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1 TIMÓTEO Introdução Capítulo 1 Capítulo 2

Capítulo 3 Capítulo 4

Capítulo 5 Capítulo 6

Introdução O objetivo desta epístola parece ser que, como Timóteo havia ficado em Éfeso, o apóstolo Paulo escreveu-lhe para dar-lhe instruções acerca da eleição de oficiais apropriados para a igreja, e para o exercício do ministério habitual. Além do mais, para adverti-lo contra a influência dos falsos mestres que corrompem a pureza e a simplicidade do Evangelho com honrarias sutis e disputas intermináveis. Paulo exorta Timóteo a ter um constante cuidado, com a maior diligência, fidelidade e zelo. Estes assuntos ocupam os quatro primeiros capítulos; o quinto capítulo instrui sobre alguns grupos em particular. E na última parte, condena as polêmicas e os debates, culpa o amor ao dinheiro e exorta os ricos à prática das boas obras.

1 Timóteo 1 Versículos 1-4: O apóstolo saúda a Timóteo; 5-11: A intenção da lei que foi dada por meio de Moisés; 12-17: Sobre a sua própria conversão e chamada ao apostolado; 18-20: A obrigação de manter a fé e a boa consciência. Vv. 1-4. Jesus Cristo é a esperança de cada cristão; todas as nossas esperanças de vida eterna estão edificadas nEle; Cristo é em nós a esperança da glória. O apóstolo parece ter sido o instrumento utilizado pelo Senhor para a conversão de Timóteo, que serviu com ele em seu ministério, como um filho atencioso para com um pai amoroso. Aquilo que suscita indagações não é edificante, pois dá ocasião a debates duvidosos e demole a Igreja ao invés de edificá-la. A santidade de coração e de vida somente pode ser mantida e aumentada por meio do


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 2 exercício da fé na verdade, e nas promessas de Deus por meio de Jesus Cristo. Vv. 5-11. Tudo aquilo que tem a tendência de enfraquecer o nosso amor para com Deus, ou o amor que temos para com os nossos irmãos, tende a derrotar a finalidade do mandamento. Responde-se à intencionalidade do Evangelho quando os pecadores, por meio do arrependimento para com Deus e da fé em Jesus Cristo, são levados a exercer o amor cristão. A lei mosaica não está contra os crentes, que são pessoas justas na forma estabelecida por Deus. Porém, a menos que sejamos feitos justos por meio da fé em Cristo, se não nos arrependermos realmente e abandonarmos o pecado, continuaremos ainda sob a maldição da lei, mesmo conforme o Evangelho do Deus bendito, e seremos incapazes de participar da santa felicidade que há no céu. Vv. 12-17. O apóstolo sabia que teria perecido de modo justo se o Senhor não tivesse chegado ao extremo para indicar aquilo que estava mal; e se a sua graça e misericórdia, quando estava morto em pecado, não tivessem abundado a favor dele, trabalhando em seu coração em prol da fé e do amor a Cristo. Esta é uma palavra fiel; estas são palavras fiéis e verdadeiras nas quais podemos confiar: que o Filho de Deus veio ao mundo, de maneira voluntária e intencional para salvar os pecadores. Ninguém, tendo diante de si o exemplo de Paulo, poderá questionar o amor e o poder de Cristo para salvar-lhe, se realmente desejar confiar a sua vida a Ele, como Filho de Deus, que morreu uma só vez na cruz, e que agora reina no trono de glória para salvar a todos aqueles que forem a Deus por seu intermédio. Então, admiremos e louvemos a graça de Deus, nosso Salvador; e por tudo aquilo que for feito em nossa vida, por nós e para nós; demos a glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que são as três pessoas na unidade da Divindade. Vv. 18-20. O ministério é uma guerra contra o pecado e contra Satanás, vencida sob as ordens do Senhor Jesus, o capitão de nossa salvação. As boas esperanças que outras pessoas possam ter tido em


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 3 relação a nós devem insistir conosco para que cumpramos o nosso dever. Sejamos retos em nossa conduta em todas as coisas. A intenção das censuras mais elevadas da igreja primitiva tiveram como maior finalidade prevenir o pecado e reivindicar o pecador. Todos aqueles que estiverem tentados a eliminar a boa consciência e a abusar do Evangelho, devem também recordar que este sempre foi o caminho que leva ao naufrágio na fé.

