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Edição digital Nº11 - Outubro/2012


As portas do submundo se abrem novamente e de lá arrancamos mais uma edição! Quando olhamos

para trás, mal dá para acreditar que já se foram dez edições! Começar um projeto não é tão difícil, mantê-lo vivo é que requer sacrifícios. Muitos atribuem o sucesso ao pacto com o Diabo, mas prefiro acreditar na nossa capacidade e suor. Todos sabem que lidar com pessoas é uma tarefa ingrata. Porém, o que temos visto no mundo virtual é algo assustador. Alienação com direito a rédeas, incapacidade de discutir temas simples, razões vazias e uma imbecilidade sem tamanho. Já que somos uma revista digital, com quem estamos falando, afinal? Trazer algo de

Editorial

novo não é querer mudar seu gosto pessoal, mas abrir sua mente para um outro mundo que, apesar de muitos desconhecerem, ele existe. Muitos estão vivendo presos a uma realidade paralela, parados no tempo e relutam para enxergar a nova e crescente cena que se forma, não só no Brasil, mas no mundo todo. Pedimos desculpas se sua vontade era de ver bandas consagradas em nossas páginas, mas continuaremos a trazer o inesperado, o desconhecido, o bom e velho underground. O caldeirão está fervendo e quase transbordando nessa edição. Nela, você verá o Andre Matos falando sobre sua carreira solo, a volta da banda brasiliense Harllequin, um papo com o eterno ex-vocalista do Iron Maiden, Blaze Bayley, o Keep Of Kalessin que passou por nossas terras, além das bandas Vulture e Age Of Artemis. Tem pra todo mundo! E se isso ainda não é capaz de te satisfazer, sugiro então começar seu próprio projeto. Desejamos sorte, pois no fim do túnel, o inferno lhe espera. GO TO HELL!!

Pedro Humangous. 2


Índice Equipe

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equipe

03 04 22 34

editorial

36 40

covering sickness

44 45

Upcoming Storm

50

rascunho do inferno

Conheça quem faz a Hell Divine.

Nota do Editor Chefe.

entrevistas

Keep Of Kalessin, Andre Matos, Blaze Bayley, Vulture, Harllequin e Age Of Artemis.

resenhas

Diversas avaliações da revista pra você acompanhar.

divine death match

Veja a análise da revista sobre os útimos laçamentos para PS3 e XBOX360.

Entrevista com Guilherme Sevens, um mostro das artes.

live shit

Resenhas dos últimos shows no Brasil.

Conheça as bandas que estão surgindo.

MOMENTO WTF

Bizarrices do mundo do rock.

Sessão dedicada aos quadrinhos, pinturas e ilustrações de nossos leitores.

Editor Chefe: Pedro Humangous Redatores: Augusto Hunter e Yuri Azaghal Designer: Ricardo Thomaz Publicidade: Maicon Leite Revisão: Fernanda Cunha Web Designer: William Vilela Colaboradores: Christiano K.O.D.A, Marcos Garcia e Júnior Frascá. Errata: Na entrevista com a banda Terrorizer da edição passada, o nome do finado ex-integrante do Napalm Death e Lock Up é Jesse Pintado, e não Pete Sandoval. Envio de Material: Rua Alecrim, Lote 4, Ap. 1301 - Ed. Mirante das Águas Águas Claras - Brasília/DF - CEP: 71.909-360

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entrevista

o t s u c o d o t a peso O nome do KEEP OF KALESSIN é bem conhecido por todos que seguem a cena de Metal extremo mundial há alguns anos. Unindo um som que soa brutal, rápido e afiado com melodias e grande técnica, e letras bem escritas, o nome da banda anda crescendo mais e mais a cada dia. Aproveitando que a banda passou pela primeira vez em nosso país, junto com Gorgoroth, Autopsy e Cauterization, fomos conversar sobre o passado, presente e futuro com o fundador e líder do Keep of Kalessin, Obsidian C.

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HELL DIVINE: Olá, Obsidian. É um prazer tê-lo em nossas páginas. Um pouco sobre o passado: você começou a banda, em 1995, mas entre os anos de 2000 e 2003, vocês ficaram em um hiato, e então retornaram com tudo. Poderia nos dizer quais os motivos para este tempo parados? Obsidian C.: Após dois álbuns, houve muitas disputas pessoais dentro da banda. Era simplesmente impossível de continuar com aquela formação, já que todos ou eram preguiçosos ou focados em destruir o espírito da banda, em vez de edificá-lo. Você sabe... Sempre existem pessoas em uma banda que realmente desejam o sucesso, mas nunca estão dispostas a trabalhar o necessário. Estive lutando com pessoas assim por algum tempo e chegou um ponto em que eu acabei dizendo “basta”. Pus a banda em espera, mas Trondheimk é uma cidade pequena, e não havia pessoas que colaborassem no nível que eu queria. E assim foi até eu me juntar ao Satyricon, quando, finalmente, pude contatar pessoas que estavam aptas a me ajudar a soprar fogo nas cinzas do Keep of Kalession. HELL DIVINE: O nome da banda foi tirado de uma referência literária, da série de livros de Ursula K. Le Guin, “Earthsea” (NR.: que só existem em português de Portugal. Os livros não saíram no Brasil). Por favor, diga-nos sua visão sobre o nome da banda. Obsidian C.:Keep Of Kalessin (NR.: na tradução, é algo como Masmorra, ou Torre de Kalessin) é uma ilha em forma de torre onde o mais poderoso dragão de Earthsea, Kalesin, reside. É um nome de poder, magia e resistência, que hoje se encaixa definitivamente em uma das bandas que continua insistindo, apesar de todos os obstáculos e contratempos que tivemos por todo caminho. HELL DIVINE: Após o hiato, vocês voltaram com Attila Csihar no EP “Reclaim”, mostrando um som mais técnico e uma evolução musical em todos os aspectos. Como foi trabalhar com Attila e a recepção do EP na época? Obsidian C.: Encontrei Attila quando estava em excursão com o Satyricon e cheguei ao ponto de realmente conhecê-lo, pois há anos que o estava querendo como vocalista para o novo estilo do Keep of Kalessin. E ele concordou em fazer os vocais para o EP imediatamente quando ouviu o material. E assim também foi com Frost do Satyricon. Assim, com a formação fechada, comecei a trabalhar para finalizar o material que, na verdade, já estava pronto há alguns anos, guardado. O estilo musical é um desenvolvimento natural de “Agnen”, e foi ótimo trabalhar este material com Attila. Lembro que passamos uma semana no estúdio, escrevendo letras, gravando e caindo de sono atrás da mesa de som (risos)... Era tão quente na sala de controle naquele verão que gravávamos por 10 minutos e desmaiávamos por 30 (risos)! Foi um ótimo momento de minha vida! HELL DIVINE: “Armada” e “Kolossus” foram dois CDs que mostraram uma banda que não parava de evoluir, mas sempre mantendo uma forte personalidade sonora. Poderia nos dizer o que acha deles, e quais aspectos deles que mais gostou? Obsidian C.: Pessoalmente, penso que definimos um novo padrão de metal extremo com o “Armada”. É um álbum muito original, com riffs muito diferentes de qualquer outra banda de Metal. Com “Kolossus” continuamos a evoluir, mas de algum jeito as pessoas não entenderam bem este álbum como o “Armada”. Mas minha opinião é que “Kolossus” é um dos álbuns mais subestimados dos últimos cinco anos. A forma como as músicas são construídas, a atmosfera, os riffs e os vocais são tão diferentes... E eu entendo que seja difícil para os fãs se apegarem a uma música que é tão

diferente do que normalmente se ouve, mas eu ainda acho que as pessoas devem dar mais tempo e realmente ouvir o nosso material, porque são álbuns que crescem em você e ele são tão cheios de detalhes que é impossível compreendê-los na primeira, ou até mesmo nas primeiras dez vezes que os ouvem. HELL DIVINE: Falando do último disco, “Reptilian” é surpreendente de todas as maneiras, pois ninguém poderia ter dito o que o CD seria antes de sair, mas então veio uma música mais elaborada, mas ainda intensa e pesada. E estava mais épico que antes. Então, como foi a recepção a “Reptilian”? A banda conseguiu chegar ao ponto que você desejava em termos de reconhecimento? Obsidian C.: A recepção da mídia ao Keep of Kalessin sempre tem sido boa, e ganhamos respeito, especialmente entre outros músicos e bandas de Metal, mas nunca achei que realmente chegamos ao nível de reconhecimento que queremos ou que merecemos dos fãs. Ainda estamos lutando para fazer com que as pessoas compreendam a qualidade de nossa música, muito disso devido a não estarmos seguindo ninguém, mas trilhando um novo caminho no mundo do Metal. Mas as coisas estão crescendo dia após dia, então, esperemos que um dia a maioria dos fãs de Metal compreenda o que a banda quer. HELL DIVINE: A música da banda, como dito antes, é uma fusão perfeita entre melodias bem compostas com uma técnica complexa, e sempre mantendo os aspectos mais brutais e crus do Black Metal mais extremo. Por favor, poderia comentar como é o processo de composição da banda, e se Thebon, Vyl e Wizziac dão algum tipo de contribuição musical? Obsidian C.: Existem várias formas diferentes de escrevermos nossas músicas. Na maioria das vezes, eu faço os riffs de guitarras, as melodias e arranjos antes de dizer a Thebon como cantar e Vyl como deve tocar a bateria. No entanto, algumas vezes ensaiamos juntos e mantemos as ideias que gostamos. Outro método que uso – que é mais para quando escrevo material mais épico e grandioso – é que penso em um conceito para uma música ou na atmosfera que quero para ela, então faço as melodias e arranjos em minha mente antes mesmo de pôr a mão na guitarra ou no teclado para começar a trabalhar nela. Algumas vezes, tenho uma ideia muito clara de como eu a quero soando antes de começar a tocá-la. Também visualizo como o riff está sendo tocado e o aprendo mentalmente antes de pegar a guitarra e tocá-lo. HELL DIVINE: Outro ponto bastante intrigante são as letras. Em “Reptilian”, a temática sobre dragão é visível em muitas vezes e em “Armada” e “Kolossus” vemos as mesmas características, ambos tendo um tema central. Por favor, fale-nos das letras. Como são feitas? E como os temas centrais dos álbuns surgem? E o que os fãs podem esperar deles? Obsidian C.: Como na composição das músicas, também usamos várias técnicas diferentes. Temos várias páginas escritas com um alcance lírico que abrange muitos temas diferentes. Algumas vezes, as colocamos juntas de uma forma que funciona e, outras vezes, usamos metáforas para mostrar nosso ponto de vista. Por exemplo, podemos ter uma “fantasia” lírica, mas a mensagem por trás disso é muito real e baseada na sociedade de hoje ou nossos pontos de vista pessoais. Quando terminamos todas as músicas de um álbum, sento-me no estúdio com toneladas de papeis na minha frente. Então eu começo a pegar cada linha do ritmo que quero nos vocais. Eu mudo as palavras e frases para se encaixarem nas músicas e também para combinar com o tema geral das letras. Às vezes, também temos uma visão clara do que a música 5


deve ser, então escrevemos a partir desse ponto de vista. Nós também fazemos isso para um álbum inteiro às vezes. Temos uma história ou um conceito e uma atmosfera que queremos no álbum e então nós escrevemos as letras que correspondem a essa visão. O resto da banda é mais envolvido no processo de escrever as letras do que em escrever músicas, principalmente porque acho que o processo se tornaria lento se eu tiver que escrever tudo sozinho. HELL DIVINE: Sobre o próximo álbum, já começaram a graválo? Pode nos dizer algo sobre ele, o nome ou como ele deverá soar? Obsidian C.: Já estamos escrevendo agora mesmo. Ele soará como o Keep of Kalessin, mas vamos levar tudo ao próximo nível. E faz muito tempo que não fico tão empolgado em relação a minha música como agora. Eu realmente sinto que o próximo álbum será o melhor que já fizemos! Como sempre, será diversificado e interessante, mas mantendo o espírito da banda, ainda evoluindo. É uma música que vocês não ouvem em outro lugar. HELL DIVINE: A banda fez vários shows após o lançamento de “Reptilian” e vocês foram aos EUA e a grande parte da Europa. Isso é sinal que o nome da banda está crescendo mais e mais, e podemos esperar o Keep of Kalessin como um grande nome da cena do Metal extremo em um futuro próximo? E vocês tocaram com o Sepultura, não é? Como foi o contato com eles? Obsidian C.: Temos feito muitos shows desde “Reptilian” e a maioria deles foi na América do Norte e Europa, mas também levamos a banda ao México pela primeira vez. E isso nos deu um impulso para explorarmos mais aquilo que a América do Sul tem para nos oferecer. Os fãs de lá são simplesmente fantásticos! Fizemos

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uma excursão com o Sepultura, em 2011, e a conexão com eles foi grande, mas aqueles que leem meu blog provavelmente sabem que nem tudo foi tão suave assim em relação ao lado técnico das coisas. Isso não tem nada a ver com o Sepultura, porém, foram principalmente a equipe técnica e as equipes locais nos clubes que fizeram esta turnê muito difícil para as bandas de abertura. HELL DIVINE: Falando no Brasil, vocês tocarão aqui pela primeira vez no festival Setembro Negro, junto com Autopsy, Gorgoroth e Cauterization. Quais são suas expectativas para o show? Você conhece algo de nossa cena Metal, alguma banda? Obsidian C.: Me perdoem, mas não conheço muito sobre a cena Metal daí, tanto quanto sobre as bandas. Eu amava o Sepultura quando era garoto, e isso é tudo. Mas ouvi coisas boas sobre tocar por aí, e estou realmente muito ansioso por isso! Espero que os fãs enlouqueçam totalmente como ouvi dizer que fazem com outras bandas! HELL DIVINE: Agradecemos muito por sua gentil atenção e palavras. Por favor, deixem sua mensagem para seus fãs brasileiros e nossos leitores. Obsidian C.: Estamos totalmente ansiosos para ver todos vocês, fãs brasileiros loucos, em breve! Esperamos que vocês nos façam sentir bem-vindos e nós prometemos dar o nosso melhor de palco e construir uma base de fãs sólida. Por Marcos Garcia.


entrevista

energia André Matos é o tipo de músico que não precisa mais provar nada para ninguém. Apesar de negar, é um workaholic e ajudou a moldar o Heavy Metal nacional (e, por que não, mundial?) fazendo parte de três das maiores representações brasileiras (Viper, Angra e Shaman). Isso sem contar os diversos projetos dentro do Metal mundial em que teve participação. Agora, o cantor tupiniquim acaba de soltar seu terceiro trabalho solo, intitulado “The Turn Of The Lights”. Sobre esse e outros assuntos, falamos com André, o que pode ser conferido nas linhas seguintes. HELL DIVINE: Mesmo fazendo a turnê de reunião com o Viper, você está prestes a lançar seu novo álbum em carreira solo intitulado “The Turn Of The Lights”. Como foi o processo de composição deste álbum? Você já o havia finalizado antes de entrar em turnê com sua antiga banda? Andre Matos: Na realidade, as coisas se deram de forma paralela. Sim, o projeto do CD solo surgiu antes da ideia definitiva da reunião do Viper tomar forma. Já vínhamos compondo músicas para este álbum, desde 2010, e as amadurecendo no decorrer de 2011. Em 2012, tínhamos mais 8

material do que o necessário para um álbum e creio que isto foi uma grande vantagem no final. Enquanto estávamos em estúdio pré-produzindo, gravando e mixando o material, encontramos algum tempo para iniciar os ensaios com o Viper. Tudo foi perfeitamente administrável, mas não quer dizer que não tenha sido um trabalho dobrado. Assim que terminamos a última master, saímos em turnê com o Viper – e esta era minha condição: a de que organizássemos tudo de modo que uma coisa não atrapalhasse a outra.


interminável HELL DIVINE: O que os fãs podem esperar de “The Turn Of The Lights”? Você poderia nos traçar um parâmetro em relação aos álbuns anteriores, “Time To Be Free” (2007) e “Mentalize” (2009)? Andre Matos: O único parâmetro que ouso traçar é que parece que, finalmente, alcançamos um tipo de equilíbrio musical entre as duas propostas anteriores. O que nos deixa satisfeitos, pois é a prova de que amadurecemos pensando em inovação e, ao mesmo tempo, nos mantendo fieis às raízes musicais. O resto, eu deixo a cargo do público e da imprensa julgarem. Alguns podem dizer que é o melhor disco da carreira solo; outros não. Isto, na verdade, não é o mais importante. Importante, sim, é permanecer coerente no que se faz e entregar um trabalho honesto. Obviamente, o disco sendo bem recebido ficamos mais realizados, em função de todo o trabalho e a dedicação que tivemos durante todo esse processo.

