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mundo h. 22 ABR.MAI.JUN.13

Ano6 0,70€

MOÇAMBIQUE AUMENTO DE JOVENS NO ENSINO SECUNDÁRIO; S.TOMÉ SEGURANÇA ALIMENTAR; PORTUGAL 5º ANIVERSÁRIO HELPO; BALANÇO DO MUNDO A QUALIDADE DA INTERVENÇÃO; ESTÓRIAS CRENÇAS VS DESENVOLVIMENTO; MAIS DO QUE PADRINHOS PARTILHAR O SABER; QUEM HELPA SANTOS & TEIXEIRA LDA CALÇA CRIANÇAS


ÍNDICE 3

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EDITORIAL

a Razão de ser de uma campanha.

sustentabilidade. 16 4

BALANÇO DO NOSSO MUNDO

MOÇAMBIQUE

consolidação.

melhor nutrição para as comunidades 6

o salto para o secundário.

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ESTÓRIAS impire - Desinformação sobre a cólera. 21

S. TOMÉ E PRÍNCIPE

MAIS DO QUE PADRINHOS

uma parceria de sucesso com o PNASE em São Tomé.

o útil e o agradável.

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como tirar um projeto da gaveta e colocar numa estante. 10

PORTUGAL a Helpo está de parabéns. 12

já BRINCAmos no Porto. 13

felizmente à “helpar”.

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QUEM HELPA o que faz falta.


EDITORIAL

SUSTENTABILIDADE. Lisboa, Nuno Tavares

D

irijo-me a todos os padrinhos pela última vez na qualidade de Presidente da Helpo. Depois de quase 6 anos como membro da Direção desta grande Organização (os últimos dois como Presidente), outras obrigações nesta fase da minha vida levam-me a tomar esta decisão. Antes de me despedir, passo a explicar a razão do meu último editorial ter como título “Sustentabilidade”. No contexto atual de elevada exigência económica e social, apenas as organizações sustentáveis conseguirão continuar a crescer e a sobreviver às constantes mudanças no comportamento das pessoas. A nossa capacidade de adaptação/reação a esta nova realidade deverá estar sempre ligada à estratégia que definimos para a Helpo. É fundamental manter a base de padrinhos, que temos atualmente. Depois de oficialmente fechadas as contas de 2012, é importante partilhar convosco as nossas preocupações. A Organização tem hoje duas fontes de rendimento: o investimento que os padrinhos fazem de uma forma periódica e as doações livres/ espontâneas realizadas por empresas ou pessoas. A diferença entre as duas fontes é a sua sustentabilidade. Em 2012, cerca de 82% do rendimento da Organização deveu-se ao investimento em apadrinhamento e 18% do rendimento teve origem em doações espontâneas. Ambas as fontes são importantes, mas é fundamental que o rendimento obtido através do programa de apadrinhamento seja cada vez mais sólido e importante dentro da Helpo. Sendo assim, é importante continuar a trabalhar na ligação emocional entre os nossos padrinhos e os nossos afilhados. Um exemplo disso foi o novo conceito que lançámos em 2013, que permitiu que alguns padrinhos, no mesmo momento e to-

dos juntos, fossem testemunhar o trabalho que a Helpo realiza no terreno. É um exemplo daquilo que vamos continuar a fazer nos próximos anos. São os padrinhos que irão definir a solidez e a robustez desta Organização. Por isso, para nós será fundamental continuar a melhorar de uma forma sistemática a qualidade da nossa intervenção, bem como a comunicar o resultado desse mesmo trabalho. Por outro lado, é fundamental também continuar na constante busca de novas formas de intervenção que fazemos nas comunidades onde atualmente a Helpo está presente. As necessidades dos nossos afilhados são infinitas e por isso mesmo o limite da nossa intervenção também tende a sê-lo. Sabemos que existe uma quantidade enorme de crianças que necessita de ser apoiada no terreno, sendo que a nossa grande preocupação é garantir que as que apoiamos atualmente tenham as bases que irão permitir que cresçam de uma forma sustentada. Todos juntos iremos continuar a ajudar milhares de crianças. A nossa pequena contribuição mensal é um grande apoio para aquelas crianças, que nada têm, além de um grande coração e um grande potencial. Despeço-me, assim, de todos vós. Irei manter-me ligado à Helpo, como Padrinho e, acima de tudo, como promotor da Helpo no meu dia a dia. Acredito neste projeto desde o primeiro dia em que me associei a ele. Sou hoje uma pessoa mais consciente das verdadeiras dificuldades da vida, graças a tudo aquilo que aprendi nesta Organização. Um muito obrigado a todos os padrinhos e --colaboradores da Helpo por tudo o que sempre fizeram e decerto continuarão a fazer em prol desta magnífica causa. Até breve e VIVA A HELPO!


MOÇAMBIQUE

melhor nutrição para as comunidades. Nampula, Ondina Giga

A

forma de atuação da Helpo no terreno é feita em estreita relação com cada comunidade, numa lógica que permite que o investimento na educação extravase os limites físicos das escolas e atinja também os restantes membros da comunidade. Para que isso aconteça de forma fundamentada e consistente é preciso saber exatamente quais as especificidades e fragilidades de cada comunidade. A proximidade Helpo/ comunidade, que sempre existiu, trouxe o conhecimento sobre essas mesmas fragilidades e é esse conhecimento que nos indica que ações são mais imperativas. Torna-se, assim, possível definir estratégias de atuação que vão ao encontro das necessidades, dando mais eficácia à assistência que é prestada. Além dos projetos estruturais, que compreendem, entre outros, as construções

e melhorias nos edifícios escolares, a construção de poços e o investimento nas machambas (hortas), aposta-se também na prestação de assistência contínua através da distribuição de material escolar, alimentação, vestuário e outros bens essenciais. Com a experiência ganha pelo contato com as populações, percebemos que, além destas intervenções, também é necessário apostar na promoção do conhecimento em áreas como a saúde, a higiene e a alimentação. Isto porque o conhecimento existente é totalmente deficitário e não abona a favor da desejada melhoria da qualidade de vida. Infelizmente ainda se verificam casos de desnutrição por falta ou por má utilização dos alimentos que estão disponíveis, tal como se verificam mortes por infeções generalizadas, que podem ser evitadas se as comunidades souberem como lidar com elas. São

situações para as quais existe conhecimento que permite evitá-las e foi esse conhecimento que nos propusemos levar às mamãs, aos papás, aos líderes locais e aos membros das comunidades escolares. Com esse propósito, a Helpo contatou a Universidade Lúrio, universidade pública com polos no Norte de Moçambique, e que conta com o “saber” dos alunos e professores das licenciaturas em Medicina, Medicina Dentária e Nutrição, juntando o conhecimento sobre as comunidades que a Helpo tem vindo a adquirir, ao conhecimento técnico que estes elementos possuem. A Unilúrio aceitou e o trabalho já começou. São ações a desenvolver a longo prazo porque este é um trabalho de continuidade com as populações, que implica a realização de várias visitas. Estas visitas já começaram em comunidades piloto para