1 Timóteo 2 Versículos 1-7: Deve-se orar a favor de todas as pessoas, tendo em vista que a graça do Evangelho não estabelece diferenças de classes nem de posições sociais; 8-15: Como os homens e a mulheres devem se comportar em sua vida religiosa e na vida secular. Vv. 1-7. Os discípulos de Cristo devem ser pessoas que oram; todos, sem distinção de nação, denominação, classe social ou preferência política. O nosso dever como cristãos está resumido em duas palavras: piedade, isto é, a justa adoração a Deus, e honestidade, uma boa conduta para com todos os homens. Estas duas qualidades devem estar juntas na vida de cada cristão; não seremos verdadeiramente honestos se não formos piedosos, e se não rendermos a Deus aquilo que lhe é devido. Não seremos verdadeiramente piedosos se não formos honestos. Devemos ser abundantes em tudo aquilo que for aceitável aos olhos de Deus, nosso Salvador. Existe um só Mediador, e este deu-se em resgate por todos. Esta designação foi feita para o benefício dos judeus e dos gentios de todas as nações; para que todos aqueles que quiserem possam ir por este caminho ao trono da misericórdia do Deus que perdoa, a buscar a reconciliação com Ele. O pecado havia posto inimizade entre Deus e nós; Jesus Cristo é o Mediador que faz a paz. Ele é o resgate que seria conhecido no tempo estabelecido. Na época do Antigo Testamento falou-se de seus sofrimentos e da glória que se seguiria, como de coisas que seriam


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 4 reveladas nos últimos tempos. Aqueles que são salvos devem chegar ao conhecimento da verdade, porque este é o caminho designado por Deus para salvar os pecadores: se não conhecermos a verdade, não poderemos ser governados por ela. Vv. 8-15. Nos tempos do Evangelho, a oração não deve ser limitada a uma casa de oração em particular, pois os homens devem orar em todos os lugares. Devemos orar em nossos aposentos, com nossas famílias, antes das refeições, quando viajamos e nas assembléias solenes públicas ou privadas. Devemos orar com amor; sem ira nem contenda, sem ódio para com quem quer que seja; com fé, sem duvidar nem debater. As mulheres que professam a religião cristã devem ser modestas no vestir, sem demonstrar um estilo inadequadamente elegante ou repleto de ostentação, ou de custo extraordinariamente elevado. As boas obras são o melhor adorno, porque de acordo com o critério de Deus, são de elevado valor. A modéstia e a higiene devem ser levadas em conta acima da própria elegância e da moda, em relação às roupas. Seria bom que as mulheres que professam ser piedosas estivessem completamente livres da vaidade no vestir. Devem gastar mais tempo e dinheiro em socorrer aos pobres e aos angustiados do que em adornarem a si mesmas ou aos seus filhos. Fazê-lo de uma forma inadequada para a sua própria classe na vida, e para a sua profissão de piedade, é pecaminoso. Estas não são ninharias, mas mandamentos divinos. Os melhores adornos para aqueles que professam a piedade são as boas obras. De acordo com o apóstolo Paulo, não era permitido que as mulheres ensinassem publicamente na igreja, porque ensinar era considerado um ofício de autoridade. Entretanto, as boas mulheres podem e devem ensinar os princípios da verdadeira fé aos seus filhos em casa. Além do mais, não devem pensar que estão desculpadas de aprender o necessário para a salvação. Como a mulher foi a última a ser criada, o que é uma razão para a submissão, também foi a primeira a transgredir. Aqui há uma palavra de consolo àquelas que permanecerem em modéstia: serão salvas ao ter filhos, ou por terem filhos, por meio do Messias que nasceu


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 5 de uma mulher. A tristeza especial a que está submetido o sexo feminino, deve fazer com que os homens exerçam a sua autoridade com muita gentileza, ternura e afeto.

