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Revista

| Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

Ano 4 | N째 12 |Junho 2010

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Junho | 2010 Diagramado no BrOffice.org Draw


índice |

| carta do leitor Carta do leitor

04

| como nós ... Desenvolvemos o relacionamento com o leitor da Revista

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| escritório aberto Especial Copa do Mundo 2010 África

08

Inclusão Digital - Escola do Futuro

09

BrOffice.org marca presença no ENSOL

14

BrOffice.org no FLISOL

16

IV Encontro Nacional BrOffice.org em fotos de norte a sul

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| artigo Neurociência e a Arte de Superar Mudanças

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O novo projeto Professor Digital

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O que há por trás de uma licença?

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nathancolquhoun

| reportagem

| entrevista Conselho Internacional OpenOffice.org tem representante do Brasil

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Comunidade Portuguesa do OpenOffice.org

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| novas tecnologias OOO4Kids Educando criança da maneira correta

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| cultura RedBlade Episódio 03: Mestre e Aprendiz

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Dica de Filme - A Chamada

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| dica Localizando objetos com o navegador

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Configuração de Teclas de Atalho

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| tutorial Vetorizando com o BrOffice.org Draw

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Criando índices automáticos

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| resumo do mês Resumo | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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| editorial Vencendo desafios

A

Revista BrOffice.org está entrando no seu quarto ano de existência. Apesar de já conhecermos o caminho que deve ser percorrido entre o planejamento e a publicação, cada número carrega em suas páginas a emoção do primeiro lançamento. A produção se renova nas suas pautas, mas se supera, sobretudo, no aspecto humano. A Revista BrOffice.org é novidade para quem se torna colaborador ou para quem finalmente recupera o fôlego. E é assim que a Revista e a comunidade BrOffice.org vão, a cada dia vencendo e descobrindo novos desafios. O reconhecimento do BrOffice.org para a inclusão social e a participação brasileira na comunidade internacional são as marcas da edição 12. O tema central, na reportagem de Luiz Oliveira sobre a Escola do Futuro, mostra iniciativas de inclusão digital e como elas podem transformar a realidade ou pelo menos mentalidades. O assunto, embora já abordado, nunca se esgota, porque não se trata apenas de software ou metodologias de trabalho, mas sim do que a tecnologia proporciona à vida das pessoas. Exatamente por estar incluído num cenário social e existir para servir aos usuários, quaisquer que sejam suas necessidades, a Revista BrOffice.org também entrou no clima da Copa do Mundo, momento especial para a maioria dos brasileiros. Na seção Escritório Aberto, uma tabela criada em Calc, unindo torcedores do futebol e entusiastas das tecnologias livres. Também esta edição vai além das fronteiras do país, através de entrevista com o diretor administrativo financeiro da BrOffice.org, Olivier Hallot, recentemente eleito conselheiro da comunidade OpenOffice.org internacional. Em artigo que detalha o processo sobre o programa Professor Digital no Rio Grande do Sul, Gustavo Pacheco, que acompanhou de perto o assunto, evidencia a maturidade e organização das comunidades de Software Livre, que têm condições de levar à sociedade a visão de que tecnologia interessa a todos. E, se resistências existem, é preciso entendê-las antes de tudo. Nesta edição, o leitor pode encontrar a explicação sobre por que a mudança de comportamento e a disposição para aprender novidades é uma tarefa desafiadora para o ser humano, no artigo sobre software e neurociência, escrito pelo Dr. Rogerio Luz Coelho. E, claro, o usuário BrOffice.org encontra nesta edição dicas e tutoriais elaborados por conhecedores do aplicativo, a fim de que os leitores tirem o máximo proveito da suíte de escritório. Boa Leitura!

Colaboradores desta edição Redação: Carlisson Galdino Carlos A. Silva Gustavo Pacheco Luiz Oliveira Maiko Spiess Olivier Hallot Paulo Souza Lima Pedro Ciríaco Renata Marques Rogerio Luz Coelho Rochele Prass Dicas e tutorial: Carlos A. Silva Herbert Carvalho Rubens Queiroz Wilkens Lenon Diagramação: Carlos A. Silva Duilio Dias Neto Eliane Domingos Luiz Oliveira Maria Aparecida Coltro Patrícia Nobre Rui Ogawa Revisão: Carlos A. Silva Clóvis Tristão Duilio Neto Fatima Conti Luiz Oliveira Maria Aparecida Coltro Pedro Ciríaco Renata Marques Rochele Prass Capa: Duilio Dias Neto Edição: Luiz Oliveira Rochele Prass comunicacao@broffice.org Jornalista responsável: Luiz Oliveira – Mtb.31064 | luizheli@openoffice.org Coordenador Geral BrOffice.org: Claudio Ferreira Filho | filhocf@openoffice.org Escreva para a Revista BrOffice.org: revista@broffice.org Edições anteriores: www.broffice.org/revista O conteúdo assinado e as imagens que o integram são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, não representando necessariamente a opinião da revista BrOffice.org e de seus responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados a seus respectivos proprietários O que é o BrOffice.org É o produto, ferramenta de escritório multiplataforma, livre, em bom português, desenvolvido sob os termos da licença LGPL, composto por editor de texto, planilha de cálculo, apresentação, matemático e banco de dados, mantido pela comunidade e OSCIP, que trabalha para a difusão do SL/CA no País. Desenvolvimento Esta revista foi elaborada no BrOffice.org, editor de texto, planilha eletrônica, apresentação e, diagramação. A reprodução do material contido nesta revista é permitida desde que se incluam os créditos aos autores e a frase: “Reproduzido da Revista BrOffice.org – www.broffice.org/revista em local visível. O BrOffice.org declara não ter interesse de propriedade nas imagens. Os direitos sobre as mesmas pertencem a seus respectivos autores/proprietários. O conteúdo da Revista Broffice.org está protegido sob a licença Creative Commons BY-NC-SA, disponível no www.creativecommons.org.br. Esta licença não se aplica a nenhuma imagem exibida na revista, e para utilização delas obtenha autorização junto ao respectivo autor.

Rochele Prass rocheleprass@openoffice.org

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carta do leitor |

Esta é a sua seção! Na “Carta do Leitor”, você pode tirar dúvidas sobre o BrOffice.org, seja produto, comunidade ou desenvolvimento, enviar críticas ou sugestões que possam enriquecer ainda mais a nossa revista. Envie um email para revista@broffice.org. Participe!

Espetacular a Edição 11 da revista, sobretudo a matéria sobre o uso da suíte na Petrobras. Grandes empresas usando o BrOffice.org e, sobretudo, um atestado de qualidade e economia. Gostei muito da ideia da revista impressa e, salvo engano, vocês têm algumas, não? Não se importariam de me enviar algumas edições que foram impressas? Informem o valor da revista, ou custo, que faço o depósito. Sempre imprimo a revista para ler de forma confortável e, e-readers como o Kindle, no momento estão longe de minhas posses.

Olá, Gostaria de parabenizar todos os organizadores do IV Encontro Nacional BrOffice.org. Sou usuário do BrOffice.org desde 2008 e este evento mostrou um universo de possibilidades muito maior do que eu poderia imaginar. Também parabenizo a Revista BrOffice.org, cujo trabalho leva este universo ao conhecimento de todos de forma clara e precisa. Sucesso a todos. Severo Sales Pará

Por último, uma sugestão: Muitos clientes e amigos têm rejeitado o BrOffice.org por um motivo simples: O atalho das teclas. Por exemplo, ctrl B para negrito enquanto as pessoas estão acostumadas com o ctrl N que, inclusive acho mais lógico pois o N é de negrito e o B é de BOLD, ou seja, os atalhos são configurados para a versão em inglês. Por que será que o time de tradução ainda não atinou para isto? Tentei pesquisar, mas não achei, embora seja interessante alguma extensão que contorne este problema.

Meu nome é Evilázio e atualmente trabalho em uma concessionária de energia elétrica aqui em Sergipe e nosso principal ponto, na área de TI, é ir em buscas de soluções que venham reduzir os custos e viabilizar as novas tendências que surgem no mercado. Achei muito interessante a palestra da Rochele e durante o evento, respondi o questionário da Revista BrOffice.org

O segundo fator de rejeição, agora comigo mesmo, já que o programa tem algumas configurações e corrige automaticamente o que digitamos, mesmo que seja coisa que não queremos e não tem CTRL Z que desfaça. Enfim, peço perdão se fui inconveniente, mas a intenção é ajudar e o primeiro espaço que me veio à mente foi o de vocês.

Gostaria de participar das ideias e da produção dos conteúdos da plataforma BrOffice.org. Hoje estamos fazendo um estudo de migração da nossa plataforma atual para o BrOffice.org, poderíamos verificar esse case e talvez ser um dos assuntos da BrOffice.org dentro dos padrões que podemos conversar.

No mais, parabéns e vida longa para a revista. Espero, em breve, poder colaborar pois tenho experiências práticas quanto ao uso de usuários finais e, sobretudo no uso em pequenas empresas.

Sds, Evilázio Ribeiro da Cruz Sergipe

Abraços e até a próxima! Reinaldo de Oliveira Pereira - Minas Gerais | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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carta do leitor | Olá amigos do BrOffice.org

Participei do IV Encontro Nacional BrOffice.org aqui em Sergipe, e na palestra sobre a revista BrOffice.org fiquei muito interessado em contribuir.

Acompanho a revista desde o primeiro número. Sempre fico na expectativa de uma nova edição e esta edição 11, não fugiu à regra das anteriores. Sempre com elevado conteúdo editorial, sendo com toda a certeza, um dos sustentáculos da comunidade de software livre no Brasil.

Sou professor de design web e informática em uma unidade. Então diante do que ouvi na palestra é possível participar da revista mas gostaria de mais detalhes para fazer parte dela, de preferência na área gráfica. Acredito muito na evolução da ferramenta BrOffice.org e na Revista também, então favor enviar no que posso ajudar e como.

Parabéns a todos que se doam a este projeto com alma e coração sempre em prol do bem de outros e em nome da liberdade de escolha, tão cara a todos nós.

Orlan Maurício

O BrOffice.org foi o primeiro produto de software livre ao qual tive contato ainda em 2006. De lá para cá e, através dele, conheci várias distros GNU/Linux até chegar ao Ubuntu e aí, foi um casamento perfeito. Hoje, na empresa onde trabalho, na minha máquina uso o BrOffice.org, na minha família também, se não consegui converter todos ao Ubuntu, no quesito suíte de escritório, fomos vitoriosos. Minhas irmãs e sobrinhos usam o BrOffice.org.

Li no site sobre fazer parte do time de colaboradores da revista e fiquei interessado. Abraços. Cristiano Oliveira Recebemos vários e-mails de pessoas interessadas em fazer parte da equipe que, voluntariamente e de forma colaborativa, traz a cada dois meses os mais diversos assuntos de interesse da comunidade BrOffice.org. Novos colaboradores são sempre bem vindos. Para participar da equipe é muito fácil. Escreva uma dica ou tutorial sobre qualquer programa da suíte BrOffice.org, seja o Writer, Draw, Base ou Calc e nos mande. Migrou recentemente para o BrOffice.org e quer nos contar como foi? Escreva um artigo sobre isso e nos mande. Não gosta de escrever, mas é artista gráfico, entende de diagramação? Não demore muito em nos procurar; a Revista BrOffice.org é toda diagramada no BrOffice.org Draw, mas outros programas são utilizados durante o processo, em sua maioria, programas open source, como Gimp e Inkscape. Vários outros serviços estão à sua espera. Se gosta de português, pode fazer correções gramaticais de textos, se entende de inglês ou de outras línguas, pode fazer traduções de artigos relacionados ao foco da revista. E ainda temos outros projetos dentro da comunidade BrOffice.org, um deles pode ser aquele que você estava procurando. Para aqueles interessados em colaborar com a revista, favor se inscrever na lista de discussão da revista.

Portanto, quero aqui agradecer ao projeto maravilhoso que é o BrOffice.org Através dele pude conhecer o maravilhoso mundo do software livre e do código aberto. E a cada edição da revista eu aprendo um pouco mais. Muito obrigado a todos vocês. Vida longa e prosperidade! Olnei A Araujo Minas Gerais Em primeiro lugar gostaria de agradecer pelo ótimo pacote de programas e gostaria de encorajá-los ainda mais a continuar. Tenho uma Lan House e trabalho com manutenção de computadores e tenho tentado incluir o BrOffice.org em todos os computadores sendo que as pessoas reclamam demais e o pior, reclamam sem ao menos conhecer. Parecem crianças que não comem legumes por que dizem não gostar sem antes ao menos experimentar. Mateus Marrero Arquivo pessoal

Ainda com dúvidas? Nos mande um email.

Vi no site da BrOffice.org sobre colaboração da revista, e estou à disposição. Ronilton Nunes

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como nós ... |

... desenvolvemos o relacionamento com o leitor da Revista Por Rochele Prass

A pesquisa é um espaço diferente da seção “Carta do Leitor”, em que são publicados os comentários dos leitores sobre cada edição. O questionário foi elaborado para coletar dados socioeconômicos do público, a fim de saber a quais segmentos sociais estamos chegando. Trata-se de uma ferramenta importante para o planejamento de qualquer meio de comunicação, que, a partir das respostas, pode promover ações de divulgação, criar seções especiais e traçar seus rumos. Vale ressaltar que, além do contato pela pesquisa, os leitores podem enviar sugestões de pauta ou contribuir com materiais para publicação pelo email revista@broffice.org.

Com o objetivo de conhecer melhor os leitores e proporcionar mais um canal de interação com o público, a Revista BrOffice.org lançou na edição passada a pesquisa de perfil de leitor. No final de maio, ou dois meses no ar, 1.025 pessoas já haviam respondido ao questionário, disponível no portal. A pesquisa é espontânea, ou seja, não é requisito obrigatório para quem deseja baixar a Revista. Os dados individuais das pessoas também são mantidos sob sigilo. O conceito de comunicação, entre todos os elementos que fazem parte do processo, pressupõe ao menos duas figuras básicas para a sua efetivação: emissor e receptor. Ou seja, a comunicação não se encerra no momento em que emitimos uma mensagem qualquer que seja a sua finalidade. A comunicação se completa quando é recebida pelos interlocutores.

Sendo produto de um trabalho colaborativo, dentro da filosofia de produção de software livre, a Revista BrOffice.org é um veículo em constante evolução e que necessita dessa interação para se aperfeiçoar. Mas nos agrada, sobremaneira, ver a quantidade de pessoas que nos dão retornos positivos. A maioria das manifestações nas respostas livres agradecem e elogiam o trabalho que a comunidade vem desenvolvendo com a Revista.

Apesar de o conceito de interatividade não ter sido inventado pela internet, ela ampliou substancialmente a participação. Ao facilitar essa aproximação, abriu-se um espaço que vai além da crítica ou sugestão. Trata-se de compartilhar com o leitor a responsabilidade sobre a edição num diálogo efetivo.

O espaço também está repleto de sugestões dos leitores, sobre dicas e tutoriais, especialmente para Calc e Base. Muitos leitores também pedem assuntos relacionados à educação. Informações a respeito de migração e pedido para que a Revista seja impressa e enviada aos leitores são outros apontamentos dos leitores que responderam ao questionário.

