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Revista

Ano 4 | N° 15 | Outubro 2010

Neste mês, a comunidade Internacional OpenOffice.org comemora 10 anos de vida. Está mais madura, consolidada e ciente da responsabilidade com os milhares de usuários e empresas em todo o mundo, em uma via de mão dupla. O presente da comunidade foi a chegada da The Document Foundation

LibreOffice:

Novidade:

Entrevista:

Dica de instalação da

The Document Foundation

Olivier Hallot conta tudo sobre

Versão beta e avaliação

A liberdade que faltava para

os bastidores do lançamento

Inicial do produto

a comunidade OpenOffice.org

da The Document Foundation

Artigo | Dica | e muito mais... | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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Edição Especial | Outubro | 2010 Diagramado no BrOffice.org Draw


índice | | opinião Opiniões sobre: The Document Foundation

04

| reportagem LibreOffice - The Document Foundation

09

| entrevista Olivier Hallot: A comunidade em perspectiva 13 | artigo CoGrOO

17

Vero

20

OOoCon 2010 - uma abordagem técnica

23

| dica LibreOffice - Instalação e primeiras impressões

| Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

26

2

Edição Especial | Outubro | 2010


| editorial

N

esse mês a comunidade internacional do OpenOffice.org comemora 10 anos. Uma trajetória de sucesso, sem dúvida nenhuma. É a segunda suíte de escritórios mais usada no mundo e a primeira dentro do universo do Software Livre. Essa edição especial foi idealizada com o objetivo de contar um pouco dessa história de sucesso. Entretanto, entre o planejamento e a concretização da revista uma novidade abalou toda a comunidade open source com o anúncio da The Document Foundation e o produto LibreOffice, iniciativa apoiada pela comunidade BrOffice.org. Seria uma crise sem precedentes entre as pessoas que fazem o OpenOffice.org e seu principal patrocinador e detentor da marca, a Oracle? Seria uma deterioração do relacionamento a partir da compra da Sun Microsystem que, na opinião de alguns analistas, era mais flexível? Nas próximas páginas muitos textos de gente que entende do assunto analisando o cenário atual com o intuito de minimizar a corrente de especulações acerca do tema e, de certa forma, mostrar para o mercado e para todos os usuários que o resultado da mudança pode ser lucrativo se levarmos em conta os números iniciais de adesão ao TDF e ao LibreOffice. Vamos mesclar a comemoração do aniversário com o lançamento da TDF, jogando luz nos pontos mais obscuros desses dois acontecimentos para vislumbrar os elos que os une e as fissuras que podem levar a uma bifurcação com o resgate, pela TDF, dos princípios que nortearam o nascimento do OpenOffice.org. Esses argumentos e análises poderão ser lidos na entrevista exclusiva com o diretor da BrOffice.org e um dos fundadores da TDF, Olivier Hallot, que analisa o novo cenário e explica quais os objetivos e as metas da Fundação. Em outro artigo, Gustavo Pacheco relata quais foram as inovações apresentadas na Conferência Internacional realizada em Budapeste. Um percurso histórico do Vero e Cogroo, produtos da comunidade brasileira, são mostrados pelos respectivos representantes dos projetos. E também não poderia faltar uma dica interessante de instalação e primeiras impressões da versão beta do LibreOffice que em breve estará disponível em sua versão estável para todos nós.

Colaboradores desta edição Redação: Gustavo Pacheco Luiz Oliveira William Colen Raiumundo Santos Moura Rui Ogawa Tradução: Clóvis Tristão Olivier Hallot Paulo Souza Lima Rogerio Luz Rui Ogawa Diagramação: Duilio Neto Eliane Domingos Revisão: Fatima Conti Capa: Duilio Neto Eliane Domingos Edição: Luiz Oliveira luizoliveira@revistabroffice.org Jornalista responsável: Luiz Oliveira – Mtb.31064 Coordenador Geral BrOffice.org: Claudio Ferreira Filho filhocf@openoffice.org Coordenadora Revista BrOffice.org: Eliane Domingos de Sousa elianedomingos@revistabroffice.org Escreva para a Revista BrOffice.org: contato@revistabroffice.org Edições anteriores: www.broffice.org/revista O conteúdo assinado e as imagens que o integram são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, não representando necessariamente a opinião da revista BrOffice.org e de seus responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados a seus respectivos proprietários O que é o BrOffice.org É o produto, ferramenta de escritório multiplataforma, livre, em bom português, desenvolvido sob os termos da licença LGPL, composto por editor de texto, planilha de cálculo, apresentação, matemático e banco de dados, mantido pela comunidade e OSCIP, que trabalha para a difusão do SL/CA no País. Desenvolvimento Esta revista foi elaborada no BrOffice.org, editor de texto, planilha eletrônica, apresentação e, diagramação. A reprodução do material contido nesta revista é permitida desde que se incluam os créditos aos autores e a frase: “Reproduzido da Revista BrOffice.org – www.broffice.org/revista em local visível. O BrOffice.org declara não ter interesse de propriedade nas imagens. Os direitos sobre as mesmas pertencem a seus respectivos autores/proprietários. O conteúdo da Revista Broffice.org está protegido sob a licença Creative Commons BY-NC-SA, disponível no www.creativecommons.org.br. Esta licença não se aplica a nenhuma imagem exibida na revista, e para utilização delas obtenha autorização junto ao respectivo autor.

Excepcionalmente, nessa edição não teremos o episódio do RedBlade, mas a saga continua na próxima revista. Boa leitura!! Luiz Oliveira

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Edição Especial | Outubro | 2010


opinião |

A BrOffice.org – Projeto Brasil em nome da comunidade BrOffice.org sente-se orgulhosa de ser parte integrante da The Document Foundation. Nosso país já possui importantes investimentos no Open Document Format e nas ferramentas de software que o suportam. Apoiamos a The Document Foundation em sua Claudio Filho:

missão e visão e estamos prontos para juntar

Presidente da ONG BrOffice.org

forças ao processo de desenvolvimento do LibreOffice e BrOffice.org.

O objetivo maior da BrOffice.org é preservar a qualidade compromisso

do

produto,

firmado

com

honrando

o

instituições

e

usuários que utilizam a suíte. A criação da TDF e a associação da BrOffice.org a ela é também uma garantia de continuidade e inovação para gestores que planejam adotar o aplicativo e o Olivier Hallot:

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formato ODF para documentos. Arquivo pessoal

Integrante do Conselho Diretor da TDF e Diretor da BrOffice.org Projeto Brasil

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Edição Especial | Outubro | 2010


opinião | Arquivo pessoal

Sobre: The Document Foundation

A criação da The Document Foundation representa a maturidade da experiência colaborativa desenvolvida pela comunidade OpenOffice.org e, mais do que uma simples mudança, garante a possibilidade de avançarmos ainda mais no Arquivo pessoal

desenvolvimento das aplicações. O projeto BrOffice.org, como protagonista dessa iniciatiGustavo Pacheco Coordenador de documentação do projeto BrOffice.org e sóciofundador da Associação BrOffice.org Projeto Brasil.

va, trabalhará incansavelmente pelo sucesso da TDF.

