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NDICE

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DITORIAL A cada ano que passa, o Heavy Metal cresce mais. A prova disso é essa revista que você está lendo nesse momento. Começamos com a edição número um sem a menor pretensão e após o lançamento, tivemos uma resposta incrível e extremamente positiva do público. A equipe se fortaleceu, ganhou novos membros e novas seções, visando continuar a fazer um bom trabalho. Apesar de termos uma cena fraca e desunida, aos poucos ela vai crescendo e tomando forma para, quem sabe um dia, poder se tornar uma realidade. As mais variadas bandas, desde monstros consagrados a talentosos aspirantes, desembarcam em nossas terras para shows todos os meses. Além dos shows, o ano de 2011 promete muito em termos de grandes lançamentos. Não há do que reclamar, e a Hell Divine buscará ao longo do ano cobrir toda essa movimentação metálica por meio de entrevistas diferenciadas, resenhas de álbuns, shows, além das colunas que criamos com os temas mais variados possíveis. Não temos intenção de ganhar dinheiro, fazer fama, nada disso. A idéia é agregar e divulgar a música de que tanto gostamos. Esperamos contar com todos vocês nessa jornada. Estamos fazendo nossa parte, e você?

Pedro Humangous.

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QUIPE

Editor Chefe: Pedro Humangous Redatores: Pedro Humangous e Augusto Hunter Designer: Ricardo Thomaz Publicidade: Maicon Leite Revisão: Fernanda Cunha Salim Colaboradores: Matheus “Myu” Oliveira; Maurício Bastos; Igor Scherer; Yuri Azaghal; Marcelo Val; Luiz Ribeiro; Emily Bodom. Envio de Material: Rua Alecrim, Lote 4, Ap. 1301 - Ed. Mirante das Águas Águas Claras - Brasília/DF - CEP: 71909-360

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Evergrey “Glorious

Amon Amarth “S

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Children of Bodom “Relentless Reckless Forever”

Deicide

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A equipe da Hell Divine seleciona os 5 melhores álbuns que estão ouvindo ultimamente.

Pedro Humangous: • Frontside “Zniszczyć Wszystko” • Dead Silence Hides My Cries “The Wretched Symphony” • Legion of the Damned “Descent Into Chaos” • Miss May I “Monument” • Conducting From The Grave “Revenants” Matheus “Myu” Oliveira: • Bruce Dickinson “The Best Of Bruce Dickinson” • Rise to Remain “Bridges Will Burn EP” • Xisforeyes “Insidious Existentialism” • Sea Of Treachery ”Wonderland” • The Devil Wears Prada “Zombie EP” Maicon Leite: • Suicidal Angels “Dead Again” • Accept “Blood of the Nations” • Motorhead “The World is Yours” • Sounder “Praise Be To Death” • Nervochaos “Battalions of Hate” 04

Yuri Azaghal: • Sodomy Torture “Exterminamorgue” • Guttural Secrete “Reek Of Pubescent Despoilment” • Mayhem “Deathcrush” • Hecate “Odes Ao Oculto” • Evilwar “Bleeding In The Shades Of Baphomet” Ricardo Thomaz: • Frontside “Zniszczyć Wszystko” • Dew-Scented “Invocation” • Machine Head “Burn My Eyes” • Forbidden “Omega Wave” • Nevermore “The Obsidian Conspiracy” Luiz Ribeiro: • Katatonia “The Great Cold Distance” • Die Apokalyptischen Reiter “Moral & Wahnsinn” • Aspera “Riples” • Belphegor “Blood Magick Necromance” • Evergrey “Glorious Collision”

Carlos Augusto Hunter: • Death “Leprosy” • Anathema “We´re Here Because We´re Here” • Paradise Lost “Faith Divide Us - Death Unite Us” • Oficina G3 “Depois da Guerra” • Imago Mortis “Vida: The Play Of Change” Marcelo Val: • Imago Mortis “Vida: The Play Of Change” • Painside “Dark World Burden” • Icon “Icon” • Forbidden “Omega Wave” • Kiss “Love Gun”


Quinta-feira, 24 de março ANTI-FLAG e THIS IS A STANDOFF - Porto Alegre/RS

Segunda-feira, 4 de abril DEFTONES e CYPRESS HILL - São Paulo/SP

Sexta-feira, 25 de março ANTI-FLAG e THIS IS A STANDOFF - Curitiba/PR

Terça-feira, 5 de abril IRON MAIDEN - Curitiba/PR OZZY OSBOURNE - Brasília/DF

Sábado, 26 de março ANTI-FLAG e THIS IS A STANDOFF - São Paulo/SP ANTI-NOWHERE LEAGUE São Paulo/SP IRON MAIDEN - São Paulo/SP Domingo, 27 de março EXCITER - São Paulo/SP IRON MAIDEN - Rio de Janeiro/RJ Quarta-feira, 30 de março IRON MAIDEN - Brasília/DF OZZY OSBOURNE - Porto Alegre/ RS

Quarta-feira, 6 de abril AVENGED SEVENFOLD - Curitiba/PR Quinta-feira, 7 de abril AVENGED SEVENFOLD Porto Alegre/RS OZZY OSBOURNE - Rio de Janeiro/ RJ Sábado, 9 de abril OZZY OSBOURNE - Belo Horizonte/ MG Quarta-feira, 13 de abril D.R.I. - Curitiba/PR

Sexta-feira, 1 de abril IRON MAIDEN - Belém/PA

Quinta-feira, 14 de abril D.R.I - Rio de Janeiro/RJ

Sábado, 2 de abril AVENGED SEVENFOLD - Rio de Janeiro/RJ OZZY OSBOURNE - São Paulo/SP

Sexta-feira, 15 de abril D.R.I. e MISFITS - Recife/PE

Domingo, 3 de abril AVENGED SEVENFOLD - São Paulo/ SP IRON MAIDEN - Recife/PE

Sábado, 16 de abril D.R.I. - Belo Horizonte/MG MISFITS - São Paulo/SP MOTORHEAD - São Paulo/SP P.O.D. - Brasília/DF Domingo, 17 de abril D.R.I. - São Paulo/SP MOTORHEAD - Curitiba/PR P.O.D. - São Paulo/SP

Terça-feira, 19 de abril P.O.D. - Curitiba/PR Quarta-feira, 20 de abril MOTORHEAD - Florianópolis/SC P.O.D. - Ribeirão Preto/SP Quinta-feira, 21 de abril DORO - Rio de Janeiro/RJ P.O.D. - Guarulhos/SP Sexta-feira, 22 de abril MOTORHEAD - Brasília/DF Sábado, 23 de abril DESTRUCTION - São Paulo/ SP DORO - São Luis/MA Domingo, 24 de abril DORO - São Paulo/SP THE ALMOST - São Paulo/SP Domingo, 1 de maio HELLOWEEN e STRATOVARIUS - Curitiba/PR Terça-feira, 3 de maio HELLOWEEN e STRATOVARIUS - Porto Alegre Sexta-feira, 6 de maio HELLOWEEN e STRATOVARIUS São Paulo/SP Sábado, 7 de maio U.D.O. - São Paulo/SP Domingo, 8 de maio FINNTROLL - São Paulo/SP

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mais tradicionais ash Metal e, com certeza, um dos Thr de ira sile bra da ban a um é ), zus Kor almente por Marcello Pompeu (vocal atu ada form É sil. Bra no de ida ativ (bateria). e importantes grupos em os Trench (guitarra) e Rodrigo Oliveira Her ra), itar (gu újo Ara o oni Ant ), ixo Dick Siebert (ba erado por muitos como um dos álbuns mais esperados e consid um çou lan da ban a e, ent papo em ent Rec muito gentil e experiente bateu um pre sem , ber Sie k Dic a xist bai O 0. dos melhores de 201 Hell Divine! Confiram!


HELL DIVINE: Toda banda tem seus altos e baixos e, certamente, aconteceu o mesmo com o Korzus. Em algum momento pensaram em desistir da banda? D.S.: Sim, acontece nas melhores famílias. Já fiquei cansado, chateado, irritado, mas nunca pensei em desistir. Meu lema sempre foi “se eu ganhar, me sigam; se perder, me vinguem; se fugir, me matem”. HELL DIVINE: Muitos shows vocês fizeram e fazem fora do Brasil. Em qual país mais gostaram de realizar o show? E em qual não gostaram? D.S.: Cada lugar ou país tem sua peculiaridade, gosto de tocar em todos os lugares, para mim não tem tempo feio. Aí vai de cada um da banda. HELL DIVINE: Quanto aos shows que fizeram no mundo inteiro, incluindo o Brasil, existe algum que foi um tanto quanto especial para vocês? Se sim, por quê? D.S.: Todos os shows são especiais, mas sem dúvida existem aqueles memoráveis, alguns bizarros, outros toscos, e uns de galã. Um Bizarro foi nos anos 80, no interior de São Paulo. Tinha um headbanger do inferno com um tridente de fazenda, e durante o show o doido batia no palco alucinadamente com o tridente. O som era tão alto que atrapalhava o tempo da música. Um que foi “da hora” foi com o Agnostic Front, em Berlim (Alemanha), em 1992. Um dia antes tocamos juntos em Postdam (Alemanha) e fomos convidados para tocar em Berlim numa casa chamada SO36, que existe até hoje. O show só tinha skin, hardcore, e 10% de metal, mas rolou bem legal, fomos aplaudidos e respeitados. Na “Quito Fest 2005”, festival ao ar livre no Equador, fizemos um wall of death imenso que se transformou em uma super roda que levantou uma nuvem de terra em nossa direção. Não teve como escapar: instrumentos, boca e olhos cheios de terra! Tudo virou uma lama com o suor. Outro foi no “Monsters of Rock”, de 1998, quando Slayer ia tocar e o Arraia nos convidou para assistir ao show do palco. Inesquecível.

HELL DIVINE: “Discipline of Hate” enche de orgulho todos os brasileiros amantes de Thrash Metal. Com o lançamento do álbum, tiveram a sensação de “dever cumprido”, ou acham que ainda poderiam ter ido mais além? D.S.: Um trabalho tem que ser abandonado em certo momento, senão você acaba mexendo tanto que o estraga. Já deve ter ouvido a estória em que o diabo queria o filho mais bonito, e mexeu tanto que lhe furou os olhos. Dever cumprido. O mais além fica para o próximo. HELL DIVINE: Compor durante o silêncio de uma sala, às vezes, não é opção de muitos músicos. Quanto às composições, quando vocês escreveram? Em meio a turnês ou preferiram fazêlas enquanto estavam em casa? D.S.: Não tem regra, sai música completa em casa, no ensaio, ou cada um vem com uns riffs, aí começa o quebracabeça até chegar ao denominador comum. HELL DIVINE: Gravar um álbum pode ser bem descontraído e divertido entre os membros quanto bastante entediante. Como foi o clima durante as gravações e composições de “Discipline of Hate”? D.S.: Foi uma gravação objetiva, desde a execução até a produção e finalização das músicas e de todo trabalho. Como sempre o clima é bom. Algumas coisas em cima da hora, só para dar mais emoção. HELL DIVINE: “Discipline of Hate” é considerado, por muitos, um dos melhores álbuns de 2010. Está nos planos da banda gravar “Discipline of Hate” ao vivo? D.S.: Por enquanto não temos plano de fazer um ao vivo, e sim um trabalho novo. HELL DIVINE: Korzus é motivo de inspiração e esperança para muitas bandas novas que estão surgindo no Brasil. Em sua opinião, quais novas bandas brasileiras farão muito sucesso em um futuro breve? E qual o conselho você daria para as novas bandas?

D.S.: Seria injusto citar nomes, pois sou amigo de várias bandas, aí rola corporativismo. Meu conselho é: Encare o metal como um trabalho, caia na estrada para ganhar experiência. Se quiser moleza, fique tocando no seu quarto. HELL DIVINE: Hoje em dia, grande parte das pessoas acaba conhecendo as bandas por terem músicas disponíveis em sites para baixar. Ao divulgarem a banda acabam, em contrapartida, deixando de comprar os produtos, mesmo gostando muito da banda. Qual sua opinião quanto ao material disponível na internet? D.S.: Temos de acompanhar a nova ordem. Bom por um lado e ruim por outro, somos conhecidos em tudo quanto é canto, mas deixamos de vender muitos CD’s. São muitos os downloads. Isso nos leva a fazermos mais shows em um mercado congestionado. HELL DIVINE: Muito obrigado pela entrevista! Nós da HELL DIVINE MAGAZINE agradecemos a oportunidade e desejamos que o Korzus continue com esse trabalho maravilhoso que deixa todos nós, fãs, muito orgulhosos do Thrash Metal Brasileiro. Deixe para os fãs uma mensagem! D.S.: Obrigado pelo espaço e interesse em nosso trabalho. Abraços a todos maníacos, doentes, viciados em metal irado. Vejo vocês nos shows. Entrevista por Emily Bodom

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A T E R R O R I Z A N D O 08

O Torture Squad conseguiu, em um relativo curto tempo, um reconhecimento nos cenários nacional e internacional. Obviamente não se consegue tal feito a toa. Resultado de um trabalho árduo de divulgação, shows por toda parte e, principalmente, excelentes lançamentos, dentre eles seis álbuns, um EP, um ao vivo e um DVD. Após constantes mudanças na formação (mais precisamente no posto de guitarrista) a banda se firma mais uma vez e acaba de lançar o disco de inéditas “AEquilibrium”. Conversamos com a banda sobre sua história, o momento atual e os planos para esse ano que promete e muito. Confiram! HELL DIVINE: Conseguir destaque e respeito na cena underground do nosso país já não é uma coisa simples de se conquistar. Na opinião de vocês, qual o segredo do sucesso aqui no Brasil e no exterior? Amilcar Christófaro: Acho que “sucesso” não seria a palavra mais apropriada, não (risos). O que a gente conquista realmente é respeito, consideração e reconhecimento. Quando os bangers veem o tempo passando, estilos musicais entrando e saindo da moda e a banda continuando firme e forte tocando o seu som, eles percebem que não é outra coisa o que está acontecendo ali a não ser honestidade. Por causa disso, acredito que naturalmente a gente constrói essa mescla de sentimentos. Castor: Acho que dedicação é a base de tudo. Estamos nessa estrada há quase 18 anos, abrindo mão de muitas coisas da vida pessoal pela banda, e passo a passo vamos conquistando espaço e suporte para trilhar mais ainda o nosso caminho. Temos muita lenha pra queimar e estrada pra seguir ainda. HELL DIVINE: O evento Wacken Battle é bastante interessante para as bandas e para o público. Em 2007, vocês venceram a etapa brasileira e representaram nosso país no festival. Conte-nos um pouco sobre a importância dessa participação e como foi a experiência de tocar na Alemanha. A.C.: Com certeza foi uma coisa marcante, mas na verdade nem pensávamos nisso ou naquilo, só pensávamos em tocar e, acima de tudo, divulgar a banda. Antes de 2007 já tínhamos tocado na Alemanha, feito tours européias, o diferencial foi realmente ter tocado no Wacken. Castor: Essa iniciativa de todo ano ter o Metal Battle no Brasil ajuda muito no profissionalismo das bandas além de aprimorarem suas apresentações ao vivo, fortalecendo e enriquecendo mais a nossa cena! HELL DIVINE: Vocês possuem uma ótima discografia, mas em termos de vídeo, foi lançado somente o DVD “Death, Chaos and Torture Alive”, em 2005. Existe algum plano para algo novo nesse formato? A.C.: Existem planos para gravar um novo DVD, sim. Se tudo der certo será maravilhoso para a carreira da banda, mas no momento não posso dizer nada, pois não tem nada confirmado ainda.


HELL DIVINE: A arte das capas é sempre um assunto recorrente em nossa revista. Vocês possuem uma incrível imagem para o álbum “Hellbound”. Por que resolveram mudar para o relançamento? E por qual motivo optaram por algo mais simples em “AEquilibrium”? A.C.: Sobre o relançamento do “Hellbound”, fizemos o que queríamos ter feito no lançamento, com a arte da capa ficando grande como um pôster, porque o desenho é realmente legal e quando surgiu o relançamento, não pensamos duas vezes. A arte do “AEquilibrium” pode ser simples no desenho em si, mas transmite muita coisa. Para esse disco queríamos uma capa realista, nada de desenho, e essa foi a que achamos que se encaixaria perfeitamente. E com aquele arame quisemos dizer que mais uma vez tinha um obstáculo na nossa frente, mas não só passamos por cima derramando sangue novamente, como ficamos mais fortes e sábios, aprendendo com cada dificuldade deixada para trás. HELL DIVINE: O cargo de guitarrista sempre foi o mais complicado na banda, com diversas mudanças. Qual foi o motivo da saída de Augusto Lopes e como encontraram o substituto André Evaristo? A.C.: O Lopes sempre trabalhou como produtor e quis voltar a produzir mais. Sendo assim, não teria como continuar na banda e o André já é antigo da cena; ele foi o primeiro cara que me veio à cabeça e não deu outra: estamos nos dando muito bem. HELL DIVINE: O Death/Thrash, estilo característico da banda, foi mantido nesse novo disco. No entanto, notamos algumas diferenças na sonoridade em relação aos álbuns anteriores. Isso foi algo proposital ou deve-se à mudança de estúdio e produtor? A.C.: Na maioria das vezes não é proposital, ocorre naturalmente. Claro que tem músicas que apontamos para uma direção e trabalhamos naquele sentido, mas a maneira como elas vêm é muito natural e com o “AEquilibrium” não foi diferente. Castor: O resultado final da sonoridade do álbum acabou nos satisfazendo muito com a bateria e o baixo fortes segurando a cozinha da banda e a guitarra mais crua, sem muito efeito, o que é diferente hoje em dia em termos de produções das bandas do nosso estilo. Achei também o desempenho dos vocais do Vitor matador nesse álbum! HELL DIVINE: Após a louvável vitória do Metal Battle no Wacken Open Air, vocês foram contratados pela Wacken Records. Como tem sido o trabalho com eles? Estão tendo a visibilidade que gostariam e esperavam? A.C.: Tem sido um trabalho legal. A Wacken Records lança e divulga os nossos discos na Europa, nos colocou na melhor turnê das nossas vidas com Exodus e Overkil, em 2009, nos ajudou a ter o contato com alguns de nossos patrocinadores e com muitas coisas por vir ainda. Estamos felizes com eles. HELL DIVINE: Ao lado de grandes nomes como Sepultura, Angra e Krisiun, agora vocês figuram entre os expoentes do metal brasileiro mundo afora. Quais os planos pra esse ano de 2011? A.C.: Muitos. Tocar muito no Brasil, fazer uma turnê e tocar nos festivais de verão na Europa de julho a outubro, gravar um DVD ao vivo na tour do “AEquilibrium”, continuar ensaiando e compondo para o próximo disco. Castor: Sempre fazemos planejamentos e pra esse ano de 2011 estaremos muito atarefados e é isso que queremos mesmo!!! HELL DIVINE: Com certeza o Torture Squad é um orgulho para os headbangers brasileiros e é um prazer tê-los em nossas páginas. Fica o espaço para comentários finais. A.C.: O prazer é nosso, amamos muito aquilo que fazemos, o que tocamos, e toda vez que vemos os headbangers nos nossos shows curtindo a nossa música, a nossa força se renova. Valeu a oportunidade. Entrevista por Pedro Humangous

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SUECOS EM TERRAS BRASILEIRAS

Em 1991, dois jovens se juntaram para montar uma banda, mas eles mesmos nem imaginavam o quão importante essa banda seria dentro do mundo da música pesada. Assim surgiu o Katatonia, projeto idealizado por Jonas Renske e Anders Nyström. Em 2009, eles lançaram o maravilhoso disco “Night is the New Day” e agora eles se preparam para sua primeira jornada pela América do Sul. Conversamos com Anders Nyström (guitarras) para saber como andam os ânimos dos suecos por essa aventura em terras tupiniquins e como foi a gravação do último disco deles. HELL DIVINE: Quando você e Jonas começaram a banda, imaginaram que algum dia sua música inspiraria e influenciaria outras bandas? Anders Nystrom: Não, nunca. Ainda acho surreal que continuemos a influenciar outras bandas. Mesmo existindo há muito tempo, não vejo Katatonia como uma daquelas velhas bandas veteranas, nem mesmo na nossa cena. Ainda carrego aquele sentimento de tocar em uma banda da qual as pessoas já ouviram falar, mas sobre a qual não conhecem.

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HELL DIVINE: Como vocês lidaram com a responsabilidade de, a cada novo álbum lançado, ter o poder de mudar a vida de alguém ou até mesmo a direção de outra banda? A.N.: Não sei. Não penso muito sobre isso. Fazemos o que fazemos e esse é nosso sonho a seguir. Algumas consequências virão, quer gostemos ou não, e está além de nosso controle lidar com quaisquer aspectos negativos ou positivos disso. Só temos que seguir o fluxo, ou as pessoas seguirão o nosso fluxo!


