeça. — Algo que você gostaria de dizer antes de sair, Payton? Ele estava provocando-a, ela sabia disso. Ela considerou deixar isso para lá. Poderia virar e sair do seu escritório sem dizer uma palavra. Em duas semanas, de um jeito ou de outro, ela nunca teria que lidar com ele novamente. J.D. confundiu a pausa de Payton com hesitação. — Nesse caso. — disse ele, apontando para o paletó que ela ainda segurava. — Eu vou esperar que você consiga uma lavagem a seco em um lugar decente. Apenas certifique-se de me devolver antes de colocarem a sua bunda para fora daqui. — dispensando-a, ele se voltou para o seu trabalho. Payton suspirou. Oh, bem. Ela já havia tentado. — Não tem problema, J.D.. — disse ela, bem-humorada. — E enquanto eu estou nisso, que tal o seu segundo terno de reposição? Ele precisa ser lavado a seco, também? J.D. olhou por cima de seu computador, confuso. — Eu não tenho um segundo terno de reposição. — Oh. Isso é uma pena. — e com isso, Payton arrancou a tampa do copo de Starbucks e rapidamente jogou o café restante em todo o terno que ele tinha colocado tão ajeitadamente sobre a cadeira. A boca de J.D. caiu. Ele lentamente olhou para ela. — Oh. Não. Você. Não.


Payton olhou para o terno. Puta merda, ela tinha, ela realmente tinha. Ela

cobriu

a

boca

para

mascarar

o

seu

próprio

olhar

de

choque. Ooops. Mas era tarde demais para voltar atrás agora. — Você pode me cobrar pela limpeza a seco, J.D. e, hum, pela xícara de café também. — com isso, ela delicadamente colocou o copo de café agora vazio na mesa dele. Em seguida, fez uma rápida reviravolta à la papa-léguas e conseguiu sair de lá rapidamente. Payton correu pelo corredor, voando pela mesa da secretária de J.D., depois a de Irma. Ela tinha acabado de chegar à porta do seu escritório quando ouviu J.D. gritar o nome dela. — Payton! Parando em sua porta, ela se virou. J.D. estava em sua porta com o que tinha de ser apenas o olhar mais furioso que ela já tinha visto no rosto de qualquer ser humano. Eles se enfrentaram do outro lado do corredor, como dois pistoleiros do velho Oeste se preparando para sacar. Payton podia praticamente ver os tumbleweeds44 rolando com o vento soprando. Com um olhar astuto, ela olhou para Irma e Kathy, que estavam sentadas em suas mesas curiosamente olhando para ela e J.D.. Então ela se virou para ele com uma sobrancelha levantada. — Sim, J.D.? — ela respondeu timidamente. Todos esses anos eles brigaram em segredo... ela sabia que ele não ia explodir a cobertura agora.

44


J.D. olhou ao redor, consciente de que seu grito havia atraído muito o interesse dos outros ao redor do escritório. Ele fez uma pausa, em seguida, deu a Payton um breve aceno de cabeça. — Eu só queria te desejar boa sorte no tribunal esta tarde. Payton sorriu da segurança do seu escritório. — Obrigada, J.D., isso é tão doce. E boa sorte para você também. — com um gesto exagerado dela mesma, uma ligeira reverência, ela se virou e se dirigiu para seu escritório. Payton fechou a porta atrás dela. Ela encostou-se nela, o sorriso permanecendo no rosto. Em alguns sentidos, pensou ela, era realmente uma pena J.D. ter que ir. Ela quase sentiria falta disso.

***

Com cada avanço, a cada passo que ele dava enquanto andava três quadras até o tribunal, J.D. ficava mais e mais furioso. Ele tinha que deixar como estava; ele estava correndo porque pretendia passar por suas alegações uma última vez na sala de conferências, querendo que elas fossem perfeitas. E agora, perfeito estava definitivamente fora de questão. Ele poderia estrangulá-la. Talvez, ele disse a si mesmo, a mancha não estivesse tão ruim quanto tinha estado da última vez que ele olhou. Talvez algum café tenha evaporado na caminhada para o tribunal. Ele olhou para baixo, esperançoso. Foda-se, parecia ainda pior do que se lembrava.


Vestir seu traje de reposição estava fora de questão, Payton tinha efetivamente derramado mais da metade de um café sobre ele. Vendo que ele não tinha tempo para ir para casa e se trocar, ou até mesmo comprar uma outra peça, ele estava preso, portanto, a usar o que ela tinha “acidentalmente” derramado café primeiro, um terno cinza escuro conservador que, infelizmente, não era escuro suficiente. Ele parecia um idiota. Só podia esperar que a iluminação na sala de audiências fosse fraca, e que o juiz, que estava sentado a quatro metros de distância do pódio que ele estaria argumentando, de alguma forma, não notasse a mancha de mocha do tamanho de uma laranja estampada no lado esquerdo do seu peito. J.D. chegou ao Dirksen Federal Building e correu para dentro. Ele teve que tirar o casaco para passar pela segurança, e ficou momentaneamente tentado a deixá-lo fora da sua argumentação oral, mas decidiu no final que aparecer sem paletó na corte não era apenas desrespeitoso, mas também muito mais propenso a atrair atenção negativa do juiz. O elevador estava lotado durante o passeio de J.D. até o vigésimo terceiro andar. Ele esperou até o último minuto para colocar seu paletó de volta, fazendo isso direito antes que ele entrasse na sala de audiências. Ele imediatamente foi para a frente e sentou-se na galeria enquanto esperava que seu caso fosse chamado. J.D. nunca antes tinha se sentido autoconsciente sobre sua aparição no tribunal (ou nunca, realmente, tinha pensado sobre isso) e ele odiava se sentir assim agora. Ele tinha uma imagem a defender, afinal: ele era um advogado de defesa corporativa - tinha sido pago centenas de milhares de dólares para defender corporações multimilionárias. Seus clientes esperavam, e pagavam, pela perfeição. Eles não pagavam para ter sua exemplificação importante de oposição às propostas de certificação de classe discutidas por algum idiota que parecia que tinha derramado seu Café Coolatta Dunkin’ Donuts inteiro sobre si mesmo, enquanto conduzia nos subúrbios, em seu Ford Taurus. J.D. estremeceu com a mera imagem.


Seu caso era o terceiro em pauta. Quando o funcionário chamou o seu caso, ele se levantou, ajeitou a gravata e esqueceu todo o resto. Ele tinha um trabalho a fazer. Levantou-se para o pódio e acenou para seu conselho de oposição, que se aproximou do outro lado da sala do tribunal. Se o advogado dos queixosos notou a mancha em seu paletó, ele não percebeu, e J.D. estava imediatamente grato pela iluminação mais suave do tribunal. Advogados dos autores argumentaram primeiro. J.D. ouviu atentamente, observando cuidadosamente os pontos onde o juiz interrompeu e fazendo anotações mentais para lidar com essas questões. Quando os reclamantes foram por mais 10 minutos, J.D. pisou na frente e no centro no pódio. A oposição a movimentos de certificação de classe eram de importância crucial nos casos que J.D. manipulava e, felizmente, eles eram o seu forte. J.D. começou. — Meritíssimo, hoje é o dia em que o Tribunal de Justiça deve pôr fim a seis anos da charada da ação de classe do Senhor DeVore. Ao afirmar uma violação do contrato e reconvenção buscando a certificação de classe de âmbito nacional, o Sr. DeVore tem literalmente tornado um caso federal, o que deveria ter sido um processo de execução simples. Qualquer que seja o Tribunal de Justiça, faz do contrato de hipoteca e as disposições do Sr. DeVore desafios, uma coisa é certa, nenhuma classe pode ser certificada neste caso, porque o Sr. DeVore não é um representante da classe adequado. Ele cometeu perjúrio em seu depoimento... Foi mais ou menos nesse ponto que J.D. notou o juiz inclinado para a frente em sua cadeira. Ele olhou para baixo, curiosamente do banco, tentando dar uma olhada melhor em alguma coisa. O juiz de repente levantou a mão para detê-lo. — Conselheiro. — ele perguntou a J.D. com uma sobrancelha interrogativa. — Você conseguiu ser baleado no caminho para cá?


O juiz inclinou-se mais longe da bancada. Ele olhou para o peito de J.D., tentando obter uma vista melhor da mancha. — O que é isso? J.D. só podia ficar lá no pódio, enquanto o deputado do tribunal, o funcionário, o advogado dos queixosos e agora praticamente todos os outros em todo o maldito tribunal fixavam-se na marca do tamanho de uma bola de softball no seu terno. Tanto para passar despercebido.

***

E então ficou pior. Naturalmente, John Grevy, um parceiro no grupo litigante na firma do J.D., aconteceu de ter uma moção perante o mesmo juiz esta tarde. — É por isso que dizemos aos associados para manter um terno de reposição em seus escritórios. — ele sussurrou em desaprovação, enquanto J.D. passava por ele em seu caminho para fora da sala do tribunal. Realmente, John? Ele desejava que pudesse dizer. Sem brincadeira. E depois, ficou pior ainda. Uma vez fora da porta do tribunal, J.D. abaixou a pasta, correndo para tirar o paletó manchado o mais rápido possível. Ele ouviu uma voz familiar atrás dele. — Você está tentando me envergonhar, ou apenas a si mesmo? J.D. fechou os olhos. Brilhante. Exatamente o que ele precisava naquele momento. Ele se virou, ficando cara-a-cara com o homem de pé diante dele.


— Olá, papai. Você por aqui. — disse ele, embora, na verdade, não era muito surpreendente. Como um juiz no Tribunal de Sétima Corte de Apelações, os gabinetes das câmaras do seu pai eram neste mesmo edifício. O estimado Excelentíssimo Preston D. Jameson encarou J.D. com muita decepção. Era um olhar que J.D. conhecia bem. — Margie viu seu nome na pauta desta manhã. — disse o pai, referindo-se à sua secretária. — Ela cuida dos seus casos. Desde que sua mãe e eu não vimos você em um tempo, eu pensei que eu podia parar e prestar atenção na sua argumentação oral. Preston deu um passo mais perto, seu olhar fixado no paletó do seu filho. J.D. preparou-se para o inevitável. — Você parece ridículo. — seu pai disse a ele. — Você realmente devia ter um terno de reposição em seu escritório. — Obrigado pela dica, Meritíssimo. — disse J.D. sarcasticamente. Ele pegou sua mala e entrou no elevador, que tinha acabado de abrir. — Diga à mamãe que eu disse olá. — disse laconicamente quando as portas do elevador se fecharam. No interior, J.D. olhou para frente enquanto o elevador descia. Ele só tinha um pensamento em sua mente. Vingança. Logo seria ele.


Capítulo Onze

A

chance dele veio

algumas horas depois. J.D. estava em seu escritório, naquela noite, esperando apenas o momento certo. Surgiu quando Laney veio buscar Payton para a sua aula de yoga. Ele se sentou em sua mesa, fingindo trabalhar, roubando olhares para o outro lado do corredor. Por um momento, ele pensou que poderia ter que abortar a missão, enquanto Laney aparentemente tinha dificuldade em conseguir que Payton saísse. — Você sabe que está preparada. — ele ouviu Laney dizer a ela. — Vamos lá, a aula irá ajudá-la a relaxar. J.D. estava familiarizado com a rotina; ela e Laney iam para essa aula a cada semana, não que ele prestasse atenção no paradeiro de Payton ou nada assim, e hoje não foi exceção. Ela se trocou para-alguma-outra-merda-hippie de yoga, deixando suas roupas de trabalho para trás em seu escritório. J.D. viu quando ela e Laney saíram. Por um breve segundo, ele pensou ter visto Payton olhar em direção ao seu escritório, mas ele provavelmente estava apenas sendo paranoico. Quando elas foram embora, ele esperou e esperou mais alguns instantes, apenas para ficar seguro. Ele tinha cerca de uma hora para realizar a sua tarefa, o que estava bom. Ele precisaria de apenas alguns minutos. J.D. furtivamente se arrastou pelo corredor. Ele estava preparado, carregando uma pasta dobrada em sua mão - se a missão fosse comprometida e ele precisasse de uma cobertura rápida, sempre podia dizer que ele estava em


seu escritório para deixar um arquivo. Realmente, porém, ele estava sendo cauteloso: já estava no meio da noite e a grande maioria do escritório tinha ido para casa. Ele poderia fazer seu negócio deliciosamente escondido. Restringindo o desejo de soltar uma risada má, J.D. verificou, viu que estava tudo limpo, abriu a porta do escritório de Payton, e entrou. Uma rápida olhada ao redor e viu o que ele estava procurando no chão, no canto do escritório. Os sapatos dela. O motivo dele era simples: se ela quisesse ser baixa e suja nesta corrida pela vaga na sociedade, que assim seja. Ela o fez parecer um idiota no tribunal, por isso agora... bem, vingança era uma cadela. J.D. agarrou um dos seus sapatos, um de sete centímetros, salto fino preto um à La Sr. James Choo. E ela teve a coragem de chamá-lo de um esnobe com roupas. O salto fino seria certamente seu prejuízo desta noite, mesmo que fizesse suas pernas parecerem incrivelmente fantásticas. Ele não tinha ideia de por que acabou de pensar nisso. Percebendo que ele estava em perigo de perder o foco, ele enfiou o sapato na pasta dobrada e saiu correndo do escritório de Payton para a sala de suprimentos.

***

O cortador de papel fez um trabalho incrível. Realmente, aquela lâmina cortou diretamente, na metade do salto, sem deixar uma marca. Um pouco de cola invisível - apenas um pouquinho - para colar o salto temporariamente de volta e pronto.


A vingança era doce, de fato.

***

Payton se sentia horrível. O êxtase da sua vitória naquela tarde durou cerca de 20 minutos antes da culpa se instalar. Sim, J.D. era incrivelmente, frustrantemente arrogante e presunçoso. Ele havia deliberadamente tentado empurrar seus botões e ela duvidava que ela tivesse muitos problemas em convencer um júri de que ele mereceu. Mas ainda assim. Ela se sentia horrível. Passando através dos acontecimentos do dia, ela agora questionava, se deveria ter mexido no seu escritório em primeiro lugar. Ela não sabia por que se sentiu confortável em tomar tais liberdades, uma vez que ele era seu inimigo jurado e tudo. E depois havia a pequena questão do - ahem45 - café. Como litigante, ela sabia o quanto importavam as aparências no tribunal. Para piorar a situação, ela tinha ouvido através de fofocas na empresa, (ou seja, Irma) que um dos sócios tinha visto J.D. no tribunal e repreendeu-o pela mancha no terno. Pelo que ela se sentiu particularmente mal. Então, agora chegou a parte mais difícil. Ela precisava se desculpar.

45

Representa o som feito quando se limpa a garganta.


Antes de sair com Laney para sua aula de ioga, ela olhou na direção do escritório de J.D. e momentaneamente tinha estado tentada a fazer isso pessoalmente, mas, bem, isso não era exatamente fácil para ela. Então, em vez disso, ela se deitou na cama naquela noite, tendo decidido primeiramente pedir desculpas na parte da manhã antes que ela se dirigisse ao tribunal. Mas o sono lhe fugia. Frustrada, Payton virou e pegou o telefone na mesa de cabeceira ao lado da cama. Ela olhou para ele por um longo momento, debatendo. Então ela ligou.

***

A mensagem foi a última coisa que J.D. ouviu naquela noite. Por costume, ele olhou o correio de voz do trabalho uma última vez antes de ir dormir e ficou surpreso ao descobrir que alguém tinha ligado pouco antes da meia-noite. O correio de voz automático indicou que a chamada tinha vindo de fora do escritório. A pessoa que ligou não se identificou; ela só começou, como se estivesse no meio de uma conversa. Mas J.D. reconheceu a voz imediatamente. — Então, eu sei que você provavelmente vai pensar que isso é uma fuga de responsabilidade, também. — começou a mensagem de Payton. — Mas está tarde e talvez você esteja dormindo e eu suponho que eu poderia apenas dizer isto na parte da manhã, mas agora eu não consigo dormir e estou deitada aqui, então eu poderia muito bem acabar com isso, e bem... Houve uma longa pausa, e por um momento J.D. pensou que a mensagem tinha terminando. Mas, então, ela continuou. — Eu sinto muito por esta tarde, J.D. O primeiro derramamento sinceramente foi um acidente, mas o segundo... ok, foi completamente desnecessário. Eu ficaria feliz em pagar a limpeza a seco. E, bem... eu acho que é


isso. Embora você realmente possa querer repensar sobre deixar o seu casaco em sua cadeira. Só estou dizendo. Ok, então. É para isso que eles fazem cabides. Bom. Então. Tchau. J.D. ouviu o sinal sonoro, indicando o fim da mensagem, e ele desligou o telefone. Ele pensou sobre o que Payton tinha dito, não tanto seu pedido de desculpas, que era habilmente medíocre na melhor das hipóteses, mas outra coisa. Ela pensava nele enquanto estava deitada na cama. Interessante.

***

Mais tarde naquela noite, depois de dormir por algumas horas, J.D. atirou-se na cama. De repente, ele lembrou - o sapato dela. Oops.


Capítulo Doze

J

.D. correu para o

escritório na manhã seguinte, ansioso para chegar lá antes de alguém. Uma rápida olhada ao redor lhe disse que ele era o primeiro no andar. Ele foi direto para o escritório de Payton e uma busca apressada revelou o que ele temia que seria o caso. Os sapatos tinham desaparecido. Ele não havia recebido ameaças de morte naquela manhã, por isso, ou o salto tinha aguentado o caminho do trabalho para casa ontem à noite, ou ela simplesmente tinha ficado com seus sapatos de yoga depois da aula. Bem. Sem problemas. Ele iria esperar ela chegar. Não que ele tivesse qualquer fodida ideia do que ele ia dizer quando a visse. “Oi, Payton, obrigado pelo pedido de desculpas, foi legal. Viu que tenho muffins na sala de descanso? Ah, à propósito, eu cortei um de seus saltos e os colei desastrosamente de volta na esperança que quebrasse no tribunal e a deixasse mancando como uma prostituta bêbada de uma perna só. Tenha um bom dia.” De alguma forma, ele tinha a sensação de que não poderia sair disso tão bem. Quando nada mais lhe veio à mente, J.D. decidiu que iria improvisar. Ele era bom em pensar estratégias em cima da hora. Então ele esperou em seu escritório. Ele olhava para cima de sua mesa cada vez que alguém entrava, esperando ver Payton a qualquer momento.


Quando 8h00 chegou, então 8h:30, ele ficou um pouco preocupado. Às 9h:00 ele estava em um pânico total, pensando no pior cenário. E se ela estivesse usando os sapatos em seu caminho para o trabalho e o salto de repente quebrou e ela caiu e quebrou o tornozelo? Ele deveria refazer sua rota para o escritório? Espere, ela normalmente usava o “L” para vir ao trabalho. E se ela tivesse tropeçado enquanto entrava, torcido, aleijado, ou se separado de algo, e agora estava presa dentro de um dos vagões do trem, pedindo ajuda, fazendo círculos intermináveis ao redor do lugar? J.D. decidiu verificar com a secretária de Payton. Talvez ela tivesse ouvido alguma coisa. Ele caminhou até a mesa de Irma, onde ela digitava cada vez menos em seu computador. Ele então casualmente se inclinou contra sua cadeira, tomando cuidado para parecer o mais indiferente possível. — Bom dia Irma, nossa, esse é um lindo broche, é uma gaivota? Bom tempo lá fora, não é? Ei, por acaso você já ouviu falar de Payton esta manhã? Irma parou sua digitação por um breve momento, olhou J.D., em seguida retomou seu trabalho. — É um canguru, não uma gaivota. Na verdade, estava bastante nublado quando eu cheguei, e sim, ela me deixou uma mensagem, ela foi direto para o tribunal esta manhã. Direto para o tribunal? Filha da.... Lutando para manter a fachada de desinteresse, J.D. ociosamente tocou as folhas da planta em cima da mesa de Irma. — Então, por acaso Payton disse o que ela estava usando esta manhã? — ele pegou um fiapo imaginário de seu terno. — Mais especificamente, ela mencionou algo sobre seus sapatos? Irma parou de digitar e lentamente olhou para ele. J.D. sabia que precisava dizer algo rápido para se explicar.


— Eu só quero ter certeza que ela está, você sabe, vestida de forma adequada. Irma cruzou as mãos delicadamente. — Sr. Jameson. Seja o que for, eu não tenho tempo para isso. Se você tiver dúvidas sobre o traje de Payton esta manhã, eu sugiro que você dê um passeio ao redor do tribunal e verifique por você mesmo. Ela está na sala de audiências do juiz Gendelman. J.D. assentiu. Sim, sim, muito bem, obrigado. Boa atitude, por sinal. Tal chefe, tal secretária. Mas sempre um cavalheiro, ele sorriu e agradeceu à Irma pela informação. Ele parou junto à mesa da sua própria secretária e disse-lhe que ele tinha uma missão a ser executada. Em seguida, ele correu para fora do escritório e foi direto para o Palácio da Justiça.

***

No momento em que J.D. entrou na sala de audiências do juiz Gendelman, o tribunal já estava em sessão. Ele silenciosamente fechou a porta atrás dele e entrou na fileira de trás da galeria, esperando que sua presença passasse despercebida, até que ele descobrisse o que diria para Payton. J.D. sentou-se. Enquanto tentava ficar confortável no banco de madeira duro, seu olhar foi imediatamente atraído para a ação na frente. Payton estava diante das testemunhas, o que significava que ela estava no meio de um interrogatório direto. Ele sentou-se para apreciar o show, pensando que essa era uma grande oportunidade para observar o inimigo em sua nor...


Foda-se! Alguém, por favor, poderia dizer por que uma foto enorme de um pênis estava em exibição na frente e no centro da sala do tribunal? J.D. olhou ao redor cautelosamente. Que raio de lei que Payton praticava por aqui? Todo mundo na sala do tribunal, no entanto, parecia totalmente imperturbável pela exposição. Seu interesse agora realmente se despertou por este espetáculo, de um assim chamado, julgamento, ele voltou sua atenção para Payton. Lembrando por que ele estava lá, ele sentou-se para dar uma olhada melhor. Ele observou enquanto Payton dava a volta para o outro lado do pódio, e esperou... Merda. Ela estava usando os sapatos. Os olhos de J.D. estreitaram no salto do sapato esquerdo que ele tinha feito

algumas, digamos, modificações

especiais. O

salto

parecia estar

aguentando firme, embora fosse algo que ninguém soubesse quanto tempo iria durar. A cada passo de Payton, ele prendia a respiração, esperando vê-la tropeçar. Ele teria que puxá-la de lado na próxima pausa e avisá-la. Ele só esperava que a cola que ele tinha aplicado segurasse firme até então. Não tendo nenhuma escolha a não ser ficar de braços cruzados na plateia e esperar, J.D. se distraiu focando no interrogatório das testemunhas de Payton. Ele pôde dizer, em segundos, a partir do modo como ela incisivamente questionou a mulher sobre o suporte, de que esta não era uma festa amigável. — Eu não tenho certeza se entendi sua posição, Srta. Kemple. — Payton estava dizendo. — Talvez você possa me ajudar a entender o que você acredita que a empresa fez de errado. J.D. observou enquanto Payton se posicionava entre o júri e a testemunha, um truque de advogado de defesa para chamar a atenção dos jurados durante o interrogatório. — Anteriormente nós estabelecemos que você relatou o incidente envolvendo seu ex-gerente em 14 de junho do ano passado, correto? — perguntou Payton.


— Está correto. — respondeu Srta. Kemple. — E o diretor de Recursos Humanos respondeu a sua reclamação nesse mesmo dia, não é? — Sim. — Como parte dessa resposta, a empresa imediatamente demitiu seu exgerente, também no mesmo dia, não é? A testemunha concordou. — Está correto. — E, de fato, ontem no julgamento foi a primeira vez que o tinha visto desde o incidente em seu carro, correto? Mais uma vez a testemunha assentiu. — Sim. — Então, é justo dizer, Srta. Kemple, que você nunca mais teve qualquer problema com o seu ex-gerente, depois daquele incidente? — perguntou Payton. A testemunha pareceu mais relutante em responder a esta pergunta. — Eu acho que é justo dizer. — ela finalmente concordou. Parecendo satisfeita com essa resposta, Payton caminhou até a mesa do advogado de defesa. Tendo sido arrastado para o depoimento, J.D. notou pela primeira vez que um colaborador júnior de sua empresa, qual diabos era o nome dele, Brandon, Brendan, algo assim, se sentava à mesa. Talvez, J.D. pensou, ele poderia deslizar para Brandon/Brendan uma nota para ele dar à Payton. Os olhos de J.D. foram atraídos de volta para Payton enquanto ela casualmente se encostou na mesa de frente para a testemunha. — Srta. Kemple, estou também certa que, após seu gerente ser demitido, o diretor de Recursos Humanos saiu para o seu escritório e realizou um seminário o dia inteiro sobre assédio sexual, que foi obrigatório para todos os funcionários?


A testemunha tentou se proteger aqui. — Eu não tenho certeza que foi um dia inteiro... — Bem, quanto tempo durou o seminário? — perguntou Payton. Srta. Kemple pensou por um momento. — Eu acho que foi cerca de sete ou oito horas. — Será que você não descreveria sete ou oito horas como um dia inteiro? — Eu acho que sim. Com esta admissão, Payton levantou as mãos. — Então? Por que estamos aqui, Srta. Kemple? A testemunha olhou para ela, confusa. — Desculpe? — Para ser franca, você processou a empresa por dois milhões de dólares. O que exatamente você acha que eles fizeram de errado na manipulação da sua reclamação? J.D. assistiu Payton, conforme ela continuava seu interrogatório. Porque eles tinham trabalhado no mesmo grupo durante os últimos oito anos, ele tinha ouvido falar muito sobre suas inúmeras vitórias em julgamentos. Mas esta foi a primeira chance que ele teve de observá-la em primeira mão. Ela era boa. Imediatamente, J.D. viu o quão relaxante e confortável ela ficava na sala do tribunal. No entanto, sempre profissional. Era óbvio que o júri gostava dela, e mais importante, que confiava nela, ele poderia dizer pela forma como eles a ouviam atentamente, como alguns deles até acenavam com a cabeça, juntamente com suas perguntas. — Bem, eu acho que há algumas coisas que a empresa poderia ter feito de forma diferente... — a testemunha disse em um tom defensivo.


— Como o que? — perguntou Payton. — Você não discorda que a empresa lidou com a questão imediatamente, não é? Enquanto Payton fazia esta pergunta, ela cruzou os braços sobre o peito e casualmente se encostou na mesa, num único pé esquerdo para apoio. J.D. prendeu a respiração. Oh, merda. — Eu suponho que eles lidaram com o assunto prontamente o suficiente. — a testemunha admitiu. — E você teria que concordar que eles lidaram com o assunto de forma eficaz, vendo como você nunca mais viu seu ex-gerente, e muito menos teve um problema com ele? Ainda encostada na mesa, Payton atravessou seu tornozelo direito sobre o esquerdo, de modo que todo o seu peso agora se abateu sobre seu calcanhar esquerdo. J.D. se encolheu. Merda, merda, isso ia ser ruim. Ele não podia ver. Mas ainda assim ele tinha que fazer. Ele deveria fazer alguma coisa? Talvez ele pudesse... Mas logo em seguida, Payton aliviou o peso dela do sapato quando a testemunha respondeu. — Sim, eu suponho que você poderia dizer que a forma como a empresa optou por responder ao assédio do meu gerente foi eficaz o suficiente. J.D. exalou em alívio. Caso encerrado. Mas ele achava melhor começar essa nota para Brandon/Brendan agora, enquanto ele ainda tinha a chance. Ele olhou pra cima. Alguns outros retardatários se sentaram no final da sua fileira. Ele teria que passar despercebido por eles para sair. Enquanto isso, Payton se sentou sobre a mesa, graciosamente cruzou uma perna sobre a outra, continuando seu interrogatório.


— E quando o diretor de Recursos Humanos entrevistou você uma semana depois do incidente, não é verdade que você disse que estava satisfeita com a resposta da empresa à sua reclamação? — ela perguntou. — Não, eu não acho que foi isso o que eu disse. — Srta. Kemple respondeu rapidamente. Payton pareceu surpresa com a resposta, mas permaneceu sem expressão. — Sério? Você se lembra quando falamos anteriormente em seu depoimento, Srta. Kemple, onde você disse... J.D. observou enquanto Payton vasculhou os arquivos em sua mesa e rapidamente encontrou a transcrição do depoimento que ela estava procurando. Payton agarrou o depoimento. — Aqui, Srta. Kemple, deixe-me ler para vocês uma parte do seu... ... e antes que J.D. percebesse o que estava acontecendo, Payton fez uma espécie de meio salto fora da mesa para se aproximar das testemunhas e quando ela caiu sobre seus pés houve um forte estalo que soou por todo o tribunal e puta merda, de repente Payton tropeçou descontroladamente fora de equilíbrio, com os braços balançando, e ela... ... caiu de cabeça direto na bancada do júri. Todo o tribunal ofegou enquanto J.D. voou para fora do seu assento em horror. Oh, meu Deus! Todo mundo estava de pé, atordoado, olhando, enquanto Payton rapidamente se apressava para se levantar, lutando, subindo passando pelos jurados que estavam sentados em sua bancada, boquiabertos, e ela conseguiu ficar de pé, um pouco perturbada, mas cobrindo isso enquanto ela alisou a saia e...


— Desculpem-me por isso. — Payton sorriu calmamente para os jurados, recuperando a calma. — Agora, onde eu estava... Ela olhou para o depoimento da posição que ela caiu, ela se virou e todo o público no tribunal gritou em choque. Sem o conhecimento de Payton, quando ela tinha caído, aquela saia malditamente apertada que ela tanto gostava, tinha rasgado na costura e agora estava aberta, e doce Jesus, ela estava usando uma calcinha fio dental e duas pequenas nádegas brancas espiaram entre as dobras da sua saia... O maxilar de J.D. quase caiu no chão. Oh Deus, foi horrível, horrível, bem, na verdade, não foi tudo horrível para ele, ela tinha realmente uma bunda fantástica, mas para Payton, este foi um acidente de trem, um desastre... Na frente, Payton ouviu o tumulto vindo da plateia atrás dela, então ela se virou ao redor... ... e as suas bochechas pálidas enfrentaram agora o juiz e o júri. As bocas dos jurados caíram abertas, e alguns murmuraram algo incoerente, e todos eles ficaram boquiabertos enquanto Payton mancava através do tribunal em calçados irregulares, confusa quanto à origem do tumulto. Na mesa da defesa, Brandon/Brendan timidamente sussurrou algo para Payton. J.D. não pôde ouvi-lo e, aparentemente, nem poderia Payton porque ela inclinou-se em direção Brandon/Brendan para ouvir melhor, expondo os pães brancos no ar para que todos pudessem ver e a sala do tribunal entrou em erupção, um pandemônio completo e J.D. começou a subir passando pelas pessoas em sua fileira - de alguma forma ele tinha que acabar com isto... Mas Payton finalmente ouviu Brandon/Brendan. Ela se levantou, sua mão voou para a saia dela, e ela sentiu o rasgo na costura. Ela imediatamente reagiu; ela desabotoou o paletó e rapidamente amarrou em volta da cintura, nada mais bochechas pálidas - e J.D. ouviu alguns


gemidos de decepção quando o juiz finalmente colocou as coisas sob controle, batendo o martelo e pedindo ordem no tribunal. E tão rapidamente quanto o caos tinha entrado em erupção, as coisas acalmaram. Enquanto as pessoas tomavam seus assentos, o tumulto se dispersou, J.D. sentou-se também, se escondendo, pensando que agora definitivamente não era a hora de ser visto por Payton. Quando um silêncio tomou conta da sala do tribunal, todos os olhos estavam sobre Payton. Todos esperavam para ver o que ela faria, como ela reagiria. Ela parou por um momento. Então ela se virou e olhou para o júri. — Levante a mão se você não tinha ideia de que veria tanta nudez em uma semana de trabalho do júri. Doze mãos voaram direto para o ar. E incrivelmente, Payton riu. Os jurados juntaram-se a ela. Em seguida, o juiz levantou a mão, também. Com isso, todo o tribunal riu e as pessoas começaram a bater palmas. Payton levantou a mão, reconhecendo. — Obrigada, muito obrigada. Estou aqui a semana toda. E foi naquele momento, enquanto J.D. se sentava na plateia com todas as pessoas ao seu redor rindo e aplaudindo, conforme observava Payton sorrindo, envergonhada, mas imbatível, que algo aconteceu. Algo mudou. Ele não sabia quem teria manipulado uma situação tão ridícula tão bem. Talvez ele não tivesse notado isso antes, mas ela era realmente do tipo... engraçada. Ou talvez ele já soubesse, de repente ele não tinha certeza. Mas o que ele sabia era que ele tinha surtado por causa de uma maldita mancha de café em seu terno, e aqui Payton tinha feito uma cara de paisagem


completa diretamente de volta para doze jurados e, em seguida, os deu um peep show46 gratuito, mas, no entanto, conseguiu manter-se calma e serena. E de repente J.D. encontrou-se olhando para Payton com um pouco de admiração. Ele sorriu e juntou-se aos outros que se animaram e ele esqueceu momentaneamente o papel que ele tinha desempenhado em todo o fracasso, até que, naquele momento, ela olhou para o seu sapato. Uh-oh. J.D. observou enquanto Payton pegou o sapato e, presumivelmente, notou o caminho limpo, preciso, que o salto tinha quebrado, os restos de cola que ele tinha aplicado. Ela passou o dedo sobre o salto quebrado, examinandoo, e nesse momento J.D. soube que ela sabia. Um pensamento aleatório ocorreu-lhe logo em seguida, sobre como eles dizem que os criminosos sempre voltam à cena do crime, não era assim que Bundy47 ou Berkowitz48 ou um desses caras foi pego e, na verdade, foi meio engraçado que ele estivesse pensando em assassinato nessa hora, então, porque quando Payton olhou para cima do sapato quebrado e olhou através da sala de

46

Peep shows, também conhecido como peep box ("caixa de surpresas") ou raree show ("espetáculo

raro") remontam a tempos antigos (Século XV na Europa, por Leon Battista Alberti) e são conhecidos em várias culturas. Um peep show poderia ser uma caixa de madeira com um buraco ou vários buracos. O interior das caixas eram decoradas frequentemente para se parecer com cenas teatrais. O espetáculo era acompanhado por uma recitação dramatizada, explicando o que estava acontecendo em seu interior. 47

Um dos mais temíveis assassinos em série da história dos Estados Unidos da América durante

a década de 1970. Com uma infância perturbada, ele iniciou a sua carreira criminosa assassinando e estuprando as suas vítimas. 48

Também conhecido como o Filho de Sam e o Assassino da Calibre .44 é um assassino em série (serial

killer) estadunidense, que aterrorizou a cidade de Nova Iorque com seus crimes, praticados durante julho de 1976 e agosto de 1977, até ser preso.


audiências e viu J.D. sentado ali, o assassinato era exatamente o que estava em seus olhos. Quando Payton encontrou o olhar dele, J.D. pensou que nunca tinha visto seus olhos azuis escuros parecerem tão frios. E ele sabia que uma coisa era certa. Ele estava frito.

***

Payton saiu do tribunal com o seu terninho ainda amarrado na cintura, com J.D. acompanhando de perto em seus calcanhares. — Vamos lá, Payton não é como se eu quisesse que isso acontecesse. — ele a chamou. — Honestamente, quem poderia ter planejado isso? Uma parte dela queria que ela nunca tivesse que voltar ao tribunal. Melhor ainda, uma parte dela queria que a terra apenas abrisse e a engolisse, ela ficou mortificada. O juiz tinha chamado um recesso de uma hora para que, como ele havia delicadamente colocado... quem quisesse ajustar o seu traje pudesse fazer isso. — Payton agora estava em uma corrida para voltar para o escritório, trocar-se com terno de reposição, em seguida, ir até a loja de departamentos mais próxima para comprar um novo par de sapatos. Por cima de tudo, o bastardo, nenhum outro nome era necessário, a partir de agora o homem antes conhecido como J.D. seria simplesmente chamado O Bastardo, O Chato, ou O Idiota, havia arruinado seu melhor par de sapatos. Mas essa não era sua maior preocupação. Sua bunda tinha sido colocada à mostra em audiência pública. Sua bunda tinha sido colocada à mostra em audiência pública. Andando ao longo da calçada de forma irregular com seu salto quebrado, passando por pedestres inocentes, que estavam tendo um lindo dia normal,


pessoas que provavelmente não tinham tido suas bundas à mostra em audiência pública, Payton resmungava em voz alta para si mesma sobre a pior parte de tudo isso. — Eu tinha que usar uma calcinha fio dental hoje, não era? — ela sussurrou com raiva. Ela poderia dar um tapa em sua própria cabeça por essa decisão. O idiota de repente estava ao seu lado. Ele sorriu. — Bem, na verdade, eu acho que as mulheres devem usar calcinha fio dental todo d... — ele parou, vendo seu olhar. — Mas eu posso ver que você não está disposta a discutir isso agora. Payton não podia aguentar isso por mais um momento. Ela avançou sobre J.D. — Oh, você acha que isso é engraçado? Por favor, permita-me desiludi-lo dessa noção. — Payton... — Não. Nada de 'Payton', não perca seu tempo com desculpas ou explicações, eu não me importo. Ela olhou J.D. direto nos olhos. — Se é assim que você quer jogar o jogo Jameson, está bom para mim. As luvas estão de fora agora. Estou prestes a me tornar a cadela que você sempre pensou que eu fosse. Payton viu que seu comentário pegou J.D. de surpresa, isso tirou o seu sorriso - o que ela interpretou como um sorriso - do seu rosto. E ela viu algo momentaneamente intermitente em seus olhos, talvez fosse raiva, talvez fosse outra coisa, agora ela não se importava de qualquer maneira. Agora mesmo, enquanto ela estava naquela calçada, em frente ao J.D., com a saia rasgada e salto quebrado e seu bumbum nu mal coberto pelo paletó amarrado na cintura, tudo o que importava era pelo menos ter a dignidade de dar a última palavra.


Ent達o, vendo que ela tinha momentaneamente o silenciado, Payton aproveitou a oportunidade, se virou e foi embora.


Capítulo Treze

— N

ão

pode ter sido tão ruim assim. Enrolada em seu sofá, Payton deu a Chase um olhar sobre a caixa de pad thai49 que ela segurava. Ela engoliu em seco, depois fez um gesto com seus pauzinhos para dar ênfase. — Oh, não, confie em mim, foi tão ruim assim. Chase tinha ligado para ela mais cedo, quando ela ainda estava no escritório. Embora o resto do seu dia no tribunal tivesse, felizmente, passado sem intercorrências - após o intervalo, ela ainda conseguiu voltar aos trilhos com seu interrogatório do autor - Payton ainda estava tão envergonhada que ela só disse a Chase, o que deve ter sido o eufemismo do ano, que ela tinha tido “uma espécie de um mau dia no tribunal”. Uma hora mais tarde, Chase a tinha surpreendido em casa com um saco de comida asiática para viagem. Para animá-la, disse ele. Não tendo certeza qual deles ela preferia, ele trouxe pad thai, tofu e legumes com arroz frito. Tocada com o gesto, Payton imaginou que ela poderia, pelo menos, dar-lhe a versão condensada do que tinha acontecido naquela manhã. Ela apreciou quando ele educadamente cobriu o riso como uma tosse e culpou o tempero da comida. — Mas você se recuperou bem, isso é o que o júri vai se lembrar. — Chase disse a ela. Estendido confortavelmente no sofá à frente dela, pôs a sua caixa na mesa de café e se inclinou. 49

Macarrão tailandês.


— Na verdade, estou um pouco triste por não estar lá, eu acho que teria gostado de ver. — ele disse com um sorriso de menino. Em seguida, ele se inclinou e beijou-a. Como Payton tinha descrito a Laney no outro dia, ela descobriu que estar com Chase era... calmante. Foi uma boa mudança de ritmo para ela determinadas situações no trabalho, e certo alguém sem nome em particular, tinham uma tendência a perturbá-la. Mas com Chase, não havia barulho. No momento em que as coisas na vida de Payton pareciam incertas e mais do que um pouco fora de controle, estar com Chase era fácil. Ele era fácil. Não daquele jeito. Ela não sabia de qual. Ainda. Depois que eles se beijaram por um momento ou dois, Chase se afastou e deu à Payton um olhar sério. — Há algo que eu venho querendo falar com você. Acho que é hora de levar a nossa relação para o próximo nível. Payton levantou uma sobrancelha. Ah, é mesmo? — O próximo nível seria...? — Um encontro no fim de semana. — Ah, um encontro no fim de semana. — Payton balançou a cabeça provocando. — Eu não sei, isso é um grande passo. Você tem algum fim de semana especial em mente? — Na verdade, eu estava pensando neste fim de semana. — disse Chase. — Uau. Eu não sei. Este fim de semana, deixe-me ver... — Payton fingiu meditar sobre isso. — Tinha alguma roupa que eu estava querendo lavar, mas acho que se eu reorganizar minha agenda... Com uma piscadela, ela sorriu. — Ok.