Há muito tempo sabemos que existem diversas implementações

prontas

que

não

foram

aplicadas no OpenOffice.org porque seus autores discordavam da política da Sun sobre a propriedade do que eles desenvolveram. Com a opção pela licença GPL feita pelo LibreOffice, creio que isso satisfaça esses Julio Neves: Analista de Sistemas, Pós-Graduado em informática pelo IBAM, Engenheiro de Produção da UFRJ e Professor Universitário. Trabalha com Unix desde 1980, quando fez parte da equipe de desenvolveu o SOX, sistema operacional Unix-Like da Cobra Computadores.

colaboradores que desta forma não mais oferecerão resistência à incorporação de seus aplicativos. Somando-se isso ao grande apelo que está sendo

feito

às

comunidades

de

desenvolvedores, tradutores, testadores, creio que muito em breve, tenhamos um LibreOffice bem à frente do OpenOffice "proprietarizado" pela nefasta Oracle.

Esse

texto

está

LibreOffice.

Eu

LibreOffice

e

sendo

acredito apoio

a

escrito no

com

potencial

iniciativa

da

o do

The

o desenvolvimento do software poderá evoluir mais rapidamente e não ficará dependente de uma grande corporação, como era antes feito Ricardo Pontes Analista de Sistemas, trabalha com desenvolvimento web. Colaborador da comunidade BrOffice.org

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Arquivo pessoal

Document Foundation. Com essa organização

com o OpenOffice.

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opinião | Sobre: The Document Foundation Acreditamos que a Fundação é um passo importante para a evolução da suíte, porque libera o desenvolvimento do código e a evolução do projeto das restrições representadas pelos interesses comerciais de uma única empresa. Defensores do software livre ao redor do mundo têm a oportunidade extraordinária de juntarSophie Gautier: Colaboradora da comunidade OpenOffice.org e antiga mantenedora do projeto de localização da língua Francesa

se ao grupo, como membros fundadores, para escrever um novo capítulo na história do software livre.

Estamos ansiosos para trabalhar com a TDF para ajudar a desenvolver uma sólida oferta de software de documentos de código fonte aberto. Finalmente, nós esperamos que o LibreOffice

faça,

para

o

mercado

de

produtividade para escritórios, o que o Mozilla Markus Rex:

Firefox tem feito para os navegadores.

Vice-Presidente Sênior e Gerente Geral de Soluções de Plataforma Aberta da Novell

Em todo o mundo, os usuários, empresas e governos estão migrando para soluções verdadeiramente livres baseadas em padrões abertos. O LibreOffice fornece o elo que faltava, e quanto a Red Hat, estamos orgulhosos em aderir a este esforço. Jan Wildeboer: Evangelizador de Software Livre da Red Hat.

A criação da Fundação é um importante passo para incentivar um maior desenvolvimento das suítes de escritórios de código aberto. O Google se orgulha de ser um apoiador da Fundação e de participar deste projeto.

Chris DiBona: Gerente de programas de código aberto do Google Inc.

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opinião | Sobre: The Document Foundation

Software de produtividade para escritórios é um

componente

fundamental.

O

Projeto

Ubuntu terá o prazer de incluir o LibreOffice em versões futuras do Ubuntu. O gerenciamento do LibreOffice pela Fundação fornece aos desenvolvedores do Ubuntu um fórum eficaz para a colaboração em torno do código que faz Mark Shuttleworth: Fundador e acionista majoritário da Canonical, fabricante do Ubuntu.

do

Ubuntu

uma

solução

efetiva

para

computador em ambientes de escritório.

Eu acho que vai melhorar porque os destinos do

OpenOffice.org/LibreOffice

não

estarão

mais nas mãos de uma única empresa. Mesmo que a empresa seja bem intencionada a gente nunca sabe o que pode acontecer, como foi o caso da compra da Sun pela Oracle. Mas eu acho que a comunidade OpenOffice.org está Rubens Queiroz: Engenheiro eletricista, analista de sistemas, especialista em Linux, Unix e derivados, professor de inglês certificado pela Cambridge University, escritor, palestrante e conferencista, gerente do Centro de Computação da UNICAMP.

muito grande, bastante consolidada e já tem condições de achar um caminho mais independente, mais autônomo daqui para frente. É o meu desejo, minha esperança.

Tenho a convicção de que a Document Foundation irá, cada vez mais, traduzir em gestos concretos um dos nossos maiores anseios: a liberdade! Marcelo Massao: Coordenador Inclusão Digital Prefeitura Municipal de Silva Jardim – Rio de Janeiro - Brasil

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Kliefi

reportagem |

A  liberdade  que  faltava  para  a  comunidade OpenOffice.org Por Luiz Oliveira O recente anúncio do lançamento oficial da The Document Foundation, feito mundialmente na manhã de 28 de Setembro, foi uma das notícias mais comentadas do ano nas redações de Tecnologia da Informação, em todos os cantos da rede mundial de computadores, em eventos e palestras de TI. O Jornal Valor Econômico, um importante veículo de economia do Brasil que aborda temas ligados às finanças, empresas e também investimentos pessoais deu destaque à notícia em sua versão impressa. Outro importante meio de comunicação no Brasil que deu destaque à notícia foi a Rádio CBN, na coluna Dois na Web de Cristina de Lucca, uma jornalista especializada em cultura digital. Os dois veículos têm abrangência nacional. Na internet a informação se espalhou muito rápido por blogs, sites de notícias e redes sociais. Nesse primeiro momento, a Fundação ainda tinha a expectativa de que a Oracle apoiasse a iniciativa e fizesse parte do projeto uma vez que a TDF fez um convite formal e solicitou a doação da marca OpenOffice.org para a comunidade. A única resposta oficial da Oracle, entretanto, através de e-mail, foi a seguinte: “A Oracle está investindo recursos consideráveis no OpenOffice.org (OOo). Com mais de cem milhões de usuários, acreditamos que o OOo seja a mais rica e avançada solução de código aberto para escritórios do mundo e incentivamos, fortemente, a comunidade para que continue a contribuir através do portal www.openoffice.org”. A curta resposta da Oracle foi um sinal de que a empresa não tinha planos imediatos de apoiar a Fundação, muito menos de transferir os ativos da comunidade, como a marca OpenOffice.org. Por esse motivo a TDF declarou que iria continuar o desenvolvimento do software sob a marca LibreOffice. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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reportagem | LibreOffice, a liberdade que faltava para o OpenOffice.org | Por Luiz Oliveira

Números iniciais reveladores

Novos rumos, novas ideias

Uma semana após o anúncio do lançamento do TDF a versão beta do LibreOffice já contabilizava a marca de 80 mil downloads. A infraestrutura havia aumentado o número de espelhos (mirrors) de 25 para 45, em 25 países, em todos os continentes, incluindo Ilhas no Oceano Pacífico. Este número, apenas para se ter um parâmetro, é quase metade dos espelhos alcançados pela OpenOffice.org ao longo de dez anos de história do projeto. Na área de desenvolvimento de código, em apenas uma semana, o LibreOffice já havia recebido cerca de 80 contribuições. A movimentação em listas de discussões, fóruns, chats e redes sociais também foi intensa. Duas mil pessoas se inscreveram na lista de discussão @announce para se manter informados sobre as novidades do TDF. Nas redes sociais 600 pessoas passaram a seguir o TDF no twitter; mais de 150 no Identi.ca e mais de mil pessoas se tornaram fãs no Facebook. O tráfego no servidor principal foi de cerca de 500 gb.

