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mundo h. 23 JUL.AGO.SET.13

Ano6 0,70€

MOÇAMBIQUE MAIS ÁGUA PARA IMPIRE; S.TOMÉ ILUMINAR A CRECHE DE MONTE CAFÉ; VIAGEM PADRINHOS PRIMEIRA VIAGEM DE GRUPO LEVA PADRINHOS A MOÇAMBIQUE; PORTUGAL LANÇAMENTO DE LIVRO; MAIS DO QUE PADRINHOS NOTÍCIAS DA ILHA DO FAIAL


ÍNDICE 3

18

EDITORIAL

projecto BRINCA no Porto.

exemplo luminoso. 19 4

MOÇAMBIQUE water of hope. (água da esperança)

a BRINCAR a brincar. 20

descoberta.

21 6

S. TOMÉ E PRÍNCIPE o fim do ano letivo.

8

VIAGEM PADRINHOS viagem ao outro lado da Helpo.

15

PORTUGAL nova direção. 17

o Planeta Veki, um planeta dentro de cada um!

MAIS DO QUE PADRINHOS a minha inspiração.


EDITORIAL

EXEMPLO LUMINOSO. Caxias, António Perez Metelo

N

uma mesma semana, festejaram-se dois aniversários, os 95 anos de Nelson Mandela e os 16 anos de Malala Yousafzai. Ambos tiveram notoriedade internacional por uma fortíssima razão: simbolizam, à escala da Humanidade, a luta ancestral contra a opressão, o racismo e o obscurantismo. O líder do ANC, que em tempos não hesitara, em último recurso, a conduzir uma resistência armada ao iníquo regime do apartheid, soube, no momento do triunfo politico, cortar o ciclo infernal da vingança, estendeu a mão da reconciliação genuína aos seus antigos carcereiros e lançou o fundamento sólido de uma nação com todas as cores do arco-íris. Verdade, perdão, criação de condições para cada ser humano se sentir livre e igual, com oportunidade de construir um futuro melhor, eis o que Nelson Mandela, nos deixa como legado. Bem como o apelo para passarmos à ação, para fazermos a diferença. A jovem paquistanesa sobreviveu a um atentado dos talibãs, que a balearam por ela ter a ousadia, com outras meninas de ir à escola. Renasceu com a voz límpida que apela à escolaridade de todas as crianças do mundo, em particular, daquela metade da Humanidade, que continua a ser discriminada, as meninas. Na Helpo ouvimos com emoção estas vozes de libertação e,

à nossa modesta escala, fazemos nossos os seus sonhos: sim, queremos continuar a dar, dia após dia, o nosso contributo para que a dezena de milhar de meninos e meninas de Moçambique e de São Tomé tenham melhores condições para estudar e possam progredir nos seus estudos o mais possível. E queremos fazer mais. A Direção recém eleita está bem consciente das dificuldades que a generalidade dos nossos padrinhos defrontam. Mas as provas continuadas de empenhamento no apoio aos seus afilhados é fonte de energia e estímulo à continuação dos programas, que vamos formatando. A visita de uma dezena de madrinhas a padrinhos a Moçambique abriu o conhecimento concreto, no terreno, às mais variadas vertentes da atuação da Helpo naquele país. Por isso, as suas impressões do que viram e foram chamados a partilhar, são preciosas. Bem como as suas sugestões! Havemos de superar as nossas insuficiências e os resultados concretos hão de surgir! Com crianças mais escolarizadas, mais preparadas para assumir as tarefas da nova geração na construção dos seus jovens países. Seguindo o exemplo luminoso de Nelson Mandela e Malala Yousafzai.


MOÇAMBIQUE

water of hope. (água da esperança) Pemba, Tiago Filipe

Á

gua é vida. A expressão, em apologia da água, tornou-se um lugar comum nos nossos dias. A importância da água enquanto sustentáculo primário da vida no nosso planeta, é atualmente, e felizmente, amplamente divulgada um pouco por todo o mundo. Mas em determinados locais do globo, onde as populações convivem diariamente com a escassez deste recurso, o tema tem inquestionavelmente um impacto acrescido. É assim um pouco por toda a África em geral, e em Moçambique em particular. Consciente desta realidade, a Helpo, nos diferentes locais onde atua neste país, tem procurado desenvolver projetos com vista a facilitar o acesso das comunidades ao precioso líquido. O mais recente resultado deste contínuo esforço pode ser encontrado na Escola Primária Completa de Impire, em Cabo Delgado. Efetivamente, no passado dia 24 de junho foi inaugurado o “sistema de aproveitamento de águas pluviais da EPC de Impire”. O sistema, que foi integralmente patrocinado pela SAPO Moçambique, e que começou a ser implementado em 2012, consiste numa rede de caleiras que recolhem as águas pluviais dos telhados dos dois principais edifícios da Escola Primária - o edifício que inclui o gabinete do Diretor e o edifício de salas de aula construí-

do pela Helpo e inaugurado em 2012 -, e as encaminham para 4 reservatórios, dois por edifício, de 5000 litros de capacidade cada. A Escola ficou assim dotada de uma capacidade de armazenamento total de 20000 litros de água, particularmente útil durante a estação seca em que a chuva escasseia. A água tem como destino os diferentes usos da comunidade escolar onde a mesma é essencial, com destaque para o lanche escolar que a Helpo distribui semanalmente (onde é usada como componente

do sumo distribuído, para lavar as mãos das crianças e para lavar todo o material que é utilizado), a rega das árvores do recinto escolar e o consumo diário por parte dos alunos e professores. Previamente à festa da inauguração, o diretor da escola, Ismail Biché, em conjunto com a Helpo, reuniu com a comunidade para prestar esclarecimentos e sensibilizar alunos e pais para os cuidados a ter com a utilização da água dos reservatórios, explicando, nomeadamente, a necessidade da sua desinfeção previamente ao consumo

Conforme destacámos no número 19 da Mundo h, a Helpo já tinha colocado um reservatório na EPC de Impire que infelizmente foi destruído, em abril de 2012, devido à incúria de alguns elementos do corpo docente da EPC que, quando o sistema de caleiras ainda não estava finalizado, com vista a aproveitar a água da chuva que caía das caleiras já colocadas, deslocaram o reservatório para fora da sua base e o apoiaram em carteiras de madeira que cederam face ao peso do reservatório cheio, conduzindo à sua queda e colapso.