HELL DIVINE: Desde 1999, quando lançaram “Discouraged Ones”, a banda veio a desenvolver um modo completamente diferente e mais suave de fazer música. Essa mudança na sonoridade foi forçada por alguma situação com algum membro à época, ou foi algo que ocorreu naturalmente? A.N.: Na verdade, foi em 1998, mas realmente, tivemos nossa maior mudança na sonoridade naquela época. Era a única porta aberta para seguirmos em frente, e olhando para trás, aquela mudança de estilo tem sido representada em seis álbuns ao longo de 13 anos, enquanto o “antigo” estilo, como as pessoas se referem, só foi ouvido em dois álbuns ao longo de quatro anos. Sendo assim, acredito que a mudança tenha sido a evolução natural da banda. HELL DIVINE: Sobre o mais recente álbum, “Night is the New Day”, como foi o processo de composição e o período em que passaram no estúdio? Conte-nos um pouco sobre a experiência de gravação desse disco. A.N.: Demorou bastante para compor esse álbum devido a alguns problemas. Estávamos muito ocupados mantendo o lado dos negócios da banda correndo e estávamos na estrada em turnê, onde não escrevemos material algum. Ainda havia nossa rotina de cuidar de nossas famílias e, finalmente, talvez o maior obstáculo, não conseguíamos encontrar motivação, pelo menos não aquela criatividade mágica! Quando a retomamos, deslanchou como no passado e o processo de gravação não foi diferente dos demais discos. É assim que funciona: sentamos e gravamos idéias e fragmentos que são, então, arranjados. Uma vez que a música está completa, gravamos uma vesão demo que é enviada a todos os membros para que possam mergulhar nela e voltar com observações, ou simplesmente ensaiá-la. Então entramos em um estúdio e vamos desde a gravação de baterias, guitarras, baixo, teclados e vocais até uma mistura de todos eles, a masterização e então os arquivos estão prontos para serem enviados à gravadora. Durante esse período colaboramos simultaneamente com um designer para fazermos a arte da capa para o disco, então a essa altura todos estão felizes, o mundo terá um novo álbum do Katatonia saindo nos próximos meses.

HELL DIVINE: Este é o oitavo álbum da carreira e vocês têm uma formação sólida, desde 1999. Pode nos contar o segredo disso? Em tempos de mudanças naturais na formação da banda vocês ainda soam iguais. Como conseguem isso? A.N.:Bom, se tivesse me perguntado isso um ano atrás eu provavelmente teria uma resposta diferente, pois perdemos dois de nossos membros. No entanto, penso que isso se deve ao fato de que não importa qual seja a situação, o Jonas e eu temos, exclusivamente, escrito as músicas e letras de todos os álbuns, então nosso som não mudará até que outra pessoa comece a escrever. Apesar disso, percebemos que o som muda, pois cada músico tem seu próprio estilo que dá seu toque à apresentação. HELL DIVINE: Sabemos que estão se preparando para fazerem sua primeira passage pela América do Sul. O que os fãs podem esperar de vocês? A.N.: Nos ver ao vivo pela primeira vez! HELL DIVINE: Quais são suas expectativas sobre sua passagem pelo Brasil, em particular? A.N.: Não temos expectativas. Só estamos nos preparando para as impressões. HELL DIVINE: Anders, muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros e para a equipe da HELL DIVINE. A.N.: Acho que veremos alguns de vocês muito em breve, saudações! Entrevista por Augusto Hunter Tradução por Fernanda Cunha

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HELL DIVINE: Podem nos dizer como a banda foi formada? Que motivos e inspirações tiveram importância para que a Legion Of The Damned fosse criada? LOTD: A banda surgiu em 2006, originada de uma banda chamada Occult, que formamos em 1990.

D S O I R Á LEGION

HELL DIVINE: O nome original da banda era Occult. Um nome bom, mas por que ele foi alterado para Legion Of The Damned? O que esse nome significa para vocês? LOTD: Foi mudado porque já havia muitas bandas com esse nome e estávamos sendo postos contra a parede. Então, tínhamos que fazer algo. HELL DIVINE: A banda mostra um som agressivo e nos lembra outras ótimas bandas em vários aspectos. Que influências os membros da banda têm quando novas músicas são compostas? LOTD: Nós obviamente somos influenciados por Slayer, Destruction, Sodom, Testament, a velha fase do Metallica, essas bandas de Thrash antigo dos anos 80. Mas claro, nosso gosto musical vai além.

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HELL DIVINE: Alguns países possuem traços específicos em suas cenas de metal. Infelizmente, muitos países como o Brasil ainda são extremamente preconceituosos em relação ao metal. Como é a cena no país de vocês? Similar a outros países

monstro Dead”, o novo e h T f O lt u Ch C “ o de “Descent Into o d a Após o sucess m a h c , o balh ivine m um novo tra nós, da Hell D s, ro tu fu s presenteia co o n la balho e seus p sobre esse tra los do Thrash. o íd s vo o n s e com ess

o u algo mais exclusivo? LOTD: Creio ser similar a outros países. A Holanda é pequena, claro, mas ainda assim temos muitas bandas ótimas! HELL DIVINE: Vocês mostraram um excelente trabalho em cinco anos com incríveis gravações. O que podemos esperar de seu novo álbum, “Descent Into Chaos”? Algo totalmente novo ou na linha de

“Cult Of The Dead”? LOTD: Eu acho que a linha de produção mudou muito, o som está mais groovy. Quando você compara o Cult e o Descent, muita coisa expõe essa produção. HELL DIVINE: As capas são, de fato, incríveis. Trabalho realmente profissional. Quem tem as inspirações e idéias sobre elas?


DO PESO

LOTD: É principalmente o nosso compositor de letras que vem com os conceitos e ideias, e então os artistas desenham as capas. HELL DIVINE: Com um novo álbum, vem uma nova turnê. Vocês pretendem incluir o Brasil na próxima turnê da banda? LOTD: Ainda não. Já nos pediram várias vezes, mas normalmente os promotores e organizadores na América do Sul não são confiáveis, sempre fazem alguma merda para realizarem tais turnês. Mas com esperança, algum dia iremos detonar o Brasil. HELL DIVINE: Finalmente, após seis maravilhosos álbuns, quais são os próximos passos da banda? LOTD: Vamos estar em turnê tocando nos próximos dois anos. O que vai ocorrer depois disso é um mistério. Entrevista por Yuri Azghal

os The Damned n f O n io g Le , ento o do Thrash mais conhecim s o rm te ra a P haos”. a exclusiva uma entrevist s o im u g se n o ec

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Imago Mortis é uma banda consagrada no metal nacional com três álbuns lançados e uma carreira muito promissora, mas muitos não entenderam o porquê da banda ter encerrado suas atividades logo após o lançamento do álbum “Transcendental”. Agora eles estão de volta com uma nova formação e prontos para dar continuidade ao trabalho. Nessa breve entrevista, Marcelo Val (baixo) e Alex Voorhees (vocalista e líder da banda carioca) nos contam tudo: desde os problemas até o atual momento de retorno com o show da volta no Rio de Janeiro e sobre o novo álbum que sairá em breve. HELL DIVINE: No começo desse ano vocês apresentaram a formação da banda com o show da volta do Imago Mortis no Rio de Janeiro. Há quanto tempo pensavam retorno aos palcos? Alex Voorhees: Em primeiro lugar, obrigado pela oportunidade da entrevista para elucidar algumas curiosidades sobre o nosso trabalho. Este retorno não foi exatamente planejado, nasceu após um longo período conturbado de minha vida, culminando com uma terrível perda familiar (Alexandre Junior, meu filho de 20 anos, faleceu no ano passado devido a uma doença gravíssima). Meu filho também gostava de som pesado e um dos pedidos dele foi para que a banda voltasse. Foi um período

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de desespero e pesar, mas que me trouxe uma crucial questão: eu, Alex, não vivo sem a expressão artística, sem a música. E isto trouxe de volta o Imago Mortis, que é onde melhor consigo expor minhas idéias e sentimentos. Sem isto, eu poderia enlouquecer ou me suicidar. A arte é a minha catarse, e o palco é o meu divã. HELL DIVINE: Muitos não sabiam desse motivo e acharam bastante estranho a banda terminar as atividades logo após o álbum “Transcendental” ser lançado. A banda sentiu o mesmo e vocês entraram em um acordo para também dar um tempo no trabalho? A.V.: O que aconteceu foi o seguinte: a banda foi se desmantelando a partir do momento que os músicos começaram a não ter mais tempo e não dedicar mais energia ao Imago Mortis. Uma banda como a nossa, com a nossa proposta, tem uma grande responsabilidade. Então houve uma dissidência, com cada um deles se dedicando a diferentes projetos que não conciliavam mais uma atividade forte com o Imago. O momento também não estava propício para mim. A banda, então, em 2008, decidiu parar e o fim foi honrosamente anunciado ao público, no começo de 2010. Agora temos novos músicos que honrarão com a história e a ideologia da banda, que é uma total entrega artística e a absoluta ausência de ego sendo

APENAS a música - e a importante mensagem nela contida - a única coisa importante para nós. HELL DIVINE: No show da volta do Imago Mortis vocês tocaram o álbum “Vida – The Play Of Change” na íntegra. Vocês pensam em fazer uma turnê no país inteiro com esse mesmo set list? Marcelo: A idéia é essa, acredito que haja interesse de diversas cidades em ter esse show acontecendo. Foi realmente uma prova de fogo fazer esse disco tão complexo na íntegra logo na primeira apresentação da nova formação, e queremos levar o evento adiante agora que ficou tudo pronto. A.V.: Acrescento que é uma questão de justiça levar este concerto a outras praças, pois é um grande desejo de várias pessoas assistirem a ele. HELL DIVINE: O álbum “Vida – The Play Of Change” foi considerado pela mídia o melhor álbum nacional à época de seu lançamento e um dos melhores da história do metal nacional. O que isso significa para vocês? A.V.: Só temos a agradecer o apoio das pessoas que se identificam com o nosso trabalho, com os nossos sentimentos e idéias. Sabemos da complexidade do “Vida”, mas não é nenhum motivo de orgulho, eu vejo com um sentimento de dever cumprido e o que aconte-


ceu depois disto foi lucro, pois apenas o fato de lançar este trabalho e ele ter soado como soou, já justificou fazê-lo. Nossa música foi completamente sincera e não negligenciamos uma nota sequer. Tudo foi feito com o máximo de amor e entrega! HELL DIVINE: Sobre os novos músicos, como foram escolhidos para essa volta? E para o Marcelo, como foi a adaptação ao Imago Mortis? Marcelo: É engraçado, pois eu já toquei no projeto solo do Alex e em um dos shows que fizemos rolou uma jam com o Imago, tocamos “Bring Out Your Dead” e “Res Cogitans”, então já sabia onde tava me metendo quando o Alex me chamou, no começo do ano, para integrar a nova formação da banda. Não foi preciso uma grande adaptação, mas muito estudo em cima das soluções harmônicas da música da banda; realmente fiquei semanas só escutando o material antes até de tirar uma nota sequer, depois a coisa fluiu bem... No primeiro ensaio já parecia que tocávamos esse material há algum tempo, rolou uma sinergia muito boa entre os músicos. A.V.: Com os demais músicos, foi algo semelhante. O baterista André Delacroix é prata da casa e está nesta formação desde o “Vida”. Mr. Rafael Rassan também veio da mesma formação do meu projeto solo e o processo de adaptação dele ao Imago também foi rápido. Para complementar, Daemon Ross (guitarra) e Marcos Ceia (teclados) compreenderam este sentido de integridade artística logo nos primeiros ensaios e conversas que tivemos a respeito deste trabalho. Cada um tem a consciência de que, na verdade, não somos importantes, e sim a MÚSICA! HELL DIVINE: Os dois últimos álbuns “Vida - The Play Of Change” e “Transcendental” foram lançados pela Die Hard Records. Com essa volta e com um novo álbum vocês já entraram em contato com eles para um possível lançamento?

A . V. : Já entramos em contato com eles, sim. A Die Hard é uma empresa honrada, são pessoas que compreendem perfeitamente a nossa metodologia e admiram nosso trabalho artístico. Por razões éticas e justas, faremos novamente como sempre fizemos: estaremos abertos a outras propostas, pois sempre procuraremos aqueles são capazes de oferecer o melhor suporte logístico para que o material seja feito da melhor forma possível. O mais importante já conseguimos, que é um grupo forte com formação musical sólida, isso facilitará a compreensão da complexidade do trabalho que virá pela frente. HELL DIVINE: Falando em novo álbum vocês já estão preparando material novo? A.V.: O novo material já tem título, conceito pronto, esboço de todas as letras, poemas e este estudo vem sendo feito, desde 2006. Será conceitual e, com certeza, 100% íntegro. Não posso adiantar mais do que eu falei, mas será um trabalho bem diferente dos anteriores. Agregaremos novos elementos, os rótulos desabarão totalmente, mas manteremos uma linha condutora e a marca do Imago Mortis. HELL DIVINE: Você disse que o novo álbum está praticamente pronto, desde 2006, antes do término banda. Você o compôs sozinho? Ainda falta muita coisa para esse álbum ser concluído? A.V.: Os primeiros conceitos foram delineados naquela época. Já tivemos brainstorms com antigas formações, inclusive o título do trabalho foi idéia da ex-tecladista Bárbara Lyrae, mas com o tempo este trabalho foi tomando outra proporção e as idéias começaram a surgir. Tive acesso a uma infinidade de material e também senti na carne... experiências empíricas mesmo. Além disso, um livro que me abriu horizontes. Algumas pessoas não deverão gostar do novo trabalho, pois ele é forte e mexe com tabus inerentes e comuns a qualquer ser hu

mano. E será, com certeza, um trabalho romântico! Existem músicas, várias músicas e idéias de arranjos para todas as canções do disco. HELL DIVINE: Para terminar, agradeço em nome da Hell Divine a você, Alex, e ao novo integrante Marcelo pela entrevista e dizer que, sendo fã, estou bastante ansioso pelo novo trabalho. Agora deixo o espaço para vocês. A.V.: Eu é que agradeço a você, Luiz, à equipe da Hell Divine pela ótima oportunidade e aos leitores, que estão acompanhando esta leitura até aqui. Espero que tenha sido tão agradável ler esta entrevista como foi para nós respondê-la! Produtores interessados em concertos do Imago Mortis, tenham certeza de uma excelente banda de nível A no palco, dando o máximo de si. Procurem a produtora Rachel Moss através do email: imagomortis@gmail.com E vocês, espero encontrá-los todos por lá! Vou encerrar com esta frase de William Shakespeare: “A imagem da morte deve ser como um espelho que nos ensina ser a vida apenas um sopro passageiro.” Marcelo: Foi uma grande satisfação participar da entrevista, sei do trabalho sério que está sendo desenvolvido pela Hell Divine e é uma honra participar dos primeiros passos desse novo veículo do nosso Metal. Grande abraço! Entrevista por Luiz Ribeiro

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Quando se fala em Brasil e Argentina, é praticamente impossível não associar o assunto ao futebol. Deixando o esporte de lado, quando se trata de música essa rivalidade simplesmente inexiste. A banda argentina Osamenta conversou com exclusividade conosco da Hell Divine e nos conta um pouco da cena de seu país e sobre seu mais novo lançamento, o álbum “Subversivo”. HELL DIVINE: Primeiramente gostaríamos de agradecer por essa entrevista com a Hell Divine Magazine. Sejam bem vindos às terras brasileiras! O que sabem do Heavy Metal brasileiro? Osamenta: Obrigado! Estamos felizes por participarmos da sua revista e estarmos em contato com vocês, headbangers brasileiros! Bom, sobre as bandas brasileiras, podemos dizer que crescemos ouvindo Sepultura e Angra, 16

que são, de longe, as bandas mais populares em nosso país. Sabemos que vocês têm outras bandas incríveis que estão fazendo um ótimo trabalho. Por exemplo, uma delas, Distraught, visitou a cidade de Rosario (próxima a nossa cidade) algumas vezes e deixou uma impressão muito boa. Então podemos imaginar que a cena underground daí tem muitas bandas boas a oferecer.

HELL DIVINE: Contem-nos um pouco como é a cena metálica na Argentina. Osamenta: Ok, essa é uma pergunta difícil... digamos que existem duas categorias aqui: as bandas que continuam a soar, se comportar e se vestir como as antigas glórias nacionais (V8, Hermética), e as bandas que querem escapar daquela sombra e trilhar seu novo caminho. Apesar de adorarmos as velhas bandas de “metal argento”,


Osamenta: Bom, o terceiro álbum é, definitivamente, um trabalho mais agressivo, direto, e do tipo “na cara”... Desta vez a ênfase foi em força e não em melodia. As músicas também são mais complexas a um grau que alguns uploaders da internet nos rotularam de Technical Thrash Metal, mas nós definimos nossa música simplesmente de Thrash Metal mesmo. Estamos orgulhosos do retorno que obtivemos de nossos fãs até agora, assim como muitas resenhas positivas da mídia. “Subversivo” parece funcionar como um bom par para nosso trabalho anterior. As gravações foram feitas em Arrecifes, uma cidade a poucos quilômetros de nossa casa, em Salto, em um período de cinco meses. Enquanto a maioria das bandas pensa que a única maneira de conseguir um bom som é gravando em Buenos Aires, decidimos fazer algo diferente e os resultados foram incríveis!

admitimos que exista a necessidade de uma mudança na cena, caso contrário ela morrerá em breve... Achamos que não podemos mais viver no passado. Outro problema, em nossa opinião, é que bandas estrangeiras são superestimadas e, numa tentativa de conseguir igual respeito e popularidade, algumas bandas acabam se tornando algum tipo de imitações americanas ou européias e perdem sua personalidade. Ao que nos diz respeito, não queremos ser absorvidos por culturas estrangeiras, só queremos falar nossa verdade e soar o mais original possível. Isso não significa que não gostaríamos que nossa música alcançasse o mundo inteiro, são questões diferentes. HELL DIVINE: Vocês acabam de lançar em 2011 o álbum “Subversivo”, que é o terceiro full-length da banda. Como foram as gravações e quais as principais diferenças em relação aos lançamentos anteriores?

HELL DIVINE: Muitas bandas enfrentam problemas quando cantam somente em sua língua natal. Por que a escolha de se cantar em espanhol e não em inglês? Osamenta: Decidimos isso logo no início por dois motivos: a maioria das letras são muito envolvidas culturalmente, e ninguém sabia uma palavra em inglês (risos)! No entanto, melhoramos nesse aspecto ao longo dos anos e agora estamos trabalhando em uma versão em inglês do álbum para ser lançada em breve, principalmente para passarmos nossa mensagem por todos os países.. HELL DIVINE: O novo álbum foi lançado de forma independente. Como tem sido a questão das vendas e divulgação desse trabalho? Osamenta: Apesar de ficar cada vez mais difícil vender CDs, a venda está caminhando conforme esperado. Além disso, soubemos que algumas pessoas que o baixaram ainda procuraram pela versão original para comprar. É difícil vender discos independentemente, é a pior parte de se trabalhar dessa forma. Assinamos contrato com uma gravadora, mas somente para algumas regiões do país. A respeito de publicidade, daremos mais ênfase nesse quesito a partir desse mês.