Chase fingiu suspirar de alívio. — E pensar que eu quase perdi para a lavanderia. Meu ego nunca teria se recuperado. — Ei, essa não é a lavanderia de todos os dias que estamos falando. — disse Payton. — Eu ia lavar os lençóis. Talvez até mesmo uma toalha ou duas. Se isso não é a sua ideia de uma festa na noite sexta-feira, eu não sei o que é. Chase riu. — Bem, agora que eu sei que eu fui classificado acima dos lençóis, sinto-me muito melhor. Payton sorriu, em seguida, ficou mais séria enquanto o estudava. Havia algo que ela sentia que precisava dizer. — Você sabe que há toda essa coisa acontecendo no trabalho, certo? Estou muito ocupada com esse julgamento, e eles vão nomear o novo sócio no final do mês. — ela tinha dito anteriormente ao Chase que havia uma forte concorrência em sua tentativa de se tornar sócia, embora ela não tivesse entrado em detalhes. Chase assentiu e pegou a mão de Payton, entrelaçando os seus dedos com os dela. — Eu só estou provocando você. Eu sei como você está ocupada no momento. Payton olhou em seus olhos castanhos. Sim, isso é tudo o que era, ela disse a si mesma, ela estava ocupada com o trabalho. Nada mais. Antes que qualquer pensamento contrário pudesse rastejar em sua mente, ela estendeu a mão e gentilmente puxou Chase para beijá-lo.

***

Mais ou menos uma hora depois, eles disseram boa noite. Depois de uma breve discussão sobre os seus planos para a sexta-feira, Payton fechou a porta atrás de si. Ela encostou-se à porta, refletindo.


Este era Chase. Um cara tão bom. Como ela também ansiava pelo próximo encontro deles. Payton suspirou pacificamente. Então ela ansiosamente saltou para longe da porta. Voltando para o assunto em mãos. Ela tinha algumas conspirações graves e intrigas para fazer. Pelo menos oito horas se passaram e ela ainda não tinha chegado a nenhuma forma adequada para contra-atacar o mal que era J.D.. Ela precisava de um plano. Rápido. Ele queria fazê-la parecer estúpida. Francamente, ele tinha conseguido isso. Mas o próximo passo era dela. Agora, o que ela poderia fazer que superaria a humilhação da sua bundanua no tribunal...? Payton se movimentou em torno do seu apartamento, limpando após o jantar com Chase, refletindo sobre isso. Ela precisava chegar a algo logo. O tiro de misericórdia. O xeque-mate. O movimento que iria dar-lhe o lugar na sociedade de uma vez por todas. Então ela estaria acabada com J.D. Jameson para sempre. Não teria mais que provar a si mesma; sem mais desses tremores desagradáveis que ela sentia quando o via em ação, algo como borboletas no estômago, era realmente muito irritante; sem mais estresse; sem mais brigas na biblioteca; e, definitivamente, sem mais olhares azuis sexys de eu-vou-beijarvocê-agora-mulher. Ela não tinha ideia de por que acabou de pensar nisso. A privação de sono, sem dúvida. Como a doença de alta altitude, que batia de repente e nos momentos mais estranhos. Payton correu através de sua rotina noturna e se arrastou para a cama. Quando as luzes estavam apagadas, ela não pensava em J.D.. Exceto para traçar seus planos de vingança, é claro.


Capítulo Catorze

S

e, como Lex Kendall

gostava de dizer, todas as mulheres eram irmãs sob a mesma lua, então a Sra. Justiça não era exceção. Ela foi gentil com Payton, de fato. Levou apenas dois dias antes dela tropeçar em sua grande chance. A melhor parte foi que Payton nem sequer teve que fazer nada. A oportunidade apenas caiu em cima dela. Ela tomou isso como um sinal de que o destino - também as mulheres, ela observou - estavam ao seu lado. Ela voltou para o escritório mais cedo. Uma das testemunhas do reclamante teve uma emergência familiar e precisou ser remarcada para depor no dia seguinte. Sem outras testemunhas presentes no tribunal ou disponíveis em tão curto prazo, o juiz havia adiado o julgamento até a manhã seguinte. Payton tinha se estabelecido em sua mesa e começado a rever seus emails, (algumas pessoas eram muito liberais no uso daquele pequeno ponto de exclamação vermelho), quando notou Irma em cima da mesa da secretária de J.D.. As duas mulheres tinham suas cabeças inclinadas e cochichavam atentamente. Ignorando-as em primeiro lugar, Payton continuou com seus e-mails. É claro que ela não encontrou emergências reais, assim como todos os dias, os clientes tinham ataques de pânico fabricados. Mas poucos minutos mais tarde, depois de ver as secretárias ainda profundamente próximas, ela ficou intrigada. Especialmente depois que Kathy, a secretária de J.D., apressou-se na sua mesa em uma procura frenética. Payton chamou Irma quando ela passou por seu escritório.


— Psst! Psst! Irma! Quando Irma olhou para cima, Payton fez um gesto para ela entrar em seu escritório. — O que está acontecendo? — ela perguntou assim que Irma fechou a porta. — Eu vi você em cima da mesa de Kathy. Ela parece estar enlouquecendo com alguma coisa. Irma espiou pela janela de vidro do escritório, em seguida, virou-se para Payton. — Eu não podia dizer nada, mas J.D. está em apuros. Ooh... isso era bom. Payton resistiu ao impulso de esfregar as mãos alegremente. — Que tipo de problema? Diga-me. — ela disse, ansiosa pelos detalhes. — Bem, aparentemente. — Irma começou. — Ele foi chamado ao tribunal para algum tipo de moção emergencial, o que Kathy disse foi: uma moção desprezada? Moção contestada? Não me lembro o que... Payton acenou com impaciência, movendo ao longo de Irma. — De qualquer jeito. Uma moção de emergência. E? — E... — Irma lançou à Payton um olhar, que ela estava chegando lá. — O juiz não vai deixá-lo sair. Ele quer ouvir as alegações e ter uma audiência sobre a moção. Mas o problema é, J.D. tem um depoimento marcado para esta tarde, que era para começar, a tipo, 15 minutos atrás. O outro advogado e seu cliente estão lá em cima e ameaçando sair se o depoimento não começar imediatamente. Kathy foi lá para tentar atrasá-los. Payton e Irma de repente avistaram Kathy correndo de volta para sua mesa. Ela não parecia feliz. — É melhor eu ir lá e ver se há algo que eu possa fazer para ajudar. — disse Irma.


Ela voltou para a mesa de Kathy. Payton observou através do vidro quando a secretária de J.D. ergueu as mãos, gesticulando com ansiedade, em seguida, fugiu novamente. Payton chamou Irma mais uma vez. — Psst! Irma Psst! Irma caminhou de volta para o escritório de Payton. — O que há com você hoje? Você está muito irritante. Payton ignorou isso. — O que Kathy disse? Ela não parecia bem. Isso é ruim? Quão ruim? Diga-me. — Sabe, você mesma pode falar com Kathy. — disse Irma. — Eu estou tentando ficar encoberta. Não pergunte. Apenas me diga o que está acontecendo com J.D.. — Kathy disse que ele está pirando. Eu acho que ele ligou para o outro advogado do tribunal e tentou explicar a situação, mas, aparentemente, o cara foi um idiota sobre isso. E quando Kathy subiu para falar com ele e seu cliente, o advogado disse que tinha voado da cidade de Nova York especialmente para este depoimento e se não começasse imediatamente, ele iria apresentar uma moção de sanções, exigindo ser reembolsado por sua passagem de avião, hotel, e honorários de advogado. Payton

revirou

os

olhos. Alguns

advogados

podiam

ser

tão

idiotas. Felizmente para ela, esse imbecil particular era problema de outra pessoa. — Hmm... isso realmente é um grande dilema. — disse ela mais simpática. — Mas eu tenho certeza que J.D. vai arrumar isso de alguma forma. Quem é o parceiro neste caso? Eu acho que ele vai ter que intervir e assumir o depoimento. — Na verdade, é o caso de Ben Gould. Mas ele está fora da cidade. — disse Irma.


— Que pena. Quem é o cliente? — KPLM Consulting. — Ouch. Tendo ido a todas as reuniões - como associada diligente que era - Payton sabia que KPLM era o terceiro maior cliente da empresa. Ben não ia ficar feliz em ouvir qualquer coisa dando errado envolvendo os assuntos deles. — Eu acho que o J.D. está muito desesperado. — disse Irma. — Ele perguntou à Kathy para ver se algum dos outros sócios de nível superior poderia substituí-lo e tomar o depoimento. Payton assentiu. Então ela virou-se em sua cadeira e voltou para a tarefa muito importante de triagem do seu e-mail. — Bem, eu espero que dê certo para ele. Ela sentiu os olhos de Irma sobre ela. — Eu acho que isso significa que você não está disponível para ajudar? — perguntou Irma. — Rapaz, uau... Eu realmente gostaria de poder. Mas com esse julgamento e tudo... — Payton gesticulou dramaticamente para a pilha de arquivos em sua mesa, nenhum dos quais realmente tinha algo a ver com o julgamento. — Eu só não vejo como encaixar isso aqui. — ela estalou os dedos. Droga. Irma assentiu. Se ela ficou desconfiada, não deixou transparecer. — Ok, eu vou falar para Kathy. Embora eu não devesse ter perguntado, de qualquer maneira. J.D. disse para pedir a qualquer um, menos você. Eu acho que ele provavelmente já sabia que você estava muito ocupada. Não, ele não quer que eu saiba que ele está perdendo, Payton pensou com satisfação. Mas ela mordeu a língua quando Irma saiu do escritório. Uma vez sozinha, Payton teve um momento para avaliar o caso fortuito, desta vez cuidadosamente, além dos inesperados acontecimentos.


Ela tinha acabado de ganhar. Não aparecer para um depoimento, arriscando sanções e honorários advocatícios contra um dos maiores clientes desta empresa não eram exatamente as coisas para as quais os parceiros dariam a outra face. Pode não ter sido culpa do J.D., mas, bem, infração dele. Dos associados, procurando ser parceiros, era esperado que evitassem magicamente essas coisas, e se eles não fizessem... Payton sabia exatamente o que iria acontecer. Se houvesse alguma consequência resultante do incidente de hoje, Ben iria jogar J.D. para fora num piscar de olhos. Parceiros cobrem seus traseiros para o melhor. E se estivesse realmente tão apertada a corrida entre ela e J.D., Payton tinha que pensar que isso seria o suficiente para colocá-la à frente. Ternos manchados de café, calcinhas fio dental expostas - essas coisas eram insignificantes em comparação a irritar o terceiro maior cliente da empresa. E ela nem sequer teve que levantar um dedo para fazer tudo isso acontecer. Fora do seu escritório, Payton ouviu uma Kathy em pânico pedindo ajuda à Irma. — Eu tentei todos os do sétimo ano, e nenhum deles pode tomar o depoimento. — ela ouviu Kathy dizer. — Você pode chamar o sexto e quinto anos, enquanto eu corro lá em cima e peço ao advogado para esperar apenas mais cinco minutos? Se você encontrar alguém, avise que o depoimento está na minha mesa. Payton suspirou. Piedade. Ela voltou sua atenção para as tarefas imaginárias que ela estava tão diligentemente executando.


Pobre J.D.. Ela poderia apenas imaginá-lo, preso no tribunal, disputando, preocupado, imaginando que sorte era ter isso acontecendo agora. Bom. Ele mereceu. Isso tudo era consequência dos seus atos, na verdade. Ele obviamente tinha pegado muitos casos este último par de semanas antes da decisão de parceria, tentando se mostrar. Assim, a bagunça que ele estava envolvido não era problema dela. Além disso, ele não queria que ela ajudasse, de qualquer maneira. Peça a qualquer um, mas à Payton não, ele tinha dito. Bem. Ótimo. Isso, oficialmente, tirava qualquer obrigação de se envolver. Payton suspirou novamente. Piedade. Por alguma razão, o sentimento parecia cada vez menos vitorioso a cada momento que passava. Payton se sentou em sua mesa. E sentou-se um pouco mais. Tamborilando os dedos. Dum-de-dum-de-dum. Oh, foda-se. Sem a menor ideia do porquê, ela levantou-se e caminhou para fora do seu escritório.

***

Payton bateu na porta de Tyler. Quando ele olhou por cima de sua mesa e a viu ali, Tyler parecia mais do que um pouco surpreso. Payton entendeu isso. Ela provavelmente poderia contar em uma mão o número de vezes que ela e Tyler tinham conversado. Como o melhor amigo de J.D., ele estava de fato fora dos limites.


Surpreso como estava, Tyler sorriu, bem-humorado. — Payton. Oi. Posso te ajudar com alguma coisa? Hmm. Na verdade, ele parecia bastante agradável, Payton pensou. Pena que ele tinha esse mau gosto para amigos. Ela encostou-se à porta. Totalmente indiferente. — Eu só achei que você poderia querer saber que J.D. está em apuros. Ele está preso no tribunal e não pode voltar para alguns depoimentos que ele deveria estar tomando no momento. Ela calmamente examinou as pontas das unhas. — Não que seja da minha conta, mas o depoimento é para algum caso importante que ele tem com KPLM Consulting. Eu acho que é uma questão muito importante. Ela suspirou despreocupada, mexendo em uma cutícula. — Ele provavelmente vai ser demitido se não encontrar alguém para tomar o depoimento no próximo par de minutos. Não que eu me importe. Só aconteceu de eu me pegar olhando sobre a nota do depoimento na mesa de Kathy; é um depoimento 30 (b) (6)50. Qualquer que seja. Não é de se surpreender, como melhor amigo de J.D., que Tyler ficou extremamente perturbado com a notícia inesperada. — Hum... Ok. Uau. Deixe-me pensar por um segundo. — ele levantou-se da mesa, andou em torno dela, em seguida, voltou. — Eu acho que eu deveria ligar para Kathy. Não, J.D. — ele parecia indeciso para Payton. — Eu deveria ligar para J.D., certo? Ver o que ele quer que eu faça? — Eu não acho que há tempo para isso. — disse Payton. — Kathy disse que o advogado está pronto para ter um colapso e sair a qualquer momento. — Ok, eu vou pará-los. — Tyler decidiu.

50

É quando uma empresa ou outra entidade civil designa uma testemunha a depor em nome da

organização.


Payton suspirou em frustração. Será que ela tem que soletrar para ele? — Tyler. Você tem que tomar este depoimento. Agora. Ele a olhou fixamente por um momento, depois assentiu. — Claro, claro. Claro. Você disse que era um depoimento 30 (b) (6)? — Sim. Tyler balançou a cabeça novamente, então correu e puxou a cópia das Regras Federais de Processo Civil para fora da sua prateleira. — Um, 30 (b) (6)... vamos ver... — ele folheou as páginas. — Ok, aqui está. Payton olhou para ele, horrorizada. — Meu Deus, menino! Você nunca tomou um depoimento 30 (b) (6)? Tyler

parou

seu

estudo

para

olhar

para

ela. —

Uau,

você

soou exatamente como J.D. agora. Payton fez uma careta. De jeito nenhum. Vendo sua expressão, Tyler respondeu rapidamente. — Eu acho que posso ter tomado um depoimento 30 (b) (6) quando eu era um associado de verão. — ele olhou para ela interrogativamente. — É aquele em que você designa alguém para depor como um agente da corporação? Payton revirou os olhos. Eles não estavam ensinando nada a estas crianças hoje em dia? — Tyler, isso é tipo, uma grande coisa. — disse ela. — Estes depoimentos 30(b)(6) podem ser complicados. As testemunhas são geralmente muito bem preparadas, uma vez que tudo o que disserem pode ser usado contra a empresa. Tyler a olhou. — Então, você já fez isso antes? Payton bufou. Ela estava falando alemão? — Uh... sim. — Então, você poderia tomar este depoimento?


— Como uma campeã. Mas. — ela deu Tyler um olhar aguçado. Ele olhou para ela com aqueles pequenos olhos perdidos e ele só estava no sexto ano de associados. Payton falou com cautela. — Você está ciente da minha situação com J.D., não é? — Estou ciente disso, sim. Então, ele sabia o que estava pedindo a ela, Payton pensou. Ela continuou a olhar para Tyler. Ele não piscou nem uma vez. Depois de um momento, Payton falou. — Ele não faria isso por mim. Tyler inclinou a cabeça, interessado. — É isso que importa para você? Payton jogou o cabelo para trás, decidindo ignorar essa pergunta. — Tudo bem. — ela disse a Tyler com os dentes cerrados. — Eu vou fazer isso. Ela ergueu um dedo. — Mas você vai me ajudar. Suba as escadas e diga ao advogado e seu cliente que pedimos desculpas pelo atraso, mas que tudo foi endireitado e o depoimento começará em cinco minutos. Apresente-se, e por sua vez, tenha certeza de conseguir o nome do advogado. Depois volte aqui e faça uma busca rápida no Martindale Hubbell e na Lexis Nexis51, encontre casos notáveis manipulados, principais clientes, etc. Eu não vou ter tempo para analisar tudo antes do início do depoimento, mas eu vou chamá-lo durante a nossa primeira pausa e você pode me dar os destaques. Ok? Tyler acenou afirmativamente. — Entendi. Com isso, Payton saiu do escritório e dirigiu-se pelo corredor para falar com a secretária de J.D..

51

Bancos de Jurisprudência.


— Kathy eu vou precisar de tudo o que tem nos arquivos de J.D. para este depoimento. — disse ela, logo que chegou à mesa da secretária dele. — Você sabe se ele prepara esboços para seus depoimentos? Se você não conseguir encontrar uma cópia nos arquivos, faça uma busca em seu computador. Kathy voou para fora da sua cadeira, extremamente aliviada. — Isso significa que você pode cobrir o depoimento? Oh, graças a Deus, Payton. Vou pegar esse material imediatamente. Sim, J.D. prepara esboços dos seus depoimentos, e eu sei exatamente onde eu possa encontrá-los... Enquanto Kathy corria, Payton foi para seu próprio escritório. Irma a olhou com curiosidade, enquanto ela passava. — Mudança de coração? — ela perguntou. — O que aconteceu com Tyler? — Nunca mande um menino fazer o trabalho de uma mulher, Irma. Payton piscou para sua secretária, em seguida, desapareceu em seu escritório para vestir a sua cara de jogadora.

***

Considerando tudo, o depoimento foi muito bem. Payton atribuiu isso ao fato de que ela tinha habilidades seriamente boas como advogada. E talvez apenas um pouco, bem pouco, ao fato de que J.D. tinha preparado um esboço de depoimento muito completo que estabelecia praticamente todas as perguntas que ela precisava fazer. Apesar do aviso extremamente tardio, Payton não achou difícil de intervir. Juntamente com o esboço, J.D. havia preparado suas exposições com antecedência e ele tinha organizado sequencialmente. Claro, alguns pequenos desvios do esquema eram esporadicamente necessários, esclarecer algo a testemunha também. Mas, além disso, ela achou a preparação e estratégia de J.D., muito parecida com a dela se esse fosse seu próprio caso. Ela ainda conseguiu - apesar do atraso em começar - terminar o depoimento por quatro e


meia, algo que J.D., aparentemente, havia prometido ao advogado para que ele e a testemunha pudessem pegar o voo de seis horas de volta para Nova York. — Obrigado por ser tão amável, Srta. Kendall. — disse o advogado à Payton depois de ter concluído o depoimento. Ele tinha se tornado muito mais amigável uma vez que o depoimento tinha começado e a pipoca e biscoitos de cortesia tinham chegado. — Não tem problema, Sr. Werner. — disse Payton, balançando a mão dele em despedida. — J.D. entrará em contato com você para discutir o cronograma do resto dos depoimentos. Mais uma vez, eu sei que ele está muito triste por toda a confusão desta tarde. Infelizmente, o Juiz Pearson não o deixou com muita escolha. Payton e Werner compartilharam uma risada simpática. Isso nunca falhava: advogados sempre poderiam, pelo menos, encontrar um terreno comum ao reclamar sobre os juízes. Depois que o advogado e seu cliente saíram, Payton começou a arrumar os arquivos de J.D., tendo o cuidado de mantê-los organizados na forma como ela os tinha encontrado. Ela pediu ao relator da corte para enviar um e-mail a ela de uma cópia da transcrição em tempo real, imaginando que ela poderia transmitir ao J.D. imediatamente. Quando ela terminou, Payton se sentou e orgulhosamente apoiou os pés em cima da cadeira na frente dela. Não foi pouco direito que ela tinha arrancado hoje, ela disse a si mesma. Ela viu a bandeja de biscoitos que sobraram do depoimento. Que diabos? Ela certamente tinha ganhado um deleite. Ela verificou a seleção e escolheu um biscoito duplo de chocolate. Ela pegou o biscoito e estava prestes a morder quando... — O que é que você fez? Ao som da voz, Payton congelou, de boca aberta com o biscoito no ar. Ela se virou e viu J.D. parado na porta.


— Quão ruim? — ele perguntou em um tom grave, sério. Payton deu uma mordida no biscoito. Ela mordeu deliberadamente, tomou seu tempo, então inclinou a cabeça. — Na verdade, é muito gostoso. J.D. entrou na sala. Foi então que Payton percebeu como ele parecia exausto. O que era particularmente notável, porque J.D. Jameson nunca parecia cansado. Seu cabelo estava estranhamente despenteado e ele parecia sem fôlego, como se tivesse sido atropelado logo após terminar sua audiência. Payton simpatizou. Ela sabia o quão difícil deve ter sido o seu dia, ela já teve alguns desses também. Por um momento, ela quase se sentiu mal por J.D.. Pena que o momento não durou muito. — Ah, o excelente sarcasmo Kendall. — disse J.D.. — Tudo bem, me conte. O que você fez? Fazer declarações obscenas no registro? Fingir uma gagueira? Perguntar à testemunha a mesma pergunta quinhentas vezes? — Não. — disse Payton. Embora, ela tenha feito uma nota mental para futura referência - aquelas ideias não eram tão ruins. — Não, claro que não. — J.D. fez uma careta. — Você nunca faria nada que pudesse prejudicar a sua própria reputação. Tudo o que você fez para me prejudicar teria que ser muito mais sutil. Ele olhou ao redor da sala. Sua voz estava no limite quando ele disparou perguntas para ela. — Onde estão Werner e a testemunha? Foram embora? Você terminou tão rápido, né? Bem, esqueça. Vou trazê-los de volta para cá. Eu quero reabrir este depoimento e corrigir a bagunça que você fez. Payton levantou-se e ajeitou o seu paletó. — Desculpe, J.D., eu receio que você esteja preso com a minha bagunça. Regra 30 (c) das Normas Federais de Processo Civil: o exame da testemunha,

procede

como

se

no

julgamento. Isso

significa

que

somente um advogado pode interrogar a testemunha. Será que eles não ensinam isso em Harvard? — ela demorou sarcasticamente.


— Sim, eles me ensinaram em Harvard. — J.D. disse secamente. Ele cruzou os braços sobre o peito e olhou para ela. — Eu quero ver a transcrição. Imediatamente. Payton olhou para ele. Portanto, este era o agradecimento que tinha por ajudá-lo. Ela não sabia por que estava surpresa. — Não há problema. — disse ela. Ela pegou sua maleta e tirou seu computador portátil. Enquanto J.D. ficou ali, olhando furiosamente para ela, com os braços cruzados sobre o peito, Payton abriu seu e-mail e encontrou a transcrição em tempo real que o relator da corte tinha lhe enviado. Ela rapidamente transmitiu a J.D.. — Feito. — disse ela. Ela agarrou seu laptop, fechou e jogou-o de volta para sua pasta. Ela se levantou novamente para enfrentar J.D. — Isso foi imediato o suficiente para você? Seus olhos brilharam, e por um segundo, ele pareceu fazer uma pausa. — Sim. — ele disse laconicamente. — Bom. — Payton pendurou a pasta por cima do ombro e se dirigiu para a porta. — Seus arquivos estão todos lá, eu coloquei de volta na mesma ordem que você os tinha. E Werner quer que você ligue amanhã para falar sobre os depoimentos restantes que precisa agendar. Desfrute da sua transcrição, J.D.. Com

esse

pensamento

de

despedida,

ela

saiu

da

conferências. Furiosa. Com ela, principalmente. Por pelo menos pensar que a conversa poderia ter sido diferente.

sala

de


Capítulo Quinze

J

.D.

tocou

a

campainha uma segunda vez. Como ela não respondeu, ele checou o endereço que tinha pesquisado em seu Blackberry. De acordo com o diretório da empresa, ele estava no lugar certo. As

luzes

do

andar

de

cima

do

flat

estavam

acesas,

então,

presumivelmente, alguém estava em casa. Então um pensamento ocorreu a J.D., o mesmo que ele teve após o jantar com Jasper e a equipe da Gibson: talvez ela não more sozinha. A campainha e a caixa de correio não davam pistas sobre nada. Mais cedo, após Payton ter saído da sala de conferências, J.D. tinha se dirigido imediatamente para o seu escritório e descarregado a transcrição do depoimento que ela tinha enviado. Ele febrilmente mergulhou, esperando o pior. Conforme a leitura avançava, ele continuou tenso, à espera de encontrar a reviravolta, as coisas que ela tinha estragado para ferrar com ele, alguma coisa. Qualquer coisa. Mas o que ele tinha descoberto, dessa vez foi... nada. Sem truques. A menos que alguém contasse o truque que Payton havia conseguido colhendo um depoimento 30 (b) (6) muito bom, com antecedência de trinta segundos. Claro que haviam algumas pequenas coisas, algumas linhas que J.D. poderia questionar e tomar uma abordagem um pouco diferente, ou talvez não, mas, no entanto, tudo o que ele pôde pensar foi... Uau.


E justamente quando ele achava que não poderia se sentir mais idiota, Tyler ligou e o deixou a par de tudo. E assim, J.D. encontrava-se na porta de Payton. Em pé, sem rumo em sua varanda da frente, com mais nada a fazer, ele olhou ao redor verificando o bairro. Várias casas geminadas no bloco, incluindo a que presumivelmente pertencia a ela. A rua era arborizada e tinha uma pitoresca lembrança da área urbana. Ele gostou. Não tanto como gosta do seu arranha céu, onde o condomínio tem vista para o lago, claro, mas ele achou um lugar aceitável para deixar o Bentley estacionado na rua. E para J.D., isso dizia muito. Ele apertou o botão do interfone novamente. A terceira vez vai dar certo, como sempre dizem, o que era bom, porque dadas as circunstâncias, sorte era algo que ele definitivamente precisava... — Olá? A voz de Payton crepitantemente alta soou através do interfone, surpreendendo-o momentaneamente. Ela parecia aborrecida. E ele ainda não tinha falado nada. J.D. limpou a garganta e apertou o botão do interfone. — Uh, Payton, oi. É J.D.. Um silêncio de morte. Em seguida, outro estalo. — Desculpe. Não estou interessada. Que bonitinha... mas J.D. persistiu. Mais uma vez no botão. — Eu quero falar com você. Estalo.


— Já ouviu falar de telefone, seu idiota? Ok, ele provavelmente merecia isso. Botão. — Escute, eu estou aqui fora há quinze minutos. Por que você demorou tanto tempo para atender? Estalo. (Suspiro irritado). — Eu estava entrando no chuveiro. J.D. levantou uma sobrancelha. No chuveiro? Humm... ele gostou de ouvir isso. Espere um segundo, não, ele não gostou. J.D. mal. Botão. — Eu li a transcrição do depoimento. Estalo. — Bom para você. Ela certamente não estava facilitando as coisas. Mas ele esperava isso. Botão. — Payton. — J.D. disse em um tom sério. — Eu gostaria de dizer isso pessoalmente. Por favor. Silêncio. Ele praticamente podia ouvi-la debatendo. Em seguida, o botão foi apertado firmemente, destravando a porta da frente. J.D. mergulhou para apertar a campainha antes de ela mudar de ideia, e entrou.

***


Os olhos de Payton observaram rapidamente seu cômodo dianteiro e a cozinha, certificando-se que eles estavam apresentáveis. Não que isso importasse, porque: (a) era o idiota e (b) ele não ia ficar. Seu apartamento era seu santuário, o que significava 100 por cento livre de J.D.. Ela abriu a porta da frente pensando que iria pegá-lo nas escadas e impedi-lo de passar. Mas em vez disso, encontrou-o já de pé ali. Na sua frente. A forma rápida que ela abriu a porta o pegou desprevenido. Com uma das mãos na moldura da porta e a outra no quadril, Payton olhou para ele. — O que você tem a dizer, diga rapidamente. Tive um longo dia. Recuperando-se da surpresa momentânea, J.D. a olhou. — Isso é um pouco abrupto. Posso entrar? — Não. — Ótimo. Obrigado. Ele passou por Payton e entrou em seu apartamento. Payton bufou. Aparentemente, ela não teria escolha no assunto. Ela fechou a porta atrás dele e viu quando ele olhou em volta, curioso. — Pois bem, este é o lugar onde você mora. — ele disse, como se fascinado, um homem que havia sorrateiramente entrado em campo inimigo. — Espaço agradável. Parece que você tem uma grande quantidade de luz. — ele olhou por cima. — Só você? Payton assentiu. — Sim. Olha... o que quer que você... — Posso ter algo para beber? — ele a interrompeu. — Um copo de água seria ótimo. Vim direto do trabalho. Primeiramente, Payton não disse nada. Ela simplesmente olhou para ele, se perguntando o que diabos ele estava fazendo ali.


— Estou um pouco sedento. — acrescentou. Ela pensou ter visto o menor traço de um sorriso em seus lábios. Ele estava tentando ser fofo? Ou talvez ele só estivesse enrolando. — Tudo bem. — ela suspirou e relutante se virou para ir até a cozinha. — Perrier, se você tiver. Payton deu um olhar maligno por cima do ombro. J.D. sorriu. — Só estou brincando. Definitivamente tentando ser fofo. Tanto faz. Ignorando-o, Payton pegou o copo de água. Era estranho ele estar lá no apartamento dela. Pareceu pessoal... sentia-se estranhamente nervosa. Inquieta. Depois de encher um copo com água quente da torneira, sem entusiasmo, ela voltou para a sala. A sala era dividida por uma parede de estantes embutidas - uma das poucas coisas do projeto original que ela não tinha mudado depois de comprar o lugar - e ela encontrou J.D. lá, olhando para sua coleção de livros. Quando ele se inclinou para conferir a prateleira inferior, Payton notou pela primeira vez que ele não estava usando um paletó. As mangas da sua camisa estavam arregaçadas em torno dos seus braços, a gravata afrouxada, e seu cabelo parecia completamente casual. É assim que ele fica quando chega em casa do trabalho, Payton pensou. Ela pegou-se perguntando se se ele tinha para quem voltar. Deixando isso de lado, Payton se aproximou sem cerimônia e entregou o copo de água para ele. — Aqui. A mão de J.D. roçou a dela conforme pegava. — Obrigado. Havia algo

sobre

a maneira como ele

olhou

para ela, Payton

notou. Durante anos, suas expressões haviam oscilado em algum lugar ao longo


do

presunçoso/arrogante,

você-não-sabe-sobre-o-que-você-está-falando-

Clintonite52, para o mais frustrado gostaria-de-estrangular-você-mas-nãotenho-tempo-para-pegar-sua-carga-horária.

Mas

ultimamente

ele

estava

diferente, e ela achava muito difícil entendê-lo. — Por que você está aqui? — ela perguntou sem rodeios. Depois de olhar para o copo com água do lago Michigan que ela deu a ele, J.D. tomou um gole da água, fez uma pausa, como se ainda estivesse descobrindo a resposta para isso. — Eu tenho perguntas. — ele finalmente disse. — Perguntas? — Payton questionou, surpresa. De tudo o que ela estava esperando que ele dissesse, não era isso. — Sobre o depoimento. — explicou. — Oh. Bem, você leu a transcrição do depoimento. Houve algo que você não entendeu? — Sim. — J.D. colocou o copo em cima de uma mesa nas proximidades. Levantou-se e olhou para ela, lembrando-a o quão alto ele realmente era. — Por que você fez isso? Payton levantou a cabeça. — Você realmente achou que eu iria estragar um depoimento, não é? Além da minha reputação. — ela enfatizou isso em referência insulto anterior dele. — Eu nunca faria isso com um cliente. J.D. dispensou isso com um gesto da mão. — Não, eu entendo essa parte. Mas eu conversei com Tyler. Ele disse que você foi até ele por causa do depoimento. Você me tinha em um beco sem saída, se você não tivesse feito nada, eu estaria ferrado. Você sabe como Ben trabalha: não há espaço para erros quando se trata dos clientes dele. — ele fez uma pausa, voltando para sua pergunta original. — Então? Por que você me ajudou? 52

Essa palavra faz referência a Bill Clinton, ele foi presidente dos Estados Unidos. Ele foi cassado em

1998 sob a acusação de perjúrio e obstrução da justiça, mas foi absolvido.


Ela levantou uma mão. — Calma aí, amigo. Eu não fiz isso para ajudá-lo. — Ok, tudo bem. Por que, então? Payton, ela mesma, tinha pensado muito sobre essa questão depois de ter chegado em casa naquela noite. Então ela disse a J.D. a única resposta lógica que ela tinha. — Eu decidi que eu não quero ganhar por omissão. Se a Comissão de Parceria me escolher - quando ela me escolher, eu devo dizer - eu quero saber que é porque eu mereci, não por causa de alguma estúpida confusão sua no último minuto. J.D. não disse nada a princípio. Então, ele acenou com a cabeça. — É justo. — ele hesitou com a próxima parte. — Bem, independentemente das suas motivações, a verdadeira razão que eu vim aqui hoje é porque eu... — ele respirou fundo, como se necessitasse se estabilizar. — Eu queria te agradecer. E me desculpar. Quando eu a encontrei na sala de conferências após o depoimento, você tinha essa expressão de satisfação em seu rosto e, bem, eu acho que eu presumi o pior. Ele fez uma pausa. — É isso? — Payton perguntou, não inteiramente convencida com este pedido de desculpas. — Oh, eu estava apenas esperando você dizer algo sarcástico sobre idiotas e suposições. Payton deu-lhe um olhar firme. — Como se eu fosse clichê. Ela notou que ele estava observando-a. Mais uma vez. — O que? J.D. sorriu. — Agora eu estou esperando que você faça a coisa com seu cabelo. A pequena sacudida. Payton encarou. Nota mental: Investir em grampos de cabelo.


— Você sabe, como desculpa, essa, poderia conseguir uma tonelada de melhorias. — ela disse. — Mais alguma coisa? — Não. — ele deu de ombros com naturalidade. — Bem, exceto que eu estava pensando... eu também não quero ganhar por falha. Então talvez pudéssemos dar uma trégua. — Uma trégua? — Payton perguntou. — Isso é muito magnânimo da sua parte, considerando que a próxima jogada é minha. O que eu ganho com isso? J.D. deu um passo mais perto dela. — Humm. A satisfação de ser uma pessoa melhor? Payton fez uma pausa, muito intrigada com isso. — Você iria admitir isso? Os olhos de J.D. brilharam com diversão. Ele deu um passo mais perto. — Neste contexto, Srta. Kendall, sim. Payton parou, considerando os termos da sua proposta. Aposta mais alta para ela não poderia haver. — Tudo bem. — ela concordou. — Uma trégua. Ela tinha que inclinar a cabeça para trás para encontrar o olhar de J.D., eles estavam, de repente, de pé, muito perto um do outro. Uh-oh, ela pensou, foi assim que tudo começou da última vez. Ela sentiu aquele ímpeto familiar e pensou em dar um passo atrás, mas que o céu a ajude se ela desse um centímetro para J.D. Jameson. — Eu acho que agora eu devo a você. — a voz de J.D. estava mais suave. Payton balançou a cabeça. — Não, você realmente não deve. Ele acenou com a cabeça que sim. — Eu li a transcrição. — Você já disse isso. — Você foi incrível, Payton. — ele murmurou, sua voz rouca.


Bem. Droga, se essa não era a coisa mais sexy que ela já tinha ouvido. J.D. olhou para ela com uma expressão tímida, como se interessado em ver o que ela faria a seguir. E pelo seu olhar, Payton percebeu que em algum lugar no meio de tudo isso, o jogo entre os dois havia mudado. Tudo começou com aquela briga estúpida na biblioteca. Ou tinha começado antes disso...? Estando lá, olhando nos olhos fantasticamente azuis de J.D., Payton, de repente não tinha tanta certeza. Humm. Ele tinha realmente longos cílios para um cara que ela nunca tinha notado antes. Quase atraente, como as mechas quentes loiras em seu cabelo castanho. E por falar em seu cabelo, ela meio que gostava da forma como o cabelo dele estava ligeiramente despenteado naquela noite. Algo sobre ele a fez querer agarrá-lo por aquela gravata estilosa e deixá-lo bagunçado de verdade, passando horas fazendo algumas coisas que ela suspeita que fossem muito mais surpreendentes do que o depoimento desta tarde. Uau, ela realmente precisava ficar com alguém. Não com J.D.. Ele era muito tipo A para o gosto dela. Ela apostaria que ele seria controlador e dominador na cama. Apesar de que poderia ter potencial... E agora ela estava corando. Vendo que ela não tinha se afastado dele, J.D. levantou uma sobrancelha. Payton viu os cantos da boca dele inclinarem-se em um sorriso, e se ela não conhecesse melhor, poderia jurar que ele estava desafiando-a a fazer uma jogada. Queria que ela fizesse um movimento, mesmo. E ela não teria que fazer muito, se inclinasse a cabeça poucos centímetros, eles estariam se beijando. Humm.


Ela se perguntava se J.D. tinha polo ponies53 em seus preservativos. — Você precisa ir. — Payton soltou enfaticamente. J.D. inclinou a cabeça, mas não se mexeu, então para apressá-lo, Payton colocou a mão em seu peito, empurrando-o para a porta, uau, ele tinha um peito muito firme para alguém tão extravagante. — Agora, você tem que ir agora. — ela disse enquanto abria a porta da frente e, literalmente, empurrava-o para o corredor. J.D. protestou. — Hey! Espere um segundo, há algo mais... Payton tentou fechar a porta, mas J.D. bloqueou com o braço. — Jesus, mulher, vai me deixar falar?! — Não. Você já disse o que veio para dizer. Desculpas aceitas, não haverá mais sabotagem, etc., etc. E, à propósito, eu não posso acreditar que você realmente me chamou de 'mulher'. Isso é quase tão ruim quanto “cupcake”. — Eu aposto que há um monte de mulheres que pensam que é cativante ser chamada de cupcake. — Se houver, com certeza, elas não moram neste apartamento. J.D.

parecia

prestes

a

arrancar

os

cabelos. —

Você

sabe

o

que? Esqueça. Eu mudei de ideia, eu não tenho mais nada a dizer. E sério, mulher - acho que você pode realmente ser louca. Ou talvez seja apenas o efeito que tem sobre mim! — ele terminou seu discurso falando sério e alto. Em seguida, virou-se e saiu correndo pelas escadas. Payton meio fechou e meio bateu a porta atrás dele. Bom, ela não queria ouvir mais nada do que ele tinha a dizer de qualquer maneira e agora, pelo menos, ele estava fora do seu apartamento, e por falar nisso, ele realmente precisava melhorar suas reações e... 53

É uma marca muito famosa e cara americana, Polo Ralph Lauren, ela faz essa referência por J.D. só

usar coisas assim, roupas de marca.


Uma batida impaciente soou na sua porta. E então, novamente, mais alta. O que ele está pensando? Payton abriu a porta e... J.D. imediatamente levantou a mão. — Não. Diga. Qualquer. Coisa. Payton abriu a boca. J.D. apontou e balançou a cabeça com um olhar firme. — Não. Payton revirou os olhos. Mas não falou. — O que eu queria te dizer. — começou ele, deliberadamente. — Era que você estava errada. Agora isso era uma maldita surpresa. Payton o encarou. J.D. continuou, mais calmo agora, sua voz firme. — Quer dizer, sobre o que você disse à Tyler. Seus olhos se encontraram e se mantiveram. — Eu teria feito aquilo por você em um piscar de olhos. Payton sentiu isso. O gelo em torno de seu coração, ela sentia parte dele rachar e derreter logo em seguida. E, pela primeira vez em oito anos, ela não tinha ideia do que dizer a J.D. Jameson. Ele deu um leve aceno de cabeça. — Eu só queria esclarecer isso. Com isso, J.D. se virou e saiu, dessa vez de verdade, e Payton fechou lentamente a porta atrás dele. Ela resistiu ao impulso de olhar pela janela da frente e ver enquanto ele deixava seu prédio. Em vez disso, ela ocupou-se pegando o copo vazio que ele tinha deixado para trás. Ela lavou o copo na pia da cozinha e o colocou fora da sua vista, ansiosa para se livrar dos vestígios de sua visita.


Ela sabia que algo tinha mudado naquela noite e, francamente, ela queria ignorar esse fato - ou pelo menos, tentar - e fazer as coisas voltarem a ser como eram. Uma trégua era uma coisa, mas - Deus me perdoe - ela realmente esperava que isso não significasse que J.D. ia começar a ser legal com ela ou qualquer coisa. De repente, estar em uma boa relação com ele poderia tornar as coisas complicadas. E ela certamente não precisava de quaisquer complicações no trabalho agora. Eu teria feito aquilo por você em um piscar de olhos. Os pensamentos de Payton permaneceram sobre essas palavras. E apesar de tudo, ela sorriu. Não que isso importasse. Realmente.