Passado o êxtase inicial começaram a surgir perguntas; parte delas já respondidas no site da The Document Foundation onde está disponível, além de uma relação de perguntas frequentes, uma versão Beta do LibreOffice baseada no OpenOffice.org 3.3, com melhorias significativas. Na opinião de Gustavo Pacheco, algumas novidades são demandas antigas, como por exemplo, um milhão de linhas no Calc e cores das guias de planilha. Além disso, há uma nova barra de ferramentas de procura, opção de abrir o arquivo como somente leitura, um novo formato dos dicionários do usuário, alguns ajustes de layouts e termos da interface. E por falar em interface, o LibreOffice vem com implementações iniciais do projeto Renaissance. Também tem um novo diálogo de impressão com uma prévia das páginas em miniatura. “Particularmente, o que mais achei útil foi a possibilidade de incluir elementos da barra de desenhos dentro de um gráfico”, diz Pacheco. É natural que empresas e usuários fiquem apreensivos com uma mudança dessa magnitude, com a suíte líder do mercado entre as opções livres. Entretanto, há sinais claros apontando para uma aceitação e até uma certa euforia com a chegada do LibreOffice. A aposta da The Document Foundation se baseia no sucesso e no modelo de negócios do kernel do Linux, cujo código é, ao mesmo tempo, de todos e de ninguém. Nesse modelo as decisões são tomadas de forma colaborativa, e os termos de contribuição são bem definidas e claras. Quanto maior o número de desenvolvedores individuais e corporativos mais rápido o projeto cresce e atrai mais investidores.

O que é a The Document Foundation ? The Document Foundation é uma Fundação meritocrática, independente e autônoma criada por lideres da antiga Comunidade OpenOffice.org. Eles continuam a desenvolver na Fundação, os dez anos de trabalho dedicado pela comunidade OpenOffice.org. A TDF foi criada na convicção de que uma fundação independente, é o ajuste adequado aos valores de aberturas essenciais da Comunidade, transparência e valorização das pessoas pela sua contribuição. Está aberta a qualquer pessoa que concorde com os nossos valores fundamentais e contribua com as nossas atividades, e congratula-se com a participação das empresas, por exemplo, através do patrocínio de pessoas para trabalhar como iguais ao lado de outros colaboradores da comunidade.

Na opinião do Analista de Sistemas e Engenheiro Eletrônico, Rubens Queiroz, não há o que temer uma vez que a licença do OpenOffice.org é livre. “A esperança é que continue nesse caminho da liberdade, melhorando, aperfeiçoando cada vez mais. Nesse novo cenário acho importante que as empresas que usam o OpenOffice/BrOffice possam devolver para a comunidade parte dos recursos economizados com licenças e com o aumento da produtividade apoiando financeiramente os desenvolvedores através da The Document Foundation”, conclui Rubens.

Missão: Nossa missão é facilitar a evolução mundial da comunidade OpenOffice.org em uma nova estrutura organizacional, aberta, independente e meritocrática nos próximos meses. Uma fundação independente corresponde melhor aos valores de nossos colaboradores, usuários e apoiadores, e vai permitir que a comunidade seja mais eficaz, eficiente, transparente e inclusiva. Nós vamos proteger os investimentos do passado, com base nas sólidas conquistas de nossa primeira década, encorajar a ampla participação, e coordenar todas as atividades da Comunidade.

Informações adicionais estão disponíveis em: http://www.documentfoundation.org Biografias e fotos dos membros fundadores: http://www.documentfoundation.org/foundation/. Para quem deseja contribuir para o desenvolvimento do código: http://www.documentfoundation.org/developers/ Listas de discussão: announce+subscribe@documentfoundation.org. discuss+subscribe@documentfoundation.org.

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reportagem | LibreOffice, a liberdade que faltava para o OpenOffice.org | Por Luiz Oliveira

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reportagem | LibreOffice, a liberdade que faltava para o OpenOffice.org | Por Luiz Oliveira

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entrevista |

Olivier Hallot

nathancolquhoun nathancolquhoun

A comunidade em perspectiva Resultado de uma decisão difícil, mas muito bem amadurecida, a criação da Document Foundation inaugura uma nova fase para a comunidade da suíte de escritórios de código aberto mais usada no mundo. Em entrevista para a Revista BrOffice.org, Olivier Hallot, diretor da BrOffice.org – Projeto Brasil e integrante do comitê executivo da Document Foundation, explica em detalhes os motivos que levaram à criação do LibreOffice, iniciativa da qual foi um dos idealizadores. Ao esclarecer dúvidas sobre os rumos do projeto no Brasil e no mundo, Olivier destaca que a comunidade está mais independente para definir os seus próprios rumos e que o resultado beneficia os usuários, que terão à disposição um software mais próximo de seus anseios. Por Luiz Oliveira

O Governo Brasileiro e empresas que já utilizam o BrOffice.org se posicionaram em relação à mudança para The Document Foundation?

Aqui no Brasil, a marca BrOffice.org permanece? Sim. Por uma decisão dos associados da BrOffice.org, a marca permanece. Foi levado em conta a força da BrOffice.org na comunidade e no mercado em geral. Por isso a decisão para preservar a marca. Assim, “BrOffice” representará o LibreOffice no Brasil.

Fizemos muitos contatos com empresas e obtivemos sinais positivos - a mudança é bem vinda. Inclusive nos recomendaram cuidar bem da marca BrOffice.org, pois há muitos investimentos feitos pelas empresas e órgãos de governo na marca BrOffice.org.

Quem está usando o BrOffice.org versão estável 3.2.1, deve instalar o LibreOffice 3.3?

Se olharmos do ponto de vista do gestor de TI que já tem adotado o BrOffice.org, a chegada da Document Foundation agrega mais uma opção de escolha e diminui ainda mais os riscos mercadológicos associados a qualquer software.

Via de regra, não recomendamos instalar produtos em estágio beta nos ambientes de produção. Pode haver interferências entre os softwares e a instalação do usuário pode ficar instável. Para testar o LibreOffice 3.3, é melhor fazê-lo em outro computador ou em uma máquina virtual.

Um dos motivos para a mudança foi a liberdade para decidir os rumos da suíte. Com isso, o usuário final sai ganhando?

Qual a previsão para o lançamento do LibreOffice estável? Arquivo pessoal

Com certeza. Essa foi uma decisão difícil. Mas chegou a hora e não poderíamos deixar para depois. O usuário final sai ganhando porque terá uma suíte de escritório feita com significativas melhorias, que não eram implementadas pela equipe do OpenOffice.org.

Estamos prevendo para a segunda semana do mês de Novembro.

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entrevista | Arquivo pessoal

LibreOffice – a comunidade em perspectiva | Por Luiz Oliveira

Quais eram os entraves para os desenvolvedores do OpenOffice.org?

Porque alguns líderes rejeitam o rótulo de “fork” para o projeto LibreOffice?

Eram estruturais. A organização do projeto OpenOffice.org, desde sua fundação, há dez anos, privilegia, no seu estatuto, a participação majoritária da Sun Microsystem/Oracle no seu conselho e deixa os representantes da comunidade de usuários e desenvolvedores externos em rígida minoria. Não havia como ter qualquer garantia que determinada demanda fosse atendida e muitas coisas que não foram pedidas apareceram nas versões do produto. Além disso, o projeto OpenOffice.org exigia a cessão da autoria do código ofertado para a SUN Microsystem/Oracle, o que, em muitos casos, desagradava os desenvolvedores, muitos deles funcionários de outras empresas. Quando as grandes corporações demonstravam interesse em contribuir surgiam discussões sem fim entre os departamentos jurídicos delas e o projeto. Nada disso era produtivo.

