Page 1

LinuxUser

Banshee

Solta o som! Controle suas músicas com o Banshee

As gravadoras podem espernear o quanto quiserem, mas o fato é que as coleções de MP3 nos computadores pessoais espalhados pelo mundo ficam maiores a cada dia. Com isso, surge a necessidade de programas para importar, exportar e catalogar as músicas nessas verdadeiras “musicotecas” digitais. O Banshee, um novo aplicativo para o Gnome, promete dar conta do recado e não faz feio. por Rafael Rigues

www.sxc.hu

Q

ual o tamanho de sua coleção de MP3? Algumas pessoas têm apenas algumas dezenas de músicas, algumas têm centenas – e já vi coleções com milhares de músicas ocupando mais de 80 Gigabytes. O fato é que, a partir do momento em que você passa a ter mais que uma dúzia de álbuns, as velhas playlists já não dão mais conta do recado e você começa a se perguntar se não haveria um jeito mais fácil de organizar a coleção, fazer buscas, queimar suas músicas favoritas em um CD de áudio ou passá-las para seu MP3 Player.

84

novembro 2005

edição 14 www.linuxmagazine.com.br

No mundo Linux há várias ferramentas para isso. Usuários do KDE provavelmente já conhecem o JuK ou o Amarok e a turma do Gnome deve estar familiarizada com o Rhythmbox. Todos têm uma interface muito similar à do iTunes, o popular player da Apple, e recursos parecidos: uma biblioteca central de músicas, buscas instantâneas, playlists, conexão com MP3 Players etc. O Banshee [1], antigamente chamado de Sonance, é um novo concorrente nessa área, que mostra bons recursos e já ameaça se tornar o player padrão em distribuições baseadas no Gnome,


Banshee

desbancando o tradicional Rhythmbox – que, embora bem-intencionado, é notoriamente infestado de bugs irritantes. Segundo o lema original do iTunes, Rip, Mix and Burn, vamos mostrar como instalar o Banshee, importar e organizar suas MP3 e como “ripar” e gravar suas músicas favoritas em um CD de áudio. Aumente o volume e vamos lá!

Instalação O Banshee é escrito em Mono (C#) [2] e GTK-Sharp, e por isso precisa desses pacotes para funcionar. Precisa também da biblioteca de abstração de hardware HAL (Hardware Abstraction Layer) na versão 0.5.2 ou mais recente. O jeito mais fácil de instalar o programa, portanto, é usando uma distribuição Linux que já inclua o Mono (e pacotes relacionados) e a versão correta da HAL, como o Ubuntu 5.10 "Breezy Badger", openSUSE 10.0, Foresight Linux ou Fedora Core 4. Vamos usar o Ubuntu 5.10 [3] como base para este nosso artigo, mas praticamente qualquer distribuição com o Gnome 2.11 ou 2.12 preenche os requisitos necessários. Conecte-se à Internet e abra o gerenciador de pacotes do Ubuntu, o Synaptic, selecionando a opção Sistema | Administração | Gerenciador de Pacotes Synaptic. Precisamos modificar a lista de repositórios APT e adicionar o Universe, onde estão os pacotes do Banshee, e Multiverse, onde estão alguns plugins. No Synaptic, clique no menu Configurações | Repositórios para ver uma janela listando as fontes de software atuais. Clique no botão Adicionar e na janelinha que aparece na tela marque as opções Mantido pela comunidade (Universo) e Non-free (Multiverse). Clique em OK nessa janelinha e na lista de fontes de software. Uma caixa de alerta aparece, dizendo que é recomendável atualizar as listas de pacotes, já que você adicionou novos repositórios. Clique em Sim e aguarde. Com a lista de pacotes atualizada, vamos ao que interessa: na barra de fer-

ramentas do Synaptic, clique no botão Procurar. Na janelinha que surge, escreva banshee no campo de texto e clique em Procura. Nos resultados, clique no quadradinho em frente ao pacote do Banshee e selecione a opção Marcar para instalação. Faça outra busca: clique em Procurar e escreva gstreamer no campo de texto. Nos resultados, marque para instalação os pacotes gstreamer0.8-mad, gstreamer0.8plugins e gstreamer0.8-plugins-multiverse. Clique no botão Aplicar na barra de ferramentas do Synaptic, confirme a operação (clicando novamente em Aplicar na janela que aparece) e pronto. Aguarde o download e a instalação dos pacotes.

