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09/2009

PATENTES DE SOFTWARE p.22 Temporariamente suspensas nos EUA

CRESCEU NA CRISE p.26 Red Hat relata como enfrentou e venceu a crise

DE HACKER A PROGRAMADOR p.30 Maddog explica a qualidade de software # 58 Setembro 2009

Linux Magazine # 58

A REVISTA DO PROFISSIONAL DE TI SEO GOOGLE LINUX PARK 2008 p.28 Iniciada em Porto Alegre a temporada de seminários Linux Park de 2008

CEZAR TAURION p.34 O Código Aberto como incentivo à inovação

#44 07/08

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R$ 13,90 € 7,50

A REVISTA DO PROFISSIONAL DE TI

9 771806 942009

APP ENGINE

CASE ALFRESCO p.26 A Construcap agilizou seus projetos com o Alfresco

GOVERNANÇA COM

GRÁTIS

APACHE

SEJA UM BOM GESTOR E UTILIZE AS MELHORES PRÁTICAS ADOTADAS E RECOMENDADAS PELOS PROFISSIONAIS MAIS EXPERIENTES NESSA ÁREA p.36 » O que dizem os profissionais certificados p.24 » Cobit, CMMI, ITIL. Quais as melhores práticas? p.36 » ITIL na prática p.39 » Novidades do ITIL v3. p.44

SEGURANÇA: DNSSEC p.69

VEJA TAMBÉM NESTA EDIÇÃO:

Com o DNSSEC, a resolução de nomes fica protegida de ataques. Mas seu preço vale a pena?

» Relatórios do Squid com o SARG p.60

REDES: IPV6 p.64

» Becape de bancos de dados com a Libferris p.46

Conheça as vantagens da nova versão do Internet Protocol, e veja por que é difícil adotá-la

» Java, Ruby e Rails: conheça o JRuby on Rails p.74 » Benchmarks do GCC 4.3? p.58 » LPI nível 2: Servidores NIS e DHCP p.52

LIFERAY

WWW.LINUXMAGAZINE.COM.BR

ZARAFA OPENSOLARIS

TÉCNICAS E FERRAMENTAS DE SEO PODEM AJUDÁ-LO A CONSEGUIR O TÃO SONHADO LUCRO NA INTERNET. p.33

BASH STRACE

» Programe no Google com o App Engine p.34 » SEO na fonte p.41 » Seu Apache aguenta? p.46 » CMS colaborativo p.51

CHROME OS

REDES: SUBSTITUTO DO EXCHANGE! p.68 O groupware Zarafa implementa todos os recursos do MS Exchange e pode até servir clientes Outlook.

WWW.LINUXMAGAZINE.COM.BR

OPENSOLARIS p.64

No quinto artigo da série, veja como o sistema da Sun trata os dispositivos físicos e lógicos.

VEJA TAMBÉM NESTA EDIÇÃO: » Bash 4: ainda melhor p.58 » Depuração profunda com o Strace p.74 » Chrome OS na visão de Cezar Taurion p.32


ÍNDICE

CAPA Seu site contra a internet

33

Se a concorrência pela atenção dos visitantes na Internet é grande, aprimore seus conhecimentos e seu site para atraí-los. Powered by Google

34

Desenvolvedores web sonham em pôr as mãos no poder coletivo dos servidores do Google. O Google App Engine oferece um pedaço desse universo de máquinas. SEO sim, senhor

41

As Google Webmaster Tools oferecem a visão que o bot do Google tem do seu site. Use-as para melhorar a visibilidade de seu site. Apache tunado

46

Na batalha por visitantes, milésimos de segundo contam. Algumas mudanças simples ajudarão a manter o seu site popular. Raio de vida na colaboração

51

O Liferay é um poderoso sistema de gerenciamento de conteúdo, facilmente customizável e – uma vez configurado – uma ferramenta ideal para colaboração corporativa.

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Linux Magazine 58 | ÍNDICE

COLUNAS

ANÁLISE

Klaus Knopper

08

Charly Kühnast

10

Zack Brown

12

Augusto Campos

14

Alexandre Borges

16

Kurt Seifried

18

Bash novo 58 Apesar da maturidade do Bash, seus desenvolvedores continuam aprimorando-o. A versão 4 do shell está cheia de novidades.

NOTÍCIAS Geral ➧ Linux Foundation: quem escreve o Linux?

22

➧ Lançado o Slackware 13 ➧ RHEL 5.4 lançado com suporte ao KVM

TUTORIAL

➧ Google Chrome de 64 bits para Linux

OpenSolaris, parte 5 64 Na continuação da série, veja como o sistema operacional de código aberto da Sun identifica e reconhece dispositivos de hardware.

CORPORATE Notícias ➧ EUA bane patentes de software

24

REDES

➧ Patentes e suporte no Ubuntu

Alternativa ao Exchange O Zarafa oferece o que há de melhor em groupware: acesso nativo do MS Outlook, mobilidade com “push” e a confiabilidade de um servidor Linux.

68

➧ Gartner recomenda Código Aberto para ECM ➧ Acordo sobre patentes com a Microsoft ➧ IDC: Mercado Linux na casa dos bilhões

PROGRAMAÇÃO Depuração profunda Depois do nosso “Hello World”, vamos examinar as chamadas de sistema mais detalhadamente. Neste artigo final, veremos a depuração no mundo real.

74

➧ Novell tem lucro com Linux Entrevista com Michael Tiemann, Red Hat

26

SERVIÇOS

Coluna: Jon “maddog” Hall

30

Coluna: Cezar Taurion

32

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

Editorial Emails Linux.local Eventos Preview

03 06 78 80 82

5


Diretor Geral Rafael Peregrino da Silva rperegrino@linuxmagazine.com.br Editor Pablo Hess phess@linuxmagazine.com.br Revisora Aileen Otomi Nakamura anakamura@linuxmagazine.com.br Editora de Arte Paola Viveiros pviveiros@linuxmagazine.com.br Coordenador de Comunicação Igor Daurício idauricio@linuxmagazine.com.br Centros de Competência Centro de Competência em Software: Oliver Frommel: ofrommel@linuxnewmedia.de Kristian Kißling: kkissling@linuxnewmedia.de Peter Kreussel: pkreussel@linuxnewmedia.de Marcel Hilzinger: hilzinger@linuxnewmedia.de Centro de Competência em Redes e Segurança: Jens-Christoph B.: jbrendel@linuxnewmedia.de Hans-Georg Eßer: hgesser@linuxnewmedia.de Thomas Leichtenstern: tleichtenstern@linuxnewmedia.de Markus Feilner: mfeilner@linuxnewmedia.de Nils Magnus: nmagnus@linuxnewmedia.de Anúncios: Rafael Peregrino da Silva (Brasil) anuncios@linuxmagazine.com.br Tel.: +55 (0)11 4082 1300 Fax: +55 (0)11 4082 1302 Petra Jaser (Alemanha, Áustria e Suíça) anzeigen@linuxnewmedia.de Penny Wilby (Reino Unido e Irlanda) pwilby@linux-magazine.com Amy Phalen (Estados Unidos) aphalen@linux-magazine.com Hubert Wiest (Outros países) hwiest@linuxnewmedia.de Gerente de Circulação Claudio Bazzoli cbazzoli@linuxmagazine.com.br Na Internet: www.linuxmagazine.com.br – Brasil www.linux-magazin.de – Alemanha www.linux-magazine.com – Portal Mundial www.linuxmagazine.com.au – Austrália www.linux-magazine.ca – Canadá www.linux-magazine.es – Espanha www.linux-magazine.pl – Polônia www.linux-magazine.co.uk – Reino Unido Apesar de todos os cuidados possíveis terem sido tomados durante a produção desta revista, a editora não é responsável por eventuais imprecisões nela contidas ou por consequências que advenham de seu uso. A utilização de qualquer material da revista ocorre por conta e risco do leitor. Nenhum material pode ser reproduzido em qualquer meio, em parte ou no todo, sem permissão expressa da editora. Assume-se que qualquer correspondência recebida, tal como cartas, emails, faxes, fotografias, artigos e desenhos, sejam fornecidos para publicação ou licenciamento a terceiros de forma mundial não-exclusiva pela Linux New Media do Brasil, a menos que explicitamente indicado. Linux é uma marca registrada de Linus Torvalds. Linux Magazine é publicada mensalmente por: Linux New Media do Brasil Editora Ltda. Av. Fagundes Filho, 134 Conj. 53 – Saúde 04304-000 – São Paulo – SP – Brasil Tel.: +55 (0)11 4082 1300 – Fax: +55 (0)11 4082 1302

EDITORIAL

Patentes, concorrência e Software Livre

Expediente editorial

PrezadosÊ leitores, Começa a dar sinais de enfraquecimento o polêmico sistema de concessão de patentes dos EUA. Isso traz à discussão muito mais que apenas a política de um único país com relação ao que é ou não patenteável. Como principal superpotência da atualidade, os Estados Unidos influenciam as regras para concessão de patentes em todo o planeta. No caso da indústria de software, berço da abordagem de produção colaborativa moderna, as patentes impõem grandes dificuldades ao progresso. Claro que há quem defenda a concessão de patentes de software da forma como vinha sendo praticada na América. Argumenta-se que a única forma de incentivar uma empresa a fazer os investimentos necessários ao avanço tecnológico é conceder-lhe o monopólio sobre a exploração dos produtos desse investimento. Caso contrário, os concorrentes imediatamente se aproveitariam das inovações e as utilizariam em seus próprios produtos sem ter gasto um único centavo. No entanto, como afirmou com propriedade Richard Stallman em entrevista recente à Linux Magazine, as patentes de software são, sim, os maiores inimigos do Software Livre na atualidade. Ao adotar o paradigma colaborativo que define o modelo de desenvolvimento do Software Livre, o próprio conceito de concorrência é fortemente alterado. Fornecedores de Software Livre concorrentes não oferecem produtos radicalmente diferentes. Muitas vezes, na verdade, oferecem o mesmo software, ou ao menos softwares que compartilham grandes porções de código. Desenvolver software “dentro de casa”, patenteá-lo e vender aos clientes a permissão de usá-lo é, por si só, um modelo que atrapalha o avanço tecnológico. A nova meta é avançar em conjunto, acelerar a inovação de forma colaborativa e aprimorar o mercado como um todo de forma muito mais significativa do que se cada um caminhasse sozinho. Se todos derem um pequeno impulso na mesma direção, a resultante será um movimento bem mais veloz rumo à inovação. Com isso, o mercado avança, e com ele todos os players. Na ausência das patentes de software, o modelo proprietário não deixa de existir; contudo, os algoritmos neles contidos, protegidos por patentes, deixam de ser “intocáveis”. Qualquer software, seja livre ou não, que desejar aprimorar ou simplesmente utilizar o algoritmo terá essa permissão. O mercado inteiro lucra. n

Direitos Autorais e Marcas Registradas © 2004 - 2009: Linux New Media do Brasil Editora Ltda. Impressão e Acabamento: Parma Distribuída em todo o país pela Dinap S.A., Distribuidora Nacional de Publicações, São Paulo. Atendimento Assinante www.linuxnewmedia.com.br/atendimento São Paulo: +55 (0)11 3512 9460 Rio de Janeiro: +55 (0)21 3512 0888 Belo Horizonte: +55 (0)31 3516 1280 ISSN 1806-9428

Impresso no Brasil

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Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

Pablo Hess Editor

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CARTAS

Permissão de Escrita

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Emails para o editor

Linux ou GNU/Linux ✉

Sou leitor assíduo das revistas Linux Magazine e Easy Linux há muitos anos, e percebo que vocês cometem o erro da maioria de não creditar o GNU ao se referir ao sistema como um todo (o GNU/Linux). Isso é muito importante, principalmente na Revista Easy Linux (voltada ao público iniciante), pois vocês ensinam mais GNU do que Linux. O Linux não seria nada hoje em dia se não existisse o GNU. Apelo inclusive para o artigo publicado na Linux Magazine 56, de Alexandre Oliva: “GNU e Linux, uma questão de renome” para deixar-lhes pensar melhor no assunto. Claro que eu não estou falando do título das revistas, que já são “marcas registradas”, mas sim do conteúdo dos artigos. Rafael Raposo. Nilópolis, RJ

Resposta

Rafael, de fato estamos tentando reduzir a falta de referências ao GNU. Concordamos, na maior parte, com as suas afirmações. No entanto, nossos artigos são escritos por autores que podem ter – e frequentemente têm – pontos de vista diferentes. Sempre que possível, buscamos fazer a referência correta ao GNU/Linux. Contudo, nomes de distribuição também costumam ser marcas registradas, assim como o título desta revista, e o próprio Richard Stallman não se opõe ao uso de “Ubuntu” ou “Slackware” sem “GNU/Linux” em seguida, já que se tratam de sistemas operacionais completos baseados no kernel Linux, nos aplicativos GNU e em diversos outros programas. n

Agenda e contatos ✉

Sugiro uma matéria sobre alguma solução GPL similar à agenda e contatos compartilhados do Microsoft Outlook. Mauro de Souza Madela

Resposta

Mauro, muito obrigado por sua sugestão. Aos nossos contribuidores e leitores, fica a sugestão de um assunto altamente importante. n

6

Escreva para nós!