HELL DIVINE: Como já dissemos, você está em turnê com o Viper e compôs seu terceiro álbum solo. Além disso, você participa de diversos projetos que é convidado, entre outros como o HDK e o Virgo. De onde vem tanta disposição e inspiração para todos estes trabalhos? Andre Matos: Eles simplesmente vão acontecendo. Tenho a felicidade de ter feito muitos amigos neste meio musical, não apenas no Brasil como também no exterior. E gosto de cooperar com ideias e projetos. Então, geralmente quando sou chamado para fazer alguma coisa que tenha a ver com algum tipo de evolução musical ou desafio, costumo aceitar sem pensar duas vezes. HELL DIVINE: Falando em Virgo, projeto seu com Sascha Paeth (músico e produtor alemão – Avantasia, ex-Heaven’s Gate, Luca Turilli), vocês lançaram um álbum autointitulado, em 2001, e, mesmo com sucesso, não lançaram mais nada. Tem algo composto para o Virgo, você pode nos adiantar algo sobre o projeto? 9


Andre Matos: O sucesso deste trabalho é praticamente um sucesso “póstumo”. Na época, fizemos uma super produção financiada pela gravadora, etc. – a ideia não era fazer um disco Metal, que seria o óbvio a se esperar de nós, e sim, um disco rock´n´roll clássico, muito mais mainstream. Desta maneira, quando do lançamento do mesmo, as vendas do álbum foram um fracasso, porque não se soube trabalhar o público-alvo para aquele tipo de música. No entanto, com o passar dos anos, o álbum se tornou quase um “cult” entre os headbangers, que, no fim das contas, adoraram as experimentações e a sonoridade do projeto. Se este disco fosse relançado hoje, creio que teria muito mais chances de dar certo comercialmente. Mas com certeza deu certo musicalmente. Gostaríamos, sim, de trabalhar num Virgo II, seria um grande prazer. HELL DIVINE: Você participa do projeto HDK que conta com outros grandes músicos do cenário mundial como Amanda Somerville e Ariën van Weesenbeek (Epica, Mayan). Fale-nos um pouco mais sobre este projeto. Andre Matos: Este é um projeto desenvolvido por Sander Gommans (ex-After Forever), um compositor e guitarrista incrível e também uma pessoa fantástica. Juntamente com minha amiga de longa data Amanda Somerville, eles conceberam a parte musical e lírica. Na época, coincidiu de eu estar terminando o “Time To Be Free” no estudio do Sascha, na Alemanha, e resolvi fazer uma troca com Sander: ele cantaria uns vocais guturais numa de minhas faixas e eu participaria de seu projeto. Continuamos amigos até hoje! HELL DIVINE: Você gravou o álbum “In Paradisum” (2011) com o Symfonia ao lado de nomes como Timo Tolkki e Jari Kainulainen (ambos ex- Stratovarius), Uli Kusch (exHelloween). Porém, a banda logo se dissolveu. Conte-nos o que aconteceu e como foi trabalhar com estes músicos. Andre Matos: Em primeiro lugar, trabalhar com todos estes músicos foi um grande privilégio, incluindo o Timo Tolkki, que tem um talento ímpar. Infelizmente, o sonho acabou cedo, diria até, precocemente. Como fui morar na Escandinávia há questão de alguns anos, recebi a proposta de me unir a esta super banda de músicos que também estavam baseados na Escandinávia, inclusive o Uli Kusch, que atualmente vive na Noruega. O trabalho, em si, foi leve e divertido; não tínhamos nenhuma pretensão de reinventar o estilo Power-Metal que nos destacou a todos ao longo de nossas carreiras, e sim, juntar aquilo que pudéssemos aportar de melhor para um grande projeto musical em cima deste próprio estilo. O CD “In Paradisum” é excelente neste aspecto. Além disso, tive a oportunidade de conhecer melhor e tocar junto a músicos excepcionais como Jari Kainulainen, Mikko Härkin e Alex Landenburg (que substituiu Uli Kush após as gravações). 10

Fizemos uma boa dezena de shows na Europa e na América do Sul e que foram shows incríveis, a banda realmente tinha uma química especial no palco. Não vou entrar em detalhes sobre o que aconteceu a respeito da decisão do Timo de, repentinamente, encerrar a banda. Fui avisado diversas vezes sobre o seu temperamento, mas sempre fomos amigos e não foi nada problemático trabalhar com ele, enquanto estávamos juntos na banda. Foi apenas certo choque para todos nós o dia em que ele comunicou que não haveria um próximo álbum do Symfonia, tampouco turnês – e que ele estava abandonando a sua longa carreira musical para sempre. Talvez ele tenha esperado um sucesso muito mais imediato, logo de início com esta banda. Mas todos sabemos que as coisas não são assim, principalmente hoje em dia e que se tem que batalhar bastante para chegar a algum patamar, mesmo tendo nomes internacionalmente conhecidos. Talvez seja para isto que ele não estivesse preparado. De qualquer maneira, guardo excelentes recordações e a amizade permaneceu com os outros músicos; espero um dia poder voltar a tocar com eles de alguma forma. HELL DIVINE: AS perguntas anteriores resumem um pouco da sua carreira. Como é participar da tantas bandas, tantos projetos e ser sempre requisitado por músicos, muitos de renome no cenário mundial, para auxiliá-los em seus trabalhos? Andre Matos: Normalmente, só participo daquilo em que acredito de verdade. Preciso me identificar com a música, com as ideias, com o conceito. Mas tudo isso faz parte de uma carreira que já pode ser considerada longa. Creio que todo artista que tenha desenvolvido uma carreira por mais de 25 anos ininterruptos também acabe sendo uma fonte de referência. E isso, para mim, é uma grande satisfação. HELL DIVINE: Você é um dos fundadores de três das maiores bandas do Metal nacional, que são Viper, Angra e Shaman, além de participar dos projetos citados e possui uma carreira sólida com sua banda. Além de um workaholic, defina para nós André Matos perante tudo isso. Andre Matos: Não sou exatamente um workaholic. Conheço pessoas (mesmo músicos) que são muito mais. Procuro tomar uma boa parte do meu tempo para ler livros, ver filmes, curtir a familia ou, simplesmente, descansar. Acho que isso faz parte do processo inspirativo e deve-se cuidar para que continue sendo assim. Porém, quando trabalho, aí trabalho ininterruptamente. E não termino enquanto não achar que está tudo muito próximo do perfeito. Por Vitor Franceschini.


entrevista

Qual vocalista nunca sonhou em cantar numa grande banda? Agora imagina no Iron Maiden? Pois é, Blaze Bayley atingiu essa façanha mesmo sendo um “desconhecido” na cena mundial da época. Fez turnê mundial, lançou dois álbuns (tudo bem que alguns torcem o nariz) e hoje, após muitos anos, se declara um vocalista underground. Lançando mais um álbum da carreira solo, retornando com sua antiga banda Wolfsbane, o “Messiah”, como é conhecido, conversa com a HELL DIVINE e com muita humildade e simpatia fala um pouco de sua vida e fase atual.

HELL DIVINE: Blaze, primeiramente, é uma satisfação esta conversa! Diga-nos como está o Blaze Bayley? Que momento ele vive? Blaze Bayley: Eu estou muito bem. Estou aproveitando muito esse tempo em casa com minha família e minha moto. Estou muito animado para a turnê no Brasil em janeiro. Mal posso esperar para encontrar os fãs brasileiros novamente. Quero muito tocar as músicas do novo álbum “The King of Metal” para todos vocês. Tenho estado em estúdio, trabalhando bastante como participação especial em alguns álbuns e vídeos em parceria com outras bandas. O álbum “The King of Metal” está sendo um sucesso até agora! HELL DIVINE: Depois de dois álbuns de altíssimo nível, toda a formação da banda muda para um novo álbum e uma nova turnê. Qual razão levou essa a decisão? Blaze Bayley: Eu realmente quis uma mudança, sangue novo e novas pessoas para criar música junto. HELL DIVINE: Uma marca forte na sua carreira solo são as letras de reflexões pessoais. Conte um pouco sobre o processo de criação deste álbum. Por que a decisão de colocar o nome “The King of Metal”? Blaze Bayley: O título “King of Metal” refere-se aos fãs do metal. Eu acredito que a coisa mais importante na cena musical de Heavy Metal são os fãs. Para mim, cada fã é como se fosse um rei. São eles que escolhem o que ouvir, são eles que compram os ingressos para os shows, as camisetas, meus CDs. São eles que tornam possível o meu sonho de continuar sendo um cantor profissional. O álbum é dedicado a eles, com uma mensagem positiva e simples. Passei algum tempo compondo com Thomas Zwijsen no começo do ano, e ele também ajudou a produzir este álbum. As músicas refletem a minha própria vida e as letras são bem diretas. A música “Dimebag” é sobre o Dimebag Darrell do Pantera. 12

HELL DIVINE: Em algumas letras e entrevistas você critica o business na música, certo? Quais suas críticas à estrutura do mundo musical de hoje? Você já se sentiu prejudicado? Blaze Bayley: Minha maior crítica é que os fãs não são valorizados pelas gravadoras. Algumas vezes são tratados como estúpidos, como se não tivessem inteligência. Em minha experiência, a maioria das gravadoras está apenas interessada em lucro e não em musica autoral de qualidade. HELL DIVINE: Como você encara a cena do Heavy Metal hoje? O que ainda temos que avançar? Blaze Bayley: Atualmente, existem bandas muito originais e inovadoras, com músicos de altíssima qualidade e, infelizmente, também existem muitas bandas que apresentam uma musicalidade básica e acham que isso é o suficiente. Não concordo com isso. HELL DIVINE: Voltando ao último álbum, gostei bastante de “One More Step” que, além da sua brilhante interpretação, as letras são muito bem encaixadas e bem sentimentais e “Judge Me”, que parece mais um desabafo. Esse é o “Messiah”? Blaze Bayley: “One More Step” é uma das minhas músicas favoritas, a letra é muito boa e fiquei muito satisfeito com o resultado. É sobre uma história real, e passa uma mensagem dedicada à minha parceira que me ajudou a vencer épocas obscuras da minha vida. “Judge me” é uma reação minha contra as pessoas que não sabem meu nome, não sabem quem eu sou ou o que eu faço, e só porque eu tenho


tatuagens, gosto de Heavy Metal, acham que eu sou algum tipo de marginal, sem, ao menos, me conhecerem. Eu penso que essa também é a história de muitos fãs de Heavy Metal que passam por isso diariamente. HELL DIVINE: Outro destaque presente no álbum são as homenagens a duas gigantes figuras do Heavy Metal: Dio e Dimebag Darrel. Eram músicas mais antigas ou surgiram na composição deste álbum? Qual o motivo dessa homenagem agora? Blaze Bayley: A música “Dimebag” é uma ideia que tive muito tempo atrás, mas que ainda não tinha encontrado uma maneira de fazer o arranjo funcionar. Eu mostrei a ideia para o Thomas Zwijsen em janeiro, quando estávamos trabalhando juntos, e ele me ajudou a fazer um arranjo bem legal, e deu certo! Estou contente com o resultado. Eu acredito que os fãs verão que é um tributo genuíno a um ótimo músico. “The Rainbow Fades to Black” é uma homenagem a Ronnie James Dio, um cara que influenciou muito minha vida e minha música. Ronnie era uma luz para o mundo do Metal e da música em geral. Quando ele morreu, essa luz se apagou e o arco-íris desapareceu.

divertido compor, gravar e tocarmos juntos. Mas como estamos todos muito ocupados é difícil encontrar tempo para realizarmos uma turnê maior. HELL DIVINE: Como disse anteriormente, é uma grande satisfação que tenha nos concedido esta entrevista! Caso queira, deixe um recado para os fãs brasileiros! Esperamos vê-los em breve por estas terras. Blaze Bayley: Obrigado por todo o apoio que tenho recebido de vocês e por acreditarem em mim. Eu retornarei ao Brasil e América do Sul em janeiro de 2013 e mal posso esperar para encontrá-los. Por Cupim Lombardi. Tradução por Thais Padoveze.

HELL DIVINE: Já está sendo programada uma turnê pelo Brasil para o começo de 2013, correto? Qual é a programação desta temporada? Blaze Bayley: Sim, estou indo ao Brasil e América do Sul em janeiro de 2013. Assim que tiver mais detalhes sobre as cidades e casas de show em que irei tocar, postarei informa-

ções na minha página do Facebook (www. facebook.com/officialblazebayley) e no site (www.blazebayley.net). HELL DIVINE: Depois de muito tempo, o Wolfsbane retorna com um novo trabalho e agendando shows. Quem foi o principal incentivador deste retorno? Quais os planos da banda? Blaze Bayley: Há um novo álbum do Wolfsbane chamado “Wolfsbane Saves The World” que já está disponível. Em outubro, nós faremos uma turnê pelo Reino Unido. Estamos com a formação original da banda e é bem

o REI DO

METAL 13


entrevista

A banda Harllequin surgiu em Brasília, no ano de 2005, e fez muito barulho na cena. Literalmente. Após vários shows importantes pelo Brasil, prometiam lançar um disco de inéditas, porém, o fim das atividades foi anunciado em 2008. Após três anos parada, a banda resolve voltar à ativa e já solta no mercado seu primeiro álbum, intitulado “Hellakin Riders”, que já está dando o que falar. Conversamos com Mario Linhares, mentor desse projeto, para sabermos um pouco mais dessa trajetória e o que podemos esperar daqui para frente. Confira! HELL DIVINE: Olá Mario, é um prazer tê-los em nossas páginas! A banda encerrou suas atividades, em 2008, e resolveu retornar agora em 2012. Pode nos contar o que aconteceu na época? E o que fez vocês decidirem voltar? Mario Linhares: Olá a todos. Primeiramente, quero agradecer espaço e oportunidade de falar um pouco mais sobre o nosso trabalho. Bem, em 2008, tínhamos o sonho de levar nosso som para o mundo todo, viajar e ser uma banda profissional. Tínhamos bons músicos e boas músicas. Fizemos alguns shows e investimentos de divulgação da banda objetivando sermos conhecidos no cenário nacional. A princípio, tudo funcionou bem, mas aprendemos que mais difícil que começar algo é manter-se vivo, e no meio musical não é diferente. Para se estabelecer profissionalmente é necessário ter conhecimento, disciplina e dedicação, além de planejamento e investimentos de longo prazo, coisas que carecíamos, em maior ou menor grau, à época. A ausência desses fatores acabou por minar a confiança dos membros na continuidade da banda. Então, a banda começou a implodir. Alguns saíram, outros “foram saídos”, outras perspectivas foram aparecendo para os demais membros que foram se dedicando aos seus projetos pessoais e, diante desse cenário caótico, achamos melhor encerrar as atividades. Em 2012, eu decidi retomar

as atividades da banda por me identificar muito com o tipo de som que o Harllequin faz e por ter mais liberdade de atuação nas decisões da banda. A primeira coisa que fiz foi contratar uma empresa de management para gerir a carreira da banda. A Corrosive Musik, empresa que administra o Harllequin e que tem sede em Dresden, na Alemanha, prima por uma administração pautada na análise de cenário e planejamento estratégico antes de fazer qualquer investimento ou tomar decisão para os rumos da banda. Comparando nossos objetivos atuais com os sonhos de 2008, vejo que estes estão bem mais ampliados e que os membros do Harllequin estão perfeitamente conscientes da missão da banda e da atuação de cada um como artistas e músicos profissionais. Hoje, sabemos aonde queremos chegar e temos a lucidez de que teremos que suar muito a camisa para conseguirmos isso. Acredito que temos mais chances de chegarmos aonde pretendemos. HELL DIVINE: O grupo foi todo reformulado, certo? Apresentem-nos os músicos que fazem parte da formação atual e no que eles têm ajudado em termos de novas composições.

