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ESTER Introdução Plano do livro Capítulo 1 Capítulo 4 Capítulo 2 Capítulo 5 Capítulo 3 Capítulo 6

Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9

Capítulo 10

INTRODUÇÃO I. ENQUADRAMENTO HISTÓRICO E DATA A ação do livro de Ester decorre no Palácio de Susã (ou Susa), em Elão, uma das três capitais do império persa. Como os livros de Daniel, Esdras e Neemias, dá-nos uma breve visão dos judeus em Babilônia conforme vistos por alguém que gozava de autoridade na corte real e que estava familiarizado com as suas convenções e hábitos; mas, enquanto que Esdras e Neemias se preocupam veementemente com as aspirações espirituais políticas dos judeus que regressaram do cativeiro, o livro de Ester aborda esses assuntos com reserva estudada e significativa. Em todo o livro palpita um patriotismo férvido e, no entanto, não há uma única referência ao Deus de Israel. Descreve ele situações de perigo, aflição e desespero, mas em todo este quadro bem vívido não ocorrem quaisquer orações ou súplicas ardentes da parte do povo naquela fase de terrível provação. Os judeus choravam e lamentavam-se e Mardoqueu "clamou com grande e amargo clamor", mas o autor evita cuidadosamente dizer que era a Deus que clamavam. Jejuavam, mas não se atribui qualquer significado espiritual a esta prática essencialmente religiosa. É agora evidente que este cuidado em evitar qualquer referência explícita à religião é deliberada. A melhor explicação é que talvez o livro tivesse sido escrito numa época em que era extremamente perigoso confessar abertamente a adoração de Jeová (compare-se com Dn 6.7-17).


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 2 O período abrangido pelos acontecimentos descritos descobre-se com bastante simplicidade mediante a simples identificação de Assuero. Por acaso, não há já qualquer dúvida razoável quanto à sua identidade, visto esse nome ser uma transliteração bastante próxima do nome persa do rei que os gregos conheciam pelo nome de Xerxes. O seu caráter apresenta notável semelhança com o atribuído a Xerxes por autores clássicos, como Heródoto. Além disso, no terceiro ano do seu reinado, Assuero celebra uma grande festa e reúne todos os homens de destaque do império em Susa (Et 1.3); ora, no terceiro ano de Xerxes teve lugar um grande encontro dos "persas principais" em Susa para planejar a expedição contra a Grécia (Heródoto 7.8). No sétimo ano de Assuero, foram-lhe levadas gentis donzelas de entre as quais ele escolheria a sua rainha (Et 2.16); no sétimo ano de Xerxes, depois do regresso deste da Europa, consolou-se aumentando o contingente do seu serralho (Heródoto 9.108-109). Assuero dominava a Média (Et 1.3); o seu império estendia-se da Índia à Etiópia (1.1), estando nele compreendidas ilhas do Mediterrâneo (10.1), posto que a sua capital ficasse em Susa. Tudo isto caracteriza tão somente Xerxes entre os vários monarcas persas. A identidade de Assuero e Xerxes pode ser aceita com alguma certeza, pelo que a ação do livro (que começa com a deposição de Vasti) tem início em 483 A.C. II. AUTOR E DATA DE COMPOSIÇÃO Tem havido, sobretudo recentemente, enorme diversidade de opinião sobre este assunto e os críticos de certa escola, em competição uns com os outros, têm procurado situar a compilação de Ester numa data a mais tardia possível do período grego, havendo alguns, até, que lhe atribuem a data de meados do I século A. C. Todavia, há fortes motivos para situar a data de composição num período muito mais próximo dos acontecimentos relatados no livro. A disposição do palácio real conforme descrito no livro de Ester concorda tão perfeitamente com as descobertas dos arqueólogos franceses que trabalharam no local que


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 3 não subsiste qualquer dúvida razoável quanto à familiaridade do autor com o palácio; no entanto, este foi destruído pelo fogo dentro de trinta anos a contar da morte de Xerxes, circunstância que situaria a composição do livro em qualquer data dentro de um século a contar do período em que a narrativa decorre. O escritor estava manifestamente familiarizado com os costumes persas e parece ter tido acesso a documentos oficiais dessa nação (9.32). Utiliza palavras puramente persas e, como vimos acima, conhecia a data de certos acontecimentos, como a convocação dos dirigentes persas em Susa. Além disso, o estilo parece-se bastante com o dos livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Tudo isto milita a favor de uma data recuada - opinião de praticamente todos os antigos comentadores. Josefo atribui este livro à época de Artaxerxes Longímano (464-424 A.C.), que identifica com Assuero. Santo Agostinho era de parecer que fora escrito por Esdras e o Talmude atribui a sua autoria à Grande Sinagoga, da qual Esdras era presidente. Clemente de Alexandria e muitos outros inclinavam-se a crer que o autor fosse Mardoqueu. III. CANONICIDADE Josefo, na afirmação mais antiga que temos acerca do cânon judaico (Contra Apion de Alexandria, 1.8), coloca Ester entre os livros canônicos. Na Bíblia hebraica, figura entre os cinco Megilloth, ou rolos. Não ocorre em várias das primitivas listas cristãs de livros do Velho Testamento, possivelmente por ser considerado parte de Esdras, mas encontramo-lo no cânon dos judeus de Alexandria, havendo sido, na realidade, sempre aceito como canônico pelos judeus. Vem incluído na Septuaginta com consideráveis interpolações que não existem no hebraico e que foram rejeitados por S. Jerônimo. Trata-se de acrescentamentos em certa medida de caráter devocional feitos numa época mais tardia para contrabalançar a surpreendente ausência do livro de qualquer referência a Jeová ou à religião de Israel.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) PLANO DO LIVRO