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A Flight of Hope é uma missão sem fins lucrativos que almeja apoiar o desenvolvimento sustentável e saudável das crianças africanas em idade escolar especialmente em áreas de reconhecida carência. Esta missão, que foi fundada por pilotos da TAP e é efetuada por avionetas, daí advindo o nome Flight of Hope, tem-se desenvolvido desde o ano 2007 e, no ano de 2013, consciente das enormes dificuldades com que se deparam as escolas de Moçambique, quiseram prestar o seu contributo e incluíram no seu percurso algumas escolas deste país com o objetivo de aí distribuírem material didático. Tendo tomado conhecimento do trabalho desenvolvido pela Helpo, entraram em contacto com a Associação e acordou-se a passagem da missão por Impire. Uma vez que a SAPO é uma das principais patrocinadoras da Flight of Hope, entendeu-se pertinente fazer coincidir a passagem da missão por Impire com a inauguração do sistema de aproveitamento de águas pluviais já que, como foi dito, este foi financiado pela delegação moçambicana desta empresa de comunicação.

humano. Aludiu também à importância do bom uso das infraestruturas, destacando a necessidade de ações de manutenção e limpeza periódicas tanto das caleiras como dos reservatórios. Refira-se que, em virtude do acidente ocorrido com um anterior reservatório1 , a Helpo solicitou à direção da escola que elaborasse um regulamento acerca da utilização destas infraestruturas onde se refere que as mesmas, nomeadamente os reservatórios, só podem ser diretamente manuseados pelo diretor ou sobre sua vigilância. Este regulamento foi criado e assinado pelos membros do Conselho Escolar e pelo Diretor Distrital de Educação. A inauguração decorreu em clima de festa, como aliás é apanágio das celebrações organizadas pela EPC de Impire, onde se deve relevar o entusiasmo e dedicação normalmente postas nestas causas pelo diretor. Para além da comunidade, que compareceu em peso, da equipa da Helpo e de todo o pessoal da EPC, estiveram presentes na celebração a SAPO Moçambique - que deslocou propositadamente um repórter e a sua representante oficial, a cantora moçambicana Liloca, que distribuiu sorrisos e autógrafos, e que muito sucesso fez entre miúdos e graúdos -, e um grupo de convidados muito especial: a comitiva da Flight of Hope (ver caixa). Houve lugar para atuações de 6 grupos culturais que ofereceram aos convidados

demonstrações de diferentes formas de expressão cultural local com destaque para a música, dança e batuques. Alguns dos convidados “de honra” ainda se atreveram a mostrar os seus dotes de dançarinos para gáudio da população local. A inauguração propriamente dita do sistema ficou a cargo do representante da Direção Provincial de Educação e Cultura de Cabo Delgado, que descerrou a placa de inauguração do sistema, e da cantora Liloca que cortou a fita que simbolicamente envolvia os dois reservatórios do edifício escolar construído pela Helpo. Após a inauguração, a água que alguns reservatórios já tinham armazenado foi uti-

lizada para o lanche escolar cuja distribuição a Direção da EPC fez, simbolicamente, coincidir com o dia de inauguração. Os convidados destacaram a excelente organização do evento (os elementos da comitiva da Flight of Hope referiram, inclusivamente, que esta tinha sido a escola mais bem organizada por onde tinham passado!) e elogiaram a decoração das bases dos reservatórios. Refira-se, a este propósito, que esta decoração resultou de um concurso promovido pela EPC no âmbito do dia 1 de junho , Dia Mundial da Criança, em que as crianças vencedoras tiveram como prémio pintar as bases em betão dos reservatórios.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

o fim do ano letivo. São Tomé, Tiago Coucelo

C

hegado o fim do ano letivo 2012/2013, a nossa Associação Helpo empenhou-se na realização de obras importantes em duas das comunidades apoiadas. Por outro lado, também o período de execução das cartas de junho correu muito bem. Em todas as escolas e creches, os professores realizaram com brio as cartas das crianças apadrinhadas. Foram 576 missivas, que os meninos escreveram com alegria, curiosidade e satisfação. Em salas de Santa Catarina, Saudade, São José, Bemposta e Monte Café, centenas de crianças enviaram notícias aos seus padrinhos. A primeira obra que conseguimos terminar pouco antes do fim do ano letivo , foi a reabilitação de 2 casas de banho da Escola Primária de Santa Catarina. O objetivo era o de tornar as instalações sanitárias mais dignas e higiénicas, pois anteriormente estavam em muito mau estado, sendo utilizadas intensivamente por cerca de 350 crianças, todos os dias. Os trabalhos consistiram na limpeza da fossa séptica, evacuação de todos os detritos e respetivo transporte para outro local. Foram executados trabalhos de canalização, desde trocas de tubos de canalização danificados, até à colocação de loiças sanitárias. Providenciámos material de construção para reabilitação das valas de água e das tampas da fossa. Sendo assim, a intervenção da Helpo consistiu na compra de material, pagamento de mão de obra especializada e acompanhamento permanente da intervenção. Atualmente as casas de banho estão em pleno

funcionamento, com loiças renovadas, paredes e chão pintados, canalizações reparadas e portas restauradas. Todas as crianças, professores, restantes funcionários da escola e a comunidade, em geral, estavam imensamente satisfeitos. Este é o exemplo de como uma pequena melhoria na escola pode trazer alegria e inúmeros benefícios a todos. Remodelámos uma infraestrutura essencial e contribuímos também para uma melhor higiene das crianças de Santa Catarina. Outra das “empreitadas”, que conseguimos realizar, foi a eletrificação da creche de Monte Café. Convém relembrar que a escola de Monte Café já tinha sido objeto de uma intervenção deste género. A creche de Monte Café dispõe de uma infraestrutura de qualidade, com 3 salas de aula, sala de refeições, cozinha, armazém e recreio. No entanto, a falta de energia elétrica era uma carência real. A zona de Monte Café está numa região chuvosa e escura durante grande parte do ano. Muitos são os dias, nos quais as crianças têm aulas praticamente às escuras. Assim, com o apoio do Ministério da Educação, direção da creche e EMAE (empresa de eletricidade nacional), avançámos nesta questão. Todo o material (fios elétricos , lâmpadas e suportes, interruptores e afins) e mão de obra foram oferecidos pela Helpo. Como sempre, a obra foi decidida em conjunto com as entidades governamentais e só avançámos após termos autorização para tal. Os trabalhos decorreram por uma semana e foram permanentemente acompanha-

“O objetivo era o de tornar as instalações sanitárias mais dignas e higiénicas”


dos pela equipa da Helpo e pela diretora da creche. A curiosidade e ansiedade eram evidentes, mas todos os prazos e medidas de segurança foram respeitados, tendo em conta que era uma obra de responsabilidade numa creche com mais de 100 crianças. Foi uma experiência incrível quando a primeira lâmpada se acendeu. A cara de cada criança, ao olhar aquela fonte de energia, era indescritível. Foram cerca de 100 crianças e 12 profissionais,

reunidos ao redor da lâmpada, com um olhar de satisfação e realização por terem atingido um objetivo há muito pensado. Logo no dia 1 de junho, a energia elétrica foi de uma utilidade extrema. Esta tomou a forma de música e filmes infantis. Era ver os olhos de todas as crianças vidrados na televisão, os corpos a dançarem ao som da música e as caras plenas de entusiasmo. Foi um esforço conjugado entre a Helpo, a creche de Monte Café e o Ministério da Educação, que teve um impacto concreto e real.