HELL DIVINE: A arte da capa está muito bem feita e profissional. Qual o conceito por trás da imagem e qual a ligação com a temática do álbum? Osamenta: O conceito da arte foi 100% feito por nós mesmos, principalmente por nosso vocalista, Pietra, que trabalha como web designer. O conceito é simples: vamos dizer que nossa mensagem subversiva e música têm foco em matar pessoas como aquelas da capa, as quais podem ser empresários que estão tentando engolir o mundo inteiro para seu benefício. Talvez inconscientemente, utilizamos dois opostos nos dois últimos trabalhos, um explorado e um explorador. HELL DIVINE: Como anda a agenda de shows para 2011? Alguma chance de fazerem uma turnê pela América do Sul? Osamenta: A idéia é visitar o máximo de lugares possível, arranjamos alguns shows no nosso país para breve, mas seria maravilhoso visitar um país tão incrível quanto o de vocês. Fazer uma turnê pela América do Sul está sempre em nossos pensamentos, mas depende das mesmas coisas de sempre: dinheiro ou alguém que possa acreditar em nossa música. Aqui (na Argentina) as grandes gravadoras não depositam um centavo em bandas de Heavy Metal, é por isso que nossas bandas raramente cruzam as fronteiras. No entanto, mesmo contra todas as probabilidades, sentimos que veremos vocês brasileiros em breve! HELL DIVINE: Esperamos que com essa entrevista mais pessoas possam conhecer o som de vocês e possamos vê-los ao vivo em breve por aqui. Deixem um recado para o público brasileiro e leitores da Hell Divine. Osamenta: Nós desprezamos as rivalidades entre nossos países, elas nem existem quando se trata de Heavy Metal. Nós adoramos o país de vocês e sua cultura e esperamos que gostem de nossa música, pois, afinal, ela foi feita em parte com vocês em mente como nossos irmãos sul-americanos! Nos vemos na turnê, nunca os desapontaremos! Entrevista por Pedro Humangous

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E C N E L I S DEAD S E I R C Y M HIDES Dead Silence Hides My Cries é uma banda de Synphonic Deathcore de Minsk, capital da Bielorrússia. Já no começo foi muito bem recebida na internet - YouTube, MySpace, LastFM - através de seu EP. Falamos com o vocalista Matvey, que nos conta sobre a formação da banda, suas principais influências musicais e até sobre uma espécie de preconceito na cena Deathcore. Confira. HELL DIVINE: Qual a relação com o nome da banda nas letras, quem teve a ideia dele e por quê? DSHMC: Não existe qualquer ligação entre o nome da nossa banda e as letras, mas a ideia do nome veio quando eu as estava escrevendo. Foi espontâneo. Escrevi a frase “o silêncio dos mortos esconde meus gritos” e ela ficou presa na minha cabeça. Liguei para o Sergey, o baterista, e lhe contei sobre a frase e a ofereci como o nome da nossa banda. Ele concordou. Antes disso nos chamávamos Queen Of Spades. HELL DIVINE: Como a banda se originou? Qual o line-up atual? DSHMC: Ah, foi bem espontâneo também... Quando eu estava na faculdade, um dos meus amigos estava montando uma banda e me ofereceu o papel de vocalista. Mesmo apesar do fato de nunca ter me conectado muito com a música, aceitei a proposta. Depois do primeiro ensaio, percebi que era isso que eu queria fazer. Fiquei infectado pela idéia de fazer a minha própria banda e ime-diatamente reuni uns amigos, incluindo Sergey, para tocar na banda, mas naquele mo18

mento nenhum de nós tocava algum instrumento musical! Sergey e eu somos os únicos membros da formação original da banda. Para ser honesto, muitas pessoas passaram pela DSHMC. Acho que todo mundo que toca numa banda passa por esse mesmo problema, porque é muito importante encontrar as pessoas certas para tocar com você. A propósito, acabamos de passar por mudanças. Algumas semanas atrás, nosso guitarrista Andrey saiu, mas posso assegurar que isso não afetará nossa banda. Ficaremos ainda melhores. Em geral, posso dizer que essas coisas normalmente funcionam para melhor. Membros da banda no momento: Matvey - voz/letras, Sergey - bateria, Evgeniy - guitarra/voz limpa, Igor baixo, Nick - teclado. HELL DIVINE: Nos últimos cinco anos, percebeu-se a rápida evolução da música na internet. Várias bandas como Chelsea Grin, Thy Art Is Murder e Whisteria Cottage começaram a fazer sucesso por causa dela; e então o Deathcore. Vocês acham que a disponibilização gratuita da música na internet atrapalha a venda da

música pelos CD’s na cena Deathcore? DSHMC: Sem dúvida. Na realidade, eu comparo a compra de um CD com a compra de um souvenir. As pessoas que compram CD’s são principalmente fãs devotos ou conhecedores/ colecionadores de música (mas é possível encontrar um álbum de alta qualidade na internet também). Para os ouvintes comuns é mais confortável fazer o download de um álbum na internet do que ir até uma loja. Ter música disponível na internet para venda é mais barato e muito mais produtivo. Há menos pessoas nas lojas de música por causa da internet (pelo menos no nosso país). HELL DIVINE: O primeiro álbum de vocês teve uma ótima repercussão em vários lugares do mundo. Em pouco tempo vocês tiveram mais de vinte mil execuções no MySpace e atualmente contam com 130 mil execuções no LastFM. Como reagiram a isso? Pretendem fazer shows em todos os países onde possuem fãs? DSHMC: Ficamos muito surpresos e principalmente satisfeitos! Eu especialmente, porque andei me es-


forçando para divulgar a banda. Mas acho que um grande sucesso para nós seria assinar um contrato com uma boa gravadora ou sair em uma turnê mundial. Geralmente falando, uma turnê mundial é o nosso sonho, mas tudo depende de organizadores. E teremos o maior prazer de ir para onde nos quiserem. HELL DIVINE: The Wretched Synphony é o primeiro álbum de vocês e gira em torno do Synphonic Deathcore. Quais as bandas que os influenciaram a chegar neste tipo de Deathcore? DSHMC: Quando estávamos fazendo TWS, fomos influenciados por um monte de bandas. Particularmente, posso observar as seguintes bandas: The Devil Wears Prada, Attack Attack!(2010), Arquitets, Rose Funeral, BMTH, All Shall Perish e até mesmo Lady GaGa!

HELL DIVINE: Vocês escutam algum estilo de música bem diferente do Deathcore? Quais artistas/bandas que escutam? DSHMC: Nós somos bem ecléticos. Escutamos uma variedade distinta de música: do Pop e Rap ao Death Metal e Grind. Quanto a mim, escuto a Lady Gaga, Rihanna, Linkin Park, Sonique, Serj Tankian, 30 Seconds To Mars e também gosto de ouvir trilhas sonoras de filmes como Saw, Dead Silence, Requiem For a Dream. Escuto a música de acordo com meu humor, em geral, acho que todo mundo faz o mesmo.

HELL DIVINE: Quais são os projetos atuais da banda? Programam alguma turnê internacional? Quais são os planos...? DSHMC: Conquistar o mundo (risos)! Para ser sério, começamos a gravar duas faixas e estamos planejando lançar nosso segundo álbum logo. Também estamos planejando uma turnê, mas como disse antes, pouco depende de nós. Continuamos com negociações para uma turnê em maio, mas apenas o tempo dirá. Entrevista por Igor Scherer.

HELL DIVINE: A mistura do Death Metal com o Hardcore tem intrigado muitos ouvintes do Metal tradicional. Muitos dizem que essa mistura, o Deathcore, é um estilo cheio de emos - em decorrência de muitos artistas desse gênero usarem franjas - e designado apenas para vender. O que vocês pensam sobre esse preconceito? Já foram alvos de xingamentos no começo da banda? DSHMC: É um preconceito demasiado estúpido! E aqueles que dizem isso são muitas vezes idiotas. Há coisas tal como a qualidade da música na qual a imagem dos integrantes não interfere, pois é o estilo musical da banda que desempenha o papel principal, e isso independe a aparência da banda. Nós estamos sendo insultados dessa maneira de vez em quando, mas não nos importamos, nem se quer prestamos atenção.

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Lacerated And Carbonized é uma banda Brasileira de Death Metal, formada no Rio de Janeiro por Jonathan Cruz (vocal), Caio Mendonça (guitarra), Victor Mendonça (bateria) e Doc Paulo (baixo). A banda que é considerada um dos nomes mais promissores na cena de Death Metal brasileira, começa 2011 detonando com seu primeiro álbum “Homicidal Rapture” pela Mutilation Records (Brasil) / Undermetal Records (Peru). O baixista da Banda Paulo Doc, bateu um papo Hell Divine! Confiram! HELL DIVINE: Hell Divine - O nome Lacerated and Carbonized é realmente um nome bem apropriado ao som que a banda faz. Como vocês chegaram até ele? Paul Doc: Queríamos algo que fosse uma boa referência ao som da banda. Começamos a pensar em algumas alternativas e logo de início o Caio sugeriu o nome. Gostamos do impacto que ele causou e assim tudo ficou definido. HELL DIVINE: ‘’Pig Squeal’’ é consi-derada uma técnica bastante difícil de vocal. O que Jonathan Cruz faz para não prejudicar a voz e manter a disciplina no vocal? Paul Doc: Jonathan sempre gostou de vocalistas que utilizavam este recurso, como Niels Adams do Prostitute Disfigurement, e o incorporou ao seu estilo. De fato não é algo simples, pois se feito de forma errada pode causar dano às cordas vocais, principalmente a longo prazo. Porém, a técnica do Jonathan leva

isso em consideração. O Lacerated é uma banda de estrada, por isso é fundamental que todos estejam física e mentalmente bem para dar o melhor sempre. HELL DIVINE: O Death Metal vem tomando grandes proporções, assim surgindo muitas bandas que apostam no gênero. Quais bandas são as principais influências para vocês? Paul Doc: É ótimo ver o Death Metal em evidência e franca expansão, com as bandas clássicas a pleno vapor e outras de alto nível surgindo pelo mundo. De uma forma ou de outra, tudo o que escutamos dentro do metal acaba nos influenciando, mesmo que indiretamente, mas é claro que bandas como Krisiun, Morbid Angel, Dying Fetus e Aborted são nossas maiores referências. Foram principalmente eles que nos motivaram a fazer esse tipo de som. HELL DIVINE: Sobre o que falam as letras de ‘’Homicidal Rapture’’? Qual a principal mensagem que as músicas tentam passar?

Paul Doc: As letras variam de acordo com cada música. Algumas seguem a linha daquilo que sempre gostamos no Death Metal clássico. Em outras já expressamos uma posição de antagonismo crítico em relação aos instrumentos de controle instituídos em diversos âmbitos. Por mais que tudo seja tratado de forma alegórica, não é, de maneira alguma, destacado da realidade que todos nós vivenciamos. Aquele que tiver um olhar mais atento às letras vai sacar o sentido do que está sendo dito. Em suma, queremos passar a mensagem de que as instituições não são imutáveis. Qualquer instituição é uma rede de relações que reproduz e impõe padrões e valores. Justamente porque sua aceitação é impositiva, esta noção não é clara e a tendência sempre será pela manutenção do status quo. No fim das contas, diria que a principal mensagem é essa: tenha a sua própria representação da realidade pautada na autonomia do pensamento e da consciência. Acho que essa é a postura própria do headbanger, de não se quedar inerte frente a discursos vazios e repetidos. HELL DIVINE: Gravar um álbum às vezes pode ser bem descontraído e divertido entre os

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membros quanto bem entediante. Como foi o clima durante as gravações e composições de Homicidal Rapture? Paul Doc: O álbum foi gravado no estúdio Da Tribo, em São Paulo. O foco do LAC está na seriedade e profissionalismo em relação a absolutamente todos os aspectos da banda. Entramos em estúdio concentrados em fazer nosso trabalho da melhor forma possível. Obviamente, seriedade não é sinônimo de tédio. Nas pausas entre as seções sempre tomávamos umas cervejas para esfriar os ânimos e avaliar o andamento das coisas antes de retomarmos os trabalhos. Somos amigos de longa data e isso faz toda a diferença. Além disso, os caras que trabalharam no álbum (Eregion, Ciero e Trék) são grandes pessoas e isso contribuiu pra que todo o processo transcorresse da melhor maneira. HELL DIVINE: A arte da capa do novo álbum é bem criativa e representa muito bem as músicas. Quem foi o artista responsável pela arte final? Paul Doc: Foi o Eregion, da Mysterian Art, que além da arte gráfica, também foi o produtor do Homicidal Rapture. Ele é um ótimo profissional, ficamos bastante satisfeitos com o que ele desenvolveu a partir do conceito do álbum. Além de tudo, é um grande amigo de todos nós. A Mysterian Art é uma companhia que trabalha com diversos aspectos relacionados ao gerenciamento de bandas com muita competência. Ser parceiro deles é realmente muito bom para o LAC. HELL DIVINE: O que podemos esperar do LAC para os próximos anos? O que pretendem fazer, agora que acabaram de lançar um novo álbum? Paul Doc: Muito trabalho. Retornamos da nossa turnê pela América do Sul e faremos uma pela Europa para divulgar esse début. Além disso, já temos bastante

material encaminhado para o segundo álbum, que deverá ser gravado ainda este ano. Uma banda tem sempre que estar em atividade para se manter. Sem transpiração não se chega a lugar algum. HELL DIVINE: Gostaria que me dissesse cinco álbuns que, por algum motivo marcam sua história como músico ou não e o qual o motivo? Paul Doc: Difícil escolher apenas cinco... Mas vamos lá. O ‘The Number Of The Beast’ do Iron Maiden foi o álbum que me abriu as portas para o metal, talvez seja o mais representativo para mim. O ‘Saatana’ do Barathrum é bem marcante por ter sido meu primeiro álbum de metal extremo, por assim dizer. ‘Conquerors of Armageddon’ do Krisiun foi o disco que definitivamente me fez querer tocar Death Metal. Posso apontar também, mais recentemente, o ‘World Ov Worms’ do Zyklon, que tenho como uma aula de inteligência e criatividade nas composições.

Por fim, não posso deixar de citar ‘Hell Awaits’ do Slayer, um dos álbuns que mais escutei na minha vida. HELL DIVINE: Muito obrigado pela entrevista! Nós da HELL DIVINE MAGAZINE agradecemos a oportunidade e desejamos ao Lacerated and Carbonized todo o reconhecimento e que colham os frutos do trabalho de vocês. Deixe para os fãs uma mensagem! Paul Doc: Obrigado à Emily e toda a equipe da Hell Divine Magazine. Agradeço também aos que acompanham e apóiam o nosso trabalho. Fiquem de olhos abertos para o Lacerated And Carbonized, pois 2011 será um ano de novidades. Nos vemos na estrada! Entrevista por Emily Bodom

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A banda Mork, formada em Brasília por Samuel (vocais), Rafael (guitarras), Pedro (guitarras), Leonardo (sitetizadores), Guilherme (baixo) e Gabriel (bateria), vem fazendo muito barulho – literalmente – na cena Black Metal nacional. Após lançarem de forma independente o primeiro trabalho oficial intitulado “Preposterous”, estão agora, em 2011, em busca de parcerias para o lançamento de seu mais novo álbum de inéditas, o “Exemption”. Conversamos com os caras sobre essa ascensão da banda e sobre o que vem pela frente. 22


HELL DIVINE: O EP “Preposterous” foi lançado, em 2008, de forma independente. Como foi o trabalho de divulgação desse material e qual foi a repercussão do mesmo? Pedro Peres: O trabalho de divulgação foi realizado em parceria com nossa acessoria de imprensa (Metal Media Management) e foram utilizadas, principalmente, mídias sociais como Myspace, Orkut e Facebook na divulgação. Como banda independente é essencial a utilização formas gratuitas e diretas de divulgação. Acreditamos que esta é uma maneira bastante eficiente de se comunicar com nosso público. Até agora o resultado tem sido bastante positivo. HELL DIVINE: A banda pratica um Black Metal Sinfônico com pitadas de Death Metal, tudo com muita personalidade. Porém, muitas pessoas comparam vocês ao Dimmu Borgir. Qual a opinião da banda a respeito desse assunto? Isso incomoda? Pedro Peres: É uma honra para nós sermos comparados a uma banda de qualidade como o Dimmu Borgir. Porém, tentamos sempre nos desvencilhar desse tipo de comparação, pois acreditamos que cada banda possui uma personalidade única. Esta comparação se deve ao nosso primeiro trabalho que consistia em um período de amadurecimento da banda em relação a seu próprio som. Acreditamos que com o lançamento oficial do novo álbum (Exemption) deixaremos para trás esse tipo de semelhança. HELL DIVINE: Podemos notar que a banda investe alto no aspecto visual, tanto na arte dos trabalhos quanto dos próprios músicos. Vocês usam corpse paint ao vivo? Pedro Peres: O visual tem agradado bastante e estamos muito felizes com o resultado. Tentamos investir principalmente em diferenciação e estamos trilhando este caminho. Não utilizamos corpse paint. Queremos mostrar que no Brasil pode existir Black Metal sem ser uma cópia exata dos modelos e padrões europeus. Não temos nada contra bandas que aderem ao estilo, mas achamos que ele não combina com a gente. HELL DIVINE: Ainda sobre as artes das capas, vocês fizeram a capa de “Preposterous” com o Diego Morscardini (vocalista da banda Coral de Espíritos), que apresentou um excelente trabalho. Quem foi o responsável pela nova arte de “Exemption”? Pedro Peres: A arte foi novamente feita por Diego Morscardini. Em time que está ganhando não se mexe, então resolvemos procurá-lo nova-

mente. Espero que curtam a nova arte como curtiram a última. E para quem quiser ver o último trabalho dele é só conferir o Myspace da banda Coral de Espíritos: www.myspace.com/ coraldeespiritos. HELL DIVINE: Assisti ao show de vocês no Porão do Rock no ano passado e foi muito bom. Apesar de o evento não ser mais o mesmo, qual a importância desses shows para a banda? Tiveram uma boa aceitação do público? Pedro Peres: Tocar em um festival grande é sempre importante para bandas que estão crescendo e querem mostrar seu trabalho. A aceitação do público foi excelente e gostamos muito de tocar por lá. São raras as oportunidades como esta aqui em Brasília, então temos que aproveitar. HELL DIVINE: A qualidade de gravação de seus trabalhos é incrível. Onde foram feitas as gravações do EP e do novo álbum, e quem assina a produção? Pedro Peres: Qualidade nas gravações é algo essencial se uma banda quer ser competitiva no mercado, por isso investimos bastante nisso. O primeiro EP foi gravado no Broadband Studio por Caio Duarte e o novo álbum foi gravado no Sgt. Peppers Studio por Ricardo Ponte. Gostamos muito do resultado obtido no estúdio Sgt. Peppers e agradecemos o apoio que ele nos tem dado. HELL DIVINE: O novo disco ainda não está disponível no mercado. Existe alguma negociação próxima de se concretizar e termos “Exemption” em mãos? Pedro Peres: Estamos fechando o acordo da prensagem e esperamos ter o CD em mãos o mais rápido possível. Infelizmente, trabalhar como banda independente torna as coisas mais demoradas e difíceis, mas já estamos trabalhando em acordos de distribuição para o lançamento oficial do álbum. HELL DIVINE: A banda vem crescendo bastante a cada ano que passa. O que podemos esperar do Mork para 2011? Pedro Peres: Esperamos sempre melhorar investindo tanto em qualidade musical como visual. Esperamos, também, realizar mais shows em âmbito nacional e começar a trabalhar em novas músicas. Gostaríamos de agradecer novamente pela oportunidade e agradecer também ao apoio de todos. Um abraço! Entrevista por Pedro Humangous.

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36 CRAZYFISTS “Collisions And Castaways” Ferret Music 36 Crazyfists é uma banda que conheço há tempos e sei o quanto tem valor o trabalho deles. Vejo como um dos primeiros a fazer um som mais atual e pesado, algo que hoje está mais em alta. A banda já foi grande nome da Roadrunner Records pela qual lançou seu maior sucesso, em 2004, “A Snow Capped Romance” incrivelmente fantástico. Há dois anos com a Ferret Music já produziu dois álbuns. “Collisions and Castways” fala sobre erros e memórias que, por meio de guitarras pesadas, são afogados para serem enterrados de uma vez por todas. “In The Midnights” abre o album com uma introdução instrumental notável, que logo passa para riffs pesados ganhando peso e monstrando inovação. Seguindo a mesma linha antiga do 36 Crazyfists, a faixa “Mercy And Grace” começa de forma muito moderada, mas não dá para deixar para trás, pois logo ela passa para um ritmo lento e agressivo e, brevemente, um pouco mais rápido; são tantas variações que fazem a música não se tornar chata e enjoativa. Logo após ”Long Road to the Late Nights” começa “Trenches” – minha faixa favorita –, rápida, pesada e com um refrão melódico fácil de ficar na 24

cabeça. “Reviver” segue bem o padrão mais antigo da banda, mas nada que seja repetitivo; muito pelo contrário, é muito boa. “Caving In Spirals” é mais lenta, porém forte e pode-se perceber a grande experiência e capacidade da banda. A penúltima faixa é “The Deserter”, que faz valer a pena escutar o álbum até o fim; sem dúvida é uma música que chamará a atenção, pois é totalmente diferente de tudo que você já ouviu do 36 Crazyfists, com uma forte pegada Thrash, ritmo criativo e vocais guturais misturados a melódicos. A faixa “Waterhaul II” é uma extensão de “Waterhaul”, do álbum “Snow Capped Romance”. Nela, o instrumental leva a música com momentos calmos durante sua maior parte apenas com poucos minutos de música pesada. Assim, o álbum termina de forma pesada e tranquila para o ouvinte. Embora não seja o melhor álbum do 36 Crazyfists, é o mais digno aos fãs e foi um grande salto que fez a banda continuar em pé. Nota: 9.0 Matheus “Myu” Lacerda

A DAY TO REMEMBER “What Separates Me From You” Victory Records Sem dúvida esse já é um dos maiores nomes dentro da Victory Records.

