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mundo h. 24 OUT.NOV.DEZ.13

Ano6 0,70€

MOÇAMBIQUE A MAGIA DAS HISTÓRIAS; S.TOMÉ ALARGAMENTO DO PANMI; MUNDO H CORRIDA SOLIDÁRIA UNE 6 CIDADES DO MUNDO; PORTUGAL O BRINCA A CRESCER; ESTÓRIAS APOIOS DE MOÇAMBIQUE PARA MOÇAMBIQUE; QUEM HELPA DONATIVO PERMITE 2º CONTENTOR EM 2013; IMAIS VISITE A HELPO NA NATALIS;


ÍNDICE 3

EDITORIAL estar onde é preciso. 4

MOÇAMBIQUE

18

ESTÓRIAS visita aos afilhados. 19

os braços da helpo.

o carro das histórias 21 6

QUEM HELPA

a cor que o Marrere ganhou.

mais um gesto de 20 pés! 22

8

S. TOMÉ E PRÍNCIPE

IMAIS

PANMI sobre rodas.

a helpo foi ao green fest. noite de fados no faial.

10

comer melhor, aprender melhor.

12

MUNDO H balanço - 3ª corrida solidária internacional.

17

PORTUGAL a “BRINCAr” cada vez mais!

a helpo vai à natalis.


EDITORIAL

ESTAR ONDE É PRECISO. Caxias, António Perez Metelo

V

ivemos dias difíceis. Esta revista surge numa fase particularmente agitada e perigosa da vida política em Moçambique. Inúmeros padrinhos já manifestaram a sua preocupação, procurando saber mais sobre o que se vai desenrolando no terreno. Embora o epicentro dos incidentes armados se situe na província de Sofala – a sul da implantação da Helpo -, as notícias obrigam-nos a estarmos atentos a futuros desenvolvimentos e a desejarmos que o povo moçambicano, na pluralidade das suas opções políticas, consiga manter a paz, o bem mais precioso, conquistado em 1992. É dela que os nossos queridos afilhados tanto precisam. Mas, também em São Tomé e Príncipe, nos confrontamos com uma situação adversa. O Programa Alimentar Mundial (PAM), desde os anos 80, garantia uma refeição quente nos dias de aula nas escolas do país. Alegando falta de verbas, começou a fechar esse programa, em setembro último, em vários distritos. Essa falta constitui um retrocesso alimentar muito importante para as crianças mais carenciadas do país. É, também, por isso, que nesta revista se dá muita importância

à comida. Promover o bom nutricionismo, vigiar as condições de crescimento de bebés e sua adequada alimentação, investir em melhores instalações escolares para confecionar e tomar as refeições escolares – tudo isto são condição necessária para que as crianças, apoiadas pela nossa associação, possam ter condições para progredir na sua educação. A comida, sim! Infelizmente, ainda falta garantir o essencial a muitas crianças de África. Não há, não pode haver condições para aprender seja o que for, com o estômago vazio a roncar de fome. A Helpo não tem dimensão para resolver o problema levantado pela retirada do PAM em São Tomé e Príncipe. Mas estamos lá, para alertar consciências e motivar soluções, envolvendo sempre as comunidades diretamente afetadas. E, por estar próxima a quadra do Natal, um apelo às madrinhas e padrinhos da Helpo: nem só de pão vivem os nossos afilhados; uma palavra de carinho, nesta época de troca de mensagens, é um incentivo precioso para que os afilhados, lá tão longe, se animem com os sinais de que não estão esquecidos. Estamos a milhares de quilómetros de distância, mas trazemo-los cá dentro, nos nossos corações.


MOÇAMBIQUE

o carro das histórias. Ilha de Moçambique, Sara Sangareau

E

m junho de 2013, a Helpo pôs uma biblioteca sobre rodas e criou o projeto piloto “Carro das Histórias”, uma carrinha mágica de promoção da leitura que se desloca às escolas das comunidades rurais carregada de livros e outros materiais lúdico-pedagógicos, para espalhar a magia com novas atividades e construir uma nova Escola, onde os alunos sejam mais assíduos e alcancem o sucesso escolar. O Carro das Histórias é um projeto pioneiro que nasce da necessidade de cobrir carências educativas nas escolas onde a Helpo intervém, reforçando o trabalho dos professores, e levando livros e materiais onde estes não existem, para promover a leitura e a criatividade dos alunos que crescem em ambientes monótonos, onde os estímulos são poucos e o futuro curto. Nesta primeira fase, o Carro das Histórias arrancou com as turmas da 5ª à 7ª classe das Escolas Primárias Completas de Makassa e Napacala, na Província de Nampula, beneficiando 305 alunos. As escolas são visitadas quatro vezes por mês pela carrinha mágica, que leva os materiais necessários para teletransportar os alunos para um mundo novo. O Carro das Histórias é uma carrinha Toyota Condor azul, velhota e com mais quilómetros do que os 195 mil marcados há mais de um ano no conta-quilómetros avariado. Mesmo assim, parece uma nave espacial na chegada às escolas. Dentro das caixas verdes transportadas no porta-bagagens, há surpresas e os alunos já o sabem, por isso sentam-se ordeiramente

no chão ou nas secretárias, com os olhos bem abertos, pacientes e atentos. As primeiras atividades realizaram-se à volta de uma história africana, “Sama, o Elefante Branco”, com vocabulário simples para que os alunos se familiarizem também com a língua portuguesa, já que muitos deles não a dominam. Depois entregámos lápis de cor e os alunos compenetrados e felizes coloriram as folhas brancas, ilustrando a história que ouviram. Uma vez que já conheciam bem a história e as personagens, trabalhámos a imaginação e foi-lhes pedido que dessem continuidade à história do “Sama, o Elefante Branco”. Nesta atividade, observámos graves problemas de criatividade. Os alunos não estão habituados a dar azo à imaginação. Mas nem tudo estava perdido e depois de acompanharmos os diferentes grupos, surgiram histórias muito boas, que foram contadas à turma através da representação com fantoches feitos pelos mesmos. Estas atividades foram sempre bem recebidas e todos os alunos quiseram desempenhar o que lhes era pedido da melhor maneira, tentando superar as suas dificuldades. Mas o grande dia chegou quando nas caixas verdes estavam guardados livros infantis mágicos. Livros nunca antes vistos! Num, ao virar de cada página, apareciam insetos em 3 dimensões, noutro as personagens eram ímanes e podiam saltar de cenário em cenário. Livros com folhas transparentes ou com objetos escondidos que deviam ser encontrados atrás de uma cortina de papel. Num outro livro, ao desdobrar as folhas, cresciam animais