E isso não é diferente conosco, na Revista BrOffice.org. Evidentemente, ao planejarmos uma edição, temos em mente uma espécie de público – pessoas interessadas na suíte de escritório, em software livre, ODF e em ações que estão modificando pensamentos e a sociedade. Mas isso não significa que não estamos buscando chamar a atenção de outros grupos, atrair novos leitores. Antes de tudo, precisamos conhecer – ainda mais – os nossos leitores. Precisamos saber o que esperam de nós e corresponder às suas expectativas. Precisamos conversar. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

No que se refere à impressão da Revista e entrega no endereço do leitor, existe um grande anseio e interesse de que essa ideia seja concretizada. A questão não é simples e envolve uma operação logística e estudo de viabilidade. Mas o primeiro passo já foi dado. 6

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escritório aberto |

Especial Copa do Mundo 2010 África Por Pedro Ciríaco

O Projeto Escritório Aberto tem como objetivo fornecer modelos de arquivos para o BrOffice.org totalmente gratuitos, prontos para usar e excelentes para o aprendizado. Assim, futuros usuários contarão com aplicações práticas para demonstração dos diversos usos do BrOffice.org por meio de exemplos utilizáveis. Trata-se de arquivos de uso diário, enviados por colaboradores e que servem perfeitamente às nossas necessidades, todos licenciados pela GPL.

Mega Sena em BrOffice.org

Tabela da Copa do Mundo 2010

Muita gente não aposta na seleção de Dunga para esta Copa. Se você for um deles, a sugestão é apostar na Mega Sena com o auxílio desse interessante modelo.

2010, ano de copa do mundo na África. Com este modelo, você poderá acompanhar todos os jogos, marcando os resultados e conferindo todos os dados das partidas. Os classificados serão posicionados automaticamente na tabela da segunda fase e a brincadeira continua.

Download: Mega Sena em BrOffice.org

Download: Tabela Copa 2010

Planejamento Financeiro Lista de Compras

Mas se você pretende organizar seu orçamento com os gastos para assistir aos jogos sem ficar no sufoco depois que o mundial acabar, a solução para os seus problemas é este:

Vai juntar a turma para assistir aos jogos da Copa? Isso pede umas comprinhas no supermercado para abastecer a geladeira! Com essa lista de compras, você não vai esquecer de nada

Download: Planejamento Financeiro Download: Exemplos

Download: Lista de Compras

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Duilio Neto

reportagem |

Por Luiz Oliveira

A Revista BrOffice.org tem enfatizado em várias edições que projetos de inclusão digital resultam em benefícios que vão muito além do aprendizado das Tecnologias da Informação. Trata-se de promover inclusão social, gerar perspectivas para comunidades e fomentar o crescimento econômico. E quando se trata de suítes de escritório, necessidade básica de qualquer usuário, não há dúvidas: a ferramenta é o BrOffice.org.

Inclusão digital é um tema que não há um consenso sobre o “como fazer”, mas sua necessidade é indiscutível para que o país inclua socialmente milhares de pessoas utilizando-se da tecnologia da in-

Conforme o Ministério da Educação, embora seja praticamente impossível catalogar todas as iniciativas, entre os anos de 2007 e 2008 foram registrados mais de 100 projetos de inclusão digital, levando-se em conta Regiões Administrativas (Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul); Unidades da federação (UF); Categorias (Governo Federal, Governo Estadual, Governo Municipal, Terceiro Setor e Universidades. As informações sobre as atividades de inclusão digital no país estão disponíveis no portal http://inclusao.ibict.br, criado para ser um canal para acompanhamento das influências da tecnologia no processo de desenvolvimento humano, social e econômico no Brasil.

formação. Um estudo do Banco Mundial divulgado no ano passado mostra que o acesso à internet incrementa a atividade econômica. Conforme a entidade, a cada aumento de dez pontos percentuais nas Arquivo pessoal

conexões de internet de banda larga de um país corresponde a um crescimento

Entre tantos projetos, alguns merecem destaque pela longevidade, servindo como referência. É o caso do Programa AcessaSP, um programa de Inclusão Digital do

adicional de 1,3 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB). | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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reportagem | Arquivo pessoal

Escola do Futuro | Por Luiz Oliveira

Governo do Estado de São Paulo. Outro exemplo são os Telecentros, uma iniciativa da Prefeitura Municipal de São Paulo ampliada e melhorada pelo Governo Federal. Tanto uma como a outra têm por trás a preocupação de fazer mais que simplesmente oferecer acesso à internet ao cidadão. No caso do AcessaSP, o sucesso do programa está intrinsecamente ligado ao trabalho da Escola do Futuro. E o BrOffice.org novamente é um dos protagonistas nesse processo.

Histórico da Escola do Futuro: O NAP Escola do Futuro/USP inaugurou suas atividades em 1989, sob a coordenação científica do Prof. Titular Fredric M. Litto, da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Sua primeira condição foi como laboratório departamental com a denominação “Laboratório de Tecnologias de Comunicação” do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes. A partir de janeiro de 1993 instituiu-se como um Núcleo de Apoio à Pesquisa, subordinado à Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade e passando a intitular-se Núcleo das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação “Escola do Futuro/USP” (NAP EF/USP).

“É mais uma maratona que

Através das suas pesquisas e projetos, pretendia explorar e implementar propostas inovadoras e eficazes que, utilizando recursos como a Internet e a multimídia, contribuíssem decisivamente para a maximização das possibilidades do ensinar e do aprender.

uma corrida de 100 metros”

Em setembro de 2006 a coordenação científica do Núcleo de Pesquisa Escola do Futuro/USP passou a ser exercida pela Prof. Titular Brasilina Passarelli, do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes - ECA/USP. A atual gestão privilegia o desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre a sociedade do conhecimento e seus impactos nas áreas da Comunicação, Educação e Informação para iluminar os novos contornos da “sociedade em rede”. Desta forma se iniciam pesquisas que têm como objeto de estudo a produção individual e coletiva do conhecimento em ambientes Web; a reflexão acerca das novas formas de autoria invadidas pelos coletivos digitais e pelo movimento dos “atores em rede” na interseção das fronteiras híbridas que constituem a “pele da cultura” conceitos preconizados por autores como De Kerckhove (1997), Castells (1996) e Latour (2008).

A Escola do Futuro, um Núcleo de Apoio à Pesquisa da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo – USP, especializou-se em dar suporte para projetos bem sucedidos de Inclusão Digital trabalhando na investigação das novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) na educação, no desenvolvimento de projetos e pesquisas sobre Inclusão Digital, redes sociais, comunidades virtuais, e formação de multiplicadores. Dentro da linha Comunidades Virtuais de Aprendizagem e Prática, a Escola do Futuro tem quatro projetos em andamento: Investigações Ambientais na Escola, Clubinho Faber-Castell, Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa e há nove anos é co-responsável por várias atividades desenvolvidas no AcessaSP. A Escola do Futuro mantém uma equipe exclusiva para este projeto.

fonte: http://futuro.usp.br/

O primeiro infocentro começou a funcionar na Casa de Cultura São Luiz, onde se deu o primeiro contato entre a Escola do Futuro e o AcessaSP. A Escola foi convidada a participar com uma oficina de tecnologia que se chamava “computerfobia”, cujo objetivo era mostrar, de forma lúdica, para quem tinha medo do computador, que não era difícil.

Conforme a coordenadora geral do Laboratório de Inclusão Digital e Educação, LIDEC, Drica Guzzi, tudo começou quando o Governo do Estado de São Paulo resolveu que estava na hora de implantar o Governo Eletrônico – e-gov. A ideia era modernizar a gestão para tornar a comunicação, os processos e os serviços mais inteligentes, mais rápidos, mais eficientes e eliminar duplicação de serviços. Agora o cidadão teria acesso a documentos e serviços sem precisar enfrentar longas filas, fazendo isso através da internet. Mas, um problema surgiu. O Governo precisaria fornecer também o acesso à internet. Cinco anos após a implantação do e-gov, nasceu o programa de inclusão digital AcessaSP. Na opinião de Drica, são dois lados da mesma moeda, Governo Eletrônico e Inclusão Digital.

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A parceria entre o Governo do Estado e a Escola do Futuro estaria firmada a partir daí, começando para valer em 2001. Caberia à equipe da Escola do Futuro entrar com toda parte de conceito da inclusão digital, capacitação, formação e pesquisa, enquanto ao Governo do Estado caberia a articulação política e de gestão junto aos municípios e entidades que iriam receber o programa. A Escola do Futuro foi especializando-se conforme aten10

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reportagem | Escola do Futuro | Por Luiz Oliveira

dia às demandas do usuário final. Novas demandas foram surgindo e incorporadas ao projeto. A adoção de Softwares Livres, como o Sistema Operacional Linux, o BrOffice.org e o Firefox foi mais um passo, em sintonia com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo – Prodesp, que criou um sistema operacional chamado Acessa Livre, um Linux Terminal Server Project – LTSP, baseado no Kubuntu, presente nas mais de 4,7 mil máquinas fornecidas para os 601 pontos onde o AcessaSP funciona, em 541 municípios. Além do sistema operacional, a Prodesp também é responsável pela atualização das máquinas em todos os postos de atendimento. A equipe de TI da Escola do Futuro, liderada por Celso Goya, sempre recomendou a utilização de Softwares Livres, o que, na opinião de Goya foi mais um avanço.

do Acessa Livre, disponível nas máquinas dos postos. Além do curso inicial de capacitação, no Parque da Juventude funciona também o maior Posto do AcessaSP com cerca de 150 máquinas e o espaço das oficinas conhecido como MetaProjeto. Esse último é um espaço de oficinas para manutenção e montagem de computadores, experimentação e desenvolvimento de tecnologia, a partir de computadores reciclados. A ideia é proporcionar ao público um local que sirva como modelo experimental de implantação da metodologia Metareciclagem de oficina permanente de inclusão digital a partir de computadores doados e máquinas recicladas. Joe Nascimento explica que o MetaProjeto tem sido a solução para muitas pessoas arranjar um emprego a partir do conhecimento adquirido nas diversas oficinas oferecidas. Ainda segundo Joe, não faltam histórias engraçadas de inclusão digital. Ele conta por exemplo que ajudou um homem de 84 anos a ter de volta em seu computador um sistema operacional em japonês.

crédito: divulgação

crédito: divulgação

Uma vez que o município se interessa pelo programa, precisa entrar em contato com a Secretaria de Gestão Pública do Estado para formalizar o processo. Ao município, cabe a manutenção das instalações do local onde vai funcionar o novo ponto de acesso à internet e também a indicação dos funcionários que serão os monitores. Estes funcionários são encaminhados para a Escola do Futuro, onde passam pelo primeiro módulo de capacitação presencial feito no Parque da Juventude, um complexo educacional construído no espaço em que funcionava o presídio Carandiru.

Posto do Acessa SP no parque da juventude

A agenda de oficinas é divulgada no portal do AcessaSP e o objetivo, entre outros, é interagir com o Programa AcessaSP de forma a auxiliar suas demandas em tecnologia, experimentação e construção de oficinas que possam ser replicadas em outros espaços de interesse do programa. As oficinas podem servir como modelo para monitores aplicar projetos em seus municípios. Como a distância e outros trâmites administrativos impedem os monitores de viajar até a capital, a equipe da Escola do Futuro já está levando as oficinas para as cidades fomentando com isso a Rede de Projetos, uma ação que busca dar um atendimento diferenciado aos usuários e monitores dos postos.

Júlio Boaro - Responśavel pelo PONLINE em módulo inicial nos dias 14 e 15 de Abril de 2010 no Parque da Juventude

Neste módulo, os monitores aprendem as regras e rotinas de funcionamento do programa AcessaSP e também suas responsabilidades no atendimento ao usuário e com a coordenação do programa. Os monitores voltam para seus municípios aptos a identificar o desenho organizacional do AcessaSP, em condições de organizar as rotinas administrativas e de gestão que garantam o pleno funcionamento dos postos, e conhecendo e dominando o uso | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

O tempo estipulado para cada usuário ocupar um computador nos postos de atendimento é de meia hora, podendo ser renovado de acordo com a necessidade e disponibilidade. Entretanto, se o usuário apresenta um projeto, ele passa a fazer parte dessa Rede e com isso conquista

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reportagem | Escola do Futuro | Por Luiz Oliveira

Luiz Oliveira

Atualmente, ele é capacitador do AcessaSP, integrando a equipe do Escola do Futuro. Com este projeto, ele levou o primeiro lugar na categoria “Minha História” do Prêmio Conexão Cultura e ganhou um Laptop. “Espero que o prêmio possa contribuir para inspirar o monitor a olhar ainda mais para o usuário, que muitas vezes precisa só de um empurrãozinho para mudar de vida. Estou muito feliz e acho que este é um recado para os monitores, pois todos eles têm parte neste prêmio”, diz Robson.

Equipe da Escola do Futuro: Celso Goya, Dalton Martins, Hernani Dimantas ,Julio Boaro, Ricardo Guimarães, Larissa januário, William Amorim, Danielle Barg, Silia Moan, Renata Ribeiro, Juliana Oliveira, Fernando Cymbaluk, Jefferson Silva, Dani Matielo, Joe Nascimento, Drica Guzzi, Gerson Hitoshi Kumagaia, Luciane Albuquerque, Hamilton Kazuyuki Tateoka

o direito de mais tempo de uso das máquinas e conta com o apoio do pessoal do Escola do Futuro. Foi o que aconteceu com Robson Leandro da Silva. Desempregado, passou em frente a um posto do AcessaSP, na região de Itaquera, e viu que podia acessar a internet gratuitamente.

“A ideia é que a comunidade de usuários se aproprie do

Passou a ser um frequentador assíduo do posto com o objetivo de procurar emprego. Robson foi além: aproveitou a oportunidade oferecida pela Rede de Projetos e desenvolveu o “Meu lugar: São Paulo”, um programa de aulas que aliava o uso da Internet à teoria sobre monumentos históricos da cidade, incluindo visitas a alguns dos locais estudados. Seu projeto rendeu o que Robson buscava inicialmente: um emprego.

posto de atendimento”

Fundação Padre Anchieta

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A história de Robson é um exemplo da importância do papel que exercem os monitores, que atuam, em última instância, como mediadores entre os usuários e tecnologias desconhecidas. Ele lembra de sua própria história para enfatizar que dedicação e preparo são fatores determinantes: “Quando cheguei no posto pela primeira vez, não fazia ideia do que era BrOffice.org, entretanto o monitor me tranquilizou e a partir daí não tive problemas no uso da ferramenta. Todo o meu projeto foi feito usando o Writer e o Impress”.

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A Rede de Projetos é um despertar de talentos e uma oportunidade de negócios. Muitos projetos, incentivados pela equipe do Escola do Futuro, ganham as ruas das cidades em eventos de arte e cultura, incentivam a leitura e incluem socialmente, crianças, jovens e adultos da “melhor idade”. Um dos casos é o “Arte Pinda”, cujo objetivo é orientar os artesãos da cidade de Pindamonhangaba quanto às possibilidades de divulgação, informação e formalização providas pela Internet. Outro destaque vem de Barão de Antonina, uma pequena cidade do interior paulista, com cerca de três mil habitantes. O Projeto A Leitura e o Editor de Texto visa estimular a leitura, a escrita e o aprendizado dos recursos do Writer, o editor de texto da suíte BrOffice.org. A proposta inicial foi apresentar livros aos usuários e pedir um resumo; explicar como utilizar os recursos do software para formatação do resumo e fazer uma digitação correta; imprimir e expôr os textos realizados.

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reportagem | Escola do Futuro | Por Luiz Oliveira

O que é o programa AcessaSP: Acessa São Paulo é o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo, coordenado pela Secretaria de Gestão Pública, com gestão da Prodesp, Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo Diretoria de Serviços ao Cidadão. Para atingir seus objetivos, o Programa Acessa São Paulo abre e mantém espaços públicos com computadores para acesso gratuito e livre à internet.