Sempre queremos sua opinião sobre a Linux Magazine e nossos artigos. Envie seus emails para cartas@linuxmagazine.com.br e compartilhe suas dúvidas, opiniões, sugestões e críticas. Infelizmente, devido ao volume de emails, não podemos garantir que seu email seja publicado, mas é certo que ele será lido e analisado.


Coluna do Charly

COLUNA

Euforia lá no alto Immenstadt, Alemanha, foi o local do 10º aniversário do LUG Camp dos grupos de usuários Linux a que Charly pertence.

O

10º LUG Camp testemunhou a escalada dos fiéis ao Linux montanha acima. Aproximadamente 120 fãs, incluindo vosso interlocutor, encontraram-se num albergue-escola em Gschwend, próximo a Immenstadt. Ninguém precisou ficar sem água: a cachoeira do próprio albergue, alimentada pelo degelo das montanhas ainda mais altas, resfriou os barris de cerveja e até serviu de chuveiro para os mais corajosos. Embora o LUG Camp tradicionalmente se identifique como um encontro familiar geek com foco óbvio em diversão, isso não significa uma total falta de conteúdo: lá, qualquer um com o conhecimento necessário pode fazer um exame LPIC, além de haver algumas apresentações muito boas. Não por acaso, o ar rarefeito em Gschwend não preocupou os participantes nem um pouco após a competição de chili expandir seus pulmões para pelo menos o dobro de sua capacidade normal.

Iotop

O processamento de dados também é a área da ferramenta que vou analisar hoje. O Iotop [1] resolve um problema que me incomoda há muito tempo: o sistema

fica lento porque os discos estão sendo acessados o tempo inteiro, mas não consigo identificar o processo que causa isso. O Iotop fornece exatamente essa informação. Esse programa em Python precisa do kernel 2.6.20 ou posterior, com as opções de configuração TASK_DELAY_ACCT e TASK_IO_ACCOUNTING ativadas. Ao iniciar, a primeira linha da saída exibe as taxas atuais de I/O, tanto de leitura quanto de escrita. Sob elas fica a lista de atividade de entrada e saída por processo (figura 1).

Contos

O comando iotop -o facilita a leitura da saída. Neste modo, observa-se somente os processos causadores da I/O no momento. Para estender o intervalo de atualização de 1 para 10 segundos, use a opção -d 10. O modo de lote do Iotop é muito útil. O comando: iotop -o -b -d10 -n30 > io.txt

faz o Iotop gravar o último status de I/O 30 vezes num arquivo chamado io.txt em intervalos de dez segundos. Isso mostra como as taxas de dados se comportam ao longo de um período de cinco minutos.

Conclusões

Se as luzes do seu disco rígido ficam permanentemente acesas, o Iotop é indispensável. Para mim, o LUG Camp é igualmente indispensável – já me registrei para o evento do ano que vem. n

Mais informações [1] Iotop: http://guichaz.free.fr/iotop/

Figura 1 O Iotop lista a atividade de disco dos processos ativos.

10

Charly Kühnast é administrador de sistemas Unix no datacenter Moers, perto do famoso rio Reno, na Alemanha. Lá ele cuida principalmente dos firewalls.

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Coluna do Zack

COLUNA

Crônicas do kernel Este mês, temos conflitos (Xen), novidades (podcast) e intriga (Perl).

Kernel depende do Perl

Jose Luis Perez Diez mostrou que o Perl 5 é necessário ao sistema de compilação do kernel Linux para criar a documentação, gráficos e até cabeçalhos e firmware; porém, isso não estava documentado em lugar algum. Então, ele postou um patch para o arquivo CHANGES listando a dependência do Perl juntamente com alguns módulos da linguagem. Imagino que vários hackers do kernel ficarão irritadíssimos com o patch, pois debateram durante anos sobre a introdução de uma dependência do Perl – e sempre decidiram contra essa dependência. É provável que um fork do engine do Perl venha a ser embutido no kernel.

Podcast do kernel!

Jon Masters criou o site kernelpodcast.org com um resumo semi-diário dos eventos relacionados ao mundo do desenvolvimento do kernel sob a forma de podcasts e transcrições de áudio. Desejamos a ele muito boa sorte – parece um ótimo projeto!

Status do Xen

A incorporação dos patches do sistema de virtualização Xen ao kernel oficial atraiu muita atenção. Recentemente, Ingo Molnar sugeriu que isso seria uma boa ideia e, sem surpresa alguma, vários desenvolvedores manifestaram interesse e começaram a discutir sobre quais elementos do Xen deveriam ser incluídos ou excluídos de um conjunto inicial de patches. Ted Ts’o também aprovou a ideia e Steven Rostedt comparou a situação toda aos desenvolvedores do Xen pedirem uma maçã e ganharem uma torta de maçã no lugar. Alan Cox, entretanto, se mostrou contrário à inclusão. Ele afirmou que é preciso “começar mudando a mentalidade. Neste momento, grande parte do código parece ser ‘Tomamos uma decisão há vários anos quando criamos o Xen. Agora precisamos forçar esse código que escrevemos 12

para dentro do Linux, de alguma forma’”. Ele sugeriu que incluir o Xen seria menos importante que criar a estrutura adequada no Linux para suportar o Xen. Além disso, afirmou que a implementação do Xen talvez seja errada, sugerindo “desligar” alguns recursos do sistema de virtualização para obter uma implementação mínima, que por sua vez seria arquitetada de forma correta e incluída no kernel sem grandes problemas, para depois acrescentar mais recursos ao longo do tempo. Parte do problema, segundo Ts’o, é que aceitar um projeto ruim no kernel poderia dificultar muito a tarefa de consertá-lo no futuro. Então, uma decisão mal tomada no início da inclusão do Xen poderia dificultar a manutenção ou depuração de várias regiões do kernel durante muito tempo. O pessoal do Xen, muito frustrado, não ficou calado. George Dunlap afirmou que uma reimplementação tão fundamental, juntamente com a desativação de vários recursos, significaria basicamente iniciar um projeto totalmente novo – e bem diferente do Xen. Foi então que Linus Torvalds entrou no debate dizendo: “Vocês estão olhando o problema errado. Se o Xen fosse apenas um driver, não teríamos essa discussão. Mas, da forma atual, o Xen emporcalha O CÓDIGO DE OUTRAS PESSOAS. Se essas pessoas não têm interesse no Xen, qual a surpresa no fato de as pessoas não estarem entusiasmadas?”. E depois acrescentou, em outro tópico da discussão: “O Xen polui o código de arquitetura de uma forma que NENHUM OUTRO subsistema polui. E eu NUNCA vi os desenvolvedores do Xen assumirem isso para consertar o problema”. n A lista de discussão Linux-kernel é o núcleo das atividades de desenvolvimento do kernel. Zack Brown consegue se perder nesse oceano de mensagens e extrair significado! Sua newsletter Kernel Traffic esteve em atividade de 1999 a 2005.

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Coluna do Augusto

COLUNA

Previsões e imprevistos O Código Aberto não dominou o cenário dos netbooks como se previa, mas se encaminha para uma grande presença na área dos sistemas embarcados.

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ouve um momento, ao longo do ano passado, em que muitos analistas se arriscaram a prever um futuro em que o Linux e o Código Aberto seriam predominantes no cenário dos netbooks, uma novidade à época. Alguns meses se passaram e a realidade não foi bem assim: o Linux está presente em uma fatia deste nicho, mas esta fatia é bem menor do que se antecipava de forma otimista. Curiosamente, entretanto, outra fatia parece crescer mais, tanto de forma absoluta quanto potencial: é a do Linux nos dispositivos móveis e de pequeno porte, em categorias como a dos celulares, smartphones, games, set-top boxes, televisores e outros appliances domésticos. E isto me leva a uma reflexão com mais perguntas do que respostas definitivas, conforme detalharei a seguir.

Em muitos casos a própria presença do Linux não é visível, ou ao menos não é evidente para o usuário. Ocorre que a presença do Linux em vários destes aparelhinhos tem características bem diferentes daquelas com que muitos de nós estamos acostumados nos servidores, desktops, notebooks e mesmo nos netbooks. Para começar, em muitos casos a própria presença do Linux não é visível, ou ao menos não é evidente para o usuário. Ele está lá para discretamente dar suporte à aplicação do aparelho, como no caso de algumas TVs Sony Bravia, em que o usuário atento só percebe sua 14

presença se ler com atenção o manual e descobrir que ele vem acompanhado de uma cópia da GPL, e isto levá-lo a investigar a razão. Porém, se ele quiser tentar interagir com o kernel das formas como está acostumado – por exemplo, abrindo um terminal, rodando um aplicativo ou conectando-se via SSH –, descobrirá que não há acesso. Adoções mais assumidas do Linux, como ocorre no Palm Pre ou nos aparelhos baseados no Android, têm graus variados de abertura, permitindo que o usuário tecnicamente inclinado desenvolva programas, acesse diretamente alguns recursos e, dependendo do caso, até mesmo chegando a contar com um shell de root. Uma categoria à parte é a dos aparelhos que não vêm com Linux, mas permitem com (razoável) facilidade a instalação pelo usuário, como ocorre em aparelhos como o Dingoo ou a versão inicial do Playstation 3, cujo menu inclui oficialmente a opção que permite instalar e executar o Linux. E, fechando a fila, temos os aparelhos da Nokia (como o recém-anunciado N900) que vêm com o Maemo, que de todos é o que mais se aproxima de uma distribuição Linux tradicional, incluindo com possibilidade de maior acesso do usuário ao sistema. Vitória do Código Aberto ou não? Já vi pessoas duvidarem, baseadas em questionamentos sobre a consciência do usuário de que está rodando o Linux, ou mesmo sobre o nível de acesso e de abertura que ele tem ao lidar com o aparelho. Minha opinião, entretanto, é que a presença do Linux nestes aparelhos está plenamente de acordo com os objetivos de seus desenvolvedores. Mas claro que a situação é bem melhor em casos como o do Maemo e outros em que o usuário tem acesso mais amplo por opção de seus desenvolvedores. ;-) n Augusto César Campos é administrador de TI e desde 1996 mantém o site BR-linux.org, que cobre a cena do Software Livre no Brasil e no mundo.

