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Prólogo Eu sou oca. Minha dor é uma ferida aberta. Insuportável. Ouço as palavras que são faladas, mas elas não têm significado. São apenas palavras. Elas nunca o trarão de volta. Luto Perda. Morte. A dor dentro de mim ruge em um grito silencioso. Como gelo se espalhando em minhas veias e me entorpecendo para o mundo exterior. Me sugando, até que tudo acabe. Minhas mãos afastam minhas lágrimas. Minha respiração se torna suspiros curtos escapando.

Um zumbido distante. A batida das asas de um pássaro. Preciso sair. Não posso estar aqui.

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Suor frio. Coração martelando.


Capítulo Um

Eve Bip Bip Bip Através de pálpebras pesadas, flashes de luz branca brilham. É como viver em um mundo de solidão. Todos sozinhos, sem conexões, sem expectativas, sem dor, sem lembranças, e de repente tudo corre de volta. Sons me dominam. Sussurros Sussurros Sussurros Hummmmmmm

Sons, uma vez abafados, me atingem como um trem de carga que passa. Eles se infiltram em todos os poros do meu corpo, implacavelmente. São como um ataque indesejado aos meus sentidos. Uma voz se rompe. – Acho que ela está acordando. Bip

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Com uma precisão cuidadosa, abro meus olhos, mas fico nervosa quando o mundo à minha volta ganha vida.


Bip – Isso mesmo, querida, abra os olhos. – murmura uma voz suave e reconfortante. Minha visão embaçada se concentra e estou de frente para duas mulheres vestidas com roupas roxas. Onde estou? Um quarto que está vazio de toda emoção e calor. Estéril. As paredes são brancas, não muito creme, e o cheiro de desinfetante permeia o ar. Minha boca se abre para falar, para pedir algumas explicações, mas ela está seca demais. Tento engolir, mas a espessura da saliva faz com que a ação pareça impossível. Com movimentos cautelosos, pressiono meus dedos em direção aos meus lábios, mas mesmo esse pequeno gesto é demais quando a dor irradia em todo o meu corpo. – Você precisa de algo para beber. Deixe-me pegar um pouco de água. – Onde... – isso soa como se eu estivesse falando com a boca cheia de bolinhas de gude, então, tento de novo, mas minhas palavras são confusas e não fazem sentido. O som da torneira faz com que mais líquido seja coletado. Observo em desespero, enquanto ela lentamente enche um jarro, e então, pega um copo e um canudo.

Finalmente, a enfermeira se aproxima da cama, enche com cuidado um copo com água e depois me oferece o líquido precioso. Obrigada Deus. A água parece o céu em minha língua. – O que... O que aconteceu? – Um acidente de carro. Você bateu com a cabeça e não respondia. Você tem um corte bem desagradável à esquerda da sua testa e na sua bochecha. – Um acidente? – meus olhos se arregalam e a dor da bandagem puxa a minha pele. Estremeço de dor, e então, ela me dá um sorrisinho.

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– Onde você está? Você está no Hospital Sinai-Grace. Você sofreu um acidente. – o meu coração bate forte com essa nova informação. Não é de se admirar que tudo dói. Até a minha pele arde.


– Posso ver? Você tem um espelho? – movo o meu rosto e uma mulher mais baixa sai do quarto. Volto minha atenção para a enfermeira que resta, a que está falando. – Sim, você foi trazida a pouco tempo. Não posso te dizer muito mais do que isso, mas pelo que ouvi, não há nada a temer. Você vai ficar bem. A outra enfermeira entra de novo e se aproxima da cama, colocando um espelho na minha mão. Assim como ela disse, um curativo cobre a minha testa. Meus olhos estão sem vida hoje. Você pode mal ver o azul, já que as minhas pupilas estão dilatadas. Meu cabelo uma vez loiro agora está emaranhado e endurecido na minha pele. Pareço esquelética e pálida. – Informei ao médico que você está acordada, então, ele virá falar com você assim que chegar. – diz ela antes de sair do quarto. O meu olhar concentra na janela e vejo quando a neve cai suavemente, descendo pela vidraça e saindo nas raias de água escura. A jaula familiar se fecha ao meu redor, roubando-me o ar. Estou com medo... E não estou pronta para encarar a verdade. Não estou pronta para enfrentar o que está acontecendo comigo. Ouvindo passos, volto minha atenção para a porta e me encontro com um par de olhos castanhos suaves que conheço tão bem.

Ela pega a minha mão e parece tão quente em volta da minha. Comemoro com o conforto, inclinando-se mais perto dela para aproveitar o sentimento de lar que evoca. – O que você está fazendo aqui? Como sabia que estava aqui? Suas sobrancelhas levantam em confusão. – Como não poderia estar aqui?

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– Ah, meu Deus. – grita Sydney, enquanto entra no quarto. Seu rosto está pálido e o seu cabelo liso castanho, estão agora de volta à forma encaracolada graças à neve. – Você está acordada. Graças a Deus. Eu estava tão assustada.


Recebi o telefonema e vim imediatamente. Claro que ela está aqui. Ela é o tipo de amiga que sempre estaria lá por mim. Essa é uma das coisas que mais amo nela: quanto ferozmente e leal ela é. Nós somos amigas apenas a pouco tempo, mas com a Sydney, o tempo não importa. No momento em que nos conhecemos no escritório, senti como se a conhecesse por toda a vida. Quando o meu pai faleceu, seu melhor amigo Richard entrou em cena, assumindo um papel de figura paterna. Depois que disse a ele que não tinha certeza do que deveria declarar, ele se ofereceu para discutir minhas opções. Richard também passou a possuir uma das principais empresas de marketing da cidade. Juntos decidimos, que uma licenciatura em marketing seria uma ótima opção, e assim que terminasse, ele tinha uma vaga pronta para mim.

Estava no meu novo emprego por um minuto e já adorava. A energia, sons e vozes excitadas ecoando pelos corredores eram tudo que esperava. Quando entrei mais no lugar, Richard levantou a cabeça. Seus lábios se transformaram em um sorriso gigante e ele caminhou até mim. Ele me cumprimentou com um abraço paternal, me levou até um conjunto de mesas posicionadas em frente a uma janela gigante com vista para a Park Avenue.

– E esta é a Sydney White. Ela está na sua equipe. – seus olhos estavam fixos em Richard enquanto ele falava e quando sua boca se dividiu em um grande sorriso, mostrando uma boca cheia de dentes perfeitamente brancos. – Fique a vontade, e depois, venha ao meu escritório para que eu possa passar algumas informações para você. – ele colocou a mão no meu ombro e me deu um aperto reconfortante. – É bom ter você aqui. – ele me deu um último sorriso, então, deu as costas e caminhou pelo corredor. Sydney suspirou. – Porra, essa foi uma chamada repentina. – sua testa franziu.

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– Esta será a sua mesa. – Richard apontou para a mesa ao lado de onde uma linda morena trabalhava.


– Você está bem? Você parece um pouco pálida. – perguntei a ela quando olhou por cima do ombro para ver se alguém estava atrás dela. – É o Richard? Você não gosta dele? – Ah, não, nada disso. Não é nada de mais. Tenho passado muito tempo procurando ultimamente por uma colega de quarto e pensei que estava presa. – Colega de quarto? – Sim, minha atual me abandonou totalmente. Ela conheceu um cara e fugiu. Nem pagou o aluguel do mês. Tentar encontrar uma colega de quarto é uma merda. – ela bufou, enquanto jogava as mãos para o ar. – Eu não saberia. Moro com a minha mãe, – Cale a boca! – ela exclamou, me fazendo rir. Essa garota definitivamente tinha um talento para o drama. – Qual a sua idade? – Vinte e dois. – Você tem vinte e dois anos e nunca teve uma colega de quarto? Nem mesmo na faculdade? Balancei a cabeça e seus olhos se arregalaram. – Minha faculdade era perto de casa. Não precisava de dormitório. Era bastante patético, na verdade. – respondi com uma voz tímida. – Venha morar comigo.

– Não estou brincando. Você não tem ideia dos tipos de malucas que estou encontrando neste site. Quero dizer, você parece uma garota legal... por favor. A menos que você seja uma serial killer, ou algo assim, eu revogo o convite. – EU... Eu... – Vamos... Você não pode viver com a sua mãe para sempre. É hora de voar do ninho. Ela tinha um ponto. – Hum...

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Minha boca se abriu.


– Diga que você vai pensar sobre isso. Por favor. – ela choramingou e não pude deixar de concordar com a cabeça, enquanto sufoquei a minha risada. Sabia, ali mesmo, que não só me mudaria com essa garota louca, mas também seria a melhor decisão da minha vida. Uma semana depois, éramos colegas de quarto.

Balançando a cabeça para me tirar da memória de dois anos atrás, eu me concentro em Sydney e tento me lembrar do porque estou aqui. – O que aconteceu? – meu cérebro está nublado. É como se a informação estivesse pairando acima de mim, mas apena não podia alcançá-la. – Nós estávamos no funeral. Você se lembra de estar no funeral, certo? – seus olhos se fecham, depois reabrem com lágrimas não derramadas. Os músculos do meu peito se apertam, agarrando o meu coração ao ponto da dor. Como eu poderia esquecer? Richard está morto. Meu mentor, meu chefe e a minha figura paterna. O único pai que conheci. Fechando meus olhos, penso de volta nele. Ele era o único que estava lá por mim através de tudo, por anos.

– Onde está sua mãe? – Richard perguntou, enquanto entrava no meu quarto. Muitas vezes ele passava pelo o nosso apartamento para me verificar e a minha mãe, sempre tendo certeza de que estávamos bem. Olhei para ele, empurrando meu cabelo fora dos meus olhos. – Ela está doente. – minha voz falhou quando o meu queixo tremeu com meus soluços. – Por que você está chorando, querida?

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Meu pequeno corpo de quatorze anos estremeceu com soluços quando pressionei a minha cabeça no meu travesseiro. Lágrimas escorrendo dos meus olhos, molhando o meu cabelo longo e emaranhado. A porta se abriu, a distância, seguido de passos no chão de madeira.


– Ela está sempre doente. Ela não faz nada além de ficar deitada em sua cama. – gaguejei e ele acenou com a compreensão. Isso era o que minha mãe fazia. Ela dizia que não estava bem e nunca saia do quarto. Somente chorava o dia todo e a noite toda. Mas nenhum médico podia encontrar algo de errado, e isso a fazia chorar ainda mais. – O que aconteceu? Do que ela sentiu falta? – Ela não perdeu nada, mas você sabe como ela é. Sempre tem alguma coisa E se ela estiver doente? Novamente? E se ela não sair de seu quarto de novo por dias? – Richard sentou-se na beira da cama. Eu me afastei me aproximando até que o braço dele caiu sobre o meu ombro e soltei um grito abafado. – Sei que não sou o seu pai, mas penso em você como a minha filha. Diga-me onde você precisa que eu esteja e eu nunca vou decepcionar você. Eu prometo. A vida nunca foi fácil com a minha mãe, mas o Richard tornou isso suportável. Ele nunca esqueceu sua promessa. Ele estava sempre lá.

Abro os olhos e encontro o olhar de Sydney. – Quando eles tiraram você do carro, você não acordou, então alguém chamou uma ambulância e trouxeram você aqui. – ela morde o lábio. Sydney só faz isso quando estava nervosa.

– Eles tentaram chamar a sua mãe como a sua parente mais próxima, mas ela se recusou a vir ao hospital, então, eles entraram em contato comigo. Ainda bem que adicionamos uma a outra como contatos de emergência quando você entrou naquela parede e teve que ter pontos. Ela ri, mas não faz nada para acalmar a dor que cresce dentro de mim. Não importa o quanto diga a mim mesma para não esperar muito da minha mãe, que ela está "doente" e não pode ajudar ela mesma, isso não diminui a dor no meu coração. No final do dia, não há nada de errado com ela além do fato de que ela é hipocondríaca. Aquela que, nos últimos dezoito anos desde a morte do meu

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– O que? O que você não está me dizendo? – meus olhos se estreitam.


pai, tem muito medo de viver. Ela nem foi ao funeral do Richard, e isso parecia um tapa na cara considerando tudo o que ele fez por nós. Balançando a cabeça, volto minha atenção para Sydney. – Eles sabem o que causou o acidente? O nariz da Sydney se enruga e ela franze os lábios, enquanto olha pelo quarto. A enfermeira está no canto, mas ela está vasculhando os armários procurando algo e parece que ela não está prestando atenção em nós. Satisfeita com isso, Sydney se inclina para mais perto. – Eles não têm certeza. – ela sussurra. – Mas... mas eles disseram que você não pisou no freio. – Não entendo? – minha mão levanta para minha boca, sufocando um suspiro. – Ah, meu Deus, eles acham que fiz isso de propósito? – Eu sei, querida, eu sei. Mas, você lembra o que aconteceu? O que fez você desmaiar? – Sinceramente não tenho idéia. Sua mão acaricia o meu braço, enquanto continuo a soluçar. – Tenho certeza que irá se lembrar. Você estava realmente perturbada quando você fugiu do funeral. Balanço a minha cabeça. – Não consigo me lembrar de nada do funeral. Isso é normal?

A enfermeira escolhe aquele momento para ir para o lado da minha cama com um kit de pressão arterial. – Desculpe-me, queria saber se é normal que a Eve não se lembre de nada, antes do acidente de carro? – Sydney pergunta a ela. – É bem normal, querida. Depois de uma concussão, às vezes sua memória ficará um pouco irregular. Isto deve voltar quando o inchaço diminuir. – ela sorri para mim, enquanto coloca a tira em volta do meu braço.

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– Eu não sei, mas eles disseram que você teve uma concussão.


– Ah! Graças a deus. Ouço o alívio na voz de Sydney e sorrio fracamente para ela. – Syd, eu disse alguma coisa antes de sair correndo? – Não, não realmente... Um homem entra no quarto antes que a Sydney possa continuar. – Olá... – ele olha para o meu prontuário. – Senhorita Hamilton. Sou o Dr. Levin. Fico feliz em ver que você está acordada. Vou te fazer algumas perguntas, se é isso, oK? – Sim. – relutantemente concordo quando o meu estômago aperta com força contra a ideia de falar sobre mim mesma. – E a sua amiga? – ele faz um gesto para a Sydney, que agora está empoleirada no pé da minha cama. – Ela está bem. Você pode falar na frente dela. Sydney e eu não temos segredos. Nós nos aceitamos, as falhas e tudo. Ele olha de volta para o tablet em sua mão. – Você já teve uma concussão antes? – Não. Seus dedos batem levemente na tela. – E como você está se sentindo agora? Tonta? Tonta?

– Realmente não me lembro, mas o meu coração tem acelerado um pouco recentemente e acho que já estive me sentindo meio tonta, como se não pudesse respirar. – Há quanto tempo você tem esses sintomas? – E você nunca experimentou nenhum desses sintomas antes de sua morte? – ele se afasta de mim e endireita o meu vestido.

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Balanço com a minha cabeça que não. – O que você estava sentindo antes de você desmaiar? – ele coloca o tablet para baixo e puxa o estetoscópio em volta do pescoço.


– Não que me lembro. – minhas memórias estão embaçadas, como um sonho desvanecido. Procuro através delas, agarrando qualquer coisa que faça sentido do que aconteceu. Uma estranha claridade se forma quando começo a me lembrar de sentir um suor frio, os nós que se formaram em meus músculos e muito mais. – Realmente meio que me lembro – O que você lembra? – Sydney interrompe, com a sua voz suberta de surpresa. Uma onda de imagens do acidente começa a aparecer em minha mente. Eu me lembro de cada dor quando as memórias ressurgem.

Eu precisava de distância. Eu precisava fugir dessa realidade pairando ao meu redor. Meus músculos se contraem, me alertando para correr. Meu coração explodiria se eu ficasse.

– Onde você está indo? – Sydney sussurrou quando ela estendeu a mão para me impedir. Eu não permiti que ela parasse meu progresso.

Com os braços trêmulos, abri a porta e uma forte rajada de vento golpeou o meu corpo frágil. Pequenas gotas de água me atingiram quando saí para o ar frio do inverno. A distância até o carro se estendeu diante de mim. Gotas de água fria se agarravam a cada centímetro da minha pele encharcada de suor. Chuva e lágrimas fundidas juntas. Inclinei a cabeça para trás e olhei para o céu. Se apenas a chuva pudesse lavar este momento. E me transportar de volta a uma época em que tudo ainda estava certo.

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Eu precisava sair daqui.


Mas não transportaria. Não poderia. Nada poderia lavar essa dor. Hoje era um dia de tristeza. Passos instáveis levaram-me ao carro que aluguei para ir ao cemitério. Abri a porta e deslizei para o banco do motorista. Meu corpo estava frio até o osso pela chuva que cobria minha pele durante a minha caminhada, mas não fiz nada para diminuir a dor. Eu acolhi a dor. Isso me lembrava do que perdi. Saindo do estacionamento, voltei para a cidade. Quanto mais longe ia, mais ar entrava nos meus pulmões. Meu corpo mal conseguia funcionar naquela sala. Vendo o corpo... Isso era devastador. Minha visão ficou turva quando novas lágrimas ameaçaram escorrer. À distância, o brilho do tráfego brilhou e feriu meus olhos. Luzes rodopiavam à distância enquanto a chuva atingia o para-brisa. Eu deveria ter dito adeus. Eu devia isso a ele. Não... Eu tenho que ir. Eu não podia ficar lá.

Um flash de luz surgiu. O chiado de pneus ecoou em meus ouvidos. Então, todo som desapareceu.

– Lembro do meu braço ficando dormente. Eu me lembro do flash de luzes.

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Eu não podia ver isso.


Lembro-me de pensar que estava tendo um ataque cardíaco. Ah, meu Deus, você acha que tive um ataque cardíaco? A máquina ao meu lado emite um sinal sonoro mais rápido quando o pânico entra em ação e a minha frequência cardíaca acelera consideravelmente. Os rostos ao meu redor começam a balançar... – O que está acontecendo? O que há de errado comigo? – Senhorita Hamilton, preciso que você respire fundo. Por favor, respire fundo. Meu cérebro parece como se estivesse preso em um defeito e sendo apertado. Meu peito se contrai. É demais. Manchas pretas pairam na minha visão. Esmagando... Sufocando... Barulho, barulho Barulho, barulho Ofego por ar, enquanto o mundo se encolhe ao meu redor. O barulho de fundo entra. Estou sendo coberta por ele. Imersa em uma tempestade. Isso me envolve. . . ............................................................. – Abra seus olhos. Está tudo bem.

– Você pode fazer isso. – a voz comanda novamente. Meus olhos se abrem. – O... o quê? – murmuro, tentando me orientar. – Estou... O que está acontecendo comigo? – Você está bem. Inspire... agora exale. – linhas nítidas marcam o rosto do estranho bonito enquanto ele me observa.

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Uma voz murmura no fundo.


Ele tem os mais impressionantes olhos azuis pálidos que já vi. E olhos hipnóticos. Eles me lembram de um céu sem nuvens em um dia de verão. Continuo a observá-lo, seguindo até seus lábios, em seguida, através da sua mandíbula esculpida. Está escura com uma sombra perfeita. Levantando o queixo para dar uma olhada melhor, seus olhos azuis perfuram a distância entre nós e percebo que estou olhando abertamente para esse estranho. O rubor se espalha pelo meu corpo até se enrolar dentro da minha barriga. – Quem... Quem é Você? – Sou o Dr. Preston Montgomery. Sou um dos psicólogos do hospital. – Terapeuta? – Sim. Antes que o hospital seja capaz de te liberar, eles queriam que eu falasse com você. Você está bem para falar agora não... Eu inclino minha cabeça em acordo. – Ok, você já viu um terapeuta antes? – Não. – sussurro, desejando que não tivéssemos que falar sobre isso. – Você costuma sofrer de ataques de pânico, ou isso é algo novo? – o seu olhar vigilante me assusta, e me sinto inquieta sob o seu escrutínio. Seus belos e penetrantes olhos azuis rastreiam meus movimentos. Eles fazem o meu coração bater freneticamente no meu peito.

Nós nos sentamos em silêncio. O único som vem de um carrinho sendo empurrado no corredor. Meus olhos vagam ao redor do quarto até que seja forçada a encontrar sua inspeção novamente. – Até onde você sabe, você já sofreu de ansiedade ou de qualquer outro sintoma que se apresentaram a você? – Eu não sei. Quer dizer, sempre estive um pouco ansiosa, mas nunca senti nada parecido antes. Honestamente pensei que estava morrendo. O que está

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– Novo.


acontecendo comigo? – minha boca se abre quando sinto uma pressão aguda no meu coração. Ele martela violentamente contra o meu peito. Desta vez, com certeza vou morrer. – Respire... Respire. Um. Dois. Três. Pelo nariz e pela boca. Apertando meus olhos fechados, entendo suas palavras. Tento seguir as suas instruções. Inspire... Um. Dois. Três. Expire. – Por... porque isso está acontecendo comigo? – lágrimas escorrem pelo meu rosto. Não faço nenhum movimento para enxugá-las. Meus braços são chumbo, pesando. Respire. Finalmente registro a voz do médico quando ele me responde. – Você sofreu uma perda traumática e, às vezes, é demais para nossas mentes e corpos. Não sei o que dizer. Eu me sinto tão idiota por enlouquecer. Quero que isso tudo acabe. – Como você se sente agora? – os seus olhos azuis estão me observando de perto. – Minha cabeça dói. Ele morde o lábio inferior. – Você tem algum problema médico atual? – pergunta ele, continuando a analisar minhas respostas.

– Você está atualmente recebendo cuidados médicos por qualquer coisa que eu deveria estar ciente, ou você está tomando qualquer medicamentos? – Você não deveria ter isso na minha ficha? O outro médico já me fez um monte de perguntas. Há mais veneno no meu comentário do que pretendo, mas não quero

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– Não que eu saiba. – abaixei a minha cabeça, precisando de um momento de silêncio, mas ela se encaixa quando ele continua a disparar mais perguntas.


responder mais perguntas. – Infelizmente, o sistema de arquivamento do computador do hospital está passando por alguns problemas, então, você precisará falar comigo, enquanto entendo isso. Sei que o Dr. Levin está pronto para fazer alguns testes. Ele pega o telefone. – Ele deve estar de volta em um momento para falar com você novamente. Fecho meus olhos e desejo que tudo isso acabe. Só quero colocar todo o acidente para trás. – OK. – Você se lembra do que passava pela sua cabeça, logo antes do acidente? Minhas pálpebras se fecham e eu vou lembrar de mais detalhes. Memórias brilham no meu cérebro. – Estava pensando sobre o meu... meu... Nem sei como chamá-lo. – meu queixo treme. Estava chorando e me peguei distraída. – Então, olhei para cima e vi as luzes... Mas... mas então, já era tarde demais. Meu pé ficou preso em um tapete. Tentei parar... – minha voz se interrompe em um soluço. Do outro lado da cama, o Dr. Montgomery digita no seu iPad. Eu me pergunto o que ele está escrevendo. Ele acha que fiz isso de propósito? Que não foi um acidente. Que há algo errado comigo? Ele acredita em mim? Por que eles mandariam um psicólogo falar comigo? Posso perguntar?

O Dr. Montgomery se levanta e enfia a mão no bolso do paletó, depois tira a carteira e tira um cartão de visitas. – Eve, quero te dar meu cartão. Se você precisar de mim, por favor, não hesite em ligar e fazer uma consulta. Ansiedade e ataques de pânico podem ser graves e, se não forem tratados, podem piorar. Acho que a terapia pode ajudá-la a descobrir seus gatilhos e ajudá-la a encontrar uma maneira apropriada de gerenciá-los e tratá-los.

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O Dr. Levin entra no quarto, me arrancando dos meus pensamentos. – Olá, Eve. Dr. Montgomery. – ele diz, quando o dispositivo é entregue a ele. Seus olhos se estreitam quando ele lê as anotações sobre o que deve ser o meu prontuário, e acena para o Dr. Montgomery de acordo.


Seus dedos encostam nos meus, e as pontas suaves causam um arrepio em minha pele. – Realmente espero que você ligue e marque uma consulta. Não tenho certeza se estou pronto para isso. Para realmente encarar o que está me assombrando.

......................................................................... As horas passam, eu deito na cama e me viro, esperando que o médico retorne. Quando ele finalmente retorna, estou cheia de alívio e pressentimento ao mesmo tempo. Tudo está bem. Apenas uma leve concussão e um pedido de acompanhamento com um terapeuta. Um terapeuta. Posso fazer isso? Posso falar com alguém? Minhas mãos ficam úmidas e um formigamento começa no meu peito. Com cada momento que passa, o medo cresce mais forte e mais forte. Eu não sei se posso. Estou esperando pelos meus documentos quando a Sydney entra no quarto e olha para mim. – Então, o que foi agora? – ela pergunta enquanto esfrega a parte de trás do seu pescoço. – Nós esperamos que eu seja dispensada. – tento sorrir, mas duvido isso que alcance meus olhos. – Você vai falar com o terapeuta? Você vai marcar uma consulta com ele? – sua sobrancelha esquerda se levanta quando balanço a minha cabeça.

– Você está brincando comigo agora, Sydney? Você o viu? Eu teria que estar desesperada para deixar um homem lindo ver a minha loucura. – Bem, é melhor você encontrar outra pessoa, então, e rápido. Você não o viu, Eve. Você estava basicamente catatônica. Eu nunca estive tão assustada na minha vida. Você tem que falar com alguém. Se não ele, então outro. – Tudo bem, eu escolho a opção dois... alguém.

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– O que? Por que diabos não?


– Você tem certeza? Não me importaria de falar com ele e vê-lo, estar em cima dele, estar por debaixo dele. – ela me dá piscadas. – Ele é muito lindo. Não posso deixar de rir. Sydney faz as coisas se parecerem melhor, mesmo que seja por curta duração.

.................................................................... Muito no final do dia, finalmente recebi alta do hospital. Sydney ficou comigo o tempo todo segurando minha mão e me assegurando que tudo ficaria bem. Quando saímos do hospital, ela dá um passo à frente e chama um táxi. Graças a Deus por isso, porque também estou fisicamente e emocionalmente esgotada para levantar meus braços. Juro que poderia dormir por dias. Meu corpo inteiro está fraco e frágil. Nosso táxi acelera no fluxo de tráfego. Leva apenas alguns minutos para chegar ao nosso prédio de apartamentos. Sydney paga o motorista e nós duas saímos. A calçada está lotada e tenho que evitar esbarrar na multidão. Meus passos são lentos e instáveis, e atravessar a curta distância até a porta do saguão parece uma maratona.

Finalmente, nós entramos no arranha-céu e no meu apartamento. Vejo uma foto dp Richard e eu na minha graduação da faculdade na mesa lateral. De repente, não consigo respirar de novo. As paredes fecham como todos os músculos apertando no meu peito, causando uma dor insuportável. Cada batida do meu coração é uma batida de trovão que ameaça ser a minha última. Meu nível de oxigênio diminui para quase nada quando cada respiração é acelerada e mais rápido. Por que não vai parar? As lembranças são tão vívidas que se manifestam como se fosse ontem.

O dia finalmente chegou.

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O vento chicoteia impiedosamente contra mim, fazendo com que sinta calafrios e tremores.


Os meus olhos examinaram a multidão, procurando por ela e procurando por ele. Não era uma façanha pequena, minha mãe viria hoje. Então, com entusiasmo, olhei para fora entre a massa de rostos sorridentes para encontrá-la. Finalmente encontrei, mas não foi um orgulho que eu vi. Seus olhos estavam vazios de emoção, como uma tela em branco. Ela se abanou e checou seu pulso contra o pescoço. Lá estava ela de novo, fingindo alguma doença imaginária. Uma tristeza profundamente enraizada me envolveu. Ela não conseguia encontrar nela para fingir ser normal, mesmo por um dia. Meus ombros caíram para frente. O olhar de Richard se fechou no meu. Ele endireitou os ombros e levantou o queixo. Entendi o que ele estava me transmitindo por todo o caminho do outro lado do lugar. Fique de pé. Seja orgulhosa E com isso, sorri para ele e senti a satisfação crescer dentro do que tinha realizado.

– Aqui, beba isso. – diz Sydney, enquanto empurrava um copo na minha frente. Tomo um gole, engolindo o água, mas o quarto continua a girar enquanto respiro freneticamente. A mão de Sydney esfrega círculos nas minhas costas. – Está bem. Você está Meu corpo balança no lugar, os movimentos crescem cada vez mais rápido enquanto espero a calma iminente que não vem em breve. – Shh, você está bem. Você está bem. Eu me inclino para trás e fecho meus olhos. Não sei quanto tempo passa, mas quando reabro eles, percebo que estou de volta ao normal Estou calma. O medo está mais uma vez adormecido, mas o fusível está agora aceso. Sinto isso em todas

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bem.


as respirações. A chama está queimando lentamente, e é só uma questão de tempo antes que eu exploda novamente. Com movimentos lentos, volto a minha atenção para a Sydney. Sentada na beirada do sofá, o seu rosto está pálido enquanto ela morde o lábio inferior enquanto me observa. – Você está bem? Preciso ligar para o médico? – Estou bem. Juro que estou bem. Só estou cansada. Realmente, muito cansada. – caio de volta no sofá e suspiro. – Isso é totalmente compreensível. Você passou por tanta coisa nos últimos dias. Juro que nunca vi algo parecido com os ataques que você teve hoje. Você deve estar exausta. – Estou. – murmuro enquanto me forço a responder a sua pergunta. Quando as palavras caem, minha visão está embaçada e é difícil se concentrar nela. – Mais alguma coisa dói? Parece que você pode vomitar. – Eu meio que sinto que posso. – É provavelmente a concussão. Eles disseram que vomitar poderia ser um efeito colateral. Por que você não se deita no seu quarto e vou sentar com você enquanto você descansa? Ela fica de pé e estica o braço para me ajudar.

– Não quero ouvir isso. Entre a concussão e seus ataques de pânico, não me sinto confortável deixando você sozinha agora mesmo. Eu aceno, então entro no meu quarto e deito na minha cama. A cama mergulha com o peso de Sydney enquanto descanso meus olhos.

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– Você não precisa fazer isso. Vou ficar bem. – não tenho certeza se vou, mas não tenho energia para contar a ela.


Meus olhos se abrem algumas horas depois. A cabeça de Sydney se encaixa na minha direção. Seus olhos estão vermelhos e inchados da falta de sono. Ela esfrega-os freneticamente e percebo umidade no dedo. Ela estava chorando? Isso é por minha causa? Ou há algo mais que a deixa triste? – Você está bem? – pergunto a ela e suas costas endurecem. – Eu vou ficar. – Há algo que você quer falar? – Não, estou apenas cansada. – Você parece exausta. Você dormiu bem, Syd? – murmuro, com a minha voz ainda atada ao sono. Ela me dá um sorriso apertado. – Não, não realmente. Como você está se sentindo? Precisa de alguma coisa? Remédio? – Eu posso pegar. – digo antes de bocejar. – Está bem. Vou pegar. – ela levanta da cama e sai para me pegar um pouco de água. Quando ela retorna, percebo como ainda está triste. Faz com que cada músculo dentro de mim se aperte, constringindo minha respiração ao ponto de dor, e uma sensaçao de culpa me consome. O pensamento me atormenta novamente. É uma voz incessante na minha cabeça que fala repetidamente. Isso é por minha causa? Ou é mais?

– Estou bem. Não se preocupe comigo. Como você está? Você quer falar sobre a morte do Richard? Você não fala muito sobre a sua família, mas talvez você sinta, eu não sei, mais confortável comigo? Meus olhos se enchem com lágrimas e balanço a minha cabeça. – Eu não posso. – Entendo, entendo, mas você não acha que deveria? Você ainda está de luto. Talvez, ajudaria falar sobre isso.

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– Sinto muito, Syd. Eu odeio ter feito vocês passar por isso nesses últimos dias. Você está bem?


– Veremos. – Por favor, pense sobre isso.

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– Eu prometo que vou. – menti


Capítulo Dois

Preston Toda semana faço voluntariado no Sinai-Grace, mas eu não mantenho horários regulares. Estou aqui apenas como um recurso gratuito para a equipe usar quando precisarem de uma consulta. Nunca fica mais fácil. Às vezes, me deparo com confusão e às vezes com a raiva, mas o mais difícil é a tristeza. A tristeza pode danificar uma pessoa. Pode fazer uma morada dentro de você, lentamente, construindo um muro ao redor da sua alma. No início, meu trabalho era parte de uma reparação que faria para mim mesmo, então, rapidamente se transformou em algo que eu amava. Ajudar as pessoas é o que eu deveria fazer, mas tudo mudou. O que se tornou a minha paixão é agora, mais uma vez, uma lembrança constante do que perdi. No entanto, hoje foi diferente. Hoje ela estava aqui. No meu hospital. Quais eram as chances? Quando os nossos olhos se encontraram, era como se o meu mundo saísse de seu eixo. Descrença e depois preocupação. O que diabos aconteceu com ela? Aqueles olhos azuis frios já foram tão dinâmicos. O que aconteceu para causar tanta dor?

Ela estava sentada em uma mesa no canto mais distante do restaurante Paradise, olhando para a rua. Ela era bonita. Serena. Mas o que me deixou sem fôlego era que ela parecia com ela. Eu lembro de pensar que era ela... Sloane

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Lembro da primeira vez que a vi. Ela roubou a respiração dos meus pulmões.


Mas isso não era possível. E por mais que soubesse disso, ainda me via olhando através do espaço que nos separava. As semelhanças eram estranhas. Dei um passo à frente e as suas feições familiares começaram a desaparecer. Como o traçado de um impressionista em uma tela, em close-up formando uma nova imagem. Esta imagem estava vibrante e viva. Esta imagem não era a mulher que assombrou os meus pensamentos de vigília, que me provocava e me atormentava. Não. Esta mulher era outra coisa. Uma parte de mim queria atravessar o espaço que nos separava. Queria falar com ela. Queria descobrir tudo sobre essa garota que me lembrava muito de um tempo anterior. Mas não falei. Como poderia? O que eu diria mesmo? Eu quase caí em choque hoje. Levou cada pedaço da minha alma para me segurar enquanto olhava para ela. Lá estava ela deitada em uma cama de hospital, fraca e frágil. Ela me lembrava da neve recém-caída. Ela tinha a pele clara, cabelos loiros pálidos e olhos azuis frios. Agora eu tinha um nome... Eve Hamilton. Não sei por que lhe entreguei o meu cartão. Eu não precisava. Eu não deveria.

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Uma referência teria sido suficiente. Mas havia algo nos olhos dela. Algo que eu tinha visto antes. Uma tristeza profundamente enraizada que eu queria - não, precisava - consertar.


Capítulo Três

Eve Na última semana e meia, não fiz nada. Parecia como se o mundo estivesse se aproximando de mim e não havia nenhuma luz no fim do túnel. O peso ficava no meu peito. Há uma sensação de sufocamento a cada respiração estrangulada que tentava ter. Não podia comer. Não conseguia dormir. Não podia continuar assim. Algo tinha que mudar.

Desde que sai do hospital para a casa, comecei a ter pesadelos que me deixavam sem esperança e com medo. Toda noite peço por paz, mas quando o sono me encontra, uma série de imagens, cheiros e sentimentos tão nítidos me atacam. Eles me arrancam da minha cama noite após noite com suor e lágrimas. Mas sei que pesadelos sempre me encontrarão. Eu não tenho escolha. Esta manhã, depois de uma noite terrível de virar pra lá e pra cá, fui acordada da minha névoa ao som de vidro quebrado. – Merda, merda, merda. – ouço enquanto sigo pelo corredor até a cozinha.

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Eu me vejo olhando para o cartão do Dr. Montgomery e imaginando como seria sentar na frente dele e jogar a minha alma. O cartão estava começando a se desgastar e amassar das inúmeras vezes em que lidei com ele. Deveria ligar para ele? Ele parecia saber do que estava falando, mas ao mesmo tempo não tinha certeza se ele seria a coisa certa para mim. Não tenho certeza se quero olhar nos olhos dele e deixar que veja minhas fraquezas.


Acho a Sydney no chão pegando pedaços da minha caneca de café favorita. Não posso deixar de rir da ironia. Tudo está caindo aos pedaços. Por que não minha caneca também? Ela gira ao redor ao som da minha risada. – Ah, meu Deus, sinto muito. Estava tentando fazer para você uma caneca de café e acidentalmente a derrubei do balcão. – Não se preocupe com isso. – tento dar a ela um sorriso tranquilizador. – Sério, Syd. É só uma caneca. Balançando com a cabeça, ela fica de pé, colocando os cacos da cerâmica na lata de lixo, e então, se dirige para o balcão e pega outra caneca de café. – Quer um pouco? – Claro, obrigada. – eu digo enquanto ela serve o café. – Então, o que você planejou para hoje? – ela puxa a cadeira da bancada da cozinha e se senta. – Preciso ligar para a minha mãe, ver se ela precisa de alguma coisa. Isso é muito bonito. Os lábios de Sydney se alinham. – Vou ficar bem. – tento tranquilizá-la, mas ela é inteligente para se preocupar comigo. Conversar com a minha mãe é emocionalmente desgastante em um dia bom e com a minha condição atual, não tenho certeza se posso lidar com dela. Mas tenho que lidar.

– Eve. – ela geme. – O que há de errado, mamãe? Você está bem? – sei que ela não está. Ela nunca está. Sua hipocondria não tem limites. Ela abrange cada respiração que ela dá. – Estou tonta e não consigo me mexer. É como se o meu rosto estivesse entorpecido. Posso estar tendo um...

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Tomo mais um gole e fico na mesa, pego meu telefone e começo a discar. Ela atende no primeiro toque, como se estivesse desesperada por alguém para ouvir sua neurose.


– Você não está, mãe. – Como você sabe? Eu poderia estar. Meu coração bate devagar... – Você tomou alguma coisa? – Apenas minha insulina. – e aí está. A minha mãe não tem diabetes. Ela tem diabetes "auto-diagnosticada", e com dinheiro suficiente e um médico charlatão, ela agora tem insulina para tratar uma doença que ela nunca teve. – Estou indo agora. – mordo o meu lábio e tiro sangue. O sabor acobreado cobre a minha língua, enquanto a deslizo para limpar. Não sou forte o suficiente para lidar com isso agora, mas isso me afeta de qualquer maneira. Eu sou tudo o que ela tem.

............................................................................. Uma hora depois, me vejo no Upper East Side no apartamento da minha mãe. Meu corpo todo está ligado. O apartamento do Richards está no mesmo prédio, e uma parte de mim se sente vazia sabendo que não posso aparecer para vê-lo. Entro na sala de estar da minha mãe, mas está vazia, então, continuo no quarto. É onde a encontro meio vestida e desgrenhada. Há maquiagem borrada no rosto dela e os olhos dela estão fechados.

Ela geme com o contato. – Frio. – ela murmura. – Mãe, você pode abrir os olhos? – ela abre, mas vejo instantaneamente que eles não estão focados e parecem nebulosos. – Você tomou mais alguma coisa, mãe? – Na... nada.

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– Mãe, você está bem? – corro para o lado da cama, agarro o braço e verifico o seu pulso.


– O que você tomou, mãe? – Nada. – ela murmura. – Só a minha insulina. – e com isso, eu sei que o açúcar no sangue dela está perigosamente baixo. Saio do quarto e entro na cozinha para pegar um pouco de suco de laranja. Quando estou de volta, com a minha ajuda, ela bebe. Dentro de alguns minutos, a cor retorna para suas bochechas. Tomar insulina pode matar a minha mãe. Quando ela toma, seu nível de açúcar nunca é alto o suficiente para a quantidade que ela toma. Eu quero gritar, mas não grito. Em vez disso, vou para a cama e balanço-a para dormir. Estendo a mão, acaricio o seu rosto e ela murmura palavras ininteligíveis. Não sei o que fazer com a minha mãe hoje. Tudo o que sei é que hoje é pior que a maioria. Normalmente, a maioria de suas doenças são fictícias.

Estou exausta quando chego ao meu apartamento. Todos os músculos do meu corpo doem. Indo para a sala, me afundo no sofá branco macio que fica ao lado da parede. Foi a nossa primeira compra quando nos mudamos há dois anos, e até hoje parece o santuário que sempre preciso depois de deixar minha mãe. Reclinando-me para trás, fecho meus olhos cansados. Eles ardem de todas as lágrimas que derramei a semana passada. Como uma lixa raspando contra o grão de madeira, elas me lembram de todos os defeitos que preciso suavizar em mim. – Como foi com a sua mãe? – Sydney pergunta, enquanto ela caminha preguiçosamente para a sala de estar. – Não foi bom. – dou um gemido, enquanto passo as minhas mãos pelo meu

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Elas residem dentro de seu cérebro e se alimentam do medo que vive lá. Mas desta vez, ela está realmente psiquicamente doente. Ela é mais difícil de lidar assim. Em dias como hoje não há calmante para a minha mãe. Em dias como hoje não há perguntas ou verdades. Em dias como hoje, só tenho que tratar os sintomas e rezar, rapidamente ela está em paz em meus braços e, por um momento, meu coração aperta no meu peito. Isso é tão contraditório. Ela deveria estar me segurando, me confortando, não o contrário. Ela deveria ser a única a ser a minha mãe.


cabelo e puxo minhas raízes dele. – O que está acontecendo? – Ela está doente. – meus dedos ficam tensos no meu colo. – Desta vez ela estava tonta. – Sydney sabe o que isso significa. Hoje estava tonta, na semana passada foi uma úlcera de estômago e na semana anterior um coágulo de sangue. Engulo com dificuldade quando a ansiedade familiar tece o seu caminho através da minha corrente sanguínea. – Ela está tendo uma reação à insulina. Está deixando-a fraca e letárgica. – um silêncio nos rodeia quando ela aceita o que eu disse. Meu estômago se agita desconfortavelmente no vazio. Ela tem um olhar intrigado no rosto dela. – Insulina? Para diabetes? Desde quando ela tem diabetes? – Você sabe como é. Ela tem isso há algumas semanas, mas não é de verdade, obviamente. Como todo o resto, está na cabeça dela. É uma triste verdade, mas é assim que tem sido desde que me lembro. Nenhum médico encontra nada errado. Isso é só um falso diagnóstico. Isso parte o meu coração, e gostaria de poder ajudá-la, mas não há como ajudar alguém como ela. A parte assustadora é que todos os dias desde a morte do Richard, eu entendo ela mais e mais como o meu próprio pânico me desativa. – Como pode ser?

– O que você pode fazer? Meus olhos se fecham com os de Sydney. Sua testa está franzida e sinto uma pontada de dor por colocar esse olhar lá. – Tudo o que posso fazer é estar lá para ela e cuidar dela, eu acho. Suas bochechas ficam tensas e pequenas linhas de preocupação aparecem em

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– Com a quantidade certa de dinheiro e pressão, um médico irá diagnosticar você com qualquer coisa. Nesse caso, seus açúcares são normais, mas para ela são "altos", então o médico lhe dá insulina. Então ela fica "doente" e um ciclo horrivelmente vicioso começa.


sua testa. – Sinto muito. – Não é sua culpa. Ela me dá um sorriso apertado e senta ao meu lado no sofá. – Sei que não é minha culpa, mas me preocupo com você, então, sua dor é minha dor. – Você não tem ideia do quanto isso significa para mim. Sei que não sou a mais fácil... – Véspera... Levanto a minha mão. – Não, Syd, deixe-me terminar. Nunca tive amigos de verdade. No ensino médio, mesmo na faculdade, sempre tive que estar lá para a minha mãe, e não emprestou bem para promover relações com os meus pares. Claro, que eu tinha alguns amigos, mas acabaram se cansando de mim sempre cancelando ou saindo mais cedo. Mas você nunca se importa se tenho que desaparecer por horas para ver como ela está, ou se sou evasiva ou fechada, e agradeço você por isso. Sei que não deve ser fácil ser minha amiga, mas agradeço por aguentar minha pilha interminável de merda. Sydney se aproxima e me puxa para seus braços. Seu abraço é caloroso e reconfortante. Meus ombros pulam para frente enquanto deixo parte da tensão acumulada ser absorvida nesse abraço. – Esta não é uma rua de mão única, querida. Você está lá para mim também. – recuo e olho em seus olhos. Ela sorri para mim. – Você me ajuda a escolher todas as minhas roupas para encontros, e você lida com minhas infinitas dietas malucas.

– Sim, totalmente o mesmo. – eu ri também, me juntando a ela. Juntas nós rimos até ela parar, e todos os músculos em seu rosto se apertam quando ela se torna mais séria. – Eu te amo garota. Não importa como. – ela diz e olha bem nos meus olhos. – E mesmo com tudo que você está passando, você ainda é a pessoa mais forte que conheço. – Eu não sei sobre isso.

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Ela ri, iluminando o humor sóbrio persistente no ar.


– Não conheço muitos jovens de vinte e quatro anos que são os únicos cuidadores da mãe. Mesmo que ela não precise de você o tempo todo, sei que a saúde dela te desgasta. Mas todo dia, não importa o quanto ruim seja seu o dia, você ainda está lá quando ela precisa de você. – Obrigada. – suas palavras agem como um bálsamo. Como se fossem um elixir mágico que consertassem a minha alma perturbada. Mesmo que seja apenas temporário, saúdo o sentimento. O cheiro me atinge. Inconfundível, mas indescritível ao mesmo tempo. Cobre. Doce. Pungente. Ele penetrava pela nossa casa como névoa num dia nebuloso. Cobrindo o mundo ao meu redor. Enchendo minhas narinas. Sufoco-me com medo. – Não! Meu corpo inteiro se agita quando gritos saem da minha boca. Tudo está se aproximando de mim. Medo, austero e vívido, brilham por trás das minhas pálpebras. Tentando escapar dos limites da minha mente, meus olhos se abrem. Uma Sydney meio vestida, entra correndo. A porta colide com a parede, fazendo a sala tremer.

Estou bem? Eu estou bem? As palavras ecoam pelo espaço. Pulando das paredes. Saltando pelo meu cérebro. Mas elas não têm significado. Nada tem significado. A única coisa que entendo é a sensação do sangue revestindo minha pele.

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– Você está bem? Eu só deixei você por um minuto.


Sangue. Descontroladamente, meus olhos percorrem a sala como um animal enlouquecido arranhando a mim mesma. – Tira isso! Tira isso! – Tirar o que? – ela me olha com confusão, enquanto esfrego as minhas mãos sobre o meu corpo, tentando desesperadamente limpar. – Está em toda parte! Você não vê isso? Posso sentir isso. Experimentar isso. Está em toda parte. Controlando tudo. – Ver o que? Eu não vejo nada. – O sangue! O sangue está em toda parte! – minha voz estridente ecoa através da sala enquanto a Sydney bate no interruptor de luz e a sala transborda em luz, me cegando. – Não há sangue. – enquanto meus olhos se ajustam, eu levanto o cobertor. Não há nada aqui. – Eu vi. Eu cheirei ele. Eu juro que estava lá! – choro. – Foi apenas um sonho. Você está bem. Shh, você está bem. Aqui, deixe-me pegar um pouco de água. Eu vou ficar bem aqui. Foi tão real, mas ela está certa. Não há nada aqui. Mas a tensão ainda permanece em meus ossos. Ainda reside em meu coração e em minha mente.

– Aqui. – ela me entrega o copo e tomo um longo gole da água. Ela esfria o meu corpo, sacia a minha sede, mas não para a sensação de apreensão passando pelo meu corpo. – Você precisa de mim para conseguir mais alguma coisa? – Não. Vou ficar bem. Eu prometo. – ela levanta uma sobrancelha para mim. Firmo a minha respiração para convencê-la de que ficarei bem. Emplastrando em um sorriso tranquilizador, a minha cabeça balança para cima e para baixo algumas vezes. – Realmente, estou bem. Por favor, volte a dormir. Você não precisa ficar de pé e me observar. Vou assistir TV ou ler um livro. – minha voz soa falsa até para

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Quando ela volta, as minhas lágrimas secaram, mas não consigo me livrar da sensação de que estou perdendo alguma coisa. Que o sonho era uma peça de quebra-cabeça, mas não sei onde a peça pertence.


meus próprios ouvidos. Ela sai da minha cama. – Tem certeza disso? Uma parte de mim quer implorar para ela ficar para me consolar, mas em vez disso, inclino minha cabeça. – Sim. – suspiro. Ela me olha mais uma vez antes de se virar para sair do quarto. Minha vida pré-acidente parece tão longe agora, enquanto o meu corpo treme como uma folha caindo de uma árvore. É como se eu nem soubesse quem era a pessoa que me tornei, mas isso me lembra da minha mãe. Eu preciso sair dessa. Voltar para a minha versão que eu conhecia. Isso fazia sentido. Não voltei ao trabalho desde o funeral. Entre a morte de Richard e a minha cabeça, ninguém está com pressa de que eu volte. Mas ficar sozinha o dia todo está começando a desgastar a minha sanidade, então, eu preciso voltar. O único problema é que o meu corpo está psiquicamente exausto. Só tenho mais alguns dias antes de voltar e estou com medo. Não acho que vou conseguir funcionar com esse pouco sono. Eu deito na minha cama e pego o Orgulho e Preconceito. Sempre encontro conforto nas palavras de Jane Austen. Talvez, isso levará a minha mente a retornar à minha vida real em alguns dias. Talvez, traga alguma aparência de normalidade.

Em algum lugar entre o Sr. Darcy insultando a Elizabeth e eles se apaixonando ardentemente do jeito que só é possível em histórias, devo ter caído de volta no sono. Desta vez, nenhuma visão dançava por trás dos meus olhos. Lá não tinha um gosto de medo tão aterrador que tinha certeza que iria me assombrar por dias. A paz finalmente me encontrou e embora breve, me parabenizei com o alívio. Eu acordo com uma nova resolução esta manhã, e isso é começar a me preparar para o trabalho. É inevitável que deva retornar. Já faz quase duas semanas desde que saí do hospital e não posso me esconder para sempre. Minhas duas semanas de licença estão chegando ao fim, mas a idéia de tudo que perdi no

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trabalho de repente faz minha cabeça doer. Massageio as minhas têmporas. Não, não vou ter dor de cabeça agora. Tenho muito a fazer. Pela primeira vez desde que o Richard morreu, meu apetite voltou. Não posso imaginar o quanto esquelética devo parecer para a Sydney. Quando ela está por perto, sinto que está me observando. A preocupação é evidente em seus olhos. Hoje o meu estômago ronca e vira com a necessidade de estar satisfeita. Precisa de força e substância. Indo para a cozinha, pego cereal e leite e me sento quando o meu telefone toca... Sydney. Não estou surpresa; ela me checa com frequência para ter certeza de que estou bem. – Oi. – eu respondo, mas sai abafado enquanto mastigo os flocos de milho na minha boca. – Oi. O que está acontecendo aí? Você está bem? – Estou bem, apenas comendo. – coloco a colher para baixo e levanto para pegar um pouco de água. A torneira ganha vida e me sirvo de um copo de água corrente fria. – Como está o trabalho? Alguma coisa que eu precise saber? – Não, você está de licença. Não vou falar de trabalhar com você. – ela diz com uma voz severa que me faz sorrir. – Ah merda, a outra linha está tocando. Te ligo de volta. – nem tenho tempo de me despedir antes de ouvir o silêncio. Sentando de volta com o meu copo agora cheio, alcanço a minha colher quando o meu celular toca novamente. Minha boca se divide em um sorriso. Aquilo foi rápido. Quando olho para baixo, percebo que é um número que não reconhecia. Devo atender? A curiosidade vence e o meu dedo passa na tela.

– Eve Hamilton está ai? – a voz não é familiar e me deixa nervosa. – Sim, é ela. Quem está falando? – meus ombros ficam tensos e o tempo passa enquanto espero. – Olá, aqui é a Pamela ligando do escritório de advocacia de Milton Schwartz. Ele é o advogado que lida com as propriedades de Richard Stone. Você tem um

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– Alô?


momento para falar? – Sim. Claro. Como posso ajudá-la? – Sr. Schwartz gostaria de marcar uma hora para se encontrar com você para discutir a propriedade de Stone. Você poderá vir no nosso escritório amanhã? Amanhã, amanhã, amanhã, a palavra circula em minha mente várias vezes. Serei capaz de conhecer ele? Posso lidar com isso? Estou com medo do que ele vai me dizer. Mas não tenho escolha. Tenho que dizer sim. – Sim, posso encontrar o Sr. Schwartz amanhã. – Que horas seria conveniente para você, senhorita Hamilton? – Posso estar aí por volta do meio-dia. Pode ser? – o som dos dedos batendo no teclado pode ser ouvido através do telefone. – Sim, o Sr. Schwartz pode ver você, então. Pamela começa a falar o endereço e, quando termina, desligo o telefone, já temendo o que o amanhã trará.

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Meu estômago aperta e tenho que me encontrar com o advogado de Richard em breve. Um estranho sentimento de pavor me atormenta, como se gelo estivesse passando em minhas veias. Faço o meu melhor para engessar um sorriso falso e fingir que estou bem. Em vez disso, deixei o sorriso desaparecer dos meus lábios. Você não pode mentir para si mesma.