Som na caixa! Depois de terminada a instalação, você vai encontrar um atalho para o Banshee no menu Aplicações | Som e Vídeo | Banshee Music Player. Clique lá para abrir o programa. Na primeira vez em que ele é aberto, a biblioteca (ou Library, como o Banshee chama sua coleção de músicas) está vazia e o programa se oferece para populá-la (figura 1). A opção Automatic Import vasculha seu disco rígido e

LinuxUser

Figura 1: O Banshee se oferece para importar as suas coleções de músicas. adiciona automaticamente à biblioteca qualquer música encontrada. Se quiser ser mais seletivo, você pode usar a opção Import Folder: indique a pasta onde estão suas músicas e o Banshee faz o resto do serviço. Se não quiser adicionar nada à biblioteca agora, clique em Cancel. Por padrão, a biblioteca (figura 2) mostra o título, artista, número da faixa, álbum, duração, pontuação, número de vezes e a última vez em que uma música foi reproduzida. Para ordenar a lista de músicas por qualquer um destes critérios, basta clicar no cabeçalho da coluna. Essas colunas também podem ser escondidas (clique com o botão direito do mouse em qualquer lugar da lista e selecione o item Columns no menu) ou reordenadas, bastando arrastar o cabeçalho para a posição desejada. ➟

Figura 2: A biblioteca. As músicas estão ordenadas por nome (note a primeira coluna, "acinzentada").

novembro 2005 www.linuxmagazine.com.br

edição 14

85


LinuxUser

Para tocar uma música, basta dar dois cliques sobre seu nome. Os botões no topo da janela, logo acima da biblioteca, controlam a reprodução. Da esquerda para a direita: música anterior (Previous), Play/Pause e próxima música (Next). O controle deslizante ao lado não é o ajuste de volume: ele indica a posição atual na música (observe os "reloginhos" logo abaixo). Arraste-o para avançar/retroceder até um trecho específico. O controle de volume é o botão com o alto-falante no lado direito da janela. Há mais dois botões importantes no rodapé da janela, no canto inferior esquerdo. A setinha espiralada ativa a reprodução aleatória, ou seja, o Banshee decide qual a próxima música a ser tocada. Já as setinhas "circulares" logo ao lado ativam a repetição: quando todas as músicas tiverem sido tocadas, o programa recomeça automaticamente a lista a partir da primeira. O campo Search: serve para encontrar uma música na biblioteca. Basta digitar uma palavra, como um trecho do título ou nome do artista, para ver os resultados que "casam" com a busca. Note que a lista de resultados é atualizada dinamicamente, à medida que você digita, portanto não é necessário teclar [Enter] no final. Para limpar os resultados da busca, clique no x ao lado do campo de busca. Um clique na lupa permite limitar a busca ao artista ou nome do álbum. As buscas são literais e não há diferença entre maiúsculas e minúsculas: o programa vai procurar qualquer coisa que contenha exatamente o que você digitou. Infelizmente, não é possível usar lógica

Banshee

booleana e fazer buscas como “um artista E outro” ou “rock NÃO Aerosmith”. Você também pode marcar suas músicas favoritas atribuindo notas a elas, que vão de zero a cinco “estrelinhas”. Note que há, na biblioteca, uma coluna chamada Rating (Nota). Clique com o botão direito do mouse sobre o nome da música e no menu Rating indique a nota desejada, ou selecione Clear para zerar a classificação.

Importando... Ao lado da biblioteca, no lado esquerdo da janela do Banshee, há uma listagem que mostra todas as “fontes” de música disponíveis. No momento a única é a sua biblioteca, marcada como Library. O número entre parênteses logo à frente indica quantas músicas há nela. Coloque um CD de áudio no computador e veja o que acontece: um ícone de um CD aparece na listagem, logo abaixo da biblioteca. Se você estiver conectado à Internet, o Banshee provavelmente já sabe até o nome do disco (e de cada faixa), graças a uma consulta ao banco de dados do site FreeDB.org [4]. Clique no ícone para exibir uma listagem com as músicas. Se você quiser só tocar o CD, basta fazer como nos MP3: dê dois cliques no nome da música para tocar e use os controles no topo da janela para controlar a reprodução. A busca não funciona em CDs, mas não faz falta, já que um disco tem, em média, apenas 12 músicas. Mas só ouvir um CD não é o bastante. O que queremos é “ripar” (o nome correto do processo é extração de áudio) o disco: copiar as músicas para o computador para poder ouvi-las depois sem o CD, copiar

Figura 3: “Ripando” um CD. A barra de progresso indica a quantas anda a operação.