serem posteriormente replicadas n-as restantes. As sessões de Nutrição começaram nas EPC’s (escolas primárias completas) de Natchetche, Matibane e Teacane, e nas escolinhas de Ilocone e Mahunha (nesta última abrangeram também a Escola Primária de Mahunha). Para a sua realização, a Helpo conta, desde fevereiro do presente ano, com a presença diária de estagiários do Curso de Nutrição da Unilúrio, que farão na Helpo a componente de Nutrição Comunitária do estágio final antes da graduação. O que já sabemos sobre os hábitos alimentares das populações, diz-nos que a mandioca é uma das substâncias mais consumidas nas comunidades rurais onde a Helpo trabalha, no Norte de Moçambique. Como o seu consumo requer alguns cuidados, começámos por explicar às comunidades como devem processar a mandioca, tendo esse sido o tema principal da primeira visita do Projeto de Nutrição. As comunidades sabem que, por vezes, depois de ingerirem mandioca, têm crises de dor de barriga, náuseas e vómitos. Sabem também que é principalmente a variedade de mandioca amarga, que lhes provoca esse mau estar. Não sabiam era que podiam continuar a comer essa mandioca sem que a mesma causasse efeitos indesejáveis, desde que fosse processada de forma correta. Para isso podem secá-la ou torrá-la, entre outras formas que os finalistas do curso de Nutrição explicaram. Não é a mandioca que os prejudica, o que é bom saber, tendo em conta a pouca oferta alimentar de que dispõem. Afinal,

basta seguir alguns passos entre o colher a mandioca e o comê-la. A primeira sessão serviu também para fazer um diagnóstico sobre as dúvidas da comunidade e quais as questões que mais rapidamente precisam de ser abordadas, o que nos dá indicações preciosas para definirmos o plano da sessão seguinte. Em todas as comunidades, as mamãs pediram ajuda sobre a confeção dos alimentos, especialmente das papinhas que preparam

“com a experiência ganha pelo contato com as populações é necessário apostar em áreas como a saúde, a higiene e a alimentação” para as crianças. É por isso que definimos que na segunda sessão levaremos para a comunidade todos os utensílios necessários e iremos cozinhar em conjunto. A secagem dos alimentos também é essencial e permite que haja disponibilidade alimentar durante um maior período de tempo durante o qual os alimentos, depois de desidratados, resistem muito mais e estão disponíveis até mais tarde sem se estragarem. Basta para isso que a comunidade aprenda a construir um secador

(o que pode ser feito com material local e existente, mesmo nas comunidades mais remotas). As populações não sabem que uma dieta variada é importante, nem sabem que podem combater a sazonalidade dos alimentos com a construção de um simples secador, aumentando o período em que estes ficam disponíveis. Também não sabem que as papas de mandioca são de difícil digestão e que não devem ser dadas para alimentar crianças pequenas. A participação das mães e dos pais das crianças que frequentam as escolas foi grande e o entusiasmo com que contaram o que faziam e pediram ajuda para o que não sabiam, foi ainda maior. As comunidades agradecem estas sessões. Sentaram-se à sombra do cajueiro, comum nos pátios destas escolas e de lá foram lançando as suas dúvidas. Mamãs com mamãs, papás com papás, crianças com crianças. Cada comunidade tem as suas características, mas todas elas têm graves carências de conhecimento, refletidas em carências nutricionais, em dores de barriga, em vómitos e em crianças com a barriga inchada. Mais do que falta de disponibilidade alimentar, é a falta de competências básicas da população, que está na origem das carências que as crianças apresentam. E sabendo a importância que uma boa alimentação tem no rendimento escolar de cada criança, assim como no seu desenvolvimento intelectual, estas são as intervenções complementares, que se tornam essenciais para uma educação com mais qualidade.


MOÇAMBIQUE

o salto para o secundário. Nampula, Sara Sangareau

A

Educação Primária é gratuita e obrigatória em Moçambique, permitindo que todas as crianças em idade escolar possam frequentar a escola e expandir os seus horizontes, que normalmente terminam na machamba familiar, termo utilizado para designar a horta. Por sua vez, o Ensino Secundário não é gratuito, nem obrigatório. Os alunos têm de pagar a propina no início do ano letivo, as regras são mais rígidas e os alunos devem usar uniforme (que apesar de ser obrigatório também no Ensino Primário, em muitas comunidades rurais os alunos não o usam porque a família não tem possibilidades de suportar os custos), devem também comprar livros, que até então eram distribuídos de forma gratuita, e material escolar, 8 cadernos para 10 disciplinas, réguas, máquinas de calcular ou blocos de desenhos.

De acordo com os dados publicados no Plano Estratégico para a Educação, pelo Ministério da Educação de Moçambique, em 2011, havia apenas 561 Escolas Secundárias e 91 Escolas Técnico-Profissionais, frente às 10988 Escolas Primárias. O número muito inferior de Escolas Secundárias obriga os alunos, que têm possibilidade de prosseguir os seus estudos, a percorrer diariamente um longo trajeto para chegar à escola ou mudar de residência para casa de familiares que se situem mais perto da nova escola. Há casos de crianças, que abandonam a sua comunidade rural e vão viver para os aglomerados perto das cidades, onde o número de escolas é maior. Apesar de sabermos que o ensino primário é gratuito e obrigatório, o número de crianças que termina a 7ª classe é muito inferior ao número de crianças que iniciou a 1ª classe. Na realidade, nas comunidades

rurais moçambicanas existem outras prioridades, sendo uma das principais causas de abandono escolar o trabalho na machamba, pois as crianças são fundamentais para garantir o rendimento da terra e o sustento familiar. O casamento e o início da vida sexual, principalmente nas meninas, dá-se muito cedo e obriga-as a substituírem os livros pelas tarefas domésticas. Tendo em conta o contexto, o número de alunos que inicia o Ensino Secundário é muito reduzido. Neste sentido, no ano de 2012, a Helpo prestou o primeiro apoio aos alunos que transitaram para o Secundário, que graças a ele puderam dar continuidade aos estudos. O apoio prestado a cada aluno dependeu das necessidades individuais, mas passou pelo pagamento da propina e/ou a entrega de um novo uniforme e de material escolar, que consistia numa pasta com cadernos, estojo com esferográficas e régua. A Helpo garantiu assim que nenhuma criança apadrinhada deixasse de estudar por falta de condições familiares. No presente ano letivo, a Helpo já prestou apoio no salto para o Secundário a 128 crianças, das quais 67 são rapazes e 61 raparigas, na província de Nampula. Para a Helpo, o aumento no número de apoios vem reforçar a importância do trabalho desenvolvido na melhoria das infraestruturas escolares e na melhoria da qualidade escolar, como motivação para a permanência na escola. Prova disso são os casos de sucesso, onde a intervenção da Helpo mostrou ser primordial para garantir a continuidade nos estudos. Em Napacala, Quito Eusébio terminou a 7ª classe na Escola Completa e este ano