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I. O DIVÓRCIO DE VASTI -- 1.1-22 II. ESTER ESCOLHIDA PARA RAINHA -- 2.1-23 III. A INTRIGA DE HAMÃ PARA DESTRUIR OS JUDEUS -- 3.1-4.3 IV. MARDOQUEU PERSUADE ESTER A INTERVIR -- 4.4-17 V. A PETIÇÃO DE ESTER COROADA DE ÊXITO -- 5.1-8.2 VI. O LIVRAMENTO DOS JUDEUS -- 8.3--9.16 VII. A FESTA DE PURIM -- 9.17-32 VIII. CONCLUSÃO -- 10.1-3

COMENTÁRIO

Ester 1 I. O DIVÓRCIO DE VASTI - 1.1-22 a) A festa do rei (1.1-9) Assuero (1). Xerxes, rei da Pérsia (486-465 A.C.), filho de Dario por Atossa, filha de Ciro; subiu ao trono cinco anos depois da batalha de Maratona. Esmagada uma tremenda revolta no Egito, encetou a sua expedição contra a Grécia em 481 A.C., e no ano seguinte a sua vasta frota era destruída na batalha de Salamina, enquanto que o seu exército sofria pesadas derrotas em Platéia e Micale em 479 A.C.. Regressou à Pérsia em 478, sendo o resto do seu reinado despido de acontecimentos dignos de nota, caracterizando-se unicamente pelo deboche e pelo derramamento de sangue. Foi assassinado em 465 A.C.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 5 Este é aquele Assuero (1), nota introduzida para o distinguir de outro monarca do mesmo nome. Ver Dn 9.1 (muito provavelmente Ciáxares). Índia (1) é aqui a parte da Índia conquistada por Alexandre o Grande, a saber, o Punjab e talvez o Sind. Etiópia (1), em hebraico Kush, chamada Cash nas inscrições egípcias, Ka'si nas placas de Tel-elAmarna, Ka'su nas inscrições assírias; a moderna Núbia. Diz Heródoto que a Etiópia pagava tributo a Xerxes (3.97). Cento e vinte e sete províncias (1). Em Dn 6.1, Dario nomeia sátrapas para cento e vinte províncias; portanto, o império de Assuero era ainda mais vasto. Susã (2), Susa, capital do Elão desde o terceiro milênio A.C. Era onde residia Khudur Lagamar, o Quedorlaomer de Gn 14.1. O império medo-persa tinha três capitais: Susa, Ecbatana e Babilônia, mas os reis persas residiam geralmente em Susa. No terceiro ano (3), isto é, 483 A.C. quando, segundo Heródoto, se realizou uma grande reunião em Susa para planejar a guerra grega. Não restam dúvidas de que a festa aqui mencionada e a convocação referida por Heródoto são um e o mesmo acontecimento. Um convite (3), em hebraico mishteh, primacialmente uma festa para beber. Heródoto (1.133) refere que era em tais reuniões que os persas discutiam os negócios mais importantes de estado. As riquezas da glória do seu reino (4). A espantosa opulência da corte persa é freqüentemente mencionada nos autores clássicos. Este versículo refere-se claramente a uma avaliação dos recursos do império a qual levou meio ano a fazer, mais do que a uma festa que durasse esse tempo. Um convite a todo o povo (5). Descreve-se aqui outra festa, diferente da do versículo 3, que foi para cortesões e funcionários. Esta foi dedicada ao povo (compare-se com Heródoto 1.126) e durou sete dias, no recinto do palácio. Assim, houve duas festas - uma no começo da reunião e outra no fim - mas nada substancia a idéia de muitos comentadores de que o livro descreve uma festa que durou meio ano.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 6 De pano branco, verde e azul celeste (6). O pavilhão persa era branco e azul. O verde (karpas) só se encontra aqui, sendo a mesma palavra que o sânscrito Karpasa, algodão, o que mostra que a palavra é provavelmente persa, visto o persa ser uma língua ariana e, portanto, relacionada com o sânscrito. Colunas (6). Recentes escavações levadas a cabo por arqueólogos franceses puseram a nu os restos destas colunas, de que pendiam as tapeçarias. Leitos (6). Heródoto (9.82) fala em leitos de ouro e prata que os gregos roubaram aos persas. Pavimento de pórfiro e de mármore (6). É duvidoso o significado da maior parte destas palavras, mas eram comuns no antigo Oriente os pavimentos de pedras de várias cores. Vasos de ouro (7). Heródoto (9.80 e 82) diz que os gregos roubaram taças de ouro aos persas. Que ninguém forçasse a outro (8). O sentido é que cada qual bebia à sua vontade. Abandonara-se o costume persa de tornar obrigatório consumir certas quantidades de bebida. b) Vasti recusa-se a comparecer perante o rei (1.10-12) Vasti (9), o nome dado pelos autores gregos à primeira rainha de Xerxes é Améstris, mulher notória pela sua crueldade e sensualidade, que casou com ele antes do terceiro ano do seu reinado e continuou a ser rainha até ele morrer. Rawlinson sugere que Vasti (palavra persa que significa "bela") é um título dado a Améstris, e que a deposição foi apenas temporária. Os sete eunucos (10). O número sete era sagrado entre os persas, como entre os hebreus. Estes nomes provavelmente não são persas. Não nos esqueçamos de que muitas nacionalidades estavam representadas entre os numerosos escravos do rei. Porém, a rainha Vasti recusou vir (12). A chamada era, na realidade, uma ordem real transmitida da forma regulamentar através dos eunucos - fato acentuado nos versículos 10,12,15. A recusa de Vesti era, portanto, uma afronta pública. Na realidade, os persas costumavam