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Com olhos embaçados pelo sono, eu acordo. Os pesadelos da noite passada foram os mesmos de todas as noites anteriores. Preciso conseguir ajuda, mas estou com medo. O suor reveste o meu lábio superior e me encontro mastigando o interior da minha bochecha.


Uma hora depois, quando finalmente cruzo a porta do seu escritório, encontro-me com um homem idoso. Ele parece ter cerca de sessenta anos e está vestido com um terno azul marinho com uma gravata combinando. – Olá, senhorita Hamilton. Por favor, entre. Posso pedir à minha assistente Pamela para pegar algo para você beber? Um café, talvez? – ele sorri. É um sorriso paternal e me lembra de Richard. – Olá, Sr. Schwartz. Por favor, me chame de Eve e, sim, uma xícara de café seria adorável. Estou exausta de uma noite difícil e meus músculos estão tão apertados que daria boas vindas a qualquer coisa agora para manter minha mente ocupada. Estou esperando que uma xícara de café quente faça o truque. – Ok, por favor, sente-se e já vou estar com você. – ele se move para a cadeira, e eu me sento do outro lado da mesa dele. Depois que desliga o telefone com sua assistente, ele tira um arquivo de sua mesa. Enquanto ele arruma os papéis, sua assistente entra na sala e coloca uma xícara quente na minha frente. O fluido quente cobre minha garganta e evoca o calor que flui pelo meu corpo. Isso ajuda a acalmar meus nervos que estão tão tensos que temo quebrar. – Muito obrigado por concordar em se encontrar comigo hoje. Queria discutir as propriedades do Sr. Stone. Normalmente, não discutiria isso na ausência do resto dos beneficiários, mas quando o Richard elaborou sua vontade anos atrás, ele me deu a autoridade para discutir todos os assuntos das propriedades - incluindo a empresa - com você primeiro, especialmente porque isso preocupa você.

– Do meu entendimento, você está ciente de que a The Stone Agency, embora, seja de propriedade e gerida pelo Sr. Stone também tinha um investidor anônimo. – E isso me preocupa porque? – O investidor anônimo é a Laura Hamilton. – eu quase deixo cair a xícara de

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– Não sei por que a empresa me preocuparia.


café enquanto minha mão treme com a notícia. – Minha mãe? – endireito a minha coluna, tentando me recompor diante desse estranho virtual. Isto não ajuda. Em vez disso, o meu joelho pulsa com os nervos. – Sim, quando seu pai faleceu, sua mãe investiu parte do dinheiro do seguro de vida dele no negócio. Tem sido um investimento bastante lucrativo. Você pode encontrar conforto, embora a sua mãe não trabalhe na companhia, ela e suas contas médicas serão atendidas pelo resto de sua vida. Existe uma estipulação na vontade, no entanto, impedindo a condição mental de sua mãe. A vontade afirma que Michael Durand era para ficar a cargo da empresa. – OK. Isso faz sentido. Há algo mais que eu deveria saber? – descobrir que a minha mãe é dona da empresa em que trabalho é uma bomba. Eu me pergunto se existem outros grandes segredos escondidos nesses papéis. Todo o pensamento me faz suar frio. – Sim. – ele puxa um papel da pilha em sua mesa e entrega para mim. É uma ação. – O verdadeiro motivo que queria ver você hoje é que você herdou o apartamento do Sr. Stone. – minha boca cai aberta e eu me movo na minha cadeira. – Tenho o apartamento dele? – Sim. Ele disse que você era como uma filha para ele. Ele falou muito sobre você com carinho.

– Você tem certeza? – ele pergunta e eu levanto as minhas mãos para cobrir o meu rosto. – Deus, eu não sei. – Que tal você pensar sobre isso? Se você optar por vender, posso encontrar uma empresa imobiliária para listá-lo. – Obrigada por toda a sua ajuda, Sr. Schwartz. Tenho muito o que pensar e

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– Não posso viver lá. – eu deixo escapar, já sentindo os meus músculos do peito apertando com o pensamento de viver no mesmo prédio que a minha mãe. – Eu tenho que vendê-lo.


vou conversar com a minha mãe em relação aos negócios também. – Estarei no escritório finalizando alguns papéis com o Michael nas próximas semanas, para que possamos tocar base, então. Se você precisar de alguma coisa nesse meio tempo, aqui está meu cartão. Por favor, sinta-se livre para me ligar com qualquer pergunta, ou se sua mãe precisar de alguma coisa. – Obrigada. – eu me levanto e caminho até a porta. Em transe, ando pelas ruas de volta ao meu apartamento. A cidade passa em como uma onda de movimento, mas nada está em foco.

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Quando seria mais fácil?


Capítulo Quatro

Eve O sol da manhã brilha através das cortinas. Ele lança uma luz brilhante nos meus olhos, forçando-me a despertar. Verificando o relógio, vejo que são apenas sete da manhã. Uma parte de mim quer fechar meus olhos e se esconder pelo dia inteiro, mas volto ao trabalho amanhã, tenho um monte de coisas para fazer. Preciso pegar alguns mantimentos para mim, e alguns para a mamãe também. A ideia de arrastar a Sydney é tentadora, mas no final, enquanto calmamente caminho pelo corredor para me refrescar decido deixá-la dormir. Tenho certeza que vai dormir o dia todo. Ela não tem sido ela mesma desde o funeral também. Sinto como se fosse minha culpa. Ela também perdeu alguém. Não posso imaginar o quanto difícil deve ser para ela querer chorar, mas sentir que não pode por minha causa. Eu vou deixá-la dormir. Deixa-la ter o seu espaço para sentir o que ela precisa sentir.

Primeiro fui ao supermercado do outro lado do meu apartamento, voltei para casa para guardar a minha comida. Então, com os mantimentos da mamãe na mão, entro em um táxi e me dirijo para a cidade. A arquitetura e as pessoas passam como um mar de cores, e me perco em meus próprios pensamentos sobre a iminente conversa que pretendo ter com ela. Hoje preciso confrontar a minha mãe sobre seu investimento na Agencia The Stone. Estou com um pouco de medo do que vou encontrar hoje. Nunca há uma certeza do humor ou da doença quando me encontro ao entrar na casa de Laura

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Depois de um longo banho para lavar a minha noite inquieta, como alguma coisa, e depois, saio para o dia.


Hamilton. Nervosamente, minhas mãos começam a passar pelo meu cabelo, puxando gentilmente as raízes quando entro em sua casa e caminho para a cozinha. Está um desastre. A bancada de mármore intocada tem remédios espalhados por ela. Frascos de comprimidos estão abertos e derramados a esmo pela superfície. Não parece que eu vou receber nenhuma resposta dela hoje. Jogando os sacos de comida, eu me apresso para encontrar minha mãe. O ar é arrancado de mim quando encontro a minha mãe. Ela está jogada sobre o vaso sanitário. O corpo dela inteiro se contorcendo com soluços enquanto lágrimas escorrem pelo seu rosto. Me ajoelho, tento consolá-la, mas é inútil. Através da histeria, ela murmura palavras que não consigo entender. Parece "culpa minha", mas não posso dizer ao certo. – O que aconteceu? – pergunto quando ela finalmente silencia e respira fundo. – Estou morrendo. – ela murmura, enquanto os meus dedos passam pelas suas costas, confortando e acalmando-a. – Você não está realmente morrendo, mãe. Mas se você continuar se automedicando, você apenas conseguirá. – Eu estou. Eu realmente estou. – ela não está, mas em seu estado de espírito, ela nunca vai entender isso. Ela tem calafrios quando a puxo para ficar em pé e levá-la para sua cama. Ela balança para frente e para trás.

Por mais que minha cama acene para mim, a ideia de outra noite inquieta me deixa ansiosa por uma bebida noturna. Não sou muito uma pessoa de beber, mas um sentimento ansioso se esconde em minha mente. Os pensamentos me dizem que o meu coração acelerado irá ter um ataque cardíaco, e estou ficando louca com a minha própria desgraça iminente. Estou me tornando a minha mãe. Com uma mão trêmula, aplico uma nova camada de batom e passo uma

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Até as seis da tarde rolo pra lá e pra cá, estou oficialmente totalmente exausta. Passar a tarde cuidando da minha mãe me deixa no limite. Quero ir para a cama, rastejar sob as minhas cobertas e me esconder do mundo. Quando ela está doente, ela suga a vida fora de mim.


escova no cabelo. Não estou necessariamente sentindo isso, mas o conhecimento de que vai abafar o medo que espreita por dentro é o suficiente para sair pela porta para pegar uma bebida. O Corner Bar está localizado na esquina da Trigésima Terceira e Terceira, daí o nome. Isso também acontece por estar bem debaixo do nosso prédio, o que é extremamente conveniente para tentar aquietar os pesadelos. Entro e recebo a mistura de ternos e jovens da faculdade. Os arredores e o ambiente são o que amo mais sobre esse bairro. A mistura saudável Moro aqui há pouco mais de dois anos, e tem tudo que uma recém graduada na faculdade poderia querer. Além disso, quando me mudei para cá, estava deixando memórias ruins para trás. Eu imediatamente me senti mais leve estando longe da mais recente doença da minha mãe pendurada acima da minha cabeça. Depois de cuidar dela por tanto tempo, me lembro da emoção de ter meu primeiro apartamento como se fosse ontem.

– Você está aqui. – entrei no apartamento - meu novo apartamento - e a Sydney gritou. – Estou tão animada. Aqui, deixe-me mostrar o seu quarto. Então, podemos pegar alguma comida. – Lidere o caminho. – sorri amplamente. Queria pular para cima e para baixo também, mas temia que ela pensasse que era uma maluca. Juntas nós demos alguns passos pela sala e ela abriu uma porta.

– É perfeito. – não importava o quanto pequeno era o quarto. Este era o meu lugar. – Mesmo? – É mais do que perfeito. – exclamei, e dessa vez me permiti ficar animada também.

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O quarto estava completamente vazio, exceto por uma cama ao lado de uma grande janela. – Sei que é pequeno e o espaço do armário é uma porcaria, mas... – parei de ouvir.


– Sim! Não é ótimo? – O melhor. É engraçado o quanto rápido as coisas mudaram nos últimos anos. Naquela época, veio a noite e dormi na minha nova cama. Agora, temo o que esse sono trará. A ironia não está perdida em mim. Todas as coisas que odeio sobre a minha mãe está começando a me atormentar também. Com um aceno de cabeça, sigo o caminho dos homens com ternos de três peças, perfeitos para o bar. Isso vai acabar com a vantagem. Afogue o medo. Permita-me paz. Depois de espiar um lugar vazio no bar, me sento. Meu telefone vibra na minha bolsa, então, o tiro e vejo que um nova mensagem de texto chegou.

Sydney: Onde você está? Eu: tomando uma bebida no The Corner Bar Sydney: Eu estarei ai em cinco minutos.

– Tequila. – eu grito de volta sobre a música alta enchendo o ar. Alguns segundos depois, eu estou fora dos meus pensamentos errantes enquanto um pequeno copo atinge a madeira. – Vinte dólares. Volto meu olhar para ele. Ele acabou de dizer vinte dólares? – Por uma dose de tequila? – seu rosto se divide em um sorriso perverso.

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Um barman bonitinho de vinte e poucos anos com cabelos loiros desgrenhados me dá um sorriso malicioso. – O que posso oferecer para você, querida? – ele pergunta com um sotaque do sul que é tão fofo quanto a sua aparência.


– Sim. – É melhor ser a melhor tequila que eu já tive. Com isso ele ri. – Ah, será. – ele sorri enquanto levanto o copo para a minha boca. Pisco e engulo o líquido ardente. O carinha me dá um sorriso quando levanta a sobrancelha. – Outra? – As mantenha chegando. – sorrio e alguns segundos depois, estou levantando a minha segunda dose na minha boca. Esta arde menos do que a primeira e faz o meu estômago ficar quente. – Oi, matadora. Acalme-se com as doses. Quantas você já tomou? – olho por cima do meu ombro para ver a Sydney de pé atrás de mim. Sua testa está franzida e sua boca está em uma linha estreita. – Apenas duas, mas quem está contando? – Você deveria estar. Amanhã você vai voltar ao trabalho ou esqueceu isso? – Gostaria de poder. – aceno a minha mão para chamar a atenção do barman. – Mais uma. – Eve, você precisa ir com calma. – ela se aproxima, colocando a mão no meu braço para tentar me levar. – Eu não quero. – eu bufei.

Virando a cabeça, levanto uma sobrancelha para ela. – O que você quer dizer? Não pode uma garota ir a um bar e pegar uma bebida? – Eu te conheço há dois anos e meio, vivi com você praticamente o mesmo tempo e você nunca foi um grande bebedora. Claro, você foi em um coquetel aqui e ali depois do trabalho, mas para ir ao bar e virar doses antes de dormir - em uma noite em que você tem que trabalhar no dia seguinte também? Bem, isso não se parece com você. Quero dizer, entendo, mas ainda assim...

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– O que esta acontecendo com você?


Fecho meus olhos e um gemido abafado escapa. – Só quero dormir, Syd. Fui ver a minha mãe de novo e foi ruim. Ela estava muito mal. Além disso, a ideia de outra noite sem sono, ou pior... Paro de dizer a ela que estou tentando abafar as vozes e silenciar os sonhos. Ela não iria compreender. Ela estende a mão e pega a minha na dela. Seus olhos são suaves como se ela ouvisse as palavras que não falei. – Beber não vai fazer os pesadelos irem embora, querida. Acho que é hora de você procurar alguém. – Talvez. – eu sussurro. Procuro o barman e levanto a mão para sinalizar que quero outra.

........................................................................ Meu corpo parece solto. Não há tensão em lugar algum. Com cada dose que tomo, o barman fofo se torna o "Barman gostoso". Aparentemente, o seu nome é Austin e suas piadas ficam mais engraçadas e divertidas até que estou debruçada em um ataque de risos. – Você está pronta para voltar para casa? – Sydney pergunta do meu lado. – Não. – eu rio, provocando uma risada de Austin. – Não posso deixar você aqui. – seus olhos se estreitam e pisco para ela. – Eu vou ficar bem. Austin vai cuidar de mim.

Eu rio e Austin sorri. Sydney se aproxima de mim e sussurra em meu ouvido: – Tem certeza? – Totalmente. Eu vou ficar bem. E ir para a cama.

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– É disso que eu tenho medo.


Onde diabos eu estou? A dor no meu crânio parece que uma britadeira perfurando. Minha boca está seca e meus lábios estão grudados enquanto os separo. É como se estivesse engasgando com giz. Uma coisa encardida cobre minha garganta. Nojento. Tento esfregar o sono, mas em vez disso, pego um punhado do que está no meu queixo. Talvez, a tequila não tenha sido uma ótima ideia. No entanto, funcionou. Com a bebida se infiltrando na minha corrente sanguínea, desmaiei, mesmo que não estivesse na minha própria cama. É a primeira vez em semanas que durmo uma noite inteira. Sentando-me e me inspeciono. Estou completamente vestida e sozinha na cama. Graças a Deus. Isso poderia ter sido mau. Não que não tivesse desfrutado de uma noite com o Austin, mas odiaria estar tão bêbada que não me lembrasse disso. Saindo da sala, dou uma olhada no apartamento dele. Lá está ele, encolhido no sofá, roncando distante. Eu nem me incomodo em dizer adeus. É estranho o suficiente sem chamar a atenção para o fato de que era uma bêbada exuberante na noite passada. Merda, espero não ter dito nada idiota, ou pior, me feito de idiota. Sydney e eu talvez precisemos encontrar outro bar.

Nova York é bastante tranquila às seis da manhã, embora ainda esteja escura. O único som é o suave zumbido dos táxis passando. Isso me lembrava de uma máquina de som que você ouve à noite. Enquanto ando de volta para o meu apartamento, minha ressaca começa a passar. Os sons e a arquitetura me distraem. Olhando para a natureza intrincada de cada prédio que passo é fascinante. Como impressões digitais, nenhum edifício é o mesmo. Cada um é único e bonito em seu próprio jeito. Quando me aproximo da minha rua, tomo o meu ritmo. O trabalho será só daqui a algumas horas, e não preciso estar lá até as nove, mas ainda preciso tomar banho e me arrumar. Uma hora depois, estou pronta para ir. Desde que perdi muito trabalho, decido

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Ainda dormindo, ele grunhe como se estivesse prestes a acordar. Eu tomo isso como minha sugestão para fazer um caminho em linha reta para fora da porta.


ir mais cedo e dar um salto no dia. Estive tão afasta, me vejo correndo para driblar o trânsito da manhã. Trabalhando a respiração, balanço a porta giratória e, em seguida, corro para o elevador. Ele abre quase instantaneamente. Tudo dentro de mim parece que começou a se apoderar. Os músculos se contraem, os olhos lacrimejam, os ombros caem para frente, seguro as minhas mãos trêmulas na fria superfície de metal da parede. Eu tenho que enfrentar meus medos. Indo de volta a um lugar que me lembra muito da minha perda, parece que alguém pegou e reabriu uma cicatriz em meu coração. Tento afastar as emoções enquanto coloco um sorriso no rosto e entro na suíte. Mas meu sorriso é falso. Ele é mentiroso. Diz que estou bem. Mas não estou. Todo sorriso é um apelo. Todo sorriso é uma oração para eles não verem a minha dor. Eles não vêem o quanto estou sofrendo desde a morte de Richard. Meu batimento cardíaco acelera. Estou bem. Eu ficarei bem... É estranho estar aqui. Tudo está errado. A alma da empresa se foi e enquanto as pessoas em torno de mim seguiram em frente, não posso ignorar sua ausência. Richard não era apenas um chefe, ele era para todas as intenções e finalidades a vida desta companhia. Agora com ele fora, este lugar parece uma concha do que costumava ser. É como se precisasse de um roteiro para descobrir. Nada mudou, por si só, mas tudo estava diferente.

Nas próximas horas, me deparo com todos os e-mails que perdi nas últimas duas semanas enquanto estava de licença. Felizmente, Sydney entrou e pegou um pouco da minha carga de trabalho enquanto estava fora. Sem ela, eu nunca teria chegado tão longe depois do funeral. Como se os meus pensamentos a tivessem evocado, vejo a Sydney entrando e vindo em minha direção. – Ei, você está bem? Não te vi hoje de manhã. A que

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Pego um caminho mais longo no meu lugar no escritório. Uma névoa de tristeza perdura sobre os poucos funcionários já aqui pelo dia. Do canto do meu olho, noto-os olhando, examinando, julgando. Eles sussurram e pergunto-me onde estive. Eu quero rastejar em um buraco e me esconder. Em vez disso, endireito meus ombros e ando com propósito. Digo bom dia a eles enquanto caminho até a minha mesa e espero que eles não vejam através da minha fachada.


horas você veio? Você fez... – ela se inclina para frente, mais perto de mim. – Você foi para casa com aquele barman? Eu gemo. – Sim. – seus olhos se arregalam, mas balanço a cabeça. – Não, nada disso. – levanto minhas mãos na minha testa. – Você está de ressaca? Sua cabeça dói? – Estou bem. Realmente não dói mais. Apenas um pouco. – coloquei minhas mãos de volta no meu colo para provar que estou bem. – Desculpe se te assustei. Não deveria ter ficado para trás. Deveria ter ido para casa com você. Eu me arrepio com a lembrança da noite passada e como estava bêbada, uma pequena convulsão - espero que não seja perceptível Mas, a Sydney faz uma careta e sei que ela viu. – Eu saí de lá cedo. Tentei não te acordar quando cheguei em casa, e então, vim direto para cá. – abro outro e-mail e gemo alto. – Deus, estou muito atrasada. Obrigada. Estaria perdida sem você. – Se você precisar de alguma coisa, estou aqui. A propósito, como vai você? Você está bem em estar aqui? – sua voz é baixa, e sei que ela está preocupada com as fofocas internas do escritório que com certeza estão circulando do meu incidente no funeral. – Eu não sei. Acho que estou bem.

– Acho que você realmente precisa ver alguém. Você tem o cartão que o médico do ER lhe deu. Você pode por favor, considerar ligar para ele? Não há problema em pedir ajuda. É difícil perder alguém tão perto de você. A lembrança de Richard faz meu coração balançar no meu peito. – Só não sei se posso falar sobre isso, e com a mamãe sempre precisando de mim, não tenho certeza se vou ter tempo, sabe? – Você tem que começar a se colocar em primeiro lugar. Você é a pessoa

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Sydney se inclina. – Tudo bem em não ficar bem. – quando não respondo, ela estende a mão para apertar minha mão.


mais forte que conheço. Cuidar de sua mãe, isso não é fácil. Talvez, agora seja hora de encontrar alguém para ajudar a cuidar de você. Sempre foi difícil para você deixar as pessoas entrarem, falar sobre ela, mas acho que é hora de tentar. Acho que isso é o melhor. Sem mais desculpas, Eve. – Não é isso... – balanço a minha cabeça. – Então, o que é? Abro a minha boca para falar, mas nenhuma palavra sai. Um suor irrompe na minha testa e o meu batimento cardíaco se altera. Uma dor aguda irradia no meu braço. Alcanço o meu ombro distante e esfrego o nó no meu ombro esquerdo. – Podemos conversar sobre isso no apartamento? – Sim, claro. – ela sussurra. Seu rosto se contrai quando ela faz uma careta. – Ah, esqueci de te contar. Michael ligou para uma reunião da empresa depois do almoço. Todo mundo está com medo de sermos demitidos. Michael é agora o vice-presidente executivo da agência. Se ele está ligando para uma reunião da empresa, é um grande negócio. Ela encolhe os ombros antes de se dirigir para sua mesa que está diretamente na diagonal da minha. Pego o último projeto em que estou trabalhando e tento me distrair, mas a espera está me enlouquecendo. As paredes parecem estar se fechando ao meu redor. Queria que o Richard estivesse aqui.

Estico meus braços acima da minha cabeça e bocejo. Estou sentada nesta mesa há horas. Considero beber a xícara de café frio na minha mesa, mas temo que nem isso vá funcionar. Olhando para o relógio, percebo que não só trabalhei durante o almoço, mas também estou atrasada para a reunião. Meus saltos piscam suavemente no chão de mármore enquanto caminho para a sala de conferências. A maioria dos funcionários, incluindo a Sydney, já estão lá quando entro na

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sala bem iluminada. Pegando uma cadeira ao lado dela na longa mesa de Lucite que atravessa o centro da sala, olho para fora do chão ao teto e as janelas com a vista para a Park Avenue. A neve começou a cair novamente. Aglomerados de flocos úmidos se agarram a superfície dos edifícios próximos, e me perco na neblina branca. Sons abafados reverberam pela sala e volto minha atenção de volta para o centro da mesa. A atmosfera muda rapidamente quando o Michael Durand entra na sala. A tensão se agita no ar. O medo é palpável. – Boa tarde e obrigado a todos por estarem aqui. Esta será uma breve reunião. Só quero falar sobre alguns rumores que estão pairando. Não, não estamos fechando. – ele diz abruptamente. Uma onda de ar é expulsa de todos na sala. – No entanto, as coisas vão mudar. Nas próximas semanas, o advogado vai falar sobre a vontade de Richard, assim como sobre outros assuntos prementes que não vou falar hoje. Sei que isso é vago e gostaria de poder dar a vocês mais garantias, mas infelizmente, isso é tudo que tenho para vocês. Nesse ínterim, eu estarei no comando. Como vocês sabem, o Richard tinha um investidor anônimo na empresa, então até que eles decidam quem assume como CEO, quaisquer perguntas podem ser direcionadas para mim. Quando ele finalmente parou de falar, seus olhos se movem para mim. Simultaneamente todos os olhos da sala seguem seu olhar. Todos parecem se estreitar em suspeita, como se eu soubesse alguma coisa.

Depois que o Michael sai, a sala irrompe em uma série de altos sussurros. Sydney se vira para mim e eu encolho os ombros. Alguém agarra meus ombros por trás. Minhas costas endurecem quando me viro para encontrar o Barry parado ali. Onde a maioria das pessoas que trabalha para a Agencia The Stone é um jogador de equipe, Barry viaja ao ritmo de seu próprio tambor. Ele é reservado e prefere trabalhar sozinho. Nós nunca nos demos bem.

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Eu sei, mas não direi isso a eles.


– Oi. – diz Barry. Ele não faz contato visual comigo. Ele nunca faz contato visual com ninguém. – Você sabe quem está assumindo? – Olá para você também, Barry. Seus dedos começam a bater em sua perna. – Ele contou tudo a você. Você tem que saber alguma coisa.

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– Desculpe, não posso ajudá-lo. – sua testa franze com as minhas palavras, mas antes que ele tente pressionar mais, eu ando para longe. Até eu falar com a minha mãe, eu realmente não sabia de nada, mas mesmo que falasse, eu não iria compartilhar isso com esta fluência.


Capítulo Cinco

Eve Esta semana foi uma droga. O medo me dominava com frequência, os pesadelos se infiltravam em meu sono e meu apetite diminuía. Mas hoje é sábado. Então, hoje é um bom dia.

Depois de acordar no apartamento de Austin e fazer a caminhada da vergonha na semana passada, tentei convencer a Sydney a encontrar outro bar para ir, mas ela disse que precisava me animar e superar isso. Que uma vez que tirasse o BandAid e agisse normalmente, não seria mais estranho e foi exatamente o que fiz. Austin era legal sobre eu me esgueirando. Ele até nos comprou uma rodada de doses para esclarecer a situação. Depois de me refrescar, meu celular começa a tocar. É a minha mãe. Não posso lidar com ela agora. Mando para o correio de voz e depois coloco roupas mais legais. Depois de me vestir, desço a rua até meu restaurante favorito. Com a minha concussão e depois tendo que voltar ao trabalho, eu tinha ignorado completamente o meu ritual semanal. Espero que este pequeno senso de

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Qualquer coisa é melhor do que o inferno que sofri estar de volta ao escritório. A fábrica de boatos corria solta na Agencia The Stone, e o trabalho foi tão estressante que não adiantou nada que a Sydney estava lá. Ela não me julgou sobre a grande quantidade de álcool que bebi para me ajudar a dormir. O trabalho tem sido estressante para ela também, então, ela bebe alegremente ao meu lado.


normalidade ajude-me a permitir que minha vida volte ao normal. O restaurante Paradise é famoso por seus maravilhosamente e deliciosos waffles com gotas de chocolate e creme caseiro extra delicioso. Bem, talvez não mundialmente famoso, mas em Murray Hill era o único lugar para ir. Assim que chego à porta familiar, meu celular vibra no meu bolso e um número desconhecido aparece na tela. Estremeço interiormente quando me pergunto quem poderia ser, especialmente em uma manhã de sábado. Nunca é uma coisa boa quando um número desconhecido me liga. – Alô. – Aqui é do Sinai-Grace. Você é a Eve Hamilton? – meu pulso acelerado bate em meus ouvidos. – Sim. O que está acontecendo? É a minha mãe? Por favor, diga que ela está bem. Por favor. – Sua mãe foi trazida hoje de uma reação adversa a uma de suas medicações. – a culpa passa através de mim, enchendo minhas veias com desespero. É por isso que ela ligou. Ela me ligou e eu a mandei para o correio de voz. – Estarei ai. – desligo o celular. Nem pergunto onde ela está, qual o número do quarto. Ela está mesmo em um quarto? Eu apenas corro. Corro o mais rápido que posso para ajudar a minha mãe. Correndo na entrada do hospital, trinta minutos depois, vou direto para o balcão de informações.

– Nome? – a atendente nem sequer olha para cima, enquanto ela se dirige a mim, com a sua expressão de indiferença. – Laura Hamilton. Seus dedos digitam no computador na minha frente, e com cada toque do teclado, a dor crua e primitiva que havia reprimido me sobrecarrega e torna difícil ficar de pé.

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– Minha mãe foi trazida hoje. – suspiro com dificuldade.


– Ela está sendo agora apenas sendo transferida para um quarto. – ela responde, e eu desesperadamente quero implorar para ela se apressar e me dizer o número do quarto. Cada segundo que passa é um segundo que estou perdendo antes que possa ter certeza que ela está bem. Estou desesperada e agoniada quando a recepcionista me diz onde posso encontrá-la. Virando-me, corro pelo corredor e, em seguida, subo o elevador. Meus passos percorrem o corredor até encontrar o quarto da minha mãe. Quando finalmente entro, minhas pernas cedem. Ela está deitada frágil na cama. Sua pele é oca e seu brilho outrora orvalhado agora parece opaco e cinzento. Sento-me ao lado da cama dela e seguro sua pequena mão na minha. É osso puro. Tudo dentro de mim paralisa por um segundo. Minha mente e meu corpo estão dormentes. O tempo para enquanto a vejo respirar. Eu silenciosamente agradeço a Deus por não tê-la perdido também. A perda do jeito que perdi meu pai. Do jeito que perdi o Richard. Ela é tudo que me resta. Ela não pode me deixar. Lágrimas vem aos meus olhos. É muito. Esse sentimento é demais. Minhas costas ficam tensas, meus músculos se tocam e um zumbido suave soa no meu ouvido. O destino iminente está ao meu redor. Posso ver isso. Está acenando a cabeça feia, pronta para atacar. Ar. Eu preciso de ar.

Articulações brancas, respiração irregular, sufocante. Como uma névoa espessa em um dia chuvoso, paira sobre mim, cegando-me. Isso escurece o caminho na minha frente até que não consiga mais enxergar. Estou enraizada no lugar, presa.

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A necessidade de virar e correr é abrangente, me consome, carregando os meus pés para fora da porta e para o corredor. Na minha pressa, bato em algo, fazendo com que um suspiro abafado escape quando eu caio no chão. Parece que estou flutuando debaixo d'água, tentando atravessar a superfície.


Cada sugada de oxigênio arde, e a minha respiração sai em rajadas irregulares. Mais rápido, mais rápido, mais rápido até temer que possa hiperventilar. Tudo está se aproximando. As paredes ao meu redor, as roupas nas minhas costas, tudo está apertando ao ponto de doer. Meu peito se contrai, quando um formigamento irradiante passa pelo meu braço esquerdo. Onde estou? O que está acontecendo comigo? Meu coração. Estou tendo um ataque cardíaco? Estou morrendo. – Você está bem? – uma voz passa através da minha neblina. Meus olhos piscam rapidamente. – Vou precisar que você inspire, pelo nariz... um dois três. Muito bom, agora deixe sair pela boca... Um, dois três. Eu respiro e inspiro. Sua voz é firme enquanto ele fala. – Respire. Um dois três. Expire. . Minhas mãos tremem e o suor reveste minha pele. Sua voz profunda continua a me acalmar. Isso me levanta da escuridão a luz. À medida que a realidade se instala, percebo que estou no hospital, ajoelhada no corredor do lado de fora do quarto da minha mãe. Olhando para baixo, percebo que minhas mãos ainda estão tremendo. Tremores residuais do ataque.

– Ela ficará. – declara a voz profunda. Ela é concisa e acredito nela. De fora, dentro, fora. Ainda atordoada, posso sentir a mão me puxando para cima, tocando as minhas costas, guiando-me. – Apenas respire. Você consegue. Apenas mais alguns passos. – sua voz

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– Ela está bem? – outra voz pergunta.


suave instrui, me acalmando. Fazendo-me seguir a sua liderança. Quando chegamos ao nosso destino, um assento é puxado e sou convidada a sentar. Eu levanto minha cabeça e meu coração para então agita no meu peito. Em pé na minha frente está o psicólogo do hospital - deste hospital. O médico com olhos tão azuis, que parece que você pode se perder neles e se olhar muito. Transfixada, dou uma respiração descontrolada e vou me acalmando na frente dele. Meu rosto se afasta e se afasta de sua observação. Por que tinha que ser ele a me encontrar? Uma sensação de queimação se espalha em minhas bochechas. Eu queria poder desaparecer. Eu não posso olhar para ele. Eu preciso sair. – Olhe para mim. Com movimentos lentos, levanto o queixo para cima. Não há julgamento em seus olhos, apenas preocupação. O ar entra no meu corpo enquanto me acalmo em tomo ele. Eu solto outro suspiro. -- Dr. Montgomery. - sussurro mais para mim do que para ele. Ele me ouve, porém, e me dá um aceno de cabeça enquanto seu olho treinado continua a me avaliar. Eu me pergunto se ele se lembra de quem sou. Se ele lembra que me tratou, ou se esse olhar de preocupação é natural para ele devido a sua profissão. – Sim? – ele se senta em minha frente. Uma pequena linha está presente entre suas sobrancelhas, me fazendo desejar que pudesse ouvir seus pensamentos agora, porque a maneira como ele olha para mim é enervante.

– Eu me lembro de você. – ele me interrompe com uma voz firme, mas ouço uma ligeira hesitação. A expressão em seu rosto é uma preocupação geral e parece que ele está lutando para responder para mim. – Você está se sentindo melhor? Você está bem? – sua voz suaviza. – Estou bem. – eu me inclino para frente. – Minha mãe? Onde está a minha mãe? – Ela está bem. Ainda dormindo. – com um suspiro abafado, finalmente percebo o que me rodeia. Estamos sentados em uma pequena sala. Uma luz

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– Você se lembra de mim? Eu estava…


fluorescente cintila acima de mim, fazendo meus olhos apertarem. É claramente decorada e parece ser um quarto de paciente vazio. – Por que estou aqui? – Você estava tendo um ataque de pânico no meio do corredor, então pensei que seria prudente mover você para algum lugar mais confortável e privado. Um silêncio se estende entre nós. Ele parece profundamente pensativo e não posso deixar de pensar no que ele está pensando. Seus olhos são suaves. Há algum carinho dentro deles, reconfortante. Como se ele pudesse sentir a minha dor e há simpatia vivendo dentro do oceano azul que brilha intensamente contra a luz do amanhecer. Com uma expiração, ele evita o olhar e solta um suspiro. Sua postura se torna mais distante, mais formal. Eu mordo meu lábio. Parece uma eternidade esperando que ele fale. – Você já teve mais episódios desde que você deixou o hospital? – um rubor como chamas se espalham em o meu rosto enquanto coloco meu queixo para baixo. Eu me sinto tão pequena agora. – Não há necessidade de se envergonhar. – há suavidade em sua voz que faz a tensão crescer dentro de mim começar a se dissipar. – Se você não se importa de eu perguntar, você começou a ver um terapeuta? – Não. – murmuro baixinho. Parece que ele quer dizer alguma coisa, me repreender por tomar tão pouco cuidado comigo mesma, mas ele se abstém. – Você ainda tem meu cartão?

– Use ele, Eve. Quando finalmente consigo me levantar e ir embora, tudo que posso fazer é balançar a cabeça. Não tenho palavras para expressar como me sinto agora. Este homem me deixou sem palavras.

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– Sim. – digo.


Capítulo Seis

Preston Estou sentado no meu escritório desde que ela saiu, olhando para a maldita parede. Faz horas desde que ela se desfez no corredor, e ainda estou sentado aqui pensando nela. Suas palavras, suas lágrimas e o olhar em seus olhos brincam em um rodopio constante. Isso me leva de volta a um tempo atrás, quando encontrei olhos semelhantes, os sentimentos semelhantes e a tristeza semelhante. Uma sensação indesejável que não sinto há muito tempo se espalha pela minha corrente sanguínea. Uma tempestade. Ventos furiosos estão surgindo e temo que seja engolido pela destruição. Esse sentimento do qual me escondo é uma culpa profunda. Uma culpa que pensei ter erradicado anteriormente. Mas esses sentimentos são deslocados. Eles não pertencem a ela. Não. Eles pertencem a outra pessoa. Uma anterior. Uma que nunca ajudei. Uma que nunca salvei. Preciso ir embora. Cortar meus laços e rezar para que ela nunca entre em contato comigo.

Eu disse a ela para entrar em contato comigo... novamente. Por que fiz isso? Porque fui um tolo e não estava preparado para vê-la. Quando esbarrei nela mais cedo, era como se o universo estivesse fazendo uma piada de mau gosto comigo. Fazia semanas desde que ela esteve aqui e não tinha me ligado ainda. Estava bem com isso. Eu tinha chegado a um acordo com isso. Estava fora de combate.

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Em vez disso, minhas palavras traem meus pensamentos.


Descanso a minha cabeça em minhas mãos e puxo minhas raízes dos cabelos até que doa. Porra! Agora tudo está abalado. Agora não consigo me afastar. Por que ela tem que se parecer tanto com a outra? Ela é a minha punição?

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Minha penitência...


Capítulo Sete

Eve Meus dentes mordem meu lábio inferior enquanto espero minha mãe acordar. Levanto as minhas pernas para o meu peito, envolvo meus braços ao redor delas de forma protetora, e a observo. Ela sempre foi assim? Ou houve uma época em que ela era jovem e feliz? Foi a morte do meu pai que a transformou nisso? Esse é o meu destino também? A morte de Richard é meu próprio catalisador? Estou destinada a me tornar ela? Nunca entendi a minha mãe. Era mais fácil julgá-la do que ter compaixão por seus problemas, mas os eventos recentes foram de abrir os olhos. Agora sei o quanto rápido o medo pode assumir.

Eu não posso. Minha mente se dirige ao Dr. Montgomery e o modo como ele quase implorou para que eu falasse com alguém sobre os problemas que persistem dentro de mim. Havia algo em seus olhos que me fez acreditar que ele estava mais imerso nisso do que ele deixou transparecer. Os círculos côncavos em seu rosto falavam de tristeza - uma tristeza profunda e me dava vontade de saber sobre esse homem.

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Estendendo a mão, pego a mão dela na minha. O que te fez assim, mamãe? Tem que ser mais do que simplesmente a morte do meu pai. Me pergunto se ela nunca vai me dizer o que a assombra. Há tanta dor nos olhos dela. Ela se recusa a falar sobre o acidente do meu pai. Ela se recusa a falar sobre qualquer coisa. Eu ainda tenho que expressar meus próprios medos, meus próprios pesadelos, então como posso culpá-la? Como posso julgar quando estou andando pela mesma estrada escura e sinuosa?


Fale com esse homem. Aprenda qualquer coisa sobre esse homem. Um gemido suave emana através da sala e me tira dos meus pensamentos. Os músculos do rosto da minha mãe se contorcem enquanto suas pálpebras se agitam. Quando elas finalmente se abrem, ela olha para mim sem expressão, como se estivesse tentando entender o que está fazendo aqui. – Ah, graças a Deus. – clamei. Lágrimas escorrem pelos meus olhos, correndo para o meu corpo como chuva caindo em torrentes. Deito nela e choro até que não haja mais emoções no meu corpo. Até expulsar tudo e estou tão esgotada que mal consigo segurar minha própria cabeça. Mas aguento e busco seus olhos por respostas. Porque estamos aqui? Por que ela está fazendo isso para si mesma? – O que está acontecendo com você, mãe? – minhas palavras saem em um sussurro e suas pupilas dilatam. – Por que você está fazendo isso para si mesma? Você está se matando. – Não valho as lágrimas. – ela murmura. – Se você soubesse, não choraria. – e então, suas pálpebras se fecharam. Nenhuma resposta, nenhum esclarecimento, nada. Mais confusão é tudo que recebo.

Com um beijo suave na bochecha, a deixo e vou para casa. Não paro para falar com a Sydney. Estou cansada demais e drenada para lidar com qualquer dúvida que ela possa ter para mim esta noite. Então, em vez disso, vou direto para o chuveiro e lavo a sujeira que reveste minha pele. Estou exausta, esgotada, completamente esgotada. As bolhas de água morna me rejuvenescem e, apesar de me purificarem, não lavam a tristeza que ainda permanece sob a minha pele.

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As horas devem ter passado, mas não me recordo. Estou tão perdida em minha própria tristeza e preocupação com ela que quando a enfermeira aparece para me dizer que é hora de ir a noite, eu finalmente olho para cima e percebo pela janela que a cidade está coberta de escuridão. O dia passou e minha mãe ficará bem. Ou pelo menos hoje ela ficará bem. Quem sabe o que futuro vai trazer.


Uma vez fora do chuveiro, a porta aberta de Sydney me chama para entrar e descarregar tudo o que aconteceu hoje, mas enquanto olho dentro eu a vejo deitada e ela parece estar dormindo. Não a perturbo. Em vez disso, vou para o meu próprio quarto e deito na minha cama. Deixando de fora todo o oxigênio em meus pulmões, pego meu livro e tento me distrair de todo o dia trazido.

............................................................................. Meu corpo se inclina para frente. Minhas roupas manchadas de suor se agarram aos meus membros frágeis. Aquele cheiro de novo. Está em toda parte. O cheiro permanece no quarto como se estivesse presa em um pesadelo. Cobre. Sempre cobre. A porta bate contra a parede, o som ricocheteando pela sala. - Você está bem? Os olhos de Sydney brilham no escuro do meu quarto enquanto ela corre para a minha cama. – Eu... Eu não sei. – limpo minha bochecha úmida com as costas da minha mão e me inclino de volta em meu travesseiro. O mesmo sonho.

– Você estava gritando tão alto - tinha sangue gelando. Fiquei tão assustada. Foi um pesadelo de novo? – Sim, mas eu... nunca consigo me lembrar da coisa toda. Uma vez que abro meus olhos, vai embora. Apenas pedaços e cheiros. Todo o meu corpo treme com o medo de não saber o que está acontecendo comigo. – Shh, você está bem. – murmura enquanto esfrega as minhas costas. – Deve ter sido um sonho terrível. – sua mão continua a fazer círculos sobre as minhas

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Sempre o mesmo maldito sonho.


costas enquanto minha respiração regula. – Gostaria que eles parassem. Meus ombros caem em derrota. – Você acha que isso é por causa da morte de Richard? Viro meu rosto para que nossos olhos se encontrem. – Honestamente? Eu não sei. – Você quer me contar sobre isso? Qualquer coisa que você possa lembrar? – Não sei o que há para dizer. Não me lembro. É sempre tão vívido, mas no momento em que abro os olhos só lembro do cheiro... e, eu acho, que dos gritos. – Tenho que ser honesta, todo dia você fica um pouco pior. Seu grito se torna pior e pior, e toda a semana passada no trabalho... Eu pude ver que você estava com ansiedade. Chega dessa merda. Você precisa ver alguém. Acho que você precisa ligar para esse psiquiatra. – Eu não posso ir até ele. – cruzo meus braços sobre o peito, abaixo a minha cabeça e fecho meus olhos. – Por que diabos não? Eu não respondo. – O que você não está me dizendo? Tentadoramente, levanto a cabeça e encontro seu olhar. – Bem, esbarrei com ele ontem no hospital com a mãe. – eu mantenho.

– Não estava disposta a falar sobre isso ontem à noite, me desculpe. Eu só não pude ontem à noite. Ela me observa com curiosidade, e em seguida, seu olhar abaixa e eu me pergunto se ela está ferida. – Ok. – ela solta o ar de seus pulmões, claramente chateada que escondi

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– Espere, no hospital? O que sua mãe está fazendo no hospital? – ela pisca. – Por que só estou ouvindo sobre isso agora?


informações dela. – É. – Bem, você precisa falar com outra pessoa, então. – ela olha para trás, e desta vez duas profundas linhas de preocupação aparecem entre os olhos dela. – Eu não conheço mais ninguém. – estremeço interiormente com o pensamento de ter que falar com alguém, especialmente com ele. – Ouça, vou perguntar por aí, mas se não conseguir encontrar ninguém, apenas ligue para ele. Eu considero o que ela diz e relutantemente concordo. – Obrigada, Syd. – meu queixo treme. – Significa muito para mim. – Claro. Você é minha melhor amiga. Como disse, se não puder encontrar um médico diferente, você tem que ligar para ele. – Ok, entendi. Obrigada. Os olhos de Sydney se voltam para o relógio e depois voltam para mim. – São quase seis. Quer se levantar e sair para o café da manhã? – Você deveria voltar para a cama. Não há razão para nós duas acordarmos tão cedo.

Eu quero um pouco. Solto um suspiro audível e ela ri. – Você pegou o meu ponto fraco. – pisco. Saltando para fora da cama, vou para o banheiro para tomar banho e me fazer apresentável. Quando finalmente chegamos ao restaurante, Sydney abre a porta e um sinal sonoro toca quando entramos. Está lotado. – Merda. – ela diz. – Acho que temos que esperar. Normalmente nenhuma de nós faz isso no início da manhã, por isso não antecipamos a espera. Há uma fila ao lado da cabine de recepcionista e enquanto eu observo o lugar, não vejo nenhuma mesa livre. Um cheiro familiar flutua no ar.

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Ela sorri para mim brilhantemente. – Eu já estou bem acordada. Posso muito bem pegar waffles. Você sabe que quer um pouco.


Açúcar de confeiteiro, café, o sabor picante e cheiro de noz-moscada. Sem aviso, minha pulsação é retomada quando sou transportado de volta no tempo para apenas algumas semanas atrás. Até a última vez que estive aqui. Richard. Eu estava aqui com ele. Sua presença está ao meu redor. Sua risada filtra pelo espaço.

– Ei, menina. – ele se inclinou e me deu um abraço caloroso e um beijo suave na minha testa. – Richard. – exclamei através de uma risada. – Tenho vinte e quatro anos. Você não pode mais me chamar de menina. – Claro que posso. Você sempre será "menina" para mim. – ele riu dessa vez e minha boca se abriu em um enorme sorriso quando revirei os olhos. – Tudo bem. – Além disso, não posso mostrar nepotismo no escritório. Esta é a única vez que posso te chamar assim. Tudo que podia fazer era balançar a cabeça para ele. Ele estava certo. Ele não podia ter favoritos, e imaginei que me chamar com apelidos no escritório seria desaprovado pelo resto da equipe.

– O que você faz, mas normalmente quando nos vemos em um escritório ou com a sua mãe. Você e eu não temos tempo para conversar realmente desde que você recebeu sua promoção há um mês. Então, como você se sente sendo a pessoa certa agora? – É uma transição. Ainda fico nervosa no início, e é um pouco difícil assumir a liderança dos clientes, mas eu gosto disso. – Bom. Você é realmente tem um talento natural, você sabe. – seu elogio me fez sorrir.

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– Vejo você quase todos os dias fora do escritório também.


– Não acho que tenho talento natural. Parece que mal consigo lembrar o que devo dizer. – Você tem, confie em mim. Tenho visto muitos coordenadores de contas se transformarem em executivos de contas. Nem todo mundo pode lidar com as novas responsabilidades, mas você tem um talento para isso. Você será perfeita em seu novo campo. – Como você sabe? – Porque tenho fé em você. Deixei as suas palavras passarem por mim, elas me fizeram acreditar em mim mesma. Elas me deram esperança de que teria sucesso. – Obrigada. – Chega de trabalho. E sábado. O que você planejou para o dia? – Sydney e eu, estamos indo para nos distrairmos no novo restaurante que abriu.

Isso foi há pouco mais de quatro semanas atrás. Duas semanas depois, Richard sofreu uma parada cardíaca. Eu nunca perguntei a ele. Mas acho que isso não importa mais. Esses pensamentos agitados deixam as minhas mãos ficarem úmidas e a minha visão ficar embaçada quando meu pulso aumenta. Vou respirar. Para não deixar o medo vencer. Do nada, minha mão fica envolta pelo caloroso aperto de Sydney. Ela aperta uma vez, deixando-me saber que ela está comigo. Levantando a minha cabeça e os nossos olhos se encontram. Ela está cheia de amor e compaixão.

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Uma pequena linha se formou em sua testa. Foi quase imperceptível, mas eu vi. Eu me perguntei qual era o problema dele com ela. Ela era uma boa amiga para mim e uma trabalhadora fantástica. No entanto, o Richard sempre parece desanimado com ela. Um dia perguntaria o que era. Mas hoje era um bom dia. Mamãe estava em um bom lugar quando liguei e não arruinaria o meu dia fazendo perguntas que poderia não gostar das respostas.


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Ela balbucia a palavra "respire" e eu faço. Eu respiro e dou um passo à frente quando a tristeza desaparece e estou de volta ao presente.


Capítulo Oito

Eve Estar de volta ao trabalho torna-se ainda mais difícil com o passar dos dias. Quando volto para casa, recorro a beber para lidar com meus dias e manter os pesadelos à distância. Meus terrores e ansiedade ficaram piores, e ainda não liguei para o número que sei que preciso ligar. Não tenho certeza de qual é a minha hesitação. Acho que espero que a Sydney me encontre outra pessoa. Esta noite deito na cama soluçando. A porta do meu quarto se abre e olho através das pálpebras inchadas para encontrar a Sydney de pé na porta. Eu não falo e ela também não. Seus olhos estão fundos pela preocupação enquanto ela morde o seu lábio superior. – Isso já é o suficiente. Você está caindo aos pedaços e isso está partindo o meu coração. Hoje cedo falei com a Natalie. Minha boca se abre para protestar. Natalie trabalha no escritório conosco. Eu não posso tê-la sabendo que estou desmoronando pelas bordas.

Minhas lágrimas secam quando considero isso. Isso faria todo sentido. Era notório que o irmão de Sydney ficou fodido no seu último ano de alguma escola preparatória chique na cidade. Ela está sempre reclamando que ele foi expulso. – Ela me deu o número de seu terapeuta, Dra. Cole. Estamos ligando para ela na segunda-feira de manhã e você vai vê-la, entendeu? – Sim. – fungo.

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– Não se preocupe. Não disse a Natalie que era para você. Disse a ela que era para meu irmão mais novo.


– Bom. Sydney está certa. Dr. Montgomery está certo. Preciso falar com alguém. Preciso consertar o que está quebrado dentro de mim. E preciso fazer isso antes que seja tarde demais. Antes que me transforme nela.

..................................................................... – Você está nervosa? – Sydney pergunta. Claro que sim, eu estou. Faz alguns dias desde que ela me deu o número da terapeuta, e quando não fiz nada com o referido número por dois dias, Sydney resolveu ligar e me marcar um horário. – Você não ficaria? – grito. – Espere, esta é realmente a primeira vez que você tem um encontro de verdade para ver um terapeuta? – eu aceno. – Então, mesmo quando você era jovem e o seu pai morreu, você nunca viu ninguém? – Não.

– Não. Ela franze as sobrancelhas para a minha resposta de uma palavra. Um silêncio tenso ecoa pela sala. – Eu realmente tenho que ir? – finalmente gemo enquanto enterro a minha cabeça em minhas mãos. – Menina... Eu te amo, mas sim, você tem. Você parecia um zumbi ambulante

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– Você acha que eles teriam ajudado você.


hoje no trabalho. Se eles estivessem planejando despedir alguém, eu não ficaria surpresa se você fosse a primeira a conseguir um pé na bunda. Eu faço beicinho e reviro os olhos. – Tudo bem. – Boa menina. – ela repreende quando ela pega o casaco. – Aonde você vai? – Estou indo com você. Meus olhos se arregalam. – O que? Sydney tenta, sem sucesso, reprimir uma risada. Suas bochechas incham até que ela finalmente falha e uma escapa. – Estou indo com você para o sua sessão. – seus lábios se contorcem com diversão, enquanto ela envolve um cachecol em volta do pescoço. – O que você ainda está fazendo ai como uma estátua? Apesar do fato de não ter vontade de ver o Dr. Cole, me vejo levantando e colocando meu casaco. - o caminho, cadela, murmuro sob a minha respiração, provocando outra rodada de risadas de Sydney. O consultório do Dr. Cole não é nada do que eu esperava. Primeiro, está na cidade. Em segundo lugar, está no porão de um prédio sujo. Não que precise de uma localização chique na Park Avenue, mas isso é meio esquisito. Sydney morde o lábio inferior enquanto ela olha para o prédio. – Assim... este parece...

– Eu ia dizer interessante. Mas sim, parece um lixo. – ela agarra meu braço. – Vamos, chegamos até aqui. Sem recuar agora. Eu a sigo até o prédio e desço os degraus até o apartamento no porão. Um sinal sonoro toca quando entramos. Quando entramos, sei imediatamente que este não é o psicólogo certo para mim. O lugar é sujo e nojento. O som de algo se quebrando nos faz olhar para cima. Um homem sai vestido de calças enrugadas e tem uma mancha na camisa. Nada de profissional. Não é como o Dr. Montgomery. Eu não consigo ver alguém assim. Eu

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– Como uma lixeira? – gritei.


não me sentiria confortável em dizer-lhe nada. – Você deve ser a Eve. – diz ele. Seus olhos demoram em mim um segundo a mais, fazendo minhas costas endurecerem desconfortavelmente. – Parece haver um mal entendido. Sinto muito, mas nós temos que ir. As palavras caem quando pego a mão de Sydney e a conduzo para fora da porta. – Bem, isso foi... – Sydney some, tentando articular exatamente o que era. – Muito pouco profissional, certo? – Sim, totalmente. Farei mais algumas ligações e verei quem mais posso encontrar. Mas primeiro, vamos encontrar o metrô mais próximo e dar o fora daqui. Ela me puxa pela rua. Quando estamos de volta a Murray Hill, decidimos descer a Terceira Avenida para encontrar um lugar para jantar. Sydney bate no telefone toda a refeição. Quando terminamos e voltamos ao nosso apartamento, ela tinha mais dois psicólogos com vagas abertas para mim.