Capítulo Dezesseis

— O

itenta

dólares por pessoa para um brunch, é melhor ter diamantes escondidos nessa omelete. Era o quinto comentário nessa manhã sobre a estúpida omelete. Payton sabia que ela só deveria ter ido com os waffles belgas. Mas resolveu tomar um brunch agradável, ela ignorou a observação e gesticulou para o prato da sua mãe. — Como estão as frutas frescas e a granola? — no buffet do restaurante NoMI54, com 100 ou mais itens, essas foram as duas únicas coisas que sua mãe havia considerado aceitáveis para comer. Lex Kendall estava em forma típica naquela manhã. E nada iria desviá-la tão facilmente. — Você está tentando mudar de assunto. — ela disse. — Sim, eu estou. — Payton tomou um gole de sua bebida. Nesse ritmo, ela provavelmente teria a necessidade de uma segunda, então ela levantou um dedo para o garçom. Serviço, por favor. Rapidamente. Sentada do outro lado da mesa coberta com uma imaculada toalha de linho branco, Lex balançou a cabeça em frustração. Seus longos cabelos castanhos caíram sobre as mangas da blusa camponesa floral excêntrica com ondas estilizadas. Em seus jeans desbotados e tamancos-ecologicamentecorretos, ela estava um pouco mal vestida para o brunch de inauguração do 54

Um dos melhores restaurantes do centro de Chicago.


restaurante do Park Hyatt Hotel’s. Não que Payton se atreveria a dizer-lhe isso algum dia. — Vamos lá, filha. — Lex pediu. — Você sabe que a indústria avícola está mais preocupada com atalhos financeiros do que proporcionar condições humanas para os pássaros que descuidadamente maltratam. Eu não vejo como você pode ignorar isso. Payton resistiu à vontade de morder a isca. Ela sabia que estava forçando a barra, trazendo sua mãe aqui. Mas não haviam tantos restaurantes vegetarianos na cidade, muitos dos quais ela já havia levado sua mãe nas visitas anteriores, e ela queria tentar algo diferente, algo mais sofisticado. Ela sabia, Laney estava certa, se ela se tornasse sócia, estar torno de dinheiro era algo que era melhor se acostumar, porque certamente ela teria o suficiente. No ano passado, o associado mais novo em sua empresa ganhou 1,1 milhões de dólares. E como Payton certamente nunca foi de jogar dinheiro fora, francamente, ela nunca teve nada antes de começar na empresa - com o salário ela podia se dar ao luxo de levar a sua mãe para um brunch decente. Com este pensamento em mente, em vez de discutir com sua mãe, Payton sorriu amigavelmente. — Talvez, uma vez que temos tão pouco tempo juntas neste fim de semana, nós poderíamos debater sobre as virtudes de uma dieta vegan em outro momento. Vamos apenas ter uma refeição agradável, vamos, mamãe? — ela fez um gesto com a taça para o restaurante. — Quando eu perguntei no escritório, as pessoas disseram que este era o melhor brunch na cidade no dia dos pais. Embora possa parecer estranho para algumas pessoas, o fato de que ela celebrava o Dia dos Pais com a sua mãe, deu a Payton uma pequena pausa. Era algo que as duas faziam a cada ano, sozinhas, continuando a tradição depois que Lex e seu marido se mudaram para San Francisco, quando Payton começou a faculdade. Payton tinha praticamente nenhuma memória do seu pai, pois ele e sua mãe se separaram logo depois que ela nasceu e ele tinha vindo visitá-la esporadicamente por apenas um par de anos depois. E enquanto a falta de


interesse do seu pai em manter um relacionamento, era algo que a tinha incomodado mais cedo na vida, aos 32 anos já não incomodava mais. Sua mãe raramente falava sobre Shane, e até mesmo Payton pouco se referia a ele, e como resultado, ela se sentia totalmente desconectada dele. Ela nem sequer levava o sobrenome do seu pai, já que ele e sua mãe nunca tinham se casado. Aparentemente, no entanto, eles tinham uma coisa em comum: ela tinha os olhos do pai. Pelo menos é o que sua mãe costumava dizer-lhe, com uma espécie de maneira melancólica, quando era mais jovem. Em resposta ao comentário de Payton sobre o restaurante, Lex olhou em volta com um olhar crítico. Por solicitação de Payton, elas tinham uma mesa perto da janela com vista para a Avenida Michigan. Como uma das poucas comemorações a dois naquela manhã, tinha sido um pedido fácil de acomodar. — Claro, é um lugar agradável. Se você estiver encenando o brunch. — ela revirou os olhos e olhou profundamente para Payton. — Você se encaixa aqui. Payton suspirou. — Mãe... Lex levantou a mão. — Não é uma acusação, filha. Eu só estou tendo um daqueles momentos “mãe” onde eu me pergunto o que aconteceu com a menina que costumava vestir-se com minhas roupas velhas como uma cigana para o Halloween. — ela sorriu com carinho. — Você se lembra disso? Você fez isso cinco anos seguidos. Payton não teve a coragem de dizer a sua mãe que a razão dela ter se vestido como uma “cigana” era porque ela sabia, até mesmo para uma menina, que não podiam se dar ao luxo de desperdiçar dinheiro em roupas compradas em lojas. — Agora parece que você está em uma passarela em Paris ou algo assim. — continuou Lex, apontando para a roupa de Payton. Payton forçou o riso.


— São apenas roupas de trabalho. — disse ela. Ela usava calça preta sob medida, saltos e um suéter com decote em V. Estava irracionalmente fresco para junho, aquele dia, mesmo para os padrões de Chicago. — Bem, normalmente eu gostaria de salientar que o seu “apenas roupas de trabalho”, provavelmente poderia alimentar dez das minhas meninas por uma

semana.

disse

Lex,

referindo-se

às

mulheres

que

viviam

temporariamente em um abrigo que ela trabalha em San Francisco. — Mas já que temos tão pouco tempo juntas e no espírito de ter uma refeição agradável, é claro, eu vou morder minha língua e dizer apenas que você parece muito elegante. Muito chique, grandiosa advogada. — com isso, Lex inclinou sua bebida para Payton e tomou um gole. Saúde. Se Payton, alguma vez já se perguntou como ela tinha chegado a ser tão sarcástica, bem, pergunta respondida. Lex olhou por cima da sua bebida, com o silêncio de Payton. — O que? — Desculpe. Agora eu estou tendo um daqueles momentos “filha” querendo saber quando, exatamente, eu me transformei em minha mãe. Lex sorriu. — Aw, Sis, é a melhor coisa que você já me disse. Por causa disso, eu não gostaria de salientar que uma vaca teve que morrer, a fim de tornar-se a sua bolsa. Payton olhou para o teto. A mulher passou por 18 horas de trabalho de parto para lhe dar a vida, ela se lembrou. Livre de drogas. — Vamos falar de outra coisa. — ela disse à sua mãe. Ela perguntou sobre Steven e suas filhas, que estavam em torno da mesma idade que Payton e viviam em Los Angeles com seus maridos. Sua mãe falou sobre seu trabalho no abrigo, as circunstâncias que trouxeram alguns de seus moradores mais recentes e, em seguida, em uma rara expressão de interesse, realmente fez a Payton uma ou duas perguntas sobre como as coisas estavam indo com a empresa. Payton respondeu vagamente, não vendo razão para se aprofundar em toda a questão da sociedade, uma vez que não havia qualquer notícia ainda sobre isso. Em vez disso, ela falou sobre seus casos, recebendo uma risada da sua mãe quando ela


lhe contou sobre a imagem de dois metros com um pênis que foi um Anexo de seu julgamento atual. — Uma imagem com um pênis de dois metros hein, hein? Isso envergonha qualquer um que eu já vi. — Lex jogou a Payton um olhar furtivo. — Porém, eu já te contei sobre aquele cara que eu conheci no Woodstock... Payton cortou o assunto. — Não. E você nunca dirá. — o espírito liberal da sua mãe e a política de discussão de portas abertas era algo que ela poderia muito bem ficar sem, quando o tópico em questão fosse sexo. Lex recostou-se, decepcionada por ser incapaz de contar a sua história. — Uau, quando você ficou tão puritana? Com um choque, Payton percebeu o que tinha acontecido. Ela tinha se tornado Laney. — Eu não acho que me faça uma puritana só porque eu não quero ouvir minha mãe falar sobre seus amores liberais e suas travessuras sexuais do passado. — ela respondeu. — Tudo bem, vamos falar sobre você em vez disso. — Lex jogou de volta para ela. — Você está saindo com alguém atualmente? Payton tinha debatido no fim de semana se devia dizer a sua mãe sobre o Perfeito Chase. Ele estava fora da cidade, visitando seus pais em Boston, e quando ele voltasse naquela noite, ele teria planos com seus amigos, por isso apresentá-lo à sua mãe não estava em discussão. Era estranho, porque pela primeira vez ela estava namorando alguém com quem até sua mãe teria problemas para encontrar falhas, mas ainda assim, hesitou em mencioná-lo. Talvez ela só não quisesse dar sopa para o azar. — Na verdade, eu comecei a ver alguém, há algumas semanas. — Payton disse para a sua mãe. — Você iria amá-lo. — e ela passou a descrever Chase, ela destacou mais de uma vez que ele realmente era um grande cara. E ela, sendo a pessoa lógica, pragmática, sabia que ele era um daqueles homens que nenhuma


mulher

deve

deixar

escapar,

mesmo

que

o

momento

não

fosse

grandioso. Mesmo que ela estivesse com a atenção desviada atualmente com outras coisas. Por causa do trabalho, é claro.

***

Na saída delas do restaurante, Payton e sua mãe pararam na chapelaria. O clima excepcionalmente frio era a oportunidade perfeita para Lex começar mais uma das suas discussões sobre a política e a economia da mudança climática global. Payton assentiu ao longo dos relatórios científicos distraidamente - sim, sim. Relatórios científicos suprimidos, certamente, o governo havia feito esforços, é claro, relatórios sobre o petróleo escondido. De fato, o planeta estava indo em direção a uma iminente catástrofe, enquanto ela pegava os casacos delas e acenava para o atendente com uma mão. Na outra mão ela segurava a caixa delicadamente enrolada com a considerável comida que sua mãe insistiu em levar para o povo “sem casa” (sua mãe se recusava a dizer “sem-teto”) que passariam por seu caminho para o hotel. Payton lutou com a caixa pesada, enquanto tentava encontrar a outra manga do seu casaco. Ela olhou de volta, tateando, ainda fingindo interesse na conversa de sua mãe, quando... ...alguém ergueu a jaqueta e gentilmente resolveu a questão através de seus ombros. Grata pela ajuda, Payton se virou... ...e inesperadamente encontrou-se olhando para J.D.. Ela corou. Nenhuma pista do porquê. — Oh. Olá. — Olá. — ele sorriu. — É você.


— Sou eu. Payton de repente sentiu a necessidade de parecer casual. — Então, nós viemos aqui para o brunch. — ela disse despreocupadamente. — Eles disseram que era o melhor na cidade para o Dia dos Pais. — Você está aqui com sua família, então? — perguntou J.D.. Ele parecia curioso sobre isso. Antes que Payton pudesse responder, ela ouviu uma tosse não tão sutil atrás dela. Merda! Sua mãe. Ela tinha esquecido completamente dela. Normalmente, Payton gostava de dar às pessoas um discurso preparatório antes de conhecerem sua mãe, temas de conversa para evitar, o que não usar, e se refeição estivesse envolvida, o que não comer. Os homens apresentados para sua mãe precisavam de treinamento adicional, pelo menos vários dias de “Os 101 Valores de Lex Kendall”. Apesar de tudo isso, poucas pessoas, mesmo as normais, pessoas perfeitamente inofensivas, conseguiam passar por um encontro com sua mãe, ilesas. Por trás de Payton veio uma segunda tosse, mais severa. J.D. e sua mãe não podiam se conhecer. E se o fizessem, ela absolutamente não queria estar em qualquer lugar nas proximidades. Payton olhou para a porta. Era tarde demais para correr para lá? J.D. apontou. — Hum, Payton? Acho que alguém está tentando chamar a sua atenção. Oh, maldito inferno. Payton se virou e viu o olhar feroz - ninguém coloca Lex Kendall de canto e - relutantemente, fez a apresentação. — J.D., eu gostaria que você conhecesse a minha mãe, Lex Kendall. Mãe, este é J.D. Jameson. Ele trabalha comigo na empresa. Payton assistiu enquanto J.D. educadamente apertou a mão da sua mãe. Parecia estranho, os dois se encontrando. Ela rapidamente tentou pensar


se havia qualquer assunto seguro, qualquer coisa que eles tinham em comum? Ela concluiu com nada. Nada. Lex cuidadosamente olhou para J.D., suspeita desde o início. Payton sabia que ela estava fazendo nota mental do corte caro da calça, a boa qualidade da sua camisa cinza escuro e do jeito que ele usava o paletó, sem gravata, parecendo sem esforço, elegante. — É um prazer conhecê-la, senhora Kendall. — disse J.D.. Payton fez uma careta. Já se atrapalhou, e sobre os conceitos básicos. Tendo mantido o seu próprio nome, mesmo depois de se casar com Steven, Lex Kendall não era “senhora”. J.D. sorriu para a mamãe, obviamente, desconhecendo o terreno movediço em que ele estava. — Eu espero que você e o Sr. Kendall tenham tido um bom brunch. Oh... não. Payton viu o lampejo nos olhos da sua mãe. — Bem J.D., não é? — Lex levou com o que só poderia ser descrito como um “tom”. — Deixando de lado seus preconceitos patriarcais flagrantes em assumir a necessidade da presença de uma figura familiar do sexo masculino, sim, eu tive um bom brunch, obrigada. Payton revirou os olhos, exasperada. — Ele estava apenas sendo educado, mãe. — ela olhou, se desculpando para J.D., com a expectativa de encontrá-lo irritado, ofendido, ou alguma combinação destas. Mas em vez disso, ele parecia divertido. — Meu erro, senhorita Kendall, — J.D. se corrigiu. — E obrigado. — ele olhou para Payton, os olhos dançando. — De repente, tudo se tornou muito mais claro. Payton lhe lançou um olhar. Muito engraçado. Ela estava prestes a dizer algo para liberar ela e sua mãe o mais rápido possível, antes que este encontro que estava à beira de um desastre piorasse, quando uma voz, uma mulher, veio por trás de J.D..


— Se você não pretende nos apresentar à sua amiga, J.D., talvez o seu pai e eu devêssemos ir em frente e nos sentarmos à mesa. Payton se virou para J.D., com olhos arregalados. Agora isso era interessante. — Você tem pais. — ela disse. — Sim, surpreendentemente, até eu tenho pais. Payton riu. Ela tinha se esquecido que J.D. poderia realmente ser engraçado de vez em quando. Se você gosta de todo esse tipo de humor irônico. — Não, eu quis dizer aqui, com você. — curiosa, Payton olhou por cima e viu um casal de aparência distinta, com uns sessenta anos. J.D. fez as apresentações. — Payton, estes são os meus pais, Preston e Evelyn Jameson. — ele fez um gesto para Payton e a mãe dela. — Mamãe, papai, esta é Payton Kendall e sua mãe, Lex Kendall. Payton é uma colega minha, ela trabalha na mesma empresa que eu. Com um ar formal, o pai de J.D. adiantou-se para apertar a mão de Payton. Ele era alto, como seu filho, tinha cabelo grisalho e parecia muito digno em seu casaco esporte de lã cinza e óculos de aro de metal. — Então você é uma advogada, senhorita Kendall? — ele perguntou. — Sim, Juiz. — ela disse, apertando a mão dele. — É um prazer conhecêlo. — como membro da profissão de advogado, era realmente uma honra para ela, conhecer o Honorável Preston D. Jameson da Sétima Corte de Apelações. Juiz Jameson deu-lhe um leve aceno de cabeça, como se reconhecendo sua confirmação do seu status judicial. Ele tinha um comportamento severo, Payton notou, o que lhe pareceu ser muito diferente do seu filho. Havia um monte de palavras que ela poderia usar para descrever J.D. e nenhum comentário sobre se ele seria particularmente cortês, mas “severo” não estaria entre eles. Payton se virou ao lado de Evelyn Jameson, e a primeira coisa que notou foi um par de olhos azuis brilhantes. Os olhos de J.D..


A familiaridade surpreendente daqueles olhos foi imediatamente ofuscada, no entanto, uma segunda coisa que Payton notou sobre a mãe de J.D.: o casaco de camurça bege que ela usava, tinha - oh senhor - gola de pele de zibelina55. Payton apertou a mão dela. — É um prazer conhecê-la, senhora Jameson. A senhora poderia me dar licença por um segundo? Ela se virou para sua mãe e sussurrou baixinho. — Se você deixar pra lá o casaco, eu vou desistir de laticínios por uma semana. Lex deu-lhe um olhar que era 100 por cento pura tranquilidade maternal. — É claro, querida, se é tão importante para você. Faça-o por um mês. Tipicamente Lex Kendall. — Tudo bem. — Payton assobiou baixinho. — Basta ser educada. Lex riu, roubando um olhar sobre os Jameson. — Não se preocupe, eu sei como lidar com pessoas assim. Eles se parecem exatamente como os pais do seu pai, a primeira vez que me encontrei com eles. Payton piscou, chocada. Seu pai tinha dinheiro? Esta foi a primeira vez que ela tinha ouvido falar de tal coisa. Mas ela adiou essa discussão e prendeu a respiração enquanto observava sua mãe se apresentar aos pais de J.D.. Lex era agradável o suficiente, mas nunca falhava, ainda era Lex. — Casaco agradável. — disse para a mãe de J.D.. — Eu tenho dois do mesmo jeito em casa. Evelyn sorriu educadamente. — Ah, eu acho que não. — respondeu ela, de alguma forma conseguindo soar tanto condescendente quanto gentil. — Este é um Christian Lacroix, sabe. 55

É uma espécie de marta castanho-escuro da Europa setentrional e partes do Norte da Ásia, um dos

mais valiosos animais produtores de pele.


Payton abafou uma risada. Ah, J.D. estava certo. De repente as coisas tinham se tornado muito mais claras. Ela ouviu uma voz, baixa em seu ouvido. — Você não tem que dizer isso em voz alta. Eu já sei o que você está pensando. Ela olhou por cima do ombro para ver J.D. de pé ao lado dela. — Você acha que me conhece tão bem. — Eu acho. — disse ele, ainda falando baixo para que os pais não pudessem ouvir. — Então o que eu estou pensando agora? — perguntou Payton timidamente. Espera. Ela estava flertando? Não. Sim. A ser decidido. — Você está pensando que, de todos os restaurantes da cidade, você tinha que escolher o mesmo que eu. — disse J.D.. Payton não pôde deixar de sorrir com isso. Ela tinha uma visão dos pais deles, e viu quando sua mãe, sem dúvida, em mais uma discussão, tirou um de seus tamancos ecologicamente corretos e mostrou para Evelyn Jameson. A mãe de J.D. parecia aflita. — Conclusão. Eu estava pensando que se eu soubesse que íamos nos encontrar no mesmo brunch, eu teria que ter uma terceira bebida diante de nossos pais se conhecendo. J.D. se virou na direção aos seus pais e olhou a cena com diversão. — Sempre há o bar do lobby. Payton riu. J.D. estudou-a por um momento. — Na verdade... eu estava pensando que eu poderia ter que me esgueirar para o bar eu mesmo. Agora foi a vez de Payton estudá-lo. Isso foi um convite? Difícil dizer. — Isso soa tentador. — disse ela, imaginando que a resposta funcionava de qualquer maneira.


— Tentador. — J.D. repetiu. Então, seu olhar caiu sobre os lábios. Payton de repente sentiu uma mão em seu ombro, interrompendo-os. Ela olhou e viu o olhar aguçado da sua mãe. — Nós não queremos que a comida fique fria, querida. — Lex fez um gesto para a caixa de comida para as pessoas sem-teto. Payton assentiu. — Sim. — ela olhou para J.D. — Devemos ir. J.D. assentiu. — Claro. Vejo você amanhã, então. Payton murmurou um rápido adeus aos pais de J.D., em seguida, deixou o restaurante com sua mãe. Quando estavam lá fora, ela entregou o bilhete para o manobrista. Ela e sua mãe esperaram na frente do hotel, nenhuma delas disse uma palavra. Finalmente, Lex quebrou o gelo. — Você quer me dizer o que foi aquilo? — Ele é apenas um colega de trabalho, mamãe. Mais silêncio. — Por que você nunca mencionou que o meu pai tinha dinheiro? — perguntou Payton. Lex deu de ombros. — Eu não sei. Eu não achei que isso fosse relevante, eu acho. Payton não engoliu a indiferença da mãe. — Será que isso tem alguma coisa a ver com o motivo de vocês dois nunca terem se casado? Por um momento, ela achou que sua mãe não fosse responder.


— Quando seus pais descobriram que eu estava grávida, disseram-lhe para escolher entre mim e a herança. — disse Lex. — Ele não me escolheu. Ele não nos escolheu. — Você não acha que isso é algo que eu poderia querer saber? — Payton não conseguia acreditar que ela ficou sabendo pela primeira vez sobre isso depois de todos esses anos. Esclareceu tanto. Sua mãe se virou para ela. — Escute Payton, eu sei que você não liga muito para o que eu digo, mas confie em mim. Fique longe dele. No início Payton pensou que sua mãe queria dizer que ela devia ficar longe de Shane, seu pai, mas depois percebeu que ela estava se referindo ao J.D.. — Eu nem sequer gosto dele, mãe. — na maioria das vezes. Lex estudou sua astúcia. — Não foi isso que pareceu para mim. — Eu não sabia que você podia nos ver através de todas aquelas farpas espirituosas que você estava jogando para a mãe de J.D.. — Eu vi o suficiente. Payton levantou a cabeça dela, admitindo. — A parte em que ele me ajudou com o meu casaco não foi tão ruim. — Porcaria de cavalheiro. — Não esconda nada, mãe. Diga-me o que realmente pensa. Sua mãe olhou para ela com cautela. — Eu acho que você foi muito mole, é o que eu acho. — ela resmungou. Payton pensou sobre isso. Talvez ela tivesse sido. Sua mãe, de todas as pessoas, uma vez tinha se apaixonado por um homem rico da alta sociedade. Neste ponto, tudo era possível. Mesmo ser civilizado para J.D..


Talvez.


Capítulo Dezessete

— E

ntão,

espere. Onde foi este grande momento entre você e Payton? Eu perdi isso? J.D. balançou a cabeça, suspirando. Às vezes, ele realmente se arrependia de dizer coisas ao Tyler. — Eu não quis dizer que tivemos um 'momento'. Eu disse que no restaurante, houve uma breve interação. — Você disse um “breve momento”. — corrigiu Tyler. Agitado, J.D. sentou-se como um idoso na poltrona de couro, apontando distraidamente. — Tudo bem, sei lá, talvez eu tenha usado a palavra 'momento', mas eu não quis dizer, você sabe, “momento”. — ele ironicamente enfatizou a palavra, tentando demonstrar “aspas” com os dedos, mas ele realmente odiava quando as pessoas faziam isso. — O que eu quis dizer foi que houve uma breve ocasião no restaurante, quando eu pensei que nós estávamos... — ele procurou as palavras certas. — Nos dando bem. — ele decidiu que era a forma mais segura para descrever a sua interação e de Payton naquela manhã. Ele e Tyler estavam no bar de charutos em Crimson, um clube privado para os graduados de Harvard. Era uma tradição não oficial que havia começado há vários anos: todo dia dos pais, J.D. e seus amigos se encontravam lá para relaxar. Algumas pessoas em seu círculo social procuravam o conforto de seus terapeutas para se recuperarem do estresse ou mesmo dos feriados em


família. J.D. não é uma pessoa que acredita na porcaria psicanalítica, mas descobriu que com um bom copo de puro malte escocês, o truque era tão bom quanto e por cerca de um quarto do custo. (Sim, tudo bem, Payton tinha acertado em seu discurso na biblioteca, ele gostava de beber uísque, então processe-o). Sendo um clube privado, um diploma de Harvard era o único requisito para a associação ao pequeno bar. Ele foi projetado para se parecer com uma biblioteca privada: estantes escuras forrando as paredes, paredes decoradas com pinturas ostentando várias cenas equestres, poltronas de couro e naquela noite todas estavam organizadas em grupos íntimos. J.D. e Tyler tiveram sorte e conseguiram duas cadeiras na parte de trás ao lado da lareira. Seus amigos Trey e Connor, que chegaram 15 minutos mais tarde, não tiveram a mesma sorte e foram para a parte onde haviam as pessoas seletivas que rodeavam o bar principal. Em algum lugar, próximo da sua segunda bebida, J.D. se viu mencionando ao Tyler, que ele tinha cruzado com Payton e sua mãe no hotel Park Hyatt. Seu amigo tinha focado nisso desde então. — Você achou que você e Payton estavam se dando bem. — Tyler repetiu. — Talvez mais do que isso. — Isso seria um choque. — disse Tyler. — Você tem certeza disso? Segurando a taça pela haste, J.D. mexeu um pouco no copo com seu Scotch fazendo um redemoinho, observando o líquido girar no cristal. — Eu não sei. Acho que vi algo diferente em seu olhar. — Agora essa é uma evidência difícil, se eu tivesse pelo menos ouvido. J.D. cruzou os braços atrás da cabeça, satisfeito. Os gracejos de Tyler não tiveram efeito sobre ele hoje. — Ah... meu amigo... foi divertido, acho que você tinha que estar lá.


Tyler olhou para ele. — Você está com um terrível bom humor por ter passado o dia com o seu pai. Há mais alguma coisa nesta história com Payton do que o que você está me dizendo? J.D. balançou a cabeça com naturalidade. — Não. — Então eu quero ter certeza que eu entendo a cena corretamente: houve esse suposto olhar nebuloso que ocorreu durante estes dois minutos no hotel Park Hyatt, onde os dois, de alguma forma, milagrosamente conseguiram dar sequência a algumas frases polidas. — Eu acho que foi um pouco mais do que isso. — disse J.D.. — Não sei... porque isso é realmente um material fumegante. O que aconteceu a seguir? J.D. sorriu. — Essa é a parte interessante. Não sei. — Bem, eu odeio ser o cara a falar isso, mas seja lá o que estiver acontecendo, a diversão está prestes a acabar. Vocês têm de tudo para que em cerca de, oh. — Tyler olhou dissimuladamente para o relógio. — Menos de duas semanas, até a empresa fazer de um de vocês sócio e... bem, você sabe. — Obrigado pela lembrança. — disse J.D. secamente. Como se ele precisasse que Tyler mencionasse isso. Como se ele já não soubesse desse fato por si mesmo, como se isso não fosse a mesma coisa que ele vinha pensando desde o momento em que ele deixou o apartamento de Payton na outra noite. Eram piores circunstâncias possíveis. Ela era a única que estava no caminho de se tornar sócia. Ele precisava esmagá-la. Mas esse desejo tinha terminado no momento em que ele descobriu como ela o ajudou com o depoimento. Ele desejava que tivessem mais tempo. Tyler estava certo, ele e Payton estavam correndo em direção ao fim da corrida de oito anos e não havia nada que pudessem fazer para mudar isso. O que significava que se havia algo a ser feito, ele teria que fazer rapidamente.


Portanto, a pergunta era: havia alguma coisa a ser feita? Algumas semanas atrás, J.D. nunca teria acreditado que ele estaria tendo esses pensamentos. Mas as coisas tinham mudado. E não só para ele, para Payton, também. A menos que ele estivesse realmente, lendo-a muito, muito errado. Por outro lado, se ele quisesse que alguma coisa acontecesse, a hora era agora. No que talvez tenha sido a primeira vez em sua vida adulta, J.D. não sabia o que fazer. Ele limpou a garganta. — Eu preciso do seu conselho, Tyler. Seu amigo não pareceu particularmente surpreso por este momento. — Despeje então. Mas, primeiro, vamos? — Tyler puxou uma caixa de charuto de couro preto do bolso interno do seu paletó de veludo com um colete e ofereceu um dos charutos, um Padron Millennium, série 1964. Fazia parte da tradição dos dias dos pais, uma homenagem ao tempo em que eles eram crianças e tinham descoberto a coleção de charutos Premium do pai de J.D., em um armário trancado no escritório. Tinha sido previsível eles terem fumado naquele dia na varanda, pensando que eram figurões, não percebendo que, pouco depois os dois estariam doentes pelas próximas vinte e quatro horas por terem inalado a fumaça. J.D. tirou um dos charutos da caixa. Tyler pegou uma caixa de fósforos, acendeu o seu charuto e em seguida entregou os fósforos para J.D.. Depois de acender o seu próprio charuto, J.D. recuou em sua cadeira, fumando e girando, como numa degustação, sem inalar a fumaça. Depois que eles ficaram em silêncio por alguns momentos, Tyler olhou para cima. — Eu posso começar, se você quiser. — Oh, assim é melhor. — J.D. fez um gesto para que ele prosseguisse. Tyler

passou

a

mão

pelo

cabelo

para

deixa-lo

bagunçado. Casualmente, inclinou-se para trás em sua cadeira e em seguida


levantou uma sobrancelha com um sorriso eu-sou-superior. — Eu estive pensando sobre algumas coisas... J.D. ergueu a mão, ofendido. — Espere. Isso deveria ser sobre mim? — Não interrompa. Tira minha concentração do personagem. — Tyler voltou para a sua representação. Desta vez, em vez de levantar a sobrancelha astutamente sorrindo, ele cruzou os braços sobre o peito, segurou seu charuto no alto, e suspirou em tom melodramático. — Tyler - eu levo uma vida encantada, não levo? Eu dirijo o carro certo, eu uso as roupas certas, eu sou fantástico - se for justo comigo - em cada esporte que eu pratico, bem, vamos ser honestos aqui. — ele piscou sempre-tãoorgulhoso. — As mulheres vão me amar. J.D. não achou graça. — Sua vida dificilmente tem sido menos cha... — Mas, Tyler. — Tyler continuou, falando sobre J.D.. — Ultimamente eu tenho começado a suspeitar que algo está faltando em minha existência perfeita, que talvez haja algo mais que eu queira, uma certa mulher, talvez, que digamos... me intriga. Tyler fez uma pausa e olhou para J.D. com expectativa. — Oh, essa é a minha sugestão? — J.D. perguntou sarcasticamente. — Agora eu devo ser eu ou você? — Eu poderia continuar, se quiser. — Obrigado, eu acho que eu posso levar daqui. — J.D. respondeu. — Você é pior do que ela. — ele resmungou baixinho. — Admita. Você ama isso. — disse Tyler. — Você subconscientemente se sente culpado por sua educação privilegiada, então propositalmente sai com as pessoas que te castigam, exatamente por isso, como uma forma de autoflagelação.


Agora isso J.D.

riu. —

Eu

não

sabia

que

você

ainda

estava

divagando Dr. Phil56. — Há. Tente Psych 10157. Seu ego está tentando equilibrar os desejos do seu inconsciente enquanto perturbam os objetivos do seu superego. J.D. revirou os olhos. — Falando de superego, se pudéssemos voltar ao assunto Payton... — Por favor, você apenas ama o seu inconsciente para ter todo superego. J.D. fez uma pausa. Ele não teria colocado dessa forma, mas chegou a pensar nisso... — Escute aqui. — disse ele a Tyler. — Dê-me a sua opinião honesta. Você acha que seria totalmente louco se eu... — De jeito nenhum! O grito, ressoando através do bar, veio de trás de Tyler. Reconhecendo a voz como a de seu amigo Trey, J.D. olhou para cima e o viu apertando as mãos do outro cara que estava de costas para eles, com quem Trey estava obviamente animado para conversar. Momentaneamente pausou o rumo da sua conversa com Tyler e observou enquanto Trey fazia um gesto na direção dele. O homem misterioso se virou. Surpreso ao ver um rosto que ele não via desde a faculdade de direito, J.D. levantou-se sorrindo, quando o homem se aproximou. — Chase Bellamy... — disse J.D., estendendo a mão em saudação. — O que você está fazendo aqui? Chase lhe deu um tapinha no ombro. — J.D. Jameson. É bom vê-lo. — ele apontou para Trey, explicando. — Encontrei com Trey no outro dia quando eu 56

É um psicólogo dos Estados Unidos que tornou-se conhecido do grande público ao participar nos

programas de Oprah Winfrey como consultor de comportamento e relações humanas. 57

Livro de Psicologia de Paul Kleinman.


estava saindo do tribunal. Ele me falou sobre este lugar e disse que eu deveria parar hoje à noite. — ele olhou J.D.. — Eu não o vejo desde a formatura. Você me desejou sorte e disse algo sarcástico sobre salvar o mundo. J.D. sorriu. Dizer algo sarcástico? Quem, ele? Por mais que ele e Chase não saíssem regularmente na faculdade de direito, ele gostava. Ele poderia resumir Bellamy em uma palavra: inofensivo. Um pouco de um liberal benfeitor, e talvez muito agradavelmente passivo na mente de J.D., mas inofensivo. Lembrou-se de um debate estridente que ele e Chase tiveram uma vez na aula de Direito Constitucional, falando sobre o direito da Segunda Emenda de portar armas. O que ele lembra mais claramente sobre esse debate era que Chase tinha desistido muito facilmente. — Assim, a última vez que ouvi sobre você, você estava em DC trabalhando em uma campanha. — disse J.D.. — Você está morando em Chicago agora? Chase assentiu. — Eu só mudei para cá há alguns meses, estou fazendo trabalhos para o Chicago Legal Clinic. J.D. sorriu. É claro que estava. Ele incluiu Tyler na conversa, que tinha estudado com eles na faculdade de direito, um ano atrás deles. Os três rapidamente começaram a falar sobre o trabalho. — E quanto a você? Onde foi parar? — perguntou Chase. — Ripley e Davis. — J.D. disse. Um olhar de reconhecimento atravessou o rosto de Chase. J.D. supôs que era um reconhecimento do prestígio da sua empresa, até Chase comentar: — Oh, eu conheço alguém que trabalha lá. Você está no corporativo ou litigioso? — Litigioso. — Então você provavelmente conhece Payton Kendall?


— Claro que conheço a Payton. — J.D. sorriu refletindo como o mundo era pequeno. — Como você a conhece? — estranho, pois não tinha intenção que seu tom soasse tão possessivo. Agora Chase sorriu. — Na verdade... estamos namorando. J.D. provavelmente teria ficado menos atordoado se Chase tivesse o levado para fora e dado um soco direto no intestino. Ele inclinou a cabeça. — Espera... Payton Kendall? — como se houvesse muitas Paytons flutuando em torno do grupo de litígio para acompanhar. — Sim, Payton Kendall. — Chase olhou para ele com curiosidade. — Você parece um pouco surpreso. Não importava, J.D. disse a si mesmo. Realmente. Ele estava bem com isso. Ele se sacudiu com a pergunta de Chase. — Não, não mesmo. Por que eu iria estar surpreso? Você e Payton têm muito em comum. Bom. Sim. Isso é ótimo. Tyler, você ouviu isso? Chase está namorando Payton Kendall. Você conhece Payton, não é? Tyler deu a J.D. um olhar, dizendo que ele precisava rapidamente calar a boca. Tarde demais. Chase parecia suspeitar de algo. — Espere um segundo... já percebi o que está acontecendo aqui. Você é a competição. — A competição? — J.D. perguntou alto. — Por que, o que você quer dizer? — Cristo, agora parecia que ele estava comendo algo estragado. Ele precisava se controlar. — Payton não mencionou nomes, mas ela me disse que havia uma forte concorrência em sua tentativa de se tornar sócia. — disse Chase. J.D. piscou. Oh... concorrência para a sociedade. Claro. — Você está na mesma classe que ela? — Chase continuou. — É de você que ela está falando, não é?


Algumas semanas atrás, J.D. teria ficado contente ao ouvir Payton descrevê-lo como um forte concorrente. Mas agora que ele tinha pensado sobre tudo, as coisas eram diferentes. Mas por que Chase estava perguntando a ele sobre isso? Este era o seu negócio pessoal com Payton. De ninguém mais. — Payton e eu somos ambos parceiros este ano, sim. — foi tudo o J.D. disse. Mas então, ele se perguntava o quanto Chase sabia sobre os acontecimentos recentes. Ele só podia imaginar como Payton poderia ter descrito determinadas situações - em particular, certos acontecimentos que envolviam, por exemplo, um sapato e talvez uma bunda aparecendo - para terceiros. E se Chase sabia de certas situações, também. J.D. fez uma avaliação rápida. Chase parecia ter cerca de cinco a dez centímetros a mais que ele, talvez uns 6 quilos a mais também. Sem problemas. Se a pequena árvore começar a balançar, chegando a um acontecimento mais forte, J.D. estava certo de que ele poderia se defender. Mas Chase, sendo Chase, apenas sorriu, bem-humorado. — Bem, Jameson, eu adoraria lhe desejar sorte em sua parceria, mas eu acho que tenho um conflito de interesses. — com isso, ele estendeu a mão. — Foi bom ver você, J.D.. Inofensivo e descontraído Chase Bellamy. Ele realmente era o tipo de cara que ninguém poderia encontrar uma falha. O tipo de cara que nunca ficou com raiva ou chateado. O tipo de cara que prefere deixar as coisas rolarem amigavelmente, em vez de colocar para fora e lutar. O tipo de cara que Payton gostava, aparentemente. E J.D. sabia que ele não era esse tipo de cara. Além disso, ele nunca iria ser esse tipo de cara. Francamente, ele não queria ser esse tipo de cara. Ele só não era moldado dessa maneira. Então, com isso em mente, ele apertou a mão de Chase com firmeza.


— Foi bom ver você, também, Chase. — disse J.D.. — E boa sorte. Com tudo. — ele até conseguiu dar um sorriso educado. Afinal, mesmo que não pudesse ser o tipo de cara que Chase era, ele poderia pelo menos ser um cavalheiro.

***

J.D. e Tyler foram para fora do bar tentar pegar um táxi. Além de estar excepcionalmente frio naquela noite, tinha começado a chover e encontrar um táxi disponível estava provando ser um desafio. Tyler não tinha trazido o assunto Payton desde a conversa deles com Chase e por isso J.D. estava grato. Ele não tinha certeza se queria falar sobre ela naquele

momento. Ele

precisava

pensar,

para

processar

este

novo

desenvolvimento de que ela estava namorando alguém, e descobrir exatamente o que isso significava. Se isso significasse alguma coisa. Um táxi livre finalmente virou na esquina e J.D. e Tyler concordaram em compartilhá-lo. Enquanto o táxi se aproximava do meio-fio, J.D. olhou pela janela e viu todo mundo correndo na chuva com suas golas levantadas e bolsas sobre suas cabeças. O meteorologista havia previsto uma noite fria e clara, então agora as pessoas estavam lutando. — Em resposta à sua pergunta anterior, não, eu não acho que seria completamente louco. J.D. olhou para Tyler. Piadas à parte, eles tinham sido melhores amigos desde a escola primária e normalmente, ele colocava mais peso nas opiniões de Tyler do que praticamente qualquer outra pessoa. Mas as coisas mudaram no último par de horas. — Não é tão simples assim. — disse ele. — Na verdade, não era simples antes e agora é menos ainda.


— Por quê? Por causa do Chase? — perguntou Tyler. — Em parte por causa de Chase. Certamente ele achou que eu estava interpretado mal as coisas. — Você não sabe merda nenhuma sobre o relacionamento deles. Quem sabe quanto tempo eles estão namorando? Ou se ela está mesmo com ele? Chase pode ser bom, mas eu não vejo Payton com ele por um longo tempo. — Também é bem possível que ela ainda me odeie. Tyler descartou isso com um aceno. — Você vai deixar uma coisa como essa pará-lo? — Eu estava pensando que o intenso menosprezo poderia ser um obstáculo para ir atrás dela, isso sim. — Veja... isso é o que torna tudo ainda mais interessante. — disse Tyler. Ele adotou um tom grandiosamente dramático. — Será que a nossa “freira Srta. Kendall realmente detesta o arrogante Sr. Jameson”, como ela tão ardentemente proclama, ou é tudo uma farsa para cobrir mais sentimentos amorosos por um homem que ela relutantemente admira? Na frente, o taxista bufou alto. Ele parecia estar gostando do show. — Psych 101 de novo? — perguntou J.D.. Tyler balançou a cabeça. — Literatura 305. Ficção do século XVIII da Mulher. — ele pegou o olhar de J.D. e rapidamente se defendeu. — O que? Levei-o para a aula por causa das garotas da classe. De qualquer forma, eu vejo um pouco de dinâmica O e P acontecendo entre você e Payton. J.D. não achou que ele queria saber. Realmente. Mas ele perguntou de qualquer maneira. — O e P? Tyler lhe lançou um olhar, chocado. — Orgulho e Preconceito. — seu tom de voz dizia que apenas um cretino não sabe disso.