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 7 permitir que as suas mulheres assistissem às suas festas libatórias (ver Heródoto 5.18). Portanto, na ordem dada a Vasti nada sugere uma afronta. c) Vasti deposta (1.13-22) Que entendiam dos tempos (13). Talvez astrólogos, mas mais provavelmente homens aptos a citar precedentes. Os sete príncipes (14); compare-se com Ed 7.14. Havia sete grandes famílias na Pérsia cujos chefes eram os principais conselheiros do rei e de entre as quais se escolhia a rainha (Heródoto 3.84). Note-se como o conselho dos príncipes (16.20) se adapta à disposição do rei e é expresso de forma que a vingança particular deste assuma o caráter de uma questão de dever público. As princesas da Pérsia e da Média (18), por contraste com todas as mulheres (17). E não se quebrante (19), ou seja, "não fique esquecido". Os conselheiros tomavam medidas para evitar que o rei atuasse de forma impulsiva e, portanto, revogavelmente. Se Vasti voltasse ao poder, castigálos-ia pelo seu conselho e, portanto, era necessário que o rei a depusesse por decreto real, integrando, assim, a sua deposição nos arquivos reais, que eram inalteráveis. Parece haver aqui indício de uma luta anterior pelo poder entre Vasti e os nobres. Enviou cartas (22). O império persa tinha um sistema postal muito eficiente e bem organizado (ver Xenofonte, Ciropedia, 7.6). A todas as províncias (22). segundo uma tradução mais inteligível: "a cada província segundo a sua escrita, e a cada raça no seu próprio idioma'". A maior parte das inscrições deste período vêm escritas em antigo persa babilônio e susiano, em colunas paralelas, mas isto dá uma idéia muito incompleta das numerosíssimas línguas faladas no império de Xerxes. Se publicasse (22). Em hebraico, "falando". Que cada homem (22). Talvez "que cada homem se tornasse senhor da sua própria casa e falasse consoante o idioma do seu próprio povo". O sentido é obscuro, mas


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 8 obviamente o decreto do rei transmite qualquer sugestão independente da sua finalidade principal, mas, mesmo assim, suficientemente importante para ser incluída nele. A sugestão aparente, que a língua do lar fosse a língua do pai, simplificaria uma situação complicada pela presença de numerosas cativas provenientes de muitos países.

Ester 2 II. ESTER ESCOLHIDA PARA RAINHA - 2.1-23 a) Intriga para evitar a restauração de Vasti (2.1-4) Lembrou-se de Vasti (1). Isto parece sugerir que o rei começava a esquecer a sua cólera contra Vasti. Disseram os mancebos do rei (2). O regresso de Vasti seria sinônimo de terrível perigo para eles (ver 1-19 n.), e a sua compreensão do perigo é mostrada pelo seu desejo de abandonar o hábito de escolher a rainha de entre uma das suas próprias famílias e, até, de que o rei tomasse rainha estrangeira. Eunuco (3); só os eunucos tinham acesso às dependências das mulheres. E a moça... reine (4), ao que Josefo acrescenta: "Pois assim se saciará o seu desejo da sua antiga mulher". b) Ester, com outras jovens, levada ao palácio (2.5-11) É agora apresentada Ester. Mardoqueu (5) era benjamita e, portanto, judeu, pois Benjamim aderira ao reino de Judá (1Rs 12.21). Na sua genealogia, aqui dada, ocorrem os nomes de Simei e Quis, que a tradição judaica identifica com o Simei que amaldiçoou Davi (2Sm 16.5) e Quis, pai de Saul (1Sm 9.1). Ver, no entanto, a nota infra ao versículo 6. Semelhantemente, segundo essa mesma tradição, Hamã, o agagita, era descendente do rei Agague, o amalequita derrotado por Saul (1Sm 15). Houve um Mardoqueu que regressou a Jerusalém com Zorobabel em 537 A.C. (Ed 2.2; Ne 7.7); e