gigantes. A cada novo livro mais risos de felicidade, mais gritinhos de surpresa. O dia acabou com sorrisos escancarados na cara de todos, alunos, professores e equipa da Helpo. Duas semanas depois, o Carro das Histórias chegou mais uma vez às escolas, carregado de livros infantis, que foram distribuídos pelos alunos, de acordo com a classe que frequentam. Os livros foram devorados! Aqueles que ainda não conseguiam ler olhavam atentamente os desenhos e liam as letras que conheciam. Depois sentaram-se junto dos colegas que liam em voz alta para todos ouvirem. No segundo dia, mais crianças de dedo esticado a fazer um esforço por juntar as


letras e ler a palavra escrita. Mais alunos a entenderem e recontarem a história do livro que leram. No final do dia e depois de saberem que no último dia de aulas a Helpo irá distribuir um livro a cada um, a felicidade foi geral e todos anseiam por esse momento. Um dos alunos da 7ª classe da Escola Primária de Napacala, um senhor na casa dos 50, chamou-me à parte e pediu que nessa altura cada aluno lesse a primeira página do livro que recebeu para praticarem, porque normalmente não têm oportunidade de ler em voz alta. Esse dia está para breve e assim será. As atividades do Carro das Histórias para 2013 fecharam com dois pequenos teatros, “A Lebre e a Tartaruga” e “Os Três Porquinhos e o Lobo Mau”. Apesar do nervoso miudinho sentido pelas crianças por estarem em frente da turma ou da escola disfarçadas, o teatro foi um sucesso. Muitos dos alunos não sabiam o que era

um teatro e nunca tinham assistido a um. Ainda assim, souberam assumir as personagens e representá-las da melhor maneira. Os aplausos dos assistentes foram a prova disso. O Ano Letivo de 2013 está a chegar ao fim com muitos objetivos cumpridos. Mais crianças a lerem e felizes por participar nas novas atividades. Meninas com menos vergonha de falarem em frente da turma e a participarem ativamente nas atividades. Crianças mais exigentes com as atividades e ansiosas por aprender. Professores e Diretores das Escolas satisfeitos com o programa do Carro das Histórias e com vontade de promoverem mais atividades. É impossível uma pessoa não se sentir orgulhosa do trabalho realizado quando a Professora Maria da Escola Primária Completa de Makassa comenta que, nos dias da nossa visita, pergunta aos alunos se sabem que dia é e estes respondem alegremente que é dia de Carro das Histórias.

Ou ouvir o Professor e Animador da Helpo Gelito, da Escola Primária Completa de Napacala, depois dos alunos representarem o teatro para a escola, dizer que no próximo ano deveríamos constituir o primeiro grupo de teatro da escola para representar nos dias festivos para a comunidade. Afinal, é para estas pequenas grandes conquistas que trabalhamos! Para o ano de 2014, ansiamos reunir as condições para expandir as atividades a outras escolas da Província de Nampula e de Cabo Delgado, com mais Carros das Histórias, com mais Bibliotecas Escolares, com mais educação e crianças felizes por estar na escola!

FICHA TÉCNICA: Projeto piloto- Biblioteca Itinerante para a promoção da leitura; Zona de ação - Makassa e Napacala, província de Nampula; N.º de beneficiários - 305 alunos da 5ª à 7ª Classe; Data de inauguração - 5 de junho de 2013.


MOÇAMBIQUE

a cor que o marrere ganhou. Nampula, Ondina Giga

O

termo Ludoteca não é muito utilizado nos meios onde a Helpo trabalha. É um conceito novo para crianças, professores e até mesmo para os responsáveis governamentais da área da Educação. Uma Ludoteca implica a existência de materias raramente vistos por estes lados. Aqui, nas escolas a cor que predomina é o castanho da terra onde assentam os edifícios, também eles feitos de terra. Dentro das salas, não há mais cor do que aquela que existe nas roupas das crianças. Paredes coloridas, materiais coloridos, desenhos, livros, jogos, brinquedos. Conceitos muito poucas vezes materializados nestas paragens. No Marrere, comunidade rural próxima da cidade de Nampula, esta realidade tem vindo a mudar. Primeiro, foi a construção e apetrechamento da escolinha (equivalente ao jardim de infância em Portugal), que há alguns anos lá funciona com o apoio da Helpo. O edifício é composto por duas salas, e agora foi a vez de apetrechar a segunda sala, dando-lhe cor e transformando-a na Ludoteca do Marrere. As paredes foram pintadas de fresco, fundo branco com contraste de cores fortes para estimular a criatividade e tornar o espaço

mais agradável. As várias cores, branca, amarela, azul, vermelha, laranja, foram oferecidas pelo amigo André, da empresa Orera Lda., que ainda disponibilizou dois trabalhadores para ajudar na pintura. E contámos, ainda, com a ajuda dos seguintes amigos: O Mitesh, sul africano em viagem pelo Mundo, ocupou grande parte dos dias que passou em Nampula com a preparação dos materiais e do espaço. O Elísio, animador da Helpo na comunidade do Marrere, onde reside, e agora responsável pelas atividades da Ludoteca, empenhou-se totalmente neste novo projeto, deixando transparecer permanentemente o orgulho com que o fazia. A Verónica, voluntária da Helpo durante seis meses, terminou o seu período em Nampula com a cerimónia oficial de inauguração, que decorreu apenas 2 dias antes de viajar de regresso a Portugal. Foi uma corrida contra o tempo, mas foi mais do que isso, foi a recompensa por ela merecida devido ao excelente trabalho de preparação de materiais, formação do animador e arranjo do espaço. Em pouco mais de um mês de funcionamento, apenas consegui-


mos ver as reações momentâneas das crianças. Os efeitos a longo prazo ficam obrigatoriamente para depois. Estamos certos de que serão muitos e positivos. Quando perguntamos aos meninos e meninas que frequentam o espaço, porque é que se deslocam até lá em vez de “sentarem em casa” (expressão local utilizada quando uma pessoa fica em casa sem ocupação, sem trabalhar no caso dos adultos, e sem estudar no caso das crianças), as respostas são curtas, mas elucidativas: “é bom”, “para aprender e estudar”, “para ler”, “porque gostamos” e até porque “em casa sentava no chão e aqui há cadeira”. Seja para ler, para jogar às damas, para fazer desenhos e pintar, para brincar com a bola saltitona ou com o jogo de futebol, seja para fazer contas de matemática ou ouvir uma história, as crianças vão à Ludoteca por iniciativa própria. Chegam mais cedo e mostram preguiça para ir embora. Estes são meninos que, apesar de frequentarem a 3.ª classe da Escola Primária, nos respondem que 10 menos 1 é igual a 11. Mas como também são meninos que se entusiasmam a fazer um qualquer jogo de matemática, fazendo-o atentamente e em silêncio, sabemos que são meninos com vontade e capacidade para aprender, desde que recebam os estímulos certos. São estes estímulos que pretendemos fornecer através da criação da Ludoteca, disponibilizando assim o espaço, os materiais e os recursos humanos necessários, tudo a cores, para que o futuro deles seja Amais do que castanho, a cor da terra…

FICHA TÉCNICA: Projeto - Inauguração de uma Ludoteca na comunidade de Marrere; Zona de Ação - Marrere, provincia de Nampula; N.º de Beneficiários - 500 crianças; Custo do projeto - 30.000 meticais (cerca de 760,00€), sem incluir o valor do material lúdico e didáctico disponível em armazém; Data de inauguração: 31 de agosto de 2013.


SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

PANMI sobre rodas. São Tomé, Elisabete Catarino

E

m setembro deste ano, a Helpo, com a comparticipação da Câmara Municipal de Cascais, adquiriu uma viatura para colocar ao dispor do PANMI (Programa de Acompanhamento Nutricional Maternoinfantil) da Helpo e assim reforçar a:

e nas viagens entre os postos de saúde tem facilitado o aumento do número de consultas por dia em cada posto, assim como o acompanhamento quase constante de internamentos por malnutrição no Centro de Saúde do Distrito, em Água Izé.

Eficiência

Proximidade

O PANMI é um programa que tem crescido à medida das possibilidades. Mas como as necessidades têm sido muitas, a eficiência na gestão do tempo dos nossos recursos humanos tem sido em muito melhorada com a aquisição deste veículo. O PANMI tem uma estrutura pequena e uma abrangência cada vez maior. A compra e o transporte dos alimentos (leite em pó, feijão e arroz) tornaram-se mais fáceis de gerir. A independência nos horários

É a palavra de ordem do PANMI. Proximidade das comunidades. Proximidade entre os dias de consulta. Proximidade com as mães e filhos. Proximidade a qualquer hora dos casos mais emergentes. Sabemos o quão complicado pode ser para uma mãe, que vive na roça, descer quilómetros a pé para vir à consulta de nutrição, por isso deslocamo-nos nós até às comunidades. A nossa proximidade está, portanto, dependente da nossa mobilidade.


Mobilidade Aos dois dias semanais em que participamos na equipa móvel de saúde organizada pela Delegação de Saúde do Distrito, a aquisição de uma viatura permitiu-nos acrescentar mais um dia, passando a três. Nestes três dias, percorremos as várias comunidades, antigas roças do distrito de Cantagalo, para consultar as crianças malnutridas já inscritas no PANMI e para pesar e medir as restantes crianças, de forma a sinalizar novos casos. São agora três dias que melhoraram o nosso trabalho a nível da frequência das consultas e da abrangência às comunidades mais isoladas.

Frequência e Abrangência

Claudino Faro não tinham oportunidade de frequentar a consulta quinzenal no centro de saúde, pelo que a reabilitação nutricional ficava comprometida. Desde a aquisição da viatura e graças aos esforços da Delegação de Saúde do Distrito em nos garantir um motorista experiente e um enfermeiro, atualmente fazemos as visitas quinzenais a esta comunidade.

“nestes três Resultados dias, percorremos Este reforço na proximidade, na mobilidade, na frequência das visitas e na abranas várias gência a todas as comunidades isoladas, leva-nos a melhores resultados. Neste mocomunidades mento, estamos a acompanhar 83 crianças malnutridas no PANMI. para consultar Estas têm sido sinalizadas entre as cerca de três mil crianças (até aos 5 anos) do distrito. as crianças Com este veículo, e com a chegada de mais uma nutricionista voluntária para reforçar malnutridas” os recursos humanos da Helpo no terreno,

Os 119 km2 do distrito de Cantagalo são percorridos nas estradas em muito mau estado que interligam as diferentes comunidades. A mais complicada e longa de todas, leva-nos até Claudino Faro. O seu isolamento dita o estado nutricional das crianças, que a maior parte dos dias apenas têm acesso ao que se produz na localidade. Ao contrário das mães das outras roças, as mães de

o número de crianças apoiadas pelo PANMI poderá chegar até às 150. Por tudo isto, um grande obrigado à Câmara Municipal de Cascais e a todos os padrinhos que empenhadamente continuam a apoiar este programa!

FICHA TÉCNICA: Projeto - viatura para o PANMI; Zona de ação - distrito de Cantagalo; Nº beneficiários - 6253 (crianças < 5 anos ,+ cuidadores + mulheres grávidas); Custo do projeto - 12000,00€, dos quais 8500,00€ financiados pela CMC; Data da compra - 8 de agosto de 2013.




SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

comer melhor, aprender melhor. São Tomé, Tiago Coucelo

N

o passado dia 27 de setembro foi inaugurada a obra executada na Escola Primária de Monte Café. Tudo começou com uma visita conjunta da coordenadora do PNASE (Programa Nacional de Alimentação e Saúde Escolar) e da Helpo para inspecionar a cozinha e armazém alimentar da escola. Após o final da inspeção, mencionei à coordenadora que um dos grandes problemas da escola era a ausência de um refeitório para as crianças. Até esse dia, todas as crianças comiam na rua, num refeitório improvisado, constituído por mesas e banco corridos. Em dias de chuva, eram obrigadas a comer de pé nos corredores ou, quando possível, nas salas de aula. Sendo assim, tomámos uma decisão conjunta. Transformar a sala de professores num refeitório condigno. Mas esta decisão acarretava problemas sérios. Onde iriam trabalhar os professores? E já que o refeitório iria ser construído, porque não uma intervenção também na cozinha, em estado deplorável? Tudo isto foi tomado em conta, orçamentos foram pedidos, contas foram feitas e, após conversas com a Coordenação Executiva em Portugal, decidimos avançar para a primeira obra de envergadura em São Tomé e Príncipe. Como pensado, iria nascer um novo refeitório. A grande alteração foi o plano de remodelar todo um bloco de 4 salas localizado nas traseiras da escola. Aí iríamos transformar por completo todas as salas, criando uma sala do diretor, uma sala de professores e um abrigo para a lenha. A cozinha, também localizada neste espaço, iria ser requalificada integralmente. Tal como em todas as nossas iniciativas, começámos por pedir permissão ao Mi-

nistério da Educação e Direção do Ensino Básico. Após resposta positiva, avançámos para reuniões com os encarregados de educação das crianças. É ponto assente, que qualquer obra promovida pela Hel-

po tem de ter a envolvência comunitária. Sendo assim, ficou acordado o apoio em mão de obra e alimentação para os trabalhadores. Como a obra tinha uma componente técnica muito específica,




FICHA TÉCNICA: Projeto - Criação de refeitório e reabilitação de cozinha, sala de professores e diretor; Zona de ação - Escola Primária de Monte Café, distrito de Mé-Zochi; N.º de beneficiários - 295 alunos + 9 professores + diretor e diretor adjunto + 5 cantineiras; Custo do projeto - 1 347,79 euros – 33 020 745,00 dobras; Data de inauguração - 27 de setembro de 2013.