Outra ferramenta utilizada para nortear os trabalhos e identificar tendências nas redes de relacionamento na internet é o Ponline, uma pesquisa realizada anualmente com usuários, nos postos, por meio de questionário on-line. A base de dados atual é de mais de nove mil respondentes. Os resultados da pesquisa apresentam uma análise sobre comportamento e tendências de uso da Internet no Estado de São Paulo, assim como uma avaliação do Programa AcessaSP pelos usuários e monitores. “Quando surgiu o fenômeno Orkut, o Ponline detectou a tendência em seus relatórios, assim como outros fenômenos da internet que nasceram e morreram”, revela Drica Guzzi.

Alguns números do Programa: 4.778 computadores 601 postos em funcionamento 29 postos em implantação 46,54 milhões de atendimentos 1,94 milhões de usuários cadastrados 541 municípios atendidos 1.172 monitores fonte: Secretaria de Gestão Pública e Escola do Futuro

Projetos futuros O sistema operacional utilizado nos postos do AcessaSP é uma das coisas que pode ser melhorada, na opinião de Celso Goya, Coordenador de Tecnologia Social. A ideia é colocar o sistema na rede para que a comunidade comece a desenvolvê-lo. Ainda na opinião de Goya, há planejamentos para uma aproximação da Escola do Futuro com as comunidades de usuários e desenvolvedores de Software Livre como a Comunidade BrOffice.org e Fundação Mozilla. Atualmente Goya está trabalhando com projetos de Educação a Distância no que diz respeito à parte tecnológica o que, na sua opinião, é um caminho sem volta.

O Programa Nacional de Apoio à Inclusão Digital nas Comunidades é resultado de um esforço do Governo Federal, sob orientação da Presidência da República, de coordenação do apoio aos espaços públicos e comunitários de inclusão digital. O apoio será em conexão, computadores, bolsas de auxílio financeiro a jovens monitores, e formação de monitores bolsistas e não-bolsistas que atuem nos telecentros. O objetivo é oferecer condições ao aperfeiçoamento da qualidade e à continuidade das iniciativas em curso, assim como à instalação de novos espaços. São responsáveis diretos pela coordenação do projeto os Ministérios das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Planejamento, sendo este último o responsável pela coordenação executiva. Foram cadastradas no SIATC - Sistema Integrado de Apoio a Telecentros 1.071 propostas, solicitando apoio a 14.925 telecentros, entre novos e em funcionamento.

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Dulio Neto

reportagem |

Por Renata Marques

Renata Marques

A cidade de João Pessoa, na Paraíba, sediou a quarta edição do Encontro de Software Livre da Paraíba nos dias 6 a 9 de maio. O ENSOL ocorreu na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes, obra de Oscar Niemeyer, que fica muito próxima ao ponto mais oriental das Américas. O lema "Liberdade no Extremo" condiz tanto com essa localização, como com o tema do evento. Este ano, o evento contou com a presença de palestrantes como Jomar Silva (Diretor Geral da ODF Alliance Latin América), Jon 'maddog' Hall (Diretor Executivo da Linux International), Rasmus Lerdof (criador da linguagem de programação PHP) e diversos outros ilustres personagens do universo do Software Livre. Renata Marques

O BrOffice.org, software que, muitas vezes, rompe as barreiras para esse universo, não poderia ficar de fora e marcou presença através da palestra “Conhecendo o BrOffice.org – Muito além do editor, planilha e apresentação” e do “I Workshop de Grupos de Trabalho do Gubro-PB”.

Arquivo pessoal

A palestra de Claudio Filho, Coordenador Geral do BrOffice.org, mostrou aos presentes que o BrOffice.org é bem mais que o trio padrão: editor de textos - planilha eletrônica – apresentação. A suíte de aplicativos engloba ainda ferramentas para banco de dados, edição visual de formulários, edição de fórmulas, desenvolvimento, além de permitir a adição de pequenos programas para funcionalidades específicas, as extensões.

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reportagem | Renata Marques Arquivo pessoal

BrOffice.org marca presença no ENSOL | Por Renata Marques deveria se dar de forma semelhante ao aprendizado da direção de automóveis: de forma independente de produtos de marca específica. Nós não aprendemos a dirigir Fiats ou Volkswagens. Aprendemos a dirigir carros! No ambiente informal da conferência, a comunidade do BrOffice.org também mostrou sua presença. O Workshop de Grupos de Trabalho foi um momento de encontro do Grupo de Usuários de BrOffice.org na Paraíba, onde os integrantes puderam se conhecer. Foram também apresentadas aos participantes algumas ferramentas de trabalho, como o Wiki e as listas de discussão, e os Grupos de Trabalho (GTs) que direcionam os esforços dentro dos Gubros. Diego Alves

O Gubro-PB aproveitou ainda o espaço para traçar algumas diretrizes, objetivando começar a caminhar dentro dos trilhos dos GTs. Para a instrutora de informática do Centro de Ações Móveis do SENAI-PB, Adriana Gomes, que se encantou com a comunidade no IV Encontro Nacional do BrOffice.org e se integrou ao Gubro-PB, o momento na conferência foi super produtivo e precisa se repetir. Magno Medeiros, estudante de Licenciatura em Computação na UEPB e membro do Gubro-PB desde o IV Encontro Nacional do BrOffice.org, ressaltou que, com o workshop, além de conhecer melhor cada um dos GTs, os participantes do Gubro-PB puderam identificar com qual grupo possuem mais afinidade e assim escolheram onde pretendem atuar.

Claudio mostrou que, além de um produto, o BrOffice.org também engloba uma comunidade que conduz diversos projetos. A Revista BrOffice.org foi citada como um dos principais projetos e, segundo ele, foi criada para reunir as notícias a respeito do BrOffice.org e fornecer subsídios a quem precisa convencer seus gestores na adoção do pacote em ambiente empresarial. Foram ainda destacados, dentre os projetos da comunidade, o verificador ortográfico Vero, o corretor gramatical CoGrOO, o Escritório Aberto, a documentação disponibilizada no próprio portal e os Grupos de Usuários de BrOffice.org (Gubros).

Para Fernando Vita, estudante de Licenciatura em Psicologia na UFPB e integrante da lista de discussão do Gubro-PB desde a sua criação, no III ENSOL, o encontro ajudou a conhecer o grupo e ainda, formar os GTs, mostrando aos integrantes o que, de concreto, cada um pode fazer. “Este é o momento de criarmos um sentimento de 'pertencença' ao grupo. Esse sentimento é fundamental para que os integrantes ganhem motivação pra trabalhar em prol do grupo”, disse Fernando.

Claudio destacou ainda que o BrOffice.org é também representado por uma pessoa jurídica, uma associação sem fins lucrativos que em 2008 foi qualificada como OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, sendo a primeira do Brasil no ramo do software livre. A OSCIP BrOffice.org presta apoio às atividades de Mercado, Desenvolvimento e à Comunidade.

O encontro foi recheado desses momentos de conhecimento e compartilhamento. A participação em eventos como o ENSOL mostra que as comunidades de software livre são feitas de pessoas exatamente como nós. E se elas podem dedicar parte de seu tempo para difundir a ideia, melhorar produtos e ajudar pessoas a conhecerem esse outro mundo, será que nós não podemos também?

Por fim, foi ressaltado um erro pedagógico muito comum: o ensino de Word, Excel e PowerPoint quando se deveria ser ensinado editor de texto, planilha eletrônica e apresentação. O aprendizado das ferramentas de escritório | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

O que nos impulsiona a estar cada dia mais envolvidos nesse meio é esse clima contagiante, que certamente deixará saudades... Mas só até o próximo ENSOL! 15

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Para ilustrar a possibilidade real disso, além da revista impressa, edição 11 que passou de mão em mão, foi apresentada a parceria do GuBrO-SP, Revista BrOffice.org e CDI Campinas/COMEC, entidades que trabalham com Inclusão Digital e Educação. Um grupo de jovens educandos estão aprendendo a usar o BrOffice.org como ferramenta de diagramação e ao mesmo tempo atuando como voluntários para a confecção de um Boletim Informativo do GuBrO-SP, seguindo o método de Por Luiz Oliveira trabalho colaborativo da Revista.

Flisol Campinas - SP Por Luiz Oliveira A organização do Flisol, Festival Latino Americano de Instalação de Software Livre, prepara tudo para que o evento aconteça no mesmo dia em toda a América Latina. Escolher o sábado, para algumas cidades, pode ser uma boa estratégia pois permite que os interessados possam participar do evento sem precisar pedir autorização no trabalho. Há quem reclame disso, sobretudo, em cidades grandes, cuja vocação é atrair pessoas de fora que voltam para suas casas no fim de semana.

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Dulio Neto

reportagem |

Este tipo de encontro é uma excelente oportunidade para fazer contatos, para conversar com lideranças de outros projetos e comunidades que trabalham e se dedicam ao desenvolvimento do Software Livre, mas também de empresas que olham o Software Livre hoje como uma oportunidade de negócio.

Arquivo pessoal

Luiz Oliveira

Este ano, o Flisol Campinas não estava tão movimentado como em anos anteriores, mas ainda assim reforçou sua vocação para encontros com elevado nível técnico. O BrOffice.org se fez presente em duas palestras. Edgar Costa do Grupo de Usuários BrOffice.org São Paulo, GuBrO-SP, fez sua apresentação e um laboratório mostrando o momento das Suítes de Escritórios e o aumento da produtividade das empresas interligando Suíte de Escritório Livre, certificação digital e software de gerenciamento eletrônico de documentos. Em outra apresentação foi mostrada a maneira como é produzida a Revista BrOffice.org. A ideia inicial era mostrar na prática como fazer qualquer tipo de impresso de modo colaborativo, usando o BrOffice.org para diagramar e acrescentando o "know how" da Revista, produzida por voluntários, mas que vem crescendo muito e exigindo profissionalização e busca de auto sustentabilidade. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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reportagem |

Flisol Campina Grande - PB

Arquivo pessoal

BrOffice.org no Flisol |

Flisol Novo Hamburgo - RS

Por Wilkens Lenon

Por Rochele Prass

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O Flisol, na cidade de Campina Grande, localizada no alto da serra da Borborema, no estado da Paraíba, foi uma realização do Grupo de Entusiastas do Software Livre de Campina Grande e contou com o apoio e presença do Gubro-PB com a palestra “O BrOffice.org, a inovação e a liberdade do documento”, ministrada pelo Professor Wilkens Lenon Silva de Andrade. A palestra mostrou o valor e a qualidade da suíte de escritório BrOffice.org como uma das melhores alternativas para informatização de escritórios na atualidade. Por outro lado, enfatizou o trabalho e a força solidária da OSCIP BrOffice.org como entidade organizadora da comunidade brasileira que, segundo o professor Wilkens, não só dá um grande contributo ao Movimento de Software Livre no Brasil como também estabelece excelentes relações e parcerias com outros países, especialmente na América Latina.

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Num clima de alegria, desprendimento e muita interação com os participantes que compareceram em grande número no auditório do Centro de Extensão José Farias da Nóbrega, na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) Wilkens mostrou, ainda, os principais diferenciais do BrOffice.org como a adaptabilidade, a portabilidade, o uso do padrão ODF, a interoperabilidade com outras suítes de escritório, a Interface intuitiva e, sobretudo, a independência do usuário e como seu direito de escolha em função da abertura do código e da LGPL que permite o livre acesso ao BrOffice.org. O ponto alto da palestra foi indicar aos participantes que poderiam envolver-se com a Comunidade através do site oficial do Projeto Brasil e também participando dos grupos de usuários locais com destaque para o Gubro-PB. Para o professor Wilkens Lenon o maior ativo de qualquer Projeto de Software Livre é a sua Comunidade de usuários porque nela reside toda inovação, criatividade e, sobretudo, a força do compartilhamento do conhecimento pelo viés da solidariedade.

Arquivo pessoal

Wilkens Lenon

Em Novo Hamburgo, cidade polo da região do Vale do Sinos, a programação, assistida por 135 participantes, foi organizada em duas trilhas de palestras, sendo uma totalmente voltada ao uso de software livre na educação. Professores convidados apresentaram palestras contando suas experiências com software livre. Conforme relata Daniel Bauermann, um dos organizadores do evento, essa trilha proporcionou uma grata surpresa: “Contamos com deficientes (visual e cadeirantes), mostrando como o SL tem atingido diferentes públicos”, diz. Já na trilha principal, tecnologias livres foram contempladas em duas apresentações e seis palestras relâmpago. Esta foi a quinta edição do FliSol organizada pelo grupo de usuários de software livre da região. No Rio Grande do Sul, seis cidades realizaram o evento.

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reportagem | BrOffice.org no Flisol |

Flisol Curitiba - PR

Flisol Porto Alegre - RS

Por Paulo Souza Lima

Por Rochele Prass

Em Curitiba, o evento teve a participação de cerca de 30 pessoas, entre palestrantes, voluntários e comunidade. A audiência foi um pouco prejudicada pela chuva e pelo frio mas, quem foi não se arrependeu. As atividades de instalação tiveram lugar no laboratório de informática da sala 9, no prédio principal da Faculdade Santa Cruz, no bairro Capão Raso. Foram atendidos cerca de 15 computadores, e instalados sistemas operacionais Debian e Ubuntu, entre outros softwares. Entre as palestras tivemos assuntos como “Empreendedorismo com Software Livre e Software Aberto”, “Limesurvey - Questionários Refrescantes, Fáceis e Livres”, “Por que o Software Livre é bom para o Brasil?”, “Multiterminais - o caso do Dinf UFPR”, “Lightning talks”, “Desenvolvimento Web Ágil com Python e Django” e “Desenvolvimento Dirigido por Testes com Junit”. Além das palestras oficiais, também tivemos palestras “relâmpago”, onde tivemos a oportunidade de falar um pouco sobre alguns motivos para utilizar o BrOffice.org. Também foi apresentado o projeto f123 (http://www.f123.org), que visa desenvolver um sistema baseado no Ubuntu para pessoas com limitações físicas.

Cerca de 150 pessoas participaram do FliSol Porto Alegre, superando a expectativa da organização local. Com uma grade de programação diversificada, o público teve oportunidade de conhecer iniciativas das comunidades que desenvolvem e mantêm software livre. A programação foi transmitida ao vivo pela TV Software Livre, que estreou no evento duas novas plataformas da TV: o portal, que aceita chat e agregador de redes sociais, e o publicador de transmissão de vídeos, desenvolvido em Phyton, que está na sua versão 0.6, conforme explica um dos coordenadores da TV Software Livre, Fabrício Solagna. Além disso, numa parceria com a comunidade BrOffice.org do RS, foram gravadas entrevistas com os palestrantes, transmitidas pela Rádio Software Livre.

Finalmente, no laboratório da sala 8, tivemos os workshops do Gimp e da plataforma de conteúdo Wordpress, que chamou a atenção de várias pessoas.

O BrOffice.org também marcou presença no evento, através da apresentação da Revista. Os participantes receberam exemplares da edição 11 e conheceram o método de produção da publicação. Sendo fruto do trabalho colaborativo de pessoas que se unem para propagar conhecimento sobre o aplicativo, a Revista BrOffice.org foi apresentada como um projeto que está crescendo e agregando colaboradores. Paulo de Souza Lima

A organização do Flisol em Curitiba esteve a cargo do GUD-BR-PR (Grupo de Usuários Debian do Paraná), em especial da Ana Carolina, Paulo, Fernando, Felipe, entre vários outros, com o apoio da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e das Faculdades Santa Cruz, que cedeu o local para o evento.