VIAGEM PADRINHOS

viagem ao outro lado da Helpo. Nampula, Carlos Almeida

J

á se passaram cinco anos, desde que a Helpo começou a ter presença direta das suas equipas no terreno, com aprofundamento do trabalho realizado, sobretudo devido a dois fatores : por um lado, crianças apadrinhadas e comunidades em que estão inseridas têm sido um motor para a melhoria dos serviços prestados pela Helpo. O facto de termos partido da “estaca zero” e estarmos num patamar em que as comunidades, como forma de reconhecimento das atividades desenvolvidas em prol das crianças, exigem mais e melhor trabalho da nossa parte. É um sinal claro, que nos faz ter otimismo em relação ao futuro. Do outro lado da equação, mas do mesmo lado da solução, temos padrinhos e madrinhas, cada vez mais exigentes, que gostam de acompanhar o trabalho da família Helpo nas diferentes vertentes. Resultado desse aumento de exigência dos padrinhos, a Helpo já havia sido solicitada diversas vezes para organizar uma viagem de grupo, uma jornada que, muito mais do que de turismo, seria de trabalho e de partilha de uma realidade que, vista através da revista, do site e do facebook, parecia ainda longínqua. Como resposta a essa solicitação, nove pessoas, oito madrinhas e um padrinho, aceitaram o desafio de acompanhar a

Margarida Assunção, diretora do Departamento de Apadrinhamento de Crianças à Distância, também ela madrinha, numa longa viagem de avião, com duas escalas pelo caminho até aos locais onde as palmeiras crescem e onde os problemas e os sorrisos parecem não ter fim. Desenhar uma visita de doze dias para se ficar com uma visão do que é o trabalho da Helpo, não é fácil, pois neste momento podemos dizer, com muito orgulho, que já há muito digno de ser visto. Com paragem obrigatória nas oito comunidades, onde estavam os afilhados sortudos que tiveram direito a uma visita especial, com dois fins de semana para recuperar forças nos cenários paradisíacos da Ilha de Moçambique e Pemba, o trajeto de 2100km foi estabelecido. Quanto às dormidas, os luxos foram deixados de parte e apostou-se no espírito de grupo: a casa/escritório de Nampula, que já foi o seminário dos Missionários de S. João Baptista, alojou o grupo todo, enquanto em Pemba usámos as instalações das irmãs Pastorelas. Na Ilha de Moçambique, por duas noites mágicas, a equipa dividiu-se para ficarmos todos bem instalados, em pequenas Casas de Acomodação, que proliferam neste pedaço de Paraíso, que parou no tempo, para descansar de dois dias super preenchidos. A alimentação foi sempre da responsabili-

dade da Helpo, com exceção para os dias livres no fim de semana. Ainda recebemos o convite para jantar do amigo Carlos Gomes, carinhosamente apelidado de “Cônsul Honorário de Pemba”, pela sua capacidade e alegria em receber. Com as questões logísticas resolvidas, o mais fácil era deixar o trabalho falar por si, e foi isso que aconteceu. Animadores e professores mostraram orgulhosamente as suas escolas e escolinhas, tendo descrito o seu trabalho com a Helpo ao longo dos anos e mostrado a sua satisfação. Toda a semente deixada pela Helpo neste terreno fértil, povoado de centenas de crianças para onde quer que nos viremos, quer seja em distribuições de material escolar, construções de salas, carteiras e bibliotecas, foi testemunhado por este grupo, que agora ainda se sente mais parte da Helpo. Foi unânime que esta viagem tem de ser repetida, para que mais padrinhos e madrinhas possam ver o seu sonho realizado. O espírito não terminou com a partida, e os padrinhos deixaram, no final, um donativo, que serviu para o almoço dos festejos do Dia Internacional da Criança, na Escola Primária Completa de Marrere, para cerca de 800 crianças. Os que já aceitaram o desafio saíram plenamente satisfeitos e aposto, com toda a certeza, que muitos deles voltarão.


Malas/Entreajuda A viagem não poderia ter começado pior: Todas as bagagens ficaram retidas no aeroporto de Nairobi e chegaram com três dias de atraso, tendo uma mala ficado em local incerto até ao final da viagem. Este problema acabou por ser o primeiro quebra gelo e criou uma onda de solidariedade entre a equipa da Helpo e os seus visitantes, pois entre empréstimo de roupa, partilha de shampoos e repelente de mosquito, além de outras entreajudas promotoras do bom espírito de equipa que só os problemas têm o condão de criar, fez com que o bom ambiente ficasse logo instalado. Como se diz em Moçambique “pobre não zanga!”, e apesar de desprovidos dos seus bens por três dias, todo o grupo manteve a boa disposição!

Madrinha Cristina Ramos África entranha-se, invade-nos os sentidos, e penso que não tolera sentimentos pela metade: ou se ama, ou se detesta. E eu amei. Estão gastas as descrições dos cheiros, das cores, dos sons, do espaço, do entardecer africano… todos eles lá estavam, à nossa espera e não me alongarei mais na sua descrição… Mas a mais valia desta viagem foi, sobretudo, a paisagem humana, o toque, o contacto. Não esqueço o correr das crianças em direção às viaturas da Helpo, as mãos pequeninas nas nossas, o olhar envergonhado quando recebiam os kits, o colo, o hino de Moçambique cantado por crianças alinhadas em frente às escolas, a euforia em torno de uma fotografia mostrada numa máquina digital. Não esqueço os meninos que guardavam grande parte do conteúdo do copo de sumo, que recebiam nos lanches dados pela Helpo, numa pequeníssima garrafa de plástico, junto ao peito, para sorverem vagarosamente mais tarde ou para partilharem com os muitos irmãos… não esqueço nem as histórias tristes de crianças anónimas, nem os olhares de esperança e os sorrisos rasgados do povo moçambicano. Não esqueço, principalmente, o encontro com o meu afilhado, Mauro, em Pemba. Até ao dia 15 de maio tinha sido uma fotografia de uma criança, pobre, algures em África, para quem eu remetia uma quantia mensal e, periodicamente, o que um envelope verde dos CTT permitia, e da qual recebia desenhos simples, pouco elaborados, e breves descritivos da sua vida, nem sempre escritos por ele. No dia 15 de maio , a fotografia corporizou-se num rapaz de 15 anos, de sorriso doce, mas de olhos profundos e tristes, por uma história de vida marcada pela perda. Abracei-o e beijei-o num impulso, sem pensar em barreiras culturais e de costumes. Trazia consigo a avó e dois irmãos mais novos. Deixei ficar as minhas mãos na dele… e falámos, de coisas simples. Moravam longe e esperavam-me desde manhã… deveriam ser 4 da tarde. À noite, nas habituais reuniões de balanço do dia, não consegui descrever ao grupo o que senti, só me ocorria comoção, mas era redutor… e ainda hoje não consigo. Estas linhas são um descritivo superficial de uma séria de sensações novas, que nunca tinha experimentado. Mas inegavelmente boas, reconfortantes, apaziguadoras. Por fim, não esqueço o grupo fantástico de padrinhos, com quem estabeleci laços que ficarão para sempre, mesmo que não nos tornemos a encontrar nos nossos percursos de vida... E não esquecerei a equipa da Helpo, incansável: a entrega da Ondina, a energia do Cazé, a simpatia da Verónica, a generosidade da Sara, o entusiasmo da Sílvia, a doçura da Margarida, a alegria contagiante do Tiago. Koshucuro! Foi um privilégio, titios Helpo!