contactámos uma equipa de engenharia das Forças Armadas santomenses, que foi de um apoio inexcedível. A primeira fase da obra consistiu na remodelação da antiga sala de professores e respetiva transformação em refeitório. Iniciámo-la pela troca de vários contraplacados do teto, que se encontravam danificados, avançámos para a reabilitação das janelas e redes mosquiteiras e terminámos na pintura total da sala, incluindo a pintura de motivos infantis e alimentares, desenhados por um pintor local. Concluímos com a reabilitação de mesas e bancos para equipar o refeitório. A segunda fase da obra foi a mais complicada e demorada. Foi aqui que a ajuda da equipa de militares se revelou fundamental. O bloco de salas objeto de intervenção estava em condições difíceis de descrever. As paredes interiores das 4 salas estavam pretas, de tantos anos de uso de fogueiras a lenha na cozinha. Apesar de a cozinha ocupar apenas uma sala, o fumo passou para todas as outras, tornando a sua utilização inadequada. Passando a parte técnica da obra, após análise de como poderíamos resolver o problema do fumo e respetiva ventilação da cozinha, decidimos levantar o telhado, de maneira a tornar toda a sala mais aberta e iluminada com luz natural. Para atingir este objectivo, subimos a estrutura cerca de 80 cm e colocámos janelas de rede. Foi um trabalho difícil de executar pois o bloco estava em muito más condições. A Helpo ofereceu todo o material necessário: areia, brita, cimento, bloco, ferro, barrotes e chapas para o telhado. A comunidade apoiou na mão de obra, transportando diariamente o entulho para o exte-

rior do recinto e oferecendo comida aos trabalhadores. Foi uma empreitada difícil, pois tivemos de levantar o telhado da sala, mas sem deixar de respeitar as condições de segurança necessárias. Na cozinha, construímos uma bancada coberta de azulejos para uma confeção dos alimentos mais higiénica, reabilitámos todas as paredes, alargámos e remodelámos a chaminé e construímos uma estrutura para um fogão ecológico. Também a nível de carpintaria arranjámos todos os aros, portas e substituímos fechaduras. Todo o bloco de salas foi pintado de cor creme e rodapés a castanho. Mas antes tivemos de “picar” todas as paredes, pois o fumo já estava entranhado, tornando todo o processo mais moroso e complicado. Foram criadas 2 salas extra: para o diretor e adjunto e para os professores. Para as equipar, foram oferecidas secretárias e cadeiras. Em conclusão, a escola ganhou novas valências indispensáveis a uma melhor prossecução dos seus objetivos. As crianças

dispõem agora de um espaço próprio para as suas refeições, onde podem todas estar sentadas e abrigadas e onde as condições de higiene estão garantidas. As cantineiras podem agora trabalhar numa cozinha sem fumo, com iluminação e com condições adequadas para uma confeção de alimentos mais apropriada e higiénica. Os professores e diretor podem agora reunir-se em salas próprias, com condições ideais para uma melhor preparação dos conteúdos a ministrar nas suas aulas. Também a comunidade ficou a ganhar, pois as suas crianças têm agora melhores condições de estudo. Esta obra, ao contrário do que se possa pensar, não foi só no âmbito da alimentação e das refeições escolares. Foi também a nível educacional. Uma alimentação saudável e adequada propicia as condições necessárias para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Sendo assim, ao remodelar o refeitório e cozinha contribuímos também para uma efetiva melhoria da aprendizagem das crianças da Escola Primária de Monte Café.


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MUNDO H

balanço - 3ª corrida solidária internacional. VILA REAL - Portugal A 3ª edição da Corrida Solidária Internacional Helpo decorreu, pela primeira vez, em Vila Real de Trás-os-Montes. O porquê da escolha desta cidade, prende-se com o facto de lá residirem dois dos nossos padrinhos mais interventivos no norte do país. Refiro-me à Paula Teixeira e ao Ilídio Nunes que, desde que foram a Moçambique visitar os seus afilhados, têm sido verdadeiros embaixadores da Helpo e incansáveis na recolha de bens fundamentais à atuação de projetos nossos. Eles foram os verdadeiros promotores desta iniciativa, envolvendo o Grupo Desportivo dos Bombeiros Voluntários da Cruz Branca, toda a Corporação, a Associação de Atletismo de Vila Real, a Câmara Municipal e a PSP. Como se não fosse suficiente, ainda foram patrocinadores do evento. Apesar da chuva e do frio, que se fizeram sentir durante toda a prova, mais de duzentas pessoas quiseram deixar a sua pegada solidária pelas ruas da cidade e dizer que acreditam em projetos como o nosso. O vencedor da corrida foi o campeão nacional Carlos Valente. Nas senhoras, o destaque foi de Zirlene Santos. Contámos com a participação honrosa do Sr. Domingos Ribeiro, também ele campeão nacional de atletismo, e do Vice-Presidente da Câmara Municipal, Eng.º Madeira Pinto.

As gentes de Vila Real não se deixaram intimidar pelo cinzento do céu e, tal como aconteceu nas outras cinco cidades, trouxeram sorrisos que alegraram o nosso dia e iluminaram a nossa esperança num mundo melhor e mais humano. Estamos certos que esta iniciativa será replicada em anos futuros. Esperamos que, no próximo ano, a meteorologia nos apadrinhe e traga consigo o dobro dos participantes.




Moçambique Depois de, no primeiro ano, a corrida em Moçambique ter sido apenas em Nampula e Pemba, no segundo ano também a Ilha de Moçambique fez parte desta festa. Neste terceiro ano, a novidade foi a corrida na Cidade de Pemba. Até agora corria-se no Centro de dia das Irmãs Pastorelas, tendo como destinatárias, crianças dos 4 aos 7 anos. Este ano a corrida foi nas ruas da Cidade, para jovens das escolas, dos 14 aos 18 anos. Nas três cidades em que a Corrida Solidária Helpo tem lugar, em Moçambique, a organização da prova é sempre feita em parceria com os responsáveis locais, nomeadamente, as Direções Provinciais da Juventude e Desportos de Nampula e Cabo Delgado, e com os Serviços Distritais de Educação, Tecnologia e Juventude da Ilha de Moçambique. As Associações Provinciais de Atletismo são envolvidas para validar a prova, trazem os fiscais e cronometristas para controlar tudo no dia da prova e previamente tratam das inscrições. As inscrições são tratadas com as Direções das escolas, que posteriormente contactam com os seus professores de Educação Física para convocar os alunos aptos a percorrer as distâncias. Também a Polícia é contactada para garantir segurança e alguém ligado à saúde, para o caso de alguma emergência. Tal como nos anos anteriores, a Helpo correu atrás dos patrocínios que permitiram levar a cabo esta grandiosa festa. A Êxito Combustíveis, ofereceu t-shirts e águas para a prova da Cidade de Pemba e houve muitas ajudas para oferecermos lanches a todos os participantes, nomeadamente do Kauri resort, do My Best Group, da Padaria Favorita e dos Sumos Sucal. Os representantes da Helpo, voluntários e amigos, puseram mãos à obra e fizeram as sandes, distribuídas pelas crianças no dia da festa.