1 Timóteo 3 Versículos 1-7. As qualidades e a conduta dos ministros do Evangelho; 8-13: Dos diáconos e suas esposas; 14-16. A razão para escrever sobre estes e outros assuntos da Igreja. Vv. 1-7. Se um homem desejar o ofício pastoral, e se por amor a Cristo e aos seus semelhantes estiver disposto a negar-se a si mesmo, e passar privações para dedicar-se a este serviço, deverá dedicar-se à boa obra, e o seu desejo deverá ser aprovado, desde que esteja preparado para o ofício. O ministro não deve dar ocasião para que seja culpado, para que o seu ministério não sofra censuras. Deve ser sóbrio, prudente, decoroso em todos os seus atos, e na utilização de todas as bênçãos terrenas. A sobriedade e a vigilância andam juntas nas Escrituras, porque dão assistência uma à outra. As famílias dos ministros devem ser exemplos do bem para todas as demais famílias. Devemos nos acautelar quanto ao orgulho; este é um pecado que transformou os anjos em demônios. O ministro deve ter boa reputação entre os seus vizinhos, e ser irrepreensível em sua vida pregressa. Para estimular a todos os ministros fiéis temos a graça da promessa de Cristo: "Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28. 20). Ele equipará os seus ministros para a sua obra, e fará com que passem em meio às dificuldades com consolo, e recompensará a fidelidade deles. Vv. 8-13. Os diáconos foram primeiramente nomeados para distribuir a caridade da Igreja e administrar os seus interesses, mesmo havendo entre eles pastores e evangelistas. Os diáconos eram encarregados de Lima importante tarefa. Devem ser homens sérios, responsáveis e prudentes. Não é bom que a confiança pública seja


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 6 depositada nas mãos de qualquer pessoa, até ser considerada apta para aquilo que lhes será confiado. Todos aqueles que são aparentados com os ministros devem ter grande cuidado em andar de modo digno do Evangelho de Cristo. Vv. 14-16. A Igreja é a casa de Deus, e Ele habita ali. Ela sustém as Escrituras e a doutrina de Cristo, como uma coluna sustenta uma proclamação. Quando uma igreja deixa de ser coluna e baluarte da verdade, podemos e devemos abandoná-la, porque a nossa consideração pela verdade deve estar em primeiro lugar e ser muito grande. Cristo é o mistério da piedade. Ele é o Deus que foi feito carne e foi manifesto em carne. Agradou a Deus manifestar-se aos homens por seu próprio Filho, que tomou sobre si mesmo a natureza humana. Sem jamais ter cometido qualquer pecado, entregou-se voluntariamente para ser censurado como pecador e morrer como um malfeitor; Cristo, então, ressuscitou pelo poder do Espírito Santo, e assim foi justificado de todas as falsas acusações com que foi caluniado. Os anjos o atenderam, porque Ele é o Criador e o Senhor dos anjos. Os gentios acolheram bem o Evangelho que os judeus rejeitaram. Lembremo-nos de que Deus se manifestou em carne para tirar os nossos pecados, para redimir-nos de toda a iniqüidade e purificar para si mesmo um povo peculiar, zeloso e de boas obras. Estas doutrinas devem ser exibidas como o fruto do Espírito Santo em nossa vida.

1 Timóteo 4 Versículos 1-5: Acerca dos desvios da fé que já começavam a surgir; 6-16: Várias instruções com os respectivos motivos para o cumprimento dos deveres. Vv. 1-5. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o Espírito Santo falou de uma apostasia geral da fé em Cristo e da pura e verdadeira adoração a Deus. Este fato deveria ocorrer durante a dispensação cristã, porque é chamada de final dos tempos. Os falsos mestres proíbem, por meio do mal, aquilo que Deus permitiu, e ordenam