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➧ Linux Foundation: NOTÍCIAS

quem escreve o Linux?

Greg Kroah-Hartman, Jonathan Corbet e Amanda McPherson publicaram em agosto o relatório estatístico periódico de desenvolvedores do kernel Linux. O PDF, intitulado “Linux Kernel Development”, mostra com números e gráficos como tem ocorrido o desenvolvimento do Linux. Publicado pela primeira vez em 2008, o documento fornece uma visão sobre o processo nos últimos quatro anos, entre as versões 2.6.11 e 2.6.30. Com relação ao número de desenvolvedores, não há dúvidas sobre o crescimento nessa área: 389 pessoas se envolveram no kernel 2.6.11, comparadas a 1.150 na versão 2.6.30.

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Canonical criticada

Uma surpresa para muitos foi a ausência de menções à Canonical, patrocinadora do Ubuntu. Sam Varghese, da iTWire.com, publicou o artigo “Canonical, cadê você?”, afirmando: “Red Hat, IBM, Novell e Intel são mencionadas no estudo da Linux Foundation, mas não há menção à tão popular distribuição GNU/Linux”. Críticas semelhantes já foram feitas pelo desenvolvedor do kernel e autor das estatísticas Greg Kroah-Hartman, da Novell. Em setembro do ano passado, Kroah-Hartman usou seu keynote na Linux Plumbers Conference para atacar a Canonical com relação à sua contribuição para o desenvolvimento do kernel. Novamente, as réplicas às críticas vieram rápido – um comentário na notícia de Varghese mostra que o GNU/Linux não consiste apenas no kernel, e a Canonical faz um importante trabalho de marketing muito positivo para o GNU/Linux. n

➧ Lançado o Slackware 13

➧ RHEL 5.4 lançado com suporte ao KVM

Patrick Volkerding, ditador benevolente da distribuição GNU/ Linux Slackware, lançou no dia 27 de agosto a versão 13.0 de seu sistema operacional. No anúncio, Patrick afirma que este foi “um dos períodos de desenvolvimento mais intensos na história do Slackware”. As alterações em relação à versão anterior, 12.2, são muitas, abrangendo desde o servidor gráfico Xorg até o formato dos pacotes (.txz, compactados com o algoritmo LZMA, superior em poder ao gzip), passando pelos ambientes gráficos KDE 4 (na versão 4.2.4) e Xfce 4.6 e pelos inúmeros componentes mais básicos do sistema. Patrick relembrou também que esta é a primeira versão do Slackware com suporte nativo à arquitetura de 64 bits x86-64. n

➧ Google Chrome de 64 bits para Linux

Foi anunciada durante o Red Hat Summit em Chicago, no início deste mês, a atualização da versão 5 do Red Hat Enterprise Linux. O RHEL 5.4 tem seu maior foco nas áreas de virtualização e computação em nuvem. Ele deve tornar-se a base do produto Red Hat Enterprise Virtualization, cujo lançamento está planejado para este ano. Segundo o anúncio da empresa, com esta versão, a Red Hat se torna a primeira a oferecer suporte à tecnologia de virtualização VT-d da Intel e também à SR-IOV da PCI-SIG. Apesar da preferência pelo sistema de virtualização KVM – conforme amplamente divulgado pela Red Hat nos últimos meses – , a companhia garante aos clientes usuários do Xen que estes podem continuar usando-o ao longo do ciclo de vida do RHEL 5. n

Apesar de o navegador Chrome, do Google, ainda não ter uma versão oficial e estável para sistemas GNU/Linux, já começaram os trabalhos numa versão de 64 bits. O desenvolvedor Dean McNamee escreveu para a lista de desenvolvedores que já tem uma versão de 64 bits funcionando há algumas semanas “após algumas alterações no Chromium”. As instruções de compilação já foram incluídas no site do projeto. O mais surpreendente é o fato de que os usuários de sistemas Windows não contarão tão cedo com a versão de 64 bits. O desenvolvedor Mads Sig Ager afirmou, na mesma lista de desenvlvimento, que “estamos nos concentrando em fazer a versão do V8 em 64 bits funcionar primeiro em Linux e Mac”. n

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CORPORATE

➧ EUA bane

patentes de software

A Secretaria de Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês) publicou no início deste mês uma nova determinação regulando a concessão de patentes. Segundo as novas regras – temporárias, de acordo com o órgão –, programas de computador não poderão mais ser protegidos por esse tipo de expediente, a menos que haja uma tranformação efetiva de estado ou a produção de algo palpável a partir de um objeto inicial. Além das patentes de software, as de organismos naturais, textos de contrato, regras de jogos, modelos de negócios, em-

Canonical

24

presas e pessoas também deixam de existir provisoriamente. A USPTO afirmou ainda que adotará, a partir de agora, as normas empregadas pela União Européia para a concessão de patentes. O motivo para a nova determinação foi a decisão do Tribunal Federal de Apelações (Court of Appeals for the Federal Circuit), que negou ao inventor Bernard Bilski a concessão de uma patente sobre determinado modelo de negócios. Bilski e Rand Warsaw foram então até a Suprema Corte, que está reunindo argumentos de proponentes e opositores da decisão para definir as novas regras a esse respeito. As patentes de software permanecerão banidas até que a decisão da Suprema Corte seja promulgada. n

➧ Patentes e suporte no Ubuntu

➧ Gartner recomenda Código Aberto para ECM

A loja da Canonical agora oferece três pacotes de suporte para a versão desktop do Ubuntu. O pacote básico, Starter Support, que oferece amplo suporte para a instalação por telefone e email, custa aproximadamente US$ 55,00 para um ano. O Advanced Support contém os mesmos serviços, mas cobre mais que dificuldades de instalação por US$ 115,00 por ano. O pacote Professional custa quase US$ 220,00 e traz suporte para instalação e aplicativos, além de cobrir a virtualização e a integração com redes Windows. Para pacotes de três anos, há também pequenos descontos Além disso, a Canonical apresentou uma nova política de patentes para ajudar os desenvolvedores e detentores de direitos a lidar com questões de patente de software. O lucro da loja do Ubuntu poderia ajudar a Canonical com ques questões de patentes. Sua nova política de patentes foi projetada para evitar ao máximo tais problemas. n

O Gartner forneceu no final de agosto uma pequena lista de medidas para evitar problemas com aplicações de gerenciamento de conteúdo corporativo (ECM, ou Enterprise Content Management). Quando organizações tomam decisões sobre ECM, muitas se decepcionam com a quantidade de concessões que precisam fazer, segundo o estudo do Gartnet. Por exemplo, sistemas ECM são caros, mas poucos funcionários têm acesso a eles. Em outros casos, projetos de adoção de sistemas ECM fracassaram por não considerarem as mudanças que exigiam sobre o estilo de trabalho da empresa. O Gartner sugere que é preciso usar a “abordagem correta” e oferece uma lista com seis sugestões táticas. O terceiro item da lista sugere incluir um provedor de conteúdo e ofertas de código aberto na estratégia. O motivo para o Código Aberto é que ele já amadureceu e seu mercado se estabilizou. As organizações de código aberto competem com os tradicionais líderes do mercado de ECM pelos contratos de governos e educação superior. Também são muito úteis os provedores de serviços de conteúdo que aprimoram as ofertas de software com consultoria, implementação e suporte. Juntamente com esses pontos, o Gartner sugere perguntar desde o início como as regras e metadados de políticas podem ajudar a eliminar a duplicação e a proliferação de documentos, assim como facilitar sua obtenção. n

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Notícias | CORPORATE

➧ Acordo sobre patentes com a Microsoft

➧ IDC: Mercado Linux na casa dos bilhões

A empresa finlandesa Tuxera, responsável pelo driver de código aberto NTFS-3G que permite ao kernel Linux realizar operações em sistemas de arquivos NTFS, formalizou um acordo de patentes com a Microsoft sobre os drivers exFAT. Além do Linux, o NTFS também é utilizado por sistemas como FreeBSD, OpenSolaris e outros. O líder e desenvolvedor chefe do projeto NTFS, Szabolcs Szakacsits, fundou a Tuxera em 2008 com o objetivo de oferecer drivers para exFAT e NTFS em interoperabilidade com sistemas Windows. Outras empresas de código aberto ficaram duvidosas quanto a seus acordos com a Microsoft com relação a patentes do FAT. A fabricante de softwares de navegação TomTom enfrentou recentemente problemas de legalidade de patentes com a Microsoft, a OIN (Open Invention Network) está reunindo provas contra Redmond, e os desenvolvedores de produtos baseados em Linux estão rapidamente retirando os códigos do FAT de seus produtos. n

A empresa de pesquisas de mercado IDC anunciou em agosto a previsão de que o Linux continuará crescendo firmemente nos próximos cinco anos, alcançando os bilhões de dólares em 2012. Num estudo intitulado “Worldwide Linux Operating Environment 2009-2013 Forecast: Can Linux Prove Resilience in an Economic Slimp”, a IDC pesquisou o desenvolvimento de mercado do sistema operacional livre sob as atuais pressões. Al Gillen, vice-presidente do programa de estudo, descreveu a situação da seguinte forma: “O Linux Comercial mostrou seu amadurecimento durante a crise econômica de 2001-2002, e agora o sapato está no outro pé, conforme o ecossistema do Linux se esforça para se adaptar às novas condições do mercado”. Ele vê um futuro brilhante para o Linux no futuro: “...a boa notícia é que é quase garantido que o Linux fará uma transição de sucesso ao longo desses tempos difíceis”. O pesquisador sustenta seu otimismo com algumas estatísticas: enquanto boa parte da indústria estagnou ou até diminuiu em 2008, as receitas com Linux cresceram 23,4%, chegando a US$ 267 milhões. Red Hat e Novell venderam o maior número de sistemas para servidores, e o analista vê a continuação desse crescimento. Com relação aos sistemas Linux gratuitos, Gillen diz que “o papel do Linux gratuito continua significativo em termos tanto de volume de unidades quanto de cultivo de uma maior base de usuários. Esta porção do mercado de sistemas operacionais Linux para servidores continua se expandindo”. n

➧ Novell tem lucro com Linux Aparentemente, apertar o cinto fez bem à Novell. Após demitir diversos funcionários de sua divisão de Linux há poucos meses, a fabricante do Suse Linux Enterprise divulgou esta semana seu relatório financeiro trimestral, demonstrando que a divisão faturou 38 milhões de dólares no último trimestre. O lucro da empresa no ano fiscal de 2009, cujo terceiro tri-

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

mestre acaba de terminar, foi de 17 milhões de dólares. A receita geral da empresa neste trimestre (US$ 216 milhões) foi menor que a do mesmo trimestre de 2008 (US$ 245 milhões). O lucro festejado foi possível graças aos US$ 160 milhões provenientes de “subscrições” e manutenção. Por um lado, licenças de software e serviços (como suporte técnico e treinamentos) contribuíram com apenas US$ 27 milhões (em 2008) e US$ 25 milhões (em 2009). Por outro lado, a Novell lucrou US$ 30 milhões com produtos Linux, 22% a mais que no terceiro trimestre de 2008. Apenas um ano atrás, os proprietários do Suse Linux Enterprise amargaram um prejuízo de US$ 15 milhões. Foi este o motivo para o corte geral de gastos na Novell. Várias vagas foram cortadas, assim como o evento anual Brainshare de 2009. n