VIAGEM PADRINHOS

Madrinha Maria João Rebelo A viagem ao outro lado da Helpo, em Moçambique marcou-me para toda a vida, e deixou-me muitas saudades, que alimentam a minha vontade de mudar de vida, de trabalho e encorajam-me nessa procura incessante de um novo desafio, que quero abraçar. Todos os momentos passados foram únicos, é difícil eleger um, desde a visita às comunidades em Nampula e Pemba, à pintura no mural do Centro de Actividades Infantis na Ilha de Moçambique, às crianças a cantarem o Hino em Silva Macua (uma delícia), até à aventura de barco à Laguna e à Praia das Chocas. As viagens nas pick-up ao som de Zahara, que nos conduziram até uma realidade diferente e cheia de contrastes. Foram 12 dias vividos intensamente, com um grupo fantástico e inspirador de padrinhos e coordenadores, em que aproveitei cada momento, como se fosse único e meu para sempre, saboreando cada gesto, cada sorriso que guardo com carinho no coração, com a certeza de que vou regressar a Moçambique, a essa “Terra Gloriosa”, onde as diferenças nos tornam pessoas mais ricas, onde aprendemos que podemos ser felizes com tão pouco e a enfrentar as adversidades da vida sempre com um sorriso.

Atividades nas comunidades A visita de um grande grupo não poderia significar a paragem do normal funcionamento da equipa da Helpo no terreno. A ideia foi aproveitar da melhor maneira a presença de pessoas ávidas em participar nas atividades, e foi isso que aconteceu: distribuição de roupa em Napacala; sessão de nutrição e conservação alimentar por parte da estagiária da Universidade Lúrio, em Natchetche; distribuição de kits de material escolar em Momola e Mahera; distribuição de lanche escolar em Impire; confeção e distribuição de papinhas em Nacate; além de se assistir ao espetáculo de capoeira e canto no Infantário Provincial de Nampula, teatro, dança e atividades de pintura com os grupos do Centro das Atividades Infantis da Ilha de Moçambique e espetáculo de dança N’sope em Teacane.

Madrinha Eunice Lopes Há quem eleja os “resorts” de férias quando tem uns dias livres, e precisa de mudar de ambiente. Ilude-se quem julga ter entendido a alma de um povo, na sequência de ter vivido uma semana num resort de turismo num país distante. A cidade maior onde estivemos, Nampula, apresenta carências de todo o tipo, desde falhas de energia elétrica, falta de vias de acesso, até deficiências enormes de recolha de lixos, insalubridade, deficiente assistência hospitalar, enfim, o mapa tipo de uma sociedade em vias de desenvolvimento. Trilhámos 2100kms por estrada, e parte dos acessos a algumas comunidades eram mesmo “picadas” no mato. A má nutrição das crianças é visível. Por todo o lado, crianças de tenra idade, em vez de estarem na escola, transportam crianças mais pequenas do que elas, por vezes ao colo, por vezes pela mão; é usual que as meninas sejam mães pela primeira vez aos onze anos; o pai é uma figura normalmente distante, até porque a religião predominante- muçulmana- permite várias mulheres ao homem; os alimentos que são consumidos na família são os cultivados em “machambas”, pequenas hortas nas imediações da aldeia, o que “justifica” que os rapazes sejam requisitados pelos familiares para o trabalho, em vez de os libertarem




para a aprendizagem escolar. Pude observar a espontânea alegria com que os veículos da Helpo, em que fomos transportados, eram recebidos. As crianças e os jovens corriam e acenavam à nossa chegada , gritavam “Helpo!”. Na comunidade de Impire, o diretor de escola - uma escola com quase dois milhares de alunos- dinamizou a colocação de rústicos cartazes de boas vindas aos padrinhos Helpo e a limpeza dos acessos térreos ao recinto da escola. Em Pemba, na Ludoteca criada e dinamizada pela Helpo, pude constatar o agradecimento/incredulidade nos olhares dos jovens, que connosco, padrinhos/madrinhas, ensaiaram uns jogos simples. Essas crianças têm falta, na sua maioria, de carinhos por parte dos pais e de tempo que lhes seja dedicado. Vi o resultado do trabalho, quer da Helpo, quer dos seus parceiros locais- Infantário Distrital de Nampula; secção maternoinfantil no Hospital de Marrere; missões católicas, etc- ação essa que consiste em dinamizar atividades para as crianças/ jovens poderem ter referências, seguir valores, ganhar competências, e em particular nas cidades como Nampula, saírem da vida de rua, onde entregues a si próprias desde pequenas se tornam alvos de violência, exclusão, miséria. Tantas são as histórias verdadeiras que pude testemunhar, mas aqui deixo estas curtas impressões do que considero ter sido a viagem que em muito ultrapassou as minhas expectativas. Libertou muitas emoções, não se ficou pelos cinco sentidos. Nesta viagem a Moçambique conheci o meu afilhado Amade, conheci o trabalho da Helpo e fiz amigos. Nós, todos juntos, fazemos!

Visitas aos afilhados O capítulo principal e mais esperado desta história era o das visitas aos afilhados. Geralmente os padrinhos trazem expectativas muito elevadas quanto à forma como serão recebidos pelos seus afilhados. Essas expectativas normalmente embatem numa criança apavorada por ser o centro das atenções, algo que nunca aconteceu em toda a sua vida, sobretudo por um mucunha (estrangeiro ou branco, em língua macua) que leva consigo um mundo novo que lhe é estranho. Algumas crianças conseguem desinibinir-se passado algum tempo, outras ficam mesmo com um olhar assustado e com a lágrima no canto do olho, contrastando com a alegria extrema de todas as outras crianças que desejavam estar naquele lugar. Houve de tudo nas visitas: crianças que choraram, crianças que falaram muito em português correto (o facto de ter sido uma criança mais crescida e do Centro das Pastorelas, da Cidade de Pemba, ajuda a explicar esse facto), e houve mesmo crianças que não estavam presentes. Duas delas, devido à normal

movimentação de famílias, separações temporárias, não estavam presentes no dia da visita dos padrinhos, mas ambos os casos foram solucionados da melhor maneira. Enquanto a afilhada da Comunidade de Momola que estava temporiariamente em casa de uma tia, conseguiu regressar com uns dias de atraso,o menino da Comunidade de Napacala, deslocado de vez para a Cidade de Angoche, a 200km de distância, e impossibilitado de vir a Nampula, proporcionou à Madrinha o apadrinhamento de uma nova afilhada, que teve o prazer de conhecer. A natural deceção da madrinha por não conhecer o menino que vinha a apadrinhar há algum tempo foi superada pelo sorriso da nova afilhada. Crianças para apadrinhar não faltam, basta haver padrinhos e madrinhas com vontade. As comunidades visitadas em que os Padrinhos tinham crianças apadrinhadas foram Napacala, Ilha de Moçambique, Natchetche, Marrere e Momola na Província de Nampula e Pastorelas, Impire e Nacate na Província de Cabo Delgado




VIAGEM PADRINHOS

Madrinha Paula Gomes É difícil encontrar as palavras certas para exprimir os sentimentos que esta viagem me proporcionou. Mas houve duas coisas que me marcaram para toda a vida e fizeram com que eu passasse a olhar o mundo de outra forma: - A felicidade que eu senti ao ver quanto são importantes os 21€, que os padrinhos mensalmente enviam para o seus afilhados, e sentir que se podia fazer muito mais, se mais padrinhos houvesse. - Não há nada mais gratificante do que o sorriso de uma criança. Estas crianças receberam-nos com um sorriso e uma alegria contagiantes. Impossível ficar indiferente... Aqui fica uma mensagem para todos os padrinhos, que ainda não tiveram oportunidade de visitar os seus afilhados: se alguma vez tiverem essa possibilidade (como eu tive), não hesitem! Vão visitar os vossos afilhados, pois asseguro-vos, que será a viagem das vossas vidas!