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 9 não é impossível que, cinqüenta e quatro anos depois, este mesmo Mardoqueu vivesse em Susa. Que fora (6), refere-se obviamente a Quis. Dificilmente diria respeito a Mardoqueu, visto o cativeiro em questão ter tido lugar cento e dezessete anos antes. Hadassa... Ester (7). Se Hadassa provêm de hadhas, murta, e Ester de sitar, a palavra persa correspondente a "estrela", temos aqui um exemplo antigo do costume judaico mais recente de atribuir dois nomes a cada indivíduo - um hebraico e um gentio, como João Marcos, José Justo, etc. Bela de parecer (7), em hebraico yephathto'ar, bonita de formas, mas to'ar, em si, já dá a idéia de formas belas, pelo que a beleza de Ester é duplamente acentuada. Formosa à vista (7), em hebraico tohbath mar'eb, de belo aspecto ou, possivelmente, rosto, expressão também aplicada a Bate-Seba (2Sm 11.2). A tradição hebraica diz que Ester foi uma das três mulheres mais, belas que jamais viveram. Levaram Ester (8). Na oração apócrifa de Ester, ela afirma em termos enérgicos a sua aversão à excelsa posição que ia ocupar, mas nada há neste texto que nos revele as suas reações. Ester... não declarou (10). Parece, portanto, que Ester, ao contrário de Daniel, se conformou com os hábitos persas e comeu alimentos proibidos. Todavia, é possível que os nobres - cujo fito era arranjar uma jovem que fizesse o rei esquecer Vasti, fosse qual fosse a nacionalidade dela - participaram no engano. Passeava Mardoqueu (11). Alguns comentadores têm sugerido que ele era porteiro, mas Rawlinson salienta que nem isso explicaria o seu acesso ao recinto das mulheres, a não ser que também ele fosse eunuco. c) Ester merece a aprovação do rei (2.12-20) No décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano (16); janeiro-fevereiro de 479 A. C., imediatamente depois do regresso de


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 10 Xerxes da Grécia. Assim, decorreram quatro anos entre a deposição de Vasti e a nomeação de Ester. d) Mardoqueu descobre uma conjura contra a vida do rei (2.21-23)

Dois eunucos do rei (21). Xerxes foi, de fato, assassinado catorze anos mais tarde pelo seu capitão da guarda e um eunuco. Numa forca (23), ou num pau. Alguns comentadores supõem que isto significa que os conspiradores foram imolados. Josefo e outros dizem que foram crucificados. Nas crônicas (23), ou, traduzindo à letra, "no livro dos atos dos dias", ao que parece uma espécie de diário dos acontecimentos à medida que estes se iam produzindo (compare-se com 1Rs 14.19). Ktérsias, o historiador grego, afirma ter encontrado material para a sua história persa e assíria nos arquivos persas de documentos em pergaminho. III. A INTRIGA DE HAMÃ PARA DESTRUIR OS JUDEUS - 3.1-4.3

Ester 3 a) A ira de Hamã contra Mardoqueu (3.1-7) "Hamã... agagita" (1); segundo a tradição judaica, descendia de Agague, rei de Amaleque (1Sm 15.32), enquanto que Josefo e o Targum Caldaico lhe chamam amalequita. Por outro lado, o livro apócrifo de Ester diz que era macedônio. Nada há, porém, que indique descendência amalequita ou macedônia; de fato, o seu nome e os nomes de todos os membros da sua família aqui referidos são persas. Não se inclinava (2). É muito difícil compreender a recusa de Mardoqueu. Ele próprio a explica dizendo que era judeu (4), mas nada há na religião judaica que proíba a cortesia então usual de um indivíduo se curvar perante um superior. Sugere Josefo que Mardoqueu recusavase, sim, a prestar honras divinas a Hamã, mas a forma propositada como os assuntos religiosos são evitados neste livro torna difícil averiguar até