Fork é uma palavra que indica uma situação extrema e, em geral, negativa em uma comunidade. Significa que os seus integrantes não chegaram a um consenso sobre o desenvolvimento do código e duas ou mais vertentes seguirão de forma independente. Isso prejudica muito o desenvolvimento (divisão de recursos) e o entendimento dos usuários que passam a produtos similares e diferenças não perceptíveis ou irrelevantes, a priori. Dito isso, não desejamos um fork com o OpenOffice.org e exatamente por isso, desde os primeiros passos na criação da The Document Foundation, estabelecemos claramente que convidaríamos a Oracle Corporation a ser parte da Fundação, como um membro igual a outro. Entretanto, os sinais emitidos pela Oracle indicam que eles querem continuar o OpenOffice.org do jeito deles e pode ser que tenhamos um fork de verdade. Mas sou otimista em crer que o mundo dá suas voltas e, em decisões de cunho político, sempre temos de considerar as mudanças de cenários e deixar as portas abertas.

Como fica a questão da estrutura e financiamento do projeto?

Arquivo pessoal

Se olharmos do ponto de vista do

Ainda estamos discutindo essa questão. Há uma forte tendência para que o projeto tenha um domicílio jurídico na Alemanha ou em algum país da Europa. Será uma fundação e estamos neste momento escolhendo o modelo jurídico do estatuto. Do ponto de vista jurídico, não creio que iremos inventar, e estamos analisando os estatutos da fundação Apache, Mozilla, Gnome etc. Um desses textos deve ser nosso arcabouço jurídico. Teremos depois de acomodá-lo na legislação do país que acolher a Fundação.

gestor de TI, que já tem adotado o

BrOffice.org, a chegada da Document

Foundation agrega mais uma opção de

escolha e diminui ainda mais os riscos mercadológicos associados a qualquer software.

Quanto ao financiamento, ele depende de nossa atuação junto aos principais interessados no software LibreOffice e seu mercado. Estamos em contato com empresas de informática e usuários empresariais para viabilizar uma estrutura mínima de funcionamento. Essa estrutura será extremamente enxuta, porque pretendemos que o LibreOffice seja desenvolvido por uma constelação de empresas e entidades que contribuam com mão de obra própria para desenvolvimento do software.

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Qual a previsão para termos o LibreOffice traduzido para o Brasil? Bem, essa parte me diz respeito afinal sou o principal tradutor para o OpenOffice.org e BrOffice.org no Brasil. De fato, vou agora trabalhar no LibreOffice e esse software tem algumas pequenas variações em relação ao BrOffice.org feito pela Oracle. Serão pequenos ajustes.

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entrevista | Arquivo pessoal

LibreOffice – a comunidade em perspectiva | Por Luiz Oliveira

Quais as principais melhorias que traz o LibreOffice em relação ao OpenOffice.org?

O usuário final sai ganhando porque

Arquivo pessoal

Foi uma decisão sem muita discussão. O projeto LibreOffice é uma composição do projeto Go-OO, patrocinado pela Novell, com o OpenOffice.org patrocinado pela Oracle. Nossa base de código é o OpenOffice.org 3.3, ao qual estamos agregando algumas, nem todas, variantes introduzidas pelo Go-OO. O Go-OO é conhecido mais pelo mundo GNU/Linux, pois faz parte das distribuições da família Debian, da família Mandriva e da família Suse, para citar somente algumas. Entretanto, ele não é parte da família Red Hat, que prefere trabalhar no OpenOffice.org. Assim, como temos desenvolvedores de todas essas empresas e comunidades, foi combinado uma acomodação das variantes, um denominador comum.

terá uma suíte de escritório feita com

significativas melhorias que não eram implementadas

pela

equipe

do

OpenOffice.org.

Como foi a criação da The Document Foundation?

Como membro do Community Council do projeto OpenOffice.org e com a força da comunidade brasileira do BrOffice.org, fizemos contato com alguns membros importantes da comunidade internacional que não eram ligados à Oracle e começamos a delinear as necessidades das comunidades do OpenOffice.org em todo o mundo. É verdade que já existia um histórico de atritos ocasionados pelos interesses empresariais da SUN versus os interesses das comunidades. Mas a nossa visão era que não havia mais como postergar a criação de uma entidade independente. Foram muitos telefonemas, e-mails, chats; criamos uma lista e um wiki de acesso restrito para, em equipe, criarmos as bases de nossa visão comunitária. Na Conferência Internacional da comunidade OpenOffice.org, em Budapeste, nos reunimos em separado e estabelecemos em um jantar as bases, o cronograma, e as ações para criar a TDF. Logo, nossa equipe dobrou de tamanho e, em 30 dias, criamos nome, marca, press release, wiki, site, infraestrutura. Foi um trabalho digno de um time de primeira linha, com recursos escassos, mas muita garra e energia.

Essencialmente, podemos antecipar que o LibreOffice 3.3 terá as características do OpenOffice.org 3.3. Em particular, melhorias no tratamento de planilhas gigantescas (até 1 milhão de linhas), novos recursos para gráficos e melhorias em geral em relação à versão 3.2.

O LibreOffice precisa do Java, inclusive uma extensão importante desenvolvida no Brasil, o CoGroo, depende muito do Sun-Java (JRE) para funcionar. Poderemos ter problemas no futuro ou o Java é uma tecnologia livre? A tecnologia Java tem grande valor para o mercado de TI e a linguagem se consolidou, já faz tempo. No BrOffice.org, o Java é utilizado em assistentes, banco de dados e também em algumas extensões como o CoGroo ou Oracle Report Builder. Até onde eu sei, muito da implementação do Java da antiga SUN já era de código fonte aberto. Mas se houver complicações em relação ao que a Oracle resolver fazer com o Java, podemos considerar o OpenJDK, que é uma implementação em software livre das especificações Java.

Olivier Hallot - Consultor em sistemas de informação, diretor financeiro voluntário e membro do conselho deliberativo da BrOffice.org – Projeto Brasil, e líder do time de tradução do software para o Português do Brasil. Em 2010, foi eleito Membro do Conselho Internacional OpenOffice.org. Além dessas atividades, participa do desenvolvimento do software em nível mundial. É membro do Comitê Executivo da The Document Foundation, tendo participado ativamente na sua criação.

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artigo |

Uma história em permanente construção É o décimo aniversário do projeto OpenOffice.org e a comunidade brasileira orgulhosamente participou de cada um desses anos de história. E como foi essa participação? Certamente, a colaborativa comunidade brasileira de usuários está entre os seus protagonistas. E os projetos locais, que dão suporte a todo o sucesso da suíte de escritório no Brasil, merecem capítulos especiais na história do OpenOffice.org. Seria um capítulo para o projeto de localização para o português brasileiro, outro para a Revista BrOffice.org, considerada por muitos uma referência para a comunidade internacional, um capítulo para o corretor ortográfico Vero, outro para o gramatical CoGrOO e assim por diante. Aqui, o leitor vai conhecer o capítulo sobre o corretor gramatical CoGrOO, uma história rica e que ainda está sendo escrita.