Dias livres Os dias livres, na Ilha de Moçambique e em Pemba, foram usados para aproveitar o sol! Em Pemba, na praia, e na Ilha de Moçambique, além de um passeio para conhecer o encantador pedaço de terra rodeado pelo Índico, único sítio Património da Humanidade da UNESCO em Moçambique, também houve um passeio de barco para conhecer a famosa praia das Chocas, uma das mais bonitas do país. Houve ainda tempo para compras: capulanas, artesanato em pau preto e outros adereços típicos, acabaram com os meticais que restavam.

Padrinho Baltazar Matos Parti com uma grande vontade de conhecer a Soraia e toda a envolvente familiar e social. De acordo com o programa que estava estipulado a visita à povoação da Soraia não seria das primeiras, pelo que antes tive oportunidade de conhecer outras povoações. Iniciámos a nossa digressão pelo Infantário de Nampula onde tive oportunidade de conhecer os miúdos que na sua maioria eram orfãos e tinham sido encontrados na rua, estive com a Belinha ao colo, uma miúda linda com 2 anos de idade, que é portadora de HIV/Sida. A Belinha adormeceu no meu colo. Ela precisa de tantas coisas, eu diria de todas as coisas e também de um colo. No mesmo infantário existia um menino sem pernas que fez uma dança para nós. É também um miúdo com falta de tudo e também das pernas. Falamos nós de desigualdade, quando não colocamos uma rampa de acesso a deficientes num mundo cheio de tudo. Este miúdo, o que menos falta lhe faz, é a rampa... Cada criança naquele infantário tinha uma história de vida muito triste, provavelmente o caso deste menino e da Belinha não serão os mais tristes. Mas estas crianças eram privilegiadas, porque tinham saído da rua e naquele infantário tinham quem lhes desse comida e carinho.




Cada dia, cada experiência, eu partilhava com a minha família, por forma a que tivessem oportunidade de sentir todas as vivências com o máximo de cumplicidade e intensidade. Tenho duas fillhas, com 8 e 12 anos, que de uma forma quase direta foram sentindo todos os dias, todas as emoções, as nostalgias e amarguras, que eu ia vivendo. Foram as histórias que nos fizeram chorar. Todos ganhámos com esta visita principalmente as minhas filhas, porque perceberam que existem dois mundos com realidades completamente diferentes: o mundo delas, cheio de tudo, e o mundo de todas estas crianças, cheio de nada. Finalmente, depois de várias peripécias, pude encontrar-me com a minha afilhada Soraia. Sim, a Soraia existe! Quando dizemos a algumas pessoas, que somos padrinhos de uma criança em Moçambique através da Helpo, estas pessoas acham que o dinheiro não chega ao destino e que isto tudo são lobis bem montados. Eu e a minha esposa temos a certeza de que não é verdade, porque temos tido, ao longo destes anos, várias evidências de que a nossa ajuda chega à Soraia. Mas as nossas pequenotas têm dúvidas, porque ouvem o mesmo tipo de comentários. Afinal, a Soraia existe, as escolas existem e a Helpo está a fazer um trabalho enorme junto das povoações. É uma organização de muito trabalho e, acima de tudo, de muito sentimento. Os nossos afilhados têm rosto e coração, mas quem trata deles também. Acreditem: a nossa ajuda faz a diferença!

Os parceiros da Helpo Pastorelas/Marrere/Netia/Alua /Infantário Além das comunidades rurais onde a Helpo intervém, também os nossos parceiros tiveram o prazer de receber a visita dos padrinhos e mostrar o seu (nosso) trabalho! Os meninos do Infantário vestiram-se com pompa e circunstância como fazem com todas as visitas que recebem, cantaram, fizeram a demonstração de capoeira e de ginástica acrobática e fizeram novos amigos. Os Missionários de S. João Baptista, no Marrere, Nampula, convidaram o grupo para um maravilhoso almoço, depois da visita ao trabalho feito em parceria, a Biblioteca Helpo, o Pavilhão de Serralharia e a Escolinha do Marrere. Na missão de Netia – Natete, o Padre António Gasolina recebeu-nos ao pequeno almoço e deixou toda a gente com sorriso nos lábios com a sua alegria contagiante e capacidade de trabalho. Em Alua, a meio caminho entre Nampula e Pemba, o Padre Mateus mostrou a Bi-

blioteca Helpo e a moderna igreja. As Irmãs Pastorelas apresentaram o Centro de Comunicação Tiago Alberione, financiado pela Helpo e todo o trabalho de

atividades extracurriculares e distribuição de lanche, que animam a alma e barriga de centenas de crianças, todas as tardes.

Madrinha Maria Duarte Esta foi a 1ª viagem em grupo de padrinhos, organizada pela Helpo. Daí revestir-se de especial importância, pelo exemplo futuro que constitui. Pediram-nos a nós, padrinhos, que prestássemos o nosso testemunho. Nada mais fácil e difícil ao mesmo tempo. Fácil, porque retenho uma memória muito vívida dos acontecimentos, sendo, no entanto, difícil expressar por palavras o turbilhão de tudo o que observei, vivi e senti. O momento alto foi, sem dúvida, o encontro com a minha afilhada Bia, que tem agora doze anos. Ela, que tantas vezes me pedira para a visitar, mostrou-se muito tímida e inibida, quase não acreditando que a madrinha de facto existia, que se preocupa-


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VIAGEM PADRINHOS

va com o seu futuro e viera de tão longe para a ver! Espero que se sinta agora mais motivada para continuar os seus estudos! Força, Bia! Foram duas semanas muito intensas, a visitar comunidades do norte de Moçambique, as suas escolas e bibliotecas, distribuindo lanches e material escolar às crianças. As conversas com professores e animadores foram muito esclarecedoras. Mal imaginava eu, que um professor pudesse fazer diariamente doze quilómetros a pé, levando três horas para chegar à escola! Só mesmo no terreno conseguimos perceber as enormes dificuldades e carências de bens essenciais, que as populações sofrem no seu dia a dia. É uma realidade à qual não podemos ficar indiferentes, apenas atenuada pelos afetos, pelos gestos, pelas palavras e pelos olhares, particularmente os da miudagem, que nos seguia curiosa para todo o lado. Pude constatar o excelente trabalho que a Helpo tem desenvolvido junto destas comunidades e valorizo agora muito mais o programa de apadrinhamento à distância, o esforço, dedicação e criatividade para levar tudo avante! O meu muito obrigada à Ondina, ao Carlos, ao Tiago, à Sara e à Margarida, que me possibilitaram viver esta experiência humana inesquecível, e também aos companheiros de viagem, gente especial, pelos momentos divertidos, pela solidariedade, pelas conversas ora sérias, ora animadas. Porque as histórias partilhadas têm outro sabor… Realmente, tudo e todos contribuíram para me fazer esquecer as dificuldades, desafiando-me a continuar a lutar pelos sorrisos de Moçambique!