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 11 que ponto esta afirmação é válida. É interessante notar que os embaixadores espartanos se recusaram a prostrar-se perante Xerxes (Heródoto 7.136). Porque traspassas? (3). Note-se que os servos do rei foram corteses e falaram com Mardoqueu antes de levar o assunto perante Hamã, queixando-se de falta de fidelidade ao rei, mais do que de falta de respeito para com Hamã. Se as palavras de Mardoqueu se sustentariam (4), isto é, se o fato de ele ser judeu o absolveria de cumprir o mandamento do rei. No primeiro mês... Nisã (7); março-abril, conhecido pelo nome de Abib no Pentateuco. Durante o exílio, os judeus habituaram-se a dizer e enumerar os meses à moda de Babilônia. Abib era o mês da Páscoa, o mês em que tivera lugar a praga derradeira e a mais terrível que assolara o Egito. No ano duodécimo (7), 474 A.C. Ester era já rainha havia quatro anos. Pur (7) refere-se a qualquer forma de adivinhação para descortinar os dias auspiciosos. Trata-se manifestamente de uma palavra estrangeira, visto ser dada até, a tradução hebraica. Muito provavelmente o vocábulo está relacionado com o assírio buru (pedra), utilizado num sentido análogo ao do hebraico goral e do grego psefos, que significa "seixo" e também "sortes". Adar (7) fevereiro-março. Assim, decorreu quase um ano entre a decisão de Hamã e a data de a levar a cabo. b) Hamã convence o rei a ordenar a destruição dos judeus (3.8-15) Um povo (8). A maioria esmagadora dos judeus permanecera em Babilônia; só relativamente poucos (42.000) haviam regressado a Jerusalém sob o comando de Zorobabel em 537 antes de Cristo. Não cumpre as leis do rei (8), a acusação dirigida aos judeus pelos antisemitas através dos tempos. Dez mil talentos de prata (9). Um talento pesava cerca de 47 quilos. O rendimento total anual do Império persa era de 17.000 talentos (Heródoto 3.95). Hamã projetava, sem dúvida, enriquecer à custa dos bens dos judeus proscritos e calculava que, como resultado, poderia dar


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 12 ao rei esta vasta importância. À sentença de morte seguia-se como conseqüência automática a confiscação dos bens (ver 8.1). Essa prata te é dada (11), o que se refere à riqueza dos judeus que deveriam ser destruídos. Foi colocada à disposição de Hamã. Para fazeres dele (11). Uma das objeções constantemente opostas à historicidade deste livro é que nenhum monarca poderia encarar com semelhante indiferença a destruição de número tão vasto dos seus súditos. Independentemente do fato de o caráter bem conhecido do rei invalidar tal objeção, infelizmente já não podemos pôr em causa a probabilidade de um holocausto assim depois do que sucedeu recentemente aos judeus na Europa. Lembremo-nos de que o império ficara empobrecido depois da guerra contra os gregos, pelo que a oferta de Hamã de quase dois terços do rendimento anual era extremamente tentadora. Principais (12); em hebraico, 'ahashdarpenim, tentativa de reproduzir a palavra persa Khshatrapa, que os gregos traduziram por satrapes, de onde o nosso vocábulo sátrapas. Correios (13); ver 1.22 n.

Ester 4 c) A aflição dos judeus (4.1-3) Rasgou Mardoqueu os seus vestidos (1), o sinal usual de aflição entre os judeus. Os seus contemporâneos Esdras, Neemias e Daniel bradaram a Deus em épocas de crise (ver Ed 8.23; Ne 1.4; Dn 6.10). Ninguém vestido de saco podia entrar pelas portas do rei (2). Na presença do rei não se tolerava qualquer sinal de desgostos (ver Ne 2.1-2). Com jejum (3). Embora não se faça qualquer referência direta à religião, o jejum não podia ser senão uma prática religiosa.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 13 IV. MARDOQUEU PERSUADE ESTER A INTERVIR. 4.4-17 E fizeram-lhe saber (4). Ao que parece, sabia-se qual o seu parentesco com Mardoqueu e, portanto, a sua nacionalidade. Ele os não aceitou (4), em sinal de que a sua aflição não podia ter consolo. Isto produziu o efeito desejado de levar Ester a pôr-se em comunicação com ele. Hatá (6), manifestamente um judeu, visto o Segundo Targum indicar que o seu outro nome era Daniel. O fato de Mardoqueu ter descoberto os planos de Hamã pormenorizadamente (7), bem como a primeira conjura para assassinar o rei, parece indicar que estava em situação de saber muito do que se passava nos bastidores. Uma sentença (11), isto é, uma lei invariável; instituída por Deioces, primeiro rei dos medos, para consolidar a sua autoridade, e adotada pelos reis persas (Heródoto 1.99). Ester poderia ter legalmente solicitado uma audiência mas é evidente que ela receava o malogro de tal diligência, visto naquela altura, como ela própria diz, não estar em favor especial; a recusa desse pedido tornaria extremamente perigosa a sua repetição ou a própria intervenção pessoal da rainha mais tarde. Um apelo pessoal era a única coisa de que ela podia lançar mão. Socorro e livramento doutra parte virá... quem sabe... (14). Não há dúvida de que Mardoqueu pensava nas promessas que Deus fizera a Israel e nos muitos livramentos que Ele lhe concedera no passado; no entanto, ao que parece, esforça-se por evitar mencioná-lo por nome. Jejuai por mim (16); ver nota sobre o versículo 3. E perecendo, pereço (16); compare-se com Gn 43.14. V. A PETIÇÃO DE ESTER COROADA DE ÊXITO - 5.1-8.2