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Mario Linhares: Realmente, a formação atual é totalmente diferente da que compôs e gravou o primeiro disco. Hoje, o Harllequin conta com Ian Bemolator e Jeff Castro nas guitarras, Guilherme Maciel no baixo e Victor Lucano na bateria e a colaboração deles tem sido fantástica. HELL DIVINE: O disco “Hellakin Riders” foi lançado na Europa primeiro e só agora chega ao mercado nacional. Ele, na verdade, é composto de músicas que foram gravadas antes da banda terminar, certo? Mario Linhares: Em 2008, estávamos prestes a lançar o álbum e, devido ao turbilhão de problemas pelos quais passávamos, ficou impossível tomar uma decisão que agradasse a todos na banda. Então, com o fim da banda, o Pedro Val, com a anuência de todos, resolveu disponibilizar as músicas para download, uma vez que as pessoas pediam muito pelo disco. Na época, uma capa foi improvisada e as músicas foram colocadas à disposição de todos. Em 2012, com o retorno da banda, contratação de um empresário e definição de metas e objetivos, ficou clara e imperativa a necessidade de lançar o material antigo na forma correta. Isso contribuirá de forma significativa para a discografia e carreira da banda. É muito triste você dizer que é uma banda e não poder entregar seu material quando alguém pede. HELL DIVINE: Do que se tratam as letras? É um disco conceitual? Mario Linhares: A ideia central das letras do Harllequin é baseada em uma história que eu escutava da minha avó na minha infância juntamente com experiências de vida minha. Essas histórias falam de escolhas, perdas e buscas, o tripé básico do comportamento humano. Mas, com exceção da música “Hellakin Riders”, eu procuro não narrar história nessas letras. Deixo que as experiências mentais que todos nós humanos compartilhamos, tais como frustrações, angústias, aspirações, ansiedades, alegrias, amor, raiva, etc., construam o pano de fundo onde qualquer indivíduo que se identifique com aquela situação possa atuar, enxergando-se e buscando saídas possíveis. HELL DIVINE: E a maravilhosa arte da capa, quem fez? Existe alguma correlação com a temática lírica? Mario Linhares: A arte foi feita pelo gênio mineiro Marcos “Quinho” Ravelli e transmite o que acontece na música “Hellakin Riders”, onde os cavaleiros da morte se encontram em uma dimensão em que estão mortos para os vivos e vivos para os mortos, sempre intangíveis, sempre presos. HELL DIVINE: Vocês conseguem misturar, de forma única e perfeita, diversos estilos em uma única música. Podemos ouvir bastante Thrash Metal, Prog, Heavy Metal Tradicional, etc. De onde veio essa inspiração? Mario Linhares: Isso foi conseguido graças a quatro fatores: a genialidade das composições do Fabrício Moraes, o fabuloso desempenho de bateria do Kayo John, os ambientes sombrios criados pelas linhas de teclado do Pedro Val e pelas interpretações da minha voz. Cabe ressaltar aqui, também, a magnífica produção de gravação, mixagem e masterização do Caio Duarte no estúdio dele o BroadBand Studios. Ficou super! Nessa mescla, que não é nada fácil, conseguimos escrever mais um bom trabalho na história do metal nacional e que pretendemos que seja reconhecido mundialmente.

HELL DIVINE: Ao ler sobre vocês na Internet, já existe uma conversa sobre um novo disco. Já tem previsão de lançamento desse novo trabalho? O que os fãs podem esperar dessas novas composições? Mario Linhares: Nós iniciamos, esse mês, a produção do novo disco do Harllequin, que será lançado, em 2013, e as composições desses garotos têm me deixado em êxtase. As músicas novas trarão na dose exata o que pretendemos mostrar com esse próximo álbum. Uma coisa boa é que teremos o Pedro Val, tecladista original da banda, nos ajudando nas novas composições e na produção do disco. No entanto, ao vivo passaremos a utilizar samplers para substituir as camadas de teclado, uma vez que temos tido muita dificuldade em encontrar um tecladista que entenda a nossa filosofia musical e que possa nos acompanhar nas viagens. O disco novo nos traz um desafio. Nós iremos desmembrar e ampliar a história por trás de uma música que está no “Hellakin Riders”, a “Archangel Asylum”. A “Archangel” fala sobre uma garota que foi dada como morta, mas que, na verdade, estava presa em um porão por dez anos. No próximo disco, nós pretendemos nos focar nos dez anos que ela passou presa, descrevendo dez fases que supomos serem as fases mentais que um ser humano passaria estando em tal situação: percepção, negação, revolta, fuga, impotência, desespero, loucura, morte e liberdade. Será o disco mais denso, mais “psycho” e mais difícil que já escrevi. Torço para que gostem. HELL DIVINE: O baterista Victor Lucano também toca com a banda Device e Omfalos. Ian Bemolator toca com o Coral de Espíritos e você ainda mantém vivo o Dark Avenger. Existe algum problema de agenda entre as bandas? Mario Linhares: É uma honra ter alguém com o gabarito, caráter e profissionalismo do Victor Lucano e devo dizer que os demais músicos atuais do Harllequin possuem essa mesma característica, o que me deixa bastante tranquilo e satisfeito. Temos procurado como equilibristas de pratos, conciliar as agendas das bandas de todos os membros do Harllequin. Por enquanto está sendo tranquilo, mas sei que logo a banda terá uma agenda bem cheia e teremos que deixar alguns pratos cair... (risos). Vamos ver quem quebrará menos pratos. HELL DIVINE: Falando em agenda, como estão os shows para o Harllequin? Muita coisa ainda esse ano? Mario Linhares: Esse ano, estamos dedicados à produção do novo disco e, portanto, não estamos tocando muito, embora estejamos abertos a shows. Mas 2013 promete ser bem agitado. Vamos aguardar que boas notícias virão. HELL DIVINE: Esperamos vê-los logo nos palcos em uma turnê pelo Brasil! Boa sorte com esse lançamento – que está matador – e que venham logo novos trabalhos! Deixem um recado para os fãs. Mario Linhares: Quero agradecer aos músicos que investiram seus talentos nas composições e gravações do “Hellakin Riders”, aos músicos atuais, Ian, Jeff, Guilherme e Victor, que também dispõem dos seus talentos, fé e suor nas novas composições e nos novos trabalhos e, acima de tudo, quero agradecer a todos que acreditam no nosso trabalho, que nos incentivam e nos ajudam. Um forte abraço a todos e espero ver vocês na estrada do rock. Por Pedro Humangous.

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entrevista A cena de Metal em Brasília está voltando a mostrar sua cara com grandes bandas, de todos os estilos. O Age of Artemis é uma banda que vem com grandes promessas, depois do lançamento de “Overcoming Limits” e com a possível entrada do vocalista no Angra. Vamos conversar com Giovanni Sena (baixista) e saber o futuro que a banda vê para si. HELL DIVINE: E aí pessoal, vamos começar sabendo como foi o caminho de vocês até o lançamento do disco? Conte-nos a história do Age of Artemis. GIOVANNI SENA: A Age of Artemis foi idealizada por Gabriel T-Bone (guitarra) e Pedro Senna (bateria). Na época, lançaram um CD demo e, com o passar do tempo e troca de integrantes, eles foram amadurecendo e se tornando uma banda profissional. HELL DIVINE: Como foi o caminho da banda até o lançamento de “Overcoming Limits”? Com certeza, vocês passaram por algumas situações complicadas; dividam-nas com a gente. GIOVANNI SENA: Acredito que as dificuldades é que fazem as pessoas ou, nesse caso, a banda, se tornar mais madura. A maior delas foi a constante troca de integrantes. A banda estava prestes a gravar quando, de última hora, faltando um mês para as gravações do baixo, surgiu o convite para que eu tocasse com os caras. Logo após a minha entrada, foi a vez do Alírio. E a partir disso, fizemos o “Overcoming Limits” e já 16

rodamos o Brasil, passando pelo Sul, Nordeste e Centro-Oeste mostrando o nosso trabalho. HELL DIVINE: No début de vocês a produção ficou a cargo de Edu Falaschi (ex-Angra, Almah, Symbols). Como foi feito o contato dele com vocês? GIOVANNI SENA: Temos a mesma assessoria de imprensa, a MS Metal Press. Daí, o contato ficou fácil. HELL DIVINE: Ter trabalhado com Edu deve ter sido uma experiência única. Diga-nos, em que ponto a Age of Artemis cresceu depois desse trabalho? Como vocês podem ver o futuro desse encontro? GIOVANNI SENA: O Edu passou vinte anos com uma das bandas mais renomadas do Heavy Metal mundial. Ele adquiriu muita experiência, desde a pré-produção até o business do mercado musical. Então, toda essa experiência foi canalizada na gravação do “Overcoming Limits”. Aprendemos muito com o Edu e essa parceria fez com que o nosso disco fosse lançado no Japão pela King Records.


s e t i m i l s o o d n a ultrapass HELL DIVINE: E com a saída do próprio produtor de vocês do Angra, corre na boca miúda que a pessoa mais certa para substituí-lo no Angra seria o Alírio Netto. Como essa notícia caiu para vocês e, caso isso aconteça, como será o futuro da banda? GIOVANNI SENA: Para responder essa questão eu preciso adiantar que nós todos da Age of Artemis desejamos muito que todos se deem bem na música. Eu, particularmente, torço muito pelo Alírio por se tratar de um cara super talentoso e competente. O único problema é que toda essa história não passou de um boato. Claro que, se isso realmente acontecesse, acredito que seria ótimo para todos, não só para ele. Uma banda não é feita de um homem só. Acredito que continuaríamos com o nosso trabalho mostrando que há espaço para todos.

acreditaram no nosso trabalho, provando que o Brasil tem sede de conhecer novos artistas. Quanto ao novo trabalho, já estamos em fase de composição. Não posso adiantar muito, mas digamos que o novo álbum terá um leque maior de influências. HELL DIVINE: Quais são os planos da banda para shows e turnês? Vocês têm muita coisa agendada ou ainda estão esperando fechamento de datas? GIOVANNI SENA: Temos alguns eventos agendados para o final do ano. Logo mais, todas as informações estarão disponíveis na página da banda. Muita coisa boa está por vir. HELL DIVINE: É sempre bom conversar com a Age of Artemis representada por você. Deixe aqui a sua mensagem para a HELL DIVINE e seus leitores. Até! GIOVANNI SENA: É sempre um prazer participar de ideias como esta. A Hell Divine está de parabéns por essa iniciativa. Iniciativa que se tornou importante para a música pesada do Brasil. Gostaria de finalizar dizendo que quem tem interesse de conhecer mais a Age of Artemis pode conhecer por meio dos canais e rede sociais disponíveis na Internet. Valeu e tudo de bom!

HELL DIVINE: Quais são as pretensões da banda em relação a turnês? Estão esperando convites? O disco “Overcoming Limits” foi muito bem recebido pela mídia e público especializado; o próximo disco vai seguir a mesma sonoridade, ou vocês pensam em colocar novos elementos nas músicas do Age of Artemis? GIOVANNI SENA: Apesar da “era download”, o disco “Overcoming Limits” superou nossas expectativas. A primeira prensagem foi esgotada em menos de oito meses. Por Augusto Hunter. Parece muito tempo, mas não é. Somos uma banda de primeiro disco e isso, realmente, foi uma conquista para nós. Temos que agradecer demais a todos os amigos e fãs que

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entrevista

m o c l a t e M h t a e D s e o ç a t e r p r e t n i diferentes Vulture é uma banda que vem com tudo em 2012. Após o lançamento do elogiado “Destructive Creation”, o grupo de Death Metal busca seu merecido lugar ao Sol no que diz respeito ao reconhecimento verdadeiro no nosso underground. A banda conta com Adauto Xavier (vocal/guitarra), Max Schumann (baixo) e seus respectivos irmãos, André Xavier (bateria) e Yuri Schumann (guitarra/ backing vocal), que conversaram com a Hell Divine e contaram mais detalhes sobre o álbum, além da questão familiar dentro da banda e também de diversos planos para breve. Muita coisa boa!

HELL DIVINE: Como definiriam o novo disco de vocês “Destructive Creation”? YURI: É um álbum de Metal no qual predominam os elementos Death, mas há muito de Heavy e Thrash Metal também. Acho que conseguimos equilibrar bem nossas influências nesse trabalho e melhoramos alguns quesitos na gravação, apesar de ser o primeiro álbum gravado por nós mesmos. Creio que, com relação a isso, estaremos bem melhores nos próximos lançamentos, pois melhoramos nas composições que, acredito, ficaram mais coesas, se comparadas ao álbum anterior. Enfim, esse trabalho nos proporcionou bastante aprendizado e estamos realmente felizes com as resenhas que têm saído sobre ele. ANDRÉ: Bom, eu defino da mesma forma que o Yuri: acho que fazemos um Death Metal com elementos que passam pelo Heavy, Thrash, Black e outros. O interessante deste álbum é que ele mostra um Vulture mais maduro em relação aos álbuns anteriores. Conseguimos mesclar as influências e ideias de todos integrantes, desde a capa à gravação, composição, estrutura, etc. Todos nós 18

fomos muito participativos na produção e ficamos felizes com o resultado. Estamos recebendo diversos elogios por parte do público e da mídia especializada, o que nos deixa cada vez mais empolgados para continuar compondo e disseminando nosso Death Metal. HELL DIVINE: O álbum apresenta belas melodias, que transmitem uma sensação de melancolia. Vocês concordam com isso? Se sim, esse era um dos objetivos do novo álbum? YURI: Concordo em parte. Acredito que algumas músicas são bem melancólicas mesmo, como “Alignment 2012” e “Carrasco De Si Mesmo”. Outras possuem partes melancólicas, mas sabe que, depois de escrever essas primeiras linhas, começo concordar com você, Christiano. Sim, esse álbum ficou melancólico, mas não tínhamos essa intenção. Fomos compondo as músicas de forma natural e elas acabaram saindo com esse tipo de melodia. Talvez tenhamos apresentado isso na hora da escolha das músicas que fariam parte do CD, uma vez que tentamos colocá-las de forma que não ficassem tão diferentes umas das outras. Até a sequência delas no álbum foi analisada por nós. Creio que esse trabalho de escolha e sequenciamento mais adequado resultou em uma maior


coesão, que ficou meio que dividido em duas partes bastante parecidas. Aprendemos isso com as críticas que recebemos do álbum anterior, onde tentamos colocar um número maior de músicas sem nos preocuparmos muito com o sequenciamento correto delas. ANDRÉ: Acho interessante essa diversidade de emoções em relação à música, pois, apesar de concordar que muitas de nossas composições possuem características melancólicas (para mim, marcantes na “No Way to Follow”, por exemplo), considero este álbum enérgico e que, muitas vezes, me passa sensação de empolgação, luta e desafios, como por exemplo, na “Allfalls Down” e “Murderous Disciples”. Músicas como “Vulture’s Path” (demo “Hellraised Abominations”), “Under The Blackest Horizon” e “Vicious Void” (ambas dos álbuns anteriores) mostram fortemente essa característica melancólica das nossas composições, sempre presente em nossos álbuns, mas acredito que está mais diluída em “Destructive Creation”. Mas o legal é que não pensamos nesse aspecto na hora de compor; como o Yuri disse, saíram naturalmente e acho particularmente gratificante ver que elas possuem interpretações de acordo com a pessoa que está ouvindo, pois acredito que a subjetividade é um dos objetivos da arte. HELL DIVINE: Dentro dessa questão, os riffs velozes e melódicos lembram os de bandas de Black Metal, uma das influências já mencionadas por André. Falem um pouco sobre isso. YURI: Certamente somos influenciados pelo Black Metal, mas acredito que nossas maiores influências estão mesmo no Heavy

e no Thrash Metal, até porque, no momento, não temos escutado tanto bandas de Black. Acho que, pelo fato de as melodias terem ficado melancólicas e marcantes, você tenha tomado o estilo como referência, mas, se notar, vai ver que há também muito Thrash Metal nesse trabalho e algumas passagens são Heavy puro e simples. Engraçado é que nos intitulamos como uma banda de Death Metal e gostamos disso, pois acho que é um estilo que permite essa mistura de elementos. Eu o vejo como um estilo que não é tão preso a clichês e onde a mistura, quando bem colocada, fica muito legal. ANDRÉ: Ouvimos bastantes bandas, como Rotting Christ e Dissection. Elas representam uma boa parcela de nossas influências, mas acredito que nossas músicas estão, de certa forma, equilibradas nos diversos estilos, pois gostamos de muitas bandas de Heavy, Thrash, Death e Black, apesar de cada um ter sua preferência dentro deles. Gosto muito de Emperor, por exemplo, e acho que, de certa forma, sempre me influenciou muito na hora de fazer as linhas de bateria e nas minhas opiniões quanto às composições, que ficam por conta do Adauto e do Yuri e que, certamente, possuem influências diferentes das minhas. De fato, o Death Metal nos permite unir essas diversas influências e acho que nos encaixamos legal dentro desse estilo. HELL DIVINE: A maioria das letras são críticas ferrenhas à religião. Vocês acreditam em alguma coisa nesse sentido? YURI: Não, acreditamos apenas que a religião é uma forma de con-