letivo de 2013 iniciaria a 8ª classe na Escola Secundária do Anchilo. O Animador da comunidade comunicou à Helpo que a família da criança não tinha possibilidade de pagar a matrícula, impedindo o menino de continuar os seus estudos (o valor da matrícula para a 8ª classe é de 155 meticais, aproximadamente 4 euros). A Helpo entregou o valor ao animador Gelito para fazer o pagamento da matrícula. No entanto, o Animador informou a Helpo que o Diretor da Escola não aceitou a matrícula, apesar de as inscrições terminarem oficialmente dia 3 de março. Sem justificação para não aceitar a inscrição de Quito Eusébio, Ondina Giga, a Coordenadora do Programa em Nampula, escreveu uma carta dirigida ao Diretor da Escola Secundária solicitando que a criança fosse aceite. O

pedido foi deferido e, depois de receber o uniforme e a pasta entregues pela Helpo, o Quito continua a estudar. Na Ilha de Moçambique, apoiámos 88 alunos que frequentam o Ensino Secundário e Profissional. Pagámos matrículas a 61 crianças apadrinhadas e distribuímos 86 pastas com material escolar. A Ilha de Moçambique é a comunidade apoiada pela Helpo onde há mais crianças apadrinhadas a frequentar o Ensino Secundário e Profissional, sendo que este ano letivo houve 34 alunos que iniciaram a 8ª classe, para além dos 27 que já frequentavam o ensino secundário. É também de mencionar que há 3 raparigas apadrinhadas que estão a frequentar a 12ª classe, com aproveitamento exemplar. A importância da progressão escolar é

incontestável. Moçambique é ainda um país cheio de oportunidades e com uma população pouco qualificada. O aumento do nível de escolaridade vem por isso garantir mais oportunidades para as crianças e possibilidade de alcançar um nível de vida superior ao dos seus pais. Para a Helpo, que acompanha estas crianças desde 2007, o aumento do número de afilhados que progridem nos ciclos escolares é uma vitória, que nos leva a ambicionar que o número de crianças a estudar no Ensino Secundário continue a aumentar, mas também garantir que estes jovens terminem o Ensino Secundário com o apoio da Helpo e tenham mais escolhas e oportunidades no futuro. E que possam contribuir para o desenvolvimento positivo de Moçambique.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

uma parceria de sucesso com o PNASE em São Tomé. São Tomé, Tiago Coucelo

U

ma das missões da Helpo em São Tomé e Príncipe é o combate à falta de segurança nutricional e alimentar, seja através da criação de hortas escolares, seja através de vistorias às cantinas escolares para verificação das condições de confeção das refeições. Com esse intuito, a Helpo associou-se, desde abril de 2012, ao Programa Nacional de Alimentação e Saúde Escolar (PNASE), que promove a melhoria da alimentação dos alunos da rede pública. Como já foi escrito num artigo anterior, este organismo é responsável pela entrega de produtos alimentares oferecidos pelo Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas - PAM (arroz, feijão, sal e óleo), pela formação de profissionais das escolas e pela criação de ementas escolares. O PNASE tem dificuldades várias para a realização plena da sua missão. Sendo assim, esta parceria com a Helpo é proveitosa para os dois lados. A nossa associação aproveita as visitas semanais que faz às comunidades apoiadas e executa um trabalho

de visita e acompanhamento às cantinas. Esta vistoria tem diferentes facetas: verificação das condições de higiene de cantinas e refeitórios, verificação do espaço de armazenamento dos bens alimentares, qualidade e diversidade da comida confecionada, controlo das regras de higiene por parte das cozinheiras e controlo da assiduidade das mesmas. Tudo isto de forma a garantir a segurança alimentar e a respetiva qualidade das refeições. Um aspeto que merece ser referido, são as visitas que fazemos à creche de Santa Catarina. Esta creche, por ser privada, não tem recebido tanta atenção pela Direção de Ensino. No entanto, o seu trabalho é meritório. É a única creche de Santa Catarina e apoia diariamente 115 crianças. Só muito recentemente, com a intervenção da Helpo, começou a receber os produtos alimentares do PAM. Com esta alteração, a cozinha e armazém da creche começaram a ser inspecionadas pelo PNASE de forma a garantir o regular funcionamento das refeições. A Helpo, tal como nas outras creches apoiadas, está agora a auxiliar em todas as remodelações da cozinha, para que todos os espaços utilizados estejam conforme as regras. O objetivo final é o de que a relação com todos os organismos oficiais se torne estável e regular. A ação da Helpo na segurança alimentar e nutricional das escolas tem sido uma prioridade. Neste âmbito, criámos hortas escolares em creches e escolas, fizemos uma parceria com o PNASE, apoiámos a remodelação de cozinhas, cantinas e armazéns de produtos alimentares, demos formação a cantineiras e apoio na elaboração de ementas diversificadas. Tudo isto, com o objetivo de fornecer às crianças uma alimentação saudável e adequada, ou seja, de propiciar as condições necessárias para um melhor desenvolvimento e aprendizagem das crianças santomenses.

“a nossa

associação aprovei-

ta as visitas semanais que faz às comunidades apoiadas e exe-

cuta este trabalho de acompanhamento às cantinas”


como tirar um projeto da gaveta e colocar numa estante. São Tomé, Elisabete Catarino

E

ste artigo fala de um projeto que começou há algum tempo. Vamos então situar-nos: em março de 2012, a Helpo iniciou a sua intervenção nas áreas da nutrição e da alimentação em São Tomé e Príncipe. O nosso primeiro passo foi identificar toda a obra bibliográfica disponível e, mais importante ainda, tudo aquilo que nesta área já foi feito e reportado especificamente para estas condições. Mas a dificuldade em obter informação não demorou. Falamos de um país que não forma nutricionistas e que apenas dispõe de um instituto com formações técnicas na área da saúde - Instituto de Ciências de Saúde Dr. Victor Sá Machado – com relevância para a formação em enfermagem, mas com pouca ênfase nos temas da alimentação e nutrição humanas. Este mesmo país tem uma rede de acesso à internet muito débil e a pouca informação em formato não digital está dispersa por todos os institutos e organizações, que trabalham no terreno. Para nosso usufruto, fizemos uma recolha de material que, aliada a todo o material que tínhamos trazido de Portugal, nos permitiu começar a trabalhar com os devidos suportes bibliográficos. Entretanto, pusemos de pé o projeto de acompanhamento nutricional materno-infantil, o projeto das hortas escolares e ainda encetámos uma parceria com o Programa Nacional de Alimentação e Saúde Escolar (PNASE). Em novembro de 2012, já com o projeto de nutrição da Helpo a funcionar em pleno e sendo a partilha um dos nossos pilares de atuação, tirámos da gaveta a ideia de estabelecer um espaço físico, que reúna uma vasta bibliografia com informação útil e de qualidade sobre o tema. Um espaço-estante-biblioteca, aberto a quem, no terreno, tiver necessidade, interesse ou curiosidade em consultar. Para acrescentar ao material até aqui recolhido, enviámos e-mails a editoras e livrarias a pedir apoio. As respostas não tardaram e, aos poucos, estão a chegar ao nosso escritório vários manuais técnicos sobre saúde, alimentação e nutrição humanas, tecnologia alimentar e segurança e qualidade alimentar. A livraria técnica “Bisturi” sem dúvida que garantiu a motivação necessária para

o arranque deste projeto, tendo sido a primeira a oferecer os mais variados títulos. O Centro Cultural Português, na cidade de São Tomé, está disponível para acolher esta estante entre as da sua biblioteca, pelo que estão reunidas as condições para concretizar mais uma ideia que vem reforçar a atuação da Helpo no país. Sendo a segurança alimentar um dos maiores problemas desta população e sendo este um país que reúne apenas 7 nutricionistas em funções, consideramos este projeto como o mais importante para a divulgação de informação e melhoria da qualidade dos serviços nesta área por parte de estudantes, técnicos de saúde, técnicos da indústria alimentar, técnicos agrícolas e funcionários de organizações, que aqui trabalham. Esta é uma estante, que pretende crescer com o tempo e com a visibilidade. A todos os que já contribuíram com manuais, o nosso sincero obrigado! A todos os que ainda queiram contribuir, estamos de estantes abertas, basta enviarem ou entregarem os vossos livros ou outros materiais didáticos sobre saúde e alimentação nos escritórios da Helpo, em Cascais ou no Porto!