Além do fato de que ele era bonito, não havia mais nada me impedindo. Eu não conseguia pensar em uma razão pela qual não deveria vê-lo como meu terapeuta. Estava confortável com ele. Ele me fazia sentir segura, e foi capaz de me tirar de um ataque de pânico não uma, mas duas vezes. Ambas as vezes ele nunca me julgou. Ele tinha compaixão em seus olhos e uma expressão genuína que prometia que ele queria me ajudar. O único problema que podia ver era sua aparência, e isso estava começando a soar como uma razão ridícula até para mim.

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Os próximos dias são um turbilhão de sessões. Parece que eu vi todos os terapeutas na área dos tri-estados... Bem, talvez não todos. Uma era pouco profissional, outra era a rainha do gelo e a voz de uma pessoa me atrapalhava do jeito errado. Não podia imaginar ver nenhum deles. Eu não conseguia me imaginar confortável o suficiente para divulgar minha vida a essas pessoas. Eu podia imaginar cada um deles julgando, criticando, e no final sabia que nenhum deles me faria sentir segura. Ainda havia um que não tinha ligado e até mesmo eu estava começando a me castigar por isso. Qual foi o meu problema em ligar para ele, afinal?


E daí, se ele é bonito? Sua aparência não deve fazer parte do meu tratamento. Só há uma escolha que posso fazer nessa situação...

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Estou ligando para ele.


Capítulo Nove

Eve Eu liguei para ele. Bem, liguei para o consultório do Dr. Montgomery. Apesar da minha hesitação, no fundo dos meus ossos, algo me diz que ele é o único que pode ajudar com meus ataques de pânico. Depois dos três últimos psicólogos que conheci, não confio mais na referência de ninguém. Verdade seja dita, ele foi o único que me fez sentir confortável. Ele me fez sentir segura. Suas técnicas simples de respiração já aliviam a dor que aperta meu peito quando sinto que estou perdendo o controle. – Então, a que horas é a sua consulta? – Sydney pergunta enquanto entra no meu quarto. Estou aqui há pelo menos dez minutos tentando decidir o que vestir. – Dez.

Eu olho para baixo e examino meu traje. – O que? Você não acha que posso ir assim? Eu aceno minha mão pelo meu corpo para enfatizar meu pijama. – Tão linda quanto você é - e acredite em mim Eve, você é, não acho que é apropriado ver o seu terapeuta pela primeira vez em shorts e uma camisa transparente.

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– Bem, é melhor você se preparar, então. – um sorriso se espalha por suas feições enquanto ela olha minha roupa.


– Sim, você pode estar certa. Ok, vou me vestir. Quer se encontrar depois da minha consulta no Café Europa? Podemos comer alguma coisa. Puxando uma camisa de cambraia, eu a levanto para aprovação, e ela balança a cabeça em um sim. – Por que você não me manda uma mensagem? Eu devo poder, mas se não, você pode me informar sobre todos os detalhes quando eu chegar em casa mais tarde. Eu reviro meus olhos e bufo. – Isso provavelmente será uma perda de tempo. – Talvez, não. Você nunca saberá até que você tente. – seus ombros se levantam quando ela se vira para sair, fechando a porta atrás dela. Uma vez que ela está fora do quarto, me dispo e coloco uma roupa mais apropriada. Eu combino minha camisa de cambraia com leggings pretas e botas de montaria pretas. Quando estou completamente vestida, sento-me na cama e fecho os olhos por um breve momento. Vê-lo novamente me deixa no limite. Não tenho ideia do que esperar. As perguntas tocam em minha mente enquanto minha ansiedade aumenta. Como será conversar com ele? Conto a ele sobre meus pesadelos? Posso fazer isso? Ele vai me julgar? Ele não vai?

Respiro profundamente para acalmar os pensamentos na minha cabeça. Eu não posso permitir que eles se desviem. Eu preciso ser forte e não deixar meu medo vencer.

................................................................ Meu queixo vibra no ar gelado quando estou na esquina e espero que a luz

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Ele só foi gentil. Cuidadoso.


mude. Carros passam correndo, mas não vejo táxis vazios. Eu olho para a rua e depois para o meu relógio. Não há tempo para esperar, então decido percorrer os dez quarteirões. A cada passo que dou, sinto a energia nervosa dentro de mim crescer. Normalmente andar me acalma, mas hoje não ajuda em nada. Enquanto desço a Park Avenue, fico perdida em pensamentos. Meu cérebro não consegue se envolver em torno do motivo pelo qual esses pesadelos começaram, e nem sei ao certo o que está desencadeando meus recentes ataques de pânico. Presumo que tenha algo a ver com Richard, mas ao mesmo tempo não tenho certeza. Pensamento assustador. Mas, por mais assustada que esteja para descobrir, fico com mais medo de continuar vivendo assim. Não posso me tornar minha mãe. Não posso deixar meu medo me transformar em uma mulher que está com muito medo de viver sua vida. Depois de dez minutos, chego ao endereço no cartão. O edifício em si é insinuante e forte. Ele se eleva até o céu, o sol brilhando nas paredes de vidro colorido. Com passos tímidos, entro e imediatamente noto uma ampla escrivaninha Lucite no centro do saguão. Eu me aproximo e sorrio para o segurança do prédio sentado atrás da superfície, grata por ele não poder ver minhas mãos tremendo ao meu lado. Ilumino meu sorriso para esconder meus nervos. – Eu tenho uma consulta com o Dr. Montgomery. – E você é? – ele pergunta, estreitando os olhos para mim.

– Olhe para a câmera, por favor. – ele faz um gesto para uma pequena lente saindo da mesa. Depois que a câmera pisca uma vez, volto minha atenção para ele e ele olha para uma tela embutida em sua mesa e começa a digitar. – Por favor, prossiga para o elevador do lado direito do lobby e pressione o botão para o décimo oitavo andar. – ele me guia enquanto me entrega o passe do visitante.

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– Eve Hamilton.


– Obrigada. Prossigo para o elevador e pressiono o botão para o andar do Dr. Montgomery. Música de elevador ecoa no ar. Enquanto o elevador sobe, um nó pulsante se forma na minha barriga. A idéia de sentar em frente a este homem e lavar minha roupa suja está me fazendo sentir mal. Não tenho certeza se vou conseguir fazer isso, mas como já cheguei até aqui, decido dar o salto. Meus pulmões se expandem com oxigênio para me acalmar. Quando o elevador chega ao seu andar, saio e procuro seu escritório. Uma vez lá dentro, uma mulher de meiaidade sentada atrás de uma mesa me cumprimenta. – Eu sou Eve Hamilton. Tenho uma consulta com o Dr. Montgomery. – Sim, por favor, sente-se. Ele deveria estar com você em alguns minutos. Preciso ver uma cópia do seu cartão de seguro. Além disso, tenho alguns formulários para você preencher enquanto espera. Sua voz é monótona, como se ela estivesse recitando um discurso que repetiu inúmeras vezes. Pego minha carteira e entrego-lhe o cartão. Depois que ela retorna, pego a pilha de formulários e me sento em uma cadeira vazia. Pego meu celular para mandar mensagem para Sydney.

Eu: Ei, Syd. Estou aqui e está tudo bem até agora. Vou mandar uma mensagem para você quando for para o restaurante. S: Boa sorte.

Meus olhos escaneiam o papel na minha frente. Sete páginas. Sete páginas malditas de perguntas. Começando com as informações mais mundanas, levando até. Eu olho um pouco mais para baixo no formulário e chego à história da família. Meu coração bate no meu peito. Ele não pode me deixar na minha negação e, sabe, não me fazer responder a essas perguntas? Eu sinto como se fosse virar a página e haveria desenhos de tinta splat para eu identificar.

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Eu: Obrigada, vou precisar.


Descreva seus pontos fortes pessoais? O que é isso? Estou me candidatando a um emprego? Quais são seus estilos de enfrentamento? Devo escrever beber? Você tem dificuldade para dormir? Não estaria aqui se não o fizesse. Eu vejo mais abaixo na lista. Checado. Checado. Checado. Qual não é o meu problema? Senhor, sou uma bagunça. Você pertence a uma determinada religião ou grupo espiritual? Com isso, levanto-me do meu lugar. Estou fora daqui. Isso é ridículo. Assim que me aproximo da porta, ouço um rangido. Olhando por cima do meu ombro, meus olhos se arregalam quando meu olhar sobe até o homem em pé na minha frente.

É imponente. Como se ele sozinho pudesse fazer o mundo mudar em seu eixo. Dr. Montgomery estreita os olhos enquanto continua a olhar. É enervante e emocionante ao mesmo tempo. Mas com uma sacudida de cabeça, o momento está perdido. Ele puxa seus ombros para trás e caminha em direção a mim. – Olá, Eve. – meu nome rola de sua língua como uma suave melodia. Um só o

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Como é que toda vez que o vejo, ele me tira o fôlego? Eu nunca vi um homem mais bonito. Ele é magnífico. Mas até mesmo essa palavra não faz justiça a ele. Ele é alto. Seu corpo forte e magro se ergue sobre o meu corpo frágil. Este homem, sua presença.


som perfeito de sua voz pode cantar. – Oi, doutor. – digo fracamente. Sua mão alcança a minha na sua. – É bom ver você de novo. Mas por favor, sei que sou seu médico, mas você pode me chamar de Preston. – ele faz uma pausa, quase como se não tivesse certeza. – Se isso fizer você se sentir mais confortável. O que estava pensando, vindo ver esse homem? Estou desesperada para descobrir minha merda, mas esse cara... Não. Ele é lindo demais. Preciso ver alguém mais velho - muito, muito mais velho. Talvez um homem na casa dos setenta que usa pequenos óculos de aro de metal. Ele me dá um sorrisinho e juro que mil borboletas voam na minha barriga. – Se você, por favor, me seguir em meu escritório. – seu outro braço estende-se em direção à porta ao lado de onde estamos. Está escuro dentro. Sinistro. – Hum, tudo bem. – minha mão parece pesada ainda envolta na sua. Meu corpo não vai se mover, no entanto. Estou cimentada no lugar. Pronta para correr. Enterrar minha cabeça na areia e fingir que não preciso estar aqui. Olho para a saída e, em seguida, de volta para ele e encontro seu olhar novamente. Seus lábios carnudos se transformam em um sorriso reconfortante. – Tudo vai dar certo. Não precisa ser desconfortável. – ele sussurra, mas nem uma parte do meu corpo tremendo acredita nele.

Nossos corpos estão perto dos poucos passos necessários para chegar ao seu escritório. Ele para abruptamente e quase bato nele quando ele acende a luz. Com os olhos arregalados, olho em volta do escritório e depois para ele. Sua presença preenche o pequeno espaço. Ele é avassalador e minhas paredes começam a se fechar. Como posso falar com alguém que me deixa tão desequilibrada com a simples visão dele? Ele suga todo o oxigênio do ar apenas em pé aqui. Minha respiração fica irregular quando eu atravesso mais para dentro do quarto. Com puxões de ar superficiais, tento limpar a minha cabeça. Eu tenho que

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Deslocando-se para a porta, contemplo minhas opções: ir embora e deixar o medo tomar conta, ou seguir esse homem.


fazer isso. Preciso parar com os pesadelos e esta é a minha única opção, então eu preciso bloquear a minha queda por esse homem. – Por que você sentou no sofá? – ele diz enquanto caminha até a mesa que fica ao longo da parede distante e pega um bloco de notas. Sento-me no sofá de veludo vermelho e olho para vê-lo me observando enquanto me acomodo. Seus olhos percorrem cada movimento enquanto se acomoda na cadeira em frente à mesa de café. Colocando a almofada em seu colo, ele alcança e passa os dedos pelos cabelos. – Ok. – ele diz como se estivesse coletando seus pensamentos. Meu coração bate no meu peito enquanto espero que ele fale. Com um suspiro audível, respiro através do pânico que envolve meu estômago, mas meu rosto fica quente e um suor brota contra a minha testa. – Apenas respire. – ele murmura. – Isso vai ser fácil. Prometo. Vou fazer algumas perguntas muito simples no início e fazer anotações sobre o que você diz para que possa manter tudo atualizado na minha memória. Está tudo bem? Mordo meu lábio. – Sim, está tudo bem. – Ah, e por favor, sinta-se livre para me interromper a qualquer momento, e se você precisar parar, podemos fazer isso também. – engulo em seco e então aceno. – Então, vamos começar falando um pouco sobre quando sua ansiedade começou, o que te trouxe para o hospital, e um pouco sobre o que te traz aqui hoje.

– Nós poderíamos, mas qual a diversão que teríamos no nosso primeiro sessão? – ele brinca e meus ombros relaxam. – Então, como você está hoje? Inclino minha cabeça e penso em como responder. – Estou bem. Cansada. Não dormi bem – e admito com um suspiro. Ele concorda. – Posso entender isso. Nervosa sobre hoje? – Sim. Um pouco, acho.

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– Não podemos falar sobre algo mais simples? – uma risada nervosa escapa e o lado direito dos seus lábios aparece na minha resposta. Uma pequena covinha se forma em sua bochecha.


– Havia alguma outra coisa que manteve você acordada? Meus dentes superiores mordem meu lábio inferior e mordem a pele até doer. Ele pega a caneta e anota uma no bloco de papel. Seu olhar se ergue para o meu. – Mais simples? – ele sorri. Aceno com a cabeça. – Você sempre morou em Nova York? – Um sim. Quer dizer, não nasci na cidade, mas nos mudamos para cá quando eu era jovem. – coloco para fora. – Oh, então, onde você nasceu? – ele se inclina para frente, colocando o caderno para baixo e me observa atentamente. – Eu sou de Long Island, originalmente. – E você trabalha? Ou você ainda está na escola? – Trabalho em marketing na Agencia The Stone. É uma empresa de serviço completo. Somos especializados em Moda e Entretenimento. – Muito interessante. – Sim, está tudo bem. – dou de ombros com uma revirada de olhos. Eu deixo um pequeno sorriso se formar na minha bochecha e ele solta uma risada. – Isso soa um pouco chato. Ser terapeuta é muito mais interessante. – ele pisca, diminuindo o humor, e isso funciona quando meu próprio riso escapa e os músculos tensos dos meus ombros se desenrolam. Quando meu riso para, ele se reposiciona e endireita as costas.

– Vamos discutir sua primeira visita ao hospital. Tudo bem? – o azul dos olhos dele brilham para mim. – Eu acho. – Para que isso funcione, você tem que confiar em mim. Você pode fazer isso? Você pode confiar em mim?

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– Pronta para uma pergunta mais difícil? – ele pergunta e aceno.


– Não tenho certeza se posso, mas vou tentar. Bem, como você já sabe, eu sofri um acidente de carro. Obviamente, fui levada para o hospital. – estou com vergonha de contar a ele sobre todos os ataques de pânico em casa e os pesadelos desde então, então fico em silêncio e tento pensar em outra coisa para dizer. No fundo, ouço o tique-taque do relógio do avô. O Dr. Montgomery atravessa a mesinha lateral e pega um óculos e os coloca. Ele os ajusta até que eles caem levemente pelo nariz, e então olha para o papel na frente dele. Quando olha de volta, juro que meu coração para. O olhar em seus olhos, a maneira sexy que ele usa os óculos... Ele é quase perfeito demais. Ele descansa as mãos nos braços da cadeira enquanto me estuda. – Você está bem? O que está acontecendo? Vou me acalmar e me amaldiçoar por ser tão descaradamente afetada por ele. – Hum, estou apenas nervosa. Assustada. Eu estou meio... Eu não sei. Perdida? Não tenho certeza sobre o que devemos falar ou como você vai me ajudar. – Todos esses são sentimentos muito comuns na terapia pela primeira vez. – ele me garante.

– Normal é apenas uma definição que usamos para nos colocarmos em caixas, Eve. Não é normal aqui. – ele pisca e sou surpreendentemente grata pelo pequeno gesto, porque vê-lo sorrir me faz sorrir. – Então, acho que devemos começar desde o começo. Muitas vezes descubro que é de onde vem a maioria dos problemas. Nenhuma resposta é singular. É um processo de causa e efeito de onde tudo começou. – Eu acho...

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– Bem, isso é bom saber. Feliz por ser um pouco normal. – replico. Não há nada normal em meu pânico quando penso em divulgar meus pesadelos e medos a esse homem. Foi muito mais fácil no hospital quando pensei que nunca teria que vê-lo novamente.


– Que tal você me contar um pouco sobre sua família? Instantaneamente, meus músculos se contraem. Toda vez que mamãe é um ponto, dá um nó no estômago. Eu a amo, mas ser sua cuidadora principal na minha idade tem sido difícil. – É só a minha mãe e eu. – tento forçar um sorriso, mas ao invés disso meus lábios tremem, me entregando. – Onde está seu pai? – Ele morreu em um acidente quando era mais jovem. – quero derreter. Fingir que não estou aqui. Recuar nos limites da minha mente. – Quantos anos você tinha? – o azul dos olhos dele é suave e sincero. – Quatro. – respondo antes que possa me parar. – Isso deve ter sido difícil para você. – Para ser sincera, nem me lembro dele. A maioria das minhas memórias são de minha mãe e eu. E o Richard, claro. Não me lembro se falamos sobre ele no hospital. Ele era o melhor amigo do meu pai. – respiro fundo. – Ele também era o meu chefe. – Então, você conhecia bem o Richard? – Ele basicamente me criou. Foi do seu funeral que estava saindo quando entrei no acidente. – um sentimento familiar de medo puxa o meu coração. Tudo no meu corpo aperta. Logo as dores nas costas se apresentarão. Meu peito vai seguir em breve. Eu freneticamente esfrego o músculo na minha omoplata.

– Ele teve um ataque cardíaco. No momento em que eu... Eu o encontrei. – tiro a minha mão das minhas costas e a pressiono contra a boca para segurar um soluço. – Sei que isso deve ser difícil para você. Quero que você respire profundamente. Você pode fazer isso? – dou de ombros. – O que aconteceu?

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– Sinto muito pela sua perda. Se você não se importa de eu perguntar, como ele faleceu?


– Lembro de ligar para ele, mas ele não atendeu. Precisava pegar algo dele para uma reunião de trabalho. Estava na casa da minha mãe. Ele... ele morava no mesmo prédio que ela. Quando cheguei lá, encontrei o corpo dele. Eu... Lembro de estar em uma névoa, como se minha mente desaparecesse e meus instintos básicos assumissem. Liguei para o 911. Até voltei para a casa da minha mãe para lhe contar as novidades. Estava de luto, mas estava consciente. – Então, quando você parou de estar consciente? O que aconteceu? Eu dou uma respiração lenta para não começar a hiperventilar. – Quando vi o corpo dele novamente, estava no caixão. Isso foi o que aconteceu. Devo ter estado em negação. Porque foi o que deve ter acontecido. Richard estava morto. – meus olhos inundam com as lágrimas, então as enxugo. Ele pega uma caneta e rabisca no bloco de anotações. – Foi a primeira vez que você participou de um funeral desde a morte do seu pai? – eu aceno. – Sei que você era muito jovem quando seu pai morreu, mas você se lembra de alguma coisa? – Não. – ele escreve novamente no bloco e eu quero inclinar-me sobre o braço e ler o que ele observou. Quando ele coloca a caneta no chão, seus olhos se erguem e seu olhar encontra o meu. – Você disse que ele era como uma figura paterna. Ele estava em um relacionamento com sua mãe? – Oh, Senhor, não. Ela mal consegue funcionar o suficiente para escovar os dentes. Não havia lugar em sua vida para um namorado.

– Tenso. Exaustivo. – Você quer me dizer um pouco sobre isso? – Eu tenho que dizer a você hoje? Por favor, diga não. – Não, você não tem. Oh, graças a Deus.

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– E como está seu relacionamento com ela?


Ouvir que não tenho que divulgar nada que queira tem todos os músculos nas minhas costas se soltando. – Há algo em particular com o qual você se sentiria confortável falando hoje? – Eu... não. Não realmente. – eu rio nervosamente. – Que tal tentarmos conversar um pouco mais? Se for muito, nós podemos parar. – Ok. – eu sussurro. Enquanto os minutos passam, nós falamos sobre nada em particular. Nada tão assustador quanto falar de minha mãe ou tão comovente quanto discutir Richard. Nós não falamos do meu pai. Nós falamos de tópicos simples e mundanos. Tópicos que me deixam à vontade. Tópicos que me fazem sorrir. Mas, eventualmente, esses tópicos acabam e percebo o Dr. Montgomery olhando para o relógio. Sabendo que nosso tempo acabou, me deixa com emoções mistas. Por mais feliz que esteja, uma parte de mim sentirá falta do conforto que senti quando alguém escutou. Alguém treinado para me dar a orientação e o conselho que tanto preciso agora que Richard se foi. Isso foi bom. Chegar a ele foi a decisão certa. Um pequeno pedaço do peso que está descansando em meus ombros é levantado. – Você fez um ótimo trabalho hoje. Você foi muito bem. O passo mais difícil está chegando. Você consegue. – ele sorri e pega um diário de couro preto da mesa lateral. Quando levanto minha mão para isso, nossos dedos se tocam. A pele macia do seu polegar encosta no meu e as minhas bochechas coram quando ele me entrega: – Tenho uma pequena tarefa para você.

– Sim, quero que você guarde este caderno. Um diário de como você está se sentindo. Se um ataque de pânico começar a se formar, anote os gatilhos. Não importa o que você está pensando ou como você se sente, eu quero que você registre isso, ok? – Você vai ler? Por favor, diga não. Por favor!

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– Uma tarefa?


– Pedirei que você me diga o que você escreveu para que possamos identificar seus gatilhos, mas não, eu não tenho que ler. Eu posso trabalhar com isso. Contanto que saiba que posso escolher o que digo a ele. – OK. Vou fazer isso. – Além disso, vou lhe enviar algumas técnicas para quando você sentir um ataque se formando. Eu ri de sua sugestão. – Estou apenas imaginando o lixo maluco da nova era que você vai me obrigar a fazer. – Não, nada disso. – sua boca começa a se abrir em um sorriso, mas antes que ele se forme, ele se endireita. Com a sua máscara profissional de volta. Não importa quanto pequeno... Eu sinto falta do sorriso já. – Mais como técnicas de respiração e exercícios de visualização. Também enviarei informações sobre alguns grupos de suporte aos quais você pode participar se você se sentir à vontade. Acredite ou não, há muitas pessoas que sofrem de ansiedade e tristeza. Você pode achar reconfortante falar com os outros que passaram por isso. Ele se levanta e se dirige para sua mesa. Vejo como ele rabisca na parte de trás de um cartão de visita e levanta-se para mim para pega-lo. – E se você precisar de mim, estou te dando o meu número direto. Por favor, sinta-se à vontade para me ligar.

– Você pode não querer agora, mas pode vir quando você vai precisar. Eu rezo para que ele nunca esteja certo.

............................................................... Eu tento enviar mensagens de texto para a Sydney assim que saio, mas ela

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Ter seu número é perigoso. A ideia de o ter apenas a um telefonema de distância... Eu nunca posso usá-lo. Quando o fizer, temo nunca querer parar. – Eu não sonharia em fazer isso, Dr. Montgomery.


não responde, então vou para casa. – Como foi? – ela grita da sala enquanto fecho a porta. Deixo cair as minhas chaves na mesa e me dirijo para a sua voz. Quando entro na sala, ela deixa cair a revista que está lendo e se inclina para frente, obviamente esperando que derrame. – Tudo bem. – murmuro. – Você tem que me dar mais do que isso. Você descobriu sobre o que são os pesadelos? – Syd, foi minha primeira sessão. – falo. – Você realmente acha que descobrimos isso rapidamente? Ela franze a testa. – Bem, sobre o que você falou então? – Ele perguntou sobre o meu trabalho. Disse a ele sobre minha mãe... – Você disse a ele sobre sua mãe? – seus olhos parecem enormes com choque. – Bem, disse a ele que era só eu e ela, isso é tudo. – Oh. – Foi estranho, Syd. Dizer a alguém meus problemas. – Mais alguma coisa? Eu solto um gemido audível. – Oh, meu Deus, Sydney, eu mal fechei a porta e você já está me dando sermão. – sento-me ao lado dela no sofá. – Estou esfomeada. Quer pedir comida?

– O que devemos pedir? – pego o meu celular e começo a procurar números de entrega salvos no meu celular. – Pizza? – Pizza está bem. Então, isso é tudo que estou recebendo? Esquisito? – Sim. Você sabe, como não saber o que falar ou o que esperar, estranho. – Então, basicamente, sua sessão foi como conhecer o estranho que você

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– Sim claro.


encontrou, certo? – Isso é exatamente o que era. E oh, foi sempre. Aquele encontro estranho em que você olha para o cara e pensa em Deus, ele é lindo o tempo todo. Exceto que não era um encontro. Ele é meu médico, então esses pensamentos não estão bem agora. – Falando nos primeiros encontros... Ele ainda está tão gostoso quanto antes? – Oh meu Deus, Syd! Me deixe em paz! – rio e jogo um travesseiro para ela. Ela finge arfar. – Tudo bem, vou tomar um banho rápido. – Ok, vou ficar aqui e pedir a pizza. Ela me sopra um beijo no ar. – Obrigada. – ela começa a sair do quarto, em seguida, olha por cima do ombro e abre a boca para dizer algo, mas eu a paro. – Tome um banho. Você fede. – rio. Uma vez que ela se foi, volto para o sofá e meus pensamentos voltam à minha sessão de terapia. Deus, espero que ajude. Alcançando minha bolsa, puxo o caderno e olho para ele. Aqui vai nada.

Anotação no Diário

Primeiro ataque. Eu tive o meu primeiro ataque de ansiedade no funeral de Richard. Não tenho ideia de como começou. Um minuto estava lá e no próximo hiperventilei ao ponto de me abater. Eu me lembro de pequenas coisas. Eu me lembro do meu batimento cardíaco rápido. Lembro-me do suor frio escorrendo na minha testa.

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Odeio ter que fazer isso. Não tenho certeza do que realmente vai conseguir. Bem, não tive um ataque de pânico desde que recebi este diário há algumas horas atrás. Então, vou escrever sobre a minha primeira vez. Oh, merda, isso não soou bem. Graças a Deus, o Dr. Montgomery não precisa ler isso.


Lembro de estar perdida em meus pensamentos. Então não me lembro de nada. Deixando meu caderno de anotações, olho as palavras que escrevi. Anotar meus sentimentos é um pouco reconfortante. Como se possuísse os sentimentos. Eles não são meus donos. Dr. Montgomery é obviamente mais do que apenas um rostinho bonito. Ele sabe do que está falando.

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Talvez as sessões semanais com o documento não sejam tão ruins assim.


Capítulo Dez

Preston Que porra estou fazendo? Não deveria estar falando com essa garota, muito menos tratando dela. Sabia o que estava chegando; tentei me preparar, mas nada poderia me preparar para como me senti quando ela sentou do outro lado da minha sala. Era como se todo o oxigênio dos meus pulmões fosse drenado. Soube então e ai que isso não era normal. No mesmo segundo que nossos olhares se encontraram, eu sabia que precisava dizer a ela para sair. Para ir e nunca mais voltar. Ela parecia demais com Sloane e ainda assim ela não era nada parecida com ela. Cada segundo que ela falava, ficava mais aparente como eram diferentes. Sloane era fraca, mas essa garota... Eve Hamilton... Ela pode não ver, mas ela é uma das pessoas mais fortes que já conheci. Olhando pela janela, parece que a neve está se acumulando na superfície.

Esses são os sentimentos que essa garota traz em mim. Ela me faz lembrar. Ela me lembra de todos os meus fracassos, falhas e erros, mas acima de tudo a simples presença dela me lembra de tudo que perdi. O telefone tocando na minha mesa me tira do meu tumulto interior. O leitor de chamadas me mostra que é meu irmão mais velho. Me pergunto o que ele quer a esta hora do dia.

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Desolador e deprimente. Embora possa ver o exterior, parece que as paredes do meu escritório estão se fechando. Fraquezas familiares estão ressurgindo. Cerro meus dentes.


Normalmente ele está ocupado demais para conversar quando está trabalhando. Pego o telefone, mas não até ter tempo para falar antes que ele pronuncie uma sentença que dê um soco no meu estômago. – Preciso de você. Porra. – Por quê? – respondo. – O que está errado? – Oh, Deus, nada disso. – ele ri através da linha. – É nosso aniversário e estive tão ocupado no trabalho, e, bem, esqueci. – Uau, você esqueceu seu aniversário? Isso é muito baixo, mesmo para você. – Você não precisa me lembrar de que sou um merda. Mas a boa notícia é que ela nunca saberá. Eu tenho trabalhado o dia todo para planejar algo. Só preciso da sua ajuda. – Então, o que posso ajudá-lo? – Estou surpreendendo-a com uma viagem no próximo mês. – E? – Preciso que você olhe as crianças. Você pode? – ele solta um longo suspiro. – O que você precisar. Você sabe disso.

Desligando o telefone, tudo que posso fazer é balançar a cabeça. Estou chocado que ele esqueceu. Isso não parecia ele, mas não posso evitar o sorriso que se espalha no meu rosto saber o quanto ele trabalhou para corrigir o erro. Desde a Sloane, não houve ninguém para me fazer sentir assim. Ninguém valia a pena arriscar o meu coração. Novamente. Esse tipo de amor me dá fé que talvez um dia eu encontre alguém que valha a pena eu arriscar tudo.

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– Sim. Obrigado, Pres.


Capítulo Onze

Eve Anotação no Diário Tudo parecia errado. Meu coração batia de forma irregular no meu peito. Não tinha controle sobre isso. Nenhum poder sobre meu corpo. Meu coração estava se apoderando. Senti lágrimas nos meus olhos.

Sento-me na sala de espera depois de um dia estressante de trabalho, observando a porta por um sinal de vida. Isso vai ficar mais fácil? Já faz uma semana. Uma semana desde que encontrei forças para entrar nesse prédio e descobrir o que está acontecendo comigo. Uma semana desde que recebi o Dr. Montgomery em minha vida. Tirei meus fardos e comecei a limpar minha alma. À medida que os segundos passam e meus pensamentos continuam à deriva, não posso deixar de pensar no meu novo psicólogo. Quem é esse homem? O que o faz tão fascinante? Quando os nós familiares começam a se formar, sacudo os pensamentos. Só de pensar nele e no começo da nossa sessão me amarra em nós. – Senhora Hamilton, o médico vai te ver agora. – olho para ela e ela aponta na direção do escritório dele. – Ele disse para entrar. Com uma mão enfiada no bolso do casaco, vou até a porta do Dr.

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Quando cheguei ao banheiro, minha respiração se tornou superficial. Toda vez que imaginava o que diria se me deparasse com alguém, perdi minhas palavras. Meu medo secou minha boca... e consolidou a minha língua. Tudo o que podia fazer era esperar que os efeitos remanescentes do ataque passassem.


Montgomery e a abro. Ele está terminando uma ligação e pede-me que me sente no sofá. – Claro, docinho. Claro que vou estar lá. Não perderia isso por nada no mundo. – Ele tem um sorriso no rosto - um que não toca apenas os olhos, mas também toca sua alma. – Eu também te amo. Ouvir essas palavras deixar sua boca me faz sentir o tipo mais estranho de sentimento. Quase como ciúmes, mas não pode ser isso. Não conheço esse homem o suficiente para ficar com ciúmes. Não, do que estou com ciúmes é esse sentimento. Ter alguém que ama você, pertencer a alguém, ter sua alma ligada a outra pessoa. Quando ele desliga o telefone, seus olhos ainda estão cheios de um olhar que eu sinto falta. Amor incondicional. – Me desculpe por isso. É o aniversário da minha sobrinha hoje. A festa dela é esse final de semana. Sua sobrinha. O oxigênio que eu não sabia que estava segurando saiu dos meus pulmões. – Garota sortuda por ter um tio como você. – Eu sou o sortudo. – o calor de seu sorriso ecoa em sua voz, e naquele momento vejo um lado diferente dele. Isso me faz confiar mais nele. Isso me faz gostar ainda mais dele. – Então, como vai você hoje?

– Como assim? Eu continuo a dar-lhe uma atualização de tudo o que aconteceu desde que eu estive aqui na última vez. Por alguma razão, deixo de lado os pesadelos. Não estou pronta para lidar com isso ainda quando tenho tantos outros problemas acontecendo. Ele ouve com atenção total. Quando termino, ele abaixa o caderno e olha para mim.

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– Estou bem. O trabalho tem sido difícil. As coisas com minha mãe foram difíceis. Acho que tudo tem sido difícil. – admito com um suspiro.


– Vamos falar sobre o Richard. Você pode fazer isso? Ou você precisa de um minuto? Considero o que ele está me pedindo. – Posso fazer isso. Ele deixa escapar o ar que deve ter segurado enquanto esperava pela minha resposta, e então, se inclina para frente. – Você disse que o Richard era o melhor amigo de seu pai. Ele sempre fez parte da sua vida? – Tanto quanto eu me lembro, Richard estava lá. – meu coração bate no peito, mas toda vez que me sinto caindo, me concentro nos ombros largos do Dr. Montgomery que se movem um pouco enquanto ele respira e me ancora. – Como assim? – Minha mãe... Bem, vamos apenas dizer que ela não lidou bem com a morte do meu pai. Richard se aproximou para ajudar comigo. – minha voz é baixa. Ele inclinou a cabeça. – Vou precisar que você fale sobre a sua mãe um pouco. Um lampejo de dor me rasga. Minha boca treme enquanto falo. – Ela se perdeu. Mas esta é a única maneira que a conheci. Ela sempre foi assim para mim. Isso faz sentido?

– As pessoas realmente não falam sobre isso, mas vi fotos dos meus pais antes de eu nascer e ela parece uma pessoa totalmente diferente. Seus olhos eram brilhantes e ela sempre tinha um sorriso. Ela era jovem e bonita. Ela parecia despreocupada e apaixonada. – E essa não é a mãe que você conhece? – Oh, Deus, não. – balancei a minha cabeça com veemência. Minha mãe nunca foi essa mãe para mim. As lágrimas que estou segurando atrapalham o pensamento.

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– Sim. Como era a sua mãe? Antes do acidente do seu pai.


Dr. Montgomery estende a mão. Quando ele fala, sua mão envolve a minha. – Conte-me sobre a mãe que você conhece. – ele dá um aperto na palma da minha mão e olho para as nossas mãos conectadas. Seu aperto é forte. Isso me conforta. Isso me dá a tranquilidade de que preciso. Dr. Montgomery se afasta e meu corpo fica frio com a perda. Olho para ele e encontro a sua testa franzida. – Você pode fazer isso. – ele encoraja, enquanto reclina de volta em sua cadeira. Com a nova distância entre nós, me movo desconfortavelmente. De repente, me sinto estranha. – Minha mãe... Minha mãe é hipocondríaca. Desde que me lembro, ela está tomando comprimidos para alguma doença imaginária. Ela mal consegue sair da cama na metade do tempo. Ela está sempre doente. Ela não faz nada por si mesma. – solto uma respiração profunda, todo o meu corpo tremendo enquanto eu limpo as memórias da minha mente. Ela desistiu de dirigir porque ela não iria entrar em um carro. Ela não saia da nossa casa, então nunca fomos a lugar nenhum. Por isso nos mudamos para a cidade. Quando o Richard descobriu, ele nos fez desistir de nossa casa e nos mudar para o apartamento vazio perto do dele. – Isso deve ter sido difícil para você. – Talvez. Como disse antes, não me lembro de muito da minha infância. Às vezes eu agradeço a Deus por isso. – Como ela era depois de se mudar para a cidade?

– Qual era o nome dela? – Sonia. – minha garganta parece como se estivesse fechando. Amei a Sonia. Ela se importava comigo. Me amou. Ela era uma mãe para mim. – Quanto tempo a Sonia ficou com você? Não o suficiente. – Quase dez anos, e então, um dia ela não estava.

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– Richard nos contratou uma cuidadora em tempo integral que também limpava a casa. Ela cuidou de mim, e ela cuidou da mamãe.


– O que aconteceu? Ela me deixou. – Ela teve que voltar para o Brasil porque a mãe adoeceu. Foi um pouco perto do meu aniversário de treze anos. Ainda sinto a dor de quando ela foi embora. A tristeza percorre minhas veias na memória, como um animal enjaulado que ameaça se libertar. Um brilho lustroso reveste minha pele. Cada músculo parece apertado, como se estivesse cimentado no lugar. – Está tudo bem. Respire. Dentro. Fora. Dentro. Fora. – Ela foi embora, logo antes do meu aniversário. Lembro-me porque a mamãe estava muito “doente” para fazer algo especial, mas eu sempre podia contar com o Richard.

– O que ele não fez? Ele estava lá para tudo. Como eu disse, papai era o seu melhor amigo. Eles cresceram juntos. Eles eram supostamente tão próximos como se fossem irmãos. Quando meu pai morreu, eu me tornei filha adotiva do Richard. Embora, ele tivesse sido casado anteriormente, sua esposa nunca quis filhos, e uma vez que eles se divorciaram, ele não tinha interesse em se casar novamente, então minha mãe e eu fomos, para todos os efeitos, sua família. Ele foi o único que estava comigo quando quebrei meu braço e tive que ir ao hospital, aquele que veio à escola para reuniões de pais e professores. Foi ele quem me trouxe remédio quando estava doente, não a mamãe. Ela estava com muito medo de pegar alguma coisa, então, ela ficou no apartamento, e se eu estivesse lá, ela ficava em seu quarto. Aperto os meus lábios juntos, mas o soluço irrompe de qualquer maneira. – Eu sinto muito. – o azul de seu olhar brilha com emoção, tão forte que me queima. – Era exaustivo. É cansativo.

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– O que ele fez?


– Você precisa de um minuto? – eu balancei a minha cabeça. Preciso acabar com isso. Para dizer-lhe tudo, expulsar isso. Então, estará feito. – Como é o seu relacionamento com ela como agora? – Ela precisa de mim o tempo todo. Meu telefone toca o dia todo, todos os dias. Uma nova doença. Um novo diagnóstico. Uma nova segunda opinião. – Então, basicamente você se tornou a mãe? – Sim. – E quem cuida de você?

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– Richard cuidava. – e com isso, eu solto. Eu deixo tudo ir. Cada lágrima sai com respirações abafadas e um coração partido. As lágrimas de uma criança que cresceu muito rápido. As lágrimas de uma adulta que perdeu demais.


Capítulo Doze

Preston Ela está quebrada e tudo que eu quero fazer é consertar ela.

Enquanto ela me conta sua história, sentimentos estranhos invadem minha corrente sanguínea. Que tipo de mãe abandonaria sua filha assim? Que tipo de mãe força uma criança a ser adulta? Tristeza, indignação e desaprovação fluem através de mim. O julgamento obscurece toda a razão, me deixando com uma voz completamente tendenciosa. Estou julgando essa mulher que nem conheço. Condenando ela. Deus, minha cabeça está uma bagunça. Não consigo pensar em coisas assim. Preciso ser imparcial. Mas estou com muita raiva dela. Não sou o objetivo e não devo continuar a tratá-la. Inferno, nem tenho certeza se devo estar no mesmo quarto com ela. É preciso cada pedacinho da minha energia para não estender a mão para ela.

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Cada lágrima que ela derrama rasga um pouco mais da minha alma já esfarrapada. Ouvir sobre a sua infância é quase demais para suportar. Ela está perdida, vagando sozinha neste mundo. Eu tento abrir minha boca para confortá-la, mas me lembro que estou aqui para ouvir. Não para levá-la em meus braços e segurá-la. Mas eu quero. Quero dizer a ela que tudo ficará bem. Que todas as coisas ruins que aconteceram a transformaram na mulher incrível que ela é hoje. Não a conheço bem, mas já sei disso. Ela é muito mais do que deixa transparecer. Muito mais do que ela se dá crédito. Ela é forte, leal e bonita. Dentro e fora. Não deveria pensar essas coisas. Eu não deveria olhar para ela sob essa luz, mas não posso evitar.


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Para não agarrá-la em meus braços, puxar ela para mim e nunca a deixar ir. Para dizer a ela que ficará bem e que vou a proteger. Mas em vez disso, endireito minhas costas e aperto o meu queixo. Ela deve achar que estou sendo frio. Eu posso parecer duro, mas é a única maneira que conheço. É a única coisa que posso fazer para não confortá-la.


Capítulo Treze

Eve Estou cansada. Tão cansada que mal consigo distinguir as palavras que estou digitando no meu teclado. Precisando de um estímulo, vou para a sala de café. Surpreendentemente, ninguém está aqui, mas saúdo o silêncio. Tanto quanto sempre gostei da energia percorrendo o escritório, meu coração não está mais aqui. Nestas últimas semanas, Tenho andado para trás. Basicamente fingindo trabalhar enquanto tento manter minha mente e emoções na baía. Graças a Deus ninguém perguntou o que tenho feito porque a resposta seria nada. Não entrei em contato com novos clientes. Eu não liguei para qualquer um dos meus clientes. Não fiz nada. Enquanto o Keurig ruge para a vida e o vapor da máquina enche o ar, uma presença assoma atrás de mim. Olhando por cima do meu ombro, vejo Barry em pé. Estreito meus olhos para ele.

– Não. Apenas pegando café. O calor do seu corpo me diz que ele está muito perto. – Barry? Você se importa de me dar algum espaço? – ele recua um passo, mas ainda está perto demais. – Assim... – ele se inclina para falar e quanto mais perto ele fica, mais me

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– Posso ajudar?


sinto como se estivesse sendo sufocada. – Richard já lhe contou o nome de seu parceiro? Ou melhor ainda o advogado entrou em contato com você? Embora eu saiba, hesito em contar a alguém. Já era ruim o suficiente que eu era a favorita de Richard, mas se a equipe soubesse que minha mãe era a proprietária silenciosa, isso tornaria o trabalho aqui ainda mais complicado. Eu não devo a Barry resposta. Os sócios anônimos não é uma entidade. Além de fornecer capital, ela não tem nenhum interesse em se envolver. – Não, Barry. Não comigo. – eu consigo dizer, mas quanto mais falamos de Richard, mais minha frequência cardíaca acelera. Sem dizer outra palavra, corro pelo corredor e entro em um banheiro. Uma vez lá, me jogo em um cubículo e vômito no vaso sanitário. Isto é mau. Tão ruim. Juro que estou morrendo. Isso não pode ser normal. Não pode. Pulso acelerado. Coração batendo. Suor e calafrios. Estou tendo um ataque cardíaco. Não. É só pânico. Inspire. Um. Dois. Três. Respire. Um. Dois. Três. Posso passar por isso. Pense nas técnicas de respiração. Estou sentada no chão do banheiro por uma hora antes de ter a força para me levantar e fingir funcionar.

.......................................................................... Esta será a minha sexta sessão vendo Preston Montgomery como paciente. Eu não posso acredito que seis semanas se passaram desde a primeira vez que me sentei em sua sala de espera.

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Mas eventualmente eu termino.


O rangido da madeira faz minhas costas se endireitarem. – Oi. Desculpe, estou atrasada hoje. Como você está? É bom ver você novamente. Ele parece tão relaxado e despreocupado. – Estou bem. – sorrio com força, mas não acho que ele perceba meu desconforto. Ele se vira para seu paciente anterior e diz adeus antes de voltar sua atenção para mim. – Você poderia vir no meu escritório? Preciso verificar minhas mensagens. – Claro, não há problema. Enquanto ele olha para mim, algo dentro de mim se agita. Uma sensação que não senti por enquanto - conforto. Ele me vê e me entende. É incrível. É tudo abrangente. Seus olhos piscam rapidamente e o momento está perdido. Balançando minha cabeça, faço um esforço para não ficar mais de boca aberta e ir direto para o escritório dele. Quando ele entra alguns minutos depois, nossos olhos se encontram e um sentimento estranho permanece no quarto. Eu me vejo ansiosa, enquanto espero por ele falar do outro lado da mesa de centro. – Oi. – Oi, doutor. – eu digo e ele balança a cabeça para o meu apelido. – Você parece bem hoje.

E é verdade. Por semanas eu saia, mas estando aqui - era como o sol depois de um dia tempestuoso. Quero me aquecer em seus raios. Sentir o calor no meu rosto. – O que aconteceu? – Tive um terrível ataque de pânico no escritório. Mas acabei saindo dele em geral.

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– Agora, mas não estava antes.


Como se meu peito estivesse pesado o tempo todo. Exceto quando você está por perto. – Isso faz sentido? – Sim. Você tem praticado as técnicas de respiração? – Aqui e ali. – eu olho para o chão, não querendo fazer contato visual com ele. Sei que vai ver que não tenho seguido suas numerosas sugestões. Apenas as que dizem respeito à respiração. – Isso é muito bom. – ele não percebe como sou evasivo ou ele está me dando um passe. - E como isso tem funcionado para você? Ele sorri e eu sei que é o último. – Isso me acalmou. – admito com um suspiro. – Não tanto quando tive o efeito total ataque no escritório, mas quando senti outro rastejando, fui capaz de afastar ele. – Então, você encontrou a respiração que ajudou você a se distanciar do medo? – Sim.

– Estava no trabalho. Um colega de trabalho estava me bombardeando com perguntas sobre a empresa. A maioria dos meus ataques acontece no trabalho, o que, obviamente, não é ideal. Tive um que foi terrível esta semana. Senti como se estivesse morrendo. Como se estivesse tendo um ataque cardíaco bem ali no banheiro do escritório. Meus olhos se fecham quando eu estremeci interiormente ao pensar em todos os ataques que tive no trabalho. É debilitante. – Ok. – ele faz uma pausa e ouço o som de seu lápis rabiscando no papel. – Me conte sobre o seu trabalho. Você disse que trabalha em marketing, mas quais são suas atividades diárias? Abrindo meus olhos, olho para ele. – Depende. Acho clientes, entro em contato e depois os lanço. Eu os vejo e janto com eles. Se conseguir um cliente,

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– Ok, bom. – ele se inclina para frente em sua cadeira. – Que tal você me dizer um pouco sobre o que desencadeou seu último ataque?


chego a um plano de marketing estratégico para atender às suas necessidades. É sobre isso. – Tenho certeza de que há um pouco mais do que isso? – Sim, acho, mas não quero te entediar com os detalhes. – Você pode falar comigo sobre como você gosta de trabalhar lá? – Costumava amar, mas não é mais o mesmo. – eu digo. De repente, falar de trabalho é sufocante. – Como não é o mesmo? Parece que o gelo está se espalhando em minhas veias enquanto tento atrair minhas emoções. Ele acena para mim com encorajamento. Eu exalo e prossigo. – Vá em frente, Eve, estou aqui para você. – ele me tranquiliza. – Estou lá por causa de Richard. Ele me deu o emprego. Ele me treinou. Ele me ensinou. Ele me encorajou. Simplesmente não posso estar lá sem ele. Parece errado. – lágrimas se acumulam nos meus olhos e acho que posso quebrar, mas quando pego os olhos do Dr. Montgomery, há muita compaixão e compreensão neles. Eles me seguram. Eles me fazem mais forte. – Sei que isso é difícil para você, mas acho que estamos chegando a algum lugar. Você notou quando esse peso se apresentou? – Sim, notei.

– Não particularmente. – eu rio. – Mas, se tiver que fazer. – ele franze os lábios e eu rio mais, enquanto alcanço o meu caderno. – Tudo bem. – digitalizo as páginas, uma depois da outra. Nota após nota, até que uma coisa fique clara. Eu franzo minha testa. – Eu vejo que você encontrou algo. O denominador comum?

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– Você gostaria de compartilhar? – ele sorri.


– Pelo olhar em seus olhos, eu acredito que você já sabe, Doutor. – Eu sei. – ele olha para mim com uma expressão cheia de compreensão e outra coisa, algo que não posso colocar reconhecer. Sinto como se ele quisesse fechar a lacuna e me alcançar, e em seguida, com a mesma rapidez se vai. – Continue. Eu tomo uma inspiração profunda, em seguida, solto um suspiro audível. – Trabalho. Quase sempre fico no trabalho. – Por que você acha que é isso? – Se soubesse a resposta para isso... – Eu sei que não sabe, mas é por isso que estamos aqui. Nós vamos descobrir isso juntos. – Você não pode apenas me dizer? – Eu posso te dizer no que acredito, mas até você descobrir por você mesma, não vai aprender. É como uma planta. Você deixa cair uma semente na terra, despeja um pouco de água, mas no final, a semente precisa aprender a crescer por si mesma. Tudo o que você pode fazer é dar as ferramentas que precisa. Não me diga. – eu suspirei e ele ri novamente. É um som bonito. – Diga-me algumas das coisas que o Richard fez por você no escritório e fora do escritório. Você me disse que ele sempre esteve presente para você em sua vida pessoal e que, no trabalho, ele ajudou você com seu treinamento. O que mais ele fez? – Ele me deu encorajamento.

– Não. – ele baixou os olhos e sua mandíbula se contraiu. Minha resposta parece o oprimir e enfurecer ao mesmo tempo. – Então, agora, quando você está trabalhando, não tem mais a certeza de estar fazendo um bom trabalho? – minha boca se abre. É isso? – O que você está pensando? – É mais do que o encorajamento. É a aprovação, certo? O reconhecimento? – ele assente enquanto resolvo isso. – E é por causa de quê?

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– Alguém mais lhe deu isso?


– Crescendo, quem te deu encorajamento? – Bem, ninguém além de Richard. – Então, sua crença em si mesma depende dele? – Sim, eu acho. – E como você se sente agora no trabalho? – Desmotivada. Não faço ideia do que estou fazendo. Não consigo ver o caminho correto para qualquer coisa. É como se não pudesse mais fazer isso. É como se não soubesse o que estou fazendo agora sem ele lá. Deus, eu sinto muita falta dele. – E o que você acha que Richard diria sobre isso? Fecho os meus olhos e ouço suas palavras na minha cabeça. – Ele diria que isso é ridículo. Que sou uma mulher incrível e posso ter sucesso em tudo o que colocar minha mente. – Então, aqui está o que eu penso. Richard era uma figura paterna e um mentor durante quase toda a sua vida. Acho que a razão pela qual seus ataques de pânico são principalmente desencadeados no escritório é porque sua necessidade de aprovação sempre foi cumprida por ele em vez de seus pais, e agora sua ausência é um vazio gigante que se manifesta na ansiedade. – eu considero suas palavras e elas fazem muito sentido. Como não tinha visto isso? Estava tão cega pela minha dor que não conseguia ver o que estava tão descaradamente na minha frente? Ele era meu pai, minha mãe... Meu mentor.

– Você faz o que ele teria aconselhado. Você leva um dia de cada vez. Toda vez que você começa a entrar em pânico, quando começa a duvidar de sua capacidade de realizar seu trabalho - quando está questionando suas decisões visualiza Richard. Você pensa nele e nas lições que ele implementou toda a sua vida. Você se lembra de suas palavras. Você repete-as e você as vive. Ele foi sua âncora. Agora você precisa aprender a ser sua próprio âncora, Eve. – Eu não sei se posso.

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– Então, o que eu faço? – murmuro.


– Você pode. – sua voz é tão assertiva. Tão certa. – Como você sabe? – Porque tenho fé em você.

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Calor se espalha através de mim em suas palavras. Palavras familiares que o Richard disse uma vez. Elas me fazem acreditar.


Capítulo Quatorze

Eve 3 semanas depois... Anotações de diário Desde que descobrimos por que o trabalho era um gatilho, o pânico diminuiu. É loucura como as técnicas que ele foi tão inflexível sobre eu usa-las pareciam funcionar. A única coisa que não melhorou foram as minhas noites. Ainda sofro de ansiedade com a ideia de dormir. Não tenho certeza porque não digo a ele. Ok, isso é mentira. Estou com muito medo de reconhecer isso. Com medo de encontrar o catalisador deles e me quebrar e engolir inteira. Em vez disso, toda semana eu sento no sofá na frente dele e finjo que nunca aconteceu.

– Syd? Você quer café da manhã? – um gemido emana através da porta que nos separa. Eu abro e coloco minha cabeça. – Syd? Ela ainda está deitada em sua cama, e ela está submersa embaixo do cobertor. – Muito cedo. – Na verdade não é. – Por que nós bebemos tanto na noite passada? – ela enterra a cabeça sob o

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O desejo de fugir do apartamento antes de Sydney acordar é abrangente. Tem sido uma semana longa e cansativa, e preciso de um minuto para mim. Quero ir pegar o café da manhã sozinha, mas tenho que fazer a coisa certa e pelo menos perguntar.


travesseiro e forço de volta uma risada. – Porque você disse e te cito, 'os caras ficam mais bonitos quando estamos bêbadas'. Isso é não para o café da manhã? – ela não responde, então suponho que a resposta é não. – Me mande uma mensagem se você quiser que traga alguma coisa, eu grito no meu caminho. Colocando meu casaco e lenço, me dirijo para o ar de inverno. As mordidas de vento na minha pele. Isso faz meus olhos lacrimejarem. Carregando contra os elementos, eu empurro a porta se abre para o restaurante e entro. Que diabos? O que ele está fazendo aqui? De pé no canto está o Dr. Montgomery, e ele está com duas crianças pequenas. Não posso deixar ele me ver. Rapidamente, tento me virar. Falar com seu terapeuta sobre waffles poderia definitivamente ficar estranho.

