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Ecetistas em Luta Boletim

Edição Minas Gerais - ano IX- nº 964 -

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Órgão da corrente nacional Ecetistas em Luta

- Distribuição gratuita -

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A CAMPANHA PARA PRIVATIZAR A ECT

ENCOMENDA TERIA DEMORADO OITO ANOS PARA SER ENTREGUE O cliente teria importado CDs de rock em 2006 e quando a compra chegou já tinha baixado a discografia na internet

Passeando pela internet e assistindo aos noticiários na televisão vez ou outra o cidadão se depara com uma notícia sobre o quão ineficiente é a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Recentemente, uma postagem na rede social mostrou uma suposta encomenda que teria sido entregue depois de oito anos para o cliente. O caso teria acontecido em Santo André, no ABC Paulista. Ligaram para o cliente, que foi buscar uma encomenda de CDs que havia importado em 2006 para presentear o irmão. A notícia, que foi publicada no portal da internet O tempo, não explica porque a encomenda atrasou, o que aconteceu, quem é o culpado, nada disso. No post feito pelo cliente também não se explica nada. Os Correios deveriam minimamente argumentar o que causou tamanha demora. Mas também não disseram nada. Isso se a notícia for verdadeira. Pela falta de explicações e pela situação muito inusitada, há uma polêmica sobre a veracidade da notícia. Se a notícia for verdadeira, terá sido um grande prejuízo para o cliente. Mais um pouco e os CDs já teriam ficado completamente obsoletos, como já estão fican-

do hoje em dia, época das músicas pela internet. Disseram que os CDs atrasados são de uma banda de Rock chamada Nigthwish (que também já ficou obsoleta hoje em dia). Mas prejuízo mesmo é se o rapaz não gosta mais de rock e virou pagodeiro, mas vai poder aproveitar o presente. Deixando de lado o folclore, o que interessa realmente para todos os trabalhadores é saber o que significa esse tipo de campanha contra a empresa,

que não feita para melhorar os serviços da ECT, mas para desgastar a empresa com o claro objetivo de favorecer empresas privadas. Mas é mais do que isso. Esse tipo de notícia é orquestrada por aqueles que defendem a privatização da empresa. Falar que o cor-

reio está de mal a pior e não propor nada em troca é a mesma coisa de dizer que os serviços públicos não funcionam. Seria melhor então vender tudo para os “competentes” capitalistas, esses mesmos, responsáveis pela falência do mundo, que sugam o dinheiro dos Estados e parasitam o dinheiro dos trabalhadores. Se os Correios estão mal, isso se deve não ao fato de ser uma empresa pública, mas porque os empresários, banqueiros e capitalistas aproveitadores estão tomando conta da ECT. A imprensa de direita gosta de falar mal dos Correios, mas ninguém se preocupa com os trabalhadores da empresa, que todos os dias fazem o impossível para que os serviços aconteçam em dia. Aqueles que reclamam dos atrasos e dos erros dos serviços prestados não dizem que é necessário contratar mais de 100 mil novos funcionários para que o trabalhador não tenha que fazer o serviço de três. É preciso melhorar os Correios, sem dúvida. E a primeira medida para isso é extirpar os aproveitadores e parasitas que estão nesse momento destruindo todos os direitos dos trabalhadores para ficar com os lucros da empresa.


GREVE DOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO

DO “NÃO TEM ARREGO”... AO “ARREGOU”