PORTUGAL

a Helpo está de parabéns. Almada, Natacha Silva

A

Helpo está de Parabéns, não apenas pelos seus cinco anos de existência mas sobretudo pelos cinco anos de energia, solidariedade, desafios, união, respeito... e tantas outras coisas BOAS que poderíamos mencionar! De facto a “solidariedade é contagiosa” e é de louvar a forma como “esta equipa fantástica” nos influencia! Aquilo a que assistimos no dia 15 de fevereiro, na festa do 5º aniversário da Helpo, foi o espelho do que menciono atrás... colaboradores, voluntários, padrinhos, madrinhas, amigos e amigas cheios de vontade de participar e criar aquele ambiente... que resultou numa sala cheia de brilho, preenchida por 343 ilustres convidados! Parafraseando kafka, “A Solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. A mega produção deste evento, contou sobretudo com a boa vontade de uma série de pessoas que se juntaram a nós e disponibilizaram os seus talentos para dar brilho a uma noite tão especial... Sérgio Varela (responsável pela imagem do evento), Pedro Fernandes e David Antunes (apresentador e músico), Paulo Ben-

to (padrinho e Selecionador Nacional), José Teixeira e Catarina Gonçalves (fotógrafos do evento), Miguel Duarte e Leonel Duarte (responsáveis da tenda Panorâmica do Cristo Rei) , Nuno Ramos (fotógrafo da campanha dos embaixadores), Nuno Albuquerque e saxofonista (músicos), Nuno Paiva e Pedro Faria (patrocinadores AMG Car e BMW Portugal), Faty (oferta de um voucher de cabeleireiro), Filipe Gonçalves, Denisa Figueira e Marques Lima (músicos), Maria Pereira de Carvalho (autora do bolo de aniversário) e a todos os que participaram nesta festa o nosso GIGANTE OBRIGADO pela disponibilidade, de facto, juntos “alcançamos a realização dos nossos propósitos”! Após alguns dias de preparação e divulgação, o pontapé de saída foi dado às 20h30 do dia 15 de fevereiro: a Equipa Helpo e um bocadinho de cada um de nós estávamos preparados para receber os 343 magníficos! Com um “nervoso miudinho” inicial, fomos recebendo os convidados na tenda panorâmica do Cristo Rei, num espaço vestido de branco e com a bonita exposição que demonstra um pouco daquilo que é o trabalho desta instituição, transportando-nos até terras africanas, afeto, alegria, coragem,




esperança e conhecimento. Com todo o rigor, mas também com uma bagagem cheia de emoção. Acolhidos os 343 magníficos, passámos à sala de festa, abençoados pelo Cristo Rei fomos presenteados com o fogo de artificio antes do inicio da refeição, num céu cheio de cor sobre o Rio Tejo a perder de vista! Padrinhos, madrinhas, amigos e amigas, ficaram distribuídos por mesas identificadas pelos nomes das comunidades onde a intervenção da Helpo é uma realidade. Num jantar deliciosamente servido, foi-nos permitido partilhar as nossas aventuras “HELPIANAS” com padrinhos e quiçá futuros padrinhos! De seguida, o nosso embaixador e apresentador Pedro Fernandes, acompanhado pelo músico David Antunes, protagonizou um momento descontraído e cheio de graça, num formato idêntico ao programa “Cinco para e meia noite”. Houve um pouco de tudo: música, muita gargalhada, histórias e aventuras de padrinhos que foram conhecer os seus afilhados, o encontro do nosso Selecionador Nacional com a Helpo, como tudo começou relatado pela equipa Helpo, representada pela Joana Clemente e pelo Nuno Tavares, enfim conversas descontraidamente dirigidas pelo

Pedro Fernandes e David Antunes e que nos permitiu uma maior aproximação à realidade Helpo. Foi ainda leiloada a camisola autografada pelo capitão da nossa seleção, Cristiano Ronaldo, valor que reverteu a favor das causas HELPO... esta é uma realidade que deveria ser de todos, “Faça o que puder, com o que tem, onde estiver”. (Rosevelt) Enfim, um evento mágico onde não poderia faltar o tradicional bolo de aniversário, revestido de beleza, cor e açúcar, num momento em que todos nos juntámos para cantar os parabéns à HELPO, que é de todos nós! Para terminar em beleza, a equipa de músicos Filipe Gonçalves, Denisa Figueira e Marques Lima deram lugar a muita emoção num momento musical para sempre recordar... e, para espanto de todos, o apresentador Pedro Fernandes juntou-se a esta equipa e mostrou os seus dotes vocais, presenteando este seu valor à nossa querida e dedicada Sofia Nobre que nos deixou temporariamente para partir na aventura “volta ao mundo em 365 dias”. Resta-nos agora, continuar a dar o nosso contributo e pedir aos “deuses e ao mundo” que a HELPO se mantenha por muitos e solidários anos!




PORTUGAL

já BRINCAmos no Porto. Porto, Ana Luísa Machado

P

ara além de todo o apoio que a Helpo presta às crianças em Moçambique e em S. Tomé e Príncipe, surgiu a necessidade, agora mais do que nunca, de dirigirmos a nossa intervenção para crianças portuguesas que, neste momento, também são alvo da nossa atenção. Através do BRINCA (Bairro Reunido Inicia Novo Caminho de Aprendizagem), a Helpo começou a apoiar as crianças do bairro onde a sede se situa – as Fontainhas em Cascais. O projeto teve uma excelente aceitação por parte da comunidade pelo que decidimos alarga-lo ao período de férias escolares e a tempo inteiro. No Porto, tendo por base a parceria já existente com o Centro Social da Paróquia de Miragaia, uma das freguesias mais pobres do município, decidimos replicar o projeto BRINCA. Iniciámos com 5 crianças, com idades entre os 5 e os 9 anos e, neste momento, volvidas apenas 3 semanas do lançamento, já contamos com 9 crianças inscritas e a caminhar rumo a uma melhor aprendizagem. As crianças que frequentam o projeto residem, maioritariamente, na freguesia de Miragaia e proveem de famílias com parcos recursos, muitas delas monoparentais e com vários filhos menores a cargo. Cada família contribui com cinco euros mensais por criança a titulo de responsabilização. O BRINCA funciona três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas feiras, entre as 17H30 e as 19H30. As crianças lan-