— Ah, certo, O e P. — disse J.D.. — Sabe Tyler, você pode querer pegar suas bolas - acho que elas acabaram de cair quando você disse isso. Na frente, o taxista deixou escapar uma boa risada. Tyler balançou a cabeça. — Ria se quiser, mas deixe-me dizer uma coisa: as mulheres são loucas por esse livro. E ainda mais loucas pelos homens que o leem. Se eu pretendo levar uma garota para casa, eu deixo uma cópia do livro na minha mesa de centro e vamos dizer, que frequentemente elas curtem. E você sabe o que? Não é um mau contador histórias. Eu gosto de colocar um belo bule de chá Earl Grey, talvez uma fatia de biscoito de amêndoa, e, sim, tudo bem, continue a rir amigo, mas eu aposto que tenho transado mais do que você ultimamente. — Ei, não que eu não esteja me divertindo com o pensamento do seu pequeno e acolhedor chá, mas você embrulhado em um cobertor lendo esse livro... — Eu não disse que havia um cobertor. — Tyler fez uma pausa. — Bem. Às vezes pode haver um cobertor. — Mas a minha pergunta é, se você vai a algum lugar com isso, ou é apenas uma espécie de momento estranho compartilhado? Tyler teve que pensar. — Onde eu estava indo com isso...? — ele estalou os dedos. — Oh, sim, Orgulho e Preconceito. Mulheres e todo o complexo Darcy. Para Payton, é você. — Eu pensei que Darcy era o idiota. Tyler sorriu carinhosamente. — Sabe, ele realmente é meio isso. — Grande conversa para animar, Tyler. Obrigado. — Mas ela não fica com o idiota. — disse Tyler. — Veja... você só não entende as mulheres da maneira que eu faço J.D.. Elas querem tudo: uma carreira, martinis de maçã, independência financeira, sapatos de salto, mas, ao mesmo tempo, e isso elas nunca vão admitir, elas são atraídas por homens


patriarcais que são dominantes e controladores. Essa é a essência do complexo de Darcy. Ele pode ser um idiota, mas ele é um idiota que fica com a garota no final. J.D. revirou os olhos. Toda esta conversa era tão ridícula. Mas ainda assim. — E como ele conseguiu isso? — ele perguntou. — Oh, é um pouco complicado. — disse Tyler. — Veja, Lizzie tem essa irmã

mais

nova

e

problemática

que

foge

com

o

cara

que

ela pensava inicialmente que gostava - espere, volte - para entender realmente, eu deveria começar com a visita a Pemberley, porque na verdade, começou com a tia e o tio, veja, o tio dela ama pescar e Darcy pergunta... J.D. ergueu a mão, muito, muito triste e pediu. — A versão curta por favor. Nós já estamos na porta da sua casa. Tyler olhou pela janela e viu que o táxi tinha realmente parado em frente do seu prédio. Voltou-se para J.D. — Okay. A versão curta, a mais curta: ele consegue a garota sendo bom para ela. J.D. esperou. — É isso aí? Ele é bom para ela? Isso é tão... sem graça. — Olha, se você quer ganhar Payton... J.D. parou ali. — Ei, nós estamos apenas falando em hipóteses, ok? Ainda não decidi se eu quero ganhar. — Oh. Então o meu conselho é que você deve começar por aí. Descobrindo o que você quer. — com isso, Tyler saiu do táxi e correu através da chuva até seu prédio. Ótimo. Obrigado pela ajuda. J.D. deu ao taxista o endereço dele. Ele olhou pela janela enquanto o táxi fazia o seu caminho pelos seis blocos indo para sua casa. Quando eles chegaram, J.D. alcançando através do divisor, entregou ao taxista uma nota de vinte e lhe disse para ficar com o troco.


O motorista se virou. — Ei, o seu amigo te deu conselhos muito estranhos. — ele era um homem aparentando ser um quarentão, vestindo uma camisa de flanela esfarrapada e um boné, com sobrancelha grossa e um sotaque de Chicago acentuado que J.D. nunca tinha ouvido. — Ele parecia um pouco fora da casinha, se você entende o que quero dizer. Eu acho que não deveria ouvi-lo. J.D. sorriu. — Vou levar isso em consideração. — abriu a porta do táxi e saiu. — Porque todo mundo sabe que Darcy não ganha Lizzie apenas por ser bom. J.D. parou. Olhou por cima do ombro. O motorista descansava o braço sobre o divisor. A manga enrolada revelou uma tatuagem de um escorpião preto que cobria todo seu antebraço. — Veja, é tudo sobre o Grande Gesto. É assim que consegue ficar com a garota. — Obrigado. — J.D. conseguiu dizer. O

motorista

encolheu

os

ombros. —

Não

problema

homem. Francamente, pareceu que toda ajuda possível pudesse ser útil. Ele colocou o táxi em funcionamento. — E escute... diga ao seu amigo para tentar um café da manhã da próxima vez. É um pouco mais robusto. Earl Grey é realmente mais um tipo de chá de Razão e Sensibilidade.

***

Em casa, mais tarde naquela noite, depois que J.D. fez as verificações finais da noite, olhou seus e-mails, revisou o trabalho e o correio de voz do telefone celular e da sua casa, estava convencido de que não havia questões de


trabalho que exigiam sua atenção imediata. Pensou no conselho de Tyler. Descobrir o que você quer. E foi então que J.D. percebeu. Ele não sabia. Como ele havia dito ao Tyler, as coisas não eram tão simples. Chase deixou as coisas ainda mais complicadas. Claro que deixou. Talvez Payton realmente gostasse dele. J.D. podia ver os dois juntos, com tudo o que tinham em comum, eles só pareciam fazer sentido. Tyler tinha desconsiderado isso e talvez para ele, Chase e todos os outros obstáculos, só faziam da questão Payton uma intriga melhor, por outro lado, Tyler não estava concorrendo para ser o parceiro daquele ano. Tyler também não estava competindo com Payton pela única vaga na sociedade. E Tyler certamente não tinha a história que ele teve com Payton. Oito anos de história. Era um longo tempo. Isso atingiu J.D. então, ele havia se tornado tão afetado por “bater” em Payton, que não havia dirigido sua ira onde ele deveria: na empresa. Eles foram os que colocaram ele e Payton nessa posição. Entrar na sociedade nunca foi uma garantia, mas depois de todo o trabalho duro, ele merecia mais. Ela merecia mais. Mas o que incomodava J.D. mais não era a injustiça da decisão da empresa. Pelo contrário, era o fato de que, quando ele olhou para trás nos últimos oito anos, ele não ficou necessariamente orgulhoso de seu próprio comportamento. Ele teve arrependimentos, e havia coisas que ele desejava voltar e fazer diferente. Havia aquela coisa em particular que mesmo Tyler não sabia... Descobrir o que você quer. J.D. sabia que ele queria desfazer-se do passado. Precisava começar de novo. Pelos próximos 14 dias pelo menos, ele queria fazer as coisas direito. Se ele não podia mudar o fato de que as coisas tinham que chegar a um fim com Payton, ele poderia pelo menos mudar a forma como terminaria.


Não era muito, J.D. percebeu, e ela certamente não respondeu a todas as questões remanescentes. Mas era um começo.

***

Na manhã seguinte, Payton correu em torno de seu escritório, arrumando sua passa para o julgamento. Sim, agora ela desejava ter guardado tudo na noite anterior, mas sua mãe tinha pegado um voo atrasado e Payton não tinha visto a necessidade de fazer uma viagem especial para o escritório à meianoite. Um bom advogado deve estar preparado para qualquer coisa. Ela sabia, e é por isso que ela sempre programava o tempo extra, especialmente desde que pegava o “L” para o trabalho. Ah, esses pequenos trapaceiros do Chicago Transit Authority58, ela sempre podia contar com eles para manter as coisas picantes. Porque realmente, quem não quer gastar um extra de 55 minutos no vagão lotado e quente, mal cheiroso que inexplicavelmente, se movia apenas a 30km por hora durante toda a viagem até o centro da cidade? Isto era uma coisa divertida. Payton pegou os arquivos do caso que ela tinha revisado no fim de semana e enfiou-os na pasta grande do julgamento, que pesava quase uma tonelada. Esperava que Brandon aparecesse em breve para que ela pudesse jogar as coisas em cima dele, afinal, não para era isso o que serviam os associados júniores e homens? Payton ouviu uma batida na porta e olhou para cima. Em vez de Brandon, ela viu J.D. parado na porta. Ele estava armado com um copo de Starbucks. Caramba.

58

Autoridades de trânsito de Chicago.


— Eu notei que você parece estar atrasada. — disse ele. — Eu não acho que você teria tempo para agarrar isso no seu caminho para o tribunal. Um grande copo de baunilha com leite sem açúcar, certo? — ele perguntou, apontando para o café. — Eu ouvi você dizer isso para Irma algumas vezes. — ele acrescentou rapidamente. Ele estendeu o copo para ela. Payton olhou para o copo. Depois para J.D.. Era uma armadilha, tinha que ser. Ela permaneceu onde estava. Os cantos da boca de J.D. se levantaram. — Não, eu não pretendo jogá-lo em você. Payton sorriu. Haha. Jogar nela? Como se isso tivesse passado por sua mente. — Não era nisso que eu estava pensando. — ela assegurou assim que se aproximou e pegou o copo. Ele certamente estava levando a sério a trégua, ela pensou. Como é doce. Ela sutilmente cheirou o café para ver se sentia o cheiro de veneno. J.D. sorriu novamente. — E não, eu não coloquei qualquer coisa nele. Payton tomou um gole do café com leite. J.D. piscou. — Nada do que possa ser detectado pelo seu cheiro, de qualquer maneira. Payton parou no meio do gole e segurou o líquido em sua boca. Ele estava brincando, é claro. Payton sorriu e balançou um dedo para que ele soubesse que ela estava na brincadeira. Ah, J.D. Você é engraçado cara. Ela olhou ao redor do escritório. Sério, por que não havia nunca uma escarradeira por perto quando ela precisava de uma? — Eu estou brincando, Payton. — disse J.D.. — Você não tem que ficar tão chocada. Eu só estou tentando ser... — ele hesitou. — Bom?


Payton quase engasgou. — Bom? J.D. assentiu. — Claro. Chame isso, você sabe, um gesto. — ele olhou ao redor do escritório. — Então, como está o indo o seu julgamento? Do pouco que eu vi do seu sapato, uh... e então você... bem, você estava lá, você sabe o que aconteceu - parecia que o júri estava do seu lado. O que você acha? Payton olhou para ele. — Sério. O que você está fazendo? J.D. piscou inocentemente para ela. — O que quer dizer, com o que eu estou fazendo? — Primeiro, o café, e agora você - o que - está jogando conversa fora? É isso? J.D. encolheu os ombros. — Claro. — Outro gesto, eu suponho? — ela perguntou. — Exatamente outro gesto. — J.D. sorriu. — Portanto, agora temos dois gestos. Payton olhou-o com cuidado. — Você tem certeza que está bem? — ele estava agindo de forma estranha. Talvez ele estivesse doente. — Eu estou bem. — disse ele. — Você ia me contar sobre o seu julgamento? — Bem... as coisas estão indo bem, eu acho. Supondo que não haja nenhuma surpresa, devemos começar a fechar os argumentos em dois dias. Obrigada por perguntar. — Claro. Payton esperou enquanto J.D. continuava persistente, parado em sua porta. Havia mais alguma coisa? — Eu realmente deveria ir para o tribunal. — Você realmente deveria. — ele concordou. Ainda persistente.


Payton fez um gesto para o café. — Obrigada pela Starbucks. — talvez ele estivesse esperando por uma dica. J.D. parecia satisfeito com esta resposta. — Por nada. — ele se endireitou. — Bem, então. Boa sorte no tribunal, Payton. — com um aceno de cabeça, ele se virou e saiu. Payton balançou a cabeça ao vê-lo sair. Qualquer que seja o inferno que foi isso, ela não tinha ideia. Em oito anos - todas as suas brigas, ternos manchados de café, bunda de fora e tudo mais considerado - aquela tinha que ter sido a interação mais estranha que já tivera com J.D. Jameson.


Capítulo Dezoito

— E

u acho

que nós precisamos conversar. Seis palavras tão simples, mas Payton odiava ouvi-las. Todo mundo odiava ouvi-las. Fazia parte de uma mensagem de correio de voz que Chase tinha deixado, que ela ouviu pela primeira vez quando voltou para o escritório depois de terminar no tribunal. Tinha sido um longo dia, o juiz tinha os dispensado mais tarde do que o habitual - ele estava tentando garantir que o julgamento terminasse, como previsto, em dois dias. Payton foi exterminada, vaporizada, como ela foi durante todo o julgamento nos dias que suas testemunhas foram interrogadas pelo conselho de oposição. Ela, pessoalmente, achava que era a coisa mais desgastante que um advogado tinha a fazer: proteger suas próprias testemunhas durante o interrogatório e rezar, rezar, rezar que elas não dissessem nada estúpido. Assim, não era necessário dizer que, quando ouviu pela primeira vez a mensagem de Chase em que, além de querer “conversar” - ele sugeriu que eles se encontrassem em algum café chamado de Fixx, ela hesitou e, sim, como a terrível pessoa que ela era, Payton pensou em não ligar para ele de volta. Mas então a culpa se estabeleceu (ele é um cara tão legal, ele é amigo de Laney e Nate), seguida de racionalização (ela só ficaria por meia hora, em seguida, voltaria ao escritório para trabalhar), e uma curta corrida de táxi mais tarde, aqui estava ela, prestes a começar seu terceiro latte do dia, quando ela sorriu se desculpando com Chase, porque, é claro, ela estava 15 minutos atrasada.


— Eu sinto muito. — ela disse a ele pela segunda vez. Ela estava exausta com tudo que está acontecendo no trabalho e, incrivelmente, um pouco ligada com toda a cafeína. Eles pegaram uma mesa perto da frente da loja de café, nas janelas. Como Payton tinha aprendido rapidamente quando ela equivocadamente ordenou um “grande”, o Fixx era um desses lugares independentes, do tipo nós-mijamos-naStarbucks que atendiam a uma mistura eclética de multi-tatuados/grunge perfurados e tipos góticos para uma multidão de literatos de cachecol e gola rolê. O tipo de lugar que sua mãe adoraria. Enquanto ela e Chase tomaram seus assentos, Payton sentiu-se muito coberta com o terno e saltos que tinha usado para o tribunal. Ela olhou em volta, querendo saber quando exatamente foi que ela havia parado de se sentir adequada em lugares como este. — Você disse que queria conversar? — ela incitou Chase, não tentando apressá-lo, mas... ok, tudo bem, ela estava tentando apressá-lo. Chase assentiu. — Primeiro, quero começar por dizer que eu entendo agora o que está acontecendo. Com você e J.D., quero dizer. Eu encontrei com ele ontem à noite e começamos a conversar e, bem, eu meio que coloquei dois e dois juntos. Payton não tinha ideia do que Chase estava falando. Embora ela tivesse pego uma coisa. — Você falou com J.D. Jameson? Você o conhece? — Nós fomos para a faculdade de direito juntos. Claro. Payton sabia que os dois tinham ido para Harvard; ela não sabia por que não tinha concluído que estiveram na mesma classe. Ela estava interessada em ouvir como J.D. tinha sido na faculdade de direito, especialmente porque há anos ela o via quase como um personagem unidimensional: o Vilão, o Arqui-inimigo, o Inimigo. Fazendo isso, tinha sido mais fácil para ela desprezar todas as vezes que ele tinha sido um idiota com ela. Mas agora... bem, as coisas tinham mudado e ela se viu querendo saber


mais sobre ele, coisas mais pessoais. Para começar, ela estava muito curiosa para saber o que “J.D.” representava. Payton percebeu, porém, que agora não era o momento de pedir a Chase um tour por trás dos bastidores. — Então, você encontrou com o J.D. ontem à noite, e estes dois e dois que você colocou juntos são, o que, exatamente? — Que ele é aquele com quem você está competindo contra para se tornar sócia. — disse Chase. — E agora eu entendo totalmente porque você está tão estressada nos dias de hoje. Eu não gostaria de estar contra J.D. também. Payton endireitou-se e cruzou as pernas na defensiva. — Eu não tenho medo de competir com J.D.. Acho que sou muito boa, você sabe. Chase foi rápido para assegurá-la. — Claro que você é, é que saiu errado. — ele disse em tom de desculpa. — O que eu quis dizer é que eu sei o quão estressante isso deve ser para você, por causa do jeito que J.D. é. — Significa? — Bem, honestamente, eu acho que ele é uma espécie de idiota. Ele é cheio de si mesmo, teimoso, e acima de tudo, extremamente competitivo. Ele é um

dos

tipos

eu-sempre-tenho-que-vencer,

eu-sempre-tenho-que-estar-

certo. Eu odeio pessoas assim. Payton riu. — Bem, então, nós precisamos conversar. Porque você acabou de me descrever. Chase sorriu carinhosamente. — Você não é assim. — Sim, eu sou, Chase. Eu sou exatamente assim. Chase tentou descartar isso. — Mas é diferente com você, essas qualidades são admiráveis em uma mulher. É assim que você tem que agir, a fim de ser bem sucedida, particularmente na profissão de advogado. — Isso é um tipo de sexismo contra os homens, não é? — Payton olhou para fora da janela. Espera - era um porco, que ela acabou de ver voando?


Chase se mexeu desconfortavelmente na cadeira. — Olha, acho que estamos saindo do assunto aqui. Tudo o que eu estou tentando dizer é que, antes, talvez, eu pensasse que você estava ficando um pouco exaltada em se tornar sócia, mas agora eu entendo o porquê. Tenho certeza de que J.D. elevou as apostas, em tipo, dez graus. Bem, sim. Por outro lado, ela também. E em outra nota, Payton achou muito interessante que Chase tinha pensado que ela estava ficando “muito exaltada” para se tornar sócia. Quem era ele para decidir o nível adequado de importância que ela deveria colocar no avanço da sua carreira? E, francamente, enquanto ela estava pensando sobre isso, ela particularmente não gostava da maneira como Chase falou sobre J.D.. Claro, J.D. definitivamente poderia ser um pouco arrogante e talvez às vezes, excessivamente confiante, mas ele tinha seus momentos. Por exemplo, ela relutantemente teve que lhe dar crédito para o fato de que, após o depoimento, ele tinha vindo para a casa dela para pedir desculpas pessoalmente. Ela sabia que não tinha sido fácil para ele. E havia outras coisas, coisas pequenas, como em um jantar com os representantes da Gibson, quando ele ficou em sua companhia, enquanto os outros saíram para fumar charutos. Ou a forma como ele veio procurá-la na biblioteca depois que Ben lhes tinha dado a notícia de que apenas um deles seria sócio. Ele só estava tentando ser legal, ela sabia, mas em troca ela tinha sido rude e defensiva. E depois havia a coisa que ele disse a ela na outra noite, ao sair de sua casa. Eu teria feito aquilo por você em um piscar de olhos. Payton tinha passado por aquelas palavras umas cem vezes em sua cabeça. Ela precisava ser cuidadosa quando se tratava de J.D.. Ela tinha que se proteger; ela não queria interpretá-lo mal, não podia arcar por dar erroneamente demasiada importância a algo que para ele talvez significasse apenas uma cortesia profissional. Payton percebeu

que Chase

estava

estudando-a,

provavelmente

esperando que ela dissesse alguma coisa igualmente negativa sobre J.D.. Mas estranhamente, a pessoa por quem ela tinha sentimentos questionáveis como resultado dessa conversa, era Chase. Ele tinha sido muito enfático em querer


falar com ela, mas até agora ela não tinha ouvido nada que merecesse tê-la tirado do trabalho e distanciado das horas de pesquisa que ainda tinha à sua frente naquela noite. — Eu não quero ser rude, Chase, mas eu realmente tenho que voltar para o escritório. — disse ela. — Como um último esforço, a autora mudou para atacar algumas das nossas instruções do júri e o juiz quer ouvir nossos argumentos amanhã. — explicou ela. — Então é por isso que você me pediu para encontrá-lo aqui? Para falar sobre J.D.? Chase balançou a cabeça. — Na verdade, eu queria falar sobre nós. Olha, obviamente, você tem muita coisa acontecendo com o trabalho agora, e talvez isso é tudo o que é, mas eu estava pensando em você ontem à noite, que eu queria fazer algo de bom para você, algo para tirar sua mente das coisas. Mas então isto me bateu, que eu não tinha certeza de que você realmente queria que eu tirasse a sua mente das coisas, que talvez tudo que você quer é estar focada em seu trabalho, e isso é ótimo, Payton, não me entenda errado mas... Ele hesitou, seus olhos castanhos cheios de perguntas. — Isso é realmente tudo? Porque eu posso esperar esses últimos dias até a sua empresa tomar suas decisões de sociedade, mas se for mais do que isso, então... talvez, só seria melhor se eu recuasse agora. Primeiro, Payton não sabia o que dizer. Ela não estava pronta para ter essa conversa, pelo menos não agora, de qualquer maneira. Ela respirou fundo. — Eu te peguei de surpresa com isso, não foi? — perguntou Chase, sorrindo timidamente. — Sim, você poderia dizer isso. — disse Payton, exalando com uma risada nervosa. Chase alcançou através da mesa e pegou sua mão. — Olha, nós não precisamos terminar essa conversa agora. Eu apenas pensei que isso era algo que eu precisava dizer. E eu odeio falar sobre essas coisas por telefone.


Payton assentiu. Ela provavelmente era uma tola por não dizer imediatamente, não, é claro que ela não queria que ele se afastasse. Mas Chase estava certo: ela precisava pensar antes de responder. Agora mesmo, ela estava confusa e, por mais que odiasse admitir, lutando contra o desejo de verificar o relógio. Mas desde que ele tinha trazido à tona o assunto, ela respondeu o mais honestamente que pôde. Ele merecia isso, pelo menos. — Esse julgamento é a última coisa com a qual a empresa vai me avaliar antes de tomar sua decisão da sociedade. — ela disse a ele. — Eu entendo que você tem perguntas, mas é difícil para mim me concentrar em qualquer outra coisa agora. Mas vai acabar em dois dias. Se você puder esperar até lá, eu prometo que nós vamos sentar e realmente conversar. Chase sorriu e disse que entendia. Engraçado, Payton pensou. Porque ela pessoalmente não tinha ideia do que estava fazendo.

***

De volta ao escritório. Mais uma vez. Às vezes, parecia como se ela nunca saísse do lugar. Provavelmente porque ela raramente fazia. Eram quase sete horas, o que significava que os secretários foram embora e o escritório estava quieto. Quando Payton chegou a seu escritório, ela viu que Brandon tinha deixado três pilhas de casos sobre a mesa para sua revisão - os resultados da sua pesquisa em cada uma das três instruções do júri que o autor tinha contestado. Infelizmente para Payton, cada pilha era de pelo menos dois centímetros de espessura, o que significava que suas chances de deixar o escritório em qualquer momento próximo eram inexistentes.


Ela apenas tinha começado a abordar o primeiro monte de casos, quando ouviu uma batida na porta. Ela olhou para cima e viu Laney. — Ei. Por que você ainda está aqui? — perguntou Payton. Ela baixou a voz para um sussurro. — Eu pensei que esta noite era a grande noite. — Laney então Payton tinha descoberto ontem em uma conversa que incluía totalmente demais informações - estava ovulando hoje. Ela tinha planejado sair mais cedo e surpreender Nate. Etc. — Estou saindo. — disse Laney. — A que horas você vai para o coquetel? Payton franziu a testa, confusa. — Coquetel? — ela bateu na testa, lembrando-se de repente. — Merda o coquetel! Todo mês de junho, o grupo de litígio sediava um coquetel de boas-vindas para a safra de associados de verão daquele ano, e todos os advogados do grupo eram “fortemente encorajados” a participar. Com tudo que estava acontecendo, ela tinha esquecido completamente que a festa era esta noite. Ela fez um lembrete na agenda diária do seu computador que deve ter dado o lembrete, enquanto ela estava no Fixx com Chase. Porcaria. Com um gemido, Payton esfregou a testa. — Eu não vou conseguir ir para o coquetel hoje à noite. — ela apontou para os dez centímetros e meio de casos sobre a mesa que ela ainda precisava ler. — Eu tenho muito trabalho a fazer. — ela suspirou. Pobre Cinderela. Não poderia ir para o baile, porque ela tinha que ler sobre as limitações probatórias das normas de defesa afirmativa Ellerth/Faragher. — Mas você precisa ir. — Laney a advertiu. Ela assentiu com a cabeça sutilmente na direção do escritório de J.D.. — Você sabe que ele vai trabalhar a multidão, entrosando com Ben e todos os outros na Comissão de Parceria. Você tem que estar lá, também. Payton, de repente se sentiu muito cansada de todo o calvário de competir contra J.D.. Se a decisão do Comitê de Parceria fosse toda baseada em


quem marcou mais rosto na hora do coquetel do grupo de litígio, então, francamente, eles eram um bando de idiotas. — Por mais que eu realmente odeie perder a oportunidade de dar uma série de animados, venha-trabalhar-para-a-empresa, é-claro-que-eu-nuncafaturei-mais-de-duas-mil-horas, discursos de recrutamento para um grupo de estagiários que têm, claramente, nenhum indício de que eles estão prestes a perder suas vidas, eu vou ter que passar esta noite. Laney olhou para Payton, surpresa. — Eu não acho que eu já ouvi você falar mal da empresa antes. Você é normalmente tão partidária. — ela balançou a cabeça em aprovação. — Bom para você. Eu vou te dizer que, eu vou ficar e ajudá-la a ler esses casos, e talvez você consiga pegar o final da festa. Payton sorriu em agradecimento. — Isso é muito gentil da sua parte. Mas não se preocupe comigo, estou bem. Vá para casa e aproveite a noite com Nate. Laney hesitou. — Você tem certeza? Payton assentiu enfaticamente. — Sim. Vá. É bom saber que pelo menos uma pessoa de alguma forma está conseguindo encontrar tempo para ter relações sexuais durante o trabalho aqui. Ela pegou o olhar de Laney. — Não se preocupe, ninguém está por perto para me ouvir de qualquer maneira.


Capítulo Dezenove

— P

or que

você não colocou o garoto para trabalhar nisso? Ao ouvir a voz familiar, Payton levantou os olhos da leitura. Ela estava de frente para a janela a qual ela gostava de ficar quando tinha que trabalhar à noite. A vista dos outros arranha-céus ao redor dela com suas luzes cintilantes era espetacular. E de alguma forma, a fazia se sentir um pouco menos solitária ver outros escritórios iluminados. Ela virou-se em sua cadeira e viu J.D. parado na porta. — O 'garoto' está em seu escritório, escravizado sobre as quinze outras coisas que eu pedi a ele para fazer. — ela disse a ele, assumindo que ele estava se referindo a Brandon. — Então, infelizmente, eu estou presa aqui. J.D. olhou para o relógio. — Você não vai para o coquetel? Payton balançou a cabeça negativamente. — Por que não está lá? — Eu estava em uma chamada de conferência que ia até tarde. Mas eu estou indo lá em cima agora. J.D. fez uma pausa, então se mexeu na porta. — Você não vai fazer a coisa persistente estranha de novo, não é? — perguntou Payton. — Porque isto está começando a me assustar. — Não, eu não vou fazer a coisa persistente estranha de novo. — J.D. respondeu, apesar de Payton pensar ter detectado o leve rastro de um sorriso em seus lábios.


Ele entrou em seu escritório e caminhou até sua mesa. — No que você está trabalhando, afinal? — Apenas algumas pesquisas relacionadas às instruções do júri. — disse Payton, suspirando. — O juiz quer ouvir as alegações primeiro amanhã, antes que ele traga o júri. Estou muito confortável com a nossa posição, eu só quero ter certeza de que não existem quaisquer casos extremos que o requerente possa citar. J.D. a estudou. — Você gostaria de alguma ajuda? — De você? — Sim, Payton. De mim. — Mas você vai perder o coquetel de recepção. Você não precisa ir conversar com Ben e os outros parceiros litigantes? — ela perguntou. — Não, se você não for. — ele disse. Bom ponto. Talvez J.D. realmente estivesse tentando ajudar. Ele parecia muito agradável sobre os gestos no dia de hoje, Payton pensou. Ou talvez ele estivesse apenas confiante em suas chances de se tornar sócio. Sua mente ia e voltava, e parte dela queria dizer a J.D. que ela não precisava da ajuda dele, que ele não precisava devolver o favor do depoimento. Mas a verdade era que ela poderia realmente usar a ajuda, e a segunda verdade, era que ela meio queria que J.D. ficasse - e não só porque ela não queria que ele fosse para o coquetel de recepção e trocasse ideias sem ela. Ela assentiu com a cabeça. — Ok. J.D. sorriu. — Ok. Ele se sentou em uma das cadeiras em frente à sua mesa. — Por que eu não começo com essa pilha aqui? — ele apontou para a pilha de casos mais próxima dele. — Claro. — Payton começou a explicar. — Eu coloquei Brandon para pesquisar todas as decisões relevantes, tanto do Sétimo Circuito e do Distrito


Norte de Illinois, mais ele encontrou um par de casos do Distrito Central, aqueles que, obviamente, são apenas autoridade persuasiva. — Eu não sou um primeiro ano, Payton. Apenas me diga quais são os problemas. — Olha, só porque eu aceitei a sua oferta de ajuda não significa que este não seja o meu caso. — Eu tinha a sensação de que eu ia me arrepender disso... — Bem, então, você está certamente livre para sair a qualquer momento... — E negar-lhe o prazer da sua viagem de poder? Eu não sonharia com isso. Et cetera.

***

Humm. O cabelo dele estava um pouco mais comprido esses dias. Payton sorrateiramente deu outra olhada. J.D. recostou-se na cadeira, suas longas pernas esticadas na sua frente enquanto lia o próximo caso na sua pilha. Sua cabeça inclinou ligeiramente para baixo enquanto ele lia, e Payton podia ver que a parte de trás do seu cabelo castanho quase roçava no colarinho engomado azul de sua camisa. Sem dúvida uns bons três centímetros mais longo do que ele normalmente usava. Não que ela prestasse atenção nessas coisas. Ela havia se movido e agora sentava em uma cadeira ao lado de J.D.. Era mais fácil para eles trabalharem assim. Desta forma, ela não teria que manter-se inclinada sobre sua mesa sempre que ele quisesse salientar algo que havia


encontrado em um dos casos que ele estava revendo. E essa era a história dela e ela estava aderindo a ela. As pilhas de casos sobre a mesa tinham sido reduzidas a quase nada. Foi uma coisa boa que ela tinha voado através da sua pilha quando ela e J.D. começaram a trabalhar juntos, porque seu ritmo desacelerou drasticamente ao longo da última meia hora. Nos últimos 15 minutos, em especial, ela havia se tornado, alguém poderia dizer, um pouco distraída. Ela encontrou-se estranhamente com pensamentos que alguns poderiam chamar de um pouco... atrevidos. Era um empate estúpido novamente, Payton pensou. Ela tinha estado inocentemente cuidando do seu próprio trabalho de leitura, quando J.D. tinha casualmente afrouxado a gravata e ela tinha pensado, hmm... ele realmente devia apenas tirar a maldita coisa, não havia mais ninguém no escritório de qualquer maneira. Então, hmm... falando de ninguém mais estar no escritório, ela se perguntou o que faria J.D., se - hipoteticamente falando - ela estendesse a mão e soltasse a gravata para ele... e então, o inferno, se ela já tinha ido tão longe, - ainda hipoteticamente, é claro - ela supunha que ela também deveria desfazer esses primeiros botões da sua camisa, que pareciam um pouco restritivos, também, e, oops, nesse caso, ela poderia muito bem apenas jogar a toalha e ir para a direita para baixo para o botão da sua ca... — Então, há quanto tempo você está vendo Chase? A pergunta - de J.D. - abruptamente trouxe Payton de volta para a realidade. — Hmm? O que? — perturbada, ela disfarçou gesticulando para o caso que ela concluía. — Desculpe. Lendo. Lei e tudo. Poxa, isso é bom! — ela se abanou. — Eu sinto muito, você me perguntou alguma coisa? J.D. mexeu-se na cadeira. — Eu só estava perguntando há quanto tempo você está vendo Chase? Ele disse que vocês dois estavam namorando. Eu encontrei com ele na noite passada. — ele explicou. — Sim, ele mencionou isso quando o vi hoje mais cedo.


Payton podia jurar que viu um flash de algo nos olhos de J.D. sobre isso. — Vocês dois estão sérios, então? — perguntou. Payton hesitou. Será que ela se importaria com o que J.D. pensasse dela e Chase? Surpreendentemente, ela viu que sim. — Estamos nos vendo por algumas semanas. — disse ela. Na ponta dos pés, ponta dos pés. J.D. assentiu. — Vocês dois parecem ter muito em comum. — ele esperou para ver onde ela iria chegaria com isso. Na ponta dos pés, ponta dos pés. — Parece que sim. Silêncio. Mais uma vez, eles estavam em um impasse. Então Payton pensou, que diabos? E decidiu ir para o combate. — Por que você está aqui, J.D.? — Eu trabalho aqui, lembra? Veja, ali é o meu escritório e... Payton colocou a mão em cima da dele. — Não. Vamos só pular a parte sarcástica pela primeira vez. J.D. olhou para sua mão, em seguida subiu, até encontrar o olhar dela. — O que é que você realmente quer saber, Payton? Ela perguntou algo que ela tinha se perguntado nos últimos dias. — Por que você está sendo tão bom para mim agora? J.D. se inclinou para frente em sua cadeira. Ele olhou diretamente nos olhos dela, e Payton de repente se viu se perguntando por que ele tinha levado oito anos para olhá-la dessa forma. — Porque você está deixando. — disse ele em voz baixa.


E nesse momento, Payton soube. “O Perfeito Chase” estava condenado. E não por causa de uma cordialidade. O Perfeito Chase tinha sido condenado desde o início, e de fato, Payton estava começando a suspeitar que a razão de que praticamente todas as suas relações ao longo dos últimos oito anos, tinham sido condenadas desde o início, estava sentada na cadeira na frente dela, olhando-a nos olhos. Percebendo isso, Payton só tinha uma coisa a dizer. — Oh... Não. — ela suspirou. Só que ela não tinha exatamente a intenção de dizer isso em voz alta. J.D. inclinou a cabeça. — Resposta interessante. Payton não podia dizer se ele estava divertido ou com raiva. Ela abriu a boca para explicar, mas foi interrompida por uma batida na porta. Brandon entrou em seu escritório, alheio a tudo. — Então, eu encontrei mais dois casos que você pode querer dar uma olhada... oh, ei, J.D.. Eu não sabia que você estava aqui. Payton e J.D. levantaram-se das cadeiras ao mesmo tempo. — Na verdade, eu estava saindo. — disse J.D. às pressas. — Payton, eu não acho que você precisa mais da minha ajuda; vocês dois devem ser capazes de acabar com o resto dos casos. Foi bom vê-lo novamente, Brendan. — É Brandon. — Claro. Payton assistiu enquanto J.D. deixava seu escritório e atravessou o corredor para o seu próprio. — Eu espero que eu não tenha interrompido nada. — disse Brandon.


— Não, nem um pouco. — Payton assegurou. Isso é tudo o que ela precisava agora, ser alvo de fofocas de mau gosto do escritório. Esse tipo de coisa poderia matar uma carreira. — J.D. só estava me ajudando a passar por algumas dessas pesquisas. — ela se sentou em sua mesa. — Então, o que você achou? Brandon se sentou em uma das cadeiras na frente da mesa dela. E quando ele começou a explicar - como sócios subalternos ávidos sempre faziam - a grande pausa no julgamento, que ele acreditava que ele tinha acabado de descobrir, Payton mantinha a atenção vigorosa. Entre olhares roubados em todo o hall. Ela se perguntou o que J.D. estaria pensando, se isso ia ser mais um daqueles momentos entre eles que nenhum deles reconhecia, ou se ele estava com raiva mesmo, pensando que ela queria dizer algo pelo “oh... não”, que ela nem queria dizer, ou talvez ela quis dizer isso, ela não sabe mais; sua mente era uma bagunça de mil pensamentos oscilantes e ela não conseguia entender qualquer um deles, exceto pelo fato de que ela sabia que deveria estar centrada no julgamento e... Ao lado dela, na tela de seu computador, a caixa de alerta, de repente apareceu, indicando que ela tinha acabado de receber uma nova mensagem de e-mail. Ainda balançando a cabeça enquanto ouvia Brandon, Payton clicou o mouse e viu que tinha uma mensagem de J.D.. Nada na linha de assunto, de modo que ela clicou novamente e leu: Eu gostaria de levá-la para casa esta noite. Sem diminuir o passo, Payton perguntou a Brandon simultaneamente uma questão de acompanhamento a respeito da sua pesquisa e disparou uma resposta rápida ao e-mail do J.D.. Vinte minutos.

***


— Bem, pelo menos agora eu posso dizer que eu montei no Bentley infame. Enquanto caminhavam pela calçada, aproximando-se da sua casa, Payton viu J.D. sorrir e verificar o relógio. — O que? O que foi isso? — ela perguntou. — Eu tenho cronometrado quanto tempo você levaria para fazer um comentário sobre o carro. Na verdade, estou surpreso que você fez toda a viagem aqui sem dizer nada. — Eu quase não sou tão previsível. — disse Payton, começando a atirar os cabelos para trás sobre os ombros, mas parou. J.D. percebeu e riu. — Sim, realmente, você é. Em oito anos, eu não acho que eu já vi você se abstendo de comentar sobre qualquer coisa. Tinham chegado à porta da frente. Payton se virou para J.D. — Isso não é verdade. — Não é, né? — ele levantou uma sobrancelha. Payton olhou para ele. — Eu não comentei sobre o fato de que você estacionou seu carro na rua, em vez de deixar-me aqui na frente. Porque se eu tivesse comentado isso, eu teria dito que você parece pensar que vai entrar. J.D. se aproximou um passo o e olhou para ela. — E se esse pensamento me ocorresse, eu estaria errado? — Hmm... sem comentários. — Payton destrancou a porta da frente, e J.D. manteve aberta para ela. — Talvez eu esteja apenas tendo certeza que você entre com segurança. — disse ele enquanto subiam as escadas para o apartamento dela. — Chame-me de antiquado. — então ele saltou à frente de Payton, andando de costas e de frente para ela. — Ou espere - é irritado, imbecil, dono-de-pony, miserável-em-daramor,

só-bebedor-de-Scotch-no-gelo,

minha-esposa-fica-melhor-com-meu-


sobrenome idiota machista!!? De alguma forma, eu sempre chego aos dois misturados. Tinham chegado à porta do apartamento de Payton. — Eu não sei... — ela disse. — Me faz lembrar que, isso foi antes ou depois de você me chamar de teimosa, irritante, motorista-de-Prius, com-ombreirasno-terno, que -‘ficar-em-casa’-com-a-mãe-é-uma-ofensa à sua feminazi. Ela abriu a porta e entrou em seu apartamento. Ela jogou a pasta e bolsa para o sofá da sala. J.D. a seguiu para dentro, fechando a porta atrás deles. Ele sorriu ouvindo suas palavras atiradas de volta para ele. — Depois, definitivamente depois. É assim que tem sido desde o início, você dispara o primeiro tiro, e eu apenas reajo. Ele disse levemente, provocador, mas Payton pegou algo na sua escolha de palavras. — O que quer dizer com é assim que tem sido desde o início? Ela viu um lampejo momentâneo nos olhos de J.D., como se ele percebesse que tinha dito mais do que ele pretendia. Ele acenou para desconsiderar a pergunta dela. — Não importa. Esqueça que eu disse isso. Isso não é importante. Payton estava curiosa. Mas ela recuou, sentindo que pressionar o problema só levaria a uma discussão. E os dois tinham tido o suficiente delas para durar uma vida. — Então... — ela disse, interrompendo. Encostou-se na parede de estantes embutidas, de frente para J.D., que estava do outro lado da sala dela. — Então... — ele respondeu. Ele a olhou, como se estivesse esperando que ela fizesse ou dissesse algo primeiro. O que era bom, porque, na verdade, havia algo que ela queria dizer. Ela limpou a garganta.


— Sabe, J.D. - para o registro - na verdade, eu não acho que você seja sexista. — ela o viu mover a cabeça com esta admissão repentina, então ela explicou. — Eu apenas pensei, você sabe, que não fosse algo legal para falar. Em poucos dias, nós não vamos mais trabalhar juntos, e eu não queria deixar isso suspenso entre nós. J.D. lentamente começou a atravessar a sala em direção a ela. — Nesse caso, já que estamos limpando o registro, feminazi foi, provavelmente, um pouco duro. — Um pouco? Você acha? — Muito duro. — J.D. se aproximou dela, então mais perto ainda. Payton sentiu seu coração começar acelerar. — E, na verdade, eu não acho que você seja irritado. — ela disse, ainda conseguindo parecer fria e calculista, pelo menos. — Obstinado e arrogante, talvez, mas não irritado. — Obrigado. — disse J.D., com um aceno de reconhecimento. Ele parou diante dela agora, de modo que ela estava presa entre ele e as estantes. — Também para registro. — disse Payton, em voz baixa. — Eu não dirijo um Prius. J.D. olhou para ela, seus olhos escuros e intensos. — Para o registro, eu nunca possuí um pony. — Isso é uma vergonha. — Payton disse-lhe em um sussurro. — Eu achava que devia ser bem legal possuir um pony. — ela sentiu a mão de J.D. na parte de trás do seu pescoço. — Você vai parar de falar agora? — disse ele, puxando-a para ele. — Porque eu já esperei tempo suficiente para fazer isso. Então sua boca desceu sobre a dela, e, finalmente, depois de oito anos, J.D. Jameson a beijou.