86

novembro 2005

edição 14 www.linuxmagazine.com.br

para MP3 Players, gravar coletâneas para os amigos etc. e tal. Note que, quando há um CD de áudio no drive, um novo botão surge na barra de ferramentas do Banshee: é um “CDzinho”, do lado do controle de volume. Para ripar um disco inteiro, tudo o que temos a fazer é clicar nele e esperar. Uma barra de progresso no topo da janela nos informa qual música está sendo copiada, a velocidade e o andamento do processo para o disco todo (figura 3). As músicas são automaticamente adicionadas à sua biblioteca. Infelizmente ainda não é possível ripar apenas uma música ou só as selecionadas – é tudo ou nada. É possível, entretanto, alterar várias opções de codificação (encoding). Clique em Edit | Preferences e, na aba Encoding, selecione um Encoding Profile (perfil de codificação). O padrão é MP3 (Lame MP3), com bitrate de 160 Kbps. Você pode escolher entre os formatos Ogg Vorbis, Flac (compressão lossless, sem perda de qualidade de áudio, ao custo de um tamanho maior do arquivo), WAV/PCM ou AAC (Faac MP4), ideal pra turma equipada com um iPod, o tocador de MP3 da Apple. Testamos uma situação bem comum: ripamos um CD que, além de sujo e arranhado, estava trincado no centro, com uma rachadura que chegava até os primeiros setores do disco. Um CD Player comum não conseguia reproduzir a 12ª música. O Banshee, entretanto, se saiu muito bem: copiou todas as músicas rapidamente, inclusive a 12ª, com perfeição.

Brincando de DJ Ter uma grande biblioteca com centenas de músicas e a capacidade de localizar rapidamente qualquer uma delas é legal, mas não é o suficiente. Muitas vezes quero entrar “no clima” e ouvir um determinado conjunto de músicas numa ordem específica. Pra isso servem as playlists (listas de reprodução). A sua biblioteca, de certa forma, é uma grande playlist com tudo o que você


Banshee

tem – e você pode criar quantas outras quiser, com as músicas que desejar. Vamos criar uma playlist com as músicas de um CD do U2 que acabei de importar. Clique no botão com o + em azul no canto inferior esquerdo da janela do Banshee ou selecione Music | New Playlist no menu principal. Note que há agora um item chamado New Playlist na listagem de fontes. Vamos mudar isso: clique nele com o botão direito do mouse, escolha a opção Rename e digite o novo nome da playlist. Vou usar o nome do CD que ripei, How to Dismantle an Atomic Bomb. Clique em Salvar... e pronto. Agora temos que colocar na lista as músicas que queremos. O jeito mais fácil de encontrá-las é com uma busca na biblioteca. Clique em Library na lista de fontes. Eu sei que todas as músicas que vieram desse disco têm duas coisas em comum: o nome do artista (U2) e o nome do álbum. Como tenho outras músicas do

U2 na biblioteca, vou buscar pelo nome do álbum. No campo Search digito atomic bomb e... voilà! lá estão as 11 músicas do álbum. Basta arrastá-las para cima do nome da playlist e pronto! Você também pode selecionar as músicas, clicar com o botão direito do mouse no nome da playlist e escolher a opção Add selected songs; dá na mesma.

...e exportando! O gerenciador de arquivos do Gnome, o Nautilus, é capaz de gravar CDs de dados e imagens ISO, mas não tem a mínima idéia do que é um CD de áudio. Até agora, para gravar suas músicas em formato compatível com qualquer CD player do mercado era necessário recorrer a programas externos (como o X-CD-Roast) e, dependendo do software escolhido, até mesmo fazer a conversão e ajuste dos arquivos MP3 manualmente, com o auxílio de ferramentas extras. O Banshee

LinuxUser

não resolve o problema de vez, mas faz o suficiente pra ele deixar de incomodar. Embora não tenha um recurso próprio de gravação de CDs (como o iTunes, da Apple), tem excelente integração com um outro programinha que faz parte do Gnome 2.12, o Serpentine [5]. Para gravar seu CD, o truque é simples. Abra o Banshee e selecione as músicas que você quer gravar, arranjando-as na ordem preferida (para mudar a posição de uma música numa playlist, basta arrastála para cima ou para baixo). Atenção: sua playlist não pode ter mais de 74 minutos de duração, tempo máximo de um CD de áudio. No rodapé da janela, o Banshee informa quantas músicas há na lista e a duração total. Abra o Serpentine (Aplicações | Som e Vídeo | Create Audio CDs) e posicione a janela do programa de modo que você consiga ver pelo menos parte dela e o Banshee ao mesmo tempo. Agora,