cham logo que chegam ao Centro Social e de seguida fazem os seus trabalhos de casa, tiram as dúvidas connosco e no final desenvolvem atividades lúdicas. Temos já algumas crianças que se destacam pela positiva, mostrando que quando se tem vontade, por muito difícil que a vida seja ou nos possa parecer, há esperança que se reflete em cada linha do caderno que se vai preenchendo ou em cada equação matemática que se vai resolvendo. É uma alegria ouvir das crianças perguntar “Podemos voltar amanhã?” ou então “Quanto tempo falta para a próxima aula?” - é um sinal que a exigência nem sempre é sinónimo de tédio. A replicação deste projeto está a dar a conhecer a Helpo enquanto parceira no caminho da educação como forma de alcance do sucesso e da melhoria das condições de vida das crianças que nos propomos ajudar. Helpamos onde se mostra necessária a nossa intervenção, seja em Africa, no Brasil ou em Portugal. Helpamos onde há crianças vulneráveis, independentemente da sua nacionalidade, raça ou religião, mas sempre com os olhos postos no futuro dos nossos destinatários. Hoje invoco os nomes da Carolina, do Dinis, do Pedro, do Tomás, do Henrique, do Vinícius, do Nuno, do António, e do Vitor, como os pioneiros no BRINCA – Porto, com desejos que, também eles, sejam os rostos de sucesso das crianças que nos deram o prazer de BRINCA”r” com eles.

À semelhança do que foi feito nas férias de Verão e nas férias de Natal 2012, realizámos o BRINCA na Páscoa, em Cascais, durante uma semana. Entre as diversas actividades realizadas nesse período, tivemos a generosa oferta do Museu do Brinquedo, de Sintra, que proporcionou uma tarde diferente aos 12 participantes no Programa, cedendo as entradas e presenteando-os ainda, no final da visita, com um brinde – um boneco da Playmobil. Ao Museu do Brinquedo, o nosso muito obrigado!




felizmente há “helpar”. Cascais, Joana Ferrari

F

elizmente, além dos que “helpam” como padrinhos, como amigos e como colaboradores, há sempre quem queira “helpar” – que é o que (mais) nos vale nos dias de hoje. Depois de vários telefonemas da Dra. Margarida Ruas, a grande impulsionadora deste evento, e da boa vontade do guitarrista clássico Silvestre Fonseca – o protagonista, que deu um pedaço do seu dia de anos, bem como dos lucros das vendas do seu último CD, à Helpo, aconteceu uma noite de Fados e Mornas, na sala principal da Sociedade de Geografia. Com seiscentos e cinquenta convidados presentes, houve um cocktail de recepção, ouviu-se falar da Helpo e passou-se uma

noite acolhedora ao som da guitarra clássica, e de temas tão nostálgicos quanto familiares de todo o público, como a “Saudade”, que numa só voz acompanhou o guitarrista. Na noite do seu aniversário, Silvestre não só deu espaço à Helpo como conseguiu juntar 420 euros pela venda dos CDs. Para terminar a noite, o guitarrista e a Helpo – representada pelo membro da Direcção António Perez Metelo, assinaram o protocolo no qual foram dados à Associação os direitos sobre parte das vendas do referido CD. Obrigada pela ideia, pela noite e pelos resultados – que serão convertidos em mais sorrisos, assegurados pela continua concretização dos projectos da Helpo em São Tomé e Moçambique.




PORTUGAL

a Razão de ser de uma campanha. Nampula, Joana Lopes Clemente

À

nossa volta a realidade muda. Transforma-se. Tem vida própria, um bicho que se converte em monstro e é um processo que nos foge de controlo e nos deixa sem chão. Observamos, estarrecidos, e esperamos que seja o humor deste bicho-monstro a ditar os nossos passos. Caminhamos no labirinto dos trilhos que mais parecem palmeados por alguém que não nós. É ela, a realidade feita num bicho-monstro. A nossa realidade. Mas não deixa de ser isso mesmo: a NOSSA realidade, sem alternativas ou subterfúgios. O palco em que nos movemos, no qual tem lugar a nossa vida. Agora, sem lugar a ensaios gerais ou segundo ato. Então afigura-se-nos uma escolha: lutar uma batalha diária com o bicho-monstro; abrir caminhos. Cultivar algures uma força determinada, que possamos colocar ao serviço dos nos-

sos sonhos e percorrer a árdua estrada que conduz à sua concretização. Tomar parte ativa no desenho da nossa própria vida. Com os ajustes a que isso obrigue, certo. Jogando um jogo constante de reorganização de prioridades e negociação connosco próprios, também isso é certo! Assim, a nossa batalha, o nosso ajustamento de expectativas às possibilidades que esta nova realidade oferece. O nosso mantra e inspiração, encerrados numa campanha que nos define e nos guia: “Não deixo que os meus problemas encolham o meu mundo (até que ele fique só do meu tamanho)”. Uma campanha de insistência na ideia de que a nossa realidade muda, transforma-se diante dos nossos olhos, mas o mundo permanece exatamente do mesmo tamanho e nós permanecemos inevitavelmente parte deste mundo. Apesar das nossas limitações, da nossa necessidade de reajustamento a uma rea-




lidade que se nos revela adversa, permanecemos infinitamente mais poderosos na transformação do nosso próprio mundo e do mundo de outros, do que eles mesmos, desprovidos de instrumentos, de recursos e de conhecimentos que lhes permitam alterar a sua duríssima realidade. Fechar os olhos a esta inevitabilidade, exercer uma força centrífuga sobre as nossas próprias preocupações e fechar a porta à dimensão esmagadora do resto do mundo, não fará certamente com que os nossos problemas se tornem mais pequenos e fará seguramente com que o resto do mundo, o mundo além de nós, se torne muito mais pobre. E assim nasce a ideia desta ferramenta. Após um ano (2012) em que a Helpo perdeu 649 padrinhos, a vontade de não deixar de proteger as crianças que habitam nas comunidades que apoiamos, fala mais alto. A solução que concebemos para que esta proteção não deixe de ser possível, é oferecer a todos a possibilidade transformar a realidade de muitos: apenas com 1€, qualquer um de nós pode participar na construção de um projeto, que não podemos deixar de sustentar (4 sistemas de captação de águas

pluviais implementados nas escolas primárias e a distribuição de lanche escolar em 3 escolas primárias completas onde atuamos). Desta forma, desejamos que qualquer pessoa, independentemente da dimensão do reajustamento que se veja forçada a fazer, possa contribuir para um mundo maior, possa escolher ter um papel ativo na construção de qualquer coisa de grandioso, um mundo do tamanho de todas as pessoas juntas! Para concretizar esta ideia, convidamos cada um dos nossos padrinhos e madrinhas a converter-se num canal de comunicação para tantos outros e de aumentar assim o nosso impacto positivo na vida de quem nada tem. A receita é simples: dispormos de um valor a partir de 1€, dirigirmo-nos a uma caixa Multibanco, selecionar a opção transferências, seguir a opção Transferências Ser Solidário, e dentro da lista de organizações disponíveis, selecionar a Associação Helpo. É nosso direito sentirmo-nos orgulhosos pelas escolhas solidárias que fazemos. E é nossa obrigação dar continuidade a este sentimento de dever cumprido, a este estar à altura do nosso poder transformador do mundo!