Ele está vestido casualmente hoje. Tão casual que poderia não tê-lo reconhecido se não por seus olhos hipnotizantes. Ele está usando um jeans cinza apertado, térmico e ajustado. Isso o faz parecer mais jovem que o normal, mas as linhas finas ao longo de sua testa me levam a acreditar que ele tem trinta e poucos anos. Meus olhos seguem um caminho para examinar ele na sua totalidade. Ele é alto e magro, e mqis alto que eu. Seu cabelo cor de chocolate tem mechas loiras como se tivessem sido beijadas pelo sol. Parece como se ele recentemente tivesse passado os dedos por ele, porque isso está perfeitamente despenteado. E sua estrutura óssea é impressionante. – Tio Preston, tio Preston. – uma menina puxa a barra de sua camisa e me tira da minha neblina. – Sim, querida? – ele agacha para ela, com o seu lábio se inclinando para o primeiro sorriso genuíno que já vi em seu rosto. É um lindo sorriso. Um sorriso carinhoso. Um que diz que ele adora essa menina e faria qualquer coisa por ela.

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– Eve? – seu rosto empalidece e ele endireita as costas. Um estranho olhar passa sobre suas características. Talvez ele esteja chocado por me ver também.


Um protetor atencioso que daria sua vida por sua felicidade. Isso me lembra da maneira como Richard costumava sorrir para mim. Isso faz meu coração balançar com o pensamento, mas também me faz querer conhecê-lo melhor. Isso me faz querer conhecer esse lado dele. – Quem é ela? – ela solta em voz baixa e ele solta uma risada. – Esta é Eve, ela é uma... – ele faz uma pausa, seus lábios se comprimindo enquanto considera um título apropriado para mim. – Uma amiga. – Uma namorada? – ela brinca e sinto todo o meu rosto corar. – Não, Avery. Ela não é minha namorada. – Você é realmente linda. Você deveria ser a namorada dele. – ela brinca com sua pequena voz estridente e me pergunto quantos anos ela tem sendo tão astuta. – Você parece a Elsa. Você é a Elsa? Não posso evitar sufocar uma risada. – Não querida, eu não sou. – Ah. – ela solta um bufo e se vira, não mais impressionada comigo. Meus lábios se separam em um sorriso e eu vejo o Dr. Montgomery reprimir seu próprio sorriso. De repente outro rosto sai de trás dele. Desta vez é um garotinho. Ele parece ter a mesma idade que a garotinha Avery. Suas características são semelhante. Ambos têm olhos azuis e pequenos narizes. Seu cabelo tem a mesma cor marrom dourada com mechas de louro.

– Este é o Logan. Logan, você pode dizer oi? Eu vejo o Dr. Montgomery gentilmente abraçá-lo, encorajando-o, deixando-o e o fazendo saber que está lá para ele, se ele precisar. – Quando tinha a idade dele, também era tímida. Ele não tem que dizer oi. – Volto minha atenção para o menino. – Tudo bem, querido. Você não precisa fazer isso se você se sente desconfortável.

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- Oi, e quem é esse? Eu digo olhando diretamente para o menino, ainda escondido atrás da perna do seu tio.


Tentando pensar em algo para dizer para deixá-lo à vontade, noto que sua camiseta tem um desenho familiar sobre ela. – Você gosta de carros? – ele me dá um aceno tímido. – Eu vi o filme um milhão de vezes. – suas pupilas aumentam com minhas palavras. Ele parece impressionado. – Oi, Eve. – ele sussurra e uma parte de mim se derrete. Essa criança me lembra muito, muito eu quando criança. Quero abraçá-lo e dizer a ele que não há nada para ficar com medo. Da minha visão periférica, vejo o médico olhando. Seus olhos azuis perfuram a distância que nos separa. Procurando os meus como se estivesse tentando ouvir meus pensamentos. A princípio eles são afiados e acessados, mas a cada segundo que se passa entre nós e Logan se move mais para dentro da sala, não mais se escondendo, eles suavizam. Eles são gentis e agradecem: – Você vai ver o novo no cinema? Acabou de sair , eu pergunto a Logan e, a essa altura, ele não está mais se escondendo. Agora ele está vem ao meu lado. Um sorriso gigante reveste seu rosto. Seus olhos estão vivos e dançam maravilhados em retorno e saltam de excitação. – Podemos? – ele puxa o casaco do tio e, com isso, o Dr. Montgomery solta uma risada. Ele fica lindo quando ri: – Talvez depois do café da manhã.

– Eu tenho todos os brinquedos. Tio Preston me deu uma tonelada no meu último aniversário. – ele enfia a mão no bolso e pega o carro depois do outro. – Era seu aniversário? Quantos anos você tem? – pergunto. – Eu tenho cinco anos. – ele está orgulhoso. – Você tem? Uau. Você é tão grande. – Avery avança com sua pequena mão na cintura.

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– Seria muito divertido. Você tem todos os brinquedos? – viro minha cabeça de volta para Logan e estendo a mão para dar uma olhada em seu carro.


– Eu sou mais velha. O lábio do Dr. Montgomery aparece quando ele balança a cabeça. – Ela é cinco minutos mais velha que Logan. – ele esclarece. – Eu ainda sou mais velha, tio Preston. – ele coloca o braço em volta dela e lhe dá um apertão leve, enquanto sorri. Este é um lado totalmente diferente dele, então não é a versão profissional rígida que encontro nas minhas sessões. Gosto de ver esse lado. Isso faz com que ele pareça viável. Como nós sentados juntos em uma mesa com sua sobrinha e sobrinho faz total sentido. Sinto um puxão na minha camisa e olho para baixo para ver Logan parado diretamente ao meu lado. – Este é do primeiro filme e este é o cara mau. As pequenas características do seu rosto fazem uma careta quando ele segura o carro para mim. – Eu sei. Ele é realmente malvado. – Sim, como minha irmã. Ele ri. – olho para cima e o Dr. Montgomery me chamando atentamente. Seus olhos brilham, silenciosamente dizendo um milhão de coisas. Tantas palavras não ditas por trás deles, palavras que estou desesperada para ouvir. Seus lábios se separam em um meio sorriso e depois volta para o seu sobrinho. Naquele momento, a recepcionista se aproxima com três cardápios. – Foi bom vê-la. – diz o dr. Montgomery, enquanto conduz as crianças para longe de mim. Mas Logan não se move. Em vez disso, ele segura firme e estreita seu lábio. – Ela pode comer com a gente? – Logan pergunta a ele.

– Ah, vamos lá, tio Preston. Por favor, por favor, por favor, ele lamenta, e Avery retorna para nós e começa a gritar com seu próprio canto. Um olhar estranho e frágil percorre sua fachada normalmente profissional. Uma variedade de emoções se desenrola em suas feições, mas a que mais se destaca é um apelo... Um apelo para fazer este menino e menina que ele obviamente se importa profundamente feliz. Eu sorrio para os rostos minúsculos abaixo de mim.

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– Acho que não. – eu digo, mas gostaria de poder. Faria qualquer coisa para poder ficar e passar mais tempo com eles.


– Claro que vou. Levanto o meu olhar e encontro com o azul hipnotizante. Um agradecimento e eu lhe dou um sorriso sincero em troca. Quando começamos a caminhar em direção a um grande estande, Avery e Logan estão perdidos em um argumento sobre seus carros serem mais legais do que suas bonecas Barbie. Eu sinto um toque suave no meu ombro e me viro para encontrar o Dr. Montgomery olhando para mim. – Obrigado, Eve. Eu sei que não é assim que você planejava passar o seu dia. Ter você se juntado a nós é contra as regras - você é paciente e tudo mais -, mas essas crianças... eles são tudo para mim, e Logan está passando por um momento difícil agora. Então, mesmo que esteja errado... Obrigado. A tristeza em seu olhar é palpável. Isso quebra meu coração em um milhão de pedaços. – O que está acontecendo? – Ele está realmente tendo dificuldades no jardim de infância. É difícil para ele se adaptar. Ele não está se encaixando, e se dar bem com seus colegas tem sido uma luta. Ele é tímido, introvertido e algumas crianças estão brincando com ele. Então, para vê-lo... – ele faz uma pausa para inalar profundamente e acalmar suas emoções. – Vê-lo confortável com você, isso realmente significa muito. – Eles são crianças muito doces. Tomar café da manhã com você é um prazer. Você não tem nada com o que se preocupar.

– Então, o que todo mundo vai querer? – pergunto enquanto olho da direita para a esquerda nas duas crianças. – Vejo que você já esteve aqui antes. – suas cabeças pequenas balançam para cima e para baixo. – Nós viemos aqui o tempo todo com o tio Preston. – declara Avery e eu levanto meu olhar para pegar os olhos do meu médico.

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– Vamos lá, eles estão quase na mesa. Dr. Montgomery coloca a sua mão nas minhas costas para me deixar liderar o caminho. O contato faz a minha pele arder com os arrepios. Quando nós quatro chegamos ao estande, me encontro entre as crianças e tudo que posso fazer é rir.


– O que você terá? – pergunta ele. – Quero o mesmo. E você? É minha folga de fim de semana. – Interessante. – Isso é engraçado. Venho aqui há anos e eu nunca vi você antes. Pequenas linhas gravadas em suas feições e suas pupilas parecem crescidas, mas ele rapidamente mascara a mudança e sorri. – Geralmente estou aqui um pouco mais cedo do que isso, mas com as crianças hoje... A garçonete se aproxima e ele pede os famosos waffles de chocolate com chantilly para todos nós. Quando ela se afasta, volto minha atenção para Logan, do meu lado direito, que está correndo com seus carros na mesa em frente a mim. – Quem está ganhando? – pergunto. – Relâmpago McQueen. – ele exclama e a excitação em suas pequenas vozes me empolga também. – Claro que ele está. – Então, vocês moram por aqui? – estou olhando para o Logan quando pergunto isso, mas a verdade é que estou secretamente esperando por uma resposta de seu tio. O desejo de saber mais sobre esse homem é abrangente. – Não nós. – Logan responde enquanto empurra o carro para frente e para trás, o pequeno rascunho na madeira da mesa. – Mas, o tio Preston mora. – eu olho para cima.

– Lexington com a trigésima quinta. – Ah? Estou na trigésima terceira com a terceira. Ele acena, mas não responde. Em vez disso, passa pela mesa do carro desonesto que Logan abriu caminho e começou a correr para a corrida. Eu o observo por um momento. Vejo o sol atravessar a janela e abençoá-lo com um

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– Onde você mora? – ele se agita em sua cadeira antes de responder.


brilho. Vejo o amor que flui dele para as crianças. Este é um homem que quero conhecer. Um homem de quem poderia ser amiga. É a primeira vez que gostaria que o tempo cessasse, mas, em vez disso, parece passar mais rápido que o normal. Nunca há uma pausa na conversa entre nós. As crianças contam histórias sobre o jardim de infância e seus amigos e todo o mal-estar em que se metem. A garçonete retorna com o café da manhã e a mesa está cheia de sons de comida. Eu levanto o garfo e tomo outro gole gigante, dessa vez pegando creme extra. Enquanto aprecio e saboreio o sabor, ouço uma onda de gargalhadas ecoando pelo ar. – O quê? – levanto a minha sobrancelha e do outro lado da mesa o Dr. Montgomery se inclina para frente. O tempo para enquanto sua mão alcança. – Você tem um... – seu dedo limpa meu lábio e faz minha respiração engatar. A intensidade do seu olhar me assusta. Cada grama de oxigênio deixa meu corpo, mas então seus olhos azuis se arregalam em choque quando percebe o que ele fez. Sua mão se move para trás, como se estivesse queimada. – Eu sinto muito. Não deveria ter feito isso, ele gagueja. – Tudo bem. – eu tento me livrar dele, mas ainda sinto o dedo dele em minha pele. – Isso foi engraçado. Parecia que você tinha um bigode. Logan ri. Então, todos se juntam e logo a tensão se dissipa quando todos começamos a rir. Através da nossa risada, noto que a garçonete entrega a conta e pego à minha bolsa, mas me deparo com o Dr. Montgomery balançando a cabeça para mim do outro lado. – É um prazer.

– Você quer andar de trenó conosco? – ele pergunta e olho pela janela. Hoje de manhã, quando saí do apartamento, não havia notado o quanto estava perfeito do lado de fora. Mas agora, sentada aqui, vejo que é um lindo dia de inverno. As ruas de Manhattan estão cobertas de neve recém-caída. Ainda está limpo e brilha em um lindo branco nítido. – Vocês estão indo andar de trenó? – minha sobrancelha direita sobe em

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– Obrigada, me diverti muito com vocês hoje. – Logan agarra a minha mão. Seus dedinhos estão grudados ao toque.


questão e os lábios do Dr. Montgomery se espalham em um grande sorriso. – Está na lista de deveres legais do tio. – Oh, você é o tio legal? – Pode apostar. – Posso ver totalmente isso. Então, trenó. Isso parece divertido. Posso imaginá-lo correndo com as crianças no Central Park, com trenó a reboque. O que eu faria para ver isso. – Por favor, por favor, por favor! – Avery concorda com seus pequenos apelos. Montgomery está imerso em pensamentos, mas quando o nosso olhar alcança, ele exala. – Você poderia se juntar a nós se você quiser? – seus lábios aparecem. É um sorriso diferente e, ao contrário de todos os outros sorrisos que já vi dele hoje. Não é o sorriso, nem é o hipnotizante onde seus olhos brilham. Não é o que dá a sua sobrinha e sobrinho também. Não, esse sorriso diz que ele não tem certeza. Que ele quer que eu vá, ele não quer mais desfocar as linhas, que ele já ultrapassou. Esse sorriso me faz sorrir para ele. Mas então meus lábios franzem porque não posso ir. Preciso checar minha mãe. – Eu não posso, pessoal. Eu já tenho planos. Queria poder dizer sim, mas infelizmente não posso. Talvez da próxima vez. Por favor, Deus, deixe que haja uma próxima vez. Todos ficamos em silêncio por um minuto, as crianças silenciosamente amuadas. Quando o espectador retorna com a sua mudança, ficamos de pé.

– É claro. Eu adoraria isso. – Foi bom ver você e agradeço por ser tão boa com eles. – diz o Dr.Montgomery. Ambas as crianças correm para me dar um abraço e quando as abraço também, dou a elas um pequeno sorriso e me viro para ir embora. Estou indo para a casa da minha mãe e elas estão indo para um dia perfeito,

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– Podemos vê-la novamente? – Logan diz para mim.


um que eu gostaria de ter com eles. Ao sair do restaurante, decido percorrer a distância até o apartamento da minha mãe. Meus pés entram em um ritmo lento enquanto desço a calçada. Estou procrastinando. Isso é óbvio. Há um milhão de coisas que deveria estar fazendo do que ir para a cidade para cuidar da minha mãe. Uma delas é trenó. Eu anseio ser boba e normal e me divertir. Mas, em vez disso, me vejo em pé na esquina, esperando a luz mudar. Um nó se forma no meu estômago por me preocupar com o que vou encontrar quando chegar. Não, não posso deixar meu cérebro vagar agora, não depois do meu maravilhoso dia. No lugar dos pensamentos tristes que pairam sobre mim, penso nas crianças e no Dr. Montgomery. Hoje vi um lado diferente dele, um lado brincalhão. Não tenho certeza que é o tipo de coisa que deveria saber sobre o meu médico. Já estou atraída por ele fisicamente e vendo-o assim... É confuso. Ele não é assim em seu escritório. Não tenho certeza de como devo agir agora. Uma memória passa diante dos meus olhos. O dedo dele. A sensação da sua pele na minha, deslizando para longe o creme que se acumulou no meu lábio. Merda. Isso ficou muito mais complicado.

............................................................................. Quando tiro as roupas do corpo horas depois, meu celular toca. Não tenho certeza de quem poderia ser, mas fico tensa quando vejo que é minha mãe. O pânico se instala. Eu estava com ela hoje cedo. Isso não pode ser bom.

– Estou morrendo. Merda. – Você não está morrendo, mãe. – nervosamente, ando no meu quarto. Isso não pode estaracontecendo agora. Eu quero gritar. – Não, eu estou. Desta vez com certeza. – Por que você pensa isso?

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– Ei mãe. Você está bem?


– Minha cabeça está me matando e tenho essa erupção estranha em meus braços. Sei que está se espalhando. Posso sentir isso. – Você pode, ou está em sua cabeça? – Eu me ressinto que você pensa assim. Claro que não está na minha cabeça. eu preciso que você me leve… – Mãe, eu estava ai a tarde toda e você estava bem. Não vou voltar para seu apartamento para levá-la ao hospital por causa de uma dor de cabeça. – Mas pode ser qualquer coisa! Eu poderia ter um tumor. Pode ser câncer. Eu poderia morrer. Você não tem ideia. Poderia estar morrendo. – ela grita no telefone. Meu corpo inteiro está tenso, como se fosse de vidro e uma palavra errada me mandasse colidir em um milhão de pedaços. – Ok, mãe. Eu estarei ai em quinze minutos.

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E assim, eu caio em pedaços.


Capítulo Quinze

Eve Beijos suaves tocam minha pele. Eles traçam meu colarinho até o pescoço. Meus dedos se enfiam no cabelo dele. Um gemido suave e desesperado me escapa. Eu o quero muito. Bem aqui agora. Ele arrasta a mão para baixo. Formigamentos se espalham pelo meu corpo abaixo e abaixo até que ele esteja provocando minha entrada. – Preston. Digo desesperada. Minha respiração é desigual e irregular. Tento ganhar a minha serenidade, mas é praticamente impossível quando volto ao primeiro sonho que tive em semanas. Eu respiro superficialmente. O que diabos está acontecendo comigo?

Precisando de uma saída para minhas frustrações reprimidas, pego o meu diário e começo a escrever.

Anotações do Diário Pensei nele o dia todo. Sonhei com ele a noite toda. Sonhei em como as mãos

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Primeiro, pesadelos perturbadores cheios de sangue, e agora, sonhos sexuais sobre meu terapeuta. Estou começando a pensar que Preston - Dr. Montgomery deveria me dar um encaminhamento para um médico que possa me medicar. Eu sou obviamente louca.


dele seriam enquanto me balançava. Com cada minuto que passa, me pergunto qual o gosto seus lábios. Por alguma razão, quero contar tudo a ele, e quero que ele me segure em seus braços enquanto confesso os demônios que se escondem por dentro.

No momento em que me acalmo o suficiente para olhar o relógio ao lado da minha cama, a maldita coisa começa a tocar com melodias otimistas. É depois das seis da manhã. Quando entro na cozinha, vejo Sydney já vestida para o trabalho. – Bom Dia, raio de Sol. Onde você estava ontem? – ela pergunta se empoleirando em um banquinho na bancada da cozinha. – Depois do café da manhã, que você estava muito de ressaca para ir, fui a minha mamãe. Você estava dormindo quando cheguei em casa... ou você ainda estava dormindo? – Você sabe, se você tivesse me acordado teria me juntado a você no café da manhã. – Hum, tentei te acordar. Nós tivemos uma conversa toda, você não se lembra? Quão bêbada você estava? – eu repreendo, mas secretamente estou feliz que ela estava escondida na cama ontem. Minhas bochechas coram e um rubor se espalha pelo meu corpo.

– Hum, não. Não é grande coisa, mas duvido que ela tenha entendido minha paixão minha colegial. Tenho isso completamente sob controle. Nada está acontecendo. Nada vai acontecer. É completamente inocente. Só porque ele me enerva, me conforta e faz me sentir mais forte, não significa...

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– Por que você está ficando vermelha brilhante? Aconteceu alguma coisa?


Porra. Deus, por que ele tem que ser meu terapeuta? Por que eu tive que ver o outro lado dele? Por que ele tem que tirar o meu fôlego? Porra. Estou ferrada. Sim, de jeito nenhum eu posso dizer algo a Sydney.

........................................................................................ Segunda-feira vem antes que perceba. Então, terça-feira. Quando a quarta-feira chega, estou pronta para a semana acabar. O relógio na minha mesa, diz que são apenas três da tarde. Mais dois dias pela frente. O telefone toca na minha mesa e a luz da minha linha toca. – Agencia The Stone. Aqui é a Eve. – Eve, é o Michael. – Olá Michael. Como posso ajudá-lo? – Quando você tem um minuto livre, você pode vir ao meu escritório?

O que ele poderia querer falar comigo? Talvez, ele tenha notado minha falta de trabalho, ou talvez um cliente reclamou. Talvez, ele tenha notado meus ataques? Meu coração vibra e minhas mãos tremem ao meu lado quando me aproximo de sua porta. Quando ando em seu escritório, ele faz sinal para eu fechar a porta e me sentar. Se meu coração bater contra minhas costelas com mais força, pode sair do meu peito. Ele parece cansado enquanto continua me estudando por mais alguns minutos antes de suspirar.

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– im, claro. Sem problemas.


– Como você está? – Estou bem. – Eu tenho pretendido verificar você. Richard teria desejado que eu fizesse isso. – reconheço o remorso em sua voz. Meus lábios se separam um pouco. – Não é sua obrigação, Michael. Tudo bem. – Não sei se você sabe disso, mas Richard e eu éramos muito próximos. Eu comecei a trabalhar para ele diretamente da faculdade. Seu pai tinha acabado de falecer. Ele balança sua cabeça antes de olhar para cima. – Ele estava sofrendo. Ele havia perdido seu melhor amigo. Entendi sua perda. Eu perdi meu irmão mais velho para as drogas. Acho que estou tentando te dizer é, eu sei o quão chegado você e o Richard eram. Sei o quanto ele amava você. Você foi, para todos os efeitos, sua filha, e se houver qualquer coisa que você precisar, estou aqui para você. Nunca serei o Richard. Não tentaria como preencher o lugar dele. Mas, posso ser seu amigo quando e se você precisar de um. Iria considerar uma grande honra fazer parte de sua vida. – Obrigada, Michael. Eu gostaria disso. – seus lábios se levantam e seus olhos se enrugam, envelhecendo ele. Ficamos em silêncio por um momento e depois ele tosse, limpando a garganta. – Oh, ia esquecendo de mencionar mais cedo, mas os advogados estão chegando no final da próxima semana para passar pela papelada em relação à empresa. Você pode marcar isso no sua agenda?

– Ótimo, bem, tenho certeza que você tem muito trabalho para acompanhar, então falarei com você mais tarde. Se ele soubesse o quanto...

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– OK. Certo. Sem problemas.


Capítulo Dezesseis

Eve Andando de um lado para o outro no meu quarto, estou debatendo se devo me servir de um copo de vinho. Não deveria. A bebida só coloca um Band Aid na questão... meus malditos pesadelos. Estou tão assustada em fechar meus olhos sem me sentir segura. Minha ansiedade parece uma doença abrangente. Ela serpenteia dentro de mim como uma víbora venenosa. Sua amargura me infecta lentamente. Até que um dia assuma tudo. Minhas mãos começam a suar. Meus músculos começam a apertar. Pânico puro me enche rápido.

Pego meu telefone e ligo o número no cartão do Dr. Montgomery. Toque. Inspirar. Toque. Expirar. Toque… – Alô?

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Parece que cada último suspiro foi extraído dos meus pulmões. Pego no meu braço, pressionando o meu dedo indicador para sentir o meu pulso. Ele bate erraticamente. Dor irradia em meu braço esquerdo enquanto todos os músculos ficam tensos, e lágrimas escorrem pelo meu rosto.


Meu corpo endurece ao som de sua voz. Não esperava que ele respondesse, e agora que atendeu não sei o que dizer. – Alô, alguém ai? – Dr. Montgomery? – Eve, é você? – Sim. – exclamo. – Está tudo bem? – Sim, sinto muito. Não queria te incomodar. Não achei que você atenderia. – Você não está me incomodando. Soltei um soluço chocado. – Shh, você está bem. Shh, – ele murmura no telefone. – Respire fundo. Agora exale. Você pode me dizer o que está errado? – Estou com medo. – choramingo. – Do que você está com medo? – Tudo. – Entendo você. Estou aqui, ok? Você pode me dizer o que te deixou assim esta noite?

– Há quanto tempo isso vem acontecendo? – Tenho certeza de que você está ocupado. Estou bem agora. – evito a sua pergunta. Ligar para ele foi um erro. – Eve. – sua voz é autoritária. – Por favor, fale comigo. Eu não posso deixar de admitir. – Tenho pesadelos.

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– Estou com medo de cair no sono. – isso soa tão ridículo, até para os meus próprios ouvidos. Mas o medo é real.


Uma vez que falo as palavras que intencionalmente retive por tanto tempo, parece que um peso pequeno que carrego no meu coração foi retirado. – Sobre o que eles são? Eu solto um suspiro audível. – Eu não sei. – Você não se lembra de seus pesadelos quando acorda? – Na verdade não. – Existe alguma coisa que se destaca? – O cheiro de sangue. Ouço o ritmo constante de sua respiração através da linha. – Você quer me encontrar? – Encontrar você? – olho para o relógio. É depois das nove da noite. – Sim, venha para a lanchonete. – ele não está me pedindo para o encontrar, ele está me dizendo e algo dentro de mim se agita. A ideia de ver o Dr. Montgomery novamente fora do escritório deixa o meu pulso acelerado, pulando da minha cama e procurando roupas. – Ok, me dê trinta minutos. – eu respondo – Vejo você então. – ele desliga, deixando-me em uma bola de nervos. Merda.

Então paro no banheiro para escovar os dentes, arrumo meu cabelo e coloco um pouco de maquiagem. Não quero aparecer como se tivesse acabado de sair da cama, não que esteja "Tentando". Mesmo que esteja. Eu provavelmente deveria encontrar um novo médico, aquele que não me deixa correndo por aí como uma mulher louca tentando parecer bonita. Mas não posso fazer isso. Quando estou com ele, me sinto normal. Eu provavelmente não deveria, desde que falo com ele sobre meus profundos segredos e neuroses, mas faço.

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Coloco um lindo par de leggings, com um botão enorme e minhas botas.


Agarrando meu casaco, eu caminho para o elevador e depois para o lobby e no ar gelado. É uma explosão fria que deixam meus dentes batendo enquanto ando para a esquina da Trigésima Quinta e Terceira, mas a sorte está do meu lado, pois só leva-me alguns minutos para chegar lá. Não vendo ele, passo mais para dentro do recinto e espero na parede. Depois de alguns segundos, sinto uma presença familiar ao meu lado, e meu coração martela no meu peito. – Eve. Lentamente, viro meu rosto para cima e encontro os brilhantes olhos azuis. – Oh, Olá. Você está aqui há muito tempo? – pergunto. – Não. Acabei de chegar aqui. Pronta para sentar? – aceno e a anfitriã nos leva a uma mesa vazia no canto. Depois que nos sentamos, o Dr. Montgomery inclina a cabeça para o lado. Me avaliando. – Você está bem? – Já estive melhor. – Por que você não me disse que estava tendo pesadelos? – eu estava certa. Antes, ele estava magoado. Agora, sentado em frente a ele, isso aparece claramente sobre suas feições. As sobrancelhas dele estão unidas, os dentes mordem o lábio inferior, mas na realidade são os olhos que dão vida a suas emoções. Eles parecem vazios, tristes e preocupados. – Estava envergonhada. – minhas bochechas ficam coradas com a admissão.

Eu sacudo minha cabeça. – Compreendo. Nós nos sentamos em silêncio por alguns segundos. A garçonete vem e ele pede shake e um hambúrguer. Quando ela se vira para mim, respondo que só vou beber água.

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– Você nunca tem que se envergonhar na minha frente. Não vou te julgar. – A declaração é verdadeira. Não há uma nota de julgamento em sua voz. – Você quer me contar sobre eles agora.


– Você tem que pedir alguma coisa. – Dr. Montgomery diz enquanto a garçonete caminha para longe. – Eu já comi. – Então, peça a sobremesa. – Eu quero que você coma a sobremesa. Graças a Deus ele não pode ouvir os pensamentos sujos se passando pela minha mente. – É tarde demais para comer sobremesa. – Nunca é tarde demais para algo doce. – com isso ele sorri, e uma parte de mim se derrete, ali mesmo à mesa. Seus lábios se transformam em uma fração e eu coro. – Por que você está comendo tão tarde? – deixo escapar, tentando corrigir meus pensamentos impróprios. – Eu fui ao centro para ver um filme logo após o trabalho. – Sério? É legal que você saia depois do trabalho. Tenho muito para fazer esta semana, mas na sexta-feira, eu vou ao Bar Corner. – Sim, normalmente não saio durante a semana de trabalho, e nos fins de semana vou para Oak. Mas sempre que um novo filme estrangeiro sai, vou para a sessão da tarde ou no dia do lançamento. – ele admite e eu não posso segurar o riso que sai. – Ei, você está tirando sarro de mim? – ele finge fazer beicinho.

– Então, fui para a NYU. Bem, na época minha namorada e eu éramos cineastas. Ela adorava filmes estrangeiros, toda vez que um novo filme saía, tínhamos a tradição de vê-lo no dia da abertura durante a tarde para evitar as multidões. – E você ainda mantém essa tradição? – Sim.

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– Desculpe, isso só escapou. Não esperava totalmente isso. Mais uma vez, você me pegou desprevenida, filmes estrangeiros - você é a pessoa mais interessante que conheço. Eu acabei de dizer isso em voz alta? – Assim. Hum. Como você consegue vê-los?


– E ela? – Ela está morta. – minha boca cai aberta com esta informação. – Oh. – Um novo filme saiu hoje, então eu fui. Correndo minhas mãos pelo meu cabelo, tento chegar a qualquer resposta. – Ok, legal. Deus, sou horrível. Ele me diz que sua ex-namorada está morta e tudo que eu posso dizer é: – Ok, legal. – o observo por um minuto. – Na verdade, você parece o tipo de assistir filmes estrangeiros. – E que tipo é esse? – O tipo profundo, sombrio e pensativo. – Espere, realmente pareço assim? Ele faz uma careta. . – Você é muito sério o tempo todo. – ele olha para as mãos na mesa, depois ergue os olhos para encontrar os meus. Os azuis pálidos parecem planos e sem vida. – Eu só sou assim com você. – seu tom é baixo e ele parece se desculpar. Não falo por um momento, tentando absorver o que ele acabou de dizer. – Ah.

Desconfortável, me movo no meu lugar. – Como você quis dizer isso? – Você é minha paciente. Eu tenho que agir dessa maneira. – Mas por quê? Somos apenas duas pessoas tomando café e tendo uma conversa. – Não importa onde estamos, nunca seremos apenas amigos tomando uma xícara de café.

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– Eu não quis dizer isso assim.


– Não entendo. – minha voz se eleva mais do que pretendia e ele olha a sala antes de se inclinar para a mesa e me responder em um sussurro. – Como seu psicólogo, há um nível de confiança que temos que ter. Nosso relacionamento é sobre você. Se começar a ser sobre mim, então as linhas foram cruzadas. Meu peito dói. Eu odeio isso. – Eu não acho que é preto e branco. – Tem que ser. Este... Estou comendo com você... Até isso é desaprovado. – Então, por que você está aqui? Ele balança a cabeça e morde o lábio. – Precisava ver você. Me certificar de que você está bem. Acho que não posso ficar longe. Um músculo em sua mandíbula se contorce e eu sei que ele quer dizer mais, mas não faz. – Não quero que você diga. Me sinto confortável com você, e eu normalmente não... – minha voz treme quando meus lábios tremem. – Você não deveria se sentir confortável comigo. Sendo amigos... Estamos pedindo por problemas.

– Não sou eu que me importo é a APA. – minha sobrancelha se ergue em confusão. – A Associação Americana de Psicologia. Eles se importam, ele esclarece. O pensamento me separa. Quero continuar argumentando que está tudo bem, mas sei que ele não vai admitir. Não quero perder isso, então solto uma expiração e coloco um sorriso falso. – Então, me fale sobre esse filme, digo, essencialmente mudando a conversa. Se isso é tudo, me recuso a desperdiçá-lo falando sobre por que não podemos ser amigos. Depois que terminamos e o Dr. Montgomery paga a conta, nós dois nos levantamos para sair do restaurante. Quando nos aproximamos da porta, ele a mantém aberta e me permite sair primeiro. Quando passo, ele coloca a mão nas

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– Não me importo, então por que você deveria? – ele olha para baixo e solta um suspiro. Seu olhar se ergue novamente.


minhas costas, e meu corpo fica tenso quando correntes elétricas se arrepiam de onde ele me toca. A realidade começa a se misturar com essa bolha fantasiosa de dois amigos tendo uma noite juntos na cidade. – Minha casa é pra lá. – gesticulo na direção do meu apartamento. – Estou na direção oposta, mas vou andar com você. – ele desloca o seu peso e para trás nas pontas dos pés e eu acho que ele não está pronto para se separar, também. – Você está na trigésima terceira, certo? – Sim, o arranha-céu na esquina. Mas você não precisa. – Eu quero. – ele fica quieto enquanto seus olhos vagam por mim. Eles são lindos. Eles sempre foram tão claros? Que porra está errado comigo? Preciso sair daqui. Preciso de ar e distância deste homem que está nublando meu julgamento, porque agora não dou a mínima para a APA ou qualquer que seja o nome disso. Tudo que quero é que ele olhe nos meus olhos e sorria. – Quando você chegar em casa, quero que você pratique sua respiração e visualização. Eu também sugeriria tomar banho. – Ok. – digo. A ideia de ele saber que vou estar deitada nua em uma banheira deixam minhas bochechas quentes.

Nenhum de nós fala o resto do caminho para meu apartamento. Quando chegamos ao meu endereço, viro-me para encará-lo e acidentalmente perco o equilíbrio. Meu corpo se move para frente. Estou prestes a colidir com o cimento quando dois braços fortes me pegam. Ele me puxa para ele e me segura em seus braços. Olhando para cima, nossos olhos se encontram. Me perco em seu azul hipnotizante, nunca querendo deixar o conforto de sua força, mas então vejo suas bochechas pálidas e de seus lábios. Ele aperta as pálpebras por um momento antes de reabri-las e se afastar de mim. Eu não sei o que fazer ou como fazer o certo, então chego para frente e minha mão toca a dele.

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– Ok, ótimo. Acho que isso realmente deveria ajudar esta noite, mas se não me acalmar poderemos conversar sobre isso antes de nos encontrarmos na sextafeira.


Gentilmente... Suavemente... Ouço sua respiração enquanto as pontas dos meus dedos pressionam contra sua pele. – Obrigada, Dr. Montgomery. – ele exala. – Por favor, me chame de Preston. Depois de waffles, tarde da noite e salvando você de cair. Nós podemos estar nos tratando pelo primeiro nome. – ele ri para trazer luz da situação, mas deixa todo o meu corpo quente. – Boa noite, Preston. O seu nome rola da minha língua como um segredo sujo. Um fruto proibido. Como algo que eu quero dizer uma e outra vez, mas não deveria.

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– Boa noite, Eve.


Capítulo Dezessete

Eve Corro para o escritório na manhã de sexta-feira com um minuto de sobra, mas não importaria se estivesse atrasado. A maioria dos funcionários trabalha em casa de qualquer maneira. A beleza de marketing é que você pode fazer isso de qualquer lugar, o que tem sido ótimo para mim desde ocfuneral e o começo dos meus ataques de pânico. Mas infelizmente, com o novo projeto que estou trabalhando, preciso encontrar com Michael todos os dias, então trabalhar em casa não é uma opção. Meus olhos percorrem o quarto e me pergunto se Sydney ainda está aqui. Ela deixou o apartamento cedo esta manhã e não a vi. Enquanto procuro por ela, percebo Barry de pé junto às janelas. Quando ele me vê, suas pupilas crescem e ele se move na minha direção. Sem com vontade de lidar com ele, procuro uma fuga. Com passos firmes, vou para a sala de descanso e como se eu conjurasse ela, Sydney está comigo. – Ei, você. – digo quando entro na sala e pego uma caneca.

Meu estômago se aperta. Me pergunto se ela está cansada porque a mantive acordada na noite passada com meus pesadelos. Ou pior ainda, que tenho mantido ela acordada por semanas com meus pesadelos. – Onde você esteve esta manhã? – Oh, tive que pegar um banner que pedi para um cliente. A máquina ruge para vida e ela se inclina para mais perto para falar.

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Ela espia por cima do ombro e sorri para mim. – E aí? Deus, estou cansada.


– Esta nova apresentação está chutando minha bunda. O que esta acontecendo com você? Nunca vejo você. Você está sempre correndo e quando está em casa, está enfiada no seu quarto. Você está bem? Você conseguiu dormir na última noite? – Eu meio que acho que sim. – sorrio através de um bocejo. – Como vai a terapia, a propósito? Ainda não descobriu nada? – sua sobrancelha sobe e eu rio. – Não é assim, Syd. Tenho certeza que vai demorar mais do que um punhado de sessões e um telefonema para me consertar. – Uma chamada telefônica? Você não me contou isso? – Oops. – Aconteceu alguma coisa? Seus olhos se voltam quando cada palavra que ela diz levanta uma oitava. – Meio que me assustei algumas noites atrás. – murmuro, sabendo muito bem que ela vai querer detalhes e estou cansada demais para dar a eles agora. – O que você quer dizer? – Tive um ataque. – um vinco aparece entre as sobrancelhas na minha admissão. – Por que você não veio até mim? Não fazia ideia. Estou no final do corredor.

Ela levanta uma mão. – São meus problemas. Somos mais que apenas colegas de quarto, Eve. Você é minha amiga. Você é como uma irmã para mim. Você pode me dizer essas coisas. – Eu sei. Eu só... – Por favor, da próxima vez você pode vir até mim? Quero estar lá para você. – Ok. – eu aceno.

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– Eu sei. Me sinto como um fardo ultimamente. Meus problemas...


– Realmente me importo com você, e eu... – Eu sei e me desculpe. Prometo. – dou a ela um sorrisinho. – Tenho muito trabalho a fazer hoje. Almoço? – Certo. – Sushi? – Soa perfeito.

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Volto para a minha mesa. Enquanto olho sem rumo para os papéis à minha frente. Um sentimento agitado me atormenta de dentro para fora. Quando a dor vai embora?


Capítulo Dezoito

Preston Toque. Toque. Toque. A caneta na minha mão bate contra a superfície da minha mesa. Nos dois últimos meses e meio, o destaque de todas as semanas são as nossas sessões juntas. Onde está ela? Por que ela não está aqui ainda? Olhando através da sala para o relógio na parede aproveito o tempo... Ela está oficialmente quinze minutos atrasada. Vou ligar para ela.

O tempo que atribui chegou e se foi e o telefone dela ainda está me enviando para o correio de voz, então decido sair para a noite. Eve foi meu último paciente do dia e desde que ela não está aqui estou indo para casa. Quando estou quase no meu lugar, meu estômago ronca. Porra. Não tenho comida em casa. O que é rápido e não demorará muito? Pizza. Eu vou até a Pizza 33 e pego algo rápido. Vou entrar e sair daqui a cinco minutos, depois posso ir para

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Meus dedos percorrem os contatos até que acho o nome dela e pressiono enviar. O telefone vai direto para o correio de voz. Merda. Estaria mentindo para mim mesmo se não admitisse que estava nervoso. Depois de vê-la há alguns dias, sei que ela está passando um tempo difícil, e o fato de que ela não está aqui no horário dela não se parece com ela. Eu quero ter certeza de que ela está bem, mas o que posso fazer? Nada. Então, vou ter que esperar. Vou dar a ela mais cinco minutos.


casa e repassar minhas anotações de pacientes do dia. Andando pela Terceira Avenida, chego à esquina e espero que a luz mude para que eu possa atravessar. Com uma ligeira virada da minha cabeça, vejo o sinal para na esquina. Parece bem vazio para uma happy hour de sexta-feira. Meus olhos piscam enquanto espio dentro e depois paro no meu caminho. Lá está ela. De pé no próximo bar vazio tão claro quanto o dia. Por que ela está aqui quando deveria estar no meu escritório? Eu vejo quando um jovem barman lhe dá uma dose e ela toma um gole. Ela inclina-se sobre o balcão sugestivamente e meu sangue começa a ferver. Eu vou em direção a porta. Uma parte de mim deseja que fosse forte o suficiente para continuar andando, ignorar o que vejo.

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Mas quando a distância entre a porta e eu se aproxima, sei que estou apenas me enganando. Eu preciso entrar. Eu tenho que fazer. É como se um sinal louco estivesse saindo de alerta que tenho que fazer, e por alguma razão não posso me permitir não ir.


Capítulo Dezenove

Eve Em vez de ir para casa, vou direto para o bar debaixo do meu prédio. Tomo três tequila quando meus olhos focam na grande janela voltada para a Terceira Avenida. Eu avistei um homem em um terno bem costurado. Só pude ver o perfil dele, mas ele parece muito com o Dr. Montgomery. Senhor, devo estar bêbada. De jeito nenhum ele está aqui. Eu olho para trás no meu copo vazio e depois de volta para o estranho, ele não está em nenhum lugar onde possa ser encontrado. Ótimo, agora estou vendo merdas também. Dei uma risada alta. – Do que você está rindo? – Austin se inclina no bar, seu cabelo loiro desgrenhado caindo em sua testa. Ele coloca para trás e mostra um par de profundo e quentes olhos castanhos. Eles brilham com malícia. Sei que fugi do seu apartamento algumas semanas atrás, mas ele é fofo e uma ideia muito melhor do que sonhar com o Preston. Eu me inclino para frente sedutoramente enquanto respondo a sua pergunta. – Nada. A tequila está esquentando meu corpo e eu me sinto bem.

Virando-me, pisco meus olhos algumas vezes. Ele está aqui. O que ele está fazendo aqui? Ele parece maior que a vida elevando-se sobre mim. Me esmagando. – É você... Preston. – Quantos você tomou?

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– Eve.


– Apenas alguns, mas isso pode mudar. – sorrio. – O que você está fazendo aqui? – Você perdeu sua consulta hoje. – uau, ele parece chateado. – Ah Merda. Eu esqueci totalmente. Você veio aqui procurando por mim? – Não. Embora, estivesse preocupado com você. – minha respiração fica presa na minha garganta. Ele estava preocupado. – Por quê? – Sei como você tem lutado, e então, você não apareceu hoje depois do trabalho... – Então porque você está aqui? – Bem, eu estava passando pelo bar para pegar comida da Pizza 33, e eis que vi você pela janela. Tomando doses de tequila, no entanto. Suas palavras agora têm uma pequena mordida nelas, mas como ele está lá olhando para baixo para mim é impossível não me perder em seus olhos azuis. – Acho que tinha muita coisa em mente, murmuro e seus olhos suavizam. – Está bem. Eu entendo. – ele levanta a mão e passa pelo cabelo. Ele parece desconfortável agora, e tenho coragem líquida, então me aproximo mais dele. Cada célula do meu corpo vibra com a proximidade do meu corpo ao dele.

Seus olhos estreitam ligeiramente enquanto ele respira fundo e tira a minha mão dele. – Eve. – sua voz é quase um sussurro quando seus olhos se prendem aos meus. Por um momento acho que seus olhos espelham meu desejo. – Outra. – eu grito no bar por Austin, mas ele não me ouve. – Deveria parar de beber. Você está bêbada.

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– Não está. Mas prometo nunca fazer isso de novo. – coloco minha mão em seu braço.


– Não estou bêbada. – como ele ousa pensar que pode vir aqui e me dizer o que fazer? Este não é o seu escritório e ele não está no comando. – E se você não está planejando tomar uma bebida comigo, por favor, deixe-me me divertir com Austin ali. Viro de costas para ele e aceno Austin de novo. – Eve. Sua voz é um aviso, mas não presto atenção. Levanto na ponta dos pés e tiro minha bunda para fora. Tentando ser sexy, me inclino sobre o bar, e com a minha sorte, eu perco meu equilíbrio e tropeço para trás em vez disso. Do nada, os braços de Preston chegam ao redor e me pegam. Meus olhos encontram os dele e seu olhar me assusta. A maneira como ele parece para mim é quase predatória. – Você vai para casa. – ele tira um cartão de crédito da carteira e entrega para Austin. – Feche a conta dela, ela está saindo. – sua mandíbula está apertada enquanto ele fala, então não discuto. Eu apenas aceno para Austin. Uma vez que a conta é paga, Preston me leva para fora do bar e viramos a esquina para a entrada do meu prédio. Ele não fala. – Aqui estou eu. – aponto para a porta bem na frente de nós. Não quero que ele vá embora. – Você está bêbada, acho...

Encontro o seu olhar. Seus olhos são escuros contra o negro do céu. Sua respiração acelera. O seu peito sobe e desce com cada inalação de ar. Ele me quer. Consigo ver isto. Um casal passa por nós, forçando nossos corpos a se aproximarem. Se eu alcançar, posso passar minhas mãos pelo cabelo dele. Eu me pergunto como séria isso? Me pergunto se é tão suave quanto imagino nos meus sonhos.

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– Não tenho certeza se estou interessada no que você está pensando, passo mais perto, minhas mãos descansando em seu peito. – Isto é, a menos que você esteja pensando em vir comigo.


Lentamente, enquanto estudo suas feições, passo para a ponta dos pés e meu corpo gira para frente. Estamos tão perto, perto demais. Quase posso sentir o gosto dele. Quero beber ele. Quero que ele me devore, me consuma. Ele dá um passo, fechando a distância. Há algo emocionante na maneira como ele olha para mim, o jeito que seu olhar me queima. Isso me faz tremer. Faz quase desmaiei. A cadência do meu coração pega e calor se espalha através do meu corpo. Então isso acontece... Lábios tocam. Suspiros e medos. Respirando um ao outro. Com a boca pressionada contra a minha, eu gemo em seu beijo. Um beijo proibido. Um beijo roubado. Com um movimento brusco, ele recua, virando o corpo para longe de mim. Uma linha funda aparece em seu rosto perfeito bem entre as sobrancelhas. O embaraço se instala quando percebo que ele se afastou.

– Eu tenho que ir. – ele murmura mais para si mesmo do que para mim. Seus olhos azuis deslumbrantes agora parecem sem vida e vazio. – Ligue para o meu escritório para agendar um horário. Não! Eu quero gritar. Olhe para mim. Fale comigo. Mas não grito. Em vez disso, sem nem olhar para trás, eu viro e entro no prédio. Ele espera que entre e depois sai. Uma vez que ele está fora de vista, solto uma grande expiração. Endireito meus ombros, caminho pela porta e volto para o bar. Austin está preparando um martini. Quando ele levanta a cabeça, nossos olhos

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Estou mortificada.


se fecham e um sorriso largo se espalha pelo rosto dele. – Brigou com o namorado? – sua sobrancelha levanta e ele enruga os lábios como se me pegasse em alguma coisa. Eu soltei uma risada amarga. – Ele não é meu namorado. – Não parecia assim para mim. – ele inclina a cabeça e eu apenas agito a minha. – Confie em mim. Ele não é. – dou-lhe um aceno desdenhoso de minha mão, o que faz ele rir. – Bem, então, ele quer você. – Talvez sim, mas não o suficiente. Ele levanta o ombro, dando de ombros. – Eu sou um cara. Sei dessa merda. – meus olhos reviram para isso. – Então, o que posso fazer para você, querida? – seu sotaque fofo traz um sorriso no meu rosto. – Uma dose.

....................................................................................... Meus olhos estão pesados enquanto faço o meu caminho para o meu apartamento e para a cama. A dose final de tequila está surtindo efeito, mas do outro lado da sala vejo o diário. Ao cair, o pego.

Ele me beijou e depois foi embora. Ele me deixou lá, de pé na calçada em uma nuvem de confusão. Como posso encará-lo de novo? Não posso. Mas então mais uma vez, ele me beijou. Por mais mortificada que estivesse, também estava certa. Ele também quer isso. Quando termino, jogo no chão. O som ecoa nos meus ouvidos. Sem tirar a roupa, me arrasto na cama. A tequila correndo no meu sangue.

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Anotações no Diário


Sou embalada para dormir revivendo o beijo uma e outra vez.

..................................................................................... É oficial, tem uma britadeira no meu crânio. Meu corpo todo dói e me sinto como merda. O remorso corre através de mim enquanto a noite passada se desenrola na minha cabeça. Queria poder acordar esta manhã e não lembrar o que aconteceu, ou melhor, o que eu provoquei. Mas infelizmente, as memórias estão lá, e elas estão gritando para mim. Meu estômago vira quando penso em sua rejeição. Como vou encará-lo? Enterro minha cabeça no travesseiro e finjo que isso nunca aconteceu. – Ei, dorminhoca. Soltei um gemido ao som da voz de Sydney. – Ressaca? – Não. – pego o meu travesseiro e coloco sobre minha cabeça para bloquear o som. – Bem, você parece de ressaca. – Estou doente. – murmuro. Nunca vou sair da minha cama e encarar o mundo novamente.

Gemendo novamente, continuo a me esconder e não respondo. – Saia daí e olhe para mim. – ela repreende. – Não. – Quantos anos você têm? Cinco? Tire sua cabeça do travesseiro e me diga o que há de errado.

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– O que está errado?


– Estou doente. – Então, agora você é sua mãe? Golpe baixo. De jeito nenhum ela foi por aí. Eu jogo o travesseiro nela do outro lado do quarto, e pousa no chão com um baque. Espreitando da cama, estreito meus olhos para ela. – Não foi legal. – Isso te tirou, embora. – ela me dá um sorriso tímido e gostaria de ter outro travesseiro para jogar em sua cabeça. – Sério, porém, o que está acontecendo? Você nunca dorme até tarde. Nem mesmo quando você está de ressaca. Eu a vejo morta nos olhos. – Eu te disse. Estou doente. – Você não parece doente. – ela retruca. – Dizer que você doente quando não está é algo que você odeia, então, por que você não fala e me diz o que está acontecendo? É por isso que eu amo e odeio a Sydney. Ela sempre me pega na minha besteira. – Tudo bem, estou me escondendo. OK? Você está feliz agora? Ela balança a cabeça e seus lábios se inclinam em um sorriso. – Mais ou menos. Do que você está escondendo? – Da vida. – Você precisa ser mais específica.

Sua sobrancelha sobe. – Não entendo. Sinto que estou perdendo algumas informações cruciais. Eu mordo meu lábio e conjuro a coragem para contar a ela sobre o meu imenso passo em falso. – Hum, poderia ter ficado bêbada. – ela agita a mão para me levar a continuar. – Poderia ter ficado bêbada e louca. – falo correndo de uma vez antes de desmaiar.

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– Preston - quero dizer o Dr. Montgomery. Quero dizer... Eu não sei o que quero dizer.


Sua boca cai aberta, os olhos arregalados. – Oh. O que ele disse? – Ele me beijou. E então, praticamente fugiu. – Ele é seu terapeuta. – Sim, obrigada, Capitã Óbvia. Por que você acha que estou me escondendo? – Você sabe o que? Foda-se. Vocês são adultos, merda acontece. Não sofra sobre isso. Como você está planejando lidar com isso a partir de agora? Seus olhos suavizam quando ela se senta no final da cama. – Eu não sei. O que você acha que deveria fazer? – Não posso te dizer o que fazer, mas você está fazendo um progresso tão grande que odiaria ver você começar do zero. Porque você não dá uma espairecida? – Você não acha que posso simplesmente ignorá-lo e fingir que nunca aconteceu? Quero ignorá-lo, mas sei a verdade e que ele se arrepende. – Sim, não. Ela respira e, em seguida, solta um suspiro exagerado. – Talvez, você devesse ligar para o escritório dele e falar com ele. Se você aparecer para sua próxima consulta se sentindo dessa maneira, será muito estranho.

Ela se levanta e caminha em direção à porta. – Vou fazer um pouco de café da manhã gorduroso. Levante sua bunda e pare de chafurdar, moça pequena. Eu dou-lhe um pequeno aceno de cabeça e depois me deito de volta, considerando o que deveria fazer. Eu pego meu diário.

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Eu dou de ombros. – Talvez. Vou pensar sobre isso.


Anotações no Diário Eu sou uma idiota. Merda! Que porra vou fazer? Ele nunca mais vai querer me ver de novo. Sei que parece loucura, mas ele me faz sentir. Eu nunca tive isso com alguém antes e isso me assusta muito. Eu costumava rir quando ouva as mulheres falarem assim, mas agora estou vivendo e isso não é tão engraçado. Ele me trouxe muita clareza nas últimas semanas. Não posso arriscar perdêlo. Não por uma paixão passageira, porque é isso que é. É apenas uma paixão. Isso é apenas uma paixão. Eu digo a mim mesma isso de novo e de novo. Como se se dissesse o suficiente, isso séria verdade. Mas não acredito. E temo que, se o perder, vou perder o que ganhei. Eu tenho medo de me perder.