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 7 como se fossem deveres aquilo que Deus classificou como indiferente. Encontramos ocasião para o exercício da vigilância e para a negação de nós mesmos ao atendermos os requisitos da lei de Deus, sem ser sobrecarregados com os deveres imaginários que censuram aquilo que Ele permitiu. Nada justifica o uso não moderado ou impróprio das coisas, e nada será bom para nós, a menos que peçamos em oração a bênção do Senhor sobre estas coisas. Vv. 6-10. Os atos exteriores de abnegação são de pouco proveito. De que nos servirá mortificarmos o corpo se não mortificarmos o pecado? A diligência aplicada a situações puramente exteriores não poderá servir para nada. O proveito da piedade consiste em grande parte na promessa; e as promessas para aqueles que são piedosos estão relacionadas à vida presente, mas principalmente com a vida vindoura. Ainda que soframos alguma perda por causa de Cristo, jamais perderemos para Ele. Sendo Cristo o Salvador de todos os homens, será muito mais a recompensa daqueles que buscam-no e servem-no; Ele proverá o bem para aqueles a quem Ele tenha transformado em novas criaturas. Vv. 11-16. A juventude dos homens não deverá ser desprezada se estes se abstiverem da vaidade e de coisas vãs. Aqueles que ensinam por meio de sua doutrina, devem também ensinar por meio de seu modo de viver. O discurso destes deve ser edificante; a sua conversação deve ser santa; devem ser exemplos de amor a Deus e a todos os homens bons, um exemplo de mentalidade espiritual. Os ministros devem ocupar-se destas coisas como sendo as suas principais obras e tarefas. Por estes meios o seu proveito será manifesto em todas as coisas e a todas as pessoas; esta é a forma de ganhar conhecimento e graça, e também de ganhar a outros. A doutrina de um ministro do Senhor deve estar em conformidade com as Escrituras, deve ser clara, evangélica e prática; deve ser bem expressa, explicada, defendida e aplicada. Porém, estes deveres não permitem que haja tempo livre para os prazeres mundanos, visitas vãs ou


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 8 a conversação ociosa, e muito pouco, se o houvesse, para aquilo que é pura diversão ou somente algo ornamental. Todo crente deve ser capacitado para que o seu proveito seja evidente a todos os homens; que procure experimentar o poder do Evangelho em sua alma, e dar fruto em sua vida.

1 Timóteo 5 Versículos 1,2: Instruções acerca dos homens e mulheres, anciãos e dos mais jovens; 3-8: As viúvas pobres; 9-16: Acerca das viúvas; 17-25: O respeito que deve ser dado aos anciãos Timóteo deve ter o cuidado de repreender os ofensores, de ordenar ministros, e cuidar de sua própria saúde.

Vv. 1,2. É dever de todos ter o respeito à dignidade dos anos e à posição de cada pessoa. O mais jovem, se estiver em falta, deve ser repreendido não pelo desejo de encontrar faltas, mas pela disposição de fazer o melhor de si mesmo. É necessário que se tenha muita mansidão e cuidado para repreender aqueles que merecem censuras. Vv. 3-8. Deve-se honrar as viúvas que são realmente viúvas, socorrê-las e sustentá-las. O dever dos filhos é fazerem o máximo que lhes seja possível quando os seus pais estiverem passando por necessidades, e eles sempre poderão ajudá-los. A viuvez é um estado de solidão, mas as viúvas devem confiar no Senhor e continuar orando. Todos aqueles que vivem em prazeres estão mortos, mesmo enquanto vivem; estão espiritualmente mortos, em delitos e em pecados. Oh, que grande quantidade de cristãos nominais estão enquadrados nesta descrição, mesmo no final de sua vida! Se os homens ou as mulheres não ajudarem na manutenção de seus parentes pobres, estarão efetivamente negando a fé. Se gastam em concupiscências e prazeres aquilo que deveria sustentar os seus familiares, negaram a fé, e são piores do que os infiéis. Se aqueles que professam o Evangelho dão lugar a qualquer conduta ou princípios corruptos, são piores do que aqueles que confessam que não crêem nas Escrituras, ou nas doutrinas da graça.