“para concretizar

esta ideia, convidamos cada um dos nossos

padrinhos e madrinhas a converter-se num canal de

comunicação”

Outra forma de participar nesta iniciativa é adquirindo a t-shirt ou um dos top da campanha: não deixo que os meus problemas encolham o meu mundo até que ele fique só do meu tamanho. Para tal, basta contactar a Helpo através do e-mail info@helpo.pt ou através do telefone 211 537 687. A t-shirt e os top podem ser adquiridos pelo valor de 10€ + 2,80€ (portes de envio). Faça a sua transferência para o NIB:0010 0000 3483 3480 0032 8 (Banco BPI, em nome de Escola Chigamane) e envie-nos o comprovativo via e-mail, indicando o modelo e o artigo que pretende receber.


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BALANÇO DO NOSSO MUNDO

consolidação. Nampula, Joana Lopes Clemente

A

lguns cientistas sociais defendem que uma Organização se comporta como um organismo vivo. Totalmente influenciada por tudo o que a compõe internamente, e por tudo aquilo que exerce algum tipo de atuação sobre ela no meio que a envolve. Cresce, transforma-se, converte-se gradualmente em versões melhoradas de si própria e aspira a um futuro no qual a idade adulta lhe traga a experiência suficiente para evitar cometer erros, arrepiar caminho no cumprimento dos seus objetivos e apreciar os feitos já conquistados, numa balança com o prato-do-que-está-por-fazer a perder peso na proporção inversa ao passar do tempo. A Helpo cresce, de ano para ano. 5 Anos passados, desde que teve início a sua intervenção direta no terreno, cresce em qualidade de intervenção, em proximidade com os padrinhos e em intensidade de presença junto das comunidades. Mas como todo o organismo vivo que cresce, esse crescimento não é imune a obstáculos, a recuos e a readaptações. O ano de 2012 na Helpo ficou marcado por dois aspetos que afetaram o seu desenvolvimento: o grande esforço de manutenção de padrinhos, numa conjuntura de profunda crise económica, que pudesse permitir o cumprimento dos compromissos assumidos em todos os locais onde decorre a intervenção; e o reforço dessa mesma intervenção em atividades de acompanhamento, que garantissem o aumento da presença, em qualidade, junto de cada uma das comunidades beneficiárias. (Crescemos, deparamo-nos com obstáculos, respiramos fundo e arregaçamos


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as mangas). O ano terminou com 3991 padrinhos ativos, um recuo que não é alheio ao contexto em que vivemos. Ao longo do ano, registou-se um forte número de desistências por parte de padrinhos (659) e de crianças (180), perfazendo um total de 839, ao qual subtraímos o número de novas adesões ao programa de apadrinhamento, que se situou nas 629, verificando-se assim um saldo de perdas efetivas de 210 padrinhos. (Respiramos fundo novamente, observamos a realidade e sentimo-nos parte integrante da mesma, estremecemos, mas não podemos deixar-nos engolir por um contexto desconcertante, já que lá longe, o desconcerto é uma coisa desde sempre, uma coisa que perdura no tempo e não tem hora definida para acabar. Procuramos aprender com o que nos rodeia, procuramos agir em conformidade com aquilo que aprendemos). A conjuntura de crise internacional e a consolidação da presença da Helpo no bairro onde está sedeada, obrigou a

um crescimento da intervenção ao nível nacional, adjuvada por uma conjuntura de maior necessidade local e alavancada pela instalação da representação da Helpo no Porto, onde esta já apoiava

“a conjuntura de crise internacional (...) obrigou a um crescimento da intervenção ao nível nacional, adjuvada por uma conjuntura de maior necessidade local” projetos, nomeadamente na freguesia de Miragaia. O Projeto BRINCA desdobra-se agora em dois pontos distantes, que se tocam nos objetivos, no espírito e esperamos que também nos resultados.

Este projeto abrange 20 crianças regularmente, uma intervenção tímida, mas sólida, onde os passos são dados à nossa medida, onde os sonhos que reservamos para ela não têm tamanho. Fora de portas, na lonjura onde os nossos afilhados aguardam com expectativa e esperança a chegada constante do nosso apoio, demos continuidade à estratégia de edificação de projetos estruturais, seja ao nível da construção, seja ao nível da reabilitação de estruturas (escolares, pré-escolares e sanitárias), continuando a procurar dar um abrigo às horas em que se aprende, e em que se confere alguma prioridade à saúde. Prosseguimos com a assistência ao nível do material escolar e do equipamento de estruturas escolares; da criação e equipamento de bibliotecas e minibibliotecas; da alimentação das crianças das creches e escolas apoiadas; da assistência na área dos primeiros socorros; da formação comunitária e escolar em temáticas relevantes; da formação de animadores e monitores das escolas e


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BALANÇO DO NOSSO MUNDO

creches onde trabalhamos; e da assistência a famílias em situações extraordinárias. Tudo, na tentativa de cumprir este objetivo que é ganhar a corrida com o quotidiano difícil destas crianças, e não apenas trazê-las, mas mantê-las na escola, durante o máximo de tempo possível. É de realçar que, ao nível da assistência extraordinária, a Helpo tem vindo a aumentar a sua intervenção, prestando auxílio, cada vez mais, em casos de grande especificidade de necessidades, o que só é possível devido à progressiva aproximação dos beneficiários concretizando um aumento da qualidade da presença, relação de confiança e consequentemente, do apoio prestado. Falecimento de familiares, gravidezes precoces e continuidade de progressão escolar após interrupção, ultrapassagem de dificuldades na matrícula em ciclos escolares mais avançados, acesso a cui-

dados médicos especializados nomeadamente das áreas dos primeiros socorros, psiquiatria e oftalmologia e apoio em

massa à continuidade nos ciclos escolares na progressão para a escola secundária, são alguns dos exemplos em que a Helpo reforçou o seu apoio através da prestação de assistência. O objetivo é convertermo-nos, tanto quanto possível, num canal de facilitação da resolução dos problemas, que afetam a vida destas crianças, sempre que isso esteja ao nosso alcance. A diferença entre ler e não ler, por exemplo, pode estar nuns óculos que, apesar de gratuitos, estão a 200 kms, pelo que estão também a 200 meticais de distância (5€). Esse tipo de apoio, tão simples para nós, mas tão inacessível para quem dele precisa, tem uma resolução que está perfeitamente ao nosso alcance, e tem um resultado sem medida! Além da distribuição das refeições diárias nas creches apoiadas, deu-se


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continuidade à distribuição do lanche escolar nas escolas primárias completas de Mahera e Impire, em Cabo Delgado. Apostou-se fortemente na formação comunitária, tendo sido celebrado, para o efeito, um protocolo com a Unilúrio da cidade de Nampula, que além da concessão de alunos finalistas nos cursos da área da saúde para formações pontuais, passou a disponibilizar a presença de estagiários, que integram durante dois meses cada um, as equipas de intervenção em Nampula, fortalecendo a formação em hábitos saudáveis, comportamentos preventivos, nutrição, conservação e segurança alimentar. A celebração de protocolos com instituições de ensino especializadas e a contratação de uma especialista na área da nutrição, com experiência prévia em

projetos de nutrição em Países Menos Avançados, bem como na área pedagógica, permitiram-nos dar um grande salto de qualidade na intervenção, no ano de 2012, a partir de São Tomé e com repercussões em Moçambique. Um salto, que se enquadra num apoio não apenas ligado ao conhecimento e à aprendizagem, mas também ligado à própria sobrevivência, uma responsabilidade da qual não podemos demitir-nos. Afinal de contas, este trabalho não pode definir-se exclusivamente como tal; é uma batalha diária de luta pelas oportunidades mais básicas: a vida, a infância, a consciência de direitos, e o conhecimento básico, que permita a estas crianças serem um pouco mais donas do seu caminho e das suas escolhas, que as da geração anterior!