PEMBA - Moçambique O início da prova estava marcado para as 6h00 para fazer frente ao calor que já se fazia sentir, apesar do tiro de partida ter sido dado apenas por volta das 7h00. O local escolhido para a reunião foi o posto de abastecimento recentemente inaugurado da Êxito, principal patrocinador, que fica na saída da cidade. Depois de uma breve caminhada para a zona da partida, que serviu de aqueci-

mento e para cumprir os 5 km programados, deu-se início ao percurso, que passou em frente ao aeroporto e desceu até à zona do Comando Militar da Cidade, onde está o Campo 25 de Setembro, local escolhido para a festa final e entrega de prémios. A escolta policial garantiu a segurança dos 90 participantes e a presença de uma voluntária americana médica, assegurou que qualquer emergência seria prontamente socorrida. Felizmente, correu tudo bem e, após os 5 km de prova, a música estridente que anunciava uma aula de aeróbica para todos os participantes, conseguiu animar os corpos cansados pela distância percorrida e pelo calor abrasador, compensado com a enorme alegria de participar num evento destes. A alegria dos primeiros dez classificados de cada escalão, que tiveram direito a um saco com material escolar, não diferiu muito da dos restantes participantes que se sentiram premiados pela t-shirt oferecida e pelo merecido lanche. Os sorrisos na hora da distribuição foram testemunha disso. Como a festa final estava aberta ao público, rapidamente outras crianças se juntaram e acabaram por também receber o lanche, que aqui tem um valor diferente daquele a que estamos habituados.




MUNDO H

NAMPULA - Moçambique Em Nampula as principais avenidas da cidade receberam os 263 jovens atletas, que deram cor a um domingo de manhã muito quente. Os 5 km de corrida, que começaram na zona da Academia Militar, terminaram em frente ao lugar da festa final, no Lar da Escola Industrial de Nampula, que se situa em frente aos escritórios da Helpo. Aí, houve festa pesada! Além da equi-

ILHA DE MOÇAMBIQUE A Ilha de Moçambique recebeu, pelo segundo ano, a corrida e a fórmula de sucesso manteve-se: uma corrida agradável, num percurso com vistas paradisíacas, que praticamente atravessou a Ilha de uma ponta à outra e que trouxe muita animação áquela cidade que foi a primeira capital de Moçambique. O desejo de realizar a corrida na ponte que liga este belíssimo local, classificado como Património da Humanidade da UNESCO, ao continente, não é possível

devido a questões de segurança e, por isso, a corrida é realizada com partida da praça em frente à entrada para a ponte, sendo posteriormente percorrida toda a zona conhecida como contra-costa, a estrada à beira mar que liga ao extremo oposto da Ilha, onde fica situada a Fortaleza de S. Sebastião. Também aqui houve t-shirts e lanche para todos os 134 participantes e material escolar para os primeiros classificados do escalão de rapazes e de raparigas.

pa de Tae Kwon Do, que esteve presente com uma demonstração de artes marciais, o momento alto foi a atuação do grupo de Dança do Centro Cultural Nchanga, constituído por jovens em idade escolar, que a Helpo apoiou com a oferta do fardamento. Eles deram um espetáculo que animou toda a gente, enquanto se preparavam para o esperado lanche.




As semelhanças com a corrida de Portugal são muitas: muitos sorrisos, a vontade de vestir a camisola, não só pela presença do logotipo da Helpo nas t-shirts, mas pela crença num projeto que promove um mundo melhor e, sobretudo, a alegria de participar, que se sobrepõe à vontade de vencer. A grande diferença, que certamente mais choca quem a vê, prende-se com o facto de haver um número muito grande de crianças a participar com os pés descalços. Além dos evidentes problemas financeiros que estão por detrás disto, alguns mostram que preferem correr descalços, segurando na mão os ténis, que trouxeram calçados até ao local da prova. Enquanto que em Portugal a festa é feita em torno de um bom princípio de ajudar o outro, em Moçambique o denominador comum das três provas é a alegria de participar em eventos organizados, que não são muito comuns, com a motivação reforçada por haver distribuição de t-shirts e lanche.

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE A nossa corrida em São Tomé e Príncipe decorreu, como sempre, na cidade de São Tomé. Desta vez, conseguimos o importante patrocínio exclusivo da CST – Companhia de Telecomunicações de São Tomé e Príncipe. Ou seja, as t-shirts, prémios, e gastos inerentes à corrida foram da responsabilidade deste parceiro. Por tudo isto, o evento ganhou uma importância redobrada.

Cartazes espalhados pela cidade, spots nas diferentes rádios, anúncios televisivos, entrevistas na TVS e demais publicitação tornaram a corrida num dos acontecimentos mais esperados na ilha. Chegado o dia, tudo estava preparado no Pantufo para a partida. O dia adivinhava-se cinzento, mas o entusiamo dos participantes iluminava o rosto de todos e fazia esquecer o temporal, que se aproximava. Homens, mulheres, crianças, grupos culturais, equipas de futebol,

atletas profissionais e amadores e tropas faziam parte do enorme grupo que se tinha inscrito previamente para correr. Até atletas do Príncipe viajaram com o intuito de participar na nossa corrida. Os minutos iam passando e as t-shirts eram distribuídas ao som dum grupo musical muito conhecido na ilha. Após o tiro de partida, abateu-se sobre a cidade, um temporal habitual por estas partes. Em poucos segundos, todos estavam molhados e as ruas inundadas


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MUNDO H

de água. Mesmo assim, muitos prosseguiram e cumpriram os 4,7 km da 3ª Corrida Solidária Internacional da Helpo. A entrega de prémios foi feita com a alegria de sempre e com uma surpresa especial: a Helpo e a CST aumentaram os valores monetários a oferecer e tornaram os prémios masculinos e femininos iguais. Todos ficaram contentes e ansiosos pela próxima corrida.