Desde seu último lançamento “Homesick”, de 2009, o “ADTR” (como é chamado) atingiu um grande sucesso com sua música inovadora e moderna, na qual há uma grande mistura de Hardcore pesado com influências Pop/Punk, e traz desde breakdowns e riffs pesados a violões acústicos e vocais melódicos. A banda, considerada nova, teve sua formação, em 2003, e já possui quatro álbuns. Seu maior sucesso era “Homesick” até que, no curto período de um ano, foi lançado “What Separates Me from You” mostrando que o ADTR realmente tem talento. A faixa de abertura “Sticks & Bricks” possui as características principais da banda: vocais rasgados, peso e refrão melódico e leve; a segunda faixa é “All I Want”, primeiro single com letra forte e excelente ritmo. “It’s Complicated” mostra o lado mais Pop da banda e essa variação é parte do que faz o ADTR crescer mais e adquirir diversos fãs de diferentes personalidades. “This is the House That Doubt Built” é uma faixa perfeita, começa com um violão e logo passa para os riffs pesados e melódicos, assim como seu refrão, que parece perfeito para ser cantado por milhares de pessoas em shows como um hino. Chegamos à faixa “2nd Sucks” na qual novamente a variação é notável e é totalmente embalada por riffs pesados e vocal gritado. As próximas faixas “Better Off This Way” e “All Signs Point to Lauderdale” são menos empolgantes, mas não deixam cair a vontade de continuar ouvindo o álbum, já que em “You Be Tails, I’ll Be Sonic” a banda volta com um chute pra acordar novamente. Atacando com peso e melodia, a faixa “Out of Time” que tem tudo para ser single, começa com ritmo lento e logo passa para um mais agitado em um refrão explosivo que mostra que a banda tem capacidade de encher ginásios e, quem sabe, futuramente estádios. Com refrões marcantes e fáceis


de serem cantados, o álbum poderia acabar aqui, mas se “If I Leave” não fechasse o álbum, estragaria tudo. Em dez faixas o ADTR mostrou do que é capaz e espero muito mais deles. Nota: 10 Matheus “Myu” Lacerda

AETERNAM “Disciples of The Unseen” Metal Blade Records

ABYSMAL DAWN “Leveling the Plane of Existence” Relapse Records Eis um dos primeiros álbuns com destaque que escutei nesse ano! “Leveling the Plane of Existence” vem de um trabalho de dois anos do Abysmal Dawn que renderam bastante. A introdução, “The Age of Ruin”, é um belo e calmo instrumental que logo é sucedido pela força de “Pixilated Ignorance” com o bom Death Metal pesado. “In Service of Time” segue em um ritmo lento e pesado com riffs repetitivos e infectantes e um trabalho bom, porém discreto, da bateria. “Rapture Renowned” traz muita habilidade técnica e, certamente, a brutalidade do Death Metal Técnico e “Leveling The Plane of Existence” é uma boa referência da atualização do velho Death. “My Own Savior” é a faixa que mais se destaca; desde o inicio é impressionante a variação de riffs e um solo criativo de fundo. A faixa “The Sleeper Awakens” é lenta e conta com uma harmonia mais melancólica e melódica que as demais faixas. É um álbum simples e, devido a essa mesma característica, torna-se bom como os velhos clássicos e merece ser escutado com atenção pelos velhos admiradores do Death Metal Técnico. Esse realmente foi o melhor trabalho do Abysmal Dawn até agora e pode servir de influência para que a banda venha a melhorar cada vez mais. Nota: 8.0 Matheus “Myu” Lacerda

Você gosta de Behemoth? Trivium? E as passagens orientais/egípicias do Nile? Se respondeu “sim” a pelo menos uma das perguntas, gostará bastante dessa banda canadense chamada Aeternam. Formada na cidade de Québec, em 2007, os caras começaram a preparar o material que denominam Epic Death Metal. Em 2009, após o contrato com a Metal Blade Records, lançaram seu álbum de estréia, o “Disciple Of The Unseen”. O álbum começa com uma introdução interessantíssima chamada “Ars Almadel”. Um clima épico, sombrio e ao mesmo tempo cativante faz com que nos sintamos dentro de uma tumba amaldiçoada por um faraó egípcio. O som vai crescendo segundo a segundo, aumentando as batidas da bateria, as levadas da guitarra até culminar na segunda faixa “Angel Horn”, que começa rasgando tudo logo de cara. Blast beats, “rifferama” e teclados ambientando o caos. Os vocais guturais lembram, e muito, os do Behemoth, principalmente nesse mais novo álbum, o “Evangelion”. A estrutura dessa música é perfeita, riffs muito bonitos e que combinam perfeitamente com o propósito musical da banda. Vale mencionar que nessa faixa não são utilizados os vocais limpos, o que deixa a coisa mais brutal possível. O álbum segue envolvendo cada vez mais o ouvinte com passagens cadenciadas, inclusões maravilhosas de violão, solos inspiradíssimos e refrões marcantes. Já a partir da terceira faixa é possível notar os vocais mais limpos, bem na linha do Trivium, que soam totalmente naturais com o restante das músicas.

A transição entre o limpo e o gutural é perfeita. O restante segue de forma muito linear e impecável sem que se torne cansativo; muito pelo contrário, te prende a cada música que passa, fazendo com que seja inevitável apertar o play mais uma vez. Não é toda banda que consegue lançar um début com tanta classe e precisão como o Aeternam, com certeza eles ainda têm muito a mostrar. Deixa muitas bandas veteranas no chinelo. É incrível como a gente ouve tanta coisa, mas mesmo assim se surpreende pelo fato de existirem tantas boas bandas escondidas por aí, infelizmente, ainda no anonimato. Se depender de mim, não mais! Nota: 9.5 Pedro Humangous

AMEN CORNER “Leviathan Destroyer” Cogumelo Records Três anos após lançar o magnífico “Lucification”, a banda Amen Corner – um nome notório no cenário de Black Metal Nacional - volta aos estúdios para uma nova onda de blasfêmias com sonoridade profunda e de grande qualidade. “Leviathan Destroyer” contém nove novas faixas do repertório da banda, tendo como inspiração temática Leviatã, o demônio bíblico das águas. A atmosfera das músicas continua com seu peso habitual e as composições de melodias e riffs estão bem elaborados, encaixando-se perfeitamente com o ritmo e o vocal gutural de Sucoth Benoth. O som está mais direto, sem muitas daquelas introduções teatrais que podem ser observadas em algumas faixas do trabalho anterior. Além disso, as letras estão criativas, mos25


trando temáticas bíblicas, pagãs e até mesmo mitológicas, cheias de blasfêmias e heresias que somente Amen Corner sabe combinar. Para os bons amantes do Black Metal e para os fãs em particular da banda, Leviathan Destroyer não deixa a desejar. Seguindo a mesma base de “Lucification”, esse novo trabalho prova ser autossuficiente em todos os sentidos. Destaque especial para as faixas Leviathan Destroyer, Goddess Of Deep Waters, In Poseidon’s Seas e They Are Among Us. Aprovado e recomendado para os fãs.

“The Wicked Symphony”, o que poderia sinalizar um esgotamento de idéias, mas não é o caso. Mesmo porque, assim como o outro disco, a sonoridade aqui varia bastante durante a audição, renovando o interesse a cada música. Ponto para Tobias, que nesse disco ainda conta com participações interessantíssimas de nomes como John Oliva, Jens Jonhasson e Bob Catley. Ótima pedida para quem curte o estilo. Nota: 10 Marcelo Val

Nota: 10 Yuri Azaghal

AVANTASIA “Angel Of Babylon” Nuclear Blast Records Realmente, Tobias Sammet é um cara com muito moral hoje em dia. Não é qualquer um que consegue fazer um lançamento duplo, quanto mais recheado de participações para lá de especiais. Como se o disco “The Wicked Symphony” não fosse suficiente, Sammet ainda aparece com esse “Angel Of Babylon” ao mesmo tempo, em plena época de crise na indústria fonográfica. Para se ter uma idéia, o disco abre com “Stargazers”, uma música de nove minutos com participação de Jorn Lande, Russel Allen e Michael Kiske. É pouco? Pois ainda solam nela Bruce Kulick e Oliver Hartman, com Alex Holzwarth a cargo das baquetas. E está longe de ser cansativa, algo que, em uma faixa de nove minutos, é um feito e tanto, ainda mais nesse estilo. A tônica desse disco é a mesma do

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AVANTASIA “The Wicked Symphony” Nuclear Blast Records A continuação da saga “The Scarecrow”, muito aguardada pelos fãs, veio trazendo aqueles elementos que transformaram o side-project do vocalista Tobias Sammet em um dos destaques do Metal atual. A sonoridade é como a banda principal do vocalista, o Edguy, banhado com um tempero fortíssimo de Hard Rock e Metal clássico, participações especialíssimas de nomes estelares do estilo, contando uma história onde cada participante interpreta um personagem diferente. Sammet aproveitou seu domínio em diversos segmentos do estilo para criar uma sonoridade extremamente versátil, onde o Hard é sucedido pelo Power, pelo Melódico e pelo Tradicional, tendo sempre em destaque os refrões “grudentos” que fazem esse disco agradar no exato momento em que se começa a escutá-lo. É especialmente prazeroso escutar Eric Singer, baterista da atual formação do

Kiss, sair dos limites que sua fantasia de Catman impõe, descendo o braço e os pés na bateria; ouvir novamente um grande desempenho de Tim “Ripper” Owens, ou a voz personalíssima de Klaus Meine em “Dying For An Angel”, uma música com características fortíssimas de Scorpions. A participação de Bruce Kulick também é um alento para os fãs desse grande guitarrista, já que pouco vimos dele nos últimos tempos e, com certeza, é uma das melhores participações de Kulick em uma gravação desde que teve de deixar o Kiss. Com tantas estrelas em seu disco, pode-se dizer que Tobias Sammet corria o sério risco de ser eclipsado pelo talento alheio, mas ele tem uma voz excelente, fugindo dos padrões do Metal Melódico, com bastante personalidade, além de tocar baixo e compor as canções. Um detalhe deste lançamento é que ele não termina quando o disco acaba. Isso porque Tobias resolveu lançar dois discos de uma só vez, e a saga continua em “Angel of Babylon”. Nota: 10 Marcelo Val

BELPHEGOR “Blood Magick Necromance” Nuclear Blast Records Épico e monumental como o próprio Helmuth disse que seria. Eis “Blood Magick Necromance” que liricamente soa como uma versão bastante normal de Old-School Black Metal no modo como lida com o tema do satanismo, que é tão onipresente no Black Metal Clássico. Suas letras giram principalmente em torno do reverenciando Satanás matando cristãos e outras


coisas divertidas que o satanista dedicado gosta de fazer nos seus tempos livres. Tudo isso é trazido a você em uma cama fina de rosnados e harmonias vocais que se encaixam perfeitamente com os temas das letras. Os elementos melódicos, como a harmonia dos vocais que são empregados em algumas músicas do álbum, dão um toque bastante original, que nos passa a sensação de estar participando de um ritual satânico no sábado de bruxas. Sem qualquer Intro desprezível, o álbum já começa devastando, uma belíssima faixa de abertura na qual somos imediatamente confrontados com fato consumado de uma música épica, a grande habilidade da guitarra e a forma que o baterista toca é como se sua vida dependesse disso. “Rise to Fall and Fall to Rise”, usando também uma quantidade surpreendente de trabalho de guitarra melódica, é formada de tons altos seguidos de baixos, como uma escada de poucos degraus em forma de ‘’V’’ que você corre para subir e vai mais devagar para descer, sem perder a melodia. A faixa-título “Blood Magick Necromance’’, uma verdadeira obraprima de sete minutos, está cheia deste épico e a sensação de como Satanás está levantando-se do inferno com sua legião de guerreiros para finalmente ultrapassar o planeta Terra, bem ao gosto do Belphegor. Os primeiros vinte segundos da faixa-título ilustram a urgência e a paixão que a banda teve ao fazer este álbum. Ao chegar ao refrão mal se imagina a emoção que pode ter ao canta-lo. O álbum segue com a mesma proposta até o final, lindo. Seria ridículo afirmar que este é o melhor álbum de 2011, quando ainda é janeiro. Dito isto, este é um dos melhores álbuns de 2011. Sei que é cedo, mas este disco tem tudo que procuro em um CD de metal. Não há uma música ruim do começo ao fim, a produção é perfeita e posso ouvir o álbum inteiro, sem pular uma música. É um alívio.

BLACK LABEL SOCIETY “Order Of The Black” E1 Music

CORRUPTION “Bourbon River Bank” Mystic Prod.

Pois é, o Zakk conseguiu de novo. Quando esse álbum foi lançado, não me interessei imediatamente por ele. Então comecei a ouvir ótimas críticas e quando finalmente resolvi ouvir a ótima obra-prima do Black Label Society, pude confirmar por mim mesmo: de fato esse álbum é incrível! Já sabia que “O Rei Eslovaco” – como diria Ozzy – não decepcionaria, mas não pensei que chegaria ao nível de “Máfia”, talvez sendo até melhor. Nada piorou, pelo contrário. Houve um progresso geral: letras, melodias, tudo. E a habilidade de Zakk e do resto da banda está mais evidente que nunca. Quer uma prova? Ouça a faixa onze, intitulada “Chupacabra”. Trata-se da faixa mais curta de todo o álbum, não possuindo sequer um minuto completo. No entanto, após ouvi-la naturalmente você sentirá uma vontade incontrolável de tocar violão – ou começar a tocar, se for o caso. Assim que possível, ouça “Order of the Black”. Parece um tanto óbvio dizer que não decepciona – ainda mais para os fãs da banda –, mas não é apenas mais um ótimo trabalho. Se esse disco não superou, ou ao menos se igualou a “Mafia”, faltou muito pouco. Digno de coleção na prateleira.

A banda continua mesclando qualidade e humor em suas músicas, seguindo o clima fiel de seu antecessor, “Virgin Milk”. Como uma espécie de Matanza polonês, porém com uma sonoridade muito mais pesada, Corruption traz letras mais satíricas e bem produzidas que nunca, mostrando que a criatividade de seus membros não tem limite. Suas melodias continuam tão boas quanto antes e suas temáticas como luxúria e bebedeira continuam a ser expressas com grande agressividade e habilidade, ora com toque de humor, ora com sonoridade mais séria. Destaque para os riffs, que combinam muito bem distorção com técnica. Faixas como “Beelzeboss” e “Hell Yeah!” podem lhe fazer passar da reflexão para a fúria com grande facilidade. Para os amantes da filosofia “Born To Be Wild”, Corruption é uma banda indispensável, e “Bourbon River Bank” provará em cada uma de suas treze faixas um Stoner Metal reflexivo, engraçado, agitado e cativante. Enquanto o novo trabalho do Matanza não sai, por que não experimentar essa alternativa, no mínimo, curiosa? Para os que curtiram “Virgin Milk”, garanto que esse novo trabalho vai se mostrar tão bom quanto (senão até melhor que) seu antecessor.

Nota: 10 Yuri Azaghal

Nota: 9.5 Yuri Azaghal

Nota: 10 Emily Bodom

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Nate Horton detona nos tambores. Como o guitarrista prometeu um disco novo do The Rods para a primavera de 2011, vamos aguardar para ver se nesse próximo disco teremos mais inspiração e clássicos ao estilo de “Violation”, “Crank It Up” ou “Let Them Eat Metal”! Nota: 7.5 Marcelo Val DAVID ROCK FEINSTEIN “Bitten By The Beast” Niji Entertainment Group David Feinstein, mais conhecido como o “primo do Dio” nos últimos tempos, é um cara que tem um passado respeitável. Além de ter feito parte, juntamente com seu primo, do ELF (banda que rendeu a Dio seu convite para o Rainbow), Feinstein era integrante do The Rods, um power trio respeitadíssimo nos idos anos 80. Discos como “Wild Dogs” e “Let Them Eat Metal” podem ser ignorados hoje em dia, mas existem diversos fãs que ainda amam esses discos e os verdadeiros hinos que continham. O problema desse disco é que, apesar de seguir o estilo praticado pelo The Rods, David não consegue sair do óbvio. Sua voz entupida de efeitos, não colabora nem um pouco. Feinstein nunca chegou aos pés de seu primo nesse quesito, mas era um vocalista de personalidade e tinha uma boa voz para o estilo. Pelo visto, os anos não lhe foram generosos... Esse disco, que aguardei com ansiedade, simplesmente não decola, o que não o torna ruim, é apenas um disco fraco em relação à carreira do músico. Ainda que tenha a participação de Dio em uma faixa, nem mesmo a voz maravilhosa de Ronnie consegue fazer a letra da música “Metal Will Never Die” soar menos pueril, apesar de a música ser bem legal. No entanto, o disco tem seu lado forte, com bons riffs e o timbre ardido do guitarrista, bons solos, a participação especial de seus ex-companheiros de Rods Carl Kennedy (bateria) e Gary Bordonaro (Baixo) na já citada “Metal Will Never Die” e algumas músicas como “Give me Mercy” são bem legais. A gravação está boa e o batera 28

surge com agressividade total que a banda poderia demonstrar .A vocalista Sabine Weniger futuramente pode alcançar seu espaço ao lados de grandes nomes da voz feminina no Metal, ela passa despercebida pois sua bela voz encanta ouvidos em meio de tanta barulheira , o qual, tecnicamente o resto da banda desempenha muito bem . Deadlock merece seu conhecimento por sua grande capacidade, mas falta talvez um trabalho mais desenvolvido em termos de criatividade para que possa marcar mais com suas canções. Nota: 8.0 Matheus “Myu” Lacerda

DEADLOCK “Bizarro World” Winter Recordings Quando algo relacionado à Death Metal logo se pensa em guturais e rosnados, mas o Deadlock faz diferente com seu moderno Death Metal Melódico além de conter todo o peso e fúria, é embalado por vocais limpos e belos por uma vocalista. Bizarro World é o quinto álbum da banda não oferece nada de novo, mas também nada que pudesse desviar dos trabalhos anteriores da banda, essas características como misturar vocais masculinos ásperos com belos vocais femininos limpos já foi visto em grandes bandas como Nightwish e Laccuna Coil, mas apesar disso o Deadlock não deixa de ser original. Em Bizarro World, há faixas com mais desenvolvimentos que outras como em “Virus Jones” e “Brutal Romance” onde técnicas de techno são usadas frequentemente e são cortadas por fortes riffs pesados,dando uma sonoridade moderna às músicas , já outras apesar de boas passam menos notadas por talvez não terem refrões tão marcantes , “Htrae” em minha visão é a melhor do álbum pois é totalmente diferente do ritmo das outras faixas ,começa tranquilamente com um vocal limpo e logo

CHELSEA GRIN “Desolation of the Eden” Artery Records Após um brilhante EP aclamado por muitos fãs de Deathcore, “Desolation Of The Eden” surge para confirmar Chelsea Grin como uma das mais amadas e melhores bandas da cena. Nesse álbum, é fácil perceber que o foco principal da banda é a mistura de melodias suaves com riffs brutais. Bem intrínsecas da Chelsea Grin, as dedilhadas melódicas intercalando entre uma brutalidade e outra, conhecidas também como arpejos, aparecem principalmente nas faixas “The Human Condition” e “Revenant”, mas perduram por todo o álbum. Duas faixas do EP para este full-length foram regravadas, são elas “Recreant” e “Cheyne Stokes”. “Desolation of the Eden” conta também com duas músicas totalmente instrumentais que acrescentam um toque de genialidade e técnica à banda, a relaxante “Elysium” e “Wasteland”, que


parece ser um breakdown gigante. A voz de Alex, em muitas partes do álbum, parece ter sido editada demais, fazendo com que fique rasgada e parecida com muitas outras bandas de Deathcore. Mas ele não precisa disto, é muito talentoso e já mostrou isso no EP. Em geral, os acordes de base das guitarras são lentos e não muito complexos a ponto de confundir o ouvinte. Mas Andrew, o baterista, apesar de tocar lentamente em muitas partes, continua a fazer os rolos complicados característicos de qualquer banda de Metal. A mixagem do álbum é melhor que o esperado para um álbum debutante. Só em dezembro de 2010, “Desolation of the Eden” vendeu pouco mais de 15 mil cópias! É um número que não se deve ignorar, até porque estamos falando de uma banda underground. Chelsea Grin fez um excelente álbum e poderá se tornar a maior banda de Deathcore nessa década Nota: 9.0 Igor Scherer

e um breve um solo de guitarra mais Heavy Metal e é ai que tudo começa. “Asylum���, faixa que dá nome ao álbum, é single e já mostra destaque; o guitarrista Dan Donegan continua brilhando com sua criatividade e técnica, enquanto o vocalista David Draiman, ainda inconfundível, faz do Disturbed intocável! Em “The Infection” percebem-se mais solos de guitarra e afinações mais leves, mas o Disturbed não está tentando mudar e em “Warrior” já volta a soar como o que já se conhece há tempos, e isso empolga a continuar ouvindo o álbum. A sétima faixa é o single “The Animal” que fala sobre um lobisomem, e enquanto o assunto é mais do que um bocado estúpido, a música é envolta por letras obscuras e musicalidade tensa. Já em “Crucified” e “Sacrifice”, a banda retira do mofo velhas metáforas para descrever a resolução de um caso de amor, ao som de guitarras mais Hard Rock. Ao final, conta ainda com um cover do clássico “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” do U2. Talvez você não goste da música, mas na versão Disturbed torna-se mais empolgante para quem gosta de música mais pesada. Liricamente “Asylum” é tão escuro quanto indestrutível, a temática da banda não mudou e ainda segue forte tornando-o um álbum magnífico para velhos e novos fãs de Disturbed. Nota: 9.0 Matheus “Myu” Lacerda