PSTU/Conlutas entrega de vez a categoria na mão do governador Alckmin A assembleia dos trabalhadores do Metrô realizada nesta quarta-feira, dia 11, decidiu pelo encerramento da greve e não realização da paralisação nesta quinta-feira, conforme aprovado na assembleia de segunda-feira, dia 9 de junho. Foi o fim do movimento que durou quase uma semana; se enfrentou com a decisão do Tribunal, que agora chegou a congelar o dinheiro do Sindicato para pagar as multas pela greve após a decisão pela abusividade; e podia colocar o governo de São Paulo contra a parede. A assembleia desta quarta-feira foi muito mais curta que as anteriores, apesar de a quadra do Sindicato estar mais cheia do que o previsto pelo próprio sindicato, provavelmente. Antes, foi realizado um ato com a presença de parlamentares e representantes de centrais sindicais, entre Conlutas, Força Sindical, UGT e outras, além dos demitidos pelo governo Alckmin durante a greve. Entre eles diretores do Sindicato, e da Federação nacional dos Metroviários. Uma repetição do clima de mártires do movimento grevista da assembleia anterior. Com o início da assembleia o presidente do Sindicato iniciou sua pregação. Mais uma vez, um teatro na assembleia com direito a choro pelos mártires demitidos pelo “poderoso e indestrutível” governo do PSDB. A assembleia foi direcionada para que não houvesse reivindicação de setores de fora da direção do Sindicato para falar, apenas os diretores defenderiam suas posições, a favor e contrários a continuidade da greve. Dessa vez não precisaram dos pelegos do PCdoB para fazer o papelão de defender contra a greve. Foi então que caiu de vez a máscara do PSTU/

Conlutas. Se na última assembleia eles criaram o clima para o fim da greve, mas não tiveram condições para defender esse encerramento, desta vez, coube ao presidente do Sindicato, Altino Melo dos Prazeres, dizer que a greve não tinha mais condições para continuar. E como é comum aos traidores de plantão, colocaram a culpa na categoria que estaria “muito cansada”. Não faltaram elogios aos chefes e fura-greves que teriam ido “pedir desculpas” ou “elogiado o Sindicato”. Em nenhum momento foi feita uma análise séria sobre a situação do governo do estado, sua crise e decadência. Ao contrário. O governo era sempre apresentado como poderoso, no momento em que a hegemonia do PSDB em São Paulo está prestes a ser destruída nas eleições deste ano, após terem convertido o estado em terra arrasada. Ao fim da assembléia, o clima era de desanimo total. Na segunda-feira, o discurso do PSTU girou em torno à necessidade da manutenção da greve porque ela era por “direitos, pelo direito de lutar, pela não desmoralização dos trabalhadores”. Pois bem, o Sindicato conseguiu desmoralizar a categoria em nome da farsa de uma “campanha mundial em defesa dos demitidos”. O sufocamento da greve pelo PSTU O “radicalismo” apresentado pelo PSTU no início da greve, teve como pano de fundo o aumento das contradições entre os vários grupos que compõem a diretoria do Sindicato, em primeiro lugar o PPS, que funciona como uma espécie de linha de frente do PSDB. O governo Alckmin tinha aumentado a ofensiva para expulsar o PSTU da

diretoria. O PSTU tinha tentado se fortalecer deslocando pessoas para o Metrô. Durante a greve, o PSTU tentou manipular o descontentamento da categoria para impulsionar a greve até certo ponto, ganhar força e se fortalecer contra os demais setores da diretoria. Essa manobra acabou provocando ações mais radicais de ativistas impulsionadas pelo descontentamento da categoria. A reação do governo de demitir 42 trabalhadores que ficaram na linha de frente da greve, reflete a política de impôr uma diretoria controlada diretamente pela direita, principalmente os setores que representam os urubus. Na assembleia, se bem tenha havido os setores do Sindicato e fora dele que defenderam a retomada da paralisação, já não tinha mais volta. PSTU/Conlutas se posicionaram contra a greve. Alguns setores do Psol, independentes e a LER-QI (que não participa da direção do Sindicato) tentaram esboçar uma reação pela continuidade da greve. Na votação, já não havia o contraste duvidoso da assembleia de segunda-feira, com maioria visível ganhou a proposta pelo encerramento da greve. Se a base gritava pelo “não tem arrego”, a única verdade é que a direção do Sindicato, do PSTU/ Conlutas “arregou”. O destino da greve já havia sido selado na segunda-feira, quando a direção do Sindicato decidiu abrir mão de toda pauta da campanha salarial (depois de já ter rebaixado o índice de reajuste de quase 35% para dois dígitos, ou seja, pelo menos 10%) para discutir apenas a questão dos 42 demitidos nos cinco dias de greve. E diante da negativa óbvia do governo do estado de sequer considerar tal reivindicação.


Eel mg 964 16 6 14  
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