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trole do homem por ele mesmo. Eu até considero as religiões pagãs interessantes, por serem baseadas na submissão e no respeito à natureza, uma vez que os povos que as tinham eram totalmente dependentes dela. Por isso, eles a cultuavam, mas esse modelo de religião onde um monte de mentiras se tornaram dogmas que servem apenas para controlar o comportamento e o pensamento das pessoas eu considero ridículo. É difícil acreditar que, se você for bonzinho e der seu dinheiro para a igreja, irá para o céu, e caso não faça isso, irá arder no fogo no inferno. Como eu disse esses tempos atrás para o Adauto, o papai Noel foi criado para enganar as crianças e Deus foi criado para enganar os adultos. HELL DIVINE: Por que a opção de cantar “Carrasco de Si Mesmo” em português? YURI: É algo que tomamos como uma regra depois de “Empalação Brutal”, do nosso primeiro CD: ao menos uma música de nossos álbuns será em português. Gostamos de fazer esses sons e também achamos que é uma forma de a galera entender um pouco mais a nossa proposta musical. Além disso, é muito legal quando as pessoas cantam junto conosco essas músicas nos shows, acho que a “Carrasco...” não ficou tão forte como as nossas duas outras em português, mas posso dizer que ficou bem diferente das outras. É mais cadenciada e a letra é mais subjetiva, cada um entende e marca aquilo que considera mais interessante na letra. Minha intenção, quando a escrevi, era a de expressar que todos nós carregamos um carrasco dentro de nós mesmos, que é o nosso pensamento ou nossa consciência que, às vezes, nos tortura e nos leva até a pontos extremos, como a depressão e o suicídio. Mas já vi interpretações totalmente diferentes das minhas em algumas resenhas, o que é super legal e mostra a capacidade que a música tem de atingir as pessoas de forma diferente. HELL DIVINE: Adauto e André Xavier, e Yuri e Max Schumann são irmãos. Quando isso facilita e quando isso dificulta a vida dentro da banda? YURI: Então, brother (risos), essa é uma longa história, mas, em resumo, o que aconteceu foi o seguinte: o Adauto e eu nos cansamos de ter que ficar procurando integrantes novos para a banda quando os outros saíam, então decidimos ensinar nossos irmãos a tocar. Foi complicado no começo, mas eles se esforçaram e conseguiram assimilar bem o nosso som com certa rapidez. O André, por exemplo, fez seu primeiro show conosco depois de seis meses, quando já estava tocando muito bem. A partir dessa nossa atitude, a formação se manteve estável, então podemos dizer que isso facilitou nosso trabalho. Temos uma ótima relação e, na verdade, nos vemos como quatro irmãos. Cada um conhece muito bem o outro, seus defeitos e qualidades, e não temos muito problema com relação a ego e esse tipo coisa. Nós nos vemos como um time, onde juntos somos bons pra caramba, mas separados, não somos nada. ANDRÉ: Bom, minha versão é um pouco diferente do Yuri (risos). Não fomos robôs criados para tocar (mais risos). Sempre fui muito 20

influenciado pelo meu irmão e meu primo, que formaram a banda, e desde pequeno acompanhava muito os ensaios e shows, prestando atenção sempre na bateria e no baixo. Lembro-me que meu irmão falava da banda e eu dizia que queria tocar baixo. Felizmente, ele chamou para tocar bateria e eu curti muito a ideia e levei para frente. O mesmo interesse rolou com o Max. Eu me lembro de vê-lo curtindo a Vulture em shows onde eu já estava como membro. Então o Adauto e o Yuri nos deram a maior força nos ensinando e dando apoio a esse nosso interesse. No final, isso acabou sempre facilitando nossa vida, pois somos quatro irmãos e nos entendemos muito bem, sempre respeitando a opinião um do outro. Ao longo dos anos, isso nos deu uma estabilidade e entrosamento muito fortes, que continuam crescendo a cada álbum. Nós nos vemos de fato como uma banda, onde um depende e ajuda o outro! HELL DIVINE: São dezessete anos de estrada, com quatro demos, dois EPs e três “full-lengths”. Que balanço fazem de todo esse período? YURI: Passamos por diversas fases durante todo esse período. Quando lançamos o primeiro CD oficial, por exemplo, ficamos muito ansiosos e achávamos que nos tornaríamos astros do Metal nacional. No entanto, passando a ansiedade e voltando à realidade, percebemos que pouca coisa mudaria e que teríamos um longo caminho ainda a percorrer. No lançamento do segundo álbum, já estávamos bem mais pé no chão e sabíamos que as coisas são complicadas dentro do estilo no Brasil. Então, as expectativas já não eram tão grandes, apenas confirmamos aquilo que estávamos fazendo já algum tempo, porém, ficamos um bom tempo (quatro anos) sem lançar nada após o isso. Estávamos passando por viradas em nossas vidas pessoais e acredito que isso tenha influenciado nesse vácuo da banda. Agora, em 2012, com o lançamento de “Destructive Creation”, um álbum onde a coletividade da banda se tornou muito maior – todos influenciaram, deram palpites e, de alguma forma, esse álbum tem um pouco de cada um dos integrantes – estamos muito empolgados. Nós meio que voltamos à época do “Test of Fire” e temos feito um trabalho de divulgação e promoção do álbum muito melhor que as anteriores. Estamos mais maduros e mais confiantes em nosso trabalho e a resposta do público tem sido bem legal, o que nos deixa mais felizes e empolgados para continuar na batalha, que é fazer Metal autoral no Brasil. HELL DIVINE: Agradeço a entrevista, pessoal. Estejam à vontade para um último recado. YURI: Gratos somos nós, Christiano, pelo espaço e pelo apoio que tem nos dado. Queremos agradecer também o Pedro Humangous e toda a equipe da Hell Divine, que fazem um trabalho profissional e excelente pelo Metal nacional. A batalha não é fácil, amigos, mas os perseverantes conquistam seu reconhecimento. Aproveitamos o espaço também para deixá-los a parte do planejamento da Vulture: estamos preparando ainda para esse ano a gravação de nosso pri-


meiro DVD, que será um marco na história da banda. Estamos com site novo, onde o pessoal pode comprar os CDs pelo PagSeguro e estamos finalizando um novo videoclipe. Estamos acertando também uma turnê europeia e o lançamento de um EP com músicas antigas, que ficaram guardadas para o ano que vem. Enfim, estamos mais ativos do que nunca e esperamos vocês em nossos shows. HAIL, METAL NACIONAL!!! ANDRÉ: Agradecemos o espaço fornecido pela Hell Divine e o grande apoio ao Metal nacional. Vemos e vivemos as dificuldades que as bandas nacionais autorais enfrentam pelo seu espaço, buscando reconhecimento, e o quanto é satisfatório participar de

festivais onde o público comparece para ver as bandas de som próprio. Infelizmente, hoje em dia as bandas autorais disputam espaço com covers, tornando mais difícil a conquista de espaço e um público fiel ao Metal nacional autoral. Em contrapartida, vemos muito moleque novo dando valor às bandas brasileiras, mostrando que a veia headbanger sempre vai existir, o que nos deixa empolgados para continuar a batalha!! HAIL, METAL NACIONAL!! Por Christiano K.O.D.A.


resenhas

Andre Matos “The Turn Of The Lights Azul Music A técnica e talento de Andre Matos são indiscutíveis. Sua carreira teve alguns altos e baixos, sempre passeando por bandas e projetos diferentes. Após sua saída do Angra, muita coisa aconteceu. Seus trabalhos mais recentes foram com a banda Symfonia e a reunião com o Viper. Mas o que os fãs esperavam mesmo era por um disco novo de sua carreira solo. E a espera, finalmente, acabou com o lançamento de “The Turn Of The Lights”, terceiro registro com a banda que leva o seu nome. Quem acompanha a carreira do Andre sabe que o músico não costuma repetir a mesma fórmula. Então, o que esperar desse álbum, já que “Time To Be Free” foi tão diferente de “Mentalize”? Simples, mais um trabalho totalmente inesperado e incomum para sua carreira como um todo. As composições estão muito mais maduras, comedidas, suaves e acessíveis. As guitarras estão com uma timbragem mais limpa, com um toque mais Pop, construções simples e diretas dando vazão ao que mais interessa, nesse caso, as linhas vocais. Falando nelas, Andre pouco abusa de sua potência vocal, cantando em um tom mais baixo, de forma linear e mais teatral. Esqueça aquela agressividade e tons agudos encontrados nos primeiros discos do Shaman, ou mesmo no seu primeiro álbum. Tudo aqui é mais atmosférico, progressivo. Isso não quer dizer que “The Turn Of The Lights” seja ruim, apenas diferente. Essa estranheza toda passa após algumas audições e você acaba se acostumando e entendendo melhor a proposta do grupo. O fato é que faltou um pouco de punch ou, quem sabe, composições mais pegajosas. A arte da capa também deixou a desejar um pouco e que, apesar de bonita esteticamente, é meio sem sal. Um lançamento, no mínimo, interessante e de respeito. Andre Matos mostra que tem coragem, sem medo de experimentar. Isso, certamente, trará novos fãs para a banda e, possivelmente, afastará alguns outros. Faz parte. Nota: 8.0 Pedro Humangous EVERTO SIGNUM “Enneachotomy Depressive Illusions Records Existem bandas que, definitivamente, sabem fazer uma estreia marcante. “Enneachotomy” é o álbum début da banda portuguesa Everto Signum, responsável por garantir uma ótima primeira impressão para o quarteto de Coimbra. Admito que, quando peguei esse álbum para resenhar, a capa não me chamou muito a atenção, mas esse é um ótimo exemplo que não se deve julgar um álbum pela capa (afinal, tem muitas bandas de Death Metal moderninho que fazem capas gore com efeitos realistas de cair o queixo, mas que o som é uma porcaria). O arranjo desse álbum é simplesmente épico, marcante, refinado, ao ponto de fazê-lo sentir-se de volta no tempo, enquanto a atmosfera pura do Black Metal inunda sua mente com uma elegante brutalidade que é confirmada desde a primeira faixa. A negatividade simplesmente salta violentamente na forma de vibrações sonoras, provocando um psicodrama mais do que suficiente para o ouvinte se diluir no clima obscuro da obra. As letras também não ficam de fora da dedicação meticulosa da banda ao produzir seu primeiro (e excelente) trabalho, expressando de forma poética e profunda a temática lírica das faixas. Ao todo, são quase 50 minutos de produção exemplar e ritmos que alternam do amargo e melancólico ao brutal, violento e extremo. Encontrei essa banda meio que por acaso e, orgulhosamente, posso dizer que fará parte da minha coleção pessoal. Aprovo e recomendo para os fãs do gênero.

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Nota: 9.5 Yuri Azaghal


Falling In Disgrace “At The Gates of The Death Independente A fusão do Death com o Thrash Metal está cada vez mais usual, principalmente, em terras tupiniquins. A banda pernambucana Falling In Disgrace consegue equilibrar muito bem essas duas vertentes tão distantes, porém, tão perfeitas quando unidas. Os caras conseguem variar bastante dentro de uma única composição e o resultado é bem interessante. Outro ponto que ficou legal no disco é o fato de cantarem em português e em inglês, deixando a audição bem variada. “At The Gates Of The Death” é o primeiro registro oficial do trio formado por Marcio Paraíso (guitarras e backing vocal), Nilson Marques (vocal e baixo) e Hugo Veikon (bateria), e o que podemos notar são o esforço e dedicação dos músicos. As composições são muito legais e bem estruturadas, mas fica explícita a dificuldade na hora de produzir, gravar e mixar o trabalho. É possível notar alguns erros de execução como no tempo da bateria e algumas sujeiras, que podiam ter sido cortadas, das guitarras. Os vocais são muito bons, principalmente, os mais guturais. Os caras mandam, inclusive, uns gritos no estilo Destruction, bem Thrash Metal anos oitenta. Pode-se notar uma forte influência de Cannibal Corpse também, o que é uma bela forma de se inspirar. Ao todo, são seis músicas novas e mais três bônus do EP “Never Die Alone”, de 2010. O Falling In Disgrace mostra que tem muito potencial e que se investirem em uma boa qualidade de produção e gravação, podem chegar mais longe em um próximo lançamento. Nota: 7.0 Pedro Humangous Flying Colors “Flying Colors Som Livre Mais uma vez somos surpreendidos por um supergrupo recheado de estrelas do mundo do rock! Formado por Mike Portnoy (Adrenaline Mob, ex-Dream Theater), o baixista Dale LaRue (Joe Satriani, Dixie Dregs), o tecladista Neal Morse (Spock’s Beard, Transatlantic), o guitarrista Steve Morse (Deep Purple) e o vocalista Casey McPherson (Alpha Rev), o Flying Colors é uma verdadeira mistura sonora que resultou em um disco fascinante e altamente cativante, daqueles para se deixar rolando no player por um longo período de tempo. Não se trata de um disco de Heavy Metal (embora algumas canções, como a excelente “Shoulda Coulda Woulda”, tenham vários elementos do estilo), e nem algo ultra virtuoso ou complexo, mas sim de um belo disco rock clássico – até um pouco acessível – com várias incursões em música progressiva, Hard Rock, e até um tempero pop bem interessante; graças aos excelentes vocais de Casey, que casaram perfeitamente com o som apresentado, com muita harmonia. É possível perceber, ainda, claras influências de Yes, Genesis e Pink Floyd na sonoridade dos caras. Passando pela épica “Blue Ocean” (a melhor do disco), com vários momentos bem trabalhados e ambientais e, contendo também, algumas belas músicas mais suaves e viciantes, como “The Storm” e “Better Than Walking Away”, “Flying Colors” é um discaço e, certamente, será recorrente em listas de melhores do ano de 2012. Altamente indicado. Nota: 9.5 Junior Frascá FROZENWOODS “Echoes of the Winterforest Musica Production “Echoes of the Winterforest” é a obra de estreia da banda Russa FrozenWoods (que, felizmente, compôs as letras em inglês, facilitando meu trabalho). Julgando pelo tema, assim como muitos, deduzi que seria algo voltado para o depressivo, o que não é certo. O álbum é pura pancada noventa por cento do tempo, contando com um arranjo agressivo e uma técnica admirável. Apesar de durar quase uma hora, tem apenas cinco faixas, sendo que a última dura mais de 20 minutos – portanto, essa é a sua chance de evitar o álbum se você não tem paciência para ouvir faixas longas. As letras estão muito boas e criativas, e se levarmos em conta a temática quase que única do álbum, é uma proeza e tanto escrever letras de temas similares e sem se tornarem repetitivas ou enfadonhas. O que falar de negativo desse álbum? Alguns poucos elementos em seu instrumental se tornam repetitivos e se estendem para além de uma faixa (estou, especificamente, falando do abuso de um prato na bateria que é tocado constantemente e acaba irritando, mas talvez o pessoal da banda tenha feito isso propositalmente na intenção de tornar o som “agoniante”). Fora isso, “Echoes of the Winterforest” é um álbum digno de respeito e se me perguntarem se esse alvo vale a pena, eu posso afirmar com toda a certeza que sim. Nota: 9.0 Yuri Azaghal