DISTURBED “Asylum” Reprise Records “Asylum” é o quinto álbum do experiente e forte Disturbed. Descrevo com essas palavras, pois é uma banda que conheço há muito tempo e nunca me decepcionou. Na ansiedade do álbum esperava algo que fosse bem conhecido e bom de escutar como outros trabalhos antigos da banda, mas logo no início vi um Disturbed diferente. Quando digo diferente, quero dizer inovador sem perder a qualidade. A faixa “Remnants”, que é uma introdução, inicia com um instrumental acústico

19 membros diferentes. Todas essas mudanças renderam quatro álbuns ao longo do tempo. Após maiores destaques a banda assinou contrato com a já poderosa Victory Records, e com ela a banda lança o álbum “Slander”, que conta com o melhor trabalho de produção da banda até agora. A introdução “Clinger (stage5)”, um discurso de uma ex-namorada envolvendo Facebook, é um instrumental eletrônico bem Pop, mas é em “Fire Crotch (The Venereal Van Rid)” que a coisa começa realmente a funcionar. A parte Deathcore da banda não parece se importar muito quanto a rótulos; a música é curta, mas com bastantes variações de ritmo. Muitas das faixas desse álbum continuaram como o velho Dr.Acula, bastante genérico. Porém, mesmo com alguns defeitos, há faixas que se destacam como “4 Currently Sexting” que segue o ritmo antigo da banda, destacando as partes vocais, tudo com muito barulho. O single “Cocaine Avalanche” é muito bom que começa com agressividade e depois passa para um Street Hardcore mais rápido. Talvez a faixa com mais destaque tenha ficado muito pelo fim, já que o começo não é tão empolgante. “Who You Gonna Call”, cujo videoclipe mostra o já conhecido lado cômico da banda, é introduzida por riffs criativos e embalados que ganham destaques até a mudar novamente para um som mais Hardcore que Death. Em certa parte fica meio repetitiva, mas ao final volta a embalar. A banda ganha destaque em algumas partes, mas em muitas outras o Dr.Acula ainda precisa evoluir para conquistar novos admiradores e obter mais sucesso. Nota: 6.0 Matheus “Myu” Lacerda

DR. DRACULA “Slander” Victory Records Desde 2005, época de sua formação, o Dr.Acula já passou por diversas formações, totalizando algo em torno de 29


EMMURE “Speaker Of The Dead” Victory Records

FACINORA “Hell Is Here” Independente

Emmure já é um grande nome ícone na nova cena da musica pesada, com seu forte Hardcore com um toque de Death Metal vem destruindo nos últimos tempos e seu novo álbum “Speaker Of The Dead” tenta fazer jus ao legado da banda. Não muito diferente dos álbuns anteriores o peso é inconfundível; além de um instrumental notável com grande destaque, muitas das faixas trazem efeitos nos vocais característicos da banda, com bastante diversidade de riffs e breakdowns criativos. Da primeira até a sexta faixa o álbum mostra a força total, com destaque para as faixas “Demons With Ryu” e “Solar Flare Homicide”. Já em “Bohemian Grove” a velocidade da música reduz, mas o peso continua e a música soa como uma pausa para voltar com força. No entanto, é aí que começa a decair, pois a faixa “Last Words To Rose” age como uma música mais lenta, que não combina muito com o vocal agressivo. Nessa parte do álbum era para o Emmure mostrar que pode segurar os ouvintes até a última, mas não é o que acontece já que muitas críticas foram feitas pelos fãs devido a não evolução das letras. Tinha tudo para ser um álbum espetacular, algo que uns dias a mais de trabalho talvez pudessem ter resolvido.

O Facinora foi formado, em 2007, por Igor Rodrigues, Allem Villela e Rodrigo Oliveira depois de alguns goles de cerveja e muita diversão fazendo covers de AC/DC, Led Zeppelin, Black Sabbath, Exodus e Slayer. Como podemos ver nesse disco, a galera resolveu entrar de cabeça no Thrash Metal. A máquina começa com a faixa título, “Hell Is Here” com bases picadas bem Old School e uma passagem empolgante lembrando os antigos moshes oitentistas. Em “Source Of Madness” há um Thrash bem característico dos anos 80/90, rápido e pesado. “RIP” é a próxima e fica na mesma linha. “Empty Illusions” com certeza é o ponto alto do álbum com bases arrasadoras e passagens metralhantes. “Living in Reality” é a quebra ideal e traz um clima diferente das demais, mas a brutalidade logo volta em “War Between Selfish”. “Despair” é a calmaria perto das outras músicas, mas ainda assim é bem pesada lembrando, em alguns pontos, o finado Death no começo da carreira. “Terror” e “The Evil” encerram a obra com peso. Apesar de “Hell Is Here” não estar com boa qualidade de gravação como foi “Born in Fear”, o CD é muito bom e conta com boa dose de Thrash Metal na veia.

Nota: 8.0 Matheus “Myu” Lacerda

Nota: 8.0 Ricardo Thomaz

Promoção Facínora - O inferno é aqui Você já ouviu “Hell is Here”, um dos melhores petardos do Thrash Metal brasileiro lançado em 2010? Então mande agora seu e-mail para promocao@atomicnight.com e concorra a 5 CDs do FACÍNORA! 30

FALKENBACH “Tiurida” Napalm Records Falkenbach é o projeto solo do consagrado multi-instrumentista Vratyas Vakyas (antigamente guitarrista do Crimson Gate) e surgiu em 1989. De todos os discos lançados, nada mais do que três demos subitamente apareceram, em 1995 (“Laeknishendr”, “Skinn Af Sveri Sol Valtiva”, “Asynja”). Vakyas gravou dois álbuns, “… En Their Medh Riki Fara…”, de 1996, e “…Magni Blandinn Ok Megintiri”, de 1997, antes de voltar sua atenção ao seu selo Skaldic Art Productions. Ele finalmente ressuscitou o Falkenbach, em 2003, e recrutou outros músicos (o vocalista Tyrann, o guitarrista Hagalaz e o baterista Bolthorn) para ajudar com o terceiro álbum “Ok Nefna Tysbar Ty”, mas ele voltou para seu caminho solo lançando a sequência “Heralding The Fireblade”, em 2005. Agora Vratyas retoma os trabalhos com o lançamento de Tiurida, uma mistura Viking Metal e Blackened Folk. Formado por oito faixas, o disco conta com uma faixa bônus “Asaland”, lançada na Promo, em 1995, e uma Intro, com canto de pássaros e um ar de mistério do que estaria por vir. Após a Intro a faixa ‘‘... Where His Ravens Fly... ’’ é inteiramente formada por vocais limpos; acho que seria uma música perfeita para o momento em que guerreiros nórdicos estivessem rumo à guerra, ou seja, todo aquele sentimento viking ao som da guitarra e da melodia. Em alguns momentos o álbum relembra ‘’Belus’’ (recente álbum do Burzum) com algumas pegadas de Dark Ambient, o vocal rasgado e envolvente nos pega de surpresa durante a calmaria de algumas partes das músicas. A faixa “Runes Shall You Know”


conta com longos solos de guitarra. “In Flames” tem, no meio da música, uma breve pausa com cantos calmos e som de gotas de água caindo, e retoma com berros e toda a agressividade de uma guitarra. Sem destaques para nenhuma faixa, o álbum é inteiramente envolvente. Nota: 9.0 Emily Bodom

tortion” e só foi aproveitada agora. Em “Immortal Wounds”, a técnica impera e aquelas bases picadas voltam à tona com melodias ao extremo. “Behind The Mask”, “Inhuman Race” e “Omega Wave” fecham o petardo com classe. Apesar do Forbidden não ter feito uma obra divina como seus antecessores, “Omega Wave” é um excelente trabalho, vamos esperar por mais um grande trabalho dos proibidos. Nota: 8.5 Ricardo Thomaz

até alcançar um trecho muito parecido com Red Hot Chilli Peppers quebrando a música completamente e logo retorna a porrada, bem diferente de todas do CD. “Granica RozsąDku” certamente é a senhora dos pesos, é o tipo de música que dá vontade de esmagar o solo. O começo de “Z ZimnąKrwią” me fez lembrar Forbidden, mas depois vem a correria e os guturais animalescos de Auman. “Nie Ma We Mnie Boga” realmente parece um chamado para guerra, uma música arrasadora com passagens bem influenciadas de Slipknot e seu final se assemelhando muito ao Machine Head. Frontside é uma banda com algum tempo de estrada e possui suas influências no passado, mas com um som bastante atualizado, pesado, melódico e ANIMAL! Merecem minha nota máxima. Nota: 10 Ricardo Thomaz

FORBIDDEN “Omega Wave” Nuclear Blast Records Essa animalesca banda que retorna das cinzas resolveu lançar, em outubro de 2010, mais um CD, “Omega Wave”, que vem muito bom, mas com certeza não chega perto do todo-poderoso “Forbidden Evil” ou seus antecessores. Porém, deixa bem claro ter seu mérito com bases destruidoras com muita velocidade, melodia e técnica. “Omega Wave” veio provar que o Forbidden está vivo e que pode ainda dar muito sangue. O disco começa com “Alpha Century”, uma linda introdução para “Forsaken At The Gates” com palhetadas cavalgantes ao extremo e bem rápida. Em “Overthrow”, Russ Anderson explora bem seus vocais com excelente melodia, uma fantástica música como em “Adapt Or Die” e seus acordes guitarrísticos; destaque para os solos, que estão de arrepiar. “Swine” está em um clima longe do disco “Green”, mas lembrou com certeza aquela época. “Chatter” serve de introdução para “Dragging My Casket” que parece realmente se arrastar com excelente melodia, umas das músicas mais diferentes que já ouvi do Forbidden. “Hopenosis” parece até que foi feita na época do álbum “Dis-

FRONTSIDE “Zniszczyc Wszystko” Mystic PL / Dockyard1 O guitarrista Demon estava decidido a criar algo novo, um som realmente pesado como Slayer e Morbid Angel misturando adrenalina hardcore de bandas como Suicidal Tendencies, Cro-Mags e Agnostic Front quando formou, em 1993, a banda Frontside. Com certeza essa receita resultou em algo excelente e surgiu no mundo metalístico essa banda que canta em sua língua nativa, o polonês. Seu novo trabalho, “Zniszczyc Wszystko” é uma verdadeira martelada nos tímpanos com riffs muito bem criados e peso pra lá de animalescos. A primeira faixa é fantástica e detona com uma avalanche sonora e bem marcante, destaque para o fantástico solo. Na sequência “Pociągasz Za Spust” é destruidora como uma metralhadora giratória aniquilando o que estiver pela frente com os bumbos do baterista Toma explodindo ao fundo. “Droga Donikąd” me lembrou Lamb of God em seu início e logo uma base de peso toma conta matando, realmente divina. Na faixa “Martwa Propaganda” é pancada pura

HAMMURABI “The Extinction Root” Cogumelo Records Minas Gerais, mais precisamente Belo Horizonte, é o berço do Metal no Brasil e de onde vieram as principais bandas que conhecemos, como Sepultura e Sarcófago. E é dessa prolífera região que surge a banda Hammurabi. Após o excelente EP “Shelter Of Blames” lançado de forma independente, em 2008, esses mineiros retornam agora – através do selo Cogumelo Records – com o lançamento de seu primeiro full lenght intitulado “The Extinction Root”. Poucas bandas conseguem mesclar com tanta facilidade o Death com o Thrash Metal. Puxando pela memória, consigo me lembrar de dois nomes: Torture Squad e Legion Of The 31


Damned. E agora se junta a esse time o Hammurabi. A formação é enxuta, um power trio: Daniel Lucas nos vocais e baixo, Danilo Henrique nas guitarras e Crisley Rodrigo na bateria. A bela arte da capa foi feita por Fernando Lima, que é também vocalista da banda Drowned – confesso que gosto mais da arte do EP feita por Daniel Lucas. A gravação, apesar de um pouco abafada, não tira o brilho das músicas e passa despercebida após a primeira faixa. A base do som é o bom e velho Thrash Metal, sendo este superdosado de melodias, passagens cadenciadas com direito a dedilhados e vocais inspirados no Death Metal. Essas variações tornam a audição empolgante e menos cansativa apesar das dez faixas e os pouco mais de quarenta e cinco minutos de música. Destaque para as faixas “Despair” e “Highway Of Death” a qual começa com uma intro na guitarra no melhor estilo Alex Skolnick, do Testament. A banda vem crescendo bastante nos últimos anos, recebendo ótimas críticas do público e da mídia, além de fazer shows matadores por onde passam. Precisamos dar mais valor às bandas da nossa terra. Esse é mais um tesouro encontrado nas Minas Gerais. Nota: 8.5 Pedro Humangous

som reconhecido, mas que sofre ligeiras mutações de álbum para álbum. Sim, eles já provaram que são capazes em lançamentos anteriores como ‘’All That You Fear’’ e ‘’Absence Of War Does Not Mean Peace’’, porém ‘’Road To The Octagon’’, o novo lançamento da banda, soa um tanto preguiçoso, desorganizado e confuso. Pelo que se pode perceber a banda não parece saber o que quer realmente fazer; ‘’Road To The Octagon’’ é uma mutação de Black Metal e Hardcore Punk. É claro que toda banda tem sua originalidade, mas às vezes com tantas variações pode acabar decepcionando os fãs. Das treze canções do álbum, doze contam com menos de três minutos de duração e, infelizmente, algumas dão a sensação de terem mais de três minutos, tornando-se cansativas. Em contrapartida, algumas vezes me senti como se as canções terminassem prematuramente, como “Tentacles of the Octagon” e “Reflect on This”. O álbum conta com bastante velocidade e há pouca mudança no ritmo de uma faixa para outra. A parte mais interessante do álbum fica a cargo do baterista, uma que vez toca de forma brutal, rápida e explosiva, extremamente envolvido pelo ódio. Como as músicas são bem parecidas umas com as outras, automaticamente nenhum destaque no álbum. Nota: 5.0 Emily Bodom

IMPALED NAZARENE “Road to the Octagon” Cogumelo Records Três anos após o lançamento de ‘’Manifest’’, talvez os fãs estivessem esperando algo a mais de um grupo de caras com Corpse Paint que se autodenominam Impaled Nazarene, assim como Motorhead é uma banda que tem um 32

LACERATED AND CARBONIZED “Homicidal Rapture” Mutilation Records Não sei o que aconteceu com a cena metálica do Rio de Janeiro, mas nos úl-

timos anos vem decaindo bastante em termos de shows, público e surgimento de novas bandas que despontem no cenário nacional. A banda Lacerated and Carbonized veio para mostrar que o estado ainda sobrevive, e firme, da música pesada. “Homicidal Rapture” é o mais novo álbum de inéditas dessa banda carioca e tudo que envolve esse lançamento é de primeira qualidade, com nível de exportação e selo de qualidade ISO 666. Desde a bela arte da capa criada por Eregion, do Mysterian Art – também vocalista da banda Unearthly –, até a produção e execução das músicas. O disco foi gravado, mixado e masterizado no renomado estúdio Da Tribo, a cargo do experiente Ciero. Pra quem gosta de um metal extremo e violento, esse é um prato cheio. Repleto de músicas velozes, pancadaria total e vocais cavernosos. A sonoridade é bem diversificada, variando mais especificamente entre o Death Metal e o Grind. Todos os músicos esbanjam técnica e bom gosto nas dez faixas, as quais perfazem pouco mais de trinta minutos de música. Destaque para os vocais de Jonathan Cruz. Completam o time Caio Mendonça nas guitarras, Paulo Doc no baixo e Victor Mendonça na bateria. O disco é bastante coeso e cada faixa tem seu brilho próprio, tornando uma tarefa ingrata apontar destaques. Ainda assim, se tivesse que escolher uma, fico com a faixa que leva o título do álbum pela alternância entre velocidade e cadência, riffs perfeitos e empolgantes. O Lacerated and Carbonized tem tudo para se tornar uma das melhores bandas do estilo no Brasil e facilmente atingir o tão exigente mercado internacional. Acho que quem reclama do fato de não termos boas bandas de metal no Brasil, ou é surdo ou tem sérios problemas. Nossa cena carece de mais bandas como essa e um lugar de destaque em sua coleção. Nota: 9.0 Pedro Humangous


LITHURIA “Pimps Of The Living Dead” RedHouse FMP

LOSNA “Distilling Spirits” UGK Discos

MISS MAY I “Monument” Rise Records

Depois de uma longa espera a banda Lithuria finalmente provou sua capacidade com a demo “World Ending Pestilence” no ano passado, conseguindo assinar contrato com a RedHouse FMP. Agora, “Pipes of the Living Dead”, primeiro álbum de estúdio oficial da banda, prova que não somente Nightwish e Tarja Turunen fazem parte da cena de metal em Helsinki. Com seu trabalho de estreia Lithuria nos mostra um Death Metal brutal e agitado, com uma temática totalmente gore que varia entre homicídios, pestes, mutilações e rigor mortis. A sonoridade da banda é bem crua e direta, tendo como ponto forte o vocal gutural de Jarno Kolehmainen, que além de ser bem trabalhado e potente, é capaz de variar com facilidade em várias tonalidades, que muitas vezes é bem similar ao gutural usado por vocalistas de Black Metal. “Pipes of the Living Dead” é um material que merece ser analisado e com certeza vai agradar a muitos fãs de Death Metal. Claro, não chega a ser um incrível trabalho na linha de Yattering ou Cannibal Corpse, mas a banda fez uma ótima estreia e, para um álbum inicial, Lithuria ainda consegue deixar muita banda no chinelo. Destaque para as faixas “The Dying Process”, “Dead Embryo Vomit” e “Light Evacuates”.

Lançado no início de 2011, “Distilling Spirits” é o segundo álbum da banda Losna, do Rio Grande do Sul. A banda forma da pelas irmãs Fernanda (Baixo e Vocal) e Debora (Guitarra) com a compania de Marcelo (Bateria) faz um som bastante interessante: um Death/Thrash com algumas pitadas de Crossover. Algumas músicas merecem grande destaque como “Crossing The Bar” – que foi a ideal para abrir esse álbum –, “Merde”, “Lycantropy and Wheels”, “I’m Your Depression”, a muito bem trabalhada e melhor do álbum “The Fire of Purification”, além da faixa mais direta “Tremblement de Terre”. O disco foi gravado no Estúdio Mil, em Porto Alegre, e foi produzido por Fábio Lentino (The Ordher, ex-Nephasth). Apesar de a produção não estar muito boa, podemos notar uma grande evolução desde o álbum anterior e, com certeza, em pouco tempo ouviremos falar muito bem dessa banda gaúcha que promete.

Pela segunda vez na Rise Records, Miss May I vem com um álbum um pouco diferente de “Apologies Are For The Weak”. Comparado ao primeiro álbum da banda, “Monument” está mais Metalcore, visto que a presença de vozes limpas em cada faixa atraiu mais fãs de metal que gostam não só de vozes guturais e berros, mas também de graciosidade. Minha impressão inicial do álbum foi que as músicas aparentavam ser muito parecidas entre si - não só pelo tempo, como também pela entonação de Levi Benton. A partir da primeira música, “Our Kings”, pude perceber uma evolução na voz dele. Aferindo com sua voz no ano retrasado, melhorou muito. Antigamente, bastava ouvir a banda ao vivo para perceber a diferença no vocal das músicas gravadas. Em qualquer música do “Monument” é possível perceber a forte energia da banda misturada com a expressão emocionante dos vocais. Os refrões das músicas, cantadas majoritariamente pelo baixista Ryan, são cativantes o suficiente para envolver o ouvinte. O baterista Jerod Boyd, por incrível que pareça, conseguiu melhorar aquilo que já estava perfeito: sua mistura do pedal duplo com inversões de tempo. Os caras do Miss May I com certeza estão tentando criar um som mais melódico. E em alguns casos obtêm êxito nesse objetivo, como os refrões extendidos em “Gears” que aliviam a dor e revolta que vêm das sessões de acordes das guitarras nos breakdowns; como também a viagem fria e sem distorção de “In Recognition”. Se tivessem feito um EP, em vez de full-length, teriam se saído ainda melhor.

