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Ecetistas em Luta Boletim

Edição Minas Gerais - ano IX- nº 963 -

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Órgão da corrente nacional Ecetistas em Luta

- Distribuição gratuita -

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TRABALHADOR DOS CORREIOS NÃO É ESCRAVO

DIREÇÃO DA EMPRESA OBRIGA O TRABALHO NOS DIAS DE JOGOS DO BRASIL Para os patrões é assim: “não vai ter Copa” para os trabalhadores A direção dos Correios mais uma vez se supera no que diz respeito a tratar os trabalhadores como escravos. Uma portaria de Brasília decidiu que os trabalhadores ecetistas deverão trabalhar seis horas corridas no dia de jogos do Brasil. Enquanto a maioria da população estará em casa para assistir aos jogos, a direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) quer que o carteiro, o OTT (Operador de Triagem e Transbordo), atendes e motoristas estejam trabalhando. Para o patrão, cada minuto de trabalho são mais lucros para os parasitas da empresa. O pior é que, seguindo a tradição de tratamento desigual, a área administrativa da empresa vai trabalhar até às 12h30 nesse primeiro jogo da seleção brasileira, que começa às 17 horas. A definição do horário de trabalho em dias de jogo do Brasil está causando indignação entre os trabalhadores. Por exemplo, se o trabalhador entrar às 9 horas no serviço, ele poderá sair apenas às 15 horas. Em grandes cidades, como São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília, há

companheiros que moram a mais de duas horas de distância do local de trabalho. Isso significa que o trabalhador vai chegar em casa atrasado para assistir ao jogo. Isso se ele tiver sorte e não pegar trânsito. No caso dos jogos do Brasil que começam em horários mais cedo, o trabalhador simplesmente não será dispensado. Vai ser obrigado a ver o jogo no se-

tor de trabalho, mesmo se for decretado feriado na cidade. Os companheiros dos centros operacionais, centros de triagem, motoristas etc também vão sofrer com os desmandos da empresa. Não haverá feriado e os jogos serão assistidos dentro da empresa. Os do turno da

noite passarão a Copa do Mundo trabalhando normalmente. Ficar sem dormir trabalhando a noite toda e depois ficar sem dormir para ver os jogos não tem problema, afinal o sono do trabalhador é uma mordomia, não é mesmo? O calendário de expediente divulgado pela ECT é um crime contra a categoria. É mais uma declaração de guerra da empresa contra seus funcionários. O futebol é uma das principais expressões culturais dos trabalhadores brasileiros. Impedir que o trabalhador possa sair para assistir é criminoso e torturante. É como se o patrão decidisse impedir que o trabalhador tivesse seu dia de descanso e lazer semanais. A intransigência da empresa em dispensar os trabalhadores mostra que a campanha contra a Copa do Mundo é um ataque aos próprios trabalhadores. Para os patrões, não pode ter futebol, lugar de trabalhador é o dia inteiro na fábrica. A direção da ECT, do PT, parece estar entrando no clima da direita nacional do “Não vai ter Copa”, usado justamente para “queimar” eleitoralmente o governo do PT.


INVASÃO DE PRIVACIDADE

CORREIOS É CONDENADO POR DIVULGAR E-MAILS “ÍNTIMOS” DE EX DIRETOR DEMITIDO Serão R$ 30 mil reais de indenização para o ex diretor, demitido por suposto envolvimento nos fatos investigados na CPI dos Correios em 2008

Em 2008, com o escândalo do “Mensalão” cuja origem era a ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), foi instaurada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que ficou conhecida como CPI dos Correios. A decorrência política desses fatos não é segredo para ninguém e seus efeitos, bem como calorosos debates sobre o tema, que estão até hoje protagonizando os principais noticiários. Alguns funcionários dos Correios, culpados ou não, “Laranjas” ou não – nós, “pobres mortais” nunca saberemos com exatidão o que realmente acontece nos bastidores da cúpula das empresas – foram demitidos ou derrubados de cargos para que as coisas pudessem “voltar ao normal”. Um desses ex-diretores, demitido por determinação da Controlado-

ria-Geral da União (CGU) acaba de ganhar, no início do mês passado, uma indenização contra a ECT. Segundo a decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho), os Correios terão de pagar R$ 30 mil por dano moral. E-mails de conteúdo pessoal foram publicados pela empresa. A Justiça considerou esses e-mails como sendo desvinculados do trabalho e das investigações da CPI. Por conta das investigações foi instaurada em 2007 uma comissão de sindicância por solicitação do Ministério Público Federal. O computador de trabalho do ex-diretor, que era funcionário há 19 anos na empresa, foi confiscado. O sigilo de suas informações pessoais teria sido quebrado sem autorização judicial. Não satisfeita em invadir os dados do então diretor, os e-mails de conteúdo

íntimo foram divulgados internamente, inclusive chegando ao conhecimento da sua esposa que também é empregada dos Correios. A sentença julgada pela 3a Vara do Trabalho de Brasília registra que “examinando os e-mails, realmente se referem a assuntos ligados estritamente à vida pessoal do autor, de conteúdos, inclusive, bem íntimos”. Fazer “intimidades” durante o expediente não é uma coisa bonita, mas também não é bonito invadir a privacidade dos funcionários. Mas o mais feio de tudo é saber que chefe ganha até depois de ter siso demitido por suposto envolvimento em corrupção. Moral da história: em época de PLR de 270 reais para o trabalhador, diretor da empresa enche o bolso de grana mesmo depois de seis anos demitido.


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