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FROSTED MIND “Death Carousel” Independente Depois de muitas tentativas e planejamentos, a banda paulista de Black Metal sinfônico Frosted Mind está oficialmente ativa com o seu EP “Death Carousel”. Apesar de possuir apenas três faixas, esse “modesto” trabalho possui grande potencial para fazer mais uma ótima banda trazer orgulho para nós paulistas que amamos o nosso underground. Frosted Mind é mais uma banda que mostra que um gênero musical não precisa de inovações e alterações ridículas. Basta os músicos possuírem talento e criatividade que a água desse mar negro jamais se esgotará. E criatividade e talento foram expostos de sobra nesse trabalho. Logo na primeira faixa, é possível notar a inspiração, com arranjos sofisticados e equilibrados, fazendo emergir uma atmosfera um tanto épica (e ao mesmo tempo brutal). A banda mostra (assim como muitas outras) como fazer um Black Metal decente e sem frescuras, além de manter seu toque pessoal na forma de compor, em vez de se tornar apenas mais um “clone de influências” (e influências excelentes por sinal). Tudo o que digo aqui pode ser entendido no sentimento que a faixa “Moonlight Ritual” – que, por acaso, é a minha favorita – evoca logo nos primeiros segundos de manifestação sonora. É desnecessário dizer que existem milhares de bandas excelentes no underground brasileiro, e Frosted Mind provou ser mais uma delas. Como sempre, é um prazer fazer a minha humilde parte para ajudar uma banda em ascensão que tenha potencial. Novamente, eu só tenho a dizer: Pobre idiota aquele que não sabe apreciar metal nacional. Nota: 10 Yuri Azaghal

Fozzy “Sin and Bones” Century Media Heavy Metal puro e simples, mas forte e com certa dose de modernismo é o que o quinteto norte-americano Fozzy nos oferece em “Sin and Bones”, seu quinto disco de estúdio e, digamos, de passagem: para que mais que isso? Vocais bem melodiosos (e vez por outra raivosos), bases e solos bem estruturados, baixo e bateria técnicos e pesados, tudo na medida mais certa possível, chegando a ser um trabalho que, apesar do peso, é bastante acessível aos menos iniciados, mas muito agradável. Lembrando que no time tem gente que tocou em bandas como Adrenaline Mob, Stuck Mojo, Sickspeed, entre outros, logo, o cacife aqui é alto, pois a produção do guitarrista Rich Ward (um dos patrões, junto com Chis Jericho, o vocalista) deixou o álbum soando atual e pesado, mas sem perder aquela pegada melodiosa que a banda sempre teve. Agora, quando o disco começa a rolar, fica claríssima a impressão que encontramos um dos “Top Ten” de 2012, pois o disco é bastante agradável, especialmente, por conta das faixas “Spider in my Mouth”, que é uma pedrada certeira; “Sandpaper”, outra cacetada, tendo a participação do vocalista M Shadows do Avenged Sevenfold; “She’s My Addiction”, tendo Phil Campbell do Motorhead fazendo o solo; e a belíssima e pesadona “Inside my Head”, uma semi-balada muito bonita e legal, com um refrão ganchudo ótimo. Nota: 10 Marcos Garcia Grave “Endless Procession of Souls” Red General

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Algumas bandas, para nossa alegria, realmente nunca decepcionam seus fãs. E esse é o caso do Grave, que é uma verdadeira instituição do Death Metal, e mesmo com um longo período de estrada, sempre consegue lançar discos consistentes e seguindo a mesma linha, sem nunca abandonar o estilo que os consagrou. E “Endless Procession of Souls” é a prova viva de que a banda está em sua melhor forma, em um dos melhores lançamentos de sua carreira. Embora não haja muitas mudanças na sonoridade dos caras, o Death Metal cru e tradicional perpetrado está cada vez mais


cativante e maduro, primando pela qualidade musical e pelo peso absurdo do que por exageros técnicos ou excessos de velocidade, inclusive, inserindo alguns elementos de Doom metal que deixam tudo ainda mais interessante. Assim, pedradas como “Amongest Marble of the Death” (com linhas vocais de cair o queixo), “Disembodied Steps” (uma das mais legais e soturnas do disco, com riffs fantásticos), “Passion of the Weak” (talvez a mais brutal do material) e “Plague of Nations” (com cara de trilha sonora de filme gore) têm tudo para se tornarem clássicos imediatos da banda. Sem dúvida, um dos grandes discos da carreira da banda, e entre os melhores do metal extremo em 2012. Não deixe de conferir. Nota: 9.0 Junior Frascá Harllequin “Hellakin Riders” Die Hard A banda brasiliense Harllequin havia encerrado suas atividades antes mesmo de ter lançado um primeiro trabalho oficialmente. O grupo já prometia bastante e o material era aguardado com ansiedade pelos fãs. A boa notícia, então, veio esse ano, com a volta da banda à ativa e com um lineup reformulado. Hoje, a formação está consolidada com Mario Linhares (Dark Avenger, vocal), Ian Bemolator (Coral De Espíritos, guitarras), Jeff Castro (guitarras), Guilherme (baixo) e Vitor Lucano (Device, bateria). “Hellakin Riders” se destaca pela mistura incrível de um instrumental nervoso, extremamente pesado, aliado aos vocais potentes, agudos e melódicos. As composições passeiam com facilidade pelo Prog, Thrash e Melodic Metal, sem se prender a nenhum deles. Conseguiram utilizar o que já existia e transformar em algo novo, inesperado. As guitarras têm forte inspiração e influência de Yngwie Malmsteen, sendo velozes e técnicas ou calmas e melodiosas, quando o momento pede. As linhas vocais de Mario Linhares são estupendas. O cara não está para brincadeira e mostra toda sua capacidade vocal nas dez faixas que compõem o disco. Facilmente, um dos maiores vocalistas do nosso país. O disco é conceitual e, segundo a própria banda, “Hellakin Riders” conta a primeira parte da saga do Bando do Arlequim: uma lenda espanhola de um grupo de cavaleiros que, amaldiçoados pelo Rei dos Mortos, foram condenados a vagar eternamente intangíveis, em uma dimensão na qual estavam vivos para os mortos e mortos para os vivos. Todas são excelentes, mas destaco com facilidade as faixas “Archangel Asylum”, “King Of The Dead” e “Hellakin Riders”, simplesmente absurdas e perfeitas! A maravilhosa arte da capa é o toque final que faltava para finalizar essa obra de arte. Um dos trabalhos mais interessantes já lançados no Metal nacional e que merece nota máxima. Nota: 10 Pedro Humangous Hellyeah “Band of Brothers” Eleven Seven Music Mesmo já tendo dois discos lançados anteriormente, a verdade é que a atual banda do eterno ex-Pantera Vinnie Paul, e que conta ainda com Chad Gray, Greg Tribbett (respectivamente, vocalista e guitarrista do Mudvayne), Tom Maxwell (guitarrista, ex-Nothingface) e Bob Zilla (baixista, Damageplan) ainda não tinha conseguido lançar um material de maior destaque. Mas neste novo lançamento, a coisa é muito diferente, com uma sonoridade bem mais encorpada e pesada que nos lançamentos anteriores. Influências de Pantera (em especial, dos discos “Cowboys From Hell”, “Vulgar Display of Power” e “Far Beyond Driven”) são notórias em grande parte do material, com faixas pesadas e repletas de groove, mantendo alguns dos elementos de Southern Rock característico da banda, e acrescentando outros, como o Hardcore, por exemplo (escute a faixa “Drink Drank Drunk” e comprove). Já na primeira faixa, “War In Me”, a banda já se mostra bem mais agressiva, com vocais rasgados e riffs destruidores, e segue assim até o final, destacando-se a faixa título com seu refrão pegajoso; a cadenciada “Rage/Burn”, que conta com alguns dos melhores riffs do disco e lembra algo de High On Fire; “Why Does It Always”, pesadíssima, e com pinta de se tornar um dos clássicos do grupo; e “Dig Myself A Hole”, outra que gruda na cabeça do ouvinte logo no primeira audição do material. Além disso, a qualidade de gravação do material (gravado no Home Studio de Vinnie, em Dallas) é excelente, moderna, mas ao mesmo tempo crua, deixando tudo bem na cara, e com destaque para o peso. Um discaço, altamente indicado para todos os apreciadores da boa música pesada! Nota: 9.0 Junior frascá In This Moment “Blood” Century Media Mais uma banda embarca na onda do New Metal/Alternativa, oscilando entre momentos brutais e outros mais amenos. É isso que o quinteto In This Moment se propõe a fazer e consegue ser convincente sem ser repetitivo ou chato, e nem um pouco clichê no seu disco novo “Blood”, que a Century Media acaba de por nas prateleiras das lojas. A banda usa de um expediente interessante, pois seus momentos mais amenos ou caem para o Pop ou para o chamado Gothic, ou até mesmo para estilos menos ortodoxos. No entanto, quando o quinteto resolve pegar pesado, mostra saber fazer algo intenso e pesado, com berros estridentes de sua vocalista (que não cai em modelos já

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estabelecidos, o que é uma boa coisa), guitarras que sabem criar tanto uma suavidade amena quanto o peso quando necessário sem abrir mão de uma boa técnica, e uma cozinha bem versátil, como o som pede. Kevin Churco teve trabalho ao produzir este disco, mas valeu a pena, pois o CD soa intenso e pesado ao mesmo tempo, mas quando a suavidade se faz presente, o produto continua sendo de primeira, especialmente em faixas como “Blood”, onde momentos pais Pop e pesados convivem e se alternam; “Whore”, quase toda macia; a pesadona “You’re Gonna’ Listen”, com berros extremos de doer os ouvidos; e a forte “‘Beast Within”. Um disco bom e honesto, apesar deste que vos escreve não ser muito fã deste estilo. Nota: 8.0 Marcos Garcia Kamala “The Seven Deadly Chakras” MS Metal Records/Voice Music O terceiro disco do Kamala é a prova viva de que mesmo sem muito apoio é possível lançar material de excelente qualidade no mercado nacional, com muito profissionalismo. Desde a qualidade da arte gráfica até a gravação do material, tudo é muito bem feito, sem deixar qualquer coisa a dever ao som de grandes bandas gringas. E a trupe continua exarando o mais puro Thrash Metal moderno, com altas doses de Death Metal e alguns (poucos) toques de metal industrial (até com algumas passagens eletrônicas, como se percebe no começo da faixa “Heart”, por exemplo), tudo de forma bem coesa e visceral. Assim, o material é muito pesado e intenso, exarando fúria em todas as faixas, trazendo influências como Pantera, Machine Head e Soulfly, e lembrando muito o Ektomorf. O único problema do disco é que o vocal está muito distorcido e com efeitos exagerados, tendo ficado muito artificial, mas nada que comprometa o resultado final do disco, que é daqueles difíceis de saírem do player, sendo bastante homogêneo – sendo, inclusive, impossível citar destaques. Portanto, mais uma grande banda do cenário brasileiro, e que tem tudo para estourar mundo afora. Talento os caras têm de sobra. Nota: 8.5 Junior Frascá Killer Klowns “Rollercoaster Ride” Heart of Steel Records Os anos oitenta se foram, mas é nítida a falta que faz nas pessoas e mostra o quanto foi marcante, pelo menos, para a música. Formada em Uberlândia por William (vocal), Teets (guitarras), P.C. (baixo) e Baby (bateria), a banda Killer Klowns revive, com maestria, os bons e velhos tempos do Hard Rock. Lembra daquela febre de Bon Jovi, Poison, Mötley Crue e afins? Pois é, os caras trazem novamente à tona essa energia das músicas pesadas, porém, extremamente acessíveis e pegajosas. O disco já impressiona de cara pela divertida e bem desenhada capa. Ao colocar a bolacha para tocar, encontramos músicas de bom gosto, bem produzidas e executadas de forma que soem como uma apresentação ao vivo. “Rollercoaster Ride” é realmente uma montanha russa, cheia de surpresas e bons momentos de diversão. Até as baladas estão presentes – só faltou o isqueiro vir junto com o CD. Muito legal ver como conseguiram uma sonoridade atual, mas, ainda assim, remetendo aos clássicos da época. É possível ainda sentir alguma influência de Kiss também, ou seja, temos um pouco de tudo, desde os anos oitenta até os noventa. Se você aprecia essa vertente, o Killer Klowns é um prato cheio. Lançaram um disco de estreia de respeito e já é destaque na cena nacional, podendo brigar de igual para igual com os grandes do estilo lá fora, sem medos. Nota: 8.5 Pedro Humangous Lita Ford “Living Like A Runaway” SPV / Steamhammer Records A belíssima e talentosa ex-guitarrista do The Runaways, Lita Ford, lança mais um belíssimo disco de Hard Rock. Cheio de guitarras pesadas, boas melodias e o clássico charme do estilo, o disco de Lita vale muito a pena para quem sempre curtiu a voz da cantora, que se mantém intacta. O disco é bem pesado e direto ao ponto, como já denuncia a ótima música de abertura “Branded” em que guitarras pesadas e sua cativante voz que, sem muito esforço (mas sempre com muito bom gosto), abrem muito bem esse disco. Músicas como “Hate”, “Devil In My Head”, “The Mask” mostram que ela está em forma, não devendo nada às bandas mais atuais e aos grandes que se mantiveram no estilo. A balada “Mother” tem uma letra muito bem composta e interessante de se prestar atenção. Ouçam com calma, abram uma gelada e comecem a festa, pois, certamente, “Living Like A Runaway” irá acompanhar bem esse momento.

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Nota: 9.0 Augusto Hunter


Lost In Hate “Cultura Da Autodestruição” Seven Eight Life A cultura Straight Edge pode ser desconhecida por muitos, mas está fortemente presente no som da banda brasiliense Lost In Hate. O grupo, formado em 2007, vem crescendo exponencialmente na cena local e expandindo sua música por todo o nosso país. Após vários shows memoráveis e o lançamento do EP chamado “Disciplina e Honra”, é chegada a hora da estreia oficial de um disco completo, o chamado “Cultura Da Autodestruição”. Toda a bagagem que acumularam durante os anos pode ser vista nesse registro. Um trabalho maduro, coerente, bem amarrado de ponta a ponta, esbanjando garra por meio das onze faixas que compõem o álbum. A gravação foi feita no conceituado Orbis Studio e o resultado final ficou de altíssimo nível. A produção, mixagem e masterização ficaram perfeitas, deixando tudo muito bem encaixado em seu devido lugar, instrumentos precisos e vocais transbordando energia e violência. As guitarras receberam uma roupagem de peso, mas, ao mesmo tempo, cheias de melodia, com riffs de fácil assimilação, muito bem compostos. A veia Hardcore pulsa latente e mostra sua cara sem medo, nunca deixando de lado os famosos coros característicos do estilo. As letras são todas cantadas em português, com temas inteligentes e de forte engajamento social. A cena do Distrito Federal está crescendo assustadoramente e o Lost In Hate já assume sua posição de destaque nela. Recomendo comprar o disco dos caras, pois, além de ser muito bom, a embalagem em digipack deixa tudo ainda mais legal. Se preferir, pode fazer o download gratuito no site da banda. Seja qual for sua opção, não deixe de ouvir esse lançamento! Nota: 9.0 Pedro Humangous Machinage “It Makes Us Hate” Gear Records / Voice Music O disco de estreia é sempre muito esperado, seja pelos fãs, seja pela própria banda. O Machinage vem de Jundiaí/SP e já chega com o pé na porta com o lançamento de “It Makes Us Hate”. O estrago já começa com a bela capa desenvolvida pelo cada vez mais atuante, João Duarte – uma pena que na impressão final a arte acabou ficando escura demais. A mixagem e masterização foram feitas em Orlando, na Flórida, pelo renomado Tim Laud, que já trabalhou com bandas como Soufly e Cavalera Conspiracy. Como se não bastasse, a banda ainda contou com a participação especial de Antônio Araújo (Korzus) no solo da faixa “Next Victm”. O Machinage está pronto para a guerra e isso fica claro nas letras abordadas. A sonoridade é voltada completamente para o Thrash Metal, misturando um pouco do que foi feito há trinta anos com uma pegada totalmente atual. A forma de compor e executar as músicas me lembrou um pouco dos alemães do Tankard, trocando a cerveja por granadas. Gostei bastante da qualidade de gravação, que deixou todos os instrumentos bem audíveis, principalmente as linhas do baixo. Todas as faixas são bem empolgantes, com destaque para “Cold 3rd War”, com sua introdução “Slayeresca”, e “Tides Of War”, uma paulada na orelha. Podemos ficar tranquilos, pois o Thrash continua firme e está bem representado. Belo cartão de visitas! Nota: 8.5 Pedro Humangous