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Entrevista com Michael Tiemann, Vice-Presidente da Red Hat para Assuntos de Código Aberto

CORPORATE

A Red Hat e o mercado Em conversa exclusiva com a Linux Magazine, o executivo da Red Hat explica a relação da empresa com a comunidade Fedora, o CentOS, o Ubuntu e todo o mercado. por Luciano Siqueira, Rafael Peregrino da Silva e Pablo Hess

M

Montagem sobre foto de James Duncan Davidson/O'Reilly Media

ichael Tiemann é um dos primeiros empreendedores de sucesso do mercado de Software Livre. A Cygnus Solutions, fundada por ele em 1989, foi possivelmente a primeira empresa em todo o planeta a se especializar no suporte comercial ao Software Livre. “Em 1987, eu percebi que os softwares GNU eram alguns dos melhores disponíveis”, afirma Tiemann em sua página pessoal, “e também que o Manifesto GNU era, na reali-

dade, um plano de negócios disfarçado”. Nota-se rapidamente a visão privilegiada que o agora executivo, ex-desenvolvedor, tem dos negócios com base em Software Livre. Na aquisição da Cygnus pela Red Hat em 1999 (a terceira da empresa), Michael tornou-se CTO (Chief Technology Officer) da companhia, e cinco anos depois foi alçado à posição de vice-presidente de assuntos de Código Aberto. Em sua passagem pelo Brasil durante o 10º FISL, Michael conversou com a Linux Magazine sobre a Red Hat, o Fedora, o Ubuntu, o CentOS – em suma, sobre sua atual visão sobre o mercado do Software Livre. LinuxÊ MagazineÈ É co-

Michael Tiemann, Vice-Presidente da Red Hat para Assuntos de Código Aberto da Red Hat

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mum a percepção de que a Red Hat tem uma forte presença em grandes e médias empresas. Existe alguma estratégia da empresa, envolvendo o Fedora ou o Red Hat Enterprise Linux, para fornecer servi-

ços a pequenas empresas que não possam ou não precisem pagar por soluções mais sofisticadas? MichaelÊ TiemannÈ Uma das melhores formas de entender o processo de adoção pelo mercado é ler o livro de Geoffrey Moore, “Crossing the Chasm”. Ele explica que existem vários tipos de subgrupos distintos em qualquer mercado: os inovadores (que trabalham com as últimas novidades), os pioneiros da adoção (primeiros a adotar as tecnologias que devem tornar-se populares), os populares, os atrasados na adoção (aqueles que se encontram entre os últimos a adotar tecnologias populares por escolha própria) e os proteladores (que jamais adotarão a tecnologia, a menos que seja a única opção). O livro de Moore foi escrito como um alerta às novas empresas que já tiveram sucesso nos grupos dos inovadores e dos pioneiros da adoção, mas cujos negócios são prejudicados quando sua tecnologia não cai no gosto popular. Porém, ele também ajuda a responder essa pergunta: os inovadores e pioneiros da adoção têm mais curiosidade que dinheiro, e normalmente têm muito mais interesse em descobrir se algo realmente funciona, em vez de como funcionaria

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CORPORATE | Red Hat

num contexto mais difundido, ou seja, com um modelo definido de operação, serviços, atualizações etc. A Red Hat acredita firmemente no modelo de desenvolvimento de código aberto, principalmente na ideia de que a inovação promovida pelos usuários é a fonte mais poderosa, escalável e confiável de inovação. Porém, conforme a adoção de tecnologia alterna as necessidades dos inovadores e pioneiros da adoção para as necessidades populares, diversas empresas perdem interesse em se especializar na forma de gerenciar o conteúdo de software que direciona a empresa. Elas desejam uma fonte confiável capaz de acompanhar as plataformas de hardware mais recentes, aplicativos de ISVs, ameaças de segurança e, em alguns casos, certificações de segurança. As duas abordagens (Red Hat Enterprise Linux e Fedora) podem conviver, como mostra o fato de que o Fedora cresceu mais de 100% (medido pelo número de visitantes únicos por mês) e também pelo fato de que a receita da Red Hat cresceu durante a crise, em vez de diminuir como muitas outras empresas de software. LMÈ As certificações profissionais da

Red Hat são bastante respeitadas pela comunidade e pelo mercado. Existem planos de algo semelhante para o Fedora? MTÈ O melhor treinamento que podemos oferecer à comunidade Fedora é o de como ser um contribuidor. Nesse sentido, a Red Hat tem trabalhado no desenvolvimento de algumas “receitas” para comunidades, além de realizar eventos como FUDcons, FADs e outros. Porém, a ideia de oferecer treinamento para que as pessoas usem o Fedora em contexto corporativo não faz sentido: assim que terminássemos de atualizar o treinamento para uma dada versão, a seguinte já a tornaria obsoleta. 28

O ciclo de lançamentos mais longo do RHEL (18 a 24 meses) oferece uma base de prazo mais longo para amortizar o custo do treinamento Red Hat. A realidade é que o Fedora é voltado para os inovadores e pioneiros da adoção que desejam resolver problemas que ninguém jamais resolveu. É difícil criar um programa de treinamento para isso. O treinamento em RHEL permite ao público popular aplicar as melhores práticas ao longo de vários casos de uso, e essas práticas levam tempo para desenvolver. Então, no caso do Fedora, o melhor treinamento é “Faça! Se não funcionar, que seja rápido para que o sucesso venha mais rápido!”. LMÈ Fato: o Ubuntu está se tornando

a distribuição GNU/Linux padrão para desktops, e o Fedora também tem o objetivo de alcançar os usuários não técnicos. Com relação ao projeto, o que diferencia o Ubuntu do Fedora? MTÈ Nem o Ubuntu nem o Fedora estão sozinhos: ambos dependem de outros projetos. O Fedora é a resposta à pergunta: “como a Red Hat integra e testa todos os milhares de projetos, e como ela contribui para a inovação neles?”. O Ubuntu fez um ótimo trabalho de trazer novos usuários para o Linux, mas acho que o Fedora pode enriquecer a base de desenvolvedores no Linux e no Código Aberto. LMÈ A instalação de pacotes ainda é

a tarefa mais complicada para novos usuários que adotam o GNU/ Linux. O Fedora tem alguma estratégia para facilitar essa etapa? MTÈ Acho que existe um limite de complexidade que é aceitável no mundo real. Quantos usuários no Windows podem baixar um vírus ou outro software malicioso com um ou dois cliques sem jamais perceber?

O modelo de segurança do Linux protege os usuários mais ingênuos de si mesmos, evitando que comprometam seus sistemas imediata e constantemente. Abrir uma janela de terminal e digitar yum install blender não é difícil a ponto de levar o usuário a dizer: “jamais vou tentar aprender a usar o Blender porque o processo de instalação é muito complicado”. Quando descobri o projeto Miro no FISL, entrei no meu sistema Fedora e digitei yum install Miro e instalei o software. O que poderia ser mais fácil? LMÈ Poderia existir alguma colabo-

ração entre o Fedora e o CentOS? E quanto a unificar os sistemas de gerenciamento de bugs com outras distribuições GNU/Linux para evitar resolver o mesmo problema várias vezes? MTÈ Eu costumava falar muito sobre isso, mas fui informado por várias pessoas que mesmo que conseguíssemos unificar os sistemas de rastreamento de bugs num único banco de dados, o verdadeiro problema seria fazer o mantenedor certo tomar a ação certa com relação a sua distribuição. Se ele tiver o relacionamento correto com os projetos originais (o que creio que o Fedora faz), os bugs não se multiplicarão desnecessariamente. Se um mantenedor de distribuição não puder gastar seu tempo relatando um bug para o projeto original, talvez ele não seja a pessoa mais adequada para essa função. n

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CORPORATE

Coluna do Taurion

O Chrome OS O recém-anunciado Chrome OS, do Google, vem reforçar o contraste entre a nova economia do grátis e o modelo tradicional de venda de licenças para PCs.

H

á algumas semanas, o Google anunciou um novo sistema operacional para PCs e netbooks, de código aberto, baseado no kernel Linux, chamado de Chrome OS. Distribuído gratuitamente, o Chrome OS se insere no contexto da economia do grátis, proposto por Chris Anderson em seu último livro, intitulado “Free”. A tese de Anderson é muito interessante: dado que os custos de armazenamento e transmissão de informações tornam-se desprezíveis, veremos nos próximos anos o crescimento da economia das coisas sem custo direto, como o Google (onde o Chrome OS se insere), a Wikipédia e os softwares de código aberto. Um exemplo deste barateamento é o preço dos transistores, que em 1960 custavam cerca de 100 dólares e hoje custam zero ou 0,000015 centavos de dólar. O valor de mercado do Google, ícone desta economia, é de vinte bilhões de dólares, superior à soma de todas as montadoras e as empresas aéreas dos EUA! O Chrome OS ajudará a gerar mais tráfego na Internet, o que aumentará as chances de o Google vender mais anúncios, que é a sua fonte de receitas. O Chrome OS colide diretamente com o modelo estabelecido da indústria de sistemas operacionais para PCs, dominado hoje pela Microsoft com o Windows. A arquitetura do Chrome OS é orientada ao modelo de computação em nuvem. Porém, na verdade, com base nas poucas informações disponíveis, parece-me que se trata do navegador Chrome rodando sobre um sistema de janelas em cima de um kernel Linux; ou seja, o Chrome OS é uma plataforma para o navegador Chrome e suas aplicações. O Google afirmou que seu código será aberto, e eu acredito que será baseado na licença GPLv2. Usando o kernel Linux, o Chrome OS aproveita todo o desenvolvimento já feito em drivers e a sua imensa comunidade de desenvolvedores. 32

O Chrome OS será inicialmente centrado nos netbooks, um mercado que cresce a cada dia. Os netbooks, que são máquinas voltadas a operar em nuvens computacionais, na minha opinião estão um pouco fora do alvo da Microsoft. A maior base instalada de netbooks roda Linux, e a versão Windows disponível é um subset do XP, uma vez que o Vista é muito grande para caber nestas máquinas. E o Windows XP é vendido para esses computadores a preços menores que os comercializados nos PCs. O mesmo fenômeno ocorrerá com o Windows 7 e sua versão simplificada para netbooks. O resultado é que o crescimento do mercado de netbooks canibaliza a receita do Windows. Nos próximos anos assistiremos a uma batalha interessante pelo mercado de PCs e netbooks, quando dois modelos de negócio diferentes estarão em choque: o modelo tradicional, como o da Microsoft, e o modelo do grátis, baseado em nuvem, como proposto pelo Google. A rede de valor do Google é baseada na economia do grátis, na qual o software é um meio para vender mais anúncios. Os exemplos estão se encaixando: o Chrome OS, o navegador Chrome, o Google Gears, Google Apps e o Google App Engine. Esta rede de valor é diferente do modelo da Microsoft, que obtém sua receita exatamente da venda de licenças de seus softwares. Um ponto chave para o sucesso do Google será a aceitação do modelo de computação em nuvem. Na minha opinião, esse modelo computacional vai se consolidar nos próximos anos e muitas das atuais limitações e restrições serão minimizadas ou até mesmo eliminadas. Vale uma aposta? n Cezar Taurion (ctaurion@br.ibm.com) é gerente de novas tecnologias aplicadas da IBM Brasil e editor do primeiro blog da América Latina do Portal de Tecnologia da IBM developerWorks. Seu blog está disponível em http://www-03.ibm.com/developerworks/blogs/page/ctaurion.