Atividades em concreto: os números de referência Ainda que a conjuntura do ano se tenha afigurado difícil, tal como o refletiu o número de desistências de padrinhos afetos ao Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distancia (PACD), na Organização viveu-se um ano de consolidação, especial atenção ao detalhe e à qualidade na intervenção e diversificação na recolha de fundos, o que nos permitiu um acréscimo resultante da atividade de recolha de fundos, que se situou nos 746.964,04€ destinados à implementação de projetos de Desenvolvimento em Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Portugal. O resultado líquido do exercício foi positivo, com 13.458,74€. Na área operacional, o total de custos relacionados com a atividade foi de 514.766,33€, sendo que a intervenção em Nampula absorveu 252.787,76€, em Cabo Delgado 143.065,42€ e em São Tomé e Príncipe, 111.604,39€. Dos valores referidos, um total de 347.238,02€ diz respeito a custos materiais relacionados com a atividade de assistência e projetos de desenvolvimento. Os custos de estrutura necessária à divulgação, gestão e administração dos programas de recolha de fundos, PACD, comunicação e controlo financeiro, bem como os custos da intervenção de apoio iniciada em Portugal em projetos de apoio social (50.269,63€), ascenderam a 181.362,34€, dedicados ao BackOffice de toda a atividade, na sede e representação da Organização, em Cascais e no Porto, respetivamente, em Portugal, representando 24% do total de fundos recolhidos. Assim, desta percentagem, 6% é dedicado a projetos de intervenção nacional.


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ESTÓRIAS

impire - Desinformação sobre a cólera. Pemba, Carlos Almeida

Q

uando a Helpo começou a trabalhar na comunidade de Impire, Distrito de Pemba – Metuge, Província de Cabo Delgado, houve uma questão, que marcou o início da relação pela positiva: a chegada do novo Diretor, Ismael Biché, que conseguiu imprimir uma dinâmica até aí impossível de alcançar. Com a chegada da Helpo, a proatividade do novo Diretor foi amplificada e o trabalho nesta escola atingiu patamares de excelência, tendo inclusivamente adquirido destaque a nível nacional. Foi o caso da Diretiva Presidencial “Um aluno, uma planta”, que o Diretor levou muito a sério, tendo revolucionado o espaço escolar, com a preciosa ajuda da Helpo para transporte de árvores de fruto e sombra, que agora preenchem toda a área. No início deste ano letivo, a aposta do Diretor era de conseguir combater os baixos níveis de assiduidade escolar. Com um total de 1819 alunos matriculados, a Escola Primária de Impire e os seus 31 Professores tinham o desafio de fazer com que estes alunos não faltassem à escola. No entanto, o início do ano letivo foi marcado por um problema, que ainda afeta todo Moçambique, sobretudo a região Norte. Um surto de cólera, que ceifou a vida a 5 alunos nos primeiros dias de aulas. Além do problema da cólera, aparece um outro agregado a este, que é o problema da desinformação sobre o tema. É normal que haja suspeitas de feitiços à volta deste tema e a suspeita de que a cólera pode ser “entornada” no seio das comunidades. Este ano, houve mesmo um caso de tentativa de linchamento de um líder comunitário na Comunidade de Murrebué, muito perto de Pemba, porque a comunidade se convenceu que ele era o responsável pela cólera que estava a causar as mortes. Na comunidade de Impire, os contornos foram diferentes. A aldeia de Impire foi fundada em 1973. Tem cerca de 8000 habitantes e começou a ter um grande crescimento após o final da guerra civil. Não é uma comunidade com história, com identidade própria. O Diretor afirma muitas vezes que a comunidade não é fácil de trabalhar devido ao facto de a maioria ser formado por “vientes” – pessoas que vieram de fora, e que não partilham um espírito comum. Uma vez que as 5 crianças, que perderam a vida, eram todas alunas da escola e nenhum professor teve problemas com a doença, começou a correr o boato na aldeia que os professores estavam a trazer a cólera da cidade e que estavam a “entornar” nas salas. Este problema surge porque, muitas vezes, os professores, que chegam da cidade, não são bem recebidos na aldeia. O facto de terem mais

poder económico, um nível de vida e conhecimento superior, faz com que muitas vezes os professores sejam personae non gratae no seio da aldeia. Este boato teve resultados devastadores para o funcionamento da escola, uma vez que passaram a ir cerca de 100 alunos às aulas. Os pais proibiram as crianças de se deslocarem à escola. Após a informação ter chegado à Helpo, foi organizada uma palestra com a presença do Diretor dos Serviços Distritais de Educação, para fornecer informação fidedigna sobre esta questão. O resultado foi visível nos dias seguintes, uma vez que as crianças compareceram em massa às aulas e o problema parecia ultrapassado. No entanto, o Diretor não se deu por satisfeito e marcou uma reunião com o Conselho Escolar para tentar que todos os alunos estivessem presentes todos os dias. A estratégia encontrada foi colocar membros do Conselho Escolar em todas as saídas da aldeia para impedir que os pais levassem as crianças para o cultivo das machambas, um dos grandes males que afeta toda a população escolar de Moçambique. O trabalho da Helpo tem sido sempre o de elucidar os encarregados de educação para a importância da escola. Num sítio, onde a palavra futuro não tem a mesma distância que conhecemos, pois termina quando o sol se põe e a barriga reclama, fazer perceber que ir às aulas todos os dias tem uma importância gigantesca, é uma tarefa árdua. Tal como combater monstros, cuja origem se desconhece. Nesta luta, como em tantas outras, o mais difícil não é fazer chegar as novas ideias, mas sim fazer com que as pessoas se libertem das crenças antigas. Isso apenas se consegue através da educação.




MAIS DO QUE PADRINHOS

o útil e o agradável.