Os lábios de Payton se separaram ansiosamente, provocando-o quando sua língua levemente tocou a dele. A mão de J.D. moveu-se para a cintura dela e puxou-a para mais perto enquanto sua boca procurava a dela, aprofundando o beijo. Ela pressionou seu corpo contra o dele e instintivamente ele reagiu imediatamente, empurrando-a contra as prateleiras. Com seus braços de cada lado dela, segurando-a ali, seus lábios arrastaram um caminho ao longo do seu pescoço. — Diga-me que você queria isso. — disse ele com voz rouca em seu ouvido, e Payton pensou que todo o seu corpo tinha acabado de derreter. Ela arqueou para trás, e a boca dele fez o seu caminho para sua clavícula. — Sim. — ela sussurrou grossa, a única coisa que ela era capaz de dizer logo após J.D. beijá-la novamente, mais exigente dessa vez. De repente, os dois estavam impacientes; Payton empurrou seu paletó, precisando dele fora, e as mãos de J.D. agarraram seus quadris e a puxou, eles tropeçaram para fora da sala e na cozinha. Eles atingiram o balcão, e J.D. empurrou os bancos de bar para fora do caminho e colocou-a sobre ele. Empoleirada em cima do balcão, Payton inclinava-se para trás para olhar para J.D.. Sua respiração estava irregular. — Eu gosto disso - você não está elevando-se sobre mim, por uma vez, tentando me intimidar. — Duvido que haja qualquer coisa que a intimide. — J.D. brincou. — Nem mesmo estar nua em um tribunal, aparentemente. — Estou começando a me lembrar por que eu não gosto de você. — disse Payton. Mas, então, ela prendeu a respiração quando ele prendeu suas mãos atrás das suas costas com uma das dele e se colocou entre suas pernas. Os olhos de J.D. brilharam maliciosamente. — Bom, agora me chame de 'imbecil' e me dê esse olhar como se você quisesse jogar algo em mim, essa é a minha parte favorita. Payton riu, mas a boca de J.D. desceu sobre a dela e todas as brincadeiras caíram no esquecimento. Ela sentiu as mãos dele se moverem para sua camisa, arrancando os botões enquanto ela, simultaneamente, alcançava e puxava a


gravata, afrouxando o nó. Havia uma pressa em seus movimentos, como se cada um deles estivesse com medo do outro mudar de ideia, e Payton estava apenas começando a ter pensamentos vagos no fundo da sua mente sobre o quão longe isso pode ir, e se o balcão da sua cozinha era o melhor local para quão longe isso poderia ir, quando... O telefone dela tocou. — Ignore-o. — disse J.D., suas mãos se movendo para o fecho da frente de seu sutiã, e pela primeira vez Payton concordou plenamente com ele. O toque - vinha do telefone em sua sala de estar - era fácil o suficiente de ignorar, mas, em seguida, a secretária eletrônica clicou e a voz de Payton ecoou em todo o apartamento, desculpe, não posso atender o telefone, blá, blá. — Já ouviu falar de correio de voz? — J.D. perguntou enquanto seus dedos provocadores se arrastavam ao longo da borda rendada do sutiã e Payton tentou reunir a inteligência e pensar em algo audacioso para dizer de volta quando uma segunda voz masculina gritou para ela. — Payton é Chase. Era uma verdadeira maravilha da tecnologia, Payton notou, a forma como a clareza da sua secretária eletrônica fez parecer como se o cara que ela estava namorando estivesse parado lá na cozinha com ela e o cara que ela enganchado entre as pernas. — Eu só queria ligar para dizer boa noite e me certificar de que você chegou bem em casa. — Chase continuou na máquina. — Eu sei que você tem uma longa noite pela frente, e com tudo o que falamos anteriormente, esqueci de desejar-lhe boa sorte com o seu julgamento. Eu sei o como você está sobre isso, de modo que tente dormir um pouco. E lembre-se o que eu disse sobre J.D., fique de olho nas suas costas, o cara vai fazer de tudo para ganhar. Payton ouviu o sinal sonoro, indicando o fim da mensagem de Chase. J.D. se inclinou para trás para ver sua reação.


— E aqui estava eu, preocupada que ele poderia dizer algo que tornaria isso estranho. — disse ela. — Graças a Deus nós nos esquivamos da bala. J.D. ignorou seu sarcasmo. — Ele te liga para dizer boa noite? Quão sério vocês dois estão? — ele exigiu saber. Payton passou por ele, deslizou para baixo do balcão, e começou a abotoar a camisa. — Essa é a parte da mensagem que você tem um problema? Que ele tenha me ligado para dizer boa noite? —

Oh,

eu

deveria

responder

às

acusações

feitas

contra

o

seu namorado? Aqui está a minha resposta: ele é cheio de merda. Payton assentiu enquanto ela alisava a saia. — Talvez não seja a sua resposta mais eloquente, mas vou dar-lhe pontos pela franqueza. Com um olhar confuso, J.D. observava enquanto ela se recompunha. — Espera, o que está acontecendo aqui? Você não está realmente comprando o que Chase disse, não é? — Não. — não realmente, ela quase acrescentou, mas se conteve. Ela deveria suspeitar de J.D.? Até Chase ter deixado a mensagem, a possibilidade ainda não tinha ocorrido à Payton, que J.D. poderia ter alguma agenda oculta naquela noite. Na verdade, ela estaria no tribunal desde muito cedo amanhã de manhã, mas e daí? O que ela deveria pensar, que tudo isso foi algum esquema de sedução elaborada para entrar em seu apartamento, e o que? Atrasar o seu despertador em uma hora para que ela perdesse a hora do julgamento? Agora esse era um pensamento ridículo. Não era? Pensando sobre isso... o cara tinha se infiltrado em seu escritório, em seguida, cortado e depois colado seu salto novamente para que ela caísse e se envergonhasse no tribunal. Mas eles estavam além disso agora. Não estavam? — Bem, é óbvio que a mensagem de Chase mudou alguma coisa. — disse J.D..


Payton terminou de abotoar a camisa e se virou. — Isso tudo é tão complicado. — Por causa de Chase? — Por causa de um monte de coisas. — disse Payton. — Porque eu preciso estar no tribunal amanhã de manhã cedo. Por causa da nossa história. Devido ao fato de que eu deveria estar me concentrando no trabalho agora, e porque, ironicamente, você é a razão pela qual eu deveria estar centrada no trabalho agora. — ela fez uma pausa. — Eu só gostaria de ficar sozinha para pensar sobre as coisas. J.D. concordou e Payton podia ver que ele estava com raiva. — Tudo bem. — ele disse laconicamente. Ele se aproximou, pegou o paletó do chão e se dirigiu para a porta da frente. Tão confusa quanto ela estava, Payton odiou que eles terminassem a noite com uma impressão tão ruim. — J.D., espere. — ela gritou para ele. Ele virou-se na porta. — Esta é a segunda vez que você me expulsa do seu apartamento. Se você mudar de ideia sobre as coisas, você sabe onde você pode me encontrar. E com isso, ele se foi. Payton ficou ali por um momento, depois que ele saiu. Então ela pegou sua pasta e dirigiu-se para seu quarto. Uma hora depois, ela adormeceu só, com o seu trabalho empilhado ao seu redor.


Capítulo Vinte

S

ó

falta

uma

semana. Apenas sete dias. Payton entrou na reta final da sua missão de oito anos para se juntar à elite de prestígio, de poucos advogados de sucesso, da Ripley & Davis que tinham sido elevados à categoria de sócios, mantendo duas promessas que fizera recentemente. Em primeiro lugar, ela ganhou o julgamento - confirmando assim seu voto para o júri durante seu discurso de abertura, que ela estava certa de que depois de ouvir todas as evidências, eles iriam acreditar que seu cliente não era responsável pelo assédio sexual. Como era tradição, sempre que um dos advogados de litigio tinha vitória num processo, quando ela voltou ao escritório depois do julgamento, os outros membros

do

grupo

foram

em

seu

escritório

para

oferecer-lhe

os

parabéns. Todos, exceto J.D., é claro. Ele permaneceu em seu escritório a tarde inteira, com a porta fechada. — O que deu nele? — Irma perguntou quando ela parou em seu caminho, com um aceno de cabeça na direção do escritório de J.D.. — Vocês dois estão brigando de novo? — Eu não acho que ele está falando comi... — Payton parou, depois de ter compreendido a insinuação na pergunta de Irma. — O que quer dizer, com


estamos brigando de novo? — ela e J.D. sempre tinham sido tão cuidadosos para não expor as suas disputas em público. Irma lançou um olhar. — O pessoal do administrativo são os olhos e ouvidos dessa instituição, Payton. Nós sabemos de tudo. Payton sentou-se em sua cadeira. — Vocês falam sobre nós? Irma deu de ombros despreocupadamente. — Sim. Payton cruzou os braços sobre o peito. — Bem. E sobre o que vocês falam? — Agora, principalmente falamos de vocês dois na disputa para se tornarem sócios. — Vocês sabem sobre isso? Mais uma vez, Irma deu de ombros despreocupadamente. — Sim. Temos até um grupo de apostas em qual de vocês irá conseguir isso. A boca de Payton caiu aberta, chocada ao descobrir que sua árdua luta pelo sucesso da sua carreira era objeto de conversas pegajosas, fofocas sem sentido. — Eu não posso acreditar que você está participando disso, Irma. É tão desagradável. Quem está na frente da aposta? — Está praticamente definido pelos gêneros. Payton sorriu com satisfação. — Então, eu estou na liderança. Há, o que, dois secretários do sexo masculino em toda a empresa? — Bem, alguns dos associados juniores estão apostando também. E por alguns, quero dizer todos eles. Payton revirou os olhos. — Eu suponho que todos os sócios, também? — Estranhamente, não. — Irma ponderou. — Nenhum dos sócios parece saber sobre você e J.D. não se dando muito bem.


Payton zombou dessa. — Não é tão estranho, realmente. Metade dos sócios aqui parece não saber nada a menos que seja explicitado em um memorando que algum pobre associado teve que sacrificar todo o final de semana redigindo. Agora foi a vez de Irma se surpreender. — Isso soou terrivelmente desapontado para você. — ela balançou a cabeça em aprovação. — Eu gosto disso. — com uma piscadela, ela se virou e saiu. Payton suspirou Nota para si mesma: Morder a língua com mais frequência. E descobrir que associados juniores tiveram a audácia de apostar no J.D.. Se fosse Brandon, ela mataria o garoto.

***

A segunda promessa que Payton manteve era a que ela tinha feito para Chase, que eles iriam sentar e conversar assim que o julgamento tivesse acabado. O encontro ocorreu no apartamento de Chase, mas a conversa foi principalmente sobre o término de Payton. Chase levou bem a separação. Ele até riu quando Payton disse que ela tinha os melhores interesses dele em mente tanto quanto os dela, vendo como ela estava completamente convencida de que ela era uma pessoa muito difícil e não iria faria qualquer outra coisa com ele, senão, totalmente miserável. Na verdade, todos os pensamentos que ela ainda podia ter mantido que as coisas poderiam funcionar com Chase, praticamente terminaram no momento em que ela beijou J.D.. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo entre eles ultimamente, mas é evidente (como evidenciado no pequeno encontro no balcão da cozinha dela), ela não tinha como namorar outra pessoa até que ela entendesse isso.


No dia seguinte, no trabalho, ela estava procurando uma maneira de ver Laney para dar a má notícia de que, infelizmente, Chase não era mais o seu Perfeito, quando ouviu a voz de J.D. chamando seu nome. Ela virou-se e o viu no meio do corredor, aproximando-se dela. — Ben pediu para ver nós dois, de imediato, se possível. — disse J.D.. — Aparentemente houve algum desenvolvimento no caso da Gibson. Sem mais palavra, ele friamente passou por ela e continuou ao longo do corredor para o escritório de Ben. Payton seguiu atrás dele, sem fazer qualquer tentativa para alcançá-lo. Se esse é o tipo de jogo que ele queria jogar, que assim seja. Os dois caminharam por todo o caminho em silêncio. Quando chegaram ao escritório de Ben, eles o encontraram no telefone. Ele sinalizou que estava resolvendo algumas questões e gesticulou para que esperassem lá fora. J.D. foi até a janela no final do corredor, virou as costas para Payton, verificando a vista lá fora, ele continuava seu tratamento silencioso. Payton ficou tentada no início de simplesmente ignorá-lo, mas depois mudou de ideia. J.D. estava começando a irritá-la a sério e ela tinha a intenção de deixá-lo saber isso. Ela rapidamente caminhou até ele. — Você realmente não está falando comigo? — ela manteve a voz baixa, de modo que não seria ouvida. J.D. olhou de lado para ela. — Eu estou apenas lhe dando espaço, Payton. — ele se voltou para a janela. — Você está sendo um idiota. — E você está jogando. Como vai o Chase? — ele perguntou sarcasticamente. — Tudo bem, eu acho. Chase e eu não estamos nos vendo mais. J.D. se virou para encará-la. — Você terminou com ele?


— Por uma questão de fato, eu terminei. — disse Payton. — Ao contrário do que você pensa, eu não gosto de jogar com as pessoas. E por falar nisso, você tem muita coragem de me acusar de jogar quando você é o único me dando o tratamento de silêncio. O que me lembra, obrigada por ser a única pessoa no nosso grupo a não me felicitar por ganhar meu julgamento. Suas ações levamme a crer que ou: (a) você se sentiu estranho me parabenizando, uma vez que estamos numa competição um com o outro, nesse caso, você não pode me culpar por lutar da mesma forma com as complicações de nossa situação na outra noite; ou (b) que você estava simplesmente sendo um imbecil rancoroso teimoso, que no caso eu não tenho certeza se gostaria de estar na sua companhia de qualquer maneira. De qualquer forma, se você está esperando por algum grande pedido de desculpas de mim por te pedir para sair na outra noite, você vai esperar muito, muito tempo, porque, como você vê, claramente eu estava com a razão. — Payton colocou a mão em seu quadril, desafiadora. Então é isso. J.D. olhou para ela por um momento, com aquele olhar “divertido” em seu rosto. — Você realmente é uma advogada incrível, Payton. — disse ele. Ela cutucou-o no peito. — Não tente me bajular agora, Jameson. Ele sorriu. — Você está com raiva de mim novamente. — Eu acho que esta situação é difícil o suficiente sem você torná-la mais difícil. Isso pareceu golpeá-lo com uma corda. — Justo. Talvez eu deva fazer isso para você, então. O que você diria - hipoteticamente falando, é claro, - se eu lhe pedisse para jantar fora para comemorar sua vitória no julgamento? Payton hesitou. Não porque ela não ficou tentada por sua oferta, ou quase oferta. Muito pelo contrário, na verdade. — Hipoteticamente falando, eu não tenho certeza se eu confio em mim em torno de você. — disse ela. Ela poderia dizer que J.D. gostou da sua resposta.


Ele abaixou a cabeça, baixando a voz ainda mais. — Por quê? O que você tem medo que pudesse acontecer se nós ficássemos sozinhos? Hipoteticamente falando. Era

um

jogo

perigoso

para

eles,

ficarem

flertando

no

escritório. Estranhamente, porém, Payton não tinha certeza se ela se preocupava com o escritório nessa altura. Claro, J.D. a irritava como ninguém mais poderia. Mas quando ele lhe deu aquele olhar, aquele olhar que era ousado e íntimo, mas também um pouco cauteloso - como se ele estivesse esperando e avaliando cada movimento dela - ela sentiu emoções de antecipação com o pensamento de onde podia chegar sua pequena trama. Então

ela

inclinou-se,

seu

sorriso

descaradamente

tímido. —

Hipoteticamente falando, eu tenho medo que eu possa... — Aí estão vocês dois! Desculpem por isso, eu fiquei preso numa questão de uma conferência que durou um pouco mais do que o esperado. Interrompidos pelo som da voz de Ben, Payton e J.D. olharam e o viram de pé na soleira da porta. — Vamos? — Ben gesticulou para que se juntassem a ele em seu escritório. J.D. chamou a atenção de Payton, enquanto se dirigiam para dentro, parecendo achar a interrupção de Ben tão inconveniente quanto ela. Eles mal tomaram o assento na frente da mesa quando Ben foi direito ao que interessava. — Então, eu recebi um telefonema de Jasper, esta manhã. — ele começou. — Aparentemente, eles tiveram um pouco de agitação

no

departamento jurídico da Gibson. Ele demitiu o conselho - provavelmente uma jogada inteligente, já que o cara obviamente não fez um trabalho muito bom de evitar essa confusão. O novo conselho geral começa na segunda-feira e, não surpreendentemente, está ansioso para se encontrar com algumas das pessoas em nossa empresa que estão trabalhando no caso. Jasper perguntou especificamente se um - ou ambos - poderia, possivelmente, estar livre para voar até amanhã para um encontro com ele e o novo conselho geral. Ele


reconheceu que este era um curto prazo, mas disse que pensou que já que amanhã é sexta-feira, haveria uma chance de que vocês dois pudessem estar livres de seus compromissos de trabalho à noite. Ben pigarreou. — Obviamente, Jasper não tem conhecimento da situação aqui, que um de vocês não vai continuar nesse assunto. E eu acho que é melhor que ele não esteja ciente desse fato até que seja anunciada a decisão da parceria. — inclinando-se para trás na cadeira, suspirou em tom melodramático. — Dadas as circunstâncias, acho que é um pouco estranho para eu pedir para os dois fazerem isso. Embora, a decisão esteja perto. — Eu vou. — disse J.D.. Ben parou e olhou por cima. Ele pareceu satisfeito com a determinação com que J.D. tinha respondido. — Ótimo. — ele acenou com a aprovação, em seguida, virou-se. — O que você diz, Payton? Ela podia sentir os olhos de J.D. sobre ela quando ela respondeu. — Eu vou, também. Ben sorriu. — Ótimo. Vou ligar para Jasper e deixá-lo saber que pode esperar por vocês dois. — ele olhou para J.D. — Você chega cedo o suficiente, Jameson, você pode até ser capaz de passear ao redor. Palm Beach tem alguns bons lugares. Acho que a última vez que estive lá foi mais de três anos atrás. Fomos em maio e estava quase trinta e cinco graus. E úmido como o inferno. — ele apontou. — Vocês dois estejam preparados para isso. Vai ser uma viagem quente e úmida. Levou toda a força de Payton para não reagir a isso.


Capítulo Vinte e Um

A

aeromoça colocou

a refeição de Payton na frente dela. — E um prato principal vegetariano para você. — ela disse de forma eficiente antes de se virar para servir almoço aos passageiros através do corredor. Sentado ao lado de Payton, J.D. não se preocupou nem em tirar os olhos do seu Jornal Wall Street. — Vegetariana? Agora, isso é uma surpresa. — Tão surpreendente quanto você virar primeiro para a seção financeira do jornal. J.D. encolheu os ombros. — Então? Eu tenho alguns investimentos. — Eu tenho investimentos. Você tem um portfolio59. — enfatizou Payton. J.D. sentiu a necessidade de esclarecer as coisas. Ele largou o jornal e se virou em seu assento para encará-la. — Payton, eu tenho que te contar uma coisa, e eu sei que isso vai ser um choque, mas é melhor que você ouça agora. — ele se inclinou no encosto. — Você tem dinheiro. — ele balançou a cabeça. Que vergonha. Payton dispensou o comentário com um aceno. — Por favor. Você tem dinheiro. Eu tenho um emprego que paga bem. Há uma diferença. 59

Investimento no mercado imobiliário.


— Nós ganhamos exatamente o mesmo salário. — Mas você tem um estilo de vida extravagante. J.D. riu daquilo. Ele tinha agora? Talvez no ponto de vista dela, ele supôs. Ela era uma contradição ambulante e completamente alheia a esse fato. — Você tem sapatos de quinhentos dólares. — ele ressaltou. — Não mais. J.D. pigarreou. Provavelmente era melhor se eles mudassem de assunto. Ele observou enquanto Payton pegou no seu sanduíche, algum Sprouty60/totalmente natural/mistura sem gosto. Uma vez que eles estavam voando na classe executiva, eles tinham assentos juntos, só os dois. Eles podiam falar sobre qualquer coisa e não serem ouvidos, apesar de que a conversação de Payton com ele durante todo o voo consistiu inteiramente de conversas relacionadas à negócios e/ou insolentes. Talvez fosse hora de agitar as coisas. — Então... você não disse por que você terminou com Chase. — Você está certo, eu não disse. — Você está evitando o assunto? Payton abaixou seu sanduíche e se virou para ele. — Por que não falamos de você para variar um pouco? Percebendo que ele realmente precisava refinar suas habilidades de mudança de assunto, J.D. lançou um olhar indiferente. — O que sobre mim? — Bem, você tem 32 anos... — A mesma idade que você.

60

Sanduíche natural vegetariano.


—... e ainda é solteiro. — ela terminou. — Você não deveria estar casado agora com uma Muffy ou uma Bitsy ou algum outro tipo de socialite com um cérebro tão grande quanto este picles? J.D. olhou para cima. — Esse é um picles muito grande. Payton sorriu. — Então? O que me diz? J.D. não pôde deixar de olhá-la, enquanto ela aguardava a resposta dele, Payton cruzou uma perna com salto alto sobre a outra, notadamente em sua direção. Será que ela sabia o efeito que tinha sobre ele? Ele suspeitava que soubesse. Era um pouco como uma dança o que eles faziam, a forma como ambos visivelmente evitavam falar sobre o que aconteceu no apartamento dela naquela noite. Ele tinha a sensação de que havia mais por trás das perguntas “inocentes” dela, relacionadas à vida amorosa dele, do que ela queria admitir. Mas ele não tinha a intenção de acabar com o jogo. Ainda não, de qualquer maneira. Vendo que ela ainda esperava sua resposta, J.D. encolheu os ombros. — Eu acho que acabei ficando focado em coisas no trabalho. — ele observou, enquanto Payton assentia. Isso ela podia entender. Agora que o tema do trabalho tinha sido levantado, a conversa derivou para um tópico mais seguro: a próxima reunião deles com Jasper e seu novo conselho geral. Como agradecimento pelo fato de que Payton e J.D. concordaram em voar para a Flórida em tão pouco tempo, Jasper havia sugerido, para a comodidade deles, que se encontrassem para jantar no hotel deles. J.D. certamente poderia pensar em lugares piores para passar uma sextafeira à noite do que no Ritz-Carlton, Palm Beach. Deixando de lado todas as questões da sociedade/avanço na carreira, um dos principais motivos que ele tinha tão rapidamente aceitado a viagem era porque ele sabia que Payton também nunca deixaria passar a oportunidade. Payton perguntou-lhe quais informações, se houvesse, que ele tinha sido capaz de descobrir sobre o advogado que Jasper havia contratado para ser o novo conselheiro geral da Gibson. J.D. alcançou em sua pasta o arquivo que ele


tinha jogado lá naquela manhã, quando ele parou no escritório antes de ir para o aeroporto. Estranhamente, ele descobriu algo em sua pasta que ele não tinha colocado lá. Um livro. Confuso - e com o pensamento momentâneo de que ele ia ficar realmente muito chateado se isso fosse algum tipo de esquema de contrabando para o Sul da Flórida que o colocaria na prisão e acabaria com seu tempo de elegante relaxamento no Ritz-Carlton - J.D. tirou o livro. Orgulho e Preconceito. Tinha um recado, não assinado, que dizia: No caso de uma emergência. Confie em mim. J.D. revirou os olhos. Oh, pelo amor de Deus. Ele disse a Tyler sobre a sua viagem com Payton e seu amigo “útil” deve ter escorregado o livro em sua bagagem de mão quando saiu do escritório dele. Assim, quando ele estava prestes a enfiar o volume feminino bobo de volta na pasta, Payton olhou para cima. — Oh, você trouxe um livro? O que você está lendo? — ela se inclinou e viu o título, em seguida, olhou para J.D. com uma expressão de surpresa inconfundível. — Orgulho e Preconceito? Uau. Eu não poderia imaginar que esse era o seu tipo de livro. J.D. ficou imediatamente na defensiva. — Vamos lá, você realmente acha... — suas palavras sumiram quando Payton recostou-se languidamente em seu assento com um olhar sonhador, distante. — Sr. Darcy... — ela suspirou melancolicamente. Distraidamente colocou a caneta na boca - J.D. notou um pouco de rubor nas bochechas dela - e, mesmo sem perceber, ela deslizou lentamente a caneta para dentro e para fora, entre seus lábios.


Dentro e fora. — Fitzwilliam Darcy e seus dez mil por ano... — ela disse, ainda sonhadora. J.D. não tinha ideia do que ela estava falando, mas ele não podia deixar de olhar. A caneta. Os lábios. Dentro e fora. Dentro e fora. Tyler era um gênio. Com um piscar de olhos, Payton saiu do seu devaneio. Muito infelizmente. — Desculpe. O que estávamos falando? — ela perguntou, um pouco sem fôlego. Limpando a garganta, J.D. ergueu o livro. — Orgulho e Preconceito? Payton sorriu carinhosamente. — Sim. É um dos meus favoritos. — Isso eu percebi. Tem que amar aquela... — J.D. rapidamente lançou um olhar para a parte de trás da capa — Elizabeth Bennet. Isso pareceu despertar Payton. — Bem, é claro. — ela disse, não muito diferente de Tyler, como se apenas um homem Neandertal não a conhecesse. — Elizabeth Bennet é apenas uma das maiores heroínas literárias de todos os tempos. J.D. podia ver que ela estava começando a ficar toda irritada e dando sermão novamente. Não que ele particularmente se importasse. — Sério? —

Sim, isso

mesmo. Ela é inteligente,

espirituosa, corajosa e

independente. Na verdade, ela pode ser um pouco orgulhosa, alguns diriam que ela é muito atrevida para seu tempo, e ela é definitivamente crítica, mas ainda assim, é por isso que a amo. J.D. inclinou a cabeça. — Bem. Acho que isso resolve.


Payton sorriu, um pouco envergonhada. — Desculpe. Eu posso ficar meio empolgada falando sobre esse livro. — ela fez uma pausa, lembrando-se. — Você não ia me mostrar as informações que você procurou do novo conselheiro geral da Gibson? De volta aos negócios. J.D. entregou a Payton o arquivo que ele havia compilado e ela começou a lê-lo. Mas depois de alguns minutos de trabalho em silêncio, ela lançou um olhar de soslaio na direção dele. — Ainda... é tipo uma leitura maricas para um cara, Jameson. — com um meio sorriso malicioso, ela se voltou para sua leitura. J.D. não se preocupou em dignificar isso com uma resposta. Mas depois que alguns minutos se passaram, ele sutilmente olhou para cima e observou Payton enquanto trabalhava. Orgulhosa e atrevida, sem dúvida. E definitivamente crítica. Mas ainda assim.

***

Payton ficou na frente do armário usando apenas roupas íntimas, examinando seu vestido, procurando por rugas. Ela ficou aliviada ao ver que tinha sobrevivido à viagem de avião relativamente ileso, porque (a) ela tinha absolutamente zero de habilidade quando se tratava de usar um ferro e (b) não havia tempo para passar de qualquer maneira, porque ela deveria encontrar J.D. no bar do hotel, no andar de baixo, em cinco minutos. Isso era trabalho, ela continuou lembrando a si mesma. Ela e J.D. estavam aqui, no luxuoso Ritz-Carlton, Palm Beach, a poucos passos da praia de areia branca e água azul celeste do Oceano Atlântico, a trabalho. Ela tinha ficado em hotéis agradáveis antes, é claro. Muitos deles. Uma das vantagens de trabalhar para uma empresa de primeira linha era que


esperava-se que seus advogados - para fins de imagem - ficassem em hotéis de primeira linha quando viajavam. Também não era a primeira vez que ela viajava a negócios em uma sexta-feira à noite, e certamente não era a primeira vez que ela viajava com um colega do sexo masculino. Mas. Desta vez não parecia com trabalho. Ou, pelo menos, isso não parecia inteiramente como trabalho. Após o check-in na recepção do hotel, ela e J.D. tinham concordado em encontrar às sete, meia hora antes do jantar com Jasper. Isso tinha sido sugestão de Payton - isso teria sido sugestão dela se ela estivesse com qualquer outro associado e ela não via razão para desviar do protocolo. Trabalho ainda era trabalho, Gibson’s Drug Stores era ainda o cliente novo mais importante da empresa, e o fato de que ela passaria a noite com J.D. era irrelevante. Da mesma forma, era irrelevante o fato de que ela tinha escapado para uma depilação rápida depois de saber que eles fariam essa viagem. E não deve-se, de modo algum interpretar qualquer coisa da lingerie de renda

preta

sexy

que

ela

tinha

colocado

poucos

momentos

atrás. Honestamente. Seu vestido justo praticamente a obrigava a vestir uma tanga e sutiã decotados a fim de evitar calcinha e sutiã bregas. E a peça rendada sexy? Puro acaso. E sim, é verdade, ela pode ou não ter usado um pouco de sombra escura naquela noite para dar um efeito esfumaçado nos olhos, talvez ela tivesse gasto um extra de dez ou vinte minutos no cabelo dela, e era até mesmo possível que algumas pinceladas de perfume - Bulgari Au Thé Blanc, seu favorito - tinha feito o seu caminho para a sua pele, um pouco aqui, um pouco ali. Mas ela só tinha feito esses esforços, porque ela tinha tido tempo extra em suas mãos e não viu qualquer razão para ficar à toa em seu quarto de hotel. E essa era a história dela e ela estava fina... Merda! – ela estava atrasada. Payton de repente avistou o relógio na mesa de cabeceira. Ela rapidamente entrou em seu vestido e deslizou sobre os


saltos. Porque este era um jantar de trabalho, o vestido era preto e clássico. Mas, no entanto, um vestido com um encaixe justo. Ela havia decidido anteriormente contra vestir um terno, estava calor e úmido e ela ficaria com muito calor vestindo um terno. E essa era a história dela.

***

O elevador chegou ao primeiro andar e as portas se abriram. Enquanto Payton

saía,

ela

sentiu

uma

vibração

momentânea

de

-

emoção? Nervosismo? Ela nunca sabia o que esperar de J.D. - pelo menos nos dias de hoje, de qualquer maneira. Claro, eles tinham flertado algumas vezes durante a viagem de avião, mas por outro lado, eles falaram um monte sobre negócios também. A questão tinha sido levantada naquela noite em seu apartamento, e Payton sabia que o tempo para responder a essa pergunta estava rapidamente chegando ao fim. Era uma pergunta simples. O que ela queria? Ela atravessou o lobby do hotel e encontrou o bar, chamado Stir, onde ela deveria encontrar J.D.. O que ela queria? No tribunal, ela sempre confiava em seus instintos. Talvez ela devesse aplicar a mesma filosofia aqui. Ela entrou no bar e foi surpreendida ao ver uma multidão tão grande que já se reunia lá. Seus olhos rapidamente examinaram o lugar, primeiro o bar principal, então as mesas privadas, e não encontrou J.D. em nenhum dos dois. Então ela avistou um terraço ao ar livre. Payton se dirigiu para fora e viu que o terraço do bar tinha vista para o mar. Levou um momento para os seus olhos se ajustarem à pouca luz fornecida pelas velas tremeluzentes que enfeitavam as mesas. No meio da multidão, ela


finalmente avistou J.D. perto do fundo, sentado em uma mesa ao longo da borda da varanda. Ela sorriu - é claro que ele teria a melhor mesa no local. J.D. tinha o seu perfil para ela enquanto ele olhava para o oceano. Ela se dirigiu para lá e - aproveitando o fato de que ele ainda não a tinha visto - ela tomou seu tempo apreciando a forma como ele parecia em seu terno cinza escuro e uma camisa azul escura. Ela observou a calma e a sofisticação dos movimentos dele, a maneira segura com que ele segurava o copo firmemente enquanto tomava um gole, a subida sutil da sua manga quando ele olhou para o relógio. Ele certamente tinha estilo de sobra, não havia dúvida sobre isso, e ele era inegavelmente, incrivelmente bonito. Ocorreu-lhe então o quão engraçado era que este era o homem que tinha trabalhado com ela, do outro lado do corredor - e brigado com ela - durante os últimos oito anos. Como se sentisse sua proximidade, J.D. olhou. Quando ele viu Payton, ele virou-se em sua cadeira e observou enquanto ela caminhava em direção a ele. — Você está maravilhosa. — seus olhos percorreram seu vestido. Payton parou na mesa e sorriu. — Obrigada. Eu percebi que está muito quente para um terno. — oh, a teia emaranhada que nós tecemos. J.D. observou-a sentar na cadeira na frente dele. — Você também está atrasada. — mas seu olhar sugeria que ele realmente não se importava. — Sinto muito; eu sei. — Payton disse. Ela cruzou uma perna sobre a outra de modo que a fenda do seu vestido revelou uma quantidade justa de sua coxa. Um velho truque, mas ainda assim um bom. — Ansioso para começar a trabalhar? — ela perguntou provocativamente. J.D. olhou para a sua perna exposta, e quando ele olhou para cima, seus olhos azuis a perfuraram. — Há alguns negócios inacabados que eu pretendo finalizar hoje à noite, sim.


Uau. Payton literalmente sentiu sua respiração parar com a forma como J.D. olhava diretamente para ela, em seguida, um olhar que dizia, em termos inequívocos, exatamente o que ele queria. Nenhum outro homem teve esse efeito sobre ela; ninguém mais poderia fazer seu coração acelerar com apenas um olhar e algumas palavras simples. E foi nesse momento que ela soube, sem qualquer hesitação exatamente o que ela queria. — Eu acho que a pergunta que eu tenho, J.D.... — ela pausou demoradamente quando alcançou do outro lado da mesa e pegou a mão dele. Ela começou a traçar círculos suaves e lentos com os dedos. — Como nós vamos mesmo conseguir passar por esse jantar? Ela viu o brilho de desejo nos olhos dele quando ele pegou a mão dela na sua. — O mais rápido possível. — disse ele com uma voz rouca. Ele levemente roçou os lábios contra seus dedos, seus olhos nunca deixando os dela, e Payton poderia dizer que ele queria beijá-la tanto quanto ela. Mas Jasper podia caminhar através da porta a qualquer minuto, e, francamente, se ela já estava toda quente e incomodada com alguns olhares esfumaçados, era melhor manter as mãos, lábios, e todas as outras partes de J.D. tão longe dela quanto possível até que a parte de negócios de festividades da noite houvesse oficialmente sido concluída. Então ela se afastou, olhando J.D. através da mesa a luz de velas. — Talvez. Mas, por agora, talvez você devesse começar comprando-me uma bebida. — Isso é terrivelmente retrô para você, não é? — Não posso ser antiquada, também? — ela perguntou. Mesmo que ela soubesse o que queria, isso não significava que os jogos deveriam acabar. Ainda. Afinal, eles tinham pelo menos duas horas para matar e ela precisava de algo para distraí-la durante o jantar. Mas J.D. estava com ela. Ele se recostou na cadeira. — Então, é assim que você quer jogar isso.


— Hmm... desapontado? Com um sorriso de diversão, J.D. balançou a cabeça. — De modo nenhum. Basta lembrar, Payton, dois podem jogar. Mais olhos azuis esfumaçados. Droga. Ela realmente precisava inventar um movimento contrário ao olhar escaldante de sexo quente. Mas até que ela fizesse, Payton planejava saborear cada momento das possibilidades que tinha pela frente.

***

— O que você diz, Jameson? Outro Scotch? Vamos, Payton, você não parece o tipo de garota que deixaria um homem te embriagar. Jasper estava um tipo raro naquela noite. J.D. assistiu com espanto enquanto o CEO fez sinal para o garçom e pediu mais uma rodada. Tinha esquecido o quanto esses velhos garotos sulistas conseguiam beber. E Jasper, aparentemente alheio ao fato de que todos os outros na mesa ainda tinham bebidas intocadas das duas rodadas anteriores de “que tal outro?” - não mostrava sinais de abrandar tão cedo. Richard Firestone, novo conselheiro geral da Gibson’s Drug Stores e um daqueles - para soar delicadamente – advogados estilo-bundão, que dava a todos os outros um nome ruim, se inclinou em sua cadeira em direção ao Jasper. — Não diga 'garota'. — ele sussurrou baixinho. — O que é isso? — Jasper perguntou em voz alta. Richard olhou na direção de Payton. — ‘Você não parece o tipo de mulher que deixaria um homem te embriagar’. — ele corrigiu a frase de Jasper. — Nós não dizemos 'garota' mais.


— Você sabe o que eu digo sobre esse politicamente correto nos dias de hoje? É uma carga-gigante-de-besteira. — Jasper acenou com o copo ao redor, enquanto olhava através da mesa. — Payton, você é minha especialista em discriminação - ainda posso dizer 'garota'? — Você pode dizer o que quiser aos seus advogados, Jasper. — Ha! Vejam, vocês meninos estão muito tensos. — Jasper apontou para Richard e J.D. — E reparem que eu disse meninos. — ele enfatizou com orgulho. — Para que ninguém nunca me acuse - ou minha empresa - de ser desigual na oportunidade. — ele tomou seu uísque em um só gole e bateu o copo com ênfase indignado. Então, ele olhou ao redor da mesa. — Ok, então eu acho que este é um momento tão bom quanto qualquer outro - devemos começar a trabalhar? Falar sobre nosso pequeno caso? J.D. mordeu a língua e lutou contra o desejo de verificar o relógio. Agora Jasper queria falar sobre o caso? Essa não era uma discussão que poderiam ter começado, digamos, a duas rodadas atrás? Ele deu um rápido olhar para Payton, que estava sentada à sua esquerda. Ela, ou tinha a melhor cara de pau que ele já tinha visto, ou era terrivelmente indiferente à velocidade de tartaruga fodida com que este jantar estava se movendo, porque ela realmente parecia bastante divertida com as palhaçadas de Jasper. E isso, pensando melhor, estava começando a irritá-lo, também. Ele havia dito anteriormente que dois podem jogar o jogo dela, e também nas primeiras duas rodadas do jantar, ele estava tão tranquilo quanto ela. Mas a verdade da questão é, ele só queria ficar sozinho com ela. Francamente, ele estava farto de todas as coisas que constantemente ficavam entre eles, como o trabalho e Chase Bellamy e jantares com clientes. E roupas. J.D. observou enquanto Payton assentia, conforme Richard se lançava na sua visão introdutória sobre a estratégia de litígio dele. Bem. Qualquer que seja. Se ela não via nenhuma razão pressionando para apressar as coisas, então ele também não.


—... então o que eu estou pensando. — Richard estava dizendo: — É que eu gostaria que cada um de vocês me desse uma visão geral de como pretendem abordar a sua parte da defesa. Payton, já que Jasper destacou que você é a especialista em discriminação, por que você não me inicia - diga seus pensamentos sobre como devemos atacar os problemas de fundo apresentados neste caso. — Claro, Richard, eu ficaria feliz. — Payton concordou. Então ela riu. — Você sabe, eu posso ser um pouco prolixa quando eu começo. Acho que estou vendo o nosso garçom vindo, por que não ir em frente e pedir a sobremesa agora? Tirar isso do caminho. J.D. repente sentiu a mão Payton roçar em sua coxa por baixo da mesa. Interessante. O garçom colocou os menus de sobremesa na frente de todos. Com a mão livre, Payton pegou seu menu e casualmente o examinou. — Agora, estou no clima de que? Ela começou a acariciar ao longo da coxa de J.D. com o dedo. Muito interessante. — Vamos, agora, Payton esta é a Flórida. Vocês tem que experimentar a torta de limão. — Jasper declarou. Ele tomou a liberdade de pedir para todos eles, e o garçom fugiu. — Na verdade. — Jasper disse. — Você sabia que no ano passado, torta de limão foi nomeada a torta oficial do nosso estado? Os dedos de Payton subiram na coxa de J.D., agora se aproximando do território semi-impróprio. Mais dois centímetros e eles estariam oficialmente dentro dos limites do completamente-impróprio. — Eu não sabia disso, Jasper. — disse Payton, nunca interrompendo o movimento. — Na verdade, eu não sabia nem que os estados tinham tortas oficiais. Você sabia, J.D.?


— Não. Ele poderia dar a mínima para tortas. — Oh, absolutamente. — Jasper garantiu-lhes. — Isso causou uma grande agitação no Senado, na verdade. Foi um grande contingente que fez pressão para nomear outra, como a torta de Estado. Algum palpite? Payton? Círculo. Círculo. Dedos. Coxa. Subindo. Payton levantou a cabeça, pensando. — Hmm... algum tipo de torta com laranjas? — Não. — Jasper sorriu, claramente gostando de ser o único que sabia. Ele se virou para a direita. — Richard? — Torta de pêssego? — o conselheiro geral adivinhou sem entusiasmo. — Isso seria a Georgia, desculpe. E quanto a você, J.D.? Na pergunta de Jasper, três pares de olhos de repente se viraram e olharam diretamente para J.D., que, além de não dar a mínima para tortas, tinha estado ocupado concentrando-se no fato de que Payton tinha provocativamente

parado

os

dedos

logo

no

limite

do

semi-

impróprio/completamente-impróprio. — Você está bem, J.D.? — Payton perguntou com um sorriso travesso. — Você tem estado tão calado ultimamente. Ha. Ela ia pagar por isso mais tarde. J.D. fez uma pausa. Então... — Noz. Payton piscou e sorriu enquanto Jasper bateu a mão na mesa e gritou. — Sim! Com todas as fazendas de noz na Flórida, houve um impulso para o estado fazer essa torta. Muito bem, Jameson. — Jasper disse, impressionado.