PORTUGAL - Cascais De ano para ano, a organização da corrida solidária da Helpo em Cascais leva-nos a preparar para o desempenho de verdadeiras provas de esforço para quem tem a seu cargo a responsabilidade de pôr de pé uma prova solidária. Ela não é apenas uma corrida, não é apenas uma caminhada, mas é também, e sobretudo, um dia de encontro entre várias centenas de pessoas, que se unem pelo mesmo motivo – a erradicação da pobreza. O período que antecede este dia reveste-se de muito trabalho e esforço: um esforço anímico, um esforço físico, um esforço, que parece vir de todas as direções, fruto da motivação de quem conta os dias que passam até ao dia da prova. Uma motivação, que nasce do facto de termos vivido esse dia intensamente e de lhe conhecermos a capacidade de inundar de combustível esta máquina única que é a família Helpo. A corrida/caminhada de Cascais é uma peça nessa engrenagem que, neste dia, funciona em conjunto, juntando doadores e beneficiários numa mesma ação, por um mesmo objetivo, em 6 cidades de 2 continentes. A 3ª edição da Corrida Solidária em Cascais, juntou mais de 900 participantes, entre inscritos, staff de voluntários, convidados e crianças menores de 6 anos. Entre eles, havia uma característica comum: o que os movia para marcarem presença neste acontecimento era enriquecê-lo com o seu entusiasmo e agraciar-nos com mais uma recordação inesquecível desta jornada da Corrida Solidária Internacional Helpo!

FICHA TÉCNICA: Fundos recolhidos: 4283,20€; Custos suportados: 2997,52€; Saldo final: 1285,68€; Destino dos fundos: despesas correntes com o Programa de Apadrinhamento de Crianças à Distância.


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PORTUGAL

a “BRINCAr” cada vez mais! Cascais, Marta Correia de Barros

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á com três anos de existência, o BRINCA (Bairro Reunido Inicia Novo Caminho de Aprendizagem) contava no passado ano letivo de 2012/2013 com a participação de 15 crianças. Todas as segundas, quartas e sextas-feiras, pelas 17h30, íamos buscar os “nossos meninos” mais novos à escola básica localizada a poucos metros da sede da Helpo, enquanto os mais velhos, já com autorização dos pais para andarem sozinhos, iam aparecendo para mais um fim de tarde de estudo e alguma brincadeira. A primeira meia hora de BRINCA servia sempre para lanchar, aproveitando para descontrair de um dia de escola, antes de estudar mais um bocadinho… Pelas 18h00, começava uma hora intensiva, recheada de trabalhos de casa, jogos didáticos, momentos de leitura em grupo e preparação para os testes mais próximos. Hora que acabava com alguns Antónios mais cansados ou Vitórias para quem uma hora de atividades depois da escola nunca chegava… e a quem era sempre difícil ter de dizer que tinha de ir para casa… Durante todo esse ano letivo, com apenas duas monitoras para as 15 crianças referidas, o dia chegava ao fim quase sem-

pre com a sensação que um Jaire ou uma Isabel precisavam de mais tempo dedicado só a eles, alunos do 2º ano com alguns problemas ainda a nível da leitura, ou que uma Beatriz, já do 6º ano, precisava de mais acompanhamento para um teste de uma matéria específica, que teria lugar no dia seguinte. Mas as bocas a explicar eram só duas, e os ouvidos sedentos de informação, de crianças entre o 2º e o 8º anos - cada uma com as suas matérias e dúvidas diferentes -, muitos… Era ainda com pena que, à medida que o ano avançava, a novos pais, de novas crianças, que tinham ouvido falar do BRINCA, era preciso dizer “Gostávamos de ajudar, mas já não há vaga…”. Este ano letivo “BRINCAmos” mais! Os três dias semanais de atividades foram multiplicados e a oferta de apoio adaptada às necessidades. Agora, todas as segundas, quartas e sextas-feiras, o “BRINCA” funciona da mesma forma para 13 crianças entre o 2º e o 4º anos de escolaridade. Já às terças e quintas, abrimos portas a 10 jovens entre o 5º e o 9º anos que, como são mais velhos e com mais capacidade de concentração e trabalho, ficam connosco mais meia hora por dia, fazendo assim com que o dia acabe pelas 19h30. Com o novo sistema de funcionamento conseguimos chegar a um total de 23 crianças do bairro das Fontainhas e, com a nova divisão etária, é possível adaptar as atividades ao público-alvo que faz parte do “BRINCA” em cada dia da semana. Desta forma, são feitos mais ditados e momentos de leitura em grupo com os mais novos e são proporcionadas mais situações de esclarecimento de dúvidas ou mesmo de entreajuda com os mais velhos, porque, desta forma, as idades e matérias são similares. Continuamos a ter cada vez mais pais, de novas crianças, que continuam a descobrir o “BRINCA” e a quem temos, com tristeza, de explicar que não temos capacidade para acolher mais crianças. Mas é bom percebermos que o apoio que damos tem mais qualidade e que conseguimos chegar a mais 8 crianças do que no ano passado. Esperamos em breve, com novas ideias e novos projetos, conseguir continuar a aumentar este número…


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ESTÓRIAS

visita aos afilhados. Uma vez mais, nesta rubrica, trazemos-lhe notícias do terreno pela mão de duas madrinhas, que aliaram o seu período de férias à visita aos respetivos afilhados: uma menina de Moçambique e um casal de meninos de São Tomé e Príncipe. Sabendo nós, que a visita aos afilhados, não está ao alcance de todos os padrinhos, achamos importante, sempre que é possível, partilhar com todos os leitores as principais impressões de quem esteve do lado de lá – lado-a-lado com os seus afilhados. Numa época vincada pela emigração de muitos jovens portugueses, estas duas madrinhas da Helpo estão atualmente a viver em Angola, por motivos profissionais.

Luanda, Joana Brito

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m agosto, vi finalmente a minha afilhada, Latifa! Era um projeto antigo; desde que aderi ao apadrinhamento à distância começou o desejo de um dia a conhecer. Inicialmente, porque ainda estava a viver em Portugal, e porque as condições não eram muito propícias, pensava nesta visita num tempo longínquo. Quando vim viver para Angola, há dois anos, a distância geográfica diminuiu e a visita começou a ser cada vez mais desejada. Porque, independentemente das questões financeiras, começou a existir uma preocupação com aquela pessoa, curiosamente alguém que não conhecemos, mas que gradualmente entra na nossa vida e começa a fazer parte dela. Em agosto de 2013, reuniram-se finalmente as condições ideais para ir a Moçambique. Dia 19, cheguei a Impiri, onde fui muito bem recebida pela Helpo, que considero estar a desenvolver um trabalho formidável. Percebe-se uma relação de proximidade e respeito na comunidade. A visita à escola correu muito bem. Vi, outra vez, a África romântica, as cubatas, os meninos descalços na areia, as crianças a terem aulas debaixo dos cajueiros e, o mais importante, a Latifa. Naquele momento, aquela ideia inicial de ligação concretizou-se. Realmente existe com aquela menina uma relação diferente de todas as outras: ela está longe e não sei se a irei ver outra vez, mas faz parte da minha vida e, naquele dia, percebeu que tem mesmo alguém de carne e osso do outro lado do mundo, com quem pode contar. Helpo, um dia destes, vou voltar!