Nota: 8.5 Yuri Azaghal

Nota: 7.5 Luiz Ribeiro

Nota: 7.5 Igor Scherer 33


nacional, o que dá aquela cara de underground mesmo. Para fãs do mais puro Death Metal e para quem gosta do nosso rico cenário nacional, essa é uma excelente pedida. Nota: 7.0 Pedro Humangous

MORETOOLS “Moretools” Independente

MORFOLK “World Of Liess” Oversonic Music

Essa banda brasiliense esbanja peso aliado a velocidade com vocais rasgados e megaguturais de Rha Vi. As baquetas possuídas por Riti Santiago parecem bem nervosas no CD e bem engrenadas às palhetadas de Hudson, Alu e JH. Em “Damned Dog Of War” o peso sobra e a metralhada na caixa nos deixa realmente em guerra. “Humam Dependence” é bem corrida com boa dose de slam enquanto “The Time” é bem arrastada parecendo puxar corpos pelo chão. “Final Solution” é uma pancada só, é bem agitada assim como “From Beyond” e “Pain Screams” que lembram muito hardcore. “Murder of Inocence” possui bases interessantes e passagens arrematadoras. “Traitor” é curta e grossa, rápida e voadora, um verdadeiro soco no ouvido. Em “Taste Of Blood” destaque especial para os guturais realmente excelentes de Hudson. A música “Moretools” é bem marcante e, pra mim, é a melhor do CD com som bastante forte com muita empolgação, palhetadas nervosas e bateria metralhando o ouvido. “Face Me” é arrasadora e não deixa por menos e “Still Burning” deixa a devastação em puras cinzas. O Moretools é uma banda com grande valor; se aproveitar o embalo com uma boa investida, pode dar grandes frutos ao metal de Brasília a nível nacional e internacional. Parabéns rapaziada!

Após seu surgimento, há exatos vinte e um anos, a banda de São José dos Campos Morfolk foi moldando seu som e culminando no mais novo lançamento de estúdio chamado “World Of Lies”, disponível desde o fim do ano passado. Confesso que gostei bastante do lançamento anterior deles o “Blind’s Paradise”, de 2005. Mesmo que ainda carecesse de uma melhor lapidação, a banda já mostrava que podia dar bons frutos em um próximo lançamento. O que temos aqui é basicamente o Death Metal Old School, reto, sujo e sem frescuras. Porrada do início ao fim, bateria incessante, guitarras enfurecidas, riffs velozes e vocais urrados com bastantes camadas de vozes infernais. Após algumas mudanças na formação ao longo dos anos, a banda é atualmente formada por Roberto Repolho (guitarras), Reinaldo Tio (guitarras), Renato Predador (bateria), Walter Rômulo (vocais) e Ryan Roskowinski (baixo). A temática das músicas é nitidamente contra a religião, tanto nas letras quanto na arte da capa – simples, mas efetiva. Desde a primeira faixa até a última – em seus pouco mais de trinta e cinco minutos – somos levados diretamente ao final dos anos oitenta e início dos anos noventa, quando surgiam grandes nomes do estilo. Nada aqui é muito técnico ou rebuscado demais; a simplicidade e a garra imperam dentre as nove faixas que revestem esse álbum. Destaque para “No Tomorrow” e “Humanoid”, quinta e sexta faixas, respectivamente. A qualidade de gravação está muito boa, mas ainda abaixo do nível inter-

Nota: 7.0 Ricardo Thomaz

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OMNIUM GATHERUM “New World Shadows” Lifeforce Records O tempo é realmente surpreendente. Houve uma época em que os finlandeses Omnium Gatherum eram um dos ‘’queridinhos’’ da cena do Melodic Death Metal quando o álbum de estréia da banda, em 2003, ‘’Spirits and August Light’’ trouxe o grande reconhecimento que a banda merecia. Em contrapartida, com algumas mudanças na formação da banda e dois álbuns sem brilho ‘’Years in Waste’’, de 2003, e ‘’Stuck Here on Snake’s Way’’, de 2007, por pouco não foi o fim da banda. Mas como eu disse, o tempo é surpreendente, e a banda voltou, em 2008, com o álbum intitulado ‘’The Redshift’’ que reacendeu a chama da banda. Agora com o novo álbum ‘’New World Shadows’’ a banda parece estar mais uma vez na elite finlandesa de Melodic Death. Desde a primeira e emocionante faixa de abertura, com mais de nove minutos de duração, até a última música, fica evidente que Omnium Gatherum tomou influências de Insomnium e adicionou uma quantidade excelente de melodias sombrias ao álbum, evidenciando que conseguiu atingir a excelente combinação de riffs, melodia e vocal gutural. O vocalista Jukka Pelkonen (ex-Elenium) encaixou-se muito bem na banda com


seu vocal totalmente desenvolvido, com um rosnado profundo tipicamente finlandês que não deixou a desejar. Assim, como uma onda de boas notícias, o resto da banda parece ter encontrado a essência de sua estréia. Mas como nem tudo é perfeito, a faixa “An Infinite Mind’’ é um tanto quanto estranha e ousada, mas insignificante perante a beleza do álbum que finalmente traz o brilho da banda que estava desaparecido há alguns anos. Nota: 8.0 Emily Bodom

OSAMENTA “Subversivo” Independente Para início de conversa, vamos deixar a rivalidade do futebol entre Brasil e Argentina de lado ao falarmos de música. É extremamente gratificante ver que bandas de outros países acreditam em nosso trabalho e nos mandam material. A banda Osamenta surgiu na cidade de Salto, na Argentina, e acaba de lançar – agora em 2011 – o álbum “Subversivo”. Confesso que conheço muito pouco da cena daquele país, mas se formos julgar pelo que ouvimos nesse disco, creio que existam coisas muito boas por lá também. Formada por Pietra Lopez (vocais), Guillermo Cordoba (guitarras), Mauricio Cikota (guitarras), Alejandro Mininno (baixo) e José Luis (bateria), essa banda mostra a força do Heavy Metal e nos prova cada vez mais que não existem fronteiras. O estilo praticado aqui é basicamente o Thrash Metal moderno com pitadas de Death Metal. Palhetadas certeiras e velozes, baixo encorpado, bateria veloz e pulsante. O mais incrível são os

vocais de Pietra López, que consegue uma gama incrível de estilos, variando entre o rasgado, gutural e o agudo à la Tim “Ripper” Owens. Simplesmente sensacional! Pode parecer um simples fator, mas faz toda a diferença. Primeiramente temos que ovacionar a belíssima qualidade de gravação, timbragem dos instrumentos e arte da capa – tudo de muito bom gosto. Para uma banda independente, em um país que não tem tradição no Metal, é louvável o trabalho desses caras. Sem frescuras, a pancada come solta logo na primeira faixa, “Hambre De Revancha”. Sim, eles cantam em espanhol. Achei que soaria estranho, mas incrivelmente ficou muito bom! Osamenta lembra bastante o nosso Korzus – confira a segunda faixa “Asesinando A La Vida” e comprove. O disco inteiro merece destaque, mas é incontestável a força da faixa “Bahia Mortal” – que inclusive ganhou um vídeo – dentre as demais. Não me canso de ficar surpreso com tanta banda interessante que existe pelo mundo e, infelizmente, não temos conhecimento. Não deixe que essa passe ilesa por você. Corra atrás, compre e ouça, de preferência no volume máximo. Nota: 9.0 Pedro Humangous

SODOM “In War And Pieces” SPV Tido como uma verdadeira instituição do Thrash Metal alemão, o Sodom dispensa comentários e com “In War and Pieces” mantém seu legado com força total. Ainda que muitos fãs critiquem a adição de melodia em sua sonoridade,

o trio formado por Tom “Angelripper” (baixo/vocal), Bernemann (guitarra) e Bobby (bateria), lança esse álbum com onze músicas brutais, que mesmo recebendo esta dose a mais de melodia, influência direta do Heavy Metal clássico praticado nos anos 80, não altera em nada a qualidade e agressão de outrora. O lado Punk/HC, presente em grande parte do material noventista, foi praticamente deixado de lado, e talvez isso tenha deixado os fãs um pouco ressabiados, sentindo falta daquela linha mais direta e, porque não, descompromissada. A faixa título, que abre o disco, já mostra a faceta mais melódica, incluindo aí uma pequena dose de harmonias orientais, iniciando com velocidade moderada para cair num Thrash Metal rápido e eficaz. Um excelente começo! De cara, nota-se a preocupação com a gravação, a cargo do experiente Waldemar Sorychta, soando pesada e nítida, muitas vezes evidenciando o trabalho de Tom no baixo, consistente e marcante, além da grande variação de seus vocais. Se dependesse de apenas uma música para definir o álbum como um todo, “Hellfire” seria essa opção mostrando versatilidade e um peso absurdo, acompanhados de velocidade na medida certa. “Through Toxic Veins” tem vários elementos diferentes, destacando o serviço das seis cordas prestado por Bernemann, em momento inspirado, criando linhas de impacto até mesmo em meio à porradaria total. Os solos são de arrepiar! Impossível comentar todas as faixas, mas não deixe de ouvir “God Bless You”, uma porrada na orelha! De quebra, há um segundo CD contendo músicas gravadas no Wacken Open Air, de 2007, como “Sodomy and Lust”, “The Saw is the Law” e “Outbreak of Evil”, para alegria dos fãs “die hard”. Um lançamento à altura da carreira imortal do Sodom. Ouça e comprove! Nota: 9.0 Maicon Leite

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SODOMY TORTURE “Exterminamorgue” Snakebite Prod.

TANKARD “Vol(l)ume 14” Voice Records

Quando conheci a banda, percebi pela primeira música que ouvi que ela se tornaria crucial em minha coleção de Death Metal – e na de todos os amantes desse gênero. A sonoridade é brutal, agressiva e genial, e as introduções feitas com partes de filmes de terror como “A Morte do Demônio” e “O Massacre da Serra Elétrica” contribuem com grande eficiência para manter a atmosfera tensa e brutal em cada faixa. Letras muito criativas na temática splatter gore e um vocal gutural muito bem produzido tornam “Exterminamorgue” um vício além de, claro, um dos melhores trabalhos feito pela banda até hoje. “Rotten Corpse Fucking”, “Necronomicon Demonical”, “Virgin Murder Maniac Dismemberment” e “Morbid Necrophile” são apenas algumas das faixas que tornam esse novo trabalho de Sodomy Torture algo tão incrível. Particularmente, não deixei de ouvir esse álbum um único dia após obtê-lo. De fato, ele é ótimo para descarregar a tensão e deixá-lo menos irritado. Com uma arte de capa simples, porém evidente do que esperar, “Exterminamorgue” é um álbum indespensável para todo amante do bom e velho Death Metal Brutal. Para os fascinados pela morte e pela carnificina, está aí um ótimo material para se divertir por pelo menos um ou dois meses.

Quando se fala em Thrash Metal alemão todos citam aquele famoso trio composto por vocês-sabem-quem, mas correndo pelas beiradas - e nunca mudando sua sonoridade - esteve o Tankard, fiel ao estilo que o consagrou. Com praticamente três décadas de serviço prestado ao Thrash, Gerre (vocal), Andy (guitarra), Frank (baixo) e Olaf (bateria) nos brindam com mais um verdadeiro convite a uma rodada de cerveja em meio ao mosh. A grande diferença dos trabalhos mais recentes não tem nada a ver com o lado musical, e sim com a drástica perda de peso de Gerre que, provavelmente por motivos de saúde, foi obrigado a emagrecer. Tal fato não muda em nada o que o Tankard tem a oferecer, mas que ao vivo isso vai causar estranhamento, isso vai, afinal, todos já estavam acostumados com sua barriga avantajada. “Vol(l) ume 14” é o 14º lançamento de estúdio dos alemães, seguindo uma tradição de lançar material inédito a cada dois anos. É correto afirmar a grande representatividade do play, que encerrou uma década muito favorável para a banda, iniciada com o excelente “Kings of Beer”, de 2000. Dentre as dez faixas do álbum, seria um sacrilégio não citar “Brain Piercing Öf Death”, “Somewhere In Nowhere” e “Weekend Warriors” como verdadeiros destaques, ou melhor, torpedos velozes, repletos de riffs e solos inspirados, cozinha “na cara” e, claro, o vocal inconfundível de Gerre. O bom humor, sempre presente, além da temática etílica, dá um diferencial ao Tankard, como pode ser conferido no vídeo clipe da música “Rules For Fools”,

Nota: 9.5 Yuri Azaghal

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que prima pela simplicidade, mas que convence com sobras em meio a tanto material “plástico” e sem vida que existe por aí. Preste atenção ao clipe, pois há várias citações a álbuns clássicos do Metal mundial e a músicas da própria banda. Poucas bandas podem fazer o que eles fazem e continuarem sendo relevantes. Por isso, trate de ouvir “Vol(l)ume 14”, de preferência com a cerveja já no ponto, pois a diversão é garantida. Nota: 9.0 Maicon Leite

THE OCEAN “Anthropocentric” Metal Blade Records Lançado alguns meses após “Heliocentric”, ainda no ano de 2010, o The Ocean manteve a mesma pegada, acrescentando doses um pouco maiores de peso e agressividade, já sentidas na faixa que abre o petardo e que dá nome ao play, com quase dez minutos de duração! O lado progressivo é sentido em diversos momentos, mas utilizado de forma bem dinâmica, sem cansar o ouvinte. A qualidade da gravação – um primor – mantém os instrumentos bem timbrados e no que se refere aos elementos de música clássica, há de se convir que poucas bandas os utilizam de forma correta, muitas vezes soando infantis ou presunçosas demais. Aqui, elas completam cada música com uma beleza indescritível. A faixa mais curta, “For He That Wavereth…”, com apenas dois minutos de duração, mostra o lado mais calmo e simples diante de tanta loucura, destacando a beleza que envolve a sonoridade criada pelos alemães. Um detalhe interes-


sante quanto à temática que envolve “Anthropocentric” são as citações de trechos do clássico “Os Irmãos Karamazov”, obra do cultuado escritor russo Fiódor Dostoiévski. Uma das músicas, “The Grand Inquisitor”, é dividida em três partes: “Karamazov Baseness”, “Roots & Locusts” e “A Tiny Grain of Faith”. Essas músicas foram inspiradas no capítulo de mesmo título do romance de Dostoiévski, que narra uma conversa entre os irmãos Ivan, ateu, e Alyoscha, um monge. Ivan conta a Alyoscha a estória de uma segunda vinda de Jesus, no século XVI, em Sevilha. De acordo com essa parábola, Jesus é preso pela Inquisição católica. O “Grande Inquisidor”, que interroga Jesus, lança uma nova luz sobre a lenda da tentação de Jesus, levantando mais perguntas que respostas. Outros escritores também são citados, como o escocês David Hume e o alemão Friedrich Nietzsche, este último dispensando comentários. Estes são apenas exemplos de tudo o que envolve essa misteriosa banda de tantas influências, que a torna realmente difícil classificá-la. Conselho: apenas ouça com calma, sem esperar por nada. Nota: 10 Maicon Leite

TORTURE SQUAD “Aequilibrium” Laser Company Records A evolução musical sofrida pelo Torture Squad nestas duas décadas de estrada apenas atestam a competência dos caras em executar aquele Death/Thrash empolgante, cheio de vitalidade e muita paixão a cada nota tocada. Apesar das constantes mudanças em relação ao

posto de guitarrista, a sonoridade da banda já ganhou cara própria, independente de quem comandar as seis cordas. “Aequilibrium” marca a entrada e saída de Augusto Lopes, que havia substituído Mauricio Nogueira logo após o lançamento do aclamado “Hellbound” e de sua turnê subsequente. Vamos ao disco: De início, temos “Generation Dead” destacando os efeitos dos riffs que parecem navalhas cortantes e que ao longo da faixa vão ganhando velocidade, sendo a força motriz por trás de tanta porradaria. “Raise Your Horns” surpreende pela união dinâmica da “cozinha” muitíssimo bem trabalhada, destacando as linhas simples e eficientes criadas pelo baixista Castor, mas que completam a música com o vigor necessário sem deixar furos. Buscando um lado ainda mais extremo e veloz, “Holiday in Abu Ghraib” é aquela típica faixa estonteante, talvez a mais rápida do álbum, ao lado de “Azazel”. O grande clássico “174” certamente não pode ficar fora de nenhum show dessa turnê e, porque não, do repertório fixo da banda, já que é animalesca do primeiro ao último segundo! Para os mais atentos, pode lembrar um pouco “Chaos Corporation”, do último álbum, pelo fato de ser mais grudenta e com riffs exemplares. Conforme o disco vai rolando, algumas novidades são sentidas, como por exemplo, as influências de uma sonoridade mais contida, presente em “Storms”, e de levada mais cadenciada, porém mantendo o peso em primeiro plano. Seguindo a linha Blues, temos “Last Tune Blues”, infelizmente de curtíssima duração, que poderia ter sido mais bem aproveitada, já que muitos fãs de Metal gostam do estilo que deu origem a tudo que existe hoje em dia. Afora as canções citadas, o álbum conta ainda com “Black Sun” e “The Spirit Never Dies”, além da regravação de “The Unholy Spell”. Na lista dos melhores de 2010! Nota: 9 Maicon Leite

A SORROWFUL DREAM “Toward Nothingless” Independente “Toward Nothingless” é o trabalho mais recente da banda gaúcha A Sorrowful Dream, que segue em temática os seus antecessores. A banda nos mostra desde a primeira faixa que a combinação entre peso e melodias reflexivas foi feita com maestria invejável. A sonoridade conta com um dueto maravilhoso com as vozes de Josie e Éder, e os instrumentos combinam entre si numa harmonia pura e viciante, principalmente o teclado em relação aos riffs e distorção das guitarras. As letras estão muito bem trabalhadas e poéticas, gerando, em conjunto com as melodias, canções ao mesmo tempo melancólicas e fascinantes. Cada faixa passa a impressão de focar-se em elementos um pouco diferentes da anterior, mas todas garantem um bom trabalho, sempre impressionando em qualidade, criatividade e inovação. É inegável que “Toward Nothingless” representa mais uma evidência do potencial e da força do metal nacional. Para os que sabem reconhecer a beleza dos fatos obscuros da vida, eis um álbum mais que recomendável. Se você é do tipo que idolatra Amy Lee, ainda ouve o álbum “Fallen” e o considera a coisa mais genial do mundo, aí está sua chance de ampliar seus horizontes. Assim como os trabalhos anteriores da banda, “Toward Nothingless” faz A Sorrowful Dream uma banda, no mínimo, respeitável no mundo do Doom Metal. Faça o sacríficio de encostar os álbuns de praxe por uns dez ou quinze minutos e ouça duas ou três faixas desse incrível trabalho. Você entenderá o que eu estou falando. Nota: 9.5 Yuri Azaghal 37


08- Marianas Trench. 09- Thirty and Seven. 10- Existence. 11- Meridian. 12- A Shot Below the Belt. 13- Up Against the Ropes. 14- Composure. 15- The Seventh Trumpet Nota: 8.0 Luiz Ribeiro AUGUST BURNS RED “Home” SolidState Com três álbuns em sua discografia eis que, em 2010, o August Burns Red lança seu primeiro CD/DVD ao vivo intitulado “Home”. Gravado em Anaheim com um público bem empolgado e cantando todas as músicas, o set list é bastante variado passando por toda discografia. Músicas de seu último álbum “Constelations” como “White Washed” e “Thirty And Seven” são os maiores exemplos disso. Para aqueles que não curtem tanto um Metalcore, olharão um pouco “torto” para esse registro do August Burns Red, mas para pessoas de mente aberta a esse estilo, será um prato cheio. Quem compareceu, em agosto de 2010, ao Carioca Club para a primeira apresentação da banda em São Paulo sabe do que estou falando, pois nesse DVD o que vemos é o mesmo set list que eles tocaram por terras brasileiras. Um DVD/CD muito bem elaborado por essa banda que está crescendo bastante no cenário Metalcore. Ficamos à espera do próximo lançamento de um álbum de estúdio. Enquanto isso, para aqueles que não conhecem a banda, essa é uma boa oportunidade para fazê-lo por meio de “Home”. Uma pena que o álbum não tenha sido lançado por nenhuma gravadora nacional. DVD/CD Track List 01- Intro. 02- Back Burner. 03- White Washed. 04- Your Little Suburbia Is In Ruins. 05- The Eleventh Hour. 06- Meddler. 07- Truth of a Liar. 38