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Massacre “Condemned to the Shadows” Century media Lançado pela Century media, este EP de duas faixas marca o retorno do lendário quarteto americano de Death Metal Massacre à ativa. Ainda tendo Rick Rozz nas guitarras e Terry Butler no baixo, eles trazem os novos membros Mike Mazzonetto (bateria) e Edwin Webb (vocais), que mostram eficiência em “Succumb to Rapture” e “Back from Beyond”, que lembram bastante o trabalho da banda no clássico álbum “From Beyond” ainda naquela mesma fórmula, ou seja, Death Metal à lá Flórida, com distorção e peso, mas com velocidade moderada. O som está mais agressivo que antes e um pouco mais técnico, já que o novo batera é mais técnico que Bill Andrews, mas em contraponto, os vocais urrados característicos de Kam Lee fazem muita falta, apesar de Edwin se sair bem. Apesar de matar um pouco a ansiedade, é muito pouco para julgar o trabalho deles, pois não há como traçar que a banda retornou de sua cripta, mas se continuarem assim, o futuro álbum (que acreditamos que deva vir por aí em breve) vai ser um autêntico... Massacre. Nota: 8.0 Marcos Garcia MASTER “The New Elite” Pulverised Records Banda oriunda da Flórida e contemporânea de nomes como Death e Possessed, o Master, infelizmente, ficou esquecido com o tempo, coisa que Paul Speckmann e banda não merecem, já que estamos falando de uma banda única dentro do Death Metal. Sem mais delongas, “The New Elite” vem mostrando toda a força desse Power Trio incrível, começando de cara com a faixa título do disco, que dita o que o ouvinte terá depois de todo o disco: um Death Metal cheio de personalidade, com a cara do Master, que se mantém intocado em sua sonoridade dentro dos anos passados. Paul Speckmann não deixa de liberar riffs monstruosos um atrás do outro, mas sempre lembrando algo que a banda já tenha feito no passado, mostrando personalidade nas composições, mas podendo se tornar um pouco repetitivo com o tempo (nada que possa vir a diminuir o maravilhoso trabalho feito por eles). A gravação e produção do disco são incríveis, já que eles contam com Dan Swäno na linha de frente da banda; a sonoridade do disco está incrível. No mais, “The New Elite” não é somente mais um disco do Master, já que, em se tratando deles, nada é “só mais um”, é uma continuidade. Nota: 9.0 Augusto Hunter

MORTUUS CAELUM “Ad Libertatem Per Mortem” War Productions Prendendo-se completamente ao tradicional, o trabalho mais recente da banda grega Mortuus Caelum conserva uma sonoridade crua, direta e agressiva. “Ad Libertatem Per Mortem” é um ótimo álbum para quem está a fim de ouvir Black Metal de acordo com as suas características originais (ou melhor, as características que se tornaram sua marca). A composição do álbum está evidentemente ajustada para um ritmo de pura agressividade sem muitas frescuras, sendo a bateria o maior destaque em termos de técnica. Embora o timbre vocal tenha se encaixado bem, em minha opinião, digo que um gutural mais rasgado e de tonalidade mais alta combinaria melhor com as faixas. O baixo e a guitarra fazem ótimos acompanhamentos, porém, há pouca variação de tom e distorção, o que pode fazer o álbum soar repetitivo em certos momentos. Um ponto alto desse trabalho são as letras bem escritas e criativas, que possuem temáticas que alguns podem considerar clichês, mas são essas temáticas que são a essência do estilo – afinal, uma música com o nome “Bloodshed” deixa claro o que queremos ouvir quando procuramos esse estilo musical. “Ad Libertatem Per Mortem”, além de uma capa bem interessante, tem um bom tamanho (quarenta e oito minutos), agradando e muito os fãs mais “conservadores” do gênero. Faixas como “Preachers Of The Lie” e “Under A Dead Sky” são simplesmente magníficas. A Grécia pode não estar bem do bolso, mas ainda podemos encontrar ótimas bandas como essa por lá. Nota: 8.0 Yuri Azaghal

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Possessed “Seven Churches” Die Hard Records/Voice Music/Rock Brigade/Rock Machine O primeiro registro dos americanos do Possessed que, para nossa alegria, acaba de ser relançado no mercado nacional, é um dos discos mais influentes da história da música pesada e, até hoje, é referência para os headbangers. O disco, cujo título faz referência às “Sete Congregações do Apocalipse” (Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia), mostrou ao mundo uma banda altamente satânica e uma musicalidade crua, rápida e brutal, chamando a atenção de todos os fãs da música pesada, ávidos por músicas cada vez mais extremas. Mesclando, com uma naturalidade nunca vista até então, o lado mais sujo e agressivo do Thrash Metal com Death Metal (muitos dizem, inclusive, que o termo surgiu a partir desse lançamento), tudo de forma crua, visceral, e altamente empolgante. Desde a abertura, com “The Exorcist” (o maior clássico da banda, com guitarras hipnotizantes), até o encerramento, com a épica “Death Metal”, passando por faixas matadoras como “Pentagram”, “Burn in Hell” (uma das mais agressivas) e “Seven Churches” (com uma letra totalmente obscura), a banda nos apresenta dez dos maiores clássicos da música pesada, com climas sinistros e tenebrosos, que marcaram uma geração de fãs da música pesada, influenciando dez em cada dez bandas de metal extremo surgidas posteriormente. Por isso, meu caro amigo, se você ainda não tem em sua coleção este clássico, eis aqui uma oportunidade única para adquiri-lo e deixar sua coleção ainda mais completa com este que é um dos débuts mais impactantes da história do metal! Nota: 10 Júnior Frascá Repulsão Explícita “Pobre” Cianeto Discos/Violent Records/Bucho Discos/Underground Brasil Distro/Back on Track Records/Turbulation Prod./ Murder Records É talentoso o grupo que reúne vários estilos dentro do “barulho” e se dá bem em todos eles. É o caso do Repulsão Explícita, que transita entre o Crossover (principalmente), Hardcore, Punk e até Death Metal – escute “Cidade Sitiada” – para citar os mais evidentes. As quinze faixas que compõem o disco são calcadas na pura violência e criatividade na citada mistura musical. Os vocais da dupla Fernandes e Osvaldo, por exemplo, passam por gritados, urrados e rasgados de maneira natural, combinando com cada uma das composições. Além deles, os quatro músicos restantes – são um sexteto, portanto – também cometem selvagerias para sustentar o poderio vocálico. São eles: Juninho (baixo), Luiz Carlos (bateria), Leão (guitarra) e Morto (guitarra). A gravação suja deu um toque ainda mais agressivo ao material e a identidade com o ouvinte aumenta com as letras em português. Haja protesto para todos os lados! O pessoal da banda é engajado e muito, muito afiado nas palavras. Com um disco tão competente no que se propõe, o conjunto merece destaque no cenário Crossover nacional. Um début digno de clássico no estilo. Nota: 8.0 Christiano K.O.D.A.

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Science Of Sleep “Affliction” Bastardized Records Assim como a Itália, a Alemanha ficou famosa por revelar grandes nomes do Power Metal para o mundo. A onda do Deathcore assola todo o planeta e chega com força também nas terras germânicas. A banda Science Of Sleep começou seu trabalho somente há dois anos e em um curto espaço de tempo, já conquistaram admiração e respeito dos fãs – forte indicador de que será questão de tempo para se tornarem efetivamente grandes. Após gravarem umas músicas promocionais para o Myspace e Facebook, resolveram lançar, agora em 2012, esse EP chamado “Affliction”. O disco conta com sete faixas, que chegam perto de vinte e cinco minutos de música. O trabalho é viciante, extremamente violento e fiel às raízes do Deathcore. Os vocais de Marcus são absurdamente insanos, sempre misturando aquele gutural cavernoso ao rasgado e agudo. Os riffs de Sven e Nils são assustadores, muito bem construídos e juntos devem pesar uma tonelada! O baterista Dennis deve ter saído de algum filme do Exterminador do Futuro, pois esse cara não é humano – o pedal duplo mais parece uma metralhadora. O baixista Phil acompanha de perto o restante da banda com uma técnica de cair o queixo. A produção está simplesmente perfeita, tudo muito bem encaixado e audível, sem perder a potência que o estilo pede. O EP passa voando e é impossível não ouvi-lo repetidas vezes. A capa é maravilhosa e enigmática, provando que nem sempre uma arte toda colorida e cheia de informação, seja a melhor opção. “Affliction” é um verdadeiro tsunami, devasta tudo depois que passa. Só os mais fortes permanecerão de pé. Essa é mais que uma dica, é uma ordem: não deixem de ouvir o trabalho desses alemães endiabrados! Nota: 9.5 Pedro Humnagous

Screams of Hate “Corrupted Independente Esse underground sempre nos surpreende! Quando menos se espera, aparece uma banda com uma proposta incrível, qualidade de gravação absurda, praticamente pronta para o sucesso. Esse é o caso do Screams Of Hate. A banda iniciou suas atividades em Guarulhos, no ano de 2002, e “Corrupted” é o primeiro trabalho dos caras. O EP, feito de forma independente, contém cinco faixas do mais puro genuíno Metal extremo. Uma mistura fina entre o Thrash e o Death Metal. A qualidade de gravação ficou excelente, deixando as composições firmes e fortes, empolgantes do início ao fim. Os riffs de guitarra são muito bem construídos e grudam na mente com muita facilidade. A cozinha está em perfeita harmonia e cada instrumento se destaca pelas execuções precisas. As músicas falam do comportamento humano, com uma veia político-social. Tudo isso embrulhado com vocais nervosos e bastante agressivos. Ao terminar de ouvir o disco, senti uma vontade enorme de sair correndo sem rumo pela cidade, destruindo o que viesse pela frente. Destaque para as faixas “Fight” (que introdução insana!) e “Revanche”, cantada em português. Não perca tempo e baixe logo o EP dos caras, pois é gratuito! Belíssima estreia e já fico curioso pelo que poderão fazer no próximo registro! Por enquanto, destruíram tudo! Nota: 10 Pedro Humangous

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Skinner “The Enemy Within” Independente O mundo do Metal é cheio de surpresas. Quando a banda Skinner fez contato conosco, confesso que nunca tinha ouvido falar deles. Pesquisando um pouco na Internet, acabei descobrindo que após o fim da banda Imagika, os músicos remanescentes resolveram montar o Skinner. “The Enemy Within” é o primeiro trabalho oficial do grupo formado por Norman Skinner (vocais), Robert Kolowitz (guitarras), Ramon Ochoa (bateria), Elena Repetto (baixo) e Grant Kolowitz (guitarras). Nesse EP, que contém cinco faixas, é possível encontrar um Thrash Metal veloz como um trem bala, nervoso como um cão de briga e empolgante em cada segundo. A forma de compor lembra bastante as coisas feitas pelos primórdios do estilo, porém, com uma roupagem mais moderna. As guitarras trabalham com uma distorção cortante, mas, ao mesmo tempo, bastante melódicas e acessíveis, mixadas de forma limpa, sem perder a agressividade necessária. Os vocais de Norman são realmente um destaque à parte. Sua forma de cantar passeia por diversos estilos, desde o rasgado até o “choramingado”, no melhor estilo Warrel Dane (Nevermore), passando pelos agudos à la Tim Ripper Owens. Algumas faixas lembram uma mistura de Iced Earth com Testament, bastante interessante. A banda já está a todo vapor e promete lançar seu primeiro álbum completo no início do ano que vem. Já aguardo com ansiedade. Nota: 8.5 Pedro Humangous Ain Sof Aur “Atra Serpens” Desgraça Records Já se vão cerca de vinte anos desde o boom histórico do Black Metal no mundo, solidificado pelo movimento norueguês, o mais polêmico e respeitado até hoje. Quando se fala em uma banda de lá e com esse estilo musical, as expectativas são quase sempre as melhores. Tanto é que inúmeros outros grupos, mais atuais, de todas as partes do planeta, ainda absorvem aquela atmosfera mortífera e se dedicam a executar esse tipo mais primitivo de som. É o caso do brasileiro Ain Sof Aur, que investe firme no lado mais direto e cru do Metal do demônio. Porradas e mais porradas (exceto as instrumentais “Conjurating Oblivion” e “Distress of Transgression”) compõem as oito faixas do disco, com a bateria violenta de Vulkan M61-A1 – cheia de blast beats. No caso, o guitarrista Sorath Abbadon, que gravou também o baixo em duas composições, e Lucifer, que o registrou nas restantes, fazem das cordas elementos fortíssimos e avassaladores para manter a alta agressividade das canções – verifiquem, por exemplo, “Withered Husk of Amaziah”. Por fim, M. Harab Serapel se esgoela de maneira obscura e, claro, satânica, para vociferar as letras de sua ideologia anticristã. E como a crueza do CD foi mencionada, é bom citar que a gravação também está no clima do álbum: totalmente suja e... Bem, não há definição melhor: cuidadosamente crua, como nos primórdios. Vale dizer que a incorporação do clima negro não se atém somente à música em si, mas também, por exemplo, ao encarte do material: é simples, lindo e sombrio, de causar calafrios mesmo. O Ain Sof Aur resgata o Black Metal real e chuta bundas Brasil afora. Nota: 8.0 Christiano K.O.D.A.

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Soundcrawler “The Sandcrawler” Independente Puxando pela memória, não consigo me lembrar de grandes nomes vindos da França. Provavelmente, a cena por lá deve ter bastante coisa legal, mas, infelizmente, não se espalham pelo mundo com facilidade. A banda Soundcrawler vem de lá e tenta expandir seus horizontes. Por mais que o estilo praticado por Pocquet Remy (guitarras e vocais) e Riviriego Clement (guitarras e baixo) não seja o Metal, o grupo consegue agradar aos amantes do Stoner Rock. O instrumental é bastante coeso e preciso, com aquela sujeira mais leve e riffs simples, cheios de personalidade. Infelizmente, o estilo do vocal não acompanha a excelência do instrumental. Quando Pocquet resolve soltar os berros, as músicas ficam um pouco exageradas e cansativas. A voz dele é muito boa quando é mais cantada e menos forçada – “My Mind Is Going Away” é um bom exemplo. Muitas vezes, o ouvinte pode achar que está ouvindo um disco do Pearl Jam ou Audioslave, tamanha semelhança na construção das músicas. Existem bons momentos no álbum quando resolvem investir no Southern Rock ou mesmo numa pegada mais Hard Rock. Destaque total para a faixa “Escape”, a melhor dentre as seis – música instrumental com uma pitada de Mastodon. A capa de “The Sandcrawler” é simplesmente maravilhosa, talvez tenha algo a ver com as letras – que, infelizmente, não estão disponíveis no álbum. Talvez uma roupagem mais obscura e um vocal mais agressivo funcionem melhor para essa dupla. No geral, é uma banda interessante, porém o vocalista deixou a desejar e merece maior atenção nos próximos trabalhos. Nota: 6.0 Pedro Humangous Strings Of Ares “Temple To Mars” Independente Pronto, finalmente encontramos a trilha sonora perfeita para o jogo “God Of War” ou, quem sabe, para a série de filmes “Fúria de Titãs”. Mais uma ótima banda que surge do Canadá (a galera lá parece que finalmente acordou). Strings Of Ares vem com a proposta de misturar um pouco de tudo e tenta fugir da zona de conforto. Eles possuem uma forte veia no Thrash Metal (lembrando bastante o Sepultura antigo, principalmente os vocais), injetando bastante Death Metal com a técnica apurada do Prog. Tudo isso envolto em uma temática dedicada ao império romano e aos deuses da guerra. É como se montassem um mega projeto envolvendo membros de bandas como Dying Fetus, Cannibal Corpse, Machine Head e Nile. A banda é nova, mas consegue passar aquela confiança e maturidade de uma banda antiga. O legal do som é que, apesar de bem produzido e gravado, tem aquela pegada mais old school e underground – principalmente no timbre da bateria. As composições são bastante variadas, repletas de passagens intrigantes. A maior parte do tempo é pancadaria nos tímpanos, mas também é possível conferir momentos, digamos, mais suaves. A última faixa, uma das minhas favoritas, consegue misturar Belphegor com Trivium com extrema facilidade. Com todas essas comparações, dá para notar que o Strings Of Ares é uma banda bastante versátil e consegue agradar a todos um pouco. Só não entra na minha cabeça como nenhuma gravadora assinou com eles ainda. Procure conhecer o trabalho dos caras, vale cada segundo da audição! Nota: 8.5 Pedro Humangous Vintersorg “Orkan” Century Media Andreas Hedlund já é um artista famoso no undergound por cantar no clássico Borknagar, mas ele sempre manteve sua carreira solo bem atualizada. Com temas que vão do paganismo a fatos da natureza, astronomia, física e filosofia, ele retorna com o sucessor de “Jordplus”, disco lançado em 2011. Mais uma vez, o disco é produzido pelo próprio. “Orkan” vem mostrando todo o viés clássico que sua carreira tomou; algo mais ligado ao Folk, Avant-Garde, com passagens bem rápidas e ríspidas, mas também percebemos em todas as músicas guitarras bastante harmoniosas e polidas. O disco começa com “Istid”, demonstrando como o disco irá seguir em suas oito faixas; passagens rápidas e guitarras harmoniosas dão o tom ao álbum. Gravação clara e bem límpida fazem a audição ser melhor, sendo que a escolha de sua língua mãe, o sueco, faz do disco um pouco mais complicado de ser digerido. Mas nada que tire a maestria colocada em sua parte musical que é de extremo bom gosto e cuidado em todas as passagens. “Polarnatten” é, com certeza, minha faixa preferida, com uma construção bem elaborada e um refrão muito gostoso de ser ouvido. Como em qualquer disco da carreira de Vintersorg, “Orkan” não é um álbum de simples assimilação, recomendo a todos várias audições de qualquer fase de sua carreira para vir a compreender suas ideias completamente. Nota: 9.0 Augusto Hunter 32 38