Por William Colen

Com isso em mente, Menezes voltou para casa e amadureceu a ideia. Junto com outros amigos, pesquisadores e professores, submeteram uma proposta de projeto para o desenvolvimento de um corretor gramatical ao “Edital de Software Livre” da FINEP, uma empresa pública que financia projetos em várias áreas estratégicas para o País.

A pré-história do CoGrOO A ideia do projeto corretor gramatical surgiu em agosto de 2003, na Semana de Software Livre no Legislativo, no Congresso Nacional. Em uma das palestras, o gestor de Tecnologia da Informação Flávio José Fonseca de Souza, do Núcleo de Informática e Processamento de Dados do Tribunal de Contas do Distrito Federal, disse que um corretor gramatical associado ao OpenOffice.org era uma carência importante, sendo uma das principais causas de resistência à migração para software livre de seu parque computacional. Na plateia, estava o professor universitário Carlos Menezes.

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Os trabalhos tiveram início no começo de 2004, antes mesmo de o projeto ser aprovado. Quando a proposta foi aceita pela FINEP, a iniciativa seguiu com força total. Nesta época, trabalhavam no projeto o Prof. Jorge Kinoshita, coordenador; a Prof. Lais Salvador, gerente de documentação; e o Prof. Carlos Menezes, analista técnico e programador. Eles batizaram o projeto de CoGrOO, nome que remete às iniciais de Corretor Gramatical para o OpenOffice.org.

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artigo | Corretor gramatical OpenOffice.org: uma história em permanente construção | Por William Colen

foi grande, mas afetou o humor dos coordenadores, que tiveram que repor o patrimônio do próprio bolso. Logo em seguida, acabou o apoio financeiro e os bolsistas deixaram o projeto.

Desenvolvimento do CoGrOO 1.x Com a aprovação do financiamento do projeto, entraram novos colaboradores. Em maio de 2004, comecei a participar como desenvolvedor do núcleo de análise morfossintática. José Fontebasso Neto tornou-se responsável pela integração com o OpenOffice.org.

Desenvolvimento do CoGrOO 2.x

O desenvolvimento seguiu durante 2004 e 2005, sempre bastante desafiador, em um laboratório de pesquisa da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (EPUSP).

Em 2006, o projeto passava por sua primeira crise por falta de desenvolvedores. De um grande número de pessoas envolvidas, passou a apenas alguns que continuavam como voluntários.

Na segunda metade de 2004, Marcos Yoshio Okamura Oku entrou para o time, colaborando no desenvolvimento do núcleo do analisador sintático. Já em 2005, José Neto deixou o grupo, e em seu lugar entrou Edgard Lemos Jr., que continuou o desenvolvimento da integração com o OpenOffice.org. Ainda na primeira metade de 2005, juntaram-se Marcelo Suzumura, que atuou em diversas partes do projeto, principalmente no mecanismo de identificação de erros gramaticais, e a linguista Sueli Uliano, que desenvolveu os padrões de erros. Na segunda metade de 2005, novas alterações: saiu Edgard Lemos e em seu lugar ficou Fábio Blanco no desenvolvimento da integração com o OOo. Para o time do núcleo, entrou ainda Fábio Gusukuma.

Foi então que decidimos aproveitar o que aprendemos durante o desenvolvimento do CoGrOO 1.0 no trabalho de conclusão de curso. Além de mim, participavam do grupo Fábio Gusukuma, Marcelo Suzumura e o novo integrante, Diogo Pires. A coordenação era dos professores Jorge Kinoshita e Carlos Menezes. O CoGrOO foi reescrito do zero para tentar contornar os problemas da primeira versão. Entre as mudanças, foram usadas mais bibliotecas existentes e escolhemos a linguagem Java por ser multiplataforma e mais simples de integrar com o BrOffice.org. Foram feitas diversas otimizações para que o instalador tivesse apenas 6 megas. Essas mudanças foram um sucesso e renderam menção honrosa concedida pela comissão julgadora dos projetos de conclusão de curso da Engenharia da Computação da EPUSP. No início de 2007, os resultados foram disponibilizados: era o CoGrOO 2.0.

No início de 2006, tivemos a primeira versão do corretor gramatical, pouco antes de terminar o tempo estipulado pela FINEP. Esta primeira versão, apesar de bastante primitiva, foi muito bem aceita e, desde então, passou a ter muito apoio por parte dos usuários do OpenOffice.org, ou como era conhecido a partir de então no Brasil, BrOffice.org.

Google Summer of Code

Havia muitas deficiências técnicas que não poderiam ser tratadas no prazo em que o projeto foi financiado pela FINEP. Entre eles, o processo de instalação, que não era amigável. Além disso, a integração com o BrOffice.org era problemática e o arquivo de instalação tinha quase 30 megas.

Paralelamente, dois antigos membros do CoGrOO conseguiram bolsas do programa Google Summer of Code. Bruno Sant'Anna teve uma importante participação junto ao OpenOffice.org internacional. Ele desenvolveu a primeira versão da correção interativa no Writer, que evoluiu até o que hoje seria a cobrinha azul incorporada ao próprio Writer e usada por corretores gramaticais de diversos idiomas. Gabriel Bakiewicz, por sua vez, contribuiu com o Abiword, integrando o CoGrOO a esse popular editor de texto livre.

No entanto, foi um grande aprendizado. Meses antes não tínhamos nenhuma experiência, e então estávamos com o corretor gramatical funcionando no BrOffice.org. Foi um grande sucesso! Mas um capítulo dramático estava por vir: na mesma época do lançamento da versão 1.0, nosso laboratório foi invadido e um dos computadores de desenvolvimento foi roubado. O prejuízo material não

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artigo | Corretor gramatical OpenOffice.org: uma história em permanente construção | Por William Colen

CoGrOO 3.0

Graças ao apoio dos professores, o CoGrOO foi incorporado a algumas disciplinas do mestrado em Ciência da Computação do IME/USP. Na disciplina de Desenvolvimento de Software Livre, ministrada pelo prof. Fabio Kon, os alunos de mestrado Edwin Gomez, Rodrigo Zaccara e Victor Silva também se interessaram pelo projeto. Escrevemos módulos UIMA, baseados no CoGrOO, com o objetivo de facilitar o uso do mesmo em outras aplicações que necessitassem de processamento de linguagens naturais.

Entre 2007 e 2009, o desenvolvimento do projeto praticamente parou. Até meados de 2007, ainda contribuía voluntariamente, junto com Marcelo Suzumura. Chegamos a fazer grandes modificações na arquitetura, principalmente pensando na internacionalização do CoGrOO. Mas por diversos fatores, durante um tempo trabalhamos apenas no suporte e resolução de bugs importantes. Quando soube que, finalmente, o Writer incorporaria o serviço de correção gramatical, comecei a revisar o CoGrOO, para que fosse compatível com a versão 3.0 do Writer. O CoGrOO abandonou a estrutura cliente / servidor, simplificando o processo de instalação. Finalmente, a integração como o BrOffice.org se tornou muito limpa e a experiência do usuário bem mais interessante. O CoGrOO ficou simples de usar, conquistou ainda mais usuários e foi baixado mais de 70 mil vezes. Este desenvolvimento rendeu o Prêmio Voo Livre, categoria Desenvolvimento, no IV Encontro Nacional do BrOffice.org. Oferecido a cada dois anos, a premiação representa o reconhecimento da comunidade BrOffice.org a quem contribui para que o mundo se torne cada vez mais livre, permitindo ao BrOffice.org “voar” mais alto.