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Apareça na Web

CAPA

Seu site contra a Internet Se a concorrência pela atenção dos visitantes na Internet é grande, aprimore seus conhecimentos e seu site para atraí-los. por Pablo Hess

A

Internet é uma selva. Milhões ou até bilhões de pessoas competindo por fama, dinheiro fácil, sucesso e reconhecimento. Não à toa, o Google, peça que se tornou fundamental para encontrarmos algo na Web, é um fenômeno de rentabilidade. Com uma infraestrutura composta por diversos data centers, cada um com vários milhares de servidores, o gigante da Internet emprega seus amplos tentáculos para servir aos clientes diversos outros serviços além das buscas, sempre com o intuito de exibir mais e mais anúncios direcionados. Independentemente do questionamento sobre a ética da ”bisbilhotice” do Google, não há quem não deseje aproveitar as facilidades oferecidas pela empresa para obter alguma receita. No entanto, o que à primeira vista parece fácil se mostra muitas vezes uma tarefa hercúlea: ser visto. É aí

que nos lembramos de que, embora o Google seja o ás da busca, são muitos os sites que concorrem pelas melhores posições em seu índice. Felizmente para os alfabetizados, o próprio Google oferece uma grande ajuda na hora de nos candidatarmos ao posto de primeiro colocado das buscas. Esta edição da Linux Magazine aborda justamente as formas de aproveitar essa “mãozinha”, juntamente com os poderes do Código Aberto, para lançar seu site – ou o da sua loja online, do seu grupo de usuários, da sua família – em uma nova onda de visitação e, com sorte, lucro! Começaremos mostrando como tirar proveito da infraestrutura descomunal do Google para criar suas próprias aplicações web. Basta um sistema GNU/Linux para montar sua aplicação, subi-la para as dezenas de milhares de servidores da empresa e começar a servir clientes.

Em seguida, explicaremos como utilizar as eficazes ferramentas online disponibilizadas gratuitamente pelo fenômeno da Internet para tornar seu site mais visível e desejável para os visitantes que você deseja. Não há forma mais rápida de atrair cliques. E quando os visitantes chegarem, é bom seu servidor estar preparado. Veja como ajustar o poderoso Apache para fazer frente à enxurrada de cliques e ao novo volume de tráfego. Por último, se você procura um sistema único para montar seu portal e também a intranet da empresa, conheça o CMS colaborativo Liferay e construa tudo com muito mais simplicidade e velocidade. Seja para realizar um novo projeto desenvolvido nas horas vagas ou para manter e aprimorar o site da empresa, as dicas desta edição são essenciais para você aproveitar cada oportunidade oferecida na Web. Faça bom proveito!  n

Índice das matérias de capa Powered by Google SEO, sim senhor Apache tunado Raio de vida na colaboração

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

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Explore a última versão do grande Bourne-again shell

ANÁLISE

Bash novo yewkeo, 123RF

Apesar da maturidade do Bash, seus desenvolvedores continuam aprimorando-o. A versão 4 do shell está cheia de novidades. por Bernhard Bablok e Nils Magnus

A

pesar da competição recente por parte de poderosas alter­ nativas como o Zsh [1], o Bourne-again shell (Bash) [2] ain­ da é o rei do pedaço no console do GNU/Linux. O Bash, que pode ser usado de forma interativa, tam­ bém serve como uma linguagem de script simples e prática. O Bash faz parte do esqueleto de todo sistema GNU/Linux – mais um motivo para investigar os benefícios de adotar a nova versão 4, lançada em fevereiro de 2009.

Por que não?

Em sistemas em produção, talvez seja mais recomendável avaliar se é realmente necessário atualizar o Bash para sua nova versão. Por um lado, as principais distribuições cer­ tamente difundirão a nova versão por meio de suas atualizações, então o novo Bash fatalmente vai chegar ao seu sistema mais cedo ou mais tarde. Programadores e usuários avançados, por outro lado, gostam de usufruir os benefícios oferecidos por novas versões o mais rápido possível. Quem desejar já se familiarizar com o shell principal da maioria das distribuições do futuro certamente 58

gostará de passar algum tempo com o Bash 4 já. A tabelaÊ 1 mostra um resumo de alguns novos recursos importantes; para uma listagem completa, verifi­ que o arquivo NEWS na documentação do Bash. Este artigo levanta algumas das mudanças mais importantes.

Linha de comando

Usuários da linha de comando apre­ ciarão algumas extensões inconspí­ cuas, mas muito úteis, incorporadas ao novo Bash. Por exemplo, a string ** é expandida para uma lista de arquivos e caminhos sob o diretório atual, de forma semelhante ao co­ mando externo find. Porém, os usuá­ rios precisam ativar esse recurso por meio do comando shopt -s globstar. Os desenvolvedores agora ado­ taram uma técnica mais amigável para um dos maiores mistérios do Bash: o redirecionamento da saída de erro padrão. Em vez do mantra 2>&1 1>arquivo, agora os usuários po­ dem usar simplesmente &> >arquivo para redirecionar as saídas padrão e de erro para um único arquivo. O atalho |&, que redireciona o erro padrão de um comando para um pipe, é outra novidade útil.

Vetores associativos

A crença popular reza que scripts Bash criam muitos processos, que acabam prejudicando o desempe­ nho. Mas muitos dos aplicativos simples que costumavam ser usados com o Bash, incluindo sed, grep, basename e dirname, já não são mais necessários; o Bash realiza essas tarefas tão rápido quanto qualquer outra linguagem de script com fer­ ramentas embutidas. Apesar desses avanços, os programadores Bash continuam com olhares invejosos a Perl e Python, ambos com estruturas de dados mais versáteis. Em sua versão 4, o Bash final­ mente acrescenta a seus vetores uni­ dimensionais os vetores associativos (semelhantes aos hashes em Perl e dicionários em Python). Para muitos programadores, essa mudança, por si só, já é motivo suficiente para ado­ tar a nova versão, pois ela oferece uma solução bem mais elegante a vários problemas. Por exemplo, os desenvolvedores podem usar textos arbitrários como índices de vetores associativos em vez de apenas intei­ ros. A listagemÊ 1 mostra um exemplo. A listagemÊ 2 contém um script que ordena arquivos em diretórios

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Bash 4 | ANÁLISE

Tabela 1: Principais mudanças Mudança Substrings PID autocd checkjobs read mapfile command_not_found_handle globstar Chaves Saída de erro padrão Saída de erro padrão case

Expansão variável Conversão automática Vetores associativos coproc Seleção

Descrição A extensão para parâmetros de posição suporta o desvio zero O PID do shell atual está disponível na variável BASHPID Suporta navegação rápida por meio do nome do diretório Verifica e relata trabalhos (jobs) ativos ou parados na saída Atribui entradas parciais a variáveis e mantém seus valores mesmo que o comando tenha seu tempo expirado Facilita o processamento de arquivos O Bash 4 chama essa função caso não consiga encontrar um comando Usa ** para realizar buscas recursivas ao longo de múltiplos diretórios A extensão cria uma lista de valores com zeros na frente Em vez de 2>&1 1>arquivo, o Bash agora suporta &> >arquivo Da mesma forma, |& substitui 2>&1 | Agora o Bash 4 suporta ;;, ;& e ;;& para terminar um case. O primeiro processa incondicionalmente as instruções do próximo grupo; o segundo verifica mais uma vez e, se adequado, continua processando o próximo grupo. Os operadores ^ e , alteram para caixa alta ou baixa declare -u e declare -l convertem automaticamente para caixa alta ou baixa ao atribuir valores Os índices podem ser strings: $idade[“fulano”] Cria processos assíncronos O comando read -t 0 -u fd verifica se o descritor de arquivo fd fornece dados

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a sua coleção

O objetivo da coleção é trazer conhecimento confiável e de alto nível sempre com enfoque prático e voltado para a utilização do sistema Linux e de outras tecnologias livres.

Mais informações Site: www.linuxmagazine.com.br Linux Magazine #58 | Setembro de 2009 Tel: 11 4082-1300

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ANÁLISE | Bash 4

Listagem 1: Programação com vetores associativos 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

#!/bin/bash declare -A name nome[“Linus”]=”Torvalds” nome[“Bill”]=”Gates” nome[“Steve”]=”Jobs” nome[“Richard”]=”Stallman” # Mostrar todos os valores: echo “Valores: ${nome[@]}” # Mostrar todas as chaves: echo “Chave: ${!nome[@]}” # Acessar valores individuais for v in “{!nome[@]}”; do echo “$v ${name[$v]}” done

Listagem 2: Texto errado em listas 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14

#!/bin/bash dirs=”” for f in “$@”; do d=`getDir “$f”` mkdir -p “$d” mv -f “$f” “$d” dirs=”$dirs $d” done for d in $dirs; do createIndex “$d” done

Listagem 3: Vetores associativos 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14

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#!/bin/bash declare -A dirs for f in “$@”; do d=`getDir “$f”` mkdir -p “$d” mv -f “$f” “$d” dirs[$d]=1 done for d in “${!dirs[@]}”; do createIndex “$d” done

segundo suas propriedades – por exemplo, a data de criação. O script possui dois problemas fundamen­ tais: primeiro, ele não funciona com diretórios que contenham espaços em branco, e segundo, ele pode processar cada diretório mais de uma vez. As versões anteriores do Bash usavam técnicas diferentes para re­ solver esse problema. No Bash 3.2, os programadores podem armaze­ nar os nomes de diretórios entre aspas num vetor. Um script poderia evitar o duplo processamento por meio de buscas no nome – ou por meio de uma lenta busca linear no vetor. Nenhuma dessas técnicas é particularmente elegante. O Bash 4 lida com essa tarefa de forma bem mais simples (veja a listagemÊ 3): o nome do diretó­ rio serve como chave; o valor não tem importância. Na linhaÊ 12, o loop itera por todas as chaves. A construção especial com alguns & entre aspas duplas faz o mesmo que em outros pontos do Bash: faz com que o shell processe os valo­ res como elementos individuais. Portanto, a solução funciona com diretórios que contenham espaços em branco.

Arquivos

A listagemÊ 4 contém um padrão de programação típico. O loop while nas linhasÊ 5Ê aÊ 8 processa as linhas de um arquivo uma após a outra e guarda o resultado num vetor. Essa construção ocorre com frequência, mas infelizmente é imperfeita. Caso a úlima linha não termine com um caractere de nova linha, o loop não armazenará a linha. O comando read embutido não fará a atribuição sem a nova linha. A nova versão do Bash não ape­ nas economiza teclas como tam­ bém oferece uma implementação mais limpa. Em vez do loop while, uma única linha já faz todo o tra­

balho sujo (linhaÊ 4 da listagemÊ 5). O comando mapfile usa o “apelido” readarray, que descreve seu propósito de forma mais precisa. O comando mapfile pode até fazer mais que isso. Para mais detalhes, help mapfile e man mapfile devem ajudar bastante. O comando pode processar múltiplas linhas de uma única vez e processá­las uma a uma com uso de uma função callback. Infelizmente, os desenvolvedores não forneceram uma implementação es­ pecialmente elegante dessa função. O Bash 4 chama a função callback antes de processá­la, e não depois. Essa técnica oferece ao script um callback antes de o shell de fato ler algo, mas perde um callback após a última linha. Apesar dessa com­ plicação, a função ainda é útil para processar arquivos inteiros.