Ester 5 a) Ester convida o rei para um banquete (5.1-8)


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 14 Ao terceiro dia (1), isto é, da festa. O Targum, porém, acrescenta: "da Páscoa". No pátio interior (1). Escavações recentes trouxeram à luz o palácio real e comprovam a familiaridade do autor deste livro com a disposição das suas dependências. Até metade do reino (3); compare-se com 5.6; 7.2. A fórmula usual para uma promessa de auxílio pronto (ver Mc 6.23). Xerxes, porém, era dado a fazer promessas extravagantes (ver Heródoto 9.109). Venha o rei (4). Convém lembrar que Ester estava temporariamente privada de contato com o rei volúvel (4.11). Não é, portanto, de surpreender que ela adiasse a sua petição até estar mais segura da sua influência e poder fazê-la valer em condições de maior intimidade. Amanhã farei (8). É mais difícil explicar esta segunda demora, mas há sempre que contar com elementos na situação que não foram assinalados pelo autor. (Um caso paralelo é, talvez, o fato de Eúde não ter posto em prática o seu propósito na sua primeira entrevista com Eglom; ver Jz 3.17-21). Aqui, por exemplo, parece que Ester começou a fazer a sua petição, mas depois, faltando-lhe a coragem, resolveu fazer um convite para segundo banquete. b) Hamã planeia a morte de Mardoqueu (5.9-14) Então saiu Hamã naquele dia, alegre e de bom ânimo (9). Conta Heródoto que Astíages, rei dos medos, desejando punir Harpagus, um dos seus nobres, o convidou para cear. Harpagus ficou radiante e contou à mulher a honra que recebera, mal sonhando com o que o aguardava naquela ceia (1.119). Zeres (10), segundo o Targum, filha de Tatenai (Ed 5.3). A multidão de seus filhos (11). "Depois da valentia na batalha, a maior prova de virilidade entre os persas é gerar muitos filhos" (Heródoto 1.136).


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 15 O judeu Mardoqueu (13). Ao que parece, Hamã não sabia ainda do parentesco que ligava Ester a Mardoqueu, embora o servos íntimos de Ester tivessem conhecimento da verdade (4.4). Forca (14). Em vista da sua altura, parece ser esta a tradução certa, embora a palavra hebraica signifique "árvore" ou "pau". Mandou (14), o que mostra quão certo Hamã estava da sua influência sobre o rei.

Ester 6 c) Hamã forçado a prestar honra a Mardoqueu (6.1-14) O livro das memórias das Crônicas (1); era vulgar tais crônicas existirem. Nelas se anotava tudo quanto valia a pena registrar do que sucedera ou chamara a atenção do rei (Heródoto 8.85, 90). Que honra (3). Havia entre os persas uma ordem chamada a "ordem dos benfeitores do rei", constituída por indivíduos que haviam prestado qualquer serviço assinalado ao monarca e que eram devidamente (e, por vezes, extravagantemente) recompensados (Heródoto 8.85). Hamã tinha entrado (4). Os acontecimentos descritos nos três versículos anteriores haviam tido lugar durante a noite, mas não há motivo para concluir que Hamã fizesse a sua visita a tal hora. Na realidade, as versões antigas acrescentam que ele apareceu pela manhã. No pátio (5). Hamã não podia entrar sem convite expresso do rei. Mais do que a mim (6). É bem evidente que, até ao momento da sua queda, Hamã tinha a certeza do régio favor. Cada uma das sugestões de Hamã (8-9) era tida uma enorme honra entre os povos orientais. Costuma vestir (8), ou, traduzindo à letra, "que o rei vestiu" (compare-se com 1Sm 18.4). A coroa real (8). Gramaticalmente, o cavalo é que seria coroado e, de fato, algumas nações orientais, sobretudo a Assíria, adornavam a cabeça dos seus cavalos. É mais provável, porém, que a referência se dirija ao indivíduo assim honrado.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 16 O judeu Mardoqueu (10). Há quem ache muito estranho o rei honrar assim uma pessoa pertencente a uma raça que acabara de votar à destruição. No entanto, nada há neste incidente que esteja em desacordo com a mentalidade oriental e muito menos com o caráter de Xerxes. Antes certamente cairás (13). O anti-semitismo, através dos séculos, nunca negou a inteligência ou argúcia dos judeus; pelo contrário, radica-se no medo inspirado por essas qualidades.