Pego meu telefone e mando uma mensagem.

Não tenho certeza do que estou me desculpando. Perder a consulta, ficar bêbada, empurrando meu corpo para o dele, tentando ele? Depois de desligar o celular, tento me ocupar, então não verifico o celular. De olho no quadro que comprei na outra semana, decido colocar uma foto de Richard

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Eu: sinto muito.


e eu nele e adicionamos à parede pendurada acima da minha mesa. Onde está minha fita métrica? Não está na gaveta da mesa. Não está debaixo da minha cama? Me dirijo ao quarto de Sydney. – Ei, você tem uma fita métrica por acaso? Minha fita métrica? – sorrio. – Na verdade... – ela faz uma careta. – Acho que sim. Hmm, acho que está no armário. Deve haver uma caixa de armazenamento. Deve estar em cima, na verdade. Enquanto vasculho seu armário, vejo uma camisa familiar enterrada em uma pilha de roupas. Minha sobrancelha sobe quando olho para ela. Virando, examino o punho. Bordado em vermelho, vejo uma sigla familiar. RDS. Richard David Stone. Por que isso está no armário dela? Por que ela teria uma camisa dele, a menos que. . . Minha respiração deixa meu corpo e posso sentir o sangue pulsando dentro de minhas veias. Ela tem a camisa de Richard. – Onde você conseguiu isso? – minhas palavras são duras. Confusão, raiva e traição estão em cada sílaba. – Tenho o que? – Isso, eu levanto a camisa ofensiva. A evidência de sua mentira. – Do que você está falando? – ela se vira para olhar para mim e seu rosto está cheio de culpa.

Silêncio. Ela não diz nada e me enfurece. – Essa camisa. Essa camisa era do Richard. Eu sei. Comprei para o aniversário dele de quarenta anos, há três anos. – Aconteceu antes que te conhecesse. – suas mãos se estendem. – Meses antes de eu te conhecer.

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– Ela era do Richard. – mordo.


– Apenas diga isso. – ando de um lado para o outro, meu corpo sem saber o que fazer com a energia nervosa correndo através de mim. – Dormi com Richard. Tive uma aventura com Richard. Tudo dentro de mim se agarra. Uma aventura. Uma aventura significa mais do que uma vez: – Antes de começar a trabalhar na empresa, estávamos na festa da empresa e uma coisa levou a outra. Nós começamos a dormir juntos. Ninguém sabe. – Você estava com o Richard? Eles estavam em um relacionamento? – Era apenas sexo. Mesmo que ela fale e eu ouça suas palavras, é como se não entendesse o que ela está dizendo. Nada disso faz algum sentido. Eles estavam juntos mais uma vez. Como não sabia disso? – Você estava com Richard. Meu Richard. – Foi antes de eu te conhecer, e ele terminou comigo quando você se mudou para cá. – Ele terminou? – sua cabeça balança para cima e para baixo. – Por que você não me contou? Eu não entendo. – Eu simplesmente não conseguia. O que você quer que eu diga? Oi, more comigo mas, dormi com o nosso chefe, que também é o seu amigo da família. Meu relacionamento com o Richard era puramente físico. Apenas sexo, sem amarras, devoção e felizes para sempre.

– Quando pedi para você ser minha colega de quarto, não sabia disso, e pelo tempo que foi, já era tarde demais. Eu não queria arriscar nossa amizade. Eu sinto muito. Nunca quis aborrecer você, mas... – Mas o que? Você mentiu para mim. – Eu nunca menti para você. Acabei omitindo a verdade.

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– Ele era mais que o meu amigo da família e você sabe disso.


– Bem, isso torna muito melhor. Você deveria ter me contado. – passo minha mão pelo meu cabelo. A indignação corre através de mim. – Eu tenho que sair. – Podemos falar sobre isso? – Não há nada que você possa dizer agora que eu quero ouvir. Tanto que me repugna que você dormiu com o Richard - meu Richard - foi antes de você me conhecer, então eu entendo. O que não consigo superar é que você nunca me contou. – Como poderia? Deus! – ela geme, enterrando a cabeça nas mãos antes de olhar para cima. – Estava envergonhada. Não deixe que isso destrua nossa amizade, Eve. Por favor. Você é como uma irmã para mim. – Sim, eu imagino que você estava. Quando as palavras saem da minha boca eu percebo o hipócrita que estou sendo. Ela dormiu com seu chefe e eu quero meu psicólogo, mas isso não muda a dor que sinto. Preciso sair. Preciso sair daqui. Preciso de ar. Sem olhar para trás, pego meu casaco e saio pela porta. Congratulome com o brilho suavemente que esfria o rubor nas minhas bochechas. Não sei para onde estou indo ou o que fazer. Em nenhum lugar, o telefone toca no meu bolso e meu corpo inteiro se agarra quando vejo o nome na tela. Preston Montgomery. Merda. O que eu faço? Eu atendo? Mas o que eu digo? – Oi. – respondo, quase em um sussurro.

Eu quero pedir desculpas pelo meu comportamento e apenas desligar o telefone. Eu não posso falar com ele agora. Não quando estou prestes a perdê-lo. De desmoronar. – Eu… eu realmente sinto muito sobre a noite passada. – gaguejo. – Ouça, o que aconteceu ontem à noite nunca pode acontecer novamente. Um desconforto passa pelo meu corpo. Você não pode se arriscar a perdê-lo. Apenas concorde e saia do telefone: – Sim, entendo.

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– Olá.


– Estava errado em fazer isso. Não quero parar de te tratar, mas se algo acontecer de novo, não poderei continuar nossas sessões. Você terá que encontrar outro psicólogo. Sua voz é fria, profissional. Esse não é Preston. Esse é Dr. Montgomery. Eu mordo meu lábio e cuidadosamente escolho minhas palavras, desejando que minha voz não mostre minha dor. – E isso não acontecerá novamente. Eu prometo. – Então vou vê-lo em sua consulta marcada esta semana. Seu tom frio finalmente me faz estalar e desmoronar. Começo a soluçar de forma incontrolável no telefone. – Eve, por favor, não chore. Não queria fazer você chorar. – os soluços saem em respirações quebradas. – Shh. Tudo bem, você está bem. Por favor acalme-se. Onde você está? – O que? – Onde. Você. Esta? – sua voz não deixa lugar para discussão. – No meu apartamento. – Encontre-me. – Mas você acabou de dizer... – Esqueça o que eu disse. Nada disso importa agora. Me encontre.

– Eu não me importo, e você nunca poderia ser uma bagunça. Te vejo em dez minutos. Estou no trigésimo quinto entre Park e Lexington. Número 115. Meu cérebro e meu coração estão em guerra. Eu sei que não deveria ir, mas não há ninguém que queira falar sobre isso, além de Preston.

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– Não posso, estou uma bagunça.


Capítulo Vinte

Preston O que estou fazendo? Que porra estou fazendo? Acabei de dizer a minha paciente para me encontrar pela segunda vez em questão de dias. Fale me sobre cruzar completamente território não profissional. Mas porra, quando a ouvi chorando, ela me quebrou. Ela já chorou antes, mas era quando era apenas minha paciente. Desde o dia com as crianças, estou tendo dificuldade em distinguir a mulher que sentou na minha frente semana após semana da mulher no restaurante. Sabia que ela era forte. Sabia que ela estava se tratando. Mas, o lado que vi... Ela é especial. O tipo de especial que faz você questionar tudo o que acredite ou em tudo que você pensou que acreditava antes dela. Sei que estou fazendo algo que não deveria, e no passado isso teria importado para mim, mas ouvir o quão perturbada ela estava... algo dentro de mim estalou. Isso não pode esperar até a próxima semana para ser consertado. Não posso esperar. Preciso ajudá-la. Preciso levar sua dor e torná-la minha. Preciso ver ela agora.

Agora estou andando de um lado para o outro pensando que poderia ter feito o maior erro da minha vida profissional. Eu convidei Eve Hamilton para a minha casa e fazendo isso, me convidei para o mundo dela e, pior ainda... Eu a convidei para a minha. Tomo um gole do meu uísque. O líquido âmbar cobre minha garganta e queima, mas preciso disso. Preciso afogar a voz dentro de mim. Aquelea me

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Então, o que estou fazendo?


dizendo para ligar de volta e dizer que vou vê-la na sexta-feira, mas em vez disso, dou outra chance preciso ver e me certificar de que ela está bem. Mesmo que a presença dela me consuma.

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Mesmo que a veja me destruir.


Capítulo Vinte e Um

Eve Ao dar um passo em direção à grande porta de madeira. Ela se abre. Preston está de pé ali. O luar sai de uma nuvem e o banha com seu brilho. Respiro fundo. Ele é lindo, hipnotizante e me consome. Me sinto nua diante dele. Estando aqui, de pé à sua porta parece tão certo, mas errado ao mesmo tempo. – Você está bem? – ele pergunta enquanto me aproximo dele e ele me leva para dentro. – Não. – Entre. Venha, estou com você. – ele pega a minha mão na dele e fico instantaneamente com calor. – Me sinto traída. Eles me traíram. – deixo escapar, e posso dizer pelo olhar em seus olhos que ele não tem idéia do que estou falando. – O que aconteceu?

– Você pode por favor começar do começo? Então, posso entender. – Encontrei uma camisa que comprei para Richard no armário dela. Eu a confrontei. Aparentemente eles tiveram um relacionamento. Aconteceu antes de eu começar a trabalhar na empresa, e acabou quando me mudei para a Syd, mas nenhum deles me disse. Choro em voz alta. – Sempre soube que ele ficava meio estranho comigo vivendo com ela, e ela sempre foi estranha sobre ele, mas nenhum deles disse nada.

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– Richard e Sydney fizeram sexo. – suspiro.


– Entendo por que você está com raiva. Realmente entendo. Mas acho que se você se sentar por um minuto e dar um passo para trás, você pode ver que isso não é tão preto e branco. – O que você quer dizer? – Acho que agora você está se sentindo surpreendida por Richard. Mas como ele não está aqui para se explicar, você está atacando a Sydney porque está ferida. Você acha que Richard te traiu, mas ele realmente te traiu? Além disso, e Sydney? Eles eram ambos adultos, e Sydney não conhecia você. Então, acredito que seu real problema é com ele. Você tem medo que o Richard que você conheceu possa não necessariamente ser o Richard que todo mundo comhecia. Mas, você precisa perceber e aceitar que isso não tem problema. Ele não te amava menos porque tinha um relacionamento escondido com dela. Ele apenas colocou você em uma bolha e como seu "pai", não queria que você o visse como algo diferente do que perfeito. Isso não é realmente sobre Sydney. Suas palavras se infiltram em minha alma. Ele tem razão. Sei que ele está certo. Só desejaria que Richard estivesse aqui. Gostaria de poder conversar com ele mais uma vez. Gostaria de ter a chance de dizer adeus.

Ele faz. Ele me segura até que todas as lágrimas sejam expelidas do meu corpo. Quando não tenho mais lágrimas em mim, olho para cima. Ele está me olhando de um jeito que faz meu corpo tremer. Isso me faz querer fechar a pequena distância entre nós. Sem esforço avanço para frente. – Eve. – ele geme o meu nome como se doesse dizer isso. Suas mãos delicadamente deslizam pelo meu braço até que ele acaricia minha mandíbula. – Não podemos fazer isso.

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Minhas lágrimas fluem novamente e desta vez, Preston me puxa para perto dele no sofá. Viro meu rosto em direção ao seu corpo e enterro minha cabeça na curva de seu pescoço. Precisando de conforto, precisando que ele me abrace. Precisando mais dele.


Ele respira profundamente, seus olhos me implorando para atender o seu pedido. – Eu sei. – meus olhos se fecham brevemente enquanto ele pressiona a testa na minha. Um único toque que acende um fogo no fundo da minha alma. – Eu não posso. – sua voz é quase um sussurro. Engulo minhas emoções e separo nossos corpos. – Está ficando tarde. Devo ir. – por um momento acho que ele vai se opor, me dizer para ficar, mas em vez disso, Preston fica de pé e acena com a cabeça. – Acho que seria inteligente.

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– Boa noite, Dr. Montgomery.


Capítulo Vinte Dois

Preston Sou um idiota. Um competidor e imbecil total. Quando a segurei esta noite, tudo parecia tão certo. Nada parecia certo em anos, não desde a Sloane. Não queria deixá-la ir e não queria me afastar. Mas tive que fazer. Não posso ficar perto dela. Não deveria sentir o mesmo que sinto. Sou o seu terapeuta e não sou digno do seu tempo, da sua amizade e certamente não sou digno do meu título. Doutor de psicologia do caralho, a minha bunda. Deveria ser sancionado. Deveria perder a minha licença pela merda que acabei de puxar. Mas há algo sobre essa garota. No momento em que ela está por perto perco toda a razão. Não consigo ver nada além dela. Sinto que estou ficando louco. Tentando não olhar para ela, tentando não beijá-la. A única coisa que posso fazer é manter minha guarda mas juro que isso está me deixando... louco.

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Não vou poder ajudá-la se continuar a borrar as linhas, e preciso ajudar dela. Eu não pude ajudar Sloane e não vou cometer esse erro novamente, não importa o quão seja difícil.


Capítulo Vinte Três

Eve Meus olhos doem. Eles ardem. Levantando, vou para o banheiro e espreito o espelho. Eles estão inchados. Nunca estarei preparada para a minha reunião hoje. Meu pulso corre. A adrenalina percorre meu corpo. Vou ficar doente. Preciso de um momento para me recompor. Ótimo. Quando penso que estou voltando ao normal das coisas, tudo se torna uma merda de novo. Eu pensei que tinha acabado perdendo no escritório, mas aqui estou, andando de um lado para o outro no banheiro e estou uma fodida bagunça.

Com um grande suspiro audível, volto para o escritório e olho as minhas anotações. No meu computador. Então, pego os meus papéis de apresentação. Eles parecem pesados em minhas mãos. Eu não posso fazer isto. Não sem o Richard. Não consigo nem lembrar da minha proposta. Todas as palavras que pratiquei e recitei nos últimos meses se foram. É como se minha mente esteja completamente em branco. Com cada passo que dou, meu ritmo cardíaco acelera. Pense.

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Não há como fazer isso. Não posso montar essa empresa. Todas as partes do meu corpo estão gritando para abrir a porta e correr pelo corredor até alcançar a saída. Não. Eu tenho que fazer isso.


Pense. Pense. Pego meu celular e procuro o e-mail que o Dr. Montgomery me enviou algumas semanas atrás. Técnicas de visualização. Visualizar. Respirar. Respirar. Um. Dois. Três. Visualize um momento melhor, quando você sabia o que deveria fazer. Respire - um, dois, três... – Ok, do começo. Tente me lançar novamente. – as palavras de Richard soam em minhas orelhas. A memória distante rompe qualquer forças que consegui manter. Lágrimas vem aos meus olhos. Estou perdida. Perdida pra caralho sem ele. Sabia o caminho. Era claro. Agora não há nada. Visualize! Richard está na minha frente. Ele segura a pasta com minhas anotações. – Comece do começo. Claro e preciso. Acredite em si mesma. Se você fizer isso, ninguém duvidará de você. Meu pulso começa a se regularizar. Com uma inspiração, reajusto minha saia, arrumo meu top, e depois faço o meu caminho para fora da porta.

Duas horas depois e eu acertei. Não só consegui o cliente, mas já estou de volta à minha mesa começando a pesquisa sobre o próximo projeto. Enquanto navego na Internet por idéias novas, sinto uma presença pairando atrás de mim. Espiando por cima do meu ombro. Vejo Barry de pé em cima de mim. Meu instinto inicial é recuar. Com medo do confronto. Mas não estou com medo. Não mais.

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Não vou permitir que o medo vença. Sei exatamente porque ele está de pé ao meu lado e sei exatamente o que ele vai me perguntar, então, porque não responder? Porque não acabar com esse aborrecimento agora? Tenho evitado a pergunta dele por semanas mas sei quem é o novo dono e sei que ele não tem nada a temer pelo seu trabalho, então por que estou me escondendo? Não estou. E não vou. – Barry, a resposta para a pergunta que tenho certeza que você está prestes a me fazer é a minha mamãe. Minha mãe é a proprietária dessa empresa. Seu trabalho não está em jogo. Você não vai ser demitido. – pronto disse isso. Agora ele pode parar de me incomodar. Agora ele pode ir e voltar para o escritório dele rastejando, e me ignorar. – Tenho trabalho a fazer. Então agora, se você puder por favor parar de me incomodar por respostas, agradeceria. Nada de mal acontecerá. Volto minha atenção para meu computador e continuo a digitar. Mas ele ainda está pairando lá. Minhas costas ficam rígidas. – Sim? – digo me voltando para ele. Sua boca está aberta. Seus olhos realmente olhando para mim, talvez pela primeira vez. Este é um lado diferente de Barry e eu não sei o que ele quer. Levanto minhas mãos do teclado e viro todo o meu corpo para enfrentá-lo. – Tem mais alguma coisa? – Tem. – ele morde um pouco mais o lábio. – Queria saber se você teria tempo para discutir algumas das minhas idéias para a campanha Femmes Fetale. Tentei e eles deixaram... mas acho que estou um pouco fora do meu elemento. Minha boca cai. Estou completamente surpresa.

– Brainstorm. – ele esclarece, ainda desconfortável e mordendo o lábio. – Você pode me ajudar? – Não entendo. Pensei que me odiasse. Você é sempre tão rude. Porque você quer minha ajuda? – sinto como se estivesse vivendo em um universo paralelo e eu simplesmente não consigo entender o que está acontecendo. Este homem não fala com ninguém. Ele é como uma ilha de um homem só. – Eu não te odeio.

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– O que?


– Mas você tem me assediado por semanas. – Eu sinto muito. – Você sente muito. – afasto o meu cabelo. – Estou muito confusa agora. – Acho que estava nervoso e não sabia como me aproximar de você. Eu realmente não me dou bem com as pessoas. Eles não me entendem, então costumo apenas trabalhar sozinho. Minha sobrancelha levanta. É isso? Eu estava o lendo errado o tempo todo? Tenho um momento de clareza, e então, entendo. Barry não era assustador. Ele era apenas como eu. Não tem certeza de si mesmo. Assustado. Sim, foi isso e eu entendia. Entendia como era difícil acreditar em si mesmo. Por não se sentir confortável em sua própria pele, e como esse medo pode se manifestar em algo que você não tem controle. Para mim, é pânico. Para ele, é um constrangimento social. De qualquer forma, é o mesmo. Ainda são dois lados da mesma moeda. Eu sorrio para ele. Para deixá-lo saber, que entendia que se colocar lá fora deve ter sido difícil. – OK. Eu adoraria ajudar. – Obrigado. – ele faz uma pausa. – Podemos nos encontrar durante o almoço um dia. – ele gagueja e com isso, deixo meu sorriso crescer ainda mais. – Eu gostaria disso. Gostaria muito disso.

Com um pouco menos de cinco minutos de sobra, chego à construção de alto padrão de Preston. No momento em que o elevador chega ao seu andar, todo o meu corpo está tremendo incontrolavelmente dos nervos de ter que vê-lo em sua casa depois do que aconteceu. Apenas pensar em Preston e em nossa sessão me deixa ligada. Estou tão confusa com seu comportamento, mas preciso continuar a vê-lo porque ainda estou

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com problemas para dormir. A noite passada foi horrível, e até o coquetel que tinha antes de dormir não deu certo. Finalmente adormeci, mas foi uma noite difícil. Quando acordei, meu coração estava disparado, um grito estava rasgando pela minha garganta, e meu o cabelo estava encharcado do terror da noite. Preciso falar com o Dr. Montgomery sobre essas pesadelos. O medo da noite passada ainda me consome e se agarra a mim. Sinto-me perdida e emocionalmente exaurida. Em meio a um completo atordoamento, me vejo sentada na sala de espera. É como se meus pés me carregassem até aqui, mas minha mente está em outro lugar. Meu olhar passa pela sala vazia. Gosto do silêncio. Isso me permite paz por um minuto e ajuda a desligar as distrações da vida cotidiana. Deixo escapar um bocejo. Deus, hoje foi um dia longo. – Precisa de café? – olho para cima para encontrar o Preston olhando para mim. Eu não tenho certeza de como não percebi ele entrando na sala. – Deus, sim. – deixo escapar. Cada palavra parece doer hoje.

Entro em seu escritório e me sento no centro do sofá. Alguns minutos depois, Preston se senta à minha frente, colocando duas canecas fumegantes na mesa de café que nos separa. Ele se senta e puxa meu prontuário que está na tabela ao lado dele. Ele examina o prontuário antes de devolvê-lo e toma um gole de café. O pomo de Adão move quando ele engole. – Você parece cansada hoje. – Preston pergunta. – Eu estou.

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– Bem, então, deixe-me pegar uma xícara para você. – ele me dá um sorrisinho e parece um pouco estranho. Como se não soubesse mais como agir comigo. Isso nos faz dois, porque estou muito desconfortável agora. Sinto como se pudesse ultrapassar os nervos. Estar em seu apartamento me fez sentir perto dele, mas agora é estranho estar aqui. – Acabei de fazer um pouco. Vá se sentar em meu escritório e vou levar imediatamente.


– É o trabalho? – Não, estou apenas... Eu não sei... Não posso falar. – É sobre o que aconteceu na outra noite? – Sim. Ele olha para o teto e bufa. Os músculos do meu estômago se apertam em nós. Eu me sinto mal. Quando ele finalmente encontra meus olhos, noto que uma linha apareceu entre as sobrancelhas. – Sei que conversamos brevemente no telefone sobre isso, mas quando você veio, nunca mais tocamos no assunto. Acho que devemos falar sobre o que aconteceu com mais detalhes. – Não podemos fingir que não aconteceu? – gemo e ele balança a cabeça. – Não quero... – Não é só isso. As linhas ficaram borradas por um longo tempo. Não deveria ter convidado você para o meu apartamento. – Estava chateada. Você estava fazendo o seu trabalho. – viro minha cabeça para longe dele e inquieta com o tecido da almofada do sofá.

Com isso, viro a cabeça para ele e balanço a cabeça. – Eu... O que? – Em psicoterapia, é classificado como o redirecionamento inconsciente de sentimentos que você associa a uma pessoa, como um pai para outro, como eu, seu terapeuta. – minha boca se abre quando respiro irregularmente. – Basicamente, você está substituindo o vazio em sua vida comigo. Sou uma figura que você admira. Você está substituindo o vazio de perder o pai atencioso, a pessoa com

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– Eve... – eu não olho para ele. Apenas continuo a bater na almofada. – Não estava fazendo meu trabalho quando convidei você. Não estava te tratando como uma paciente, e você não estava me tratando como o seu psicólogo. É minha culpa essas linhas estarem borradas, mas não é sua culpa. Isso é chamado de transferência. Ou neste caso, por causa da natureza sexual de seus sentimentos em relação a mim, transferência erótica. É muito comum um paciente desenvolver sentimentos pelo terapeuta.


quem você se confortou, comigo. Esses sentimentos que você tem são normais, mas acho que devemos falar sobre o porquê de você se sentir assim. – Quem é você, Freud? – Na verdade, foi Freud quem inventou a teoria. – É claro que sim. – afirmo. – Ouça, eu estava bêbada. Então, fiquei triste. Não vai acontecer novamente. Ele passa os dedos pelos cabelos e depois balança a cabeça. Nenhum de nós fala, e meu estômago cai a cada minuto que passa em silêncio. Esfrego meus olhos como se abafasse um bocejo. Seus olhos se levantam. – Cansada? Não dormiu bem de novo? – eu dou de ombros e ele suspira. – O que está acontecendo? Por favor. Fale comigo. – Ainda estou tendo pesadelos. – eu deixo escapar antes que possa adivinhar. – Por que você não mencionou isso antes? Aconteceu alguma coisa nova que deveria saber? Respiro fundo e exalo lentamente. – Não, apenas o mesmo pesadelo exato como a noite em que falei com você. – Há quanto tempo esses pesadelos estão ocorrendo? – Desde que o Richard morreu.

Ele olha para baixo e respira lentamente. – Você pode me contar sobre esses sonhos? – Tenho eles o tempo todo agora. É como se o mundo estivesse se aproximando. O som desvanece, minha visão se torna irregular e sinto como se estivesse hiperventilando. É como um pesadelo em que você está correndo na

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Seus olhos se arregalam com a minha admissão. O olhar neles me deixa triste. É como se estivesse magoado por eu não ter contado a ele. Como se tivesse traído ele. E vendo isso rasga o meu peito. Por alguma razão, quero contar tudo a ele agora.


floresta e não tem certeza de quem está perseguindo você. – O que você lembra sobre eles? – Não muito. Eles são como uma miragem. Posso senti-los, posso sentir o cheiro deles. Mas, quando penso que posso tocá-los, eles desaparecem na neblina da minha mente. – E o que é que você sente? – Assustada. Um medo inimaginável. – E o cheiro? – Cobre. Quase como sangue. – E você nunca teve esses sonhos antes? – Não que me lembre. Ele coloca sua caneca para baixo e pega seu bloco de anotações, rapidamente anotando seus pensamentos. Quando ele olha para cima, há uma nova clareza em seus olhos. – Alguns desses pesadelos são realmente memórias reprimidas, lutando para encontrar o caminho para sair. Em um caso como esse, normalmente sugeriria um encaminhamento ao meu colega para que usem técnicas de hipnose para recuperar as memórias reprimidas. Isso é algo que você estaria interessada em discutir? – Não. – minha resposta sai mais dura do que eu pretendia, mas ele balança a cabeça com compreensão.

Eu me levanto e caminho até a janela, olhando para a cidade abaixo. Um fluxo de luz solar atravessa as sombras, me cegando. Olho e levanto as mãos para cobrir meus olhos. Uma nuvem deve passar porque a sala que estava apenas segundos cheia de luz branca está escura novamente e eu não preciso mais olhar. Quando viro, percebo que o Preston está me observando. Ele está tenso, com a coluna ereta e uma pequena linha entre as sobrancelhas. Tenho um desejo de

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– Ok, eu entendo. Mas se você mudar de ideia, por favor me avise.


continuar olhando ele, de me perder nas profundezas de seu azul. Ele se levanta e vai até onde estou. Ele está tão perto de mim. Sua colônia infiltra-se em meus sentidos - fresca e apimentada, e uma necessidade esmagadora de enterrar minha cabeça na curva do pescoço e me perder no cheiro passa por mim. Me implorando para tocá-lo, sentir sua pele áspera contra meus dedos. É impressionante. Ofuscante. Não posso pensar. Minha mão se estende do outro lado do espaço que nos separa. Seus olhos se fecham e juro que o ar ao nosso redor muda. As pontas das minhas mãos pairam acima da nuca em sua mandíbula Boom! O som de um carro sai nos fundos ou de tiros sai à distância e de repente congelo no lugar. Minha visão começa a brilhar, uma névoa negra toma conta, e então uma imagem aparece por trás das minhas pálpebras fechadas. Uma imagem de carne. De correntes carmesim. E gritos brutais tão tristes que partem o meu coração. Meu coração bate em meu peito irregularmente. O zumbido me rodeia. Me engole. Me sufoca. Dois braços em volta de mim.

Sussuros. Luz vibra em todo o meu cabelo. – Estou com você. Estou aqui. Respire. Lembre-se do que te ensinei. Respire. Agora conte, um, dois três, quatro, cinco, seis, sete. Expire. O ar em meus pulmões sai em suspiros repentinos.

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Me puxam para perto.


– Mais devagar. Lento. Respire. Parte de mim se acalma. A agitação no meu peito enfraquece enquanto continuo a seguir as instruções de Preston. Enquanto regulo a minha respiração, percebo que estou calma agora. O Preston acalmou tudo. Ele fez tudo melhor. – Você está indo muito bem. Suas mãos esfregam círculos nas minhas costas enquanto ele me acalma em um estado de paz. Nossa respiração vem em conjunto. Nossos corpos pressionados juntos. Arrepios se espalham pelos meus membros e levanto a cabeça para encontrar seu olhar. Suas pupilas estão dilatadas, o azul quase completamente desaparecido. Sua respiração faz cócegas em meus lábios. – Estou com você. Eu me inclino mais perto, permitindo que o ar que ele expulsa chegue em meus lábios. Me beije. Por favor, Deus, deixe ele me beijar. Estou tão perto que quase posso sentir o gosto dele. Seus olhos me percorrem. Suas narinas e seus olhos se dilatam quando ele me avalia. Posso ver que ele me quer. Agora, nesta sala, ele não está me olhando como um médico. Ele não está me olhando como paciente. Não. Agora, ele está olhando para mim como um homem com tesão. Meus olhos se fecham e fecho a distância. Quando meus lábios encontram os dele, meu corpo se move para trás. Ele interrompe a nossa conexão. E me afasta.

Ele se afasta e me leva de volta para o sofá. No momento em que conseguimos, o agito diminuiu, mas agora estou com frio com à distância em seus olhos. – Vou pegar algo para você beber. Você quer uma compressa fria? – ele pergunta e eu aceno. Minha força não é grande o suficiente para encontrar palavras.

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Encontro seu olhar. Seu olhar agora está vazio. Fechado. O calor se foi. A compaixão não existe mais em seu olhar.


Quando ele retorna, seu distanciamento aumenta. Ele nem sequer faz contato quando recupera o seu lugar à minha frente. Parece que estou sendo quebrada, mas não falo, com medo do resultado. – Eu sinto muito pelo que aconteceu antes. É completamente minha culpa que a linha tenha sido cruzada. – Nada aconteceu. Tudo bem. – eu gaguejo. – Não está bem. Cruzei uma linha quando te consolei, e acho que seria melhor para a sua cura se eu a encaminhasse para um colega. – Não, você não pode fazer isso. – imploro. – Eu não posso mais ser seu médico. – ele não encontra meus olhos e isso me rasga. – Mas por quê? – confusão e, em seguida, raiva reviram meu estômago enquanto ele continua a esconder. – Bem, eu... – Eu entendo. – eu murmuro e, em seguida, seus olhos finalmente encontram os meus. Eles parecem tristes e esgotados. – Não, você não entende, mas por favor, confie em mim. Acho que vai ser o melhor. Eu preciso sair. Eu preciso ir antes que a ansiedade tome conta. Se eu sair agora, nada aconteceu.

Levanto e caminho em direção à porta. Se sair agora, ele não pode terminar as coisas. Ele não pode me abandonar. – Eve… – Eu vou te ver mais tarde, Doutor. – fecho a porta atrás de mim e corro pelo corredor. Se eu não o ouvir dizer, não é real.

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– A culpa é minha. Não preciso de outro médico. Vou colocar distância entre nós. Está tudo bem.


Respire. Um, dois, três.

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Não é real.


Capítulo Vinte e Quatro

Eve Deitada no sofá alguns dias depois, ouço o som da porta da frente se abrindo. Então ouço as batidas dos saltos da Sydney quando ela entra na sala de estar. Colocando minha revista para baixo, olho para ela.

– Como foi a sua tarde? – ela pergunta, mordendo o lábio inferior. Ela está nervosa, sem saber como agir em relação a mim. Preciso perdoá-la. Preciso dizer a ela que está tudo bem. Preston está certo. Isso é mais do que a Sydney fazendo sexo com o Richard. Muito mais. Isso é sobre ele - Richard. Tinha ele em padrões irrealistas. Na minha cabeça ele não podia errar, e a percepção de que era apenas um homem, um ser humano que cometeu erros é libertadora. Preciso perdoá-la, porque isso não tinha nada a ver com ela e tudo a ver comigo. Meus lábios aparecem. É um sorriso apertado, mas é tudo que tenho para oferecer agora. Ela sabe que ficaremos bem. Eu sei que vamos também. Só levará tempo. – Você saiu do trabalho mais cedo. Está tudo bem? – seus lábios franzem e ela estreita seus olhos em minha direção.

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– Oi. – murmuro sob minha respiração quando me sento na cadeira. Sei que não deveria estar brava com ela. Eu sei que preciso superar isso.


– Apenas alguns minutos mais cedo. Percebi que tinha pegar minha lavagem a seco. – digo a ela e noto que ela está carregando uma pilha de correspondências. – Alguma coisa importante? – Apenas as contas usuais. Oh, aqui está uma endereçada a você. – ela se inclina e me entrega um envelope comercial grande e retangular. Não é descritivo e leve. Eu viro e vejo o endereço do remetente. Deus sabe que nós temos bastante porcaria no correio; não há razão para abri-lo se não for importante. Letras em negrito saltam da parte de trás do envelope. Do escritório do Dr. Preston Montgomery. Merda. Eu rasgo a vedação até que um papel dobrado fique em minhas mãos. o peso disso, embora quase nenhum, parece demais... ameaçador. Abro com mãos trêmulas. Meus olhos queimam e meu coração bate rapidamente no meu peito. O que é isso? Que porra é essa?

Esta carta é para informá-la que não estou mais disposto a ser seu psicólogo. Meu escritório continuará a direcionar seus cuidados para qualquer emergências que surgir nos próximos trinta dias. É imperativo que você selecione outro psicólogo e organize com nosso escritório para seus registros possam ser transferido para o seu escritório. Se você precisar de uma referência, seria meu prazer em ajudá-la. Atenciosamente, Dr. Preston Montgomery

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Cara Eve Hamilton. Como você sabe, um bom relacionamento entre um psicólogo e sua ou seu paciente é essencial para um atendimento médico de qualidade. Os tempos surgem quando relacionamento não é mais eficaz e o psicólogo acha necessário solicitar que o paciente selecione um psicólogo alternativo.


Minhas emoções são como uma tempestade. Elas me espancam. Me engulem Elas me separam. A raiva se espalha no meu sangue. A destruição de suas palavras é incomensurável. Sabia que isso estava chegando, mas me fiz acreditar que poderia ir embora. Aparentemente não. Preciso ver ele. Preciso falar com ele. Preciso entender. Agora. Faço o meu caminho para o seu escritório em um estado de neblina e névoa. Nada registro além do bater do meu coração. Ruas, avenidas. . . Não faz diferença. A memória me leva até lá. O prédio parece sinistro. Mais alto do que os edifícios vizinhos, as janelas do chão ao teto refletem o brilho que escorre da nebulosidade dos céus Uma vez através da porta giratória, faço o meu caminho para a mesa de segurança e pego minha identificação. Com um breve aceno de cabeça, estou autorizada. Passo a passo, meu destino fica mais perto. Uma sensação estranha passa por mim. O que eu vou dizer para ele? O que ele vai dizer em troca? Penso. Talvez confrontá-lo seja uma má ideia?

Eu me decidi. Entrando no escritório, vou direto para a porta dele. – Senhora. Hamilton. – a recepcionista chama, mas é tarde demais, já estou no meio do corredor. Com um empurrão pesado, a porta se abre e, em seguida, bate contra o quadro. O som ricocheteia, cortando o silêncio enquanto passo, não olho no quarto. Uma vez lá dentro, eu nos fecho juntos. Ali está ele.

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Não. Deve ser feito, e nada além de intervenção divina me interromperá agora.


Me fascinando com os olhos dele. Me convidando com o olhar dele. Um homem tão imponente que não posso mais lembrar por que estou aqui. Ele surge de sua mesa. Seus olhos estão arregalados quando caminha na minha direção. Ele está visivelmente tenso. Suas costas estão restas e uma pequena linha aperta entre as sobrancelhas. Quando ele está a poucos centímetros de distância, levanto a mão trêmula. Parece tão pesada. A carta. – O que é isso? – jogo o papel na cara dele. – O que. É. Isso? – minhas palavras saem rigidas quando repito para envolver meu cérebro em torno do que está acontecendo. – É uma carta formal que encerra nosso relacionamento profissional. – ele responde. As palavras são ditas com tanta naturalidade e elas me cortam, causando uma laceração dentro do meu estômago. – Você não pode. – Eu posso. – seu olhar está vazio e dou um passo mais perto para estudá-lo, para entender porque isso está acontecendo.

– Tinha que ser feito. – passo por ele, caminhando até a parede mais distante colocando meus braços sobre ela. Lágrimas se acumulam nos meus olhos. Ele não pode me deixar. Ele não pode me abandonar. – Está me descartando? – Não estou descartando você. Só não acho que sou o médico certo para você. – Co… Como você pôde? – gaguejo, a raiva que uma vez abrigou meu corpo recai em pânico. Ele avança e dou um passo para trás.

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– Como você pode fazer isso comigo? Uma carta. Você enviou uma carta. Que tipo de bastardo você é?


– Olhe para mim. – ele exige e me viro para encará-lo. A expressão refletida em mim faz minhas pernas instintivamente darem um passo para trás. – Acho que é para o melhor. – Me dê uma razão. Por que você está me deixando? – mais lágrimas vem e ameaçam cair. – É por causa do que aconteceu? Eu-eu-lhe disse que sentia muito. Você me odeia? É por isso que você está me jogando fora? É por isso que você também está me deixando? Meu pai, minha mãe, Richard. . . Eu não suporto perdêlo também. – Isso não tem nada a ver com você ou com sua autoestima. Isso é completamente minha culpa. É por minha causa, não por você. Parece que cada último suspiro foi extraído dos meus pulmões. – Não, é porque nos beijamos. É porque passamos tempo juntos fora do escritório. Eu sei que você disse que estava errado, mas eu gosto de passar tempo com você. Você me faz sentir como se tudo fosse ficar bem. Sua mandíbula aperta com minhas palavras. Como se o machucassem. – Isso é minha culpa. Estraguei tudo. Prometo que vou fazer melhorar. Eu prometo. – eu digo enquanto a umidade desliza pelas minhas bochechas. Meu pulso acelera com o pensamento de não tê-lo em minha vida. De não falar com ele. De não vê-lo – Não. – ele afirma. – Isso não é sua culpa. Eu deveria ter adivinhado. – Adivinhado o que?

– Não. Preston, não se atreva a dizer isso! Não se atreva a dizer que é transferência. Não é isso. Meus sentimentos por você... Eu não estou projetando minhas questões de abandono da minha infância e minha necessidade de garantia de uma figura mais velha. Droga, você não sabe como me sinto. Você não sabe quanto tempo queria você.

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– Isto. Tudo isso está errado. Eu não posso falar com você sobre isso. Essa dependência de mim. Não é apropriada. Isso é...


Sua respiração está irregular quando ele passa os dedos pelos cabelos. Ele abre a boca, puxando suas raízes até encontrar suas palavras. Limpando a lágrima anuviada, eu olho para ele. Se isso é transferência, eu não me importo. – Eu poderia... – Chega. – meus movimentos param com o desespero em sua voz. – O que você quer que eu diga? Você quer que diga que toda vez que você entra no meu escritório, meu mundo pára? Que quando você está aqui, em vez de ajudá-la, imagino como você ficaria embaixo de mim? Você quer que eu admita que tudo que vejo é você e quando fecho meus olhos você ainda está lá? Que você se incorporou até agora na minha psique que sou eu quem precisa de ajuda, não você? É isso que você quer ouvir? – Você quer ouvir que eu acho que o universo está fazendo uma piada de mau gosto comigo? Sim, é isso que você quer ouvir. Que nunca me senti assim antes, e é claro que é a minha paciente que me faz sentir isso. Minha maldita paciente. A maior tentação que já existiu para mim. – sua voz sangra de emoção. – De todas as pessoas do caralho... Eve. Ele pega a carta da minha cabeça, meu coração correndo. – Isso é auto-preservação. – ele cai no chão. Ele inala profundamente, a mão empurrando o cabelo para trás do rosto. Eu não sei mais o que fazer. Eu não sei como me sentir. Tudo o que posso fazer é virar as costas para ele para ganhar alguma distância. Minhas emoções balançam na beira da erupção e não posso deixar ele me ver rachar.

– Tudo que quero é provar você, saborear você, mas eu não posso. Respirações como plumas enviam calafrios na minha espinha. – Fui avisado na pós-graduação que isso poderia acontecer. Que um dia um paciente poderia entrar e me dar um chute na minha bunda. Me fazer repensar tudo o que acreditava em mim mesmo. Mas o que eu sinto supera tudo isso. O que sinto e isso não é uma fome que preciso matar. Você se incorporou na minha alma. E sem você eu deixaria de existir.

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– Eu… Eu não suporto o tormento em seus olhos, e me volto para a parede. – Deus, tudo que eu quero. – ele vem atrás de mim, seus lábios formigando a pele sensível onde meu pescoço encontra meu ombro.


Seus lábios pairam contra a minha pele. Me atormentando. Tentando me provocar. Cada puxão de oxigênio através dos meus pulmões libera-se em rajadas irregulares. Eu preciso dele. Preciso dele tanto que eu mal posso respirar. Quero alcançá-lo... mas não posso. Eu quero tocá-lo... Mas eu não preciso. Ele precisa ser o único a me tocar. – Toque-me, Preston. – eu gemo. – Pare de lutar. Ele estende a mão. Seus dedos torcem minhas costelas enquanto ele me puxa para dentro dele e me leva a girar. Nossos peitos escovam com cada respiração nossa. – O que você está fazendo comigo? Ele murmura enquanto seu coração martela em uma batida familiar contra o meu. Gritando de necessidade e querer. De desespero e medo. – Eu não sei. E eu não sei. Eu não tenho ideia do que estou fazendo. Estou cega para tudo, menos esse homem. – Diga-me para parar. – sua voz é rouca. – Toque-me.

– Mas eu sei. – a fome corre através de mim. Uma nova resolução Eu não tenho nenhum cuidado com as consequências. Tudo o que estou preocupada é o que quero, e o que quero é que ele me toque. Para ele me beijar. Para ele me querer. Ele me encara com uma expressão que faz o meu o corpo tremer. Suas emoções espelham as minhas própria. É inequívocado. É absoluto. Este homem quer me consumir e eu anseio por deixá-lo. Eu não deveria me sentir assim. As luzes da cidade fluem através da janela, iluminando seus olhos azuis cristalinos que estão cheios de luxúria. – Sentir o que? – respiro, meu peito arfando. – Que eu quero você. Que eu preciso tocar em você. Eu passo em direção a sua voz. – Então, me toque. – Eu não posso. – seus olhos se dilatam. Um olhar passa por eles e meus

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– Você não sabe o que está pedindo.


joelhos ficam fracos. A intensidade quente de seu olhar desencadeia um inferno dentro de mim. – Eu não sou mais sua paciente. E essas palavras quebram a represa. Ele cruza a linha invisível que separa nossos corpos. Ele estende a mão e faz contato leve com a pele da minha mandíbula. Eu me perco em um transe inebriante. Há um fervor crescendo dentro de mim. É intoxicante. Sua mão percorre a distância até a cavidade do meu pescoço. Um toque e é para mim. A eletricidade sai dos dedos dele enquanto eles se arrastam até o inchaço do meu seio, espiando para fora da minha blusa. A única coisa que importa é o toque dele. Ele se inclina mais perto, me inalando. Eu sinto sua respiração contra mim, fazendo cócegas em minha pele. – Eve. É um aviso. Inclinando minha cabeça para cima, nossos olhares se prendem quando ele traça a renda da minha bainha exposta. O olhar em seus olhos me penetra até o núcleo. Tem tudo dentro de mim derreter. Eu preciso que não haja distância entre nós. Este sentimento é tudo que me consome. Fico em minhas pontas dos pés e nossos lábios se encontram.

Um toque suave. O calor de sua boca é inebriante como os beijos ficam mais fortes, mais apaixonados. Ele morde, isso é uma merda, parece que está me puxando em dez direções diferentes. Seus movimentos são cheios de propósito, cheios de necessidade.

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É suave.


Suas mãos apertam meus quadris enquanto ele pressiona seu corpo contra o meu. Agitando meus braços em volta do seu pescoço, eu aprofundo o beijo. O golpe de sua língua é feroz e possessivo. Cada célula do meu corpo ganha vida com esse beijo. Estou perdida no beijo. Encontrei-me neste beijo. Ele me empurra de volta para a parede e solto um suspiro quebrado enquanto colido na superfície. Seus braços se apertam em volta da minha cintura, nos pressionando tão juntos que não há separação entre nós. Levantando, eu esfrego meu núcleo contra ele. A dureza do seu comprimento pressiona contra mim. Meu corpo estremece no contato. A sensação dele contra mim me faz esquecer de qualquer coisa e tudo que não seja minha fome por ele. Sentindo o meu desejo, Preston chega ao redor e levanta minhas pernas para seus quadris. O movimento me puxa para mais perto, tornando o atrito mais intenso. Ele pressiona em mim. Seus braços que ainda estão em minha volta se afastam enquanto ele separa minhas pernas ainda mais. A mão na parte de baixo das minhas costas me mantém firme. Minhas costas arqueiam.

Puxando levemente. Beliscando. Sua mão desliza pelo meu corpo até o cós da minha calça. Ele faz uma pausa. A pressão de sua mão é um lembrete do que eu quero. Do que eu desejo. Empurrando meu corpo firmemente no dele, deixo-o saber o que preciso. Eu preciso de suas mãos em mim. Seus dedos em mim.

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Sua língua desliza sobre a pele acima do meu peito, e mãos frenéticas puxam embora na minha blusa. Abrindo, me expondo a ele. Quando o ar bate nos meus mamilos, eles se formam e atingem o pico. Continuando sua exploração, Preston percorre círculos em meu mamilo. Seus dentes acariciam a carne sensível.


Ele encontra o botão e o abre. Acaricia a mão entre o tecido fino e minha pele. As pontas dos dedos se movem lentamente para baixo. Cada polegadas viajam envia uma onda de calafrios para fluir pelo meu corpo; cada nervo final está pulsando vivo. Ele empurra a mão para baixo e para baixo até que eu o sinta traçando a renda que cobre meu ponto mais íntimo. Um sussurro contra minha carne sensível. – Por favor. – eu gemo, girando meus quadris para ajudar a aliviar a fome crescendo dentro de mim. O tecido frágil que me cobre se move para o lado e seus dedos traçam a costura da minha pele. Os movimentos são tão lentos, todas as partes do meu corpo retraem em antecipação. – Dr. Montgomery, seu próximo paciente está aqui. – a voz da recepcionista bate em nossa névoa cheia de luxúria. A cabeça de Preston recua ao mesmo tempo em que ele puxa a mão para trás. Eu levanto meus olhos para encontrar seu olhar. Arrependimento. Isso é o que vejo olhando para mim, e isso me arrebata. Estou preso por seus olhos. Eu sei que não vou gostar do que está chegando, mas não consigo me afastar. Ele não responde, mas coloca distância entre nós. Nossa respiração é superficial. Choque. Eu vejo nos olhos dele o que ele acabou de fazer.

– Você tem batom... – ele estende a mão e depois nos olhamos. Nossos olhos em um momento que parece que vai durar a vida toda. Há tanto remorso em seus olhos azuis cristalinos. Isso me parte. Me machuca. – Eu tenho que ir. – minha voz é áspera. Meu estômago vira, e o que resta do

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Eles estão assombrados e vazios. Nós dois inalamos e expiramos. O que diabos estou fazendo aqui? Parece que meu coração pode se soltar do meu peito, está batendo tão forte. Afastando-me, eu arrumo minha saia.


meu coração se parte em dois. Agarrando meu casaco no encosto da cadeira, viro a minha cabeça e vou para a porta. – Eve. – Olho por cima do meu ombro e encontro seu olhar. Com toda a minha força, retiro as lágrimas que ameaçam expulsar. Uma única gota escapa e desce pela bochecha. – Vou te escrever uma referência.

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Sua máscara está de volta. Eu não paro. Eu não digo adeus. Eu o deixo.


Capítulo Vinte e Cinco

Eve Me sento na minha mesa, bebericando lentamente o café uma vez quente na minha frente. O calor se foi enquanto olhava sem vida para fora da janela do escritório. Céus cinzentos cobertos pela gelada chuva. Ela cai, batendo no chão abaixo impiedosamente. eu me pergunto se você pode ouvir o som das minúsculas gotas quando batem contra o concreto? Como se importasse o que parece. Como se algo tão mundano importasse agora. Não consigo me concentrar em nada. Não quando estou perdido na minha cabeça. Tudo que tenho feito esta manhã é repetir meus momentos com Preston. De novo e de novo. Como algo que parece tão certo pode ser tão errado?

Eu levanto minha cabeça e me encontro com os grandes olhos castanhos de Sydney. – Ei. – Ei, você está bem? – Sim, estou bem. – digo. Isso sai seco e monótono. Ela faz uma careta com o tom. As coisas ainda estão tensas. Mesmo que não esteja mais zangada e estou

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– Terra para Eva.


trabalhando além disso, ainda está um pouco estranho entre nós. – Ouça, sei que você ainda está com raiva de mim, mas não importa o que você pensa, eu sou sua melhor amiga, e como sua melhor amiga você precisa perceber que eu não nasci ontem. Você recebeu uma carta, tirou o traseiro do apartamento e não retornou por horas. Então você chegou em casa, bateu a porta e ligou a música. Eu acordei e você já tinha ido embora. Parece que algo aconteceu e você não quer me dizer. Eu entendo que eu quebrei a confiança. Mas eu prometo a você, com tudo o que tenho, não vou desperdiçar sua confiança novamente. Por favor, me deixe entrar. Deixei escapar um suspiro que não percebi que estava segurando. É hora de deixar ir. Preciso parar de puni-la por um erro que ela cometeu muito antes de me conhecer. Não é justo com ela que deixe passar tanto tempo. – Bem. Você está certa e me desculpe. Não deveria ter ficado brava, e quero falar com você sobre o que aconteceu, mas não aqui. De pé, pego seu braço e nos conduzo pelo corredor. Damos um passo em um lugar mais isolado pelo banheiro. – Então, o que está acontecendo? – ela pergunta, com os seus olhos enormes. – Eu recebi uma carta de Preston. – Preston? – ela levanta a sobrancelha. – Dr. Montgomery. – soltei um suspiro audível. – Tive um mini colapso depois do incidente bêbada, e enquanto ele estava me consolando, eu poderia ter tentado beijar ele. – aperto meu nariz, esperando que ela entre em erupção.

– Shh. – meus olhos voam pelo espaço. – Sim. Tentei beijá-lo e, bem, ele me disse que precisava encontrar outro médico. Não escutei, eu me desculpei e disse que o veria na semana seguinte. Então saí. – Porque você fez isso? – Eu acho que imaginei que se evitasse e ignorasse, ele mudaria de ideia.

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– Você tentou beijá-lo? – sua voz eleva uma oitava.


– E ele mudou? – Hum, não. – olho para o chão de mármore. A ideia de encontrar os olhos dela agora é demais. – O que você não está me dizendo? – com um suspiro, eu levanto os olhos e encontro o olhar dela fixamente. Seus olhos estão estreitados e ela tem uma pequena linha formando entre suas sobrancelhas. – Ele enviou a carta. – digo em um sussurro. – O que! O que ele disse? – ela sussurra alto. – Deus, Sydney. Você pode falar mais baixo? – Ninguém pode ouvir essa merda. Continue. – ela diz enquanto rola as mãos gesticulando para eu contar minha história. – Ele me enviou uma carta formal de encerramento do nosso relacionamento médico / paciente. Com esse anúncio, ela cobre a boca com a mão em choque. – Ele basicamente me dispensou como sua paciente. – Uau. O silêncio desce. Um desajeitado, onde ela continua abrindo e fechando sua boca em rápida sucessão. – Então, é por isso que você correu ontem à noite? – aceno que sim. – Então o que aconteceu?

– Meu Deus! Você não fez isso, ela grita dramaticamente. – Sydney, você pode ficar quieta? – Oh, desculpe. O que ele disse então? Para não minimizar isso, mas acho que preciso de pipoca para ouvir esta história. Eu bato minha mão contra a minha testa. Tanto quanto eu quero gritar para

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– Basicamente, entrei em seu escritório, batendo portas e merda. Então gritei para ele.


ela parar brincando, eu sorrio. Porque pela primeira vez em muito tempo sinto que estamos de volta a nós novamente. Isso é bom. – Ok, onde eu estava? Ah, sim, me esquentei. Então ele ficou quente e depois... – eu paro. Como posso dizer isso em voz alta? – Eu não estou ficando mais jovem aqui. – ela diz com uma voz sarcástica e sei ela está feliz também. – Apenas me diga o que aconteceu. Não pode ser tão ruim assim. Levanto uma sobrancelha desafiadora e, em seguida, solto tudo com um olhar presunçoso na minha cara. – Ele me empurrou contra a parede e começou a tocar em mim. Bam! Deixei as explosões começarem. Ela se inclina contra a parede sem uma palavra. Apenas se inclina lá. Se não fosse pelo pequeno peito subindo e descendo, pensaria que ela está em coma. Estou um pouco tomada de surpresa e chocada com sua falta de reação, mas sei que eventualmente ela vai reunir suas palavras e compostura. Eu bato meu pé esquerdo no chão e espero. – Ele o quê! Bato o braço dela de brincadeira e atiro para ela com um olhar que diz "cale a boca". – Sim.

– Ele me beijou contra a parede seria mais preciso, mas sim... – meus lábios aparecem em um sorriso. – Uau. – Sim.