Luanda, Andreia Simão

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ei de caras com a Helpo no facebook… Depois de estar há algum tempo a viver em Angola, percebi que somos muito pequenos e que temos o dever de ser a tal mudança, que queremos ver no mundo. Falei com o meu, na altura, noivo, e optámos por apadrinhar duas crianças, que nos foram atribuídas aleatoriamente. E, de facto, que coragem teríamos nós para escolher?! Fizemos algumas perguntas, desconfiámos se o dinheiro iria mesmo lá parar e todas as dúvidas foram esclarecidas. Em setembro, eu e o meu, agora, marido, tivemos a oportunidade de ir a São Tomé e Príncipe, país onde nasceram os nossos afilhados e coordenámos uma visita aos mesmos. Foi emocionante ver ao vivo as caras, que conhecíamos por fotografia, e ver as mãos, que faziam os nossos desenhos. Conhecemos a escola e o professor e vimos muitos mais sorrisos, mesmo num dia de chuva. A reação deles foi muito tímida, com dois estranhos a olharem para eles, mas depressa se soltaram e mostraram o brilho nos olhos. Esperamos que esta ligação se mantenha por muito tempo e que possamos fazer sempre mais. Percebemos que os pedidos são tantos, que seria injusto algumas crianças terem padrinhos e outras não, pelo que fez muito sentido, quando o Tiago, coordenador da Helpo em São Tomé e Príncipe, nos explicou, que o dinheiro era utilizado para melhorar infraestruturas e para melhorar a qualidade de vida de tantos quanto possível e que os afilhados recebem, ainda, o mimo e a visita dos padrinhos. Ir a São Tomé foi uma lição de vida e humildade. Saímos de lá melhores pessoas e aconselhamos todos os que possam, a “helpar”!


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os braços da helpo. Nampula, Carlos Almeida

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ensar que a Helpo é uma organização que recolhe fundos em Portugal para depois aplicar em Moçambique e São Tomé e Príncipe é uma versão muito reducionista do real trabalho que esta organização realiza. Além dos projetos realizados também em Portugal, nomeadamente o projeto BRINCA, no Bairro das Fontainhas, onde está inserido o escritório de Cascais e em zonas necessitadas do Porto, também Moçambique está preocupado com os seus próprios problemas. Tanto algumas empresas, como particulares, confiam na Helpo para prestar este apoio social altamente necessário. A Comunidade Portuguesa, presente em Nampula e Pemba, que conhece os projetos da Helpo, é muito sensível ao trabalho aqui realizado. Como conhecem a realidade, sobretudo fora das cidades, onde o desenvolvimento não foi convidado a entrar, local primordial da intervenção da Helpo, estão solidários com a causa, o que faz com que este apoio vá muito além do simples apadrinhamento. Uma vez ouvi uma pessoa, que conhecia bem o nosso trabalho, criticar a forma de operar da Helpo num episódio especí-

fico, por termos aceite uma oferta de um padrinho Piloto da TAP, que se dispôs a trazer à boleia 210 kg de presentes de Lisboa até Maputo. Devido ao facto de a Helpo não ter escritório em Maputo, o episódio chegou a um final feliz graças à colaboração de amigos de Helpo e ao

“os braços da Helpo são cada vez maiores, chegando aos locais mais necessitados” bom senso e compreensão da Autoridade Tributária – Alfândegas de Moçambique, na resolução deste processo. A crítica feita dizia respeito ao facto de uma organização como a Helpo estar a pedir favores, em vez de enviar a encomen-

da por correio de forma rápida e menos complicada (mas também significativamente mais cara). A identidade da Helpo é mesmo esta: se algum amigo pode ajudar, não vamos gastar o dinheiro, que é sempre pouco, para fazer com que os projetos se concretizem. A fama das Organizações Não Governamentais em África vai muito além do trabalho humanitário que prestam. Muitas são acusadas de esbanjar dinheiro em custos exagerados de estrutura, não fazendo os fundos chegar onde são realmente necessários. Um amigo da Helpo em Maputo, que está à frente da empresa GFK – Estudos de mercado, que todos os Natais colabora com presentes solidários - desde equipamentos mobiliários para escolas e escolinhas até, mais recentemente, à obra de reconstrução de duas salas de aula em Mahera -, costuma dizer, em jeito de brincadeira, que confia que o dinheiro doado à Helpo é bem empregue, pois os seus responsáveis, quando vão a Maputo, em vez de ficarem alojados em hotéis caros, pedem sempre para usar a sua casa para pernoitar. Outros apoios prestados passam por pe-


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ESTÓRIAS

quenas grandes ajudas, como as que foram dadas por duas empresas portuguesas a trabalhar em Nampula, a Gabriel Couto e a Peteremp, que permitiram que a chegada do contentor ao escritório da Helpo fosse possível de uma forma mais rápida e segura, utilizando os seus camiões grua para o efeito. Outro exemplo da entreajuda lusitana aconteceu para o equipamento dos depósitos dos sistemas de recuperação de águas pluviais para a Escola Primária Completa de Impire. Em Pemba, estes depósitos com capacidade para cinco mil litros de água custam o dobro do valor de Nampula, e o transporte para realizar estes 415 km, equivale ao custo de um depósito. A solução Helpo foi encontrada graças à boleia que um amigo ofereceu num camião que iria transportar materiais para uma construção. A Empresa Construsoyo Moçambique, pela mão de Nuno Saraiva, também tem sido incansável em ajudas preciosas, que fazem toda a diferença e nos permitem trabalhar muito melhor. E não é possível esquecer uma figura mítica da Cidade de Pemba (onde chegou com 14 anos), o Sr. Claudino, dono da gráfica e papelaria So-

til, o maior benemérito de toda a região, que se conhece. Ele acredita em nós e apoia o trabalho da Helpo. Em Nampula, está a empresa de pinturas de construção civil Orera, de André Garcia, sempre disponível em dar uma mão, um pincel e uma lata de tinta para dar cor aos nossos projetos. Mas são as pessoas individualmente, sobretudo portugueses, mas também moçambicanos e outros expatriados, que felizmente nos vão dando a ajuda sempre que necessário. Quer seja participando em atividades com as crianças em que o retorno é dado sob a forma de sorrisos, apoio no trabalho duro de armazém, ou a ajuda fundamental e constante de trazer material de Portugal para Moçambique, sobretudo presentes de padrinhos. Tudo isto nos permite reduzir o custo dos envios. As próprias empresas moçambicanas com interesse na área da responsabilidade social também têm apoiado os nossos projetos e o exemplo maior disso tem sido a Corrida Solidária Internacional, com principal destaque para a empresa de combustíveis Êxito, que dá uma grande força com a oferta de t-shirts, a marca

de sumos Sucal, a gigante das telecomunicações móveis MCEL e o Kauri Resort, em Pemba. No dia 1 de junho – Dia Internacional da Criança, a Empresa Frango King também deu um apoio para os diversos almoços, que a Helpo patrocinou, para além das ajudas específicas para determinadas comunidades de padrinhos, que fizeram deste dia um dia realmente diferente para muitas crianças. Em tempos nos quais a crise parece reduzir a grandeza de algumas pessoas à sua dimensão individual, outras percebem, que além do apoio financeiro há muita coisa para ser feita e a ajuda pode surgir de múltiplas formas. Os braços da Helpo são cada vez mais e cada vez maiores, chegando aos locais mais necessitados. Todos os Padrinhos e Madrinhas fazem parte desta rede solidária e têm a responsabilidade de a fazer crescer. À semelhança das crianças das escolas, que apoiamos, também têm que fazer os trabalhos de casa para atingir os objetivos. A primeira tarefa é alargar esta corrente de solidariedade, que é a nossa rede de padrinhos!