Madrinha Débora Moraes Guardo para sempre no coração os sorrisos daquelas crianças, tão radiantes, tão puros, e tão a troco de quase nada! Guardo para sempre no coração a minha querida amiga Atija, uma menina linda, que me acompanhava para todo o lado, que me escrevia bilhetinhos e me oferecia desenhos. Guardo para sempre no coração a timidez com que o Osvaldo, meu afilhado, recebeu pessoalmente as prendinhas que lhe ofereci… Guardo para sempre no coração a alegria com que as crianças recebiam a Helpo, entre gargalhadas e canções de boas-vindas. Guardo para sempre no coração o brilho dos olhares dos colaboradores da Helpo e de todos os padrinhos, em cada atividade em que participámos… Guardo para sempre no coração os abraços que as crianças nos davam, as carícias, a curiosidade de tocar no nosso cabelo liso, nas nossas roupas, de ver as suas fotografias nas nossas máquinas… Guardo para sempre no coração o bombom que me foi oferecido por uma menina… Guardo para sempre no coração a partilha que um grupo de crianças fez da última e desenxabida barrita de cereais que estava perdida na minha mochila… Guardo para sempre no coração o céu estrelado, de perder de vista, e o pôr-do-sol daquela terra tão única que é Moçambique… Dizem-me que voltei diferente de lá… pois claro: voltei com um coração maior! Guardo tudo isto e muito mais no meu coração, mas quero partilhar: quero que todas as crianças que recebo de visitas de escolas no meu trabalho saibam dar valor ao que têm, saibam que há meninos e meninas que têm que estimar o único caderno, a única pasta, o único lápis que têm; há meninos e meninas que só têm uma muda de roupa e chinelos rotos, que têm as árvores e a terra como salas de aula, que têm a barriga vazia… mas o coração cheio! Pode ser que assim se tornem em adolescentes e jovens mais humanos… e que ajudem a tornar este nosso mundo num mundo mais humano, como dita a missão da Helpo.


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PORTUGAL

nova direção. No passado dia 4 de junho, a Assembleia Geral da Helpo foi a votos para eleger uma nova direção, que deverá cumprir o mandato 2013-2016. Tal como o presidente da direção anterior, o padrinho Nuno Tavares, pôde explicar no editorial da revista mundo h nº22, a direção cessante interrompe o mandato por motivos de força maior. Da anterior direção encontramos novamente os padrinhos António Perez Metelo (atual Presidente), Duarte Marques (vice-Presidente) e Cristina Rebelo da Silva (vogal). Os padrinhos Isabel Baleia e Nuno Barquinha, membros novos mas padrinhos “veteranos” preenchem os dois lugares que faltam. De seguida e na primeira pessoa, vamos beber das palavras dos 5 membros que compõem a nova direção da Associaçao Helpo. O que fazem, qual o seu envolvimento com a Helpo e algumas das principais ideias para o caminho agora a percorrer.

Chamo-me António Perez Metelo, tenho 64 anos, sou jornalista de profissão. Sou, há mais de 3 anos, padrinho da Ragina, que vive em Silva Macua, Pemba, Moçambique. Visitá-la foi conhecer de experiência feita a diferença que faz, para os afilhados da Helpo e para as suas comunidades, a existência do apadrinhamento à distância. Aceitei ser Presidente da Direção da Helpo para, nos próximos três anos, reforçar os laços entre padrinhos e afilhados, alargar o conhecimento público da nossa ONGD e fazer chegar às nossas crianças meios acrescidos, que lhes permitam progredir com sucesso nos sistemas de ensino dos seus países. Sei que vão ser anos difíceis, de grande rigor financeiro para a Helpo, mas confio no contributo criativo de todos, que já foram cativados por uma ideia simples e poderosa: a de que estamos unidos, mesmo a milhares de quilómetros de distância, que esse laço faz toda a diferença e é portadora de um amanhã melhor. Eu sou o Duarte Marques, tenho 32 anos e estou ligado à Helpo desde o seu início. Desempenho atualmente as funções de Deputado à Assembleia da República, em representação dos cidadãos do distrito de Santarém. É um enorme privilégio continuar a fazer parte desta família. A oportunidade de escrever estas palavras significa que iniciamos mais um mandato à frente dos destinos da Helpo, a minha outra família que, tal como um filho - experiência que ainda não tenho -, vi nascer, crescer e chegar à adolescência. Hoje, atravessamos um enorme desafio na passagem para a fase adulta, onde os desafios são enormes. A procura da maior eficiência na aplicação dos nossos/vossos recursos no terreno, com o maior valor acrescentado possível para as comunidades em que estamos envolvidos, é um desafio permanente, que nesta altura de crise e de escassos recursos, deve assumir ainda maior relevância. Essa é a nossa maior tarefa: manter o nível de apoio e ajudar cada dia a melhorar a qualidade de vida destas populações, em especial , das suas crianças.


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PORTUGAL

O meu nome é Cristina Rebelo da Silva, tenho 38 anos e sou assistente de bordo. Sou madrinha desde 2008 e voluntária na sede da Helpo desde 2009. A 1ª vez que recebi uma carta do meu afilhado Mundo e a revista Mundo H, percebi que era esta a causa que queria abraçar. O meu envolvimento foi sendo crescente e, à medida que fui percebendo o mecanismo de tudo, fui-me apaixonando cada vez mais pela Helpo. A minha ajuda e contribuição são feitas nos mesmos moldes que me fizeram apaixonar pela Helpo: integridade, dedicação e humildade, e sempre com o objetivo focado nas crianças apadrinhadas e nas comunidades onde se inserem, criando assim condições para um mundo melhor.

Começo por afirmar que é com enorme orgulho e muita satisfação que abraço este desafio, fazer parte da Direcção da Helpo. Sou o Nuno Barquinha, tenho 36 anos e sou bancário de profissão. Tenho o privilégio da Helpo fazer parte da minha vida desde o início e considero-me um sortudo por já ter recebido a cores os sorrisos das nossas crianças aquando da minha visita ao terreno. Sem dúvida o momento mais marcante da minha vida extra familiar. Foi nessa visita que percebi o quanto nós, padrinhos e madrinhas, somos importantes e necessários para melhorar as condições das comunidades onde estão os nossos afilhados, permitindo através da sua educação, certamente um futuro muito mais risonho do que eventualmente lhe estaria destinado. Devido a esta visita passei a ser um padrinho em triplicado, procurei dar a conhecer aos meus filhos, uma outra realidade muito diferente da nossa. Uma realidade que nós, os padrinhos e madrinhas, através da Helpo vamos a pouco e pouco alterando. Estas crianças precisam da Helpo e a Helpo precisa de todos nós.

O meu nome é Isabel, tenho 32 anos e sou fisioterapeuta. Conheço a Helpo desde 2010, altura em que me tornei madrinha. Nesse mesmo ano tive oportunidade de ir a Moçambique conhecer a minha afilhada e vivenciar o trabalho no terreno. Talvez o facto de ter tido a oportunidade de ir ao terreno tão pouco tempo depois do apadrinhamento fez com que me tornasse uma madrinha mais atenta ao percurso da Helpo, daí não ter hesitado quando o convite para integrar a direcção surgiu. É a oportunidade de ser mais do que madrinha, é a oportunidade de, juntamente com os restantes membros da direcção, poder continuar a fazer a diferença para a vida quotidiana das crianças apoiadas por todos nós.