BEHEMOTH “Evangelia Heretika - The New Gospel” Nuclear Blast/Metal Blade Depois de duas tentativas não muito satisfatórias tanto para banda quanto para os fãs, eis que o Behemoth lança seu melhor registro ao vivo. Em “Evangelia Heretika”, eles conseguiram melhorar todos os erros apresentados nos lançamentos anteriores e liberaram um material com mais de 5 horas do mais puro Black/Death metal num DVD duplo. No DVD I vemos dois shows completos; o primeiro, em 2009, na Polônia, terra natal da banda. A destruição começa após a Intro com “Ov Fire And The Void” do mais recente e maravilhoso álbum “Evangelion”, depois temos “Demigod” do álbum homônimo lançado, em 2005. Com um line-up bem entrosado ao vivo, músicas como “Conquer All”, “Decade Ov Therion”, “At The Left Hand Ov God” mantêm o show num nível excelente, mas “Christians To The Lions”, clássico da banda, “Slaves Shall Serve”, “As Above So Below” e “Antichristian Phenomenon” levam o show a um patamar muito mais elevado, fazendo desse um dos principais lançamentos em DVD do ano de 2010. No segundo vemos um show já conhecido pelos fãs da banda, pois se trata da

imagem do “At The Arena Ov Aion - Live Apostasy”, álbum ao vivo gravado em Paris na turnê do álbum “Apostasy”. Já no DVD II, temos dois documentários feitos em cima da turnê dos últimos álbuns da banda e mais oito videoclipes dirigidos de uma forma magnífica. Registro mais do que recomendado dessa grande banda de Black/Death Metal. Só ficamos no aguardo para que seja rapidamente lançado nacionalmente. DVD I: Live In Warsaw 1 – Intro 2 – Ov Fire And The Void 3 – Demigod 4 – Pan Satyros 5 – Shemhamforash 6 – Conquer All 7 – Decade Ov Therion 8 – Wolves Guard My Coffin 9 – Christians To The Lions 10 – At The Left Hand Ov God 11 – Slaves Shall Serve 12 – As Above So Below 13 – Drum Solo 14 – Lam 15 – Alas Lord Is Upon Me 16 – Antichristian Phenomenon 17 – Chant For Ezkaton 2000 E.V. 18 – Lucifer Live In Paris 1 – Rome 64 C.E. 2 – Slaying The Prophets Ov Isa 3 – Antichristian Phenomenon 4 – Demigod 5 – From The Pagan Vastlands 6 – Conquer All 7 – Prometherion 8 – Drum Solo 9 – Slaves Shall Serve 10 – As Above So Below 11 – At The Left Hand Of God 12 – Summoning Ov The Ancient Ones 13 – Christgrinding Avenue 14 – Christians To The Lions 15 – Sculpting The Throne Ov Seth 16 – Decade Ov Therion 17 – Chant For Ezkaton 2000 E.V. 18 – Pure Evil & Hate 19 – I Got Erection DVD II: 1 - Evangelia Nova (Documentarios); 2 De Arte Heretika (Documentarios) 3 - Decade Ov Therion (videoclip); 4 - As Above So Below (videoclip); 5 - Conquer All (videoclip); 6 - Slaves Shall Serve (videoclip); 7 - Prometherion (videoclip); 8 - At The Left Hand Ov God (videoclip); 9 - Inner Sanctum (videoclip); 10 - Ov Fire And The Void (videoclip); 11 - Alas, The Lord Is Upon Me (videoclip) Nota: 9.0 luiz Ribeiro


ERIC CLAPTON “A Autobiografia” Editora Planeta Uma coisa que me veio à cabeça quando li este livro foi “como esse cara tentou de todas as formas destruir a própria carreira, e cada vez saiu mais forte?!”. Nesse livro Eric descreve sua passagem pela banda de John Mayal, pelo power trio Cream, Derek and Dominos, até não ter mais o que fazer a não ser seguir uma brilhante carreira solo. Todos os lugares comuns de biografias de astros do rock inglês a partir dos anos 60 estão nesse livro, como a infância pobre, as drogas e as mulheres. Está descrito em detalhes o caso de Clapton com a esposa de George Harrison, a morte de seu filho pequeno, a perdição das drogas e tudo mais. Tudo descrito com uma lucidez incrível para alguém que reconhece ter passado um grande período de sua vida imerso no vício da heroína. Leitura fácil, o livro nos leva a querer conhecer um pouco mais da música do “Slow Hand”. Nota: 8.5 Marcelo Val

KEITH RICHARDS “Vida” Editora Globo Nunca fui um fã ardoroso dos Rolling Stones, apesar de gostar de diversos clássicos da banda inglesa, como “Brown Sugar”, “Start Me Up” e “Under My Thumb”. Tampouco tinha qualquer simpatia por Keith Richards, que tinha mais na conta de um guitarrista daqueles bem básicos, que só tinha marra. Mas o livro mostra que o músico sabe exatamente o que faz no instrumento. Se você se interessa em saber como se compõe à moda antiga, alguns pequenos truques interessantes como a afinação aberta que o guitarrista adotou, ou como alguns dos clássicos do rock e da música do século 20 foram feitos, é uma leitura imprescindível. Se você, por outro lado, quer saber dos escândalos, da perspectiva de Keith sobre a morte do ex-companheiro Brian Jones – cuja namorada foi “roubada” por Richards –, a saída do baixista Bill Wyman, as brigas com Mick e, principalmente, as drogas, prisões e processos, o livro também retrata esse lado obscuro

brilhantemente, até com certa elegância (tanto quanto possível para alguém como Keith). Aliás, começa mostrando o músico e amigos atravessando uma região daquelas bem puritanas nos EUA, com um carro abarrotado das drogas mais sortidas possível, e o “perrengue” que passaram após serem parados e detidos pela polícia local. É interessante e até curioso ver como Keith conseguiu manter uma mente lúcida (a julgar por seus relatos, claro) e, longe de ser apenas um idiota que fica chapado o tempo todo, procurou absorver o máximo de cultura a seu alcance e hoje consegue se expressar com clareza cristalina. O único defeito do livro é, talvez, ter uma leitura um pouco lenta, principalmente na parte de sua infância pobre numa Inglaterra devastada pela segunda guerra, embora importantíssima sob o ponto de vista histórico. Ah, e a famosa história a respeito de ter cheirado as cinzas de seu próprio pai também está explicada de forma que até faz certo sentido, desmitificando um pouco o ocorrido. Embora Keith reclame durante todo o livro a respeito do sensacionalismo da imprensa no trato com a banda, ele deve se esquecer que boa parte dessa imagem escandalosa foi plantada nessa mesma imprensa pela máquina publicitária da banda, ou da gravadora. Aliás, provavelmente nem tomou conhecimento na época, pois estava muito chapado de heroína para entender isso. Nota: 8.0 Marcelo Val

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KISS “Kompedium” Editora Collins Design Esse é um livro pelo qual os fãs do Kiss estavam esperando há muito tempo; trata-se de uma compilação da maioria, senão de todas, das revistas em

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quadrinhos lançadas pela banda. Para o pessoal mais “true” isso pode parecer frívolo ou mesmo uma frescura, mas a união da música com os personagens da banda sempre apontou para o universo dos quadrinhos, aliás, uma obsessão de Gene Simmons em sua infância. E para se ter idéia do conteúdo, nomes como Stan Lee, John Buscema e Todd McFarlane, sumidades do universo HQ, estão envolvidos no relacionamento da banda com os quadrinhos. O livro traz o lendário primeiro número da revista da banda na Marvel Comics, a qual teve o sangue dos integrantes misturado à tinta vermelha; a HQ presente no livro Kisstory retratando a carreira da banda e a série Psycho Circus inteira, a mesma que teve apenas quatro números publicados aqui no Brasil, entre outras. São 1280 páginas com as aventuras do Kiss nos quadrinhos, em papel de ótima

qualidade e em um tamanho que valoriza a arte. No entanto, como o livro não foi lançado no Brasil, esse exemplar é americano e, logicamente, necessita da compreensão do inglês para ser apreciado. Apesar de parecer extremamente caro, se for encomendado em lojas aqui no Brasil, sai muito mais barato comprando o importado em lojas dos EUA que vendem pela internet. Para quem é fã do quarteto e/ou de quadrinhos, vale a pena. Nota: 10 Marcelo Val


C V H O L E C R MA

emos pas fortes, pod a c e d io e m r o e ramo e esado e p es nomes dess o com o som p d d n la ra a g o m d o c la s a o d continuam etal a arte an Nessa edição . o por aí. c No mundo do M is d m u m amente já viu ente e rt e fr c la ê e c p vo m s o ve lh e s traba esperar o qu elo Vasco, cujo rc a M m o c s o m conversa HELL DIVINE: Sabemos que não é fácil divulgar a arte pessoal mundo a fora e com você não deve ter sido diferente. Onde tudo começou para que chegasse a esse nível internacional? Marcelo: Sou carioca e vivi grande parte da minha vida no Rio de Janeiro, lugar onde tudo começou! Trabalho como designer basicamente desde 1995-1996 e comecei de forma amadora, claro, fazendo trabalhos para amigos e meus próprios projetos pessoais. Ainda antes disso já era ligado à arte de uma forma indireta: a música. Toco violão desde os nove anos de idade (me formei em violão clássico, apesar de não praticar) e aos 14 comecei a tocar guitarra por influência do Heavy Metal. Virou um grande fascínio e fiquei impressionado pelas capas dos discos de Metal e também pelas capas de filmes, outra paixão desde criança, praticamente. 42

Naquela época (1995) não existiam ainda cursos ou qualquer coisa parecida que pudesse me dar a formação que eu gostaria, então comecei como autodidata. Sempre levei jeito para o desenho livre, mas aquele não era meu foco. Pelo fato de o meu pai ser analista de sistemas e lidar com a informática desde que me entendo por gente, tive acesso à possibilidade do design digital antes do previsto. Com a chegada da internet no âmbito popular no Brasil, as coisas ficaram ainda mais práticas. Foi então que comecei a me arriscar a “mexer” nos programas, pesquisar, estudar estilos e tendências e experimentar tudo possível. Durante uns bons anos foi tudo feito de maneira muito arcaica ainda, quando em 1998 ou 1999, se não me engano, comecei a trabalhar profissionalmente e nunca mais larguei. Fiz alguns trabalhos para bandas brasileiras mais underground,

sem muita expressão na época, pois estavam ainda no início de carreira como é o caso do Unearthly, Malefactor e o Mysteriis, nesta última na qual eu também atuava como guitarrista. Foi quando assinei minha primeira capa internacional já para uma banda renomada, o Lord Belial da Suécia. A partir disso obviamente muitas portas se abriram e, em 2000, houve a criação de uma faculdade de design gráfico no RJ, que quando tomei conhecimento logo fui fazer o vestibular e me matricular. Apesar daquilo não ser exatamente o que eu imaginava, consegui aprender muita coisa e ter uma experiência significativa, mesmo que nada tivesse ligação diretamente a minha verdadeira paixão. Conclusão: me formei, adquiri uma vasta experiência e embasamento técnico, porém continuei meu trabalho como ilustrador digital de maneira intuitiva, como aquele mesmo autodidata no


início de seu deslumbramento. É claro que com a prática, com a experiência visual e com milhares de experimentos, fui melhorando e adquirindo uma forma própria de criar minhas artes e é o que eu venho sempre fazendo até os dias de hoje, tentando me reinventar a cada trabalho. A capa que fiz para o Lord Belial foi o início de uma jornada, pois logo fiz outras além de artes para bandas menores no Brasil e fora do país. No entanto, foi por volta de 2006 que as coisas tomaram maiores proporções logo após meu casamento e com a ajuda da minha esposa, pude me dedicar mais à divulgação do meu trabalho. Foi quando assinei a capa do DVD do Vader, outro grande marco na minha carreira. Naquele período conheci o Tom Cato Visnes, vulgo King ov Hell (à época baixista do Gorgoroth, banda norueguesa de Black Metal), que logo se tornou um grande amigo e me indicou para alguns trabalhos, que de pouco a pouco me renderam vários novos clientes e ótimas oportunidades. Além de fazer free-lance com minhas artes, trabalhava há pouco mais de quatro anos como designer numa empresa de produtos para o corpo (a maior empresa online do gênero no Brasil). No entanto, com alguns problemas pessoais e diante daquele rio de oportunidades que estava surgindo a minha frente, tomei coragem para “chutar o balde”: pedi demissão, nos mudamos para a Serra Gaúcha (na cidade da minha esposa), abri meu próprio escritório e me dediquei inteiramente ao meu trabalho, com foco principal no Metal. Já fazia alguns trabalhos aleatórios para o maior selo e distribuidora norueguesa de Metal, a Indie Recordings, quando fechamos uma parceria e entrei

para a equipe deles como designer em tempo integral. Pronto, estava fazendo o que eu realmente sempre quis, trabalhando como louco, mas extremamente feliz e realizado! A partir daí me dediquei ao máximo, trabalhei também para selos como Nuclear Blast e Napalm Records. Com meu nome na praça, não foi difícil conseguir diversos novos clientes, desde bandas desconhecidas até artistas de renome como o Borknagar, Belphegor, Obituary, Dark Funeral, Enslaved, Satyricon, Dimmu Borgir, Keep of Kalessin, Malevolent Creation, entre muitos outros. HELL DIVINE: Um artista sempre busca inspirações, não só na música, mas ao redor de tudo em que vive. Onde você busca as suas e quais são suas influências? Marcelo: Minhas principais influências vêm dos filmes de horror e ficção científica dos anos 80, quadrinhos e também das capas de discos das bandas de Heavy Metal. Acho que minhas principais influências são HR Giger, Salvador Dali, Andreas Marshall, Travis Smith, Gustave Doré, Joachim Luetke, Larry Carrol, entre outros que não me recordo agora. HELL DIVINE: Hoje em dia muitas artes digitais são feitas quase totalmente por meio de softwares. Você ainda usa e acha que o trabalho a mão ainda tem seus valores? Marcelo: Sem dúvida! Raramente faço meus trabalhos à mão livre, pois não desenho há muito tempo, mas você pode perceber que a maioria das minhas ilustrações tem uma tendência mais “erudita”, com aquele velho clima de desenho/ pintura a mão, usado nas capas dos álbuns de metal dos anos 80,

mesmo eu as criando de maneira 100% digital. Esse processo é o que chamo de finalização da arte e é algo de que gosto muito, pois valorizo muito até hoje aquele traço mais artístico e “imperfeito” e busco mixá-lo ao meu estilo. HELL DIVINE: Sua arte é relacionada à cultura obscura e musica pesada. Você participa de outros projetos diferentes? Marcelo: No momento nem tanto... Mas já estive envolvido com muitos projetos fora dessa aura metal; já fiz projetos para instituições de ensino, estúdios musicais, revistas, marcas de roupa e moda, design de embalagens de produtos, websites para estúdio de dança, yôga, entre outros. HELL DIVINE: Muitas vezes as artes de algumas capas podem parecer insignificantes, mas sempre têm algum segredo por trás delas. Uma banda lhe cogita um trabalho a partir quê? Como é feito o processo de criação? Marcelo: Geralmente a criação de minhas ilustrações é baseada no conceito do álbum, título ou letras. Obviamente, algumas vezes a banda já vem com uma ideia concreta em mente, coisa que, particularmente, não sou muito fã, pois além de travar qualquer criatividade que eu possa ter em cima daquele conceito, faz com que o trabalho seja muito mecânico e acabe não tendo um resultado muito bom. Fora que algumas ideias são simplesmente horríveis e “cafonas” as quais muitas vezes prefiro não assinar. Antes de qualquer coisa, procuro sempre explicar para a banda como funciona o meu processo de trabalho. Se a banda concorda com minhas diretrizes, já é meio caminho andado. Então começo uma série

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de rascunhos até encontrar um caminho interessante a seguir. Diante disso, mostro para a banda; se ela aprovar, começo um trabalho mais minucioso, trabalhando numa melhoria da arte e maior riqueza de detalhes até sua finalização. HELL DIVINE: Não deve ser nada fácil dar conta de tanto trabalho, ainda mais quando se trata de criatividade pessoal. Você se vê muito preso ao trabalho? Tudo é feito só por você ou existe uma equipe? Marcelo: Completamente preso! Na maioria das vezes no bom sentido, claro, mas outras vezes é estressante como em qualquer outro tipo de emprego. Trabalho basicamente de domingo a domingo, sem horário certo. Durante a semana sou mais regrado durante o expediente, mas muitas vezes volto a trabalhar no final da tarde ou de madrugada. Trabalhar com o processo criativo não é muito fácil e não tem hora marcada, então, infelizmente, preciso aproveitar quando a criatividade e inspiração aparecem. Não tenho equipe, é tudo feito por mim e acho que me sinto mais seguro dessa maneira! Acho que prefiro assim, mesmo que eu às vezes tenha que me desdobrar para entregar o material. Ossos do ofício!!! HELL DIVINE: Entre tantos trabalhos, alguns se destacam mais que outros. Quais são os seus preferidos? Tem alguma banda em especial que você sempre sonhou em fazer a arte da capa? Marcelo: Sinceramente, é muito difícil destacar um único trabalho! Geralmente são como filhos para mim, todos têm seu valor, marcam determinada época e cada um carrega algo de positivo e, algumas poucas vezes, de negativo também, é claro. Poderia destacar alguns que eu talvez tenha gostado mais, mas não sei se é uma verdade absoluta: Vader (DVD), Borknagar (Universal), Keep of Kalessin (Reptilian), Thornium (Fides Luciferian), Obituary (DVD), Exhortation (The Essence of Apocalypse), muitas camisetas que fiz para o Decrepit Birth e The Faceless, entre outras. 44

