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Leitura e escrita de fórmulas cromossómicas

Sumário Leitura e escrita de fórmulas cromossómicas (regras básicas, resumidas) - alterações numéricas - alterações estruturais - símbolos da nomenclatura cromossómica

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Leitura e escrita de fórmulas cromossómicas Introdução Com a evolução da citogenética, que inclui a identificação correta e cada vez mais precisa das alterações cromossómicas que podem ser compatíveis com a vida, surgiu a necessidade de criar uma nomenclatura que fosse universal. Assim, a primeira nomenclatura para os cromossomas humanos surgiu em 1960, na Conferência de Denver, seguida de muitas outras com atualizações permanentes. A última nomenclatura foi publicada em 2009, e na sua introdução refere o seguinte: “Human chromosome nomenclature is based on the results of several international conferences (Denver 1960, London 191963, Chicago 1966, Paris 1971, Paris 1975, Stockholm 1977, Paris 1980, Memphis 1994, Vancouver 2004). The present report, which summarizes the current nomenclature, incorporates and supersedes all previous ISCN (International System for Human Chromosome Nomenclature) recommendations. The ISCN Standing Committee recommends that this nomenclature system be used also in other species.” Nesta aula não se pretende um estudo exaustivo de todas as regras de nomenclatura incluídas no ISCN 2009. Serão referidas, em resumo, as regras básicas fundamentais a partir das quais é possível escrever as fórmulas cromossómicas de praticamente todos os tipos de alterações cromossómicas relevantes para a Citogenética Animal.

Leitura e escrita de fórmulas cromossómicas (regras básicas, resumidas) (Exemplificação a partir do cariótipo 2n = 46,XX ou 46,XY)

Cariótipo normal: 46,XX ou 46,XY

em que:

- 46 corresponde ao nº total de cromossomas (autossomas e heterossomas) - os cromossomas sexuais devem estar identificados, colocando uma vírgula a seguir a 46, e de seguida escrevendo XX (sexo feminino)ou XY (sexo masculino) - a ausência de qualquer informação adicional na fórmula significa que o nº 46 corresponde a dissomia para cada um dos 23 pares

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Alterações cromossómicas numéricas - Quando há uma anomalia numérica num autossoma, esta deve ser identificada colocando uma vírgula a seguir aos cromossomas sexuais e colocando a seguir um sinal + ou – seguido do autossoma em causa. Exs: 47,XX,+21; 45,XY,-7 - Quando a anomalia numérica ocorre nos cromossomas sexuais esta é identificada diretamente a partir da escrita desses cromossomas. Exs: 45,X 47,XXX 47,XXY 48,XXYY - Se ocorrem várias anomalias em simultâneo, estas colocam-se por ordem crescente do nº do cromossoma no cariótipo, independentemente do tipo de alteração e sempre antecedidas por uma vírgula. Exs: 48,XX,+8,+21 46,XY,-7,+8 44,XX,-3,-7,+8,-9,+21,-22 Nomenclatura no caso de mosaicismo - Quando existem diferentes linhas celulares com nº diferente de cromossomas, a linha normal vem sempre em último lugar mesmo que seja a que se apresente em menor %. As diferentes linhas são separadas por barras diagonais. O nº de células observado para cada linha é colocado entre parêntesis reto no fim da respectiva fórmula. Ex: 45,X20/46,XX10 - Se existem várias linhas alteradas a sua ordem na fórmula é da que tem maior nº de células para a menor, ficando sempre em último a linha normal, independentememte do nº de células observadas. Ex: 47,XXY20/45,X10/48,XXYY4/46,XY15

- Quando há linhas com alterações numéricas diferentes mas que aparecem em igual nº de células, elas colocam-se por ordem crescente do nº do cromossoma que se encontra alterado. Ex: 47,XX,+820/47,XX,+2120/46,XX30 - Se neste caso ainda existisse uma linha com alterações nos cromossomas sexuais esta viria em 1º lugar. Ex: 45,X20/47,XX,+820/47,XX,+2120/46,XX30 3


- Quando há simultaneamente alterações numéricas e estruturais em igual nº de células, as numéricas são colocadas em 1º lugar. Ex: 47,XXX15/46,X,i(X)(q10)15/46,XX20

Aparecimento de mosaicos Os mosaicos podem surgir a partir de: -Fenómeno de não-disjunção primário: o que surge a partir de um zigoto com um cariótipo normal. Quanto mais tardiamente surgir o fenómeno de não-disjunção primário maior a frequência de células com o cariótipo normal. -Fenómeno de não-disjunção secundário: o que surge a partir de um zigoto já com alteração cromossómica, ocorrida já num dos gâmetas. Quanto mais tardiamente surgir o fenómeno de não-disjunção primário maior a frequência de células com o cariótipo alterado.