Paulo Paulo de de Souza Souza Lima Lima

A programação atraiu também alunos de informática da Escola Estadual Solon Tavares, de Guaíba, município próximo à Capital Gaúcha. A iniciativa foi do professor Rodrigo Warzak, que costuma levar os estudantes a eventos de software livre, já que a escola usa e divulga tecnologias de código aberto. Segundo o professor, o próximo passo da escola é se envolver com as comunidades de programas open source.

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Neurociência e a Arte de Superar Mudanças Uma teoria sobre a dificuldade de mudança de plataformas de software

nathancolquhoun

UFMG

artigo |

Por Rogerio Luz Coelho

Mudanças são necessárias. Quando falamos de Software Livre (SL), então, não só são necessárias como são obrigatórias, ainda mais em empresas que querem se manter competitivas em mercados muito acirrados ou na esfera global. Não existe uma razão inteligente para que uma empresa gaste milhares ou milhões em licenças de software quando temos substitutos adequados em SL. Por outro lado, mesmo com uma suíte de escritório madura como o BrOffice.org 3.2, mesmo mostrando os benefícios que essa iniciativa de coautoria traz para o desenvolvimento da informática em geral, mesmo que a alternativa paga seja inferior (como no caso do verificador ortográfico do BrOffice.org, o Vero, que é muito superior ao do padrão pago), ainda encontramos muita resistência quanto ao uso desses softwares. A pergunta é: por quê? Talvez o problema não seja a falta de preparo ou a maneira que o departamento de TI está fazendo a transição. Talvez o problema seja como o nosso cérebro está (ou não) preparado para lidar com essas mudanças. O cérebro é provavelmente a estrutura mais complexa que conhecemos. Mas estudos recentes têm cada vez mais mostrado como ele funciona, e dessa maneira conseguimos fazê-lo funcionar melhor ou de forma mais útil para nós.

Arquivo pessoal

Sabemos, por exemplo, que o cérebro tem uma capacidade de memória teórica que beira o infinito. Mas por que, então, às vezes esquecemos o telefone que nos foi dito 10 segundos atrás, por que todos aprendemos os últimos sucessos do rádio, mas esquecemos a matéria que aprendemos para a prova? Isso se deve em razão da maneira que o cérebro funciona. Ao contrário de um computador, não há um lugar ou “arquivo” onde guardamos o telefone que nos disseram. Para o cérebro funcionar devem ser desencadeados certos mecanismos eletroquímicos em suas conexões chamadas sinapses. E a grande vantagem do cérebro, em relação aos computadores atuais, é que o cérebro pode modificar a si mesmo para realizar funções que antes não conseguia. Essas modificações em número e configuração das sinapses se chamam “plasticidade neuronal”. É muito útil para que consigamos nos adaptar a novas formas de pensar, viver e ver a vida. O grande problema é que essa mudança de conformação não ocorre de uma hora para outra e que, além disso, há um enorme gasto de energia por parte do cérebro em si para que isso ocorra. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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artigo | Arquivo pessoal

Neurociência e a Arte de Superar Mudanças | Por Rogerio Luz Coelho Como todo sistema auto regulatório que se preze, o cérebro é averso a gasto desnecessário de energia. Por isso, ele se configura de uma maneira em que ele não precise mudar muito e, assim, não precise gastar tanta energia para essas mudanças. Isso é a razão de fazermos tanta coisa no “piloto automático”.

Lembrem-se: façam as mudanças e o aprendizado se tornar divertido. Uma boa maneira de começar é o verificador ortográfico Vero. Mostrem as vantagens, mostrem a beleza que é ficar sem energia em um computador (um que não seja usado em ambiente de produção, obviamente) e quando reiniciá-lo ter o BrOffice.org ali, perguntando se queremos recuperar os documentos abertos. Não imponha o software, consiga aliados que vão divulgá-lo positivamente aos colegas. E lembrem-se: se vocês estiverem se divertindo ao ensinar é mais fácil de conseguir que os outros se divirtam ao aprender. Boa transição e bem vindo ao mundo do Software Livre, diversão garantida! – RLC

Um exemplo disso é aprender a dirigir. No começo tínhamos que prestar tanta atenção em quando e como pisar no freio e trocar as marchas que não conseguíamos pensar em outra coisa. Assim que aprendemos e ficamos confiantes, conseguimos conversar, pensar no almoço, na reunião (e, para certas pessoas, é até possível se maquiar) sem nem lembrar se pisamos ou não na embreagem. Isso ocorre também com a maioria das coisas na nossa vida, inclusive com a suíte de escritório que as pessoas usam no seu dia a dia.

Rogerio Luz Coelho é Médico, Especialista em Acupuntura e Desenvolvedor Principal para o Brasil do projeto GNUmed – um prontuário eletrônico escrito em Python e que é o aplicativo principal do projeto DebianMed internacional.

Se vamos ter o trabalho de fazer uma mudança tão importante na maneira como as pessoas trabalham, devemos ter em mente a resistência do cérebro das pessoas a essa mudança. Temos que explicar o porquê dessa mudança, fazer as pessoas se interessarem por aprender, fazer o aprendizado divertido e interessante (pois quanto mais nos divertimos e nos sentimos bem fazendo algo, mais rápido o cérebro o torna automático).

Genistein

Que tal começar com coisas que as pessoas podem fazer e já sabem como, por exemplo os atalhos de CTRL+C e CTRL+V, abrir e salvar programas, botões de negrito, sublinhado, etc.? Depois disso podemos passar para problemas operacionais e suas diferentes maneiras de serem resolvidas com o BrOffice.org.

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Crédito haloocyn

artigo |

Por Gustavo B. Pacheco

Depois de uma longa disputa jurídica, 100 mil computadores com Linux e BrOffice.org estão à disposição dos professores do Rio Grande do Sul

A legalidade do processo licitatório levou as associações SoftwareLivre.org e BrOffice.org Projeto Brasil a mobilizarem um grupo de trabalho para uma avaliação detalhada do edital. À luz da lei de licitações 8666/93, foi protocolada a solicitação de anulação do pregão eletrônico 589, através de uma extensiva documentação técnica e jurídica que apresentava todos os problemas relacionados ao objeto do edital[2].

Desde o final de 2009, o Estado do Rio Grande do Sul foi palco de uma acirrada disputa jurídica envolvendo a aquisição de 80 mil notebooks para o programa Professor Digital, cuja proposta seria a de viabilizar o financiamento a longo prazo dos equipamentos para o quadro de professores da rede pública estadual.

A anulação foi solicitada através do procedimento administrativo constante no edital, mas que não foi acatada pela CECOM - Central de Compras do Estado[3]. A decisão contrária aos argumentos já era esperada. Todavia, se mostrava necessária para que pudéssemos credenciar uma interpelação judicial.

A execução do financiamento, no entanto, passaria pela publicação e execução do edital n.º 589[1]. O exame detalhado do material identificaria diversos problemas no texto, entre os quais:

A discussão do mérito da questão foi, então, para a Justiça, através de uma ação de mandado de segurança subsidiada pelas duas organizações (ASL e BrOffice.org). Embora os fortes e claros argumentos, o mandado de segurança foi indeferido pela desembargadora plantonista na noite anterior, dia 12/11/09, à data de execução do pregão[4].

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a não validade da execução do registro de preços antes da apreciação pelo Legislativo estadual; a descrição explícita de marcas e especificações de software; o não fracionamento do objeto entre hardware e software; a não consideração de outros softwares no objeto.

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O pregão foi realizado, então, no dia 13/11/09, tendo como fornecedores habilitados as empresas Positivo, Lenovo e Itautec.

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O Novo Professor Digital | Por Gustavo B. Pacheco Embora o revés aparente, as atividades do grupo de trabalho da ASL e BrOffice.org continuaram, pois o indeferimento imediato apenas teve como resultado a possibilidade de execução do pregão, não evitando que o mérito do mesmo continuasse sob questionamento até a avaliação pelas instâncias judiciais superiores do Tribunal de Justiça do Estado.

que os praticados com softwares proprietários [10]. Atendendo ao despacho do Desembargador Francisco Moesch, relator do processo, ASL e BrOffice.org responderam ao pedido de manifestação com a argumentação de que, mesmo com a reconsideração do objeto, mantinham-se os erros jurídicos e o descumprimento à Lei 8666 que justificaram a suspensão do edital [12].

Com a continuidade da ação judicial, as ações voltaramse para a aprovação do projeto Professor Digital na Assembleia Legislativa, onde direcionamos a mobilização para que houvesse a garantia, na aprovação do projeto de lei, da possibilidade de escolha de softwares livres entre os equipamentos ofertados aos professores do estado.

Como consequência, o mandado de segurança foi à votação pelo 11.º Grupo Cível, com um desfecho surpreendente para o processo. Por quatro votos a três, o colegiado decidiu que a Associação SoftwareLivre.org, impetrante titular da ação, não era parte legítima para impetrar o mandado de segurança de suspensão do pregão 589 [13]. Segundo a Desembargadora Maria Isabel de Azevedo Souza, a ASL não estaria defendendo o direito dos seus associados, visto que estes “não comercializam quaisquer tipos de softwares – livres ou proprietários”. É importante salientar que esse entendimento não foi acompanhado pelos desembargadores Francisco José Moesch, relator, Marco Aurélio Heinz e Mara Larsen Chechi, cujo voto pela legitimidade baseou-se no fato de que, ao apoiar a difusão dos softwares livres, a ASL está buscando a defesa dos interesses dos seus associados. Com a decisão, o mérito da ação, então, não foi apreciado, extinguindo-se o processo devido à decisão do grupo cível.

Na Assembleia, foram feitas diversas emendas ao Projeto de Lei nº273/2009, que dava origem ao Programa Professor Digital. Entre as quais a emenda n.º 5: "Inclua-se parágrafo no artigo 4º do Projeto de Lei nº 273/2009, com a seguinte redação: Art. 4º - ... “§ … - A regulamentação deverá assegurar a possibilidade de opção por softwares e sistemas operacionais livres e de código de fonte aberta, assim como o equipamento deve ser compatível com sistemas operacionais proprietários ou livres” No total, houve a aprovação de oito emendas que foram apresentas ao PL 573/2009[5], dando origem à Lei 13.310 de 14 de dezembro de 2009 que, posteriormente, foi sancionada pela governadora [6].

Entretanto, logo após, uma decisão da Procuradoria Geral, da Secretaria da Educação e da Central de Compras do Estado, para muitos surpreendente, suspendeu o pregão 589 e determinou o lançamento de dois novos pregões eletrônicos separados: um para adquirir 100 mil notebooks com Windows 7 e Office 2007, a um valor máximo de R$ 1,6 mil, e outro para adquirir 100 mil notebooks com Linux OpenSuse 11.2 e BrOffice.org 3.2, por um valor máximo de R$ 1,4 mil [14].

Como resultado, as mudanças efetivadas no Projeto de Lei através das emendas reforçaram a argumentação que defendíamos e geraram o fato novo para prosseguir com a discussão do mérito[7], com o argumento de que não há prerrogativa que justifique a execução de um processo licitatório antes mesmo da aprovação da lei que lhe dá origem, ainda mais com mudanças significativas no objeto do financiamento através das emendas parlamentares.

A argumentação pública da decisão foi que a demora na decisão judicial fez com que os aproximadamente 30 mil contratos de financiamento já assinados antes da suspensão temporária teriam perdido a validade e deveriam, então, ser refeitos. Todavia, vale destacar que a opção por continuar com o pregão 589 daria margem a uma disputa jurídica ainda maior, caso a ASL e a BrOffice.org optassem por recorrer da decisão em instâncias jurídicas superiores, com grandes chances de que o julgamento do mérito fosse confirmado. Além disso, a mobilização também deu-se na esfera do Ministério Público de Contas, em que, mais cedo ou mais tarde, o edital 589 seria questionado quanto à sua legalidade.

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O resultado do fato novo foi a notificação da suspensão de todas as atividades do projeto Professor Digital [8] até a apreciação definitiva do mérito pelo 11.º Grupo Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. A suspensão do projeto foi, obviamente, um empecilho para os propósitos do Governo do Estado, que recorreu ao Superior Tribunal de Justiça para a cassação da liminar, sem sucesso [9]. A derradeira tentativa de evitar o cancelamento do pregão 589 pelo governo foi a apresentação de uma consulta aos fornecedores dos equipamentos qualificados na licitação em que os mesmos se comprometiam a ofertar equipamentos com Linux e BrOffice.org com valores menores do

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artigo | O Novo Professor Digital | Por Gustavo B. Pacheco Por fim, apesar de os novos editais conterem alguns vícios de procedimento idênticos aos questionamentos que levantamos sobre o edital 589, chegamos a um cenário no qual comprovamos que a mobilização da comunidade de software livre, em especial, através das suas representações efetivas como as associações SoftwareLivre.org e BrOffice.org, tem condições efetivas de atuar em defesa da garantia de acesso às tecnologias livres.

Referências: [1] http://www.celic.rs.gov.br/index.php?menu=editaldetalhe&id= 820&link=Y29kdD0mY29kbT0mY29kcz0mZHRhaT0mZHRhZj0mcGVzc T0mcHJvY2Vzc289Jm9iamV0bz0mb3JkPQ== [2] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Questionamentos_ao_Edital_589.pdf [3] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Parecer%20Administrativo%20CECOM%20edital %20589%20-%2089742400095.pdf [4] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Mandado_Seguranca_e_Indeferimento.pdf [5] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Projeto_de_lei_573-2009.pdf [6] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Lei_13310_aprovada.pdf [7] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/fato%20novo%20preg%C3%A3o%20589.pdf [8] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Mandado_Notificacao.pdf [9] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/DocumentosProjeto ProfessorDigital/Tentativa%20de%20Suspen%C3%A7%C3%A3o%20da %20Liminar%20STJ.pdf [10] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/Documentos ProjetoProfessorDigital/Pedido%20de%20Reconsidera %C3%A7%C3%A3o.pdf [11] http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/Documentos ProjetoProfessorDigital/preg%C3%A3o%20manuten %C3%A7%C3%A3o%20liminar.pdf [13] http://www2.tjrs.jus.br/site_php/noticias/mostranoticia.php? assunto=1&categoria=1&item=114565 [14] http://www.celic.rs.gov.br/uploads/12713535730955831900096E PERP142notebookProgramaProfessorDigital...bcr09.04.10.pdf

Antes do processo, tínhamos uma oferta de 80 mil computadores apenas com softwares proprietários. No contexto atual, além da oferta original, serão 100 mil notebooks com Linux e BrOffice.org, permitindo que os beneficiários do projeto tenham acesso a uma solução tecnológica melhor e mais barata. O entendimento da posição assumida pela ASL e pela BrOffice.org ainda deve ser esclarecido para a sociedade. É preocupante que, em determinados momentos do processo, os questionamentos legais que levantamos tenham sido indeferidos por falta de conhecimento ou, ainda, por uma visão ultrapassada da responsabilidade das duas entidades na representação dos interesses públicos. De toda forma, o histórico do pregão 589 no Rio Grande do Sul servirá de aprendizado para a atuação em ações futuras que envolvam a mesma problemática. Foi-se o tempo em que uma licitação poderia ser feita sem que houvesse vigilância alguma sobre os aspectos técnicos e jurídicos. A organização da comunidade de software livre, hoje, alcançou a maturidade suficiente para cumprir esse papel com responsabilidade.