— O que posso dizer? Eu trabalho bem sob pressão. — J.D. respondeu, com um olhar complacente na direção de Payton. — Agora, se acabamos com os jogos... acho que Payton ia dar-nos a sua visão geral sobre as formas substantivas em que devemos atacar as alegações dos reclamantes. — Sim, eu estava, obrigada J.D. — Não tem problema, Payton, a palavra é sua. Três pares de olhos se voltaram para Payton. Enquanto isso, debaixo da mesa, uma das mãos de J.D. moveram para o joelho dela. Muito conveniente que a fenda de seu vestido era na coxa dela, dando-lhe acesso fácil à sua pele nua. Vingança poderia ser uma putinha diabólica, às vezes.


Capítulo Vinte e Dois

P

ouco depois das dez

horas, Payton e J.D. estavam no hall de entrada com Jasper e Richard, esperando o manobrista buscar o carro. — Estou muito feliz que tivemos a chance de fazer isso. — Jasper disse, apertando as mãos deles calorosamente. Richard fez o mesmo, dizendo o quanto ele gostou de conhecê-los. — Eu não disse que você ficaria impressionado com esses dois? — Jasper deu um empurrão jovial nas costas de Richard, quase derrubando o pobre rapaz direto na pesada urna de mosaico que estava sobre a mesa de carvalho ao lado deles. J.D. tinha uma suspeita de que o novo conselheiro geral não ia durar mais de um mês. — Normalmente eu não gosto de advogados. — Jasper falou lentamente com uma risada. — E eu definitivamente não gosto quando alguém tenta processar uma das minhas empresas por duzentos milhões de dólares, mas com vocês dois. — ele piscou um olho, mirando com seus dedos em Payton e J.D.. — Eu tenho um bom pressentimento aqui. Acho que estou em boas mãos com vocês. Essa tinha sido a única parte negativa da noite. J.D. observou enquanto Payton tentava manter a expressão impassível, mas ele podia ver isso em seus olhos. Ela odiava não contar a Jasper a verdade tanto quanto ele, por causa da empresa - copiando a frase de Jasper - decisão com carga-gigante-de-besteira, um deles não teria nada a ver com o caso dele em cerca de cinco dias. Não pela primeira vez, J.D. ressentia-se de Ben e dos


outros poderosos, por colocarem ele e Payton nesta posição. Dito isto, ele teve que reconhecer a sua própria falta de visão; talvez ele tivesse saltado muito rapidamente com a oportunidade de ir para Palm Beach, antes de realmente pensar no fato de que ir também significaria que estaria enganando, em parte, Jasper. Mas francamente, não era em Jasper que ele estava pensado quando tinha concordado com a viagem. Não que J.D. tivesse arrependido da decisão de vir para Palm Beach, longe disso. É verdade que as brincadeiras debaixo da mesa entre ele e Payton durante

o

jantar

nunca

tinham

cruzado

a

fronteira

semi-

impróprio/completamente-impróprio, mas, na realidade, ele nunca acreditou realmente que iria. Sem ter que dizer uma palavra um ao outro, ambos sabiam exatamente onde traçar a linha com diversão e jogos. Embora em um ponto durante o jantar, J.D. tivesse brevemente se preocupado que Jasper tinha visto algo. Eles tinham acabado de comer a sobremesa, e o garçom finalmente trouxe a conta. Payton e Richard tinham pedido licença para ir ao banheiro e, depois de entregar seu cartão de crédito para o garçom, Jasper se virou para J.D.. — Você se importaria se eu fizesse uma pergunta pessoal, Jameson? J.D. sorriu. — Claro, embora eu não possa prometer que vou responder. E lembre-se que você é um cavalheiro, Jasper. Jasper riu disso. — Justo. Vou colocar isso no mais cavalheiresco dos termos: você está cortejando a senhorita Kendall? — Isso definitivamente é uma pergunta que eu não vou responder. — Porque eu senti uma vibração. — Nós não podemos ter essa conversa, Jasper. Sinto muito. — Algo sobre a maneira como você olha para ela. — Hmm.


Quando J.D. permaneceu absolutamente, firme em seu silêncio, Jasper riu. — Uau, em toda a minha vida, eu acho que nunca vi um advogado calar a boca tão rápido. Vocês são normalmente alegres em falar tudo. Tudo bem então, eu sei quando recuar. J.D. simplesmente sorriu, e tão rapidamente quanto possível, mudou de assunto. Porque se havia uma coisa que ele sabia, era nunca cometer o mesmo erro duas vezes.

***

Quando o manobrista finalmente trouxe o carro de Jasper, J.D. não poderia deixar de dar um assobio de apreço. Mesmo ele - sem dúvida, já tinha visto muitos carros de luxo, quando trabalhava no Ritz-Carlton, olhou brevemente em estado de choque quando o manobrista abriu a porta e saiu do banco do motorista do elegante e luxuoso Rolls-Royce Phantom Drophead Coupé azul. Talvez não seria a cor escolhida por J.D., ele imaginava-se mais em uma espécie de cor prateada, mas o carro impressionava muito, no entanto. Jasper matou o silêncio de respeito que tinha abatido cada homem com a visão do elegante carro, dando outro tapa saudável nas costas de Richard. — Obrigado por se oferecer para dirigir, cara. Acho que o Bayles61 que eles colocaram no meu café algo que me deixou exausto. J.D. e Payton trocaram olhares divertidos. Ou talvez tenha sido os oito uísques, mas quem estava contando? Pelo menos Jasper tinha o bom senso de não ir dirigindo para casa naquela condição, ou pelo menos, a consciência de que um dos três advogados na companhia dele, nunca o deixariam dirigir para casa na condição em que ele se encontrava. Jasper deu uma gorjeta ao manobrista - generosa, supôs J.D., a julgar pela forma como os olhos do cara quase saltaram da sua cabeça quando viu o 61

Marca de licor irlandês.


dinheiro em sua mão - e subiu no lado do passageiro do Rolls-Royce. Mas antes que ele e Richard partissem, Jasper - sendo Jasper - abaixou a janela do passageiro, incapaz de resistir a algumas palavras de despedida. — Agora vocês crianças não deixem de aproveitar o resto da sua estadia, ok? — ele gritou para Payton e J.D.. Com uma piscadela sorrateira, Jasper se despediu e deu um sinal de “vamos lá” para Richard. Com cuidado, sempre tão cuidadosamente, Richard cutucou o acelerador do automóvel de mais de quatrocentos mil para fora do hotel, e - em uma velocidade vertiginosa de pelo menos dez quilômetros por hora - eles estavam fora. Payton se virou para J.D. enquanto o carro se afastava. — Existe alguma coisa que eu deva saber sobre a piscadela que Jasper nos deu? — Ele pescou algo sobre nós quando você e Richard foram ao banheiro. — J.D. disse a ela. Payton olhou-o nos olhos. — Você não disse nada, não é? — Você quer dizer, como na sobremesa que você mal conseguia manter as mãos longe do meu p... — Sim, J.D.. — ela abruptamente interrompeu, embora não sem um sorriso, ele observou. — Você disse alguma coisa sobre isso, ou qualquer outra coisa sobre nós em geral? Agora foi a vez de J.D. dar-lhe um olhar. — Claro que não, Payton. Eu sou mais esperto para misturar negócios com conversa de vestiário. Seu suspiro de alívio lento lembrou o quão estreitamente ele havia driblado aquela bomba de anos atrás. Sim, ele certamente era mais esperto que isso. Agora, no entanto, não era o momento para arrastar-se para as partes desagradáveis de seu passado. Logo em seguida, tudo o que J.D. queria fazer era


focar no presente. Ele pegou na mão de Payton. — Venha. Há algo que eu quero te mostrar. — Eu aposto que você tem. — disse ela com uma risada. J.D. sorriu. — Eu quis dizer a praia, atrevida. Nós estivemos aqui por oito horas e não a vimos ainda. — ele conduziu Payton pelo saguão, na direção da varanda. Quando ele abriu a porta para ela passar, ele pegou seu olhar. — O que? — ele perguntou. Uma leve brisa soprou seu cabelo sobre os olhos. Com a mão livre, Payton levantou a mão e colocou uma mecha longa loira atrás da orelha. — Nada. — disse ela. — Você me surpreende às vezes, isso é tudo. Percebendo que aquilo era surpreendentemente algo perto de um elogio real, J.D. conduziu Payton para os degraus de pedra que os levariam para uma passarela que ele tinha visto mais cedo da varanda do quarto de hotel dele. Ele gostou do jeito que sua mão estava na dela, gostou da intimidade do simples gesto e a forma que dizia - sem a necessidade de palavras - que eles estavam juntos. Não que ele particularmente se importasse onde suas mãos tinham ido mais cedo naquela noite, claro. Mas haveria muito tempo para isso mais tarde. Embora ele certamente não recusaria se ela quisesse abandonar o passeio ao luar romântico e começasse a pegar novamente em seu p... — O que você está pensando? — Payton cortou os pensamentos de J.D.. Ele olhou para baixo e viu seu olhar de curiosidade. — Você tem um olhar tão diabólico em seu rosto. — disse ela, com os olhos azuis escuros brilhando de interesse. J.D. riu, puxando-a para mais perto dele. Ela realmente o conhecia muito bem.

***


Eles encontraram um mirante, provavelmente utilizado para pequenos casamentos, no final da passarela. Payton tomou uma decisão que deveria parar por aí - J.D. não seria o único a executar este show, depois de tudo, - e o levou até a grade que dava para o oceano. Lá, ela se virou para encará-lo. Claro, a vista era grandiosa, mas não era por isso que ela parou por ali. Sem nenhuma palavra, ela chegou até J.D. e o beijou. A mão dele deslizou até seu pescoço, exigindo mais do beijo enquanto sua língua encontrou a dela. Cada parte do corpo de Payton reagiu, - ela queria mais, também, precisava das mãos dele sobre ela, precisava senti-lo, sua respiração ficou presa e ela quase gemeu alto quando J.D. a empurrou contra o corrimão e deslizou entre suas pernas. Sua boca deixou a dela e arrastou pelo seu pescoço e ao longo da sua clavícula. Então ele ousadamente foi ainda mais longe, em direção ao decote do vestido, e sem qualquer hesitação, ele tirou o vestido e o sutiã para o lado e abaixou a boca para o seu peito. Desta vez, Payton gemeu. Tão vagamente consciente do som das ondas quebrando atrás dela, ela arqueou as costas e enrolou os dedos no cabelo de J.D., cedendo à pura necessidade física. Querendo tocá-lo, ela puxou a boca dele até a dela e deslizou suas mãos ao longo do seu peito, em seguida, para baixo seu estômago. Ela sentiu o abdômen dele contraindo sob seus dedos quando descansou a mão em seu cinto. Ela o beijou avidamente quando começou a desfazer seu cinto. J.D. puxou a boca da dela. — Vamos para o meu quarto. — ele sussurrou. Payton podia ouvir - e sentir - o tanto que J.D. a queria. O pensamento de deixá-lo totalmente perdido emitia correntes de emoções por sua espinha. — Talvez a gente devesse andar um pouco mais. Nós temos a noite toda. — ela pegou a mão de J.D. e levou à sua boca. Com os olhos fixos nos dele, ela beijou o dedo e enquanto ele assistia, lentamente deslizou a ponta entre os seus lábios. A partir do olhar em seus olhos, ela podia dizer o quanto ele estava excitado. Ela pode ter sido a primeira a gemer, mas ela tinha a sensação de que podia rapidamente igualar o placar aqui, então ela corajosamente passou sua


língua ao redor da ponta do seu dedo e deu-lhe um olhar que evidentemente disse quão mais divertido seria se sua boca estivesse em outro local que... J.D. enrolou a mão no cabelo dela e parou. Seus olhos estavam escuros e intensos quando ele olhou para ela. — Você quer me ouvir dizer isso, Payton? Eu quero você. Agora. Payton sentiu seu corpo inteiro ficar instantaneamente quente. Fim de jogo.

***

Eles tiveram uma pequena divergência no elevador. — Em que andar você está? Apalpada. Apalpada. — Em cima. Suíte master. Zíper. — Meu quarto é mais perto. Mais apalpada. Suspiro. — Meu quarto é de frente para o mar. Foda-se, essa coisa continua ficando no caminho. Barulho de tecido rasgando. — De frente para o mar? Hmm... eu vejo que alguém foi um pouco presunçoso no check... Ingestão aguda de respiração. — Oh, sim... Gemido. Mãos segurando o corrimão. Respiração pesada.


— Dane-se, eu não me importo... vamos fazer aqui, J.D. agora. Riso malvado. — Ainda não. — Você vai pagar por isso. Sorriso diabólico. — Eu certamente espero que sim.

***

J.D. pressionou Payton contra a porta do quarto dele, enquanto deslizava o cartão chave na fechadura. Quando ouviu o clique familiar, ele pegou Payton pela cintura e puxou-a para o quarto com ele. Ok, tudo bem - no check-in, quando ela não estava prestando atenção, ele pediu para ser colocado em uma suíte de frente para o mar. Ele estava se sentindo um pouco... otimista. E Payton não parecia exatamente descontente com a decisão dele. Ainda segurando sua mão, ela caminhou ao redor do quarto, verificando a área da sala de grandes dimensões, o quarto principal separado, banheiro em mármore com uma sólida banheira, e claro, virada para o mar, uma varanda privada com vista direta para o Atlântico. — Você gostou? — J.D. perguntou enquanto ela terminava de verificar o quarto. Payton sorriu. — Eu ainda quero saber quanto isso custou a você? Na verdade, ele pagou uma grande fortuna do próprio bolso pela acomodação. Ele debateu o que era melhor: deixá-la pensar que tudo isso era parte do seu chamado “estilo de vida extravagante” ou dizer-lhe a verdade. Ele


decidiu ir com a verdade. Até agora, naquela noite, dizer exatamente o que estava em sua mente tinha sido recompensador. — É para você. — ele disse a ela. Payton pareceu momentaneamente surpresa com isso. Então ela o puxou para perto e colocou os braços em volta do pescoço. — É perfeito. Ela o beijou. Antes que J.D. percebesse, eles fizeram o seu caminho para o quarto. Os funcionários do hotel já tinham transformado o ambiente, a cama estava arrumada e as luzes estavam baixas. Ele olhou nos olhos de Payton e viu uma mistura familiar de ousadia e travessura. Vendo como a coisa toda de “ser direto” estava funcionando para ele. — Tire o seu vestido. — ele disse. Payton deu-lhe um olhar. — Oh, sério? — e J.D. poderia dizer que parte dela queria ficar atrevida novamente. Mas ele também poderia dizer que a outra parte dela realmente, realmente gostava daquilo. Ela encolheu os ombros com indiferença. — Bastante simples. Você já rasgou o zíper no elevador. — com seu encolher de ombros e a simples tira de uma alça, o vestido caiu no chão. Interessante. E ele tinha pensado que ela estava linda no vestido. Os olhos de J.D. viajaram da (renda preta) superior a (tanga atrevida) inferior. E ela ainda usava saltos altos. Isso ia ser uma noite fodidamente longa. Apontando para a renda preta, J.D. deu Payton um olhar — Oh, sério? — de sua autoria. — Parece que alguém estava sendo um pouco presunçosa, também. A menos que você use isso para todos os seus jantares com clientes?


Com um leve chute de perna, Payton tirou o vestido do seu caminho. Ela colocou os braços ao redor de J.D., com uma mão na parte de trás da sua cabeça, e enfiou os dedos pelos seus cabelos. Ela olhou para ele e repetiu suas palavras anteriores. — É para você. — ela disse suavemente. J.D. olhou profundamente em seus olhos azuis escuros. Esta garota o deixava absolutamente louco. Com um sorriso, ele a pegou e jogou na cama. Porque esta noite, ela era dele.

***

Por quase uma hora eles se provocaram, até que Payton finalmente cedeu e pegou um preservativo no criado-mudo. J.D. enganchou uma de suas pernas ao redor da sua cintura e segurou sua mão. — Coloque em mim. — ele sussurrou, quase um gemido. Então ela colocou. Em seguida ela falou para ele que precisava verificar rapidamente os polos ponies. Quando J.D. colocou a outra perna dela ao redor da sua cintura e prendeu os braços sobre a cabeça dela, Payton decidiu deixar a verificação dos polos ponies para outra hora. Enquanto ele se movia sobre ela, J.D. lhe disse para abrir os olhos e olhar para ele, e ela pensou que o momento não poderia ficar melhor. Então, ele segurou o rosto dela entre as mãos e sussurrou o nome dela, e ela sabia que ele tinha acabado de gozar.


***

Depois, J.D. caiu em cima de Payton, ainda enrolado entre as pernas dela, o rosto enterrado em seu pescoço, enquanto tentava recuperar o fôlego. Os pensamentos dele. Profundos, também. Só. Tinham. Sexo. Sonolento. Ele sentiu, de repente, Payton se agitar debaixo dele e ele se animou, com a cabeça instantaneamente alerta. Ooh-novamente?

***

Algum tempo após a segunda rodada, eles decidiram abrir as cortinas e as portas de vidro deslizantes para que pudessem ouvir as ondas. Ficaram de frente um para o outro sob o luar. Com os dedos de J.D. traçando arcos preguiçosos ao longo do seu quadril, Payton não podia deixar de sorrir. — O que? — ele olhou para ela enquanto se apoiava em um cotovelo. — Nada. — disse Payton. — Só isso... é você. J.D. inclinou a cabeça para beijá-la no ombro, parecendo entender exatamente o que ela queria dizer. — Eu sei. Nós já dissemos um monte de coisas um para o outro ao longo desses últimos oito anos.


— Eu acho que deveríamos ter feito isso há muito tempo. J.D. riu. — Você me odiava até cerca de uma semana atrás, lembra? Payton passou a mão ao longo do antebraço de J.D., de um ombro ao outro

nos

músculos

firmes

do

seu

peito. Ela

realmente

sempre

o

odiou? Engraçado, porque agora ela não conseguia manter suas mãos longe dele. Ela imaginava que J.D. estivesse em boa forma, porque qualquer um que parecia tão grande em um terno tinha que estar em boa forma, mas... Uau. Houve um momento durante a segunda rodada, quando ele a levantou dele e virou-a sobre seu estômago como se fosse nada. Etc. A pergunta incômoda na parte de trás da mente de Payton era, se J.D. era tão incrível assim com as outras mulheres que ele tinha dormido. Odiava pensar que o que foi sem dúvida o melhor sexo de sua vida, era apenas uma brincadeira habitual medíocre na cama para ele. Payton decidiu que era melhor empurrar seus sentimentos de lado. Desde que ela não sabia o que J.D. estava pensando, era melhor manter as coisas simples e leves. — 'Ódio' é uma palavra tão forte. — brincou ela. — E na verdade, quando nos conhecemos, eu não desgostava de você em tudo. Muito pelo contrário, na verdade. Payton se levantou em um braço. — Você ainda se lembra do dia em que nos conhecemos? Foi o nosso primeiro dia de trabalho, em orientação de boasvindas da empresa. J.D. brincou com uma mecha do seu cabelo entre dois de seus dedos. — É claro que eu me lembro. Eu te vi sentada à mesa com os outros associados de litígio, e eu andei e me apresentei. Você disse, - cito - 'Então você é o infame J.D. Jameson’. Payton sorriu. Antes de começar na empresa, ela tinha ouvido coisas sobre J.D. dos associados e parceiros que o recrutaram. — E você disse: — Eu já ouvi histórias sobre você também, Payton Kendall.


Ela ainda lembrava vividamente o que tinha acontecido em seguida. — Então, eles nos disseram para tomar nossos lugares, e você se sentou ao meu lado, e quando eles começaram a nos dar boas-vindas, você se inclinou e perguntou se eu era realmente tão boa quanto as pessoas diziam que eu era. J.D. sorriu quando se lembrou. — E, em resposta, você me deu este pequeno olhar manhoso por cima do ombro e disse: 'Eu acho que você vai ter que descobrir por si mesmo, J.D. Jameson’. Payton riu. — Parece muito mais escandaloso quando você diz isso. — Fiquei intrigado. Para dizer o mínimo. — J.D. fez uma pausa. — Mas então você se voltou contra mim. Payton estudou-o cuidadosamente. Essa era a segunda vez que ele tinha feito um comentário como esse. — O que quer dizer, eu me voltei contra você? J.D. lhe deu um olhar. — O interessante é que você não se lembra dessa parte... foi cerca de uma semana depois. — Na verdade, eu me lembro que uma semana depois, eu ainda estava tentando flertar com você. — disse Payton. — Sem sucesso, devo acrescentar. J.D. sentou-se com uma expressão de ceticismo puro. — Sério? E quando, exatamente, foi esta suposta tentativa de flertar comigo? Agora Payton sentou-se, também. — Não que eu espere que você se lembre, mas foi no elevador. Você saltou antes das portas se fecharem, e eu notei que você estava usando óculos naquela manhã. J.D. pulou da cama e a circulou. Ele apontou como se dissesse que a tinha pegado agora. Não que ela estivesse particularmente intimidada, considerando que ele estava de cueca. Bem, ela também. — Oh, mas eu me lembro dessa conversa, Payton. Cada palavra. Eu tinha começado a usar óculos e você zombou do jeito que eu ficava neles.


Agora Payton estava fora da cama, também circulando. — O que você está falando? — ela acendeu a luz ao lado da cama para vê-lo melhor. — Eu nunca fiz piada com o jeito que você ficou em seus óculos. J.D. atacou. — Aha! Veja. - você não se lembra. Permita-me refrescar sua memória, senhorita Kendall. Você olhou para mim e disse - e eu posso citar perfeitamente - 'Legal, Jameson. Você se parece com Clark Kent'. — ele cruzou os braços sobre o peito. Então aí está. Payton olhou para ele. — Sim, eu sei. Isso foi exatamente o que eu disse. J.D. estendeu as mãos. — Clark Kent? O alter-ego dócil e desajeitado do Super Homem? Payton balançou a cabeça. — Não. Clark Kent, o cara que parece todo intelectual e contido do lado de fora, mas realmente ele tem esse... poder e tudo isso... músculos escondidos debaixo da tão apertada camisa abotoada até em cima, que faz você querer apenas agarrá-lo e bagunçar aquele cabelo perfeito dele e descobrir o quanto o Homem de Aço pod... J.D. levantou a mão. — Eu acho que já tenho a imagem. Payton se abanou. — De qualquer forma, quando eu disse que você parecia com Clark Kent com seus óculos, foi um elogio. J.D. se sentou na beirada da cama. — Oh. Ele tinha um olhar estranho em seguida. Payton se aproximou e entrou entre as pernas dele. Ela colocou os braços em volta dele. — Não importa agora J.D.. Isso foi a muito tempo atrás. — ela empurrou-o de volta na cama, montou sobre ele, e deslizou suas mãos pelo peito dele. — Você por acaso não tem aqueles óculos com você, tem? — com uma piscadela, ela estendeu a mão e desligou a luz. Através da escuridão, J.D. falou. Ainda parecendo perturbado. — É só, eu pensei que você tivesse me insultado, Payton. — Mas agora você sabe que eu não fiz isso. Então, qual é o problema?


Silêncio. — Espere um segundo... A luz voltou. Payton olhou para ele. — Por favor, não me diga que foi assim que a briga toda entre nós começou. J.D. timidamente fez uma tentativa de sorrir. — Hum... no dia seguinte, eu meio que te dei um tempo difícil, quando você fez a sua apresentação na reunião do grupo sobre as novas alterações às regras de descobertas federais. — Eu me lembro disso! — Payton o cutucou no peito. — Você foi um completo idiota comigo, fazendo todas aquelas perguntas sobre se eu tinha me dado ao trabalho de ler as notas do Comitê Consultivo e outras besteiras como essas. — ela o cutucou no peito novamente, mais forte dessa vez. — Foi por isso? Porque eu disse que você parecia com Clark Kent? — Hum... sim? Payton saiu de cima dele. — Eu não acredito nisso, essa é a coisa mais estúpida que eu já ouvi! — ela agarrou seu vestido e sapatos no chão. — Oito anos, J.D.! Oito anos! Pelo menos eu acreditava que começamos a brigar por algum motivo legítimo, como política ou questões socioeconômicas, ou, pelo menos, porque você é rico e minha família está do lado errado do trilho. J.D. riu alto com isso. — Lado errado do trilho? O que é isso, 1985 e nós vivemos em um filme de John Hughes? Eu não dou a mínima se sua família tem dinheiro. Isso é quase tão estúpido quanto brigar por causa do comentário sobre Clark Kent. Payton

deslizou

em

seu

vestido. —

Quase

J.D.,

mas

não

completamente. Definitivamente, não é bem assim. — ela saiu correndo para a sala. J.D. a seguiu. — Onde você vai?


— Eu não sei. Preciso me refrescar. Eu poderia dizer algo que vou me arrepender. Ela estava deslizando em um dos seus saltos quando J.D. se aproximou, agarrou a mão dela e a puxou para longe da porta. — Você não vai a lugar nenhum. — ele disse com firmeza. Ele a levou para a varanda. — Se você precisa se refrescar, você pode fazer isso aqui. — Estão uns trinta graus aqui fora, idiota. Com uma sensação de trinta e cinco. — Bem, então, o ar fresco vai te fazer bem. — ele fechou a porta da varanda atrás dele e bloqueou seu caminho. Payton cruzou os braços sobre o peito e esperou. J.D. suspirou. — Olha Payton, eu entendo que você está com raiva de mim, e pela primeira vez eu entendo o porquê. Gostaria, no entanto, de salientar que você não é completamente inocente em tudo isso - você já jogou mais do que sua quota de insultos para mim ao longo dos anos, mas, apesar desse fato... — ele passou a mão pelo cabelo, então ergueu as mãos. — O que posso dizer? Eu estraguei tudo. Sinto muito. Realmente sinto muito. Payton suavizou um pouco com sua sinceridade. Ela sabia o quão difícil era para ele pedir desculpas, especialmente para ela. E ele estava certo, independentemente de como tudo começou, uma vez que a briga havia começado, ela não tinha sido uma espectadora inocente. — É exatamente isso... — ela mordeu o lábio nervosamente. — Eu gostei de você desde o início, J.D.. Eu realmente gostaria que as coisas tivessem sido diferentes, isso é tudo. J.D. a olhou diretamente nos olhos. — Você não tem ideia do quanto eu desejo isso também, Payton. Ele parecia tão sério que era impossível para ela ficar com raiva dele. Além disso, ele ainda estava em sua cueca o que estava se tornando uma


distração definitiva. Com um sorriso de consentimento, Payton apontou. — Você está pensando em bloquear a porta a noite toda? J.D. abandonou seu posto na porta de correr e se juntou a ela na grade da varanda. — Não, se você prometer que não vai sair. — ele passou os braços em volta dela. — Eu não vou sair. — disse ela, recostando-se contra seu peito. Eles assistiram as ondas baterem na praia, e Payton entrelaçou os dedos nos de J.D.. — Você sabe, eu acho que foi a maneira mais rápida, mais racional que já resolvemos uma briga. Estamos muito melhor aqui. — É porque estamos fora do escritório. — disse J.D.. Ele parecia firmemente convencido sobre isso. Payton fechou os olhos. — O escritório... nem me lembre. — ela não tinha pensado sobre a competição pela sociedade entre eles nas últimas horas e queria manter assim. J.D. falou baixinho perto de seu ouvido. — Eu estive pensando - amanhã é sábado. Por que não passamos uma noite extra aqui? Francamente, se um de nós não for ao escritório amanhã, então o outro não tem por que ir. Payton se virou para encará-lo. — Ficar aqui juntos? J.D. encolheu os ombros. Indiferença ou indiferença fingida? Era difícil dizer. — Eu achei que você poderia mudar as suas coisas para o meu quarto pela manhã. — disse ele casualmente. Payton pensou por um momento. Ou melhor, ela fingiu pensar por um momento. Ela encolheu os ombros também. — Claro. Por que não? Eu gosto daqui. — Bem. Está resolvido, então. — ele concordou. — Bem.


— Bom. — Ok. Payton levantou seu dedo. — Mas eu vou pagar por metade do quarto. J.D. sorriu. — Você sabe o que, Payton - vá em frente. Em mil e quinhentos dólares por uma noite, você não vai ter qualquer resistência minha. Seus olhos se arregalaram em choque. — Bom Deus - é isso o quanto você está pagando? — ela fez uma pausa. — Hmm. — Hmm, o quê? — Hmm, já que o quarto custa tanto, é uma coisa boa que eu não pretenda dormir muito. J.D. riu e a puxou para perto. — Eu realmente, realmente gosto... da sua maneira de pensar. Payton sorriu. Ela suspeitava que poderia ter havido um pequeno deslize oculto lá. E a verdade da questão era que ela realmente, realmente gostava... da maneira como ele pensava, também. Então ela pegou a mão que J.D. estendeu para ela e o seguiu para dentro.


Capítulo Vinte e Três

E

les

dormiram

na

manhã seguinte. Payton não conseguia se lembrar da última vez que tinha dormido até depois das sete - ela acordou com um sobressalto algum tempo depois das oito e quase entrou em pânico quando viu o despertador no criado-mudo. Mas então ela viu J.D. dormindo ao lado dela. Ele se mexeu - ele estava com o braço em volta dela e ela o tinha tirado quando se sentou depois de ver o relógio. Payton rapidamente se aninhou de volta,

na

esperança

de

não

acordá-lo. Ela

queria

que

ele

dormisse. Ele precisava dormir - inferno, ambos precisavam. E não apenas porque tinha sido uma noite muito longa - apesar de que isso provavelmente não ajudava - não que ela estivesse reclamando, nem um pouco - mas mais porque ambos passaram por duas semanas desgastantes. E não tinha acabado. É verdade que, ao concordar em ficar em Palm Beach até domingo, eles agora tinham apenas mais um dia de trabalho real para passar. Mas a parte mais difícil viria na terça-feira, o Dia da decisão, o dia em que a empresa escolheria um deles sobre o outro. Decidindo quem era melhor, em essência. Ela e J.D. não tinham falado muito sobre a decisão iminente da empresa, desde que eles chegaram à Flórida. Mas era um incômodo constante no fundo da mente de Payton e ela suspeitava que ele sentia o mesmo. Era meio engraçado, o pensamento de passar todo o dia e noite com J.D.. Não engraçado de um jeito ruim, apenas novo. Há um mês, Payton nunca teria


acreditado que ela estaria aqui, em uma suíte de frente para o mar no RitzCarlton, dormindo ao lado do homem que tinha sido seu inimigo jurado, nos últimos oito anos. Mas agora, isso parecia... certo. Essa era, talvez, a parte mais assustadora de tudo - o quão certo parecia estar com J.D.. Porque, eles falando sobre isso ou não, eles tinham um grande problema à frente na terça-feira. Payton se aconchegou na curva do braço de J.D.. Estas eram coisas que ela não queria pensar, pelo menos ainda não. Por agora, a questão mais grave que ela queria resolver era se os dois iriam descer para o café da manhã no terraço à beira-mar do hotel ou simplesmente pedir serviço de quarto. Quando Payton fechou os olhos e começou a deixar o sono retomá-la, ela não podia deixar de pensar: normalmente, isso iria contra todos os seus princípios e bom senso, gastar mil e quinhentos dólares por noite em um quarto de hotel, ou até mesmo metade disso. Por outro lado - e esta foi a sua justificativa e estava se agarrando a ela - ela mal tocou em nenhuma das férias de três semanas que a empresa lhe deu em todos os anos e ela pensou que diabos? - ela estava autorizada a ter um pouco de diversão durante um fim de semana. Diversão. Payton abriu os olhos novamente e olhou para J.D. de relance. Isso era tudo que havia entre eles? Diversão? Ela sabia que, para seu próprio bem, ela provavelmente deveria sair desse quarto de hotel, ir direto para o aeroporto e pegar o primeiro avião de volta para Chicago. Havia um perigo definitivo em estender as coisas. Mas então ela viu quando os olhos de J.D. tremularam levemente, em seguida, relaxaram novamente, profundamente no sono. Ela nunca o tinha visto tão calmo. Payton se enrolou mais perto de J.D. e bocejou sonolenta. Ah, dane-se, ela ia ficar.


Se não por outro motivo, ela estava curiosa para ver como ficaria todo o dilema café-da-manhã-no-terraço-à-beira-mar-versus-serviço-de-quarto.

***

— Então o que você acha de tentar sua sorte em uma partida de golfe, esta tarde? Payton terminou seu gole de suco de laranja espremido na hora, pousou o copo e olhou através da mesa para J.D.. — Eu acho que não é muito provável que isso aconteça. — ela disse a ele. Mas ela adoçou com um sorriso. Serviço de quarto havia vencido no café da manhã. Na verdade, tinha acabado por ser a única opção viável - enquanto o hotel oferece todos os produtos de higiene pessoal que se possa imaginar para os hóspedes em suas suítes, a única roupa atualmente disponível para Payton, era um vestido preto com um zíper rasgado e um roupão de banho do Ritz-Carlton. E enquanto o roupão era perfeitamente aceitável para o café da manhã no terraço com J.D., uma questão mais interessante era que merda ela iria vestir para voltar para o seu quarto para pegar as suas coisas. Talvez ela pudesse pegar a jaqueta emprestada de J.D. ou uma camiseta para jogar por cima do vestido, quando ela fosse para o quarto dela. Claro, e talvez ela também pudesse apenas colocar um sinal na bunda dela que dissesse: Olá, pessoas ricas, eu acabei de passar a noite toda no quarto de outra pessoa sendo fo... — Mas eu estava pensando. — J.D. cortou os pensamentos de Payton, ainda sobre a coisa de golfe. — Que poderia ser divertido se eu lhe mostrasse como jogar.


Payton sorriu enquanto ela passava manteiga em seu muffin de blueberry. — Tenho certeza de que seria divertido. Para você. — Vamos lá, Payton. — ele a provocou. — Você não quer ampliar seus horizontes? Tentar algo novo? Ter um pequeno insight sobre ‘meu mundo’ como você gosta de chamá-lo? Ela inclinou a cabeça. — Você sabe o que - você está certo. Vamos ambos ampliar nossos horizontes. Eu vou aprender a jogar golfe esta tarde e, em seguida, você pode, bem, deixe-me ver... — ela fingiu pensar por um momento, em seguida, apontou. — Já sei: você pode comer comida vegetariana todo fim de semana. — ela encolheu os ombros sobre o assunto com naturalidade. — Parece uma troca justa para mim. J.D. pensou sobre isso. Então ele sorriu, estendendo as mãos. — Ou talvez pudéssemos ir à praia. — ele pegou um grande pedaço de bacon do seu prato, mordeu com prazer e piscou. — Agora essa ideia, eu gosto. — Payton concordou, colocando as pernas debaixo dela e inclinando-se para trás na cadeira para apreciar a vista das ondas quebrando contra a areia. Sim, definitivamente - a praia parecia ótimo. Um pouco mais tarde, Payton desceu os quatro lances de escada até o quarto dela. Não é a coisa mais confortável para fazer de saltos, mas ela achou que encontraria menos pessoas na escada interna do hotel do que nos elevadores, que por sua vez, diminuíam as chances de alguém notar o trabalho de retalhos que ela e J.D. tinham feito em seu vestido. Felizmente, eles haviam encontrado um alfinete para prender o zíper. Quando o fixou nela, J.D. havia beijado seu pescoço e suas mãos começaram a vagar, e apesar do fato de que Payton sabia que ela precisava verificar seu quarto antes do tempo expirar, ele a empurrou contra a parede e eles estavam em seu caminho para algum prejuízo sério quando o telefone tocou. Era a companhia de viagens, retornando a ligação para reprogramar os seus voos para o dia seguinte. Payton escapou, deixando J.D. para explicar que


sim, ambos queriam mudar os voos, mas, não, apenas um deles precisava reservar uma noite no hotel. Preencha o espaço em branco. Quando Payton chegou no quarto, ela olhou para o relógio e viu que tinha tempo suficiente para encaixar um banho rápido antes do checkout. Mas as primeiras coisas primeiro. Ela tirou seu BlackBerry e rolou através de seu email. Felizmente era sábado e as coisas pareciam relativamente calmas. Quando ela chegou ao fim, ela viu que tinha um e-mail de J.D. - um que ele tinha enviado cerca de cinco minutos antes. Ela abriu a mensagem e leu:

Pare de verificar seu e-mail e volte para cá.

Payton riu. Uau - para J.D. isso era praticamente sentimental. Ela tomou banho, ficou pronta, jogou suas coisas em sua mala e antes que ela percebesse, estava de volta ao “Nível de Clube” abrindo a porta do quarto de J.D. com a chave reserva que ele lhe dera. Embora agora, ela supunha, era o quarto deles. Dada a história, era meio surreal que ela e J.D. tivessem qualquer coisa “deles”. Payton empurrou a mala para dentro do armário, imaginando que ela decidiria depois onde colocar as coisas dela. Ela parou no corredor de mármore, de repente, hesitando antes de entrar na parte principal da suíte. Talvez esta fosse uma má ideia. Talvez ela e J.D. deveriam ter deixado as coisas com uma nota alta. Ontem à noite foi perfeito, e talvez isso fosse tudo que eles foram feitos para ter juntos - apenas uma grande, noite louca, 95 por cento dos detalhes teriam de ser editados do conteúdo quando ela voltasse para Chicago e dissesse para Laney. Talvez agora, à luz do dia, as coisas vão ser diferentes. Payton se dirigiu para a sala de estar e podia ouvir J.D. no banheiro. Dos salpicos de água, seguido de pausas intermitentes, parecia que ele estava


fazendo a barba. Ela espiou o canto e viu que a porta do banheiro estava aberta, então ela bateu levemente. Ele disse-lhe para entrar, assim ela fez e... ...quase teve que esfregar os olhos. — Ei, você. — disse J.D. com um sorriso, enquanto enxugava o rosto com uma toalha. Ele estava sem camisa, mas os olhos chocados de Payton estavam focados em outro lugar do seu corpo, um pouco mais ao sul. Ele estava vestindo jeans. J.D. Jameson estava vestindo calça jeans. Ele pegou a expressão de Payton no espelho. — Que olhar é esse? Payton se apoiou contra a porta, apreciando a vista. — Nada - eu pensei que você não usava jeans, só isso. Agora ele deu-lhe um olhar. — É claro que eu uso jeans. Payton entrou no banheiro. — Eu não sabia que os alfaiates da Rainha trabalhavam com jeans. — brincou ela. Mas a verdade era que ela adorou: muito chique: empresário-sexy-conservador-desce-à-terra-no-fim-de-semana. E ela tinha mencionado que ele estava sem camisa? — Muito engraçado. — J.D. alcançou a camisa polo de manga curta que ele tinha atirado sobre o vaso sanitário de mármore antes de se barbear. Oh, inferno, não. Com dois passos, Payton atravessou o banheiro e colocou os braços ao redor da cintura de J.D., impedindo-o de vestir a camisa. Ela levantou-se na ponta dos pés e beijou-o. — O que foi isso? — perguntou J.D.. Payton sorriu. — Eu não sei, acho que senti sua falta. Uau. Isso tinha acabado de voar direto para fora de sua boca antes que ela tivesse a chance de pensar sobre isso. Ela rapidamente disfarçou. — Ou talvez eu realmente, realmente, goste de você nesses jeans.


J.D. olhou para ela. Seus olhos sondaram os dela, e ela teve a sensação de que ele estava debatendo se apontaria o seu deslize. Mas então ele sorriu. — Nesse caso, talvez eu nunca deveria tirá-los. Payton interiormente deu um suspiro de alívio. Uma piada. Flerte. Bom, isso é o que ela sabia - eles estavam em igualdade novamente. Ela passou as mãos ao longo do peito de J.D.. Admitindo ou não, ela tinha sentido falta dele. E tinha sido apenas uma hora. — Tenho a sensação de que eu poderia tirá-lo desses jeans se eu quisesse. — disse ela. — Você é bem-vinda a tentar. — respondeu ele. Ele se inclinou para beijála, e Payton sabia que sua hesitação anterior tinha sido um erro. O que quer que isso fosse entre ela e J.D., definitivamente não tinha acabado ainda.