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– Ele beijou você?


– Então, como foi? – ela sorri. – Surpreendente. – Isso é tudo que eu recebo? – Isso é tudo que você ganha. – afirmo. Eu não poderia dizer a ela que este foi o beijo que acabaria com todos os beijos. Que foi O beijo que me arruinou para todos os outros homens. Que o beijo dele me deixou sem fôlego, desesperada e implorando por mais. – O que você vai fazer agora? – Ele não quer me ver. – Espere! O que? O que você quer dizer? E quanto a terapia? Os pesadelos. Os ataques de pânico. Você não pode parar de vê-lo. – Ele se apavorou e me disse que eu tinha que ir. Ele me ofereceu uma lista de referências. – Ok, bom. – ela diz e eu belisco a ponte do meu nariz. – O que? – Ela levanta o sobrancelha. – Eu meio que esqueci em seu escritório. – O que você planeja fazer sobre isso? Porque se a sua resposta for nada, vou bater na sua cabeça.

– Espero que você seja homem, vá para o escritório dele e pegue de volta. – olho o chão, brincando com a barra da minha saia. Sydney dá um passo para perto. – Tudo vai dar certo. Você só precisa da lista de referências. Meus olhos devem sair da minha cabeça em sua escolha de palavreado, porque ela sai rindo. – Cresça. – reviro os olhos e me afasto. – É isso? Não há mais fofoca?

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– O que você espera que eu faça sobre isso?


– Eu teria pensado que isso foi suculento o suficiente para toda a vida. – Eu não sei sobre a vida toda. Eu diria uma semana, talvez duas. Ela encolhe os ombros e balanço minha cabeça. Estou a poucos passos da porta do escritório quando percebo que ela não está mais perto de mim. Voltando para onde eu estava, vejo que ela ainda está lá. – Vamos, Sydney. Antes que você pegue moscas nessa boca. – ela solta uma risada e depois se endireita. É bom nos ter de volta. – Se você não se apressar, vamos nos atrasar para a reunião. – digo a ela enquanto espero que ela me acompanhe. Ela não diz nada, mas sei que a conversa anterior está longe de terminar.

Parece que o escritório voltou ao normal. A energia excitada está de volta de antes da morte de Richard. Isso deve me fazer feliz. Eu sei que Richard ficaria satisfeito. Em vez disso, aperta meu peito. Esfregando os músculos, me concentro no que está sendo dito. Respiro e sigo as técnicas de Preston para evitar o pânico. Todo dia que passa, a ansiedade diminui quando estou no escritório. Eu só queria que os pesadelos parassem também. Eles são tão estranhos. Eles não fazem absolutamente nenhum sentido. Eu nunca vi sangue como eu tenho em meus pesadelos. Eu nunca senti medo como sinto em meus terrores noturnos. Enquanto tiro a fadiga dos olhos de outra noite inquieta, sei que preciso seguir o conselho de Sydney e buscar a lista de indicações de Preston. Quando volto para minha mesa, pego meu celular e ligo para o número do escritório dele. No terceiro toque, o telefone é atendido: – Park Psychology. Como posso ajudá-lo? – uma voz aguda responde. Sei que

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Todos na nossa equipe já estão na sala de conferência quando voltamos para o escritório. Agarrando meu bloco de anotações da minha mesa, nós corremos para dentro e os becos se voltam para nós. Sento-me e olho para Michael, que já está examinando os orçamentos e objetivos para o resto da semana. Estamos trabalhando em uma campanha para uma nova publicação de moda que deve ser lançada daqui a seis meses. Ao redor da sala, todos lançam hashtags e conceitos aleatórios para um programa do Instagram. Vamos começar no começo da próxima semana.


nunca encontrei essa recepcionista. Sua respiração vem através do telefone em uma explosão irregular e soa como se tivesse acabado de correr uma maratona. – Posso falar com o Dr. Montgomery? Aqui quem fala é a Eve Hamilton. Eu queria receber uma referência dele. – Você pode esperar um minuto? Deixe-me ver se ele está com um paciente. Os toques telefônicos e ecos na mesa. Então, ouço o som de seus saltos na madeira. Uma pequena risada me escapa quando percebo que ela esqueceu de me colocar em espera. Fico pensando se ela é nova? Alguns segundos depois, ela fica sem fôlego novamente. – Sinto muito, senhorita Hamilton. Ele está em uma ligação e estará indisponível pelo resto do dia. Ele disse que mandaria um mensageiro para você com o prontuário e a lista de referências. Uau. – Não, tudo bem. Se ele puder deixar o arquivo com você, eu tenho uma reunião de almoço na área para que eu possa pegar depois. – Umas duas horas? Eu acho que tudo bem. Ele tem um paciente agora. Vou pegá-lo lá antes que entre. – Obrigada.

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Desligo, aperto a ponta do nariz. Ele não vai falar comigo. Estremeço com o pensamento, então solto um suspiro profundo. Tudo vai ficar bem. Tudo está bem. Não fique chateada. Eu volto para o meu computador e começo minha busca por imagens para a nova campanha do Instagram


Capítulo Vinte e Seis

Eve As pessoas passam por mim enquanto faço meu caminho até minha reunião. O céu está habitualmente cinza em Nova York. Está escuro e nublado e absolutamente sinistro. Puxo meu casaco mais apertado em volta do meu corpo. Uma saia não é apropriada para este tempo. Nem os sapatos que estou usando enquanto ando os dez quarteirões até o Street Side Grill onde vou conhecer Nicolette da Posh Life. Estamos nos reunindo para repassar as coisas e finalizar os detalhes para a campanha #Perfeitamenteavidaelegante. Quando entro no restaurante, meu coração acelera até que fica batendo ritmicamente no meu peito. – Acredite em si mesma. Se você fizer isso, ninguém duvidará de você. – endireito minha postura e caminho em direção à anfitriã.

Nos quarenta e cinco minutos seguintes, atropelei as ideias que juntamos para construir o lançamento. Eu reuni um grupo dos principais tópicos na indústria da moda para lançar a hashtag, bem como um storyboard dinâmico do que significa viva o #Perfeitamenteavidaelegante. Eu arrasei. Ela adorou a ideia. Que sensação incrível de acreditar em mim mesma e ter sucesso por causa disso. Claro, eu por um segundo duvidei de mim, mas depois fiz isso. Eu usei a técnica de Preston em lembrar de Richard, mas agora vejo que posso fazer isso e não precisei da ajuda de ninguém. Eu consegui por meus próprios méritos. Preston

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– Vou me encontrar... – começo a dizer, mas paro de falar quando percebo um homem alto, e uma ágil morena acenando para mim. – Eu a vejo. – sorrio e caminho para Nicolette.


ficaria orgulhoso Preston Olhando para baixo, olho para o meu relógio. 2:45 O almoço correu um pouco mais tarde do que tinha pensado, mas uma vez que começamos a conversar, não pudemos parar. As ideias apenas foram fluindo. Eu discuto se devo ligar antes de ir ao seu escritório. Eu disse duas horas, mas tenho certeza que os quarenta e cinco minutos que estou atrasada não serão um grande problema. Sorrio para mim e viro na direção que preciso ir. Quando vejo o edifício de Preston. Um edifício grande e agourento se estende na minha frente, meu sorriso cai do meu rosto. Você pode fazer isso. Por mais que você queira que ele seja seu médico, talvez ele esteja certo. Talvez você precise de espaço longe dele. Entrando, apresento meu documento de identidade e vou para os elevadores. Talvez depois de vir aqui por meses, talvez eles me deixassem passar, mas infelizmente, preciso apresentar minha identidade todas as vezes. Quando chego ao andar dele, sou recebida por uma recepção vazia. Empurro a porta e olho pelo corredor. Me pergunto se ela está no banheiro? Talvez ela tenha deixado meu arquivo em sua mesa. Examino a superfície ordenadamente organizada, mas não vejo qualquer coisa. Não querendo remexer, eu ando pelo corredor estreito para investigar se alguém que trabalha aqui sabe onde ela colocou. Quando passo pela porta de Preston, espero vê-la fechado. Em vez disso, eu me deparo com olhos azuis olhando para mim.

– Eu precisava pegar meu arquivo. Ela me disse para vir. – Quem te disse? – Sua recepcionista. – ele balança a cabeça e geme para si mesmo. – Claro ela fez. Então ele se puxa da cadeira e se levanta. – Disse a ela que mandasse um mensageiro. – ele murmura mais para si mesmo do que para mim.

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– O que você está fazendo aqui? – ele diz de sua mesa e dou um passo para quarto.


– Eu sei, mas estava na área. Disse que iria buscá-lo. – Você fez isso para me ver? – Não. – seus olhos se arregalam e engulo. – Talvez. – Você não pode estar aqui. – os músculos apertados no meu pescoço se contraem enquanto ele me observa. Seu olhar inabalável me deixa no limite. – Eu precisava… – O que você precisa? Sem mais mentiras ou falsas verdades. Tão fácil quanto era ter os arquivos enviados, escolhi vir aqui, e é hora de colocar minhas cartas na mesa e ser honesta. – Ver você. – admito com um suspiro. – Por quê? – o azul hipnotizante dos olhos de Preston me engolem toda. Eles se irritam quando me aproximo. Uma pequena linha de expressão se desenvolve entre as sobrancelhas. – Porque não suporto a ideia de que nunca mais o verei novamente. Com as minhas palavras. Ele dá um passo em minha direção e eu entro mais na sala. – Eu sei que isso está errado. – diz Preston ao dar outro passo. – Sei que nós temos que parar. Mas esse sentimento passa por mim toda vez que vejo você. Isto assume o meu controle. É como se não pudesse... Eu não posso me impedir.

– Semântica. – sua voz goteja com o calor. Isso causa arrepios na espinha quando ele estende a mão e me puxa para ele. – Deus caramba, quero você porra as eu não posso estar com você. Essa merda está fodida. Estou fudido. Você é... era minha paciente. Há um estatuto de limitações. Dois anos. Há uma razão para que eles digam o mínimo de dois anos após o término da relação médico / paciente, e mesmo assim... Mesmo assim, é desaprovado. Essa coisa entre nós poderia trazer danos irrevogáveis para você. As estatísticas demonstraram...

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– Não sou mais sua paciente. – soltou uma respiração. Mais um passo vai colocá-lo diretamente na minha frente. Meu peito arfa enquanto espero.


Levanto a mão, coloco meu dedo na pele macia de seus lábios e o silencio quando encurto a distância entre nós. – Não dou a mínima para estatísticas. Não se importe com nada disso. Levantando na ponta dos pés, eu coloco meus lábios quase nos dele. Nossas bocas mal se tocam mas como os segundos passam entre nós tudo o que sinto é a carícia suave Sua respiração sobre meus lábios. Poderia respirar nele. Inalá-lo. Consumir ele. Nossas respirações se misturam em uma batida lenta. Uma tão hipnótica, que fui colocada sob o seu feitiço. Finalmente, ele fecha a distância restante que nos separa. Ele chega para mim, me puxando em seus braços. Dedos macios me levantam o queixo. Eu suavizo meu corpo enquanto ele paira. . . Quase tocando. Sua respiração acariciam meus lábios – O que você quer? O que você está fazendo comigo? – ele murmura mais para si mesmo do que para mim. Mas respondo a ele sem fôlego, no entanto. – Eu não sei, eu não sei. – as palavras reais que quero dizer não vão sair, então eu respondo a pergunta com a única resposta que tenho... Pressiono minha boca na dele. Ele responde ansiosamente, seus lábios se espalhando contra os meus, sua língua procurando até que ele esteja me beijando com abandono. Suas mãos acariciam minhas bochechas e nossos movimentos se abrem até ficarmos ofegantes.

Nossas bocas se juntam novamente. Se for possível, é ainda mais apaixonado que antes. Esse beijo é fogo. Um que com certeza nos queimará, mas nenhum de nós se preocupa. Não conseguimos o suficiente. Em um suspiro, percebo que estou sendo levantada do chão, levada até uma distância curta, e então colocada sobre o topo liso de sua mesa. Minha saia levanta e sinto a pele fria contra minha pele exposta. Estremeço e Preston se afasta e me examina. Um gemido primal escapa de sua boca enquanto ele pega minha liga agora exposta. Seus olhos normalmente azuis se tornaram escuros e necessitados,

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– Esse beijo, pareceu falso? Isso pareceu transferência? – ele não fala quando entrelaço as minhas mãos em seu pescoço. – Parece? – afasto o meu corpo e pressiono contra ele. – Isso parece transferência?


quase pretos de calor. Ele estende a mão e traça meus lábios inchados, em seguida, passa a mão pelo meu pescoço até a cavidade do meu peito. Ele continua um rastro até que ele desabotoa cada botão da minha blusa. Lentamente. Um. Dois. Três. Tremo quando ele passa levemente sobre cada seio, as pontas dos dedos acariciando cada mamilo. Ele me toca, mas não é o suficiente. Preciso dele dentro de mim. Envolvendo minhas pernas ao redor de sua cintura, puxo seu corpo em minha direção. Seu comprimento de rocha dura pressiona contra o meu núcleo. Ele olha para mim através dos olhos encapuzados enquanto tira a mão do meu peito e me inclina para trás, para que minhas costas atinjam a ampla superfície. Inclinada, ele tira minhas pernas de sua cintura e traça a pele exposta da minha coxa. Quando ele alcança minha calcinha, ele corre círculos sobre a carne sensível por baixo. Me provocando. Torturando-me – Por favor. – lamento. – O que você precisa? – ele esfrega um pouco mais. – Você precisa que eu toque em você? Prove você? Ou você me quer dentro de você? – um gemido áspero sai da minha boca quando empurro para cima para aplicar mais pressão. Ele acena em compreensão, então cai.

A retira. Me deixa nua. Lábios suaves tocam minha pele. Viajando a um ritmo extremamente lento, certamente de me enlouquecer com necessidade.

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Dedos suaves puxam minha calcinha.


A boca de Preston me beija. Polegada por polegada. Sugando. Mordiscando. Indo mais e mais, me fazendo ofegar. Quando acho que não posso aguentar muito mais, suas mãos me seguram por baixo, levantando minha pélvis para encontrar sua boca. Correntes quentes eletrificam meu corpo. Seus braços estão em meus quadris e me puxam para mais perto. Sua respiração quente me atinge onde preciso dele. Desesperadamente. Estou desesperada para ele me tocar lá. Sentir a língua dele colidir com a pele sensível. Seus dedos me separam. Um escorrega para dentro enquanto sua língua desliza em meus nervos. Levanto meus quadris e ele enterra seu rosto mais fundo em mim. Ele lambe com uma ferocidade que eu nunca senti antes. Seus dedos acompanham o espaço, combinando com o golpe de sua língua. Um ritmo exigente. Seu ataque me leva mais e mais alto. Mais rápido e mais rápido.

Quando desço do meu pico, eu o vejo me encarando. – Deus, você é linda quando se desfaz. – levantando-me para uma posição sentada, alcanço a fivela do seu cinto. – O que você está fazendo? – diz ele quando eu começo a abrir suas calças. – Eu quero provar você agora.

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Até a onda de sensações inundar meus sentidos.


– Jesus, nós não podemos fazer isso aqui! Temos sorte que Maggie ainda não voltou do almoço. – ele olha em direção à porta entreaberta de seu escritório e depois volta para mim. – Porra. – ele geme enquanto se liberta dos limites de suas calças. – Se eu estou com tempo sobrando, quero estar dentro de você. Agarrando seu eixo, eu o guio para onde preciso dele. – Eu estou com você. – ele sussurra no meu ouvido, enviando um arrepio para se espalhar pelo meu corpo. Ele se instala entre os meus quadris. Meu calor pulsa ao redor dele enquanto ele mergulha apenas um pouco. Provocando. Um gemido que escapa quando ele empurra mais fundo, então se retrai. Então, com um impulso poderoso, ele está totalmente dentro de mim, me esticando enquanto meu corpo se encaixa firmemente ao redor dele. Isso parece bom demais. Como se nossos corpos estivessem unidos. Envolvo meus braços ao redor de seus ombros. Minhas unhas se agarram à sua pele.

Enquanto nossa respiração regula, ele arqueia o peito. Quando finalmente calmamos respirações, ele separa nossos corpos e fica em pé. A névoa do desejo esta nesses olhos e há algo mais que não posso identificar. Endireito o meu próprio corpo e levanto para sentar na beira da mesa. Preston passa as mãos pelos cabelos. – Merda. Nós não usamos uma...

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Seus movimentos aumentam. Seu corpo bate em mim em um ritmo punitivo. Como um homem exorcizando sua luxúria por algo que ele não pode ter. Mais uma vez, uma felicidade generalizada se espalha através de mim. Meu corpo inteiro fica tenso com a necessidade de se aliviar. Com uma batida final dos quadris de Preston, eu caio em uma felicidade celestial. Com um último golpe, ele também cai.


– Sou saudável e tomo a pílula. – Eu também, mas ainda assim. Merda. Eu não posso pensar quando você está por perto. – suas sobrancelhas franzem quando ele me observa. – Você é uma tentação perigosa. Você é um vício. Temo que nunca vou parar agora que eu provei você. Agora que senti você. As palavras dele são quase inaudíveis. – Então, não pare. – Nós não podemos ficar juntos. Nós não devemos. Se isso vazasse, estaria arruinado. Todo o meu trabalho no hospital...

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Os olhos azuis dele se transformam em fendas inchadas e avermelhadas enquanto os esfrega furiosamente. – Mas, não estou disposto a parar.


Capítulo Vinte e Sete

Preston Que porra eu fiz? Essa garota me deixa cego. Inferno, quando ela está por perto não sei o que faço. Ela obscurece meu julgamento. Mas nunca tive escolha. Não com ela. Não há escolha quando Eve está envolvida. Mesmo agora não consigo tirar ela da cabeça. Ela acabou de sair pela porta e já estou ansioso para ligar de volta. Eu não acabei. Não estou nem perto de estar pronto. Sentando na minha cadeira, meus olhos vagam pela minha mesa. O beijo... minha boca tocando a dela... Um beijo, eu disse a mim mesmo. Que mentira isso foi. Eu sabia no momento em que beijei ela que tudo dentro de mim iria implodir. Mas a beijei de qualquer maneira.

Nunca vou esquecer como minha língua ficou contra sua pele. Como me senti quando lambi a cavidade macia do pescoço dela. Ainda posso saboreá-la. Ainda posso sentir o cheiro dela. Ela permanece no meu escritório como um pecado. Ela é meu pecado. Não minha salvação.

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E não foi suficiente, não foi nem perto o suficiente.


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E eu não dou a mínima.


Capítulo Vinte e Oito

Eve Olhando para o meu relógio, vejo que já são depois das cinco da tarde Onde a tarde foi? O calor se espalha pelo meu rosto. Sei exatamente onde foi. Preston. Quando entro no meu apartamento, ouço a água correndo na cozinha. Coloco meu casaco no armário, então sigo para dentro e encontro Sydney enchendo uma panela com água. – Estou fazendo macarrão. Quer um pouco de vinho? – Certo. Qual é a ocasião? – Bem, por um lado, ouvi dizer que você conseguiu o acordo com Posh Life. – E o que mais? – Bem, é óbvio que você não voltou a trabalhar por um motivo, e olhando para suas roupas... – ela me olha de cima a baixo e percebo que na minha pressa de me vestir, esqueci de abotoar dois dos botões da minha blusa. – Acho que você tem alguma explicação a dar.

– Mas primeiro um copo de vinho. – digo e ela levanta a sobrancelha. – Uau, tão ruim assim? Ou pela aparência de coisas tão bom assim? – O melhor, mas sim. Estou muito fodida. Figurativamente e literalmente. Abro a garrafa, pego dois copos e despejo. Bebo meu copo tão rápido que mal sinto o gosto disto.

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Eu engulo e abro a geladeira para pegar uma garrafa.


– Esperar, o que? – Sydney coloca as mãos nos quadris enquanto ela bate o pé. Quando não respondo de imediato e me sirvo de outro copo, ela gesticula com as mãos para me apressar e conversar. Não posso encontrar seus olhos e confessar o que estou prestes a fazer, então, em vez disso, olho para baixo e pego um pedaço de tecido da minha saia. – Dormi com Preston. – admito com um suspiro e ela bate a mão sobre a boca. – Eu diria que não queria que isso acontecesse, mas isso seria uma mentira. – O que aconteceu? – fecho meus lábios para ela e levanto uma sobrancelha. – Você sabe o que quero dizer. Como fez isso... Oh, apenas me conte tudo. Estendendo a mão, eu entrego a ela um copo cheio e me sento na ilha nda pequena cozinha. – Então, logo após a reunião, fui lá para pegar minha lista de referência com a recepcionista. Bem, minha reunião durou muito e quando cheguei lá, a garota que deveria encontrar foi para um almoço. Eu fui procurar alguém para me ajudar e, bem, encontrei Preston. Uma coisa levou a outra... – E você caiu em seu pênis. Entendi. – sarcasmo goteja de suas palavras. – Sydney! Deus. Sério? – O que? Você sabe como você fez isso soar.

– Merda. – diz ela, com os olhos arregalados em confusão. – Não se preocupe com isso. Você cozinha, eu vou limpar. A culpa é minha, de qualquer maneira. Eu coloco meu vinho para baixo, pego um pano no balcão e me livro do molho que respingou nos armários. Quando termino, me viro para encontrar

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– Bem. Foi um pouco mais elaborado que isso. A moral da história, nós fizemos sexo... em sua mesa. E com isso ela salta para cima e para baixo, molho da colher que ela está segurando pulverizando toda a sala.


Sydney me encarando. – O quê? – pergunto e ela franze a testa. – E agora? Ele é seu médico. Não é como se você pudesse sair com ele. – Ele era o meu médico. – esclareci, e depois soltei uma respiração profunda. – Mas sim, você está certa. Não podemos ficar juntos. Quando meu telefone toca alguns dias depois, quase caio da cadeira. Preston? Euvnão esperava ouvir dele tão cedo, ou nunca mais. O que ele quer? Será que ele sente minha falta?

Preston: Você deixou sua lista de referências.

Eu me quebro com suas palavras ou falta delas. Quero que ele sinta minha falta. Quero que ele implore para me ver. Para ele sentir o que eu sinto, mas como se minha alma fosse quebrada em milhares de fragmentos de vidro, tão pequenos que você nunca pode deixá-los juntos novamente. Meus ombros se inclinam para a frente e continuo a andar. Normalmente seria muito longe para eu andar neste clima, mas depois do texto de Preston preciso de ar. Eu preciso ser capaz de respirar. O ar tem um gosto amargo nos meus lábios, ou talvez seja apenas minha dor se manifestando em todos os meus aspectos. Respire. Inspire.

Minha marcha é incomumente curta hoje. Cada passo é um feito. Mas não importa o quanto eu ente abandonar minha amargura, olhar para o mundo ao meu redor, para apreciar a beleza do dia, não importa como meu corpo continua a marchar ao longo do pavimento até chegar ao apartamento da minha mãe. – Mãe, você está pronta? – ela não responde como de costume, mas eu a encontro longe o suficiente. Os últimos raios de luz do sol atravessam a janela iluminando-a.

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Respire. Inspire.


Ela parece um anjo. Bela e reta, sentada em sua cama. Há um brilho nela e pela primeira vez na eternidade ela parece lúcida. Composta. – Oi. – vou para mais perto, avaliando-a antes que eu fique muito animada que eu finalmente tenha a chance de conversar com ela sobre algumas coisas. – Você parece bem. Como você está se sentindo? – Tenho uma dor de cabeça. – ela se move em sua cama, curvando suas costas. É como se um interruptor de luz fosse invertido. Ela é uma pessoa diferente agora. Ela parece sempre tão lúcida quando não estou por perto? Ela só faz isso para chamar minha atenção? Ignorando seu comentário, me sento ao lado da cama e olho para ela. O que há sobre minha presença que a faz agir assim? – Mãe, algumas semanas atrás eu perguntei sobre a companhia de Richard. Por que você investiu seu dinheiro na Agência Stone? – Nós temos que fazer isso agora? – Gostaria disso. Não entendo nada. Você nunca fala sobre o papai. Você não me conta sobre o acidente dele. Você não me diz por que você investiu. Você é minha mãe e não sei nada sobre você. - É passado. Você não pode deixar isso no passado? Ela fecha os olhos e se inclina sobre o travesseiro atrás dela, essencialmente me fechando novamente. – Não é meu passado, mãe. – ela abre os olhos. Eles não estão estreitos.

– Por que você se arriscou? – Devo tudo a Richard. Tudo. Se não fosse por ele, não sei onde estaríamos. Ela se reclina novamente e sei que ela terminou comigo. Mas pelo menos tenho mais uma peça do quebra-cabeça, qualquer que seja o enigma. Richard nos salvou. Como eu não tenho certeza, mas preciso descobrir. Da próxima vez que estiver melhor, eu vou descobrir mais. Uma vez que a respiração da minha mãe se torna

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– Depois que seu pai faleceu, não estava bem o suficiente para trabalhar. Richard deu a oportunidade de investir parte do dinheiro do seguro em sua empresa. Foi uma aposta, mas valeu a pena no final.


superficial com o sono, volto para o meu apartamento. Quando estou apenas a um quarteirão de distância, meu telefone toca. – Ei. – a voz de Preston é baixa e rouca. Só de ouvir isso me faz esquecer toda a tristeza que senti na caminhada para a casa da minha mãe. Em vez disso, faz todo o meu corpo aquecer. – Oi. – eu respiro. – Você deixou a lista de referência novamente. – Eu sei. – Por que você não respondeu? – Não havia nada a dizer. – nenhum de nós fala por alguns minutos, até que ele engule. – Eu posso posso passar ai amanhã. – digo. Ele fica quieto por um segundo antes de responder. – Essa pode não ser a melhor ideia depois do que aconteceu da última vez. – deixo escapar e ele segue o exemplo. – Sim, você pode estar certa. Talvez devêssemos nos encontrar em outro lugar. Algum lugar um pouco mais público? – fecho meus olhos e respiro, então silenciosamente, ele não oferece o serviço de courier novamente. Eu quero vê-lo. Se apenas por um momento:

– Ligue para mim quando você chegar e eu vou pegar. – há uma pausa no outro lado da linha e me pergunto se a ligação foi desconectada. – Eu quero brevemente passar por cima da lista com você. – Sim, isso faz sentido. Ok, meu próximo paciente está aqui. Eu vou te ver amanhã. – desligando o telefone, juro que sinto cada músculo do meu corpo soltar e então apertar novamente. Eu não estou pronta para deixá-lo ir. Não estou pronta para seguir em frente.

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– Tenho um paciente amanhã à noite. Mas posso parar no seu prédio e deixálo com o porteiro.


........................................................... Um dia depois... Eu ainda deveria estar no trabalho. Eu deveria estar terminando os últimos detalhes para o lançamento do Posh Life. Eu definitivamente não deveria estar em casa andando no meu apartamento. Mas aqui estou, na frente do espelho, reaplicando meu brilho labial pela enésima vez. A verdade é que já são cinco da tarde, mas com o novo projeto, esta será minha primeira oportunidade de provar que sou mais do que a família de Richard. Ter o projeto não é suficiente. Pregar o tom não é suficiente. Preciso arrasar, mas em vez disso, minha cabeça está muito distraída com o que vou usar para ver Preston. Saia preta e blusa de seda, meias pretas. Dessa forma, parece que estou voltando para casa depois do trabalho. Finalmente, depois do que parece ser uma eternidade, meu telefone apita com um novo texto.

Preston: Aqui embaixo no lobby. Eu: Suba. – digito antes que possa me criticar.

Eu me pergunto o que ele vai dizer. Meu coração se agita no meu peito enquanto espero. E o interfone soa: – Olá?

– Envie-o para cima. Quando deixo a porta aberta, meu peito aperta. Faz apenas alguns dias desde que seus lábios tocaram os meus, mas estou com fome dele de novo. Como espero isso dele, eu sei que não sou o único afetado por essa atração. Ele ainda sente isso. Sua respiração é superficial enquanto ele me examina. Isso faz meu pulso correr. Com um passo, estamos praticamente nos tocando. Tão perto que se eu esticasse, minha mão seria dele. Desejo envolve meu estômago. Levantando minha mão, minhas pontas dos dedos se conectam com o sua mandíbula. Uma inalação aguda ecoa através da sala.

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– Olá, senhorita Hamilton. Tem aqui o Preston Montgomery para ver você.


– Não importa o que está certo ou errado, ou mesmo se posso perder minha licença, não me importo. – ele morde o lábio inferior e tenho medo que ele possa tirar sangue . Finalmente soltando, ele fala. – Fuja comigo. – há finalidade em sua voz. Como se esta fosse minha única chance de estar com ele. – O que? – Preciso de tempo com você. Preciso te ver novamente antes de te deixar ir. Eu não estou pronto para que isso acabe. – posso ouvi-lo respirar fundo e na minha cabeça eu amo a palavra que ele não disse... ainda. – Sei que o meu trabalho está no meio, mas talvez possamos descobrir uma maneira de fazer isso funcionar. – eu me pergunto se ele ouve sua própria mentira ou se ele, como eu, quer desesperadamente acreditar que ainda está apegado à esperança. – Mas como? E se alguém nos ver? – Nós vamos a algum lugar. Só você e eu. – ele faz um gesto com a mão entre nós. Eu sei que é tão errado para mim perguntar, mas estou perguntando... – Sim. – Sim? – seu rosto se contorce. Ânsia, medo e, em seguida, resignação cruzam seu rosto. Esta pode ser a nossa única chance de ficar juntos novamente.

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– Sim, uma viagem. Uma viagem perfeita e depois... – respiro, mas não tenho forças para dizer que o resto das palavras que eu conheço um dia quebrará meu coração. – E então, vou deixar você ir.


Capítulo Vinte e Nove

Preston Isso não é uma boa ideia. Nós não deveríamos estar indo embora. Se a APA descobrir, eu posso perder minha licença. Confio nela o suficiente para saber que ela não vai contar? Estamos pedindo por problemas. Ou pelo menos eu estou. Mas como um viciado, preciso da minha próxima dose. O que diabos estou fazendo? O que diabos estamos fazendo? Talvez isso possa funcionar... Quem estou enganando? Merda. Preciso pensar direito, mas ao redor dela não posso. Ela é linda. Linda. Ela é tudo que quero e não mereço. Sou egoísta, mas não me importo. Eu preciso tê-la, mesmo que seja por um breve momento. Conheço as ramificações das minhas ações. Mas foda-se. Como eu posso não tê-la? Só uma vez.

Um gosto. Deus está errado. Acho que sou um idiota maior do que pensava, mas ela é pura tentação. Consequências sejam condenadas.

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Talvez duas vezes.


Capítulo Trinta

Eve Corro de volta para o meu apartamento. Tenho que fazer as malas. Amanhã nós iremos para algum lugar depois do trabalho. Não tenho certeza de onde, quando Preston finalizou os detalhes. Eu não acho que um fim de semana será o suficiente, embora tenha mentido e concordado porque o pensamento de não ter esse tempo com ele me deixa doente. O pensamento de não sentir suas mãos novamente é demais para suportar. Então eu concordei e fiz uma promessa que sei que não posso cumprir. – Então, o que você vai fazer? – Sydney pergunta depois que digo a ela que Preston me convidou para o fim de semana. – Foder com ele até ele sair de minha cabeça. – eu rio e ela ri também. Ela acha que estou brincando. Quando paro de rir e dou-lhe um olhar sério, ela também pára.

– Como não podemos ficar juntos aqui, estamos indo embora. Nós vamos tentar nos pegar muito até nós dois nos tirarmos da cabeça. Ela cruza as mãos na frente de seu peito. – Você acha que é uma boa ideia? – Não. – Então, por que você está fazendo isso? – Porque eu não posso não fazer. – ela balança a cabeça em compreensão.

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– O que você quer dizer?


– Quando você sai? – tomo um gole do meu vinho antes de respondê-la. – Depois do trabalho amanhã. – Aonde você vai? – Não tenho ideia. – Espero que você saiba o que está fazendo. Eu também. Estou com energia reprimida no trabalho. Não só não dormi bem, como estou também super nervosa em sair com Preston hoje. Felizmente para mim, pelo menos minha ansiedade no trabalho está quase sob controle. Me tornei bem versátil nas técnicas. Isso, e estou tomando remédios homeopáticos como se eles fossem doces. Se ao menos eles fizessem alguma coisa para acalmar a minha mente subconsciente quando durmo. Para piorar as coisas, os advogados estão aqui novamente. Quem saberia que estabelecer os assuntos de alguém demorariam tanto? Que o Richard deixou suas ações da empresa para minha mãe me leva a acreditar que talvez ele precisava de ajuda psiquiátrica como bem. Eu nunca vou entender porque ele fez isso ou porque minha mãe tinha algo a vervcom qualquer coisa, mas enquanto Michael tiver o controle do show, eu me sinto segura e todos continuam a ter empregos. Depois de responder e-mails e, basicamente, remexer na minha mesa, vejo Michael. Saio para o corredor e me acena para a sala de conferências. Com longo passo, faço o meu caminho e sento-me.

– Sim claro. Quero dizer, não está diferente de sempre. Por que você pergunta? – Bem, o Sr. Swartz tem tentado contatá-la para assinar alguns documentos em relação à vontade e ela não atendeu ao seu pedido. Nós queríamos ter certeza de que ela estava bem.

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– Obrigada por se juntar a nós. Estarei saindo em breve, mas eu queria perguntar se sua mãe estava bem? – seu comentário me faz estreitar meus olhos.


– Pelo que ela disse no telefone e quando a vi, sim, mas posso acompanhar ela na próxima semana, se você quiser? Normalmente eu iria direto para minha mãe com esta notícia e ter certeza que ela está bem, mas estou cansada de não viver minha própria vida e preciso parar de habilitá-la. Ela precisa aprender a ser mais auto-suficiente. Descobrir por que ela não respondeu aos advogados terá que esperar. – Isso seria bom. Muito obrigado. – ele se levanta e endireita seu paletó. – Eu vou deixar vocês dois. – sorrio para ele, em seguida, volto minha atenção para o advogado. – Obrigado, Sra. Hamilton, por tomar seu tempo para se encontrar comigo novamente. Queria discutir como você gostaria de prosseguir com o apartamento. No último encontro você disse que não queria manter a propriedade. Queria ver se você tinha mudado de ideia e, se não, gostaria de ajudar a vendê-lo? – Pensei sobre isso e sim, eu não tenho vontade de mantê-lo. Tanto quanto eu amo é muito perto da minha mãe. – tento rir. A ideia de morar tão perto dela novamente faz meu corpo inteiro rastejar. Eu amo minha mãe, mas ela suga a vida em mim. – Ok, eu posso ajudar você a encontrar um agente, e quando chegar a hora, posso lidar com o fechamento com você. – Muito obrigada, Sr. Schwartz. Se for só isso, tenho que voltar para o trabalho.

Uma vez de volta à minha mesa, digito corretores de imóveis de Manhattan em minha pesquisa de computador. Tenho feito isso por muito tempo. É hora de resolver isso. É oficial. No momento em que meu relógio de mesa diz cinco, estou saltando das paredes. Sydney e eu saímos porta afora e voltamos para casa. Ele deveria estar lá em breve. Meu estômago está uma bola de nós, assim como meus ombros e os músculos das minhas costas. Somente quando Sydney abre a porta, meu telefone

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– Ah sim, claro. Eu só tenho mais alguns artigos para revisar e então eu vou embora. Ele já está olhando para baixo e rabiscando em seu bloco de anotações.


vibra no meu bolso e pulo para recuperar isto. Sydney caminha pelo corredor e vou para o meu quarto e vejo a mensagem.

Preston: Estou do lado de fora do seu prédio no Range Rover estacionado ilegalmente. Eu: ai em um minuto.

Eu pego a minúscula bagagem de mão que peguei na noite passada e faço o meu caminho para sair. Quando começo a andar até a porta, ouço Sydney chamar meu nome. – Escapando sem dizer adeus? – Ele está lá embaixo. Ela balança a cabeça. – Fique segura, ok? E se você precisar de mim, não importa quando, ligue. – OK.

Meu coração bate no meu peito e com um passo me aproximo do mundo externo, quando vejo seu carro estacionado, temo que possa explodir. Estou tomando a decisão errada? Mas então, o meu mundo pára e minha pergunta é respondida. Não. Não sou. O sol da tarde reflete em seus olhos, cristais cintilantes e safiras balançam ao longo da distância. Deus, esses olhos. Eles me puxam para ele. Sua boca roça a minha e meus lábios soltam um suspiro. Aproveitando a oportunidade, ele aprofunda o beijo. Sua língua luta contra a minha em um frenesi de paixão e desespero. De fome e necessidade. Quando nossas bocas colidem, é como se ele estivesse lutando para ser meu dono. Para me possuir. Mas o que ele não sabe é que não há necessidade. No momento em que eu o vi, era dele.

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Ela me puxa para um abraço e depois me deixa ir. Eu viro as costas e vou para a porta. Mordendo meu lábio, eu entro no elevador e engulo enquanto faço a minha descida.


– Não deveria ter feito isso em público, mas quando olho para você, perco a razão. – ele murmura enquanto se afasta de mim. – Aqui, entre no carro antes que alguém nos veja. Ele abre a porta para mim antes de deslizar para o lado do motorista e entrar. – Então, para onde? – pergunto enquanto aperto meu cinto de segurança e ele se afasta do banco. – Já esteve em Rhode Island? – um sorriso puxa seus lábios. – Não posso dizer que sim. – Bom. – ele sorri. – E isso. Isso é tudo que você está me dizendo? – Sim, é mais divertido desse jeito. – golpeio seu braço gentilmente e ele gentilmente acalma minha mão na sua, então coloca nossas mãos entrelaçadas em seu colo. É um gesto íntimo que me faz sentir um pouco mais do que quero. Quando saímos da cidade, meus ombros se desenrolam. A idéia de passar alguns dias com Preston é emocionante. Música suave toca por todo o interior do carro e me perco no horizonte desaparecendo ao longe quanto mais nos aproximamos. Nos sentamos em silêncio confortável. Os dedos de Preston traçam círculos por conta própria enquanto continuamos até nosso destino. – Como foi o trabalho hoje? – ele finalmente interrompe o silêncio e me viro para ele e sorrio. Ele olha para longe da estrada por um breve segundo, seus olhos suaves. – Estava tudo bem.

– Bem, eu estava um pouco ansiosa para fugir, então o dia se arrastou. Então o advogado de Richard veio falar comigo sobre o apartamento. – Você já decidiu o que quer fazer com isso? – Vou vendê-lo. – sua mão aperta a minha. – Fora isso, o dia foi bom. Apenas trabalhando em uma nova campanha que consegui.

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– Apenas, tudo bem?


– Isso é incrível. – Obrigada. – meus lábios se separaram em um sorriso. Foi bem incrível. – O que você fez? Embora, seu rosto esteja voltado para frente e virado para a estrada, vejo seu lábio palpitante. – Você não tem que me contar sobre o seu dia, se isso te deixa desconfortável. Ele balança a cabeça e posso vê-lo soltar um grande suspiro. – Que tal você me dizer algo sobre sua família. – Eu posso fazer isso. – seus lábios se inclinam em um sorriso. – O que você quer saber? – Que tal tudo. – deixo escapar, provocando uma gargalhada dele. – Ok, tudo. Hmm. Bem, para começar, sou um de três. Eu tenho um irmão mais velho chamado Jace, você já conheceu seus gêmeos. Jace trabalha com o meu pai, e depois há Madeline, minha irmã mais nova. Ela realmente trabalha com moda. Você a amaria. – ele diz antes de pegar a implicação e os sentimentos. Conhecer ela não está nos cartões para nós agora. Ele sabe disso e eu sei disso. Há muito para ele perder. Depois de um breve silêncio, ele balança a cabeça e parece corrigir seus pensamentos. – Onde ela trabalha? – Ela é a diretora de merchandising de Ela. – reconheço o nome instantaneamente - Ela é uma linha de moda que veste toda a alta sociedade Aluga departamentos e butiques de luxo na cidade. – Você é próximo dos seus irmãos?

– Isso é tão legal. – minha voz trai minhas emoções. Poderia ver minha mãe a cada semana, mas nunca teríamos o que ele tem com sua família. Apenas não é possível conseguir isso dela. Precisando deixar minha mente vagar pela minha própria família disfuncional, continuo a perfurá-lo por conta própria. Pelo resto da viagem, falamos de tudo e de nada. Detalhes mundanos que para a maioria pareceriam sem importância, mas para mim, são tudo.

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– Sim, muito. Falamos ao telefone quase diariamente e tentamos nos reunir a cada semana para o jantar. Bem, não esta semana. Mas tipicamente.


Capítulo Trinta e Um

Eve Nós descemos a longa península de Newport, Rhode Island. Com uma inspiração aguda, minha boca se abre. Castle Hill Inn. É tudo que já imaginei como seria a perfeição e mais. Empoleirado no alto da colina é uma bela mansão de telhas brancas quevtem vista para o oceano. É uma das casas mais magníficas que já vi. Preston estaciona o carro e partimos com a pouca bagagem que temos. O ar é fresco, como a maior parte do inverno que passou, se transformando na primavera. Após o check-in, prosseguimos para a pitoresca casa de campo situada na praia. Preston garantiu uma residência privada para o nosso fim de semana na propriedade.

Em uma névoa, sinto suas mãos levantando minha blusa. Ele se afasta e eu abro minhas pálpebras. Ele levanta a minha camisa acima da minha cabeça, então com passos lentos e precisos remove toda minha roupa. Deitada na cama nua, um arrepio percorre meu corpo enquanto ele se despe também. Sua estrutura alta é longa e magra. Cada músculo bem definido.

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Antes da porta fechar completamente, ele está em mim. Levantando-me em seus braços e me varrendo até a cama de dossel gigante no centro do quarto. Uma vez que estou deitada lá, ele se abaixa sobre mim. Eu sinto a pressão de seus lábios com meus olhos fechados com um gemido. Sua boca sonda a minha. Sua língua prova minha língua.


Esta é a primeira vez que o vejo nu. Ele é perfeito. Hipnotizante. Ele parece selvagem de luxúria e me deixa em chamas. Quero que ele me toque, mas ele apenas olha para mim. Como um predador perseguindo sua presa até que ele finalmente ataca. Eu posiciono minhas pernas mais distantes para permitir que ele se encaixe entre elas. Quando ele se alinha com meu núcleo, levanto minha pélvis. Cada parte do meu corpo treme com antecipação. Com necessidade. Minha pele é um fio vivo. Pronta para ser colocado em chamas. Ele acaricia contra a minha entrada e um gemido me escapa. Ele continua a me provocar, correndo seu comprimento para frente e para trás contra o meu calor. Doce tortura. – Preston. – grito em um apelo desesperado. Nossos olhos travam. O azul de suas íris se foi completamente atrás do negro de suas pupilas dilatadas. Ele olha para mim como se quisesse devorar cada centímetro do meu corpo. Lentamente, ele empurra dentro de mim.

– Por favor. – lamento, implorando para ele se mexer. Ele silencia meus gritos cobrindo minha boca com a dele e girando seus quadris em um círculo dolorosamente lento. Quando penso que não aguento mais a sua doce tortura, ele retira o corpo dele do meu e paira novamente à beira da entrada. Então bate de volta. De novo e de novo. Cada vez dirigindo mais e mais.

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Ele cobre meu rosto e olha nos meus olhos quando entra em mim, centímetro por centímetro. O movimento de seu corpo, e com um rápido levantar de meus quadris, fecho o espaço que nos separa até que ele esteja completamente encaixado. Preston mantém seu corpo até os meus músculos esticam para acomodá-lo, moldando-se completamente ao redor dele.


Mais profundo e profundo. Ele empurra em movimentos lentos, e longos. Parabenizo-me com cada entra e sai de seu corpo. Eu me agarro a ele, apoiando minhas mãos contra seus ombros, minhas unhas apertando e arranhando sua pele elegante. Ele me mantém à beira do meu clímax. Me torturando. Com cada movimento que faz, me penduro no precipício da felicidade. Até finalmente cair no limite. Assim que volto da minha neblina, ouço um feroz grunhido escapando de sua boca quando ele reivindica sua própria libertação. Nós ficamos ofegantes, cada um precisando recuperar o fôlego. O corpo de Preston fica pesado no meu. Seu coração bate erraticamente contra o meu. Eles batem em conjunto. Como se fôssemos um e no momento ainda somos. Depois de um minuto, ele levanta e coloca um beijo suave nos meus lábios inchados. – Isso foi incrível. – ele me beija novamente e sorrio contra seus lábios. Ele corre sua língua ao longo da costura dos meus lábios, e depois se afasta. – Perfeito. – murmuro. Ele tira seu corpo do meu e se levanta da cama. Ele atravessa a sala e eu sinto como se estivesse vivendo um sonho maravilhoso - um que espero que nunca acordar.

– Obrigada. – me levanto da cama, o lençol caindo do meu corpo. Ele passa seu olhar através da minha forma nua e eu posso ver o desejo em seus olhos. – Como é possível eu acabar de ter tido você e já querer mais? – sua voz é baixa e suave, e faz meu corpo tremer de desejo.

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Ele retorna vestindo um roupão, e em sua mão é um para mim. Meus lábios se espalham com o gesto.


– Não tenho certeza, mas se isso faz você se sentir melhor, sinto o mesmo. Ele me dá um sorriso torto e balança a cabeça. – Não... Não ajuda. Ando até onde ele está e envolvo o roupão em volta do meu corpo. – Então, o que você quer fazer hoje à noite? Você quer ir à cidade jantar? – Verdade? – Sempre. – Eu quero ficar aqui com você... nu. – Ah, graças a Deus. – ele ri de minhas palavras e me puxa para ele. Varrendo-me em seus braços, ele planta um beijo suave nos meus lábios. – Quer pedir serviço de quarto? – ele murmura contra a minha boca. – Mmm hmm. – meus braços tentam envolver seu pescoço, mas ele se afasta antes que eu possa e gemo em protesto. – Depois do jantar. – ele caminha até a mesa de café e pega o cardápio do serviço de quarto – Aqui, vamos dar uma olhada e vou ligar.

– Uma menina do meu próprio coração. – ele sorri enquanto pega o telefone e disca. – Alô, sim. Eu gostaria de fazer um pedido para o serviço de quarto. Dois sanduíches, batatas fritas. Sim, isso seria perfeito. E uma garrafa de... – ele para de falar e sussurra para mim. – Vinho? – aceno. – Sim, que garrafa de Sauvignon Blanc você recomendaria? Ok, sim Seria perfeito. Obrigado. – ele coloca o telefone de volta e se vira para mim. – Temos trinta minutos para matar. Como deveríamos gastá-los? – seus lábios se transformam no sorriso mais perverso que já vi, e juro que derreto em uma poça no meio da nossa casa. – Chuveiro. – levanto minha sobrancelha sugestivamente. Gosto do jeito que

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– Tudo bem. – digo pegando o menu e virando a página. – Vou querer um sanduiche.


você pensa como eu, entramos no banheiro e no chuveiro. A água quente retrai cada parte do meu corpo enquanto Preston lava e ensaboa meu corpo. Cada toque de sua mão faz meu corpo tremer, mesmo sob o calor. Quando ele fica de joelhos na minha frente, tenho certeza de que minhas próprias pernas vão vacilar. Mas não vacilam. Bem, pelo menos não até que seus lábios me encontram e ele me abra e me devora. Sob a água, ele me faz estremecer e tremer mais uma vez. Uma hora depois, e com o estômago cheio, nos encontramos sentados em frente ao fogo. bebendo vinho. A noite caiu e o fogo crepitou na câmara escura, lançando uma sombra sobre o rosto de Preston. Com os pés em torno das pernas da cadeira, inclino-me para trás e tomo um gole do meu copo. Preston olha para mim do outro lado da mesa de café. – Percebi que tanto tempo quanto passamos juntos, e mal sei sobre você, digo enquanto levanto o copo de novo para a minha boca. – Isso não é verdade. Eu te falei sobre a minha família. – soltei uma gargalhada. – Preston, isso foi hoje. Você acabou de me dizer isso. – Bem, não consegui te dizer nada antes... comigo sendo seu... – sua testa franze. – Tenho uma ideia. Que tal para o resto do fim de semana que esse assunto seja proibido? – ele abre a boca para falar, mas eu levanto a minha mão. – Não, realmente, Preston. Eu não quero perder meu tempo com você argumentando por que não devemos fazer isso. Nós dois sabemos as ramificações de estarmos juntos, de sermos pegos. Não há necessidade de discutir mais sobre isso.

– Não tenho ideia. Você não pode colocar uma garota no local assim. O que diabos estou querendo perguntar, alguma pergunta estúpida como se você estivesse preso em uma terra estranha, o que você levaria? – Levaria o meu iPad. Dessa forma tenho livros, música e eu posso usar o Skype. – seus olhos tem humor e rolo o meu em troca. – Isso é trapaça. E você não teria Wi-Fi nesta ilha.

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– Justo o suficiente. O que você quer saber?


– Você precisa especificar esse tipo de informação antes de fazer a pergunta. – ele brinca e eu rio. – Eu nem sequer fiz a pergunta. – Touché. E você? Não tendo nenhum Wi-Fi nesta versão, o que você escolheria? – Minha coleção de livros de Jane Austen. – O que? Não é um livro de vampiros, ou um com um CEO rico? – ele abre os olhos em uma expressão zombeteiramente chocada. – Ha ha ha. Não, espertinho, e são livros de bruxas que estou lendo. Mas se estivesse em uma ilha, eu não iria trazê-los. Minha risada morre e eu estreito as coisas para ele. Esta é a minha chance de descobrir tudo o que sempre quis saber sobre ele. Eu não posso desperdiçá-la em perguntas idiotas do tipo trivia. Mas ao mesmo tempo, se ele está se abrindo, não quero assustá-lo. Mantenha a simplicidade, não seja muito profunda. Fico em silêncio por um minuto enquanto tento pensar em algo. . .qualquer coisa. – Você cresceu na cidade? – finalmente pergunto. Ele levanta a cabeça, então nossos olhos travam. – Nascido e criado. – Onde na cidade? – No leste. Me mudei para o centro da faculdade, e quando estava na escola para obter meu doutorado, comprei meu prédio de arenito em Murray Hill.

– É um pouco jovem para o meu gosto. – ele diz antes de perceber. – Quero dizer... – Está bem. Tenho que concordar. Não posso imaginar um... Espere. Quantos anos você tem, afinal? É estranho não saber isso sobre você? – meu coração acelera, quando percebo o quanto não sei e o quanto estou morrendo de vontade de descobrir.

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– Você gosta de morar lá?


– Eu tenho trinta e quatro. Dez anos a mais do que eu. Como estou descobrindo isso só agora? Mas acho que no grande esquema das coisas sua idade é o menor dos nossos problemas. – Um pouco velho para ir aos bares todas as noites. – Muito velho para fazer isso. – ele ri. – Na faculdade, você era um grande festeiro? – Era. – O que fez você parar? – Quando a Sloane morreu. – eu paralisei. Ele deixa assim, e eu engulo. Eu quero perguntar mais, mas não ouso. Se ele quisesse divulgar, ele falaria, e sei, melhor do que nunca, o que é empurrar alguém que não está pronto para se abrir. Nós assistimos o fogo, nenhum de nós falando. Apenas curtindo o silêncio - um silêncio confortável como se nos conhecêssemos toda a nossa vida. Os segundos passam, tornam-se minutos e logo nossos copos vazios. A madeira chiou pequenas brasas crepitantes – Eu não sou de beber muito. – digo finalmente. Seu olhar passa sobre mim e é como se estivesse olhando para mim pela primeira vez. – Você poderia ter me enganado. – diz ele enquanto levanta uma sobrancelha em desafio. O sorriso genuíno reveste seu rosto e ele solta um suspiro e relaxa no sofá.

– Isso é comum. Todo mundo se aflige em seu próprio caminho. Eu franzi meus lábios e então sorri. – Você está me tratando agora? Seus olhos se arregalam e então ele deixa sair. – Oops. Às vezes, simplesmente não consigo desligar.

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– Acredite ou não, eu realmente não sou. Com o jeito que minha mãe é, eu nunca sei quando preciso estar de plantão. Então, tipicamente, fico sóbria. Desde a morte de Richard. – me entreguei muito mais do que o normal.


– Tudo bem. É uma das coisas que gosto em você. – E quais são as outras coisas? – Preston coloca seu copo para baixo e fica em pé. Ele se aproxima de mim e coloca meu corpo em seus braços, enterrando seus lábios em meu pescoço e fazendo cócegas na pele sensível com sua mandíbula.

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– De novo? – dou risada quando ele me coloca na cama e começa a puxar meu robe. é tudo que tenho, pretendo guardar cada segundo. Não quero perder o tempo que temos juntos. Eu não quero perder um segundo. E pela terceira vez desde que estamos sozinhos em Castle Hill, me protege inteira e completamente.