Outro trabalho que envolveu o CoGrOO foi o desenvolvimento do Portal CoGrOO Comunidade na disciplina Laboratório XP do prof. Alfredo Goldman. Juntaram-se a nós os alunos Filipi Resina, Eduardo Katayama, Robson Sousa, Thiago Batista, Wesley Seidel. Os requisitos foram sugeridos por Carlos Menezes. O Portal CoGrOO Comunidade continua em desenvolvimento e tem o objetivo de aproximar os desenvolvedores do corretor gramatical.

O futuro do CoGrOO Nos próximos meses, o CoGrOO novamente passará por grandes mudanças relacionadas a minha tese de mestrado. O projeto prevê o aprimoramento do CoGrOO, com o objetivo de melhorar a experiência do usuário, fazendo o corretor errar menos. Com a ajuda dos usuários, através do CoGrOO Comunidade, esperamos expandir muito a cobertura de regras gramaticais do CoGrOO, tornando-o ainda mais útil.

O CoGrOO ganhou uma nova logomarca no lançamento da versão 3.0. A ideia do desenvolvimento de um novo logo veio de Claudio Filho, presidente da Oscip BrOffice.org. A criação foi do artista Gonçalo Ferraz.

CoGrOO hoje

A próxima versão do corretor vai incorporar uma funcionalidade que permitirá enviar relatórios de erros para o CoGrOO Comunidade. Em seguida, o projeto passará a ser distribuído em lançamentos estáveis e de desenvolvimento. O ramo estável sofrerá atualizações de funcionalidades bimestralmente. Já o de desenvolvimento, quinzenalmente. Com isso, esperamos entregar novidades com mais segurança, e usuários mais entusiastas poderão experimentar o ramo quinzenal e colaborar para um desenvolvimento mais ágil.

Mesmo com o sucesso, em 2009 o CoGrOO contava apenas comigo - como desenvolvedor voluntário, e Carlos Menezes como colaborador. O trabalho era insustentável por falta de pessoas, e ainda existia muito que fazer. Então, foi feita uma mudança em sua organização. Negociamos a incorporação do projeto pelo Centro de Competência em Software Livre do Instituto de Matemática e Estatística da USP, o CCSL. Com esse apoio, o projeto obteve mais divulgação, suporte de professores e toda a infraestrutura oferecida pelo CCSL

Milhões de pessoas fizeram desses 10 anos de OpenOffice.org uma história de sucesso. E com o empenho da comunidade brasileira, a história está só começando e, certamente, os próximos 10 anos serão ainda mais fantásticos.

Nesta mesma época, submeti uma proposta de tese de mestrado ao CNPq, juntamente com o Prof. Marcelo Finger. O projeto propunha uma evolução do CoGrOO e foi aceito. Então, passei a me dedicar exclusivamente ao desenvolvimento. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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A trajetória de sucesso de um projeto brasileiro

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artigo | A trajetória de sucesso de um projeto brasileiro | Por Raimundo Moura

O nascimento do Vero

a aprovação, o Projeto VERO começou a trabalhar as alterações, pois o Brasil já havia estabelecido 2009 como marco inicial para a vigência da nova ortografia.

Na fase de testes, Raimundo percebeu uma deficiência que passou a incomodá-lo. O produto era bom, porém o verificador ortográfico que acompanhava a versão brasileira era muito fraco, pequeno e possuía muitas falhas, que não só chamavam bastante a atenção, mas também desvalorizavam o produto. Os usuários da versão brasileira, que pouco tempo depois passou a ser chamada de BrOffice.org, também faziam críticas a esse respeito.

Dois meses foram necessários para adequar as versões do VERO (brasileira e portuguesa). Em julho de 2008, seis meses antes do Acordo entrar em vigor, o VERO lançou sua primeira versão adaptada às novas regras. Evidente que as questões polêmicas ficaram para resolução posterior e só foram dirimidas a partir de abril de 2009, após a divulgação de nota explicativa da ABL e do VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, na sua 5ª edição.

Resolveu pesquisar em busca de solução até que descobriu como funciona a correção ortográfica. A base é bem simples. São dois arquivos-texto: um de regras de afixos e outro com o léxico, que funcionam interligados. Analisando documentos da empresa, criou um léxico melhor que o distribuído no pacote OpenOffice.org e o compartilhou pela internet motivando o interesse de grupos de usuários. Logo começaram a chegar contribuições de todo o País e não faltou quem quisesse ajudar.

O cenário era propício. A estratégia de lançar o Verificador Ortográfico com o Acordo, em Software Livre, antecipando-se aos concorrentes, trouxe uma projeção nacional sem igual para o BrOffice.org. A suíte de código aberto ganhou a atenção da mídia, sendo referenciada em jornais, revistas, televisão e internet, conquistando milhares de novos adeptos.

Os obstáculos superados

Pouco tempo depois, foi convidado por Claudio Filho, presidente da Oscip BrOffice.org, a incorporar-se ao grupo de coordenadores do projeto brasileiro. O Projeto Verificador Ortográfico, que há anos estava abandonado, foi reativado em janeiro de 2006.

É importante destacar o papel do Projeto VERO no âmbito do OpenOffice.org. Esse projeto é responsável pela composição do léxico no idioma português para o BrOffice.org/OpenOffice.org. Existe uma ferramenta motora, um aplicativo denominado Hunspell, que executa os arquivos do VERO e estabelece comparações com o que é digitado, grifando as palavras desconhecidas como possíveis erros de grafia. O conjunto desses dois instrumentos forma o Corretor Ortográfico. O Hunspell é um outro projeto gerido pela comunidade internacional.

A primeira versão contemplou 750 mil combinações de palavras. O novo Verificador conquistou a simpatia dos usuários, atraindo colaboradores de todas as áreas. Estudantes, professores, escritores, poetas, linguistas, advogados e outros profissionais aderiram ao Projeto, dando valorosas contribuições. A lista completa dos colaboradores está na página de créditos do Projeto BrOffice.org – http://www.broffice.org/?q=creditos.

Uma falha identificada desde o início do Projeto, em 2006, foi o não reconhecimento de termos compostos hifenizados. As palavras eram verificadas separadamente, dando margem à criação de composições equivocadas. Um exemplo já era citado desde então na página do VERO, o composto 'guarda-chuva' possibilitava formações como “guardas-chuva” e “guardas-chuvas”. Essa falha se tornou mais evidente com o advento do Acordo Ortográfico, pois deixava a impressão de que o léxico contemplava as duas formas, pré e pós-acordo. Esse assunto, por muitas vezes, foi alvo de comentários na mídia. Felizmente, em 2010, a equipe do Hunspell possibilitou a correção dessa falha e, com o lançamento da versão 3.2 do BrOffice.org, modificações foram realizadas no VERO, solucionando a questão.

Em 2008, o Projeto ganhou identidades visual e verbal, criadas respectivamente por Hélio Ferreira e Lucas Filho. As seleções foram realizadas através de votação junto à comunidade BrOffice.org e, ao final, o nome VERO foi escolhido para identificar o Projeto.