***

O dia passou muito rapidamente. Foi depois da 01:00 que eles finalmente, saíram cambaleando para o brilhante sol da Flórida. Embora cada um deles tivesse levado roupas extras, não tinham traje de banho, e enquanto J.D. estava completamente a favor de ver Payton em um biquíni, não havia nenhuma maneira que ele estava prestes a usar qualquer traje de banho que vinha de uma loja de presentes do hotel. Payton riu e o chamou de esnobe, mas não parecia decepcionada quando ele sugeriu caminhar na praia em vez disso. A caminhada levou-os para um café à beira-mar nas proximidades, o que levou ao almoço e bebidas à tarde - Payton parecia tão chocada quando ele pediu uma cerveja, quanto ficou quando ela o tinha visto em jeans - e no


momento em que voltaram para o hotel, ambos estavam se sentindo bem e animados e talvez só um pouquinho queimados do sol. Em parte por conveniência, em parte devido à preguiça, e, francamente, porque não havia nada que batesse a vista, eles jantaram no terraço à beira-mar do hotel. A “cena do crime”, como Payton chamou quando eles pediram uma garrafa de vinho. Em certo sentido, J.D. concordou - esse era o lugar onde todas as coisas tinham começado. Mas nem isso. Na verdade, as coisas tinham começado há oito anos, em uma orientação de boas-vindas, quando ele caminhou até a mulher mais bonita que ele já tinha visto e se apresentou. J.D. nunca teria se descrito como um cara particularmente sensível ou romântico - e mesmo que ele tivesse todas as tendências desse tipo, ele definitivamente teria escondido muito, muito abaixo do seu exterior de espírito de advogado racional - mas ele estava em contato com suas emoções o suficiente para saber que, em termos simples, tudo sobre seu fim de semana com Payton tinha sido perfeito e ele queria mais tempo com ela. O problema, é claro, era que ele não tinha ideia se ela tinha uma opinião semelhante sobre o assunto. Ele sentiu que ela estava se segurando, e ele entendia isso melhor do que ninguém. Possivelmente sua parte favorita do fim de semana tinha sido no início do dia, o momento no banheiro quando ela disse que sentiu falta dele. Era uma coisa rara para ele, vê-la baixar a guarda assim. J.D. percebeu que, mais cedo ou mais tarde, ele e Payton iam ter que ter uma conversa séria, e se ela não a iniciasse, então, ele o faria. Se ele tivesse aprendido alguma coisa com Clark Kent Fodido-Estúpido-Para-O-Alto-EAvante-Estúpido-Fodido, era que ele não estava disposto a perder mais tempo pensando ou supondo o que Payton Kendall poderia estar pensando.

***

— Admita - você foi uma esquentadinha na faculdade de direito, não é?


Payton sorriu para a pergunta de J.D., balançando a cabeça negativamente. — Quando comecei a faculdade de direito, meus rebeldes, dias instigantes eram muito longos. Meu primeiro ano de faculdade, por influência da família sem dúvida, entrei nos protestos sobre... bem, tudo. Mas, a partir do segundo, eu acho que cansei de ser assim... — ela procurou a palavra certa. —... angustiada o tempo todo. Eles deitaram na cama, novamente com a porta de vidro deslizante aberta, para que pudessem ouvir o bater das ondas na praia. Sendo esta a sua segunda noite juntos, eles tinham uma rotina agora, uma maneira de “como” gostavam de fazer as coisas. Eles entraram no tipo de conversa sentimental, arejada, que os amantes têm depois de oito anos querendo estrangular um ao outro e então percebem - opa - talvez nós devêssemos apenas ter relações sexuais em vez disso. — Eu gostaria de ter visto você em seus dias angustiantes de faculdade. — disse J.D.. Enrolada na curva do braço dele, Payton não podia ver seu rosto, mas ela podia ouvir o sorriso em sua voz. — Você realmente não gostaria. — ela assegurou. — Você conheceu minha mãe - imagine-a reduzida a apenas um detalhe ou dois. — Considerando que estamos aqui deitados nus, eu acho que vou passar a parte de visualizar a sua mãe fazendo algo, obrigado. — J.D. levantou o rosto em direção ao dela. — Embora eu seja meio curioso - ela me odeia tanto quanto eu acho que ela odeia? — Minha mãe geralmente não gosta de todas as pessoas que eu apresento a ela. — disse Payton evasivamente. J.D. deu-lhe um olhar penetrante. — Ok, tudo bem - você não é exatamente sua pessoa favorita. — ela admitiu. — Isso te incomoda? — ele perguntou.


Payton pensou que era uma espécie de pergunta curiosa. — Não, isso não me incomoda. — junto com seus dias angustiantes, suas tentativas de seguir os passos de sua mãe tinham terminado há muito tempo. Payton notou que J.D. relaxou novamente depois da sua resposta, e enquanto ela tinha suspeitas de onde ele poderia ter ido com a sua pergunta, ela não estava 100 por cento certa. O que significava, mais uma vez, que ela foi para um tom leve e provocante. — Isso significa que agora podemos falar sobre como você era na faculdade? — ela perguntou a ele. — Não. — Não? Em um movimento suave, J.D. de repente rolou sobre Payton, enredando ambos no lençol e prendendo-a debaixo dele. Ele olhou para ela com uma espécie de expressão meio-tímida, meio séria. — Eu quero falar sobre o que vai acontecer quando voltarmos para Chicago. Payton encontrou seu olhar. Ok. Bom. Francamente, ela ficou aliviada por finalmente conversarem sobre isso. — Eu não sei. — ela respondeu com sinceridade. Agora com essa resposta ele não parecia tão satisfeito. — Eu estive pensando sobre isso. — continuou Payton. — Muito, na verdade. — E? — E eu acho que essas foram provavelmente as duas noites mais incríveis da minha vida. — ela disse a ele. — Eu adoraria descobrir uma maneira disso funcionar em Chicago. Mas eu estou preocupada com o que vai acontecer depois de terça-feira. Ela viu o reconhecimento nos olhos do J.D..


— Estou preocupado, também. — ele admitiu. — Eu não posso odiá-lo novamente, J.D.. — Payton gentilmente tocou seu rosto. Ele pegou a mão dela na sua. — Eu pensei que você disse que nunca tinha sido ódio. — ele disse suavemente, mas sua expressão permaneceu séria. — O problema é que nós dois estamos nesta corrida para ganhar. — disse Payton. — O que vai acontecer com o outro que a firma não escolher - aquele que tem que sair, tem que ir embora, fazer entrevistas e começar tudo de novo em outro lugar? Eu gostaria de dizer-lhe que eu não vou ficar ressentida, se escolherem você - que eu poderia engolir meu orgulho e não ficar com raiva ou vergonha - mas honestamente, eu estaria mentindo. Eu me conheço muito bem. E eu sei que você também. Ela procurou os olhos de J.D., tentando avaliar sua reação. Ele ficou em silêncio por alguns momentos. Então ele saiu de cima dela e estava deitado de costas com um braço dobrado atrás da cabeça. — Então você está dizendo que é isso? — ele perguntou. Payton sentiu algo puxar para ela. — Eu estou dizendo... que eu acho que nós precisamos ver como serão as coisas na terça-feira. Então, seguimos de lá. — ela mudou-se ao lado dele, querendo que ele olhasse para ela. — Não fique com raiva de mim. — ela disse suavemente. J.D. virou o rosto na direção dela. — Eu não estou com raiva de você. Apenas com raiva da situação. Sem saber o que dizer, Payton o beijou, segurando seu rosto entre as mãos, esperando que o gesto transmitisse pelo menos um pouco a maneira como ela se sentia. E quando ele passou os braços em volta dela e a puxou para mais perto, com seu queixo aninhado contra o topo da cabeça dela, Payton fechou os olhos para saborear o momento e se forçou a não pensar no que estava por vir.


***

J.D. tomou uma decisão: Payton tinha dado a resposta dela e era isso. Na verdade, ele não tinha certeza se discordava das preocupações dela. Na terça-feira, um deles poderia muito bem se ressentir do outro por se tornar sócio, e - dada a animosidade que tinha sido a pedra angular do relacionamento de oito anos - quem sabia onde isso poderia levá-los? Embora fosse verdade que J.D. tinha algumas reações concretas para a abordagem de Payton de “esperar para ver” - para ser franco, ele odiava isso ele não queria ter que dizer isso a ela. E ele certamente não queria gastar parte de seu tempo restante juntos discutindo. Assim, pelo resto da noite, ele não disse nada. Da mesma forma, na manhã seguinte, quando ele acordou Payton deslizando sobre ela, quando ele entrelaçou seus dedos com os dela e beijou seu pescoço, não querendo desperdiçar outro momento com sono, ele não disse nada. Durante o café da manhã, enquanto eles brincavam sobre se eles poderiam faturar o seu tempo para o fim de semana, e sobre como Ben, Irma, Kathy e todos os outros no escritório reagiriam se soubessem o que tinham feito, ele não disse nada. Durante a volta para casa de avião, quando Payton encostou a cabeça no ombro dele e a manteve lá quase todo o voo, J.D. pode ter chegado ao apoio de braço para pegar a mão dela, mas ele ainda não disse nada. E, finalmente, quando o avião pousou no aeroporto O’Hare de Chicago, e Payton deu-lhe um sorriso triste e lamentável, o coração de J.D. afundou porque ele sabia que a estava perdendo. Mas, mesmo assim, ele não disse nada.


***

Quando a limusine estacionou na frente do prédio dela - e apesar do fato de que era apenas meio da tarde - finalmente atingiu Payton que o fim de semana tinha acabado. Ela se virou para J.D., não tendo a menor ideia do que dizer, e ficou surpresa ao vê-lo já saindo do carro. Ele pegou a mala dela com o motorista e pediu para que ele esperasse, dizendo que só levaria alguns minutos. Uma vez dentro do prédio dela, J.D. carregou a mala para cima e a colocou em sua porta. Mas quando Payton destrancou a porta da frente, ele não a seguiu enquanto ela entrava em seu apartamento. — Eu tenho que voltar para o carro. — disse ele. Ela assentiu com a cabeça. — Obrigada por me ajudar com a minha mala. — lamentável. Tinham estado em casa por cerca de trinta segundos e ela já odiava a forma como as coisas estavam entre eles. Ela encostou-se à porta. — Eu não quero que as coisas fiquem estranhas entre nós. — Eu não quero isso, também. — disse J.D.. Ele hesitou. — Há algo que eu tenho vontade de dizer, Payton, algo que eu preciso que você entenda, e isso é... Payton se conteve segurando a respiração. —... que eu não vou correr atrás de você. Payton piscou. De tudo o que ela achava que J.D. ia dizer, não tinha sido isso. — Você tomou a sua decisão. — disse J.D.. — Você quer ver como as coisas andam uma vez que a empresa tomar a sua decisão, e eu entendo isso. E enquanto eu não estou com raiva, ao mesmo tempo, eu não sei o que você espera que eu faça em resposta a sua decisão. Então, eu só senti que precisava dizer, apenas para constar, eu acho, que...


— Você não vai me perseguir. — Payton terminou por ele. — Eu entendi. Estamos claros. — ela tentou decidir o quanto ela estava irritada com J.D. por pensar que ela pode ser o tipo de garota que queria ser perseguida. Em seguida, ela tentou decidir o quanto ela estava irritada consigo mesma por secretamente pensar que talvez ela seja. J.D. lhe deu um meio sorriso. — Tudo bem. Eu só não quero que você fique esperando que eu apareça fora da sua janela explodindo Peter Gabriel62 no rádio do meu carro ou algo assim. Payton não pôde deixar de rir com isso. O pensamento de J.D. em pé na frente do Bentley segurando um aparelho de som sobre sua cabeça era demais, impagável. — Você é orgulhoso demais para esse tipo de coisa, J.D.? — ela brincou. Ela quis dizer isso como uma brincadeira, mas de repente J.D. ficou sério. — Sim. — ele disse suavemente. Ele tocou suavemente o queixo dela. — Com você, Payton - na verdade, só com você - eu sou. Enquanto ele segurava o olhar dela, Payton percebeu que ele poderia ter tentado dizer-lhe muito mais do que tinha pensado inicialmente. Mas ela não teve a chance de fazer mais nada, porque ele se virou e desceu os degraus e saiu pela porta da frente. Payton fechou a porta, foi até a janela e viu quando J.D. entrou na limusine que esperava lá em baixo por ele. Por um longo tempo depois que o carro tinha saído, ela continuou a olhar para fora da janela, correndo através das palavras dele uma e outra vez. Ela sabia que era demais para ela lidar. Depois de um fim de semana como o que ela tinha acabado de ter, ela precisava de dados. Orientação. Ela precisava de alguém com um olhar objetivo, com quem ela poderia rever os últimos dois dias, alguém com quem pudesse realizar as análises adequadas de tom e expressão facial, alguém cujas habilidades ela confiava a arte nebulosa e 62

Músico inglês, um dos maiores representantes da música mundial do anos 70.


precária conhecida como a leitura em cada palavra. Ela precisava de alguém que não só a entendia, mas ao inimigo também. Em suma, as coisas iam ficar difíceis e ela precisava de sua consigliere63 de guerra. Então ela pegou o telefone e ligou para Laney.

63

Uma posição dentro da estrutura de liderança da Sicília, Calábria e Máfia americana. A palavra foi

popularizada pela série O Poderoso Chefão (1969) e sua adaptação para o cinema. Um conselheiro.


Capítulo Vinte e Quatro

L

aney abriu a porta da

frente da casa que ela dividia com Nate. Payton rapidamente entrou, ansiosa para sair da chuva que tinha decidido cair em cima dela assim que pulou no táxi para vir. Elas tinham decidido pular o café, seu ponto de encontro habitual, uma vez que Nate estava com alguns amigos e porque Payton já estava ligada e provavelmente poderia fazer sem o burburinho adicional de cafeína. Ela tinha sido vaga com Laney no telefone - dizendo apenas que ela precisava conversar, pois ela queria falar isso pessoalmente. Mas não podia esperar mais, ela mal tinha posto os pés nos degraus da casa imaculada da sua amiga estilo-Martha Stewart Living64, antes que sua amiga chegasse até ela. — Eu tenho algo que eu preciso te contar sobre este fim de semana. — Payton disse, colocando sua bolsa sobre a mesinha ao lado da porta da frente, nunca mais cometendo o erro de jogá-la sobre o sofá como ela poderia ter feito em sua própria casa - porque, como Laney tinha muito prestativamente observado a primeira e única vez que Payton tinha feito isso - de fato, essa não era a sua casa. — E eu sei que isso vai ser um choque. — ela continuou. — Então eu só vou dizer de uma vez. — ela parou. — Espera, eu acabei de perceber que eu nunca te contei que terminei com Chase.

64

Programa de TV, de decoração de casa, receitas.


— Não, você não falou. — Laney disse incisivamente enquanto observava os esforços de Payton para secar seus sapatos sobre o tapete ao lado da porta. — Eu tive que saber disso através de Nate. — Eu sei, eu sei, eu sinto muito por isso, tudo está acontecendo tão rápido esses dias, e eu queria te dizer, mas depois a viagem para a Flórida surgiu. — Payton provisoriamente pisou com um sapato fora do tapete. Quando Laney não disse nada, Payton tomou isso como uma indicação de que ela havia sido considerada adequada para ter acesso à moradia. Ela entrou na sala de estar. — Mas se isso te faz sentir melhor, você é a primeira e única pessoa que eu já disse isso. — ela se virou e olhou Laney. — Eu dormi com J.D.. A boca de Laney caiu aberta, atordoada. — Eu sei. — Payton sorriu. — Puta merda, Laney, eu dormi com J.D.. Laney sacudiu seu choque. — Onde? Quando? — Este fim de semana. Palm Beach. Voamos para encontrar Jasper Conroy e o novo conselho geral da Gibson. — Payton olhou a amiga nos olhos. — Laney, foi incrível. Payton apontou para o corredor, na direção da cozinha. — Você se importa? Vou pegar um copo de água. — inferno, ela já estava ficando ruborizada, revivendo o fim de semana em sua mente. Enquanto ela se dirigia ao fundo do corredor, ela começou a análise pós-jogo. — Eu mal sei por onde começar. — Na verdade, Payton, você pode querer... — Eu quero dizer, fizemos sexo, tipo, um bilhão de vezes. E eu estou falando em todos os lugares - na cama, no chão, na mesa, no banho - eu tenho certeza, as pessoas infelizes no quarto ao lado ouviram, o que me lembra: Você e Nate tem um desses banquinhos no seu chuveiro? — Por uma questão de fato, nós temos, mas...


— Bom, porque eu tenho que dizer-lhe sobre este truque que eu descobri que o torna muitíssimo mais fácil para... — Eu realmente não acho que você deseja dizer isso nesse momento em especial... Payton acenou por cima do ombro. — Tudo bem, mais tarde, então, de qualquer maneira, eu não tinha ideia do quão ridiculamente o J.D. é sexy - e eu não quero dizer só o seu corpo, que é delicioso - as coisas que eu fiz com aquele homem, isso é tudo que eu vou dizer agora - mas também a maneira como ele olhou para mim e, merda, algumas das coisas que ele disse foram tão sexy que explodiram a minha mente, como aquele momento em que ele me prendeu contra a parede e me disse que queria to... — ela parou quando virou a esquina para a cozinha. Nate e cinco outros caras estavam em pé ao redor do balcão. Tendo acabado de ouvir tudo. Os seis homens permaneceram imóveis com suas bocas abertas tal como Laney ficou em seguida ao virar a esquina. Payton olhou para ela. — Eu pensei que você disse que Nate tinha um jogo de futebol. Laney gesticulou para a janela, lá fora a chuva caía sem parar. — Cancelado. A boca de Payton formou um O. Cancelado. Maldição. De repente, encontrando sua voz, Nate se virou para sua esposa com uma pergunta da sua autoria. — É assim que vocês conversam? — ele gesticulou entre as duas mulheres. Laney encolheu os ombros. — Sim. Nate e seus amigos sussurraram nervosamente sobre isso entre si. Homens.


Se eles soubessem. Payton olhou para Laney. — Talvez devêssemos ir para o café depois de tudo. — sugeriu ela, com uma sobrancelha levantada que falava em código. Eu: envergonhada. Você: na merda. Da próxima vez. Avise. Com mais vontade. — À luz do que eu ouvi até agora, eu acho que vou precisar de algo mais forte do que café. — disse Laney. Ela pegou as chaves do organizador que ela e Nate tinham embutido na parede, em seguida, aproximou-se e deu a seu marido um beijo na bochecha. — Eu posso chegar tarde. Há uma lasanha na geladeira. Nate assentiu. — Ok, me ligue para te buscar quando estiver pronta. — então ele fez uma pausa, olhou rapidamente na direção de Payton, e baixou a voz quando ele sussurrou no ouvido de sua esposa. — E descubra qual é o truque é com o assento no banheiro.

***

Dada a chuva, elas decidiram não ir muito longe, pegaram um táxi para a curta distância até o 404 Wine Bar. A atmosfera íntima do bar era adequada ao humor confessional de Payton. Ela e Laney se afundaram em um sofá de couro em frente à lareira. Quando a garçonete chegou, Payton ordenou um dos vinhos tintos do menu principal, pensando que várias bebidas para contar tudo de uma vez, era o caminho certo a seguir naquela noite. Laney pediu o mesmo. Payton lançou um olhar. — A propósito, eu quase tive um ataque cardíaco quando você disse que esses caras eram da equipe de futebol de Nate. Eu estava esperando que Chase saísse de algum canto, tendo ouvido tudo o que eu disse sobre J.D.. — Na verdade, Nate mencionou que Chase tinha um encontro hoje à noite. É assim que eu soube que vocês dois não estavam se vendo mais. — disse Laney. — Eu estou supondo, sob a luz de tudo o que aconteceu com o J.D., que você está bem com isso?


Payton assentiu. — Definitivamente, tudo bem. Fico feliz em ouvir isso, na verdade. — ela gostava de Chase. E talvez se as circunstâncias tivessem sido diferentes... bem, provavelmente nem mesmo assim. Mas, independentemente disso, ela ainda achava que ele era um bom rapaz. A garçonete chegou com os vinhos. Depois que ela colocou quatro taças na frente de cada uma delas, Payton decidiu que era hora de contar a Laney tudo. Ou, pelo menos, a versão PG-1365, de tudo. Laney ouviu atentamente e, finalmente, saltou com uma pergunta que foi surpreendentemente franca para ela. — Então isso foi tudo sobre sexo? — Laney ergueu a mão, sua expressão suavizando. — Isso soou como se eu estivesse julgando. Não estou julgando. Payton balançou a cabeça. — Não, não era só sobre sexo. — ela sabia que era verdade. — Essa é apenas a parte que é mais fácil para eu falar. — ela hesitou, mas depois decidiu falar logo. — Eu acho que eu tinha sentimentos por J.D. por um tempo. Laney riu. — Ah, é mesmo? Você acha? Payton sentou-se ereta. — Bem, se você sabia tanto, por que você nunca disse nada? — Eu disse. Por anos eu incitei você a ficar com J.D.. — Eu pensei que era alguma coisa estranha de lealdade republicana. — Não, é porque eu sempre pensei que você e ele só precisavam voltar para o caminho certo. — Laney tomou um gole do segundo vinho, um pinotage sul-Africano. — À propósito, enquanto vocês dois estavam fodendo seus miolos, aconteceu de você descobrir como foi mesmo que a rixa de vocês começou? — Você não acreditaria em mim se eu te contasse. — Payton lançou a Laney um olhar divertido. — Fodendo nossos miolos? Sério?

65

Classificação indicativa para menores de 13 anos.


— É o máximo de mau gosto que nós republicanos conseguimos. Payton pensou em voltar para certas partes de seu fim de semana com um certo Republicano que haviam sido censuradas pela PG-13. — Oh, eu não sei nada sobre isso. — ela disse. — Eu não cheguei a falar sobre o momento no sábado à noite, quando voltamos para o quarto após o jantar e J.D. me empurrou contra a mesa e disse... Laney levantou a mão. — Não. Eu não posso saber essas coisas, eu vou corar cada vez que vir o cara. Eu tenho que trabalhar com ele, lembra? Ela quis fazer o comentário em tom de brincadeira, mas teve um efeito moderador imediato sobre Payton. — Você acha que você ainda vai trabalhar com ele depois de terça-feira? — ela perguntou calmamente. Vendo o olhar em seu rosto, Laney ficou séria também. — Eu honestamente não sei quem eles vão escolher, Payton. Payton rodou a taça, fingindo estudar o vinho escorrendo pelo lado. — Se eles não me escolherem, eu não tenho certeza se posso olhar na cara dele de novo. — ela disse. — Eu não poderia suportar se ele sentisse pena de mim. — ela tomou um gole de vinho. — É claro que, se me escolherem, então é exatamente assim que ele vai se sentir, e eu provavelmente vou perdê-lo de qualquer maneira. Laney suspirou. — Essa é uma situação difícil. — Você tem que me dar mais do que isso, Laney. Você é meu consigliere em tempo de guerra. — Payton viu o olhar confuso da amiga. — É de O Poderoso Chefão. Laney cruzou as mãos no colo. — Oh. Nunca vi isso. Muita violência. Mas lembre-me com quem, exatamente, você está em guerra? — É apenas uma expressão.


— Uma expressão interessante. Acho que o meu primeiro conselho enquanto sua conselheira de guerra é: pare de pensar em J.D. como o inimigo. Payton pensou sobre isso. Bom ponto. Laney pressionou com mais força. — Sério, como você se sente sobre ele? Você já dormiu com ele, Payton, eu acho que não há problema em admitir isso agora. Payton olhou sua amiga enquanto ela considerava a questão. Depois de um momento, ela sorriu. — Eu sou louca por ele. — ela viu o sorriso de Laney. — E, em muitos aspectos, eu quero dizer, literalmente, você sabe. Há vezes muitas e muitas vezes - quando ele me deixa absolutamente louca. Mas mesmo assim. — Você o ama? — Laney perguntou. Payton corou. — Isso é um pouco pessoal, você não acha? Laney ergueu as mãos. — Oh, meu Deus, nós finalmente encontramos uma palavra que faz Payton Kendall corar. Amor. — ela apontou. — É porque sua mãe não deixou você ler contos de fadas quando você era criança. — E quando eu pensei ter entendido todos os níveis em que ela me desarrumou, um novo problema surge. Laney riu. — Então, você quer o meu segundo conselho? — Não dê ouvidos a qualquer coisa que minha mãe diz? — Ok, talvez o meu terceiro conselho. Agora foi a vez de Payton rir. — Claro, vá em frente. A expressão de Laney era séria de fato. — Se você é tão louca por J.D. como você diz que é, então, bem, você meio que não tem que tentar fazer isso funcionar? Quem sabe o que vai acontecer depois de terça-feira? Talvez ele vai se surpreender. Talvez você se surpreenda.


Payton pensou sobre isso. Talvez, apenas talvez, Laney estivesse certa. Ela olhou para sua amiga com suspeita falsa. — Tem certeza de que não estamos dizendo isso só porque você quer começar a fazer planos para domingos de casais e churrasco? — Bem, sim. — disse Laney. — Você é minha melhor amiga, Payton. É claro que eu quero que você ache uma pessoa que realmente te faça feliz. Emocionada, Payton se aproximou e abraçou-a. — Obrigada, Laney. — quando ela se afastou, apertou a mão de Laney timidamente. — Eu estive tão envolvida em tudo, eu nem perguntei como você está indo. Apesar de eu ter percebido que você está bebendo vinho hoje à noite. Laney suspirou melancolicamente. — Sim, não aconteceu este mês. — então ela se animou. — Tudo bem. A diversão está na tentativa. — Wow, você está quase se aproximando de um PG-13. Nota-se com esse comentário. Laney sentou-se e alisou o cabelo para trás, aparentemente satisfeita. — Eu? PG-13? Nesse caso, uma vez que já cruzei a linha, eu acho que devemos tirar isso do caminho. Não, espere... Payton assistiu com diversão enquanto Laney rapidamente bebeu o resto da sua bebida. Então ela abaixou a taça e olhou para cima. — O truque do chuveiro. Vamos ouvi-lo, Kendall.


Capítulo Vinte e Cinco

F

altava

apenas

um

dia. A preocupação de Payton sobre o que dizer na primeira vez que ela encontrasse

J.D.

no

trabalho

na

segunda-feira,

tinha

sido

desnecessária. Enquanto as coisas poderiam ter mudado para os dois no fim de semana, a vida na empresa manteve-se constante e como de costume, o que significava que ela mal teve tempo para o almoço, e muito menos para um passeio pelo corredor para um tête-à-tête. Não ajudava em nada que Irma estivesse estranhamente ansiosa e nervosa. Como se de repente, percebendo que poderia ser o seu último dia de trabalho em conjunto, a secretária de Payton tinha entrado no seu escritório diversas vezes. A cada quinze minutos, fazendo o que mais ela poderia fazer para ajudar. — Sério Irma, você está me deixando nervosa. — disse Payton após a décima entrada. — Você não precisa de mim para começar a fazer as suas despesas da viagem do fim de semana? — Irma usava o tom “estou preocupada, mas tentando não transformar minhas entradas em um turbilhão de perguntas”. Com a expressão de que alguém tinha que distrair o amigo que acabara de pegar exames médicos graves. — Sim, obrigada por lembrar. Aqui está. — Payton entregou-lhe a pilha de recibos do final de semana. Os que ela iria solicitar reembolso dos dias da viagem.


Irma balançou a cabeça, parecendo apaziguada pelo trabalho entregue a ela e deixou a sala de Payton. Ela voltaria em cinco minutos. — Estes reembolsos não fazem qualquer sentido. — Irma folheou os recibos. — O recibo da companhia aérea diz que seu voo de retorno foi no domingo, mas você apresentou a conta do hotel na sexta à noite. Secretária trabalhadora e eficiente. Sentada em sua mesa, Payton tentou manter a expressão indiferente. — Eu decidi ficar uma noite extra. Eu não solicitei o faturamento do cliente para isso. — Para uma noite extra? — perguntou Irma, confusa. — Sim... eu... decidi relaxar por um dia. No primeiro momento, Irma pareceu surpresa, então ela balançou a cabeça em aprovação. — Realmente Payton, seja o que for que deu em você nas últimas semanas, eu estou gostando. — ela apontou, lembrando de repente. — Eu esqueci as suas folhas para assinatura. Estarei de volta com elas. — Tudo bem. — disse Payton, levantando-se. — Eu posso assiná-las em sua mesa. — este era o código para a criação de um potencial do tipo “esqueça o que aconteceu e volte a trabalhar”. Payton seguiu Irma para sua mesa, onde ela desatou a assinar as folhas. Quando estava próxima das últimas folhas, ouviu Kathy chamar J.D. na mesa ao lado de Irma. — Oh, bem, J.D., você tem um minuto? Quando Payton ouviu a resposta de J.D. vinda de trás dela, ela fez um esforço para ser normal e casual. Afinal, eles haviam representado para o público durante anos. Isso não deveria ser diferente. Ela olhou por cima do ombro e o viu de pé ao lado dela. Merda. Era totalmente diferente agora.


— Olá, Payton. — disse ele. — Olá, J.D.. — ela respondeu no mesmo tom inócuo. Kathy folheou os papéis que segurava felizmente dando pouca atenção à sua interação estranha. — Estou confusa sobre estes recibos da viagem. — ela disse a J.D.. — Particularmente no pedido de reembolso do hotel. Eu sei que você disse que eu deveria enviar um reembolso referente à noite de sexta como tarifa normal, o que eu fiz. Mas você não precisaria ser reembolsado por duas noites? Você só voltou domingo. Com a certeza de que ela estava corando, Payton não se atreveu a olhar para cima das folhas que assinava, ela estava imaginando a cara de Irma. — A segunda noite da viagem foi pessoal. Eu vou cuidar disso eu mesmo. — disse J.D.. — Viagem pessoal? — Kathy repetiu surpresa. Com o canto do olho, Payton podia ver que Irma estava ouvindo atentamente a conversa. Ela decidiu que agora seria um excelente momento para voltar ao seu escritório. — Eu decidi ficar e jogar golfe. — ela ouviu J.D. dizer a Kathy. — Você sabe, tirar um dia para relaxar. — Oh. Meu. Deus. Payton parou na porta de seu escritório, virou-se e viu Irma encarando J.D. com a boca aberta em estado de choque. Com os olhos arregalados, Irma olhou para Payton. Sem perceber cobriu a boca. — Oh, meu Deus. — ela repetiu, rindo. Payton foi até a mesa da sua secretária. — Irma, eu posso vê-la em meu escritório? Agora?


Balançando a cabeça, ainda com o sorriso do Gato da Alice do País das Maravilhas, Irma seguiu Payton para seu escritório. Ela manteve sua mão sobre a boca, como se temesse pelo que poderia falar. Payton fechou a porta atrás de si e se virou para Irma. — Tudo o que você acha que acabou de entender, eu preciso pedir-lhe para manter em sigilo para si. Irma tirou a mão da boca. — Pelo menos eu sei o que deu em você ultimamente. Literalmente. — Tudo bem. — disse Payton em resposta à insinuação não tão sutil de sua secretária. — Uau, eu realmente não sei o que fazer a partir de agora. — Você e J.D. fizeram... — Irma abaixou a voz para um sussurro conspiratório. — Oooh... o sexo foi irado? — Eu vou fingir que não ouvi essa pergunta. — Isso quer dizer que é sério entre vocês? — perguntou Irma. Payton permaneceu firme sobre o assunto. — Irma, eu preciso que você faça um favor para mim. Por favor, não me pergunte mais nada. Nenhuma pergunta, porque você sabe que eu não posso respondê-las. E por favor, não diga nada a ninguém sobre o que você ouviu. Você sabe o quão difícil é lidar com a fofoca do escritório. Vendo como isso era importante para Payton, Irma suspirou. — Tudo bem. Payton sorriu. — Obrigada. — ela sabia o quão difícil era para sua secretária ficar indiferente sobre as fofocas, ainda mais algo tão suculento como isso. Irma assentiu, medindo Payton com um olhar. — Cara, vocês dois realmente decidiram fechar com chave de ouro, não é? — Irma... — Desculpe. Foi simplesmente muito para deixar passar.


***

No final do dia, Irma entrou pelo escritório de Payton. Ela segurava uma caixa de médio porte em suas mãos. — Uma portadora entregou isso enquanto você estava em sua teleconferência. — ela disse. — Eles precisavam de alguém para assinar por você, então fui em frente e cuidei disso. — ela colocou a caixa sobre a mesa de Payton. — Posso ver também? Distraída, Payton olhou por cima de seu computador. — Você pode ver o que? Irma fez um gesto para a caixa. — Os sapatos que você pediu. — Eu não pedi nenhum sapato. Irma apontou para a etiqueta de endereço. — Diga isso para Jimmy Choo. Payton pegou a caixa e abriu. Vasculhou cerca de vinte quilos de papel de seda, o que naturalmente levou a outra caixa menor. Quando ela abriu, descobriu um novo par de saltos pretos. Irma se inclinou para inspecioná-los. — Você já tem um par como esse, não? — Eu costumava ter. Quebrei um dos saltos. — disse Payton. — Ah, certo... quando você rasgou sua saia no tribunal. Um amigo meu que trabalha no escritório do escrivão, disse que todos falaram sobre isso por semanas. — Irma parecia deixar Payton cada vez mais para baixo. — Isso deve ter sido muito embaraçoso. — Sim, obrigada Irma, foi muito embaraçoso.


— Ele também disse que eles falaram mais ainda sobre o quão bem você se saiu na situação. Ele disse que você foi uma verdadeira profissional. A expressão de Irma ficou orgulhosa. — O que quer que digam amanhã Payton, você poderá sair com a cabeça erguida. Eu não poderia ter pedido para trabalhar com uma advogada melhor nestes últimos oito anos. Obrigada. Payton

ficou

com

os

olhos

marejados. Todos

estavam

ficando

malditamente moles nos dias de hoje. — Obrigada, Irma. — É claro que se você pudesse, de alguma forma conseguir sair daqui com seus sapatos e em sua saia, provavelmente seria melhor. Payton riu. Com um rápido aceno de adeus, Irma se virou e saiu pela porta. Uma vez sozinha em seu escritório, Payton pegou a caixa e tirou o pequeno envelope que tinha escondido com os sapatos. Ela abriu o cartão e sorriu ao lê-lo. Você já sabe de quem são.

***

Payton esperou até que o pessoal da secretaria tivesse deixado o escritório e fez seu caminho para o escritório em frente ao dela. Ela bateu na porta de J.D. e ficou surpresa ao encontrá-lo arrumando sua pasta para ir embora. — Você está indo embora? — ela perguntou. J.D. assentiu. — Já. Pela primeira vez, eu quero deixar este lugar enquanto ainda está claro lá fora.


Payton fechou a porta atrás dela. — Eu recebi os sapatos. Eu não posso aceitá-los J.D.. Ele pegou sua pasta. — Claro que você pode. — ele olhou para ela na sua saída para a porta. — Além disso, eles são os meus favoritos. — J.D.... — Não há nada que você precise dizer. De verdade. — ele chegou perto, e Payton pensou que ele ia beijá-la, mas em vez disso ele abriu a porta e saiu para o corredor. — Boa sorte amanhã, Payton. — seus olhos se encontraram, então ele se virou e saiu. Payton estava no escritório de J.D., sozinha. Mensagem recebida. Em alto e bom som. Ela trouxe à mente um outro encontro, não há muito tempo atrás, quando ele saiu do apartamento dela em uma noite similar. E naquela ocasião, ela não tinha ido atrás dele. Mas desta vez ela iria. Entre outras coisas, que se dane se ela ia deixar J.D. Jameson ficar com a última palavra.

***

Assim que J.D. alcançou a maçaneta da porta do motorista do Bentley, ele ouviu uma voz um pouco chateada atrás dele. — Você é um pé no saco, sabia disso? Ele se virou e viu Payton caminhando pela garagem, vindo da direção dos elevadores e indo em direção a ele. Ela levava sua bolsa e o casaco sobre o braço. — Você veio aqui para dizer isso? — ele falou de volta.


— Sim, isso é uma das coisas que eu vim até aqui para dizer. — Payton parou diante dele e cruzou os braços sobre o peito. — Eu também vim aqui para dizer que, ao contrário do que você imagina, eu não preciso ser perseguida. — Ah, é? — Não me venha com esse olhar. Na verdade, provavelmente é melhor se você não fizer ou falar nada. Eu preciso passar por isso. J.D. observou enquanto Payton respirou fundo. — Esta situação entre nós está totalmente bagunçada. — ela começou. — Francamente, eu não mudei de ideia ao pensar que qualquer que seja a decisão que a empresa fará amanhã, será um problema para nós. Um grande problema. Ela deu um passo para mais perto dele. — Mas aqui está a coisa, as alternativas significam não estar com você. E eu tenho não estado com você por anos, J.D.. Eu não quero mais isso. — Payton olhou para ele. Seus olhos azuis escuros e expressivos. — Eu acho que nós podemos superar esta coisa de sociedade se fizermos isso juntos. — ela fez uma pausa, depois corou e riu nervosamente. — Agora seria um bom momento para você dizer alguma coisa. Na mente de J.D. corriam umas mil coisas que queria dizer a ela. Era hora? Ele pensou que talvez, mas finalmente, era. — Payton, eu... Mas ele parou quando viu algo ou alguém, por cima do ombro. — Merda. Payton levantou a cabeça dela. — 'Payton, eu... merda'. — ela repetiu. — Isso é bom saber. Fico feliz que esclarecemos tudo. J.D. teve que morder a língua para não rir. — Não, não é isso. É Ben. — ele disse a ela baixinho. — Ele acabou de sair do elevador. O sorriso de Payton se transformou em uma carranca. — Merda. Eu não quero lidar com ele agora. — Ele está andando em linha reta para nós.


— Você sabe o que? Desde que vocês dois são tão bons amigos, você deve lidar

com

ele. Apenas

descubra

alguma

maneira

de

se

livrar

dele. Rapidamente. J.D. observou enquanto Payton se apressou em sair, com cuidado para nunca mais olhar na direção de Ben. Dirigiu-se até uma escada, a poucos metros de distância. — Jameson! — Ben o chamou do outro lado da garagem. Como J.D. esperava, enquanto Ben se aproximava, ele foi atingido por um medo súbito: e se Ben propositadamente ou acidentalmente, dissesse algo sobre um deles ou sobre o que a empresa tinha decidido fazer, ou sobre qual parceiro havia escolhido? E nesse momento, J.D. não queria admitir. Ele começou a se perguntar se Payton estava certa em pensar que os dois poderiam começar numa boa após a decisão da empresa. Deixando o pensamento de lado, J.D. sorriu quando Ben caminhou até ele, na esperança de jogar o estilo casual e inocente. — Ben, Olá. — Para onde é que Payton correu? — perguntou Ben. — Payton? — Sim, Payton. Ela estava de pé aqui, falando com você, apenas um segundo atrás. Disse com casual inocência. — Oh, Payton. — disse J.D.. Ele começou a imaginar o teatro em sua cabeça. — Ela esqueceu seu cartão chave lá em cima. Ela me viu e pediu para pegar o meu emprestado para que ela pudesse voltar e subir para pegar. — não foi tão ruim quanto J.D. pensou. Isso realmente parecia plausível. Ben assentiu. — Certo, certo, seu cartão chave. — então, ele se inclinou para J.D.. — Você acha mesmo que eu sou estúpido é? — O que você quer dizer?


— Eu vi o quão perto vocês estavam. Do jeito que ela estava se inclinando para você. — Ben piscou. — Eu acho que você decidiu voltar a esse tema mais uma vez, hein? J.D. sentiu seu coração parar. — Eu não sei do que você está falando, Ben. Ben

sorriu

maliciosamente. —

Você

pode

soltar

a

charada,

Jameson. Somos só nós dois aqui. Ou eu deveria chamar os responsáveis dos Recursos Humanos e dizer que você está trepando com Payton novamente? — ele abaixou a voz. — Vocês pelo menos, podem fazer isso fora do seu escritório desta vez? — rindo, ele deu um tapinha no ombro de J.D.. J.D. fechou os olhos. Cinco malditos minutos. Se ele tivesse deixado seu escritório apenas cinco minutos depois, nada teria acontecido. — Tudo bem, tudo bem. — Ben estava dizendo. — Você mantém os detalhes sujos para si mesmo neste momento. Provavelmente é melhor que eu não saiba. — com uma piscadela, ele disse para J.D. ter uma boa noite, então foi na direção do carro dele. J.D. esperou, observando quando Ben virou a esquina e finalmente desapareceu de vista. Em seguida, ele esperou um pouco mais, tentando decidir se havia alguma chance de Payton não ter ouvido a conversa. Ele caminhou lentamente para a escada onde ela havia se escondido para evitar Ben. Assim que ele virou a esquina, sabia que não havia nenhuma chance de que ela não tivesse ouvido absolutamente tudo. A boca de Payton estava definida em uma linha sombria. — Diga-me, que eu entendi errado. Mais do que tudo, J.D. desejava que ele pudesse dizer isso a ela. — Foi há muito tempo, Payton. — ele disse calmamente.