Como fanático por Slayer, tenho um sonho de trabalhar com eles de alguma forma, mas creio que isso seja muito difícil pelo fato de eles estarem próximos de um final de carreira e, além disso, ser uma banda que sempre ou quase sempre manteve os mesmos artistas para suas capas. Pensando por outro lado, às vezes prefiro até que não aconteça essa oportunidade, pois pra mim o Slayer é uma entidade e intocável! Falo isso da música do Slayer, não exatamente da banda! Então, de certa forma, prefiro manter esse clima de algo mágico sem fazer parte disso diretamente. Em todo caso, talvez isso seja apenas uma desculpa esfarrapada de um frustrado por ainda não ter conseguido tal façanha. (risos) HELL DIVINE: Você já faz parte da cena do metal pesado por meio da arte, mas você também escuta muitas dessas bandas? O que tem escutado no momento? Marcelo: Como disse anteriormente, ainda antes de adentrar o mundo das artes, estudava música e já estava envolvido com o Heavy Metal, como ouvinte e fazendo parte de bandas. Foi tudo aquilo que moldou a pessoa que eu sou atualmente. Hoje em dia trabalho para muitas bandas das quais sou grande fã, me tornei amigo de muitas delas e isso tudo é fascinante pra mim. Lembro quando o Stian (Shagrath), do Dimmu Borgir, ligou para a minha casa; quando fui para a Noruega e fiz um grande passeio de carro em Bergen com o Øystein, do Borknagar, como meu guia turistico; quando minha mulher, um grande amigo e eu fomos para o Garage, famoso bar metal em Bergen, para beber e jogar conversa fora com o Ivar, do Enslaved, e sua querida esposa Tonje. Lembro-me, ainda, de quando fui passar o dia no interior da Suécia com o Thomas, do Lord Belial, este já um amigo de longa data, com sua esposa e lindas filhas, que nos preparou um delicioso macarrão nos salvando daquela estranha comida escandinava. Lembrar disso tudo é muito surreal pra mim, pois quando me dou conta dessas experiências, chega a ser

algo assustador. Já não era mais o fã com seu ídolo, mas sim, amigos aproveitando o dia, falando de coisas corriqueiras, jogando conversa fora. Nem preciso dizer que, além disso, sinto-me extremamente honrado em ter o meu nome em meio ao de outros artistas espetaculares e mundialmente conhecidos. Isso não tem preço! Certa vez, olhando o perfil de outros artistas em um portal sobre design em geral, vi meu nome nos “ARTISTAS FAVORITOS”, no meio de nomes como Salvador Dali e HR Giger, talvez os meus preferidos. Achei aquilo quase um absurdo, mas não nego que fiquei louco de felicidade! E não foi em apenas um perfil, isso se estendeu por muitos outros, cercado também por nomes como Frank Frazzeta e Travis Smith! Algo incompreensivelmente gratificante pra mim! Atualmente, tenho escutado coisas bem diversificadas, sou uma pessoa bem eclética. Burzum (achei o novo álbum fantástico, mesmo não sendo aquele velho Burzum de outrora), o novo álbum do Deicide também é bem interessante. Entrei numa paranóia de pegar meus vinis do Death e ouvir toda a discografia (eles são, junto com o Slayer, uma banda do peito). Achei ótimo o novo Falkenbach, o último álbum do Fejd é particularmente perfeito, o último do Mr. Big com a formação original está fantástico, Seu Jorge (Perfil) é maravilhoso, o acústico MTV do Lobão é fenomenal (fui roadie dele, em 2001, inclusive), Muse, Europe, Tork, Djerv, Krypt, Foo Fighters, Erik Mongrain, Cazuza, Van Halen, Death Tyrant, além do básico Slayer e Darkthrone antigo (até o Total Death), que é algo que eu nunca consigo parar de ouvir. Enfim, é difícil destacar apenas alguns álbuns, já que trabalho ouvindo música diariamente e pelo iTunes e vitrola passam incontáveis discos por semana. HELL DIVINE: Tempos atrás os grandes artistas eram conhecidos mundialmente por todos. Nos tempos atuais, apesar de todo o talento e evolução da arte, parece


que ficou mais para o lado underground o conhecimento dos artistas. Como acha que anda o mercado da Arte Visual ultimamente? O que diria para iniciantes no ramo? Marcelo: Não sei muito o que pensar sobre isso, na verdade... Tenho apenas alguns devaneios... Acho que a questão não envolve só os artistas gráficos, mas sim toda a cultura musical em geral. Da mesma forma que, em minha opinião, não existirá nunca um novo Black Sabbath, também não existirá um novo Leonardo DaVinci, por exemplo. Creio que seja uma questão de época! Hoje em dia é tudo muito mais “reciclável”. Tudo gira em torno do business e não exatamente da paixão pela arte. Existem pontos positivos, caso contrário dificilmente estaria vivendo do meu trabalho com o metal, menos ainda num improvável país como o Brasil, onde qualquer tipo de cultura é subjugado a nada! E ao mesmo tempo existem os pontos negativos, onde, para se manter na crista da onda, é preciso se reinventar a cada instante, onde o novo e original são completamente nulos. Talvez isso aliado à grande quantidade de artistas, muitos geniais e outros dignos de uma imensa vergonha, faça com que tudo seja levado de maneira mais monótona e sendo, assim, reciclável. Da mesma forma que hoje uma banda pode fazer um grande sucesso e amanhã se esvair ao anonimato, coisa que não acontecia há 30 anos, quando estavam sendo formados ainda os grandes baluartes de toda uma geração. Algo merecidamente conquistado, claro! Aquilo era novo, incompreensível e rebelde! O atrito gera a invenção, afinal de contas, foi assim que o fogo foi descoberto, certo? O mercado da arte visual é enorme e existe espaço para todos, desde veteranos até principiantes, mas é um caminho nada fácil, pois existe muita competitividade e para se destacar exige muita dedicação e trabalho árduo. Muitas vezes tão estressante

quanto o trabalho de um banqueiro. Além disso, temos sempre que contar com o vento a nosso favor, a famosa sorte. E, é claro, com o boca a boca por meio de amigos e clientes, que ainda hoje é a melhor campanha de marketing que pode existir. Diria para os iniciantes que deem tempo ao tempo, não queiram colocar a carroça na frente dos bois, estudem muito, pesquisem, trabalhem principalmente a parte visual, do reconhecimento, leiam muito, desenvolvam primeiramente a parte mental para depois trabalhar a física, prática e experimental. Uma coisa importante é deixar claro que dominar as ferramentas (atualmente os softwares) não faz de ninguém um bom designer, mas sim um bom operador técnico, o que é totalmente diferente de ser um designer. O design em si está muito além de um programa de computador! Além disso, que acredite em seu potencial, aceite e entenda as críticas construtivas, tente sempre desenvolver um estilo próprio, honesto, sem deixar a ética de lado e não desistindo diante das aterrorizantes barreiras que enfrentamos, principalmente aqui no Brasil, trabalhando com esse ofício. HELL DIVINE: Como descreveria “O Marcelo” por trás das capas? Marcelo: O Marcelo por trás das capas é um cara extremamente tranquilo, caseiro, simples, de personalidade forte, sem preconceitos, decidido e dedicado, batalhador, às vezes nostálgico, às vezes teimoso, com algumas manias, apaixonado pela família e amigos, além de um verdadeiro aficionado pelo que faz, fã de cinema e amante de qualquer tipo de música com qualidade, principalmente Heavy Metal e suas milhares de vertentes! Acho que é isso! Por Matheus “Myu” Oliveira

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KATATONIA Hangar 110 São Paulo (27/02/2011) Em uma noite chuvosa na cidade de São Paulo, não havia clima melhor para um show do Katatonia e o público não decepcionou, lotou o Hangar 110. Além disso, era notável a ansiedade no olhar de cada pessoa para assistir à atração principal, mas antes assistiríamos ao Of The Archaengel, que teve a honra de abrir o show. Fazendo o lançamento de seu novo álbum, “The Extraphisicallia”, Of The Archaengel tocou cinco músicas deixando bem claras suas influências de My Dying Bride e Paradise Lost e deixou o palco para que curtíssemos os suecos. Depois de alguns minutos assistindo a clipes do Motorhead nos telões, abriram-se as cortinas e os suecos do Katatonia já começaram com “Day and Them the Shade”,

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música que da qual foi feito o primeiro videoclipe do mais recente e elogiado álbum “Night Is The New Day”. O show teve foco nos três últimos álbuns e, em seguida, foram tocadas “Liberation”, “My Twin” – uma das mais aclamadas –, “Onward Into Battle”, “The Longest Year” e “Soil’s Song”. A banda tocou numa maestria tremenda, o som estava muito bom e a cada música o público se entusiasmava mais e mais. A próxima foi “Omerta”, do álbum “Viva Emptiness”,

cantada em uníssono por todos. Outra bastante aclamada foi “Teargas” do “Last Fair Deal Gone Down”; a única do “Discouraged Ones” foi “Saw You Drown”. Logo voltaram ao novo álbum com “Idle Blood”, que Jonas descreve como uma das músicas mais bonitas da banda, e para terminar a primeira parte, tocaram uma trinca matadora do “Viva Emptiness” com “Ghost Of The Sun”, “Evidence” e “Criminals”, e fecham com “July” de forma espetacular. Na segunda parte, voltaram com “For My Demons” (a única do “To-

night’s Decision”), “Forsaker” e “Leaders”. A maior surpresa estava para o final, com duas músicas da fase mais antiga da banda, que fizeram o Hangar 110 vir abaixo com “Without God”, cantada por todos (como na maioria das musicas), e “Murder”. Ao final do show pudemos ver nos músicos uma sensação de grande felicidade em estar tocando no Brasil e, aliás, o novo guitarrista da banda, Per Eriksson, bebeu algumas latas de cerveja o show inteiro e estava bem mais feliz que os outros! Com isso só podemos esperar o próximo álbum do Katatonia e que a próxima turnê passe por terras nacionais e em outros estados para que todos possam conferir o show desses suecos maravilhosos. Ficamos no aguardo. Enquanto isso não acontece, quem foi ao Hangar 110, no dia 27 de fevereiro de 2011, terá esse show como um dos melhores da vida, como é o meu caso.

Texto: Luiz Ribeiro Fotos: Michelle Henrique


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O Heavy Metal sempre foi um estilo que agregava várias formas de comportamento e de vestuário. Existe o corpse paint do Black Metal, o jeito afeminado do Glam Rock, as jaquetas de couro do Metal Tradicional, enfim, estilos e peculiaridades que poderiam render horas de descrição. Mas deixemos esse assunto de moda para a Marie Claire. O que tem incomodado ultimamente é o visual adotado pelas bandas de Deathcore (ou qualquer outro estilo “core” da vida). Pra quem ainda não conhece, o estilo surgiu há pouco tempo, misturando o Death Metal com Metalcore, e tem feito bastante sucesso em todo o mundo, mais precisamente nos Estados Unidos, onde virou uma febre. Nada contra o estilo, muito pelo contrário, até gosto de bastante coisa. Afinal, o que esses caras pensam quando vão se vestir e criar suas identidades visuais? Tudo bem, muita gente deve estar se perguntando: mas o que importa mesmo não é o som? Sim, com toda razão. Não se julga um livro pela capa, mas ao assistir os vídeos na internet ou mesmo assistir a essas bandas ao vivo, torna-se algo

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sofrível e até motivos de risos. A grosso modo, é como se houvesse um encontro entre o Justin Bieber e o Restart. Vamos fazer uma pequena análise: Cortes de cabelo duvidosos, como franjinhas, por exemplo; camisetas (gola V) coloridas ou xadrez; óculos de grau estilo Ray Ban, calças ultra apertadas, bater cabeça sincronizando o movimento do caranguejo (conhecido como crabcore). O vocal nervoso e as guitarras pesadíssimas com afinação baixa simplesmente não condizem com o que vemos. Parece um filme dublado. O Metal sempre foi algo mais brutal, não que todos precisem ter cabelo grande, barba gigante, milhares de tatuagens e piercings ou se vestirem diariamente de preto, mas essa

onda fashion demais está causando alguma estranheza. E quando aparecem os “manos” do metal? Sim, agora tem umas bandas que mais parecem rappers tocando

metal extremo. Bonés de aba reta, correntes de ouro, camisetas e calças largas... Acho que esse texto caberia facilmente na seção “Momento WTF”. Em compensação, as músicas são excelentes, a arte das capas é sempre um destaque, os logotipos são insanos. Enfim, a intenção não é insultar ninguém, pois sempre prezamos pelo respeito. É apenas uma constatação, um desabafo. Será que só eu notei isso? Por Pedro Humangous.


Quando as capas falham... As capas possuem uma importância fundamental em todo trabalho musical desde os primórdios. Deixar explícita a temática musical de um artista ou banda é uma delas, e nada se encaixa melhor nesse exemplo que as chocantes e sanguinolentas capas splatter gore de Death Metal e as imagens anticristãs, satânicas ou pagãs da maioria dos artistas de Black Metal. Mas também não é segredo algum que as capas são um grande auxílio como jogada de marketing para aumentar as vendas do álbum – jura? – e os artistas exploram ao máximo essa oportunidade. Capas grotescas, surreais, enigmáticas, realistas e inovadoras são cuidadosamente criadas para atrair a atenção do possível freguês. Independentemente de gênero e gosto, muitas vezes essas artes cumprem muito bem seu papel. No entanto, às vezes a vontade – ou desespero – de um artista ou banda em usar uma boa capa em seus trabalhos para impressionar acaba, por assim dizer, tomando um rumo “inovador demais”. Como resultado, alguns desses casos originam artes extremamente bizarras e, em outros casos, até mesmo ridículas. Quanto a vocês, que possuem uma banda recente e agora estão migrando para os estúdios, composições e gravações oficiais, já refletiram sobre as capas de seus trabalhos? Espero que essa modesta matéria tenha servido de conselho. Nada de analogias estúpidas e figurino dos ursinhos carinhosos, ok? Se sua praia é o metal extremo, nada que um artista talentoso como Mike Hrubovcak não possa resolver.

Não há como não citar a clássica capa de Dawn Of The Black Hearts da banda norueguesa Mayhem. Na época, o líder da banda, o guitarrista Euronymous achou que seria uma ótima idéia usar uma foto de Dead, o antigo vocalista da banda, quando cortou os pulsos com uma faca e depois estourou a cabeça com um tiro de escopeta. Até hoje não se sabe se foi uma espécie de homenagem póstuma ao vocalista ou uma simples jogada de marketing de Euronymous. Ato genial ou demente? Vocês decidem. O fato é que essa capa expressa até onde pode ir o que seria uma tentativa de chocar, impressionar e chamar a atenção. Não é incomum que algumas capas façam apelo sexual, principalmente para chocar e, conseqüentemente acabem chamando atenção de pessoas que justamente gostam de coisas consideradas incorretas. Na maioria dos casos esse tipo de arte faz um bom trabalho, mas assim como a do álbum Up at the Crack da banda Boned, pode se tornar algo de extremo mau gosto. Além disso, uma capa dessas não faz nenhum guitarrista se sentir, digamos, muito confortável... Culpa do artista da capa? De jeito nenhum! Afinal de contas, a idéia foi da banda.

Para ilustrar como a jogada de marketing às vezes contrasta com o propósito do álbum e da banda, temos o exemplo da banda Manowar e seu disco Into Glory Ride. Manowar é um renomado veterano do Power Metal, conhecido por suas músicas épicas sobre mitologia, coragem, batalhas e criaturas. Uma contradição notória se observarmos a capa, não é? Apesar da boa música, a banda infelizmente deixou o foco escapar com esse figurino, digamos, “alegre” demais. O que poderia ter sido uma boa arte, entrou para a lista das piores capas de metal de todos os tempos.

Yuri Azaghal

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Hate Fusion

Power Metal que se preze. Depois de ouvir Stratovarius e Firewind até o disco furar, experimente Vanlade. Para os fãs do gênero, é uma ótima alternativa. Mais informações e amostra de faixas: http://www.myspace.com/vanlade

Eli

Formada, em 2006, na Argentina e dando as caras no mundo com a sua demo Blinded By Hate (2008), essa banda mostra uma ótima combinação melódica de Death Metal e Thrash que, em minha opinião, devem ser analisadas. Faixas como Melted In Darkness e Circles Of Fire revelam um som bem produzido e variado, em que uma pegada ligeiramente parecida com Children Of Bodom – eu disse ligeiramente! – pode ser percebida. Para os que são bem curiosos e abertos a novas experiências, Hate Fusion é uma ótima opção a se explorar. Mais informações e amostra de faixas: http://www.myspace.com/hatefusion

Vanlade

Abyssgale Uma doce voz lírica em uma sonoridade gótica, com belas sinfonias em contraste com riffs de guitarra com alta distorção. Aos fãs do metal sinfônico e do clima gótico reflexivo, a cantora não deixa nada a desejar em sua carreira solo. No momento, apenas um álbum de estúdio foi produzido intitulado Darkness Will Fall (2008), e posso dizer que a habilidade de composição da cantora e de sua banda não poderia estar mais evidente. Sinceramente, achei que não gostaria, que seria algo monótono, chato e sonolento. Apesar do clima gótico e sinfônico, a música é cativante e bela e a voz da cantora é simplesmente incrível. Se você aprecia uma boa mescla de violinos e guitarras, vai adorar. Mais informações e amostra de faixas: http://www.myspace.com/ elisapezzuto

Sarcolytic

Vanlade apresenta um Power Metal primordial e bem melódico. Formada em Kansas, no ano 2006, a banda já gravou duas demos, sendo uma em 2007 e outra em 2010. A sonoridade é muito bem trabalhada, em especial o baixo, com riffs melódicos, rápidos e agressivos. Ou seja, como toda banda de 50

Essa é uma das que me orgulho de apresentar aqui. Formada no Texas, essa banda apresenta um Death Metal Brutal, com uma sonoridade técnica contendo riffs criativos e letras muito bem escritas. Após o EP Sarcolytic (2005) e Split Album Limb Splitter (2006), a banda lança seu primeiro álbum de estúdio intitulado Thee Arcane Progeny (2010) por meio da Unique Leader Records. Sugiro aos fãs do gênero passarem no Myspace dos caras e ouvirem as faixas de amostra. São apenas duas no momento, mas já são suficientes para mostrar a qualidade incrível desse pessoal. Mais informações e amostra de faixas: http://www.myspace.com/sarcolytic

Cru, direto e sem frescura. Abyssgale soa exatamente como uma boa banda tradicional de Black Metal deve soar. Formada na Grécia, em 2005, o único trabalho da banda no momento é um EP chamado The Coming Plague, gravado em 2006. Pelo pouco que pode ser analisado no Myspace, a banda mostrou ser competente. Faixas como Altar Thane Of Mental Alienation comprovam isso. Riffs rápidos, com boa distorção e um vocal bem trabalhado são os destaques de cada faixa. Recomendo aos fãs de Black Metal ouvirem Abyssgale, porque provavelmente vão gostar. Mais informações e amostra de faixas: http://www.myspace.com/abyssgale Yuri Azaghal


The Big Four: Live From Sofia, Candlemass – Doomology Bulgaria Não há dúvida que esse era um momento há muito aguardado e sonhado entre os maníacos por Thrash Metal: verem juntos os quatro maiores figurões do estilo em um único, insano e magnífico show. Esse sonho se realizou na Bulgária, trazendo Slayer, Megadeth, Anthrax e, obviamente, Metallica tocando juntos seus maiores sucessos. E como era de se esperar, esse evento tão especial tinha de ser registrado na história – ou melhor, nas mídias – para a alegria dos fãs. O box contém quatro DVD’s, 24 encartes com fotos de todas as bandas, um poster, cinco CD’s e uma palheta oficial do show. E o melhor de tudo é que, por incrível que pareça, todo esse material não está tão caro como todos devem imaginar. Com uma pesquisa em lojas especializadas, o box pode ser adquirido por R$ 150,00 a R$ 200,00. Não é exatamente uma quantia insignificante para qualquer um, mas levando-se em consideração que um item como esse costuma valer algo em torno de uns R$400,00... Vale a pena? Depende. Você gosta de Thrash Metal? Você adora Slayer? Acha Anthrax o máximo? Venera o Megadeth? Para você Metallica é divino? Tem grana sobrando? Se disse sim para todas as perguntas, responda essa: O que você está esperando?

Para aqueles fanáticos por Doom Metal, a banda Candlemass não deixa nada a desejar. Um de seus mais recentes lançamentos é o cobiçado box Doomology, que contém cinco álbuns que passam desde os primórdios da banda nos anos 80 até seus lançamentos mais atuais, todos contendo materiais raros de demos e shows ao vivo feitos pela banda em mais de vinte anos. O primeiro CD contém um show da primeira apresentação da banda ao vivo, realizado em Jönköping, Suécia, em abril de 1987. O segundo CD contém outro show ao vivo em Buckley Tivoli realizado em novembro de 1988. Já o terceiro CD contém demos raras intituladas White Album, de 2003 a 2004. Uma versão de Kings Of The Gray Island com Mats Leven nos vocais encontra-se no quarto CD do box e, por fim, o último disco contém diversas demos raras dos anos de 1992 a 2008. Para a alegria dos fãs esse perfeito candidato para um presente de Natal super atrasado encontra-se em uma faixa de R$ 60,00 a R$ 120,00. Como sempre, uma pesquisa meticulosa pode render uma vantagem para o seu bolso! Eu recomendo? Sim. E claro, não há nada mais prazeroso para os fãs do que possuir um material limitado, raro e bem kvlt de suas bandas favoritas. Recomendado fortemente para fãs e curiosos.

Kreator – Hordes Of Chaos Ultra Riot

Mais uma vez...Thrash! O Kreator recentemente lançou um modesto, porém magnífico box intitulado Hordes Of Chaos – Ultra Riot. Além de encartes, fotos e, obviamente, o álbum Hordes Of Chaos, o box ainda conta com um poster e um CD bônus. Nesse novo trabalho o Kreator novamente mostra toda sua criatividade, agressividade e força, apresentando sua tradicional sonoridade cheia de técnica e poder. A faixa de preço vai de R$ 150,00 a R$ 165,00. Mais uma vez o preço está bem mais acessível, muito abaixo do que o esperado, o que é um motivo para comemoração entre os fãs da banda. Ainda não tive a oportunidade de verificar esse box “cara-a-cara”, mas ao julgar pelo Hordes Of Chaos – que pude ouvir e analisar avulso posso dizer que provavelmente valerá a pena cada centavo. Se você ainda não obteve uma opinião definitiva a respeito da banda, ai está uma ótima chance. Já os fãs, com certeza irão amar. Yuri Azaghal

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Promoção Facínora - O inferno é aqui Você já ouviu “Hell is Here”, um dos melhores petardos do Thrash Metal brasileiro lançado em 2010? Então mande agora seu e-mail para promocao@atomicnight.com e concorra a 5 CDs do FACÍNORA!


P E D R RICARDO THOMAZ

E M I LY B O D O M A R C E L MAURICIO BASTOS A T V H A E LUIZ RIBEIRO U S

H O U L M M YURI AZAGHAL A V N I I E G C G I O O N AUGUSTO HUNTER R A S L S FERNANDA CUNHA C I H T E E R E R

! L L E H O T GO O METAL ESTÁ AQUI.

www.myspace.com/helldivine


Hell Divine Magazine 02