Ester 7 d) Ester revela a conjura de Hamã ao rei (7.1-6) Qual é a tua petição? (2). Segundo Heródoto, nenhuma petição apresentada num banquete real podia ser recusada. No entanto, tratava-se de um banquete dado pela rainha, e é duvidoso que o antigo costume se mantivesse neste caso. O meu povo (3). Ester revela, por fim, a sua nacionalidade. "Para nos destruírem, matarem e lançarem a perder" - as palavras exatas do decreto real (3.13). Ainda que o opressor (4), ou, traduzindo à letra, "embora o inimigo não compensasse a perda que daí adviria para o rei", querendo provavelmente dizer que Hamã nunca poderia compensar o rei pelo que este perderia com a destruição da rainha e de tantos dos seus súditos. O inimigo (6), palavra que em hebraico significa aquele que amarra ou oprime, distinto de Satã aquele que acusa ou se opõe. e) Hamã enforcado e Mardoqueu honrado (7.7-8.2) Hamã tinha caído prostrado sobre o leito (8). Os persas tomavam as refeições reclinados, como os gregos e os romanos. O costume foi adotado pelos judeus durante o período helenista, sendo corrente nos tempos de Nosso Senhor; foi esta a posição em que o Senhor e os discípulos tomaram a última ceia. Saindo esta palavra da boca do rei, cobriram a Hamã o rosto (8). A exclamação do rei


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 17 revelou que a sua ira contra Hamã era implacável, e os escravos bem sabiam o que isso significava. Os gregos e os romanos algumas vezes cobriam o rosto dos condenados antes da execução mas é esta a única referência a tal costume na história persa. Enforcai-o (9); Septuaginta: "crucificai-o". É digno de nota a freqüência com que o rei concordava com as sugestões dos que o cercavam.

Ester 8 À rainha Ester a casa de Hamã (8.1); ver 3.9 n. Ester tinha declarado (1). Ela já tinha revelado a sua nacionalidade (7.3); só agora o rei e Hamã tiveram conhecimento do parentesco que a unia a Mardoqueu. Tirou o rei o seu anel (2), nomeando, assim, Mardoqueu grãovizir, com poderes para falar e escrever em nome do rei. Faraó dera o seu anel a José em sinal de o ter investido de autoridade semelhante (Gn 41.42). VI. O LIVRAMENTO DOS JUDEUS (8.3-9.16) a) Os judeus autorizados a defenderem-se (8.3-17) O objetivo principal de Ester não era a destruição de Hamã nem a elevação de Mardoqueu, mas sim a salvação dos judeus e agora aplica-se a esta tarefa. O intento de Hamã (5). Prudentemente, Ester esquece a responsabilidade do rei por ter assinado o decreto, mas acentua que o povo por ele condenado se encontra espalhado por todas as províncias do império, dando a entender que o próprio rei seria prejudicado se o decreto fosse posto em prática. Assuero enumera os benefícios de que cumulara Ester, não para que ela não esperasse mais favores, mas sim em prova da sua boa vontade (7).


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 18 Não é para revogar (8), o que lembra que o plano de Ester de revogar o decreto (5) é impraticável. O rei transfere para Mardoqueu a responsabilidade de salvar os judeus e lembra que ele tem o anel do rei, isto é, plena autoridade para emitir qualquer decreto que não anulasse um decreto anterior. Além disso, o novo decreto não poderia ser cancelado. Sivã (9); maio-junho. Haviam decorrido mais de dois meses sobre a promulgação do decreto de destruição dos judeus, e a sua execução teria lugar dentro de nove meses (3.13). Ginetes (10). Em hebraico, "animais ligeiros", como em Mq 1.13. A rapidez com que estas cartas foram expedidas contrasta com o método de divulgação do decreto de Hamã (3.12,15). Apesar da eficiência maravilhosa do sistema postal na Pérsia, esse decreto provavelmente não teria chegado ainda a algumas províncias, visto haverem decorrido apenas dois meses sobre a sua promulgação e talvez muito menos sobre o seu despacho: assim, em alguns casos, os mensageiros de Mardoqueu poderiam ainda antecipar-se aos de Hamã. Para defenderem as suas vidas (11). Foi este o plano adotado por Mardoqueu para contornar o decreto real, irreversível; emitiu um decreto permitindo aos judeus defenderem-se e destruírem os seus inimigos. No dia treze do duodécimo mês (12), a data exata em que a matança dos judeus deveria ter lugar (3.13). Apressuradamente saíram (14); ver 8.10 n. Um vestido real azul celeste e branco (15), as cores reais da Pérsia. Uma grande coroa (15), em hebraico atarah, por contraste com kether, diadema real, em 1.11; 2.17; 6.8. Como grão-vizir e favorito do rei, sem dúvida tinha pleno direito de usar estes símbolos de autoridade. Se fizeram judeus (17), isto é, abraçaram a fé judaica.