N

uma altura em que a Helpo fortalece a sua atuação na área da saúde em São Tomé e Príncipe, a madrinha e enfermeira Luísa Maciel propôs oferecer uma semana de colaboração no terreno. Juntou o útil ao agradável e partilhou os seus conhecimentos na mesma semana em que veio conhecer o seu afilhado. Sendo a geriatria a sua área de especialização e sendo a Santa Casa da Misericórdia de São Tomé e Príncipe nossa parceira desde 2012, unimos vontades e a madrinha preparou uma formação para todos os técnicos do lar geriátrico Dom Simoa Godinho, no centro da cidade de São Tomé. Formação que, mais tarde, também foi prestada aos técnicos de saúde do distrito de Cantagalo, com os quais a Helpo trabalha diariamente. Quando é que a Luísa conheceu a Helpo e o que a motivou a apadrinhar uma criança? Conheci a Helpo através de uma reportagem televisiva sobre o seu programa de apadrinhamento de crianças à distância. Ajudar a criança a crescer, ao promover o desenvolvimento do seu meio é, sem dúvida alguma, a melhor forma de conseguirmos crianças saudáveis, integradas, estimuladas e com bons níveis de aprendizagem. Por isso, identifiquei-me imediatamente com este tipo de ajuda humanitária, e a minha decisão foi muito impulsiva, mas não menos refletida: procurei informações mais precisas e completas no site da Helpo e através do seu contacto telefónico, e fiz “as minhas continhas” para ter a certeza de que poderia assumir o compromisso. O que a motivou a propor à Helpo esta colaboração em São Tomé e Príncipe e a dedicar o seu período de férias a partilhar conhecimentos na sua área de formação? A minha estadia em São Tomé era de 8 dias e eu sabia que a visita ao meu afilhado duraria apenas uma tarde. Tinha, portanto, mais 7 dias e uma ilha pequena para visitar. Então, por

que não partilhar o meu tempo? Sou enfermeira num serviço de geriatria e os cuidados de saúde ao idoso são praticamente inexistentes aqui. Por isso, esta formação fazia e fez todo o sentido. E o facto de ter preparado esta formação, não me impediu de aproveitar a ilha, muito pelo contrário! Só tornou a minha experiência ainda mais enriquecedora! Qual é a análise que faz às duas formações que deu no terreno? Por um lado, os técnicos do lar não têm qualquer formação, mas têm experiência. Por outro, os profissionais de saúde têm alguma formação, mas não a praticam, pois raros são os idosos que os procuram. Talvez por isso, os formandos foram numerosos, atentos, curiosos e interventivos, o que contribuiu para o sucesso destas duas formações. Penso que há várias lacunas, que foram preenchidas e o feedback foi muito positivo. Quer destacar algum momento especial desta semana? Como não poderia deixar de ser – a visita ao meu afilhado! Mas não menos especial foi a observação do trabalho da equipa da Helpo no terreno, nomeadamente ao nível das escolas e das consultas materno-infantis. Um trabalho, que exige muito esforço, dedicação e perseverança! Gostava de deixar alguma mensagem a outros padrinhos da nossa Associação? Se tiverem oportunidade, visitem os vossos afilhados e tentem compreender o contexto em que eles vivem e o trabalho que está a ser desenvolvido pela Helpo. E se o fizerem, podem sempre, como eu, dedicar um pouco do vosso tempo a partilhar o vosso saber! Pessoalmente, esta experiência fez com que eu valorizasse muito mais a importância deste programa de apadrinhamento e o respeito pelo trabalho que está a ser desenvolvido no terreno. Não deixem de contribuir e divulguem as atividades da Helpo!




QUEM HELPA

o que faz falta. Cascais, Joana Ferrari

Apesar da crise, apesar das desistências por parte de padrinhos, que já não têm a mesma disponibilidade financeira, apesar das dificuldades que, de uma forma ou de outra, todos sentimos diariamente, temos também outro tipo de apoios – a solidariedade crescente verificada nos donativos e doações livres – que não nos deixam desistir ou parar de acreditar que vamos sempre fazer a diferença nas comunidades onde atuamos. Felizmente, neste número da mundo h, temos vários agradecimentos a fazer, porque temos muitos amigos a helpar, com a mesma esperança de estarem a fazer a diferença. E fazem.

Ao Centro Comunitário de Torres Vedras, que nos encheu o armazém de caixas, do chão ao teto – muito obrigada pelo esforço da recolha dos mais diversos bens – que vão de roupa, a brinquedos e material para bebé, entre tantos outros. À Santos e Teixeira lda, obrigada pela doação de inúmeros pares de sapatos, em especial a doação de chinelos e sapatos abertos, que farão toda a diferença no dia a dia e nos pés dos meninos e meninas – apadrinhados ou não! – a quem os faremos chegar no envio do próximo contentor! À Bisturi, já referida no artigo da nossa colaboradora e nutricionista em São Tomé, Elisabete Catarino, obrigada pela preciosa oferta dos livros para a estante sobre o tema da nutrição. É uma área de extrema importância em São Tomé, ainda pouco entendida e pouco explorada. É contra esta desinformação e, mais do que tudo, contra a subnutrição, que a Elisabete trabalha diariamente e foi nesse sentido que surgiu a ideia de criar esta estante que, sem apoios

como este, não seria possível. À empresa BACELAR & Irmão, Lda o nosso muito obrigada pela generosa doação de balanças de chão mecânicas, escalas de parede e escalas de circunferência, no valor de 532,84€. Esta é mais uma ajuda da maior importância para o desenvolvimento do projecto Materno-Infantil em São Tomé. Ainda com resultados diretos para os projetos a decorrer em São Tomé: obrigada ao Miguel Carneiro, na sequência

do pedido da Helpo lançado no Facebook para doar leite em pó para bebés nº 1 e nº2. Também a padrinhos especiais, como o João, a Teresa e a Silvana, que têm vindo a acrescentar latas ao “stock” para o próximo envio. O leite em pó é tão caro e inacessível, quanto necessário, em São Tomé, para que os bebés cresçam saudáveis e se tornem crianças fortes. A quem helpou e a quem quer helpar, o nosso muito obrigada!


THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

FICHA TÉCNICA

Entidade Proprietária e Editor

Associação Helpo Morada e Redação: Associação Helpo, Rua Catarina Eufémia 167 A, Fontaínhas, 2750-318 Cascais Diretor Responsável

António Perez Metelo Diretora Editorial

Joana Lopes Clemente Nº de registo no ICS: 124771 Tiragem: 4500 exemplares

Correspondente em África

Carlos Almeida Design

Codex - Design e Relações Públicas Informações: Associação Helpo

Tel.: 211537687 info@helpo.pt www.helpo.pt A responsabilidade dos artigos é dos seus autores.

Periodicidade:

Trimestral NIF: 507136845 Depósito Legal: 232622/05 Impressão

ORGAL, Rua do Godim, 272 4300-236 Porto Redação Portuguesa

Sofia Nobre (secretária de redação) Joana Lopes Clemente Margarida Assunção Colaboradores neste número

Ana Luísa Machado Carlos Almeida Elisabete Catarino Joana Ferrari Joana Lopes Clemente Luísa Maciel Natacha Silva Nuno Tavares Ondina Giga Sara Sangareau Tiago Coucelo

A redação responsabiliza-se pelos artigos sem assinatura. Para a reprodução dos artigos da revista mundo h, integral ou em parte, contactar a redação através de: info@helpo.pt.


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Mundoh n22  
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