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 9 Vv. 9-16. Todo aquele que se torna responsável por algum trabalho da Igreja, deve estar livre de justa censura; há muitos que são objetos apropriados de caridade, e que não deveriam ser empregados nos trabalhos públicos. Aqueles que encontram misericórdia quando estão angustiados, devem mostrar misericórdia quando estão em prosperidade; aqueles que demonstram a maior disposição para toda a boa obra são aqueles que mais provavelmente serão fiéis em tudo aquilo de que forem encarregados. Os ociosos raramente são só ociosos; fazem o mal ao seu próximo, e semeiam a discórdia entre irmãos. É pedido a todos os crentes que aliviem aqueles que pertencem à sua família e que estejam necessitados, para que não se impeça que a Igreja alivie àqueles que estiverem verdadeiramente empobrecidos e sem amigos a quem recorrer. Vv. 17-25. Deve-se ter o cuidado de sustentar os ministros. Aqueles que trabalham nesta obra são dignos de dobrada honra e estima. É o que se deve fazer por serem merecedores da recompensa, como um trabalhador. O apóstolo encarrega Timóteo de modo solene, a que se resguarde da parcialidade. Precisamos vigiar o tempo todo, para que não sejamos participantes dos pecados dos demais. Conserva-te puro, não somente para fazeres aquilo que te agrada, mas de considerá-lo ou, de alguma maneira, ajudar os demais a fazê-lo. O apóstolo também encarrega Timóteo de que cuide de sua própria saúde. Como não temos que transformar o nosso corpo em um Senhor, também não temos que transformá-lo em nosso escravo, mas utilizá-lo de modo que nos seja útil a serviço de Deus. Existem pecados secretos e pecados que são manifestos: os pecados de alguns homens são conhecidos de antemão, e vão a juízo; outros, virão depois. Deus trará à luz as coisas ocultas das trevas, e dará a conhecer as intenções de todos os corações. Tendo em conta o dia do juízo vindouro, todos nós devemos atender aos nossos ofícios de forma apropriada, sejam altos, sejam baixos, tendo


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 10 em conta que o nome e a doutrina de Deus não sejam blasfemados por nossa culpa.

1 Timóteo 6 Versículos 1-5: O dever dos cristãos para com os seus senhores, sejam crentes ou não; 6-10: A vantagem da piedade com o contentamento; 11-16. O solene encargo a Timóteo para que seja fiel; 17-21: O apóstolo repete a sua advertência ao rico e conclui com uma bênção. Vv. 1-5. Os cristãos não deveriam supor que o conhecimento religioso ou os privilégios cristãos davam-lhes o direito de desprezar os seus senhores pagãos, desobedecerem as ordens lícitas, ou a exporem as suas faltas aos demais. Aqueles que desfrutavam do privilégio de viver com senhores crentes não deveriam deixar o respeito e a reverência que lhes eram devidos, por serem iguais quanto aos privilégios religiosos; mas deveriam servir ainda melhor, com dobrada diligência e alegria por sua fé em Cristo, e como participantes de sua salvação gratuita. Não temos que reconhecer outras palavras como íntegras, além daquelas que foram proferidas por nosso Senhor Jesus Cristo; a estas devemos dar o nosso sincero consentimento. É comum que aqueles que menos saibam sejam os mais orgulhosos, porque não conhecem a si mesmos. Daí vem a inveja, a discórdia, os impropérios, as más suspeitas, as disputas sobre sutilezas e coisas que não são claras entre os homens de mentes carnais e corruptas, ignorantes quanto à verdade e o seu poder santificador, e que procuram as vantagens mundanas. Vv. 6-10. Aqueles que fazem do cristianismo um comércio para servirem aos seus interesses neste mundo se decepcionarão, mas aqueles que consideram-no como sua vocação terão a promessa da vida presente e da vindoura. Aqueles que são piedosos serão certamente felizes no mundo porvir; e terão o suficiente se contentarem-se neste mundo com a sua situação, de acordo com a sua capacidade. Todas as pessoas verdadeiramente piedosas estão contentes. Mesmo quando estivermos em meio aos maiores apertos, não poderemos estar mais empobrecidos