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Conselheiro da Associação BrOffice.org Coordenador Adjunto da Associação SoftwareLivre.org na gestão 2006-2008

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Bioxid

artigo |

O que há por trás de uma licença ? Ainda hoje, para uma parcela significativa dos usuários das tecnologias de informação, é comum associar as iniciativas de software livre/aberto apenas com a ideia da distribuição gratuita de programas de computador. Para estas pessoas, free software, freeware e shareware são termos praticamente equivalentes, relacionados ao uso e distribuição dos produtos. Obviamente, para a comunidade de desenvolvedores de software livre/aberto e para alguns usuários “avançados”, esta confusão conceitual parece estar resolvida: trata-se sobretudo de uma questão de liberdade e não apenas de gratuidade. Mas o que isso representa, em termos práticos? Como as pessoas percebem esta liberdade?

Nas licenças de software “proprietário”, os usuários estão condicionados previamente ao papel predominantemente passivo de consumidor. Em geral, se estabelece uma relação comercial entre fornecedor e comprador, na qual dinheiro é trocado pelo uso e (eventualmente) pela possibilidade de recorrer aos direitos do consumidor, como atualizações ou garantias do produto, etc. A capacidade de intervenção dos usuários, portanto, é mínima: muitas vezes, lhes é permitida somente a escolha entre um ou outro fornecedor. No caso do software livre/aberto, a licença permite um potencial "empoderamento" (empowerment) do usuário: ao invés de deter apenas os direitos de consumidor, ele passa a ter os direitos e deveres de co-produtor. Desta maneira, este usuário-produtor pode interferir no processo de construção dos programas, nos métodos de distribuição, divulgação, etc. Os mecanismos de troca e recompensa não são mais apenas dinheiro e licenças de uso: a "moeda de troca” passa a ser de outra ordem, como incentivos morais e o reconhecimento da comunidade. Afinal, trata-se de um modelo mais complexo do que a simples relação comercial, justamente porque pressupõe um determinado comprometimento dos voluntários e porque envolve concepções culturais, filosóficas e políticas de indivíduos distintos, com históricos e trajetórias pessoais que podem variar enormemente.

Do ponto de vista jurídico-formal, as licenças de software possuem uma função específica, através da qual o usuário compromete-se a “respeitar as regras propostas pelo titular do software”. Deste modo, as licenças de software livre/aberto seguem as premissas gerais estabelecidas no GNU Manifesto, buscando garantir o uso, adaptação e distribuição irrestritos dos programas de computador. Em outras palavras, as licenças livres/abertas tornam-se, simultaneamente, um mecanismo de proteção intelectual e uma maneira de formalizar e perpetuar este modelo de produção de tecnologias de informação. Todavia, a existência de uma dimensão formal não garante, necessariamente, que todas as pessoas envolvidas tenham exatamente a mesma concepção sobre os direitos e deveres proporcionados por estas licenças. Por exemplo, em determinadas ocasiões, iniciativas de software livre/aberto podem se defrontar com flutuações na frequência de participação dos voluntários, ou ainda com a participação, digamos, oportunista de algumas pessoas que buscam benefícios próprios através do esforço coletivo. Por detrás da formalidade das licenças de software existem, portanto, complexas questões filosóficas, culturais e morais.

Para que uma iniciativa de software livre/aberto seja bemsucedida é desejável que as pessoas estejam engajadas e que se mantenham genuinamente comprometidas com os pressupostos do movimento. Em outras palavras, para além dos aspectos formais, é preciso que se compreenda tudo aquilo que há por trás de uma licença. Sem este tipo de entendimento e sensibilidade, GPL, LGPL ou BSD são apenas nomes e determinações jurídicas, incapazes de traduzir a riqueza do movimento e dos projetos que as sustentam.

Arquivo pessoal

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nathancolquhoun

Por Maiko Spiess

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Crédito spekulator

entrevista |

Por Rochele Prass

Olivier Hallot Formou-se Engenheiro Eletrônico pela PUC Rio em 1982, Mestre em Ciências em Engenharia de Sistemas pela PUC-Rio em 1984, e Mestre em Negócios de Petróleo pela COPPE-UFRJ em 2000. Iniciou sua carreira no Centro Científico da IBM em Brasília em atividades relacionadas à exploração e produção de petróleo, notadamente em interpretação geofísica e processamento numérico geofísico. Em 1990 passou a atuar em vendas de soluções de informática para a Indústria de Óleo e Gás até 1997 em toda a América Latina. Em 1998 ingressou na Oracle do Brasil no segmento petróleo onde depois atuou no relacionamento da empresa com o meio acadêmico e com as alianças estratégicas com fabricantes de Hardware. Hoje é consultor em sistemas de informação, diretor financeiro voluntário e membro do conselho deliberativo da BrOffice.org – Projeto Brasil, e líder do time de tradução do software para o Português do Brasil. Em 2010, eleito Membro do Conselho Internacional OpenOffice.org. Além destas atividades, participa do desenvolvimento do software a nível mundial.

O Conselho OpenOffice.org tem um representante brasileiro, eleito no início de maio por votação entre os membros registrados na comunidade internacional OpenOffice.org. O diretor administrativo financeiro do BrOffice.org, Olivier Hallot, ocupa uma das duas cadeiras da categoria Native Language Confederation Representative, que se destina, basicamente, à representação de comunidades e seus relacionamentos internacionais. Conforme explica Olivier, o Conselho foi criado para várias funções. Em particular, ele tem uma voz no direcionamento do produto e no relacionamento da comunidade com outros entes.

mos e da primeira tradução, em que trabalhou em conjunto com uma equipe de voluntários do Brasil. Em ação até hoje, ele continua na coordenação da tradução, desenvolve extensões para o BrOffice.org, e atua como consultor sênior no projeto entre a BrOffice.org e a Petrobras.

Arquivo pessoal

Olivier Hallot já está integrado ao Conselho, para um mandato de dois anos. Ele conta à Revista BrOffice.org que levará à comunidade internacional do OpenOffice.org a dimensão do projeto no Brasil. A ideia, explica, é compartilhar experiências positivas e significativas no País com outras comunidades, fomentando iniciativas que contribuam para a disseminação da suíte e de seu sistema de negócios ao redor do mundo.

A trajetória de Olivier como colaborador do OpenOffice.org começou em 2002, com a elaboração do glossário de ter-

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entrevista | Arquivo pessoal

Conselho Internacional OpenOffice.org tem representante do Brasil | Por Rochele Prass Qual a importância de termos um brasileiro (do BrOffice.org) entre os conselheiros?

O que é o conselho Formado para orientar a comunidade no planejamento estratégico e alocação de recursos, relações com os patrocinadores e público e arbitragem na Comunidade, o Conselho OpenOffice.org é uma associação de voluntários, sem personalidade jurídica. Composto por um grupo de dez membros, o órgão tem representantes divididos em cinco categorias: três pessoas que contribuem para o código-fonte do repositório do código do OpenOffice.org; três colaboradores de desenvolvimento do produto não relacionados com o códigofonte, como documentação, controle de qualidade, distribuição e marketing; dois para o relacionamento internacional; um representante da Comunidade, na defesa dos usuários finais; e um representante da Oracle.

Em qualquer foro internacional de interesse do Brasil, convém que tenhamos um representante. Em nosso caso, o BrOffice.org tem se destacado como uma das comunidades OpenOffice.org mais atuantes e inovadoras, além de ser muito grande e de forte alcance social. Precisamos incluir nossas necessidades e transmitir nossas experiências para um foro mais amplo e direcionar o software e sua comunidade internacional.

O que te motivou a se candidatar a uma cadeira no Conselho? Justamente a preocupação de que nós não tínhamos uma representatividade significativa em nível internacional. Somos uma grande comunidade e é muito importante que a voz do Brasil seja levada para o Conselho, que é composto eminentemente por representantes do primeiro mundo. Esta é uma outra vertente que eu gostaria de explorar: ter uma voz um pouquinho mais ativa, trazida não somente pelo Brasil, mas pelos países emergentes.

Os conselheiros são eleitos através de processo aberto, dentro de princípios de democracia e meritocracia. Todos os membros da comunidade OpenOffice.org são elegíveis. A cada abertura de vagas, é publicada uma chamada de candidatos. Os membros da comunidade podem indicar candidatos ou se candidatar. As categorias de assento têm ciclos eleitorais independentes, com mandatos de dois anos para as categorias Contribuição no Código, Desenvolvimento de Produto e Línguas Nativas. As eleições são realizadas a cada 12 meses, renovando parte de cada grupo. O Representante da Comunidade na categoria Colaboradores de Código tem mandato de doze meses. Já o representante da Oracle é substituído por critério da empresa.

Quais foram as ações mais significativas do Conselho desde que ele foi formado? Por exemplo, o conselho tem atuado na arbitragem de determinados antagonismos e se manifestado como uma voz para o direcionamento do produto, no relacionamento e da comunidade de usuários e desenvolvedores com as principais companhias. Ele tem apoiado a resolução de determinados problemas tecnológicos com os desenvolvedores. Este ano, está em discussão a nova logomarca para o OpenOffice. Tais modificações serão trazidas em parte para o BrOffice.org. Nossa marca vai mudar um pouco em termos de layout e nós temos o desejo de que ela tenha uma proximidade com a marca internacional. Mas ainda não temos previsão de datas.

Brasil, que é muito grande, e não é bem conhecida globalmente. Com a nossa representação, iremos enfatizar a importância do nosso projeto no cenário internacional. Além disso, temos experiências que gostaríamos de compartilhar com as comunidades.

Como a diferença do nome repercute na comunidade internacional? Os outros países têm a exata noção de que o BrOffice.org também é OpenOffice.org? Os outros países não têm uma visão muito clara do que é feito no Brasil, até porque sempre tivemos um papel razoavelmente discreto em termos de geopolítica. Mas, nos últimos anos, o Brasil tem se destacado em relação à implantação de software livre. A mudança do nome foi amplamente explicada e amplamente divulgada, enfatizando que a diferença é por uma razão legal, que é intrínseca ao Brasil. Além disso, nós sempre nos identificamos claramente como um membro da comunidade internacional do OpenOffice.org. Arquivo pessoal

O que você destaca como necessidades mais urgentes da comunidade brasileira que você pretende levar para discussão internacional? O BrOffice.org – Projeto Brasil tem algumas peculiaridades. Temos um nome e marca diferentes. Em relação ao produto, incluímos o dicionário de Português do Brasil, o corretor gramatical. É importante que nós levemos para o Conselho a verdadeira dimensão do BrOffice.org no

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entrevista | Conselho Internacional OpenOffice.org tem representante do Brasil | Por Rochele Prass O fato de o Brasil estar mais em evidência nos últimos anos no cenário político e econômico internacional colabora para essa visão sobre tecnologia surgindo no Brasil?

Qual será a linha de atuação da representação brasileira? Pretendemos consolidar o produto BrOffice.org, as suas tecnologias, os formatos ODF e os modelos de negócios que desenvolvemos no Brasil para outros países. Quanto maior a base instalada de BrOffice.org e ODF mais oportunidades desenvolveremos. Também quero participar ativamente do planejamento estratégico e do direcionamento tecnológico do projeto OpenOffice.org. Por ser dirigente do BrOffice.org, coordenador da tradução e consultor da tecnologia, estou animado com a perspectiva de termos um dia, um núcleo local de desenvolvimento em coordenação com o projeto internacional, o qual pretendo ser o elemento de ligação. Mas o que poderá dar um retorno mais forte ainda é desenvolver novas modalidades de negócios com software livre, em que os valores econômicos da comunidade e do produto BrOffice.org consigam ser mais altos que os valores financeiros tradicionais dos modelos atuais. Isso irá requerer muita criatividade e não vai se encaixar nos manuais das escolas de negócio com facilidade. Talvez devamos escrever novos capítulos.

Sim, de alguma forma, sim. Ainda que nós não sejamos ainda muito presentes no cenário tecnológico internacional, o Brasil tem aumentado a sua participação não só na área de informática, mas também em áreas como energias alternativas e desenvolvimento sustentável. A tecnologia vem a reboque. Em termos de software livre, o Brasil já é um polo muito importante. As demandas e a voz da comunidade brasileira se parecem com quais outras questões que se debatem no Conselho? É possível compará-las com algum outro país? Eu acredito que nós aqui da BrOffice.org fomos muito mais ousados que a maioria das comunidades de OpenOffice.org do mundo inteiro. Nós tomamos uma iniciativa de nos organizar juridicamente. Buscamos recursos para defender o projeto e essa ainda não é uma prática implementada no resto do mundo. No Brasil, nós fomos até uma organização formal. Nesse contexto, a posição do Brasil é inovadora na forma de sustentabilidade do projeto. Nós gostaríamos que outras comunidades se organizassem de uma forma equivalente ou similar.

Nós não queremos um produto inventado num laboratório e colocado no mercado. Os

As experiências da comunidade BrOffice.org podem contribuir de que maneira?

usuários têm a necessidade de

Nós estamos encaminhando, trilhando, inovações aqui no Brasil. Temos recebido respaldo de grandes empresas e essa experiência não é obtida com muita frequência no mundo. Os resultados têm sido muito positivos e nos animam a reportá-los a outras comunidades, através do Conselho. Com essa dinâmica, esperamos que ele possa ser o fomentador de comunidades autossustentáveis em outros países. Podemos citar como exemplo algumas migrações que presenciamos aqui no Brasil, seja de forma independente, ou com apoio da nossa OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Casos como o do Tribunal de Contas do Estado do Mato Grosso, ou da Petrobras são exemplos muito raros mundialmente. Isso evidencia que, quando a indústria e os clientes têm um interesse em comum, eles caminham para que esses interesses sejam atendidos. E é uma realidade que estamos vivenciando. Nós tentamos sempre ajudar e até mesmo fomentar a migração e a utilização do BrOffice.org no Brasil. Nós acreditamos que o Conselho OpenOffice.org pode ser maior indutor de ações regionais, para que as comunidades se organizem e se posicionem como agente de mudança dentro do cenário de cada país. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

expressar o que desejam

De que forma você pretende encaminhar o direcionamento tecnológico do software? A Tecnologia da Informação evolui muito rapidamente. Em alguns poucos meses, surgem novos conceitos, novas redes sociais... A internet tem sido um grande motivador de inovação e atualmente se fala muito sobre a forma como as pessoas se relacionam com o computador, seja ele via desktop ou via nuvem. O OpenOffice.org precisa acompanhar essa evolução e definir a sua posição tecnológica nesse cenário. Ele não pode ser um software parado no tempo. Daí a necessidade de nós trabalharmos para levá-lo a um patamar de modernidade, compatível com as necessidades presentes e futuras dos usuários - inclusive antecipando novas formas de trabalhar com suíte de escritório. Um dos exemplos é o Projeto Renassaince, que prevê refazer a interface de usuário do OpenOffice.org.

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entrevista | Conselho Internacional OpenOffice.org tem representante do Brasil | Por Rochele Prass Essa reformulação é baseada em dados que foram coletados com as experiências de uso das ferramentas, em particular do Impress. Através desse tipo de estudo e através dessa participação no Conselho, nós pretendemos, sim, dar uma voz e um direcionamento tecnológico ao produto. Isso porque nós entendemos que o OpenOffice.org deve contar com a participação da comunidade no seu desenvolvimento. Nós não queremos um produto inventado num laboratório e colocado no mercado. Os usuários têm a necessidade de expressar o que desejam da sua suíte de escritório.

Nós aqui da BrOffice.org fomos muito mais ousados que a maioria das comunidades de OpenOffice.org do mundo inteiro

E esta é uma necessidade global...

Quando você fala numa relação diferenciada entre software e economia, você fala que há capítulos a serem escritos. Quais seriam as primeiras linhas?