Seus olhos escureceram de raiva. — Foi a muito tempo atrás que você o que? Que você mentiu pra Ben e disse que dormimos juntos? — Sim. Ela recuou surpresa, e J.D. sabia que parte dela esperava que houvesse alguma outra explicação para o que ela tinha ouvido. Ela olhou para ele com uma expressão de traição. — Diga-me o que você disse a ele. — Não é importante. — J.D. disse a ela, embora soubesse que não era verdade. — Eu ouvi Ben perguntar. Seja qual for a mentira que você disse a ele, eu quero saber. Eu acho que você me deve pelo menos isso. — disse Payton friamente. J.D. teve que desviar o olhar incapaz de encontrar o dela. Quando ele hesitou, ele ouviu a fluência do pânico na voz de Payton. — Oh, Deus, J.D.! Ele é meu chefe! O que você disse a ele? J.D. virou-se para encará-la. Ela estava certa. Ela deveria saber exatamente o que havia sido dito. E ele precisava parar com seus erros. Assim, ele preparou-se para o inevitável. — Eu disse a ele que fizemos sexo em cima da minha mesa uma noite, depois que todos foram embora. Payton piscou. — Por quê? Por que você disse isso? J.D. odiava que ele era aquele a colocar essa expressão de dor no rosto dela. Ele tentou desviar o olhar dela, mas não conseguiu. Ela atacou novamente para confrontá-lo. — Sabe o que a fofoca pode fazer com uma reputação? Particularmente a reputação de uma mulher? — ela sussurrou. — Por que você diria algo assim para Ben? Para ajudá-lo a chegar à frente? Olhe para mim, J.D.! Diga-me!


Quando J.D. olhou para ela, viu toda a raiva e desconfiança em seus olhos mais uma vez. Ele cerrou o maxilar. — Eu não sei Payton. Talvez eu seja o idiota que você sempre pensou que eu fosse. Foi um balde de água fria... ele sabia. A única alternativa era a verdade, e a verdade - pelo menos com o jeito que ela estava olhando para ele - não parecia ser a opção mais viável. Payton olhou para ele com uma expressão de incredulidade. — É isso aí? Isso é tudo o que você vai dizer? — Realmente existe alguma coisa que eu poderia dizer que faria alguma diferença? — J.D. estava certo de que já sabia a resposta para isso. E aqui ele pensou que seus olhos não poderiam ficar mais frios. Quando Payton se afastou dele, seu olhar era absolutamente gelado. — Eu acho que nós nunca saberemos. — ela disse em um tom uniforme, sem emoção. Então ela se virou e foi embora.


Capítulo Vinte e Seis

— P

or que

diabos o seu celular não está ligado? Fora da Wrigley Field, J.D. invadiu a cabine onde Tyler esperava, zangado demais para se preocupar com uma saudação. Tyler não pareceu notar a frustração na voz de J.D.. Ele pegou seu celular e olhou para ele com naturalidade. — Eu gostaria que você olhasse para isso, a bateria acabou. Eu devo ter esquecido de checar isso. Oh, bem. J.D. poderia ter estrangulado ele. Três semanas atrás, Tyler tinha sugerido ir a um jogo na noite anterior à decisão da parceria, como uma distração. Na época, parecia uma ótima ideia. Mas agora, depois de tudo que tinha acontecido com Payton, o beisebol era a última coisa que estava em sua mente. — 'Oh, bem?'. — disse. — Eu tenho tentado ligar pela última hora. — Sinto muito. — Tyler inclinou a cabeça. — O que você queria? — Te dizer que eu não vou esta noite. — Você veio aqui para me dizer que você não vai? — perguntou Tyler. — Sim. — J.D. disse, exasperado. — Mas se você não vai... então como você está aqui? Espera, isso é uma espécie de coisa de viagem no tempo? Se assim for, você tem que me dizer como


isso funciona, porque eu realmente gostaria de voltar para sábado à noite e dizer a mim mesmo para não levar para casa a senhorita Looney Tunes, porque aquela garota tem... — Dane-se isso. — J.D. se virou, cortando Tyler. — Eu deveria ter deixado você ficar aqui fora esperando a noite toda. — ele começou a caminhar de volta para seu carro. Normalmente, ele poderia tomar toda a merda que Tyler queria repartir. Mas não esta noite. — Ei, J.D., vamos. — disse Tyler, seguindo-o. — Eu só estou brincando com você. Espere um segundo. J.D. abrandou e, finalmente, virou-se. Tyler viu o olhar em seu rosto. — O que aconteceu? J.D. olhou para o céu, balançando a cabeça. Ele ainda não conseguia acreditar nele mesmo. Vendo a reação dele, Tyler deu um palpite. — A empresa. Disseram-lhe a sua decisão. — disse ele em um tom sombrio. J.D. riu amargamente. — Eu desejava que fosse isto. — ele ficou impressionado com a sua escolha de palavras. Essa era uma declaração considerável para fazer. Tyler parecia menos surpreso. Passou por cima e colocou a mão no ombro de J.D.. — Assim, então. Você quer me dizer o que aconteceu com Payton? J.D. não sabia por onde começar. Ele passou a mão pelo cabelo. — Eu... uau, eu totalmente estraguei tudo. Tyler assentiu. — Eu vou dizer que, estamos nós dois aqui, e eu já tenho os bilhetes. Vamos entrar, tomar uma cerveja, e você pode me contar tudo. J.D. sabia que Tyler tinha comprado camarote, apenas cinco fileiras atrás do banco de suplentes, e se sentiu mal deixando o dinheiro do seu amigo ir para o lixo. Além disso, a parte sobre a cerveja não parecia uma má ideia. Ele ia


precisar de algum álcool, - provavelmente de vários, de fato, - apenas para poder ter essa conversa. — Ok. — ele concordou. Ele seguiu Tyler para dentro do estádio.

***

Ficar acabou por ser uma ideia surpreendentemente boa. Era mais fácil para J.D. falar fingindo manter um olho sobre o jogo. Discutir suas emoções não era exatamente algo que vinha naturalmente para ele, e o jogo deu-lhe a oportunidade de olhar longe de Tyler durante certas peças-chave da conversa. Ele contou para o seu amigo sobre o fim de semana em Palm Beach, a respeito das hesitações de Payton sobre a decisão da sociedade, e o que ela havia dito a ele na garagem apenas algumas horas atrás. Que o levou, então, para a conversa que Payton tinha ouvido entre ele e Ben, e mais importante, para a mentira que ele tinha dito a Ben há vários anos. Foi aqui que J.D. parou. Por mais que ele pudesse querer encobrir determinada parte da história, ele sabia que não ia acontecer. Tyler, que tinha ficado relativamente calmo até este ponto, passou a mão sobre a boca, e então exalou alto. — J.D.... isso é muito ruim. — Eu sei. — Como é que Payton reagiu quando você admitiu o que você disse a Ben? — Não muito bem. — J.D. olhou por cima em Tyler. — Ela queria saber o porquê. Então eu disse a ela que eu sou um idiota. — E eu estou supondo que isso não melhorou nada.


— Não, não melhorou. Tyler olhou para J.D. com expectativa. — Então? Você, pelo menos, vai me dizer a verdade? J.D. levou um momento, depois olhou de volta para o jogo. — Foi a alguns anos atrás, na festa de natal da empresa. Payton tinha trazido um encontro, algum escritor que ela conheceu na academia ou algo assim, e eles estavam no bar pegando uma bebida. E me lembro, enquanto eu a observava... eu acho que foi o jeito que ela sorriu para o rapaz. O jeito que ela riu de algo que ele disse. Isso me fez pensar, me fez pensar como seria se... — ele limpou a garganta. — De qualquer forma, Ben me pegou olhando para ela, e ele me encurralou no dia seguinte no escritório e fez algumas piadas sobre isso. Entrei em pânico, pensando que ele poderia dizer algo na frente de Payton, então eu inventei uma história que eu pensei que iria tirá-lo de cima de mim. Uma história que faria... que parecesse que as coisas fossem menos do que eram. — Fazer as coisas parecerem ser menos do que eram? J.D. fez uma pausa. Então ele lentamente olhou Tyler diretamente nos olhos. Ele não disse uma palavra. Ele não precisava. — Por quanto tempo? — perguntou Tyler, chocado. J.D. considerou isso. — Cerca de oito anos, eu acho. — Você está brincando comigo. — a expressão de Tyler foi de descrença. — Todo esse tempo. — Praticamente, sim. — Esse tempo todo. — O que você precisa saber, como, o momento exato? — perguntou J.D.. — Bem, agora que você mencionou, eu estou tipo curioso. Espere, deixeme adivinhar, desde o primeiro momento em que a conheceu. — Tyler brincou.


— Na verdade, não, espertinho. — J.D. fez uma pausa. — Foi o segundo momento. — Eu acho que você vai ter que descobrir por si mesmo, J.D. Jameson. Sim, ele passou anos tentando negar, até para si mesmo, mas aquele olhar dissimulado dela tinha praticamente o destruído. Tyler riu. — Sem ofensa, J.D., mas não é um pouco profundo para você? — Eu consegui permanecer muito raso em praticamente todos os outros aspectos da minha vida. Eu acho que equilibra. Tyler assentiu. — Bom ponto. A multidão ao seu redor, de repente rugiu e as coisas ficaram feias quando as pessoas começaram a vaiar o árbitro. Por alguns minutos, J.D. e Tyler estavam distraídos, varridos no jogo. Em seguida, os fãs se acalmaram convencidos de que sua indignação foi devidamente expressada, e todos voltaram para suas cervejas, cachorros-quentes e amendoins. Eram fãs do Cubs66 - eles tiveram mais uma decepção rapidamente. Tyler e J.D. pediram outra rodada de cerveja de um vendedor que passava. Depois que entregaram o dinheiro para o vendedor, pegaram as cervejas e fizeram seu caminho de volta, Tyler se estabeleceu em seu lugar. — Você tem que dizer a ela, você sabe. — Eu sabia que você ia dizer isso. — disse J.D.. — Eu não acho que ela vai entender. Você não viu o olhar em seu rosto quando ela se afastou. — Mas antes disso, ela veio atrás de você para lhe dizer que queria ficar com você. Há esperança nisso. J.D. tomou um gole de sua cerveja. — Mesmo se ela pudesse me perdoar pelo que eu disse a Ben, acho que ela está certa. No mínimo, isso vai ser um pouco estranho entre nós após a decisão da empresa. E haverá tensão, muita. Talvez até mesmo ressentimento. — ele trocou a cerveja entre suas

66

Cubs ou Chicago Cubs é uma equipe de beisebol de Chicago, Illinois.


mãos. — Eu não quero começar algo com ela que está destinado ao fracasso. Isso seria pior do que não estar com ela, eu acho. Tyler se mexeu na cadeira. — Você já pensou... — ele parou, incerto se deveria mesmo sugerir tal ideia. — Sim. — J.D. já havia considerado a possibilidade, mesmo que ele não pudesse dizer isso em voz alta. Ele passou os dedos pelo cabelo. — Eu, uh... ufa. — ele tomou uma respiração profunda. — Eu realmente não sei se eu poderia fazer isso. Talvez se eu soubesse que faria a diferença. Talvez. — Não há nenhuma maneira de saber isso, J.D.. — Eu já compreendi isso, sim. Tyler agarrou o ombro de J.D.. — Eu gostaria que houvesse mais que eu pudesse te dizer, amigo. Mas eu acho que você só vai ter que perguntar a si mesmo o que está disposto a arriscar por uma chance de estar com ela. Isso é realmente o resumo, não é? J.D. levou um momento para considerar as palavras do amigo. — Não é só o trabalho, você sabe. — ele finalmente disse. — Eu gostaria de, pelo menos, sair de lá amanhã com o meu orgulho. Eu não sou exatamente bom em ser dispensado. Tyler riu. — Não diga? — Você tem algum conselho que é realmente construtivo? Não me interprete mal, eu gosto de comentários banais e perguntas retóricas, tanto quanto o cara ao lado, mas você pode pelo menos me ajudar com algo útil? Tyler ficou sério. — Escute, eu não posso lhe dar algum conselho sobre o que fazer a respeito da coisa que você não sabe se você pode fazer. Só você pode tomar essa decisão. Mas em termos de se você deve se colocar em xeque, eu vou te dizer o seguinte: se eu fosse Payton, e eu tivesse ouvido o que você disse para Ben, eu não teria sequer me preocupado em dar-lhe a oportunidade de você se explicar. Eu teria puxado a minha luva branca e dado um tapa em seu rosto e iria embora.


— Eu só quero esclarecer, neste cenário, estamos também em um desenho animado de Pernalonga? — É uma metáfora, J.D.. — Eu acho que sim. — Tudo bem, eu vou ser mais direto: Você não gosta de ser dispensado? Bem, muito ruim. Foda-se o seu orgulho, é a única chance que você tem. — Você está me pedindo para sacrificar as duas coisas que estão, provavelmente, mais definidas em toda a minha vida adulta. — disse J.D.. — Eu não estou pedindo que você faça qualquer coisa. — Tyler disse. — Eu estou apenas dizendo o que eu acho que tem que acontecer, se você quiser alguma chance de fazer as coisas funcionarem com ela. J.D. assentiu e ficou em silêncio. Realmente não havia mais nada a dizer sobre o assunto. Gostando ou não, ele sabia que Tyler estava certo.


Capítulo Vinte e Sete

P

ayton

olhou

para

fora da janela do seu escritório. Tinha acabado de descobrir que tinha vista para o lago. Na verdade, não era uma linda vista. De fato, não era nem uma visão medíocre, mas se ela olhasse para a direita, lá estava: passando entre dois grandes arranha-céus pretos, um caminho fino e estreito por onde a água cristalina do lago Michigan refletia o brilhante azul claro do céu de verão. Estranho que ela nunca tivesse notado isso antes. Por outro lado, talvez, não fosse tão estranho - ela não tinha exatamente passado muito tempo no escritório olhando pelas janelas. Laney havia ligado e se oferecido para esperar com ela, e embora ela apreciasse, Payton recusou. Esta manhã seria algo que ela precisaria enfrentar sozinha. Além disso, ela não seria exatamente uma boa companhia. Como já tinha feito várias vezes, Payton olhou para o relógio em sua mesa. Naquele momento respirou fundo e fechou os olhos com força. Dez horas. Finalmente. Já era tempo. Como se fosse uma sugestão, ouviu a batida na porta. Payton virou-se e viu Irma através do vidro, e acenou com a cabeça. Irma entrou. — Ben disse que você pode ir para o escritório dele agora.


Payton olhou para outro lado do corredor. Sabia que essa era a hora. No mesmo instante viu Kathy deixar o escritório de J.D.. Presumivelmente devia ter acabado de dizer a mesma coisa para ele. Ela podia ver J.D. através do vidro e notou que ele parecia estar hesitando um pouco. Se ele estivesse esperando por ela, pensando que iam juntos para o escritório de Ben, ficaria esperando. Depois do que aconteceu ontem, não havia absolutamente nada para dizer a J.D. Jameson. Depois de alguns instantes, Payton saiu e virou-se para o corredor em direção ao escritório de Ben. Não querendo se atrasar, saiu do seu escritório com o que esperava ser uma expressão de confiança e otimismo. Mesmo que ela não sentisse isso, estava determinada a olhar para o lado. Quando chegou ao escritório de Ben, não encontrou apenas ele, mas também os outros seis membros da Comissão de Parceria da empresa. Eles se sentaram

em

cadeiras

em

volta

da

mesa

de

Ben,

formando

um

semicírculo. Duas cadeiras vazias foram colocadas na frente dos parceiros, presumivelmente para ela e J.D.. — Venha Payton! — Ben chamou da sua mesa. Surpresa ao ver as duas cadeiras vazias, Payton olhou em volta e viu J.D. em pé em um dos lados da sala. Ele olhou para cima quando ela entrou e por um momento, Payton estava tentada a desviar o olhar. Então ela pensou O inferno com isso e olhou diretamente nos olhos dele. Com a cabeça erguida, ela se sentou em uma das cadeiras em frente à mesa de Ben. Ben olhou para cima. — J.D.? Payton manteve o olhar fixo sobre os parceiros quando J.D. tomou o assento ao lado dela. — Payton, J.D., obviamente, sabem a razão de estarem aqui. — Ben começou. Com o canto do olho, Payton podia ver J.D. olhar em sua direção.


— Nós sabemos como isso é importante para ambos. Sabemos da dedicação que cada um de vocês tem mostrado para a empresa. Todos nós da Comissão de Parceria lamentamos profundamente as circunstâncias que nos obrigaram a fazer esta escolha. Payton podia sentir os olhos de J.D. repousarem sobre ela. Ben continuou. — Vocês dois são advogados muito talentosos, o que tornou a nossa decisão extremamente difícil. No entanto, a decisão correta já foi feita. Payton podia ver J.D. se mexer novamente em sua cadeira, quando percebeu que ele mexia as pernas nervosamente. Finalmente, incapaz de resistir, ela olhou. Como se ele estivesse esperando apenas por isso, J.D. sustentou seu olhar. Seus olhos procuraram os dela, tendo uma expressão no rosto, que Payton nunca tinha visto antes. Um olhar de incerteza. Então algo aconteceu. Payton viu um clarão em seus olhos, e ele apertou o maxilar. — Tudo bem, Payton. — ele disse. — Foda-se. Ele se virou para Ben. — Eu me demito. A boca de Payton caiu. — O que? Essa foi a resposta coletiva de praticamente todos na sala. J.D. se levantou de sua cadeira. — Eu me demito. Com efeito imediato. — Oh não, você não vai fazer isso. — Payton disse para J.D.. J.D. olhou para ela. — Sim, eu vou. Nesse momento Payton se levantou também. — Não, realmente, você não vai. — ela se virou para Ben. — Ignore-o, ele não sabe o que está


dizendo. Qualquer um que conheça J.D. sabe que ele está disposto a fazer qualquer coisa para conseguir isso. J.D. mudou-se para o seu lado falando em voz baixa. — Posso falar com você por um segundo Payton? — Não. — Obrigado. — sem mais delongas, ele pegou-a pelo cotovelo e levou-a para o canto da sala. Quando chegaram lá, Payton cruzou os braços sobre o peito e abaixou a voz para que só ele pudesse ouvir. — Como você ousa sequer pensar em tentar isso. — ela sussurrou. — Eu te disse antes, eu não vou ganhar por piedade. — Estou renunciando, Payton. — J.D. disse com firmeza. — Mesmo que me escolhessem, eu não poderia aceitar. Não depois do que eu disse a Ben. — Tudo bem, eu entendo. Minha culpa. Não me importo - estou pronta para aceitar a decisão da empresa, seja ela qual for. Pelo menos a partir de hoje, eu nunca mais vou ter que vê-lo novamente. Então, podemos continuar com isso? — ela se virou para voltar até sua cadeira, mas J.D. agarrou seu cotovelo novamente. — Não. Eu quero falar com você. — Desculpe você teve sua chance de falar ontem. Agora eu estou focada em coisas mais importantes. — O que aconteceu entre nós não é importante para você? — Você está brincando comigo falando uma merda dessa aqui né? — Payton fez um gesto para a linha de parceiros que estavam olhando para eles em total confusão. — Sério J.D.? Você quer falar sobre isso agora? — Sim. Agora. — ele disse.


— Bom, nesse caso... desculpe, mas ainda mantenho meu não. — Payton disse. — E a propósito, eu me esqueci de dizer isso ontem à noite: Você é um idiota. De sua mesa, Ben olhava enquanto se sentava na cadeira. — Com licença Payton e J.D.... — ele olhou entre eles, confuso. — Quando o inferno que vocês dois vão sentar para que possamos começar? Mil respostas sarcásticas vieram à mente de Payton. Ela foi rapidamente percorrendo a lista, debatendo se ela poderia dar qualquer uma delas, mas nesse momento ela sentiu a mão de J.D. em seu braço. — Eu quero falar com você, Payton. — ele repetiu. — Podemos fazer isso aqui ou em algum lugar mais privado. Você decide. Pelo olhar determinado em seu rosto, Payton poderia dizer que ele estava falando sério. Ela se virou e viu os pares de olhos do Comitê de Parceria atordoados e extremamente curiosos sobre eles. Ela sorriu educadamente. — Poderiam dar-nos licença? Nós só vamos precisar de alguns minutos.

***

Payton e J.D. saíram do escritório de Ben. Virando para o corredor principal, ambos pararam surpresos com o que viram. A multidão tinha pelo menos metade do escritório. Eles estavam reunidos em grandes grupos fofocando. Os advogados, secretárias, assistentes jurídicos, todo pessoal. Todos ficaram num silêncio absoluto assim que Payton e J.D. apareceram.


J.D. notou um grupo reunido em torno de Irma e de Kathy. Nele incluía um muito envergonhado Tyler, que foi pego por seu melhor amigo. E o que parecia mais suspeito ainda, era como o topo da cabeça de Laney aparecia atrás da planta, perto da mesa de Irma. Todos ficaram em silêncio olhando para eles. J.D. se sentiu compelido a dizer alguma coisa. — Estamos em um intervalo. Ele ouviu os sussurros confusos. Pensando que era melhor se manter em movimento, J.D. seguiu Payton para um escritório vazio. Uma vez lá dentro, ele fechou a porta e trancou-a. Payton se afastou dele em direção à mesa vaga. — Obrigada. Você acha que poderia chamar mais a atenção para a gente? — Acho que provavelmente poderia, claro. Ela virou-se. — Você perdeu o direito de ser sarcástico comigo. Ou talvez você ache que tenho que ficar aqui enquanto você... J.D. colocou a mão sobre sua boca. — Normalmente Payton, eu adoraria fazer isso com você. Mas preciso dizer várias coisas e você não está tornando isso mais fácil. Assim, por agora, eu preciso que você se sente e cale a boca. — com as mãos em seus ombros, ele a empurrou para a cadeira. Payton olhou para ele. Curiosamente, J.D. notou que ela não disse nada. Embora ela realmente não precisasse, o olhar em seus olhos dizia mais do que toda a escolha de palavras profanadas lá fora. Particularmente não era nada encorajador. Ele começou a andar pela sala. Sentia o olhar de Payton sobre ele enquanto se movia de um lado para outro.


— Tudo bem, deixe-me começar com a coisa que eu disse a Ben. Eu sei que foi imperdoável. Arrependi no momento que eu disse. Eu entrei em pânico. — J.D. olhou para Payton. — Aparentemente, eu tenho essa maneira reveladora de olhar para você. Ele parou diante dela. — Talvez você pudesse apenas acenar com a cabeça dizendo sim ou não, para eu saber que você está entendendo o que estou dizendo. Payton balançou a cabeça negativamente. Ainda encarando. J.D. voltou ao seu ritmo. — Você me deixa louco, você sabe. A maneira como você vira em seus calcanhares nos saltos, seus terninhos, sua saia, seu atrevimento, ironia, respostas... e o jeito que você sempre, sempre me desafia em tudo o que diz e faz. Por oito anos eu tentei chegar à sua frente. Eu tentei fugir de você Payton, e eu não consegui. Ele parou diante dela esperando. — Agora você vê onde estou indo com isso? Mais uma vez, Payton balançou a cabeça negativamente. Mas o deixou falar. J.D. assentiu. Porcaria. Ele tomou uma respiração profunda. — Eu estou apaixonado por você, Payton. Sua boca se abriu. Em seguida, fechou e abriu novamente. J.D. percebeu que não havia como voltar atrás. — Eu estive apaixonado por você desde o início. Você perguntou por que não há mais ninguém na minha vida, e a razão... é você. — ele limpou a garganta. — Eu sei que tenho agido de outra forma. Eu sei que tenho sido terrível para você. Isso foi um mecanismo de defesa. Idiota, mas foi. Porque a verdade é que todos os dias durante os últimos oito anos, eu queria que você olhasse para mim do jeito que você fez quando nos conhecemos.


Ele esperou que ela dissesse alguma coisa. — Se isso faz significa algo para você, sinta-se livre para falar. Payton assentiu. Ela parecia em estado de choque, e para J.D. o silêncio era angustiante. Então o impensável aconteceu. Uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Ela riu encabulada e limpou-a. — Desculpe. Eu só fico pensando... — ela olhou para suas mãos livres — Como perdemos tempo... — ela olhou para ele. — Por que você nunca disse nada? A lágrima caiu totalmente. J.D. ficou de joelhos diante dela. — Eu sei cupcake. Eu gostaria de poder voltar, eu gostaria de poder ter tudo de volta. — ele limpou a lágrima de seu rosto. — Mas estou dizendo agora. E não me diga que é tarde demais. De repente, houve uma batida e a voz de Ben chamou através da porta. — Payton? J.D.? Está tudo bem aí? Isso é extremamente incomum. J.D. observou a maçaneta da porta girando. Ele ouviu Ben falar com alguém no corredor. — Chame a manutenção. Descubra se eles têm uma chave reserva para esta porta. Percebendo que estava correndo contra o tempo, J.D. se virou para Payton. — Você estava certa quando disse que esta decisão de parceria nos dividiria. Mesmo deixando a empresa escolher, nunca vai funcionar. Somos orgulhosos demais. Isso foi para o nosso próprio bem. É por isso que eu estou renunciando. Payton balançou a cabeça. — Muito orgulhoso ou não, eu não quero fazer parceria dessa forma. — Eu sei. Então... em vez disso... eu estava esperando que você viesse comigo. Os olhos de Payton se arregalaram com a sugestão. Ela mordeu o lábio ansiosamente. — Eu realmente não sei se eu poderia fazer isso, J.D..


Houve outra batida na porta, mais firme desta vez. — Tudo bem, vocês dois, eu gostaria que vocês abrissem esta porta. Seja o que for, está ficando ridículo. J.D. sustentou seu olhar. — Nós podemos fazer isso, Payton. Não temos que aceitar que eles nos separem - essa foi a decisão deles, não a nossa. A melhor parte deste trabalho é que eu posso passar todos os dias com você. Ter você ao meu lado, a um olhar da minha porta. E eu não quero perder isso. — O que está dizendo? Que nós devemos mudar para outro escritório? Você realmente acha que nós poderíamos encontrar um lugar que nos aceitasse como parceiros? — Sim. O nosso lugar. Eu quero que nós comecemos nossa própria vida. Payton riu. — Isso é ridículo. J.D. balançou a cabeça negativamente. — Não, não é. Basta olhar para o caso Gibson. Nós trabalhamos muito bem juntos. E você sinceramente quer ir a algum lugar que vai ser novamente a mesma coisa? O mesmo estilo de vida? As mesmas horas de trabalho? Você não gostaria de trabalhar para si mesma e controlar sua própria programação? Talvez até mesmo ser capaz de tirar férias uma vez que seja? — Tudo isso soa muito bom, mas é um grande risco. — Payton disse. — Realmente? Você e eu somos bons advogados. Iniciando a nossa própria empresa agora, provavelmente é o mais inteligente que nós poderíamos fazer. Outra batida. Neste ponto, Ben soou extremamente chateado quando ele gritou através da porta. — Eu apenas pensei que deveria informar que um homem de manutenção está vindo abrir a porta. J.D. voltou. — Nós estamos sem tempo, Payton. Você mesma disse: a única maneira de fazermos isso, é juntos. Eu sei que podemos fazer isso. Mas eu preciso que você acredite. Você precisa acreditar... em nós.


Payton não disse nada por um longo momento e J.D. poderia literalmente ouvir seu coração batendo. Então ela finalmente respondeu. — Teria que chamar Kendall e Jameson. Demorou alguns instantes até J.D. entender o que ela disse. Então ele sorriu. — De jeito nenhum. Jameson e Kendall. É a ordem alfabética. — Você disse ao nosso chefe que você me comeu em cima da sua mesa. — Kendall e Jameson, soa perfeito. Payton sorriu vitoriosa. — Então, nós realmente vamos fazer isso juntos? — J.D. perguntou. Ela estendeu a mão. — Devíamos apertar as mãos? Ele pegou a mão de Payton e levantou-se, puxando-a para ele. — Eu quero ouvir você dizer isso. Vamos mesmo fazer isso juntos Payton? Ela assentiu com a cabeça. — Sim. — Bom... então você deve saber que a partir de hoje, eu nunca, nunca mais na minha vida, quero passar um dia que seja sem você. A expressão de Payton mudou e o sorriso alegre transformou-se em algo mais profundo. Ela aproximou-se de J.D. tomando as mãos dele. — Feito. — ela disse suavemente. J.D. levou a sua mão ao rosto dela e a beijou. Mais suavemente do que nunca, mais persistente, porque pela primeira vez, ele sentiu que absolutamente nada pairava sobre suas cabeças, nada mais estava entre eles. Eles teriam todo o tempo do mundo.


Exceto pelo homem irritado batendo incessantemente na porta. E pela multidão de pelo menos uma centena de pessoas esperando impacientemente no corredor. Com todos os rumores que vinham do outro lado da porta, Payton se afastou. — Acho que deveríamos sair. J.D. sorriu maliciosamente. — Na verdade, há algo que eu gostaria de fazer primeiro. — É mesmo? — ela perguntou. — Oh, eu entendo... a mesa vazia está lhe dando algumas ideias? — Só para eu ter uma noção, quanto tempo, ainda, isso será usado contra mim? — Mais do que um dia. — ela disse com um sorriso doce. — Bem, sua mente pode estar na sarjeta, mas eu estava pensando em outra coisa. — J.D. puxou o celular do bolso do paletó e rolou até encontrar um número. Ele estendeu o telefone e mostrou para ela. — O que você acha? Payton olhou para o número na tela. — Se fizermos isso, não há como voltar atrás. — Eu sei. Ela sorriu. — Eu realmente gosto da maneira como você pensa J.D. Jameson. Vamos fazê-lo.


Capítulo Vinte e Oito

Q

uando a porta se

abriu e Payton e J.D. saíram, a multidão que se reunia em frente ao escritório se acalmou imediatamente. No centro, à frente, estava Ben, que foi até eles com um olhar que dizia que ele estava completamente irritado. — Terminamos com o teatro agora? Podemos finalmente terminar isso? Payton assentiu. — Na verdade Ben, isso está terminado. Porque eu renuncio, também. Ela podia jurar que ouviu várias pessoas ofegarem. Os olhos de Ben se estreitaram. Ele olhou entre ela e J.D.. — Que tipo de besteira é essa? Você dois renunciaram? — Sinto muito, Ben. Mas você forçou a mão. — disse J.D.. — Payton e eu decidimos ficar juntos. Payton ouviu um “ohhh” vindo da multidão atrás dela, com uma voz que soou suspeitosamente como Irma. Mas Ben não estava pronto para se dar por vencido ainda. Ele levantou um envelope lacrado. Seu trunfo. — Eu tenho uma carta oferecendo a parceria que eu acho que vai mudar uma das suas mentes. Nem Payton, nem J.D. se moveram. Ben olhou entre eles, atordoado. — Vocês pelo menos não querem saber quem nós escolhemos?


Inferno, sim. Payton não iria negar que parte dela estava tentada a pegar o envelope da mão de Ben rasgá-lo e abrir ali mesmo. Mas. Ela olhou para J.D., que olhou para ela, e ela sabia que ele estava pensando a mesma coisa. Algumas questões eram melhor ficar sem resposta. Percebendo que nenhum deles ia morder, Ben empurrou o envelope no bolso interno do paletó. — Vocês dois são loucos. — ele retrucou. — Sim. Mas só por não termos feito isso antes. — disse J.D.. — Você não deveria ter deixado chegar a isso, Ben. J.D. e eu merecemos isso. — disse Payton. — E se essa empresa valoriza a alavancagem estratégica sobre o compromisso que temos demonstrado ao longo dos últimos oito anos, então, francamente, vocês não nos merece. J.D. olhou para ela com aquele olhar “divertido”. — Discurso legal. — Obrigada. Trabalhei nele enquanto você estava no telefone. J.D. inclinou a cabeça na direção do corredor atrás deles. — Nós devemos? — Sim. — incapaz de evitar, os olhos de Payton foram para o bolso da jaqueta de Ben onde ele tinha escondido o envelope. J.D. riu e estendeu a mão. — Vamos lá, cupcake, vamos embora. Payton lançou um olhar. — Eu não posso acreditar que você acabou de me chamar disso na frente de todo o escritório. Ela pegou a mão dele, e lado a lado, eles caminharam pelo corredor do escritório, além dos seus escritórios, para os elevadores e à saída. J.D. sorriu. — Eu disse a você, é cativante.


— Não, é paternalista e quase-sexista. Eu não consigo pensar em um nome comparável que uma mulher pode chamar um homem. — Eu sei. Isso é o que torna tão legal. Etc.

***

Tão logo as portas fecharam, o escritório virou um pandemônio completo. A principal preocupação, é claro, foram as apostas, e como lidar com a questão da dupla perda. O Time Kendall, liderado por Laney, devidamente constatou que a declaração de Payton para Ben tinha sido - eu renunciei, também. evidenciando que J.D. tinha, de fato, renunciado em primeiro lugar, tornando assim Payton a vencedora, mesmo que apenas por alguns breves momentos. O Time Jameson, no entanto - encabeçado por Tyler, contando com os boatos e testemunhos secretamente adquiridos a partir de um dos membros da Comissão de Parceria que estavam dentro do escritório de Ben - argumentou que, embora J.D. tinha tentado renunciar primeiro, a renúncia ao emprego não fora aceita, já Payton tinha exigido sua renúncia, assim, a sua declaração a Ben de “eu renuncio, também” foi, de fato, a primeira e única demissão oficial, tornando J.D. o vencedor. No meio do caos, Marie, a secretária de Ben, caminhou até ele e sussurrou que ele tinha um telefonema. — Anote o recado. — Ben falou. Quem quer que fosse, poderia esperar. Marie pareceu incerta. — Ele insistiu em falar com você imediatamente. Ben não estava de bom humor. — Lide com ele, quem quer que seja. — disse ele, passando por ela.


— É Jasper Conroy. Ben parou em seu caminho. Eles não fariam. Ele acenou para Marie. — Vou atender. — não querendo perder mais um minuto, ele se dirigiu para seu escritório. Ele viu a luz piscando em seu telefone e imediatamente atendeu. — Jasper! É bom ouvir você. Como estão as coisas em Palm Beach? O sotaque de Jasper veio do outro lado da linha. — Bem, fico feliz que eu peguei você. Escute, eu tenho pensado ultimamente sobre fazer um pouco de reestruturação na equipe de julgamento da Gibson... eu estou preocupado que nós estamos aprofundando um pouco demais no lado advogado. Então eu decidi colocar o meu negócio em outro lugar, em uma empresa menor. Ben olhou para o teto. — E quem poderia ser? — Uma equipe nova, na verdade. Acabei de receber o telefonema hoje, dizendo que eles estão abertos para negociar. — Jasper, você não pode estar falando sério sob... — Lealdade, Ben. Eu não teria chegado onde estou hoje sem isso. Que é algo que você deveria considerar. — Não seja um idiota só para provar um ponto, Jasper. Você não pode entregá-los um caso de duzentos milhões de dólares. — Oh, eu acho que posso. — disse Jasper. — Eu te disse, eu tenho um pressentimento sobre esses dois. Eu acho que você vai ver grandes, grandes coisas vindas deles. — ele riu. — Te vejo por aí, Ben. Ah, sim, e obrigada pela introdução. Ben ouviu o clique quando Jasper desligou. Ele colocou o telefone no gancho e olhou para ele.


Eles realmente fizeram isso. Filhos da puta.

***

Tão logo a porta do elevador se fechou atrás deles, Payton enfrentou J.D., esfregando as mãos ansiosamente. — Então. Nós vamos ter que contratar colaboradores

de

imediato. Quantos

você

acha

que

precisamos

para

começar? Cinco? — Dez. — Hmm... provavelmente você está certo. — refletiu. — Eu certamente não planejo que Jasper seja nosso único cliente por muito tempo. Assim que ele apresentar uma moção para substituir o advogado da Gibson, as pessoas vão querer saber quem somos. J.D. encostou-se na grade de elevador. — Podemos lançar uma curta declaração à imprensa com nossas informações de contato. — O que significa que nós também precisamos ter um grande escritório e uma equipe administrativa. — Payton notou. — Tenho certeza de que podemos conseguir Irma e Kathy para vir junto elas devem ser suficientes para cobrir-nos por um curto prazo. Payton assentiu. — Sim. Bom. Certo. — ela respirou fundo e sorriu. — Eu não posso acreditar que estamos fazendo isso. J.D. levantou uma sobrancelha. — Pensando melhor? Payton balançou a cabeça definitivamente. — Não. — muita coisa aconteceu nos últimos minutos e ainda estava tentando processar tudo. Ela estendeu a mão e puxou as lapelas do terno de J.D.. — Você está tão calmo.


— E eu pretendo continuar assim, pelo menos pelas próximas semanas. Não que eu acho que vai ser particularmente difícil, considerando onde estamos indo. — Onde estamos indo? — Payton repetiu. — Ooh... para onde nós estamos indo? — Você se esqueceu? — perguntou J.D.. — Você fez parceria, embora numa empresa diferente, mas você disse que era o que você queria. Payton tinha que pensar. Em seguida, estalou. — Bora-Bora? J.D. sorriu. — E eu estou estabelecendo uma lei agora: não haverá, absolutamente nenhum celular, correio de voz, e-mail, ou laptops. — Uau. O que vamos fazer com todo esse tempo livre? J.D. agarrou o casaco de Payton e puxou-a para mais perto. — Eu tenho certeza que vamos chegar a algo. Payton passou os braços em volta do pescoço dele. — Contanto que nós realmente façamos na água dessa vez. — Estou certo de que podemos lidar com isso. — disse J.D. com um sorriso. — Eu ouvi que esses bangalôs sobre a água são muito particulares. — Um bangalô sobre a água? — perguntou Payton. Caramba, ela tinha esquecido sobre o estilo Jameson de fazer as coisas. — Eu não acho que eu quero saber o quanto algo como isso custa por noite. J.D. se afastou e a olhou nos olhos. — Tudo bem, Payton, vamos lidar com isso agora, tire do caminho. Você conhece as estimativas, assim como eu, os honorários advocatícios da Gibson para o primeiro ano devem ser algo em torno de vinte milhões de dólares. E agora, graças a nossa brilhante manobra, que, para registro, foi iniciada por mim, só existem dois parceiros que irão dividir essas taxas. Você e eu. — ele a pegou pelos ombros. — O que significa que você vai ser uma mulher muito, muito rica, Payton Kendall.


Payton olhou para J.D. enquanto absorvia isso. É claro que ela sabia que desembarcar com a Gibson como um cliente seria um golpe para os dois. Mas ela estava tão presa com o que estava acontecendo entre ela e J.D., que não tinha parado e feito as contas sobre exatamente quão grande tinha sido o golpe de Estado. Ela e J.D. estariam dividindo cerca de US $ 20 milhões em honorários advocatícios no primeiro ano. Claro, haveria despesas comerciais, associados e salários do pessoal administrativo, despesas gerais de escritório, etc. Mas ainda assim. Vinte milhões em honorários advocatícios. Vinte milhões. J.D. sorriu. — Diga alguma coisa, Payton. Ela fechou os olhos e gemeu. — Minha mãe vai me matar. J.D. riu. — Compre para ela mil créditos de carbono. Ela vai superar isso. O elevador parou, e quando as portas se abriram, ele pegou a mão de Payton e saiu. Eles atravessaram o estacionamento em direção ao carro de J.D.. — E se isso não funcionar, então eu vou falar com a sua mãe e as coisas ficarão mais suaves. — ele disse com segurança. Eles pararam no Bentley. J.D. abriu a porta do passageiro. Payton sorriu quando ela começou a subir. — Eu te amo por sua confiança, J.D.. Quão equivocada ela pode estar nessa situação particular. J.D. de repente a bloqueou com seu braço. Payton olhou para trás, surpresa. Ele inclinou a cabeça. — O que você acabou de dizer? Payton tentou pensar. — O que? O que acabei de — ohhh... — ela cobriu a boca. — Eu disse isso, não disse?


— Eu não tenho certeza. — disse J.D.. — Havia um monte de incoerência acontecendo aqui. Você poderia repetir isso? Payton fingiu indiferença. — Isso é necessário? Quer dizer, não é o que eles dizem, que as ações falam mais que palavras? Com um olhar - provavelmente aquele que estava constantemente recebendo quando estava em apuros - J.D. deu um passo mais perto dela. — E quais ações poderiam ser? Payton de repente, estava consciente de que estava presa entre J.D. e o Bentley. Essa era tipicamente a parte onde os dois começavam a ter problemas. — Bem, para começar, eu não teria saído da empresa, se eu não tivesse, pelo menos, alguns sentimentos por você. — ressaltou. — Você poderia ter feito isso, porque era uma jogada inteligente para sua carreira. — disse J.D.. — Verdade, verdade. — Payton admitiu. — Mas eu estou indo para BoraBora com você, o que diz alguma coisa, não é? — Talvez você esteja me usando para o sexo. — Essa é uma possibilidade... — Payton ponderou. Ela estendeu as mãos. — Tem que haver algo que eu possa apontar. Espere, eu sei. Ela tocou o rosto de J.D.. — E sobre o fato de que, através do bom e do mau, você é praticamente o único homem que eu tenho pensado nos últimos oito anos? Será que isso quer dizer alguma coisa? J.D. colocou delicadamente uma mecha de cabelo atrás da orelha dela. — Eu acho que sim. — Bom. Ou em vez disso, o que você diria se eu dissesse que eu te amo? — Payton olhou em seus olhos. — O que você diria, J.D. Jameson, se eu te dissesse isso? — J.D. sorriu. Ele tocou a testa de Payton, fechou os olhos e lhe respondeu com uma palavra.


— Finalmente.

Fim

Practice Makes Perfect - Julie James  
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