Caixa alta e baixa

Se você já precisou implementar uma técnica robusta para processa­ mento de arquivos de configuração ou entrada de usuários, já conhece o seguinte problema: o valor no ar­ quivo de configuração ou o resultado da operação read pode ser SIM, sim, Sim, YES, true ou eViDentemEnte. Até o Bash 3.2, os autores de scripts usavam o utilitário externo tr para converter o valor para caixa alta ou baixa. O Bash 4 facilita isso. A instrução declare -u Variável converte auto­ maticamente todas as atribuições da variável Variável para caixa alta. De forma análoga, declare -l converte para caixa baixa. Essas ferramentas de conversão economizam chamadas a programas externos e melhoram o desempenho do script. Para con­ verter apenas uma vez, em vez de globalmente, é possível usar a nova extensão de parâmetro: foo=SIM echo ${foo^} echo ${foo^^}

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Bash 4 | ANÁLISE

Quadro 1: Entrevista com o desenvolvedor do Bash 4 Chet Ramey Chat Ramey é gerente do Grupo de Segurança e Engenharia de Redes da divisão de serviços de TI da Case Western Reserve University. Ele é o mantenedor do Bash desde 1990. A Linux Magazine fez algumas perguntas a ele com relação à última versão do Bash.

A comunidade do Software Livre não via uma nova versão do Bash há algum tempo. Alguns dizem que a versão 3.2 era adequada para praticamente todas as tarefas necessárias. Então, por que algo novo?

O Bash 4 também acrescentou diversos novos recursos para usuários da linha de comando. Agora ele está pronto para competir com shells especializadas nisso, como o Zsh?

Fico feliz que as pessoas tenham uma opinião tão boa sobre o Bash 3.2. Eu não gosto de lançar novas versões com muita frequência, pois o shell é muito básico para vários distribuidores, mas já estava na hora. O Bash 4.0 oferece diversos recursos novos (normalmente eu não incluo grandes recursos novos em versões de atualização), várias correções de falhas que não entraram como patches no 3.2, e mais funcionalidades para os recursos já presentes.

Acho que sim. O Bash talvez não tenha tantas funcionalidades embutidas, mas acho que oferece ferramentas suficientes para torná-lo um ambiente interativo tão bom quanto o Zsh.

Quais os três avanços ou novos recursos que você acha mais interessantes? Vejamos. Essa é difícil, porque há várias que são boas. 1. Vetores associativos; 2. A correção para o último trecho incompatível com Posix. O shell não exige mais os parênteses balanceados ao processar substituições de comandos no estilo $(...) (por exemplo, ao processar uma instrução case dentro de uma substituição de comando). Estou empolgado com isso porque foi, certamente, a parte mais complicada para implementar. Não foi fácil com um parser gerado pelo yacc. 3. As melhorias possíveis com o bind -x. Ao executar um comando associado a uma sequência chave com bind -x, esse comando terá acesso ao buffer do readline e à posição atual do cursor e poderá alterá-la. Uma função de shell poderia chamar um programa externo para rearranjar as palavras na linha de comando, por exemplo, e fazer com que se refletissem no buffer de edição. Acho que esse recurso ainda não foi muito usado, mas há várias possibilidades. O Bash 4 acrescentou vários novos recursos para facilitar a programação. Você acha que ele já consegue competir com linguagens como Perl e Python? Acho que Perl e Python são linguagens mais sofisticadas, pois têm muito mais funções embutidas. Shells em geral são feitas para “grudar” programas externos ou funções de shell, além de oferecerem um ambiente para facilitar essas tarefas. Porém, é possível escrever programas bastante complexos usando shell: veja o bash debugger, por exemplo.

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

Há algumas discussões sobre estilos de programação e uso de recursos em shell scripts. Enquanto alguns tradicionalistas exigem compatibilidade com o Bourne shell, outros usam inúmeros recursos do Bash. Qual o seu ponto de vista? E a compatibilidade com o Bash 3.2? Você recomenda adotar o 4.0 imediatamente ou deixá-lo em paralelo com o 3.2 por certo tempo? Acho que depende dos seus objetivos. É fato que quando pedem “compatibilidade total com o Bourne shell”, referem-se à versão do sh presente em suas máquinas. Há diferentes versões do Bourne shell: v7, SVR2, SVR3, SVR4, SVR4.2... E fornecedores distintos acrescentam diferentes conjuntos de recursos à mesma versão do Bourne shell. É difícil descobrir exatamente o que se quer dizer com “Bourne shell original”. Para quem se interessar em escrever scripts portáveis, eu sugeriria seguir o padrão Posix. Ele pode ser considerado uma linha de base que todos os shells padrão implementam. Muitos – senão todos – fornecedores incluem um shell que obedece ao Posix. E se o seu fornecedor não incluir um, o Bash é compatível com praticamente todas as plataformas existentes. Com relação à retrocompatibilidade com o Bash 3.2, tentei mantê-la ao máximo. Em certos locais, achei que o comportamento do Bash 3.2 era errado e o corrigi, sacrificando a retrocompatibilidade. Também existe a noção do “nível de compatibilidade” do shell, que preserva explicitamente certos comportamentos antigos quando ativado (veja as opções compat31 e compat32 do Bash). Creio que o nível de compatibilidade com o Bash 3.2 é bem alto e não deveria afetar a portabilidade dos scripts. Acho que a compatibilidade é suficiente para os usuários atualizarem para o Bash 4.0 imediatamente e gradativamente acostumarem-se com os novos recursos.

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ANÁLISE | Bash 4

Listagem 4: Técnica antiga para processar arquivos 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10

#!/bin/bash inputFile=”$1” i=0 while read line; do lines[$i]=”$line” let i++ done < “$inputFile”

echo {05..15}

# Processamento das linhas...

Listagem 5: Nova técnica para processar arquivos 01 02 03 04 05 06

#!/bin/bash inputFile=”$1” mapfile -n 0 lines < “$inputFile” # Processamento das linhas...

O primeiro comando converte a primeira letra para caixa alta e imprime Sim. O segundo converte todas as letras, portanto retorna SIM. Se for necessário converter para caixa baixa, pode­se usar: foo=SIM echo ${foo,} echo ${foo,,}

A sintaxe ${Var^Padrão} suporta substituições ainda mais complexas.

Co-processos e listas

A maioria dos fabricantes de hardware atuais oferecem processadores com múltiplos núcleos, e já começam a aparecer técnicas para explorar essas funcionalidades. O Bash 4 permite ao programador executar o que se chama de “co­processos”:

difícil de ler. Porém, se for preciso ordenar esse tipo de saída, as versões anteriores do Bash não ajudavam, pois eram incapazes de inserir um zero à frente dos números menores que dez. O Bash 4 já faz isso:

cularmente útil para shell scripts que tratam com processamento paralelo [5]. Listas de valores automáticos, ou expansões de chaves, já existem há tempos, mas eram desconhecidas pela maioria dos usuários: o comando echo {5..15} conta do primeiro até o último número. Muitos programa­ dores Bash ainda usam o programa externo seq para isso: echo $(seq -s “ “ 5 15)

O comando seq não apenas é mais lento, como seu resultado é mais

A nova versão da shell padrão do GNU/Linux oferece alguns recursos úteis para os programadores e fãs da linha de comando. Apesar de algu­ mas pequenas incompatibilidades, o mantenedor do Bash incentiva os usuários a fazer a atualização (con­ fira a entrevista no quadroÊ 1). A nova versão do Bash não é exa­ tamente magra – o binário agora ocupa 730 KB, em lugar dos 590 KB da versão anterior. Ele é mensuravel­ mente, mas não perceptivelmente, mais lento; os tempos de execução mais longos dificilmente devem ser problemáticos em hardwares atuais. Para usar as novas funções hoje, é preciso ter controle total sobre o ambiente para substituir todo o Bash. Em algums scripts, talvez seja preciso consultar as variáveis de ambiente BASH_VERSION e BASH_ VERSINFO para se assegurar da ver­ são em execução. Caso a versão não seja a 4, simplesmente termi­ ne o script graciosamente e emita uma mensagem de erro explicando o motivo. n

Mais informações [1] Zsh: http://www.zsh.org [2] Bash: http://tiswww.case.edu/php/chet/bash/bashtop.html [3] Bernhard Bablok, “Shell paralelo”: http://lnm.com.br/article/2586

coproc pipes comando

Este comando retorna os descri­ tores de entrada e saída padrão do comando nas variáveis pipes[0] e pipes[1]. O processo principal do Bash os utiliza para se comunicar com o co­processo, o que é parti­ 62

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Dispositivos físicos e lógicos

TUTORIAL

OpenSolaris, parte 5 Na continuação da série, veja como o sistema operacional de código aberto da Sun identifica e reconhece dispositivos de hardware. por Alexandre Borges

S

eguindo nossa série, este artigo finalmente começa a entrar um pouco mais fundo no mundo do OpenSolaris. Deste ponto em diante, tenho certeza de que o leitor notará uma pequena ruptura no que diz respeito à quantidade de informações novas apresentadas. Começaremos a desvendar assuntos bem mais específicos deste fantástico sistema operacional e, com isto, a quantidade de informação será um pouco mais densa. O leitor sabe, é claro, que existem muitos dispositivos de armazenamento de dados que podem ser utilizados após o processo de inicialização do OpenSolaris, como discos rígidos (SCSI, SATA, IDE), disquetes, pen drives, CDs e DVDs, para citar os mais comuns. A maneira como o OpenSolaris trata esses dispositivos é muito peculiar e fundamental, por isso, focaremos nesse assunto de forma bastante incisiva. Como o disco rígido é o dispositivo mais importante dentre estes citados, dedicaremos uma 64

Agata Urbaniak – www.sxc.hu

maior atenção a ele. Entretanto, de qualquer forma, abordaremos todos eles – diretamente ou não – para que seja possível construir um conhecimento mais sólido.

Dois diretórios

No OpenSolaris existem dois diretórios muito importantes que exercem um papel fundamental no gerenciamento de dispositivos e, mais especificamente, na administração de discos. Qualquer componente importante da máquina (teclado, mouse, porta USB, processador, memória, discos rígidos, placa de rede, porta serial etc.) que esteja executando o OpenSolaris é representado por um ou mais arquivos no sistema operacional, o qual concentra estas entradas em dois diretórios de grande importância para o gerenciamento dos dispositivos. São eles: /dev/: contém uma ou mais entradas representando cada dispositivo de forma lógica;

/devices/: contém uma ou mais

entradas representando cada dispositivo de forma física. Em outras palavras, é correto dizer que o diretório /devices/ é para uso do OpenSolaris, já que seu conteúdo é bastante complicado (e dependente da arquitetura e do modelo da máquina), enquanto que o diretório /dev/ é destinado ao uso por seres humanos, pois representa os dispositivos de forma mais simples de entender. Existem, sim, formas de decodificar os caminhos físicos (/devices/), mas essas técnicas não são importantes no contexto deste artigo. A listagemÊ 1 mostra o conteúdo do diretório /devices/, incluindo detalhes importantes. É importante saber que, via de regra, existem diferentes tipos de arquivos no OpenSolaris e estes podem ser identificados pelo primeiro caractere de cada linha da saída do comando ls -al (tabelaÊ 1). De forma básica, os dispositivos raw (dados brutos) são aqueles aces-

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OpenSolaris | TUTORIAL

sados como correntes (streams) de dados; ou seja, no caso de discos, o sistema de arquivos (e a organização lógica que este impõe aos dados) não é levado em conta. Dispositivos de bloco são aqueles em que o filesystem é levado em conta; ou seja, existem chamadas de sistema específicas baseadas no tamanho do bloco de dados, e esses dados, quando acessados, são transferidos primeiramente para uma área de cache em memória (motivos de desempenho em caso de reutilização da informação) e depois ao seu destino. Outro aspecto importante é comparar os detalhes da listagem de um arquivo regular contra a listagem de um arquivo de dispositivo (seja ele de bloco ou bruto). Observe: a@lab2:/devices/pseudo# ls -al /etc/hosts lrwxrwxrwx (...) /etc/hosts -> ./inet/hosts

Um arquivo regular apresenta os seguintes campos, na seguinte ordem: permissões, número de hard links, usuário proprietário, grupo proprietário, tamanho do arquivo, hora de modificação e nome do arquivo. Para quem desconhece, um hard link é a associação que existe entre o nome do arquivo e seu respectivo inode, que por sua vez é a estrutura que detém as informações do arquivo, assim como os ponteiros para os blocos de dados do arquivo. O inode pode ser associado a mais de um nome (semelhante às pessoas que têm um nome e alguns apelidos).