Testament “Dark Roots Of Earth” Nuclear Blast O ano de 2012 tem se apresentado como um belo presente para todos os fãs da música pesada. Lançamentos maravilhosos até o momento, com certeza, vão complicar a vida de todos ao final do ano; e o Testament não deixará por menos, já que, apesar da demora e toda a tensão gerada em torno do quinteto de Thrash norte-americano, Chuck Billy e turma não decepcionaram. Nesse disco, eles contam com a adição de um novo membro de peso ao time: Gene “The Atomic Clock” Hoglan está de volta! Desde “Demonic”, o músico não passava pela banda e parece que agora o baterista voltou para ficar – pelo menos nesse disco! O disco começa com a maravilhosa “Rise Up”, que tem riffs nervosos e bem melódicos ao mesmo tempo, e vai crescendo até um belo Thrash Metal com tudo que merecemos ouvir. “Native Blood” vem logo depois e o que temos de interessante nessa música é o refrão, no qual encontramos uma bateria completamente Death Metal, maravilhosamente encaixada por Gene Hoglan e as guitarras com aquelas notas soltas, perfeito. Todo o disco é perfeito, música após música de qualidade intocada do quinteto e, com certeza, é um disco que marcará não somente a carreira da banda, mas também os fãs, que curtirão demais. Nota: 10 Augusto Hunter

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divine death match

UNCHARTED 3 - DRAKE´S DECEPTION NAUGHTY DOG PS3 Uncharted sempre foi um jogo que diferencia o Playstation de qualquer outra plataforma existente no mercado, mas em sua 3ª edição, a produtora resolveu levar todo o processo para outro nível. E ela conseguiu. Sem mais delongas, a 3ª parte da história do caçador Nathan Drake e seu fiel escudeiro Jake Sullivan retorna, ainda na cola das pistas do que seriam as descobertas do seu tio. Drake e Sully embarcam em mais uma viagem louca e perigosa, que percorre todo o mundo, mas dessa vez, a história fica bem complicada para eles, pois uma antiga parceira de Jake Sullivan está interessada nessa descoberta. Com uma jogabilidade padrão da sequência, Uncharted é, mais uma vez, um deleite para todos os gamers que curtem um belo jogo de ação, espionagem e inteligência. Temos ainda mais puzzles neste jogo e o que faz ele se diferenciar ainda mais é uma fase que você passa pulando entre barcos em alto mar! Foi aí que a Naughty Dog conseguiu levar o processo a outro nível, pois não importa quantas vezes você morrer nessa passagem, a maré nunca é a mesma. Eles desenvolveram um sistema que calcula o vento no local, fazendo a maré mudar entre um reboot e outro e, mesmo durante a passagem de Nathan por esse local, a maré estará sempre mudando. Não tem como falar outra coisa a não ser que, se você é dono de um Playstation 3, esse é um jogo obrigatório em sua coleção. Gráfico: 10 Jogabilidade: 10 Som: 10 Enredo: 10 Diversão: 10 Por Augusto hunter

SLEEPING DOGS UNITED FRONT GAMES PS3/XBOX 360/PC Sendo agora transportado para as ruas de Hong Kong, o jogador pode assumir a pele de um policial infiltrado nos negócios das tríades (as “famílias” da violenta máfia chinesa). Obviamente inspirado em Grand Theft Auto, Sleeping Dogs conta com gráficos incríveis e centenas de missões, que variam de missões policiais a criminosas. O jogo possui uma interação incrível, e nesse quesito supera, e muito, jogos como Máfia. O game peca apenas nos fatores jogabilidade (que alterna entre ótima e horrível dependendo da situação) e também na falta de realismo de sua física – especialmente nas batidas de carro. Embora possa soar como um incremento de algo bem manjado, Sleeping Dogs não é apenas mais um “Filhote de GTA”. O jogo é extenso, possibilitando uma boa quantidade de exploração livre, o que, por si só, já foge um pouco do constante clima de perseguição, tudo com um toque pessoal do oriente. Vendo pelo outro lado da moeda, o jogo pode ficar um tanto enjoativo, já que muitas side missions são iguais (como no caso das corridas ilegais). Se você é fã de jogos longos e gosta de terminar um game sempre nos cem por cento, Sleeping Dogs é um título perfeito. . Gráfico: 10 Jogabilidade: 8.0 Som: 9.0 Enredo: 9.0 Diversão: 9.0 Por Yuri Azaghal

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BATMAN - ARKHAM CITY ROCKSTEAD GAMES PS3/XBOX 360 Um dos jogos mais aguardados de 2012, o retorno do Cavaleiro das Trevas ao mundo dos games conseguiu superar todas as expectativas. Mantendo o ambiente sombrio e o clima obscuro de “Arkham Asylum”, e ampliando ainda mais a qualidade dos gráficos e a jogabilidade, “Arkham City” é uma verdadeira odisseia para nosso heroi que, dessa vez, se vê emboscado em uma cidade repleta de criminosos exilados pelas autoridades, e que está sob o controle de Coringa e sua trupe. As possibilidades de exploração dos cenários estão muito melhores do que na primeira parte, assim como as missões paralelas, muito mais complexas e abrangentes. As lutas continuam muito bem elaboradas e violentas, e com um grau maior de dificuldade, o que aumenta os desafios do jogador. Há ainda a possibilidade de jogar com a Mulher Gato em algumas missões paralelas. A única decepção do jogo fica para a luta final, mas nada que retire a excelência geral do material. Sem dúvida, o jogo mais legal e divertido de heroi já lançado no mercado, e que dificilmente será superado ainda nessa geração de consoles. Gráfico: 10 Jogabilidade: 10 Som: 9.5 Enredo: 9.0 Diversão: 10 Por Junior Frascá

SNIPER ELITE V2 REBELLION DEVELOPMENTS PS3/XBOX 360/PC Um exemplo de remake bem produzido. Sniper Elite V2 é a versão recriada do primeiro game Sniper Elite, lançado em 2005. Você assume o papel de um oficial americano da OSS (Office of Strategic Service) chamado Karl Fairburne, um atirador de elite especialista em infiltração e espionagem. O jogo se passa nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial, onde sua missão é capturar ou exterminar cientistas alemães que estão envolvidos no projeto do foguete V2. Apesar de o jogo focar no uso do sniper, é possível carregar outras armas e avançar usando outros tipos de tática. Apesar de ser um jogo divertido, ele deixa a desejar em muitos aspectos. Os gráficos, apesar de reproduzirem bem um ambiente da Segunda Guerra, são razoáveis. A inteligência artificial dos inimigos não é muito avançada, e o realismo do game varia entre incrível (fatores que influenciam o disparo do sniper) e terrível (reação dos inimigos ao serem atingidos por granadas). O jogo é divertido e faz com que você se sinta um verdadeiro atirador de elite, porém, em certo ponto se torna enjoativo, além de ser incrivelmente curto. Recomendado apenas para os fanáticos por jogos do gênero. Gráfico: 8.0 Jogabilidade: 8.0 Som: 9.0 Enredo: 8.0 Diversão: 9.0 Por Yuri Azaghal

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covering sckness O Brasil vem se destacando cada vez mais no cenário underground não somente pela qualidade da música apresentada de suas bandas; os artistas gráficos brasileiros estão cada vez mais conquistando o mundo com suas cores e ideias inacreditáveis, quesito em que temos como referência ótimos artistas. Alguns deles já passaram por essa seção, como Gustavo Sazes, Marcelo Vasco, Caio Caldas entre muitos outros. Dessa vez, vamos conversar com Guilherme Sevens, artista gráfico de alta qualidade e frontman do Painside. Vamos tentar desvendar o segredo desse ótimo artista gráfico. Confira! 36 46


HELL DIVINE: Guilherme, vamos começar pelo mais básico: como você começou a trabalhar com artes gráficas e quem é o seu maior influenciador? Sevens: Comecei a trabalhar com arte, entre 2005 e 2006, quando comecei a adquirir técnica o suficiente para oferecer meu trabalho. Essa técnica foi adquirida praticamente de forma autodidata, o que me ajudou muito na faculdade de design gráfico no mesmo período. Me formei, em 2007, e hoje atuo como web designer fixo em uma grande empresa de broadcasting(transmissão) e como freelancer. Difícil escolher um só artista influente, mas o artista que fez me apaixonar pelo que faço hoje talvez tenha sido o Derek Riggs com as capas do Maiden. Mais tarde, Andreas Marshall com seus incríveis desenhos e, mais a frente, Travis Smith com a sua linguagem característica. HELL DIVINE: Hoje, temos no mundo artistas gráficos com ideias cada vez mais variadas e de tipos de arte; alguns buscando traços mais clássicos, outros com ideias mais coloridas e vibrantes. Em qual segmento você se encaixaria? Sevens: Como trabalho sob demanda, tenho sempre que me adequar ao pedido do cliente. Então, abraço desde o desenho vetorial com muitas cores e abordagem infantil até as artes carregadas em texturas. HELL DIVINE: Dentro do seu trabalho, você procura ter uma noção mais futurista ou mais clássica? Por quê? Sevens: Realmente, depende da ideia prévia passada pelo cliente, ou da minha vontade, caso seja um trabalho pessoal. Procuro ser o mais versátil possível para conseguir executar a maior parte das ideias malucas que vêm à cabeça. HELL DIVINE: Temos artistas dos mais variados no cenário underground mundial. Quem você destacaria como um expoente na arte gráfica? Sevens: Apesar de ser um cara que não vê seus trabalhos sendo publicados todo tempo, eu diria Niklas Sundin (Dark Tranquillity), pela sua versatilidade. Usa muito bem papel e lápis e meios digitais em suas artes. HELL DIVINE: Em seu portfolio digital, você fala que trabalha para a Rede Globo de Televisão. Deve ser um desafio diário trabalhar para uma empresa tão grande. Como você vê essa situação? Sevens: É um desafio ótimo, principalmente, porque me força a trabalhar com uma linguagem totalmente diferente da que eu uso com os clientes que me procuram como autônomo. É um desafio que me faz crescer como designer, até porque tenho a oportunidade de trabalhar coisas diferentes, como projetando aplicativos para celulares, que, como autônomo, é um pouco mais difícil de ter demanda. Como todos nós sabemos, o trabalho da TV Globo é muito variado e tem muito pouco da linguagem aplicada aos meus trabalhos externos. 37 47


HELL DIVINE: Vimos, também, que você trabalhou com o Metal Mike. Como foi o processo de criação da arte de Metal Mike e o que você quis passar naquela arte? Sevens: Trabalho com Mike, desde 2006, fazendo sites, propaganda/publicidade e outros projetos. Nesse novo CD ele me contou que era um projeto muito especial. Ele passou por momentos bem difíceis. Ele queria transmitir na arte de “The Metalworker” uma mensagem de superação, como se ele tivesse sido abençoado por forças externas e pela vontade de tocar o Heavy Metal que tanto ama. Ambos fizeram sair desse inferno pessoal. Já nos singles, houve uma interpretação mais livre e literal, como em “This is war” com aquelas munições voando, etc. (risos). HELL DIVINE: Como você curte criar? Primeiro você faz algo em grafite para depois digitalizar, ou trabalha direto no computador? Conte-nos um pouco sobre seu processo de criação. Quais ferramentas são as suas prediletas na hora de trabalhar? Sevens: Apesar de gostar muito de rascunhar no papel as ideias, como tempo é curto, costumo fazer do mockup à finalização no computador mesmo. Gosto muito de visitar blogs do seguimento e pesquisar sobre as últimas tendências. Eu uso tanto meu Mac e PC para realizar meus trabalhos, arrisco até algo no iPad, mas não importa onde eu esteja, meus melhores amigos são a dupla da Adobe: Photoshop e Illustrator. HELL DIVINE: Guilherme, muito obrigado pelo seu tempo para a Hell Divine! Desejamos que continue crescendo! Deixe aqui alguma mensagem para o pessoal que lê a revista. Sevens: Gostaria de agradecer pelo espaço. É sempre uma honra conversar com vocês, seja como músico ou como designer, fico realmente feliz. Quem quiser conhecer meu trabalho como vocalista, é só acessar diretamente painside.net ou www.facebook.com/painsideofficial. Também não é difícil me encontrar pelas redes sociais, então, sintam-se à vontade para entrar em contato. Ah, e visitem meu portfolio em www.gsevens.net e me digam o que acharam! Fiquem bem! Por Augusto Hunter.