Capítulo Trinta e Dois

Eve O cheiro estava em todo lugar. Não podia escapar disso. Olhei para baixo para ver minhas mãos estava tremendo tanto que o carmesim grosso fluiu através dos meus pequenos dedos. Ele se agarrava e revestia a superfície. Um grito estridente ecoou pela sala. Procurei o som, mas percebi que vinha de mim. Saltando para a frente, aperto no meu peito. Meus olhos não se ajustam à escuridão e estou ansiosa para ver. Um soluço destruído atravessa enquanto procuro onde estou. Lágrimas escorrem dos meus olhos e através da névoa escura da noite, a luz entra.

– Eu não estou. Não estou bem. – eu grito, tirando minhas mãos dele e tocando em todo o meu corpo, tentando encontrar a origem do sangue. – O que você está procurando? – respirações irregulares deixam meus pulmões. Preston me detém e me balança em seus braços. Por mais que tente me afastar, ele me segura mais forte. – Não há nada em você. – Eu preciso limpar isso. – sussurro em derrota.

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– Shh. – mãos procurando me encontrar. Elas me puxam para a frente no calor de seu corpo. – Estou com você. Você está bem.


– Não há nada ai. – ele me levanta em seu colo e me enrolo nele. Meu corpo todo fica mole. Eu permito que ele me acalme. Lentamente, meu pulso regula e respiro devagar. Quando estou finalmente respirando normalmente, ele levanta meu queixo para olhar para ele. Suas sobrancelhas estão juntas, e ele parece triste quando um dedo estende a mão e passa em uma lágrima que desce nas minhas bochechas. – O que posso fazer? – ele implora. – Apenas me abrace. – Posso fazer isso. – e ele faz. Ele me abraça. Ele me abraça até todas as lágrimas drenarem dos meus olhos. Até que o último pânico tenha passado. Seu coração bate contra minhas costas e, eventualmente, diminui a calmaria. Olhando para cima, vejo que ele adormeceu comigo em seus braços. Meu coração fica cheio. Ele cuidou de mim. Nunca me senti tão segura. Cuidada. Em seu abraço, o mundo continua, e é só ele e eu e nada mais importa.

Não há como remover o Preston Montgomery do meu sistema. Ele está incorporado tão profundamente dentro de mim que temo que não tenha esperança, além de um dia me apaixonar por isso homem. Ontem à noite sentei e assisti Preston dormir, e em algum lugar entre a inspiração e exalação de sua respiração, ele me puxou contra ele e adormeci. Quando meus olhos se abriram, ele olhava para mim através da cama. Ele estava me observando. – O que?

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Quando tenho certeza de que ele está dormindo, eu saio da cama, me movendo silenciosamente para não acordar ele. Pego minha bolsa e pego meu caderno. Pousando no final do cama, eu sento e olho. Cada movimento, cada respiração que tomo nota, registrando-os em meu coração e memória para sempre. A sensação pulsando através de mim agora para este homem é tão concreta e absoluta. Estou me apaixonando por ele, e todo momento que passo com ele, minhas emoções se tornam mais complicadas. Porque isso não é só sexo. Isso não é algo que possa tirar do meu sistema.


– Estou te observando. – Muito assustador. – gemo, mas na minha cabeça estou rindo. – Pare de olhar para mim. Eu provavelmente pareço uma bagunça. – Você sabe o que te faz tão bonita? Que você não sabe como você é linda. – Eu não estou linda agora. – Baby, não importa o que você faça, você nunca poderá não ser bonita. Meus olhos se arregalam, primeiro em sua declaração, depois no apelido. Ambos me fazem derreter igualmente. Calor se espalha pelas minhas bochechas. – Obrigado. – Venha aqui. – sua voz é rouca. Isso me faz querer correr para ele, mas primeiro tenho que escovar meus dentes. Não importa o quanto o quero agora, me deixar apresentável é minha prioridade número um. Saio da cama e dois braços firmes se apoiam na minha cintura. – Ei. – Onde você pensa que vai? – os braços de Preston se arrastam por trás quando o rosto dele se enterra no meu pescoço. A respiração dele irrita minha pele e a sensação é incrível. Isso causa arrepios na minha pele.

Quando ele circula a parte de trás do meu pescoço, todo o meu corpo estremece. Tanto quanto precisa levantar da cama, esse homem me deixa completamente inútil enquanto cai e beija o comprimento da minha espinha. Antes de saber o que está acontecendo, estou virada em minhas costas e Preston está pairando sobre mim. Ele se inclina e planta uma série de beijos sobre o meu abdômen. Sua língua traça um caminho até o meu umbigo, depois para a minha pélvis... e através do meu quadril. Pequenos beijos.

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Primeiro beijos macios, e depois sua língua lambe com abandono.


Lábios macios. – O que tem sua pele? – ele murmura em meu corpo. De repente, Preston levanta minhas pernas para descansar sobre seus ombros. Ele abre meu corpo para ele. Seus dedos pressionam dentro de mim em ritmo com sua magistral língua. Minha respiração se torna errática. Me sinto distante em quanto ele se banqueteia sobre mim. – É isso, baby. – ele murmura contra o meu corpo quando me perco no meu prazer e explodo. Quando desço do meu êxtase, ele está apenas olhando para mim. – E você? – meu lábio levanta em um pequeno sorriso.

– Você está com frio? – Preston pergunta do meu lado. Meus braços estão fortemente apertados em volta de mim, mas dentro do meu casaco não estou com frio. Apenas confortável. Faz muito tempo desde que senti esta paz, mesmo que fosse o fim do inverno, não iria me mover. – Estou perfeita. – ele se inclina através do espaço que separa nossas cadeiras e captura meus lábios. Seus são suaves enquanto suavemente cutucam meus lábios para separar. Posso tremer em sua boca. Pode ser apenas um beijo, mas estou perdida, e se é assim que nós sentimos quando estamos perdidos, nunca quero ser encontrada. Nossos rostos se afastam e nossos olhos se fecham. Em seu olhar, vejo a possibilidade de mais, e o pensamento me assusta. Como deveria deixá-lo ir?

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– Isso foi para mim. – um sorriso deliciosamente sexy se espalha contra seu rosto. Quem é este homem? Ele é tão diferente do Preston que estava me apaixonando antes. Senhor estou em apuros. Transtornada, realmente. Porque o céu sabe que não estava preparada para guardar meu coração contra este Preston. Este Preston me possui e só passou um dia. Juntos tomamos banho. Desta vez estamos dentro e fora. Sem distrações. Preston estava determinado a não me deixar fazer o que queria com ele, alegando que precisava de um café da manhã. Depois do café da manhã com nossos waffles favoritos, nos encontramos sentados em cadeiras no amplo gramado que parece desmoronar no mar. A vista é inspiradora, pois temos uma vista panorâmica do oceano batendo na praia.


Como posso deixar alguém ir se me faz sentir muito? Ele me faz sentir bonita. Ele me faz sentir especial. Ele me faz sentir livre. – Você está feliz? – ele pergunta. – Além disso. – eu sorrio de volta. – Bom, porque isso é apenas o começo. Eu tenho um dia inteiro planejado. – ele salta e põe suas mãos em minha direção. Enquanto estendo a minha para ele, uma parte de mim quer recuar. Congelar tempo. Assim que me levanto, o fim já começou. Como pequenos grãos de areia derramando lentamente. O fim está próximo. Decido que não vou me deter sobre o que o futuro nos traz. Em vez disso, ofereço o maior sorriso do mundo e juro que Preston nunca verá meus pensamentos interiores. Nós caminhamos na direção do prédio principal, mas em vez de entrarmos, ele pede as chaves do carro dele. Uma vez lá dentro, ele agarra minha mão na dele e aperta de leve. – Desde que nós nunca saímos da casa ontem à noite, pensei que seria legal ver Newport. – Eu teria ficado bem lá dentro. – bato minhas pálpebras e ele ri. – Tenho certeza que você teria. – Então, o que há para fazer em Newport? – Bem, normalmente é mais uma cidade de praia, mas pensei que poderíamos dar uma olhada por ai. Então podemos almoçar.

Poucos minutos depois, entramos na pitoresca cidade litorânea. Construções históricas nas ruas e posso ver como seria lindo no verão. Embora o clima esteja perdendo muito do seu frio, ainda levará meses até que Newport esteja em sua glória. Preston puxa o carro para um lugar de estacionamento e, em seguida, como um homem perfeito, vem ao meu lado para me ajudar. Meu cabelo bate contra o meu rosto enquanto a brisa do oceano pega. Puxo meu casaco leve mais apertado em volta de mim enquanto ele descansa um braço sobre o meu ombro, me empacotando para ele. Seu calor irradia através do material, aquecendo-me

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– Parece um ótimo plano.


instantaneamente. Com cada loja por onde passamos, espiamos por dentro, olhando por cima dos fofos acessórios e bugigangas que Newport tem a oferecer. Retirando o braço de Preston de mim, caminho até o lado oposto de uma loja. estamos investigando. As pontas dos meus dedos percorrem a prateleira de vidro do farmacêutico. Eu pego um e observo a imagem. Quando meus olhos percorrem a sala, vejo Preston caminhar em direção ao registro. Ele tem algo na mão, mas não consigo ver o que é. A vendedora é rápida em embrulhá-lo e cobra seu cartão até eu passar para ele. Quando ele se vira, o começo de um sorriso aponta para o canto de sua boca quando ele me vê. Saindo da loja, Preston agarra minha mão e me viro para ele. – Há um ótimo restaurante no final do quarteirão. Você está com fome? – pergunta ele. – Eu sempre posso comer. Ao longo do caminho, nós entramos em mais algumas lojas para fazer compras, e o tempo todo Preston continua segurando minha mão - como se estivéssemos em uma viagem romântica. e não um médico e sua paciente roubando um momento no tempo. A carícia dos seus dedos macios faz-me querer acreditar na mentira. Depois de atravessarmos a rua, vejo o restaurante, mas antes de entrarmos, notamos que a porta ao lado é uma pequena livraria. É perfeito. O exterior da construção tem uma aparência extravagante. Cogumelos pintados decoram as vidraças de vidro e as flores gigantes acentuam a fachada da frente.

Entrando, sou transportada para um mundo distante. É uma loja pequena e querida com uma decoração temática de Alice no País das Maravilhas. Até tem mesinhas para o serviço de chá. Puxando minha mão de Preston, me dirijo à seção que abriga os novos lançamentos. Ele segue atrás. Ao dar um passo à frente para pegar o livro que comprei, Preston também faz o mesmo. Minha mão roça contra a dele, enviando um choque elétrico através do meu corpo. Seu toque é inebriante, sedutor... Seus lindos olhos azuis encontram os meus, mostrando que ele está

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– Eu preciso ir lá. Há um livro que estou morrendo de vontade de receber. – anuncio e estamos juntos no Book Time.


sentindo a mesma conexão e pensando os mesmos pensamentos que eu. Que quero colocar minhas mãos de volta na dele. Tocá-lo novamente. Reviver esse sentimento quando nossas mãos e corpo se conectam. Mas nós estamos em uma livraria, então acalmo minha fome crescente, olhando para a pilha de livros na nossa frente. – Não sabia que você lia romances jovens. – Romance jovem? – Romance jovens. Obviamente. Não sabia que você lia livros para jovens adultos. – ele ri do meu comentário tolo. – Eu não, eu só queria ver a capa, não sabia que você lia romance jovem? – ele pisca. – Eles são os melhores! – exclamo e um sorriso revira seu rosto da minha excitação. Borboletas voam no meu estômago. Aquela faísca quando nossas mãos tocaram me tornou inútil - e aparentemente derreteu toda a força que tenho para manter minha distância. Ele ri de novo. Desta vez é uma risada barulhenta e isso aquece meu coração. – Pouco velha para voar com bruxas, não é? – Hum, não. – Bem, então, acho que temos sorte de ainda terem duas cópias, ou teria que lutar com você por causa disso. – meus olhos devem estar escuros, porque seu rosto se ilumina com um sorriso enorme.

Seus olhos azuis cristalinos brilham para mim quando ele fala de sua irmã. Ele puxa a segunda cópia da prateleira e tira da minha mão. – Vamos. – nós vamos para o balcão da frente e ele entrega a vendedora nossos livros. Ela sorri para nós. - Será que isso é tudo, senhor? Ela pergunta enquanto digitaliza as duas

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– Relaxe, estou brincando, mas se você diz que eles são os melhores, vou comprar um para minha irmã. Ela amava o vampiro.


cópias. – Sim. – Deu vinte e noventa e nove. – pego a minha bolsa. – Não. É por minha conta. Todo meu corpo se vira para ele, meus olhos arregalados. – Você não pode me comprar um livro. – Claro que posso. – Mas... – ele parece tão sério - insistente. Então eu concordo. – Ok. – aceno. Ele paga e nós caminhamos até a porta de saída. Chegamos ao restaurante algum tempo depois. É um bistrinhozinho querido, com apenas algumas mesas lá dentro. A maioria está do lado de fora com vista para os barcos na marina. Depois que a recepcionista nos entrega nossos cardápios, me inclino e sorrio para ele. – Então, o que você quer? – pergunto e um sorriso se enrola ao lado de seu rosto no meu rosto. – Para o almoço, Preston. – ele pisca dessa vez e apenas suspiro. – Não posso levá-lo a lugar nenhum, posso? Vou comer o atum. E você? – Salada Cesar. – Bem, isso é uma escolha interessante. – diz ele e levanto minha sobrancelha para ele.

– Bem, toda vez que comemos, você consegue encomendar o item com mais calorias ou açúcar no menu. Assumi que você pegaria algo um pouco mais louco que salada. – Ei. Eu como outras coisas além de lixo. – lamento e seu sorriso se amplia. – Eu como. – ele dá uma risada e eu o prendo com os olhos

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– Significa...


– Eu sei. – Qual é a sua comida favorita? – cruzo os braços sobre o peito e solto um bufo dramático. – Bem, você está certo. – seus lábios se abrem em um grande sorriso diante da minha resposta. – Nem tudo que você gosta é lixo. Você gosta de mim. – ele sorri e sacudo minha cabeça, mas não consigo esconder o sorriso gigante alinhando meu rosto. Este Preston é brincalhão, e desejo que possamos viver neste mundo falso para sempre. Infelizmente, sei que estamos em um momento emprestado. – Eu gosto de você. Concordo com a cabeça. – Eu também gosto de você, provavelmente mais do que deveria. Mas quando estou com você, tudo se encaixa. Tudo faz sentido. – nós dois ficamos quietos. – Então, obviamente você já esteve em Newport antes. Você vem muito aqui? – digo, essencialmente mudando de assunto. – Não mais. Crescendo na cidade, minha família tinha uma casa em Hamptons onde passávamos nossos verões, mas quando era mais velho, meus amigos do colegial passaram uma semana no verão aqui. – Então, você viaja muito? – Honestamente, não tanto. Entre minhas horas de voluntariado no hospital e a prática privada...

– Ah, sim. Pensei que você soubesse disso. Passo algumas horas por semana fazendo voluntariado com pacientes. – sinto que há mais na história do que ele está deixando, mas eu não sei. – E você? Você viajou? – Não, nunca.

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– Espere, você é voluntário lá?


– Por causa da sua mãe? – Sim. – ele balança a cabeça e é reconfortante perceber que esse homem me conhece e entende. – Sempre quis viajar, mas mamãe sempre ficaca com alguma coisa antes de irmos. Por incrível que Richard fosse, sua empresa estava apenas decolando, então nunca viajei. Quando cheguei à faculdade, me concentrei em estudar e me formar. Então, realmente, o único lugar em que eu já estive é lugar nenhum. – Bem, agora você esteve em Newport, Rhode Island. – E é o meu favorito. – eu não digo que qualquer lugar com Preston seria meu favorito, mas do jeito que seus olhos treinados me avaliam, eu acho que ele sabe: – Onde você gostaria de ir? Se você pudesse ir a qualquer lugar do mundo, onde estaria? Com você? – Eu amo história e arquitetura, então tenho que dizer em qualquer lugar da Europa. Sendo uma grande fã de Jane Austin, adoraria ir para a Inglaterra. – Você adoraria isso. – Quando estava na faculdade, fazia teatro. Então eu e... Ele faz uma pausa e engole. – Sloane e eu fomos ver o Globe Theatre.

– Realmente foi. – ele parece estar perdido em um sonho ou uma lembrança. Com uma sacudida de cabeça, ele volta no mesmo momento em que a garçonete aparece e toma nosso pedido. Pouco menos de trinta minutos depois, meu prato está vazio. Depois de Preston pagar a conta, ele inclina a cabeça para a direita. – Agora, o que você quer fazer? – Voltar para o hotel? – Você quer ver a praia? – Não.

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– Uau. Isso deve ter sido incrível.


– Casa? – Não. – O que você quer, Eve? Eu tremo na maneira quando ele diz meu nome. – Você. Só você. Ele olha para baixo, seu peito subindo e descendo com um rápido jato de respiração. – Você me tem. – ele sussurra tão baixo que mal posso ouvi-lo. Por enquanto. Quando olho para ele, perco toda a razão. Quero que ele me devore. Corpo, mente e alma. E é exatamente isso que ele faz no momento em que entramos em nossa cabana. Meu corpo treme enquanto espero. A antecipação do seu toque é quase demais para suportar. Estou intoxicada com o desejo. Arranco minhas roupas e fico nua antes de Preston. Dando passos lentos, faço o meu caminho até ele e corro minhas mãos pela camiseta que cobre seu peito. Quando chego na bainha, levantoa para expor seu torso e, em seguida, puxo seu cinto para libertá-lo, mas ele para minha mão. – Paciência. – Eu preciso de você. – eu imploro, mas ele balança a cabeça para mim.

Meu cérebro quer gritar Não, não saboreie, porque sei o que isso significa, mas não digo nada. Meus olhos vão me trair. Então fico de pé e olho enquanto os olhos de Preston passam por mim. Seus lábios se arrastam pelo meu torso. Quando ele chega ao meu seio, ele captura o mamilo em sua boca e aperta e puxa o bico com desejo. Puxando para fora, ele se move mais para baixo do meu corpo enquanto minhas mãos puxam seu cabelo rebelde. Preciso de seus lábios. Preciso de sua boca na minha. Sentindo a minha urgência, ele se move de volta para o meu corpo e me beija. Enquanto nossas bocas se provocam, suas mãos continuam a explorar, separando minha pele inchada e deslizando para dentro.

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– Eu quero ir devagar. Quero saborear cada toque, cada gosto, cada sensação.


Eu suspiro com a sensação, ofegante enquanto seus dedos batem dentro e fora de mim. Quando ele empurra seus dedos para cima, minhas paredes internas o prendem. Minha cabeça vai para frente e para trás enquanto alcanço meu clímax. Preston continua com suas ministrações até meu orgasmo se eriçar e explodir e então ele move seus dedos e me empurra para baixo na cama. Olho através dos olhos entreabertos enquanto ele se despe, e em seguida, rasteja pelo meu corpo e começa a provocar a minha entrada com seu comprimento duro. – Deus. – ele geme quando entra polegada por polegada – Eu quero me enterrar dentro de você. Quero ir tão profundo, que não saberei onde você termina e eu começo. Os movimentos de amor são terrivelmente lentos. Meu próprio corpo está tão desesperado por mais que ergo meu centro até empalá-lo completamente dentro do meu corpo ainda trêmulo. Querendo mais. Precisando de mais. – Foda-se. Ele puxa para fora. – Tão bom pra caralho. Ele bate de volta. Ele mantém o ritmo até que mais uma vez nós dois estamos perseguindo o auge. Com o impulso afinal de seus quadris, ele mergulha dentro de mim e dou boas-vindas à felicidade, caindo em um abismo interminável de prazer. Todos os músculos se apertam em torno dele até que seu corpo não tem escolha a não ser me seguir. Juntos, ficamos ofegantes na cama. Meus cabelos loiros se espalham sobre o peito enquanto a respiração regula. A luz penetra através das janelas, lembrandome que ainda é dia e nós estaremos voltando para a realidade amanhã.

– Por mais que adoraria fazer isso o dia todo, queria levá-la para uma casa noturna. Então podemos jantar. – Tudo bem. – eu gemo, beijando mais abaixo em seu torso. Assim que começo a correr minha língua pelo V esculpido de sua pélvis, ele me puxa para cima. Colocando os braços em volta de mim, ele move a boca para a minha. – Vamos lá, vamos nos vestir. – diz ele e dou-lhe um sorriso brincalhão.

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– Mais alguma coisa planejada para o dia? Ou eu posso continuar tirando vantagem de você? – digo em seu peito enquanto alterno entre falar e beijá-lo.


– Não, nada disso. Você vai tomar banho sozinho ou nós nunca vamos sair. Na verdade, esqueça o chuveiro. Eu gosto da ideia de você... Sujo. – ele sorri. A cor laranja raia no céu quando o sol começa a se pôr para o dia. Ele lança um uma luz suave através do azul translúcido da água. A cada passagem do vento, insinuações de rosa irrompiam através das nuvens. É uma das mais belas paisagens que já vi, e testemunhá-la com Preston torna isso ainda mais significativo. O olhar de Preston vai para o horizonte e sua mão aperta levemente a minha. Eu me pergunto se ele sente o que estou sentindo. O vento provoca meu cabelo, fazendo-o raspar em meu rosto enquanto subimos mais perto do farol. Preston se aproxima cada vez mais, o caminho dando lugar à natureza. Quando meu pé escorrega, ele se vira e pega minha mão para me ajudar. Quando nossas mãos se juntam ele sorri para mim. É terrível. Deus, ele é lindo. Mas não consigo ter esses pensamentos. Se fôssemos apenas duas pessoas diferentes. Se apenas isso fosse permitido. Em vez disso, desaparecerá na memória em um tempo perfeito. Ele vai se tornar um capítulo em um livro fechado. – Você vem? – ele ri e percebo que fui pega olhando para ele. – Hum, sim. Podemos entrar?

Sei que não posso falar palavras para refletir as emoções me sufocando. Por mais lindo que seja esse momento, tão perfeito quanto o tempo que passamos juntos, é agridoce. Quando chegamos ao chalé, vejo que o Preston preparou um jantar à luz de velas. Pequenas sombras tremulam contra as paredes, e uma garrafa de champanhe está esperando. Soltando a minha mão, ele se aproxima e abre a garrafa, em seguida, despeja-a em duas taças de espera. Ele emprega uma precisão cuidadosa para não mexer, depois me entrega um

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– Não, infelizmente não está aberto ao público. – sinto como se estivesse vivendo em um conto de fadas enquanto nos sentamos em uma pequena mesa de piquenique e vemos os últimos raios de sol dançarem contra o céu. Um arrepio percorre o meu corpo quando o vento aumenta. Preston me puxa para ele, e passa as mãos para cima e para baixo, para me aquecer. Não falamos pelo resto do tempo que nos sentamos lá.


copo. – Pelo final de semana mais perfeito da minha vida. – ele diz e lágrimas vêem em meus olhos. – Não chore. – meu queixo treme e forço meus lábios a daremum sorriso. – Não vou. – ele acaricia o dedo na minha bochecha e limpa a umidade. – Seria melhor se nós falássemos sobre isso? – seus olhos estreitam com preocupação e balanço a cabeça inflexivelmente. Inclino minha cabeça em sua mão e olho em seus olhos. Os que me hipnotizaram no passado, e abro meu coração e permito que me deixem novamente em transe. Naquele momento, deixo-me desvanecer na história de conto de fadas que você lê com um feliz para sempre. Não era a paciente e ele não era o médico. Nós éramos apenas dois apaixonadao. – Por favor, vamos aproveitar esse tempo juntos. – ele coloca seu copo na mesa e tira o meu das minhas mãos. Ele envolve seus braços em volta de mim. Eu inalo seu cheiro e me sinto no conforto que ele me traz. Com um sussurro de um único beijo contra a minha testa, ele se afasta e me leva para a mesa, e embora queira chorar, prometo aproveitar cada momento desta última noite juntos. Depois do jantar, ele me puxa para ele. Nossas bocas colidem. Contamos a cada um tudo o que podemos compartilhar com cada varredura de nossa língua. Esse beijo me faz acreditar em minha mentira.

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Seus lábios contam uma história própria, e enquanto nossos corpos se juntam, me deixo ir. Me deixo imergir nas páginas imaginárias do que poderíamos ter sido.


Capítulo Trinta e Três

Eve Agridoce. Isso é o que é isso. Enquanto nós dois embalamos nossos pertences, tristeza paira no ar. Permanece e nos banha. É abrangente e tangível. Nos sufocando enquanto os segundos passam. Meu próprio coração quebra um milhão de vezes antes mesmo de sairmos da sala. Quando saio, viro uma última vez para memorizar cada segundo do que passamos aqui juntos.

Estamos em silêncio. Nenhum de nós ousa falar. Eu olho pela janela quando a cidade vem à vista. Quero perguntar se há uma chance para nós. Não agora, mas talvez no futuro. Ele se importa comigo. Eu sei isso. Está em todos os gestos. Cada olhar. Cada toque. Mas me amar, ou se preocupar comigo o suficiente para arriscar seu futuro? Bem, essa é uma pergunta para a qual não sei a resposta. Uma pergunta que não estou disposta a arriscar. Não, não vou perguntar. Eu vou morder meu lábio e não implorar para ele me dar uma chance.

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Se pudesse enviar resetar, faria, mas não posso. Então seguro minha cabeça e ando com Preston para o nosso carro.


– Eve. – ele diz, sua cabeça virando um pouco para ver meus olhos. – Comprei algo para você. Ele pega a bolsa no banco de trás e entrega para mim. – Devo abri-lo agora? – Não. – diz ele, mas nada mais. Ele não precisa. A implicação está lá, atada atrás da dor gravada em sua voz. É um presente de despedida. Não há futuro aqui. Estes serão os últimos minutos gastos na bolha que criamos. Vou deixar como deveria ser. Um momento roubado. Um capítulo de um livro. Meu corpo todo doi com o peso da emoção pairando acima de nós. A tensão é tão alta que posso sufocar. Através do pára-brisa, vejo meu prédio de apartamentos. Ele aparece na distância, mas como os segundos passam, o espaço que separa o carro da minha casa se desintegra até voltarmos onde começamos há dois dias, seu Range Rover estacionado na frente do meu prédio. Dois dias. Uma vida inteira.

Dizer-lhe que estou me apaixonando por ele. Que ele é tudo que já esperei e sonhei. Em vez disso, uma lágrima solitária escorre pelo meu rosto... Digo adeus. Quero desmoronar aos meus pés, mas ao invés disso ergo os ombros e mantenho minha cabeça erguida. Há muito tempo depois para desmoronar. Não vou deixar ele ver o quanto me machuquei. Sei que ele está sofrendo também, mas infelizmente, o momento não é certo para nós.

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Tudo entre nós mudou, mas tudo continua o mesmo. É isso. Este é o fim. Eu quero implorar e pedir. Dizer a ele para nunca me deixar. Dizer-lhe para arriscar tudo por mim.


Mais tarde naquela noite, deito na cama com sua caixa na mão. Eu preciso abri-la, mas vou ousar? Depois disso, é oficial. Reunindo toda a força deixada no meu corpo, eu rasgo o papel. Há uma nota dentro da caixa. Eve, eu quero que você tenha isso. Vai pegar seus pesadelos e ajudar você no outro lado. Preston. É um minúsculo colar de ouro, e com tudo o que me resta, caio em pedaços na minha cama. Algum tempo depois, ouço uma batida na minha porta, mas não respondo. – Eve? Silêncio. – Querida? – Sydney coloca a cabeça pela fresta da porta. Não me preocupo em responder ou até mesmo me mover de onde estou submersa no cobertor pesado. – Você está bem? – quando ainda não respondo, a porta range e seus pés se encostam no chão. A cama se afunda quando ela se senta no pé. – Você está me preocupando. Você está aqui desde que voltou da sua viagem. Você gostaria de falar sobre isso? Levanto o cobertor e olho em seus profundos olhos castanhos. – Não há muito a dizer. – digo sob minha respiração e espero que ela aceite a dica. Eu não quero contar. Às vezes os momentos mais incríveis são aqueles sobre os quais não podemos falar. Foi assim que me sentia toda vez que Preston estava por perto.

– Não posso ajudá-la se não souber o que aconteceu. – Nada aconteceu, Syd. – Foi fantástico. Foi perfeito. Foi os dois melhores dias da minha vida. Mas isso é tudo. Isso é tudo que será, dois dias. Dois dias do caralho é tudo que recebo. Raiva e tristeza sangram das minhas palavras. – Quer saber como estou? Estou uma bagunça.

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Sua proximidade me incendiou, e eu não direi isso a ela. Eu quero continuar com a memória para mim mesma. Não quero compartilhar isso com ninguém.


– Você não está uma bagunça. – Juro a você, estou. – seus olhos encontram os meus e o ar está tenso. Engulo em um sorriso falso e dou para ela. – Isso não é você. Claro, você teve uma vida dura nos últimos meses, mas normalmente você é a pessoa mais forte que conheço. Mesmo depois de Richard, você conseguiu desembarcar uma das maiores contas que a empresa já viu. Isso não é uma pequena façanha. Se você pode fazer isso, você pode passar por um pequeno rompimento. – Não é nem um rompimento. – Isto é. – Como podemos chamar isso de um rompimento quando ele nunca foi meu para romper? – Uma pausa então. Depois da porcaria que você passou, você vai superar isso Pausa. – Sei que você está certa. Só me pergunto o quanto uma pessoa pode aguentar. Como a minha mamãe. Qual foi a gota d'água para ela? – Você já pensou em perguntar a ela? – estreito meus olhos em Sydney. – Todo dia. Toda vez que estou lá, tento fazer perguntas, mas ela está muito doente para responder a qualquer coisa. Para ser sincera, nem acho que ela perceba que o comportamento dela não é normal.

Ela brinca e olho com um olhar em sua morte. – Muito cedo? – faço uma careta para ela. – Sim. Acho que sim. – ela me dá grandes olhos de cachorro e não posso deixar de rir. – Ok, vou pular no chuveiro. Você quer sair para jantar ou fazer o pedido?

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– Talvez ela precise de um terapeuta. Conhece alguém?


– Digo que ficamos com comida chinesa e nos embebedamos. Um pouco de diversão vai fazer você se sentir melhor. – Syd, tenho certeza que essa afirmação está de fato invertida. Acho que eles proibiram isso por ser muito ruim para você. – Vamos lá. – bufo para isso e ela ri. Uma vez vestida depois do meu banho, sigo o cheiro da comida chinesa permeando o ar. Isso me leva à sala de estar, onde pequenas caixas brancas estão sobre a mesa de café. – Vinho? – Sydney grita pelas paredes da cozinha.

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– Claro. Poucos minutos depois, ela sai com dois copos cheios até a borda. Pinot Grigio. Espero e rezo que esta noite com ela possa ajuda a afogar minha miséria. De alguma forma duvido que qualquer coisa vai, mas eu sorrio de qualquer maneira e tento esquecer.


Capítulo Trinta e Quatro

Eve As semanas passam devagar quando você está triste. Elas não passam e fluem como uma maré. Pelo contrário, são como areia movediça, e quanto mais você tenta se afastar, mais preso você se fica. Já faz um mês desde a minha viagem com Preston e jurei a Sydney ia sair do meu humor, mas realmente estou aprendendo a fingir melhor. Sexta-feira depois do trabalho não consigoo mais sorrir fingindo. Não tenho mais nada em mim. Me dedico ao trabalho e organizo a propriedade de Richard. Hoje decidi assumir a tarefa de limpar seu armário.

Exceto que é diferente agora. . . vazio. Uma foto na mesa aparece para mim. É a mesma foto que tenho no meu apartamento, a da minha formatura. Instantaneamente um sorriso se forma. Logo depois da morte de Richard, o apartamento foi limpo profissionalmente. Mas janelas não foram abertas em semanas, o ar está parado; o cheiro ainda pelo ar.

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Entrar no apartamento de Richard desperta todos os tipos de sentimentos. Tristeza está atada com sorrisos. Houve alguns bons momentos aqui. Houve também alguns não tão bons momentos, mas os bons superam os maus. Estou repleta de emoção. Tiro a umidade e a sala fica em foco. É como da última vez.


Todo o mobiliário foi vendido em uma venda de imóveis, e tudo o que resta para ser feito é percorrer os pertences pessoais de Richard. Com uma inspiração profunda vou para o quarto principal. Os ternos ainda estão pendurados no armário. Sapatos ainda estão ao longo da parede. A Legião da Boa vontade. Ou talvez uma instituição de caridade que ajuda homens a voltarem a andar por seus próprios pés. Já ouvi falar de algumas que treinam e vestem os desempregados para entrevistas. Richard gostaria disso. Sim, é o que vou fazer. Agarrando meu telefone, procuro por empresas que fornecem esse serviço, para executar minha tarefa. Há um banquinho na parte de trás do closet que Richard obviamente usava para armazenar caixas na prateleira superior. Por vinte minutos, remexo. Tem faturas e recibos em uma caixa. A próxima caixa tem fotos antigas. Elas me fazem sorrir enquanto tiro algumas para fora e lembro dos melhores tempos. Todo músculo começa a doer depois de duas horas de classificação, e quando estou pronta para desistir do dia, vejo mais uma caixa no canto de trás. Para pegá-la tenho que subir mais na escada e inclino todo o meu corpo para cima e para a prateleira. Meus dedos são extremamente capazes de alcançá-la, mas quando me estico mais um centímetro, seguro-a em minha mão. Está marcado como "Diversos". Quando puxo a caixa para baixo e quase a tenho seguramente no chão, desliza e cai, virando de lado. Papéis espalhados contra o piso de madeira.

entre minha mãe e Richard. Papelada LLC. Informação bancária. Puxo a tampa completamente e decido ver o que mais ele tem aqui. Há uma foto de Richard e eu. Alguns pequenos envelopes, nada que pareça importante. Um livro. Pego o livro e percebo que é um de Jane Austen. Parece coincidir com a antiga coleção da minha mãe - as que estavam em nossa biblioteca enquanto crescia. Quando o levanto para dar uma olhada melhor, um pedaço de papel cai. Eu estendo a mão e viro.

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Apenas para minha sorte, agora tenho que passar por tudo. Desço para limpar o chão. A primeira coisa que fica aparente é que alguns desses trabalhos são documentos legais reais. Alguns são contratos. Existe um acordo de operador


Meu coração para. Um calafrio ártico corre pela minha espinha. Cada pedaço de oxigênio deixa meu corpo. Estou presa. Meus pés pesados como cimento. O que diabos é isso? Vejo vermelho. Desmorono no chão. Estou desesperadamente ofegando por ar. Não posso respirar. Não consigo parar as memórias que fluem no meu cérebro. Tudo de uma vez me consumindo de dor. Havia sangue nas minhas mãos. Tira isso! Tira isso!

Uma onda de visões fragmentadas aparecem em minha mente. Toma forma e me conta uma história. Meu coração dispara em meus ouvidos e não consigo ouvir mais nada.

Eu era pequena. Tão pequena. Uma criança inocente.

…………………………………………………..

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A minha visão é tão clara, e engulo um soluço.


Sentei no chão, minha boneca na mão e gentilmente escovava seus cabelos. A distância ouvi um som. Eu não tinha certeza do que era, mas era alto, como fogos de artifício que vimos no quatro de julho. Isso fez meus ouvidos doerem e as paredes mexerem. Abracei minha boneca com força. Onde estava mamãe? Talvez ela soubesse de onde veio o barulho alto. O som era assustador. – Mamãe? – ela não respondeu. Meus pés pressionaram contra o chão frio de madeira, enquanto espiava para fora da sala de jogos. – Mamãe? Onde ela foi? Talvez papai soubesse. Um sorriso cresceu no meu rosto e o medo que senti deixou meu corpo. Ele sempre sabia de tudo. Mamãe sempre disse que ele nos protegeria do mal. A casa ficou em silêncio enquanto caminhava pelo corredor em direção à biblioteca. Ele costumava se sentar lá por horas. – Papai? – minhas pequenas mãos batiam na porta, mas ele não respondia. Virando a maçaneta, coloquei minha cabeça para dentro. – Papai, você está aí? Não consigo encontrar a mamãe. – eu disse enquanto abria a porta. – Papai. Eu não podia vê-lo. Onde ele estava? O quarto cheirava engraçado, como se tivesse apagado uma vela. O que era esse cheiro? Eu entrei mais e da onde estava pude finalmente vê-lo.

Ele estava com o rosto virado debaixo da mesa. – Papai? – meu pé escorregou, eu caí e bati no chão. Minhas mãos pegam a madeira primeiro, depois meu estômago. – Ai! – gritei quando trouxe minha mão para frente para me levantar do chão. Escorreguei em algo quente. Era grosso contra meus dedos. Estava em todo o meu vestido. as mãos estavam vermelhas. Por que minhas mãos estavam vermelhas? Tudo estava vermelho. Ao meu redor, notei que estava sentada em uma poça de

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– O que você está fazendo aí? – caminhei para onde vi o meu pai. – O que você está procurando no chão? Você deixou cair alguma coisa?


líquido vermelho. Vermelho cobria a superfície da minha pele. Isso era sangue? Por que estava sangrando? Balancei a cabeça. Meu ritmo cardíaco acelerou. Eu não estava sangrando. Não era sangue. Era. . – Papai! Eu mal podia chamá-lo. – o sangue estava fluindo da parte de trás da cabeça dele. Bati em seu ombro e o medo se espalhou por todo o meu corpo quando ele não respondeu. – Por que você não está me respondendo, papai? Papai! Sacudi ele com toda a minha força e a cabeça dele caiu para a frente. Seus olhos abertos me encaravam. Mas ainda não respondia. – Por favor, papai. Responda-me. Por que ele não responderia? – Não! – eu consigo gritar. Eu pressiono as palmas das mãos contra os olhos para forçá-los a desaparecer da minha mente. – Não. Não. Não. Não. – balanço no lugar. Um nó está alojado na minha garganta, mas não posso engolir. Não posso respirar. Não consigo me mexer. Meu pai. Eu o encontrei. Foi um suicídio. O sangue. Eu passo minhas mãos pela minha camisa enquanto limpo a memória, mas não há nada. As visões rasgam minha alma. Estou segurando o bilhete do meu pai. Suas últimas palavras. Isso parece pesado na minha mão. A nota que traz tudo de volta. Isso me fez lembrar. Uma nota de suicídio.

Eu sinto muito, Laura. Minhas intenções nunca foram prejudicar você. Não quero te trazer dor. Não quero que você tenha vergonha do que tenho. Às vezes acho que isso vai passar. Que vou passar por isso, e você vai olhar para mim como o marido que você já se orgulhou. Mas agora sei que falhei muitas vezes. Falhei com a nossa família. Esta é a única saída, a única maneira que eu posso parar a dor que estou causando a você. Você está certa. Tudo o que você disse estava certo. Eu falhei com você. Eu falhei com Eve. Pelo que sou

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Com uma mão trêmula, me forço a ler suas últimas palavras.


verdadeiramente e para sempre sinto muito. Espero que você encontre a felicidade que procura. Esse é o único caminho. Eu não suporto a decepção que vejo nos seus olhos. Por favor, não fique triste, porque eu não sou digno de suas lágrimas. Por favor, me perdoe, e o que fiz para nós. Esse é o único caminho. Sei como fazer tudo melhor agora. Diga a Eve que o papai vai sempre protegê-la. Diga a ela que eu a amo.

Minha mão treme. Um soluço se rompe. Tudo treme. Meu corpo desmorona para frente. Cada minúsculo fragmento de força restante se quebra. O que é isso? O que diabos é isso? Não tenho ideia do que está acontecendo. Nenhuma pista, mas não consigo me mexer. Eu não consigo pensar. O mundo está se desligando. As paredes estão se fechando. Parece que estou me arrastando. Um líquido gelado preenche minhas veias quando percebo que minha vida inteira é uma mentira. Tudo o que sei está errado. Nada faz sentido. O tempo pára. Tudo deixa de ser. Deitada no chão, penso em nada, além de traição. Enquanto os segundos se transformam em minutos e depois em horas, percebo que não me movi do meu lugar no chão. Nada vai fazer sentido novamente, mas na verdade, tudo faz sentido.

Minha raiva alimenta meu corpo. Eu saio do apartamento de Richard e entro no dela. O corredor está calmo. Sem dúvida, ela está enrolada em sua cama, se escondendo do mundo. Como deve ser bom se esconder de tudo em sua vida. – Mãe? – ela não responde, e passo mais para dentro da sala. – Mamãe. Estou falando com você. – Eu não estou bem. Podemos falar depois da minha soneca?

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Todas as respostas vagas. Todo de lado. Tudo para evitar isso. Mas ela não vai evitar mais. Preciso saber tudo e ela vai me dizer. Eu tenho esse direito. Mereço saber.


– Não. Você vai falar comigo agora! – com isso, a cabeça dela se levanta do travesseiro. – Sobre o que é? – ela parece mais alerta do que o normal, mas quando levanto o papel em sua linha de visão ela recua e o olhar em seus olhos desaparece como se voltasse para si mesma. – Estou tonta. Podemos conversar sobre isso depois? – Não, mãe. Eu mereço respostas. Como você não pôde me dizer? Como você poderia manter isso de mim? Como o Richard pode? – Eu tive que fazer. Nós tivemos que fazer isso. – sua voz é tão triste. Ela está quebrada. – Eu… não entendo. – Eu nem sei por onde começar. Não tenho certeza se tenho energia para dizer isso. – Por favor, mãe. – imploro e ela finalmente cede. – Você era tão jovem. Nós vivíamos uma vida boa. Seu pai era um bom homem. Foi minha culpa. Tudo é minha culpa. Ela começa a soluçar incontrolavelmente. Não sei como ajudá-la. Suas lágrimas saem como um rio. Nunca parando. Sempre fluindo. – Eu não entendo.

– Mãe, por favor. Acho que você deve me contar a história completa. O que aconteceu? E não ficar dizendo que você está doente. Sem se esconder. Sem mentir. – Eu disse que ele era um perdedor. Que ele não era bom o suficiente para nós. E se não fosse... ele não podia nos manter, estávamos melhor sem ele. – Mas como é sua culpa? – ela olha para baixo. – O que mais você disse, mãe?

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– Coisas ruins. – ela sussurra.


– Eu... eu... Não me faça dizer isso. – Por favor. – Eu disse a ele que seria melhor se ele estivesse morto. Não quis dizer isso. Oh Deus. Oh Deus. É totalmente minha culpa. Tudo é minha culpa. Rastejo para a cama com ela. Mantenho ela em meus braços. Lágrimas escorrem pela minha blusa. Elas estão vindo dos meus olhos. Eu choro e choro até não ter mais lágrimas para derramar. Quando elas finalmente secam, me viro para ela. – Por que você mentiu para mim? – Eu não posso. – Você precisa, mãe. Pela primeira vez desde que papai morreu, me colocou em primeiro lugar. Eu preciso saber tudo. Conte-me tudo. Espero ela enxugar as próprias lágrimas e depois olhar para mim. Há muita tristeza. Tanto remorso. – Quando nós encontramos você... – Nós? – Sim, Richard veio discutir finanças com seu pai. Você vê, nós estávamos falidos. Seu pai sempre foi um sonhador. Um esquema após o outro, cada um mais arriscado que o anterior. Quanto maior o risco...

– Não tinha ideia de que fomos financeiramente destruídos até ouvi-lo implorar a Richard que o ajudasse. Invadi a sala depois que ele desligou o telefone ficou claro. Nós perdemos tudo. Quando descobri, saí do controle, gritando e berrando com ele. O último investimento foi uma propriedade na América do Sul. O desenvolvedor deveria construir um hotel. Ele estava certo de que era uma coisa certa. Quando ele me contou sobre seu novo projeto, implorei a ele que não o fizesse, mas o retorno do investimento deveria ser incrível. Ele não podia dizer não. Estou tão envergonhada de mim mesma. É minha culpa que ele fez isso. Não

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– Maior a recompensa. – eu aceno.


ouvi o tiro. Eu te deixei na casa com ele. Precisava de ar. Ameacei deixá-lo e levála. Eu... eu. . . – ela começa a tremer. – Eu não fiz... – Por favor, mamãe. – imploro para ouvir o resto. Para saber sobre aqueles minutos fatídicos antes de meu pai tirar a própria vida. – Quando parei na garagem, Richard estava lá fora batendo. Não havia ninguém em casa, ele disse. Mas sabia que isso não era verdade. Te deixei com seu pai. Ele estava fora de si quando saí, mas não pensei. Eu não fiz. Você estava na sua sala assistindo a um programa de TV, brincando com uma boneca. Pensei que você ficaria bem. Eu pensei que ele ficaria bem. Oh Deus.. Ele poderia ter te machucado. Que tipo de mãe deixa seu filho? – ela enxuga as lágrimas novamente. – Quando Richard disse isso, eu sabia que algo estava errado. A TV ainda estava tocando quando passamos pela casa, mas você não estava lá. Nós te encontramos, e você estava coberta de sangue, deitada sobre ele. Eu não sei há quanto tempo você estava assim. Mas... mas você não falava. Você não chorava. Você estava catecônica. – Mas por que, se eu o encontrei, por que você me disse que foi um acidente? O que você está deixando de fora? O que você não está me dizendo?

– Mas não houve nenhum acidente. – Não. – E papai se matou. – Por minha causa. – diz ela, soluçando. Estou entorpecida. Me levanto e caminho em direção à porta.

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– Quando te encontramos assim, não estávamos pensando direito, ou pelo menos não estava. Richard nos trouxe para o meu quarto. Ele cuidou de nós. Então ele chamou os policiais. Ele não me disse que ele levou o bilhete até muito mais tarde. Ele sabia que estavamos ruínadas financeiramente e, com a apólice de seguro de vida de seu pai - embora houvesse uma especulação que permitisse o pagamento - ele não queria arriscar. Então, ele pegou a nota e disse que foi um acidente. Quando você finalmente saiu do seu transe e começou a falar de novo, foi como se tivesse esquecido. Então, nunca lhe falamos.


– Você vai me deixar? As paredes estão se fechando. Eu tenho que sair. Eu não posso ficar aqui. Eu preciso sair. Ficar longe do inferno em que fui empurrada. Eu sei que vou quebrar, mas não na frente dela. – Mas eu preciso de você. – ela grita. Eu já saí pela porta. É demais. Meu coração bate no meu peito. Muita informação. É como se meu coração tivesse sido arrancado. Muitas mentiras. Não estou bem. Meus ombros se contraem. Todos os meus músculos ficam amarrados. Coloco minha mão em minhas omoplatas e as massageio. Pontadas vibram pelo meu braço. Me movo desconfortavelmente. O pânico está começando. Se espalhando em minhas veias como venenos me sufocando. Está tudo na sua cabeça. Está tudo na sua cabeça. Você pode controlar o seu próprio medo. Deixe-o ir. Respire. Inspire. Meu peito ainda está latejando. A verdade me quebrou. Eu não sei há quanto tempo estou andando ou até onde meus pés me carregaram.

Eu soluço pelo pai formidável, que se sentia tão desesperado que ele não tinha outra escolha. Eu choro pela dor e culpa que minha mãe carrega dentro dela, e choro por uma decisão que Richard não deveria ter feito. De uma névoa, levanto meu telefone e busco ajuda. Alguém para me ajudar. Meus dedos fazem a discagem. Ele toca e toca, mas ninguém responde, e tudo o

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Eu caio no chão. As lágrimas vêm mais pesadas agora. Minha alma quebrada sangra pelas ruas de Nova York. Eu choro por tudo que pensei que sabia.


que posso fazer é chorar mais forte. Mas então, ouço uma voz vindo pelo fone de ouvido. – Eve? Mas os soluços não param. Eles só aumentam o ritmo ao som da voz do outro lado do telefone. – Shh. Por favor, não chore. Você está ferida? Ainda não há palavras saindo, apenas choramingos sem fim. – Por favor. – ele pausa uma vez. Sua respiração me tira da minha neblina. – Onde você está? – Eu não sei onde estou. – eu finalmente digo. – minha voz é rouca da tensão. – Você está em casa? – Não. – Você está fora? – Na Rua. – Ok, você está indo muito bem. Me diga a rua. Em que rua você está? – Eu não sei. – Você pode olhar para cima? Você pode ver alguma coisa? – Trinta e sete.

– Lexington. Eu tenho que ir. – Por favor, fique no... – sem outra palavra, desligo a ligação. Eu desmorono. Temo que desmaie por causa da corrida do meu coração. Desmoronando na escada do prédio, deixo tudo para fora. Ele martela até doer quando minha pequena

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– Ok, você conhece a avenida?


mão toca a superfície gelada. Um leve brilho de suor se acumula nas minhas costas. À distância, através da minha neblina, ouço meu nome. Lá está ele. Seu olhar me macula. – O que você está fazendo aqui? – murmuro, drenada e vazia. – Eu precisava ter certeza de que você está bem. – Então você me encontrou? – É claro, eu encontrei você. – Você está aqui como meu médico ou como meu amigo? – O que você precisa que eu seja? – Tudo. Eu preciso que você seja tudo. – Então é isso o que eu vou ser. – meus ombros tremem em um soluço. – Eu vou ser qualquer coisa que você precisa. – Por favor, me abrace. – eu imploro. Ele balança a cabeça e senta na varanda ao meu lado. – Não me deixe ir. – Nunca. – ele me puxa para mais perto em seu abraço. Me embala. Meu corpo estremece com outras ondas de soluços. Eles não vão parar. Eles continuam chegando.

– Eu não posso. É demais. – inclino meu queixo para cima, fechando os olhos. – Por favor. – Não foi um acidente. – O que não foi um acidente? Eu não entendo.

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– O que aconteceu? O que está acontecendo?


– Meu pai... Não foi um acidente. Com isso, eu caio para frente, colocando minha cabeça contra suas pernas. Ele traça círculos suaves nas minhas costas. Eles me consolam. Eles acalmam. – Respire. Inspire. Um dois três. Expire. Um, dois três. O ar circula, flui de volta. Ele deve sentir isso enquanto espera, arrastando círculos até que eu me acalme. – O que você quer dizer com isso não foi um acidente? – Encontrei uma carta. Ele fez isto. – Fez o que? O que ele fez? – Ele tirou a própria vida. – eu digo. – Ele perdeu tudo e tirou a própria vida. Nos deixou de propósito. Ele me deixou de propósito. – choro. – Por que nunca sou suficiente? Preston me segura. Ele segura meu corpo trêmulo contra o dele até que não consiga chorar. Até que nenhum soluço deixe meu corpo. Até que esteja entorpecida. – Por favor, não me abandone. – sussurro. – Shh. Shh Estou com você. – Por favor, não me deixe. – eu grito novamente.

– Nunca. – ele se levanta e me levanta, pegando meu peso. – Onde estamos indo? – Estou levando você para casa. Com passos lentos e estáveis, Preston me guia até Lexington até chegarmos a trigésimo quinta. Espero que ele continue, mas, em vez disso, vai para o quarteirão e sobe até o paredão, onde busca as chaves.

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Desta vez levanto a cabeça para encontrar seu olhar. Disse muito mais do que as palavras podem dizer, mas ele entende todas as palavras.


– Não queria deixar você. Preciso ter certeza de que você está bem. Então, eu te trouxe para a minha casa. – Obrigada, Preston. Juntos nós entramos em seu apartamento. Ele pega meu casaco e o pendura na porta da frente, então me leva para a sala de estar. – Diga-me o que aconteceu? – É tão difícil de dizer. De entender. Ele balança a cabeça e pega a minha mão na sua, apertando com segurança. – Estava no apartamento de Richard, limpando seu armário e encontrei uma caixa. Dentro estavam todos os tipos de pertences pessoais. Os papéis do investimento da minha mãe, a escritura do apartamento que a empresa comprou para nós na construção. Então havia um livro. Um livro de Jane Austen. Quando eu agarrei, uma carta saiu. Todas as palavras secam. Elas parecem como giz. Dentro, fora. – Estou com você

– Sei que você está com raiva agora. E é compreensível que você culpe sua mãe. Mas seu pai estava obviamente passando por algo muito emocional e não pensando racionalmente. Ele sentiu que não tinha outro jeito de esquecer sua própria vida. Por mais que você queira culpar sua mãe, você não pode. Do que você me contou sobre ela, é óbvio que ela se culpa o suficiente. Você precisa perdoá-la. – E ele? Como eu o perdoo? Como perdoo o fato de ele não ter o suficiente para ficar?

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– Ele disse que sentia muito. Ele disse que minha mãe estava certa sobre ele. – tomo ar. – Mamãe disse a ele que estávamos melhor sem ele. Ele havia perdido tudo e ela disse isso a ele. – ele acena em compreensão. – Como ela pôde dizer isso? Como ela poderia dizer a ele que estávamos melhor com ele morto? É culpa dela.