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O Planeta Veki, um planeta dentro de cada um! Cascais, Joana Lopes Clemente

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ontar a história de uma história sem cair na armadilha redonda da repetição, é um desafio ardiloso. E andar à volta sem levantar o véu, sem apresentar protagonistas ou desvendar a trama, e ainda assim conseguir despertar nos leitores a curiosidade suficiente para desejarem conhecer o livro, é um desafio à altura do qual espero estar! Então foi assim: peguei numa caneta e deixei que os pensamentos fluíssem; que deixassem convergir os olhares que absorvo do mundo, ora visto daqui, ora visto dali. O mesmo mundo, tantas interpretações. A caneta, com vida própria, inventava uma zebra aprisionada numa história, enquanto personagem de um livro sobre a fauna africana. Uma zebra cheia de sonhos, de medos, de uma profunda curiosidade acerca do que vê, mas sobretudo acerca do que não vê. Uma zebra na qual, afinal de contas, qualquer um de nós se revê um bocadinho.

Na ombreira da porta entre um mundo e o outro, entre o que se conhece e o desconhecido absoluto, Veki tem uma visão privilegiada do que sente, não vendo apenas o que não conhece. E vive, com honestidade, um universo de dúvida, de insegurança, de incerteza, no qual acaba por mergulhar em pleno para sair desse mergulho muito mais rico! Numa linguagem naïve, Veki vai superando um e outro degrau na longa escada de obstáculos que o desconhecido nos impõe, e o mundo vai-se abrindo aos seus pés, vai-se tornando maior. A história foi concebida para os mais pequenos, como forma de ajudar a pensar um mundo intercultural, interrelacional, inter-tantas-coisas porque, de facto, nenhum homem é uma ilha e tudo se desenrola entre um sujeito e um ou mais elementos externos a ele. Com a convicção profunda de que a predisposição para a compreensão das coisas/do mundo é um passaporte directo para a paz, deixei que o Veki me ensinasse coisas simples, coisas que sabemos, mas que merecem ser revisitadas com tanta frequência quanto as esquecemos. O resultado foi esta história: a história de um planeta inteiro, que começa cá dentro! O objectivo da história é tornar o mundo de quem a lê, maior; enriquecer planetas, encurtar distâncias entre as diferenças e destruir as paredes erguidas entre as pessoas e as oportunidades. Assim, com os fundos recolhidos com o livro, a Helpo espera embelezar também o mundo dos seus mais de 11 000 beneficiários através da manutenção dos seus projectos de assistência às 35 escolas e creches onde trabalha! O nosso mundo é humano, “O Planeta Veki” também, e o seu? O livro “O Planeta Veki”, escrito pela Coordenadora Geral da Helpo e inspirado no confronto entre realidades de países onde a Helpo trabalha, conta com o prefácio do Presidente da Organização, António Perez Metelo. O custo do livro é de 13€ e os lucros arrecadados com a sua venda revertem para a manutenção dos projectos da Helpo no terreno. Para ajudar, pode encomendar o seu livro através da Helpo (info@helpo.pt / 211537687), da Bertrand Online ou da Chiado Editores.


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PORTUGAL

projecto BRINCA no Porto. Porto, Ana Luísa Machado

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o BRINCA - Porto todos os dias tentamos ser um bocadinho inovadores nos conteúdos que apresentamos às seis crianças que nos acompanharam durante este mês de julho. Tivemos momentos culturais divertidíssimos, que fizeram as delícias dos mais novos. Muitos nunca tinham tido experiências semelhantes, o que lhes abriu o apetite à aventura e para a permanência neste projeto da Helpo. Para além das brincadeiras na praia, os meninos tiveram a oportunidade de visitar o Museu Nacional Soares dos Reis e nele perceber como funcionam os museus numa perspetiva geral; as brincadeiras e picnics no Palácio de Cristal também não faltaram, com corridas atrás dos pavões e dos pombos que o habitam; os jogos de futebol, baloiços, escorregas, corridas, gritarias e todas as restantes atividades ao ar livre, que as crianças de hoje tanto precisam e valorizam. A par disto, tiveram workshops de doçaria e de decoração de cup cakes; frequentaram um workshop de estruturas escultóricas, pela Escola Superior de Educação do Porto, no belíssimo Edifício Axa, na primeira avenida da cidade. Fizeram, também, um “assalto” à Casa Adresen e Jardim Botânico. A aventura nas férias grandes irá terminar com um dia repleto de emoções em Barcelos. O Clube dos Amigos da Montanha e o projecto Pedalar com Alma associaram-se à Helpo e acederam a receber os nossos brincalhões, iniciando-os em actividades náuticas como a canoagem e o mergulho. Farão passeios em motas de água, provas de orientação e paint kids. No momento em que escrevo estas linhas, este evento ainda não decorreu, mas não estarei - com certeza - fora da realidade ao dizer que será um enorme sucesso e que no final do dia as crianças irão dizer que BRINCAram à grande e que querem mais!


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a BRINCAR a brincar. Cascais, Joana Ferrari

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RINCA(R) parece fácil. Crescer parece intuitivo, inquestionável, inevitável. Mas seguir a direção correta, fazer as escolhas acertadas e saber distinguir o que é “bom” do que é “mau” requer atenções, carinhos, bases e educações que as crianças deste mundo, do nosso mundo, não encontram de igual forma nas suas casas. De Moçambique a São Tomé, de São Tomé a Portugal, as diferenças e as ausências são questões onde as comparações não têm sequer lugar. Aqui também há falhas e há ausências e há outras dores – que não são menores porque o contexto é outro e não se conhece mais nenhum. São essas as dificuldades com que nos deparamos no BRINCA no Verão: como explicar aos nossos trinta meninos (com idades compreendidas entre os 7 e os 12 anos) que, na sua maioria, passou oito semanas connosco, de segunda a sexta, das 9h às 18h, a comer, a brincar, a gritar, a aprender, a sujar, a amuar, a ser criança!, que nem tudo o que vêem em casa é de repetir e que há coisas, que nunca viram em casa, que deveriam repetir-se no seu dia-a-dia? Como explicar que lavar os dentes não é uma “vaidade”, mas uma necessidade básica (neste nosso contexto)? Como explicar que querer mal ao outro não nos eleva e que as “queixinhas” nada resolvem? Como tratar por igual, meninos e meninas tão heterógenos quanto

os seus encarregados de educação, hábitos, raízes, nacionalidades, feitios e personalidades? É que os dias são mais que preenchidos, as crianças gritam mais alto do que os nossos pensamentos, as queixas correm à velocidade da luz e vêm de todas as partes, os acidentes não param de se suceder e os planos que fazemos para as atividades e para os diversos momentos são sempre mais utópicos do que realistas (ou reais, em último caso). E é nessa correria estonteante, entre falar-lhes à cabeça, ao coração, dar regras e espaço para brincar, que deveríamos ouvi-los mais do que somos capazes. Porque o tempo não estica (e eles esticam-se tanto!), porque o nosso peito encolhe e a nossa garganta arranha cada vez que eles repetem os mesmos erros vezes sem conta. Não é a mais fácil das tarefas. Mas é talvez a mais gratificante, quando vemos as nossas pequenas vitórias nos nossos pequenos traquinas! Já lavam os dentes, já sabem em teoria algumas aprendizagens que, aos poucos, vão pondo em prática: como deixar ir no lugar da frente, na carrinha, outro colega, contra a sua vontade. Os dias também não são fáceis quando se tem 6 ou 12 anos. E é engraçado “voltar lá”, através da convivência com estes pestinhas, para perceber o quão injusta é a vida quando respondemos com um murro e um “a culpa não é minha porque foi ele que começou!!”, porque há regras a mais para cumprir e eu, na minha perspetiva de metro e vinte, não alcanço o seu sentido, de todo – que estes adultos não percebem nada de nada... Foram visitas a museus, como o Museu do Mar, foram idas à praia, prática de desportos como vela e aulas de equitação, foram idas à Polícia, formações de nutrição e trabalhos manuais, “Horas do Conto”, idas ao teatro, entre tantos outros programas diferentes daquilo com que as nossas crianças têm contato regularmente. A diferença que fizemos no seu Verão é garantida. Muito para lá dos dias que passaram nas últimas oito semanas, acreditamos que os participantes no campo de férias cresceram mais além e levam para casa (e para as suas vidas), muito mais do que momentos bem passados: um brilhozinho no olhar e uma vontade de se tornarem cada vez melhores e maiores. E esse, para lá de todos os cansaços ou dificuldades, é o nosso objetivo.