O acordo ortográfico Após 18 anos de idas e vindas, finalmente, o Acordo, que visa unificar a forma como é escrito o português nos países lusófonos, estava consolidado. Em maio de 2008, Portugal ratificou o Acordo – antes dele já haviam ratificado o Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe completando o número mínimo de países necessários para se implantar a nova ortografia. Imediatamente após | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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artigo | A trajetória de sucesso de um projeto brasileiro | Por Raimundo Moura

A translineação incorreta era outro problema que afligia os usuários do BrOffice.org. Translineação é a passagem de uma linha para a outra, seccionando-se a palavra no final da linha, ficando o resto no início linha seguinte. Por padrão, os softwares usam o termo “hifenização” para definir este recurso. Os usuários constantemente reclamavam da necessidade de se ter um instrumento que executasse a translineação de forma correta no BrOffice.org. Em 2009, o VERO assumiu essa responsabilidade e criou o projeto DivSilab, incorporandoo ao pacote do Verificador Ortográfico. O DivSilab foi desenvolvido com base no algorítimo de Frank Liang, que usa valores entre 0 e 9 para indicar pontos de ruptura ou de agrupamento das sílabas. Valores ímpares indicam possíveis pontos divisão silábica e os valores pares (incluindo 0) indicam pontos que não devem ter divisão. Os números mais altos indicam uma maior magnitude do "melhor" para os números ímpares, e pares, uma maior amplitude do "pior". Desde a versão 2.0.3 o VERO tem lançado o DivSilab em seus pacotes.

A cada usuário novo uma vitória O léxico do VERO abrange, atualmente, mais de 10 milhões de combinações, incluindo-se flexões, derivações e conjugações verbais. Sua estrutura é bastante compacta, usa menos de 1,3 MB, possui o menor índice de duplicidade de palavras, apenas 0,4%, sendo um dos mais completos corretores ortográficos do País. Tem como principal missão tornar-se uma referência nacional em Software Livre ao contribuir para a preservação e disseminação da ortografia da língua portuguesa, promover a inclusão digital e auxiliar na formação educacional. Periodicamente atualizado, está sempre atento às transformações da língua escrita e, para isso, conta com mais de 130 colaboradores voluntários, que estão em constantes buscas por melhorias para esse Projeto. Extremamente dinâmico, empático e participativo, o VERO tem se consagrado como mais um projeto de sucesso do BrOffice.org. Seus dicionários tornaram-se oficiais para outras aplicações, como as baseadas em ASPELL, e são também os não-oficiais de muitas outras ferramentas Livres, devido à abrangência dos seus léxicos. Com o VERO é assim: você só escreve errado se quiser, pois acertar, sim, é humano.

O Autocorreção foi, também, outro projeto incorporado. Com uma base de quase 5 mil registros, tornou-se um dos maiores arquivos de autocorreção do OpenOffice.org, comparando-se com os dos outros idiomas. Nele estão contempladas correções para os erros comuns de grafia, dos vícios do internetês, das novas formas do Acordo Ortográfico e de algumas situações de uso incorreto da crase.

Os próximos passos do projeto O VERO tem como próximo objetivo criar espaços dentro do Projeto BrOffice.org para fomentar o surgimento de fóruns de debates em torno da língua portuguesa, mais especificamente sobre a ortografia, visando dar mais qualidade ao trabalho desenvolvido e propiciar a expansão do número de colaboradores. A ideia é facilitar o processo de sugestão de novos termos e mecanismos para identificação e correção de falhas. O uso de ferramentas como o Dicollecte não foi descartado pelo Projeto.

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Raimundo Moura – Coordenador do Vero

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artigo |

OOoCon 2010, uma abordagem técnica Por Gustavo Pacheco

Durante quatro dias, Budapeste foi o local de encontro do projeto OpenOffice.org. Pessoas dos mais variados lugares do mundo estiveram presentes para participar de diversas atividades relacionadas ao presente e ao futuro de um projeto que, em 2010, completa dez anos. A comitiva brasileira foi composta por quatro integrantes do projeto: Carlos Braguini, Claudio Ferreira Filho, Olivier Hallot e eu, Gustavo Pacheco. Além de participarmos da conferência, também tivemos a oportunidade de palestrar sobre quatro diferentes temas: eventos, marketing, migração e inclusão digital. Como participante do projeto desde 2002, meu interesse no evento foi bastante amplo. Poderia escrever aqui sobre o Projeto de Documentação, sobre usos variados do ODF ou sobre o contexto estratégico do projeto em outros países, por exemplo. Todavia, escolhi apresentar neste artigo um conjunto de informações que será, em breve, | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

utilizado pelos usuários do BrOffice.org. A partir da versão 3.3, uma série de novas funções estará disponível e, como veremos, muitas delas foram destaque na OpenOffice.org Conference 2010. Jürgen Schmidt apresentou a palestra “Wrap up of the latest Extensions Infra Structure Features”. Os tópicos iniciais da palestra foram, basicamente, introdutórios aos conceitos de extensão do OpenOffice.org. No decorrer da apresentação, no entanto, Jürgen detalhou estruturas que começam a ser cada vez mais comuns em extensões, como a utilização da página de opções, utilizada, por exemplo, na extensão brasileira SpeechOO, cuja primeira versão foi apresentada no fisl11 (www.fisl.org.br ), em julho deste ano. Entre vários assuntos, o que me chamou mais atenção na apresentação de Jürgen foi a apresentação do “Tool Panel”, cuja estrutura já é conhecida do usuário do Impress e nada mais é do 23

que o “Painel de tarefas”, agora disponível para implementação nos demais aplicativos do pacote. Considero que essa possibilidade ampliará muito o horizonte dos desenvolvedores, principalmente se pensarmos no uso desse recurso em estruturas de pesquisa, validação ou monitoramento de dados.

Jürgen Schmidt apresenta os novos recursos para extensões

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artigo | OOoCon 2010, uma abordagem técnica | Por Gustavo Pacheco

Um exemplo bastante interessante é o da extensão Watchingwindow (http://extensions.services.openoffice.org/ptbr/project/watchingwindow), disponível para usuários da versão 3.3 beta. Essa extensão já incorpora o recurso do “Tool Panel” para o Calc e permite monitorar os resultados de fórmulas na planilha. Na figura abaixo, é possível ver que três células estão sendo monitoradas. A vantagem é óbvia: em planilhas complexas, a extensão Watchingwindow permite o acompanhamento de diversos cálculos dependentes entre si, sem que o usuário tenha a necessidade de percorrer suas planilhas para verificá-los.

Com o Uno Grid Control, entretanto, é possível estruturar adequadamente o conteúdo de dados. Note que a aparência do controle lembra a de uma planilha. O controle permite cabeçalhos de linha e coluna, redimensionamento de colunas, texto de ajuda para células e entradas de texto e imagens.

Para quem quiser testá-lo, um código básico em OpenOffice.org Basic está disponível no issue 103210. Particularmente, fiquei muito contente com o recurso, pois é a solução ideal para a estrutura de preenchimento de valores de campos do novo Edidoc, o gerador de documentos padronizados do BrOffice.org. O novo Edidoc já possui uma versão beta, atualmente em testes no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. Abaixo, é possível ver a tela de digitação de valores de um grupo de campos, onde os campos são separados por ponto e vírgula.

Outra palestra interessante foi a de Mihaela Kedikova, “Using UNO AWT for creating GUIs in extensions”, cujo destaque foi a apresentação do Uno Grid Control. O exemplo da própria Mihaela, apresentado abaixo a partir das telas dos slides da sua apresentação, demonstra a utilidade do recurso. Na tela abaixo, a palestrante apresentou um caso em que um arquivo de texto estruturado, com campos separados por traços simples, é editado em um campo de texto. É possível constatar que há dificuldade de identificar os campos, além da complexidade adicional de programar os recursos de classificação e seleção dos controles do lado direito.