Sim, ela não é exclusiva do OpenOffice.org nem do BrOffice.org. Trata-se de algo que acontece em todo software livre, que é realmente criado a partir das necessidades e sugestões de seus usuários. Eu vou dar um exemplo, que não é especificamente tecnológico: os layouts que estão sendo discutidos em relação à logomarca estão sendo debatidos com a comunidade. Há opiniões de vários usuários do software. Também já houve discussões, por exemplo, sobre as cores dos gráficos. O Conselho determinou uma votação livre na internet para que os usuários fizessem as escolhas. É uma forma de a comunidade participar ativamente do desenvolvimento do software.

A relação que há entre o software livre e os principais usuários, sejam eles pessoas simples ou grandes empresas, é diferente da relação tradicional que a indústria de software tem. Costuma-se, por exemplo, dizer assim: “ah se eu sou uma empresa grande, eu pago mais, se eu sou uma empresa pequena eu pago menos”. De repente, essa não é uma relação a ser mantida. O desafio é encontrar um modelo que consiga fazer com que o OpenOffice/BrOffice.org tenha sua sustentabilidade com o negócio, trazendo benefícios para os seus usuários. Essencialmente, existem muitas ideias que podem se tornar implementáveis. Depende de que essa criatividade tenha respaldo na economia. O modelo tradicional vai se desgastar e ele já está evoluindo para serviços e pode evoluir também para outras áreas de negócios. É uma construção a ser feita.

Existe algum projeto de desenvolvimento do código do OpenOffice.org no Brasil? Isso sempre é uma coisa que nós olhamos com bastante carinho no futuro. Quer dizer, estamos pensando... Acreditamos que ter desenvolvedores localizados no Brasil é uma oportunidade muito interessante. Mas é um projeto bastante ambicioso, de alcance muito grande, que nós ainda estamos só na base de cogitação. Nada impede que ele possa ser colocado em prática - temos que tomar as decisões nos momentos certos e conseguir os recursos necessários.

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Comunidade Portuguesa do OpenOffice.org

Wikimedia nathancolquhoun

Wikimedia

entrevista |

Por Rochele Prass

Conhecer iniciativas e trocar experiências. Com essas motivações, a Revista BrOffice.org conversou por e-mail com o coordenador da comunidade OpenOffice.org de Portugal, Rui Fernandes, licenciado em Informática e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), que está à frente do projeto há três anos. Os casos de migração para BrOffice.org no Brasil são citados por Rui Fernandes como experiências que podem colaborar para incentivar a adoção de OpenOffice.org em Portugal. Políticas públicas, educação, a relação com a economia, além das atividades da comunidade portuguesa são outros assuntos trazidos pelo coordenador.

Foi no decorrer do estágio deste curso (Informática e Gestão de Empresas) que me tornei colaborador da Caixa Mágica Software, que é uma empresa que fornece serviços e produtos baseados em Open Source, sendo que, Caixa Mágica, é igualmente a maior distribuição portuguesa de Linux. Foi neste enquadramento que me tornei coordenador do OpenOffice.org Portugal.

O total de downloads de versões portuguesas desde o lançamento da versão 3 em Outubro de 2008 totalizam já 566 689, a que se juntam os 500 000 pré-instalados nos computadores Magalhães distribuídos aos alunos das Escolas Básicas, e os 210 000 pré-instalados com Linux Caixa Mágica nos computadores dos alunos das Escolas Secundárias.

Arquivo pessoal

Qual é a sua formação profissional e como tornou-se coordenador da comunidade OpenOffice.org?

Tens índices ou estimativa de número de downloads e usuários do OpenOffice.org em Portugal até o momento?

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entrevista | Arquivo pessoal

Comunidade Portuguesa do OpenOffice.org | Por Rochele Prass Há quanto tempo existe a comunidade no país e como foi a organização da mesma?

Por altura em que foi disponibilizado a versão 3.0 organizamos a semana do OpenOffice.org, que contou com o apoio da Sun Microsystems, Caixa Mágica, ANSOL, Intraneia e Sapo. Neste evento foram organizadas várias sessões de esclarecimento, e participamos no primeiro Encontro Intercontinental do OpenOffice.org onde estivemos ligados por videoconferência com o Brasil, Paraguai, Uruguai e Galiza. Contamos ainda com a presença de Louis Suárez-Potts, o líder da comunidade mundial do OpenOffice.org.

A comunidade existe em Portugal desde 2004, sendo Vítor Domingos o seu primeiro líder. A comunidade organizou-se com voluntários, com a primeira reunião a decorrer numa instituição do ensino superior, o ISCTE. As localizações e as builds eram feitas localmente. Passou-se depois a contar com a colaboração de Pavel Janik, em Praga, para as builds. Em 2007 houve uma transferência de testemunho, e passei a ser o novo líder. Para além das contribuições individuais começamos também a contar com as empresas Caixa Mágica, Intraneia e Sun Microsystems. A localização passou a ser assegurada pela Sun Microsystems Portugal, que para além dos menus incluiu também a tradução do Help, que ainda não se tinha completado. As builds passaram a ser feitas pela Sun Microsystems em Hamburgo, e a Caixa Mágica assumiu a gestão do site pt.openoffice.org. Mais recentemente a comunidade começou também a assegurar os testes de Quality & Assurance, o que permitiu colocar a versão portuguesa para descarga no site principal do OpenOffice.Org

Outro dos projetos com grande impacto foi o desenvolvimento de uma versão do OpenOffice.org adaptada para São Tomé e Príncipe, e que está a ser distribuída pelo governo à Administração Pública desse país. Temos estado presentes nas últimas conferências do Openoffice.org, à excepção da que ocorreu em Pequim, e contamos também estar presentes em Budapeste. Publicamos com alguma regularidade Press Releases sobre a evolução do OpenOffice.org, e estamos a planear um canal no Twitter e no Facebook.

Aproximadamente, quantas pessoas integram a comunidade do OpenOffice.org em Portugal?

No nível governamental, como estão as políticas públicas de uso de software de código aberto, principalmente no que se refere ao OpenOffice.org?

Cerca de 9 pessoas, entre voluntários a título individual e das empresas que participam no projecto português.

Em Portugal o governo desenvolveu o plano tec nológico em que se previa o uso de software de código aberto no setor público sempre que possí vel, mas a verdade é que infelizmente a imple mentação desta tecnologia está longe de ter visi bilidade externa.

As comunidades são sem dúvida a maior fonte de intercâmbio entre os dois países, pois permitem a troca de ideias e conhecimento, praticamente em tempo real

À semelhança do software aberto, o nível de penetração do OpenOffice.org no setor público é mínimo. Em muitos organismos públicos o OpenOffice.org encontra-se de facto instalado mas raramente é a primeira escolha do utilizador uma vez que existem dificuldades de integração com software proprietário. Ainda assim existiram os projetos já referidos a nível do Ministério da Educação que levaram à ins talação de Linux com OpenOffice.org em centenas de milhares de PCs.

Podes nos falar um pouco sobre as atividades e projetos da comunidade?

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Arquivo pessoal

A partir do momento em que se conseguiu assegurar a localização completa do OpenOffice.org começaram os contactos com o Ministério da Educação. Conseguiu-se em 2004 a instalação dos primeiros 20.000 computadores com OpenOffice.org na partição Linux dos mesmos. Continuou-se depois com a distribuição de CDs com OpenOffice.org e outro software open-source em todas as escolas, o que tem acontecido anualmente. Mais recentemente, desde 2008, o OpenOffice.org passou a estar incluído na partição Linux Caixa Mágica de todos os computadores distribuídos aos alunos portugueses, e já chegamos aos 710.000, com mais 200.000 a serem distribuídos em breve.

Vários partidos políticos anunciaram que vão levar ao Parlamento uma proposta de lei para dar prioridade ao software open source na Administração Pública. Já não é a primeira vez que se tenta. Esperamos que com a difícil situação financeira que Por tugal vive seja aprovada desta vez.

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entrevista | Comunidade Portuguesa do OpenOffice.org | Por Rochele Prass Entre empresas do setor privado, como está a adoção do aplicativo?

A divulgação de casos de sucesso no Brasil Pode-nos ajudar na adoção em Portugal

Não existe muito feedback nem estatísticas relativamente à adoção do OpenOffice.org no sector privado, mas acredito que proliferam as “implementações silenciosas”, também motivadas pela crise mundial que nos afeta atualmente, e que conduzem a políticas de redução de custos.

Em sua opinião, como as comunidades brasileira e portuguesa do OpenOffice.org (no Brasil, BrOffice.org) podem contribuir uma com a outra?

Como é a aceitação open source entre usuários em Portugal?

A comunidade brasileira do BrOffice.org sempre contou com uma comunidade numerosa e muito ativa e sem dúvida que Portugal e Brasil podem ganhar bastante com a partilha de experiências e conhecimento. A divulgação dos casos de sucesso no Brasil pode-nos ajudar na adoção em Portugal. Na minha perspectiva, com o recém aprovado acordo ortográfico, poderão surgir no futuro muitas parcerias por forma a unir esforços e trabalhar em objetivos comuns. Thesaurus, dicionários de sinônimos e corretor gramatical são um bom exemplo disso mesmo.

Apesar da força da Microsoft em Portugal, várias vezes premiada por ser a melhor subsidiária mundial daquela multinacional, as nossas estatísticas demonstram uma implementação ainda pequena mas crescente. A língua e a história unem Brasil e Portugal. Como é, atualmente, o intercâmbio de informações sobre tecnologias de código aberto entre os nossos países? As comunidades são sem dúvida a maior fonte de intercâmbio entre os dois países, pois permitem a troca de ideias e conhecimento praticamente em tempo real. A inovação das tecnologias de comunicação tem permitido enriquecer e aumentar as trocas de informação e aproximar os dois países a todos os níveis. Fóruns, blogs, canais de comunicação instantânea e videoconferência têm sido os meios privilegiados de discussões sobre as tecnologias de código aberto.

Arquivo pessoal

A Revista BrOffice.org optou por manter a grafia original das respostas do entrevistado, o Português de Portugal. Por isso, algumas palavras, como "sector", não foram alteradas.

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ooo4kids

novas tecnologias |

Por Rochele Prass

O computador é um equipamento que já faz parte da realidade dos lares mundo à fora. Em 2009, 36% dos domicílios urbanos possuíam ao menos um PC, contra 28%, em 2008, segundo estudo do uso de tecnologias e comunicação do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). As suítes de escritório são as ferramentas básicas de qualquer usuário, mas geralmente são feitas para atender às necessidades de adultos. Qualquer um que convive com crianças sabe: quem nasceu em plena era da tecnologia não quer ficar de fora dela, seja para os conhecidos hábitos de imitar os pais, seja para realizar as tarefas da escola. Com o propósito de se aproximar da realidade de estudantes na faixa etária de 7 a 12 anos, surgiu o OpenOffice4Kids, internacional

software

OpenOffice.org,

baseado que

traz

no

projeto

um

visual

simplificado, a fim de facilitar as tarefas dos pequenos. De acordo com o site do projeto, até o momento, já foram registrados quase 295 mil downloads. A versão mais atual, a 0.9.5 (beta), tem tradução para vários idiomas, entre eles, português. O software tem distribuição Arquivo pessoal

gratuita, com o mesmo licenciamento do OpenOffice.org, e está disponível para sistemas operacionais Linux, Windows e Mac. Para Windows, também existe a versão portátil.

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novas tecnologias | Arquivo pessoal

OoO4Kids – Educando crianças da maneira certa | Por Rochele Prass

OOo4kids - Conhecendo A instalação do aplicativo é semelhante à que os usuários adultos já estão acostumados.

A

partir

de

testes

realizados pela Revista BrOffice.org, observa-se que as diferenças estão apenas no visual do instalador, que tem um design voltado ao público infantil.

Na janela principal do aplicativo, em que os programas são iniciados, a aparência amigável e as cores suaves são planejadas para atrair o olhar infantil. Os ícones grandes e intuitivos e as descrições dos programas também

Arquivo pessoal

são simplificados.

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novas tecnologias | OoO4Kids – Educando crianças da maneira certa | Por Rochele Prass

Menor quantidade de ícones, em tamanhos maiores, são também a característica

da

interface

dos

programas da suíte. Ao comparar a versão

infantil

com

a

versão

tradicional do Writer, percebe-se que o usuário tem à frente uma diversidade

menor

de

opções,

tornando a realização de tarefas básicas mais simples.

A experiência de uso para crianças também é significativamente simplificada no Calc:

O OpenOffice4Kids é parte do projeto Education OpenOffice.org, através da Associação EducOOo, entidade sem fins lucrativos. O projeto nasceu a partir da identificação da necessidade: uma suíte dedicada à educação, especialmente no nível fundamental.

Saiba mais sobre o OpenOffice4kids: http://wiki.ooo4kids.org Link de download da suíte em português: http://download.ooo4kids.org/pt-pt Conheça o EducOOo: http://www.educoo.org

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reportagem |

Por Luiz Oliveira e Duilio Dias Neto

É

possível ter uma ideia do que foi o evento pelas imagens abaixo, mas só podemos saber o que foi de verdade o IV Encontro Nacional quando participamos dos dois dias, com a certeza de que todos os envolvidos, de norte a sul do país, saíram satisfeitos pela oportunidade de compartilhar conhecimento. A comunidade OpenOffice.org no Brasil, mais uma vez, mostra a sua força e determinação, ligando o país de ponta a ponta para discutir Tecnologia da Informação tendo o BrOffice.org como condutor.

A comunidade BrOffice.org agradece a todos que se empenharam para viabilizar a realização do IV Encontro Nacional. O incentivo e confiança depositados no evento pela Caixa, Petrobras, Serpro, Dataprev, Governo Federal e a parceria com o SENAI-MT e a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (SICME), no Programa Indústria em Ação, desenvolvido pelo Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso - Sistema FIEMT proporcionaram dois dias de discussões de alto nível, apresentando caminhos para o desenvolvimento econômico sustentável e inclusão social a partir do trabalho da equipe BrOffice.org. Agradecemos especialmente ao Serpro e Dataprev, que, além de patrocinar o IV EnBrO, envolveram outras entidades, apoiando e valorizando o voluntariado. Agradecemos aos colaboradores da comunidade BrOffice.org, em especial aqueles que fazem parte dos Grupos de Usuários de seus estados, sem os quais nada disso seria possível.

Patrocinadores

Realização

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reportagem | Por Luiz Oliveira e Duilio Dias Neto

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reportagem |

Arquivo pessoal

Arquivo pessoal

Por Luiz Oliveira e Duilio Dias Neto

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reportagem | Por Luiz Oliveira e Duilio Dias Neto

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reportagem | Por Luiz Oliveira e Duilio Dias Neto

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cultura |

Década de 1990, quando a Magia volta à Terra, trazendo caos para todos os lados. Redblade narra a jornada de um grupo de aventureiros por países devastados. A história acontece no mesmo mundo de Marfim Cobra e Jasmim, romances do mesmo autor, mas traz uma abordagem diferente. Esta pretende ser uma história seriada. Será publicado um episódio por edição da Revista BrOffice.org. Espero que apreciem Redblade.

Episódio 03: Mestre e Aprendiz

Por Cárlisson Galdino

Às vezes tudo se encaixa sem que precisemos fazer muito. Como obra de magia, de uma hora para outra nos vimos como parte de uma grande e assustadora história...

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cultura | Redblade | Por Carlisson Gladino

- É precisamente a forma como penso. Tu és um aluno dedicado e tens bolsa de monitoria em minha disciplina. Por isso te trago uma boa notícia. - E qual seria? - Haverá na próxima semana um debate em Le Mans sobre todas essas coisas que vêm acontecendo. - Le Mans? - É, na França!

