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A celebração da cultura digital

CORPORATE

Campus Party Brasil 2009 A segunda Campus Party Brasil atraiu ainda mais participantes em relação à edição anterior, e cada vez mais se firma como um ambiente de construção de novas ideias e conceitos. por Pablo Hess

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oje em dia, falar em cultura digital de fato não é novidade. Todas as pessoas frequentam a Internet, seja para entrar no banco ou simplesmente para conferir os emails recebidos. Porém, há muitos que superam de longe esse uso da rede mundial de computadores. Na realidade, são eles quem propõem que a Internet não é uma rede de computadores, mas de pessoas – algo facilmente compreensível hoje, mas não tão claro assim há, digamos, dez anos. São essas as pessoas que celebram a Campus Party Brasil: aquelas que consomem conteúdo online da mesma forma que o produzem, os prossumidores (produtores + consumidores), nas palavras de Don Tapscott e Anthony D. Williams, autores de Wikinomics[1]. São pessoas que de

fato têm a Internet como habitat, ferramenta multifuncional e meio de comunicação.

História

Realizada pela primeira vez em 1997 na Espanha, a Campus Party descende de uma simples LAN party. Os membros da Asociación Juvenil EnRED realizavam, nessa época, frequentes LAN parties para jogar em rede usando as novas tecnologias que se estabeleciam nessa área. Ao decidirem abrir os eventos ao público, criou-se a Campus Party, à qual compareceram cada vez mais integrantes desde então. Mudando de local a cada ano, a Campus Party foi realizada em várias cidades, como Málaga, Valencia e Palma de Mallorca. Em 2006, o evento espanhol já contava com aproximadamente 5,5 mil participantes e englobava áreas como astronomia, robótica, programação, jogos, modding, software livre e cinema. Em 2008, o Brasil foi o segundo país a abrigar a Campus Party, seguido da Colômbia poucos meses depois. A primeira Campus Party Brasil, realizada no Parque do Ibirapuera, em Figura 1 O espaço Expo e Lazer contou com centenas de São Paulo, SP, já começou computadores para acesso pelos campuseiros. com grande sucesso. Além 24

da presença de 3,3 mil inscritos de 18 países, o evento contou com forte patrocínio de grandes empresas brasileiras e multinacionais.

Brasil, 2009

Na edição de 2009, realizada entre os dias 19 e 25 de janeiro no Centro de Exposições Imigrantes (figura 1), novamente em São Paulo, SP, foi marcante a diversidade do público participante. Divididas nas áreas de desenvolvimento, design, fotografia, games, modding, música, robótica, simulação, software livre e vídeo, as 468 atividades do evento de fato abrangeram uma multiplicidade de conteúdos que dificilmente não impressiona. Os 6.655 campuseiros, como são chamados os participantes, utilizaram a banda de rede de 10 Gb para fornecer mais dados à Internet (62,7% do tráfego) do que para consumi-los (37,3%).

Variedade

Na área do software livre, uma das mais movimentadas do evento, foi intensa a mobilização dos participantes. Em um debate a respeito da legislação brasileira de controle da Internet, ficou marcada a desaprovação dos campuseiros com relação à proposta de lei do senador Eduardo Azeredo. Os participantes do debate, o desembargador Fernando Botelho,

http://www.linuxmagazine.com.br


Campus Party | CORPORATE

o assessor de Azeredo, José Portugal, o sociólogo e professor universitário Sergio Amadeu e o também professor universitário Ronaldo Lemos, discutiram (figura 2) na presença de uma inflamada plateia (figura 3) que erguia laptops como cartazes para manifestar sua opinião. Os defensores da chamada “lei Azeredo”, Fernando Botelho e José Portugal, propuseram a idéia de que é necessária uma legislação adequada para tratar dos crimes na rede mundial, fornecendo as bases para que seja possível combater tais crimes, já que, de acordo com o código penal, “não há crime sem lei anterior que o defina”. Os protestos de Sergio Amadeu e Ronaldo Lemos, no entanto, apontaram que a lei não resolve os problemas que se propõe a solucionar. Lemos alegou que novos empreendimentos na Internet podem ser inibidos por temores de se cometer algum crime em consequência de má redação da lei. Amadeu, em específico, frisou as graves falhas de redação do projeto de lei que abrem brechas para se considerar ilegal, por exemplo, até mesmo a criação de uma rede mesh (veja o artigo à página 60 desta edição).

Figura 3 ...para uma plateia inflamada e favorável à liberdade.

Software Livre em todo o mundo, esteve presente a mais uma edição da Campus Party Brasil. Desta vez, maddog lançou o “Desafio Multimídia do Maddog”, que contou com 16 inscrições. O objetivo: criar uma peça multimídia (em áudio, vídeo, música etc.) com o tema “Por que eu gosto de Software Livre”. Naturalmente, os softwares usados para a tarefa deveriam obrigatoriamente ser livres. A criação do vencedor Guilherme Guerra de Almeida retratou em uma animação bem humorada o episódio da professora americana que confisJon ‘maddog’ Hall, presidente da cou os CDs de distribuições Linux Linux International e importante que seus alunos estavam trocando, defensor e difusor dos princípios do alegando tratar-se de pirataria. A história ocorreu no segundo semestre de 2008 e foi difundida com extrema rapidez, integrando imediatamente a antologia de contos do Software Livre. Maddog, na apresentação pública dos trabalhos, recomendou também que todos participassem do Figura 2 Os participantes do debate sobre a liberdade na concurso “We’re LiInternet expuseram suas idéias... nux” da Linux Foun-

Desafio multimídia

Linux Magazine #51 | Fevereiro de 2009

dation [2], que premiará com viagens e outros itens o criador do melhor vídeo de promoção do Linux no estilo da série “I’m a Mac”, da Apple. O presidente da Linux International afirmou que iniciativas como essa podem facilitar imensamente a conquista de novos usuários pelo Software Livre.

Ano que vem

Uma das felicidades ao fim da Campus Party é saber que no próximo ano teremos mais uma vez a realização de um dos maiores eventos de cultura digital do planeta. Para os que já se acostumaram a usar o evento também para fazer reuniões de grupos de usuários ou simplesmente reencontrar velhos amigos, essa certeza traz ao mesmo tempo paciência e ansiedade. ■

Mais informações [1] on Tapscott e Anthony D. Williams, “Wikinomics”: http://wikinomics.com [2] Concurso “We’re Linux”: http://video. linuxfoundation.org/ contest/we-are-linux

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