Listagem 1: Conteúdo de /devices/ # ls/devices total 15 drwxr-xr-x 10 root drwxr-xr-x 25 root drwxr-xr-x 2 root crw-r--r-- 1 root drwxr-xr-x 2 root drwxr-xr-x 4 root drwxr-xr-x 2 root drwxr-xr-x 4 root crw––- 1 root sys crw––- 1 root sys crw––- 1 root sys drwxr-xr-x 6 root crw––- 1 root sys drwxr-xr-x 2 root crw-rw-rw- 1 root drwxr-xr-x 2 root crw––- 1 root sys

sys root sys sys 219, sys sys sys sys 86, 255 86, 252 86, 253 sys 2, 0 sys sys 18, sys 28, 0

10 2009-08-19 02:14 . 26 2009-08-08 14:59 .. 2 2009-08-19 02:14 agpgart 0 2009-08-19 02:09 agpgart:agpgart 2 2009-08-19 02:14 cpus 4 2009-08-08 14:45 isa 2 2009-08-19 02:14 options 5 2009-08-08 14:51 pci@0,0 2009-08-19 02:09 pci@0,0:devctl 2009-08-19 02:09 pci@0,0:intr 2009-08-19 02:09 pci@0,0:reg 9 2009-08-19 02:11 pseudo 2009-08-19 02:09 pseudo:devctl 2 2009-08-08 14:51 scsi_vhci 0 2009-08-19 02:09 scsi_vhci:devctl 2 2009-08-19 02:14 xsvc@0,0 2009-08-19 02:09 xsvc@0,0:xsvc

crw––- 1 root sys 2, 0 2009-08-19 02:09 pseudo:devctl

Os números 2 e 0 são, respectivamente, os números major e minor desse dispositivo de caracteres. Números major e minor aparecem tanto em arquivos brutos quanto em arquivos de dispositivos de bloco. O

número major é responsável por indicar qual é o driver necessário para acessar o dispositivo em questão, e o número minor representa a instância desse dispositivo – pois podem existir múltiplos dispositivos do mesmo tipo que exigem o mesmo driver para acesso. Esta representação numérica não facilita muito a compreensão de

Major e minor

No caso de um arquivo de dispositivo, essa listagem é quase igual, mas existe uma pequena diferença: no lugar do tamanho do arquivo aparece uma composição de dois números que são o major number e o minor number. Veja:

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

FiguraÊ 1Ê T Ê ípica listagem de um subdiretório de /devices/ num sistema OpenSolaris.

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TUTORIAL | OpenSolaris

qual tipo de driver deve ser utilizado, entretanto, o leitor pode realizar dois passos para descobrir as informações dos drivers:

O primeiro consiste em consultar o arquivo /etc/name_to_major: # more /etc/name_to_major

Tabela 1: Tipos de arquivos Primeiro caractere da linha

Significado

d

diretório

-

arquivo regular

l

link simbólico

c

dispositivo de caractere

b

dispositivo de bloco

Figura 2 Conteúdo do diretório /dev/ no OpenSolaris.

Este arquivo é o responsável pelo mapeamento de todos os números major a seus respectivos drivers. Depois de descobrir qual é o driver que corresponde ao número major, basta consultar a página de manual do driver: # man driver_em_questão

As figuras 1 e 2 ilustram a listagem dos diretórios /devices/ e /dev/, respectivamente. Perceba que o caminho que representa fisicamente um dispositivo (para uso do OpenSolaris, figura 1) é bastante complicado e enigmático. Neste caso, está em destaque um slice (fatia) do disco rígido interno da máquina – veremos slices de disco no próximo artigo desta série. Já no caso da representação lógica (figura 2), as informações tendem a ser mais fáceis de interpretar. Com um pouquinho de conhecimento, é possível identificar alguns hardwares importantes da máquina: e1000g (placa de rede), diskette (disquete), kbd (teclado), cpu, mouse, nvidia0 (placa de vídeo), mem (memória) etc. Como dito antes, esta representação é adequada para os administradores do OpenSolaris.

Reconhecimento

FiguraÊ 3Ê ÊLinha do Grub responsável por iniciar o kernel.

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Agora que já conhecemos a representação dos dispositivos, é necessário aprender como é possível, ao adicionar um hardware novo no OpenSolaris, fazer o sistema reconhecer esse componente. As maneiras mais fáceis são: Executar o comando devfsadm -v: este comando, apenas com o parâmetro -v (verbose mode), procura todos os novos dispositivos que tenham sido adicionados à máquina, sem necessidade de reiniciá-la. Caso a opção anterior não tenha funcionado, é possível, por meio do Grub, editar a linha

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OpenSolaris | TUTORIAL

do kernel associada à inicialização (na figuraÊ 3, basta escolher o comando e para editar essa linha) e passar a opção -r ao final da linha, como um argumento. O inconveniente desta escolha é a necessidade de reiniciar a máquina, o que causa transtornos por tirar do ar as aplicações. Contudo, para alguns hardwares, esta é a única maneira de forçar seu reconhecimento dentro do OpenSolaris.

Tudo reconhecido

Independentemente da técnica utilizada, quando novos dispositivos são encontrados, o sistema operacional cria novas entradas nos diretórios /dev/ e /devices/ e, inclusive, faz inserções no arquivo /etc/path_to_inst. No conteúdo deste arquivo, o OpenSolaris cria uma linha com os caminhos físicos de cada dispositivo, seguido da instância e, por fim, do nome lógico que ele designa para esses hardwares. Alguns exemplos de nomes lógicos: sd: discos SCSI dad: discos IDE cmdk: discos SATA e1000g, pcn: placas de rede Na saída seguinte (listagem 2), é mostrado o arquivo /etc/path_ to_inst da máquina de teste (que consiste, para fins de esclarecimento, em uma máquina virtual sobre VMware). Este mesmo arquivo pode ser visualizado de forma indireta por meio do seguinte comando: prtconf | grep –v not

que apresenta apenas os dispositivos que estão presentes no sistema. Sugiro ao leitor que faça alguns testes com o comando prtconf usando as opções -p e -v, uma vez que elas

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

trazem outras informações muito interessantes, com as quais é possível, inclusive, descobrir características detalhadas do disco, como velocidade.

No próximo mês

No próximo artigo, vamos abordar em maiores detalhes os discos rígidos: slices, particionamento, sistemas de arquivos e muito mais. n

Listagem 2: Conteúdo de /etc/path_to_inst root@opensolaris:/# more /etc/path_to_inst # #Caution! This file contains critical kernel state # “/pseudo” 0 “pseudo” “/scsi_vhci” 0 “scsi_vhci” “/xsvc@0,0” 0 “xsvc” “/options” 0 “options” “/agpgart” 0 “agpgart” “/isa” 0 “isa” “/isa/pit_beep” 0 “pit_beep” “/isa/i8042@1,60” 0 “i8042” “/isa/i8042@1,60/keyboard@0” 0 “kb8042” “/isa/i8042@1,60/mouse@1” 0 “mouse8042” “/isa/lp@1,378” 0 “ecpp” “/isa/asy@1,3f8” 0 “asy” “/isa/asy@1,2f8” 1 “asy” “/isa/fdc@1,3f0” 0 “fdc” “/isa/fdc@1,3f0/fd@0,0” 0 “fd” “/ramdisk” 0 “ramdisk” “/cpus” 0 “cpunex” “/cpus/cpu@0” 0 “cpudrv” “/pci@0,0” 0 “pci” “/pci@0,0/display@f” 0 “vgatext” “/pci@0,0/pci8086,7191@1” 0 “pci_pci” “/pci@0,0/pci-ide@7,1” 0 “pci-ide” “/pci@0,0/pci-ide@7,1/ide@0” 0 “ata” “/pci@0,0/pci-ide@7,1/ide@0/cmdk@0,0” 0 “cmdk” “/pci@0,0/pci-ide@7,1/ide@1” 1 “ata” “/pci@0,0/pci-ide@7,1/ide@1/sd@0,0” 0 “sd” “/pci@0,0/pci1000,30@10” 0 “mpt” “/pci@0,0/pci1022,2000@11” 0 “pcn” “/pci@0,0/pci15ad,1976@7,2” 0 “uhci” root@opensolaris:/#

Gostou do artigo? Queremos ouvir sua opinião. Fale conosco em cartas@linuxmagazine.com.br ou com o autor em alex_sun@terra.com.br Este artigo no nosso site: http://lnm.com.br/article/2997

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São José do Rio Preto

Rua Voluntário de São Paulo, 3066 9º – Centro – CEP: 15015-909

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4Linux

São Paulo

Rua Teixeira da Silva, 660, 6º andar – CEP: 04002-031

11 2125-4747

www.4linux.com.br

A Casa do Linux

São Paulo

Al. Jaú, 490 – Jd. Paulista – CEP: 01420-000

11 3549-5151

www.acasadolinux.com.br

4

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Accenture do Brasil Ltda.

São Paulo

Rua Alexandre Dumas, 2051 – Chácara Santo Antônio – CEP: 04717-004

11 5188-3000

www.accenture.com.br

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ACR Informática

São Paulo

Rua Lincoln de Albuquerque, 65 – Perdizes – CEP: 05004-010

11 3873-1515

www.acrinformatica.com.br

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Agit Informática

São Paulo

Rua Major Quedinho, 111, 5º andar, Cj. 508 – Centro – CEP: 01050-030

11 3255-4945

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Altbit - Informática Comércio e Serviços LTDA.

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Av. Francisco Matarazzo, 229, Cj. 57 – Água Branca – CEP 05001-000

11 3879-9390

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AS2M -WPC Consultoria

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11 3228-3709

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Big Host

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Rua Dr. Miguel Couto, 58 – Centro – CEP: 01008-010

11 3033-4000

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Blanes

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Rua André Ampére, 153 – 9º andar – Conj. 91 CEP: 04562-907 (próx. Av. L. C. Berrini)

11 5506-9677

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Commlogik do Brasil Ltda.

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Av. das Nações Unidas, 13.797, Bloco II, 6º andar – Morumbi – CEP: 04794-000

11 5503-1011

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Computer Consulting Projeto e Consultoria Ltda.

São Paulo

Rua Caramuru, 417, Cj. 23 – Saúde – CEP: 04138-001

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São Paulo

Av. das Nações Unidas, 20.727 – CEP: 04795-100

11 5693-7210

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Domínio Tecnologia

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Rua das Carnaubeiras, 98 – Metrô Conceição – CEP: 04343-080

11 5017-0040

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São Paulo

Av. Pres. Juscelino Kubistcheck, 1830 Torre 4 - 5º andar

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São Paulo

Rua Verbo Divino, 1207 – CEP: 04719-002

11 5187-2700

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Hewlett-Packard Brasil Ltda.