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artigo | OOoCon 2010, uma abordagem técnica | Por Gustavo Pacheco

É certo que na próxima versão do Edidoc implementaremos esse diálogo utilizando o Uno Grid Control, que permitirá uma organização muito melhor para o preenchimento dos dados pelo usuário. Uma das palestras mais concorridas foi a de Eike Rathke, um dos desenvolvedores do Calc. Eike apresentou as novidades da versão 3.3, entre as quais a ampliação do número de linhas até 1048576 (em vez das atuais 65536), as guias de planilhas coloridas, a definição automática de filtros por intervalo (quando selecionada uma linha inteira) e o arredondamento automático de um número com muitas casas decimais a partir da mudança da largura da célula.

Eike Rathke demonstra a criação de filtros no Calc 3.3.

A apresentação de Eike foi agradável e com um desfecho bastante interessante para nós. Um issue (registro de melhoria) recente e grave, relacionado a datas e identificado na lista de usuários poucos dias antes do evento, foi registrado por Olivier Hallot e extensamente debatido no projeto de controle de qualidade do OpenOffice.org (issue 114020). Eu também fiz uma série de testes relacionados ao problema antes da conferência, identificando a data limite a partir da qual o problema não mais se manifestava: 02/01/1914. No entanto, casualmente, eu e Olivier não tínhamos conversado sobre isso até a palestra de Eike Rathke. Logo após a palestra, Olivier apresentou o registro para Eike, que, com a informação da data exata, identificou rapidamente o problema, relacionando-o com o timezone utilizado. De fato, como o desenvolvedor alemão apresentou, o problema é recorrente e já havia sido identificado em outros cenários similares. Quem desejar mais informações pode acompanhar o issue 114020 e, também, o issue 105864, aberto pelo próprio Eike.

Versões anteriores

Acredito que este breve relato tenha contextualizado um pouco do que foi a OpenOffice.org Conference 2010 quanto às novas funcionalidades. Muito mais pode ser escrito, não só por mim, mas pelos outros participantes do evento. Além das questões técnicas, os resultados estratégicos da conferência de aniversário de dez anos do projeto certamente indicarão o caminho que o aplicativo seguirá para os próximos anos. Nesse contexto, estamos seguros de que o Projeto BrOffice.org será uma peça importante no que virá pela frente.

Versão 3.3

Esses recursos e as demais novidades das outras aplicações da versão 3.3 aparecerão no Relatório de funcionalidades da versão 3.3, no qual já estou trabalhando e que imagino pronto antes mesmo do seu lançamento definitivo.

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dica |

Instalação e primeiras impressões Por: Rui Ogawa

Conseguindo os arquivos de instalação Ao acessar a página de <A href="http://www.documentfoundation.org/download/" name="Download do LibreOffice"></A> encontrei pacotes apenas para as seguintes plataformas: Windows x86

GNU/Linux x86 RPM

GNU/Linux x86-64 RPM

Mac OS X x86

Código Fonte

Arquivo pessoal

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dica | LibreOffice 3.3 beta – Instalação e primeiras impressões | Por Rui Ogawa Senti falta, a princípio, de pacotes DEB tanto para x86 quanto para x86-64. Por dedução, copiei um dos links para download e omiti o nome de arquivo, deixando a URL até o diretório, como em: http://download.documentfoundation.org/libreoffice/testing/

Arquivo pessoal

O download transcorria de forma tranquila e relativamente rápida, com taxa de transferência em torno de 200 Kbps. Resolvi cancelar o download via HTTP e experimentar via Bittorrent.

Possivelmente por falta de seeders, o download se demonstrou terrivelmente lento. Retomei o download via HTTP. Salvei o arquivo LO_3.3.0beta1_Linux_x86-64_install-deb_en-US.tar.gz no diretório que costumo salvar meus instaladores e iniciei a instalação.

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dica | LibreOffice 3.3 beta – Instalação e primeiras impressões | Por Rui Ogawa

A instalação Entrei como usuário comum no diretório onde salvei o arquivo e descompactei-o rogawa@akai:~$ tar zxvf LO_3.3.0-beta1_Linux_x86-64_install-deb_en-US.tar.gz Depois disso, entrei no diretório en-US/DEBS rogawa@akai:~$ cd en-US/DEBS/ E em seguida instalei todos os arquivos .deb rogawa@akai:~/en-US/DEBS$ sudo dpkg -i *.deb [sudo] password for rogawa: Em seguida, entrei no diretório <desktop-integration> rogawa@akai:~/en-US/DEBS$ cd desktop-integration/ E instalei os menus... rogawa@akai:~/en-US/DEBS/desktop-integration$ sudo dpkg -i libreoffice3.3-debian-menus_3.3-9526_all.deb

Abrindo o LibreOffice pela primeira vez Após a instalação, as entradas de menu foram criadas em [Escritório], organizadas em ordem alfabética.

Cliquei no item LibreOffice 3.3 Writer, e a primeira surpresa veio com a tela de splash. Achei ela muito bonita, limpa e de muito bom gosto. Notei que o LibreOffice demorou mais para carregar que o BrOffice.org.

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dica | LibreOffice 3.3 beta – Instalação e primeiras impressões | Por Rui Ogawa

O LibreOffice Writer A interface do usuário não sofreu grandes modificações. A única diferença que notei foi a presença de uma barra de busca, chamada [Find] ao lado da barra de ferramentas [Standard].

Uma surpresa agradável foi notar que a instalação já habilita cinco excelentes extensões. Report Builder, PDF Import, Presentation Minimizer, Presenter Console e Wiki Publisher.

Principais mudanças

Propriedades do arquivo Agora, ao acessar as propriedades do documento em [File] > [Properties...] temos a aba [Security]. Nela há as opções de alterações – que estão também no menu [Edit] > [Changes] – como abrir o arquivo no modo somente leitura, inserir uma senha e a gravação de alterações. Esta última opção é interessante, pois quando está habilitada ele registra as alterações, quem a fez e em que horário. Excelente para trabalhos colaborativos.

Caixa alta e caixa baixa

A funçao [Format] > [Change Case] apresenta agora, alem de [Uppercase] e [Lowercase], as opções [Sentence case], [Capitalize every word] e [tOOGLE cASE].

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dica | LibreOffice 3.3 beta – Instalação e primeiras impressões | Por Rui Ogawa

Configurar impressora Em [Printer Settings] houve a remoção das opções [Reversed] e [Create single print jobs]. Provavelmente por se tratar de recursos pouco utilizados.

Agora, a tela [Print...] sofreu total reformulação. Todas as opções de impressão, que antes eram acessíveis pelo botão [Options...] agora estão todas numa única tela, dispostas em quatro abas e com um elegante preview no lado esquerdo.

Interessante notar que a segunda aba tem opções especificas do aplicativo. No Writer temos [Page background] e [Hidden text] enquanto no Impress há [Slide name] e [Date and time], por exemplo.

Os demais aplicativos Abri os outros aplicativos e, mesmo verificando cuidadosamente todos os menus e opções de cada um, não encontrei nenhuma nova funcionalidade que pudesse receber destaque. As alterações que estão acima se aplicam aos demais aplicativos.

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