Ester 9 b) Os judeus destroem os seus inimigos (9.1-16)


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 19 Sucedeu o contrário... (1). É dada aqui outra oportunidade de proclamar a intervenção de Deus e, no entanto, o autor, em vez de o fazer, adota uma forma indireta e impessoal. O seu terror (2). Os judeus gozavam agora de favor na corte e o que inspirava este terror era provavelmente o medo do rei. Além disso, Mardoqueu havia-se transformado numa força com que era necessário contar. Todos os maiorais (3). O segundo édito havia virtualmente ultrapassado o primeiro e demonstrado claramente que o rei favorecia os judeus; daí a prontidão do apoio destes funcionários. Os nomes indicados nos versículos 7-9 são todos persas, com a exceção duvidosa de Adalia. Vêm eles escritos numa coluna perpendicular na Bíblia hebraica para mostrar qual, segundo os rabis, era a sua posição enquanto pendurados na forca de cinqüenta côvados. Ao despojo (10). Não se aproveitaram da autorização de se apossarem dos bens dos seus inimigos, embora, por outro lado, pareçam ter excedido os limites marcados pelo decreto real (ver 8.11), vingandose dos adversários. Que fariam? (12), isto é, se só no palácio mataram quinhentos homens, quão grande não devia ter sido a carnificina em todo o império! O homem que fala tão levianamente acerca da carnificina dos seus súditos é o mesmo que alguns anos antes perdera um milhão de guerreiros na Grécia. Conceda-se também amanhã aos judeus... que façam conforme ao mandado de hoje (13). O Targum acrescenta: "celebrando feriado", mas é difícil aceitar qualquer interpretação que não seja a de Ester ter pedido mais um dia de carnificina. Setenta e cinco mil (16): o Targum e a Septuaginta dizem quinze mil. Segundo a recensão de Luciano de Nicomédia, o número foi de 10.107.


Ester (Novo Comentário da Bíblia) VII. A FESTA DE PURIM - 9.17-32

20

E Mardoqueu escreveu estas coisas (20), ou seja, um relato da inauguração da festa de Purim, conforme dado nos versículos 17-19. Não é impossível, porém, que estas palavras signifiquem que Mardoqueu escreveu todo o livro até àquele ponto. Purim (26); compare-se com 3.7 n. A festa de Purim (precedida de um jejum) é ainda observada na noite do dia 14 de Adar. De manhã, lêse de ponta a ponta o rolo de Ester na presença de indivíduos de ambos os sexos, em qualquer idioma que compreendam, com a condição que pode ser lido em hebraico ou grego, mesmo quando os ouvintes não conheçam estas línguas. Esta festa andou sempre ligada ao regozijo e à distribuição de presentes (ver versículo 22) e modernamente apresenta tendências mais seculares do que qualquer outra festa judaica. Em várias épocas, os judeus têm instituído festas adicionais de Purim para comemorar outros grandes livramentos. Segunda vez (29). A primeira carta pode ser a referida em 8.8; e a segunda carta, em 9.20, é aqui confirmada pela autoridade adicional da rainha. Acerca do jejum e do seu clamor (31); ver 4.3. A Septuaginta omite estas palavras. Num livro (32). Rawlinson e outros comentadores sugerem que se trata do livro das crônicas de 2.23. A Vulgata, seguida de vários comentadores modernos, fá-lo referir-se ao próprio livro de Ester até este ponto.

Ester 10 VIII. CONCLUSÃO - 10.1-3 Pôr... tributo (1). A guerra contra os gregos prolongou-se na Ásia Menor durante anos depois da batalha de Salamina, e havia necessidade destes tributos para que o império colmatasse as suas enormes despesas. As ilhas do mar (1), uma expressão oficial. Na realidade, só Chipre


Ester (Novo Comentário da Bíblia) 21 pertencia ainda ao império, visto todas as outras ilhas se terem perdido depois da retirada da Europa; no entanto, era ainda corrente a antiga designação. Porque... Mardoqueu (3). Foi mencionado nas crônicas por ser um grande homem. O "porque" introduz o versículo três como explicação do versículo 2. Depois do rei Assuero (3). Em 465 A.C. Artabanus, que assassinou Xerxes naquele ano, ocupava o segundo lugar a seguir ao rei. Mardoqueu deve, portanto, ter perdido a sua posição ou morrido no intervalo que decorreu entre 470 A. C., ano a que o livro de Ester nos conduz, e 465 A. C., quando Artabanus era favorito do rei. Nesta última data, também, Améstris, identificada com Vasti por Rawlinson e outros, gozava de plenos poderes como rainha. Concluímos, portanto, que Ester também caiu do poder ou morreu naquele intervalo e que Vasti (se era, de fato, Améstris) reocupou a sua posição apesar dos esforços dos nobres para o evitar. A. Macdonald.

Ester - N. Comentario  

NOVO COMENTÁRIO DA BÍBLIA Intervarsity Press (Leicester, Inglaterra)

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