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 11 do que quando viemos a este mundo; um pano para envolver o seu corpo morto, um caixão, e uma sepultura, é tudo aquilo que o homem mais rico do mundo é capaz de ter com toda a sua riqueza. Se a natureza se contenta com pouco, a graça deve se contentar com menos. As coisas necessárias da vida limitam os desejos dos verdadeiros cristãos, e devem-se contentar com estas. Aqui vemos o mal da cobiça. Não se diz que aqueles que depositam a sua felicidade na riqueza e que estão ansiosos e decididos a alcançá-la são ricos, mas que querem enriquecer-se. Aqueles que são assim dão a Satanás a oportunidade para tentá-los, dirigindo-os à utilização de meios desonestos e maus costumes para aumentarem os seus ganhos. Além do mais, dirige-os a tantas ocupações e a tal pressa nos negócios, que não deixam tempo nem inclinação para a religião espiritual. Dirige-os a conexões que os levarão ao pecado e às atitudes néscias. A que pecados os homens são levados por amor ao dinheiro! As pessoas podem ter dinheiro e não amá-lo, mas se o amarem, serão impulsionados a todos os males. Todos os tipos de iniqüidades e vícios, de uma ou de outra forma, nascem do amor ao dinheiro. Não podemos olhar ao redor sem que observemos muitas provas deste fato, especialmente em uma época de prosperidade material, de grandes gastos e de profissão de fé relaxada. Vv. 11-16. Não convém aos homens, especialmente de Deus, colocarem o coração nas coisas deste mundo. Aqueles que são de Deus devem sentir-se enlevados com as coisas que referem-se a Deus. Devem estar em constante conflito com a corrupção, com as tentações e com as potestades das trevas. A vida eterna é a coroa que está proposta para nos dar o estímulo necessário. Somos chamados a apegar-nos fortemente a ela. Deve ser determinado de modo especial aos ricos, quais são os perigos e os deveres relacionados à utilização apropriada da riqueza; porém, quem é capaz de ter este tipo de encargo sem que esteja, ele mesmo, acima do amor às coisas que a riqueza é capaz de comprar?


1 Timóteo (Comentário Bíblico de Matthew Henry) 12 A manifestação de Cristo é certa, mas não devemos conhecer a sua data. Os olhos mortais não toleram o resplendor da glória divina. Ninguém é capaz de aproximar-se dEle, a menos que dê-se a conhecer aos pecadores em Cristo e por meio de Cristo. A divindade é adorada aqui sem distinção de pessoas, porque todas as coisas são ditas de modo apropriado em relação ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Deus nos é revelado somente na natureza humana de Cristo e através dela, como o Unigênito Filho do Pai. Vv. 17-21. Ser rico neste mundo é completamente diferente de ser rico para com Deus. Nada é mais incerto do que a riqueza mundana. Os ricos devem compreender que Deus lhes concede as suas riquezas, e que somente Ele é capaz de concedê-las de uma maneira que possam ser ricamente desfrutadas. Muitos têm riquezas, mas desfrutam-nas mal por não possuírem o coração disposto de tal maneira a utilizá-las. Qual é o melhor valor da fortuna, além de trazer a oportunidade de fazer o melhor bem? Mostrando fé em Cristo por meio dos frutos do amor, lancemos mão da vida eterna, enquanto o descuidado, o cobiçoso e o ímpio alçam os seus olhos em meio aos tormentos. O conhecimento que se opõe à verdade do Evangelho, não é uma ciência verdadeira e nem um conhecimento real; porque se fossem verdadeiros ou reais, aprovariam o Evangelho e lhe dariam o seu consentimento. Aqueles que colocarem a razão acima da fé correrão o risco de deixarem a fé. A graça inclui tudo aquilo que é bom, e a graça é um começo da glória; onde quer que Deus dê a graça, dará glória.


1 Timoteo - M. Henry