- Fábio? Pode entrar! - Uma voz com sotaque português bastante carregado vem de dentro da sala. Também pudera, estávamos na Universidade de Coimbra. Sim, Fábio é meu nome. Fábio Dutra, às suas ordens! - Professor Álvaro? Queria falar comigo?

- Que estranho? - Por que estranhas? - Numa cidade desconhecida... - Ora, mas não sabes nada mesmo desses hábitos universitários... Escolhe-se os lugares mais diferentes quando o que há a tratar não exige objetos muito pesados ou laboratórios de alguma localidade específica. Le Mans! França! Além do que não se trata de um debate aberto. Farão parte apenas estudiosos de arqueologia, cultura primitiva, humanismo, sociologia, teologia, tealogia e conhecimentos afins. Só destes e somente os que se interessem!

- Sim, gostaria. Tens acompanhado as notícias sobre o mundo? - Sim, professor! Tudo está louco! Até escrevi uma poesia... - Muito bem! - o professor – E o que achas que está havendo? - Sinceramente não faço ideia... - Fazes, decerto que fazes! Até escreveste poesia a este respeito! Vamos, diz-me!

- Interessante. - Claro que é! E muito bom para o teu currículo também! Deixe-me teus dados faltantes naquela ficha na mesa para que eu dê entrada ainda hoje. E tu vais comigo pela UC.

- Pois bem, acredito que alguma Caixa de Pandora foi aberta e que o que estamos vendo na verdade é a ressurreição dos antigos mitos e folclores dos mais variados povos.

- Sério?

- Continue...

- Sério. Mas há algo que terás de fazer em troca, Fábio?

- Se as coisas forem mesmo assim, significa que todo o folclore e conhecimento popular talvez tenha sido conhecimento de uma realidade que foi perdida, e que agora estaria retornando.

- O que é? - Terás que anotar cada palavra que for proferida durante o debate e as palestras a que assistir, combinado?

- Falaste muito bem, Fábio.

E foi assim que entrei – ou melhor, entramos – também nesta história...

- Obrigado, professor.

Cárlisson Galdino

Bacharel em Ciência da Computação pela UFAL, pós-graduado em Produção de Software com Ênfase em Software Livre pela UFLA, já manteve projetos como IaraJS, Enciclopédia Omega e Losango. Hoje Analista de Tecnologia da UFAL, mantém pequenos projetos em seu blog Cyaneus. Membro da Academia Arapiraquense de Letras e Artes, é autor do Cordel do Software Livre, do Cordel do BrOffice e do Cordel da Pirataria. http://bardo.castelodotempo.com

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cultura |

nathancolquhoun

echelonconsp

iracy

Dica de filme | Por Luiz Oliveira

echelon

A chamada (Echelon Conspiracy) Tem gente que é encanada com segurança da informação fica o tempo todo pensando naquela fórmula para evitar que pessoas desautorizadas interceptem suas comunicações. Essas pessoas usam criptografia e certificado digital para assinar mensagens e arquivos. Utilizam antivírus, antispy, anticookie, bloqueador de pop-up etc. Mas, o que essas pessoas não sabem é que nossas vidas são vasculhadas amiúde. Pelo menos essa é a sensação depois de ver Echelon Conspiracy. Aliás, você já ouviu falar em Echelon? Fique sabendo então, que o Echelon não é obra de ficção – é real. Ele pode, neste momento, estar nos observando! Mas, voltando ao filme, tudo começa quando um jovem engenheiro de computação recebe um pacote vindo de um remetente desconhecido. Lá dentro, encontra um celular bastante moderno com a capacidade de adivinhar algumas coisas por meio de torpedos enviados não se sabe de onde. Esses torpedos facilitam a vida de Max e dão a ele a possibilidade de ficar milionário. Como muito dinheiro atrai a atenção, logo Max se vê numa trama envolvendo FBI, KGB, CIA e outros espiões de plantão. A fórmula é conhecida, mas o filme é bom – vale a pena.

Sobre o Echelon

Arquivo pessoal

Para quem não acredita na existência do Echelon, recomendo o Livro dos Códigos de Simon Singh, que refaz todo o caminho do desenvolvimento da criptografia desde a espionagem militar da Grécia antiga até as criptografias feitas por computadores para transações na Rede. Conta histórias reais, como o caso da rainha da Escócia, traída pelo seu próprio código e as máquinas usadas por Hitler na segunda grande guerra, bem como todo o esforço dos aliados para decifrar os códigos dos inimigos.

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Rocketfuel

dica |

Localizando objetos com o navegador Por Wilkens Lenon

Navegando documento

entre

os

objetos

do

Geralmente um documento possui diversas partes e isso exige uma certa organização do usuário para que possa localizar e navegar rapidamente entre os objetos desejados. É para isso que serve o Navegador do BrOffice.org. Neste tutorial iremos mostrar como é fácil utilizá-lo para tornar mais ágil o seu deslocamento pelo documento que está sendo editado. Para ativar o navegador basta clicar na figura na barra padrão ou pressionar a tecla F5 que aparecerá a janela do Navegador conforme observamos na figura ao lado. Através do navegador o usuário se desloca rapidaArquivo pessoal

mente entre praticamente todos os objetos inseridos no texto como títulos, tabelas, quadros de textos, figuras, objetos OLE, marcadores, seções, hyperlinks, referências, índices, anotações, etc.

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dica | Arquivo pessoal

Localizando objetos com o navegador | Por Wilkens Lenon Vamos a um exemplo prático. Acompanhe os passos a seguir: O documento abaixo está cheio de objetos que podem ser pesquisados pelo navegador. Comecemos com um primeiro exemplo, uma tabela, como inseri-la na lista do navegador? Siga os passos:

Aplicativos do BrOffice.org Writer

Calc

Impress

1) Selecione a Tabela ou coloque o cursor dentro dela; 2) Em seguida clique em → Menu Tabela > Propriedade; 3) Na aba Tabela opção nome digite o nome da sua tabela, clique em OK e bingo! 4) Pressione F5 e veja que sua tabela já está na lista de objetos do Navegador; 5) Agora é só dar um clique duplo no objeto TabBrOffice1 que a sua tabela será localizada imediatamente.

Vamos a um segundo exemplo. Imagine que você tenha diversas figuras num documento e queira fazer conforme fez com a tabela TabBrOffice1. Siga os passos abaixo:

A comunidade BrOffice.org agradece a todos que se empenharam para viabilizar a realização do IV Encontro Nacional. O incentivo e confiança depositados no evento pela Caixa, Petrobras, Serpro, Dataprev, Governo Federal, em parceria com o SENAI-MT e a Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia (SICME), no Programa Indústria em Ação, desenvolvido pelo Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso - Sistema FIEMT proporcionaram dois dias de discussões de alto nível, apresentando caminhos para o desenvolvimento econômico sustentável e inclusão social a partir do trabalho da equipe BrOffice.org. Agradecemos especialmente ao Serpro e Dataprev, que, além de patrocinar o IV EnBrO, envolveram outras entidades, apoiando e valorizando o voluntariado.

1) Para ambas as figuras - selecione a figura; 2) Clique em Formatar > Figura;

Arquivo pessoal

3) Na aba opções da janela imagem digite o nome da figura na opção nomes. Na figura de cima (do lado esquerdo) colocamos o nome GloboBrOffice e na figura de baixo (do lado direito) colocamos o nome IVENBRO; 4) Após esse procedimento pressione a tecla F5 e veja que as suas figuras já estão na lista do Navegador; 5) Para localizá-las basta dar um clique duplo na figura desejada.

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dica | Arquivo pessoal

Localizando objetos com o navegador | Por Wilkens Lenon Para incluir outros elementos do documento na lista do navegador você terá que seguir passos semelhantes aos que foram explicados. Por exemplo, abaixo temos:

Um quadro de texto

Isto é um quadro de texto – uma caixa de texto que pode ser movida e reposicionada dentro do documento.

12 10

Um objeto OLE - é um elemento que pode ser importado de outro aplicativo. Em nosso exemplo, o Objeto é um gráfico importado do Calc.

8 6

Coluna 1 Coluna 2 Coluna 3

4 2 0

Marcadores - Estão associados à localização das páginas do documento, por exemplo:

Linha 2 Linha 4 Linha 1 Linha 3

MarcadorDaPágina1 MarcadorDaPágina1 MarcadorDaPágina1 Um Hyperlink – www.projetoedux.net Para colocar estes objetos na lista do navegador, respectivamente, faça o seguinte: 1) Para o quadro de texto – basta clicar em Inserir > Quadro e na Aba opções digitar o nome do objeto. Para acrescentar texto ao quadro selecione-o e comece a digitar; 2) Para um objeto OLE ( Object Linking and Embedding ) Quando é inserido no texto já aparece automaticamente na lista do Navegador com o nome Objeto1, mas se quiser mudar o nome, selecione o objeto (em nosso exemplo o gráfico), clique em Formatar > Quadro Objeto, escolha a Aba opções e digite o novo nome. Em nosso exemplo é GráficodoCalc;

4) Hyperlink – Quando você digita um endereço eletrônico ou insere um link na estrutura de um texto, então o texto linkado já aparace na lista do Navegador como um hyperlink. 5) Se você quiser inserir qualquer outro objeto terá que realizar ações semelhantes as que mostramos neste tutorial. Quando você atribui um nome aos seus objetos automaticamente eles irão para a lista do navegador. Veja como ficou a lista dos objetos que inserimos em nosso navegador:

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3) Para inserir um marcador – Clique em Inserir > Marcador e na caixa mostrada digite o nome do marcador e depois clique em Ok. Importante! Não esqueça de colocar o cursor na página que será marcada quando estiver realizando esta operação.

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Garber

dica |

nathancolquhoun

Configuração de Teclas de Atalho

Por Rubens Queiroz de Almeida

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A suíte de escritórios Broffice.org possui um recurso pouco utilizado, mas muito útil para quem conhece: as teclas de atalho. Existe uma definição padrão, que já vem configurada no seu editor de textos, mas você pode fazer as modificações que julgar importantes. Para acessar este menu e fazer as suas modificações, vá até o item “Ferramentas” e em seguida clique em “Personalizar...”:

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dica | Em seguida, será exibido o seguinte menu:

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Configuração de Teclas de Atalho | Por Rubens Queiroz de Almeida

Selecionamos, na barra de menu, a aba “Teclado” para visualizar as definições existentes. Podemos usar como teclas de atalho uma grande quantidade de combinações. As teclas de função (F1 a F12), as teclas de função e outras teclas em combinação com outras teclas, como SHIFT e CTRL. A quantidade de combinações é suficiente para atender praticamente qualquer tipo de necessidade. Vamos então analisar algumas possibilidades. Para aplicação de estilos, deslizamos a barra de navegação para baixo até encontrarmos as combinações “CTRL + n”, em que “n” varia de 0 a 9:

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Podemos ver, na parte inferior da figura, indicativa das funções, dois quadros: “Categoria” e “Função”. A categoria indica uma família de configurações, como por exemplo, “Numeração”, “Quadro”, “Desenho”, “Tabela” e “Estilos”, que é o que desejamos configurar. Temos já definidas a combinação de teclas “Ctrl + 0” a “Ctrl +5”, para os estilos “Corpo de Texto”, e os estilos de título de 1 a 5. A combinação de teclas “Ctrl + 6” não está sendo usada, então posso defini-la para um estilo que uso bastante, o estilo “Texto préformado”, que é usado para indicar, entre outras coisas, códigos de computador. Seleciono então, na seção “Categoria”, a subcategoria “Estilos”.

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dica | Arquivo pessoal

Configuração de Teclas de Atalho | Por Rubens Queiroz de Almeida

Em seguida, no quadro à esquerda, “Função”, procuro pelo estilo que quero associar à combinação de teclas “Ctrl + 6”. Uma vez localizado o estilo desejado, clico sobre ele com o mouse e, em seguida, na parte superior direita da tela, seleciono a opção “Modificar”. Neste momento a associação está completa. Ao clicarmos simultaneamente nas teclas “Ctrl + 6” o parágrafo selecionado assumirá as definições do estilo “Texto préformatado”.

Para alterar ainda mais uma vez este atalho de teclado, devo primeiro excluir a definição, clicando em “Excluir” no canto direito da tela, para então repetir o procedimento anterior. As possibilidades são muito grandes, mas é bom nos concentrarmos apenas nas funções que usamos com mais frequência. Por exemplo, se seu trabalho envolve criação de inúmeras tabelas, certamente valerá a pena definir atalhos para a criação de tabelas e também para atribuição de estilos ao texto das tabelas.

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Gaste algum tempo para planejar o seu trabalho e os atalhos de teclado que são mais importantes. Seja bastante criterioso nestas definições, pois não adianta nada definirmos 150 atalhos de teclado se não conseguirmos nos lembrar deles. Uma outra razão forte para usarmos atalhos de teclado é podemos abandonar o mouse por alguns momentos. Se usamos o mouse em excesso, podemos vir a ter problemas mais tarde com nossos braços. Os atalhos de teclado nos dão uma folga, nos permitindo realizar movimentos diferentes, que reduzem o esforço repetitivo normalmente envolvido em trabalhos no computador.

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Carlos A. da Silva

tutorial |

Vetorizando com o BrOffice.org Draw

Por Carlos A. da Silva

Nesse tutorial, veremos como transformar uma imagem comum (jpg, png, gif, bmp, etc) em uma imagem vetorizada.

GIF (Graphics Interchange Format) Arquivo para imagens que trabalha com 8 bits, 256 cores. Isso faz com que o GIF não seja recomendável para figuras que precisam de aproximação da realidade, a não ser que a imagem seja em escala de cinza. É muito utilizado na internet para figuras com movimento. Aceita transparências.

Alguns podem até pensar: “Mas para que vou querer vetorizar uma figura? Se já tenho a tal figura na máquina, porque não somente inseri-la no documento e pronto?” O detalhe está na diferença com que são tratados os diferentes tipos de imagens, e para que entendamos melhor, devemos pelo menos conhecer algumas delas e suas particularidades.

PNG (Portable Network Graphics) Trabalha com 24 bits. 16,8 milhões de cores. Possui sistema de compressão melhor que dos anteriores e grande capacidade de formar imagens fiéis à original. Suporta transparências.

BMP ou Bitmap: É o formato de arquivo de elementos gráficos padrão em computadores compatíveis com o IBM/PC. Os elementos gráficos em bitmap aceitam cores de 24 bits, ou seja, 16,8 milhões de cores diferentes e não possui suporte a transparências.

Imagem Vetorial É um tipo de imagem gerada a partir de descrições geométricas de formas. Uma imagem vetorial normalmente é composta por curvas, elipses, polígonos, texto, entre outros elementos, isto é, utilizam vetores matemáticos para sua descrição. Por serem baseados em vetores, esses gráficos geralmente são mais leves e não perdem qualidade ao serem ampliados, já que as funções matemáticas adequam-se facilmente à escala.

Jpg ou Jpeg: (Joint Pictures Expert Group) Trabalha com esquema de cores em 24 bits. 16,8 milhões de cores. O JPEG é um dos formatos de imagens mais populares e isso se deve à capacidade de formar imagens fiéis à original. Não suporta transparências.

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tutorial | Arquivo pessoal

Vetorizando com o BrOffice.org Draw | Por Carlos A. da Silva Esse tipo específico de imagem tem a vantagem de tratar cada parte da figura ou cada cor de forma totalmente individuais. Dessa forma podemos modificar uma figura rapidamente, alterando apenas as partes ou cores necessárias. Isso facilita bastante a criação.