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PORTUGAL

descoberta. Cascais, Joana Lopes Clemente

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Por todos: um conceito simples que assenta na ideia de 1€ poder trazer benefício tanto a quem o doa, como a quem o recebe. Uma equação pensada para disponibilizar bens essenciais, que não têm aplicabilidade nas nossas comunidades, a quem, por cá, tanto deles necessita e poderá ter acesso aos mesmos a preços simbólicos (quase todos os produtos implicam uma doação de 1€), tornando a prática da solidariedade acessível mesmo a quem passa por dificuldades. E claro, em África, as comunidades nas quais trabalhamos, podem beneficiar do apoio que, euro a euro, se angaria e se materializa na actividade regular da Helpo. 1 Por todos: uma ideia que operacionalizámos, a cada 6 meses, numa pequena feira solidária na sede durante o ano de 2012 e primeira metade do ano de 2013. O que também aconteceu, foi o facto deste gesto de solidariedade ter tido um outro retorno. Com a prática desta iniciativa, as portas do Bairro das Fontainhas em Cascais, (bairro no qual a Helpo escolheu situar a sua sede em Fevereiro de 2011), escancararam-se de repente. Os problemas que conhecíamos, multiplicaram-se; as pessoas que os traziam até nós passaram a ter um nome; os seus agregados familiares, passaram a ter um número; e o significado de “bairro desfavorecido” depressa se decompôs em situações

concretas vividas diariamente pelas famílias e foram sendo transmitidas aos nossos técnicos. Trocando por miúdos, a realidade onde pensámos integrar-nos e nos imaginávamos já, em larga medida, mergulhados, engoliu-nos com toda a intensidade da sua complexidade. As pessoas que sobem e descem a rua todos os dias e que durante esta feira solidária entenderam a porta aberta como um convite para entrarem, não apenas na nossa sede, mas nas nossas vidas, levaram-nos a constatar que, afinal, este caminho tem dois sentidos e que um crescimento conjunto só se faz quando as portas se escancaram dos dois lados! A mensagem foi clara, só havia uma coisa a fazer: não voltar a fechar as portas. Literalmente. Procedemos às alterações necessárias e convertemos parte da sede numa loja solidária, conscientes de que a comunidade do bairro já nos ensinou, que o projecto que pensámos ter 3 funcionalidades, afinal tem 4: 1 – Ajudar quem precisa, do lado de cá; 2 – Tornar a prática da solidariedade, acessível a todos, mesmo a quem passa por dificuldades; 3 – Angariar fundos para suportar os custos do envio de bens para o terreno; 4 – Conhecer de facto a realidade que nos circunda!


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MAIS DO QUE PADRINHOS

a minha inspiração. Cascais, Margarida Assunção

A

o longo da nossa vida há seres humanos que nos inspiram. Inspiram o que queremos ser, onde queremos chegar, como escolhemos viver… Algumas destas pessoas são como as modas, -vêm e vão -, outras, as mais importantes, vêm para ficar! Algumas, são figuras mais distantes, heróis de hollywood ou figuras míticas, outras estão mesmo à nossa mão e até se confundem com pessoas comuns. A madrinha Luísa Borges, juntamente com o seu grupo de voluntários, é uma inspiração e entrou na nossa vida para não mais sair! Não estando mesmo aqui à mão - fisicamente dista de nós cerca de 1700km (que é a distância que separa Cascais da Ilha do Faial, nos Açores) – mas todos os dias guardamo-la no coração. A madrinha Luísa Borges sofre de bicho-carpinteiro e não consegue estar parada! O seu exigente grupo de voluntários também não: assim que terminam um desafio, começam de imediato a perguntar à sua líder, qual o próximo projecto! Pela 2ª vez, em fevereiro deste ano tive o enorme privilégio de estar presente nas Sopas do Espírito Santo, na localidade do Norte Pequeno, na Ilha do Faial. Neste evento, conheci e revi gente extraordinária, gente de todas as idades e feitios, mas tudo boa gente! Gente de brilho no olhar, gente sem medo de pôr mãos à obra, gente boa e gente humilde, gente que faz o bem sem olhar a quem. As Sopas deste ano permitiram angariar 3.188,82€, verba direccionada para garantir um ano de

lanche escolar, aos 1800 alunos da Escola Primária de Impire, na província de Cabo Delgado. O projecto seguinte deste grupo exemplar foi angariar fundos para o Dia Internacional da Criança. Nos países onde a Helpo trabalha, as crianças têm pouco espaço e poucas oportunidades para a infância, para ser criança. Deste modo, o dia 1 de junho, Dia Internacional da Criança é dos poucos dias, nos quais se pode e deve ser criança. Assim, veste-se a melhor roupa, há um almoço melhorado para todos, há jogos e brincadeiras. Os voluntários da Helpo no Faial, com 2 jantares de angariação de fundos, conseguiram 1.355,00€, que ajudaram a proporcionar um dia especial a cerca de 800 crianças, na festa do Marrere1, em Nampula, e também ajudaram a custear esse dia especial nas roças onde a Helpo trabalha, em São Tomé e Príncipe.

1 em conjunto com as doações dos padrinhos referidas no artigo da rúbrica Viagem Padrinhos

No passado mês de julho, os voluntários da Helpo no Faial marcaram novamente presença na Feira Regional dos Açores, que este ano se realizou na “casa” da nossa equipa. Com esta Feira, o grupo Helpo da Ilha do Faial conseguiu angariar mais 1.331,50€, que serão direccionados para uma área muito querida à madrinha Luísa Borges: levar água às crianças que não a têm. Assim, os 4 novos reservatórios de água instalados no recinto da Escola Primária de Impire (recentemente cheios de água, com o apoio do Sapo mz), com uma capacidade de 20.000 litros, poderão ser reabastecidos no tempo seco, logo que seja necessário! É por tudo isto e muito mais, que, de cada vez que penso neste grupo de pessoas extraordinárias, liderado por uma senhora fabulosa, me sinto pequenina. Sinto que devo fazer mais e ter um papel mais activo na mudança do nosso mundo. Às vezes, quando penso neste grupo, penso que quando for grande, quero ser assim – como eles.


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THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

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Morada e Redação: Associação Helpo, Rua Catarina Eufémia 167 A, Fontaínhas, 2750-318 Cascais

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Joana Lopes Clemente Margarida Assunção Colaboradores neste número

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Mundoh n23