novembro 2005 www.linuxmagazine.com.br

edição 14

87


LinuxUser

Banshee

Pra viagem Pensa que isso é tudo? Não, o Banshee ainda tem mais um truque na manga: a integração com o iPod, o popular tocador de MP3 da Apple. Assim que um iPod (não importa o modelo: original, mini, photo, shufle ou nano) é plugado, ele aparece na lista de fontes, logo abaixo da Library. Um clique nele e as músicas lá dentro são mostradas. Figura 4: A janela principal do Serpentine, usado para gravar CDs de áudio, mostra o espaço ocupado no disco. Três botões surgem logo abaixo da lista de fontes quando um simplesmente selecione as músicas no iPod é selecionado: Sync (para sincronizar Banshee e arraste-as para a lista na ja- as músicas entre seu iPod e o Banshee), nela do Serpentine (figura 4). O “CD” (na Properties (figura 5) – que mostra as proverdade um gráfico tipo pizza) no rodapé priedades do iPod, incluindo nome, modelo, da janela se enche para indicar o espaço capacidade e espaço livre – e Eject. ocupado e, ao lado, o programa informa Há três modos de organizar as músiquantos minutos ainda estão livres no cas em seu iPod: Manually, ou seja, você disco. Se quiser, dá até para saber quanto escolhe manualmente o que arrastar do espaço no CD cada música ocupa; basta Banshee para o iPod e vice-versa, Automaclicar no nome dela e o programa “des- tic Sync, que copia todo o conteúdo da sua taca” o espaço correspondente para você biblioteca para o iPod, e Automatic Merge, no gráfico. Clique no botão Write to Disc que copia o que estiver no iPod e não estina barra de ferramentas e pronto: em ver na sua biblioteca para o micro, e o que alguns minutos você terá um CD recém- estiver na biblioteca e não no iPod para o saído do forno. player. O Banshee se encarrega sozinho de atualizar a lista-mestre de músicas do iPod, chamada de iTunesDB. Dessa forma, O telefone toca e você quer pausar a música, pular uma música chata ou saber qual está tocando. É incômodo ter que “caçar” a janela do Banshee só para isso; portanto, ele tem um controle remoto na forma de um “applet” para o painel do Gnome. Um clique com o botão esquerdo do mouse nas notinhas musicais no painel esconde/ mostra a janela do programa (ela some até da barra de tarefas), um clique com o botão direito permite avançar, retroceder ou pausar/continuar uma música, além de alterar entre os modos de reprodução Shuffle (aleatório) e Repeat (repetição). Para saber o que está tocando, basta parar Figura 5: Banshee mostrando as propriedades o cursor do mouse sobre as notinhas por de um iPod, entre elas espaço livre e modelo. alguns segundos.

Controle Remoto

88

novembro 2005

edição 14 www.linuxmagazine.com.br

qualquer nova música colocada no player é reconhecida automaticamente.

Conclusão O Banshee não é perfeito. A tradução do programa para o português é praticamente inexistente e, às vezes, ele se “esquece” de redesenhar a janela e atualizar uma playlist. O programa também não conseguiu reproduzir alguns arquivos MP3 de nossa biblioteca de testes: simplesmente passava “batido” por eles. Analisando mais um pouco, descobrimos que essa não é uma falha do Banshee, mas sim da biblioteca GStreamer [6] (que o Banshee usa para decodificar e tocar as músicas), e que o problema se repete em programas como o Totem e o Rhythmbox, que reclamam que “não foi possível determinar o tipo do arquivo”. Ele também não sintoniza rádios via web, mas para isso há programas mais adequados, como o StreamTuner [7]. Recursos interessantes para novas versões seriam a capacidade de “ripar” apenas algumas músicas do disco e gravação de CDs de MP3 (no momento ele grava apenas áudio). Mesmo levando em conta essas falhas e considerando que o programa ainda sequer chegou à versão 1.0, o Banshee pode ser considerado um software “de primeira”, e um belo exemplo do que a nova geração de aplicativos para o Gnome, escrita em Mono e representada por outros excelentes programas como o F-Spot, Beagle, Tomboy, Muine, iFolder e Blam!, é capaz. ■

Informações [1] Banshee: banshee-project.org [2] Mono: www.mono-project.com [3] Ubuntu: www.ubuntu-linux.com [4] FreeDB: www.freedb.org [5] Serpentine: s1x.homelinux.net/projects/serpentine [6] Gstreamer: gstreamer.freedesktop.org [6] StreamTuner: www.nongnu.org/streamtuner

http://www.linuxmagazine.com.br/images/uploads/pdf_aberto/LM14_banshee  

http://www.linuxmagazine.com.br/images/uploads/pdf_aberto/LM14_banshee.pdf

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you