– Você tem que saber em seu coração, que ele realmente sentiu que não tinha outra opção. Ele estava com dor. Perdoe-o e ame-o apesar de suas ações. – Eu não sei se posso. – Você pode. E você vai. Você é uma pessoa incrível, e se alguém pode perdoar, é você. – Como você sabe disso? – Porque acredito em você. – e novamente ele diz as palavras. As palavras que estou tão desesperada para ouvir. As palavras que preciso ouvir. – Será a cura para o seu desgosto. Perdoe ela. Perdoe-o. – Você fala como se soubesse. – Sim. – levanto minha sobrancelha para ele. – Não, isso é sobre a sua perda. Não quero que seja sobre a minha. – Ou você simplesmente não confia em mim com essa parte de si mesmo. – Confio. – ele solta um suspiro. – Eu te disse que quando estava na faculdade tinha uma namorada. Nós namoramos desde o colegial. Ela era incrível, mas havia outro lado dela também. Eu sei que ela sofria de transtorno bipolar agora, mas na hora, bem, obviamente não sabia. Ela era imprudente e divertida, mas quando estava fora, era ruim... – sua voz se esvai. – Ela cometeu suicídio um ano. – Sinto muito. É por isso?

– Pesadelos? – sussurro para mim mesma, olhando para ele, deixando o pedaço do quebra-cabeça se encaixar. – Oh, meu Deus. Todo esse tempo você está tão assustado que o que eu tinha era a transferência, você estava comigo porque... Eu sou uma substituta? Estou de alguma maneira fazendo você corrigir seus erros?

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– É por isso que me tornei psicólogo? Sim. Nunca vi os sinais. Se soubesse, poderia tê-la ajudado a superar seus pesadelos. – meus olhos arregalam em sua escolha de palavras. Meu coração bate freneticamente no meu peito.


O autocontrole de Preston se encaixa. Ele se inclina para a frente e cobre meu rosto, e antes que saiba o que está acontecendo, me encontro sendo beijada com abandono. Quando nos separamos, sua respiração irregular faz cócegas em meus lábios. – Como você pode duvidar de mim? Como você pode imaginar que isso é outra coisa senão o que é? – E o que é isso? O que você sente por mim? – Tudo. Eu sinto tudo por você. Você é tudo em que penso. Você é todo o sonho. Cada segundo que não estou com você é um segundo a mais. Você não acha que isso está me matando? Você não acha que estou sofrendo também? E com isso, nossa boca escorrega e meus lábios se separam novamente. Provando a boca um do outro, saboreando cada passada da língua. A sensação de seu polegar correndo sozinho a curva do meu queixo faz me abrir para ele. Ele me leva em um beijo que tudo consome. Braços fortes me puxam para mais perto. Eles me cercam, me engolem. Eles me fixam nele. Seu toque é eletrizante. Cada centímetro da minha pele queima para sentir mais. Para experimentar mais desta sensação.

Seus olhos azuis gelados me estudam. Ele fica em silêncio enquanto tira suas roupas... e depois remove a minha. Meu corpo treme com a emoção que circula ao nosso redor. Isso é mais do que sexo. Isso é mais do que conforto. Ele pode não dizer isso, mas vejo isso em seus olhos. Isso são duas pessoas se apaixonando. Quando ele volta em cima de mim, ele dá pequenos beijos no meu pescoço, arrastando-os até a cavidade do meu peito. Suas mãos quentes me sentem.

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Preston alivia de volta até que nossos olhos se trancem. A sensação de sua respiração faz cócegas em meus lábios. Nossa respiração se mistura. Nossas bocas mal tocam enquanto nós inalamos um ao outro. enquanto ele me levanta em seus braços e caminha até o quarto. Uma vez no quarto, ele me coloca na cama e dá outro beijo profundo antes se elevar mim.


Meu corpo se arqueia em seu toque. À sensação de seus dedos acariciando cada mamilo. Com a sensação dele acariciando os bicos duros. A ponta de sua língua os excita. Um, depois o outro. Ele lambe com precisão cuidadosa até que esteja com prazer. Eu preciso de mais. Muito mais. – Por favor. – imploro e ele responde meus pedidos rastejando pelo meu corpo. Um suspiro irregular ecoa pelo quarto. Seus dedos são o catalisador do meu frágil desejo. Sua mão desliza entre nós, alinhando-se com o meu núcleo. A urgência enche meu sangue. A necessidade de senti-lo dentro de mim é tudo que posso pensar. Em geral, eu agarro seu comprimento duro, provocando minha pele sensível. Ele empurra para frente, e quando ele entra em mim, tira o meu fôlego. Desejada, e minhas pálpebras se fecham quando ele me pega de novo e de novo. Com cada empurrão, me perco mais para o sentimento. – Abra seus olhos. Eu quero te ver. Quero ver você toda. Quando eles se abrem novamente, me perco em um mar azul. O mundo inteiro se afasta. Com suspiros e estremecimentos, a conexão é interrompida. Através de tremores e soluços nos abraçamos. Meu corpo se aperta ao redor dele. Suas mãos se aprofundam em minha carne enquanto seu corpo inteiro empurra dentro de mim. Preston se inclina e beija a cavidade macia do meu pescoço, lábios macios.

– Você ajudou. Por estar aqui. Ao se abrir. Me contando sua história. Cada parte de você que me deu, me ajudou. – ele olha para longe de mim. – O que é isso, Preston? – ele não olha para mim. – Apenas me diga. – Eve. – Não, você não chega a mim. Não depois disso. Você sabe que significou alguma coisa. Você sabe que significa mais. Você pode ver isso? – Nós ainda não podemos estar juntos. Sou seu médico.

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– Continuo fazendo isso, e sinto que estou me aproveitando de você. Quero você, quero mais do que você jamais saberá, mas isso deveria ser mais do que o meu prazer. Isso deveria ser sobre eu te ajudar.


– Você não é mais meu médico. – Semântica. – Como você pode dizer isso depois de tudo? O que temos, significa mais que isso. Como você pode me afastar agora? Você está assustado? É isso? Com medo do que eu poderia me tornar? Que eu poderia ser como ela? Por causa do meu pai. – Estou com medo. Mas não disso. Estou com medo de tudo o mais, tudo que nós tivemos, e tudo que você aprendeu, seria tudo por nada se fizer isso. Se continuarmos por esse caminho. Mesmo que você não seja mais minha paciente, isso não significa que não vou ter problemas se formos descobertos. Eu ainda poderia ter minha licença caçada. Eu não poderia mais ser voluntário no hospital. Não poderia ajudar as pessoas. E para ser honesto depois, o que acabamos de descobrir sobre o seu pai, pode até ser um caso mais forte de transferência. Entre a perda de Richard e agora a memória reprimida de seu pai, você pode estar projetando seus sentimentos de abandono em mim. Você pode querer uma figura mais velha para proteger você e até você saber que não é, que não é transferência que você está sentindo, nós não podemos. – Por favor, não me deixe. Você é tudo que tenho. – Mas esse é o problema. Não posso ser sua muleta. Você precisa aprender a se manter. – suas palavras pairam no ar. Elas roubam o oxigênio como um gás venenoso, lentamente matando pedaços de mim. – Então, e agora? – digo, ainda deitada em seus braços. Nossos corações ainda batem em conjunto.

– E como foi isso? Desejando todos os dias que pudesse reescrever a história, e que nunca tenha entrado no hospital para trabalhar naquele dia. Tenho desejos também, mas o meu não falarei... Diga que sou o suficiente. Sacrifíque-se. Lute por mim. Espere por mim.

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– Voltamos ao que era antes.


Capítulo Trinta e Cinco

Preston Não vejo a Eve a três semanas e estou infeliz. Então, miserável pra caralho basicamente tudo o que fiz desde que disse a ela que não poderíamos estar juntos é trabalhar e ser completamente anti-social. Finalmente a afastei com sucesso e cortei nossos laços profissionais e relacionamento pessoal e deveria sentir alívio por isso, mas não. Em vez disso, ela é tudo o que penso de dia e noite. Sinto todas as coisas que pensei que nunca sentiria novamente. Todas as coisas que tentei excluir todos esses anos depois que perdi Sloane. Mas isso é diferente. É muito pior, porque o jeito que me sinto por ela é muito mais.

É o Jace. Olho para baixo e baixo e eis que estou certo. É ele. Desde que não apareci nos últimos três jantares de domingo à noite, não é de admirar que ele esteja ligando. Evitar minha família como a peste obviamente não passou despercebido. – O que? – respondo, nem mesmo fingindo esconder minha atitude. Não estou no humor para uma palestra sobre como a mamãe quer me ver novamente. Isso foi na ligação da semana passada.

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Com meu copo de uísque na mão, coloco meu corpo no sofá. Assim que começo a relaxar, meu telefone vibra na mesa de café. Eu sei quem é.


Eu já sei. – O que diabos você tem? Tudo. – Nada. – É sobre essa garota? – Ela não é "essa" garota. – ela não é uma garota, deixo escapar antes de perceber o que estou dizendo. Merda. Agora ele vai fazer perguntas. – Ok, fala. É hora de me dizer o que diabos está acontecendo com você? – Eu conheci uma garota. – soltei uma respiração profunda e irregular. – É mais do que isso, no entanto. – Estou ouvindo. – Ela era minha paciente. Aqui está eu disse, a verdade finalmente está lá fora. Sem mais evitar a verdade. Agora tudo o que posso fazer é me preparar para a sua resposta, para o seu julgamento. – Porra. – Sim. – Então, o que você vai fazer? – não há nada em sua voz, além de preocupação, e isso faz meus ombros caírem de alívio. É muito ruim perder a Eve, mas ter o Jace desaprovando teria me sugado.

– Então, qual é o problema? – Eu quero mais. – admito com um suspiro. – Sim, posso ver como isso poderia ser um problema. Eu entendo, mas você não acha que vale a pena arriscar algumas coisas? Não sei quem é essa garota mas se ela é a que Logan não para de falar, eu diria que ela vale a pena.

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– Eu tive que deixá-la ir.


Ela é. – Não é tão fácil. – Por que diabos não? – Bem, então o óbvio, ela sendo uma ex-paciente e tudo, há também o pequeno problema de Sloane. – Então e ela? – Bem, talvez eu esteja sofrendo de contra-transferência? – sussurro. Ainda posso ouvir as palavras da Eve se repetindo na minha cabeça. Isso foi por causa de Sloane? Eve foi algum tipo de substituição doente? – Acho que é hora de você voltar e começar a falar com alguém novamente. O fato de que você está considerando isso, significa que você não terminou com o que aconteceu. eu acho que essa garota é especial. Acho que ela pode valer a pena arriscar, mas você nunca saberá até enfrentar seus problemas com Sloane. Ele tem razão. Eu tenho. Quando a Sloan morreu, deixou uma mancha na minha alma, uma que anos depois ainda não me deixou. Sloane ligou no dia em que teve uma overdose. Estava bravo com ela, então a mandei para o correio de voz. Ela precisava de mim e não respondi. Deveria ter visto os sinais. Deveria ter atendido o telefone. Essa decisão ainda me assombra todos os dias. E embora não acredite que meus sentimentos por Eve sejam equivocados, ainda preciso descobrir. Preciso saber, não só para mim, mas por Eve também.

– Por quê você está aqui? Você não me vê há algum tempo. Algo aconteceu? Considero o que dizer. Não posso contar a ela sobre Eve. Ou pelo menos não posso divulgar que ela era uma paciente, então chego o mais perto da verdade possível sem passar do limite. – Conheci uma garota. – meus dentes mordem meu lábio enquanto determino

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Os terapeutas realmente são os piores pacientes. Sentado aqui esperando pelo Dr. Audrey Kenner falar é agonizante. Estou pronto para sair porta afora, quando finalmente vejo ela tirar o caderno e se virar para mim.


como proceder. – Ela parece com a Sloane e ela passou por muita coisa. Ela é... problemática. Temo que meus sentimentos possam estar fora do lugar. – Você acha que está se apaixonando por ela na tentativa de curá-la, consertála como você não conseguiu consertar a Sloane? – Não tenho certeza. – Quando você começou a ter esses sentimentos por ela? – Sempre achei que ela era linda, mas quando a vi, de verdade, sabia que ela era mais do que um rostinho bonito. – E quando foi isso? – Quando ela fez meu sobrinho sorrir. – Acho que você acabou de responder sua própria pergunta, Preston. – levanto minha sobrancelha para ela e espero que ela continue. – Você não se apaixonou por ela porque ela era fraca, você se apaixonou por sua compaixão, sua força, sua resiliência. Quando ela foi capaz de colocar sua própria tristeza de lado e colocar seu sobrinho em primeiro lugar. Ela estava certa. Tudo o que disse estava certo. Isso ia além de Sloane. Eu me apaixonei por ela... Estou apaixonado por ela.

– Preston. Gostaria de falar com você um pouco sobre a Sloane agora, na verdade. Se você puder me dê mais alguns minutos, estou um pouco preocupada com isso. Faz anos desde que você veio aqui e falou sobre isso. Você se tornou um terapeuta por causa disso, mas em que ponto isso é suficiente? Em que momento você se perdoa e acaba por se punir por não ter visto os sinais? Você era criança.Você ainda estava na escola. Você não era um psicólogo, então como você poderia saber? Como você poderia salvá-la? Já faz anos. Você realmente tem que parar de se punir e viver sua vida. Seja feliz. Ela teria desejado isso para você. Ela está certa. Preciso. Sei exatamente como fazer isso. Preciso me permitir ser feliz.

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– Eu tenho que ir. Preciso dizer a ela.


Capítulo Trinta e Seis

Eve Anotações no diário Ele estava certo? Estou projetando meus sentimentos, meus problemas de abandono, minha necessidade de conforto nele. Não, não acredito nisso. Não acredito nisso. Pode ser que começou assim, mas isso não significa que é isso. Não importa onde você começa, e sim onde você acaba. Talvez a atração inicial tenha começado ni lugar errado, mas quando o seu coração começa a amar alguém, isso não diminui o que é real. Certo? Isso é tudo o que tenho pensado nas últimas três semanas. Mesmo com o tempo passando, não consigo parar de pensar se ele está certo. Que é assim que começou. Estou deitada na cama quando meu telefone toca. É tarde em uma noite de sexta-feira, Sydney está fora, estou de mau humor no meu quarto. Pegando, verifico o identificador de chamadas.

– Alô? – Onde você está? Preciso falar com você. – meu estômago se fecha. Porque ele está tão desesperado para me ver, para falar comigo? Aconteceu alguma coisa? – Estou em casa. Você está bem?

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Puta merda, é Preston.


– Preciso ver você. – Você pode me dizer o que está acontecendo? Você está me assustando. – Estou chegando. Eu vou te ver... – Não. – o interrompi. Pulo da cama e saio da sala. – Vou até você. Eu desligo.

.................................................................................... Quando bato na porta, ele abre. – O que está acontecendo? Por que você estava tão desesperado... – ele me puxa para ele e pressiona a minha boca na dele. Empurro o seu peito para nos separar. – Pare com isso. O que você está fazendo? – arqueio, tentando recuperar o fôlego. – Perdi você, Eve? – Do que você está falando? Por que estou aqui? O que você precisa dizer que era tão importante? – Precisava te dizer que te amo, que não quero te perder. Que vou desistir de tudo para ficar com você. Te perdi antes. Não estou disposto a te perder novamente.

– Onde você está indo? – ele pergunta quando me puxa para mais perto. – Estou fazendo a coisa certa, estou te salvando de você agora mesmo. – Foda-se a coisa certa. – Você disse antes que você seria arruinado. – Sei o que eu disse e não dou a mínima. Preciso de você. Preciso tocar em

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– Não, Preston. – dou um passo para me afastar.


você. Preciso te provar. Preciso sentir o céu que sinto quando tenho o seu corpo. E acima de tudo, preciso amar você. Não há palavras suficientes para lhe dizer o quão errado estava. Você não é uma garota. Você não é apenas um desejo proibido. Você não vê o que você é? – Não. – Deus. Você é tudo. Somos tudo... Juntos. Quando estou com você tudo é possível. Nunca pensei que encontraria alguém que me fizesse sentir desse jeito. Depois da Sloane, os relacionamentos não eram uma opção, mas com você é muito mais. Com você, as possibilidades são ilimitadas. Amar, respirar, sorrir, rir... Não posso fazer essas coisas sem você, e nunca iria querer. Quero chorar, mas principalmente quero perdoá-lo e pular em seu braço e nunca deixar ele ir. – Tudo o que disse estava errado. Tudo, mas eu te amo. Porque não importa onde estamos ou o que nos tornamos, esse amor sempre estará certo. – Preston declara. – Mas e... – Não dou a mínima para nada disso. Sairia pela porta agora mesmo de mãos dadas com você se isso significavasse que você seria minha, que estaríamos juntos.

– Você é a minha única preocupação. Não dou a mínima se perder o meu emprego, minha prática. Não dou a mínima se perder tudo, contanto que não perca você. Eu passei o últimos meses me torturando para lutar contra esse sentimento, e então tive você. Se pensei que era ruim antes, agora que sei como você é, não posso desistir de você. Preferiria desistir do meu trabalho. Prefiro encontrar outra coisa para fazer. Poderia trabalhar para o meu... – Não. Não posso deixar você fazer isso. – o interrompi. – Você ama ajudar pessoas. Isso é o que te dá alegria. Nunca tiraria isso de você. Não vou deixar você fazer isso. – Tente me impedir. Eu te amo, só você, pra sempre você.

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– E a sua carreira? E os seus pacientes?


Os lábios de Preston encontram os meus, sua língua macia mergulhando dentro da minha boca. No começo é suave e amoroso. Mas quando os segundos passam, nossas bocas colidem em um frenesi. Apaixonado. Meus braços envolvem seu pescoço por conta própria. Primal e desesperado precisando intensificar o beijo. Sei que está errado. Sei que preciso sair, mas me permito ser levada para longe. Eu me deixei acreditar mais uma vez que isso é apenas um sonho e nós podemos ser felizes juntos. Ele sorri e me puxa para mais perto. – Eu te amo. – uma ponta do seu dedo traça através da minha mandíbula. Envolvo as minhas mãos em seu cabelo despenteado. Nos beijando. Nós nos movemos juntos como se fossemos um ser. Deixo qualquer resistência ou argumento ainda buscando refúgio no meu corpo. Em vez disso, me agarro a ele. Ele chega em mim, me puxando em seus braços. Dedos macios virando meu queixo para cima. Suavizo meu corpo no dele quando ele se aproxima, nossos lábios quase se tocando. Sua respiração acaricia meus lábios.

– Sim. Eu estou apaixonads por você. É você... Sempre foi você. Ele é tudo. Meu ar, minha alma. Dando um passo para trás, meus dedos percorrem a camisa dele. Um por um eu solto cada pequeno botão. Então deslizo minha mão até o cinto de suas calças. o material bate no chão. O som ecoa enquanto espero para ele me despir. As mãos dele Encontram a bainha do meu vestido e a levanta, e quando ele

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– Você me ama? – ele pergunta.


alcança minha calcinha, ele a puxa para o lado e passa o dedo contra o meu núcleo. Provocando. Mas os dedos dele não dão continuidade aos cuidados. Em vez disso, ele ergue o material sobre minha cabeça, expondo meu corpo quase nu para ele. Olhos azuis me varrem. Eles dilatam e brilham com fome. Ele geme enquanto me puxa para mais perto. Estamos tão perto que sinto o coração dele batendo no meu peito. – Preciso de você. Mãos ásperas. Seus dedos soltam meu sutiã. – Já faz uma eternidade desde que senti você em mim, desde que me enterrei dentro de você. Minha calcinha é a próxima, deixando-me completamente nua para ele. Com uma força que eu não esperava, ele murmura mais uma palavra e depois sua boca desce. Me reivindicando. Me possuindo. Respondo a ele com o meu próprio desespero, frenético e quente. Desesperada e carente de mais. Com uma última varredura da língua, nossoz corpos se estende sobre suspiros. Leve como uma pena, Preston me levanta, embalando-me até chegarmos ao seu quarto.

– Porra. – ele deixa escapar, e olho para ele através dos olhos encapuzados. – Preciso estar dentro de você. – rastejando de volta para cima de seu corpo, eu o alinho com o meu núcleo e, lentamente, o afundo. Uma sensação de poder me atravessa enquanto o levo totalmente. Uma vez que está todo dentro, meus quadris começam a girar, e então balanço para cima e para baixo. Nada jamais se pareceu tão bom. Virando-me de costas, ele empurra dentro e fora do meu corpo. Minhas unhas arranham seus ombros enquanto me preparo para cada empurrão e puxão de

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Ele cobre o seu corpo com o meu, deixando-me levar. Me permitindo o controle. Minha língua lambe a curva de seus lábios. Então, recuo, mordiscando enquanto vou. Um gemido de protesto escapa dele, mas apenas dou a ele um sorriso tímido enquanto pressiono beijando seu pescoço e seu torso até o V de seu abdômen. Com cada centímetro que tráfego, a respiração de Preston fica mais irregular. Cada puxão de oxigênio se torna mais demorado de absorver. Quando alcanço o meu destino desejado, o acho duro e pronto. Minha língua passa contra ele, provocando uma série de maldições e gemidos.


seu corpo. Ele bate em cima e de novo, movendo seus quadris mais rápido. Mãos fortes pegam meu quadril. – Olhe para mim. Nós dois vamos gozar juntos. Estou sem fôlego Explosões irregulares escapam. Nossos movimentos se tornam frenéticos. Agarrando. Empurrando. Ofegando. Suspirando. Ele faz amor comigo como um homem desesperado. Como um homem faminto. Como um homem disposto a tomar posse de mim. Como um homem tentando me possuir. Meu corpo treme e estremece quando ele sai e depois entra de novo. – Eu... Empurrando – Amo você pra caralho. Empurrando – Você é minha. – ele empurra mais fundo. – Você entende? Não me importo como, mas você é minha. Neste momento, nesta cama, eu me entrego a ele completamente. Meu corpo se contrai e pulsa ao redor dele, assim como todo o seu corpo se sacode com seu próprio clímax.

Às vezes, mesmo que doa além do compasso, você precisa fazer a coisa certa. Quando olho para ele do outro lado da cama, percebo que é o que preciso fazer. Tanto quanto vejo o futuro, tanto quanto posso me ver em um amor que tudo consome com ele; Por mais que imagine que, junto com ele, meus ataques de pânico acabaram e meus pesadelos se transformaram em sonhos, não posso fazer isso. Não posso ficar com ele. Não seria justo. Não sou a mulher que deveria ser ainda, e ele merece essa mulher. Eu mereço ser essa mulher também. Preciso chegar a ele completa, não partes quebradas de mim mesma. Eu

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– Deus. – ele grita com seu orgasmo. – Você pertence a mim. Esta conexão nunca irá quebrar. Você sempre será minha.


preciso ser forte. Preciso provar a ele que posso ficar por minha própria conta. Que isso não é transferência. Que não estou apaixonada por ele por causa de alguma coisa que estou preenchendo. Embora meu coração doa por ir embora, sei que tenho que fazer. Não só pelo meu crescimento, mas também pelo dele. Ele pode não pensar que ele tem contra-transferência, mas uma pequena parte dele ainda acha que tem. Nós dois precisamos nos encontrar. Quando chegar a hora depois de ter crescido, e se os sentimentos estiverem ainda lá, podemos ver o que acontece, mas agora a minha prioridade sou eu, e ele precisa ficar em paz com sua própria tragédia.

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Com uma mão trêmula, começo a escrever. E quando termino, meus dedos tremendo pegam a carta e colocam no meu diário. Eu me pergunto se é aqui que a nossa história termina. Será este o meu único presente para ele? Meu diário. Tudo do que está em meu coração. Virando, eu me afasto. Eu não posso olhar para trás. Eu sei que se eu fizer, nunca irei.


Capítulo Trinta e Sete

Preston Rolando pela cama, procuro por Eve. Para segurar seu corpo forte em mim, para sentir seu corpo quente em baixo de mim. Enquanto minha mão a procura, eu não nada e o local está frio. Meus olhos se abrem, mas eu me encontro com o vazio. Onde ela está? Começo a me levantar da cama para encontrá-la quando tudo dentro de mim congela. Lá, do lado contrário ao meu lado da cama está um diário. Mas esse não é meu diário. Não pertence a mim. Ele pertence a ela. Me movo rapidamente para pegá-lo.

Caro Preston Escrevi e reescrevi esta carta, e a verdade é que nunca vou realmente ser capaz de lhe dizer como é difícil escrevê-la. Nos últimos meses você me ajudou a aprender muito sobre mim mesma e tenho me inspirado a encontrar a minha felicidade. Você é minha felicidade, mas ter você agora seria egoísta e injusto com você. Eu te amo.

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Para entender por que ela deixou aqui. E quando abro um pedaço de papel cai na cama.


Mas o que aprendi é que às vezes o amor não é suficiente. As vezes não é quase o suficiente. Obrigada por acreditar em mim antes que soubesse como acreditar em mim mesma. Por favor, não me esqueça. Um dia espero estar de novo em seus braços, como uma mulher curada. Uma mulher completa. Eu não vou te esquecer também. Por quanto tempo viver, vou te amar. Mas agora, estou te libertando. Eve

Ela me deixou. Ela me deixou. Meu coração bate no meu peito com emoções furiosas dentro de mim. Me libertar? Não estou livre. Eu nunca serei livre, não quando ela é dona do meu coração. Não quando estas palavras que ela escreveu me deixou despedaçado. É como se houvesse um vento chicoteando meu coração, puxando-o separado e rasgando-o em pedaços. Os sentimentos me arrastam até temer que posso nunca sobreviver a esta tempestade. Deito de volta na minha cama. As horas devem passar enquanto deixo tudo entrar. Como eu percebi não foi o suficiente.

Mas então meu lado racional entra em ação. Ela está certa. Sei que ela está certa. Eu tenho que deixá-la ir. Ela precisa de espaço para descobrir quem ela é e acreditar em si mesma. Ela precisa se concentrar em reconstruir o seu relacionamento com a sua mãe e perdoar o seu pai. Não significa que não vai me quebrar todos os dias no tempo que nos separar. Sei que vai. Mas estou disposto a arriscar, porque não há dúvidas de que a amo. Por que nos apaixonamos por

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Poderia ter tentado desistir de tudo por ela, mas não foi o suficiente. Eu estava muito atrasado. Não consigo compreender o que fazer agora. Como faço para seguir em frente a partir disso? Como eu deixo ir? Eu luto por ela? Apesar do que ela diz, devo lutar?


pessoas que não podemos ter?

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Talvez não possa tê-la hoje, mas tenho que ter fé que talvez um dia nós vamos ter um futuro. Somos duas peças de um quebra-cabeça e, eventualmente, seremos colocados de volta juntos.


Capítulo Trinta e Oito

Eve Estaria mentindo se não admitisse para mim mesma por que estava passando na trigésima quinta Rua. Às vezes me vejo passando por sua rua quando quero me sentir perto dele, quando quero lembrar as lições que aprendi ao vê-lo. Hoje, Preciso da força dele. Hoje faz três meses desde que o vi e preciso encontrar a força para sair do meu mau humor e fazer uma mudança. Todos os dias desde que cheguei as referências de Preston, olhei para os nomes, mas não encontrei força para ligar para eles. Eu sei que tenho que fazer, mas adiei. Sydney pensa que estou esperando por alguma ação maluca de Preston, que vai cobrar e exigir que mude de ideia.

Hoje ando pelo Park e, como de costume, olho para a rua. É quando o vejo. Ele está do outro lado da rua. Preston, o homem que não consigo tirar da cabeça, e pior, o que não consigo tirar do meu coração. Estreito os meus olhos para dar uma olhada melhor. Ele está empoleirado na varanda. Sua cabeça está curvada e linhas finas pintam sua testa. Quando ele finalmente levanta a cabeça, o olhar em seus olhos me assombra. Eles falam de uma dor profundamente enraizada que nunca poderia imaginar. Eu

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Sei que ele não vai. Ele não pode. No fundo, ele sabe que isso está certo.


coloquei essa dor lá, e faria qualquer coisa em meu poder para tirá-la, mas não seria justo para ele agora. Não quando ainda estou tão ferrada e quando ainda não podemos estar juntos. Não. Hoje não é a hora certa. Mas espero que em breve seja, e eu sei o que tenho fazer. Levantando minha mão, meus dedos encontram o colar que ele me deu e o acaricio suavemente. É hora de parar de me esconder. É hora de encarar meus pesadelos e aprender a perdoar. Hoje é o dia em que faço a mudança. Ando antes que ele me pegue olhando e vou na outra direção, deixando uma parte de mim naquele canto com ele, mas prometendo encontrar todos as outras peças e me recompor. Examino a interseção da direita para a esquerda. Existem algumas escolhas que posso fazer. Ir para casa fingir que minha vida não está acontecendo e continuar a me esconder na minha cama, ou enviar a Sydney um texto e finalmente começar a viver novamente. Ver Preston faz meu coração doer, mas também sei que ele não quer que fique triste. Então pego meu telefone e enviovuma mensagem para Sydney.

Sydney: Sim. Eu: Dez minutos? Sydney: FEITO!

O Corner Bar está lotado como de costume. Do outro lado da sala, vejo

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Eu: Bar?


Sydney acenando para mim. Minha boca se espalha em um grande sorriso. Pela primeira vez em um longo tempo, sinto como se estivesse bem. – O que, garota! – Sydney joga os braços em volta do meu pescoço e começa saltando para cima e para baixo. – Eu senti sua falta. – Syd, você sabe que moramos juntas, certo? Você me vê todo dia. Como pode sentir minha falta? – Eve. – seus olhos se estreitam. – Você esteve em um mal humor por semanas. Não saberia se morava em qualquer lugar. – Você está certa. Mas estou de volta agora. – Bem, você sabe o que isso significa? – Doses de Tequila? – dou um sorriso brilhante e ela começa a rir. – Uma garota que mora no meu próprio coração. – Sydney vira para o Austin. – Duas doses de tequila, extra gelada. – ela exclama. Ele volta e coloca as duas doses geladas na nossa frente. – Celebrando alguma coisa? Ele pisca. – Não. – digo quando Sydney diz que sim. Volto a minha atenção para trás e levanto a sobrancelha. – Nós estamos? – Sim.

– Você, é claro. – ela responde. – Eu não entendo. – É bom ter você de volta. – ela sorri e pego a dose e tomo um gole. – É bom estar de volta. Isto é. E amanhã, a primeira coisa, vou ligar para os nomes na lista.

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– E o que, por favor diga, estamos celebrando?


– Do que você está sorrindo? – Sydney pergunta. – Nada. Apenas feliz, acho. – e pela primeira vez em muito tempo, me sinto feliz. Sinto esperança. Porque sei o que preciso fazer e vou fazer. Vou parar de fugir do meu passado. Eu vou enfrentar meus medos e me descobrir e isso vale a pena comemorar. Mais uma vez estou no precipício da mudança, mas desta vez em vez de estar no escritório de Preston, me encontro em uma pequena sala, esperando para ver minha nova terapeuta. O nome dela é Dra. Beckett, e pela aparência das coisas, ela não será nada como o Dr. Montgomery. Onde ele era chique, esse espaço é caseiro. Sofás confortáveis revestem as paredes do que parece ser um antigo salão de um arenito em uma aldeia oeste. É singular e parece uma casa. Com tudo que passei, saúdo isso. Dra. Beckett não estava na lista que Preston me deu. Precisava de uma folga. Então perguntei pelo escritório, apenas desta vez não escondi que estou tendo dificuldades em lidar com a morte de Richard e algumas outras coisas na minha vida. Surpreendentemente, todos apoiaram. E agora que eles sabiam que minha mãe não tinha interesse em assumir o controle, eles se uniram mais e mais. Não é só Sydney e eu mais para o almoço. Agora Natalie vem junto, e Barry também. Depois de me desculpar por me assediar, ele realmente não é tão ruim assim. Hoje começa o próximo passo na minha jornada. Não sei como essa nova história vai terminar, mas espero que eventualmente me leve de volta para Preston. Tudo o que posso fazer é dar uma respirada profunda e torcer para conquistar meus medos e aprender a perdoar.

– Olá, Eve. Eu sou a Dra. Beckett. – Oi. – digo enquanto me levanto e estendo a minha mão. – Você está pronta? – ela sorri e aceno. – Estou. Eu finalmente estou.

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A porta se abre e de lá sai uma mulher alta de meia idade.


Quando minhas sessões com a Dra. Beckett vêm e vão, o tempo muda de dias sufocantes para dias vivos. Laranja e vermelho sangram das folhas e o ar é fresco com a chegada do outono. As semanas se transformaram em meses. Nós falamos sobre tudo. Bem, tudo exceto Preston Montgomery. Ele é um tópico que não vou violar. Eu mantenho o nosso tempo juntos firmemente no meu coração e memória. Agora o foco está em mim. Estou trabalhando em perdoar minha mãe e Richard por mentir para mim. A omissão da verdade de Richard foi mais fácil para mim. Ele estava em uma situação inimaginável e fez a única escolha que podia. Levei muito tempo para perdoar a mamãe e ainda mais tempo para perdoar meu pai. Dia após dia e semana a semana, chego perto do perdão. Como o Preston disse, nunca entenderia a pressão que ela estava sofrendo. Mas pouco a pouco passo pela raiva e abro meu coração para amar. Hoje é um dia para seguir em frente. – Mãe, você está decente? Você está vestida? – digo quando bato na porta. – Sim. – Eu tenho alguém aqui para conversar conosco. Podemos entrar? – Hum. – ela murmura através da porta. A abro um pouco.

– Eu sei, mãe, mas vai ser rápido. Ela só quer falar com você. Nós queremos falar com você juntas. Dra. Beckett acha que isso será bom para nós. Eu também acho. Não podemos mais deixar nosso futuro ser ditado pelo nosso medo do passado. Precisamos seguir em frente. – Tudo bem. – ela murmura. Beckett e passamos pela porta e entramos no quarto. Mamãe está sentada na cama. Tinha ligado antes e avisado que ela deveria estar vestida hoje. Estou feliz em ver que ela está de calça e camiseta. Ela está até usando uma maquiagem leve. Ela está tentando, e esse pensamento faz lágrimas encherem

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– Estou um pouco doente.


meus olhos. Nós nos sentamos nas cadeiras situadas ao longo da janela dentro de seu quarto. Ela fica onde está. A Dra. Beckett começa e depois deixamos minha mãe falar. Pela primeira vez, desde que me lembro, ela me conta como era ser casada com papai. Fico de olhos arregalados enquanto ela relata histórias que nunca compartilhou antes. Lágrimas escorrem pelo meu rosto com a ideia de que eles já estiveram apaixonados. Que minha mãe estava mais velha do que ela era. É quase demais para aceitar, mas quando faço, algo estranho acontece. Eu me vejo rindo, sorrindo e perdoando. Quando a Dra. Becket me pergunta se eu tenho algo a dizer, eu tenho. – Mãe, é hora de você se perdoar. Não foi sua culpa. Todo ano, uma parte maior de você morre. Sua culpa te devorou. Tem que parar. Todo dia que temos é um presente. Você precisa continuar vivendo pelo papai. Você precisa viver sozinha. E para mim. Preciso que você seja minha mãe. Preciso saber que você está aqui. Ela balança a cabeça e nos sentamos em silêncio. Eventualmente, pego sua mão na minha e digo suavemente, se ela pode me dizer como ela conheceu meu pai e ela faz.

Ele é a razão pela qual isso está acontecendo agora. Ele foi o catalisador de medo disso. Para ir até ele no futuro, preciso curar meu passado. Este é o primeiro passo - minha mãe e eu perdoamos a nós mesmas. Isso não será um sucesso excessivo. Levará algum tempo até que ela possa falar novamente sobre o que aconteceu naquela noite. Mas estou disposta a tentar. Estou querendo.

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As histórias abrangem tópicos de todos os tipos, de passatempos que eles tinham para todos os lugares que viajavam. Depois que a umidade no meu rosto evapora, fico feliz em pensar em um momento melhor. Ouvir suas histórias me lembram um pouco de Preston.


Capítulo Trinta e Nove

Eve Dez meses depois... Entrando no Restaurante Paradise, me preparo para o ataque iminente de recordações. Elas me inundam como um maremoto, mas as abraço. Perder Richard. Conhecer Preston... indo embora, e então, ganhando minha força, tudo leva-me aqui para este momento. Tendo passado os últimos dez meses focando, estou finalmente pronta para enfrentar meus medos... para enfrentá-los. Toda semana que tive com a Dr. Beckett, fiquei mais forte e hoje estou pronta para enfrentar o homem que tive que me afastar. Vim aqui com um propósito. Não é por acaso que estou aqui no mesmo lugar que sei que ele frequenta. Temos negócios inacabados que pretendo resolver. Talvez, não seja justo que esteja emboscando ele, mas preciso que ele olhe para mim e veja que estou melhor.

Viver. Respirar. Amar. Meus lábios dam um sorriso enquanto os vejo desaparecer no horizonte, um suspiro escapa da minha boca. O sino acima da porta toca e me tira de meus pensamentos. Não tenho que olhar para saber quem entrou. O ar mudou ao meu redor.

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Enquanto espero, olho para a janela e vejo as pessoas passarem. Um jovem casal anda de mãos dadas e meu coração incha com a visão. Meses atrás ver isso poderia ter me machucado, mas não agora. Estou pronta para o que eles têm.


Já imaginei esse momento tantas vezes. Repetindo como responderia ao vê-lo novamente, mas quantas vezes fantasiei sobre esse momento, estou achando se estou mesmo preparada para as emoções que me percorriam. Meus olhos o encontram. Deus, ele parece lindo. Como se o tempo não tivesse passado. Os ombros dele estão para trás e ele está vestindo um casaco azul e jeans. Amo ele assim. Eu me lembro da nossa viagem juntos. O fim de semana que comecei a me apaixonar por ele. Um momento roubado em que fomos capazes de viver em nossa bolha e apenas desfrutar um do outro sem consequências. Quero correr para ele. Quero pular em seus braços. Beijar ele loucamente. Nunca deixar ele ir. Seguro as lágrimas de alegria que ameaçam cair dos meus olhos. Ele caminha em minha direção, mas ainda não me viu. Quanto mais perto ele fica, mais tenho que me segurar no banco para não me fazer de tola. Paciência. Você esperou tanto tempo. Ele torce o corpo falando com alguém atrás dele. Quando ele se vira ao redor, Vejo com quem ele está falando e meu coração para. Todo o oxigênio deixa meu corpo e uma tristeza abrangente desliza para dentro de mim.

Ela é alta e flexível. Longos cabelos castanhos descem pelas costas em ondas. Ela é linda. A mulher diz algo que faz com que o Preston jogue a cabeça para trás e ria em alegre abandono.

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Ele não está sozinho.


Ele está feliz. Fantasmas familiares estão me roendo, o pânico que quer ultrapassar meu corpo e consumir. Isso me prende. Querendo desesperadamente assumir e me puxar desse transe perverso. Quase caio, mas cheguei longe demais. Em vez disso, endireito minhas costas e fico mais alta. Você é forte. Você é corajosa. Você é melhor. Ela fala algo para ele, em seguida, coloca a mão carinhosamente em seu antebraço, inclinando-se na ponta dos pés para colocar um beijo carinhoso em sua bochecha... cada pedaço de mim morre. Estou atrasada. Ele seguiu em frente. Tudo em mim diz para dar o fora daqui, mas estou atrasado. Antes que eu possa fazer minha fuga, nosso olhar trava. Os olhos escuros de Preston se arregalam, suas pupilas tomando a circunferência inteira. Cada músculo do corpo parece tenso. Respire. Um. Dois. Três. Expire. Um. Dois. Três. Através da minha respiração, memórias de tudo que aprendi desde que conheci o Preston inundam minha mente. Minha jornada ao perdão, superando meus medos sobre a vida e eu mesma.

Pelo menos não aqui... não onde ele possa me ver cair. Ele caminha na minha direção. – Eve? – ele diz confuso. Como se estivesse tentando avaliar se realmente sou eu que está vendo. Fecho a distância entre nós, de pé na frente deles, meus dentes roendo violentamente no interior da minha bochecha.

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Não vou vacilar. Vou endireitar meus ombros e levantar minha cabeça. Vou me lembrar de ser forte e não deixar a tristeza tomar conta.


– Oi, Preston. – viro minha cabeça para a morena, sorrindo com a necessidade muito real de chorar. – Oh. Hum, esta é Heather. Heather esta é a Eve Hamilton. – ele gagueja. A desvantagem da situação só piora com o óbvio desconforto. Estendo minha mão, na esperança de aliviar a tensão. – Prazer em conhecê-la, Heather. – Prazer em conhecê-la também, Eve. – ela sorri calorosamente para mim. Ela é doce. – Nós estávamos apenas tomando café da manhã. – ele diz, sem jeito. Heather se aproxima dele. A maneira como ela está olhando para ele faz com que cada músculo do meu corpo sinta como se estivesse sendo puxada com força. Ela está apaixonada por ele. – Você está vindo ou vai embora? – Preston pergunta, me puxando para fora da minha névoa. – Indo. – passo de lado. – Eu vou. Ele balança a cabeça e abre a boca para falar mas para a si mesmo. – Pronto para se sentar, Preston? – sua mão esfrega o braço dele. Ela está tocando ele, as mãos dela estão sobre ele - eu mal estou mascarando a dor que isso está causando. Desesperada para sair, aceno e começo a recuar lentamente. Eu tenho que ir.

Preciso ficar sozinha. Preciso sentir essa dor. – Foi bom ver você, Eve. Não deixo de perceber o jeito que a voz dele falha quando diz o meu nome. Sorrio. É fraco e falso, mas é a única coisa que posso fazer para não cair lá no meio do restaurante.

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Tão forte quanto sou agora, isso é demais. Ver ele aqui. Vendo ela com ele é demais.


Meus olhos encontram os seus uma última vez como uma única lágrima que não posso mais segurar.

............................................................... Três dias depois... – Eu vi o Preston no outro dia. – digo para a Dra. Beckett quando me inclino para frente passando os meus braços no meu peito. – Ele estava com outra mulher. Ela faz uma pausa no que está escrevendo e olha para mim. As linhas gravadas em seu rosto envelhecido se tornaram mais pronunciadas. – E como isso fez você se sentir? – Rasgou-me em duas. Naquele dia cheguei sentindo-me no topo do mundo e pronta para avançar. A emboscada saiu pela culatra da maneira mais cruel. Dói saber que o perdi, mas pelo menos ele parece feliz e isso me deixa feliz. O mais difícil é que tenho muito a dizer para ele e nunca tive a chance. Não consegui passar a dor para apenas dizer isso. A força para puxá-lo para o lado para conversar não estava lá. – Eu sei que deve ser difícil e tenho certeza que você está com medo do que vai descobrir, mas acho que você precisa encerrar. Acho que seu próximo passo é você estender a mão para ele, agradecendo-o, e então você pode estar pronta para seguir em frente.

Meu coração frágil não quer saber se ele está com Heather. Nos olhares no restaurante, ele parece que sim. Não posso culpá-lo. Ela era perfeita em todos os sentidos. Como poderia esperar que ele esperasse por mim? Não era realista pensar que ele iria. Passou muito tempo e meus sentimentos nunca vacilaram. Infelizmente, cheguei tarde demais. Independentemente disso, eu concordo que preciso agradecê-lo por ser fundamental para eu finalmente encontrar a paz com minha mãe e comigo mesma.

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– Ok.


Uma vez de volta ao meu apartamento, meus olhos estão grudados na tela em branco na minha frente. Sei que tenho que discar. Preciso encontrar a força, engolir meu orgulho e deixar as emoções o mais longe que puder. Com uma mão trêmula, digito o número que evitei por tanto tempo. – Eve? – é ele. Sua voz faz o meu coração saltar apesar de todos os meus movimentos para suprimi-lo. – Oi. – digo. – Ouça, sei que é muito tarde, mas precisava falar com você. O silêncio preenche o espaço entre nós. Meus nervos estão levando a melhor, então continuo. – Eu queria dizer obrigada. – ainda assim ele não diz nada. Neste ponto, não tenho nada a perder, então continuo. – Conhecer você, amar você... foi minha graça salvadora. – suspiro. – Não importa o que aconteça, preciso que você saiba. – me preparo para desligar, pois parece que ele não tem nada a dizer, mas finalmente ele fala. – Eu preciso falar com você. – meu estômago aperta nos nervos. – Não sei se isso é inteligente. Não quero causar problemas entre você e Heather. – sussurro para que ele não ouça como a minha voz falha. – Eve, precisamos conversar sobre isso. – meu coração martela no meu peito e eu concordo para mim mesma, esquecendo que ele não pode me ver. – Isso é um sim. – ele diz através do telefone. – Sim. – gaguejo. – Você jantou?

– Ok, Paradise. Oito e Trinta? Uma hora e meia para me preparar para vê-lo... Estou pronta? Posso fazer isso? Terei a força para ouvir o que ele tem a dizer? Estou. Bom ou ruim, é hora de colocar essa parte para descansar. – Ok.

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– Ainda não.


A ligação termina.

.................................................................. Vou me atrasar. Merda. Com passos rápidos, me movo pelas ruas lotadas e pela esquina. Minha saia voa quando um táxi passa. Eu me pergunto o que vai acontecer. Como tudo vai acabar. Enquanto espero que a luz mude e os carros passem, olho para o tráfego que passa. Não é tão ruim para uma noite de terça-feira, e andar no ar fresco é revigorante. A cidade de Nova York geralmente não é tão fria nesta época do ano, mas parece que a primavera está demorando no ar. Esse pensamento me lembra que estamos a apenas nove meses de distância da limitação. Sacudo o pensamento. Não há necessidade de me preparar para mais decepção. Em uma corrida, passo pela porta. Uma fila curta se formou na minha frente, mas quando a multidão se separa, me deparo com tudo o que estava esperando. Tudo o que eu sonhei. Preston. Seus lábios se abrem em um sorriso quando ele me vê. – Estou atrasada? – sussurro para mim mesma. Não há como ele me ouvir, mas o jeito que os olhos dele perfuram os meus, eu acho... não, acredito que ele possa. Quando fecho a distância entre nós, é como se houvesse algo me prendendo a ele, me puxando para mais perto.

– Não, seu tempo é impecável. – suas palavras me engolem. Invadem toda a fenda da minha mente que ainda se atreve a sonhar. – Estava com medo de que fosse tarde demais. A maneira como ele olha para mim, sei que ele entende o meu significado. – Nunca é tarde demais. Nunca será tarde demais. – Mas e quanto a...

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– Estou atrasada? – deixo escapar, meu coração batendo irregularmente.


– E quanto a nada? Nunca houve mais ninguém. Não há ninguém além de você. No outro dia, quando você me viu com Heather, não significou nada. – ele estende a mão para mim, seu dedo acariciando levemente o meu queixo. – Jace estava cansado de mim, então ele disse que precisava namorar. Sair novamente. Heather trabalha no hospital comigo. Ela deixou seu interesse por mim ser conhecido por um longo tempo, então a convidei para sair. – Ela está apaixonada por você. – minha cabeça desce para olhar para o chão. – Eu deveria saber. – murmuro – Sim. – ele respira fundo e meus olhos se levantam de novo. Há tanto movimento em seus olhos, mas não consigo entender. – Ele disse que seria bom para mim. – ele diz. – E foi? – Sim. – sua voz baixa, envia uma sensação de calafrios pela minha espinha enquanto espero que ele continue. Para selar meu destino. – Foi bom porque me fez perceber que não há mais ninguém para mim além de você. Minha boca treme contra as pontas dos dedos, enquanto todas as minhas emoções reprimidas se derramam em lágrimas frescas. Ele alcança e enxuga a umidade.

– Como poderia esquecer de você? Você não sabe que te amo? – ele me puxa para seus braços e enterra a cabeça no meu pescoço. – Eu te amo. – ele sussurra em minha pele antes de mover a cabeça para trás e sua boca se conectar com a minha, mostrando-me o quanto. – Ok, eu entendo. – rio em seus lábios. Ele se afasta e me dá um sorriso de desdém. – Estou feliz que você esteja finalmente começando a entender. – ele diz com uma piscada.

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– Estava tão assustada. Sabia o que tinha que fazer e fiz isso. Mas então tive que esperar por isso para ficarmos juntos. Foi tão longo, desta vez sem você. Estava tão assustada que me mudei. Que você poderia ter se esquecido de mim. – gaguejo.


– Deus, senti sua falta. Parece que estive em todos os lugares e em nenhum lugar. Isso faz sentido? – Mais do que você imagina. É assim que me sinto também. Mas há uma luz no fim do túnel. Nós só temos que esperar... – Não quero mais esperar. Não quero perder outro minuto sem estar com você – digo. – Ok, então não vamos esperar. Nós só temos que ter cuidado até o tempo passar, mas você tem certeza de que está pronta? Tanto quanto me mataria para deixá-la ir novamente, você tem que ter certeza. – Eu juro, estive no inferno e voltei. Mas quando te perdi, me encontrei. Deus, tinha muito a aprender, mas sabendo que havia uma chance para nós... Eu lutei. Estou com uma nova terapeuta, não uma da sua lista. Ela é maravilhosa. Ela está trabalhando comigo para não precisar de aprovação. Ela tem me ajudado a perdoar e está trabalhando com a mamãe. Seus olhos se arregalam com as minhas palavras. – Sim, nós três nos encontramos. Dr. Beckett tem ajudado a entender que não é culpa dela que papai tirou sua vida. Ela realmente veio de longe. – lágrimas enchem meus olhos. – Na semana passada, ela veio ao escritório comigo. Ela está deixando a casa dela novamente. Você sabe o quão incrível isso é? – Estou tão feliz por você. – ele sorri. – Você me salvou, Preston.

Os braços dele me envolvem e ele me segura em seus braços. – Costumava ter medo, mas agora estou controlando isso. Estou aprendendo novos mecanismos de enfrentamento e estou me construindo um dia de cada vez. Tenho mais a aprender, mas estou trabalhando nisso. Não sou perfeita, e ainda tenho pesadelos às vezes, mas tudo bem, porque ninguém é perfeito. – Para mim, você é perfeita. – ele passa a mão pela minha espinha. – Para

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– Não. Você se salvou. Só te dei algumas das ferramentas que você precisava.


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mim, você é tudo. Você é linda por dentro e por fora. Exalo o último pedaço de medo que ainda residia em meu corpo. O medo que sentia por ele.


Epílogo

Eve Nove meses depois. . . Olho pela janela enquanto a rua anteriormente coberta de branco começa a derreter. A primavera está chegando, respirando ventos quentes e mudando. Como uma canção de ninar suave para meus ouvidos, cada passagem da brisa contra a vidraça fala sobre a promessa de um novo começo. Um novo começo para nós... finalmente. Braços quentes deslizam em volta de mim e me inclino para trás aceitando seu abraço. – Então, agora que finalmente podemos ficar juntos, para onde você quer ir?

Os últimos nove meses passamos cada minuto livre que pudemos juntos, talvez não em público porque não podiamos ser vistos juntos. Mas nós aprendemos a fazer. Nós tivemos que ser criativos em encontros divertidos para apreciar as coisas com o Preston. Nós cozinhamos. Nós assistimos filmes. Nós até fizemos piqueniques em sua sala de estar e fizemos amor com tanta frequência quanto possível. Nós nos apaixonamos ainda mais. Em um amor que tudo consome, o tipo de amor do qual as histórias são feitas. Ele se inclina e dá um beijo no meu ombro exposto. – Agora que você está preso comigo, você promete que vai me amar daqui

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– Não importa, contanto que esteja com você. – e isso é a verdade.


cinco anos? – pergunto e ele não responde, mas sinto sua boca pairando sobre a minha pele sensível. Beijo – Em dez anos? Beijo – Quinze anos? Beijo Com isso ele me vira e coloca os seus lábios nos meus, roubando a minha respiração. – Vou te amar para sempre. – ele murmura em minha boca. – Você não entende agora? Quero te beijar até sempre. Quero te amar para sempre, e quando para sempre terminar, quero começar tudo de novo. Sua voz toca em lugares dentro de mim que quase esqueci que estavam lá. Toca o lugar no meu coração, onde os sonhos acontecem. – Porque nunca vou me satisfazer com você. Mesmo a eternidade não será suficiente. Quero ser a razão pela qual você sorri hoje. Quero ser a razão pela qual você sorri todos os dias.

Olhos azuis cristalinos olham para mim. Eles falam para a minha alma, para todas as minhas facetas. Em seus olhos, vejo um futuro. Vejo esperança e vejo amor. Não importa onde nós começamos. Ou quantos obstáculos teremos que superar. Tudo o que importa é para onde estamos indo e vamos juntos. – Você quer se casar comigo? Você vai me dar todos os seus para sempre? – Sim. – digo através de lágrimas de felicidade que escorrem pelo meu rosto.

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Ele faz uma pausa e gentilmente abre sua mão fechada revelando um lindo diamante solitário.


Seus braços me cercam quando me arrebata com o seu beijo. Aprendi muito nos últimos dois anos. Aprendi que sou mais do que o meu passado. Sou mais do que os pesadelos que me assombravam. Posso perdoar e seguir em frente e ter uma segunda chance. A vida fornece uma segunda chance. Isso é nosso.

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Fim

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