São Paulo

Av. das Nações Unidas, 12.901, 25º andar – CEP: 04578-000

11 5502-5000

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IBM Brasil Ltda.

São Paulo

Rua Tutóia, 1157 – CEP: 04007-900

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www.ifractal.com.br

4

4 4

Integral

São Paulo

Rua Dr. Gentil Leite Martins, 295, 2º andar Jd. Prudência – CEP: 04648-001

11 5545-2600

www.integral.com.br

4 4 4 4

Itautec S.A.

São Paulo

Av. Paulista, 2028 – CEP: 01310-200

11 3543-5543

www.itautec.com.br

Kenos Consultoria

São Paulo

Av: Fagundes Filho, 134, Conj 53 – CEP: 04304-000

11 40821305

www.kenos.com.br

Konsultex Informatica

São Paulo

Av. Dr. Guilherme Dumont Villares, 1410 6 andar, CEP: 05640-003

11 3773-9009

www.konsultex.com.br

São Paulo

Av. Dr. Lino de Moraes Leme, 185 – CEP: 04360-001

11 5034-4191

www.komputer.com.br

4 4

Linux Mall

São Paulo

Rua Machado Bittencourt, 190, Cj. 2087 – CEP: 04044-001

11 5087-9441

www.linuxmall.com.br

São Paulo

Al. Santos, 1202 – Cerqueira César – CEP: 01418-100

11 3266-2988

www.temporeal.com.br

Locasite Internet Service

São Paulo

Av. Brigadeiro Luiz Antonio, 2482, 3º andar – Centro – CEP: 01402-000

11 2121-4555

www.locasite.com.br

Microsiga

São Paulo

Av. Braz Leme, 1631 – CEP: 02511-000

11 3981-7200

www.microsiga.com.br

Locaweb

São Paulo

Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1.830 – Torre 4 Vila Nova Conceição – CEP: 04543-900

11 3544-0500

www.locaweb.com.br

Novatec Editora Ltda.

São Paulo

Rua Luis Antonio dos Santos, 110 – Santana – CEP: 02460-000

11 6979-0071

www.novateceditora.com.br

Novell América Latina

São Paulo

Rua Funchal, 418 – Vila Olímpia

11 3345-3900

www.novell.com/brasil

Oracle do Brasil Sistemas Ltda. São Paulo

Av. Alfredo Egídio de Souza Aranha, 100 – Bloco B – 5º andar – CEP: 04726-170

11 5189-3000

www.oracle.com.br

Proelbra Tecnologia Eletrônica Ltda.

São Paulo

Av. Rouxinol, 1.041, Cj. 204, 2º andar Moema – CEP: 04516-001

11 5052- 8044

www.proelbra.com.br

Provider

São Paulo

Av. Cardoso de Melo, 1450, 6º andar – Vila Olímpia – CEP: 04548-005

11 2165-6500

Red Hat Brasil

São Paulo

Av. Brigadeiro Faria Lima, 3900, Cj 81 8º andar Itaim Bibi – CEP: 04538-132

11 3529-6000

4 4 4 4

Linux Komputer Informática Livraria Tempo Real

4

4

4 4

4

4 4 4 4 4 4 4

4

4 4 4

4 4

4 4 4 4 4

4 4 4 4

4

4

4

www.e-provider.com.br

4

4 4

www.redhat.com.br

4

4 4

Samurai Projetos Especiais

São Paulo

Rua Barão do Triunfo, 550, 6º andar – CEP: 04602-002

11 5097-3014

www.samurai.com.br

4

4 4

SAP Brasil

São Paulo

Av. das Nações Unidas, 11.541, 16º andar – CEP: 04578-000

11 5503-2400

www.sap.com.br

4

4 4

Simples Consultoria

São Paulo

Rua Mourato Coelho, 299, Cj. 02 Pinheiros – CEP: 05417-010

11 3898-2121

www.simplesconsultoria.com.br

Smart Solutions

São Paulo

Av. Jabaquara, 2940 cj 56 e 57

11 5052-5958

www.smart-tec.com.br

4

4 4

4 4

4 4

Snap IT

São Paulo

Rua João Gomes Junior, 131 – Jd. Bonfiglioli – CEP: 05299-000

11 3731-8008

www.snapit.com.br

4

4 4

Stefanini IT Solutions

São Paulo

Av. Brig. Faria Lima, 1355, 19º – Pinheiros – CEP: 01452-919

11 3039-2000

www.stefanini.com.br

4

4 4

11 5187-2100

Sun Microsystems

São Paulo

Rua Alexandre Dumas, 2016 – CEP: 04717-004

Sybase Brasil

São Paulo

Av. Juscelino Kubitschek, 510, 9º andar Itaim Bibi – CEP: 04543-000 11 3046-7388

www.sybase.com.br

The Source

São Paulo

Rua Marquês de Abrantes, 203 – Chácara Tatuapé – CEP: 03060-020

11 6698-5090

www.thesource.com.br

Unisys Brasil Ltda.

São Paulo

R. Alexandre Dumas 1658 – 6º, 7º e 8º andares – Chácara Santo Antônio – CEP: 04717-004

11 3305-7000

www.unisys.com.br

www.sun.com.br

4

4

4 4 4 4

4

4

4 4

4

4 4

Utah

São Paulo

Av. Paulista, 925, 13º andar – Cerqueira César – CEP: 01311-916

11 3145-5888

www.utah.com.br

4

4 4

Visuelles

São Paulo

Rua Eng. Domicio Diele Pacheco e Silva, 585 – Interlagos – CEP: 04455-310

11 5614-1010

www.visuelles.com.br

4

4 4

Webnow

São Paulo

Av. Nações Unidas, 12.995, 10º andar, Ed. Plaza Centenário – Chácara Itaim – CEP: 04578-000

11 5503-6510

www.webnow.com.br

4

4

4

4

WRL Informática Ltda.

São Paulo

Rua Santa Ifigênia, 211/213, Box 02– Centro – CEP: 01207-001

11 3362-1334

www.wrl.com.br

4

Systech

Taquaritinga

Rua São José, 1126 – Centro – Caixa Postal 71 – CEP: 15.900-000

16 3252-7308

www.systech-ltd.com.br

4 4

Linux Magazine #58 | Setembro de 2009

4 4

79


SERVIÇOS

Calendário de eventos Evento

Data

Local

PythonÊBr asil

10Ê aÊ 12Ê deÊ setembro

CaixasÊd oÊS ul,Ê RS

CNASI

22Ê eÊ 24Ê deÊ setembro

S‹oÊP aulo,ÊS P

Índice de anunciantes Empresa

P‡ g.

IBM

2

Latinoware

7

Senac

9

Locaweb

11

Rittal

13

Watchguard

15

Digivoice

17

Plus server

19

UOL

21

www.latinoware.org

Innovus

23

www.postgresql.org.br/Ê eventos/pgconbr

Futurecom

27

Fuctura

29

Unodata

57

Zimbra

75

Bull

83

Locaweb

84

Informa• › es www.pythonbrasil.org www.cnasi.com.br/

RailsÊS ummitÊ2009

13ÊaÊ14Êd eÊou tubro

S‹oÊP aulo,ÊS P

www.railssummit.com.br/

FuturecomÊ2009

13ÊaÊ16Êd eÊou tubro

S‹oÊP aulo,ÊS P

www.futurecom2009.com.br

Latinoware PGCONÊBr asilÊ2009 PloneÊS ymposiumÊ AmŽ ricaÊdoÊS ul 4oÊ SoLISC

22ÊaÊ24Êd eÊou tubro 24ÊeÊ25Êd eÊou tubro

24Ê eÊ 25Ê deÊ novembro 26Ê eÊ 27Ê deÊ novembro

FozÊd eÊI gua•u ,Ê PR Campinas,ÊS P

S‹oÊP aulo,ÊS P Florian—p olis,ÊS C

www.plonesymposium.com.br www.solisc.org.br

NerdsonÊ ÐÊ OsÊ quadrinhosÊ mensaisÊ daÊ LinuxÊ Magazine

80

http://www.linuxmagazine.com.br


Inclua em seu currículo a principal certificação Linux no mundo – LPI. Em tempos de crise, soluções de código aberto – como o Linux – se destacam na adoção por empresas de todos os tamanhos, como solução ideal para aumentar eficiência nos negócios e reduzir custos. Atualmente há no mercado uma carência por profissionais certificados para atender a essa demanda crescente. Aproveite essa oportunidade e inclua em seu currículo a principal certificação Linux no mundo.

As datas de realização das provas são: 29/08 – Vitória , ES 12/09 – São Paulo, SP 18/09 – Curitiba, PR 03/10 – São Paulo/SP

Inscrições e mais informações: treinamentos@vectory.com.br Tel (11) 4082-1305

R

Linux Professional Institute


PREVIEW

Na Linux Magazine #59 DESTAQUE

TUTORIAL

Um dos invasores

Adobe AIR no Linux

Uma instrução fundamental para qualquer profissional que deseje se proteger contra invasores é: conheça seu inimigo. Como bem sabemos, toda máquina ligada à Internet está sujeita a ataques. Com o intuito de se preparar para defender os servidores contra intrusos, você precisa aprender a usar as ferramentas de invasão e tornar-se, você mesmo, um mestre da invasão. A Linux Magazine 59 vai explicar como usar as principais ferramentas à disposição dos criminosos virtuais para saber os caminhos da invasão e fechá-los antes que os meliantes tirem proveito. n

Com o advento do Adobe Integrated Runtime (AIR), os aplicativos em Flash agora rodam no desktop – sim, até no Linux. Assim como Mac OS X e Windows, o Linux também oferece ferramentas para o desenvolvimento dos sofisticados RIA (Rich Internet Applications). Porém, são poucas as formas de desenvolver um único código que possa ser executado sem alterações em todas as três. O Flash já se tornou uma plataforma capaz de rodar aplicativos comparáveis aos softwares de desktop, e o AIR permite utilizar todo esse poder em qualquer sistema operacional. Vamos mostrar como instalar todos os componentes necessários para usar a plataforma da Adobe de forma fácil e rápida no GNU/Linux. n

Na EasyLinux #16 Twittando no Linux

A adoção do Twitter cresce a passos gigantescos. Com ele, você não apenas fica por dentro das opiniões mais recentes dos seus amigos reais e virtuais, como também acompanha as últimas promoções das suas lojas preferidas, recebe informações sobre seu time de futebol e se atualiza em velocidade estonteante. E o Linux, naturalmente, não fica de fora disso! Na Easy Linux 16, vamos mostrar as melhores formas de utilizar o Twitter no Linux. Seja com um programa específico para essa tarefa ou por meio de complementos do Firefox e do Thunderbird, twittar no Linux é muito fácil e rápido. Vamos apresentar também os melhores feeds para você seguir e se atualizar com relação ao Linux, Ubuntu e tecnologia em geral. n 82

Programas de email

Verificar seus emails pelo navegador não é ruim, mas também há muitas vantagens em adotar um cliente como o Evolution ou o Thunderbird. Ou o Sylpheed, o KMail, o Claws... Por exemplo, eles avisam, na sua área de trabalho, sempre que chega uma nova mensagem. Na próxima edição, vamos mostrar os melhores programas para você conferir seus emails sem precisar abrir o navegador. E se você for realmente fã dos webmails, vamos mostrar os aplicativos indispensáveis para você não perder nenhum email e até receber avisos de mensagens na sua área de trabalho. n

http://www.linuxmagazine.com.br

Revista Linux Magazine Community Edition 58  

Revista Linux Magazine Community Edition

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