Nomenclatura no caso de quimerismo - Nas quimeras em que ambas as linhas são do mesmo sexo a fórmula cromossómica é igual à de um indivíduo normal (46,XY ou 46,XX). Nas quimeras com linhas dos dois sexos estas são separadas por duas barras diagonais. Ex: 46,XY//46,XX

Alterações cromossómicas estruturais Há dois sistemas para designar alterações estruturais: sistema curto e sistema detalhado. Este último sistema utiliza-se em casos de cariótipos muito complexos. Neste protocolo vamos apenas abordar o sistema curto. Sistema curto Regra básica : quando há uma anomalia estrutural, esta deve ser identificada colocando uma vírgula a seguir aos cromossomas sexuais e colocando a seguir a designação da alteração em causa, em letras minúsculas e em abreviatura, seguida do(s) cromossoma(s) envolvido(s) entre parêntesis e seguida da identificação do local de quebra ou quebras (braço, região, banda) também entre parêntesis. Exs: 46,XY,del(6)(q23) (deleção terminal do cromossoma 6, com quebra na banda 3 da região 2 do braço longo) 4


46,XX,inv(3)(p13q21) (inversão pericêntrica do cromossoma 3; quando a alteração envolve duas quebras em braços diferentes, designa-se sempre em 1º lugar a quebra do braço curto e depois a do braço longo)

46,XY,inv(17)(q12q24) (inversão paracêntrica do cromossoma 17; quando a alteração envolve duas quebras no mesmo braço, designa-se sempre em 1º lugar a quebra mais próxima do centrómero)

46,X,i(X)(q10) (isocromossoma formado pelos braços longos do cromossoma X) 46,XY,t(4;12)(p13;q21) (translocação recíproca entre os cromossomas 4 e 12; quando a alteração envolve dois cromossomas, coloca-se sempre à frente o cromossoma com o nº menor) 46,X,t(X;7)(qter;q22) (translocação não recíproca entre o os cromossomas X e 7 ; quando a translocação envolve um cromossoma sexual este coloca-se sempre à frente do autossoma) 45,XX,rob(13;21)(q10;q10) (translocação robertsoniana entre os cromossomas 13 e 21) 46,XY,r(7) (cromossoma 7 em anel; não se especificam os pontos de quebra se estes não forem identificados com rigor)

Símbolos da nomenclatura cromossómica Conferência de Chicago: / - separação de linhas celulares, ? - cromossoma ou estrutura cromossómica não identificada, ace - acêntrico, cen - centrómero, dic - dicêntrico, end - endoreduplicação, h - constrição secundária, i - isocromossoma, inv - inversão, mar - marcador, 5


mat - origem materna, pat - origem paterna, p - braço curto, q - braço longo, r - cromossoma em anel, s - satélite, t - translocação. Conferência de Paris: Alterações à nomenclatura de Chicago (+) ou (-) - os sinais mais ou menos devem ser colocados antes do símbolo apropriado, quando se refere a um aumento ou diminuição de um cromossoma inteiro. Devem ser colocados depois do símbolo, quando se referem a um aumento ou diminuição de um segmento cromossómico. O aumento do comprimento das constrições secundárias, assim como das regiões que coram muito pouco, distinguemse do aumento ou diminuição de um braço, colocando o símbolo h entre o símbolo do braço e o sinal + ou - (ex. 46,XY,9qh+). Todos os símbolos para as alterações estruturais devem ser colocados antes da designação do cromossoma envolvido na alteração, e deve ser colocado entre parêntesis, como por exemplo r(18) ou i(X). Símbolos adicionais del - deleção, der - cromossoma derivado, dup - duplicação, ins - inserção, inv ins - inserção invertida, rcp - translocação recíproca, rob - robertsoniana, tan - translocação em tandem, ter - terminal do cromossoma, : - rotura (sem reunião, como delecção terminal), :: - rotura e reunião, -> - de... a. Definições Banda - parte do cromossoma que se distingue dos segmentos adjacentes por ser mais clara ou mais escura, Banda marcadora ou landmark - característica morfológica distinta, que é importante para a identificação do cromossoma. 6


Região - área do cromossoma que se localiza entre 2 bandas marcadoras adjacentes. Um braço que não tenha banda marcadora consistente, é constituído apenas por uma região. Numeração das bandas As regiões das bandas são numeradas do centrómero para o extremo de cada braço (fig1). Uma banda usada como landmark pertence totalmente à região distal da landmark, e chama-se banda nº1 nesta região. 2

2 1

1

1 1 2 3

p

1 q 2

1 2 3 4 5 6 7 8

Para designar determinada banda é necessário indicar: - símbolo do braço, - nº da região, - nº da banda. Estas características devem ser escritas seguidamente, sem intervalos nem pontuações (ex. p33, q13).

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Pratica 2 citogenetica