Vamos ao que interessa! A figura que usaremos neste tutorial foi retirada de http://www.free-graphics.com/clipart/Food/tea_set.jpg, onde encontramos várias figuras que podem ser copiadas e usadas sem a preocupação de problemas de direitos autorais. O site informa que todas as figuras são de domínio público.

Finalmente, depois de toda essa teoria, o mais importante na hora de escolher que tipo de imagem inserir no documento, é: Se você está produzindo um material a ser impresso ou visualizado em telão ou na internet, possui uma imagem de boa resolução de algo real, como uma foto, tenha certeza de que ela tenha mais de 300 dpi e pode usá-la. Por outro lado, se você não conseguiu baixar uma imagem de boa resolução, e que necessariamente não seja uma foto, a melhor saída é renderizá-la.

Veja abaixo a figura original:

Veremos abaixo a diferença de uma mesma imagem em zoom, em formato jpg e vetorial.

Como vemos um simples clipart. Para vetorizar essa figura, primeiro vamos abrir o BrOffice.org Draw.

Imagem .bmp 800% de zoom.

Imagem .svg (vetorizada) 800% de zoom.

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Essa é a tela inicial do BrOffice.org Draw, onde utilizaremos a barra de desenhos para recriar na janela principal do aplicativo a nossa figura.

Não importa a porcentagem do zoom, a imagem vetorizada vai continuar sempre visível, sem deformação, enquanto a imagem em bitmap vai perdendo a definição até se tornar um monte de quadradinhos (pixels) desfocados.

Vetorizar não é nada mais que redesenhar a figura, como fazíamos antigamente, cobrindo as linhas que vemos por baixo do papel transparente, só que nesse caso não usaremos papel e sim um programa de computador, o BrOffice.org Draw.

Logo, se você quiser fazer um banner gigante, que tipo de imagem seria melhor de usar, bitmap ou vetorial?

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tutorial | Vetorizando com o BrOffice.org Draw | Por Carlos A. da Silva Vamos inserir a figura: Inserir> Figura> De um arquivo... procure na sua mĂĄquina a figura a ser usada.

Depois de inserir, redimensione, clicando e arrastando nos marcadores laterais (verdes).

Na barra de desenhos, selecione a ferramenta PolĂ­gono preenchido e cubra a forma do suporte de mesa.

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tutorial | Vetorizando com o BrOffice.org Draw | Por Carlos A. da Silva

Para começar o desenho, primeiro posicione o mouse, pressione o botão direito e arraste, solte onde quiser ou quando estiver sobre uma curva ou vértice. Posicione o mouse em outra posição e clique novamente, vá clicando e movendo o mouse até cobrir todo o objeto. Para terminar dê dois cliques. Se você nunca tentou fazer nada no BrOffice.org Draw, acha que é impossível, porque os pontos e a linha não te obedecem é aí que entra o primeiro grande segredo. Para dominar os pontos e a linha, ao arrastar o mouse pressione junto a tecla Ctrl. Você verá que o mouse está totalmente domado. Vamos repetir os passos em todos os objetos. Aconselho fazer primeiro os que se encontram mais ao fundo, além de não fazer o objeto por inteiro de uma vez, se não for extremamente necessário, no final fica mais fácil. Vá deixando as áreas transparentes.

Siga com a vetorização, parte a parte, sempre deixando a área transparente antes de ir para a próxima.

Após cobrir (vetorizar) toda a figura, clique na figura original, ao fundo, e delete-a, você não vai mais precisar dela

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Ao lado a imagem vetorizada.

Feito isso, podemos alterar livremente as cores e até a posição dos objetos. Tentem tirar as bordas.

Tudo bem que o acabamento poderia ficar bem melhor, mas isso vou deixar pra vocês. Existe no BrOffice.org Draw uma ferramenta que vetoriza automaticamente, mas além do arquivo ficar um pouco maior, isso não é tão prazeroso quanto fazer na unha!! Bem, é isso!! Até a próxima.

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toby___

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Criando índices automáticos com BrOffice.org Writer

Por Herbert Carvalho

O BrOffice.org, sem dúvida alguma, vem se tornando ao longo do tempo a melhor alternativa livre para softwares de produtividade de escritório. O time de programadores tem tornado esta ferramenta ainda mais eficiente a cada nova versão. Para aqueles que fazem uso do BrOffice.org na produção de documentos de texto longos (monografias, manuais, relatórios, livros etc), com inúmeras partes e suas subdivisões, o BrOffice.org oferece recursos que podem agilizar muito a tarefa de criar índices. Os Índices são muito importantes para guiar o leitor pelos assuntos que serão tratados no documento, além de ser um elemento obrigatório em trabalhos acadêmicos. O BrOffice.org possui recursos próprios que dão as condições ideais para criar os seguintes tipos de índices: Sumários, Alfabéticos, de Ilustrações, de Tabelas, de Objetos e Bibliográficos. Neste artigo vamos tratar apenas da criação de índices do tipo Sumário no Writer. Aplicando Estilos A melhor maneira de fazer um índice de sumário é aplicar os estilos de títulos de parágrafos predefinidos, como, por exemplo, "Título 1", aos parágrafos que deverão ser incluídos nesse índice. Você pode ter acesso aos estilos de títulos de parágrafos através da Barra de Formatação (Figura 2), ou clicando F11 e acessando a caixa Estilos e Formatação (Figura 1). As opções disponíveis vão desde o "Título 1" até "Título 10", lembrando que "Título 1" é o maior tamanho de texto e "Título 10" é o menor tamanho. Cada um dos títulos tem uma formatação pré-definida de texto, margem, espaço, tamanho de fonte etc. Se for preciso ajustar estas configurações, basta usar a tecla F11, acessar a caixa Estilos e Formatação, clicar com o botão direito no Estilo que deseja reconfigurar, clicar em Modificar e fazer os ajustes. Figura 1: Estilos e Formatação | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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Criando índices automáticos com BrOffice.org Writer | Por Herbert Carvalho

Figura 2: Estilos de títulos de parágrafos Depois de aplicar esses estilos, você, então, poderá criar um índice geral com muita facilidade. Siga os seguintes passos para criar seus índices do tipo sumário: 1 – Digite todo o seu documento com a estrutura de tópicos da maneira que achar melhor (números, letras, algarismo romano ou misto). 2 – Em seguida, defina quais tópicos são importantes que apareçam no índice geral. Logo a seguir, aplique os estilos de títulos de parágrafos de acordo com seu grau hierárquico, por exemplo: Para cada início de capítulo e suas subdivisões, você deve aplicar um estilo de parágrafo diferente, por exemplo: Capítulo 1 (você aplicará o estilo "Título 1")

1.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2")

1.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3")

No capítulo 2, você fará a mesma coisa: Capítulo 2 (você aplicará o estilo "Título 1")

2.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2")

2.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3")

O processo se repete por todo o documento. Para aplicar o estilo, basta clicar no parágrafo, e, por exemplo, selecionar o estilo “Titulo 1”, no caixa Aplicar Estilo, na barra de ferramentas de formatação (Figura 2). 3 – Terminado o passo anterior, vamos ao início de nosso documento criar o Sumário.

Arquivo pessoal

Coloque o cursor no ponto exato em que deseja que o sumário apareça. Clique em Inserir > Índices > Índices e sumários, de tal forma que apareça uma janela, conforme abaixo (Figura 3).

Figura 3: Índices e sumário | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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Criando índices automáticos com BrOffice.org Writer | Por Herbert Carvalho

No campo Título, coloque o título que deseja para o sumário e clique em OK. Automaticamente, o BrOffice.org irá construir um sumário com todos os títulos em que foram usados os estilos de parágrafos, conforme o exemplo abaixo. Sumário Capítulo 1 (você aplicará o estilo "Título 1") 1.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") 1.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3") Capítulo 2 (você aplicará o estilo "Título 1") 2.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") 2.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3")

1 1 1 2 2 2

Veja que a página de cada título já aparece na tabela. Se por acaso for preciso mudar os capítulos de página, a numeração atualiza automaticamente. Os capítulos e suas subdivisões já aparecem aninhados. Atualizando, editando ou excluindo índices Coloque o cursor dentro do Sumário, clique com o botão direito do mouse e, no menu (figura 4), escolha uma das opções de edição: Atualizar, Editar ou Excluir Índice / Sumário. A opção de Atualizar permite que as alterações feitas nos textos possam ser vistas no sumário. É importante saber que, ao alterar alguma coisa no documento, essa alteração não aparece automaticamente no Sumário. É preciso atualizá-lo para que as modificações tenham efeito nele. Clicando em Excluir, obviamente, você exclui todo seu sumário. E, clicando em Editar, a janela aberta para a criação do Sumário novamente aparece para que você possa fazer suas edições.

Figura 4: Editando o Índice

Arquivo pessoal

Obs.: Você também pode fazer alterações diretamente em um índice ou sumário. Clique com o botão direito do mouse no índice ou no sumário, escolha Editar Índice/Sumário, clique na guia Índice/Sumário e, em seguida, desmarque a caixa de verificação Protegido contra alterações manuais. Das alterações, as mais comuns são: Editar o estilo de parágrafo, caso você queira modificar o estilo de parágrafo, e Editar índice. Índice automático com links

Uma dica muito útil de edição do Sumário é fazer com que cada item do sumário possa aparecer com um link apontando para a página. Isto é muito útil na navegação do usuário pelo documento, principalmente se ele for convertido em PDF. Vamos às instruções: 1 - Clique com o botão direito do mouse no Sumário e escolha a opção de edição: Editar Índice / Sumário. 2 – Clique na aba Entradas. | Revista BrOffice.org | www.broffice.org/revista

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tutorial | Criando índices automáticos com BrOffice.org Writer| Por Herbert Carvalho Há uma coluna à esquerda em que aparece escrito Nível (figura 5). Cada nível diz respeito à hierarquia que você definiu para seus títulos e subtítulos. Nível 1 é para formatar os títulos que receberam o estilo “Título 1”. O Nível 2 formata os títulos que receberam o estilo “Título 2” e assim por diante.

Figura 5: Criando links para cada entrada do sumário Para fazer com que cada nível se torne um link, basta fazer o seguinte: clique na caixa vazia que se encontra no lado esquerdo do botão E# (veja a seta na figura 5). Em seguida, clique no botão Hyperlink. Agora, clique na última caixa vazia depois do botão # (veja a seta na figura 6). Em seguida, clique no botão Hyperlink. Feito isto, clique em OK.

Figura 6: Criando links para cada entrada do sumário O exemplo abaixo mostra que todos os textos em que foram aplicados os estilos de parágrafo “Título 1”, agora estão habilitados com Hyperlinks. Para ver o efeito do link funcionar, aperte a tecla CTRL e passe o mouse sobre o link no documento que você criou. Ao clicar, você será levado à página exata onde se encontra o título. Sumário

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Capítulo 1 (você aplicará o estilo “Título 1”) ........................................................................................................................1 1.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") ................................................................................1 1.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3") ....................................................................1 Capítulo 2 (você aplicará o estilo “Título 1”) ........................................................................................................................1 2.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") ................................................................................2 2.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3") ....................................................................2

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Criando índices automáticos com BrOffice.org Writer | Por Herbert Carvalho Caso você queira que os outros subitens também tenham Hyperlinks, basta repetir o processo: clicar com o botão direito do mouse no Sumário que você criou, escolher a opção de edição: Editar Índice / Sumário. Clicar na aba Entradas e fazer o mesmo procedimentos para os níveis 2 e 3. Veja como ficou no exemplo abaixo: Sumário Capítulo 1 (você aplicará o estilo “Título 1”) ........................................................................................................................1 1.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") ................................................................................1 1.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3") ....................................................................1 Capítulo 2 (você aplicará o estilo “Título 1”) ........................................................................................................................1 2.1 Testando as Configurações (você aplicará o estilo "Título 2") ................................................................................2 2.1.1 Configurações de Hardware (você aplicará o estilo "Título 3") ....................................................................2

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Espero que tenha gostado da dica e que faça bastante uso dela, pois, sem dúvida alguma, vai fazer com que seu trabalho fique muito mais profissional, mais rápido e muito melhor de ser lido.

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resumo do mês | Prefeitura Municipal de Itaboraí-RJ inicia curso de BrOffice.org

Oracle lança VB 3.2.0 A equipe do VirtualBox lançou recentemente a versão 3.2.0 para seu aplicativo de virtualização VM VirtualBox (para arquiteturas x86). O Oracle VirtualBox 3.2.0 é o primeiro lançamento da marca desde a aquisição da Sun Microsystems pela Oracle Corporation no início deste ano, contendo muitos recursos inovadores que proporcionam ainda mais progressos significativos no desempenho, no potencial e em relação às plataformas suportadas pelo sistema. Ele oferece suporte para hardwares Intel, um sistema de armazenamento totalmente redefinido para bibliotecas I/O e para aceleração de vídeo através do Remote Display Protocol (RDP), recursos de CPU hot-plugging, configuração de NAT (Network Address Translation), suporte experimental para Mac OS X e implementação de novos ícones. Há também a incorporação do Page Fusion, com a finalidade de tirar maior proveito da memória quando a partir dela, houver o funcionamento de máquinas virtuais de conteúdos semelhantes.

nathancolquhoun

O objetivo é o aperfeiçoamento dos funcionários no uso da ferramenta. A secretária da Fazenda, Therezinha Freitas, explicou a importância da migração feita pela Prefeitura: “O BrOffice.org é um software livre, de fácil acesso e de graça, que será uma economia enorme para a Prefeitura. Precisamos buscar novos meios de tecnologia para adaptar à Prefeitura, o BrOffice.org é um ótimo começo”. Na opinião do Diretor Financeiro do BrOffice.org, Olivier Hallot, que esteve presente na inauguração do curso, "essa é uma oportunidade de conhecer uma nova ferramenta e ao mesmo tempo aperfeiçoar-se nas técnicas de edição de documentos. É muito importante investir na capacitação do servidor público oferecendo-lhe meios de ser mais eficiente e atender ao cidadão com mais qualidade. O BrOffice.org sente-se orgulhoso de participar desse processo.”

Grupo de Usuários participa de Congresso do Agreste Pernambucano

Governo de Quebec (Canadá) infringiu a lei ao comprar software da Microsoft O governo de Quebec (Canadá) infringiu a lei ao comprar software da Microsoft sem considerar ofertas de outros fornecedores, declarou a Suprema Corte da província de Quebec. A decisão se refere a um processo iniciado em março de 2008 pela Savoir Faire Linux, uma pequena empresa baseada em Montreal que trabalha com software livre.

Pelo menos três palestrantes de Grupo de Usuários BrOffice.org estiveram presentes falando sobre vários assuntos, entre os quais, as possibilidades do Software Livre, como o BrOffice.org, na era do conhecimento; sobre o projeto " Ubuntu - Libertando seu Desktop!" e o "Ciberfeminismo", uma reação cibernética à situação das mulheres no mundo da informática. O I Congresso de Software Livre do Agreste Pernambucano é uma iniciativa da Associação Comercial e Empresarial de Belo Jardim – PE, em Parceria com a Secretaria de Educação, Tecnologia, Esporte e Juventude, através da Diretoria de Tecnologia.

nathancolquhoun

O juiz não aceitou a reversão do contrato, uma vez que o software já estava instalado, mas garantiu à Savoir Faire os valores do processo. Apesar de não ter conseguido a reversão, a Savoir Faire considera esta uma vitória para os cidadãos, já que a agência governamental terá que seguir as regras de agora em diante. fonte: http://softwarelivre.org/

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http://wiki.broffice.org/raw-attachment/wiki/Zine/Edicoes/RB-ED012  

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