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live shit

Hate Free Festival São Gonçalo / RJ Clube Recreativo Trindade – Trindade – Data: 28/07/2012 Texto por: Augusto Hunter Fotos por: Marcos Ramos

nteceu o cano do pessoal do som – o evento aco foi ária lend ser ia met pro o julh de do A noite do dia 28 to prazeroso participar da história sen mui foi e de ois dep pois , /RJ çalo foi conhecido como para a cidade de São Gon lveu re-escrita no local que, um dia, reso res duto pro s ado ous de po gru , vamos ao um anos, RecreaLIXO Trindade. Sem mais história lico púb ao ado volt nto eve um r faze arriscar em (que uma evento. Metal, de qualquer gênero na cidade vez foi ativa no cenário), tendo recebido bandas como Arkanum, Imago Mortis, Krueger, Unearthly, Musica Diablo, Mas sacration, Matanza e outros nomes diversos do underground nacional e até mesmo o ex-baixista do Hammerfall, Magnus Rósen fez uma apresentação na cidade. Bandas locais de grande qualidade saíram dali como Cihen (RIP), Une liver (RIP), Flagelador, Internal Bleed a par outros nomes, mas como nada é é sempre, a cidade entrou em uma mar neve s bon os , de baixa e, infelizmente tos de Metal foram sumindo gradativamente, ficando somente o básico de sempre em qualquer local. Mas posta por falta do o Hate Free Festival veio com essa pro eu Mesmo com o atraso que ocorreu huma conde reativar o underground e foi isso que nen o; ten- equipamento, o evento foi ótim ão duç pro a mo Mes nto. eve do dia divertindo no vi fusão e com todos os presentes se que – dia no a blem pro pior pelo o do passad 40 52


como eles queriam, mas fizeram o seu show e assim mais uma banda tocou. Só então os paulistas do Red Front subiram ao palco para mostrar porque eles são uma das bandas que mais cresce dentro do país. Apresentando composições de seu primeiro trabalho, “Memories of War”, vários fãs ficaram até 4h da manhã e assistiram a um show memorabilíssimo. Mesmo a banda estando cansada de uma viagem longa e da espera, os caras destruíram o local; músicas como “Circle Of Hate”, “Institutions Down” caíram como uma pedra e fizeram o pessoal retirar de dentro de seu corpo o último sopro de energia, depois dessa horrores! A primeira banda da noite foi a Mortarium, longa noite, e agitar feito loucos. Incrível banda de Doom Metal composta por três grandes guer- e único! A última banda que ia se apresentar seria reiras em nome do som pesado. Elas fizeram um set a carioca Sufoco, mas, infelizmente, o baterista teve de uma hora tocando composições próprias, levando um problema e a banda não pode tocar, mas, mesmo o pessoal no local ao delírio com o peso e qualidade assim, a simpática vocalista Maria Martins e banda sonora apresentada pelas meninas. Depois dela veio o ainda foram ao local explicar o ocorrido e ainda pessoal do Outcore, banda local que sempre apostou jogaram blusa e material de divulgação para a galera. no Rap Metal para empolgar a molecada local e eles Muito legal da parte deles, parabéns! conseguiram; o pessoal fã do estilo levantou com o som dos caras que, para quem curte, é completo e irreverente. Eles fizeram uma bela apresentação. Em seguida, a banda Obscurium Soul, fazendo um Doom/ Gothic Metal calcado no Tristania e Trail Of Tears. A banda fez uma boa apresentação, com uma produção de palco interessante, com tochas e coisas afins em palco. Ponto alto para o vocalista Douglas Nefron que tem uma bela voz, forte e presente. A banda levou o cover do Cradle Of Filth “Nymphetamine”, que foi muito bem executada. Final de mais um show, hora de subir ao palco do Death Metal destruidor do Peristaltic Movements. A banda, mais uma vez, mostrou que veio para ficar. O quarteto está ainda mais entrosado e mais destruidor em suas composições, o público ficou extasiado e os clássicos mosh-pits rolaram em toda a apresentação deles. Sem maiores palavras: memorável! Depois seria a vez da apresentação do Red Front, mas houve uma mudança de últi- Então, por volta de 5h da manhã, o evento tinha ma hora – algo acabado e voltamos todos para casa. Posso parabenialtamente re- zar toda a produção do evento por ter tido a coragem provado por de tentar mais uma vez. Deu certo e espero que o todos – e subiu próximo seja ainda melhor. ao palco o Fobia. A banda Por Augusto Hunter. de New Metal tocou o básico som deles, com respeito, autoral e bem composto, mas o público não respondeu

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The Return of Blasphemy – RJ Garage (Teatro Odisseia) – Rio de Janeiro Data: 19/08/2012 Texto por: Marcos Garcia Fotos por: Marcos Garcia

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da formação original que subiu para um jam em uma música, além da presença de Leon “Necromaniac” Manssur, do Apokalyptic Raids nos vocais em outra. E pelo que se sabe, em breve, a banda lançará um CD pelo qual esperamos ansiosos.

A Lapa mal sabia o que a esperava nesta tarde quente de domingo, pois foi a data escolhida para o retorno de um dos maiores ícones do Black Metal nacional, o Mysteriis, tendo como convidados as bandas Castifas, Impacto Profano e Imperador Belial, todas do Rio de Janeiro. 1- Imperador Belial Abrindo a tarde, veio o quarteto Imperador Belial, que faz um Black Metal mais cru e cheio de influências oitentistas. Não tão veloz, mas cru e cheio de energia – na linha do Hellhammer e Bathory, mas tendo sua própria personalidade – lançando mão de um repertório próprio, com músicas como “Funeral of God”, “Metal Wolves”, e “Journey Back to Hell”, em que a banda se mostrou bastante à vontade no palco, especialmente, pelo vocalista Raphael Mangelli “Inkubus” e Carlos Outor “Chaos”. Houve, inclusive, a participação especial de um ex-membro

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2- Impacto Profano Seguindo, veio o Impacto Profano. Graças à formação estar consolidada há mais de um ano e à experiência dos 10 anos de estrada, a banda mostra não só uma postura de palco invejável e segura (especialmente, porque o baixista Pazuzu e a guitarrista S. Kals não param um segundo sequer de agitar), mas uma coesão musical absurda, já que sua a música possui técnica apurada sob tamanha brutalidade. Tocando músicas de suas demos e do álbum que chegará em breve (esperamos que ainda em 2012), o público presente os recebeu calorosamente. Destaques óbvios para “Slave of Illusion”, “Baphomet” e o hino “Lucifer”, cantado pelos presentes. E um destaque mais que óbvio é o baterista Lord Anti-Christ, que tem pegada rápida, pesada e bastante técnica, especial pela condução nos bumbos. 3- Castifas As paredes do Teatro Odisseia tremeram quando o Castifas subiu ao palco, estreando sua nova formação, após a adição do guitarrista Herr Tyr, que deu


mais peso e substância ao som da banda que ficou bem mais encorpado, mas mantendo a identidade soturna e crua que lhes é característica. Usando de vários aparatos como cruzes reversas e uma cabeça de porco, a banda fez um cenário bem forte, calcado nas músicas de seu CD “Journey Through the Darkness Path”, como “Into the Ceremonial Sodom” e “Pure Evocation”, e mais algumas novas, como “Kingdom of Satan”, que mostram que a banda está madura para um novo CD, e foram bastante ovacionados pela plateia. Destaque para Hoertel, vocalista, que sabe prender a atenção do público com carisma e uma boa movimentação, além de cantar muito bem.

sua sonoridade mórbida e climática, já que a banda está voltando à sua sonoridade de raiz. Nem parecia que a banda andou parada por anos, já que todos estavam à vontade no palco, com um conjunto musical sólido, todos com boa postura e movimentação (especialmente Agares e Mantus), e desfilando clássicos do CD “About the Christian Despair”, como “Ave Mysteriis”, “A Song for Anu” e “Nocturnal Celebration”. Houve uma do “Fucking in the Name of God”(“Hysterical Zero Hymn”), e “Nazarene Shall Fall” e “Hell Hath no Limits” do mais recente, “Hellsurrection”, mostrando que a banda está pronta para recuperar seu espaço devido.

4- Mysteriis Fechando a noite, o retorno do Mysteriis aos palcos, após anos de hiato. Com muita pirotécnica usada, a banda trouxe os veteranos Agares, Mantus e Agramon de volta, além da estreia de Arawn (guitarra) e MKult (bateria), e o retorno do tecladista Blitzgork, destilando

Foi um ótimo evento e terá sequência em breve, possivelmente no seu espaço original, pois a conversa que rola no baixo underground carioca é que o evento voltará a ser realizado na Rua Ceará daqui a um tempo. Por Marcos Garcia.

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upcoming storm

ALANIS NA CADEIA A banda oriunda de Ubatuba, São Paulo, vem com uma proposta de fazer um Thrash/Death mais ligado ao old school, como bandas da Bay Area nos anos 80 e do Death Metal de 90. Com um som bem pesado, letras que procuram retratar a visão dos membros sobre as questões sociais e existenciais. Nesse momento, a banda prepara seu primeiro material, que será produzido por Heros Trench (Korzus). Vemos que é mais uma banda que está prometendo bastante no underground, se ligue nela! Contato: samusicaskate@gmail.com

qualidade, criatividade e, principalmente, a sinceridade ideológica muita banda “malvada” do exterior (que cada vez mais se revelam palhaços que ridicularizam as próprias palavras e estão apenas infectando o gênero como parasitas atrás de dinheiro). Contato: http://www.myspace.com/opusprofanusband Por Yuri Azaghal. GOAT INVOCATION

Por Augusto Hunter. MORTARIUM

As cariocas do Mortarium surgiram, em 2010, idealizadas por Tainá Domingues e Julie Souza. Depois de uma constante movimentação de integrantes pela banda, com a chegada da Vivi Alves, o grupo se estabilizou e começou a sua carreira lançando o single “The Awakening Of The Spirit”. Elas fazem um Doom Metal coeso e bem pesado, influenciadas por nomes como Novembers Doom, Paradise Lost e My Dying Bride. Elas estão conquistando cada vez mais o seu espaço e respeito no underground e, mesmo com tão pouco tempo de existência, elas já conquistaram outras cidades do país, provando que o Mortarium não está brincando e elas, com certeza, vieram pra ficar. Contatos: www.reverbnation.com/mortariumdoommetal www.youtube.com/user/mortariumdoommetal www.myspace.com/mortarium www.twitter.com/mortarium

Para comemorar o progresso de mais um representante do nosso admirável underground, dedico esse espaço mais como uma recomendação do que como ajuda de divulgação. Em 2011, a banda Goat Invocation foi formada na cidade de Colatina (Espírito Santo) e, por meio do selo Black Goat Terrorist 666, do Equador, lançou esse ano sua primeira demo intitulada “Invocation of Black Evil”. Apesar de ser um trabalho bem curto, é uma amostra um tanto quanto satisfatória do potencial desse trio. Aos fãs do gênero, é altamente recomendado. Por Yuri Azaghal.

Por Augusto Hunter. OPUS PROFANUS

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Banda simplesmente incrível do Amapá. Formada em 2007, a banda lançou esse ano seu primeiro EP de forma independente, intitulado “Glorificando O Reino Das Trevas”, contando oito faixas de média duração cada, que são, além de músicas excelentes, provas de que o underground brasileiro consegue atingir uma maestria exemplar; muitas vezes superando com relativa facilidade o desempenho,

LAMÚRIA ABISSAL Nesse ano, também foi lançado material que vale a pena ser conferido para aqueles que apreciam Black Metal depressivo. A demo “Cânticos de um Além Abismo” da banda carioca Lamúria Abissal é um deles. Lançada pela Depressive Illussions Records, a demo possui apenas quatro faixas, porém, já aviso que são de duração consideravelmente extensa. Portanto, não é recomendável para quem não tem paciência para ouvir músicas longas (que passam dos dez minutos), mas, sim, para aquelas pessoas que não se importam com o tempo, mas com atmosfera negativa, amarga, melancólica e agoniante que podem assimilar em cada minuto, tornando “Cânticos de um Além Abismo” uma experiência única em termos de “incitação da besta interior”. Contato: http://www.myspace.com/lamuriadsbm Por Yuri Azaghal.


A.M. F – Capítulo 3: Os “Zumbis” Do Metal. Não é de agora que sabemos que as pessoas que estão voltadas para a esfera do rock/metal são mais inteligentes, e isso, inclusive, é supostamente provado por um estudo feito na Inglaterra. Eu nunca duvidei disso, mas tem muita gente dentro dessa mesma esfera que não faz por merecer esse “estereótipo”. Alguns rockers/ bangers se julgam muito inteligentes, abominando a futilidade e a alienação do ser humano comum aprisionado na sociedade das massas manipuladas, escravas da mídia, do governo, do sistema etc. Até ai tudo bem, mas o problema é que muitos rockers/bangers sofrem dessa mesma futilidade que eles tanto repudiam, apenas a aplicam de uma forma diferente (ou seja, aplicam no Rock/Metal). Exemplos não faltam e a meta desse texto é ressaltar alguns dos diversos para que essa molecada que pratica essas atitudes cretinas abra os olhos. Para começar, as malditas listas dos cem melhores guitarristas de todos os tempos. Se vocês analisarem com um pouco de bom senso, verão que essa lista formada por “cultos” amantes da boa música é tão absurda quanto a lista dos melhores brasileiros de todos os tempos. E isso ocorre por um fator em comum: Eleita pelo povão (sim, no Rock/Metal também temos os “plebeus” por assim dizer, e são eles que estragam tudo). A lista, para começar, não é medida pela habilidade (que seria o certo), e sim pelo número de fãs e pelo fanatismo (muito similar ao fanatismo religioso irracional de gente que não quer pensar). E então surgem os absurdos, como Kurt Cobain na frente do Zakk Wylde (isso quando o Zakk aparece na lista), e por aí vai. E outro fator irritante: Jimmy Hendrix SEMPRE em primeiro lugar. Certo, ele era canhoto, tocava com uma fender invertida e foi muito inovador. Mas o cara morreu há mais de quarenta anos! Mais de quarenta anos! Então quer dizer que NUNCA vai aparecer alguém que o supere? Sendo que provavelmente já superaram? Tenha dó! Se fosse a lista dos cem guitarristas mais revolucionários (ou estrelinhas) de todos os tempos, eu até ficava quieto, mas melhores?! Outro fator que me irrita profundamente são aquelas figuras que ficam medindo habilidade pela velocidade do músico, e só falam que uma música é boa se ela for tocada durante pelo menos sete minutos a 6000 bpm. Então quer dizer que uma música não pode ser bonita ou marcante se ela tiver um arranjo simples? Para

começar, não são só pegada e velocidade que fazem alguém bom músico ou não. Criatividade, inspiração, feeling e, principalmente, inteligência contam muito, sabiam? E outra coisa: Honestamente, não vejo graça alguma naqueles solos frita-dedo que alguns fazem para se mostrar. Isso não passa de notas rápidas, irritantes e incapazes de serem captadas corretamente pelo ouvido. Ou seja, essa “música”, em vez de me acalmar, alegrar ou me deixar eufórico, acaba me incomodando, porque, para mim, essa atitude de encher o ego brincando de Sonic com a escala da guitarra e as cordas primas não é música, e sim um cover estridente do Klunk (aquele inventor genial de aviões e que fala de forma incompreensível. Para quem não se lembra da infância, ele pertence à esquadrilha do Dick Vigarista que deseja capturar o pombo correio). Portanto, uma boa música não precisa ser lotada de harmônicos, bends e alavancadas, tocadas o mais rápido possível com técnica two-handed até a exaustão. Pegue pela música clássica, obras como “O Outono de Vivaldi”, “O Primeiro Movimento do Adágio A Sonata Ao Luar” (Moonlight Sonata) de Beethoven. E para finalizar, eu não poderia deixar de citar a mais odiosa de todas. Fãs com mania de “só o que vem de fora e/ou que lota estádio com pelo menos setenta mil pessoas é que presta”. É o típico roqueirinho de “Yahoo! Respostas” que fica dando pontos para quem fazer a melhor lista de cinco músicas do Metallica, do Iron Maiden, do AC/DC, dos Rolling Stones, do Ozzy etc. E então, por exemplo, aparece um e coloca assim “Enter Sandman, Fade To Black, Master Of Puppets, Sad But True e Some Kind Of A Monster”. E o cara fala “Ah, eu não gostei. Essa lista ai está muito clichê!”. E eu pergunto: Ah e você não é clichê com as bandas que gosta, não é? Filhinhos, olhem aqui: Uma pesquisa no site Metal Archives sem nenhum parâmetro mostra quase oitenta e seis MIL bandas. Algumas delas já encerram suas atividades oficialmente, mas leve em consideração que há milhares de bandas excelentes que sequer possuem registro nesse site. Vocês reclamam tanto que a cena está uma droga, mas são vocês mesmos que fazem a cena ficar uma droga. Por quê? Por não valorizarem as bandas do seu próprio país, por não verem que existem muitas outras bandas além daquela mesma meia dúzia que todo mundo ouve e, principalmente, por acharem um absurdo gastar R$ 15 em um CD; mas, em compensação, gastam R$ 60 na Galeria do Rock comprando camisetas de estampas vagabundas (também das mesmas bandas de sempre...). Portanto, não exijam progresso em nosso mundinho enquanto vocês só estiverem interessados nas fofocas da família Osbourne ou nas porcarias que o Hetfield fala, lotando o HD de arquivos mp3, preocupados como vai ser o próximo “Eddie” e idolatrando cegamente o Big Four.

momento wtf

Antes de começarmos, a inevitável advertência: Esse texto vai te ofender se você for um babaca, portanto não o leia. Se você continua lendo, é porque ou você não é um babaca, ou é um babaca e decidiu ler mesmo assim por ser muito curioso. De qualquer forma, se a carapuça servir, não diga que eu não avisei.

Por Yuri Azaghal. 45 67


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rascunho do inferno


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