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QUEM HELPA

mais um gesto de vinte pés! Cascais, Joana Lopes Clemente

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s gestos valem. Têm o seu próprio valor, e depois têm o valor do esforço que está na sua origem e do poder de transformação que perdura para lá do próprio gesto. Um contentor, um gesto, milhares e milhares de pequenos motores de magia na vida de outros tantos milhares de crianças. Milhares e milhares que não têm (não podem ter) apenas o peso do número que sustentam, dado que esse número é um saco profundo onde cabem todas as histórias infinitas de cada uma das crianças beneficiárias dos nossos projetos. Traduzindo a poesia para a realidade: anualmente, a Helpo procede à recolha de materiais essenciais para melhorar as condições de vida e de aprendizagem das crianças que frequentam as 35 escolas e escolinhas apoiadas diariamente pelos nossos padrinhos através da Helpo, em Moçambique e São Tomé e Príncipe. Anualmente, madrinhas, padrinhos e amigos da Helpo mobilizam esforços, familiares, colegas de trabalho, amigos e recursos para inundarem a associação de livros, cadernos, canetas, lápis, lápis de cor, afias, borrachas, mantas do tipo polar, calçado, jogos didáticos, capas para a chuva, barras de sabão, algodão, soro fisiológico, bolas de futebol, roupa de criança e leite em pó do tipo 1 e 2, para ajudarem a Helpo e fazer chegar a cada comunidade algumas das coisas que fazem mais falta, onde falta absolutamente tudo! O fluxo de chegada de bens doados, vai aumentando consoante o número de pessoas que têm conhecimento dos projetos da Associação e nas quais nasce a inquietação de fazer alguma coisa por quem tem necessidades tão profundas, simplesmente porque está ao seu alcance agir como transformador da vida de alguém (ou de muitos alguéns). Assim, em 2013, e apesar de termos procedido ao envio de um contentor com destino a Moçambique no início do ano, há muito que conseguimos angariar bens suficientes para proceder a

um novo envio. No entanto, a somar aos gestos de incomensurável valor de cada uma das pessoas que nos agraciam com as suas doações, havia qualquer coisa que separava todo o trabalho de angariação, inventariação e acondicionamento de materiais, dos seus destinatários: os recursos suficientes para proceder ao envio de um novo contentor. Não fosse esta uma pequena história sobre gestos, eis que um gesto simples, mas de um valor incalculável, nos veio resolver esta equação: um padrinho da Helpo resolveu suplantar os obstáculos oferecendo o envio do contentor de Lisboa para Moçambique, permitindo, assim, cumprir o objetivo anunciado pelo aumento do volume de bens doados à Associação durante este ano. Os beneficiários poderão contar com um maior fluxo de materiais entre a incalculável lista do que lhes falta! Afinal, aqui e ali, ao longo do percurso, também nós esbarramos com gestos de magia, que nos relembram a imensidão do seu valor!


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I MAIS

a helpo foi ao green fest.

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elo 3º ano consecutivo, a Helpo marcou presença no Green Fest. O Green Fest é um evento de sustentabilidade, em que se apresenta o que de bom se faz em Portugal, ao nível da sustentabilidade nas vertentes ambiental, social e económica. Durante os dias 3, 4, 5 e 6 de outubro, a Helpo juntou-se a este evento, que teve lugar junto ao Centro de Congressos do Estoril e, com uma equipa de voluntários muito prestável, deu a

conhecer o trabalho da Associação. Foi uma excelente oportunidade para divulgar o programa de apadrinhamento de crianças à distância e ainda angariar fundos, através da venda de artigos de artesanato provenientes do terreno e de algum material de merchandising. Assim, além da divulgação (que é difícil de medir), a Helpo angariou 380,90€. A todos os que nos visitaram e aos voluntários que colaboraram connosco, o nosso muito obrigado.

noite de fados no faial.

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o dia 12 de outubro, teve lugar na ilha do Faial, mais uma noite de fados, organizada pelo grupo de voluntários da Helpo. Segundo as palavras da madrinha Luísa Borges, o evento, acompanhado de um jantar, contou com a presença de 170 pessoas e correu muito bem. Nesta noite especial, os voluntários da Ilha do Faial angariaram 2138,20€, que serão direcionados para o almoço da

festa de Natal da Helpo dos meninos de Moçambique. Nesta fase, ainda a recuperar o fôlego, este grupo maravilhoso já está a equacionar alguns eventos, para angariar mais fundos, que serão direcionados para a festa de Natal da Helpo dos meninos de São Tomé e Príncipe.

a helpo vai à natalis.

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ma vez mais a AIP – Feiras, Congressos e Eventos, realiza, de 30 de novembro a 8 de dezembro a NATALIS – Feira de Natal de Lisboa, nas instalações da FIL, no Parque das Nações, aberta ao público das 11h00 às 21h00.

Também este ano, a Helpo vai marcar presença na Natalis, que, entre outros artigos, contará com algumas lembranças de Moçambique, provenientes diretamente da terra dos nossos afilhados. Numa época em que cada vez mais se valoriza o essencial, que é o gesto, pre-

ferencialmente associado à solidariedade, este será um bom momento para levar consigo um miminho, com cheiro e toque africano, que nos aproxima cada vez mais do mundo Helpo no terreno.


THE BRIGHT SIDE OF LIFE” 

FICHA TÉCNICA

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Correspondente em África

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Carlos Almeida

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Joana Lopes Clemente

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Joana Lopes Clemente Margarida Assunção Marta Correia de Barros Colaboradores neste número

Ana Luísa Machado Andreia Simão António Perez Metelo Carlos Almeida Elisabete Catarino Joana Brito Joana Lopes Clemente Margarida Assunção Marta Correia de Barros Ondina Giga Sara Sangareau Tiago Coucelo

A responsabilidade dos artigos é dos seus autores. A redação responsabiliza-se pelos artigos sem assinatura. Para a reprodução dos artigos da revista mundo h, integral ou em parte, contactar a redação através de: info@helpo.pt.


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